PERFIL, DESAFIOS E INTENÇÕES EMPREENDEDORAS DOS ALUNOS DO ÚLTIMO ANO DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO DO CENTRO ACADÊMICO DO AGRESTE DA UFPE

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Texto

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

CENTRO ACADÊMICO DO AGRESTE

NÚCLEO DE GESTÃO

CURSO DE ADMINISTRAÇÃO

ERIC ESTANISLAU GALDINO

PERFIL, DESAFIOS E INTENÇÕES EMPREENDEDORAS

DOS ALUNOS DO ÚLTIMO ANO DO CURSO DE

ADMINISTRAÇÃO DO CENTRO ACADÊMICO DO

AGRESTE DA UFPE

CARUARU-PE 2016

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ERIC ESTANISLAU GALDINO

PERFIL, DESAFIOS E INTENÇÕES EMPREENDEDORAS

DOS ALUNOS DO ÚLTIMO ANO DO CURSO DE

ADMINISTRAÇÃO DO CENTRO ACADÊMICO DO

AGRESTE DA UFPE

Projeto de pesquisa apresentado ao Núcleo de Gestão do Centro Acadêmico do Agreste – UFPE como requisito parcial para obtenção do título de bacharel em Administração.

Orientador: Prof. Luiz Sebastião dos Santos Júnior, Mestre.

CARUARU-PE 2016

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Catalogação na fonte:

Bibliotecária – Marcela Porfírio CRB/4 – 1878

G149p Galdino, Eric Estanislau.

Perfil, desafios e intenções empreendedoras dos alunos do último ano do curso de administração do Centro Acadêmico do Agreste da UFPE. / Eric Estanislau Galdino. – 2016.

56f. : il. ; 30 cm.

Orientadora: Luiz Sebastião dos Santos Júnior.

Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso) – Universidade Federal de Pernambuco, Administração, 2016.

Inclui Referências.

1. Empreendedorismo. 2. Ensino superior – Caruaru (PE). 3. Administração. I. Santos Júnior, Luiz Sebastião dos (Orientadora). II. Título.

658 CDD (23. ed.) UFPE (CAA 2016-307)

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ERIC ESTANISLAU GALDINO

PERFIL, DESAFIOS E INTENÇÕES EMPREENDEDORAS

DOS ALUNOS DO ÚLTIMO ANO DO CURSO DE

ADMINISTRAÇÃO DO CENTRO ACADÊMICO DO

AGRESTE DA UFPE

Este trabalho foi julgado adequado e aprovado para a obtenção do título de graduação em Administração da Universidade Federal de Pernambuco - Centro Acadêmico do Agreste

Caruaru, 30 de novembro de 2016

_____________________________________ Prof. Dr. Cláudio José Montenegro de Albuquerque

Coordenador do Curso de Administração

BANCA EXAMINADORA:

_____________________________________ Prof. Luiz Sebastião dos Santos Júnior, Mestre.

Universidade Federal de Pernambuco - Centro Acadêmico do Agreste

Orientador

_____________________________________ Prof. Lindenberg Julião Xavier Filho

Universidade Federal de Pernambuco - Centro Acadêmico do Agreste

Banca

_____________________________________ Prof. Elielson Oliveira Damascena

Universidade Federal de Pernambuco - Centro Acadêmico do Agreste

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Dedico esse trabalho primeiramente a Deus, porque Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas.

Aos meus pais, Djanira e Renê.

A minha noiva, Míriam por todo apoio e compreensão.

As minhas irmãs, que são partes de mim e a todos meus familiares e amigos.

Em especial, ao meu sogro José Denival, pelo exemplo de força, luta e superação que me inspira a nunca desistir de meus objetivos e sonhos.

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AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus, por não me deixar desistir em nenhum momento e me mostrar sempre que estava ao meu lado em todos os momentos que eu precisasse. Toda honra e glória seja dada a Ele, autor e consumador da vida.

Aos meus pais, que me ensinaram a ser uma pessoa melhor a cada dia, nunca me desampararam e são meus verdadeiros heróis e exemplo a ser seguido.

Às minhas irmãs, Renata, Tamise, Thuara e Marina que são como uma parte de mim. A minha noiva, Míriam por tudo que ela significa para mim, por todo apoio prestado nos momentos mais difíceis, por todo amor e por estar sempre comigo sendo minha verdadeira companheira.

Ao meu professor, amigo e orientador, Prof. Luiz Sebastião, pela sua excelente competência, pelo seu empenho e paciência, e por toda ajuda no desenvolvimento dessa pesquisa.

A todos os meus familiares e amigos que me apoiaram de todas as formas nessa incrível jornada, aos professores que me qualificaram até aqui e a todos que fizeram parte dessa trajetória, meus sinceros agradecimentos.

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“Filhinhos, vocês são de Deus e já os venceram, porque maior é aquele que está em vós do que o que está no mundo.”

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RESUMO

A presente pesquisa tem como objetivo identificar e analisar as intenções empreendedoras dos alunos do último de graduação em Administração no Centro Acadêmico do Agreste da Universidade Federal de Pernambuco. O estudo baseou-se na Teoria do Comportamento Planejado de Ajzen (1991) e utilizou o Questionário de Intenção Empreendedora de Liñán e Chen (2006) traduzido por Souza (2015). Ao todo foram colhidas 110 respostas que permitiram obter informações sobre o perfil sócio demográfico dos estudantes, as intenções empreendedoras e os principais obstáculos e desafios que eles percebem na hora de iniciar um novo empreendimento. Em geral, percebeu-se que os alunos tem uma boa predisposição a empreender, porém são afetados por diversos fatores externos, principalmente falta de recursos financeiros, falta de apoio e qualificação prática para iniciar um novo negócio. São em sua maioria mulheres, tem idade de até 24 anos em maior parte dos casos e vivem em um ambiente familiar empreendedor.

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The present research aims to identify and analyze the entrepreneurial intentions of the students of the last undergraduate degree in Business Administration at the Agreste Academic Center of the Federal University of Pernambuco. The study was based on Ajzen's Theory of Planned Behavior (1991) and used the Questionnaire of Entrepreneurial Intent of Liñán and Chen (2006) translated by Souza (2015). A total of 110 responses were collected to obtain information about the socio-demographic profile of the students, the entrepreneurial intentions and the main obstacles and challenges they perceive when starting a new venture. In general, it was noticed that the students have a good predisposition to undertake, but are affected by several external factors, mainly lack of financial resources, lack of support and practical qualification to start a new business. They are mostly women, are aged up to 24 in most cases and live in an entrepreneurial family environment.

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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 2.1 – Taxa de Empreendedorismo no Brasil...22

Gráfico 2.2 – Evolução da taxa de empreendedorismo por oportunidade 2002:2015...23

Gráfico 3.1 – Amostra por Gênero...33

Gráfico 3.2 – Amostra por Faixa Etária...34

Gráfico 4.1 – Estado Civil... 38

Gráfico 4.2 – Empreendedores na Família...38

Gráfico 4.3 – Participação em Atividades sobre Empreendedorismo...39

Gráfico 4.4 – Renda Mensal Própria...40

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Tabela 2.1 – Características Sócio Demográficas dos Empreendedores Brasileiros...22

Figura 2.1 – Intenção e suas Variáveis...27

Figura 2.2 – A Teoria do Comportamento Planejado (TCP)...28

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LISTA DE QUADROS

Quadro 2.1 – Fases do Processo de Criação de Empresas...25

Quadro 3.1 – Média de Alunos por Período...33

Quadro 3.2 – Fatores e Questões do Questionário de Intenção Empreendedora...36

Quadro 3.3 – Fatores e Itens da Escala Psicométrica com Itens Revertidos...36

Quadro 4.1 – Média das Respostas sobre Atitude Pessoal...41

Quadro 4.2 – Média das Respostas sobre às Normas Subjetivas...42

Quadro 4.3 – Média das Respostas quanto ao Controle Comportamental Percebido...43

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CAA – Centro Acadêmico do Agreste

EIQ – Entrepreneurial Intention Questionnaire FGV – Fundação Getúlio Vargas

GEM – Global Entrepreneurship Monitor

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SOFTEX – Sociedade Brasileira para Exportação de Software

TCP – Teoria do Comportamento Planejado UFPE – Universidade Federal de Pernambuco

UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul USP – Universidade de São Paulo

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO...14 1.1 PROBLEMA DE PESQUISA...14 1.2 PERGUNTA DE PESQUISA...16 1.3 OBJETIVOS...16 1.3.1 Objetivo Geral...16 1.3.2 Objetivos Específicos...16 1.4 JUSTIFICATIVAS...17 1.4.1 Justificativas Teóricas...17 1.4.2 Justificativas Práticas...17 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA...19 2.1 EMPREENDEDORISMO...19 2.1.1 Definições...19 2.1.2 Empreendedorismo no Brasil...21 2.2 O ENSINO DO EMPREENDEDORISMO...24

2.3 INTENÇÃO E FATORES COMPORTAMENTAIS...27

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS...31

3.1 NATUREZA DA PESQUISA...31

3.2 OBJETO DE ESTUDO...32

3.3 POPULAÇÃO E AMOSTRA...32

3.4 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS...34

4. ANÁLISE DOS DADOS...37

4.1 DADOS PESSOAIS E CARACTERÍSTICAS SOCIOECONÔMICAS...37

4.2 ATITUDES E PENSAMENTOS SOBRE O EMPREENDEDORISMO...41

4.3 PRINCIPAIS OBSTÁCULOS E DESAFIOS PARA EMPREENDER...44

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS...47

5.1 CONSLUSÕES...47

5.2 LIMITAÇÕES...49

5.3 RECOMENDAÇÕES...49

REFERÊNCIAS...51

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1- INTRODUÇÃO

No presente capítulo serão apresentados o problema de pesquisa, a pergunta de pesquisa, os objetivos gerais e específicos, além das justificativas teóricas e práticas.

1.1 PROBLEMA DE PESQUISA

O empreendedorismo é parte integrante de um fator psicológico que McClelland chama de “n realização”, ou seja, a busca pela realização pessoal, que leva ao individuo a necessidade de empreender, promovendo o seu desenvolvimento econômico e da sociedade. Ainda nesse entendimento, o homem possui traços de personalidade e características que são influenciadas por reações e atitudes que levam o indivíduo ao empreendedorismo. Desta forma, o empreendedor assume os riscos de sucesso ou fracasso e sua autonomia na representação social, uma visão que tem como raízes o individualismo (MCCLELLAND, 1972 apud BULGACOV et al., 2011).

Para Schumpeter (1950), empreendedor é aquele que tem criatividade para inovar ou incrementar algo e fazer sucesso com essas inovações. Já Filion (1999) acredita que alguém que idealiza algo, desenvolve e realiza suas visões é também um empreendedor.

Gerber (2004) considera que o empreendedor é a figura capaz de inverter situações desfavoráveis, são pessoas que estão sempre pensando no futuro, analisando possibilidades e riscos no ambiente desconhecido, e, devido a sua criatividade eles enxergam o mundo como um grande “mar” de oportunidades.

Os empreendedores são responsáveis pelo desenvolvimento econômico da sociedade, já que transformam o fluxo circular da economia e geração de empregos em uma atividade completamente dinâmica e competitiva que faz com que se aumente a busca por vantagem competitiva e inovação, criando assim novas alternativas, oportunidades e consequentemente gerando empregos (SCHUMPETER, 1982).

No Brasil, o empreendedorismo passou a ganhar força a partir da década de 90, devido a certa abertura econômica no país que levou ao surgimento de entidades como o SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e SOFTEX (Sociedade Brasileira para Exportação de Software). A partir daí a palavra empreendedorismo passou a ser conhecida e propagada pelo país, antes, a criação de negócios era limitada devido

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às barreiras econômicas e políticas, empreender nessa época era tarefa de visionários que mesmo sem condições econômicas e políticas contribuíram para o desenvolvimento socioeconômico do país (DORNELAS, 2008)

Devido à sua força e ao seu crescimento o empreendedorismo é considerado um evento indispensável na formação profissional. Empreendedores são vistos como fontes de desenvolvimento de novas empresas e as instituições de ensino superior tem desempenhado um papel fundamental no despertar desse desejo de criação de negócios, além de capacitar e desenvolver características e habilidades empreendedoras (HECKE, 2011).

Desta forma, observa-se que o ensino de empreendedorismo está diretamente ligado ao objetivo de melhorar a condição socioeconômica do país (SALUSSE; ANDREASSI, 2016).

No Brasil, o ensino de empreendedorismo iniciou-se na década de 80, quando um professor da Fundação Getúlio Vargas viu a disciplina como uma oportunidade de negócio. Desde então, o objetivo do mesmo foi estimular os alunos a contribuírem com o desenvolvimento econômico do país e reduzir a desigualdade social. (FERNANDES, 2013)

Infelizmente, até os dias atuais o ensino do empreendedorismo é predominante em cursos de nível superior, quando a realidade deveria ser outra. Por ser considerado como o motor do desenvolvimento de um país, o empreendedorismo deveria ser ensinado desde o ensino fundamental, nas redes privadas e públicas. (FILHO; ZUINI, 2012)

Em Pernambuco, a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) é referência em educação no ensino superior e considerada pelo Ministério da Educação e de Ciência, Tecnologia e Inovação como a melhor da região Norte/Nordeste do Brasil, se dividindo hoje em três campi, localizados em Recife, Vitória de Santo Antão e Caruaru, no agreste pernambucano onde está instalado o Centro Acadêmico do Agreste (CAA) (UFPE, 2016).

Inaugurado em 2006, o CAA faz parte de um projeto de interiorização do Governo Federal e atualmente já conta com seis graduações e cinco licenciaturas, além de cinco programas de pós-graduações e um mestrado. Dentre eles está o curso de graduação em Administração que tem como objetivo formar cidadãos capazes de melhorar o ambiente dos negócios e do trabalho na região, tendo como princípios a ética, o compromisso social e o respeito cultural. Por ano, são oferecidas um total de 160 vagas, distribuídas em dois semestres (1ª e 2ª entradas) e em dois turnos (manhã e noite) (UFPE, 2016).

O presente trabalho pretende estudar os alunos que estão no último ano do curso de Administração, a fim de identificar a importância do ensino de empreendedorismo na

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perspectiva deles e quais são as suas intenções em relação ao empreendedorismo ao término do curso.

1.2 PERGUNTA DE PESQUISA

De acordo com o que foi apresentado anteriormente, temos a seguinte pergunta de pesquisa:

 Quais são as Intenções Empreendedoras dos alunos do último ano do curso de graduação em administração do Campus do Agreste da UFPE?

A partir desta pergunta de pesquisa, serão apresentados a seguir os objetivos do estudo em questão.

1.3 OBJETIVOS

Agora serão apresentados o objetivo geral e os objetivos específicos, que vão nos orientar sobre o propósito da pesquisa.

1.3.1 Objetivo Geral

Esta pesquisa tem como objetivo geral identificar quais são as intenções empreendedoras dos alunos do último ano do curso de graduação em administração do Campus do Agreste da UFPE.

1.3.2 Objetivos Específicos

A partir do objetivo geral apresentado acima, foram estabelecidos os seguintes objetivos específicos para esta pesquisa:

 Identificar e analisar os perfis dos alunos do último ano do curso de graduação em administração da UFPE/CAA;

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 Verificar os principais desafios que estes alunos enfrentam na busca pelo empreendedorismo;

 Analisar o percentual de alunos que estão dispostos a enfrentar esses desafios após concluir a graduação.

 Verificar o quanto o ensino do empreendedorismo influencia as escolhas profissionais destes alunos.

1.4 JUSTIFICATIVAS

Neste capítulo serão apresentadas as justificativas teóricas e práticas dessa pesquisa.

1.4.1 Justificativas Teóricas

Como justificativas teóricas, a pesquisa demonstra sua importância por estudar uma região com um alto potencial empreendedor que é o polo de confecções do agreste pernambucano, assim o trabalho pretende analisar as intenções empreendedoras de uma parte dos alunos que estão sendo formados nessa região, além de nos permitir entender o quanto essas intenções são afetadas pelo atual momento de crise enfrentado não só pela região como também pelo país.

Ademais, apesar de o tema empreendedorismo ser bastante difundido, existem poucos trabalhos tratando de intenção empreendedora. O estudo ainda nos permite analisar a relação entre o empreendedorismo por oportunidade e necessidade de acordo com as intenções empreendedoras, afim de contribuir com pesquisas futuras apresentando novas amostras e novos perfis.

1.4.2 Justificativas Práticas

Como justificativas práticas pode-se destacar a importância de conhecer as intenções empreendedoras dos alunos, com o objetivo de verificar o quanto o ensino do empreendedorismo está influenciando suas escolhas profissionais.

Além disso, a pesquisa destaca a importância desse estudo para a instituição de ensino, uma vez que serve de base para estudos posteriores a cerca do tema, além de verificar

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a importância da disciplina na grade curricular do curso de Administração, que contribui para a formação de novos empreendedores.

Por fim, podemos destacar a utilidade que esse trabalho pode ter para despertar o interesse de outros alunos a serem empreendedores e, consequentemente, a criarem novos negócios.

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2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Neste capítulo serão apresentados os principais fundamentos relacionados ao empreendedorismo, o empreendedorismo no Brasil, o ensino do empreendedorismo, além de tratar sobre capacidade, intenção e fatores comportamentais dos empreendedores, assim mostrando uma ideia geral sobre o tema abordado nesta pesquisa.

2.1 EMPREENDEDORISMO

Desde o fim da Revolução industrial, percebe-se várias mudanças no mundo do trabalho e em toda a sua estrutura, são novas formas de comércio, de produção de bens e serviços que surge a cada dia com uma enxurrada de informações decorrentes em grande parte da globalização e afetam diretamente as relações de trabalho que tem que se adaptar as novas perspectivas de mercado no mundo atual, exigindo produtos com mais qualidade e por preços cada vez mais baixos. Essa competitividade no mercado atual faz com que as organizações passem por profundas mudanças estruturais para obter as melhores qualificações possíveis em busca de novos mercados (RICCA, 2004)

Tais avanços fazem com que mais produtos sejam gerados demandando cada vez menos espaços físicos, gerando menos empregos e de forma cada vez mais rápida, quebrando assim o ciclo entre produção e emprego que perdurava desde as primeiras indústrias de produção em massa (RICCA, 2004).

Dornelas (2008) destaca que o empreendedorismo ganha força como consequência destes avanços, sendo o empreendedor aquele que está derrubando as barreiras comerciais, inovando, sendo o fator chave na mudança das relações de trabalho e considera o momento atual como “a era do empreendedorismo”. Da mesma forma, Max Gehringer considera o empreendedorismo como a profissão do século XXI, destacando que todos são capazes de ter boas ideias inovadoras (GEHRINGER, 2013).

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Filion (1999) destaca que existem várias “diferenças” nas definições de empreendedorismo, o mesmo varia de acordo com a época, com a região, ou até mesmo de acordo com a área de estudo. Sabe-se que a palavra Empreendedorismo deriva de uma livre tradução da palavra francesa entrepreneurship e utiliza-se para determinar estudos gerais sobre o empreendedorismo, segundo Dolabela (2008).

Para Filion, essa dissemelhança acontece porque cada pesquisador tende a analisar o conceito de acordo com a sua área atuação, destacando-se duas fortes disciplinas: economistas e comportamentalistas (FILION, 1999).

Dentre os economistas destacam-se as definições de Jean-Baptiste Say que associava diretamente o desenvolvimento econômico a criação de novos negócios (FILION, 1999) e Joseph A. Schumpeter dizendo que:

A essência do empreendedorismo está na percepção e no aproveitamento das novas oportunidades no âmbito dos negócios (...) sempre tem a ver com criar uma nova forma de uso dos recursos nacionais, em que eles sejam deslocados de seu emprego tradicional e sujeito a novas combinações (SCHUMPETER, 1928 apud FILION, 1999, p. 7).

De acordo com Schumpeter (1949), um empreendedor é aquele que busca modificar a economia atual para lançar novos produtos e serviços, explorando novos recursos e materiais, gerando novos modelos de organizações.

Enquanto isso, a disciplina comportamentalista ligava o empreendedorismo à características atribuídas aos empreendedores, onde podemos destacar: a necessidade de realização das pessoas, sua autoconfiança, sua capacidade de aprendizagem, sua criatividade e sua flexibilidade, entre outras. (TIMONNS, 1978 et al, apud FILION, 1999, p.9)

Segundo David C. McClelland, “Um empreendedor é alguém que exerce controle sobre uma produção que não seja só para o seu uso pessoal” (MCCLELLAND 1971 apud FILION, 1999, p. 8) associando sempre empreendedorismo a gerentes de grandes organizações.

Dentre os pesquisadores mais contemporâneos, Dornelas (2008) entende que o processo empreendedorismo se dá quando pessoas e processos trabalham simultaneamente transformando projetos em oportunidades e consequentemente desenvolvem negócios de sucesso.

Dolabela (2008) utiliza a palavra, empreendedor, para descrever aquele indivíduo que consegue gerar capital, seja na criação de novos negócios ou com inovações incrementais em áreas já existentes. O empreendedorismo é uma união da geração de valor, conhecimento, cultura e inovação da comunidade, organizadas em organizações de todos os setores.

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Para Hisrich, Peters e Shepherd, uma das principais funções do empreendedorismo é a criação de negócios através da identificação de oportunidades que irão gerar riqueza e emprego, ajudando assim o desenvolvimento socioeconômico da região e do país (2014).

Ainda segundo Hisrich, Peters e Shepherd (2014), o mesmo exige uma ação, que eles chamam de “ação empreendedora”, que é o enfrentamento dessas oportunidades sem a certeza do sucesso, empreendedores assumem esses riscos de acordo com sua percepção e disposição para avaliar se vale a pena ou não agir. O autor ainda destaca que indivíduos que já tenham experiências pregressas reduzem essa incerteza e avaliam melhor sua disposição para empreender.

Dessa forma, o empreendedor é visto como o que Dolabela (2008) chama de o “motor da economia”, um agente transformador da sociedade e da economia, que faz com que sonhos se tornem realidade através do seu trabalho.

2.1.2 Empreendedorismo no Brasil

No Brasil a atividade empreendedora vem ganhando força desde que o tema passou a ser conhecido por aqui, na década de 1990. Na primeira participação do Brasil na pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), que aconteceu no ano de 2000, 1 em cada 8 brasileiros criaram um novo empreendimento, já em 2007 aproximadamente 15 milhões de pessoas já estavam envolvidas com alguma atividade empreendedora (DORNELAS, 2008).

A pesquisa GEM, que tem como objetivo analisar o desenvolvimento socioeconômico nos países através do empreendedorismo teve início ano de 1999 e o Brasil passou a integrar o grupo de países que fazem parte desse projeto no ano 2000 (GEM, 2015).

Segundo o GEM (2015), estima-se que em 2015 39,3% dos brasileiros exerciam atividades empreendedoras, seja no estado inicial ou empreendedores já estabelecidos, esse número representa um aumento de 4,9% do total de empreendedores em relação ao ano de 2014 e intensifica a evolução da taxa que vem crescendo desde 2011, onde o país registrou 27% no total de empreendedores, conforme pode-se perceber no gráfico 2.1, quanto a distribuição sociodemográfica dos empreendedores brasileiros, a pesquisa GEM mostrou que 53,3% dos total de empreendedores são do sexo masculino, 51,2% tem idade entre 25 e 44 anos, 58,1% tem renda familiar de até 3 salários mínimos, 43,7% tem o segundo grau completo ou o ensino superior incompleto e 59,1% são casados ou estão em união estável, caracterizando assim o perfil médio dos empreendedores brasileiros, conforme tabela 2.1.

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Gráfico 2.1 – Taxa de Empreendedores no Brasil.

Tabela 2.1 – Características sócio-demográficas dos empreendedores brasileiros.

Na última década o Brasil avançou no incentivo ao empreendedorismo com a adoção políticas governamentais de apoio aos empreendedores, especialistas ainda destacam que eles

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dispõem de um amplo acesso a conteúdo e informação de qualidade e gratuita na internet e a criatividade do brasileiro como fatores positivos no fomento ao empreendedorismo, apesar de ainda identificarem fatores limitantes como políticas públicas que diminuam a burocracia, baixa qualificação da educação principalmente nos níveis fundamental e técnico, além de uma alta carga tributária (GEM, 2015).

Existem duas formas de empreendedorismo que devem ser analisadas quando se diz respeito ao desenvolvimento socioeconômico: o empreendedorismo por necessidade e o empreendedorismo por oportunidade. O empreendedorismo por necessidade retrata o empreendedor que o faz por falta de opção, na maioria das vezes está sem emprego e precisa se aventurar em algo que o faça gerar renda para o seu sustento. Já o empreendedorismo por oportunidade é definido quando o empreendedor tem um projeto de negócio que já foi previamente analisado e com estimativa prevista de geração emprego e renda, essa forma de empreender está diretamente ligada ao desenvolvimento socioeconômico do ambiente em que o mesmo está inserido (DORNELAS, 2008).

Nesse caso, a última pesquisa GEM (2015) apresenta números que fazem acender um sinal de alerta, pois a taxa de empreendedorismo por oportunidade no Brasil que vinha em uma crescente desde 2009 e se manteve em 71% nos anos de 2013 e 2014 apresentou uma significativa queda no ano de 2015, chegando a 56,5% e consequentemente elevando o número daqueles que empreendem por necessidade.

Gráfico 2.2 – Evolução da taxa de empreendedorismo por oportunidade 2002:2015.

Essa redução na taxa de empreendedorismo por oportunidade pode ser justificada pelo atual momento de crise econômica, política e social que o Brasil atravessa, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, no mês de agosto de 2016 a taxa de desemprego chegou a 11,8%, aproximadamente 12 milhões de pessoas (TERRA, 2016).

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Segundo Oliveira e Coronato (2016), essa pode ser considerada a pior crise que o Brasil já enfrentou em toda sua história. Na década de 1930 quando o país enfrentou a “Grande Depressão”, crise originada nos Estados Unidos em 1929 e que se espalhou por todo o mundo, o país enfrentou o seu pior triênio registrado, encolhendo a uma taxa média de 1,4% ao ano. Na atual crise, a economia deve encolher a uma taxa de 2,4% ao ano.

Associada a crise econômica está a crise política, onde o país enfrentou recentemente o processo de impeachment da então Presidente Dilma Vana Roussef, assumido no seu lugar o então vice-presidente Michel Miguel Elias Temer Lulia. Associado a tudo isso, diversos escândalos de corrupção em todas as esferas políticas fazem com que o país sofra uma severa crise de identidade política (EXAME, 2016).

De acordo com especialistas do “El País”, apesar da intensa recessão, houve uma melhora nas expectativas. O consumo das famílias continua caindo (-0,7%) em relação aos primeiros trimestres de 2016 por conta da elevação da taxa de desemprego, porém foi constatado um aumento de 0,4% nos investimentos no setor privado. Mesmo com uma a fragilidade da economia e do governo, estima-se que a partir do ano de 2018 o país possa começar a retomar o crescimento (MENDONÇA, 2016).

Apesar do cenário turbulento onde o empreendedorismo por necessidade vem ganhando espaço, empreender por oportunidade ainda é uma opção. Existem setores que tem se mantido estáveis e continuam a apresentar oportunidades de negócios, porém é preciso mais cuidado e melhores estudos para identificar essas oportunidades, negócios inovadores tendem a se sair bem de situações como essa e se conseguirem se estabelecer em um cenário adverso tendem a ser os primeiros registrar altos crescimentos quando a economia retomar o crescimento (REVISTA PEGN, 2016).

2.2 O ENSINO DO EMPREENDEDORISMO

Antigamente, acreditava-se que a atividade empreendedora era instintiva e que as pessoas já nasciam com características especiais e eram destinadas ao sucesso, assim, todos os outros indivíduos que não partilhavam de tais características eram desesperançados a desenvolver qualquer tipo de negócio. Entretanto, essa teoria mudou e sabe-se que é possível qualquer pessoa ensinar e aprender empreendedorismo, além de quê o sucesso do empreendimento é resultante das características e perfil do empreendedor e do

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empreendimento, das tomadas de decisões no cotidiano e de fatores internos e externos a organização (DORNELAS, 2008).

Sabe-se também, que ainda existem empreendedores inatos e que são referência em casos de sucesso de empreendedorismo, e além deles, inúmeros outros indivíduos podem ser qualificados a desenvolver novos negócios, porém, não existe uma receita para o sucesso e o ensino do empreendedorismo não é a garantia do mesmo nas organizações, mas certamente fará com que sejam formados melhores gestores e empresas que irão contribuir para o desenvolvimento socioeconômico do país em que ele está inserido (DORNELAS, 2008).

Para Dolabela (2008), o ensino do empreendedorismo deve basear-se em três fases, criação, desenvolvimento e consolidação da empresa, e Dornelas (2008), divide as competências do empreendedor em três pilares: na área técnica, onde o empreendedor precisa saber comunicar-se de forma eficaz além de ser um bom líder, na área gerencial, que são as habilidades de administrar a organização, como por exemplo produção e marketing, e por fim as características pessoais, como inovação, persistência, disciplina e facilidade em assumir riscos.

A partir do que foi citado anteriormente, Dolabela (2008) identificou as seguintes fases no processo de criação de uma empresa:

Quadro 2.1 – Fases do processo de criação de empresas

Fonte: Dolabela, 2008, p.144.

As universidades exercem um papel de extrema importância, pois, acredita-se que é nessa fase que os indivíduos devem ser mais estimulados ao empreendedorismo, sejam em cursos técnicos ou em cursos superiores, já que é neste momento que os jovens tendem a escolher uma profissão a ser seguida, seja na criação de um novo empreendimento ou na administração de um negócio familiar, entre outros (TIMMONS; SPINELLI, 2006 apud HECKE 2011).

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Para Campos (2013), ensinar empreendedorismo não é uma tarefa tão simples, pois trata-se de uma matéria interdisciplinar onde alunos formados em todas as áreas podem aprender sobre, não sendo privado a uma formação específica.

Por isso, ainda existe um grande debate na academia sobre como ensinar empreendedorismo, se o mesmo deve ser focado na administração de riscos e gestão de negócios ou se devem desenvolver habilidades e atributos considerados empreendedores (CHEUNG, 2008 apud CAMPOS, 2013)

Vale salientar que o empreendedorismo é uma disciplina estudada mundialmente, tanto em escolas e institutos quanto em cursos de níveis superiores, por isso é necessário que haja uma interação entre as instituições e também entre gestores e alunos espalhados pelo mundo para que a troca de informações possa agregar valor ao trabalho desenvolvido pelos mesmos (CAMPOS, 2013)

Todos esses entendimentos começaram a surgir a partir da década de 70 quando universidades americanas perceberam que estavam formando apenas empregados e não pessoas com capacidade de inovação e geração de novos negócios. Assim, na década de 80 o empreendedorismo passou a ganhar espaço nas universidades não só americanas, mas no mundo inteiro. As instituições começaram a adotar uma nova postura em relação aos cursos ofertados e em especial o curso de administração, desta forma, a disciplina de empreendedorismo vem seguindo em uma enorme crescente até os dias atuais (HIRISCH, 2014).

No Brasil, os cursos de empreendedorismo começaram a ser difundidos nas melhores universidades, dentre elas, a Universidade de São Paulo (USP), a Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ao longo dos anos o número de universidades que ensinavam sobre empreendedorismo foi crescendo, e em 2004 o país já contava com 131 instituições atuando nessa área e mais de 346 docentes trabalhando para o mesmo propósito: formar novos empreendedores (HECKE, 2011)

A metodologia adotada por cada instituição não era comum, cada escola tinha seus próprios métodos de ensino, inclusive as disciplinas eram diferenciadas. No entanto, o foco da maioria delas era justamente o ensino da gestão empresarial e a elaboração de um Plano de Negócios, embora não ocorresse sua implantação (HECKE, 2011).

Vale salientar que o ensino do empreendedorismo por si só não determina que o indivíduo irá se tornar um empreendedor, essa decisão acontece devido a união de diversos

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fatores, entre eles pessoais, sociais e ambientais, além do desejo de tornar-se empreendedor (DORNELAS, 2008).

2.3 INTENÇÃO E FATORES COMPORTAMENTAIS

O dicionário Laraousse (1992), define intenção como sendo um desejo deliberado ou uma vontade de praticar algo. Já intenção empreendedora trata-se de um impulso planejado e consciente onde o indivíduo passa a buscar meios necessários para empreender, ou seja, abrir um negócio (SOUZA, 2015).

A intenção empreendedora também pode ser entendida como um meio, ou um caminho que irá direcionar o indivíduo a conseguir algo. Além disso, a intenção é diretamente ligada ao comportamento, pois é ela que irá determinar as ações que serão entendidas como comportamento empreendedor (CAMPOS, 2015).

Dessa forma, entende-se que existe um perfil comportamental de empreendedores que facilitam o alcance dos objetivos no processo de empreender e que são baseadas em características como, autonomia, competitividade, capacidade de inovar e assumir riscos, entre outros (DALMORO, 2008 apud CAMPOS, 2015).

Segundo Leite (2008), a intenção funciona como um tipo de premonição de comportamento, desta forma, utiliza-se modelos de intenção empreendedora principalmente para analisar atividades empresariais, pois se tratam de comportamentos planejados, demandam tempo para serem executados e são difíceis de serem observados.

Os modelos de intenção empreendedora visam medir o grau de comprometimento dos indivíduos em busca do objetivo de iniciar um empreendimento (LEITE, 2008). A figura 2.1 apresenta a relação entre a intenção e fatores determinantes.

Figura 2.1 – Intenção e suas Variáveis

Fonte: LEITE, 2008. FATORES

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Nesse modelo, a intenção antecede o comportamento. Já a atitude e os fatores externos influenciam indiretamente o comportamento, pois os mesmos afetam primeiramente a intenção e é a partir dela que se determina o comportamento. Tais estudos são fundamentados na Teoria do Comportamento Planejado (TCP) de Ajzen (LEITE, 2008).

Segundo Ajzen (2002), a Teoria do Comportamento Planejado é baseada na alegação de que os indivíduos tomam decisões de forma racional, baseada em elementos disponíveis no ambiente e tem seu comportamento guiado por três variáveis básicas: crenças comportamentais; crenças normativas; e crenças de controle. Vale salientar que, as crenças comportamentais são aquelas que produzem uma atitude favorável ou desfavorável relacionada ao comportamento, a crença normativa é resultado de uma pressão social percebida, já a crença de controle tem haver com a facilidade ou dificuldade encontrada ao realizar o comportamento, ou seja, um controle comportamental percebido. Tal modelo é representado na Figura 2.2.

Fonte: PINTO, 2007

Desta forma, o comportamento do indivíduo é baseado em crenças e um questionário de Teoria do Comportamento Planejado deve ser elaborado abordando medidas como crenças, atitudes, controle comportamental percebido, normas, intenções e comportamento real. A partir disso, o autor destaca que o tamanho do sucesso de um comportamento é resultante da intenção empreendedora da pessoa somada ao controle do seu comportamento, por exemplo, se dois indivíduos tem intenções igualmente elevadas de abrir uma empresa, e ambos tentam fazer, é mais provável que aquele que está mais confiante de que vai obter sucesso, realmente o consiga mais rápido ou melhor que aquele que está em dúvida de suas habilidades, pois o

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que tem confiança tende a perseverar mais para alcançar o objetivo, daí a justificativa do estudo de intenções analisar também o comportamento do indivíduo (AJZEN, 1991)

Segundo Pinto (2007), vários trabalhos estão sendo realizados no mundo com o objetivo de prever comportamentos sociais baseados na Teoria do Comportamento Planejado. Nesse caso, busca-se prever o comportamento dos alunos baseado na intenção empreendedora.

Outro fator determinante de intenção empreendedora são os antecedentes pessoais, para Dolabela, existem três níveis de aprendizagem em relação ao empreendedorismo: o primário que é baseado na família e amigos, já o segundo e o terceiro são baseados em redes de ligações e formação profissional e pessoal do indivíduo. Aqui, destaca-se o primeiro nível, pois indivíduos que vivem em um ambiente familiar e social empreendedor, e principalmente com níveis mais altos de rendimento e formação acadêmica são mais influenciados a criar uma nova empresa, pois estes são considerados fatores determinantes, certificando que o empreendedor é um produto do meio que vive (DOLABELA, 2008).

Com base na Teoria do Comportamento Planejado de Ajzen, Francisco Liñán e Yi-Wen Chen desenvolveram um modelo de questionário que visa avaliar as intenções empreendedoras de universitários e que pudesse ser utilizado como padrão em diferentes culturas pelo mundo, o questionário ficou conhecido como Entrepreneurial Intention Questionnaire – EIQ (ou, Questionário de Intenção Empreendedora) (LIÑÁN; CHEN, 2009).

Figura 2.3 – Modelo Liñán e Chen

Fonte: LIÑÁN; CHEN, 2009 (Traduzido) Capital Humano e outras Variáveis Demográficas Atitude Pessoal Normas Subjetivas Controle Comportamental Percebido Intenção Empreendedora

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O questionário é fundamentado nos três principais fatores que antecedem o comportamento segundo Ajzen (1991), atitudes pessoais, normas subjetivas e controle comportamental percebido. Além desses fatores, para Liñán e Chen (2009) o capital humano e as variáveis demográficas foram incorporadas ao modelo, pois eles acreditam que os mesmos não são capazes de afetar diretamente o comportamento do indivíduo, mas podem causar efeitos nos demais fatores conforme demonstrado na Figura 2.3.

Ajezen (1991) destaca que quanto maior o conhecimento acerca de fatores que possam afetar indiretamente as intenções e consequentemente o comportamento dos indivíduos, mais realistas serão as percepções de atividades empresariais.

Tal modelo é dividido em quatro campos de estudo, as atitudes pessoais, as normas subjetivas, o controle comportamental e a intenção empreendedora dividido numa escala psicométrica do tipo Likert com 5 pontos. O primeiro campo é composto por cinco questões que buscam colher informações a respeito das atitudes pessoais do indivíduo, o segundo campo é composto por três questões que tem por objetivo identificar a percepção dos respondentes quanto as normas subjetivas, já o terceiro comtempla seis questões que objetivam buscar dados sobre o comportamento percebido, por fim, o último bloco apresenta seis questões para identificar a intenção empreendedora (SOUZA, 2015).

Além das questões mais objetivas sobre intenção e comportamento empreendedor, o Questionário de Intenção Empreendedora ainda contempla um bloco com o objetivo de colher informações sobre educação e experiências empreendedoras do indivíduo e de sua família, conhecimentos empresariais e objetivos, além de dados como gênero, idade, renda do respondente e de sua família e a ocupação respondente (SOUZA, 2015).

Em seus testes, Liñán e Chen (2006) perceberam que a aquiescência, que é a tendência dos indivíduos em concordarem com as afirmações propostas em uma escala, poderia atrapalhar de alguma forma a precisão dos resultados, por isso, algumas declarações tiveram o seu sentido revertido com o objetivo de que a aquiescência de algumas informações fosse cancelada pela aquiescência das informações com sentido revertido.

Desta forma, optou-se por utilizar esse modelo de Liñán e Chen neste presente trabalho por se tratar de um modelo internacional, testado e avaliado originalmente em dois países, sendo eles, Espanha e Taiwan e já adaptado e aplicado no Brasil com estudantes da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul pela pesquisadora, Roosiley dos Santos Souza (2015), em sua tese de doutorado, sendo este último o modelo seguido por este presente estudo.

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3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Este capítulo tem como objetivo apresentar os métodos que foram utilizados para desenvolver este trabalho, ou seja, a natureza da pesquisa, o objeto de estudo, população e amostra e o instrumento para obtenção dos dados.

3.1 NATUREZA DA PESQUISA

Uma pesquisa pode ser entendida como um processo inacabado, que tem como objetivo buscar respostas para um problema quando não se tem conhecimentos suficientes sobre o mesmo (GIL, 2002). Sendo assim, esta pesquisa tem como finalidade identificar a intenção empreendedora dos alunos do último ano do curso de Graduação em Administração do Campus Agreste da UFPE.

Uma pesquisa pode ser de natureza quantitativa ou qualitativa. Diferente da pesquisa qualitativa, uma análise quantitativa pode ser quantificada, ou seja, são utilizadas amostras para que o pesquisador possa obter resultados. Além disso, a pesquisa quantitativa se baseia em objetividade, pois considera que a realidade só pode ser conhecida com base em dados brutos, utilizando a linguagem matemática para descrever as relações entre as variáveis analisadas (FONSECA, 2002). A presente pesquisa é definida como uma pesquisa quantitativa, pois será utilizada uma amostra específica para coletar os dados e, além disso, serão consideradas hipóteses reais para analisar as variáveis utilizadas na entrevista, com o intuito de conseguir as respostas desejadas por este estudo.

O objetivo de uma pesquisa descritiva é basicamente estudar as características de um determinado grupo, sua distribuição por idade, sexo, nível de escolaridade, procedência. Além disso, é comum que esse tipo de pesquisa busque avaliar as atitudes e as crenças de determinada amostra. (GIL, 2002). Deste modo, pode-se afirmar que esta pesquisa enquadra-se também como uma pesquisa de caráter descritivo, pois o principal objetivo desse trabalho é identificar as intenções de uma amostra específica.

Também podemos classifica-la como exploratória, já que uma pesquisa exploratória tem como objetivo tornar o problema estudado mais familiar e construir hipóteses para o aprimoramento de ideias ou descoberta de intuições (GIL, 2002).

Por fim, a pesquisa se enquadra em um estudo transversal, pois estudos transversais analisam o objeto em um único momento, um estudo de coorte. Assim, o presente estudo não irá estudar os indivíduos por um período, e sim, apenas naquele exato momento (GIL,2002).

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3.2 OBJETO DE ESTUDO

O objeto de estudo é aquilo ou aquele que será estudado, nesse caso, o objeto de estudo serão os alunos dos períodos finais (7º, 8º e 9º período) do curso de Administração do Centro Acadêmico do Agreste da Universidade Federal de Pernambuco.

Segundo a Universidade Federal de Pernambuco (2016), o curso de administração tem por objetivo formar cidadãos capazes de renovar o conhecimento em administração e dar uma nova visão dinâmica aos negócios da região, melhorando as condições de trabalho, atendendo as necessidades de gestão e promovendo a sustentabilidade organizacional.

Este aluno egresso deve estar preparado para gerir os desafios e obstáculos do mercado regional, seja à frente de uma organização, ou gerando emprego e renda exercendo alguma atividade empreendedora, fazendo tudo com ética, competência e responsabilidades sociais, culturais e econômicas.

O curso de Administração no Centro Acadêmico do Agreste existe desde a inauguração do centro em março de 2006. Com 10 anos contemplados, o curso se consolida como uma importante ferramenta de desenvolvimento socioeconômico para toda a região do Agreste Pernambucano.

3.3 POPULAÇÃO E AMOSTRA

Segundo Gil (2002), a população corresponde ao total de pessoas que fazem parte da investigação, ou do objeto de estudo, e a amostra refere-se a parcela da população que participará efetivamente da pesquisa.

Segundo Cavalcante (2016), de acordo com números fornecidos pela coordenação do curso de administração, o número de alunos matriculados no curso no período de 2016.1 foi de 716 alunos. No entanto, a presente pesquisa irá analisar apenas os alunos matriculados nos períodos finais do curso e a universidade não dispõe de números que possam mostrar quantos alunos realmente estão matriculados nesses períodos, pois vários estudantes estão cursando disciplinas em diferentes turmas, o que não nos permite obter um valor exato da população.

Desta forma, levou-se em consideração o número médio dos alunos matriculados nos períodos finais do semestre 2016.1, o que representa um total 197 alunos matriculados, conforme o quadro 3.1. Para que a pesquisa tenha um bom nível de segurança, é necessário que o erro amostral seja de no máximo de 5%, sendo assim, calculou-se que a amostra

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necessária seria de 110 estudantes, definindo assim a margem de homogeneidade em 80% e o nível de confiabilidade em 95%.

QUADRO 3.1 – MÉDIA DE ALUNOS POR PERÍODO

Fonte: Adaptado de Cavalcante (2016).

Após o trabalho de campo, conseguiu-se aplicar 110 questionários, o que representa 56% da população, sendo assim considerado um número apropriado para a sustentação da pesquisa.

Os estudantes pesquisados ainda são classificados por gênero e faixa etária. Sendo 63 do gênero feminino, o que representa 56,9% do total da amostra, e 47 do gênero masculino, referente a 43,1%, conforme gráfico 3.1.

GRÁFICO 3.1 – AMOSTRA POR GÊNERO

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Para classificar os alunos de acordo com a faixa etária dividiu-se a diferença entre a menor e a maior idade apresentada nos questionários em quatro faixas a serem analisadas, conforme apresenta o gráfico 3.2.

A primeira faixa vai de 17 a 20 anos com 8 participantes (7,4% da amostra), a segunda faixa apresenta as idades de 21 a 24 anos que foi a que apresentou o maior número de entrevistados, chegando a contemplar 78 participantes (70,6% da amostra), a terceira faixa vai de 25 a 28 anos com 17 participantes (15,6%) e a quarta faixa abrange de 29 a 33 anos com um total de 7 participantes (6,4% da amostra).

GRÁFICO 3.2 – AMOSTRA POR FAIXA ETÁRIA

Fonte: Pesquisa de Campo (2016)

O questionário foi aplicado pelo próprio pesquisador nas salas do 7º, 8º e 9º períodos, nos turnos manhã e noite, do curso de Administração do Centro Acadêmico do Agreste da UFPE entre os dias 27/09/2016 e 03/11/2016, desta forma obtendo-se os 110 questionários respondidos.

3.4 INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS

O instrumento de coleta de dados do presente trabalho é fundamentado em um questionário estruturado e originalmente desenvolvido pelos pesquisadores Liñán e Chen (2006), sendo denominado de Entrepreneurial Intention Questionnaire (EIQ). Porém, a versão utilizada foi adaptada da tradução do Questionário de Intenção Empreendedora utilizado por

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Roosiley dos Santos Souza em um estudo de intenção empreendedora nas universidades federais do Mato Grosso do Sul em 2015.

Assim, o questionário desse trabalho, que se encontra disponível no Apêndice, se pauta no Questionário de Intenção Empreendedora e é dividido em três blocos.

O primeiro bloco do questionário é composto por sete questões de múltipla escolha onde os estudantes escolheram entre as opções apresentadas. O objetivo desse primeiro bloco foi colher informações sobre o perfil sócio demográfico dos indivíduos quanto ao gênero, idade, estado civil, histórico empreendedor familiar, capacitações em empreendedorismo, renda mensal própria e renda mensal familiar.

O segundo bloco do questionário é composto pela escala psicométrica do tipo Likert, de acordo com o modelo padrão traduzido de Souza (2015). Esse bloco apresenta questões de acordo com a teoria de Liñán e Chen (2006), misturando questões com ênfase nos três principais fatores que antecedem o comportamento, sendo, Atitudes Pessoais, Normas Subjetivas e Controle comportamental Percebido, além de afirmativas específicas sobre Intenção Empreendedora, conforme apresentado no quadro 3.2.

As afirmativas que fazem parte deste segundo bloco foram elaboradas com base na Escala Likert, de cinco pontos. Assim, foi solicitado aos estudantes que se posicionassem em relação as afirmações em algum ponto entre Discordo Totalmente (1), Discordo em Parte (2), Indiferente (3), Concordo em Parte (4) e Concordo Totalmente (5).

Porém, vale lembrar que o questionário foi elaborado de modo a anular a aquiescência de uma afirmação com a aquiescência de outra em sentido contrário, desta forma algumas questões tiveram o seu sentido invertido e ficaram distribuídas conforme apresentado no quadro 3.3.

A terceira e última parte do questionário foi composta por uma questão aberta onde os entrevistados ficaram livres para escrever sobre as principais dificuldades / desafios que eles percebiam para empreender, essa questão tem por objetivo identificar os principais fatores limitantes do empreendedorismo no Brasil segundo a visão dos próprios empreendedores, nesse caso, dos estudantes egressos do Centro Acadêmico do Agreste da Universidade Federal de Pernambuco.

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QUADRO 3.2 – FATORES E QUESTÕES DO QUESTIONÁRIO DE INTENÇÃO EMPREENDEDORA

Fonte: Adaptado de SOUZA, 2015.

QUADRO 3.3 – FATORES E ITENS DA ESCALA PSICOMÉTRICA COM ITENS REVERTIDOS

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4

ANÁLISE DOS DADOS

Este presente capítulo tem por objetivo analisar os dados coletados durante a pesquisa, de forma a descrever o perfil dos alunos dos últimos períodos do Curso de Administração do Centro Acadêmico do Agreste da UFPE, posteriormente serão analisadas as médias de intenção empreendedora dos estudantes com base na teoria, e por fim, será feito um levantamento para identificar os principais desafios e obstáculos enfrentados pelos mesmos com base nas respostas obtidas através do Questionário de Intenção Empreendedora.

4.1 DADOS PESSOAIS E CARACTERÍSTICAS SOCIOECONÔMICAS

A análise das características pessoais e socioeconômicas tem por objetivo identificar o perfil dos alunos egresso do Centro Acadêmico do Agreste, a fim de conhecê-los melhor e saber quem são estas pessoas que estarão sendo lançadas no mercado de trabalho nos próximos meses.

Como já se viu nos Gráficos 3.1 e 3.2, percebe-se uma maioria de mulheres nos períodos finais do Curso de Administração, sendo o gênero feminino representado por 56,9% (63) dos alunos e 43,1% (47) sendo do gênero masculino. Além disso, podemos perceber que a maioria desses concluintes são jovens de até 24 anos e representam cerca de 78% (86) dos alunos. A faixa etária que apresentou o maior número de estudantes foi de 21 a 24 anos com 70,6% (78), seguida pelos alunos com idade entre 25 e 28 anos com 15,6% (17), posteriormente a faixa etária entre 17 e 20 anos com 7,4% (8) dos representantes, provavelmente, alguns desses alunos com 17 ou 18 anos devam estar pagando cadeiras em períodos diferentes, haja vista que a média de entrada na universidade é de 17 a 19 anos, desta forma seria preciso de pelo menos 3 anos para se chegar ao 7º período, por fim, temos a faixa etária de 29 a 33 anos representando cerca de 6,4% (7) dos alunos.

Em relação ao estado civil desses alunos, o gráfico 4.1 mostra que 88,1% (97) dos alunos são solteiros(as), o que tem relação com o fato de serem em sua maioria jovens de até 24 anos, outros 11% (12) são casados(as) e apenas 0,9% (1) dos respondentes é divorciado(a).

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GRÁFICO 4.1 – ESTADO CIVIL

Fonte: Pesquisa de Campo (2016)

Quanto ao ambiente familiar empreendedor o gráfico 4.2 mostra que 33,9% (37) dos alunos não tem nenhum empreendedor na família, em contrapartida 66,1% (73) dos mesmos tem empreendedores na família sendo 34,8% (39) Pai e /ou Mãe e 31,3% (34) Tios, Avós, Irmãos ou Primos, o que torna o ambiente familiar empreendedor. Esse pode ser considerado um fator positivo, já que segundo Dolabela (2008) um ambiente familiar e social empreendedor é um fator determinante para que os indivíduos sejam influenciados a começar um novo empreendimento, já que o empreendedor é um produto do meio que vive.

GRÁFICO 4.2 – EMPREENDEDORES NA FAMÍLIA

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Quando perguntados se já participaram de alguma atividade de empreendedorismo, para 22% (24) deles a resposta foi “não, nenhuma atividade”, conforme apresentado no gráfico 4.3. Parece pouco, mas deve-se acender um sinal de alerta quanto ao estímulo e realização de eventos sobre empreendedorismo na universidade, pois 22% pode ser considerado um número alto de alunos que estão nos períodos finais do curso de Administração (um curso que tem o empreendedorismo como parte essencial da formação) e alegam ainda não ter participado de nenhuma atividade extracurricular relacionada ao tema. Por outro lado, 78% (86) dos estudantes entrevistados afirmaram terem participado em sua maioria de palestras, além de seminários, cursos de curta duração, workshop e congressos. Houve apenas 1 (um) registro de alunos que tenham participado de alguma empresa júnior e nenhum registro de alunos envolvidos com startup.

GRÁFICO 4.3 – PARTICIPAÇÃO EM ATIVIDADES SOBRE EMPREENDEDORISMO

Fonte: Pesquisa de Campo (2016)

Quanto à renda, os gráficos 4.4 e 4.5 apresentam a renda mensal própria e familiar respectivamente, para se chegar as faixas de rendimento que aqui serão apresentadas, foi dividida a diferença entre o menor valor e o maior valor apresentado nos questionários em cinco faixas de rendimento. Percebe-se no gráfico 4.4 que a renda dos estudantes é considerada baixa, já que 45,9% (51) tem renda de até R$ 600,00 que significa menos de 1 (um) salário mínimo, outros 28,4% (31) apresentam renda entre R$ 600,01 e R$ 1.200,00, em média 1 (um) salário mínimo. Já 25,7% (28) apresentam rendas entre 2 (dois) e 3 (três) salários mínimos e meio, sendo 16,5% (18) entre R$ 1.200,01 e R$ 1.800,00, 5,5% (6) com

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rendas entre R$ 1.800,01 e R$ 2.400,00 e por fim, 3,7% (4) com uma renda mensal própria entre R$ 2.400,01 e R$ 3.000,00.

A renda mensal familiar de acordo com o gráfico 4.5 apresenta os seguintes números: 56,9% (63) dos respondentes possuem renda familiar entre R$ 600,00 e R$ 3.480,00, algo em torno de 1 (um) a 4 (quatro) salários mínimos, outros 30,3% (33) declararam ter uma renda mensal familiar entre R$ 3.481,01 e R$ 6.360,00. Os demais valores são, 6,4% (7) com renda mensal familiar entre R$ 6.360,01 e R$ 9.240,00, 3,7% (4) com renda mensal familiar entre R$ 9.240,01 e R$ 12.120,00 e 2,7% afirmaram ter renda mensal familiar entre R$ 12.120,01 e R$ 15.000,00.

GRÁFICO 4.4 - RENDA MENSAL PRÓPRIA

Fonte: Pesquisa de Campo (2016)

GRÁFICO 4.5 – RENDA MENSAL FAMILIAR

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Assim, de acordo com os dados aqui apresentados o perfil do aluno nos últimos períodos do curso de administração no Centro Acadêmico do Agreste da Universidade Federal de Pernambuco são em sua maioria, mulheres (56,9% | 63), tem até 24 anos de idade (78% | 86), são solteiros(as) (88,1% | 97), vivem em um ambiente familiar empreendedor (66,1% | 73), já participaram de atividades relacionadas ao empreendedorismo (78% | 86), possuem uma renda mensal própria de até R$ 1.200,00 ( 74,3% | 82) e uma renda familiar de até R$ 3.480,00 (56,9% | 63).

4.2 ATITUDES E PENSAMENTOS SOBRE O EMPREENDEDORISMO

Na segunda seção do questionário, foram apresentadas aos respondentes vinte afirmações para que os mesmos se posicionassem em uma escala psicométrica do tipo Likert de cinco pontos, além disso, as questões B02, B05, B09, B12, B16 e B19 que foram apresentadas revertidas no questionário, tiveram seu sentido normalizado para fins de obtenção de médias. As afirmações foram distribuídas de forma a obter informações sobre os quatro pilares da teoria apresentados por Liñán e Chen (2006), sendo eles a atitude pessoal, às normas subjetivas, o controle comportamental percebido e a intenção empreendedora.

Quanto à atitude pessoal dos indivíduos obtivemos as seguintes médias apresentadas no quadro 4.1:

QUADRO 4.1 – MÉDIAS DAS RESPOSTAS SOBRE ATITUDE PESSOAL

Fonte: Pesquisa de Campo (2016)

Pode-se perceber que em geral, os estudantes objetos desse estudo apresentam um bom nível de atitude pessoal em relação ao empreendedorismo com uma média de 3,75,

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destacando-se a afirmação B10 com uma média de 4,18, o que mostra que os estudantes teriam uma atitude de começar um novo negócio desde que tivessem a oportunidade e recursos, vale destacar que a falta de recursos para se iniciar um empreendimento foi o item mais citado como principais dificuldades \ desafios pelos respondentes no terceiro bloco do questionário.

A afirmação que apresentou a menor média nessa área foi a B18 com 3,28, que apesar de ser considerado um número positivo, mostra que uma falta de percepção de vantagens em empreender pode pesar na decisão final de começar ou não um negócio, pois, de acordo com o modelo de Liñán e Chen (2009), a atitude pessoal afeta diretamente a intenção empreendedora que por sua vez afeta o comportamento.

Em geral, percebe-se que os estudantes enxergam uma carreira como empreendedor atraente e que se tivessem oportunidades e recursos iriam utilizá-los para abrir um novo negócio mesmo diante de outras opções, além de observarem um pouco mais de vantagens que desvantagens em ser empreendedor, dessa forma apresentando um bom nível de atitudes pessoais em relação ao empreendedorismo.

Quanto às normas subjetivas, o quadro 4.2 nos apresenta os seguintes resultados obtidos:

QUADRO 4.2 – MÉDIA DAS RESPOSTAS SOBRE ÀS NORMAS SUBJETIVAS

Fonte: Pesquisa de Campo (2016)

Com a melhor média geral entre os fatores estudados, destacou-se que amigos, familiares e colegas de trabalho aprovariam a decisão de começar um novo negócio. Esse fator concorda com o percentual de 66,1% de respondentes que afirmaram ter empreendedores na família e se apresenta como uma boa influência na hora de empreender, haja vista que o ambiente em que o indivíduo está inserido, seja na família, entre os amigos ou o trabalho, é considerado por Dolabela (2008) um fator determinante para iniciar um novo negócio.

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Dentre as afirmações, destaca-se a aprovação por parte de parentes mais próximos na ideia de iniciar um novo empreendimento com uma média de 4,02.

O quadro 4.3 apresenta a partir de agora as médias obtidas quanto ao fator, controle comportamental percebido:

QUADRO 4.3 – MÉDIA DAS RESPOSTAS QUANTO AO CONTROLE COMPORTAMENTAL PERCEBIDO

Fonte: Pesquisa de Campo (2016)

Quanto ao controle comportamental percebido, fundamentado nas crenças de controle de Ajzen (2002), mostrando o quanto o indivíduo enxerga com mais facilidade ou mais dificuldade a realização de um comportamento, percebe-se que em geral e comparado aos outros fatores, os estudantes desacreditam um pouco no controle e eficiência em começar um negócio.

Apesar de se considerarem capazes de começar um negócio próprio, onde o quadro 4.3 mostra uma média de 4,15, os mesmos acreditam não conhecer todos os detalhes práticos para começar um negócio, com uma média de 2,73, além de não enxergarem facilidades em começar e manter o seu próprio negócio, apresentando uma média de 2,79. Existe uma contrariedade de percepção de controle comportamental.

Para Ajzen (2002), o controle percebido, além de afetar diretamente a intenção empreendedora é o único fator que afeta diretamente o comportamento e não apenas a intenção como a norma subjetiva e as atitudes pessoais. Isso pode justificar a menor média obtida entre os fatores ser a de intenção empreendedora, com 3,31 de acordo com o gráfico 4.4.

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QUADRO 4.4 - MÉDIA DAS RESPOSTAS SOBRE INTENÇÃO EMPREENDEDORA

Fonte: Pesquisa de Campo (2016)

Percebe-se que os indivíduos apresentam vontade e se mostram dispostos a enfrentarem dificuldades para empreender, porém, não se consideram preparados e não enxergam o empreendedorismo como objetivo profissional.

O item B06 foi o que apresentou a melhor média entre os fatores de intenção empreendedora, com a afirmação “Farei todo o esforço necessário para iniciar e manter meu próprio negócio”, entretanto, ao considerarem que o objetivo profissional seria tornar-se um empreendedor no item B17, a média cai consideravelmente para 2,98, o que pode ser justificado pela afirmação do item B09, que considera que os respondentes tem sérias dúvidas em algum dia começar um negócio próprio, com uma média de 2,94.

Para Ajzen (2002), o fato de ter dúvidas pode ser considerado o fator chave entre o sucesso e o fracasso de um empreendimento, haja vista que ele considera que o indivíduo que está mais confiante de que vai obter sucesso, mesmo com o mesmo nível de intenção daquele que tem dúvidas, tende a obtê-lo mais rápido e melhor que o outro, já que o controle percebido afeta diretamente o comportamento.

4.3 PRINCIPAIS OBSTÁCULOS E DESAFIOS PARA EMPREENDER

No terceiro bloco do questionário, foi solicitado aos estudantes que escrevessem sobre os principais obstáculos e desafios que eles encontravam para empreender, desta forma será apresentado a partir de agora os principais itens identificados na análise das respostas obtidas além de algumas respostas dos estudantes.

Dentre os principais obstáculos destacados pelos respondentes, o mais citado é sem dúvida o capital financeiro para iniciar um novo negócio ou fontes de financiamento, a falta

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de capital foi mais citada que o dobro de qualquer outro obstáculo que tenha sido mencionado pelos estudantes como mostram algumas das seguintes respostas: “Talvez a maior dificuldade seria o aporte financeiro, ou seja, ter capital ou recursos necessários para se iniciar um negócio...” (QUESTIONÁRIO 045), “Obter recursos financeiros para empreender” (QUESTIONÁRIO 010) e “Falta de capital para investimento inicial” (QUESTIONÁRIO 028).

Além dos recursos financeiros, chamou a atenção o grande número de alunos que consideram não ter ideias de negócio para começar e nem inovações que possam fazer com que surja um empreendimento diferenciado e também a dificuldade de mantê-lo atrativo, eles acreditam que sem uma ideia inovadora o empreendimento seria engolido por uma forte concorrência no mercado que eles consideram “desleal”, de acordo com os questionários a seguir: “Falta de criatividade e dificuldade pelo fato do mercado já ter uma variedade imensa de produtos e serviços, empreender nessas circunstâncias requer muita coragem e proatividade” (QUESTIONÁRIO 006), “Lidar com o mercado competitivo que necessita que o mesmo esteja disposto a estar inovando” (QUESTIONÁRIO 051) e “Mercado altamente competitivo” (QUESTIONÁRIO 049).

Outro fator mencionado foi o baixo conhecimento específico que os mesmos tem para iniciar e gerir uma empresa, além de pouco incentivo do governo e das instituições que cuidam dos micro e pequenos empreendedores, tudo isso faz com que haja uma alta insegurança em empreender, baixo interesse e pouca predisposição a assumir riscos, mesmo calculados, conforme tais respostas obtidas: “Ter qualificação, conhecimento do mercado de atuação e experiência” (QUESTIONÁRIO 101), “...a falta de informação e acompanhamento profissional por pessoas desta área” (QUESTIONÁRIO 011), “Subsídios e capacitação por parte do governo, incentivos nessa hora são de grande ajuda” (QUESTIONÁRIO 109), “Falta de coragem para dar o primeiro passo (insegurança)” (QUESTIONÁRIO 012) e “Além de estudar o empreendimento, ambiente \ mercado e o tempo em que será inserido é de alta dificuldade, pelo menos para mim que não possuo interesse algum de ser empreendedor” (QUESTIONÁRIO 058).

Por fim, foi bastante citado o fato de o país estar atravessando uma grave crise financeira e política, o que dificulta ainda mais o processo de empreender. Além de uma alta burocracia nos procedimentos para se iniciar um negócio e a alta carga tributária brasileira também foram itens citados pelos seguintes estudantes que colaboraram com a presente pesquisa: “Burocracia, conjuntura econômica...” (QUESTIONÁRIO 103), “Cenário econômico desfavorável” (QUESTIONÁRIO 062) e “Tendo em vista as grandes inovações

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atualmente, bem como o crescimento dos novos negócios e ainda a crise econômica que o país está enfrentando, acredito que esses fatores são tidos como principais dificuldades para empreender” (QUESTIONÁRIO 027).

Essas foram as principais respostas que ilustraram bem o que foi apresentado como principais dificuldades e desafios para empreender.

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