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A DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO COMO INSTRUMENTO GERENCIAL

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A DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO COMO

INSTRUMENTO GERENCIAL

Resumo

Com o crescimento constante das empresas, a alteração da Lei nº 6.404 de 15 de dezembro de 1976 e o aumento da exigência por informações requeridas pela sociedade, sentiu-se a necessidade de se elaborar uma demonstração que pudesse evidenciar a responsabilidade social e ambiental das organizações. Além disso, que apresentasse também, quanto estas organizações geram de riqueza e como esta é distribuída para a sociedade. Surgiu então a Demonstração do Valor Adicionado – DVA, no intuito de atender tais questões. Este artigo tem como objetivo demonstrar como a DVA pode ser usada gerencialmente e qual a sua importância para a sociedade. Para desenvolvimento do mesmo, optou-se pela pesquisa bibliográfica e estudo de caso. Este realizou-se em uma empresa de distribuição e comercialização de energia elétrica, localizada em Urussanga, Sul de Santa Catarina. Por meio dos dados obtidos pode-se descrever e analisar a DVA da organização pesquisada. Observou-se então que a DVA é uma fonte de informação importante, onde evidencia-se a riqueza gerada pela empresa e como ocorre a distribuição da mesma, no que concerne a sociedade.

Palavras-chave: Demonstração do Valor Adicionado. Instrumento Gerencial. Distribuição de Riqueza.

1 Introdução

Com o passar dos anos, a contabilidade vem sofrendo modificações em seus princípios, conceitos e técnicas. Os profissionais desta área, bem como as organizações, precisam estar se adaptando a essas alterações para manter a sua contabilidade atualizada, dentro das normas legais exigidas.

Essas transformações resultam na maioria das vezes pela própria exigência do mercado consumidor, que atualmente não se preocupa somente com o produto adquirido de uma determinada empresa, mas também com as responsabilidades sociais e ambientais destas, perante a sociedade.

Vêm aumentando assim, a preocupação das organizações em não elaborarem apenas as demonstrações tradicionais, e sim informativos que levem à sociedade informações referentes às responsabilidades, tanto sociais, quanto ambientais.

Diante disso, surgiu o Balanço Social, que possui como importante componente a Demonstração do Valor Adicionado – DVA, e que busca demonstrar a riqueza gerada à sociedade e sua forma de distribuição com as pessoas que contribuíram direta ou indiretamente com a sua formação.

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Com isso, este artigo tem como objetivo demonstrar como a DVA pode ser usada gerencialmente e qual a sua importância para a sociedade.

2 Demonstração do Valor Adicionado

Atualmente são muitas as demonstrações contábeis existentes, e que estão sedo aprimoradas juntamente com a contabilidade, atendendo assim as exigências do mercado. Sendo que uma vem complementar a outra, ou seja, formando um conjunto geral.

O foco da maioria dessas demonstrações é evidenciar a situação financeira e econômica das empresas, mas em tempos atuais apenas essas informações não são suficientes. Surge assim, a necessidade de se elaborar uma demonstração que apresente a preocupação da empresa em relação ao meio ambiente e aos aspectos sociais. Para atender esta questão surgiu o Balanço Social que tem como complemento a Demonstração do Valor Adicionado. (RICARTE, 2005).

De acordo com Kroetz (2000, p. 42), por meio desta demonstração, é possível “[...] perceber a contribuição econômica da entidade para cada segmento com o qual ela se relaciona.”

Segundo Ricarte (2005, p. 55) “a contabilidade utiliza a Demonstração do Valor Adicionado para identificar e divulgar quanto à atividade da empresa gera de recursos adicionais para a economia local, como e para quem distribuiu.”

Torres Junior e Silva (2008) ressaltam que trata-se de um relatório contábil, que elucida tanto os benefícios que as entidades oferecem a sociedade, quanto a habilidade de gerar riqueza econômica colaborando para o desenvolvimento econômico. Permite ainda, a identificação de como a riqueza gerada pe distribuída a seus beneficiários.

Vale ressaltar que o objetivo da DVA é:

[...] evidenciar a contribuição social da empresa para o desenvolvimento econômico-social da região onde está instalada. Discrimina o que a empresa agrega de riqueza à economia local e, em seguida, a forma como distribuiu tal riqueza. (FIPECAFI, 2000, p. 31 apud RICARTE, 2005, p. 57).

Desta forma, a sociedade pode saber o quanto à empresa gera de recursos para a economia local, quais os setores que foram contemplados, o que ela está fazendo pela coletividade em geral. Demonstrando assim se ela é uma organização que agrega valor ao local onde está instalada, ou apenas esta ocupando o espaço de outra empresa naquele determinado lugar.

2.1 Características Básicas da DVA

Toda demonstração possui as suas características básicas, onde estão destacadas as finalidades, os objetivos, as funções, e outras coisas. Não sendo diferente a DVA também possui as suas particularidades, como destaca Ricarte (2005, p.58):

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1. Fornece informações que demonstre a geração de riqueza da empresa e seus efeitos sobre a sociedade que está inserida.

2. Demonstra o valor adicionado em cada um dos fatores de produção e seu destino, conforme abaixo:

- dispêndio na remuneração dos empregados;

- geração de tributos ao governo (municipal, estadual e federal); - remuneração do capital de terceiros através de juros;

- remuneração dos acionistas através de distribuição de lucros;

3. O somatório dos valores obtidos nas Demonstrações de Valor Adicionado apresentados pelas unidades produtivas dos mais variados níveis de atividades econômicas que são classificadas pelo IBGE, excluídas as duplas contagens, pode ser considerado como o PIB do país; e

4. Pode-se efetuar análise vertical/horizontal dessa demonstração, com a comparação da participação de cada item da demonstração em sucessivos exercícios sociais, enfatizando sua evolução.

Observa-se que a DVA possui como aspecto principal identificar a geração de riqueza e a sua forma de distribuição. Mas, além disso, ela pode ser usada para análise, onde os investidores e os próprios sócios ou acionistas poderão utilizar-se dela como instrumento para a tomada de decisões.

2.2 Obrigatoriedade e Elaboração da DVA

Após a alteração da Lei nº 6.404/76 com a Lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007, a elaboração das demonstrações financeiras sofreram algumas modificações.

De acordo com o Art. 176 da Lei 11.638/07:

ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício: [...]

V – se companhia aberta, demonstração do valor adicionado.

Portanto, a DVA é obrigatória apenas para as companhias aberta, entretanto muitas empresas estão elaborando essa demonstração mesmo sem haver a obrigatoriedade, utilizando-a como uma forma de ganhar a confiança de seus clientes, demonstrando a riqueza gerada pela empresa.

Para um melhor esclarecimento do assunto no Quadro 1 apresenta-se um modelo proposto pela Fipecafi (apud TINOCO, 2001, p.75):

DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO

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DESCRIÇÃO Pela Legislação Societária

Em moeda Constante 1. RECEITAS

1.1 Vendas de mercadorias, produtos e serviços 1.2 Provisão para devedores duvidosos – Reversão / (constituição)

1.3 Não operacionais

2. INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS (Incluem os valores dos impostos – ICMS e IPI)

2.1 Matérias-primas consumidas

2.2 Custos das mercadorias e serviços vendidos 2.3 Materiais, energia, serviços de terceiros e outros 2.4 Perda/recuperação de valores ativos

3. VALOR ADICIONADO BRUTO (1 - 2) 4. RETENÇÕES

4.1 Depreciação, amortização e exaustão

5. VALOR ADICIONADO LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (3 - 4)

6. VALOR ADICIONADO RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA

6.1 Resultado de equivalência patrimonial 6.2 Receitas financeiras

7. VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (5 + 6) 8. DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO

8.1 Pessoal e encargos

8.2 Impostos, taxas e contribuições 8.3 Juros e aluguéis

8.4 Juros sobre capital próprio

8.5 Lucros retidos / prejuízo do exercício

QUADRO 1: Modelo de Demonstração do Valor Adicionado, da Fipecafi Fonte: Fipecafi (apud TINOCO, 2001, p.75)

Vale salientar que as informações elencadas neste demonstrativo são extraídas da contabilidade e, portanto, deverão ter como base o princípio contábil do regime de competência de exercícios. A seguir são apresentadas as instruções para preenchimento do modelo acima conforme Tinoco (2001, p. 76):

1. RECEITAS (soma dos itens 1.1 e 1.3)

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Incluem valores do ICMS e IPI incidentes sobre essas receitas, ou

seja, correspondem à receita bruta ou ao faturamento bruto.

1.2 Provisão para devedores duvidosos.

Inclui os valores relativos à constituição / baixa de provisão para devedores duvidosos.

1.3 Não operacionais.

Incluem valores considerados fora das atividades principais da empresa, como: ganhos ou perdas na baixa de imobilizados, ganhos ou perdas na baixa de investimentos.

2. INSUMOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS (soma dos itens 2.1 e 2.4)

2.1 Matérias-primas consumidas (incluídas no custo do produto vendido).

2.2 Custos das mercadorias e serviços vendidos (não incluem gastos com pessoal próprio)

2.3 Materiais, energia, serviços de terceiros e outros (incluem valores relativos às aquisições e pagamentos a terceiros).

Nos valores dos custos dos produtos e mercadorias vendidos, materiais, serviços, energia e etc. consumidos devem ser considerados os impostos (ICMS e IPI) incluídos no momento das compras, recuperáveis ou não.

2.4 Perda/recuperação de valores ativos.

Incluem as importâncias relativas a ajustes a valor de mercado de estoques e investimentos etc. (se no período o valor líquido for positivo, deverá ser somado).

3. VALOR ADICIONADO BRUTO (diferença entre itens 1 e 2) 4. RETENÇÕES

4.1 Depreciação, amortização e exaustão.

Deve incluir a despesa contabilizada no período.

5. “VA” LÍQUIDO PRODUZIDO PELA ENTIDADE (diferença entre itens 3 e 4)

6. “VA” RECEBIDO EM TRANSFERÊNCIA (soma dos itens 6.1 e 6.2)

6.1 Resultados de equivalência patrimonial (incluo os valores recebidos como dividendos relativos a investimentos avaliados ao custo). O resultado de equivalência pode representar receita ou despesa; se despesa, deve ser informada entre parênteses.

6.2 Receitas financeiras (incluem todas as receitas financeiras independente de sua origem).

7. VALOR ADICIONADO TOTAL A DISTRIBUIR (soma dos itens 5 e 6) 8. DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO (soma dos itens 8.1 a 8.5)

8.1 Pessoal e encargos.

Nesse item devem ser incluídos os encargos, com férias, 13º salário, FGTS, alimentação, transporte etc. apropriados ao custo do produto ou resultado do período (não incluir encargos com o INSS – veja tratamento a ser dado no item seguinte).

8.2 Impostos, taxas e contribuições.

Além das contribuições devidas ao INSS, Imposto de Renda, Contribuição Social, todos os demais impostos, taxas e contribuições devem ser incluídos neste item. Os valores relativos ao ICMS e IPI devem ser considerados como os valores devidos ou já recolhidos aos

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cofres públicos, representando a diferença entre os impostos incidentes sobre as vendas e os valores considerados a diferença entre os impostos incidentes sobre as vendas e os valores considerados no item 2 – Insumos Adquiridos de Terceiros.

8.3 Juros e aluguéis.

Devem ser consideradas as despesas financeiras e as de juros relativos a quaisquer tipos de empréstimos e financiamentos captados de instituições financeiras, empresas do grupo ou outras e os aluguéis (incluindo-se as despesas com leasing) pagos ou creditados a terceiros. 8.4 Juros sobre o capital próprio e dividendos.

Incluem os valores pagos ou creditados aos acionistas. Os juros sobre o capital próprio contabilizado como reserva deverão constar do item “lucros retidos”.

8.5 Lucros retidos / prejuízo do exercício.

Devem ser incluídos os lucros do período destinados às reservas de lucros e eventuais parcelas ainda sem destinação específica.

Seguindo estas instruções, é possível confeccionar a Demonstração do Valor Adicionado de forma correta. Trazendo informações precisas e confiantes a quem utilizá-lo para algum fim em específico, pois será elaborado de forma correta, demonstrando todas as etapas que precisam ser calculadas e apresentadas para se chegar à Distribuição do Valor Adicionado.

2.3 A DVA Como Instrumento de Análise

Após se elaborar a DVA, algumas análises poderão ser feitas pelos agentes internos e externos, ou seja, todos os que pretendam entender melhor a relação da empresa, por meio das informações fornecidas.

De acordo com Ricarte (2005, p. 63), “cada uma das informações atende às necessidades específicas de distintos grupos de usuários.” Isto pode ser observado por meio do Quadro 2:

Empregados/Sindicatos:

A DVA serve de base para negociações salariais, para comparações entre entidades do mesmo segmento, para estudos do comportamento evolutivo da remuneração ao longo do tempo etc.

Governos/Instituições:

Estes podem efetuar estudos comparativos da carga tributaria por setores/atividades, avaliando quais as categorias que mais contribuem para a formação da receita tributaria, resultando disto, reformulações legais como a constituição de impostos seletivos, redimensionamento de tributos por regiões etc. As DVAs agrupadas podem apresentar o crescimento econômico de determinadas regiões e atividades, fazendo com que os governos sigam ou alterem suas políticas de fomento, de incentivos e seus planejamentos.

Financiadores/Credores: A este grupo a DVA comunica a saúde econômica da entidade e a sua evolução na geração da riqueza.

Acionistas/Proprietários:

Aos formadores do capital próprio da entidade, a DVA apresenta a parcela que lhes coube em determinado período, podendo estes efetuar análises do investimento, objetivando a continuação da aplicação ou o seu redimensionamento; bem como fornece importantes subsídios para a preparação da análise global da entidade.

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Administradores: A DVA serve como instrumento de apoio ao planejamento estratégico, à decisão e ao controle, além de apresentar a parcela que lhes cabe a título de remuneração.

Sociedade:

Por meio da DVA, a sociedade organizada pode comprovar a representatividade das práticas de responsabilidade social das entidades, como também avaliar a geração da riqueza e sua estrutura de distribuição.

QUADRO 2: Necessidades Específicas de Distintos Grupos de Usuários Fonte: Adaptado de Ricarte (2005, p. 63)

Sendo assim, pode-se afirmar que a DVA não serve apenas como demonstrativo ambiental e social, mas também como instrumento de análise e gerencialmente, pois com ele pode-se obter informações que as demais demonstrações não possuem. Fato este de muita importância para qualquer organização, pois ela estará se diferenciando das outras devido à elaboração dessa demonstração diferenciada.

3 Descrição e Análise dos Dados

Neste tópico, descreve-se o estudo de caso realizado em uma empresa de distribuição e comercialização de energia elétrica, localizada no sul de Santa Catarina.

3.1 Caracterização da Empresa

A pesquisa de campo ocorreu na Empresa Força e Luz de Urussanga Ltda - EFLUL, localizada em Urussanga – SC. Esta atua no segmento de distribuição e comercialização de energia elétrica há 60 anos, e é parceira da sociedade local em programas sociais, comunitários, educacionais, profissionalizantes e de pesquisa e desenvolvimento.

Está sempre investindo em cursos profissionalizantes, superior, seminários e palestras, para aperfeiçoamento de seus colaboradores, o que faz a Empresa crescer cada vez mais, sendo reconhecida pela sociedade pelos serviços prestados. (RELATÓRIO ANUAL DA ADMINISTRAÇÃO DA EFLUL, 2005).

3.2 Demonstração do Valor Adicionado – DVA, da Empresa EFLUL

Segue abaixo o Quadro 3 contendo a DVA da EFLUL, onde poderá ser observado a riqueza por ela gerada e sua forma de distribuição nos anos de 2004 e 2005.

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Demonstração do Valor Adicionado – DVA

(Valores expressos em milhões de reais) Legislação Societária 2005 2004

Receitas 14.527,06 12.815,56

Venda de energia e serviços 14.720,64 13.007,20

Provisão para crédito de liquidação duvidosa (183,52) (177,68)

Resultado não operacional (10,06) (13,96)

(-) Insumos adquiridos de terceiros (6.001,06) (5.105,03)

Insumos consumidos 0,00 0,00

Outros insumos adquiridos (5.138,74) (4.423,40)

Material e serviços de terceiros (862,32) (681,63)

(=) Valor adicionado bruto 8.526,00 7.710,53

(-) Quotas de reintegração (246,04) (216,20)

(=) Valor adicionado líquido 8.279,96 7.494,33

(+) Valor adicionado a transferido (148,65) 19,04

Receitas financeiras (148,65) 19,04

Resultado de equivalência patrimonial 0,00 0,00

(=) Valor adicionado a distribuir 8.131,31 7.513,37

Distribuição do valor adicionado

Pessoal 2.089,61 2.267,16

Remunerações 1764,80 1.999.96

Encargos sociais (exceto INSS) 122,86 73.72

Entidade de previdência privada 0,00 0,00

Auxilio alimentação 0,00 0,00

Incentivo à aposentadoria e demissão voluntária 0,00 0,00

Provisão para gratificação 0,00 0,00

Convênio assistencial e outros benefícios 61,52 96,17

Participação nos resultados 0,00 0,00

Custos imobilizados (100,44) 97,31

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Governo 6.011,13 4.895,26

INSS (sobre folha de pagamento) 414,76 383,47

ICMS 3.335,77 2.832,67

Imposto de renda e contribuição social 0,00 120,66

Outros 2.260,60 1.558,46

Financiadores 45,08 46,14

Juros e variações cambiais 24,36 27,90

Aluguéis 20,72 18,24

Acionistas (14,51) 304,81

Remuneração do capital próprio 0,00 0,00

Lucros retidos 14,51 304,81

Valor adicionado (médio) por empregado 198,32 183,25 QUADRO 3: Demonstração do Valor Adicionado da EFLUL

Fonte: Adaptado do Relatório Anual da Administração da EFLUL, (2005)

3.2.1 Análise dos Dados

Analisando a DVA da EFLUL, nos anos de 2004 e 2005, observou-se algumas variações significantes. Relacionando o ano de 2005 com o anterior, tem-se um aumento das receitas em 13,35% (treze e trinta e cinco por cento) e conseqüentemente os insumos adquiridos de terceiros também tiveram uma alta de 17,55% (dezessete e cinqüenta e cinco por cento).

Sendo assim o valor adicionado a distribuir passou de R$ 7.513,37 (milhões) em 2004, para R$ 8.131,31 (milhões) em 2005, essa variação significa 8,22% (oito e vinte e dois por cento), devido ao aumento da venda de energia elétrica e serviços.

Na distribuição dessa riqueza gerada também houve algumas variações, como no grupo do Pessoal, Governo, Financiadores e Outros. O Pessoal, que abrange remunerações com empregados, encargos sociais (exceto INSS), convênio assistencial, reduziu 7,83% (sete e oitenta e três por cento), já o Governo ficou com 22,79% (vinte e dois e setenta e nove por cento) a mais da riqueza recebida no ano anterior, sendo que esse grupo compreende INSS (sobre folha de pagamento), ICMS, IR e CS, dentre outros. Os Financiadores reduziram 2,25% (dois e vinte e cinco por cento), devido à queda de juros e variações cambiais.

Considerando apenas o valor adicionado a distribuir em 2005, verificou-se que o mesmo foi de R$ 8.131,31 (milhões) e que desses, 25,70% (vinte e cinco e setenta por cento) foi para o Pessoal da Empresa, 73,93% (setenta e três e noventa e três por cento) para o

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Governo, 0,55% (zero cinqüenta e cinco) para os Financiadores e os Acionistas tiveram uma queda de 0,18% (zero dezoito por cento).

Analisando esses percentuais, pode-se observar que a maior parte da riqueza gerada pela EFLUL em 2005, foi destinada para o Governo, sendo que na sociedade local ficaram apenas 25,70% (vinte e cinco e setenta por cento).

4 Considerações Finais

Por meio deste estudo constata-se que a Demonstração do Valor Adicionado demonstra como ocorre a distribuição da riqueza gerada por uma organização e sua distribuição a sociedade. No entanto, apesar de sua importância, observou-se que a mesma ainda é pouco difundida. Porém, acredita-se que esta situação possa mudar, pois com a lei 11.638 aprovada em dezembro de 2007, ampliou-se a exigência da mesma, pelo menos no que refere-se às companhias abertas. A esperança é que esta requisição amplie-se para empresas de todos os tipos e portes.

Com o estudo realizado em uma empresa de distribuição e comercialização de energia elétrica, pode-se verificar como a riqueza gerada mela mesma foi distribuída aos diversos beneficiários e como este demonstrativo pode ser utilizado como fonte de dados gerenciais, contribuindo na tomada de decisões pelos gestores, tornando-s importante instrumento de apoio aos tomadores de decisões.

Referências

BRASIL. Lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007. Disponível em: www.planalto.gov.br Acesso em: 25 abr. 2008.

EFLUL – Empresa Força e Luz de Urussanga Ltda. Relatório Anual da Administração da Empresa Força e Luz de Urussanga Ltda. 2005.

KROETZ, César Eduardo Stevans. Balanço social: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 2000. RICARTE, Jádson Gonçalves. Demonstração do Valor Adicionado. Revista Catarinense da Ciência Contábil, Florianópolis, v.4, n.10, p.49-69, dez.2004/ mar.2005.

TINOCO, João Eduardo Prudêncio. Balanço social: uma abordagem da transparência e da responsabilidade publicadas organizações. São Paulo: Atlas, 2001.

TORRES JUNIOR, Fabiano; SILVA, Fernanda Rosa da. Balanço social: instrumento de evidenciação dos objetivos sociais. Pensar Contábil, Rio de Janeiro , v.10, n.39 , p.36-42,, mar. 2008.

Referências

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