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CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO TRIBUTÁRIO. Prof. Rogério Martir. AULA 54 02/10/2017 Direito EMPRESARIAL (03)

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CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO TRIBUTÁRIO. Prof. Rogério Martir

AULA 54 – 02/10/2017 – Direito EMPRESARIAL (03)

Aula 3 – Direito Empresarial: Transformações Societárias / Estabelecimento Empresarial / Propriedade Industrial

SOCIEDADES CONTROLADAS, COLIGADAS, SIMPLES PARTICIPAÇÃO E TRANSFORMAÇÕES • Controlada: é a sociedade cujo controle pertence a outra sociedade, sendo que a

mesma possui maioria dos votos na qualidade de sócia da sociedade controlada (art. 1.098, I e II do CC).

Art. 1.098 CC. É controlada:

I - A sociedade de cujo capital outra sociedade possua a maioria dos votos nas deliberações dos quotistas ou da assembleia geral e o poder de eleger a maioria dos administradores;

II - A sociedade cujo controle, referido no inciso antecedente, esteja em poder de outra, mediante ações ou quotas possuídas por sociedades ou sociedades por esta já controladas.

• Coligada: e quando outra sociedade participa do capital social com 10% ou mais, porém, não exerce poder de controle (art. 1.099 do CC).

Art. 1.099 CC. Diz-se coligada ou filiada a sociedade de cujo capital outra sociedade participa com dez por cento ou mais, do capital da outra, sem controlá-la.

• Simples participação: possui menos de 10% (art. 1.100 do CC).

Art. 1.100 CC. É de simples participação a sociedade de cujo capital outra sociedade possua menos de dez por cento do capital com direito de voto.

DA TRANSFORMAÇÃO

• Ocorre a transformação quando uma sociedade passa de um tipo para outro. Se não houver previsão estatutária dependerá de anuência de todos os sócios.

• O sócio que não concordar se vencido poderá retirar-se da sociedade. • A transformação não poderá afetar os credores.

Exemplo: Uma sociedade limitada em plena expansão e os sócios deliberam para se tornarem uma Sociedade Anônima, tendo do o passivo da LTDA ser transferido para a S/A.

Caso a S/A não der o retorno esperado é possível fazer uma desconstrução da S/A com a deliberação dos acionistas.

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ATT. Na transformação não há mudança de CNPJ.

DA INCORPORAÇÃO

• Ocorre a incorporação quando uma ou mais sociedades são absorvidas por outra sociedade.

• Materializada a incorporação as incorporadas são extintas e tudo devidamente registrado no órgão competente.

Uma empresa absorve a outra, e o CNPJ da que foi adquirida desaparece. O patrimônio é agregado ao CNPJ do adquirente.

DA FUSÃO

• Ocorre a fusão quando se unem as sociedades para formação de uma sociedade nova que lhe sucederá em direito e obrigações.

A fusão é uma unificação, ou seja, são empresas que se unem e nasce uma nova empresa, logo, os CNPJ das que se unem são extintos e um novo CNPJ é criado.

Exemplo: A AMBEV é um exemplo de fusão.

DA CISÃO

• Ocorre a cisão quando parte de uma sociedade (direitos e obrigações) são cedidas para uma outra empresa, ocorrendo a cessão total a sociedade cindida se extingue.

Exemplo: Determinada transportadora tem vários segmentos (rodoviário, marítimo e aéreo), e uma empresa quer comprar somente um setor desta transportadora, aí ocorre a cisão, podendo nascer um novo CNPJ. É preciso identificar o ativo e passivo somente daquele setor vendido.

DA IMPUGNAÇÃO A TRANSFORMAÇÃO / INCORPORAÇÃO / FUSÃO E CISÃO

• Até 90 dias das respectivas publicações os credores poderão impugnar a mudança propondo a competente ação judicial anulatória.

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Todas passam pelos órgãos competentes para que ocorram a publicação destes atos de transformação, incorporação, fusão e cisão e que assim, seja possível a impugnação por parte de terceiros em até 90 dias, sendo que havendo a impugnação em âmbito judicial, o juiz decidirá se haverá ou não a nulidade do ato.

SOCIEDADE DEPENDENTE DE AUTORIZAÇÃO

• Quem regula e autoriza o funcionamento de sociedades que necessitam de autorização extravagante é o poder executivo.

Exemplos são as emissoras de rádio e TV e as empresas estrangeiras.

No caso de empresa estrangeira no Brasil, além de autorização especifica, precisa de um procurador brasileiro, que responderá com o seu patrimônio pessoal perante terceiros.

ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL CONCEITO

• Considera-se estabelecimento todo o complexo de bens organizados para o exercício da empresa (art. 1.142 do CC).

Art. 1.142 CC. Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária.

• Os bens corpóreos e incorpóreos. Corpóreo = fungível, tangível Incorpóreo = infungível, intangível

É possível comprar só o estabelecimento empresarial, sem comprar as quotas desta empresa. Exemplo:

Os bens corpóreos de uma padaria são as máquinas de café, geladeiras, freezer, prateleiras, balcão, etc.

Os bens incorpóreos de uma padaria são: a tradição da padaria, a marca, a localização, a clientela da padaria.

Quando se vende um estabelecimento comercial é negociado os seus bens corpóreos e os incorpóreos.

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ALIENAÇÃO / USUFRUTO / ARRENDAMENTO

• O estabelecimento pode ser objeto unitário de direitos e de negócios (art. 1.143 do CC), desde que os respectivos atos, principalmente a alienação seja objeto de registro perante a junta comercial e publicado na imprensa oficial (art. 1.144 do CC).

Art. 1.143 CC. Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza.

Art. 1.144 CC. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou arrendamento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou da sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e de publicado na imprensa oficial.

É o chamado de contrato de trespasse, é o contrato que negocia o estabelecimento empresarial. Todo documento possui duas formas de se materializar: documento particular ou escritura pública.

A diferença é que a escritura pública é registrada em cartório e público a todos, sendo que o efeito é entre as partes quando o documento for particular.

Na junta comercial ocorre o registro empresarial.

CONDIÇÃO PARA APERFEIÇOAR O NEGÓCIO

• O negociante do estabelecimento deve ser detentor de bens suficientes para liquidação do seu passivo ou mesmo quitar os credores.

• Podendo ainda ter uma autorização expressa ou tácita (notificação com 30 dias para impugnação sob pena de concordância) dos credores. (Art. 1.145 do CC).

Art. 1.145 CC. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de todos os credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou tácito, em trinta dias a partir de sua notificação. 03 requisitos para a realização do negócio:

1. O ATIVO deve ser maior que o PASSIVO, não podendo ser levado a insolvência; 2. Com o dinheiro da aquisição quitar os credores;

3. Pedir autorização aos credores para que possa vender o estabelecimento empresarial. O vendedor não pode reduzir a insolvência.

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AUTORIZAÇÃO PARA CONCORRÊNCIA

• Não havendo autorização expressa o alienante do estabelecimento não poderá fazer concorrência ao adquirente pelo prazo de 5 anos, no caso de usufruto ou arrendamento a vedação de concorrência prevalecerá até o termino do contrato.

Clausula legal de não concorrência – é uma clausula diferenciada, pois, não é uma clausula escrita, ou seja, mesmo que não tenha uma clausula expressa no contrato de trespasse, pelo prazo de 5 anos não poderá exercer concorrência, ao menos que se estipule em contrato um prazo menor de concorrência, aí valerá o estabelecido em contrato, caso contrário, caso não tenha prazo de concorrência estabelecido, o prazo será de 5 anos.

SOBRE O PASSIVO (DÉBITOS)

 O adquirente responde por todos os débitos do estabelecimento desde que regularmente contabilizados, salvo estabelecido de outra forma no respectivo contrato.

 Quanto aos débitos tributários e trabalhistas independentemente de qualquer pacto será de responsabilidade do adquirente podendo fazer uso de ação de regresso.

Exemplo:

Uma padaria que recebeu uma autuação sanitária, quem compra essa padaria terá que solucionar os problemas existentes anteriores à compra, ou seja, o adquirente será o responsável.

O mesmo acontece com os débitos tributários e trabalhistas, por isso a importância de um contrato de trespasse bem elaborado.

SOBRE A SUB-ROGAÇÃO DO ADQUIRENTE

 Salvo disposição em contrário o adquirente assume os contratos em andamento que envolvam o estabelecimento, podendo os respectivos terceiros rescindir os contratos em 90 dias.

 Os créditos serão transferidos ao adquirente, porém se um devedor do estabelecimento pagar de boa-fé ao cedente este ficará exonerado de sua responsabilidade, cabendo a competente ação de regresso (art. 1.149 do CC).

Art. 1.149 CC. A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido produzirá efeito em relação aos respectivos devedores, desde o momento da publicação da transferência, mas o devedor ficará exonerado se de boa-fé pagar ao cedente.

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PONTO COMERCIAL – é um bem incorpóreo do estabelecimento e possui real valor, corresponde ao local onde é desenvolvida a atividade empresária e tudo que envolve o mesmo. É o local onde o estabelecimento está materializado.

O ponto comercial alugado, o proprietário pode pedir o imóvel após o prazo da locação. Desta forma, quem compra um ponto comercial deve se atentar para um contrato de locação de pelo menos 60 meses.

AÇÃO RENOVATÓRIA DE LOCAÇÃO

• Objetivo: é uma ação judicial que faculta ao locatário (empresário / sociedade empresária) do estabelecimento comercial exigir a renovação obrigatória do contrato de locação por igual prazo.

• O sucessor, cessionário e o sublocatário (no caso de sublocação total) da locação também possuem direito a ação renovatória.

Requisitos para propositura da ação (art. 51 da lei 8.245/91): 1) contrato de locação escrito;

2) prazo determinado de 5 anos ou somatória de contratos ininterruptos (a jurisprudência permite que se tiverem contratos sucessivos, é possível somar atingindo os 5 anos).

3) exercício da mesma atividade nos últimos 3 anos;

4) propositura da ação de 1 ano a 6 meses antes do termino do contrato.

Obs. Os requisitos são cumulativos e devem estar todos presentes.

Art. 51 Lei 8.245/91. Nas locações de imóveis destinados ao comércio, o locatário terá direito a renovação do contrato, por igual prazo, desde que, cumulativamente:

I - O contrato a renovar tenha sido celebrado por escrito e com prazo determinado;

II - O prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos prazos ininterruptos dos contratos escritos seja de cinco anos;

III - O locatário esteja explorando seu comércio, no mesmo ramo, pelo prazo mínimo e ininterrupto de três anos.

§ 1º. O direito assegurado neste artigo poderá ser exercido pelos cessionários ou sucessores da locação; no caso de sublocação total do imóvel, o direito a renovação somente poderá ser exercido pelo sublocatário.

O locador (proprietário) poderá se opor a renovação da locação alegando:

• Obras exigidas pelo poder público;

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• Proposta melhor de terceiro;

• Uso próprio empresarial, de seu cônjuge, ascendente ou descendente, sendo necessário ser um ramo diferente e que o negócio exista a mais de um ano e sejam possuidores da maioria do capital social.

Indenização ao locatário

• Possível indenização somente é cabível se a ação renovatória foi proposta.

• A mesma é cabível nos casos de proposta melhor de terceiro, e nos demais casos se o locatário em 3 (três) meses não iniciar as obras ou ocupar o estabelecimento conforme declarado na defesa.

Locação em shopping center

• Aplica-se a mesma legislação, vedado apenas a alegação em defesa que a retomada é para uso próprio ou de parentes nos termos da lei.

PROPRIEDADE INDUSTRIAL RAMO DO DIREITO INTELECTUAL

O Direito Intelectual se divide em dois ramos:

1. Direito Autoral (registro na Biblioteca Nacional); 2. Propriedade Industrial (registro no INPI).

O INPI é um órgão governamental que registra as marcas, patentes e desenho industrial no Brasil.

A Propriedade Industrial contempla os seguintes institutos: • Patentes (invenção e modelo de utilidade pública) • Desenho Industrial

• Marcas

PATENTES (registro junto ao INPI)

É um direito de propriedade sobre algo, sendo que terceiros só podem utilizar pagando ao titular.

Patente de invenção: é a concessão do privilégio de exploração (carta de patente) de uma criação até o momento não existente, devendo estar presentes 3 requisitos:

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2. Novidade – algo que não exista

3. Industriabilidade – deve ser passível de ser industrializado

A patente se transfere em ato “Inter vivos” ou “causa mortis”, podendo ser objeto de desapropriação quando for de interesse público e segurança nacional se não explorada em tempo hábil a circular no mercado.

O prazo para exploração da patente de invenção é de 20 anos improrrogáveis, sendo que após este prazo entra em domínio público.

Patente de modelo de utilidade pública: é a concessão do privilégio de exploração (carta de patente) de toda forma ou disposição nova obtida em face de objetos conhecidos que se preste a utilidade prática.

• Necessários os mesmos requisitos da patente de invenção.

• O prazo para exploração desta patente é de 15 anos improrrogáveis.

Nesta modalidade a invenção já exista e devidamente patenteada e está sendo aperfeiçoada.

DESENHO INDUSTRIAL

Considera-se desenho industrial a forma plástica ou ornamental de um objeto ou conjunto dos mesmos, considerando linhas e cores e que possa ser objeto de fabricação industrial.

Exemplos: jóias, móveis, canetas, relógios, forma de máquinas e objetos. São necessários os mesmos requisitos:

1. Criatividade – algo da mente humana 2. Novidade – algo que não exista

3. Industriabilidade – deve ser passível de ser industrializado

O prazo de exploração e de 10 anos, renováveis por três períodos de 5 totalizando o máximo de 25 anos.

MARCAS

Conceito: sinal distintivo capaz de diferenciar um produto ou serviço de outro.

As marcas podem ser:

Nominativa: composta apenas por palavras, letras simples, convencionais.

Figurativa: composta apenas por símbolos, desenhos.

Mista: composta por palavras e símbolos

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O prazo é de 10 anos prorrogáveis pelo mesmo período, tantas vezes desejarem seus proprietários, desde que o pedido seja dentro do último ano do prazo a ser prorrogado e as contribuições sejam devidamente recolhidas.

Classificação das marcas:

 Produtos e serviços (Sadia, Coca Cola, CVC Viagens);

 Certificação (ISO9000);

 Coletiva (FIESP / OAB)

MARCA NOTÓRIA: dentro do seu ramo de atividade goza de proteção especial independentemente de estar depositada/registrada ou não. (Art. 126, LPI).

É um título dado pelo INPI a uma marca, quando está se confundi com o produto. Exemplo: Maisena (amido de milho), Nescau (achocolatado), Bombril (palha de aço), etc.

Art. 126 Lei 9279/96. A marca notoriamente conhecida em seu ramo de atividade nos termos do art. 6º bis (I), da Convenção da União de Paris para Proteção da Propriedade Industrial, goza de proteção especial, independentemente de estar previamente depositada ou registrada no Brasil.

MARCA DE ALTO RENOME: a marca registrada no brasil de alto renome (coca cola) tem assegurada proteção especial em todos os ramos de atividade. (Art. 125, LPI).

Art. 125 Lei 9279/96. À marca registrada no Brasil considerada de alto renome será assegurada proteção especial, em todos os ramos de atividade.

Exemplo: Coca-Cola, ninguém pode utilizar o nome Coca-Cola em segmento nenhum.

BONS ESTUDOS!!!

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Referências

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