UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
ESCOLA DE ENFERMAGEM AURORA DE AFONSO COSTA
CURSO DE GRADUAÇÃO E LICENCIATURA EM ENFERMAGEM
VANESSA DE ALMEIDA PINHEIRO
SAÚDE MENTAL DOS TRABALHADORES OFFSHORE
NITERÓI
VANESSA DE ALMEIDA PINHEIRO
SAÚDE MENTAL DOS TRABALHADORES OFFSHORE
Trabalho de Conclusão apresentado ao Curso de Graduação em Enfermagem e Licenciatura da Universidade Federal Fluminense como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel e Licenciado em Enfermagem.
Orientador: Prof. Drª. Elaine Antunes Cortez
Co-orientador: Prof. Ms. Andre Luiz de Souza Braga
NITERÓI, RJ
SAÚDE MENTAL DOS TRABALHADORES OFFSHORE
VANESSA DE ALMEIDA PINHEIRO
Trabalho de conclusão de curso apresentada ao Corpo Docente do Programa de Graduação em Enfermagem, Escola de Enfermagem Aurora de Afonso Costa, da Universidade Federal Fluminense, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Enfermeira.
Aprovado em Maio de 2014
BANCA EXAMINADORA
Profª. Drª. Elaine Antunes Cortez – EEAAC/UFF - Orientadora
Prof. Ms. Andre Luiz de Souza Braga - 1ª. Examinadora
Profª. Ms. Linda Nice Gama – 2ª. Examinadora
Profª. Drª Geilsa Soraia Cavalcanti Valente - Suplente
NITERÓI 2014
Dedicatória
Este trabalho é dedicado às pessoas que sempre estiveram ao meu lado pelos caminhos da vida, me acompanhando, apoiando e principalmente acreditando em mim: Minha família!
.
Agradecimentos
o Primeiramente agradeço à Deus por ter me dado a força necessária para realização de mais uma etapa em minha vida e em especial, a minha querida mãe, que sempre esteve do meu lado acreditando e me apoiando em qualquer decisão da minha vida, além de sempre ter feito tudo por mim desde meu nascimento, sendo meu melhor exemplo e influência na vida, principalmente como uma mulher guerreira e batalhadora. Sem ela não poderia ter conquistado mais essa vitória em minha vida. Você é o meu tudo!
Também agradeço ao meu pai e meu irmão, que sempre estiveram do meu lado me incentivando para que eu conseguisse finalizar mais essa etapa com sucesso, mostrando que com dedicação sempre vou conseguir o que almejo na vida. Agradeço a minha Avó Alba pela sua doçura e amor ao longo de toda minha vida e minha Tia Aix pelo carinho e admiração. O apoio de vocês foram mais que importante para que conseguisse chegar aonde cheguei.
Família, amo vocês!
o Ao meu namorado, Juliano Bianchi do Ó, por estar sempre do meu lado me dando carinho e amor necessário, principalmente nos momentos mais difíceis. Obrigada por ser essa pessoa maravilhosa que vem me ajudando ao longo de todo esse tempo para ser uma pessoa melhor em todos sentidos, principalmente na evolução da vida. Sua paciência é e sempre foi essencial para passarmos por todos os momentos complicados e você mostrou ser essencial e importante na minha vida, principalmente nesse momento que estou passando agora de transição, mudança e decisão. Talvez sem você do meu lado me dando a força necessária, essa conquista não teria o mesmo sentimento. Você mora no meu coração! E à todos da Família Bianchi do Ó, super queridos!
o Aos meus amigos e primos, que mesmo com a distância e a complicação de não nos vermos com frequência que acostumávamos nos ver, sempre estiveram do meu “lado” de alguma forma. Em especial aos meus melhores amigos, Fernanda Fernandes Ferreira e Karl O’Brien, que sempre estiveram ao meu lado mesmo com toda a distância e fuso horário diferente, me ouviram nos momentos que mais precisei e deram os conselhos e apoio nos momentos certo. Obrigada por tudo! (Specially to my best friends, Fernanda F. Ferreira and Karl O’Brien, that have always been on my side even with all the distance between us and time zone, listened to me in the moments I really needed and gave me the advices and support in the right moments. Thanks for everything!)
o À minha grande amiga de República em Niterói, Luciana de Abreu Oliva, com que tive o prazer de dividir os perrengues e os momentos mais legais e felizes da faculdade. Quantas choppadas, festas, suecas e claro, DCE! Lembranças que nunca serão apagadas. Saudades eternas de tudo!
o Patrícia Britto & Família, uma amiga/irmã que a UFF me deu e ainda fui “adotada” por sua família. Um exemplo de profissional, querida que só eles. Obrigada pela força!
o Aos meus amigos da UFF, em especial David Brandão, Marcelle Zuchelli, Raí Rocha e as meninas do apartamento 804, vocês fizeram a diferença nessa minha fase de vida e vou querer contato pra uma vida. Sentirei saudades!
o Aos meus professores, André Luiz Braga por ter me ajudado ao longo da construção do meu TCC, foi a base do começo de tudo. E a Elaine Cortez por ter
aceitado o desafio de trabalhar como minha orientadora na construção desse trabalho. Obrigada pela paciência e os ensinamentos. Exemplos de profissionais dedicados e que amam o que fazem!
SUMÁRIO 1.CONSIDERAÇÕES INICIAIS, p.13 1.1.SITUAÇÃO PROBLEMA, p.15 1.2.QUESTÃO NORTEADORA, p.16 1.3.OBJETIVOS, p.16 1.4.JUSTIFICATIVA, p.16 1.5. CONTRIBUIÇÃO, p.17 2. REVISÃO DE LITERATURA, p.18
2.1.UM BREVE HISTÓRICO SOBRE ENFERMAGEM DO TRABALHO, p.18 2.1.1.A Enfermagem do Trabalho no Brasil, p.19
2.2.TRABALHADORES OFFSHORE, p.23
2.1.2.A Enfermagem do Trabalho na Saúde do Trabalhador, p.20
2.2.1.1. Descrição das Normas Reguladoras, p.24
2.2.1.Trabalho de revezamento em turnos: Aspectos Teóricos e Práticos, p.23
2.2.2.Relações no Trabalho Offshore e sua adaptação, p.28 2.3. SAÚDE MENTAL DO TRABALHADOR OFFSHORE, p.29
3. METODOLOGIA, p.32
3.1. DELINEAMENTO DO ESTUDO, p.32 3.2. ABORDAGEM METODOLÓGICA, p.32 3.3. TIPO DE ESTUDO, p.33
3.3.1. Resultados, p.37
3.3.2.1. Influência do confinamento na saúde mental do trabalhador offshore, p.43
3.3.2. Analise e discussão de resultado, p.37
3.3.2.2. Intervenções do enfermeiro na promoção da saúde mental do trabalhador offshore, p.45
4. CONCLUSÃO, p.53
OBRAS CITADAS, p.54
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Quadro 1 - principais atribuições do profissional de enfermagem do trabalho, segundo ANENT – Associação Nacional de Enfermagem do Trabalho, f.
LISTA DE SIGLAS ANENT – Associação Nacional de Enfermagem do Trabalho AAIN - Associação Americana de Enfermeiros da Indústria
AAOHN- American Association of Occupational Health Nurses
CLT- Consolidação das Leis do Trabalho
E & P – Exploração e Produção de petróleo e gás natural
EPI- Equipamento de Proteção Individual
MTE - Ministério do Trabalho e Emprego
MTSM - Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental
NR- Norma Regulamentadora
OIT – Organização Internacional do Trabalho
OMS – Organização Mundial da Saúde
PCMSO - Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional
PPRA - Programa de Prevenção de Riscos Ambientais
RCN- Royal College of Nursing
RESUMO
Este estudo tem como objeto a análise das influências da rotina do trabalho offshore na saúde mental deste trabalhador com propostas de ações de promoção da saúde mental que o enfermeiro do trabalho pode realizar. Os objetivos foram os seguintes: Identificar as influências da rotina do trabalho offshore na saúde mental deste trabalhador e descrever ações de promoção da saúde mental que o enfermeiro do trabalho pode realizar com os trabalhadores offshore. Quanto a abordagem metodológica foi realizado uma revisão bibliográfica integrativa, com abordagem qualitativa, nas bases de dados LILACS, PubMed, CINAHL, entre os anos de 2007 a 2013. O resultado foi dividido em duas categorias, são elas: 1) Influência do confinamento na saúde mental do trabalhador offshore e 2) Intervenções do enfermeiro para a promoção da saúde mental do trabalhador offshore. Na primeira foi evidenciada a influência do confinamento na saúde mental do trabalhador offshore, devido a esses profissionais terem que conviver com riscos físicos químicos, biológicos, ergonômicos, tais como, os fatores psicossociais devido ao próprio confinamento e estilo de vida, pois a vida familiar e social fica interrompida durante os dias embarcados, o lidar com pessoas de várias culturas e nacionalidades. Na segunda, as intervenções do enfermeiro na promoção da saúde mental dos trabalhadores offshore foram poucos evidenciadas, sendo utilizada a SAE e a educação permanente como possibilidades e sugestão para o enfermeiro realizar atividades de avaliação por meio de acompanhamento e intervenções, destacando a atuação do enfermeiros em atividades administrativas que repercutem na saúde do trabalhador, como fiscalizar, inspecionar e analisar. Realiza atividades assistenciais e de orientação em saúde com treinamento da equipe de resgate, realizando palestras e instruções de saúde para embarque, ainda gerencia suas atividades com planejamento, organização, controle e liderança diante do contexto laboral do ambiente offshore, e atuam em ocorrências previsíveis e inesperadas, mas nada com o foco exclusivo para a promoção da saúde mental. A conclusão quanto a atuação do enfermeiro para a promoção da saúde mental dos trabalhadores offshore, tendo em vista lidar com o confinamento, ainda está muito aquém do que esperávamos encontrar como contribuição para essa pesquisa. A enfermagem deve-se esse conhecimento relacionado a saúde mental, pois tendem a contribuir para que esses profissionais sintam-se acolhidos e que isso repercuta na diminuição de riscos de acidentes individuais e coletivos, relacionados ao esgotamento mental desses trabalhadores.
Descritores: Petróleo, Enfermagem do Trabalho, Saúde Mental, Espaços Confinados, Saúde, Industria do Petróleo.
This paper studied the analysis of the influences of offshore worker’s routine in the mental health with proposed actions to promote mental health that occupational health nurse can accomplish. The objectives were: Identify the influences of offshore worker’s routine in the mental health in this work and describe actions to promote mental health that occupational health nurses can accomplish with offshore workers. Methodological approach as an integrative literature review was conducted with a qualitative in LILACS, PubMed, CINAHL databases, between the years 2007 to 2013. The result was divided into two categories, they are: 1) Influence of confinement in mental health of offshore workers and 2) Nurse interventions to promote mental health of offshore workers. The first showed the influence of confinement on the mental health of offshore workers, because these professionals have to live with a myriad of biological, ergonomic, chemical, and physical risks such as psychosocial factors due to the confinement itself and lifestyle, because family and social life is interrupted during the day shifts, dealing with people from various cultures and nationalities . Second, the interventions of nurses in promoting the mental health of offshore workers were few evident, being used Systematization of Nursing Care and continuing education opportunities and suggestions for how nurses conduct review through monitoring and intervention activities, highlighting the role of nurses in administrative activities that impact on worker health, as they supervise, inspect and analyze. They engage in assistance and guidance on health with the rescue team training activities, conducting lectures and health instructions for shipment, whilst simultaneously managing their activities with planning, organizing, controlling and leadership on the working context of the offshore environment, and act in predictable occurrences in addition to the unexpected, but nothing with the sole focus for the promotion of mental health. The conclusion regarding the role of nurses to promote mental health of offshore workers in order to deal with the confinement is still far short of what we would expect as a contribution to this research. Nursing should relate this knowledge to the practice of mental health, so that they tend to contribute to these professionals to feel welcomed and that have repercussions in reducing risks of individual and collective accidents related to mental exhaustion of these workers .
ABSTRACT
Keywords: Petroleum, Occupational Health Nursing, Mental Health, Confined Spaces, Health, Petroleum Industries.
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Desde o início da graduação em Enfermagem, associo a minha identificação pessoal com a Enfermagem do Trabalho, em particular na área de Trabalhadores Offshore, visto ter na família trabalhadora na área. Assim, tenho a oportunidade de observar que o ato de ficar embarcado trabalhando pode interferir na vida da pessoa ou até mesmo do profissional, pelo fato de permanecer semanas sem ter uma comunicação externa, ou seja, em uma espécie de confinamento. Além disso, a intensa carga horária de trabalho pode causar um abalo na estrutura psíquica da pessoa que exerce esse tipo de trabalho.
Diante deste contexto, surgiu o interesse em realizar um estudo sobre a influência do trabalho Offshore em pessoas que tem que permanecer embarcadas por semanas a meses, sem um contato direto com o mundo Onshore. O foco do confinamento deste tipo de trabalho relacionando com a Saúde Mental desse trabalhador.
Tal inquietação levou a busca inicial de material bibliográfico e foi possível perceber a escassez de produção científica de Enfermagem sobre assunto. Porém, há artigos de outros profissionais da saúde que abordavam o tema de forma sucinta.
Durante a leitura dos artigos, foi possível notar algumas influências do confinamento em bases de petróleo afetando a vida das pessoas, principalmente devido à alteração na saúde mental, fato que despertou curiosidade, pois se evidenciou o mesmo problema na família, por ter parentes trabalhando com esse tipo de serviço como já foi citado.
Para tanto, gostaria de apresentar como é o universo de trabalho Offshore. O termo Offshore é usado para aqueles trabalhadores que ficam embarcados em plataformas de petróleo. Esse contingente é composto por diversos trabalhadores de
diferentes áreas, como: operários, técnicos, engenheiros, geólogos, geofísicos e outros profissionais da área de energia, também, os profissionais da saúde, que ali se encontram para um auxílio se necessários em casos de acidentes e/ou quaisquer intercorrências. Tendo entre eles, mulheres e homens de várias nacionalidades que, com exceção de alguns pesquisadores universitários, são empregados de empresas transnacionais atuantes no setor petrolífero.
Esses profissionais trabalham em unidades marítimas localizadas entre 200 e 400km da costa brasileira, porém o deslocamento é sempre feito em helicópteros que os transportam da costa para o local de trabalho.
Cada empresa tem sua política de trabalho, principalmente na quantidade de dias que cada profissional fica embarcado, variando de 14 dias embarcados para aqueles que trabalham para a empresa petrolífera Petróleo Brasileiro, a Petrobras com 21 dias de folga no continente. Quando esses empregados são de empresas estrangeiras os períodos podem ser variados, podendo ser dito que nos outros países que tem essa atividade de extração de petróleo offshore, costuma-se prescrever os tempos de trabalho e de folga conforme descrevem Freitas et al (2001, p. 119):
Em alguns países possui uma alternância de 14/14 Reino Unido), 7/7 (Estados Unidos), ou mesmo uma progressão de 14/14 no primeiro ciclo, 14/21 no segundo ciclo e 14/28 no terceiro ciclo (Noruega). Em termos de horas de trabalho durante o período de embarque, o mais comum são 12 de trabalho para 12 de descanso, porém o período de horas efetivamente trabalhadas, incluindo as extras, frequentemente chega a ser de 14 horas. Há alguns postos de trabalho em que a jornada pode chegar a 17 horas. De qualquer modo, independentemente da modalidade de turnos estabelecida, alguns trabalhadores permanecem de prontidão durante todo o tempo em que se encontram na plataforma.
Cabe destacar que neste estudo será utilizada a conceituação “mundo do trabalho” segundo Silva (2007, p. 19) onde “[...] a expressão 'mundo do trabalho' comporta o mercado, as relações e as condições de trabalho.”
Como o Brasil tem uma boa parte de sua economia voltada para exploração e produção de petróleo e gás natural (E&P), entende-se que fazer uma análise da saúde mental dos petroleiros1
1 O termo 'petroleiro' é utilizado aqui segundo a concepção do Sindpetro NF, o qual considera todos os
trabalhadores da indústria do petróleo como sendo um 'trabalhador petroleiro' seja ele um efetivo da Petrobras, um terceirizado que atue na E&P de petróleo ou um trabalhador que atue em outra área e que hoje possua outro sindicato. O Sindipetro NF luta para representar todos os trabalhadores da indústria do petróleo que hoje estão no sindicato.
frente às transformações no mundo do trabalho vem contribuir para dar visibilidade aos problemas enfrentados pela categoria na contemporaneidade.
Estudos relacionados à saúde mental e de comportamento apresentados pelos trabalhadores relacionados à atividade laboral que exercem não são recentes e atuais, o tema remonta a 1913. Na Inglaterra um trabalho publicado sob o título “Psychology and industrial efficiency” de Munsterberg (1913), é identificado como sendo o primeiro trabalho referente à temática e foi realizado como forma de abordar um trabalhador que produzisse cada vez mais e melhor.
Com isso, outros estudos foram publicados enfocando diversos aspectos sobre as variações fisiológicas e psicológicas que acometem as mais variadas categorias de trabalhadores que não conseguem se adaptar às pressões de suas atividades diárias.
Observa-se nos dias de hoje, uma recente visibilidade nos estudos sobre transtornos mentais relacionados às transformações no mundo do trabalho, com a adoção de novas tecnologias, novos métodos de gerenciamento da força de trabalho, bem como a precarização nas relações de trabalho presentes na atualidade têm sido alterado expansivamente a organização e, contudo, as condições das atividades laborais. Os estudos atuais visam proporcionar uma compreensão mais ampla dessa relação trabalho/saúde mental, sendo visto que "segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS), os transtornos mentais menores acometem cerca de 30% dos trabalhadores ocupados, e os transtornos mentais graves, cerca de 5 a 10%.” (BRASIL, 2001, p. 161).
Pode-se observar que a qualidade de vida no trabalho está diretamente ligada à vida geral do trabalhador. Sendo assim, é percebido que o trabalho realizado em regime de confinamento, como é o do petroleiro offshore, produz efeitos peculiares importantes na vida, na qualidade de vida dos trabalhadores e de suas famílias.
Para Minayo et al (2000, p. 8) em um importante artigo sobre Qualidade de vida e Saúde descrevem que:
Qualidade de vida é uma noção eminentemente humana, que tem sido aproximado ao grau de satisfação encontrado na vida familiar, amorosa, social e ambiental e à própria estética existencial. Pressupõe a capacidade de efetuar uma síntese cultural de todos os elementos que determinada sociedade considera s eu padrão de conforto e bem-estar. O termo abrange muitos significados que refletem conhecimentos, experiências e valores de indivíduos e coletividades que a eles e reportam em variadas épocas, espaços e histórias diferentes, sendo, portanto, uma construção social com a marca da relatividade cultura.
O grupo social mais próximo do trabalhador, a família, é aquela que mais sofre com a exigência do trabalho confinado. Alguns da família se sobrecarregando e sentindo a ausência desse trabalhador, podendo apresentar também, problemas de várias ordens. As condições de trabalho e a vida familiar mostram que muitos petroleiros apresentam tensão e irritação no
retorno à vida familiar, assim como os filhos pequenos podem revelar sintomas orgânicos e psicológicos, quando do retorno dos pais ao trabalho. Podendo ser observado que o confinamento é o principal gerador de insatisfação no trabalho, devido ao fato de permanecerem 14 dias, ou mais, longe da família e do convívio social.
Diante dessas considerações, procura-se dar um destaque no contexto atual do mundo do trabalho como nas políticas que orientam nas práticas que estão sendo realizadas para defender e assegurar o direito desses trabalhadores em terem a sua saúde física e mental preservada e/ou restaurada.
1.1. SITUAÇÃO PROBLEMA E OBJETO
O trabalho Offshore, por ser um tipo de confinamento, influência na saúde mental, na rotina de trabalho do trabalhador embarcado profissionalmente e/ou em sua vida pessoal?
Assim, este estudo tem como objeto:
• Análise das influências da rotina do trabalho offshore na saúde mental deste trabalhador com propostas de ações de promoção da saúde mental que o enfermeiro do trabalho pode realizar.
1.2. QUESTÃO NORTEADORA
• Como o enfermeiro pode atuar na promoção da saúde mental tendo em vista o confinamento da atividade laboral dos Trabalhadores Offshore?
1.3. OBJETIVOS
• Identificar as influências da rotina do trabalho offshore na saúde mental deste trabalhador;
• Descrever ações de promoção da saúde mental que o enfermeiro do trabalho pode realizar com os trabalhadores offshore;
1.4. JUSTIFICATIVA
Este estudo justifica-se por ter um hiato na literatura sobre o tema, por uma hipótese não testada de que o trabalhador offshore tem a sua saúde mental prejudicada e pela importância de discutir e analisar outros aspectos que envolvem o adoecimento mental e que são indispensáveis para nortear ações de promoção da saúde mental a serem realizadas pelo enfermeiro do trabalho.
Concepções sobre saúde do trabalhador vêm vindas ao encontro do que é referido na literatura pesquisada, como, por exemplo:
O termo saúde do trabalhador refere-se a um campo do saber que visa compreender as relações entre o trabalho e o processo saúde/doença. Nesta acepção, considera a saúde e a doença como processos dinâmicos, estreitamente articulados com os modos de desenvolvimento produtivo da humanidade em determinado momento histórico. Parte do princípio de que a forma de inserção dos homens, mulheres e crianças nos espaços de trabalho contribui decisivamente para formas específicas de adoecer e morrer. (BRASIL, 2001)
Com as mudanças no mundo e também, na organização do trabalho tem desencadeado novas doenças e intensificado outras já existentes, determinando o direcionamento de diversas profissões para entendê-las, evitá-las, atenuá-las e buscar alternativas para os trabalhadores em situação de risco, até mesmo serem excluídos do mercado de trabalho e/ou afastados do trabalho por doenças ou por aposentadoria precoce.
As questões de saúde-trabalho passaram por várias etapas ao longo da história. As primeiras preocupações foram com a segurança do trabalhador, para afastar a agressão mais visível dos acidentes do trabalho; posteriormente, preocupou-se, também, com a medicina do trabalho para curar doenças; em seguida, ampliou-se a pesquisa para a higiene industrial, visando a prevenir as doenças e garantir saúde ocupacional; mais tarde, o questionamento passou para a saúde do trabalhador, na busca do bem-estar físico, mental e social. Agora, pretende-se avançar além da saúde do trabalhador; busca-se a integração deste com o homem, o ser humano dignificado e satisfeito com a sua atividade, que tem vida dentro e fora do ambiente de trabalho, que pretende enfim qualidade de vida (OLIVEIRA, 2001, p. 42).
Certas atividades vêm se desenvolvendo nas empresas nos mais diversos programas que visam à saúde do trabalhador propiciando a melhoria da produtividade, das condições de trabalho, do desempenho profissional por parte do funcionário.
1.5. CONTRIBUIÇÃO
Assim, considera-se que ao responder os objetivos desta pesquisa esse trabalho poderá nortear o trabalho do enfermeiro com visão mais ampla do ser humano, ou seja, não só fisiológica, mas promocional, além de produzir um material científico que poderá contribuir não somente para a prática, mas também para o ensino em enfermagem nesta área que ainda é pouco explorada pelos enfermeiros.
Ainda se mostra um tema pouco abordado pela Enfermagem, pode contribuir para informação/reflexão e crítica dos profissionais enfermeiros que cuidam deste grupo específico de trabalhadores Offshore.
2. REVISÃO DE LITERATURA
2.1. UM BREVE HISTÓRICO SOBRE ENFERMAGEM DO TRABALHO
Inicialmente, é importante frisar que, não há pretensão de estabelecer uma cronologia histórica rigorosa para abordar a enfermagem do trabalho nesta revisão, a idéia é destacar alguns fatos com o propósito de favorecer a compreensão sobre a assistência de enfermagem na saúde do trabalhador desde o seu início.
A enfermagem do trabalho estando atrelada à atenção dada à saúde do trabalhador no próprio ambiente laboral, o primeiro título de enfermeira do trabalho coube a Phillipa Flowerday, da Coleman Mustard Company, no Reino Unido em 1878, uma vez que suas ações dirigiam-se aos trabalhadores na fábrica, bem como nas suas residências (BABBITZ apud ZEITOUNE, 1990).
Alguns autores referem que o enfermeiro do trabalho age como gerente do serviço de saúde porque desenvolve uma prática autônoma, automotivada e autodirigida, e compete-lhe fazer levantamento das necessidades de saúde da companhia e dos trabalhadores, desenvolvendo e implementando um programa de saúde que forneça "cuidados médicos eficientes e baratos".
Esta proposição destaca dois focos de interação significativa do enfermeiro. O primeiro com a empresa (companhia) e o segundo com os trabalhadores. Entretanto, a ação do enfermeiro parece estar aliada ao modelo reducionista médico, devido ao termo "cuidados médicos eficientes e baratos".
No Reino Unido da Grã-Bretanha, desde 1934, o Royal College of Nursing - RCN realiza cursos para enfermeiros da indústria e, após a reunião do Comitê OIT/OMS sobre saúde ocupacional, em 1952, o curso tornou-se mais abrangente destinando-se à enfermagem para a saúde dos trabalhadores, onde quer que estes se encontrassem (BULHÕES, 1986, p.88).
Nestes cursos, além de conhecimentos relativos a diversas áreas, destacam-se os conteúdos de conhecimentos da enfermagem visando os objetivos da saúde ocupacional, dentre outros.
Em 1942, é fundada, nos Estados Unidos da América, a Associação Americana de Enfermeiros de Saúde Ocupacional (American Association of Occupational Health Nurses - AAOHN), inicialmente denominada de Associação Americana de Enfermeiros da Indústria (AAIN). Esse órgão é o principal realizador dos programas de educação continuada, disponibilizados para a categoria, além de promover encontros profissionais.
A AAOHN assim definiu o enfermeiro do trabalho:
É o enfermeiro empregado por uma empresa, indústria ou organização, com o objetivo de promover, conservar e recuperar a saúde dos trabalhadores. Cabe a ele desenvolver programas de prevenção das doenças ocupacionais e dos acidentes do trabalho[...] (BULHÕES, 1986, p. 103).
Pode-se afirmar que a Enfermagem do trabalho é formada por enfermeiro do trabalho que classificam os fatores nocivos do ambiente: físico, químico, biológicos, ergonômicos e psicossociais. Também, enfatiza o uso de equipamentos de segurança, equipamento de proteção individual (EPI) e equipamento de proteção coletiva (EPC).
2.1.1. A Enfermagem do Trabalho no Brasil
A enfermagem do trabalho, no Brasil, teve seu marco histórico anos depois do ingresso dos enfermeiros em outros países do mundo. Há mais de quarenta anos, algumas empresas de capital misto já traziam consigo a filosofia de saúde ocupacional e incluíam o enfermeiro na equipe de saúde nas indústrias (ZEITOUNE, 1990, p.38).
No período que antecedeu a legislação que tornou a enfermagem do trabalho uma especialidade, compreendido desde 1953 a 1972, contávamos com a presença da enfermagem em empresas de diversos campos de atividade em alguns estados da federação, dentre eles: Rio de Janeiro, Amapá, São Paulo e Minas Gerais. Empresas ligadas à fabricação de cimento, indústrias de minério, produção agrícola e petrolífera. E atribui-se à enfermeira Delzuite de Souza Cordeiro ser a precursora da enfermagem do trabalho no Brasil (BULHOES, 1986, p.43). Nessa fase que antecedeu à especialização da enfermagem, foi ela a responsável pelo planejamento, organização e implantação dos serviços de enfermagem do trabalho, sobretudo nas empresas de mineração (BULHÕES, 1986; ZEITOUNE, 1990; MAURO, 1998). Além das experiências vivenciadas, na prática, Cordeiro in Mauro apud Zeitoune (1990, p.27) relata
a presença de enfermeiras na Petrobrás desde 1953, na Esso Brasileira de Petróleo, na Companhia Siderúrgica Nacional (RJ) e em outras empresas no Estado de São Paulo.
2.1.2. A Enfermagem do Trabalho na Saúde do Trabalhador
As práticas da enfermagem nas empresas, antes da consagração da enfermagem do trabalho como especialidade, radicam-se nos conhecimentos das suas precursoras em saúde pública. É desta área de conhecimento, saúde pública, que a enfermagem do trabalho buscou intensificar as suas práticas, nesse grupo específico, o grupo dos trabalhadores (BULHÕES, 1986; CARVALHO, 2001).
De acordo com Mendes (2003, p. 52), a sociedade clamava por medidas e soluções que minimizassem os riscos das populações adoecerem e morrerem em decorrência das atividades laborativas. Essas medidas e soluções implicariam no surgimento de outras ciências além das tradicionalmente vinculadas à problemática em causa, na tentativa de dar respostas a esses anseios da sociedade. Dentre essas ciências estão a saúde ocupacional, a medicina do trabalho e a saúde do trabalhador. Aliada a estas, outras áreas de conhecimento, surgem como a higiene industrial, a segurança do trabalho e a enfermagem do trabalho (BULHÕES, 1986, p.28).
Com as novas áreas todos se viram impelidos a buscar respostas a uma série de demandas advindas do mundo do trabalho, em especial as relativas à saúde do homem trabalhador e que iriam compor o escopo de atenção e preocupação dos profissionais da saúde envolvidos na aplicação de técnicas e tecnologias ao mundo do trabalho.
Por tratar-se de questão de elevada repercussão social, os órgãos internacionais (OIT, OMS) dão início à elaboração de resoluções e recomendações para disciplinar a matéria. Constatando-se que o conhecimento desenvolvido, até então, estaria talvez um tanto aquém da realidade de sua aplicação pelos profissionais, sobretudo no que concerne às práticas assistenciais (OIT, 1998).
Entretanto, se o conhecimento sobre a saúde do trabalhador, por si só, vem sustentando essa prática social de assistência à saúde, ou se as interações dos profissionais de saúde, em especial os profissionais de enfermagem, são geradoras de novos conhecimentos, cabe refletir, pois no dizer de Zeitoune (1990, p. 26):
Subsiste ainda, na prática da enfermagem, grande distância entre o saber teórico e prático. Quando tentamos avaliar os padrões vigentes de assistência de enfermagem em termos de preparo de pessoal e produção de saber
científico, verificamos de um modo geral que muito mais precisa ser acrescido.
Neste sentido, a enfermagem, como área de conhecimento aplicável a diversos cenários da assistência à saúde, segue sua trajetória evolutiva na busca de consolidação da sua cientificidade.
Obtendo o conhecimento de enfermagem advindo da prática na saúde do trabalhador, por certo concorre com o desenvolvimento da saúde ocupacional. Entretanto, em nosso país, podemos destacar alguns autores que vêm se dedicando a esse tema e que, de certa forma, demonstram uma evolutiva, se não em termos epistemológicos, pelo menos em termos da ênfase ou enfoque dado à produção científica.
Bulhões (1986, p. 33), em sua obra intitulada "Enfermagem do Trabalho - vol.2" foi apresentado uma discussão sobre Enfermagem do Trabalho, descrevendo suas características fundamentais, seu desenvolvimento histórico, suas perspectivas e possibilidades; e sua inserção social no contexto da saúde do trabalhador. Entretanto, a autora tenha tomado como base algumas experiências com a assistência à saúde dos trabalhadores nas áreas fabris, enfatizando a proteção dos riscos ambientais, a prevenção de acidentes e doenças, sua ideia acerca da constituição da assistência de enfermagem conotava um caráter preditivo e prescritivo. Todavia, as ações de enfermagem indicadas, na obra, ainda não se traduziam em ações aplicáveis a todas as empresas que mantinham serviços de saúde ocupacional. Até mesmo as grandes empresas que tinham, em sua estrutura, o enfermeiro do trabalho, pouco referiam sobre as atribuições e funções que lhes eram pertinentes.
Podendo ser pontuado um aspecto interessante sobre a enfermagem do trabalho, no Brasil, seu surgimento dado como uma especialização formalizada no âmbito acadêmico, por força da legislação do Ministério do Trabalho; portanto, por força de lei, conforme Portaria MT nº 3260/72 (BRASIL, 1972). Isto nos acarreta algumas dúvidas. Ou melhor, existiam receios, como: antes dessa regularização da área em uma determinação legal da especialidade de enfermagem do trabalho, se teriam os enfermeiros teriam realizado reflexões sobre sua prática nessa área de aplicação do trabalho de enfermagem.
Como também, a enfermagem do trabalho, não estaria por força desses mecanismos legais, reproduzindo o modelo biomédico de assistir ao trabalhador ou mesmo esses enfermeiros intitulados como enfermeiros do trabalho não estariam às atividades propostas à enfermagem, nessa área, direcionadas apenas no trabalho individual e não no coletivo, com isso não aplicando as ações de enfermagem priorizando as doenças e riscos de adoecer e não a
saúde ou promoção da saúde, preconizando para a área, o que estariam efetivamente ligadas ao fazer legítimo e essencial da enfermagem.
Tratando dessas dúvidas existentes, Zeitoune (1990, p.24) resolveu investigar as atividades desenvolvidas pelos enfermeiros do trabalho em áreas de atuação desse profissional nas empresas. Destacando-se a autora que a enfermagem do trabalho tem atuação nas áreas administrativa, assistencial, educação, de ensino e pesquisa. Porém, identifica distorções quanto à assistência à saúde realizada nos níveis de prevenção primária, secundária e terciária. E ressalta que “... a carência da formação [...] pode estar interferindo na concepção e na ação profissional dos enfermeiros do trabalho*
Sendo avaliada uma etapa da Enfermagem do Trabalho para saber as funções, competências e atribuições do enfermeiro do trabalho, foi preciso buscar uma descrição mais concreta para forma de agir do enfermeiro na forma de atribuições bem delimitadas e pertinentes à enfermagem.
" (ZEITOUNE, 1990, p. 93).
Foram feitos diversos estudos ao longo desses anos da enfermagem do trabalho como especialização. Em sua maioria, estudos sobre riscos ocupacionais aos quais os trabalhadores estavam expostos − físicos, químicos, biológicos, ergonômicos, etc. (BULHÕES 1986; ZEITOUNE, 1990; SILVA, 2000; CARVALHO, 2001).
Por um ângulo da Enfermagem do trabalho, o "modo de agir" no interesse da enfermagem remete à reflexão do pensamento sobre si mesmo e que as interações entre seus atores (os profissionais de enfermagem) e a realidade da assistência de enfermagem distinguem-se de outras das demais profissionais por uma essência enquanto a área do saber. Tal pensamento surge como construído ou constituído dentro de uma evolutiva epistemológica, a partir das teorias ou proposições teóricas e pelo próprio sentido da prática da enfermagem nos campos da assistência, do ensino e da pesquisa de enfermagem.
O sentido da assistência de enfermagem à saúde do trabalhador norteia os modos de agir profissional dos enfermeiros do trabalho é consequente ao entendimento das bases da sua ação. Nesta área de atuação, corresponde à imagem (ideia) que os enfermeiros do trabalho têm deste fenômeno, e de como ele define a situação da assistência de enfermagem prestada (por eles) no seu campo de prática profissional (ação social).
Contudo, a enfermagem do trabalho veio para investigar o sentido da assistência de enfermagem com direcionamento na saúde do trabalhador, a partir das concepções cotidianas dos enfermeiros do trabalho, um sentido que pode surgir não para dar uma distinção exclusiva para essa área, mas principalmente para contribuir com o avanço da enfermagem como ciência em construção. (SILVA, 2005, p. 15)
2.2. TRABALHADORES OFFSHORE
No Brasil, a organização do trabalho nas plataformas marítimas é dividida em
horários/escala, aquela que há o revezamento em turnos de 12 horas, sendo compreendidas como funções operacionais realizadas por técnicos de nível médio e a de sobreaviso, exercido por supervisores e profissionais de nível superior.
Logo após a aprovação em 1988, pela Assembleia Nacional Constituinte, do turno de seis horas, e através de acordo feito com os Sindicatos, o regime de dias embarcados por dias de folgas, ou seja, o trabalhador permanece um período de dias embarcado na plataforma, trabalhando em regime de revezamento ou sobreaviso, conforme necessário, porém após o desembarque teria um período equivalente aos dias embarcados de folga.
O trabalho em regime de confinamento dos trabalhadores Offshore, apresenta uma situação distinta e característica que é de estarem em alto mar, não mais que, há centenas de quilômetros da costa, durante um período variados de dias, o que somente os permitem deslocarem-se apenas dentro de um espaço limitado. Vibrações, ruídos, conversas entre pessoas, geralmente estão presentes em seus momentos de lazer, repouso ou refeições. Diferente visto em grandes obras públicas, como construção de estradas, de barragens ou na perfuração em terras, uma vez que o trabalhador pode deixar o local de serviço no período de descanso.
2.2.1 Trabalho de revezamento em turnos: Aspectos Teóricos e Práticos
É essencial comunicar que não existe um modelo ideal de escala de turnos. Segundo o professor Dr. Joseph Rutenfranz (1988, p. 398):
Aquele que se ocupa com o planejamento de escalas de turnos, deve refletir que isso não se presta a disseminação de quaisquer exigências ideológicas. A configuração das escalas de turnos é sempre um problema matemático e pressupõe conhecimento em métodos de otimização da distribuição do tempo. As escalas de turnos devem servir às pessoas em certas condições e facilitar sua integração social. Para que esse objetivo seja alcançado, devem-se analisar todas as variáveis fisiológicas, psicológicas, sociais e econômicas, antes de qualquer decisão, o que demanda trabalho multidisciplinar de todos aqueles envolvidos em tal decisão.
Fatores tais como: circadianos, de sono e sociais/domésticos são de grande relevância no que se refere à adaptação ao trabalho em turnos e devem ser sempre considerados.
A empresa, na sua possibilidade, tem que enviar esforços, buscando priorizar as condições psicofisiológicas para o trabalho em turno. Rodízio para frente, turnos intercalados, manutenção da escala de embarque, melhoria no acompanhamento médico periódico, atenção aos critérios fisiológicos, concessão de mais dias de folga aos empregados embarcados, sendo considerados apenas alguns dos procedimentos adotados.
2.2.1.1. Descrição das Normas Reguladoras
As Normas Regulamentadoras (NR), conforme à segurança e medicina do trabalho, são de cumprimento obrigatório pelas empresas privadas e públicas e pelos órgãos públicos da administração direta e indireta, assim como pelos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário, que possuam empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Falta de execução das disposições legais e regulamentares sobre segurança e medicina do trabalho acarretará ao empregador a aplicação das penalidades previstas na legislação pertinente. Constitui ato faltoso a recusa injustificada do empregado ao cumprimento de suas obrigações com a segurança do trabalho.
Conforme a Norma Regulamentadora nº 33 de 22 de dezembro de 2006, . Assim o gerenciamento da segurança e saúde deverá ser planejada, programada, implementada e avaliada pelo profissional de saúde da instituição empregadora. Com isso medidas técnicas de prevenção, administrativas e pessoais deverão ser oferecidas a estes profissionais para que venham desempenhar seu trabalho em espaços confinados. (BRASIL/MTE, 2012)
De acordo com o Ministério do Trabalho, através da Portaria de nº 128 de 11 dezembro de 2009, a NR nº 04 orienta que as empresas privadas e públicas, órgãos públicos da administração direta e indireta e dos poderes Legislativo e Judiciário, que possuem pessoas com vínculo empregatício, regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, obrigatoriamente deverão ter serviços especializados de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho, para promover a saúde do trabalhador e promover a sua integridade no ambiente de trabalho. Portanto, para que esta NR se cumpra é preciso que as empresas possuam Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, e logo poderão exigir dos profissionais os seguintes requisitos para integrar o seu pessoal: Enfermeiro do Trabalho, pois o enfermeiro deverá ser portador de certificado de conclusão de curso de especialização em Enfermagem do Trabalho, em nível de pós-graduação, ministrado por universidade ou faculdade que mantenha curso de graduação em enfermagem. (BRASIL/MTE, 2012)
Logo, observamos que é essencial ter um enfermeiro do trabalho, com especialização comprovada, para o trabalho em uma indústria petrolífera, visto que este enfermeiro será o elemento fundamental para a promoção da saúde neste ambiente, pois em ambiente de trabalho offshore não há médicos, assim o enfermeiro fica responsável por estes profissionais, o que torna a nossa profissão ainda mais valiosa e imprescindível.
Segundo o Ministério do Trabalho, Brasil, através da Portaria de nº 292 de 8 de dezembro de 2011, vem alterar o anexo 1 da NR de nº 6, que altera o item I referente a Equipamentos de Proteção Individual (EPI) contra quedas de diferenças de nível, que logo passar a vigorar a retificação ocorrida através da seguinte maneira: o cinturão de segurança deverá ter dispositivos de trava-quedas, para proteger o profissional de quedas em operações com movimentações verticais ou horizontais; cinturão de segurança com Talabarte, para proteger o profissional de riscos de quedas em trabalhos com altura. (BRASIL/MTE, 2012)
De acordo com o MTE/Brasil (2012),
Para os fins de aplicação desta Norma Regulamentadora - NR, considera-se Equipamento de Proteção Individual - EPI, todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho. (BRASIL, MTE, 2012)
Ainda de acordo com o MTE/BRASIL (2012), a NR de nº 6 afirma que é necessário o uso de EPI conjugado, pois oferecerá maior proteção ao trabalhador. Entende-se que EPI conjugado é composto por vários dispositivos de segurança que é fornecido pelo fabricante em conjunto, associado, para proteger de diversos riscos eminentes que o trabalhador possa sofrer ao cumprir a sua missão. Assim, o mesmo proporcionará maior segurança a este profissional.
Toda empresa deverá fornecer aos seus empregados, EPI adequado ao risco, em perfeito estado de conservação e funcionamento, nas seguintes circunstâncias: estes equipamentos deverão ser entregues aos profissionais sempre quando não for possível realizar o trabalho livre de doenças ocupacionais, ou que venha trazer riscos eminentes a saúde do trabalhador; e para atender as situações de emergências.
De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, Brasil, através da Portaria nº 236 de 10 de junho de 2011, irá mostrar que a NR nº 7, que fala sobre o Programa de controle médico de saúde ocupacional, estabelece a obrigatoriedade de elaboração e implementação, por parte de todas as instituições empregadoras que venham a admitir trabalhadores, empregados, do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO, com o intuito de preservação e promoção da saúde dos seus trabalhadores. (BRASIL/MTE, 2012)
Ainda de acordo com o MTE/Brasil (2012), a NR nº 7, que foi alterado pela Portaria nº 236, de 10 de junho de 2011 relata que caberá a empresa que esta contratando a mão de obra prestadora de serviços informar a empresa contratada dos riscos existentes e também ajudar na elaboração e implementação do PCMSO nos locais de trabalho onde os serviços vão ser prestados.
Assim de acordo com a NR nº 7, iremos ver que toda empresa que tem seus empregados deverá planejar e implementar os serviços médicos, equipe multiprofissional, para a orientação e prevenção de acidentes de trabalho ou de doenças advindas de riscos ocupacionais. Para isso os empregadores tem como responsabilidades a implementação da PCMSO sem custos efetivos para o trabalhador, garantindo de acordo com a lei a eficácia e eficiência da PCMSO.
Conforme o MTE/Brasil (2012), a NR nº 9, Programa de prevenção de riscos ambientais, através da Portaria nº 25 de 29 de dezembro de 1994, estabelece que todos os empregadores e instituições empregadoras que tem seus empregados, têm por obrigação a preservação e integridade da saúde dos seus trabalhadores, através da antecipação, reconhecimento, avaliação e controle dos riscos ambientais que possam existir no ambiente de trabalho, tendo assim que proteger o meio ambiente e os recursos naturais, de acordo com o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA.
De acordo com a NR nº 9, do MTE/Brasil (2012), a PPRA deve ser desenvolvida pelo empregador ou instituição empregadora em cada local, estabelecimento da empresa, para a participação dos trabalhadores. Deve-se ter um conteúdo com bastante abrangência e profundidade das características dos riscos e necessidades de controle naquele ambiente de trabalho.
O PPRA deverá ter a seguinte estrutura:
• Planejamento anual com estabelecimento de metas, prioridades e cronograma; • Estratégia e metodologia de ação;
• Forma do registro, manutenção e divulgação dos dados; e
• Periodicidade e forma de avaliação do desenvolvimento do PPRA.
Para o MTE/Brasil (2012), este deverá ser efetuada sempre que for necessário e pelo menos uma vez ao ano, para uma análise e avaliação geral do PPRA para a melhoria do seu desenvolvimento e ajustes necessários para as novas prioridades e metas.
Para o Ministério do Trabalho e Emprego, Brasil, a NR nº 15 através da Portaria nº 291 de 8 de dezembro de 2011, afirma que “Limite de Tolerância” é a concentração ou
intensidade máxima ou mínima, que estará relacionada com o tempo de exposição ao agente, e que não causará danos à saúde do trabalhador durante a sua vida de trabalho. Para limites acima da tolerância prevista nesta norma regulamentadora, que está presente em seus anexos, encontram-se as seguintes atividades insalubres: limites de tolerância para ruídos contínuos ou intermitentes; limites de tolerância para ruídos de impacto; limites de tolerância para exposição ao calor; radiações ionizantes; agentes químicos cuja insalubridade é caracterizada por limite de tolerância e inspeção no local de trabalho; limites de tolerância para poeiras minerais.(BRASIL/MTE, 2012)
De acordo com o MTE/Brasil (2012), os trabalhadores em condições insalubres terão direito a um adicional, incidente sobre o salário mínimo da região em que trabalha. Sendo estes percentuais divididos por grau de insalubridade de cada trabalhador, que é conforme o descrito a seguir: 40% para grau máximo de insalubridade; 20% para grau médio de insalubridade; 10% para grau mínimo de insalubridade.
Para o Ministério do Trabalho e Emprego, Brasil, a NR nº 17, Ergonomia, afirma através da Portaria nº 13 de 21 de junho de 2007 que, deve existir parâmetros para a adaptação de trabalho as características psicofisiológicas dos trabalhadores, para que os mesmos venham a ter o máximo de conforto, segurança e desempenho em seu ambiente de trabalho. Nestas condições de trabalho estão incluídos o levantamento, transporte e descarga de materiais, o mobiliário, os equipamentos e as condições ambientais do trabalho e a organização do trabalho. (BRASIL/MTE, 2012)
O MTE/Brasil (2012), relata que as condições de trabalho vividas por estes trabalhadores em seu ambiente de trabalho é de fundamental importância para o bom funcionamento do setor e a realização das suas atividades. Pois os mesmos devem estar com os aspectos físicos, emocionais, psicológicos bem, e o ambiente de trabalho deve estar ao máximo possível organizado para viabilizar uma melhor e maior ergonomia destes trabalhadores.
De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, Brasil, a NR nº 24, Condições sanitárias e de conforto nos locais de trabalho, através da Portaria nº 13 de 17 de setembro de 1993, afirma que para o cumprimento da presente norma regulamentadora é necessário ter no ambiente de trabalho o aparelho sanitário, que são peças ou equipamentos destinados para o uso de água para fins higiênicos, e como exemplo temos mictório, banheira, bebedouro, entre outros; gabinete sanitário, que também é conhecido como latrina, retrete, patente, privada, WC, entre outros; e pôr fim ao banheiro que é o conjunto de peças e equipamentos destinados
para o uso corporal. Estas instalações sanitárias deverão ser separadas por sexo. (BRASIL/MTE, 2012)
Para o MTE/Brasil (2012) as áreas destinadas a sanitários deverão atender as exigências essenciais mínimas para atender com conforto e qualidade aos trabalhadores da empresa. Os órgãos regionais competentes em Segurança e Medicina do Trabalho poderão fazer fiscalizações e perícias para cobrar das instituições empregadoras o que foi exigido por lei para os seus trabalhadores.
Ainda de acordo com o MTE/Brasil (2012), a NR nº 24 afirma que as instalações sanitárias deverão realizar processos permanentes de higienização, para que essas instalações sanitárias sejam mantidas limpas e desprovidas de quaisquer odores durante a jornada de trabalho. Assim o profissional poderá desfrutar de maneira adequada e segura das instalações sanitárias.
Conforme o Ministério do Trabalho e Emprego, Brasil, afirma na NR nº 32, Segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde, através da Portaria nº 1748 de 30 de agosto de 2011, que tem por objetivo estabelecer diretrizes básicas para serem implementadas para a proteção e segurança a saúde dos trabalhadores dos serviços de saúde, e também todos aqueles que realizam atividades de promoção a saúde em geral. (BRASIL/MTE, 2012)
Para o MTE, Brasil, os riscos biológicos, químicos, de radiações ionizantes, de resíduos, das lavanderias, da limpeza e conservação, da manutenção de máquinas e equipamentos são os riscos ocupacionais iminentes que os profissionais de saúde em geral estão submetidos. (BRASIL/MTE, 2012)
2.2.1.2. Relações no Trabalho Offshore e sua adaptação
Essas relações no trabalho dizem respeito às interações que são estabelecidas entre pessoas, sendo numa condição horizontal, de parceria, ou vertical, de subordinação. São consideradas no contexto físico e na forma de organização do processo de trabalho, constituindo condicionantes e resultam no clima social. Nesse caso, de um ambiente de confinamento, é importante considerar que a consequente proximidade de considerar que a consequente proximidade de atividades diferentes como trabalho, alimentação, lazer, repouso e atendimento à saúde, não favorecendo o relaxamento. Além de que, os turnos fixos caracterizam a compulsoriedade da convivência e relações entre componentes, o que pode tanto facilitar quanto a uma dificuldade de interação.
No entanto, os fatores que condicionam o clima social ou as relações no trabalho são, dentre outros, a estrutura de comando ou hierarquia, o controle sobre a produção, a avaliação de desempenho, o controle do comportamento através da aplicação de normas disciplinares, os estilos gerências, as modalidades e qualidades das comunicações, além das próprias regras de convivência, como horários, procedimentos, utilização dos recursos disponíveis etc.
Os fatores que possam intervir na avaliação da adaptação ao trabalho, vêm do principio de que o seu grau é resultante da inter-relação entre as expectativas e necessidades do empregado e as suas condições de trabalho e vida. Dessa forma, a satisfação no trabalho não se deve apenas às características psicológicas intrínsecas dos indivíduos, e sim, as condições do meio socioeconômico e cultural e da própria organização do trabalho, entre outros fatores.
Esses regimes de confinamentos levam características básicas de confinamento que consequentemente poderia afetar na adaptação desse profissional. Entre eles podem ser citados: afastamento social e familiar, e, secundariamente, os aspectos relativos à periculosidade inerente aos trabalhos realizados nas plataformas. As vantagens constituem-se fatores claramente presentes no processo de adaptação de trabalho, como: política vigente na Companhia, no tocante e satisfatórios salários e vantagens.
Posso pontuar aspectos considerados atrativos e facilitadores para a adaptação desses trabalhadores embarcados, primeiramente o salário e por seguinte as vantagens financeiras e sociais, regime de folgas, segurança no trabalho e o grande porte da empresa.
2.3. SAÚDE MENTAL DO TRABALHADOR OFFSHORE
Como o objetivo desse trabalho é focar nos profissionais na área petrolífera foram regidos pela Lei 5.811/72, que estabelece remuneração maior devido ao trabalho noturno e ao perigo a que estão submetidos, assim como maior tempo de repouso e descanso semanal (FERREIRA & SILVA JUNIOR, 2007, p. 27). Apesar desses direitos adquiridos, ainda há muitos outros a serem conquistados, já que as dificuldades do trabalho nas plataformas vão além das condições ambientais e entram no âmbito psicológico. É preciso atentar para questões mais gerais que envolvam a qualidade de vida dos sujeitos, questão muito importante quando se trata de atividades em plataformas marítimas, em que há uma expressiva perda da qualidade de vida (CASTRO & NUNES, 2008, p.76). Os autores apontam a existência de diversos transtornos mentais, denunciados pelo Sindicato de Petroleiros, em 1997, transtornos
esses iniciados geralmente pela constante ansiedade e que afetam funções fisiológicas dos trabalhadores, principalmente o sono.
Brešić (2007, p. 401) concluiu que o estresse ocupacional é considerado uma experiência emocional negativa resultante de estressores no ambiente de trabalho e um processo complexo, multivariado e dinâmico em que estressores e estresse percebido, direta ou indiretamente causar problemas psicossomáticos e fisiológicos, como transtornos mentais, as doenças cardiovasculares, dor musculoesquelético e distúrbios gastrointestinal. Estes efeitos podem ser moderados por outros fatores psicossociais, tais como estilos de enfrentamento.
É importante ressaltar que o sofrimento causado por um estresse ou ansiedade no trabalhador, muitas das suas vezes não são consciente, de conhecimento do trabalhador. Conforme esse profissional vai tomando essa consciência vive sentimentos de revolta e com isso, cresce uma maior busca de seus direitos. Porém, quanto menos conscientes os trabalhadores forem, mais conformados eles serão e menos sentido o trabalho terá para esses.
Umas séries de estudos anteriores mostraram que o estresse ocupacional é um importante fator de risco para a doença mental entre os trabalhadores em terra em uma ampla gama de ocupações. Uma meta-análise de Stansfeld & Candy (2002, p. 454) forneceram evidências consistentes desenvolvidas que (combinações) altas demandas e baixo poder de decisão e (combinações) esforços elevados e baixos recompensas foram fatores de risco potenciais para transtornos mentais comuns.
O trabalho em plataforma de petróleo offshore é amplamente considerado como uma profissão estressante, e seus trabalhadores estão expostos a ambos os estressores de trabalho onshore e aqueles relevantes para o trabalho no mar. Os estressores físicos incluem ruído, vibração, falta de iluminação e ventilação, confinada a viver e trabalhar em um relativamente pequeno espaço, condições meteorológicas adversas no mar, longas horas de trabalho e trabalho por turnos. Os estressores psicossociais dão as características do trabalho (carga de trabalho, a variedade, clareza e controle), o risco percebido (por exemplo, incêndio, explosão, explodir e viajar de helicóptero ou navios), insegurança no trabalho, interface trabalho-família e à falta de certos tipos e fontes de sociais para apoiar.
Lidar com fatores estressores é o esforço de um indivíduo em cognições e comportamentos que visam diminuir o impacto negativo do estresse sobre sua saúde desse trabalhador. Podemos citar que lidar é dividir dentro do problema focalizado, incluindo busca de informações e resolução de problemas e enfrentamento da emoção que envolve a emoção expressada e as emoções reguladas. Às vezes, esses dois fatores são complementados pelo
terceiro fator, avaliação enfrentamento focalizado incluindo negação, aceitação, comparação social, redefinição e análise lógica. Geralmente, é considerada como um componente importante do processo de stress global e tratado como um elo intermediário entre o stress e tensão psicológica ou como um moderador da relação tensão.
Poucos estudos examinaram a influência do estresse ocupacional na saúde mental dos trabalhadores de petróleo offshore, mas seus resultados são inconsistentes. Foram revelados que os trabalhadores offshore relataram mais ansiedade do que a população em geral e estresse percebido em relação ao trabalho e em casa. Porém, estudos se divergem em opiniões que trabalhadores offshore e aqueles que trabalham em terra (onshore) acarretam cargas de estresses independentes aonde se trabalha e o regime de trabalho. Significando que ambos podem adquirir o estresse ocupacional, embora cada de sua forma.
Muitas vezes, o trabalhador consegue mudar de função no trabalho antes do sofrimento se agravar, e mudança que pode ser utilizada como mecanismo de defesa, para diminuir o sofrimento. Então, quando é falado de saúde mental na área de trabalho é preciso levar em conta que o sujeito, que nasce em uma sociedade onde há uma supervalorização do trabalho, que este muitas vezes entra precocemente neste mundo e, por fim, que o sujeito passa a se organizar a partir desta nova atividade, depositando as melhores horas de seu dia no trabalho (BORSOI, 2007, p. 45).
Assim, o conceito de saúde/ doença no trabalho é um tema difícil de ser acessado, por geralmente não ser explícito. Mas, algumas medidas podem proporcionar melhores condições no trabalho, com pequenas mudanças. Dejours (1992, p. 34) afirma que algumas mudanças paliativas têm um curto reconhecimento, pois quando o trabalhador se adapta a essa nova condição, percebe que seu problema vai além deste, não lhe proporcionando melhoria no contexto mais geral do trabalho.
3. METODOLOGIA
3.1. DELINEAMENTO DO ESTUDO
Trata-se de um estudo do tipo, de acordo com os objetivos, descritivo e exploratório. No que tange a pesquisa descritiva, de acordo com Rodrigues (2007, p.8), “é uma pesquisa a qual fatos são observados, registrados, analisados, classificados e interpretados, sem interferência do pesquisado”.
Em relação à pesquisa exploratória, esta tem como objetivo esclarecer e proporcionar uma visão geral em dimensões mais ampliadas acerca de um determinado fato. Busca-se saber como determinado fato ou fenômeno se manifesta, o que interfere nele, como as variáveis se inter-relacionam. São úteis para objetos de pesquisa pouco explorados. (DYNIEWICZ, 2011, p.89)
3.2. ABORDAGEM METODOLÓGICA
De acordo com Minayo (2010, p. 7), foco da discussão, o conceito metodológico, é um assunto cheio de controvérsias. Visto que como nos manuais e textos americanos, há pessoas que igualam a métodos e técnicas, que são produzidos para a formação de pesquisadores.
Ainda Minayo (2010, p.8), a teoria e a metodologia estão juntas e vinculadas. Afirmando que o conjunto de técnicas constitui o instrumental necessário para aplicar-se a teoria, portanto aqui é tratado como elemento fundamental para a coerência metódica e sistemática da investigação.
A abordagem utilizada foi a qualitativa. A pesquisa qualitativa costuma ser descrita como holística por estar preocupada com os indivíduos e seu ambiente, em todas as suas complexidades, e naturalista porque não impõe qualquer limitação ou controle ao pesquisador. Além disso, estuda a subjetividade e se aprofunda mais na análise dos discursos, do que em resultados quantitativos (MINAYO, 2004, p. 19).
Sendo considerada uma abordagem interpretativa do objeto do estudo em uso, considera-se que o caminho metodológico de natureza qualitativa, possa ser mais pertinente para direcionar a uma investigação.
Segundo Minayo (2010, p 9),
Regras universais e padrões rígidos permitindo uma linguagem comum divulgada e conhecida no mundo inteiro, atualização e críticas permanentes fizeram da ciência a “crença” mais respeitável a partir da modernidade.
Conforme Minayo (2010, p. 17), método qualitativo é todo aquele que se aplica para estudar a história, das relações, das representações, das crenças, das percepções e das opiniões, estes que são produtos das interpretações que os seres humanos fazem a respeito de como vivem, constroem seus artefatos e a si mesmos, sentem e pensam. Garantindo que as pesquisas qualitativas se conformam melhor a investigação de grupos e segmentos delimitados e focalizados, de histórias sociais sob a ótica dos atores, de relações e para análises de discursos e de documentos.
3.3. TIPO DE ESTUDO
De acordo com o instrumento de coleta de dados, a pesquisa realizada classifica-se do tipo de revisão, e especificamente foi feito uma revisão integrativa.
A Revisão Integrativa é aquela, onde a partir de pesquisas já realizadas sobre determinado assunto são sumarizadas, tornando possível uma síntese do conhecimento já existente, favorecendo uma análise mais organizada do tema abordado, resultando em compreender mais acerca de determinado assunto. (BROOME, 2000, p.5)
Este método inclui a análise de pesquisas relevantes que vem para dar suporte para a tomada de decisão e melhoria da prática como consequência deste processo, o que possibilita a síntese do estado do conhecimento de um determinado assunto, além de evidenciar possíveis lacunas do conhecimento sobre esse tema, que ainda venham a necessitar de novos estudos. E ainda é importante ressaltar que a partir da revisão integrativa os profissionais de saúde podem obter dados relevantes de um assunto estudado, em diversos lugares e momentos, deixando-os atualizados e podendo ser proporcionado mudanças na prática clínica como resultado da pesquisa. (MENDES; SILVEIRA & GALVÃO, 2008, p. 14)
Através da Revisão Integrativa é possível buscar estudos que abordem sobre o assunto proposto que é a saúde mental de trabalhadores offshore, e assim constatar o número
de estudos que dissertam sobre o tema em questão e perceber se ele é ou não de interesse para o meio acadêmico.
A Revisão Integrativa divide-se em 6 etapas:
A primeira etapa é identificar o tema e elaborar a questão norteadora.
O tema escolhido se deu através da nossa inquietação que nos fez buscar materiais bibliográficos onde foi possível perceber a escassez de produção científica sobre esse assunto. Questão de Pesquisa: “Como o enfermeiro pode atuar na promoção da saúde mental tendo em vista o confinamento da atividade laboral dos Trabalhadores Offshore?”
A segunda etapa foi estabelecer os critérios de inclusão que foram estudos publicados nos últimos cinco anos no período de 2007 a 2013, textos nas línguas portuguesa e inglesa, trabalhos nas bases de dados pesquisadas que abordassem acerca das consequências ou influências do confinamento para a saúde mental do trabalhador offshore e ainda que citassem acerca de possíveis intervenções ou atuações do enfermeiro para promover a saúde mental desse trabalhador. Os critérios de exclusão foram aqueles que não abordassem sobre o tema pesquisado e todos os artigos que não tenham sido publicados nos últimos cinco anos.
Foi ainda estabelecido os descritores a serem pesquisados tanto na base de dados LILACS, PubMed e como também CINAHL, e foram eles: Petróleo, saúde, saúde mental, enfermagem do trabalho, espaços confinados, indústria do petróleo.
Os descritores selecionados para esta pesquisa foram buscados através da Base de Dados DeCS – Descritores em Ciências da Saúde através do link http://decs.bvs.br/.
a) LILACS – Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde através do endereço eletrônico http://lilacs.bvsalud.org/;
PubMed – Através da U.S National Library of Medicine é possível pesquisar descritores e vários trabalhos em Inglês ampliando e contribuindo para o conhecimento acerca do tema estudado, acessando o endereço eletrônico http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed. Foi utilizado como meio de ferramenta para seleção de artigos: Mesh Terms.
CINAHL with Full Text - é a mais completa fonte de textos completos de periódicos científicos nas áreas de enfermagem e relacionadas à saúde, disponibilizando textos completos de mais de 600 periódicos científicos indexados na CINAHL. Tendo como ferramenta de campo utilizado para acessar os artigos: TX All Text.
Encontramos dificuldade em encontrar descritores diretamente relacionados a saúde mental do trabalhador offshore, trabalhador embarcado, trabalhador confinado e enfermeiro offshore, por isso se faz ainda mais relevante esta pesquisa.
Utilizamos ainda como auxílio na realização deste estudo, a estratégia PICO, onde P significa o paciente ou problema onde descrevemos como podendo ser um único paciente, um grupo de pacientes com uma condição particular ou um problema de saúde, e no nosso estudo, é o trabalhador offshore. O I seria a intervenção proposta, que representa a intervenção proposta de interesse, que pode incluir uma exposição, pode ser terapêutica, preventiva, diagnóstica, prognóstica, administrativa ou relacionada a assuntos econômicos, e no nosso estudo, é a promoção da saúde mental dos trabalhadores offshore. O C constitui controle ou comparação, porém neste estudo não utilizaremos deste instrumento. O O é o desfecho, significando o resultado esperado, que neste estudo foi conhecer os impactos do confinamento para a saúde mental dos trabalhadores offshore. (NOBRE et al, 2003, p. 445)
O nível de evidência utilizado foi a partir da Universidade de Oxford (2001), referenciado por
Oxford
onde o grau de recomendação se dá a partir do enfoque da pesquisa.
G ra u d e reco m en d a çã o
Nível Tratamento/Prevenção - Etiologia/Dano
A
1A 1B
1C
Metanálise (com homogeneidade) de ensaios clínicos controlados e randomizados. Ensaio clínico controlado e randomizado com intervalo de confiança estreito. Resultados terapêuticos do tipo “tudo ou nada”
B
2A 2B 2C 3A
Revisão sistemática (com homogeneidade) de estudos de coorte Estudo de coorte
Estudo Observacional
Revisão sistemática (com homogeneidade) de estudos de caso-controle
C 4 Relato de casos, Série de Casos: relato descritivo
D 5
Opinião subjetiva desprovida de avaliação crítica, baseada em consensos, estudos fisiológicos, com materiais biológicos ou modelos animais, e principalmente na especialidade e experiência clínica.
A terceira etapa é a seleção dos trabalhos científicos a serem utilizados, de acordo com seus títulos que abordavam ou não sobre o tema, o resumo que por vezes não respondia aos objetivos, e a partir dos critérios de inclusão e exclusão já citados. Esse caminho percorrido
será apresentado a partir do Fluxograma demonstrado a seguir, separados de acordo com a base de dados pesquisada:
Publicações encontradas com o cruzamento dos descritores nas bases de dados
CINAHL 642 PUBMED 277 LILACS 265 Exclusão inicial 250 Exclusão inicial 219 Exclusão inicial 637 Seleção inicial 13 Seleção inicial 8 Seleção inicial 5 Leitura dos títulos
Leitura dos resumos
Leitura na íntegra Artigos selecionados 5 Artigos selecionados 3 Artigos selecionados 3
Na quarta etapa realizamos uma revisão com análise crítica dos 11 estudos selecionados, sendo 5 do LILACS, 3 do PUBMED e 3 do CINAHL para contribuírem para este trabalho.
Na quinta etapa interpretamos e discutimos os resultados, destacando aqueles que enfatizavam acerca das influências do confinamento na saúde mental do trabalhador offshore e ainda pudessem correlacionar as intervenções dos enfermeiros para a promoção da saúde mental desses trabalhadores.
E assim, na sexta e última etapa, fizemos uma revisão e síntese dos estudos destacados, e a partir desses, com a finalidade de responder aos nossos objetivos emergiram as seguintes categorias temáticas: 1) Influência do confinamento na saúde mental do trabalhador offshore e 2) Intervenções do enfermeiro para a promoção da saúde mental do trabalhador offshore.
3.3.1 Resultados
Segue abaixo, o quadro sinóptico com as 11 referências encontradas, a partir da revisão integrativa, que será apresentado de acordo com tipo de periódico, idioma e ano, a base de dados onde o estudo foi coletado, título do trabalho, autores, tipo de pesquisa e considerações temáticas com as classificações.
N E Periódico / Idioma / Ano Base de dados Título do Trabalho Autores Tipo de Pesquisa Considerações Temáticas Influência do confinamento na saúde mental do trabalhador offshore. Intervenções do enfermeiro para a promoção da saúde mental do trabalhador offshore. C Revista Texto & Contexto / Português / 2013 LILA CS Enfermeiro embarcado em plataforma petrolífera: um relato de experiência offshore. Amorim, Guilherme Henrique; Guedes, Marco Aurélio de Souza ; Guedes, Relato de Experiênci a Conviver com riscos como ruídos elevados, calor em excesso, riscos biológicos devido ao trabalho em turnos, fatores psicossociais desfavoráveis pelo próprio regime de Atividades administrativas (fiscalização, inspeção, análise de água) e assistenciais e de orientação em saúde (treinamento da equipe de resgate,