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Trens turísticos e o patrimônio cultural. Roberta Abalen Dias

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Academic year: 2021

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Trens turísticos e o

patrimônio cultural

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Atualmente o Turismo é

considerado uma atividade de grande importância econômica, responsável por geração de emprego e renda. Tal atividade é responsável pelo deslocamento de pessoas de seu ambiente habitual por diversas motivações ou interesses.

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O patrimônio cultural é

considerado um grande

diferenciador entre as localidades turísticas, sendo uma ótima forma

de incrementar o poder de atração das mesmas.

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A conservação do patrimônio cultural é essencial para os sujeitos de um determinado território, uma vez que permite o reencontro com as raízes das suas comunidades e a reafirmação das suas identidades, além de ser um potencial atrativo cultural no planejamento turístico local (Barreto, 2006).

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As ferrovias sempre estiveram inseridas na formação das estruturas urbanas e determinaram o processo de formação das cidades, portanto, configuraram uma determinada paisagem cultural.

Em cada localidade a introdução de um prédio para instalação de uma estação ferroviária inseria também um estilo arquitetônico que se espalhava pelo entorno e até mesmo influenciava a organização da ocupação urbana.

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Logo, os trens turísticos têm mais

do que um compromisso com as máquinas e estações ferroviárias. Possuem compromisso com toda a história das localidades em que estão inseridos, inclusive com as influências deixadas no modo de vida da população envolvida com esta atividade.

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O turismo pode e deve atuar principalmente na valorização da identidade cultural de certa sociedade.

A presença da atividade turística

deve estar focada no

fortalecimento dos laços culturais da sociedade, preservando os valores culturais mais fortes.

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Setor ferroviário no Brasil

No território brasileiro, a implantação do

sistema ferroviário representou a

chegada da modernidade e do

progresso, promovendo a transformação

do espaço social, envolvendo a

paisagem, a cultura, as relações sociais, econômicas e políticas nas regiões atravessadas por ela (Allis, 2006).

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Hoje, “O transporte ferroviário passa para o campo da nostalgia” algumas poucas Marias-Fumaça passam a colocar-se neste contexto como objetos históricos. Estas estão em museus, associações de preservação ou sendo utilizadas para fins turísticos; entretanto, muitas se encontram esquecidas pelo tempo, deixadas como sucata, se perdendo em antigas estações abandonadas.

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Segundo Martins e Vieira (2006, p.1), “o turismo é uma das atividades capazes de auxiliar na obtenção de resultados relevantes no que concerne à preservação da memória e identidade ao apresentar para turistas e/ou visitantes a essência e os significados do patrimônio local.”

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Diante disso, procura-se agora

demonstrar ações reais que

empresas

do

transporte

ferroviário

implantaram

em

trens com atratividade turística

que estão proporcionando a

preservação

do

patrimônio

cultural.

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Das

estações

que

ainda

funcionam,

destaca-se

a

Estrada

de

Ferro

Curitiba-Paranaguá,

comercializada

como Serra Verde Express,

criada em 1883, que percorre

110 km, ligando as duas

cidades através da Serra da

Graciosa.

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Um trem turístico que tem privilegiado a essência do significado do lugar é o Trem do Vinho. Neste produto turístico do sul do país, as tradições e costumes da sociedade local são valorizados durante todo o trajeto. Ações para que se atinja este fim são realizadas tanto no interior dos vagões assim como nas estações ferroviárias. Os atrativos agregados ao passeio de trem visam valorizar e demonstrar ao visitante a essência da região.

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O passeio turístico de trem a vapor ocorre em 23 km, com 1h30m de duração, entre os municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa. A equipe do trem realiza festas nos vagões, utilizando as manifestações culturais típicas da região. Como exemplo, pode-se citar o coral típico italiano, pessoas com roupas gaúchas, vinhos e queijos para degustação, os

quais demonstram a riqueza e

diversidade cultural da localidade, devido à colonização europeia.

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Ponto positivo destas intervenções são as participações da comunidade local no planejamento e na execução das intervenções realizadas nas viagens. Assim, percebendo a valorização pelos turistas, a população também valoriza e participa da conservação de sua riqueza cultural.

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Outro exemplo de como o trem turístico pode ser um forte aliado na valorização do patrimônio cultural ocorre em Jaguariúna, interior de São Paulo.

Esta pequena cidade tem em sua história a economia cafeeira, característica intimamente ligada à evolução das ferrovias. Sendo assim, o café e o trem constituem-se em dois pilares da história local, em cujo apoio a atividade turística se desenvolve.

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O passeio de Maria Fumaça entre Jaguariúna e Campinas tem objetivo cultural e recreativo.

Durante o passeio, temas como a história do trem e do café, incluindo curiosidades sobre a sociedade da época, os barões do café e a rotina dos trabalhadores nos cafezais, são tratados por monitores treinados.

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Placas

ferroviárias

antigas,

fotografias, telefones são itens

utilizados visando remeter os

visitantes aos tempos vividos

pela aristocracia rural cafeeira,

despertando o interesse geral.

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Um exemplo de como o turismo ferroviário auxilia no processo de preservação patrimonial é o Trem da Vale, que realiza o percurso entre as cidades de Ouro Preto e Mariana, em Minas Gerais, totalizando 18 km de extensão. Inaugurado em 5 de maio de 2006, liga duas importantes cidades mineiras características da arquitetura barroca, e que já foram capitais do estado.

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O Trem da Vale valoriza o passado e o

presente do patrimônio material,

imaterial e natural da região de Ouro Preto e Mariana. O propósito principal do trem não é realizar um simples passeio de Maria Fumaça, mas resgatar e valorizar todo o patrimônio

histórico-cultural destas duas importantes

cidades mineiras, promovendo esta riqueza cultural junto aos turistas e

incentivando o processo de

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Sobre os trilhos da antiga Estrada

de Ferro Oeste de Minas (EFOM), a viagem de 12 quilômetros a bordo das únicas Marias-fumaças do mundo de bitola 0,76 m liga as estações construídas no século 19,

passando por fazendas

centenárias, entre rios e montanhas.

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A Rotunda

O prédio da rotunda – construção

circular que lembra o anfiteatro romano – abriga em seu interior um valioso tesouro histórico: as centenárias locomotivas a vapor “Baldwins” da bitolinha de 0,76 m, além de carros e vagões que fizeram a história do passado ferroviário e hoje repousam no seu antigo habitat.

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Outro produto do turismo ferroviário localiza-se no nordeste brasileiro, o Trem do Forró tornou-se um dos principais símbolos da festa de São João em Pernambuco.

No mês de junho, num comboio de dez vagões, o Trem do Forró segue do Marco Zero ao Cabo de Santo Agostinho, reunindo cerca de oito mil pessoas. Cada vagão é decorado com vários adereços que remetem ao forró e a festas juninas, além de ser animado por um “trio de forrozeiros”.

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Durante toda a viagem, as pessoas podem ouvir e dançar a tradição musical

da região. E para agregar maior

atratividade ao produto, o trem para em algumas estações, dando a oportunidade aos turistas de apreciarem a comida típica da região e as apresentações de festas juninas, os hábitos e costumes; enfim, a tradição do local. Na cidade de Cabo de Santo Agostinho, o Trem é recebido com uma grande festa, em que o objetivo principal é explorar a cultura popular, como a quadrilha e o xote.

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Considerações finais

A história do modal ferroviário no Brasil é marcada por dois momentos distintos: um período áureo em que as ferrovias

representavam o surgimento e

desenvolvimento de muitas cidades, e outro período marcado pelo abandono e sucateamento, resultado de uma decisão governamental que priorizou o modal rodoviário em detrimento do ferroviário.

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A atividade turística serve

como agente de preservação

do patrimônio, pois esta é

capaz

de

incentivar

a

comunidade local a perceber a

própria riqueza cultural, por

meio da educação patrimonial,

e a estimular o turista a

conhecer

e

valorizar

este

patrimônio.

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Os

trens

turísticos,

inicialmente,

representam

intervenções na preservação

do

patrimônio

cultural

edificado, visto que revitalizam

máquinas, trilhos, estações, ou

seja, toda a estrutura edificada

do

setor

de

transporte

ferroviário.

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Os programas de valorização e preservação do patrimônio cultural, principalmente o imaterial, demonstram a capacidade de empresas privadas e associações em estimular um envolvimento completo da comunidade. A cultura aparece como diferencial dos trens, algo a ser acrescentado à altivez dos trens e das estações, e à beleza dos atrativos naturais.

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Referências bibliográficas

ALLIS, T. Turismo, patrimônio cultural e transporte ferroviário: um estudo

sobre as ferrovias turísticas no Brasil e Argentina. Dissertação (mestrado)

Programa de Pós-graduação em Integração da América Latina, Universidade de São Paulo, 2006. 232p.

• ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS OPERADORES DE TRENS TURÍSTICOS

(ABOTTC). Trens turísticos. Relação dos principais trens turísticos brasileiros. Disponível em: <http://www.abottc.com.br>. Acesso em: 18 set. 2010.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PRESERVAÇÃO FERROVIÁRIA (ABPF). História.

Informações sobre o patrimônio ferroviário brasileiro. Disponível em:

<http://www.abpf.org.br>. Acesso em:18 set 2010.

BARRETO, M. Turismo e legado cultural: as possibilidades do planejamento. 6.ed. Campinas: Papirus, 2006.

COMPANHIA VALE DO RIO DOCE (VALE). Trem da Vale. Apresenta informações

sobre este trem turístico. Disponível em: <http://www.tremdavale.com.br>. Acesso

em: 23 mai.2007.

MARTINS, A.B.; VIEIRA, G.F. Turismo e patrimônio cultural: possíveis elos entre

identidade, memória e preservação. Estação Científica, Juiz de Fora, 2006.

Disponível em: <http://www.jf.estacio.br/revista/artigos/2ANNE_E_GUSTAMARA. pdf>. Acesso em: 04 mai. 2007.

MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES. Plano Nacional de Revitalização das

Ferrovias. Disponível em: <http://www.transportes.gov.br>. Acesso em: 10 mai.

2007.

MURTA, S.M.; GOODEY, B. A interpretação do patrimônio para visitantes: um

quadro conceitual. In: MURTA, S.M.; ALBANO, C. (org.). Interpretar o patrimônio:

Referências

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