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no merCado de hospedaGem:
autonomia privada,
internet,
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únior Doutor, Mestre e Bacharel em Direito pela Universidade de São Paulo. Professor do Programa deMestrado e Doutorado da Universidade de Fortaleza (PPGD-UNIFOR). [email protected]
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ereissati Mestranda e Bacharel em Direito pela Universidade de Fortaleza (PPGD-UNIFOR). Especialista emDireito da Economia e da Empresa pela FGV/SP. [email protected]
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ezerra Graduado em Direito pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Pós-Graduadoem Direito e Processo do Trabalho pela Faculdade Evolutivo. Mestre em Direito Constitucional pela UNIFOR. Professor da Faculdade Cearense (FaC). [email protected]
Recebido em: Pareceres em: 31.07.2018, 01.08.2018 e 25.08.2018
áreado direito: Consumidor
resumo: O presente artigo tem por escopo
ana-lisar alguns dilemas gerados pela expansão da autonomia privada por meio do uso de platafor-mas on-line (internet) que permitam o
desenvol-vimento de prestações de serviços de pessoa a pessoa (P2P), em especial o Airbnb, no intuito de
facilitar a criação de relações negociais mediante
aBstraCt: The present article has as its scope the
analysis some dilemmas generated by of the ex-pansion of the private autonomy by the use of the online platforms (internet) that allow the develo-pment of the service provisions peer to peer (P2P), especially the Airbnb, in attempt to ease the crea-tion of business relacrea-tionship by the use of sharing
BRASILCON
o uso da economia colaborativa, de forma tal que concretize situações que satisfaçam necessida-des humanas do século XXI, gere circunstâncias de consumo colaborativo e efetivação do princí-pio da livre-iniciativa. Ao mesmo tempo, o artigo chama atenção para a consideração das relações criadas nesse contexto como relações de consumo diferenciadas, estando na fronteira entre direito do consumidor e direito civil, pela proximidade com a locação de imóveis. Para tanto, utilizou-se de pesquisa bibliográfica como forma de descre-ver e explorar as características inerentes a essa nova modalidade de amplificação do poder de autorregulamentação. Por fim, apresentam-se indagações tendentes a estimular o desenvolvi-mento da ciência jurídica, a partir da perspectiva consumerista, tomando por referência também um comunicado da compreensão da União Euro-peia emitido em julho de 2018.
palavras-Chave: Autonomia privada – Economia
colaborativa – Consumo colaborativo – Airbnb – Internet.
economy, in such way that materializes situations that satisfies the needs of the XXI century man and develops situations of collaborative consumption and the effectuation of the principle of free ini-tiative. At the same time, the article draws atten-tion to the relaatten-tionships created in this context as distinct consumer relations, being at the border between consumer law and civil law, proximity to real estate leasing Therefore, the research of the bibliographic type, as a way to describe and ex-plore the inherent characteristics of this new form of amplification of the power of self-regulation. Finally, the paper presents inquiries aimed at sti-mulating the development of legal science, from the perspective of consumerism, with reference also to a communiqué of the European Union’s understanding, issued in July 2018.
keywords: Private autonomy – Peer-to-peer
ne-gotiation platforms – Shared economy – Collabo-rative consumption – Airbnb – Internet.
Sumário: 1. Introdução. 2. Autonomia privada e o uso de plataformas Peer-to-Peer (P2P).
2.1. Conceito de autonomia privada. 2.2. Negociações por plataformas peer-to-peer. 3.
Eco-nomia colaborativa e consumo colaborativo. 3.1. EcoEco-nomia colaborativa. 3.2. Consumo cola-borativo. 4. Airbnb como manifestação da livre iniciativa e da autonomia privada. 5. Operações do Airbnb tratadas como relações jurídicas de consumo: a situação na União Europeia e no Brasil. 6. Airbnb versus rede hoteleira: conflito e necessidade de reconfiguração do mercado. Conclusão. Referências.
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ntroduçãoEm 2017, empresários do setor hoteleiro na cidade de Fortaleza, Estado do Ceará, propuseram reunião com o prefeito da capital, com o intuito de tratar sobre a plataforma on-line Airbnb, que tem como função possibilitar a disposi-ção temporária de cômodos em residências, mediante pagamento. A queixa da indústria hoteleira residia no aludido prejuízo gerado com a chegada da empresa. Alegava-se concorrência desleal, em razão de recaírem sobre os hotéis requisitos burocráticos e demandas tributárias para exercerem sua atividade que não in-correriam sobre os anfitriões que oferecem hospedagem temporária remunerada mediante o Airbnb, além de encargos sociais com empregados.
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Em nenhum momento o artigo pretendeu exaurir os assuntos pertinentes à temática, senão chamar atenção ao fenômeno Airbnb no mercado de hospeda-gem, propiciado pela união de elementos e recursos inexistentes no passado. Nesse novo contexto, entende-se ser necessário valorizar e proteger a capacidade das pessoas de livremente estabelecerem relações de coordenação em face das situações propiciadas pela tecnologia de rede (internet) e pela economia colabo-rativa, com ganhos de sustentabilidade, mediante melhor alocação de recursos inativos. Pode-se afirmar ainda que as relações criadas pelo fenômeno Airbnb permitem uma melhor e maior distribuição de renda, em plena economia capita-lista, outro fator que merece atenção. Por isso deve o Direito proteger as relações contratuais dessa modalidade negocial.
O artigo pretendeu, ainda, alertar para o perigo da imposição de uma regula-mentação da atividade horizontal de hospedagem que venha a inibir tais opera-ções de economia colaborativa, em nome de um dissimulado interesse particular do setor hoteleiro. De rigor, o argumento de desigualdade de tratamento em desfavor dos hotéis não condiz porque, primeiro, as atividades não coincidem plenamente. O mercado de hotéis oferece serviços que vão muito além da hospe-dagem e há pessoas dispostas a buscar tal mercado exatamente por esses valores agregados. Falha ainda a equiparação pelo sistema de distribuição de recursos que cada um gera. No modelo de economia colaborativa do Airbnb, além do intangível de confiança geral nas relações que propicia, pela divulgação da ava-liação contínua da conduta dos contratantes, e da otimização no uso dos imó-veis, alcança-se maior grau de distribuição de renda entre hospedeiros, em sua maior parte pessoas físicas da classe média, e economia por parte dos hóspedes, permitindo-se melhor alocação de recursos, em favor da sustentabilidade e da poupança popular.
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