PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO NA
Título: Transfusão Maciça/Emergência Elaborado: Hildenete Monteiro Fortes
Aprovado e liberado por: Hildenete Monteiro Fortes Data da Elaboração: 25 de Abril de 2005
Assinatura:
Data da implantação: 24/04/2005.
Data da revisão: 14.11.11 Revisado por: Hildenete Monteiro Fortes
Periodicidade da Revisão: anual Tempo de arquivo: 05 anos
Setor: Todos aqueles que solicitam Transfusão à Agência Transfusional do HUJM Código do documento: TX maciça 08
Número da versão atual: 04 Número total de Páginas: 17
Número de cópias-distribuição: 09 – Original para a direção – arquivo
Setores do HUJM: Pronto Atendimento, Clínica Médica, Clínica Cirúrgica, Centro Cirúrgico, Pediatria, Berçário, UTI Adulto, Chefia de Enfermagem, Clínica Ginecologia e Obstetrícia.
ESTE É UM DOCUMENTO CONTROLADO – Não deve ser copiado ou distribuído sem a autorização da chefia da Agência Transfusional do HUJM
Considerações
O Serviço de Hemoterapia do HUJM tem como norma manter sob seu estrito controle todo uso de sangue e de Hemocomponentes no Hospital. As orientações estão de acordo com a Portaria Nº1353 de 13 de junho de 2011.
Toda transfusão de sangue traz um si um risco, seja imediato ou tardio, devendo, portanto ser criteriosamente indicada. O médico que prescrever a transfusão é o responsável pela correta indicação de uso – RDC Nº 151, de 21 de agosto de 2001, art. 10 – Das responsabilidades item II.
Solicitação de Transfusão: “Toda e qualquer transfusão de hemocomponentes ou hemoderivados deve ser solicitada e/ou prescrita por médico”
As necessidades transfusionais de um paciente com trauma severo ou aqueles pacientes que necessitam de transfusão maciça, associadas os procedimentos cirúrgicos eletivos, apresentam aspectos semelhantes. Cuidado especial deve ser tomado no atendimento a esses pacientes, com sua adequada identificação e das amostras sanguíneas, pois existe maior risco de reações transfusionais por incompatibilidade ABO além de estas reações poderem ser confundidas com coagulopatias em virtude de hipotermia, hemodiluição e choque.
Todo médico que utiliza hemocomponentes deve ter em mente que os estoques destes são limitados e apresentam quedas sazonais – carnaval, etc.
Definição: TRANSFUSÃO MACIÇA pode ser considerada quando houver qualquer uma das situações abaixo:
1. Reposição de uma ou mais volemia sanguínea em um intervalo de 24 horas 2. Reposição de 30 a 50% do total da volemia sanguínea em 3 horas
3. Transfusão de mais de 20 unidades de concentrado de hemácias 4. Transfusão de 4 unidades de concentrado de hemácias em 1 hora
Título: Transfusão Maciça/Emergência
TRANSFUSÀO de EMERGÊNCIA - quando qualquer retardo na administração da transfusão pode acarretar risco para a vida do paciente. Na transfusão de emergência a indicação e responsabilidade são exclusivas do médico que presta atendimento direto ao paciente, o qual deve preencher e assinar formulário próprio autorizando a liberação de hemocomponentes sem exames pré transfusionais.
I.1.3.1. – O médico solicitante deve ser informado dos riscos e será responsável pelas conseqüências do ato transfusional.
SITUAÇÕES CLÍNICAS em que a transfusão maciça é altamente possível de ocorrer: 1. Hemorragia digestiva – 31%
2.Poli trauma – lesão de grandes vasos, lesão hepática e fratura de ossos da pélvis 29 % 3.Cirurgia cardiovascular – 12%
4.Doenças neoplásicas – 9%
5.Complicações associadas à gestação ou parto – síndrome HELLP (hemolisys (H), elevated liver enzymes (EL) and low platelets (LP), atonia uterina ou coagulação intravascular disseminada CIVD (4%)
6.Associada as cirurgias – vasculares, cardíacas, hepáticas etc. 7.Ressecções radicais de próstata
8.Prótese de quadril 9.Transplante hepático.
Abordagem do Paciente: Trabalhos clínicos experimentais têm mostrado que perda de até 75% de massa eritrocitária pode ser tolerada, desde que seja mantida a volemia. Porém perdas volêmicas de cerca de 30% são freqüentemente fatais. A atenção inicial em pacientes com hemorragias deve ser dada à manutenção da volemia, e posteriormente devemos nos ater à capacidade de transporte de oxigênio. O paciente deve ser avaliado clinicamente com o intuito de quantificar a perda sanguínea, o que é muitas vezes difícil em um paciente com hemorragia. Para tanto, é preconizado pela ATLS (Advanced Trauma Life Support), apresentado na tabela abaixo.
De um modo geral, não há necessidade de transfusão de hemácias para os pacientes com trauma agudo das Classes I e II, particularmente em pacientes jovens que podem adaptar-se bem à anemia por perda aguda, e, devem receber soluções cristalóides. Se mais de 40% do volume sanguíneo foram perdidos (classe III e IV) em
pacientes jovens, ou menos, em pacientes mais idosos que podem ter já de antemão funções orgânicas criticamente comprometidas, além de receber as soluções cristalóides, necessitam restaurar a capacidade de carrear oxigênio e, eventualmente, reposição de elementos responsáveis por hemostasia.
Importante lembrar que apenas um terço do volume de cristalóide administrado permanece no espaço intravascular, o restante extravasa rapidamente para o espaço intersticial, portanto as perdas sanguíneas quando repostas com cristalóides devem manter a proporção de 03 volumes de cristalóides para cada volume de sangue perdido. Outro detalhe, períodos variáveis de hipoperfusão tecidual determina alterações relevantes na permeabilidade de micro circulação, fazendo com que a distribuição para o espaço intersticial seja facilitada, isto é amenizado com soluções que aumentem a pressão coloidosmótica intravascular, utilizando soluções de albumina humana ou expansores plasmáticos (dextranos de baixo peso molecular ou os amidos – hetastarch ou pentastarch ), a utilização destes não é isenta de complicações como interferência na hemostasia e reações anafiláticas.
O hematócrito não é um bom parâmetro para guiar a decisão de transfundir ou não transfundir, devido ao fato de que só começa a diminuir uma a duas horas depois do início da hemorragia.
Perda Aguda de Sangue estimada baseada na apresentação clínica inicial do paciente Classe I Classe II Classe III Classe IV
Perda de sangue - ml Até 750 750 - 1500 1500 - 2000 > 2000
Perda de sangue - % VS Até 15 15 - 30 30 - 40 > 40
Pulso ( min ) < 100 100 - 120 > 120 - 140 > 140
Pressão de pulso# N ou A N D D
Pressão arterial Normal Normal Diminuída Diminuída
Freq. Respiratória - min < 20 20 - 30 30 – 40 > 35
Débito urinário – ml/h > 30 20 – 30 5 – 15 Desprezível
SNC ( estado mental ) Ansiedade discreta Ansiedade moderada Ansioso e confuso Confuso e letárgico Fluídos Somente cristalóides Cristalóides; possível TS Cristalóides ; provável TS TS e cristalóides # Pressão de pulso – diferença entre pressão sistólica e diastólica
Título: Transfusão Maciça/Emergência Considerações Concernentes à transfusão maciça de sangue
1. A necessidade imediata ou urgente de hemácias e outros produtos podem prescindir dos testes de compatibilidade de rotina
2. Podem ocorrer erros na identificação da amostra
3. Uma transfusão rápida de hemácias pode causar hipotermia Aquecedores de sangue
Substância salina aquecida misturada com sangue
4. Complicações geradas por transfusão de grande volume durante um curto período de tempo (< 24 horas )
Metabólicas Diluicionais
5. Acompanhamento do grupo para examinar o risco de transmissão de doenças através da transfusão de sangue.
Correção de Perda Sanguínea
1. Canulização de duas veias – cateter calibre 16G
2. Soluções cristalóides: soro fisiológico, ringer lactato etc.
3. Soluções de Albumina Humana 5 a 25% ou expansores plasmáticos. 4. Uso de hemocomponentes
5. Outras medidas
A decisão de quais hemocomponentes e quando devem ser transfundidos deve ser feito baseando-se na avaliação clínica e resposta à terapêutica inicial, à localização e extensão de lesões, duração do choque, resposta à ressuscitação e presença de fatores complicantes como sangramento intracraniano. Em situações nas qual a hemoglobina é inferior a 6 g/dl existe grande risco de hipóxia tissular e comprometimento das funções vitais, aqui os mecanismos compensatórios não seriam eficazes para prevenir o dano tecidual. Entre 6 e 10 g/dl de hemoglobina, a anemia pode ou não exigir transfusão, ficando a indicação na dependência da avaliação clínica do paciente, doença de base etc. A reposição de hemácias, tem como função restabelecer a capacidade de transporte de oxigênio, evitando hipoxemia tecidual.
A reposição de plaquetas pode estar indicadas em pacientes que apresentam sinais de sangramento micro vasculares (petéquias, sangramento de mucosas ou por cateter) e se a contagem de plaquetas tem os níveis de 50.000 / mm3 ou menos. Pacientes com lesão de sistema nervoso central devem ser mantidos com níveis de plaquetas acima de 100.000 / mm3
Não existe uma fórmula para a reposição de plasma fresco congelado em TM, sendo geralmente feita se TP ou TPPa for maior que 1.5 vezes o limite do valor de controle. A concentração de fibrinogênio deve ser mantida acima de 100 mg/dl, a
reposição de crioprecipitado pode ser usada com essa finalidade.
Resumo das recomendações práticas para tratamento com hemocomponentes Sociedade Americana de Anestesiologia (ASA – guidelines)
♦ Concentrado de Hemácias - Geralmente indicado quando Hb < 6 g / dl - Raramente indicado quando Hb > 10 g / dl
♦ Plasma fresco congelado - Geralmente indicado quando TP ou TTPa > 1.5 x controle ♦ Concentrado de plaquetas - Geralmente indicado quando número < 50.000 / mm3 - Raramente indicado quando número > 100.000 / mm3 ♦ Crioprecipitado - Geralmente indicado se há sangramento e fibrinogênio < 80 g/dl - Sangramento na doença de von Willebrand sem resposta ao DDAVP
DOSES:
Concentrado de hemácias – 01 U eleva 3 a 4% no hematócrito e o nível de Hemoglobina em 1 g /dl. Pacientes adultos 20 ml/Kg e crianças 10 ml/Kg
Plasma fresco congelado – 10 a 20 ml/Kg ou 01 U PFC para cada 20 kg de peso Concentrado de plaquetas – 01 U/10 Kg
Título: Transfusão Maciça/Emergência COMPLICAÇÕES
As complicações associadas com a transfusão maciça geralmente estão associadas à infusão de materiais usados para aumentar o período de estocagem do sangue ou a alterações que ocorrem durante a estocagem. Os problemas metabólicos imediatos importantes, associados à transfusão sanguínea, se relacionam com a possibilidade de altas concentrações de potássio levar à hipercalemia e/ou a infusão rápida de citrato causar hipocalcemia.
HIPERCALEMIA
A hipercalemia se origina do fato de a concentração extracelular de K+ aumentar progressivamente durante a estocagem das hemácias, o potássio deixa o interior da célula por falência da bomba de sódio, atingindo 27 mEq/l e 40 mEq/l após 35 e 42 dias de estocagem respectivamente. Como cada unidade de CH contém cerca de 250 ml, a cada unidade transfundida, seriam administrados 7 mEq de potássio. A correção da volemia e do transporte de oxigênio revertem a acidose e modificam o sentido do fluxo de potássio para o interior das células. A hipercalemia esperada durante a TM não chega a ser um problema, exceto em pacientes com insuficiência renal.
HIPOCALCEMIA
Evento temido durante a TM, por acarretar alterações no estímulo elétrico cardíaco (alargamento do intervalo QT), insuficiência ventricular aguda, convulsão e hipotensão. Pode ocorrer devido às grandes quantidades de ácido cítrico na transfusão rápida de grandes volumes de plasma (> 20 ml/Kg ou de 50 a 150 ml/min), ou plaquetas, levando a redução de 40 a 50% dos valores normais de cálcio iônico, que retornam ao valor normal em poucos minutos, após a interrupção da infusão. Na verdade, esse fenômeno está mais relacionado com a velocidade de infusão da transfusão que com a quantidade de hemocomponente transfundido.
O ácido cítrico produz ligação estável com o cálcio iônico que volta a ser liberado depois do metabolismo do citrato pelo fígado. O citrato pode ser útil, pelo fato de aumentar os níveis de bicarbonato no plasma, promovendo uma alcalose metabólica, que poderá antagonizar a acidose metabólica associada à hipoxemia, que é o distúrbio ácido básico mais importante nestes pacientes, ajudando também a reduzir o K+ no plasma. Na maioria dos casos o uso de cálcio é desnecessário, devemos manter a vigilância dos sintomas de hipocalcemia.
O tratamento pode ser feito com gluconato de cálcio (30 mg/Kg) ou cloreto de cálcio ( 10 mg/ml ) que é preferível, já que o cálcio ionizado é mais rapidamente disponível.
Importante: não administrar cálcio pela mesma via de administração do sangue, pois, pode ocorrer formação de micro êmbolo (pela anulação do efeito quelante do citrato).
ACIDOSE
A coleta de sangue em solução de preservação ácida CPDA-1 (pH 5,5) reduz o pH para 7, no final de 35 dias o pH é de 6.6, resultando acúmulo de CO2 e ácidos fixos. A acidose está mais relacionada ao choque com hipoperfusão dos tecidos, que à quantidade de sangue transfundido. É possível que pacientes com função hepática comprometida necessitem de bicarbonato para correção da acidose, entretanto, como esses pacientes recebem substâncias precursoras do bicarbonato – acetato, lactato e citrato, a alcalose metabólica é o achado mais freqüente nos paciente em TM. É preciso conhecer o pH e o déficit de base para providenciar as correções e manter o pH próximo de 7.3
2,3 – DIFOSFOROGLICERATO ( 2,3 – DPG )
É encontrado no interior da hemácia, tem influência na afinidade da hemoglobina por oxigênio. A concentração de 2,3 – DPG cai gradualmente durante o armazenamento do concentrado de hemácias, até níveis próximos de zero. A queda na concentração de 2,3 – DPG é dependente do tipo de conservante e o mais comumente utilizado é o CPDA-1, que mantém níveis adequados de 2,3 – DPG até 05 dias pós estoque. A normalização dos níveis intracelulares de 2,3 – DPG demora cerca de 12 à 24 horas após transfusão. Aumento de 2,3 – DPG acarreta menor afinidade da hemoglobina por hemácias, favorecendo sua liberação para os tecidos, enquanto sua diminuição aumenta a afinidade e diminui a liberação de oxigênio.
Em transfusão maciça, faz-se necessário o uso de concentrado de hemácias com tempo de estoque menor que 3 dias se possível.
Título: Transfusão Maciça/Emergência DISTÚRBIOS DE HEMOSTASIA EM TM
Entre os principais fatores que contribuem para o aparecimento de coagulopatia dilucional associada à TM estão a hemodiluição, hipotermia, hipoxia e a lesão do sistema nervoso central que constitui importante fonte de ativadores de plasminogênio, conhecidos ativadores do sistema fibrinolítico.
A hemodiluição extensa pode afetar a coagulação, contudo a incidência é baixa quando é reposta até uma volemia. Nessa situação, até 40% da atividade dos fatores de coagulação é preservada e esses níveis são, de modo geral, suficientes para a hemostasia adequada.
A queda de fatores de coagulação vai depender de qual hemocomponente for usada como reposição, a deficiência como causa primária de coagulopatia ocorre principalmente com o uso de Concentrado de Hemácias. Nessa situação, hipofibrinogenemia ocorre na maioria dos pacientes atingindo nível crítico (1g/dl ) com a troca de 1.5 volemia. Raramente os níveis de plaquetas são inferiores a 100.000 / mm3 até que haja troca de 1.5 a 2 volemias.
Diluição de plaquetas e fatores de coagulação intravascular após transfusões de grande volume durante curto período de (< 24 horas)
Montante de transfusão de sangue (hemácias)
01 Volume sanguíneo 02 Volume sanguíneo 03 Volume sanguíneo 04 Volume sanguíneo
Concentração residual de plaquetas ou fatores de coagulação (fator V, fibrinogênio)
33 % 25% 12% 04%
A hipotermia pode afetar a coagulação normal, quando a temperatura central cai, abaixo de 34 C, ocorre inibição progressiva da atividade de protease da serina, inibindo as reações da cascata da coagulação, provocando o alargamento do TP e do TPPa. Nessas condições também há ativação do sistema fibrinolítico e presença de atividade heparínica; há diminuição da síntese de prostaglandinas e de tromboxano, essenciais ao funcionamento das plaquetas. A hipotermia leva graves conseqüências ao paciente como alterações cardíacas (arritmias ventriculares), metabolismo alterado de citrato e lactato, desvia para a esquerda da curva de dissociação da hemoglobina e distúrbios da coagulação.
As hemácias são estocadas entre 2-6 C e uma transfusão rápida de grandes volumes pode causar hipotermia. Isto é comum quando a velocidade de infusão é maior do que 100 ml/minuto, equivalente à transfusão de uma unidade em 2-3 minutos, utilizando de cateter central, posicionado próximo ao sistema de condução cardíaco. Para contornar
esses efeitos há várias maneiras, como afastar o cateter central do átrio, diminuir a
taxa de infusão, ou ainda utilizar aquecedor de sangue, que não deve elevar a temperatura do sangue acima de 42ºC, para evitar hemólise térmica do concentrado. Uma outra conduta incluem a adição de salina pré aquecida (68ºC) às hemácias antes da infusão, esta prática pode resultar em hemólise, com aumento do potássio, causando complicações metabólicas.
A coagulação intravascular disseminada (CIVD) pode fazer parte do quadro clínico do paciente recebendo TM, entretanto devemos afastar outras causas desencadeante dessa coagulopatia como embolia amniótica ou de gordura etc. A CIVD associada a TM está relacionada com intensidade e duração do choque circulatório que produz isquemia tecidual, acidose e acúmulo de detritos provenientes de lesão celular e metabolismo anaeróbico.
TRANSFUSÃO DE EMERGÊNCIAA / URGENCIA
Em caso de EMERGÊNCIA/URGÊNCIA as solicitações de transfusão são atendidas a qualquer hora, o Serviço de Hemoterapia libera o fornecimento de sangue tão logo a exata natureza do caso lhe seja comunicada.
Não se aceita REQUISIÇÕES de transfusão incompletas ou não assinadas pelo médico solicitante, descartam-se os tubos de amostra sem etiqueta de identificação.
Quando há risco de vida pode não haver tempo para a realização dos exames pré transfusionais, a liberação de sangue ou de concentrado de hemácias sem prova de compatibilidade poderá ser feita, desde que obedecidas as seguintes condições:
O quadro clínico do paciente justifique a emergência, isto é, quando um retardo no inicio da transfusão possa levar o paciente ao óbito.
TERMO DE RESPONSABILIDADE assinando pelo médico responsável pelo paciente no qual afirme expressamente concordar com o procedimento.
Título: Transfusão Maciça/Emergência PROCEDIMENTO
A precisão na etiquetagem dos tubos das amostras de sangue para as provas pré transfusionais enviadas ao Serviço de Hemoterapia é de importância fundamental, a maioria de erros cometidos em transfusão é decorrente de amostras incorretamente identificadas.
1. Cabe ao médico solicitante
Telefonar ao serviço de hemoterapia comunicando a natureza da emergência, o nome e o tipo de sangue (se conhecido) do paciente.
I.1.3.1.1 – Se não houver amostra de sangue do paciente no serviço, esta deve ser colhida assim que possível. A amostra de sangue do receptor será colhida pelo médico assistente, em tubo limpo, seco e com tampa, sem anticoagulante, identificado de maneira legível no momento da coleta com o nome completo, número de registro, data e rubrica. Não serão aceitos os tubos de amostra sem etiqueta de identificação. 2. Cabe a enfermeira do setor
Providenciar que o tubo, contendo a amostra do receptor devidamente etiquetado e o formulário de solicitação de transfusão de caráter de emergência/urgência já autorizado pelo médico solicitante seja levado ao Serviço de Hemoterapia o mais rapidamente possível.
Verificar se a transfusão prescrita pelo médico está registrada no prontuário do paciente.
Registrar no prontuário os números, tipos dos hemocomponentes transfundidos, tipo sanguíneo e Rh, hora do inicio da transfusão assinatura de quem instalou a transfusão. Executar e ou supervisionar a administração e a monitorização da infusão de
hemocomponentes e hemoderivados, detectando as eventuais reações adversas. 3. Cabe ao mensageiro ou técnico do serviço
Nos casos de emergência em que não há amostra de sangue do receptor ou não há tempo para realizar a tipagem sanguínea o mensageiro ou o técnico do serviço de hemoterapia retornar ou vai ao local de emergência levando uma unidade de sangue total ou concentrado de Hemácias “O” NEGATIVO. Não havendo este tipo de sangue em estoque no serviço, poderá ser usado sangue “O’’ POSITIVO, sobretudo em pacientes do sexo masculino ou em pacientes de qualquer sexo com mais de 45 anos de idade.
4. Cabe ao técnico do serviço de hemoterapia
Verificar se os formulários de solicitação de transfusão de emergência conferem com a etiqueta colada no tubo de amostra e notificar a fonte solicitante, se houver alguma irregularidade na identificação da amostra do receptor ou no preenchimento do formulário.
Realizar as provas pré-transfusionais
• Retipificação ABO e Rh (casos negativos) da bolsa de sangue.
• Determinação ABO/Rh e pesquisa de anticorpos irregulares do receptor.
• Prova de compatibilidade
Amostra de sangue do receptor e da bolsa transfundida deverá ser armazenada em geladeira pelo menos por 03 (três) dias após a transfusão.
Se a pesquisa de anticorpos irregulares negativa, e caso se comprove a compatibilidade em tubo no meio salino (o termino da prova de compatibilidade será realizada em seguida), dirigir-se ao local de emergência levando outras unidades, de plasma, concentrado de hemácias ou sangue total, entregando-as ao medico solicitante ou a supervisão de enfermagem.
Se a pesquisa de anticorpos irregulares positiva, a 37ºC ou em fase de antiglobulina humana indicando presença de anticorpo clinicamente significante, a decisão transfusional vai depender do risco / benefício, na ausência de identificação de anticorpo ou bolsa antígeno negativo. Na prática, comprovada a compatibilidade, enquanto se aguarda o prosseguimento da investigação laboratorial, hemocomponentes são liberados.
Preenche a APAC e deixar com a supervisão de enfermagem que ao final da transfusão faz o relato da transfusão.
Recomendações
I.1.3.2 - O envio de bolsa não implica na interrupção das provas pré-transfusionais, que devem ser terminadas. Em caso de anormalidades nestas provas, o médico assistente deve ser imediatamente notificado, e a decisão sobre a suspensão ou continuação da transfusão deve ser tomada em conjunto por este e pelo médico do serviço de hemoterapia.
Título: Transfusão Maciça/Emergência
I.4.1.6 - Quando o resultado das provas pré-transfusionais demonstrarem que não há SANGUE compatível para o receptor, o Serviço de Hemoterapia deve comunicar este fato ao médico solicitante e, em conjunto, realizar a avaliação clínica do paciente. Caso seja feita a opção de se transfundir sangue incompatível, esta decisão deve ser justificada por escrito, em termo que deve ser assinado pelo hemoterapeuta, pelo médico assistente do paciente e, quando possível, pelo próprio paciente ou por seu responsável legal.
5. Cabe a auxiliar de enfermagem
Terminada a transfusão acabar de preencher o relato da transfusão na APAC (que se encontra no prontuário do paciente) – temperatura axilar, pulso, pressão arterial e hora do termino.
“Todos os procedimentos deverão ser assinados, para apuração de responsabilidades”.
RESPONSABILIDADES:
Dos colaboradores que executam as atividades neste setor, do corpo de enfermagem e dos médicos assistentes do paciente.
COMENTÁRIOS
Este procemento operacional foi elaborado e implantado para ser seguido por todos os profissionais envolvidos, padronizando o atendimento ao paciente que necessita de transfusão maciça e de emergência/urgência no HUJM.
NORMAS DE SEGURANÇA
Os profissionais da área de saúde que manipulam materiais biológicos devem obedecer aos procedimentos básicos de biossegurança também deverão estar fazendo a segurança do meio ambiente.
GERAIS:
1. Não jogar material biológico na pia.
2. Lixo comum acondicionar em sacos escuros.
4. Em caso de derramamento de material biológico, despeje hipoclorito de sódio 1% e deixe agir por 20 minutos, limpar com papel toalha e descartá-lo em recipiente apropriado.
5. Caso ocorra algum ferimento durante seu trabalho, procure imediatamente o serviço médico dos funcionários para comunicar a ocorrência e receber orientação.
6. Todo material cortante, perfurante ou perfuro-cortante como agulhas e seringas, devem ser lacrados e enviados ao expurgo. Não despreze estes materiais em outros cestos de lixo.
7. As bolsas de hemocomponentes não devem ser colocadas diretamente nas latas ou depósitos de lixo;
8. Toda bolsa de sangue e hemocomponentes a ser descartada deve ser submetida a algum método que elimine a infectividade de patógenos eventualmente presentes; 9. Depois de inativados as bolsas devem ser acondicionadas em sacos plásticos
destinados a resíduos biológicos;
10. É permitido o transporte de bolsas para serem incineradas em outros locais desde que, sejam transportados em recipientes rígidos, lacrados, identificados e em veículos apropriados;
INDIVIDUAIS: Utilizar os equipamentos de proteção individual. 1. Lavar as mãos antes e após qualquer procedimento;
2. O papel utilizado para enxugar as mãos após a lavagem pode ser usado para fechar a torneira, evitando uma eventual "recontaminação";
3. Troque as luvas imediatamente caso elas se contaminem com material biológico ou apresentem sinais de perfuração ou rompimento;
4. Ao remover as luvas inverta-as completamente, evitando, que sua porção exterior entre em contato com qualquer superfície;
5. Quando estiver utilizando luvas evitar tocar superfícies limpas, tais como telefones, mesas ou maçanetas de portas;
6. Ao manipular o paciente utilize uma nova luva desprezando a anterior em local adequado;
7. Trajar vestimentas totalmente brancas ou aventais longos brancos de mangas compridas, caso estejam trajando roupas que não sejam brancas;
Título: Transfusão Maciça/Emergência
TREINAMENTO - Objetivo é o aprimoramento contínuo
Será dado treinamento a todos os colaboradores da AT, antes da implantação deste manual de procedimentos, são responsabilidades dos colaboradores participarem dos treinamentos e implantá-los na prática. A reciclagem será feita anualmente ou quando novos colaboradores sejam admitidos.
FORMULÁRIOS/DOCUMENTOS RELACIONADOS Pop de coleta de sangue de doadores/receptores Pop de Testes imunohematológicos
Pop de biossegurança
Pop de Gerenciamento de Resíduos
Formulário de solicitação de transfusão – APAC
Formulário específico para solicitação de transfusão de emergência/urgência RESULTADOS
Padronização de todos os procedimentos para solicitação de transfusão maciça e as de emergência/urgência no Hospital Universitário Julio Muller.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Manual Prático de Hemoterapia – Josephh D. Sweeney e Yvonne Rizk. 2005 2. Ministério de Estado de Súde – Portaria Nº 1353, 13 de Junho 2011.
3. Manual de transfusão sanguínea – Dalton de Alencar Fischer Chamone, Maarcia Cristina Zago Novaretti e Pedro Enrique Dorlhiac-Llacer. 2001
4. Segurança no Laboratório Clínico – ABNT – Abril/2001
5. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – RDC Nº 151, 21 de agosto de 2001
6. Ministério da Saúde – Técnicas para Coleta de Sangue. Coordenação Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids. Brasília 1997– Série Telelab.
7. Conselho Federal de Enfermagem – COFEN N 200 de 25 de Abril de 1997 8. AABB, Technical Manual Committe. 12 th edition. 1996.
SOLICITAÇÃO DE TRANSFUSÃO EM CARÁTER DE EMERGÊNCIA/URGÊNCIA
Portaria nº1353 de 13 de junho de 2011.
Seção X – Transfusão Sanguínea
Artigo 107 - Transfusão de urgência ou emergência: a liberação de sangue total ou concentrado de Hemácias sem provas de compatibilidade pode ser feita, desde que o termo de responsabilidade seja assinado pelo médico responsável pelo paciente no qual afirme expressamente o conhecimento do risco e concordar com o procedimento.
Nome:...Data nasc:... Sexo...Clínica...Qto...Lto...Reg:... Diagnóstico:... Hemocomponente:...Quantidade:... Antecedentes transfusionais:... Tipo de transfusão: urgência ( ) emergência ( )
Justificativa:... ... ... ... ... Eu Dr(a) ... portador do CRM ... autorizo a liberação de sangue total ( ...) unidades e ou concentrado de hemácias (...) unidades para o paciente ...estando ciente de que foi realizado apenas prova de compatibilidade na fase salina e retipagem das bolsas utilizadas.