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RECOMENDAÇÃO Nº 023/2013/GAB/PRM/PVAI

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Academic year: 2021

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RECOMENDAÇÃO

Nº 023/2013/GAB/PRM/PVAI

O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, por meio do Procurador da República signatário, no uso de suas atribuições institucionais, que lhe são conferidas pela Constituição da República e pela Lei Complementar n.º 75/93, e

CONSIDERANDO que, nos termos do Art. 127, caput, da

Constituição Federal, o Ministério Público é instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe velar pela defesa da ordem jurídica e dos interesses sociais e individuais indisponíveis;

CONSIDERANDO que, nos termos do Art. 129, II, da

Constituição Federal, cabe ao Ministério Público zelar pelo efetivo respeito dos poderes públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados na Constituição da República, promovendo as medidas necessárias a sua garantia;

CONSIDERANDO que, nos termos do Art. 129, III, da

Constituição Federal, compete ao Ministério Público promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses e direitos coletivos;

CONSIDERANDO que, nos termos do Art. 5º, V, “b”, da Lei

Complementar nº 75/93, é função institucional do Ministério Público zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos da União e dos serviços de relevância pública quanto aos princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade e da publicidade;

CONSIDERANDO que o Ministério Público deve velar pela

proteção aos direitos sociais, dentre os quais o direito à saúde (Arts. 6º e 196 da CF), previstos na Constituição Federal;

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Estados, do Distrito Federal e dos Municípios cuidar da saúde.

CONSIDERANDO que a saúde é direito de todos e dever do

Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

CONSIDERANDO que são de relevância pública as ações e

serviços de saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle.

CONSIDERANDO que, de acordo com o Art. 6º, XX, da Lei

Complementar nº 75/93, compete ao Ministério Público expedir recomendações, visando à melhoria dos serviços públicos e de relevância pública, assim como o respeito aos interesses, direitos e bens cuja defesa lhe cabe promover, fixando prazo razoável para a adoção das providências cabíveis;

CONSIDERANDO que tramita nesta Procuradoria da República o Inquérito Civil nº 1.25.011.000034/2013-73, instaurado com o intuito de apurar a existência de

limitação no número de doadores de medula óssea no Estado do Paraná;

CONSIDERANDO que, de acordo com notícia veiculada pela

internet, uma paciente do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná sentiu-se revoltada pelo fato de não poder realizar doação voluntária de medula, haja vista a norma federal que limita o número de doadores nos estados (Portaria nº 844/2012-GM/MS);

CONSIDERANDO que a manutenção regulada do número de

doadores no Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea – REDOME foi estabelecida pela Portaria nº. 844 do Ministério da Saúde, em virtude da necessidade de regular o cadastramento de novos doadores no REDOME de forma a garantir a oportunidade de identificação de doadores histocompatíveis, a utilização adequada dos recursos financeiros disponíveis, bem como assegurar a representatividade da diversidade genética da população brasileira no registro;

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CONSIDERANDO que o Brasil tornou-se o terceiro maior banco

de dados de doadores voluntários de medula óssea, sendo que o Paraná, em relação à sua população, possui o maior quantitativo de laboratórios de imunogenética e o teto máximo estipulado para coletas de amostras para realização de exames de histocompatibilidade;

CONSIDERANDO que, segundo o Instituto Nacional do Câncer –

INCA, uma das maiores dificuldades relacionadas à captação de doadores cadastrados no REDOME corresponde às campanhas realizadas sem a adequada orientação;

CONSIDERANDO que a portaria nº. 844 do Ministério da Saúde

estabeleceu que as campanhas para cadastramento de doadores voluntários de medula óssea e outros precursores hematopoéticos deverão ser previamente autorizadas pela Coordenação-Geral do Sistema Nacional de Transplantes – CGSNT/DAE/SAS/MS somente para os estabelecimentos que receberem a habilitação definida pela portaria. Além disso, as campanhas deverão visar os grupos genéticos considerados minoria na representação do REDOME (etnias amarela, parda, indígena e negra – conforme dados epidemiológicos do REDOME levantados pela Rede Brasil de Imunogenética em abril de 2013);

CONSIDERANDO que a promoção de campanhas sem a

autorização e coordenação do CGSNT/DAE/SAS/MS pode prejudicar a sistematização e organização do REDOME, de modo a não se priorizar os grupos genéticos considerados minoria;

CONSIDERANDO que a promoção de campanhas sem a

autorização e coordenação do CGSNT/DAE/SAS/MS, bem como a ausência de orientação por parte do CGSNT acerca do modelo de sistematização do REDOME aos pacientes que necessitam de transplante de medula óssea, familiares e amigos, bem como em relação a Hospitais, instituições e ONG´s que atendem tal público, vem implicando em críticas e descrédito do trabalho desenvolvido pelo REDOME;

CONSIDERANDO que o modelo de gestão na área adotado pelo

Brasil vem mostrando-se eficaz para o aumento de transplantes de medula óssea, considerando que chance de se encontrar no REDOME doador para um paciente brasileiro que em 2003 era de 10% subiu para cerca de 70% em 2012, bem como considerando que em 2011 foram realizados 198 transplantes, em 2012 foram 248 e apenas nos 4 primeiros meses de 2013 já foram

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realizados 120 transplantes com doadores viabilizados pelo REDOME;

CONSIDERANDO que, em que pese a exponencial melhoria do

acesso a doadores através do REDOME, ainda existem problemas a serem superados, como a não localização de doadores cadastrados no REDOME (entre 02/05/2012 e 02/05/2013 o número de doadores acessíveis no Paraná foi de 129 e o número de doadores compatíveis não acessíveis foi de 73), bem como o baixo cadastro de doadores dos grupos genéticos considerados minoria, o que implica na necessidade de melhor gestão do cadastro de doadores e promoção de campanhas para constante atualização dos dados dos doadores cadastrados, além da promoção de campanhas para busca ativa de doadores dos grupos genéticos considerados minoria;

O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL resolve:

RECOMENDAR à Central Estadual de Transplantes do Paraná

que:

a) em articulação com os Hemocentros e Laboratórios de Imunologia e Histocompatibilidade habilitados, desenvolva campanhas informativas que promovam, entre a sociedade civil, médicos, hospitais, ONG´s, pacientes, familiares e amigos a ampla divulgação da metodologia de estabelecimento e manutenção do REDOME, da necessidade de prévia autorização para promoção de campanhas para cadastramento de doadores, das razões da limitação do número de cadastramento de doadores anualmente, bem como da necessidade de busca de doadores dos grupos genéticos considerados minoria;

b) em articulação com os Hemocentros e Laboratórios de Imunologia e Histocompatibilidade habilitados, desenvolva campanhas visando a busca ativa de doadores dos grupos genéticos considerados minoria, fazendo campanhas direcionadas buscando a conscientização de tais grupos para necessidade de se tornarem doadores; e

c) em articulação com os Hemocentros e Laboratórios de Imunologia e Histocompatibilidade habilitados, Estados e Municípios, bem como sociedade civil, médicos, hospitais, ONG´s, pacientes, familiares e amigos, promova campanhas entre os doadores cadastrados e população em geral esclarecendo a necessidade de manutenção dos dados atualizados pelos doadores junto ao REDOME, bem como institua mecanismos para melhorar a gestão do cadastro de doadores no sentido de diminuição do percentual de doadores compatíveis

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não acessíveis.

Cumpra-se, nos termos do artigo 6º, XX, da Lei Complementar nº 75/93, sob as penas da lei.

Paranavaí/PR,

RAPHAEL OTÁVIO BUENO SANTOS PROCURADOR DA REPÚBLICA

Referências

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