1
RELATÓRIO DO RESUMO DA ALMA – 4º TRIMESTRE DE 2014 Introdução
O continente africano tem travado uma longa e árdua guerra contra a malária, em cada pessoa, cada aldeia, cada cidade e cada país. Neste milénio, cada arma na arena política, económica, social e ambiental foi aperfeiçoada, modificada e implementada com competência e persistência. A luta tem contado com a participação colectiva por uma vasta gama de parceiros e ferramentas; de tal maneira que o actual compromisso não tem precedentes na nossa história.
Os líderes políticos africanos têm liderado uma massiva investida política nos últimos 5 anos. Através da ALMA, os chefes de Estado e Governo de África transformaram o compromisso estabelecido na União Africana numa aliança estruturada com um mecanismo de responsabilidade e acção por meio de um cartão de pontuação que monitoriza de maneira eficaz todos os países membros, trabalhando com os países e o resto da comunidade da malária para efectuar relatórios de progresso, efectuar recomendações e tomar medidas correctivas.
Progresso
O Relatório Mundial da Malária de 2014 aplaude a redução de 54% na mortalidade devido à malária em África no final de 2013. Este louvável impacto na mortalidade e morbilidade é acompanhado por uma acentuada redução na prevalência do parasita. Muito embora o nosso continente lamente a morte de 430.000 crianças em 2013, os países estão a trabalhar arduamente para assegurar que a mortalidade diminua até aos 67% no final de 2015. A morte de 3,9 milhões de crianças foi prevenida na sequência das nossas acções. Isto abrange 20% dos 20 milhões de mortes de crianças que se estima terem sido prevenidas na África Subsaariana desde 2000. Assim, as reduções das mortes devido à malária contribuíram substancialmente para o progresso com vista a alcançar a meta do Objectivo de Desenvolvimento do Milénio (ODM) 4 de redução, em dois terços, da taxa de mortalidade em crianças com menos de 5 anos de idade entre 1990 e 2015.
Este fantástico progresso é o resultado da implementação consistente do controlo de vectores, diagnóstico rápido, tratamento precoce e intervenções de vigilância, por países e parceiros. Em 2014, foram distribuídas mais redes mosquiteiras tratadas com insecticidas de longa duração (REMILDs) do que antes. Estima-se que foram entregues 190 milhões de REMILDs em África, cerca de 44 milhões mais do que anteriormente. Isto reflecte também a eficiência da previsão global e o processo de concurso por atacado iniciado em 2013. Adicionalmente, no mês passado foi entregue a bilionésima rede mosquiteira! Em virtude disto, a maioria dos países alcançou o nível necessário de cobertura operacional para assegurar o controlo de vectores (ver Figura 1 abaixo).
MEMBROS Angola Bénin Botsuana Burquina Faso Burundi Camarões Cabo Verde Chade Comores República do Congo República Democrática do Congo Costa do Marfim Djibuti Egipto Guiné Equatorial Eritreia Etiópia Gabão Gana Guiné Quénia Lesoto Libéria Madagáscar Malávi Mali Mauritânia Maurícia Moçambique Namíbia Níger Nigéria Ruanda República Árabe Saharaui Democrática São Tomé e Príncipe Senegal Seichelles Serra Leoa Somália África do Sul Sul do Sudão Sudão Suazilândia A Gâmbia Togo Uganda República Unida da Tanzânia Zâmbia Zimbábue
2 Figura 1:
Cobertura operacional de REMILDs/PRI (% da população em risco)
Durante 2014, a maioria dos países que formam a ALMA, trabalhando com parceiros como o Fundo Mundial, a Iniciativa contra a Malária do Presidente (PMI - President's Malaria Initiative), o Departamento para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido (DFID), UNITAID, o Banco Mundial, a Gates Foundation e outras entidades, asseguraram recursos para estas intervenções essenciais conforme demonstrado acima, ao passo que outros asseguraram os recursos necessários para alcançar a cobertura universal das populações em risco até ao final do primeiro semestre de 2015 (ver Figura 2 abaixo). Os Prémios de Excelência da ALMA reconhecem tais metas nacionais duramente conquistas, alcançadas em parte com o apoio de parceiros domésticos e internacionais.
3 Figura 2:
Estimativa do financiamento de REMILDs/PRI para 2014 (% de necessidade)
Uma história de êxito
No final de 2014, foram submetidas 41 notas conceptuais acerca da malária do novo modelo de financiamento do Fundo Mundial, incluindo 25 provenientes de África. Outros nove países em África estão a trabalhar nas suas notas conceptuais para fins de apresentação no início de 2015. No final de 2014, notas conceptuais acerca da malária no valor de $2,9 biliões de dólares foram submetidas ao Fundo Mundial e estima-se que ocorra um aumento deste valor para 3,5 biliões de dólares até ao final de Janeiro de 2015. Todas as notas conceptuais, excepto duas, avançaram para a fase de subsídios, o que constitui uma taxa de êxito de 92%.
Os países, o Fundo Mundial e os parceiros de apoio são aplaudidos por esta utilização eficaz dos fundos de doadores. O controlo da malária, nos locais onde está a infectar e a matar mais pessoas, está efectivamente a restaurar o desenvolvimento sustentável às comunidades africanas.
4 Desafios
O financiamento doméstico dos esforços de controlo da malária continua a crescer a um ritmo lento. Um país membro da ALMA demonstrou o potencial para o crescimento de financiamento doméstico quando os recursos do Fundo Mundial direccionados para a malária foram utilizados para manter programas essenciais de combate ao HIV/SIDA e o Governo interveio com recursos domésticos para preencher a lacuna da malária.
A manutenção da cobertura com intervenções essenciais de combate à malária à face das epidemias do Ébola tornou-se difícil. Os três países mais afectados pelas crises do Ébola tiveram cerca de 5 milhões de casos de malária em 2013. O acesso ao tratamento da malária nos três países diminui durante o surto:
• Na Serra Leoa, o número de crianças com menos de 5 anos de idade tratadas devido à malária em instalações de saúde públicas em Julho e Agosto de 2014 foi 34% menor ao número tratado no mesmo período em 2013;
• Na Guiné, houve 37% menos relatos de casos de malária de instalações localizadas em áreas afectadas pelo Ébola de Agosto a Outubro de 2014 em comparação com os mesmos meses em 2013;
• Na Libéria, somente 56% das instalações de saúde públicas apresentou relatórios de vigilância mensais entre Julho e Setembro de 2014.
Não obstante o facto do diagnóstico rápido e tratamento terem sido afectados, os países trabalharam com parceiros atentos para manter o controlo de vectores. O Fundo Mundial disponibilizou fundos de emergência à Libéria e Serra Leoa para apoiar a distribuição de REMILDs na Libéria, e a Administração de Medicamentos em Massa na Serra Leoa, ao passo que os parceiros (que incluem as organizações Médicos Sem Fronteiras, a Organização Mundial de Saúde e a UNICEF) forneceram apoio técnico, financeiro e de implementação.
Resistência aos insecticidas
Um número crítico de países membros da ALMA está a enfrentar problemas graves de resistência aos insecticidas. O Plano Global de Combate à Resistência aos Insecticidas recomenda aos países o desenvolvimento de planos a longo prazo de monitorização e gestão, incluindo a introdução de não-piretróides para Pulverização Residual Intradomiciliária quando for detectada resistência aos piretróides (ver Figura 3). Este desenvolvimento de planos é complicado pelo custo elevado dos não-piretróides visto que a maioria dos países não tem verbas suficientes para os adquirir. Devemos trabalhar em conjunto para estimular o mercado e assegurar uma procura elevada estável, garantir a produção, expandir o número de fabricantes e assegurar reduções de preços.
5 Figura 3:
Estado da resistência aos insecticidas
Do controlo à eliminação
A fase seguinte do combate contra a malária envolve o avanço do controlo da malária para a eliminação da malária. Pela primeira vez no decurso da nossa luta contra a doença e morte devido à malária, estamos numa posição que nos permite implementar um quadro com vista à eliminação da malária do continente africano. Um número crítico de países membros da ALMA estão em vias de reduzir a incidência da malária em mais de 75% até ao final de 2015.
Os países membros da ALMA demonstraram que, trabalhando com os parceiros do combate contra a malária, podem manter uma elevada cobertura de intervenções essenciais para o controlo da malária. Este nível de compromisso permitiu ao continente transformar radicalmente o ambiente de políticas num curto espaço de 5 anos (ver Figura 4 abaixo).
6 Figura 4:
Manejo de casos na comunidade (Malária) Situação do banimento da
monoterapia oral com base em artemisina
O Quadro de Eliminação da Malária que a ALMA adoptou inclui um mecanismo de Cartão de Pontuação de Eliminação, para apoiar, monitorizar e catalisar o ambiente de políticas apropriado, estruturas de gestão, programas e processos; acompanhar a introdução e manutenção de dados apropriados da vigilância, tratamento e diagnóstico, bem como intervenções e dados epidemiológicos. O quadro encorajará o desenvolvimento e graduação dos países de fases de transmissão moderada-elevada, para baixa transmissão, para pré-eliminação e, por último, eliminação.
Conclusão
A malária é um inimigo implacável que roubou produtividade, capital humano e desenvolvimento sustentável ao continente africano. Tornou o alcance do crescimento e desenvolvimentos actuais extremamente difíceis e mais intensivos em termos de recursos do que os investimentos no crescimento e desenvolvimento de outros países em vias de desenvolvimento nas Américas, Europa e Ásia. A sua eliminação do continente é essencial para uma massa crítica de países africanos conseguirem alcançar o estatuto de rendimentos médios e médios altos até ao fim de 2030.
O plano da “Agenda 2063” de África está empenhado numa África livre da malária, bem como o plano para “A África que Queremos” (The Africa We Want) da União Africana para os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável para 2030 das Nações Unidas. Este é o objectivo da ALMA, e convidamos todos os nossos parceiros a juntarem-se aos países membros para se empenharem conjuntamente neste essencial imperativo de desenvolvimento - tornar uma África livre de malária uma realidade.