Tema: Conhecendo a redação e a
sociologia de Bauman
Profs. Raphael Reis e Waldyr Imbroisi
SUMÁRIO
Conhecendo a redação Enem
O texto dissertativo-argumentativo
O gênero “redação Enem”
Os critérios de avaliação
Competência 1: Demonstrar domínio da
modalidade escrita formal da Língua Portuguesa
Competência 2: Compreender a proposta
de redação e aplicar conceitos das áreas de
conhecimento, dentro dos limites do texto
dissertativo-argumentativo
Competência 3: Selecionar, relacionar, organizar
e interpretar informações, fatos, opiniões e
argumentos em defesa de um ponto de vista
Competência 4: Demonstrar conhecimento dos
mecanismos linguísticos necessários para a
construção da argumentação
Competência 5: Elaborar proposta de
intervenção para o problema abordado,
respeitando os direitos humanos
A Sociologia de Bauman aplicada
à redação
Quem foi Bauman?
O conceito de modernidade líquida
Consumo
Medo Líquido
Entrevista com Bauman
Aplicação na redação
4 3 5 6 7 9 12 14 16 18 19 19 21 22 23 23Conhecendo a
redação Enem
Seja bem-vindo à Casa de Redação! Esta é a
primeira edição do nosso material de estudos, na
qual vamos aprender como funciona a estrutura da
redação Enem e um pouco sobre a sociologia de
Bauman, um repertório sociocultural extremamente
útil para o Exame. Vamos começar, então,
entendendo melhor a estrutura e a organização do
texto exigido na prova!
O texto
dissertativo-argumentativo
O fim de qualquer texto é a comunicação. Cada gênero textual possui objetivos definidos, desde o bilhete que se deixa para a mãe na geladeira até um artigo de
divulgação científica. Assim, a primeira coisa em que você deve prestar atenção na hora de escrever sua redação no Enem é: qual é o meu objetivo comunicativo?
Comunicar não se restringe somente à transmissão de dados. Os textos didáticos, como o que você está lendo agora, têm o objetivo primário de oferecer informações - aqui, para que você desenvolva seu potencial de escrita na redação do Enem. É o mesmo que se busca nos verbetes da wikipedia ou nas reportagens dos jornais: fazer saber. Textos que dão ordens, instruções e sugestões - como receitas e bulas - têm o objetivo de conduzir as ações do leitor em determinado sentido, ou seja, fazer fazer.
Sua redação do Enem não se orienta por nenhum desses dois princípios. Seu objetivo é fazer crer, convencer o seu leitor de um ponto de vista defendido por você ao longo de sua escrita. Isso significa que você precisa refletir sobre um dado assunto, assumir um ponto de vista e defendê-lo, de forma coerente e coesa, utilizando os recursos disponíveis no seu conhecimento de mundo e da língua. Para isso, é necessário ampliar sua capacidade argumentativa, ou seja, a competência no uso estratégias para fazer a ideia do seu texto parecer verdadeira.
Seu texto terá uma dupla natureza: ele é argumentativo, pois seu objetivo principal é o convencimento; é dissertativo, pois ele deverá usar de explicações para justificar o ponto de vista adotado. É aqui que seu conhecimento de mundo fará a diferença. Em resumo, então, sua redação no Enem precisa:
Defender um determinado
ponto de vista e utilizar
conhecimentos de
mundo para comprovar
O gênero
“redação Enem”
Sua redação do Enem é um texto dissertativo-argumentativo. Assim, ele tem como objetivo desenvolver um raciocínio sobre determinado assunto e defender sua opinião sobre ele. Esse é um modelo comumente cobrado em concursos e vestibulares, mas há algumas características que tornam o gênero do Enem singular.
O tema proposto é sempre voltado para uma problemática social. Espera-se que o aluno esteja bem informado e que seja capaz de identificar problemas, fazendo sobre eles uma reflexão. Por isso, é importante acompanhar jornais, blogs e outras mídias de informação.
O texto deve obrigatoriamente terminar com uma proposta de intervenção, uma solução para os problemas levantados. Não se pode terminar a redação com uma conclusão simples, pois isso faz com que você fique com zero na competência 5. Sua redação deve ser contextualizada no Brasil. Você pode citar outros países e seus problemas ou soluções, desde que você os relacione com a realidade nacional. Não se esqueça de que o Enem espera um aluno consciente e crítico diante dos nossos problemas sociais.
Seu texto deve ser escrito na terceira pessoa do singular, ter objetividade e utilizar o registro formal da língua. Não são admissíveis construções como “eu acho que o governo...” ou “penso que a sociedade civil...”.
Finalmente, a redação Enem se divide em três partes: a introdução, na qual você irá trazer as primeiras ideias sobre o assunto e deixar claro o seu ponto de vista; o desenvolvimento, no qual você irá utilizar recursos argumentativos para comprovar sua opinião apontada no primeiro parágrafo; e a conclusão, na qual você deve fechar seu raciocínio e propor soluções para os problemas apresentados.
A estrutura da redação Enem compreende normalmente quatro parágrafos, sendo o primeiro de introdução, os dois subsequentes de desenvolvimento e o último com a proposta de intervenção. Redações com três ou menos não são recomendadas, pois o espaço disponível para o desenvolvimento ficaria limitado, enquanto textos com muitos parágrafos tendem a ficar fragmentados e com informações pouco desenvolvidas.
Todos os pontos que estão sendo anunciados nesse capítulo inicial serão desenvolvidos e explicados mais profundamente ao longo das aulas. Agora, vamos entender melhor o que a banca espera do seu texto e como ele será avaliado.
Os critérios de avaliação
Em linhas gerais, a banca espera dos participantes o seguinte:Produzir um texto dissertativo-argumentativo, em norma padrão da
língua portuguesa, contendo uma tese, argumentos que a validem e
uma proposta de intervenção, formando uma unidade comunicativa
coerente e coesa com configuração de autoria. Além disso, demonstrar
conhecimento sociocultural produtivo e reflexão sobre problemáticas
sociais do país.
Há muitas informações reunidas no parágrafo acima, mas não se preocupe. O objetivo deste material é exatamente cobrir todos os pontos avaliados pela banca. Assim, se você não está familiarizado com expressões e conceitos da definição acima, é possível apreendê-los nesta e nas próximas aulas.
Você já sabe que sua redação vale 1000 pontos no total. Agora, é importante saber quais são os critérios utilizados pelo corretor para atribuir uma pontuação ao seu texto. São cinco competências, que serão discutidas a seguir.
Em cada uma delas, a competência do aluno é avaliada em excelente (200 pontos), bom (160 pontos), mediano (120 pontos), insuficiente (80 pontos) ou precário (40 pontos). Quando há total desconhecimento ou inadequação, há a pontuação 0 (veja o quadro abaixo):
0
Desconhecimento ou inadequação total
40
Domínio precário da competência
80
Domínio insuficiente da competência
120
Domínio mediano da competência
160
Bom domínio da competência
A soma das notas de cada competência é sua avaliação total. Um outro detalhe
importante: seu texto é avaliado por pelo menos dois corretores, e a nota final só será validada se não houver mais de 100 pontos de diferença entre as avaliações de cada um. Caso a diferença exceda essa pontuação, um terceiro corretor é acionado.
Se você quer lutar pelas notas mais altas, acima de 900, perceba que pelo menos três das competências devem ser avaliadas como “excelente”. Observar cuidadosamente onde estão seus erros é essencial nos seus estudos, e acostumar-se com a avaliação de cada competência é o primeiro passo para isso. Ao longo das suas primeiras semanas aqui na Casa, pretendemos que você consiga entender exatamente o porquê das notas que você recebe.
Desvios de
convenções da
escrita
Acentuação
Ortografia
Hífen
Maiúsculas e minúsculas
Separação silábica
Desvios gramaticais
Regência
Concordância
Pontuação
Paralelismo
Colocação pronominal
Competência 1:
Demonstrar domínio da modalidade escrita formal
da Língua Portuguesa
Esta competência avalia dois aspectos do seu texto: a estruturação sintática e o uso da norma culta. Os diferentes níveis de notas são atribuídos com base nesses dois critérios. Por estruturação sintática entende-se a forma como o aluno organiza suas ideias em orações e períodos bem articulados e completos. São penalizadas aqui estruturas incompletas, fragmentadas ou mal construídas, como frases apenas com verbo no gerúndio ou infinitivo, orações subordinadas isoladas por pontos e trechos que prejudiquem a fluidez da leitura.
Desvios de escolha de
registro
Informalidade
Marcas de oralidade
Desvios de escolha
vocabular
Escolhas imprecisas
Perceba que há diversas formas de ser penalizada na competência 1, o que a torna uma das mais difíceis da redação Enem. Vamos entender melhor o que é necessário para atingir cada nota:
0
Estrutura sintática inexistente
40
Estrutura sintática deficitária E muitos desvios80
Estrutura sintática deficitária OU muitos desvios120
Estrutura sintática regular E alguns desvios
160
Estrutura sintática boa E poucos desvios
200
Estrutura sintática excelente E no
máximo dois desvios
O aluno só recebe a nota mínima na competência 1 caso seu texto seja ilegível/ incompreensível; como consequência, a redação inteira é avaliada com zero.
A partir dos níveis seguintes, há uma gradação nos dois critérios avaliativos: a estrutura sintática pode ser deficitária, regular, boa ou excelente e os desvios podem ser muitos, alguns, poucos e no máximo 2. Não há um número definido de erros para cada uma das notas; a avaliação é feita levando em consideração o conjunto do texto. Isso significa que uma redação com trinta linhas bem escritas e oito desvios será menos penalizado do que um texto de 12 linhas com o mesmo número de erros.
Se o seu texto está recebendo entre 40 e 80 na C1, há graves problemas na competência. Há mais de um desvio de norma culta por linha, orações justapostas e/ou incompletas e inadequações graves de pontuação. Nesse caso, o ideal é investir primeiro na
estruturação sintática e ordenar adequadamente a escrita e, em seguida, aprofundar-se na norma culta. A leitura é importantíssima para a melhora nessa situação.
seja na pontuação, seja na articulação de cada oração. Os erros de norma culta estão na ordem de um a cada duas linhas, aproximadamente. Para alcançar 160, é preciso haver apenas problemas excepcionais de estruturação sintática (apenas um ou dois desvios) e um número pequenos de erros de C1 (que pode alcançar até 10 inadequações, dependendo do tamanho da letra e das linhas ocupadas). 200 pontos são atribuídos aos textos que possuem uma única falha sintática e que têm no máximo dois erros.
Vamos a mais alguns detalhes importantes sobre a avaliação da competência 1: • Pontos específicos em que não haja consenso entre os gramáticos não serão penalizados.
• Nomes próprios grafados incorretamente, desde que estejam claros o suficiente para serem compreendidos, não são penalizados.
• Erros iguais ao longo da redação contam como um único erro.
• Não se esqueça de que já está em vigor o Novo Acordo Ortográfico Brasileiro! Um último ponto de extrema importância: um texto que tenha estrutura sintática
excelente, mas muitos desvios, será pontuado com 80 pontos. De modo geral, em todas as competências, o corretor é orientado para atribuir a menor nota correspondente ao que o texto apresenta.
Competência 2:
Compreender a proposta de redação
e aplicar conceitos das áreas de
conhecimento, dentro dos limites do
texto dissertativo-argumentativo
Esta é uma das competências mais interessantes do Exame, e uma daquelas em que você deve fazer de
tudo para alcançar os 200 pontos. Aqui, são avaliados três aspectos: a capacidade do aluno em
desenvolver um texto
dissertativo-argumentativo, a discussão adequada do recorte temático proposto e a articulação produtiva de conhecimento de mundo. Vejamos em detalhes:
0
Fuga ao tema
40
Tangência ao tema
Texto com apenas
uma parte articulada
(proposição,
desenvol-vimento, conclusão
Traços constantes de
outros tipos textuais
80
Cópias dos textos
motivadores
Texto com apenas
duas partes
articuladas
Texto com três
partes, mas todas
embrionárias
120
Repertório pessoal
E/OU Baseado
nos textos
motivadores
Apresenta as três
partes do texto
160
Uso superficial de
repertório
socio-cultural
200
Uso produtivo de
repertório
socio-cultural
A nota zero é atribuída apenas aos textos que fogem completamente ao tema, ou seja, aquelas que sequer empregam as palavras-chave evocadas no recorte temático. Ainda do ponto de vista da relação com o tema, a nota 40 define os textos que tangenciam a discussão, discutindo pontos correlacionados (por exemplo: discutir religião sem pontuar a questão da intolerância, em 2016; ou deficientes sem citar os surdos, em 2017; ou
internet sem citar manipulação por dados, em 2018; ou, por fim, cultura sem articular com cinema, em 2019). Aqueles que copiam partes significativas dos textos de apoio, mas não o suficiente para receberem zero, ficam com 80 pontos na C2. As redações que recebem as notas mais baixas nesta competência também possuem graves problemas estruturais:
eles não se enquadram, ou ao menos, não completamente, nos moldes da dissertação argumentativa. Ou seja: assim que os requisitos básicos do texto argumentativo
estiverem dominados por você, sua nota base na C2 será 120.
Os três níveis mais altos de notas se diferenciam pelo repertório que o aluno utiliza para compor sua argumentação. Há três tipos de repertório: baseado nos textos
motivadores, que são dados ao candidato na prova; pessoal, ou seja, afirmações que não possuem comprovação; e sociocultural, aquele legitimado por pesquisas, autoridades, documentos de valor jurídico, áreas do saber escolar e acadêmico (Geografia, História, Sociologia, Política, Filosofia, Artes, Literatura, Cultura...).
Os participantes que utilizam apenas repertório pessoal e/ou baseado nos textos de apoio ficam com 120 pontos, e aqueles que empregam repertório sociocultural já estão nas notas mais altas. A maneira como se emprega e articula o conhecimento de mundo é o que define se o aluno recebe 160 ou 200 nesta competência. A nota máxima é dada aos textos que possuem pelo menos uma informação baseada em áreas reconhecidas do saber, articulada de forma adequada à discussão e ao parágrafo, e que possuam comprovação ou legitimidade na argumentação como um todo.
• Você pode usar todos os tipos de repertório no seu texto. Isso significa que você pode gastar um parágrafo inteiro de argumentação empregando apenas afirmações pessoais e/ou ideias dos textos do apoio. No entanto, atente-se a dois riscos: a) caso você não use nenhum repertório sociocultural, sua redação não irá receber mais do que 120 pontos na C2. Ou seja: pelo menos em um dos argumentos, ou na introdução, deve haver o emprego de repertório sociocultural. Você pode saber mais sobre isso na nossa próxima aula, em que discutiremos exatamente esse ponto; b) mesmo que não haja repertório em cada parte da redação, é preciso que haja conhecimento usado para comprovar, que pode ser tomado dos textos motivadores.
• Se você empregar conhecimento sociocultural de modo produtivo em uma ou mais vezes ao longo da redação, mas, em outra parte do texto, utilizar outra informação de modo superficial, ou seja, desarticulado da discussão, sua nota será 160. Para tirar 200 aqui, não é suficiente conectar o que você sabe com a proposta: é preciso não cometer erros na argumentação, deixando ideias soltas ou sem comprovação.
• Uma redação segura busca articular informações dos textos de apoio e conhecimento sociocultural produtivo ao longo do texto. Isso previne possibilidades de se afastar do recorte proposto e garante as notas mais altas na C2.
• É natural que você busque empregar conhecimentos socioculturais mais de uma vez ao longo do texto (na introdução e em um argumento; nos dois argumentos; nos três primeiros parágrafos). Evidentemente, mais informações contribuem para um melhor texto, desde que estejam bem articuladas à discussão.
0 Tangente ao tema e incoerente
40 Tangente e coerente OUNão tangente e incoerente
Texto com apenas uma parte articu-lada (proposição, desenvolvimento, conclusão
Traços constantes de outros tipos textuais
80
Desorganizado E/OU contraditório E Argumentos desenvolvidos de forma muito limitada
Sem projeto de texto
120 Pouco organizado E Argumentos desenvolvidos de forma limitada Projeto com falhas
160 Organizado E Argumentos desenvolvidos com poucas falhas Projeto com poucas falhas + indícios de autoria
200 Bem organizado E Argumentos consistentes com rara falha Projeto estratégico+ configuração de autoria
Competência 3:
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar
informações, fatos, opiniões e argumentos em
defesa de um ponto de vista
A competência 3 é importantíssima na avaliação da sua redação. A construção de sentido dos seus parágrafos, o caminho textual que você estabeleceu e executou e os recursos argumentativos mobilizados compõem os critérios da C3. Espera-se que o participante seja capaz de avaliar a pertinência de seus repertórios, selecionar os argumentos mais adequados em relação à temática e ao seu ponto de vista, relacioná-los, organizá-los de forma clara e estratégica, além de interpretá-relacioná-los, desenvolvendo-os para uma efetiva defesa da sua opinião. Vejamos:
Os dois primeiros níveis, 40 e 80, são atribuídos apenas aos textos que não possuem um ordenamento lógico na argumentação (são amontoados de ideias desordenados ou que são contraditórias entre si) e que não trabalham adequadamente o tema. Ao longo das demais notas, a clareza na argumentação continua sendo um critério essencial, e apenas os textos com raras falhas são capazes de alcançar a nota 200.
O entendimento dos três maiores níveis leva em consideração dois conceitos
fundamentais: projeto de texto e configuração de autoria. Vamos a um de cada vez:
PROJETO DE TEXTO é o planejamento prévio à escrita da redação,
que se mostra subjacente no texto final. É um esquema que se deixa
perceber pela organização dos argumentos presentes no texto.
O projeto, então, é aquilo que você faz antes de começar a escrever, lendo o tema, pensando em seus argumentos, lendo os textos de apoio e ordenando as ideias para defender seu ponto de vista. Assim, espera-se que seja possível perceber na redação a presença implícita de um projeto, ou seja, que seja claramente identificável o caminho escolhido por quem está escrevendo para defender seu ponto de vista. Dessa forma, a percepção do projeto de texto, a clareza com que é possível reconhecer que esse texto foi pensado e organizado antes mesmo de ser escrito é essencial para a avaliação nessa competência. Vamos ao próximo:
AUTORIA é a característica do texto em que o aluno apresenta um
projeto estratégico e consegue cumprir com êxito o que foi programado,
de maneira organizada e consistente.
A autoria é algo que só pode ser medido após a redação estar completa e é basicamente o resultado dos seus esforços em ordenar os argumentos em um projeto bem
desenvolvido. O conceito de autoria se mostra relacionado ao projeto elaborado e ao desenvolvimento de informações, fatos e opiniões trazidos pelo participante para sua redação.
A partir disso, é importante ressaltar que a autoria não está vinculada ao fato de o participante trazer ou não conhecimentos além daqueles já presentes nos textos motivadores – esse aspecto do texto já é avaliado na Competência 2, quando se
analisam a presença e o uso do repertório sociocultural. Isso significa que uma redação que dá voz apenas aos textos motivadores pode ter autoria tanto quanto outra que traz conhecimentos de fora da proposta de redação.
O que é considerado na C3 é a forma como o texto é trabalhado – se é escrito de modo organizado, consistente e estratégico. Uma redação que traz diversos conhecimentos não apresentados nos textos motivadores pode não ser estratégica e, muitas vezes, sequer organizada e desenvolvida. Portanto, para atingir o nível máximo nesta
competência, o importante não é apenas o que o se mobiliza para a escrita, mas como se mobiliza (seleciona, relaciona, organiza e interpreta) aquilo que apresenta.
Agora que compreendemos os conceitos fundamentais que norteiam a avaliação da competência 3, voltemos às notas: 120 pontos são atribuídos a textos em que já se percebe um projeto: a tese aparece no início, há uma opinião global coerente. No entanto, o projeto é desorganizado e conta com argumentos pouco desenvolvidos. Para chegar a 160, o projeto já precisa estar mais claro e articulado, possuindo marcas de autoria, embora ainda com algumas falhas, que podem ser ideias soltas em parágrafos ou uma “sacada” da introdução que não foi retomada e aproveitada. Além disso,
falhas na argumentação continuam presentes, como informações mal relacionadas ou contextualizadas à discussão. A nota 200 vai para as redações que conseguem mobilizar as estratégias mais adequadas para defender seu ponto de vista em um projeto cujo caminho fica claro para o corretor.
0 Ausência de conexão –
incompreensível
40 Repertório coesivo rudimentarExcessivas repetições Excessivas inadequações
Ausência de recursos coesivos na maior parte do texto
80
Repertório coesivo limitado Muitas repetições
Muitas inadequações
Ausência de recursos coesivos em muitos momentos
120
Repertório coesivo pouco diversificado
Algumas repetições Algumas inadequações
Ausência de recursos coesivos em alguns momentos
Competência 4:
Demonstrar conhecimento dos mecanismos
linguísticos necessários para a construção da
argumentação
A Competência 4 é uma das que mais dá trabalho aos alunos. Ela avalia as marcas linguísticas que permitem a compreensão profunda do texto. Assim, os índices linguísticos que estabelecem relações, ligações, nexos entre os elementos textuais e permitem a adequada sequenciação e progressão de ideias são objeto da C4. Vamos entender melhor como se dá a avaliação:
160 Repertório coesivo diversificado Poucas repetições Poucas inadequações
Ausência de recursos coesivos em alguns momentos
200
Repertório coesivo bastante diversificado
Raras repetições Não há inadequações
Ausência de recursos coesivos em raros momentos – pelo menos dois itens de coesão sequencial por parágrafo
Antes de detalhar cada um dos níveis, é necessário compreender um conceito fundamental:
REPERTÓRIO COESIVO é o conjunto de recursos coesivos que o aluno é capaz de empregar no texto
O repertório coesivo é determinante para sua avaliação. Ele deve ser diversificado em dois níveis: em primeiro lugar, deve haver variados marcadores coesivos ao longo do texto; em segundo, seus recursos devem ser mobilizados para evitar repetição. Há dois principais tipos de recursos nesse campo: os coesivos sequenciais e os referenciais:
COESÃO SEQUENCIAL COESÃO REFERENCIAL
Itens linguísticos que estabelecem interdependência de sentido
Itens linguísticos que retomam termos mencionados
Conjunções:
Além disso, contudo, já que, porém (...)
Marcas de tempo/lugar/hierarquização do discurso:
Em primeira análise, em princípio, finalmente, contemporaneamente, no Brasil (...)
Pronomes demonstrativos, pessoais, possessivos:
Isso, essa, ele, sua (...)
Sinonímia, substituição e outros recursos
Isso significa que você deve empregar vários recursos desses dois tipos, atentando-se para a correção sintática e semântica das suas escolhas. Eles devem estar presentes em diversos níveis textuais: dentro de períodos; dentro de cada parágrafo, ligando um período ao outro; e entre um parágrafo e outro.
• Para tirar 200 na Competência 4, são necessárias três coisas: não cometer erros de retomada e de articulação; diversificar adequadamente seu repertório coesivo e não repetir termos em excesso. Um erro já deixa você em 160 pontos, assim como falta de conexão em parágrafos/períodos.
• Nem toda oração/frase precisa iniciar por conjunção/pronome. Às vezes, os alunos preocupam-se demais em marcar conexões e se esquecem de que elas simplesmente não são necessárias em alguns casos. Saiba exatamente por que você está usando cada conector!
• Se você tem dificuldades nessa parte, não se preocupe. É um estudo árido, mas, com o tempo, você conseguirá dominar esses recursos importantes e úteis. Aguarde as próximas aulas para maior aprofundamento!
• Faça sua própria lista de conectores mais usados, baseada nas suas redações. A partir dela, você poderá perceber melhor quais itens te faltam e estudar de modo mais direcionado.
Competência 5:
Elaborar proposta de intervenção para o problema
abordado, respeitando os direitos humanos
A competência 5 avalia a sua intervenção, ou seja, as propostas de solução para os problemas apresentados no texto, presente, via de regra, no último parágrafo. Aqui, avalia-se a sua capacidade de propor formas de atuação na sociedade de forma ética e responsável, demonstrando protagonismo na intervenção de questões científicas, sociais, políticas ou culturais.
Para a avaliação dos textos, são levados em consideração a presença de cinco itens: QUATRO elementos, que são a AÇÃO INTERVENTIVA; o AGENTE, o MODO/MEIO de execução dessa ação e seu EFEITO; e ainda um detalhamento da ação e/ou de seu modo/meio de execução. Tendo isso em mente, observe a gradação de notas na C5:
0
Ausência de proposta OU não relacionada
sequer ao assunto
40
Tangenciamento do tema OU1 elemento válido80
2 elementos válidos120
3 elementos válidos
160
4 elementos válidos OU
3 elementos válidos + detalhamento
200
4 elementos válidos + detalhamento
Em termos simples, então, a atribuição de nota da competência 5 é baseada na quantidade de itens presentes na proposta de intervenção. Não importa, aqui, se sua intervenção resolve ou não os problemas do texto (isso pode gerar penalidades, sim, mas apenas na competência 3). O importante, para fins de avaliação da C5, é a construção de uma proposta com os cinco itens essenciais: os quatro elementos
(AGENTE, AÇÃO, EFEITO, MODO/MEIO), que devem estar presentes em uma mesma proposta, e um DETALHAMENTO, que pode se referir a qualquer item da proposta.
Se você duplicar algum elemento (usar dois agentes, dois meios ou dois detalhamentos), eles contarão como um só. Mas, se faltar qualquer um dos itens, você será penalizado em 40 pontos.
Na aula 05, você verá em detalhes como fazer a proposta de intervenção com segurança e precisão!
A Sociologia de
Bauman aplicada
à redação
Zygmunt Bauman é esse senhor simpático,
famoso pela elaboração do conceito versátil de
“Modernidade Líquida” ou “Sociedade Líquida”. Seu
pensamento nos ajuda a entender diversos temas
da nossa sociedade, por isso, você terá contato
com essa sofisticada sociologia que irá ampliar o
seu entendimento sobre a realidade social, bem
como sua capacidade de construir argumentos
Quem foi Bauman?
Bauman foi um filósofo e sociólogo por formação, mas eu diria um “humanista” no sentido de seu amplo conhecimento sobre diversas áreas do saber. Nasceu na Polônia, em 1925, no contexto entreguerras marcado pela crise do Estado liberal e da ascensão dos regimes totalitaristas.Ainda jovem, integrou as tropas militares soviéticas atuando em batalhas na Segunda Guerra – chegou, inclusive, ao posto de major do Exército polonês. Filiou-se ao Partido Operário Unificado Polaco e fez a sua formação em filosofia e sociologia na Academia de Política e Ciências Sociais de Varsóvia.
Em 1953, foi excluído das forças armadas, devido ao envolvimento de seu pai com o projeto sionista de Israel. Desempregado, Bauman dedicou-se ao mestrado em
sociologia e tornou-se professor-assistente na universidade de Varsóvia. Afastou-se da ortodoxia marxista e aproximou-se de autores como Gramsci e Georg Simmel. Mais tarde abandonou a vertente marxista e passou a criticar o partido comunista polonês. Em 1968 é expulso da Polônia e vai fazer a sua carreira sociológica na Universidade de Leads, permanecendo nessa instituição até 1990, quando se aposenta.
O conceito de
modernidade líquida
Modernidade Líquida é o conceito principal de Zygmunt Bauman que perpassa diversas obras do autor, sendo consolidado na obra “Modernidade Líquida”. As reflexões
sobre o mundo líquido podem ser aplicadas a praticamente qualquer assunto da
contemporaneidade pós 2a Guerra Mundial. Assim, fica fácil para você, aluno do ENEM, já que qualquer tema que for cobrado em sua prova será um problema concernente a essa realidade.
Se há uma sociedade líquida, é porque em algum momento existiu uma sociedade sólida, não é mesmo? Nessa perspectiva, para fazer um contraponto de formatos de sociedade, Bauman vai dizer que a sociedade sólida é aquela que foi gerada pelo sonho iluminista, estruturado num projeto racional de sociedade, cuja confiança no progresso científico levaria a humanidade a desfrutar de uma sociedade livre e justa.
Ao longo da Idade Moderna, os pensadores tinham um projeto coletivo de organização da sociedade. Os filósofos iluministas liberais defendiam uma sociedade civil organizada pelas leis, as quais balizariam a ação humana e as ideias de liberdade e de igualdade.
Além disso, havia uma grande preocupação em discutir valores éticos e a emancipação do sujeito por meio do conhecimento.
Embora os meios fossem diferentes, a corrente marxista também defendia um projeto coletivo de sociedade para romper com a exploração por meio da atuação (práxis) dos proletários, com o objetivo de construir uma sociedade socialista que culminaria na liberdade do indivíduo e na erradicação das desigualdades sociais.
Essa ideia de progresso da humanidade, defendida tanto por autores liberais como por autores marxistas, se esvai após a Segunda Guerra Mundial. O ser humano foi colocado em seu lado mais sombrio, sendo o holocausto judaico o símbolo da desumanização. Em seguida, o mundo foi bipolarizado entre as duas superpotências: os EUA, representantes do modelo capitalista, e a URSS, representante do socialismo. Conquanto seja comum o termo “Guerra Fria”, sabemos que as décadas de 1950, 1960, 1970 e 1980 foram
marcadas por tensões e por muitos combates armados, com o risco iminente de uma guerra nuclear que poderia colocar a própria existência humana em xeque. Ademais, a globalização transformou a agenda política, econômica e cultural a partir da década de 1990, acentuando diversos conflitos.
O contexto descrito acima é a Modernidade Líquida defendida por Bauman, na qual a liquidez marca uma sociedade sem forma, sem projetos coletivos de transformação, permeada por incertezas e por medos.
Prof., de forma objetiva e didática, qual é o conceito de Modernidade Líquida?
Sociedade Líquida é um mundo
sem forma, de mudanças rápidas
e frequentes. É um momento de
incertezas, de medos, de ausência da
concepção de progresso e de projetos
coletivos para a humanidade. As relações
sociais e institucionais estão fragilizadas.
Consumo
A sociedade sólida, construída ao longo da Idade Moderna e início da Idade
Contemporânea, se mostrou ineficiente para concretizar os seus ideais de progresso e, com isso, foi surgindo o estado liquefeito de sociedade, no qual os padrões de referência, como Estado, classe, liberdade, igualdade foram incorporados pela lógica capitalista, por uma racionalidade instrumental.
Essa racionalidade instrumental acentuada pela globalização traz um paradoxo: a riqueza concentrada em um pequeno grupo social, enquanto a maioria da população vivencia a pobreza – isso se dá em escala mundial. Ademais, é uma sociedade que propaga a felicidade nos termos liberais de aquisição de bens materiais, de suprir os desejos por meio da conquista material. Porém, cada vez mais, há o avanço da infelicidade, traduzido no aumento de casos de depressão, ansiedade e suicídio.
Se por um lado o dinheiro é importante, porque sem ele nenhum indivíduo garante a sua existência material, sabemos que ele não pode ser compreendido como fonte de felicidade, uma vez que amizade, amor, companheirismo, confiança, lealdade, autoestima são valores essenciais ao ser humano que são construídos nas interações sociais, e não comerciais.
Nesse sentido, Bauman reforça no livro “A Arte da Vida”:
Uma vez que os bens capazes de tornar a vida mais feliz começam a se
afastar dos domínios não-monetários para o mercado de mercadorias,
não há como os deter; o movimento tende a desenvolver um impulso
próprio e se torna autopropulsor e autoacelerador, reduzindo ainda mais
o suprimento de bens que, pela sua natureza, só podem ser produzidos
pessoalmente e só podem florescer em ambientes de relações
humanas intensas e íntimas.
Não precisa ser um gênio para perceber que essa busca pela felicidade associada ao consumo de mercadorias se torna interminável, até mesmo
porque o mercado vive de novidade, ou seja, o novo é uma busca incessante para satisfazer e criar desejos. Nesse sentido, a obsolescência programada faz com que a solução seja a compra contínua.
Outra característica importante para Bauman é perceber que o mercado criou marcas de reconhecimento, isto é, comprar em determinada loja (grife) é mostrar que o indivíduo pertence a uma determinada posição social, além de ganhar o reconhecimento de seus pares ou de quem se pretende ser “melhor”. Assim, a identidade do indivíduo líquido se constrói em uma mudança constante baseada nas regras do consumismo.
Medo Líquido
Já vimos que para Bauman a sociedade líquida é caracterizada como a perda de crença no progresso, na expectativa de segurança e na possibilidade de confiança no outro, tornando as experiências sociais uma teia emaranhada de riscos e de incertezas. Esse quadro se manifesta principalmente após a Segunda Guerra Mundial e fica mais intenso com a implementação do Neoliberalismo e da Globalização a partir da década de 1970. Nesse contexto, o medo é intensificado: medo do desemprego, medo da violência urbana, medo de perder o amor do parceiro, medo de fracassar.
A globalização, segundo Bauman, possui duas polaridades: uma positiva, quando há auxílio mútuo entre cidadãos de diversos países e o compartilhamento de informações. Já a globalização negativa ocorre quando não há liberdade garantida, visto uma
suposta proteção de segurança. Nesse sentido, países desenvolvidos economicamente, principalmente aqueles que adotaram o Neoliberalismo, aplicaram boa parte de seus orçamentos em aparatos de segurança nacional contra as mais variadas ameaças (com destaque à repressão de movimentos sociais, aos “desclassificados do capitalismo” e ao terrorismo), o que desencadeia em seus cidadãos o pânico e o medo constantes.
Esse investimento crescente em segurança é acompanhado pelo desmonte do Estado de Bem-Estar Social, ou seja, o esvaziamento da presença do Estado na garantia dos direitos sociais.
Nesse contexto, os Estados-Nações são influenciados diretamente pelos interesses do Mercado, no qual o Estado, além de perder a sua soberania, permite que a lógica do Mercado defina políticas econômicas, sociais e culturais. Dessa forma, a globalização negativa, isto é, a globalização dos negócios (sistema financeiro), da imposição cultural e do terrorismo se espalha.
Os resultados desse processo são catastróficos, visto que há uma lógica que tenta minar a eficiência do Estado em detrimento de uma pureza do privado. Assim, a lógica mercantil prospera na medida em que há enfraquecimento dos serviços públicos, já que os serviços devem ser buscados na iniciativa privada. A indústria do medo que permeia as políticas de segurança movimenta bilhões, ou seja, é interessante incentivar uma sociedade que tenha medo, que invista nos aparatos particulares de segurança (cercas elétricas, câmeras de vigilância, contratação de seguranças, seguros, carros blindados, apoio às políticas de encarceramento, etc.).
Qual é a grande consequência? A população deixa de ser protegida pelo Estado de forma adequada, deixando de ser um Estado social e passando para um Estado prisional sem comprometimento nenhum em resolver efetivamente os problemas coletivos de segurança.
Entrevista
com Bauman
Que tal assistir a uma entrevista do Bauman? Com você, o simpático e fofo Bauman!
Entrevista concedida ao programa Observatório da Imprensa no ano de 2015.
Fonte: https://www.youtube.com/ watch?v=kM5p8DqgG80
Aplicação na redação
• Ok, prof., mas como eu utilizo as reflexões e os conceitos de Bauman na minha redação? • Vamos dar uma conferida em uma redação nota 1000. O aluno Vinícius Oliveira de Lima, na edição do Enem 2017, cujo tema foi “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”, fez o seguinte uso das reflexões de Bauman:
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Obrigado!
Breve comentário: o aluno utiliza o conceito de Modernidade Líquida para defender o seu tópico frasal de que o individualismo é a principal característica da sociedade, o que impede o reconhecimento de diferenças, uma vez que não há a percepção e o compromisso com o coletivo.
Outros exemplos: Além disso, é importante ressaltar que os discursos contrários ao
humanismo encontram respaldo na aversão ao outro, manifestada no xenofobismo, no etnocentrismo e no medo de possíveis ataques terroristas. Nesse sentido, conforme Zygmunt Bauman, essas posturas contribuem para a construção de uma sociedade que cada vez mais fica incerta e com variados medos.
Breve comentário: o candidato mostra que o terrorismo é uma das consequências da sociedade líquida, marcada pelo medo líquido, pelas mais variadas incertezas.
Outro aspecto importante é a reflexão sobre sustentabilidade, ideia difundida por governos, empresas e ONGs de que é possível existir crescimento econômico com a preservação de recursos naturais para as próximas gerações. No entanto, como reflete o pensador Zygmunt Bauman, isso só serve para manter a sociedade do consumo, e não para promover a construção de uma sociedade responsável ambientalmente.
Breve comentário: o aluno faz uma reflexão crítica a partir de Bauman, problematizando a possibilidade de crescimento econômico com uma real preocupação de conservação dos recursos do planeta. Ou seja, o argumento ficou bem crítico, uma vez que questiona se a ideia de sustentabilidade não é fundamentada somente na preocupação de
proporcionar as futuras gerações continuarem consumindo, não assumindo, assim, uma verdadeira preservação do meio ambiente.
Contudo, outro aspecto a ser destacado é que as mesmas redes sociais que encurtam distâncias descaracterizam um importante aspecto das relações humanas: o contato face a face. Isso, segundo o pensador Zygmunt Bauman, tem gerado pessoas mais individualistas, ou seja, que só pensam em si, além de doenças neurais como depressão e ansiedade, porque há uma necessidade crescente de reconhecimento e mudança no parâmetro de felicidade que, agora, é medido pela quantidade de comentários positivos ou de curtidas recebidas em uma postagem.
Breve comentário: o candidato faz uma reflexão de como o individualismo, característica da sociedade líquida, é acentuado no uso das redes sociais, trazendo consequências para as relações intrapessoais e interpessoais.