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Pedro Ensinou o Batismo

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Academic year: 2021

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CONOZCA AL

MAESTRO

O Batismo:

Pedro Ensinou o Batismo

Owen Olbricht

Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo (Atos 2:38).

Pedro foi levado até Jesus por seu irmão, André (João 1:40, 41). Como discípulo de João (João 1:35), André fora batizado com o batismo preparatório de arrependimento para a remissão dos pecados. André ficou ansioso por levar Pedro para conhecer Jesus, depois de João ter lhe falado dEle (João 1:35–42); muito provavelmente ele também partilhara a mensagem de João com Pedro. Pedro, então, estaria familiarizado com o batismo de arrependimento para o perdão dos pecados. Talvez tenha recebido o batismo que João pregava (Lucas 3:3). Os seguidores de Jesus tornavam-se discípulos através do batismo (João 4:1). Pedro certamente foi batizado ao se tornar discípulo de Jesus (Lucas 6:13, 14).

PEDRO ENSINOU O BATISMO

Pedro ganhou proeminência entre os apósto-los e discípuapósto-los de Jesus. É significativo o aparecimento de seu nome em primeiro lugar, em todas as listas dos apóstolos (Mateus 10:2; Marcos 3:16; Lucas 6:14; Atos 1:13). Apesar de, após a ressurreição e ascensão de Jesus, Pedro ter imediatamente assumido a liderança entre os seguidores de Jesus (Atos 1:15; 2:14, 37), esse fato não significa que Pedro tivesse mais autoridade do que os demais apóstolos. Significa simples-mente que Jesus lhe deu um papel de liderança nos primórdios da igreja. Jesus disse que o que ele e os apóstolos ligassem e desligassem seria ligado e desligado “nos céus” (Mateus 16:19; 18:18). A ERAB traduz fielmente o particípio passivo perfeito desses versículos, indicando que os apóstolos não estariam ligando e desligando por conta própria, mas estariam ligando e desligando o que já havia sido ligado e desligado nos céus.

Quando Jesus, após morrer, ser sepultado e ressurreto, enviou os apóstolos a todo o mundo

para pregarem o evangelho, Pedro estava presen-te e ouviu Jesus dizer que toda a autoridade Lhe fora dada no céu e na terra. Disse Jesus aos apóstolos:

Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo (Mateus 28:18, 19). Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado (Marcos 16:16). E que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém (Lucas 24:47).

Juntamente com outros apóstolos, Pedro aguardou em Jerusalém o cumprimento da promessa do Espírito Santo (Lucas 24:49; Atos 1:4–8), que os ajudaria a se lembrarem de tudo o que Jesus dissera (João 14:26) e os guiaria a toda a verdade (João 16:13). Deveriam começar seu testemunho de Jesus em Jerusalém e depois levar o evangelho ao resto do mundo (Atos 1:8). Sendo preparado dessa maneira, Pedro (e os demais apóstolos) poderia revelar com precisão o ensino de Jesus aos outros.

Em Jerusalém

No dia de Pentecostes (Atos 2:1), em Jerusa-lém (Atos 2:5), Pedro pregou o perdão dos pecados no nome de Jesus Cristo, pela primeira vez na história do mundo (Lucas 24:47). Esse evan-gelho seria mais tarde pregado ao resto do mundo (Atos 1:8). Pedro entendera que a declaração de Jesus a respeito de possuir Ele todo o poder no céu e na terra (Mateus 28:18) significava que Ele subiria imediatamente ao poder junto à destra de Deus (Atos 2:33; 1 Pedro 3:22), onde iniciaria Seu papel como Senhor e Cristo (Atos 2:36). Em seu primeiro sermão, Pedro procurou convencer

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os ouvintes judeus acerca desses fatos e conscien-tizá-los da culpa por terem crucificado o Messias (Atos 2:33–36). Concluiu dizendo que Jesus é Senhor e Cristo.

Essa declaração tocou em cheio o coração deles, um sinal de que creram na declaração de Pedro de que Jesus tanto é Senhor como Cristo. Crer em Jesus como Senhor e Messias significa buscar perdão em nome dEle (Atos 4:12) através do Seu sangue (Hebreus 10:19, 20) e a Ele submeter-se como senhor e rei (Lucas 6:46).

O Novo Caminho

Pedro ofereceu esse novo caminho de perdão ao dizer: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2:38). A NVI diz: “Arre-pendam-se e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos seus pecados, e receberão o dom do Espírito Santo”.

O PERDÃO DOS PECADOS

Alguns têm ensinado que o batismo não é um pré-requisito para a salvação, e outros afirmam que não é necessário o candidato entender que seus pecados estão sendo perdoados no momento em que ele é batizado. O primeiro ponto de vista é defendido por causa de uma teologia segundo a qual a salvação é pela fé somente. O segundo ponto de vista baseia-se numa teologia segundo a qual se uma pessoa está sendo batizada para que seus pecados sejam perdoados, ela está tentando obedecer a uma promessa e não a um mandamento1. Por essa razão, ensina-se que o

candidato não precisa entender que seus pecados estão sendo perdoados no momento em que é batizado.

Se alguém tentar lavar seus pecados com água da mesma forma que lava a sujeira do seu corpo, estará tentando fazer do batismo uma obra de remoção dos pecados — um tipo de obra que a Bíblia ensina que não salva (Efésios 2:8). Por outro lado, se uma pessoa se submete ao batismo por causa da fé em que o sangue de Jesus

pode limpar seus pecados2, seu batismo não é

uma obra de justiça (Tito 3:5), mas sim um ato de fé na obra de Deus, o qual ressuscitou Jesus dos mortos (Colossenses 2:12). O batismo, segundo esse ponto de vista, não é uma obra de homens que remove os pecados, mas sim uma resposta baseada na fé no poder purificador do sangue de Jesus para remover os pecados.

PERDÃO EM NOME DE JESUS

A fé em Jesus despertada pela pregação de Pedro motivou as pessoas a perguntarem: “Que faremos, irmãos?” Pedro lhes disse o que fazer. Aceitar a palavra (Atos 2:41) significava aceitar Jesus como o Messias, endireitar o caminho e ser batizado em nome de Jesus para o perdão, ou remissão, dos pecados.

Quando Pedro lhes disse para “se arre-penderem” queria dizer que deveriam admitir que o pecado era um problema para eles e “ser batizado no nome de Jesus Cristo para a remissão dos pecados” significava que deveriam admitir que a purificação vinha de Jesus e somente àqueles que se arrependessem e fossem batiza-dos. O Novo Testamento não menciona ninguém que, após ter se arrependido, foi batizado tendo entendido algo diferente do que esses primeiros convertidos a Jesus entenderam. O que foi pregado a eles deveria ser pregado a todos os ouvintes sucessivamente (Lucas 24:47), o que significa que os mesmos requisitos para o perdão eram pregados aonde quer que a mensagem fosse levada.

Tanto o arrependimento como o batismo eram para “remissão, ou perdão, dos pecados”. Pedro não disse: “Arrependei-vos para que os vossos pecados sejam perdoados e cada um de vós seja batizado porque os vossos pecados já estão per-doados”. “Para remissão, ou perdão, dos peca-dos” está igualmente relacionado a “arrependei-vos” e “seja batizado”. O mesmo propósito associado ao arrependimento também está asso-ciado ao batismo. Se deveriam ser batizados porque seus pecados já estavam perdoados, então também deveriam se arrepender porque seus pecados já estavam perdoados. A conjunção “e” une igualmente “arrependei-vos” e “seja

batiza-11Rubel Shelly, I Just Want to Be a Christian (“Só Quero

Ser um Cristão”) . Nashville: 20th Century Christian, 1986), pp. 120–27; Jimmy Allen, Rebaptism? (“Rebatismo?”). Mon-roe, La.: Howard Publishing Co., 1991, pp. 41, 48, 155, 206, 210, 211.

12De acordo com o quarto princípio apresentado na

exposição dos princípios que regem a resposta à vontade de Deus, nas lições 2 e 3.

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do” ao propósito “remissão, ou perdão, dos pecados”. Não podiam se arrepender com um propósito e serem batizados para outro propósito; tanto o arrependimento como o batismo visavam ao mesmo propósito.

Newman e Nida escreveram que a frase “para que seus pecados sejam perdoados” (literalmen-te, “para estar dentro do perdão dos pecados”) “modifica os dois verbos principais;

convertam-se dos convertam-seus pecados e convertam-sejam batizados”3.

A palavra “para” na expressão “para remissão dos pecados” é o termo grego eis, que tem o significado primário de um estado ou lugar para outro. Os eruditos em peso defendem legitima-mente que eis significa nessa passagem “com vistas a, ou a fim de — i.e., uma conjunção final ou consecutiva”4.

Oepke alistou eis (Atos 2:38) sob o título “Eis Consecutivo e Final”. Afirmou ele: “A preposição denota a direção de uma ação a um fim especí-fico”. Mais tarde, acrescentou ele: “A força final de eis é aumentada até o nível que a expressão prepositiva associada torna-se uma definição adverbial independente”. Juntamente com outros exemplos disso ele apresenta: “João batiza, e Jesus derrama Seu sangue pelo perdão dos pecados (Marcos 1:4; Lucas 3:3; Mateus 26:28; cf. Atos 2:38)”5.

Thayer colocou eis associado ao batismo sob o título “o fim a que algo se adapta para alcançar”6. Seu léxico remete o leitor ao artigo

sobre batismo, onde Atos 2:38 é traduzido por: “...para obter o perdão dos pecados”7.

Bauer, Gingrich e Danker alistaram eis em Atos 2:38 sob o título “denota o alvo” e o subtítulo “denota propósito a fim de”. Traduziram, portan-to, a expressão usada aqui e em outras passagens

por: “para o perdão dos pecados, para que os pecados sejam perdoados Mateus 26:28; cf. Marcos 1:4; Lucas 3:3; Atos 2:38”8.

A expressão “para remissão de pecados” em Mateus 26:28 é a mesma expressão que se refere ao batismo (Marcos 1:4; Lucas 3:3; Atos 2:38). Se Jesus morreu “para” (eis), a fim de obtermos perdão de pecados, então devemos ser batizados “para” (eis), a fim de obtermos o perdão que Ele nos proveu, pois a expressão “para remissão de pecados” inclui as mesmas palavras gregas nessas passagens. Todavia, se nessa expressão eis signi-fica porque, então não só devemos ser batizados

porque nossos pecados já estão perdoados, mas

Jesus derramou Seu sangue porque nossos peca-dos já estão perdoapeca-dos. Essa interpretação torna-ria Sua morte um derramamento de sangue insensato, um ritual tão vazio quanto o batismo, se os pecados já estivessem perdoados antes do ato. Uma vez que Jesus morreu por uma razão, o uso de eis nessas passagens deve expressar intenção e propósito.

Jesus morreu consciente, sábia e intencional-mente “para” (eis) o perdão dos pecados. Ele sabia e entendia os nossos pecados; portanto, se devemos ser batizados “para” (eis) o perdão dos pecados, também precisamos saber e entender o propósito para o qual estamos sendo batizados. Se eis significa que Jesus estava derramando Seu sangue para um propósito sabido, conclui-se que devemos ser batizados para um propósito sabido. Quem contestaria que eis em Mateus 26:28 expressa o fato de que Jesus sabia qual era o propósito de derramar o Seu sangue? Uma vez que a mesma expressão é usada com relação ao batismo, não se conclui que eis expressa o fato de que devemos saber o propósito de sermos batiza-dos?

Os judeus em Atos 2:5, 37 e 38, por causa da instrução que Pedro lhes dera, entendiam o propósito para o qual deveriam ser batizados. Sendo os primeiros convertidos debaixo da nova aliança, estabeleceram um modelo para todas as gerações futuras de todas as nações. Se eles entendiam que deveriam ser batizados a fim de

13Barkley M. Newman e Eugene A. Nida, A Translator’s

Handbook on the Acts of the Apostles (“Manual do Tradutor

dos Atos dos Apóstolos”). Nova York: United Bible Societ-ies, 1972, p. 60.

14C. F. D. Moule, An Idiom-Book of New Testament Greek

(“Um Livro-Idiomático do Novo Testamento Grego”), 2ª. ed. Cambridge University Press, 1953, p. 70.

15A. Oepke, “eis”, em Theological Dictionary of the New

Testament (“Dicionário Teológico do Novo Testamento”),

ed. Gerhard Kittel, trad. e ed. Geoffrey W. Bromiley. Grand Rapids, Mich.: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1964, 2:429.

16Joseph Henry Thayer, A Greek-English Lexicon of the

New Testament (“Léxico Grego-Inglês do Novo

Testa-mento”). Nova York: American Book Co., 1973, p. 185.

17Ibid., p. 94.

18Walter Bauer, A Greek-English Lexicon of the New

Testament and Other Early Christian Literature (“Léxico

Grego-Inglês do N.T. Grego e Outras Literaturas Cristãs Primitivas”), 2a. ed. ver. William F. Arndt, F. Wilbur

Gingrich e F. W. Danker. Chicago: University of Chicago Press, 1979, p. 229.

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receberem perdão dos pecados, então precisamos entender a mesma verdade a fim de recebermos perdão dos nossos pecados. Praticar uma ação sem a intenção e o propósito corretos é tão desobediente quanto deixar de praticar tal ação. Quem está sendo batizado precisa saber que está sendo batizado a fim de receber o perdão dos pecados.

Alguns concordam que “para” significa “com vistas a” receber perdão dos pecados, mas argumentam que, uma vez que os verbos têm de concordar com os sujeitos em pessoa e número, e uma vez que “arrependei-vos” está na segunda pessoa do plural e “seja batizado”, na terceira pessoa do singular, “arrependei-vos” e “seja batizado” não podem ser misturados para modi-ficar “para remissão de pecados”. A partir disso, concluem que perdão de pecados deve estar associado a “arrependei-vos”, e não a “seja batizado”.

Embora isto pareça violar um princípio gramatical da língua grega, há um amplo acervo de provas para se mostrar que o uso de uma segunda pessoa do plural juntamente com uma terceira pessoa do singular é normal no idioma grego. Exemplos do sujeito e do verbo não concordarem em expressões idiomáticas apare-cem em João 9:3; Lucas 8:30; Mateus 6:19; Marcos 4:41; 1 Coríntios 15:50 e Tiago 5:2, 3. Não se tratam de violações das regras do grego, mas de expressões idiomáticas estabelecidas.

Ao invés de atenuar a ligação entre batismo e perdão dos pecados, a construção gramatical de Atos 2:38 reforça a importância do batismo em relação ao perdão dos pecados. Um artigo escrito por Carroll D. Osburn proporcionou exemplos de tais expressões idiomáticas do grego9. De especial interesse é uma citação de

uma tese de J. Glaze nesse mesmo artigo:

...a terceira pessoa do singular do imperativo não funciona idiomaticamente em concordância com uma segunda pessoa do plural do impera-tivo de maneira a permitir que o falante dirija-se a um grupo para dirigir-dirija-se aos membros desse grupo individualmente. Nesse uso distri-butivo do imperativo, o falante atribui uma importância tão tremenda à ordem que deixa

claro com a terceira pessoa do singular impera-tivo que nenhum membro isolado do grupo está isento10.

Exemplos desse uso são encontrados em Êxodo 16:29; Josué 6:10; 2 Reis 10:19 e Zacarias 7:10 na Septuaginta.

Em vez de desassociar o batismo do perdão dos pecados, Pedro enfatizou ainda mais a necessidade de que cada um de seus ouvintes recebesse o batismo para que seus pecados fossem perdoados. Outras explicações que procuram tirar a importância que Pedro deu a cada um de seus ouvintes ser batizado para o perdão dos pecados constituem uma injustiça contra uma expressão idiomática estabelecida da língua grega.

A ordem é “ser batizado para o perdão dos pecados”. A ordem não é somente “ser batizado”. Se fosse assim, uma pessoa poderia ser batizada como uma questão de obediência a Deus por alguma razão, e ao fazê-lo estaria obedecendo completamente à ordem divina. Todavia, a ordem não é simplesmente “ser batizado”. Quando um pecador aceita o batismo, o “perdão dos pecados” é o seu alvo. Ele deve admitir sua condição de perdido, aceitar Jesus como o Messias, ter fé no Sangue purificador de Jesus e decidir mudar de vida em obediência à vontade do Senhor.

Pedro aceitara tal condição imposta na mensa-gem pregada por João (Mateus 3:2) e Jesus (Mateus 4:17), e na mensagem dos apóstolos de mudarem as vidas porque o reino dos céus estava próximo (Mateus 10:2, 7). Ele também estava obedecendo à ordem de Jesus de pregar o evangelho e batizar os que cressem (Mateus 28:19; Marcos 16:15, 16).

1 PEDRO 3:21

Numa carta escrita mais tarde por Pedro, ele corroborou sua declaração feita no dia de Pente-costes: “A qual, figurando o batismo, agora também vos salva, não sendo a remoção da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa consciência para com Deus, por meio da ressurrei-ção de Jesus Cristo” (1 Pedro 3:21).

A respeito desse versículo, Robert G. Bratcher escreveu o seguinte:

...isso se traduz o que literalmente é “que o

19Carroll D. Osburn, “The Third Person Imperative in

Acts 2:38” (“A Terceira Pessoa do Imperativo em Atos 2:38”), Restoration Quarterly 26. Segundo Trimestre de 1983,

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batismo, como um antítipo”. “Antítipo” é uma coisa ou acontecimento que é considerado o referente de uma coisa ou acontecimento ante-rior, conhecido como “tipo”. A água do Dilúvio era um “tipo” de batismo.

...agora também vos salva: esse agora responde ao agora anterior do versículo 20. Uma tradução que represente o significado fielmente, seria com clareza: “O batismo agora vos salva”. Obviamente, a salvação é sempre uma ação de Deus, mas aqui o batismo, como abaixo o definimos, é o que traz a salvação.

Finalmente, o escritor define o que quer dizer com o batismo salvar alguém: não é um ato físico de limpar a sujeira do corpo, mas a experiência espiritual do ser interior.11

Arichea e Nida afirmaram o seguinte a respeito de 1 Pedro 3:20 e 21:

O “tipo” prefigura o “antítipo”, ou seja, é um símbolo imperfeito de uma realidade que é agora revelada completamente na fé cristã.

De qualquer forma, é esse “antítipo”, seja ele o que for, que agora os salva.

O texto, na forma como se apresenta, faz do batismo (ou da água do batismo) o agente que salva. Todavia, uma leitura cuidadosa do versículo inteiro indica que agora também vos

salva deve ir junto com por meio da ressurreição de Jesus Cristo no final do versículo (compare

1:3).12

Após outras considerações, eles sugeriram que, ao traduzir o versículo, “seria melhor concordar a última oração do versículo 21 com a expressão

que agora vos salva, por exemplo: por meio do

vosso batismo, Deus agora vos salva através da ressurreição de Jesus Cristo dos mortos”13.

Essa declaração feita por Pedro é consistente com a de Atos 2:38. A fé em Deus que levou Noé a construir a arca, por causa da destruição iminente (Hebreus 11:7) é o mesmo tipo de fé que faz uma pessoa perdida, motivada pela con-sciência, buscar a salvação sendo batizada no nome de Jesus Cristo. O batismo está, de certa forma, inseparavelmente associado à salvação provida pela morte e ressurreição de Jesus.

Outra consideração em 1 Pedro 3:21 diz respeito à expressão “a indagação de uma boa consciência para com Deus”, melhor traduzida por: “a indagação ou súplica a Deus de uma boa consciência”14. Independentemente de qual seja

a tradução correta, a consciência está envolvida na indagação, ou súplica. Se uma pessoa não entende o que está indagando, ou suplicando, como pode fazer a indagação? A explicação mais razoável é que a indagação por salvação é feita a Deus por um pecador que tem uma boa con-sciência, uma consciência como a de Saulo, o perseguidor (1 Timóteo 1:13), mesmo antes de se tornar cristão (Atos 23:1). Uma consciência corrompida não levaria uma pessoa a fazer tal indagação.

A indagação, ou súplica, pela salvação do pecado não significa que a pessoa esteja tentando perdoar seus próprios pecados ao obedecer a uma ordem; mas que sua consciência a convenceu a ser batizada para receber perdão dos pecados, suplicando a Deus por salvação. Só os que entendem a devida ligação entre o batismo e o perdão dos pecados podem fazer tal indagação, ou súplica.

Pedro considerava o batismo uma resposta de fé necessária para se receber o benefício do ato de redenção realizado por Jesus. Não é de admirar que Pedro tenha ordenado a seus ouvintes que fossem batizados (Atos 10:48; cf. 2:38).

CONCLUSÃO

Pedro foi treinado e escolhido por Jesus para ser o primeiro a pregar a salvação em Seu nome. Em Jerusalém, ele ajudou os presentes em seu primeiro sermão a admitirem que estavam perdidos. Vieram a crer em Jesus e perguntaram o que fazer. Pedro lhes disse para fazerem as mudanças necessárias em suas vidas a fim de seguirem Jesus. Os que aceitaram com alegria sua palavra foram batizados, entendendo eviden-temente que seus pecados seriam perdoados, quando se arrependessem e fossem batizados em nome de Jesus (Atos 2:38–41). Essa mensagem não foi pregada apenas aos judeus a quem Pedro ensinou naquele grande dia de Pentecostes, mas também ao resto do mundo (Lucas 24:47).

11Robert G. Bratcher, A Translator’s Guide to the Letters

From James, Peter, and Jude (“Guia do Tradutor das Cartas

de Tiago, Pedro e Judas”). Londres: United Bible Societies, 1984, p. 109.

12Daniel C. Arichea e Eugene A. Nida, A Translator’s

Handbook on the First Letter From Peter (“Manual do Tradutor

da Primeira Carta de Pedro”). Nova York: United Bible Societies, 1980, pp. 119–21.

13Ibid.

14Hugo McCord, New Testament (“O Novo Testamento”).

Referências

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