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GAB. DES. MANOEL SOARES MONTEIRO

ACÓRDÃO

APELAÇÃO Cb./EL N.° 200.2005.052.789-01001 RELATOR: DES. MANOEL SOARES MONTEIRO

APELANTE: Vicente de Paulo Rodrigues de Macedo e outra ADVOGADAS: Euzélia Rocha Borges Serrano e outra

APELADO: Bradesco Seguros S/A

ADVOGADOS: Paulo Wanderley Câmara e outros •

INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E PATRIMONIAIS —Extinção sem resolução do mérito — Ilegitimidade passiva — lrresignação — Acolhimento — Legitimidade da seguradora - Provimento.

•- "CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. CONTRATO DE SEGURO. AÇÃO AJUIZADA PELA VITIMA CONTRA A SEGURADORA. LEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM. ESTIPULAÇÃO EM FAVOR DE TERCEIRO. DOUTRINA E PRECEDENTES. RECURSO PROVIDO.

I — As relações jurídicas oriundas de um contrato de seguro não se encerram entre as partes contratantes, podendo atingir terceiro beneficiário, como ocorre com os seguros de vida ou de acidentes pessoais, exemplos clássicos apontados pela doutrina.II — Nas estipulações em favor de terceiro, este pode ser

pessoa futura e indeterminada, bastando que seja determinável, como no caso do seguro, em que se identifica o beneficiário no momento do sinistro.

III — O terceiro beneficiário, ainda que não tenha feito parte do contrato, tem legitimidade para ajuizar ação direta contra a seguradora, para cobrar a indenização contratual prevista em seu favor" (REsp 401.718/PR, Rel. Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, QUARTA TURMA, DJ 24.03.2003 p. 228).

Vistos, relatados e discutidos estes autos, antes identificados:

ACORDA, a Egrégia Primeira Câmara Cível do Tribunal de Justiça da Paraíba, à unanimidade, em DAR PROVIMENTO AO APELO.

Relatório

Vicente de Paulo Rodrigues de Macedo e teone Araújo Silva

ajuizaram Ação de Indenização por Danos Morais e Materiais c/c Pedido de Tutela Antecipada contra a BRADESCO Seguros S/A.

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Em suma, alegaram que no dia 09/06/2005, o veículo a eles pertencente foi abalroado por automóvel de terceira pessoa, detentora de contrato de seguro veicular avençado com a prombvida.

Aduziram, ainda, que encaminhado o veículo para a concessionária, a ré, malgrado tenha arcado com as despesas derivadas dos serviços de mecânica, funilaria e pintura, causou-lhes prejuízos de ordem material e moral, uma vez que teria atrasado a autorização para os reparos, obrigando-os a ficarem sem carro por cerca de trinta dias.

Suplicaram, ao fim, pela condenação da empresa seguradora ao pagamento de indenização por danos morais, referentes ao constrangimento e sensações negativas por que passaram; além da reparação dos prejuízos materiais, já que tiveram de locar um automóvel para se locomoverem e trabalharem, visto que o veículo sinistrado era utilizado para a atividade de cobrança de cheques, duplicatas e promissórias para diversas firmas.

Indeferida a antecipação da tutela, a promovida ofertou contestação, argüindo a preliminar de ilegitimidade ativa, e, no mérito, pugnando pela improcedência do pedido.

Finda a regular tramitação do feito, o MM. Juiz extinguiu o processo sem resolução do mérito, por vislumbrar não possuir a promovida legitimidade passiva (f Is. 74/77).

Inconformados, os autores interpuseram o presente recurso, pugnando pela total reforma do julgado, inclusive com a procedência do pedido (fls. 78/80).

Devidamente intimada, a recorrida apresentou seu contra-arrazoado, propugnando pela manutenção do julgado (fls. 83/88).

Instada a se manifestar, a douta Procuradoria de Justiça, em parecer (fls. 94/95), entendeu não ser o caso de intervenção ministerial obrigatória.

É o relatório.

Voto — Des. Manoel Soares Monteiro:

Almejando o ressarcimento dos gastos com a locação de veículo, a reparação dos lucros cessantes e o ressarcimento pelo constrangimento e vexame sofridos, os autores promoveram a presente ação de indenização por danos materiais e morais contra a Bradesco Seguros S/A.

Para tanto, alegaram que o tempo estimado para os reparos do automóvel a eles pertencente, foi elevado em muito, por pretensa negligência da promovida, empresa seguradora do terceiro responsável pelo sinistro.

Pois bem, consoante o posicionamento jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça, o terceiro que foi vítima em acidente automobilístico pode mover a ação de indenização por danos pessoais e materiais diretamente contra a seguradora que tenha contratado com o veículo envolvido no acidente.

Os efeitos da relação contratual não se restringem às partes contratantes, admitindo-se a estipulação em favor de terceiros, como ocorre nos contratos de seguro, em que o beneficiário pode ser uma pessoa indeterminada, mas determinável, quando da ocorrência do sinistro.

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STJ: "CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. CONTRATO DE SEGURO. AÇÃO AJUIZADA PELA VITIMA CONTRA A SEGURADORA. LEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM: ESTIPULAÇÃO EM FAVOR DE TERCEIRO. DOUTRINA E PRECEDENTES. RECURSO PROVIDO.

I — As relações jurídicas oriundas de um contrato de seguro não se encerram entre as partes contratantes, podendo atingir terceiro beneficiário, como ocorre com os seguros de vida ou de acidentes pessoais, exemplos clássicos apontados pela doutrina.

II— Nas estipulações em favor de terceiro, este pode ser pessoa futura e indeterminada, bastando que seja determinável, como no caso do seguro, em que se identifica o beneficiário no momento do sinistro. III — O terceiro beneficiário, ainda que não tenha feito parte do contrato, tem legitimidade para ajuizar ação direta contra a seguradora, para cobrar a indenização contratual prevista em seu favor" (REsp 401.7181PR, Rel. Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA, QUARTA TURMA, DJ 24.03.2003 p. 228).

STJ:

"RESPONSABILIDADE CIVIL. Acidente de trânsito. Atropelamento. Seguro. Ação direta contra seguradora. A ação do lesado pode ser intentada diretamente contra a seguradora que contratou com o proprietário do veículo causador do dano. Recurso conhecido e provido." (REsp 294.057/DF, Rel. Ministro RUY ROSADO DE AGUIAR, QUARTA TURMA, julgado em 28.06.2001, DJ 12.11.2001 p. 155)

Segundo o voto do Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, quando do julgamento do Resp 257880/RJ, "Abre-se exceção ao princípio da relatividade dos contratos, que contém a idéia de que os efeitos do contrato não alcançam terceiros. A força vinculante do contrato fica restrita às partes, sendo ele res inter alios acta. Isso significa que os efeitos da avença não aproveitam nem prejudicam terceiros. Justifica-se o princípio, quando temos em mente que o vínculo contratual nasce da vontade das partes, não sendo plausível que terceiros sejam alcançados por uma relação jurídica que não decorre do querer deles ou da lei. A estipulação em favor de

terceiros abre uma brecha nesse princípio. (Curso de Direito Civil, v.5, Belo Horizonte: Del Rey, 1996, cap. X, n.° 1, p. 150).

• Ao prever o contrato a indenização devida por 'danos pessoais a terceiros', neles incluídas a morte, a invalidez permanente e as despesas com assistência médico-hospitalar, no caso a seguradora e a empresa segurada estipularam, a rigor, uma vantagem patrimonial em favor de terceiro, pessoa indeterminada no momento da celebração do ajuste, porém determinável quando da ocorrência do sinistro.

(...) Não foi outro o magistério de Clóvis Bevilaqua, ao comentar o art. 1.098 do Código Civil: 'O Código Civil brasileiro considera a estipulação em favor de terceiro uma relação contratual sui generis, na qual a ação para exigir o cumprimento da obrigação se transfere ao beneficiário, sem aliás perde-la o estipulante. É um caso de despersonalização dupla, tendo por ponto de conjunção o promitente, que contrata com o estipulante realizar uma prestação, que irá cumprir nas mãos do beneficiário' (Código Civil dos Estados Unidos do Brasil, Editora Rio, 1979, p. 214, g.n).

Como se vê, o terceiro beneficiário goza de legitimidade para pleitear a indenização prevista no contrato de seguro, desde que atenda aos requisitos previstos na avença, notadamente ter sofrido o dano, nos moldes descritos nas cláusulas contratuais pertinentes."

Outro não foi o posicionamento adotado pela uart Câmara Cível deste Egrégio Tribunal de Justiça da Paraíba:

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-• .

"RESPONSABILIDADE CIVIL. Acidente automobilístico. Culpa. Danos materiais. Comprovação. Seguradora. Legitimidade passiva. (...). II. O entendimento atual da jurisprudência do STJ é de que o terceiro que foi vítima em acidente automobilístico pode mover ação de indenização por danos pessoais e materiais diretamente contra a seguradora que tenha contratado com o veículo envolvido no acidente." (AP. Civ. 025.2003.00719031001

-2 a Câmara Cível — Rel. Des. Antônio Elias de Queiroga — DJ

3010312006)

Assim, sem se afrontar a liberdade contratual das partes, visto que estipularam, livremente, uma cobertura para a hipótese de danos a terceiros, o prejudicado pode haver a reparação que lhe é pretensamente devida diretamente da seguradora.

; De outra banda, malgrado reconheça a legitimidade passiva da apelada, entendo que a causa não se encontra madura para o seu imediato julgamento por esta Corte (art. 515, § 30, CPC), sendo necessário a fixação dos pontos controvertidos e a produção dos meios de prova indicados pelos contendores, entre eles o depoimento pessoal do demandante e a oitiva do terceiro segurado,

111 requeridos ao fim da peça contestatória (f 1. 28).

Por tais razões, DOU PROVIMENTO AO APELO, para, expurgado a ilegitimidade passiva ad causam, determinar o retorno dos autos ao Juízo de origem.

É como voto.

Por votação indiscrepante, deu-se provimento ao apelo.

Participaram do julgamento, além do Relator, os Exmos. Juízes Convocados Miguel de Britto Lyra Filho e Maria das Neves do Egito.

Presente a Exma. Dra. Otanilza Nunes de Lucena, representante da douta Procuradoria de Justiça.

Sala de Sessões da Egrégia ia Câmara Cível do Tribunal de Justiça do • Estado da Paraíba, aos 14 dias do mê de jun o do an 2007/

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Des. NOEL SOARES MONTEIRO Relator

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