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Programa Amigos do Zippy : uma análise sobre o lúdico e as emoções

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE - UFF

INSTITUTO DE

CIÊNCIAS HUMANAS E FILOSOFIA - ICHF

CURSO DE

GRADUAÇÃO DE BACHARELADO EM SOCIOLOGIA -

PROGRAMA AMIGOS DO ZIPPY:

UMA ANÁLISE SOBRE O LÚDICO E AS EMOÇÕES

Alcilene De Lima Silva

Niterói 2017

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Alcilene de Lima Silva

Programa Amigos do Zippy: uma análise sobre o Lúdico e as Emoções

ORIENTADORA: Prof. Dr. Elisabete Cristina Cruvello da Silveira

Monografia apresentada para a conclusão do Bacharelado em Sociologia, na Universidade Federal Fluminense.

Niterói 2017

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Alcilene de Lima Silva

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Federal Fluminense como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em

Sociologia.

Aprovado em ___ de _______ de 2017.

BANCA EXAMINADORA

_____________________________________________________________ Orientadora: Prof. Doutora Elisabete Cristina Cruvello da Silveira

ICS. UFF- Universidade Federal Fluminense

______________________________________________________________

Prof. Doutor David Gonçalves Soares ICS. UERJ- Universidade Estadual Rio de Janeiro

____________________________________________________________

Prof. Doutor João Batista Rezende

PSI. UFF- Universidade Federal Fluminense

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Agradecimentos

Minha eterna gratidão à Divindade, ao Cosmos, aos Arcanjos, a Maria

Santíssima, a Bezerra de Menezes e a Magdala, a todos os Guardiões, pois cada

um deles esteve presente em todos os momentos da minha vida e me fizeram perseverar e acreditaram em mim, em todos os momentos, e, com a participação da divindade suprema em minha vida, foram quem me fizeram superar cada desafio.

Em especial a mainha, a senhora Alice Maria da Silva, obrigada por todos os momentos dedicados a me e a minha irmã, pois esteve presente, educando, cuidando, repreendendo, mimando e ainda me ensinou os melhores caminhos a seguir; aqui expresso a minha eterna gratidão pelo seu amor e dedicação.

Obrigado a minha mãe, meu pai, aos meus tios, e tias, a(o) irmã (o), todos familiares pela compreensão que tiveram comigo. Ao cônjuge, que esteve presente nos meus momentos de ansiedade e aflição.

Pelos amigos de outros períodos, que encontrei no curso de Sociologia, e também de outros cursos, e que tive a oportunidade de conhecer; aos amigos que passaram pela minha vida mesmo de forma discreta, e que mesmo tendo um percurso curto ao lado de vocês, vivemos o que precisava ser vivido. Aos amigos que ficaram meu muito obrigado pelo incentivo e pelo apoio.

Agradeço à Orientadora Professora, Doutora Elisabete Cristina Cruvello

da Silveira, que me orientou e supervisionou o meu trabalho do começo ao fim, por

ter dedicado seu tempo neste trabalho.

Obrigada aos professores da comissão examinadora ao Professor, Doutor

David Gonçalves Soares, ao Doutor João Batista Rezende pela disponibilidade e

observações, críticas mencionadas. Obrigada pelas contribuições enriquecedoras. Obrigada a todos os professores, aos funcionários da limpeza, da Xerox, a secretária de todos os cursos, da administração, do programa de extensão da UFF, a todos que conheci na Universidade Federal Fluminense, em Niterói, Rio de Janeiro, que se apresentavam dispostos a auxiliar.

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Agradeço à Maria Cristina, a adorável amiga, pela paciência, pelas palavras de carinho nos momentos delicados, pelo apoio e incentivo. Obrigada ao Programa Centro de Valorização da Vida e a todos os amigos com os quais construímos uma amizade linda e sincera. O CVV foi o início de como surgiu o processo de construção desse trabalho.

Agradeço ao programa Amigos do Zippy e a coordenação do Programa dos “Zippy”, que contribuiu para que esse trabalho se realizasse. E um obrigado especial a todas as crianças a quem tive o privilégio de conhecer. Aqui deixo a eterna gratidão de flores, para cada pessoa com quem tive a oportunidade de estar presente e a todos aqueles que contribuirão para que esse trabalho fosse realizado.

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Criança é vida

Brincando de carrinho Ou de bola de gude

Criança quer carinho Criança quer saúde

Chutando uma bola Ou fazendo um amigo Criança quer escola Criança quer abrigo

Lendo um gibi

Ou girando um bambolê Criança quer sorrir Criança quer crescer...

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Resumo

Este trabalho discute o papel do lúdico e das emoções no Programa “Amigos do Zippy”, que trabalha com a saúde emocional de crianças de seis e sete anos de idade, em escolas públicas e privadas. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica de cunho crítico, empregando fontes da internet referentes ao programa em tela, bem como a interpretação de Paulo Freire, Daniel Goleman, Erving Goffman a respeito dos conceitos norteadores elencados como subjetividade do aluno, autonomia docente, empatia, relação entre professor e o aluno. O exame desses conceitos possibilita entender o papel das emoções e do lúdico na vida da criança e no Programa Amigos do Zippy. Duas questões delimitam o estudo e estruturam os capítulos principais da pesquisa realizada: Como os teóricos analisam a importância do lúdico e das emoções no processo de escolarização infantil? Como o Programa Amigos do Zippy aborda o lúdico e as emoções das crianças entre seis e sete anos idade a fim de gerar na educação crítica e autônoma? Conclui-se que o processo de escolarização infantil sustentado por programas que valorizem as emoções e o lúdico possibilita a formação de sujeitos autônomos, criativos e críticos nas múltiplas crises sócio-econômicas da vida.

Palavras chave: Amigos do Zippy; Emoções; Lúdico; Autonomia na Educação.

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Abstract

This paper discusses the role of play and emotions in the "Friends of Zippy" Program, which works on the emotional health of six- and seven-year-old children in public and private schools. It is a bibliographical research of a critical nature, employing internet sources referring to the program on screen, as well as the interpretation of Paulo Freire, Daniel Goleman, Erving Goffman about the guiding concepts listed as student subjectivity, teaching autonomy, empathy, Relationship between the teacher and the student. Examining these concepts makes it possible to understand the role of emotions and play in the child's life and in the Friends of Zippy Program. Two questions delimit the study and structure the main chapters of the research: How do theorists analyze the importance of play and emotions in the process of children's schooling? How does the Zippy Friends Program address the playfulness and emotions of children ages six to seven in order to generate critical and autonomous education? It is concluded that the process of children's schooling supported by programs that value the emotions and the ludic allows the formation of autonomous, creative and critical subjects in the multiple socio-economic crises of life.

Keywords: Zippy’s Friends, Emotions, Playful, Education autonomy.

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Lista de ilustrações

Ilustração 1:Mascote Amigos do Zippy:... p.25

Ilustração 2: Combinados: ... p.27

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Lista de siglas

ABNT : ... ASEC: ... CVV: ... ONG: ... UNESCO: ... UNICEF: ...

Associação Brasileira de Normas Técnicas

Associação Pela Saúde Emocional das Crianças

Centro de Valorização da Vida

Organização Não Governamental

Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura

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Sumário

Introdução: ...

p.13

CAPÍTULO 1. Relevância das emoções e do lúdico nas abordagens da

educação: ... P.16

CAPÍTULO 2. O PROGRAMA “AMIGOS DO ZIPPY” em

análise: ...

p.24

Considerações finais: ... p.32

Referências: ...

p.34

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INTRODUÇÃO

O Programa Amigos do Zippy apresentauma proposta muito interessante, uma vez que procura ter um olhar diferenciado para as emoções da criança no processo de escolarização, possibilitando que ela conheça os seus sentimentos, como eles lhe afetam e de que forma essas emoções se manifestam. No processo de valorização das emoções dos alunos, esse programa ressalta que o diálogo pode ser uma ferramenta importante na sala. Neste sentido, o programa procura entender as características dos sentimentos do aluno, ou seja, o aluno passando a verbalizar as suas frustrações, tristezas, raivas, medos, ansiedades, entre outros.

Através deste sentimento o aluno se conscientiza de suas emoções, ficando mais fácil dele se reconhecer, e, diante desse processo, se sentir mais compreendido pelos demais. O Zippy visa proporcionar mais confiança a partir do conhecimento que o aluno está adquirindo sobre as suas emoções. Esta proposta do programa tem sido implantada em algumas escolas do Rio de Janeiro na rede particular e pública.

O Programa trabalha com sutileza a ferramenta da escuta empática ao valorizar o processo de comunicação da criança sobre suas vivências difíceis na escola e em outros âmbitos da vida. O “Zippy” parece apresentar uma forma resiliente de abordar os sentimentos na escola, e assim a criança tem a oportunidade de saber enfrentar a situações e não fugir delas, proporcionando um olhar positivo sobre os seus sentimentos.

Este trabalho procura discutir a proposta do Programa “Amigos do Zippy”, com foco nas emoções e no lúdico para o processo da escolarização das crianças a partir de duas questões centrais: Como os teóricos analisam a importância do lúdico e das emoções no processo de escolarização infantil? Como o Programa Amigos do Zippy aborda o lúdico e as emoções das crianças entre seis e sete anos de idade a fim de gerar uma educação crítica e autônoma?

Quatro argumentos articulados defendem a relevância dapresente monografia, a saber: O primeiro é que hoje o ensino fundamental atende crianças a partir de seis anos de idade, tanto na rede municipal como estadual. Em sala de aula, o professor

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fica responsável em média por trinta a quarenta crianças, não tendo como dar suporte a todos. Por vezes, os alunos apresentam falta de interação com seus colegas e dificuldades de elaborar as suas emoções mediante os desafios encontrados na sala de aula. Além dos números de crianças na sala, o docente também atende crianças com deficiência, sendo física ou mental, o que sobrecarrega suas atividades. Assim também, a Secretaria Municipal e Estadual de Educação apenas fornece o planejamento geral utilizado pelas escolas no ensino fundamental, dificultando o trabalho docente que precisa atender muitos alunos e preparar as aulas diárias.

O segundo argumento diz respeito à vivência no Programa Centro de Valorização da Vida no Rio de Janeiro, onde pude conhecer o Programa Amigos do Zippy. Vale lembrar que esse Programa propõe a valorização das emoções da criança na educação infantil, preconizando o desenvolvimento na criança do autoconhecimento, do amor a si própria, do controle de suas emoções, dos conflitos emocionais. A experiência nesse Centro de Valorização despertou meu interesse pelo Programa Amigos do Zippy.

O terceiro argumento se refere ao fato da escola constituir-se um dos primeiros pilares para o desenvolvimento pedagógico da criança. Mas, a precariedade da alfabetização das crianças faz com que elas não tenham um desenvolvimento de suas emoções nas primeiras séries. Por outro lado, os docentes precisam passar o conteúdo pedagógico, de modo acelerado. Na sala de aula o docente encontra muitos desafios, colocado de modo indireto ou direto pelos próprios alunos.

Por fim, o quarto argumento que demonstra a relevância dessa monografia é a escassez de estudos sobre o Programa Amigos do Zippy identificados durante a revisão bibliográfica realizada.

O Programa Amigos do Zippy vem atender essa problemática, objetivando valorizar o lúdico e as emoções no processo de desenvolvimento educacional. A esse respeito, as emoções e o lúdico configuram-se como ferramentas de trabalho pedagógico na sala de aula possibilitando estratégias para a criança falar e expressar-se.

A metodologia empregada neste trabalho é qualitativa de cunho teórico, realizando uma revisão bibliográfica fundamentada em Paulo Freire, Erving Goffman e Daniel Goleman. Autonomia na educação constitui o conceito central extraído da teoria de Freire, como exemplifica a passagem parafraseada: “Ninguém liberta

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ninguém, ninguém se liberta sozinho: Os homens se libertam em comunhão”. Ou seja, ninguém ensina nada a ninguém, mais as pessoas não aprendem nada sozinho, mas em conjunto.

A contribuição de Goffman diz respeito ao conceito de performace e fachada, usando a metáfora do ator, do palco e dos bastidores. Segundo o livro “A construção do eu na vida do cotidiano” vários elementos são utilizados pelo ator em cena, ressaltando a relevância de todos os envolvidos, e suas habilidades no palco e a importância para a construção de uma interação amigável e coesa.

Por fim, Daniel Goleman elenca fatores para compreender a complexidade das emoções, que segundo ele, “a ação no nosso psiquismo seria uma origem da reação do nosso coração e ação da razão. Mediante esse alerta, é que o indivíduo vivencia um acontecimento negativo, e ao tomar uma atitude, utiliza a razão em situações de angústia ou risco.” (2011, p.33)

Metodologicamente, inicialmente, pretendia-se entrevistar docentes da rede pública a fim de entender a implementação do programa na rede. No entanto, não houve uma resposta a tempo da Secretaria de Educação objetivando possibilitar essas entrevistas. Portanto, o site do programa foi esmiuçado, além de pesquisar em outros sites relacionados.

A monografia encontra-se estruturada em dois capítulos principais. O primeiro apresenta a contribuição das abordagens de Freire, Goffman e Goleman sobre a relevância das emoções e do lúdico no processo educativo da criança. O segundo analisa o ideário do Programa Amigos do Zippy em termos de ressaltar a relação emoção e lúdico em seu programa. As considerações finais sintetizam ideias essenciais da monografia.

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CAPÍTULO 1. RELEVÂNCIA DAS EMOÇÕES E DO LÚDICO NAS ABORDAGENS DA EDUCAÇÃO

Busca responder a questão norteadora: Como os teóricos selecionados das Ciências Humanas percebem a importância do lúdico e das emoções no processo de escolarização infantil?

De acordo como o dicionário de nossa língua, emoção diz respeito ao estado mental positivo ou negativo provocado por situações diversas, despertando ações e reações no organismo. Outra definição buscada delimita com mais pertinência emoção: “Reação moral, psíquica ou física, causada por uma confusão de sentimentos, que se tem diante de algum fato, situação, notícia, fazendo com que o corpo se comporte tendo em conta essa reação”.

É importante frisar que o corpo se manifesta respostas variadas a fim de expressar a emoção sentida e vivenciada. De acordo com Goleman: "Cada tipo de emoção que vivenciamos nos predispõe para uma ação imediata; cada uma sinaliza para uma direção que, nos recorrentes desafios enfrentados pelo ser humano ao longo da vida". (2011. p.32).

Avançando na caracterização das emoções, faz-se necessário lembrar que, por vezes, essas são afloradas e incontroláveis, não existindo uma harmonização entre elas, explicadas por Goleman:

A primeira delas é a raiva, que quando chega o sangue circula com maior intensidade, o coração acelera impulsionado pela adrenalina. A segunda é o medo, que paralisa o indivíduo e o impede de ter alguma reação, ficando com a sensação de ter que fugir ou se esconder. O corpo fica inerte, impossibilitado de agir e com a ideia de que irá viver uma ameaça constante, de modo que formula uma resposta defensiva. A terceira é a felicidade, na qual o corpo apresenta certa leveza, reprime o pensamento negativo, silencia as preocupações, sente alegria ao executar uma atividade. A quarta é o amor, que é um sentimento de afeto. Quando não há medo ou raiva, o amor causa felicidade. A tristeza, por fim, está relacionada à perda de ânimo e ausência de felicidade para executar as tarefas da vida. A tristeza quando estiver intensa pode causar melancolia, depressão; o indivíduo fica introspectivo, quando é a perda de um ente querido, parece ser clássico a tristeza e luto. (2011, p.32).

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Conhecer e dominar as emoções são fundamentais para o desenvolvimento do indivíduo e sua inserção qualitativa no espaço coletivo e institucional. Saber lidar com as emoções é desafiador, como enfatizou Goleman na citação acerca das distintas manifestações e formas de emoções.

Para Paulo Freire, as “primeiras experiências do mundo marcam o início do desenvolvimento emocional da criança, e quando criança ela irá descrever e articular o que a mente e o corpo sentem, e assim poderá desenvolvê-la.” Continuando, Freire sublinha que “precisamos entender e compreender a significação de um silêncio, ou de um sorriso, ou de uma retirada da sala de aula. O tom menos cortês com que foi feita uma pergunta.” (1996, p.109).

Diante dessas considerações de Freire ressalta-se que o indivíduo quando demonstra afeto e carinho para uma criança, a autoestima desta crescerá, fazendo que ela se sinta amada, compreendida e respeitada. Esses constituem fatores essenciais para que a criança possa ter controle das suas emoções, capacitando-a na manifestação de seus sentimentos.

Da mesma forma, percebe-se através dos movimentos corporais que as emoções são transmitidas pelo corpo, conforme a posição de Pierre Weil e Roland Tompakow:

Sobrancelhas abaixadas: concentradas, reflexão, seriedade. Sobrancelhas levantadas: surpresa, espanto, alegria. Olhos brilhantes: entusiasmado, alegria.

Olhos baços: desânimo tristeza ou parecido com isso quanto aos lábios: Arqueado para cima: prazer, alegria, satisfação:

Arqueado para baixo: desprazer, tristeza, insatisfação:Em bico, duvida contrariedade, raiva. (1984,21).

Antes de qualquer fala ser pronunciada, o corpo parece ser o primeiro a se comunicar, ou seja, o corpo revela sua comunicação corporal. E essa situação é percebida mediante algumas vivências no cotidiano do indivíduo, como os conflitos de insatisfação ou satisfação pessoais, o medo, a raiva, a ansiedade; são emoções que, devido a alguns momentos de desequilíbrio da emoção, podem ocasionar um desconforto, privando o indivíduo da sua liberdade.

Quando ocorre algo, o corpo responde automaticamente à situação a qual ele está vivenciando naquele momento. A partir desse momento, existem imagens corporais que a fala torna desnecessárias, uma vez que o corpo fala por si. Para isso,

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porém, é preciso que o educador tenha certa percepção a fim de identificar essas reações corporais. O corpo apresenta certo nível de linguagem que nos transmite algo, ou seja, essa transmissão de linguagem pode ser uma reação tanto negativa como positiva.

Todos esses sentimentos se apresentam no indivíduo de várias formas. Cada um reage de maneira diferente, mas os sinais corporais são perceptíveis. Uma criança ansiosa pode apresentar a seguinte reação: a respiração fica ofegante, as palavras saem atropeladas, as mãos ficam geladas ou elas ficam roendo as unhas, os pensamentos não conseguem se formular, porque são diversos pensamentos. Uma criança triste, por exemplo, apresenta os olhos caídos.

Observa-se, sobretudo, que as expressões das crianças são bem nítidas, pois sua reação é imediata, ou por vezes, pode ser camuflada. No entanto, existe uma singularidade para cada emoção sentida.

No espaço escolar, em específico na sala de aula, ocorrem muitos conflitos de interesses entre as crianças e muitas vezes com o docente. Portanto, para o processo de aprendizagem significativa, Paulo Freire defende que a exteriorização faz parte do processo de aprender e ensinar. Segundo Freire “nas condições de verdadeira aprendizagem, os educandos vão se transformando em reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber, ensinando, ao lado do educador, igualmente sujeito do processo, em que o objeto ensinado é aprendido." (1996, p.29).

Neste sentido, que o Programa Amigos do Zippy vem reforçar a relevância do diálogo entre o professor e o aluno no que diz respeito aos aspectos subjetivos e não tanto do ponto de vista dos conteúdos disciplinares. Continuando, Freire sustenta que a experiência escolar dialógica e que valoriza a subjetividade dos alunos, irá lhe possibilitar a construção do conhecimento, bem como a formação de novos e outros conhecimentos.

Na avaliação das Professoras Ana Lúcia e Cláudia Abbês (2017), a instituição de ensino produz uma intervenção na produção de melhoria da saúde, ou seja: diante do processo de formação do aluno, ocorre um movimento de transição através das complexidades encontradas nas salas de aulas. Assim, a instituição de ensino busca, diante do seu processo educacional com atitude e sensibilidade, possibilitar um conhecimento e um estímulo para a vida.As autoras afirmam que:

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Nesse sentido, é importante destacar algumas questões que se colocam como princípio, quando tratamos de processo de formação. “... uma instituição que produz verdades, objetos-saberes e modo de subjetivação”. “... e entendê-la como prática possível de provocar movimentos, estabilizações, desestabilizações, ela incita, por sua potência de provocar a produção de outros problemas, ou seja, pela sua condição problematizadora”. (LUCIA e ABBÊS, 2007, p.4).

Diante da análise de Ana Lúcia e Cláudia Abbês (2007) o processo de formação dos docentes na instituição, acontece no momento de uma ação em movimento. Goffman usa uma metáfora para ilustrar como a pessoa atua sobre a sociedade, de modo que o outro atua certo papel e dependendo do local no qual ele está. O indivíduo usa alguns elementos que na visão da micro sociologia se torna uma forma de ação social, de modo que toma uma dimensão de ritual da ação social que parte da realidade. Por exemplos, a linguagem e o repertório da situação que seria desempenhar um papel conforme a situação. Segundo Goffman,

A perspectiva empregada neste relato teatral. Os princípios dos quais parti são de caráter dramatúrgico. Considerarei a maneira pela qual o indivíduo apresenta, em situações comuns, a si mesmo, e as suas atividades às outras pessoas, os meios pelos quais dirige e regula a impressão que formam a seu respeito e sobre as coisas que pode ou não pode fazer, enquanto realiza seu desempenho diante delas. (2009, p.9).

Conforme a análise de Goffman, o conjunto de expectativa social produz uma projeção daqueles autores que delineiam e definem a situação. Seria uma leitura de algo possível de que vai acontecer. Mas, às vezes, essa impressão, quando não se tem o entendimento, pode fugir algumas definições do padrão, ou seja, tornando-se uma crise. Dessa maneira, o indivíduo identifica certos modelos de interação social, existindo alguns lugares e situações que a projeção poderá se confirmar.

Goffman mostra que o outro projeta. Por vezes, o que tem sobre ela são as projeções reais em que as pessoas representam na sociedade. As técnicas utilizadas pelo indivíduo são os gestos, as roupas, o status, o local onde reside, a linguagem verbal etc. O indivíduo, ao projetar uma realidade, possibilita uma história falsa ou verdadeira.

Assim também, Goffman relata que o processo de interação de entender a si mesmo e o outro, na narrativa que eu faço de mim mesmo é uma imagem da minha vida, tornando uma manipulação do ambiente. As interações sociais podem identificar como agir em uma ou outra situação. A ação social começa quando o indivíduo

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apresenta comportamentos gestuais fazendo com que outrem compreenda o motivo dessa ação. Esses papéis são passados em locais em que se apresentem estabilizados. (GOFFMAN, 2011). Esse fato explica a preocupação de Goffman em compreender, além do papel representado, os sentidos das interações entre os indivíduos.

Segundo Goffman (2007, p.198), "fatos decisivos podem estar além dos limites, do tempo e do lugar da interação". Ainda, segundo ele: "As atividades verdadeiras ou as dissimulações, as crenças, os valores e as emoções do indivíduo, muitas vezes só podem ser verificadas indiretamente, por meio de confissões ou do que parece ser um comportamento involuntário". (GOFFMAN, 2007, p.18).

Portanto, para Goffman (2011, p. 220) a ruptura da interação na interação é quando o indivíduo projeta uma situação, mas não as das outras pessoas. Isso pode causar um caos, ou seja, a quebra da regra. Da mesma forma, Goffman (2011, p.15) ilustra que seria uma forma mais dinâmica como se dá essa ação social: é quando o indivíduo se encontra com outrem e ambos procuram obter informações um do outro.

A informação a respeito do indivíduo serve para definir a situação, tornando os outros capazes de conhecer antecipadamente o que ele esperará deles, e o que deles podem se esperar. Assim, já informado, o sujeito saberá qual atitude que irá tomar; diante da ação exposta. A pessoa poder obter uma resposta desejada. Se o indivíduo lhe for desconhecido, os observadores podem obter as informações.

Ademais Goffman (2011) ressalta que:

O palco apresenta coisas que são simulações. Presume-se que a vida apresenta coisas reais e, às vezes, bem ensaiada. Mais importante, talvez é o fato de que no palco um ator se apresenta sob a máscara de um personagens projetados por outros atores. A plateia constitui um terceiro elemento da correlação. (GOFFMAN, 2011, p. 9).

Mesmo que o ator tenha uma base de experiências anteriores e condicionadas para que possa ser encontradas em um dado cenário social. As interações estão também baseadas através de símbolos. Além disso, tem um fator relevante, que é a dramaturgia da ação social. Seria como se alguém descrevesse uma etnografia

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urbana. Então toda essa perspectiva da vida social torna um elemento importante para a comunicação de ambas as partes. (Goffman, 2011, p.

219 e 220).

Para Goffman, a metáfora da vida social como palco, representa uma dimensão de ritual da ação social. Partes da linguagem que representam uma determinada situação também desempenhariam um papel. O ator tem uma leitura de frente dos bastidores e dos lugares públicos e privados. A passagem selecionada à continuação ilustra essa ideia:

[...] atos decisivos podem estar além dos limites, do tempo e do lugar da interação". “Ainda, segundo ele as atividades verdadeiras ou as dissimulações, as crenças, os valores e as emoções do indivíduo, muitas vezes só podem ser verificadas indiretamente, por meio de confissões ou do que parece ser um comportamento involuntário. (GOFFMAN, 2007, p.198).

A metáfora teatral de Goffman serve para entender o processo da interação social. Por outro lado, as contribuições de Freire sobre conhecer o mundo, articuladas a proposta de Goffman pretende entender o mundo onde vivemos e sua contextualização. Falar de educação é falar de política, mas não é essa política sobre partidos e entre outros. Freire vem trazer a política cotidiana dos educadores.

Pensar política é pensar na forma de vida e como flui. Por entre as forças, pensar em educação e no educador as formas de funcionamento social. É essencial conhecer o funcionamento social e entendermos os conceitos acerca da realidade, ou seja: os conceitos e práticas assim como elas são. Cabe lembrar que os conceitos e práticas não são abstratos, porém produzem efeitos no mundo cotidiano.

Para Paulo Freire (1996), pensar a educação é pensar no modo de autonomia, implicando trabalhar para educação sobre ela mesma e na relação do educando, bem como o conhecimento que se produz nesta relação. A transmissão de conteúdos faz parte do processo de educação segundo Freire, mas não é a prioridade de uma educação voltada para sujeitos autônomos, criativos e críticos. Informação implica na formação da capacidade de pensar, no nosso mundo, na nossa realidade e na nossa vida. Esse processo envolveria um despertar a curiosidade de modo epistemológico. O professor pode apenas transferir seu conhecimento teórico para o aluno. No entanto, Freire chama a atenção para o fato de que "quem ensina aprende ao ensinar, e quem aprende ensina ao aprender. Quem ensina alguma coisa a alguém?" (2011,

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p.219). Segundo ele, mesmo que o professor tenha um conhecimento teórico, ele não precisa lidar com o aluno de modo rigoroso ou neutro; assim, o estudante pode apontar suas dúvidas e acrescentar algo.

No processo de construção de uma educação autônoma e que valoriza o lúdico e as emoções, para Freire, o pedagogo viverá em constante aprendizado do conhecimento. O educador será um mestre da construção e da reconstrução do saber que foi ensinado para ele. É fundamental que o professor esteja em constante reciclagem do conhecimento teórico pedagógico, como também fazer sua autoanálise. (1996, p.37).

Além disso, é no processo de buscar novos conhecimentos para poder acrescentar algo produtivo para suas aulas, mas também que tenha em sala a prudência diante das crises e das atividades colocadas para os alunos, não agindo de modo arrogante. Conforme Freire, “na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica. [..] O próprio discurso teórico, necessário à reflexão crítica, tem de ser de tal modo concreto que quase se confunda a prática". (1996, p. 18).

Outra abordagem que enriquece a discussão a respeito da educação autônoma foi apontada por Michel Foucault ao enfatizar que é necessário ouvir os roncos surdos das batalhas, roncos estes que são indícios das lutas e não meramente os resultados das batalhas. A escuta rasa faz nos interstícios, entre vozes e silêncios, entre as formas exercitá-la é nosso desafio interminável, impossível, posto que seja nas circunstâncias dos processos de formação que a escuta se abre como arte, como modo de compartilhamento de experiências. Em sua perspectiva sobre a escuta empática Foucault sublinha:

é preciso desapegar antigos modos de formação e das novas oportunidades de ouvir, uma arte de expressar sentimentos, e que diante dos conflitos existente na sala de aula existe um intervalo entre as palavras faladas e não faladas. Além disso, se torna um acréscimo de conhecimento para ambos. (1983, p.269)

Em síntese, os autores enfocados asseveram que as emoções interferem no processo de ensino-aprendizagem, e, em especial, para a educação autônoma da criança de seis e sete anos. Neste sentido, o lúdico serviria como estratégia para expressar as emoções, como também, fomentar o pensar criativo e voltado para a

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prática cotidiana. Por fim, a escuta empática é uma dimensão essencial nesse processo de manifestação das emoções das crianças.

O próximo capítulo procura verificar se o Programa Amigos do Zippy tem em seu ideário teórico a articulação entre as emoções e o lúdico, uma vez que não foi possível observar a implementação desse Programa nas escolas da rede, proposta inicial da monografia.

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CAPÍTULO 2. O PROGRAMA “AMIGOS DO ZIPPY” em análise

A indagação a ser respondida neste capítulo é: Como o Programa Amigos do Zippy aborda o lúdico e as emoções das crianças entre seis e sete anos de idade a fim de gerar uma educação crítica e autônoma?

Ométodo utilizado na dinâmica do “Zippy” é lúdico, que se traduz em sala de aula através de brincadeiras, jogos, figuras, objetivando que a criança comece a desenvolver a falar as suas emoções e seus embates pessoais. A criação do mascote denominado “bicho-pau” facilita o diálogo, fazendo que as crianças se sintam acolhidas e expressem suas emoções, frustrações e conflitos. Nesta interação entre as duas partes, a proposta é trabalhada de modo a permitir que o aluno reconstrua suas situações de conflitos.

Toda essa dinâmica, é essencial para se trabalhar a autoestima das situações, proporcionando novas experiências. O resultado dessa experiência é a valorização dos estímulos e a melhoria das crianças no convívio escolar, gerando, uma comunicação mais flexível para o diálogo. A dinâmica fornece a possibilidade de se gerar uma relação com mais sentimentos para as gerações futuras. Na realidade, esta prática faz com que a criança possa ter habilidade para lidar com suas questões.

O programa Amigos do Zippy (2011) ensina conceitos básicos de saúde emocional na escola. O professor irá ensinar um assunto que não é tão comum de ser abordado, ou seja: falar sobre os sentimentos das crianças em sala de aula. Após iniciada a apresentação do programa Zippy, que é representado por um mascote que tem um papel importante, uma vez que será um dos elementos de incentivo para iniciar a comunicação entre os professores e os alunos. Segundo o Programa Amigos do Zippy:

(...) O primeiro piloto de Amigos do Zippy foi conduzido na Dinamarca, em Copenhagen e Fyn, de setembro de 1998 a abril de 1999. Participaram do projeto 264 crianças da pré-escola e da 1ª e 2ª séries do primeiro grau (faixa etária equivalente aos três primeiros anos do ensino fundamental). A avaliação mostrou que o programa podia ser implantado com sucesso, uma vez que houve uma melhora significativa nas habilidades sociais, na empatia e na assertividade das crianças. Segundo os avaliadores, ‘os resultados encontrados são impressionantes para um projeto totalmente novo, testado pela primeira vez’”. (ASEC, 2011, p.3)

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O Zippy é um mascote representado por um inseto chamado Bicho-Pau.

Figura 1: Mascote do Zippy

O Programa foi desenvolvido no ano de (1998 a 2001), na Inglaterra, por profissionais multidisciplinares. Diante do sucesso, foi fundada a ONG Partnership Children, responsável pelo desenvolvimento da entidade Amigos do Zippy.

O Programa Amigos do Zippy foi iniciado em março de 2004 no Brasil, sendo implementado pela ASEC - Associação pela Saúde Emocional de Criança. Tem como objetivo principal atender crianças de seis e sete anos de idade, do ensino fundamental. A passagem que se segue relata como ocorreu a trajetória histórica do programa:

(...) O desenvolvimento e a avaliação do Amigos do Zippy foram coordenados por Befrienders International, entidade internacional de prevenção ao suicídio, que acredita que o ensino de habilidades de vida a crianças pequenas pode ajudar na prevenção de comportamentos autodestrutivos. Esse desenvolvimento foi patrocinado pela GlaxoSmithKline. Após a segunda avaliação, a Befrienders International decidiu-se pela fundação de uma agência especializada em trabalhos com crianças. Assim, no dia 1º de janeiro de 2002, o programa Amigos do Zippy foi transferido para

Partnership for Children (Parceria pelas Crianças)". ( p.4).

O programa não tem a ideia de resolver problemas específicos, mas ele tenta usar métodos pedagógicos para as crianças poderem trabalhar com as suas dificuldades. Existe uma formação para capacitar para profissionais. O Programa Amigos do Zippy atende algumas escolas brasileiras, pertencentes à rede publica ou

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privada de ensino fundamental. Quando o programa é aprovado pela Secretaria da Educação, a coordenação da escola instala o programa. O docente participante do processo de capacitação acaba contribuindo para seu processo de conhecimento teórico. Vejamos a posição da ASEC – “Associação pela saúde Emocional da Criança” revela sobre a autoestima:

Todos os grupos de crianças são monitorados para que se avaliem os impactos do programa nos alunos e em seus professores. A metodologia desenvolvida pela Dra. Thereza Penna Firme, em parceria com a Dra. Maria Clara Sodré, agrupa os inúmeros benefícios obtidos em indicadores como solidariedade, autoestima, redução de comportamento agressivo, convivência em grupo, prazer no ambiente escolar, protagonismo na busca de conhecimento, além da ressignificação do papel do professor e de seu próprio desenvolvimento pessoal e profissional, dentre muitos outros. (ASEC, 2014).

A dinâmica do projeto na prática coloca as crianças e professora sentadas em círculo para o início da aula. O docente apresenta o Amigo do Zippy e conta a historinha ilustrativa, contendo os sentimentos. Depois é passada uma regrinha para facilitar a comunicação entre eles, que é chamado os “Combinados”. Este quadro fica na parede dentro da sala de aula, para facilitar a visualização do quadro para as crianças, e a proposta do Zippy consiste em seis módulos, visando alguns temas.

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É importante explicar a metodologia do Programa Amigos do Zippy. No primeiro módulo, serão trabalhados os sentimentos de tristeza, alegria, raiva e irritação, ciúmes, nervosismo. No segundo módulo – A Comunicação – é ensinado para a criança a conversar de modo produtivo, ouvindo o colega. No terceiro módulo – Iniciando e interrompendo relacionamentos – as crianças aprendem o conceito básico sobre amizade, como cultivar laços sobre a amizade e como conservá-la. Também como lidar com a solidão e o desprezo. É desenvolvido o pedido de desculpa para ser uma maneira de fazer o entendimento entre eles. No quarto módulo – Resolução de conflito – aborda, em particular, a questão da timidez, intimidação (Bullying). As crianças contam a situação que lhes incomodou e, diante da vivência em que a criança esteve, outras crianças contam suas situações. No quinto módulo – Lidando com mudanças e perdas – as crianças têm a oportunidade de falar abertamente a respeito de um assunto que parece ser um tabu para muitos adultos. Por fim, no sexto módulo – Nós sabemos lidar com as dificuldades – desenvolve-se a compreensão de discernir as situações que podem ou não ser mudadas e intensificar tudo o que as crianças aprenderam, acrescentando a possibilidade de enfrentar as situações difíceis.

Para implantar programas e/ou cursos em uma nova cidade, a ASEC segue o seguinte processo: O professor passa por uma capacitação, assiste a um seminário acerca da teoria e da filosofia dos Amigos do Zippy, bem como lidar com as situações de crise, visando o bem estar das crianças. Assim é possível obter informações relevantes sobre os modelos do projeto.

O professor faz, após isso, um apontamento sobre cada aula e, diante da sua análise, ele faz um apontamento sobre o que mais teve êxito e o que não teve. Quando o professor é aprovado, ele recebe o material didático para trabalhar na aula, que é o crachá, um pôster colorido, ilustrativo com histórias e um guia para os pais sobre as regrinhas básicas do “Combinado”.

A Associação pela saúde Emocional da Criança é responsável pelo Programa Amigos do Zippy no Brasil, uma entidade sem fins lucrativos, e conta com o apoio de algumas empresas privadas. Para implementar o programa em uma cidade, a ASEC apresenta o programa para a secretaria da educação.

Para analisar o perfil da escola, o Programa Amigos do Zippy expõe sua filosofia de ensino, a etapa pedagógica, a implementação das atividades, o

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cronograma, o custo. Ainda, são indicadas as escolas, a quantidade de professores e de crianças que irão participar. Quando o projeto é aceito, serão disponibilizados os encontros para a formação dos docentes, que terão a formação básica. A Secretaria da Educação indica as escolas e os professores das crianças que irão participar e planejar junto às atividades.

Uma vez concluída a formação dos professores, os que forem aprovados receberão um certificado, deste modo, poderão desenvolver o projeto nas aulas. O projeto aceita doações para contribuir no desenvolvimento da criança, para que ela tenha capacidade de lidar com suas emoções.

O Zippy vem se destacando cada vez mais no meio escolar brasileiro. No ano de 2010, no estado do Rio de Janeiro, o Programa está atuando em 106 escolas, capacitando aproximadamente 500 professores e beneficiando mais de 18.000 crianças da rede municipal. “O Programa ganha destaque na revista ‘‘Experiências” Programa Escolas do Amanhã, do Rio de Janeiro.

Revista 'Experiência" Programa de escola do Amanhã. Rio de Janeiro, março de 2016

A revista vem falando sobre os benefícios positivos e a qualidade do o Programa Amigos do Zippy, nas escolas públicas da cidade do Rio de Janeiro. Uma

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revista que teve parceria com a UNESCO e também com A Escola do Amanhã. A revista vem contando a chegada do projeto no ano de 2010, e que cada momento vem se destacando como um projeto inovador no âmbito escolar.

A ênfase principal é o melhoramento emocional das crianças, conquistado no seu dia-a-dia na Escola do Amanhã. Também foi acompanhado por um melhoramento e pela ampliação do ensino do professor e mérito pela qualidade de ensino. No ano de 2012, o Programa teve apoio da Unicef em acesso ao aprendizado educacional do Brasil.

Na abordagem em que o programa Amigos do Zippy traz como elemento uma proposta para que os alunos provavelmente possam evoluir e sentir segurança pessoal. Assim, as aulas consistem em deixar de ser um território neutro, para uma haver uma interação produtiva com outras crianças.

Quando é exercitado o equilíbrio das emoções nas crianças, pode-se proporcionar a elas uma boa qualidade de vida, e com a sensação das crianças estarem mais confiantes diante dos desafios. A abordagem pautada nas emoções estimula a criança a eliminar posturas e atitudes repressivas. Com tal direcionamento, contribui-se para os alunos se conheçam cada vez mais. .

E diante da metodologia do Zippy, é identificada a nascente dos incômodos pessoais, tornando-os conscientes das próprias dificuldades pessoais. A metodologia do programa é trabalhar com o autodescobrimento, com o fundamento de saber e conhecer as emoções, é também saber lidar com as próprias questões pessoais. Desse modo, pode-se aliviar um pouco essa tensão, a qual o aluno pode estar vivenciando naquele momento.

A metodologia do Programa Zippy está descrita na apresentação feita no documento da ASEC:

Amigos do Zippy é um programa aplicado pelo professor usual das crianças em sala de aula, com carga horária de uma hora por semana, durante 24 semanas. O programa compreende uma série de seis histórias intituladas Amigos do Zippy. O Zippy é um inseto – um bicho-pau –, e seus amigos são um grupo de crianças. Nessas histórias, os personagens vivenciam situações familiares às crianças: amizade, comunicação, solidão, ameaças, mudanças, perdas e o início de uma nova vida. Cada história é ilustrada com uma série de figuras coloridas. As 24 aulas são divididas em seis módulos, cada um enfocando um tema particular. O módulo 1, por exemplo, é sobre sentimentos, e as quatro aulas correspondentes são as seguintes: Aula 1 – Tristeza e alegria. Aula 2 – Raiva ou irritação. Aula 3 – Ciúme. Aula 4 – Nervosismo. (ASEC, 2014).

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Ao exercitar essas emoções, os alunos irão aprender a cuidar da saúde emocional. Ao mesmo tempo, vão estimulando outros colegas de sala, e contribuindo para o auto-descobrimento, para descobrir as suas incertezas, acertos. Se cada escola fosse contemplada com a proposta do Zippy, poderíamos pensar o quanto de acréscimo o professor e o aluno teriam para a sua vida pessoal e para as relações interpessoais.

E, diante do diálogo que ocorre no ato da dinâmica e das experiências vivenciadas, os alunos vão se observando e tirando das suas falas amadurecimento, não apenas no seu diálogo, mas também na fala dos seus colegas da sala de aula. No Brasil, foi selecionado o (CVV) Centro de Valorização da Vida como representante exclusivo que promoveu a fundação da ONG Associação pela Saúde Emocional da Criança (ASEC) que, em seguida, implantou o Programa Amigos do Zippy. Além disso, com o decorrer do Programa Amigos do Zippy, o objetivo seria atender também outro público, a família das crianças contempladas. O Programa Zippy é desenvolvido através de doações ONG Partnership Children e empresas privadas.

Vale ressaltar que o Programa Amigos do Zippy, além de trabalhar a autoestima das crianças, também usa o lúdico para tornar o aprendizado mais dinâmico e produtivo para alunos e professores. Para compreender melhor essa conexão do lúdico e as emoções recorri ao site do Programa que defende o seguinte:

No ponto de vista da visão humana, a educação se preocupou com algumas questões cognitivas e afetivas, entretanto na sua relação social o ser humano vive em constante movimento andamos, falamos, choramos, sorrimos, ou seja, que a todo o momento a vida se apresenta em movimento. Vejamos como a escola trabalha essa questão do corpo e do movimento como desenvolvimento no aprendizado na sala de aula.

Conforme foi destacado na passagem anterior,

[...] uma escola parada e sem movimento o aluno vai perdendo o interesse pela sala de aula. O corpo e mentes estão interligados, é na escola infantil que o movimento possibilite um melhoramento o aprendizado. Portanto, partindo desse raciocínio o aluno possa desenvolver nos aspectos afetivos e cognitivos.

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Diante desse ideário, o lúdico no ensino fundamental é essencial e uma rica estratégia para criar condições qualitativas para a manifestação das emoções das crianças no espaço escolar. Neste sentido, o Programa Amigos do Zippy em sua natureza teórica advoga uma educação autônoma, que se volta para a defesa de valores como a tolerância às diferentes formas de expressão social e à alteridade, ou seja: ao respeito ao outro que é distinto de mim em termos culturais, econômicos, políticos e etc.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo objetivou expor a proposta teórica do Programa “Amigos do Zippy”, que procura valorizar as emoções e o lúdico para o processo da escolarização das crianças que participam desse Programa. Duas indagações foram centrais no processo de pesquisa: Como os teóricos analisam a importância do lúdico e das emoções no processo de escolarização infantil? Como o Programa Amigos do Zippy aborda o lúdico e as emoções das crianças entre seis e sete anos de idade a fim de gerar na educação crítica e autônoma?

No contexto atual de uma educação estadual e municipal precarizada, o Programa Amigos do Zippy vem suavizar em parte essa precarização, asseverando que o lúdico e as emoções são instrumentos significativos no processo de ensinoaprendizagem das crianças de seis e sete anos. A esse respeito, as emoções e o lúdico configuram-se como ferramentas de trabalho pedagógico na sala de aula possibilitando estratégias para a criança falar e expressar suas emoções, interesses, conflitos e saberes.

A partir das contribuições de Paulo Freire acerca do conceito de autonomia da educação, foi possível refletir sobre o processo de ensino-aprendizagem voltado para a construção da subjetividade do aluno, da escuta empática, além da manifestação de suas emoções positivas e negativas. Goffman, Goleman e Foucault contribuíram para a discussão teórica exposta no primeiro capítulo e que serviu para apresentar o ideário do Programa Amigos do Zippy, objeto do segundo capítulo.

Neste sentido, foi possível demonstrar em tese que a concepção do Programa Amigos do Zippy advoga uma educação autônoma, voltada para o cultivo de valores como alteridade e relativização essenciais no mundo do século XXI onde se configuram expressões de intolerância em vários âmbitos da sociedade.

Refletir sobre o processo de formação de professores, bem como dos alunos das séries iniciais, possibilitou-me ter um olhar mais apurado sobre as dificuldades encontradas em sala de aula, entre docente e discente, como por exemplos: o dilema das salas lotadas de alunos; da estrutura emocional abalada do professor; da falta de materiais criativos para o ensino; da falta de pagamento do baixo salário docente, como ocorre no âmbito do Estado do Rio com os professores da rede estadual.

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É interessante admitir que minha motivação é fazer algo diferente. Assim, encontrar no olhar da criança a sede de aprender. Isso pode ser percebido no sorriso tímido, no choro, no questionamento, no silêncio. E diante desse fato, o aluno sente algo recíproco por parte do professor, e o aluno percebe quando o professor fica atento à sua fala. Quando o professor passa uma atividade é encontrado no seu olhar o brilho ao perceber que o aluno corresponde de um modo positivo. É ter um olhar sutil para o processo de formação, para que o nosso corpo, o nosso pensar, nossas ações, tornem-se cada vez mais singulares diante de nós. A partir daí, possa ser encontrada a motivação para enfrentar os embates do dia-adia.

Cabe aqui lembrar que o aluno pode ser o professor do futuro, bem como o professor que foi o aluno do passado. Portanto a vida é um ciclo e fazemos parte dela. Partindo desse raciocínio, sobre o ponto de vista do cultivo das emoções, o Programa Amigos do Zippy significa algum avanço no ensino para as crianças de seis e sete anos participantes.

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REFERÊNCIAS

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