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Documento Conceitual. Diálogo do Alto Comissário sobre os Desafios da Proteção. Desafios para Pessoas do Interesse do ACNUR em Ambientes Urbanos

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Documento Conceitual

Diálogo do Alto Comissário sobre os Desafios da Proteção Desafios para Pessoas do Interesse do ACNUR em Ambientes Urbanos

Genebra, 9-10 de dezembro de 2009

I. Introdução

O terceiro encontro do Diálogo do Alto Comissário sobre os Desafios da Proteção será realizado em Genebra nos dias 9 e 10 de dezembro de 2009, com o tema: “Desafios para pessoas do interesse do ACNUR em ambientes urbanos”. Este documento descreve as razões que motivaram enfocar este assunto e os objetivos do Diálogo deste ano, fornecendo informações preliminares sobre questões

organizacionais.

II. Por que se concentrar em áreas urbanas?

A urbanização é uma das temáticas chamadas de “mega-tendências” de nossos tempos. Em um mundo com uma população de 6,6 bilhões de pessoas, são mais as pessoas que vivem em cidades do que em áreas rurais. Há um consenso de que esta tendência não somente é irreversível, mas também se acelerará nas próximas décadas. O número de pessoas vivendo em cidades hoje na África e na Ásia está aumentando numa

proporção média de um milhão por semana. Estima-se que a população da África vai mais que dobrar até 2050: de aproximadamente 945 milhões para quase 2 bilhões;

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88% deste crescimento ocorrerá na parte Subsaariana do Continente, e grande parte dele será nas áreas urbanas. Em outras regiões em desenvolvimento, o aumento do número populacional, combinado com a urbanização, irá também acelerar-se: no mundo Árabe, a atual população de 335 milhões deverá subir para mais de 598 milhões de pessoas até 2050, e em países da América Latina e Caribe, de 576 milhões

para quase 783 milhões.1

Muitos analistas atribuíram o fenômeno crescente da urbanização a meios de vida limitados, baixos padrões de vida e serviços públicos de má qualidade nas áreas rurais. Enquanto estes fatores, evidentemente, desempenham um papel importante na indução de pessoas a deslocarem-se para áreas urbanas, até hoje pouca atenção tem sido dada à dimensão dos refugiados e do deslocamento forçado neste fenômeno em relatórios e debates sobre o assunto.

Sem dúvida, a presença em larga escala de pessoas de interesse do ACNUR em áreas urbanas tem implicações na economia, sociedade e administração das cidades em questão, aumentando os desafios no planejamento urbano e em outras formas de governança social, econômica e pública. Há, sem dúvida, uma pressão adicional sobre a infra-estrutura e o meio-ambiente, bem como na habitação e serviços sociais. Para enfrentar estes desafios, estratégias abrangentes de redução da pobreza e programas de trabalho terão de ser planejados e o apoio das populações locais no acolhimento terá de ser alimentado.

       1

Veja Estado da População Mundial, edição de 2007, UNFPA.

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A suposição de longa data de as pessoas do interesse do ACNUR (refugiados, deslocados internos, retornados e apátridas) são principalmente originários de áreas rurais e aí residem, está cada vez mais em desacordo com a realidade. Uma crescente proporção desta população pode ser encontrada em cidades ao redor do mundo. Abdijan, Amã, Bangkok, Bogotá, Cairo, Damasco, Juba, Johanesburgo, Cartum, Nairóbi e Quito, são apenas algumas das cidades que acolhem um número considerável destas pessoas.

A percepção, por exemplo, de que os refugiados tenham que viver em campos como requisito para o reconhecimento da condição de refugiado, ou de maneira a

beneficiarem-se dos direitos que decorrem desta condição, não é correta. O estatuto de refugiado e o direito à proteção que implica não estão relacionados ao local de

residência, nem podem os deveres e responsabilidades dos Estados de acolhida, do ACNUR e de outras partes envolvidas para com as pessoas de interesse ser limitados pelo fato de elas residirem em áreas urbanas. Como outras pessoas, as pessoas de interesse do ACNUR geralmente gravitam em torno dos centros urbanos procurando segurança e possivelmente uma maior escolha de oportunidades de geração de renda, educacionais e de habitação, assim como serviços básicos de melhor qualidade. Muitos também se deslocam para as cidades devido às inúmeras restrições à vida no campo, ao desejo de viver mais perto de parentes e outros membros de suas

comunidades de origem, ou às vezes encontrar anonimato e passar “despercebidos”. Em situações prolongadas de refugiados, as motivações incluem o desejo de escapar das duras condições de vida nos campos, eventuais restrições a seus direitos, ou a esperança de mudar para outro país ou continente. Para além disso, são cada vez mais os refugiados retornados que se instalam em áreas urbanas uma vez que eles estão em

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seu país de origem. Da mesma forma, os deslocados internos que se movem a áreas urbanas para escapar de conflitos armados podem permanecer ali até mesmo quando a paz é restaurada.

Apesar de esperarem por uma maior segurança e melhores oportunidades nas áreas urbanas, muitas destas pessoas encontram uma realidade diferente. Muitas vezes, elas já perderam seus bens, não desfrutam de habitações seguras, enfrentam a falta de apoio de redes sociais e podem não possuir habilidades e conhecimentos fundamentais para sobreviver em uma cidade. Eles também podem não possuir ou serem privados de documentos de identidade necessários para acessar serviços públicos, como o acesso a alimentos subsidiados. No caso de refugiados e de requerentes de asilo, eles podem ser formalmente excluídos do mercado de trabalho ou não ter acesso a oportunidades de educação e saúde. Como “gente de fora” e “recém-chegados”, eles podem ser alvo do crime organizado, xenofobia e violência, despejos, expulsões, assédio, extorsão e outras formas de abuso e exploração.

III. Objetivos do Diálogo

O objetivo geral do Diálogo é gerar uma maior conscientização dos desafios

específicos encarados pelas pessoas de interesse nas áreas urbanas, chamar a atenção dos formuladores de políticas públicas para a necessidade de gerar respostas adequadas a estas questões e identificar boas práticas para melhorar a qualidade de tais respostas. Em particular, espera-se que o Diálogo irá:

• Chamar a atenção para o fato de que a presença de pessoas de interesse do ACNUR nos ambientes urbanos é um fenômeno crescente que irá se intensificar nas próximas décadas;

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• Promover a compreensão e aceitação do fato de que o lugar de residência, tanto no ambiente rural quanto no urbano, não tem qualquer influência sobre as

responsabilidades de proteção para as pessoas de interesse;

• Lançar luz sobre o alcance, a natureza e as implicações da presença crescente de pessoas de interesse nas áreas urbanas;

• Destacar desafios específicos nas áreas de proteção, assistência e soluções, incluindo questões como identificação, registro, presença nas comunidades, identificação dos mais vulneráveis, abrigo, oferta de educação e saúde e meios de subsistência;

• Identificar estratégias, atividades e boas práticas nestes aspectos; e • Identificar oportunidades de parcerias e ações combinadas.

IV. Modalidades de organização

Os preparativos para o Diálogo já estão em andamento. A nova Política do ACNUR para Refugiados e Requerentes de Asilo em Áreas Urbanas aguarda consideração final por parte de funcionários especializados e deverá ter sido emitido até a época do Diálogo. Há avaliações em curso e estudos sobre questões de refugiados e deslocados em ambientes urbanos, cujos resultados serão levados em conta nas deliberações do Diálogo. Além disso, uma parte das Consultas anuais ACNUR-ONGs, que serão realizadas em junho de 2009, será dedicada ao exame de problemas, desafios e

potenciais respostas operacionais potenciais em questões relativas a contextos urbanos. V. Participação

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Convites para participar do Diálogo estão sendo enviados aos Estados Membros do Comitê Executivo do ACNUR e aos observadores no Comitê Permanente, às agências interessadas do sistema ONU, a organizações intergovernamentais, ONGs, acadêmicos, especialistas, defensores e ativistas. Atenção especial será dada à

participação das pessoas de interesse, bem como a Prefeitos ou a representantes de outras autoridades municipais de várias cidades que abriguem grande número de refugiados, deslocados internos e repatriados.

VI. Metodologia

As deliberações do Diálogo de 2009 seguirão o mesmo formato dos Diálogos anteriores. O ACNUR preparará uma nota de debate e colocará à disposição outros documentos relevantes. O Alto Comissário, Sr. António Guterres, presidirá o Diálogo. Para manter as deliberações o mais franco, interativo e informal possíveis, elas irão consistir de uma combinação de sessões plenárias e grupos de discussão. Nenhum dos debates será atribuído a participantes individuais. O Alto Comissário não irá garantir um resultado negociado e terminará os debates com um “Resumo do Presidente”, incluindo recomendações pertinentes.

ACNUR

7 de maio de 2009

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