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Academic year: 2021

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APELAÇÃO CÍVEL Nº 1277813-1, DE PÉROLA – JUÍZO ÚNICO

APELANTE : COHAPAR - COMPANHIA DE HABITAÇÃO DO PARANÁ RELATORA : DESª DENISE KRÜGER PEREIRA

REVISOR : LUIZ CEZAR NICOLAU

APELAÇÃO CÍVEL – DÚVIDA REGISTRAL – SENTENÇA QUE A REJEITOU POR REPUTÁ-LA INCABÍVEL NA ESPÉCIE – MANUTENÇÃO – PEDIDO DE NATUREZA ADMINISTRATIVA COM A FINALIDADE DE TRAZER AO JUÍZO COMPETENTE O EXAME DA LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA DOCUMENTAL PROMOVIDA POR OFICIAL DE CARTÓRIO – DEBATE QUE SE RESUME AOS VALORES DAS CUSTAS CONSTANTES DE ORÇAMENTO – INEXISTÊNCIA DE CONFLITO QUANTO À EXIGÊNCIA DOCUMENTAL – APELO DESPROVIDO

1. “A dúvida é um pedido de natureza administrativa, formulada pelo Oficial do registro, a rogo do apresentante do título, para que o juízo competente se manifeste sobre a legalidade da exigência feita, relativamente a um instrumento ou a vários documentos, decidindo se é ou não indispensável ao registro pretendido” (DINIZ, Maria Helena. Sistemas de Registro de Imóveis. 5ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2004).

2. Expediente que, por ter sido suscitado em razão do inconformismo manifestado pela COHAPAR – COMPANHIA DE HABITAÇÃO DO PARANÁ em relação ao valor das custas detalhadas em orçamento apresentado pelo Sr. Oficial, não diz respeito a qualquer conflito relacionado à exigência documental promovida pelo registrador. Rejeição justificada.

VISTOS, relatados e discutidos estes autos de Apelação

Cível nº 1277813-1, de Pérola - Juízo Único, em que é Apelante COHAPAR - COMPANHIA DE HABITAÇÃO DO PARANÁ.

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I – Trata-se de Recurso de Apelação (f. 53/59 vº) interposto por COHAPAR – COMPANHIA DE HABITAÇÃO DO PARANÁ em face da sentença (f. 39/39 vº) que, em autos de Dúvida Registral suscitada pelo Sr. Oficial de Registro de Imóveis da Comarca de Pérola, rejeitou a suscitação por compreendê-la incabível na espécie.

A decisão contou com a seguinte fundamentação:

Dúvida é o procedimento administrativo por meio do qual o apresentante de um título registral, irresignado com as exigências formuladas pelo registrador ou com a decisão que desde logo negue o registro, requer ao Juiz competente para que este, após proceder a requalificação do documento, determine que este tenha acesso ao fólio real.

Na dúvida, objetiva-se tão somente a examinar a registrabilidade do título: somente se admite a dúvida quando se tratar de registro em sentido estrito. Não tem lugar o procedimento ora analisado nas hipóteses de averbação, e havendo dissenso quanto a esta espécie de inscrição, deve o interessado pleitear ao oficial que formule.

Caso o apresentante não concorde ou não possa satisfazer a exigência do oficial, poderá requerer a declaração de dúvida, caso em que o título, com a questão suscitada, será remetido ao juízo competente para dirimi-la.

Feito essas considerações de ordem geral, passo a análise do caso concreto.

No caso em baila, verifico que o presente expediente não comporta suscitação de dúvidas.

Isso porque todos os títulos estavam em condições de registro e nenhuma exigência do registrador foi feita aos adquirentes. Os registros foram concluídos e após o recebimento do depósito do valor do preço justado, os títulos agora registrados, foram entregues aos interessados.

Vê-se que não houve inconformismo com as exigências formuladas pelo registrador ou com a decisão que desde logo negue o registro.

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Ante o exposto, rejeito a suscitação de dúvidas arguida, por entender ser incabível na espécie

Inconformada, recorre a suscitada sustentando, em síntese: (a) que a COHAPAR tinha a pretensão de levar a registro 66 (sessenta e seis) Contratos Particulares de Compra e Venda com Alienação Fiduciária;

(b) que, após proceder a entrega dos documentos necessários para o registro,

o Registrador Suscitante apresentou orçamento próprio (R$ 33.752,84), desconsiderando aquele sugerido pela ora apelante, fundado em normas da Corregedoria-Geral da Justiça do Estado do Paraná (R$ 14.952,16); (c) que tal diferença se deve, sobretudo, à regra disposta pela Lei Estadual nº 6.888/77, que isenta a COHAPAR do recolhimento das taxas estaduais, reconhecida pelos Ofícios-Circulares nº 127/99 e 156/02 da Corregedoria; (d) que o valor do registro de compra e venda é calculado com base na área da casa, nos termos do item XIX-b da tabela de custas da Corregedoria; (e) que, ademais, nos termos do art. 290 da Lei de Registros Públicos, “os emolumentos devidos pelos atos relacionados com a primeira aquisição imobiliária para fins residenciais, financiada pelo Sistema Financeiro da Habitação, serão reduzidos em 50% (cinquenta por cento)”; (f) que é dever do Oficial encaminhar ao juízo competente as dúvidas levantadas pelos interessados, dando ciência ao apresentante para que possa impugná-la, em diligência não respeitada na hipótese dos autos; (g) que a sentença é falha e omissa ao declarar que “o presente expediente não comporta suscitação de dúvida” e também ao afirmar que “todos os títulos estavam em condições de registro e nenhuma exigência foi feita aos adquirentes”; (h) que é falsa a assertiva de que “os registros foram concluídos e após o recebimento do depósito do valor do preço justado, os título agora registrados, foram entregues aos interessados”, visto que a controvérsia refere-se justamente ao valor das custas; (i) que a sentença foi

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omissa quanto à temática principal, qual seja, a análise do excesso na cobrança efetuada pelo registrador.

O apelo foi recebido pelo Juízo Singular (f. 69), tendo sido apresentadas contrarrazões pelo suscitante/apelado (f. 74/78 vº). À oportunidade, pugnou pela parcial reforma da sentença a fim de que seja excluído do texto a menção “todos os contratos foram registrados e entregues”, destacando que tal situação em nada altera a decisão de rejeição e do arquivamento, pois no caso em tela, apenas discute-se se em um ‘orçamento’ caberia ou não o procedimento de dúvida.

Encaminhados os autos a este e. Tribunal de Justiça, abriu-se vistas à d. Procuradoria-Geral de Justiça (f. 87), que se posicionou pelo acolhimento do recurso, a fim de que o CRI observe o valor de registros de títulos com o desconto de 50% em relação às custas e emolumentos (f. 90/101).

É a breve exposição.

II - VOTO E SUA FUNDAMENTAÇÃO:

Presentes os pressupostos de admissibilidade

intrínsecos (legitimidade, interesse, cabimento e inexistência de fato

impeditivo ou extintivo) e extrínsecos (tempestividade, preparo e regularidade formal), conheço do recurso interposto.

Debate-se nos autos o cabimento da Dúvida suscitada pelo Sr. Oficial do Serviço de Registro de Imóveis da Comarca de Pérola,

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rejeitada pelo Juízo Singular ao fundamento principal de que “todos os títulos estavam em condições de registro e nenhuma exigência do registrador foi feita aos adquirentes” (f. 40 vº).

Pois bem.

Como bem exposto no parecer da d. Procuradoria-Geral de Justiça, valendo-se da doutrina de MARIA HELENA DINIZ, “a dúvida é um

pedido de natureza administrativa, formulada pelo oficial do Registro, a rogo

do apresentante do título, para que o juízo competente se manifeste sobre a

legalidade da exigência feita, relativamente a um instrumento ou a vários documentos, decidindo se é ou não indispensável ao registro pretendido”1.

Trata-se de expediente administrativo disciplinado pelo art. 198 da Lei nº 6.015/73 (Lei dos Registros Públicos):

Art. 198 - Havendo exigência a ser satisfeita, o oficial indicá-la-á por escrito. Não se conformando o apresentante com a exigência do oficial, ou não a podendo satisfazer, será o título, a seu requerimento e com a declaração de dúvida, remetido ao juízo competente para dirimi-la, obedecendo-se ao seguinte:

I - no Protocolo, anotará o oficial, à margem da prenotação, a ocorrência da dúvida;

Il - após certificar, no título, a prenotação e a suscitação da dúvida, rubricará o oficial todas as suas folhas;

III - em seguida, o oficial dará ciência dos termos da dúvida ao apresentante, fornecendo-lhe cópia da suscitação e notificando-o para impugná-la, perante o juízo competente, no prazo de 15 (quinze) dias;

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IV - certificado o cumprimento do disposto no item anterior, remeter-se-ão ao juízo competente, mediante carga, as razões da dúvida, acompanhadas do título.

Adianta-se que a sentença não merece reparos.

Isso porque, na hipótese dos autos, a Dúvida foi suscitada pelo Sr. Oficial em razão do inconformismo manifestado pela apelante COHAPAR – COMPANHIA DE HABITAÇÃO DO PARANÁ em relação ao valor das custas detalhadas em orçamento para fins da pretensão de registro dos 66 (sessenta e seis) títulos apresentados2, evidenciando inexistir conflito quanto à legalidade de exigência documental apresentada pelo registrador.

Relembre-se que, como bem defendido pela doutrina especializada, a finalidade da Dúvida é trazer à análise do Poder Judiciário o debate quanto à necessidade de apresentação de documentos que vêm sendo exigidos pelo registrador e que são reputadas dispensáveis pelo apresentante, em contexto que não abrange o debate trazido aos autos.

Nesses termos, é irretocável a sentença recorrida quando expõe que “o presente expediente não comporta suscitação de dúvidas”, sendo irrelevante o erro material nela contido quando expõe que os registros foram concluídos e após o recebimento do depósito do valor do preço justado, os títulos agora registrados, foram entregues aos interessados, até porque, como visto, busca-se debater nos autos justamente o valor do orçamento apresentado.

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2 Contratos Particulares de Compra e Venda de Terreno e Mutuo para Construção de Unidade

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Não se cogita, ainda, de nulidade pelo fato de não se ter oportunizado ao ora apelante a possibilidade de impugnação das razões apresentados pelo Sr. Oficial, visto que, com a interposição do presente recurso, suprimiu-se eventual vício anterior.

Finalmente, registra-se que, não tendo sido conhecida a dúvida suscitada, não se cogita de análise do tema de fundo apresentado.

Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso, mantendo-se hígido o comando da sentença.

III - DECISÃO:

Diante do exposto, acordam os Desembargadores do 12ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.

A sessão de julgamento foi presidida pelo Desembargador MÁRIO HELTON JORGE, com voto, e dela participou e também acompanhou o voto da Relatora o Desembargador LUIZ CEZAR NICOLAU.

Curitiba, 13 de maio de 2015.

Desª DENISE KRÜGER PEREIRA

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