UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
ESCOLA MULTICAMPI DE CIÊNCIAS MÉDICAS DO RIO GRANDE DO NORTE RESIDÊNCIA MULTIPROFISSIONAL EM ATENÇÃO BÁSICA
RAYANNE DA SILVA BEZERRA
PROJETO DE INTERVENÇÃO LOCAL (PIL): OFICINAS DE EDUCAÇÃO PERMANENTE COM ÊNFASE NA IMPLANTAÇÃO DO ACOLHIMENTO À
DEMANDA ESPONTÂNEA NA ATENÇÃO BÁSICA
CAICÓ/RN 2019
RAYANNE DA SILVA BEZERRA
PROJETO DE INTERVENÇÃO LOCAL: OFICINAS DE EDUCAÇÃO PERMANENTE COM ÊNFASE NA IMPLANTAÇÃO DO ACOLHIMENTO À
DEMANDA ESPONTÂNEA NA ATENÇÃO BÁSICA
Trabalho de conclusão de Residência apresentado ao Programa de Residência Multiprofissional em Atenção Básica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito parcial para obtenção de título de especialista em Atenção Básica.
Orientadora: Prof. Dra. Maura Vanessa
Sobreira
CAICÓ/RN 2019
RAYANNE DA SILVA BEZERRA
PROJETO DE INTERVENÇÃO LOCAL: OFICINAS DE EDUCAÇÃO PERMANENTE COM ÊNFASE NA IMPLANTAÇÃO DO ACOLHIMENTO À DEMANDA
ESPONTÂNEA NA ATENÇÃO BÁSICA
Trabalho de conclusão de Residência apresentado ao Programa de Residência Multiprofissional em Atenção Básica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito parcial para obtenção de título de especialista em Atenção Básica.
Aprovado em: ______/______/______
BANCA EXAMINADORA
______________________________________ Profa. Dra. Maura Vanessa Sobreira
Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN) Orientadora
______________________________________ Profa. Dra. Ana Luiza de Oliveira e Oliveira Escola Multicampi de Ciências Médicas (EMCM/UFRN)
Examinadora
______________________________________ Prof. Me. Sebastião Caio dos Santos Dantas
Faculdade Católica Santa Teresinha (FCST) Examinador
Dedico a minha família, a minha mãe, meus irmãos, meus sobrinhos, minhas tias e aos meus avós que são símbolos de RESISTÊNCIA na minha vida. Obrigada a todos (as), pelo apoio e incentivo de sempre.
AGRADECIMENTOS
A Deus e a Nossa Senhora das Graças, por abençoar essa fase da minha vida, me ajudando a superar cada desafio proposto ao longo desses dois anos.
A toda minha família, minha mãe, meus irmãos, meus sobrinhos, minhas tias e meus avós. Grata pelo apoio, incentivo e amor.
A minha equipe Castelagem, por todo companheirismo, apoio e amizade. Com certeza essa caminhada se tornou bem mais prazerosa, proveitosa e bonita pela presença de cada um de vocês (Genival, Vinicius, Maria Helena, Maria Luiza, Frankly e Jordelle).
A minha orientadora Maura Sobreira, por todo apoio, orientação e confiança ao logo do desenvolvimento desse trabalho. Sem dúvida, suas contribuições foram fundamentais na elaboração e qualificação desse produto.
A minha banca examinadora, Ana Luiza e Caio, por aceitarem participar da mesa avaliadora e assim promover as contribuições necessárias para melhoria do trabalho.
Aos os preceptores e professores que pude conhecer durante essa vivência, minha gratidão por todos os ensinamentos/saberes repassados e experiências compartilhadas.
Aos usuários (as) em especial, pois me ensinaram tanto sobre humanização, acolhimento, empatia, amor, respeito, carinho e solidariedade.
A Ana Luiza e Rafael, coordenadores da Residência Multiprossional em Atenção Básica, pelo empenho e dedicação.
Hoje eu ainda não consigo dimensionar o impacto positivo da residência na minha vida profissional e pessoal. Mas consigo compreender o quanto sou privilegiada por ter tido essa oportunidade, principalmente inserida na minha cidade natal. Levo comigo apenas uma certeza: esse espaço me transformou de forma significativa, por isso, os sentimentos de hoje são de gratidão e perseverança.
Toda prática educativa libertadora, que valoriza o exercício da vontade, da decisão, da resistência, da escolha, o papel das emoções, dos sentimentos, dos desejos, dos limites, a importância da consciência na história, o sentido ético da presença humana no mundo, a compreensão da história como possibilidade jamais como determinação, é substantivamente esperançosa e, por isso mesmo, provocadora da esperança.
RESUMO
A Atenção Básica (AB) é a porta de entrada preferencial do Sistema Único de Saúde (SUS), pois possui um espaço privilegiado de gestão do cuidado das pessoas e cumpre papel estratégico na Rede Atenção à Saúde (RAS), servindo como base para o seu ordenamento e para a efetivação da integralidade. Para tanto, é necessário que a AB tenha alta resolutividade, com capacidade clínica e de cuidado e incorporação de tecnologias leves, leve duras e duras (diagnósticas e terapêuticas), além da articulação com outros pontos da RAS. O estabelecimento de mecanismos que assegurem acessibilidade e acolhimento do usuário pressupõe uma lógica de organização e funcionamento do serviço de saúde que parte do princípio de que a Unidade Básica de Saúde (UBS) deva receber e ouvir todas as pessoas que procuram os seus serviços, de modo universal e sem diferenciações excludentes. A necessidade de construção desse trabalho iniciou-se durante a experiência no rodízio do eixo Atenção à Saúde do Residência Multiprofissional em Atenção Básica (PRMAB) no Hospital Regional do Seridó - Telecila Freitas Fontes (HRSTFF) em 2019. Nesse período houve a implantação do Acolhimento Com Classificação de Risco (ACCR) no local, e esse processo possibilitou a realização da caracterização da demanda a partir dos boletins de atendimentos, expondo que durante os seis primeiros meses de implantação, dos 34.951 usuários atendidos nesse período, sendo 90,4% residentes do município de Caicó, 36,3% foram classificados como azul, 44,9% como verde, correspondendo a 81,2% de demandas que poderiam ser atendidas pela AB. O objetivo é apoiar a implantação do acolhimento à demanda espontânea na Atenção Básica no município Caicó/RN através de um Projeto de Intervenção Local (PIL), sob a lógica de Educação Permanente em Saúde. O PIL é um instrumento de trabalho utilizado para organizar ações e tomar decisões, de modo a realizar objetivos pretendidos. Pode-se dizer que o projeto é uma ação organizada que deve responder a uma ou mais necessidades implícitas na causa sobre a qual incidirá a intervenção, ou seja, trata-se de proposta objetiva e focalizada, para resolver problemas da realidade. Serão realizadas duas oficinas em cada Unidade Básica de Saúde (UBS) do município de Caicó/RN, com todos os profissionais da equipe de saúde. Dessa forma, estarão estruturadas em etapas considerando seus objetivos a serem alcançados, e terão intervalo de 15 dias entre elas para execução de uma microintervenção no serviço. A implantação do acolhimento da demanda espontânea na Atenção Básica estimula mudanças no processo de trabalho, no modo de cuidar e necessita da disposição de todos os atores envolvidos nesse movimento, os profissionais, gestores e usuários (as) do SUS, visando a consolidação dos princípios da equidade, universalidade e integralidade.
ABSTRACT
The basic health is the preferred gateway to the Health Unic System, as it has a privileged space for managing people's care and fulfills a strategic role in the Health Care Network, serving as a basis. for its ordering and for the realization of completeness. Therefore, it is necessary that the AB has high resolution, with clinical and care capacity and incorporation of light, mild hard and hard technologies (diagnostic and therapeutic), in addition to articulation with other points of the Health Care Network. The establishment of mechanisms that assure user accessibility and acceptance presupposes a logic of organization and functioning of the health services that assumes that the Basic Health Unit should receive and listen to all people who seek their services, universal way and without excluding differentiations. The need to build this work began during the experience in the rotation of the Health Care axis of the Multiprofessional Basic Care Residency at Seridó Regional Hospital - Telecila Freitas Fontes in 2019. During this period, the Reception With Risk Classification in place, and this process made it possible to characterize the demand from the services bulletins, exposing that during the first six months of implementation, of the 34.951 users served in this period, being 90,4% residents Of the municipality of Caicó, 36,3% were classified as blue, 44,9% as green, corresponding to 81,2% of demands that could be met by Basic Care. The objective is to support the implementation of the reception of spontaneous demand in Primary Care in the city of Caicó/RN through a Local Intervention Project (PIL), under the logic of Permanent Health Education. The PIL is a working tool used to organize actions and make decisions in order to achieve intended objectives. It can be said that the project is an organized action that must respond to one or more needs implicit in the cause on which the intervention will focus, that is, it is an objective and focused proposal to solve problems of reality. Two workshops will be held in each Basic Health Unit in the city of Caicó / RN, with all professionals of the health team. Thus, they will be structured in stages considering their objectives to be achieved, and will have an interval of 15 days between them to perform a microintervention in the service. The implementation of the reception of spontaneous demand in Basic Care stimulates changes in the work process, in the way of caring and needs the willingness of all actors involved in this movement, SUS professionals, managers and users, aiming at consolidation of the principles of equity, universality and completeness.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 – Fluxograma das oficinas de Educação Permanente e suas respectivas etapas ... 25 Tabela 1 – oficina 1/etapa 1 – Roda de conversa sobre acolhimento à demanda espontânea na Atenção Básica ...
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Tabela 2 – oficina 1/etapa 2 – Caracterização da demanda espontânea atendida na Unidade Básica de Saúde ...
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Tabela 3 – oficina 1/etapa 3 – Orientações sobre a microintervenção - escolha da modelagem de acolhimento que será implantada na Unidade Básica de Saúde ...
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Tabela 4 – oficina 2/etapa 1 – Feedback da equipe sobre a aplicação da modelagem de acolhimento escolhida na Unidade Básica de Saúde ...
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Tabela 5 – oficina 2/etapa 2 – Construção do fluxograma de acolhimento à demanda espontânea da Unidade Básica de Saúde ...
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Tabela 6 – oficina 2/etapa 3 – Montagem da proposta de agenda de atividades individuais/assistenciais do serviço de saúde (demanda programada e espontânea) ...
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Tabela 7 – oficina 2/etapa 4 – Avaliando a oficina e produzindo encaminhamentos ampliando as ofertas na Unidade Básica de Saúde ...
LISTA DE SIGLAS
ACCR - Acolhimento com Classificação de Risco AB – Atenção Básica
APS – Atenção Primária à Saúde
EMCM/UFRN - Escola Multicampi de Ciências Médicas da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
ESF - Estratégia de Saúde da Família EPS - Educação Permanente em Saúde
HRSTFF - Hospital Regional do Seridó – Telecila Freitas Fontes NASF - Núcleo Ampliado de Saúde da Família
PRMAB - Programa de Residência Multiprofissional em Atenção Básica PNH – Política Nacional de Humanização
RAS - Redes de Atenção à Saúde SMS - Secretaria Municipal de Saúde SUS - Sistema Único de Saúde UBS - Unidades Básicas de Saúde
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ... 11
2 REFERENCIAL TEÓRICO ... 14
2.1 Política de saúde no Brasil e Sistema Único de Saúde (SUS) ... 14
2.2 Atenção Básica à Saúde ... 15
2.3 Política Nacional de Humanização (PNH) ... 17
2.4 Acolhimento à demanda espontânea na Atenção Básica ... 18
2.5 Educação Permanente em Saúde (EPS) ... 20
3 METODOLOGIA ... 22
4 PROJETO DE INTERVENÇÃO LOCAL (PIL) ... 24
4.1 Avaliação final do PIL ... 33
4.2 Cronograma ... 34
4.3 Orçamento ... 35
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 36
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 38
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1 INTRODUÇÃO
A Atenção Básica (AB) caracteriza-se por um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos e a manutenção da saúde com o objetivo de desenvolver uma atenção integral que impacte na situação de saúde e autonomia das pessoas e nos determinantes e condicionantes de saúde das coletividades. Utiliza tecnologias de cuidado complexas e variadas que devem auxiliar no manejo das demandas e necessidades de saúde de maior frequência e relevância em seu território, observando critérios de risco, vulnerabilidade, resiliência e o imperativo ético de que toda demanda, necessidade de saúde ou sofrimento devem ser acolhidos. Portanto deve ser o contato preferencial dos usuários, a principal porta de entrada e centro de comunicação da Rede de Atenção à Saúde (RAS). Orienta-se pelos princípios da universalidade, da acessibilidade, do vínculo, da continuidade do cuidado, da integralidade da atenção, da responsabilização, da humanização, da equidade e da participação social (BRASIL, 2012).
O estabelecimento de mecanismos que assegurem acessibilidade e acolhimento do usuário pressupõe uma lógica de organização e funcionamento do serviço de saúde que parte do princípio de que a Unidade Básica de Saúde (UBS) deva receber e ouvir todas as pessoas que procuram os seus serviços, de modo universal e sem diferenciações excludentes. O serviço de saúde deve se organizar para assumir sua função central de acolher, escutar e oferecer uma resposta positiva, capaz de resolver a grande maioria dos problemas de saúde da população e/ou de minimizar danos e sofrimentos desta, ou ainda se responsabilizar pela resposta, ainda que esta seja ofertada em outros pontos de atenção da rede. A proximidade e a capacidade de acolhimento, vinculação, responsabilização e resolutividade são fundamentais para a efetivação da atenção básica como contato e porta de entrada preferencial da rede de atenção (BRASIL, 2012).
A respeito das formas de definição das necessidades de saúde da comunidade e dos modos de lidar com elas, é preciso entender que os estudos científicos e os profissionais de saúde não são os únicos definidores das necessidades de saúde. Cabe destacar que o usuário também define, com formas e graus variados, o que é necessidade de saúde para ele, podendo apresentá-la enquanto demanda ao serviço de saúde. E é importante que a demanda apresentada pelo sujeito seja acolhida, escutada, problematizada, reconhecida como legítima. Às vezes, há coincidência da demanda e do olhar técnico-profissional. No entanto, quando isso não acontece,
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é necessário um esforço de diálogo e compreensão, sem o qual são produzidos ruídos que se materializam, por exemplo, em queixas, reclamações, retornos repetidos, busca por outros serviços. É fundamental que as UBS estejam abertas e preparadas para acolher o que não pode ser programado, as eventualidades, os imprevistos (BRASIL, 2013).
Dessa forma, a implantação de acolhimento da demanda espontânea provoca mudanças nos modos de organização das equipes, nas relações entre os trabalhadores e nos modos de cuidar. Para acolher a demanda espontânea com equidade e qualidade, não basta distribuir senhas em número limitado (fazendo com que os usuários formem filas na madrugada), nem é possível (nem necessário) encaminhar todas as pessoas ao médico (o acolhimento não deve se restringir a uma triagem para atendimento médico). Organizar-se a partir do acolhimento dos usuários exige que a equipe reflita sobre o conjunto de ofertas que ela tem apresentado para lidar com as necessidades de saúde da população, pois são todas as ofertas que devem estar à disposição para serem agenciadas, quando necessário, na realização da escuta qualificada dos usuários (as). É importante, por exemplo, que as equipes discutam e definam (mesmo que provisoriamente) o modo como os diferentes profissionais participarão do acolhimento. Quem vai receber o usuário que chega; como avaliar o risco e a vulnerabilidade desse usuário; o que fazer de imediato; quando encaminhar/agendar uma consulta médica; como organizar a agenda dos profissionais; que outras ofertas de cuidado (além da consulta) podem ser necessárias etc. É necessário ampliar a capacidade clínica das equipes de saúde, para escutar de forma qualificada, reconhecer os riscos e vulnerabilidades de seus usuários e realizar intervenções produtivas (BRASIL, 2013).
Nesse cenário a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) tem como finalidade transformar as práticas do trabalho, com base em reflexões críticas, propondo o encontro entre o mundo da formação e o mundo do trabalho, através da interseção entre o aprender e o ensinar na realidade dos serviços. A Educação Permanente em Saúde (EPS) se configura como uma proposta de aprendizagem no trabalho, onde o aprender e o ensinar se incorporam ao cotidiano das organizações. A EPS se baseia na aprendizagem significativa e na possibilidade de transformar as práticas profissionais. Caracteriza-se, portanto, como uma intensa vertente educacional com potencialidades ligadas a mecanismos e temas que possibilitam gerar reflexão sobre o processo de trabalho, autogestão, mudança institucional e transformação das práticas em serviço, por meio da proposta do aprender a aprender, de trabalhar em equipe, de construir cotidianos e eles mesmos constituírem-se como objeto de aprendizagem individual, coletiva e institucional (BRASIL, 2017).
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Durante a vivência como residente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município de Caicó/RN no ano de 2018, nas quais o Programa de Residência Multiprofissional em Atenção Básica (PRMAB) da Escola Multicampi de Ciências Médicas do Rio Grande do Norte da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EMCM/UFRN) está inserida, foi observado que esses serviços trabalham com maior frequência com demanda agendada e distribuição de fichas limitadas, não atendendo, na maioria das vezes, as necessidades de saúde da demanda espontânea apresentada. Desse modo, os usuários acabam buscando por atendimento no Hospital Regional do Seridó - Telecila Freitas Fontes (HRSTFF), resultando em uma sobrecarga da atenção terciária.
Portanto, a necessidade de construção desse trabalho iniciou-se durante a experiência no rodízio do eixo Atenção à Saúde do PRMAB no HRSTFF em 2019. Nesse período houve a implantação do Acolhimento Com Classificação de Risco (ACCR) no local. Esse instrumento da Política Nacional de Humanização (PNH) propõe mudanças na lógica do atendimento no SUS, permitindo que o critério de priorização para atendimento seja o agravo à saúde e/ou grau de sofrimento e não mais a ordem de chegada (BRASIL, 2010). Esse processo de implantação do ACCR possibilitou a realização da caracterização da demanda a partir dos boletins de atendimentos, expondo que durante os seis primeiros meses, dos 34.951 usuários atendidos nesse período, sendo 90,4% residentes do município de Caicó, 36,3% foram classificados como azul, 44,9% como verde, correspondendo a 81,2% de demandas que poderiam ser atendidas pela atenção básica. O levantamento revelou ainda que com perfil para atendimento hospitalar, foram acolhidos 16,9% correspondendo a classificação amarela e 1,8% a situações de emergências classificadas como vermelha (HOSPITAL REGIONAL DO SERIDÓ, 2019).
Partindo dessa problemática, pensou-se na construção de um projeto de intervenção para trabalhar com as equipes da Atenção Básica as formas de acolher a demanda espontânea que chega às UBS diariamente através de oficinas de educação permanente.
Dessa forma, objetiva-se apoiar a implantação do acolhimento à demanda espontânea na Atenção Básica no município Caicó/RN através de um Projeto de Intervenção Local (PIL), sob a lógica de Educação Permanente em Saúde.
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2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Política de Saúde no Brasil e Sistema Único de Saúde (SUS)
O SUS é um dos maiores exemplos de política pública no Brasil. Esse sistema, fruto de debates e lutas democráticas na sociedade civil e nos espaços institucionais do Estado brasileiro, sobretudo do movimento da reforma sanitária, foi afirmado na Constituição de 1988, alicerçado na premissa da saúde como direito de todos e dever do Estado e em princípios e diretrizes como a universalidade, equidade, integralidade, descentralização e controle social. Isso demonstra, por um lado, a força do ideário e do conjunto de atores e instituições construtores do SUS, tornando-o um verdadeiro patrimônio público, que, como tal, deve ser bem cuidado. Por outro lado, o SUS precisa ser “protegido” e “cultivado” não apenas para evitar retrocessos ao grande pacto social do qual é resultado, mas também porque ainda há muito que fazer para consolidar esse sistema e, assim, possibilitar que todo brasileiro se sinta cuidado diante das suas demandas e necessidades de saúde (BRASIL, 2013).
Vale ressaltar os princípios da universalidade e equidade no SUS, pois apresentam relação direta com o PIL. A universalidade a saúde é um direito de cidadania e cabe ao Estado assegurar este direito, sendo assim, o acesso às ações e serviços de saúde devem ser assegurados a todas as pessoas, independentemente de sexo, raça, ocupação, ou outras características sociais ou pessoais. Já o princípio da equidade se relaciona diretamente com o princípio citado anteriormente, pois objetiva diminuir as desigualdades no acesso dentro do SUS, significa tratar desigualmente os desiguais, investindo mais onde a necessidade é maior, pois as pessoas não são iguais e, por isso, têm necessidades de saúde distintas (BRASIL, 2019).
Nesse contexto há inúmeros desafios a se enfrentar e, entre eles, destacam-se aqueles relativos ao financiamento, à força de trabalho e aos modelos de gestão e de atenção. Esses últimos (os modelos de atenção), que se referem a modos de pensar e organizar os sistemas e serviços de saúde a partir de opções técnico-políticas, devem ser objeto de atenção especial, na medida em que influenciam fortemente o modo como os indivíduos e coletivos serão concretamente cuidados no cotidiano. Sendo assim, é fundamental existirem não somente serviços de saúde em quantidades adequadas, mas também que esses serviços sejam articulados de maneira complementar e não competitiva, na perspectiva de redes de atenção, que sejam capazes de responder às necessidades de todos e de cada um, de maneira singular, integral, equânime e compartilhada (BRASIL, 2013).
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A gestão das ações e dos serviços de saúde deve ser solidária e participativa entre os três entes da Federação: a União, os Estados e os municípios. A rede que compõe o SUS é ampla e abrange tanto ações quanto os serviços de saúde. Engloba a atenção primária, média e alta complexidades, os serviços urgência e emergência, a atenção hospitalar, as ações e serviços das vigilâncias epidemiológica, sanitária e ambiental e assistência farmacêutica. A atenção integral à saúde, e não somente aos cuidados assistenciais, passou a ser um direito de todos os brasileiros, desde a gestação e por toda a vida, com foco na saúde com qualidade de vida, visando a prevenção e a promoção da saúde (BRASIL, 2019).
2.2 Atenção Básica à Saúde
A Atenção Básica a Saúde é o primeiro nível de atenção em saúde e se caracteriza por um conjunto de ações de saúde, no âmbito individual e coletivo, que abrange a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos e a manutenção da saúde com o objetivo de desenvolver uma atenção integral que impacte positivamente na situação de saúde das coletividades. Inicialmente destaca-se que na revisão da Política Nacional da Atenção Básica (PNAB) normatizado pela Portaria 2.436, de 21 de setembro de 2017, considera os termos Atenção Básica - AB e Atenção Primária à Saúde - APS, nas atuais concepções, como termos equivalentes, de forma a associar a ambas os princípios e as diretrizes definidas nessa política (BRASIL, 2017).
Starfield (2002) relata que Atenção Primária à Saúde (APS) se diferencia dos outros níveis de atenção por possibilitar o acesso direto dos os/as usuários a uma fonte adequada de atenção que é continuada ao longo do tempo, para diversos problemas e que inclui a necessidade de ações preventivas. Ela integra a atenção quando há mais de um problema de saúde e lida com o contexto no qual essa doença existe e influencia a resposta das pessoas e de seus problemas de saúde. Dessa forma, organiza e racionaliza o uso de todos os recursos, tanto básicos como os especializados, direcionados para a promoção, manutenção e melhoria da saúde da comunidade.
A AB é a porta de entrada preferencial do SUS, pois possui um espaço privilegiado de gestão do cuidado das pessoas e cumpre papel estratégico na rede de atenção, servindo como base para o seu ordenamento e para a efetivação da integralidade. Para tanto, é necessário que a AB tenha alta resolutividade, com capacidade clínica e de cuidado e incorporação de tecnologias leves, leve duras e duras (diagnósticas e terapêuticas), além da articulação
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fundamental com outros pontos da RAS. Os estados, municípios e o distrito federal, devem articular ações intersetoriais, assim como a organização da RAS, com ênfase nas necessidades locorregionais, promovendo a integração das referências de seu território (BRASIL, 2017).
No Brasil, a APS é desenvolvida com o mais alto grau de descentralização e capilaridade, ocorrendo no local mais próximo da vida das pessoas. Por isso, é fundamental que ela se oriente pelos princípios da universalidade, da acessibilidade, do vínculo, da continuidade do cuidado, da integralidade da atenção, da responsabilização, da humanização, da equidade e da participação social (BRASIL, 2012)
As ações/serviços são desenvolvidas pelas equipes de Atenção Básica (equipes de saúde da família (ESF) e outras modalidades de equipes de atenção básica, pelos Núcleos Ampliados de Saúde da Família (NASF) e pelas equipes de Consultórios na Rua. Todas realizam a atenção de uma população específica que está em um território definido. Assumem, portanto, a responsabilidade sanitária e o cuidado destas pessoas, e trabalham considerando a dinamicidade existente no território em que vivem essas populações (BRASIL, 2017).
As equipes utilizam tecnologias de cuidado complexas e de baixa densidade (ou seja, mais conhecimento e pouco equipamento), que devem auxiliar no manejo das demandas e necessidades de saúde de maior frequência e relevância em seu território. Observam critérios de risco, vulnerabilidades, resiliência e o imperativo ético de que se deve acolher toda e qualquer demanda, necessidade de saúde ou sofrimento (BRASIL, 2017).
Um dos principais fundamentos e diretrizes da AB é possibilitar o acesso universal e contínuo aos serviços de saúde de qualidade e resolutivos, caracterizados como a porta de entrada aberta e preferencial da rede de atenção, acolhendo os usuários e promovendo a vinculação e corresponsabilização pela atenção às suas necessidades de saúde. O estabelecimento de mecanismos que assegurem acessibilidade e acolhimento pressupõe uma lógica de organização e funcionamento do serviço de saúde que parte do princípio de que a unidade de saúde deva receber e ouvir todas as pessoas que procuram os seus serviços, de modo universal e sem diferenciações excludentes. O serviço de saúde deve se organizar para assumir sua função central de acolher, escutar e oferecer uma resposta positiva, capaz de resolver a grande maioria dos problemas de saúde da população e/ou de minorar danos e sofrimentos desta, ou ainda se responsabilizar pela resposta, ainda que esta seja ofertada em outros pontos de atenção da rede. A proximidade e a capacidade de acolhimento, vinculação,
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responsabilização e resolutividade são fundamentais para a efetivação da atenção básica como contato e porta de entrada preferencial da rede de atenção (BRASIL, 2012).
2.3 Política Nacional de Humanização (PNH)
A PNH foi lançada em 2003, visa pôr em prática os princípios do SUS no cotidiano dos serviços de saúde, produzindo mudanças nos modos de gerir e cuidar. Atua de forma transversal às demais políticas de saúde no pais, a fim de impactá-las e interferir na qualificação da atenção e gestão nos serviços de saúde. A PNH estimula a comunicação entre gestores, trabalhadores e usuários para construir processos coletivos de enfrentamento de relações de poder, trabalho e afeto que muitas vezes produzem atitudes e práticas desumanizadoras que inibem a autonomia e a corresponsabilidade dos profissionais de saúde em seu trabalho e dos usuários no cuidado de si (BRASIL, 2013).
A humanização é a valorização dos usuários, trabalhadores e gestores no processo de produção de saúde. Valorizar os sujeitos é oportunizar uma maior autonomia, a ampliação da sua capacidade de transformar a realidade em que vivem, através da responsabilidade compartilhada, da criação de vínculos solidários, da participação coletiva nos processos de gestão e de produção de saúde (BRASIL, 2019).
Se configura como uma aposta ética, estética e política. Ética, pois implica que usuários, gestores e trabalhadores estejam comprometidos com a melhoria do cuidado, estética porque permite um processo criativo e sensível da produção da saúde por sujeitos autônomos e protagonistas de um processo coletivo. Político pois refere-se à organização social e institucional, onde se espera que haja solidariedade dos vínculos estabelecidos, dos direitos dos usuários e da participação coletiva do processo de gestão (BRASIL, 2010).
E incluir os trabalhadores na gestão é fundamental para que eles, no dia a dia, reinventem seus processos de trabalho e sejam agentes ativos das mudanças no serviço de saúde. Incluir também usuários e suas redes sócio-familiares nos processos de cuidado é um poderoso recurso para a ampliação da corresponsabilização no cuidado de si (BRASIL,2019).
Uma das principais diretrizes da PNH é o acolhimento, onde acolher é reconhecer o que o outro traz como legítima e singular necessidade de saúde. O acolhimento deve comparecer e sustentar a relação entre equipes/serviços e usuários/populações. Como valor das práticas de saúde, o acolhimento é construído de forma coletiva, a partir da análise dos processos d e trabalho e tem como objetivo a construção de relações de confiança, compromisso e vínculo
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entre as equipes/serviços, trabalhador/equipes e usuário com sua rede sócio-afetiva. Por meio da escuta qualificada oferecida pelos trabalhadores às necessidades do usuário, é possível garantir o acesso oportuno desses usuários a tecnologias adequadas às suas necessidades, ampliando a efetividade das práticas de saúde. Isso assegura, por exemplo, que todos sejam atendidos com prioridades a partir da avaliação de vulnerabilidade, gravidade e risco. Outras diretrizes pautadas nessa política são: gestão participativa e cogestão, ambiência, clinica ampliada e compartilhada, valorização do trabalhador e defesa dos direitos do usuário (Brasil, 2019)
2.4 Acolhimento à demanda espontânea na Atenção Básica
A atenção básica lida com situações e problemas de saúde de grande variabilidade (desde as mais simples até as mais complexas), que exigem diferentes tipos de esforços de suas equipes. Tal complexidade se caracteriza pela exigência de se considerarem, a todo tempo e de acordo com cada situação, as dimensões orgânica, subjetiva e social do processo saúde-doença-cuidado, para que as ações de cuidado possam ter efetividade. Além disso, as equipes da atenção básica estão fortemente expostas à dinâmica cotidiana da vida das pessoas nos territórios. Nesse sentido, a capacidade de acolhida e escuta das equipes aos pedidos, demandas, necessidades e manifestações dos usuários no domicílio, nos espaços comunitários e nas unidades de saúde é um elemento-chave (BRASIL, 2013).
Existem várias definições de acolhimento, tanto nos dicionários quanto em setores como a saúde, revelando os múltiplos sentidos e significados atribuídos a esse termo, de maneira legítima, como pretensões de verdade. Ou seja, o mais importante não é a busca pela definição correta ou verdadeira de acolhimento, mas a clareza e explicitação da noção de acolhimento que é adotada ou assumida situacionalmente por atores concretos, revelando perspectivas e intencionalidades. Nesse sentido, poderíamos dizer, genericamente, que o acolhimento é uma prática presente em todas as relações de cuidado, nos encontros reais entre trabalhadores de saúde e usuários, nos atos de receber e escutar as pessoas, podendo acontecer de formas variadas (BRASIL, 2013). Vale destacar que o acolhimento não é um espaço ou um local, mas uma postura ética; não pressupõe hora ou profissional especifico para fazê-lo, mas o compartilhamento de saberes, angústias e invenções (BRASIL, 2009).
O acolhimento inicia-se desde a recepção do usuário, a partir de sua chegada, responsabilizando-se integralmente por ele, ouvindo sua queixa, permitindo que ele expresse suas preocupações, angústias, e, ao mesmo tempo, colocando os limites necessários, garantindo
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atenção resolutiva e a articulação com os outros serviços de saúde para a continuidade da assistência, quando necessário (BRASIL, 2010).
Portanto, é preciso entender que a ciência e os profissionais de saúde não são os únicos definidores das necessidades de saúde. Queiramos ou não, o usuário também define, com formas e graus variados, o que é necessidade de saúde para ele, podendo apresentá-la enquanto demanda ao serviço de saúde. E é importante que a demanda apresentada pelo usuário seja acolhida, escutada, problematizada, reconhecida como legítima. Às vezes, há coincidência da demanda e do olhar técnico-profissional. No entanto, quando isso não acontece, é necessário um esforço de diálogo e compreensão, sem o qual são produzidos ruídos que se materializam, por exemplo, em queixas, reclamações, retornos repetidos, busca por outros serviços (BRASIL, 2013).
Apesar de ser necessário programar o acompanhamento das pessoas nas agendas dos profissionais, também é fundamental que as unidades de atenção básica estejam abertas e preparadas para acolher o que não pode ser programado, as eventualidades, os imprevistos que surgem no cotidiano. Como um usuário poderia decidir o dia e hora em que ficaria gripado ou teria dor de cabeça? Seria possível prevenir todos os casos de ansiedade e dor muscular? É evidente que não. O que não quer dizer que, diante desses casos, o modo de atuar seja somente do tipo queixa-conduta. Muitas vezes, o acolhimento a essas situações demandará continuidade no cuidado. Em outras, poderá requerer, inclusive, apoio matricial e/ou encaminhamento para outros serviços (BRASIL, 2013).
Muitas vezes, esses momentos de sofrimento dos usuários são fundamentais para a criação e fortalecimento de vínculos. São momentos em que se sentem, comumente, desamparados, desprotegidos, ameaçados, fragilizados. Nessas situações, é bastante razoável que muitos deles recorram às unidades de atenção básica quer pela proximidade física, quer pelos vínculos que possuem com os profissionais em quem eles confiam. O fato de conhecer um usuário, sua história, não só facilita a identificação do problema (evitando, às vezes, exames e procedimentos desnecessários ou indesejáveis), como também o seu acompanhamento (BRASIL, 2013).
Dessa forma, ao atender à demanda espontânea na AB, as equipes de saúde podem se deparar com a não efetividade de algumas condutas e projetos terapêuticos, ou com situações que requerem novas estratégias de cuidado e de reorganização do serviço (BRASIL, 2013).
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2.5 Educação Permanente em Saúde (EPS)
A EPS caracteriza-se como uma intensa vertente educacional com potencialidades ligadas a mecanismos e temas que possibilitam gerar reflexão sobre o processo de trabalho, autogestão, mudança institucional e transformação das práticas em serviço, por meio da proposta do aprender a aprender, de trabalhar em equipe, de construir cotidianos e eles mesmos constituírem-se como objeto de aprendizagem individual, coletiva e institucional (BRASIL, 2018).
A consolidação e o aprimoramento da AB como importante reorientadora do modelo de atenção à saúde no Brasil requer um saber e um fazer em educação permanente que sejam encarnados na prática concreta dos serviços de saúde. E ainda deve ser constitutiva, portanto, da qualificação das práticas de cuidado, gestão e participação popular (BRASIL, 2012). Sendo assim, as consultorias, os apoios, as assessorias quando implementadas têm de ser capazes de organizar sua prática de modo que esta produção seja possível; elas precisam proporcionar a EPS para que façam sentido na realidade e operem processos significativos no serviço de saúde (CECCIM, 2005).
O redirecionamento do modelo de atenção impõe claramente a necessidade de transformação permanente do funcionamento dos serviços e do processo de trabalho das equipes, exigindo de seus atores (trabalhadores, gestores e usuários) maior capacidade de análise, intervenção e autonomia para o estabelecimento de práticas transformadoras, a gestão das mudanças e o estreitamento dos elos entre concepção e execução do trabalho no SUS (BRASIL, 2012).
Nesse sentido, a educação permanente, além da sua evidente dimensão pedagógica, deve ser encarada também como uma importante “estratégia de gestão”, com grande potencial provocador de mudanças no cotidiano dos serviços, em sua micropolítica, bastante próximo dos efeitos concretos das práticas de saúde na vida dos usuários, e como um processo que se dá “no trabalho, pelo trabalho e para o trabalho (BRASIL, 2012).
Segundo Ceccim (2005) tornar o cotidiano no serviço de saúde como um lugar aberto à revisão permanente e gerar o desconforto com os lugares “como estão/como são”, deixar o conforto com as cenas “como estavam/como eram” e abrir os serviços como espaços de produção de subjetividade, tomar as relações como produção, como lugar de problematização,
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como abertura para a elaboração e não como conformação, permite praticar contundentemente a EPS.
Outro ponto relevante da educação permanente é o planejamento/programação educativa ascendente, em que, a partir da análise coletiva dos processos de trabalho, identificam-se os nós críticos (de natureza diversa) a serem enfrentados na atenção e/ou na gestão, possibilitando a construção de estratégias contextualizadas que promovam o diálogo entre as políticas gerais e a singularidade dos lugares e das pessoas, estimulando experiências inovadoras na gestão do cuidado e dos serviços de saúde (BRASIL, 2012).
Dessa forma, a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) promoveu avanços na área da educação na saúde, no entanto, requer esforços de articulação de parcerias institucionais entre serviço e ensino, educação e trabalho, numa perspectiva dialógica e compartilhada. A aposta é de fortalecer a EPS como norteadora de novas práticas que orientam a reflexão sobre o processo de trabalho e a construção de atividades de aprendizagem colaborativa e significativa, favorecendo o trabalho em equipe, a gestão participativa e a corresponsabilização nos processos de ensino-aprendizagem, para o alcance dos objetivos estratégicos do SUS (BRASIL, 2018).
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3 METODOLOGIA
Trata-se de um Projeto de Intervenção Local. O Projeto de Intervenção Local (PIL) é um instrumento de trabalho utilizado para organizar ações e tomar decisões, de modo a realizar objetivos pretendidos. Nesse sentido, delimita o terreno possível para implementar mudanças. Pode-se dizer que o projeto é uma ação organizada que deve responder a uma ou mais necessidades implícitas na causa sobre a qual incidirá a intervenção, ou seja, trata-se de proposta objetiva e focalizada, para resolver problemas da realidade (PAZ et al, 2013).
Suely Deslandes (2012, p. 83-84) relata:
Um projeto de intervenção se constitui de forma semelhante ao de investigação científica, mas aporta a definição do objeto definido como uma “situação-problema”. Demanda uma “análise de viabilidade de implementação”, além de ser desejável que inclua um plano de monitoramento e avaliação dos resultados propiciados pela intervenção (...). Constitui uma proposição de realização para o futuro, um planejamento de ações ainda a serem praticadas, mas também traz o sentido de um esboço, ainda provisório, que poderá demandar modificações quando for colocado em prática.
Nesse contexto pensou-se na realização de oficinas para implantação do acolhimento à demanda espontânea nas Unidades Básicas de Saúde. A AB do município de Caicó/RN é composta por 24 equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF) e um Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF). O município apresenta uma população estimada em 67,952 mil habitantes (BRASIL, 2019).Sendo as oficinas um espaço de interação e troca de saberes, esta ocorre através de dinâmicas, atividades coletivas e individuais que proporciona ao educando expor seus conhecimentos sobre a temática em questão e assimilar novos conhecimentos acrescidos pelos educadores. Esse processo de conhecimento, dar-se a partir da marca da horizontalidade na construção do saber inacabado (FREIRE, 1998).
Durante o mês de maio de 2019 foram realizadas oficinas com ênfase no acolhimento à demanda espontânea com os profissionais da AB, baseadas no caderno 28 da AB. Foram feitas algumas observações durante esse momento: número alto de participantes em uma única oficina, tempo insuficiente para discussões e construções de materiais, ausência de interação da maioria dos participantes nas atividades práticas da oficina, conteúdo expositivo exaustivo, excesso de tarefas em um curto espaço de tempo, ausência de situações problemas relacionados ao tema, entre outras. Dessa forma, viu-se a necessidade de se produzir novas oficinas com essa mesma temática e público, a fim de qualificar e reorganizar o processo de trabalho acerca dessa problemática de forma mais efetiva, visto que as oficinas anteriores tiveram mais a função de
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sensibilização dos profissionais, porém o intuito também foi iniciar o processo de implantação do acolhimento à demanda espontânea na Atenção Básica. Portanto, esse projeto de intervenção atual foi baseado nessa experiência.
Dessa forma, o PIL é fruto da percepção e identificação de um problema, iniciando-se, desse modo, o próprio processo de intervenção por meio dessa sensibilidade para observar e detectar um problema sentido e/ou vivenciado. Portanto, elaborar um projeto significa conhecer o contexto no qual se pretende atuar, criar alternativas para reverter a situação-problema, ter compreensão do real esforço para realizá-lo e a capacidade para propor e viabilizar a intervenção. A elaboração de um projeto de intervenção não supõe uma ação isolada. Ainda que esse projeto surja de um desejo pessoal, devem ser adotados métodos participativos de planejamento e de gestão que implicam no envolvimento dos atores com instituições e outras dimensões da realidade, que podem ser os parceiros durante a elaboração e desenvolvimento do projeto. Este não constitui um rol de ações isoladas e não provoca a mudança, por si só. Implica a interação entre atores, instituições, políticas e programas voltados para promover transformações em determinada realidade (PAZ et al, 2013).
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4 PROJETO DE INTERVENÇÃO LOCAL (PIL)
Para Paz et al (2013) o Projeto de Intervenção Local (PIL) parte do diagnóstico de uma determinada problemática do serviço e visa promover transformações em definida realidade. Neste sentido, em sua elaboração, as oficinas estão interligadas, compondo dois momentos distintos, intercalando com uma atividade de microintervenção que se desdobra na realidade institucional clara e coerentemente organizada.
A atividade de Microintervenção tem como objetivo destacar atividades que promovam a construção e permanência de coletivos de Educação Permanente, buscando possibilitar o compartilhamento de saberes, ideias e ações, a partir da reflexão das práticas de trabalho e da troca de experiências do cotidiano, construindo novas possibilidades de atuação (BRASIL, 2019).
Dessa forma, serão duas oficinas em cada Unidade Básica de Saúde (UBS) do município de Caicó/RN, com todos os profissionais da equipe de saúde. Desse modo, cada oficina terá duração de 6 horas, e estarão estruturadas em etapas considerando seus objetivos a serem alcançados, e terão intervalo de 15 dias entre elas para incorporação na prática das reflexões teóricas produzidas pela Oficina 1 (etapa 3), que será considerada uma atividade de microintervenção no local.
A seguir serão apresentadas a estruturação das duas oficinas de educação permanente e seu detalhamento em etapas.
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OFICINA 1
ETAPA 1 – Roda de conversa sobre acolhimento à demanda espontânea na Atenção Básica.
Descrição da atividade:
Apresentação dos participantes;
Apresentação do Projeto de Intervenção e da proposta da oficina 1;
Entender como é feito o acolhimento atualmente na UBS; o que é ofertado no acolhimento; quais profissionais estão na linha de frente;
Conhecer a percepção de cada profissional sobre acolhimento (pedir para os profissionais descreverem suas percepções e depois compartilharem com os outros integrantes da roda);
Momento expositivo sobre acolhimento da demanda espontânea na Atenção Básica;
A partir de situações problemas relacionados com o tema (caderno 28 da Atenção Básica) abrir espaço para discussões;
Facilitadores: Residentes e técnicos da Secretaria Municipal de Saúde.
Atores: Os profissionais da Unidade Básica de Saúde.
Meta: Promover reflexões e sensibilização dos profissionais sobre
acolhimento na Atenção Básica.
Duração: 2 horas e 30 minutos
Recursos necessário:
Folhas de papel oficio A4 Canetas esferográficas
Situações problemas impressos
Caderno 28 da Atenção Básica (BRASIL, 2013) Data Show
Resultados esperados:
Disposição dos profissionais para participar da roda de conversa;
Diálogo e troca de saberes sobre acolhimento entre os integrantes;
Reflexão por parte dos participantes sobre a temática trabalhada e suas práticas no cotidiano no serviço de saúde;
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ETAPA 2 – Caracterização da demanda espontânea atendida na Unidade Básica de Saúde.
Descrição da atividade:
Construir coletivamente um material descrevendo as principais necessidades apresentadas pela demanda espontânea; faixa etária predominante desse público; horário do dia em que surge mais demanda espontânea;
Facilitadores: Residentes e técnicos da Secretaria Municipal de Saúde.
Atores: Os profissionais da Unidade Básica de Saúde.
Meta: Conhecer o perfil da demanda espontânea atendida na UBS.
Duração: 1 hora e 30 minutos
Recursos necessário:
Cartolina
Pincel marcador atômico piloto
Caderno 28 da Atenção Básica (BRASIL, 2013)
Resultados esperados:
Participação dos profissionais na construção do material informativo;
Obtenção da caracterização da demanda espontânea atendida na UBS;
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ETAPA 3 – Orientações sobre a microintervenção - escolha da modelagem de acolhimento que será implantada na Unidade Básica de Saúde.
Descrição da atividade:
Apresentar aos participantes as modelagens de acolhimento promovendo reflexão (caderno 28 da AB);
Propor ao grupo que reflitam a partir do contexto que modelagens poderiam ser utilizadas no serviço;
Propor e orientar sobre a realização da microintervenção- experimentação da modelagem durante 15 dias;
Orientar o grupo a levantar os nós críticos e potencialidades para implantação da modelagem escolhida, que serão apresentados na próxima oficina;
Produzir avaliação da oficina através de roda de conversa com os tópicos: que bom, que pena e que tal.
Facilitadores: Residentes e técnicos da Secretaria Municipal de Saúde.
Atores: Os profissionais da Unidade Básica de Saúde.
Meta: Escolher coletivamente uma modelagem de acolhimento.
Duração: 2 horas
Recursos necessário:
Folhas de papel oficio A4 Canetas esferográficas Data show
Caderno 28 da Atenção Básica (BRASIL, 2013)
Resultados esperados:
Reflexão por parte dos profissionais sobre os tipos de modelagens;
Escolha da modelagem que será implantada no serviço;
Participação e contribuição de todos (as) na avaliação da Oficina 1;
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OFICINA 2
ETAPA 1 – Feedback da equipe sobre a aplicação da modelagem de acolhimento escolhida na Unidade Básica de Saúde.
Descrição da atividade:
Acolher os participantes;
Apresentar a proposta da Oficina 2;
Espaço para os profissionais compartilharem a experiência de aplicação da modelagem escolhida na etapa 3 da Oficina 1;
Expor os nós-críticos e potencialidades encontradas nessa microintervenção;
Realizar reflexão coletiva sobre os ajustes necessários para efetivar a modelagem de acolhimento no serviço.
Facilitadores:
Residentes e técnicos da Secretaria Municipal de Saúde.
Atores: Os profissionais da Unidade Básica de Saúde.
Meta: Definir uma modelagem de acolhimento no serviço de saúde.
Duração: 2 horas
Recursos necessário: Nenhum
Resultados esperados:
Compartilhamento dos nós críticos e potencialidades encontradas pelos profissionais na aplicação da modelagem escolhida (microintervenção).
Realização dos ajustes necessários na modelagem escolhida afim de efetivar sua implantação no serviço;
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ETAPA 2 – Construção do fluxograma de acolhimento à demanda espontânea da Unidade Básica de Saúde.
Descrição da atividade:
Apresentar e explicar o fluxograma de acolhimento à demanda espontânea de referência do caderno 28 da Atenção Básica;
Construir coletivamente um fluxograma de acolhimento à demanda espontânea usando como referência o fluxograma do caderno 28 da AB e levando em consideração a realidade do serviço;
Facilitadores:
Residentes e técnicos da Secretaria Municipal de Saúde.
Atores: Os profissionais da Unidade Básica de Saúde.
Meta: Todos os profissionais conheçam o fluxo de acolhimento à
demanda espontânea dentro do serviço e saiba orientar melhor os usuários.
Duração: 1 hora
Recursos necessário:
Cartolina
Pincel marcador atômico piloto
Fluxograma analisador do modelo de atenção à saúde (MERHY, 1997)
Fluxograma da página 28 do Caderno 28 da Atenção Básica (BRASIL, 2013)
Resultados esperados:
Todos (as) conheçam a logística do fluxograma de referência do caderno 28 da Atenção Básica;
Envolvimento dos profissionais na elaboração do fluxograma;
Construção do fluxograma de acolhimento da demanda espontânea do serviço (;
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ETAPA 3 – Montagem da proposta de agenda de atividades individuais/assistenciais do serviço de saúde (demanda programada e espontânea).
Descrição da atividade:
Refletir sobre a importância da flexibilidade e dinamicidade na organização da agenda de trabalho considerando as necessidades de saúde da população adscrita.
Auxiliar na montagem da agenda de atividades individuais/assistenciais a serem ofertadas por cada categoria profissional (Enfermeiro (a), médico (a), dentista) incluindo demanda programada e espontânea.
Facilitadores:
Residentes e técnicos da Secretaria Municipal de Saúde.
Atores: Os profissionais da Unidade Básica de Saúde.
Meta: Sistematizar os serviços assistenciais da UBS.
Duração: 1 hora
Recursos necessário: Folhas de papel oficio A4 Canetas esferográficas
Resultados esperados:
Reflexão sobre a importância de incluir na agenda de cada profissional a demanda espontânea;
Disponibilidade dos profissionais para realizar alterações em suas respectivas agendas;
Agendas de atendimentos montadas, incluindo demanda programada e espontânea.
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ETAPA 4 – Avaliando a oficina e produzindo encaminhamentos - ampliando as ofertas na Unidade Básica de Saúde.
Descrição da atividade:
Construir coletivamente uma proposta de material informativo que listará as ações e serviços individuais e coletivos que caracterizem a unidade e a equipe multiprofissional a partir das necessidades do território;
Refletir sobre a implementação do acolhimento independente da modelagem definida pela equipe; Avaliação das Oficinas com instrumento (Apêndice
A)
Facilitadores: Residentes e técnicos da Secretaria Municipal de Saúde.
Atores: Os profissionais da Unidade Básica de Saúde.
Meta: Produzir material informativo que ficará exposto no local para os usuários, apresentando os serviços que são ofertados na UBS.
Duração: 2 horas
Recursos necessário:
Cartolina
Pincel marcador atômico piloto
Resultados esperados:
Elaboração do material informativo sobre as ações e serviços individuais e coletivos que são ofertados na UBS;
Consolidação da implantação do acolhimento à demanda espontânea no serviço de saúde;
Participação e contribuição de todos (as) os profissionais na avaliação da oficina 2;
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4.1 AVALIAÇÃO FINAL DO PIL
A avaliação da aprendizagem é um recurso pedagógico útil, e se faz presente na vida de todos nós que, de alguma forma, estamos comprometidos com atos e práticas educativas. Pais, educadores, educandos, gestores das atividades educativas públicas e particulares, administradores da educação, todos, estamos comprometidos com esse fenômeno que cada vez mais ocupa espaço em nossas preocupações educativas. O ato de avaliar não é um ato impositivo, mas sim um ato dialógico, amoroso e construtivo, onde através de uma disposição acolhedora, qualificamos alguma coisa (um objeto, ação ou pessoa), tendo em vista, de alguma forma, tomar uma decisão sobre ela. (LUCKESI, 2000).
Para avaliar esse PIL por parte dos profissionais que participarão das oficinas de EPS utilizaremos uma dinâmica avaliativa (que bom, que pena e que tal) no final da Oficina 1, e uma ficha de avaliação (APÊNDICE A) para coletar informações no final da Oficina 2, onde os integrantes receberão o instrumento para analisar individualmente algumas questões relacionadas com as oficinas e os facilitadores, assim como, expor sugestões e críticas. Sendo assim, todos (as) os participantes serão convidados a participarem dessa atividade.
Luckesi (2000) afirma que a avaliação só se completa com a possibilidade de indicar caminhos mais adequados e mais satisfatórios para uma ação, que está em curso. O ato de avaliar implica na busca do melhor e mais satisfatório estado daquilo que está sendo avaliado. Dessa forma, a avaliação da aprendizagem nos possibilita levar à frente uma ação que foi planejada dentro de um arcabouço teórico, assim como político. Não será qualquer resultado que satisfará, mas sim um resultado compatível com a teoria e com a prática pedagógica que estejamos utilizando.
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4.2 CRONOGRAMA
CRONOGRAMA DAS OFICINAS DE EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE ESF/BAIRRO ABRIL (01 À 13) ABRIL (15 À 27) MAIO (04 À 14) MAIO (18 À 28) JUNHO (01 À 11) JUNHO (15 À 25) Boa Passagem I X O Boa Passagem II X O Samanaú X O Barra Nova X O Nova Descoberta X O Paraíba I X O Paraíba II X O Paulo VI X O Recreio X O Nova Caicó X O Itans X O Walfredo Gurgel I X O Walfredo Gurgel II X O Soledade X O Castelo Branco X O João XXIII X O Silvino Dantas I X O Silvino Dantas II X O Vila do Príncipe X O
Alto da Boa Vista X O
João Paulo II X O Palma X O Sabugi X O Laginhas X O LEGENDA: X = Oficina 1 O = Oficina 2
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4. 3 ORÇAMENTO
MATERIAL QUANTIDADE VALOR
Folhas papel oficio A4 500 folhas 22,90 reais
Cartolinas 72 folhas 45,00 reais
Impressões 240 impressões 36, 00 reais
Canetas esferográficas 50 unidades 33,00 reais Pincel marcador atômico
piloto
12 unidades 37,00 reais
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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A problemática da elevada demanda de atendimentos com perfil para Atenção Básica no Hospital Regional do Seridó nos faz refletir sobre as atribuições desse nível de atenção, sobre suas fragilidades e potencialidades. Desse modo, é nesse contexto, afim de potencializar a função da Atenção Básica na Rede de Atenção à Saúde, que se propõe esse projeto de intervenção local, com ênfase na implantação do acolhimento à demanda espontânea nas Unidades Básicas de Saúde do município de Caicó/RN. Acreditasse na viabilidade dessa proposta devido as experiências vivenciadas anteriormente nessa mesma linha pedagógica.
O acolhimento deve ser trabalhado na perspectiva de ampliar e facilitar o acesso dos usuários (as) aos serviços de saúde no SUS. É importante que a demanda apresentada pelo individuo seja acolhida, escutada e problematizada pelos profissionais que estão inseridos na Rede de Atenção à Saúde e principalmente na Atenção Básica, espaço privilegiado por possibilitar a produção e o fortalecimentos de vínculos na comunidade.
A implantação do acolhimento da demanda espontânea na Atenção Básica estimula mudanças no processo de trabalho, no modo de cuidar e necessita da disposição de todos os atores envolvidos nesse movimento, os profissionais, gestores e usuários (as) do SUS, visando a consolidação dos princípios da equidade, universalidade e integralidade.
Algumas potencialidades contribuem para viabilidade desse PIL, uma das principais é a presença da Residência Multiprofissional em Atenção Básica no Município de Caicó/RN, visto sua relevância dentro da Rede de Atenção à Saúde, afim de provocar e apoiar transformações que resultem em um SUS com mais qualidade para todos (as). Outra é o baixo custo e os poucos recursos necessários para execução das oficinas nas Unidades Básicas de Saúde, a participação da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) durante a execução das oficinas, a parceria com a EMCM/UFRN, Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), HRSTFF e com o Conselho Municipal de Saúde (CMS).
Por outro lado, com base na experiência anterior das oficinas realizadas no HRSTFF com as equipes de saúde da Atenção Básica, supõe-se que alguns desafios serão enfrentados, como a participação pouco ativa dos profissionais no processo, principalmente dos médicos(as), os processos de trabalho engessados, a estrutura insuficiente das UBS, a carência de recursos para realizar variados procedimentos no serviço, a resistência as mudanças no processo de
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trabalho por parte dos profissionais e usuários, a falta de apoio efetivo da SMS no decorrer das oficinas e na promoção dos ajustes que provavelmente serão necessários para consolidar o acolhimento à demanda espontânea da AB.
Esse contexto nos faz refletir também sobre a necessidade de criação e implantação de um Núcleo de Educação Permanente (NEP) no município, visando a qualificação e transformação dos processos de trabalho, da organização das ações e dos serviços de saúde, dos processos formativos e de desenvolvimento dos trabalhadores dessa área.
Por fim, a vivência no rodizio do eixo Atenção à Saúde no HRSTFF foi muito significativo para minha formação dentro do SUS, pois possibilitou uma visão mais ampla e explícita da relevância da Atenção Básica como coordenadora do cuidado dentro da RAS, e mostrou o quanto sua organização/articulação interfere de forma direta na atuação dos outros pontos de atenção à saúde, principalmente nos serviços da atenção terciária.
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REFERÊNCIAS
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STARFIELD, B. Atenção Primária: equilíbrio entre as necessidades de saúde, serviços e tecnologias. Brasília: Ministério da Saúde, 2002.
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APÊNDICE A – FICHA DE AVALIAÇÃO DA OFICINA
NOME: PROFISSÃO: UBS:
DATA:
E-MAIL: TELEFONE:
ITENS QUESTÕES RESPOSTAS
SIM PARCIAL NÃO
1 AS OFICINAS ATINGIRAM O SEU OBJETIVO
2
O CONTÉUDO É RELEVANTE PARA SUA PRÁTICA PROFISSIONAL
3
A METODOLOGIA FACILITOU A APRENDIZAGEM DO CONTEÚDO
4 A ABORDAGEM PRÁTICA FOI SUFICIENTE
5
A CARGA HORÁRIA FOI BEM DISTRIBUÍDA DURANTE A OFICINA
6
O CONTEÚDO FOI APRESENTADO DE FORMA COMPREENSIVÉL
7 O MATERIAL DIDÁTICO FOI SATISFATÓRIO
8 VOCÊ DIRIA QUE SEU APROVEITAMENTO NAS
OFICINA FOI BOM?
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VOCÊ ACHA QUE PODERÁ APLICAR OS
CONHECIMENTOS ADQUIRIDOS DURANTE A OFICINA, NA SUA PRÁTICA PROFISSIONAL?
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