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Qualidade de vida das mulheres no climatério com endometriose

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Quality of life in women with endometriosis climacteric

Qualidade de vida das mulheres no climatério com endometriose

Calidad de vida en mujeres con endometriosis climaterio

ABSTRACT

Objective: To evaluate the quality of life of women in climacteric with endometriosis. Methodology: Descriptive, exploratory study with a qualitative approach performed with climacteric women with endometriosis in the city of Caxias - MA. Data collection took place between April and May 2016. The collected data were analyzed and processed by Iramuteq software. Results: Six women with a confirmed diagnosis of endometriosis participated in the study. Before the lexical analysis were identified 5 classes or categories: Perception of the women against the quality of life; Historical and contemporary knowledge of women living with endometriosis; Perception of women about the signs and symptoms of endometriosis; Difficulty encountered by women diagnosed with endometriosis and adherence to treatment and measures to improve the discomforts caused by endometriosis. Conclusion: The negative impact on the quality of life of women with endometriosis in the present study was due to the lack of specialized assistance for them.

RESUMO

Objetivo: Avaliar a qualidade de vida das mulheres no climatério com endometriose. Metodologia: Estudo descritivo, exploratório com abordagem qualitativa realizado com mulheres no climatério com endometriose na cidade de Caxias - MA. A coleta de dados ocorreu entre abril e maio de 2016. Os dados coletados foram analisados e processados pelo software Iramuteq. Resultados: Participaram do estudo 06 mulheres com diagnóstico confirmado de endometriose. Diante da análise lexical foram identificadas 5 classes ou categorias: Percepção das mulheres frente a qualidade de vida; Conhecimento histórico e contemporâneo das mulheres que vivem com endometriose; Percepção das mulheres sobre os sinais e sintomas da endometriose; Dificuldade encontrada pelas mulheres diagnosticadas com endometriose e Adesão ao tratamento e medidas para melhora dos desconfortos causados pela endometriose. Conclusão: O impacto negativo na qualidade de vida das mulheres com endometriose no presente estudo, se deu em virtude da falta de assistência especializada para as mesmas.

RESUMEN

Objetivo: Evaluar la calidad de vida de las mujeres en el climaterio con endometriosis. Metodología: Estudio descriptivo, exploratorio con abordaje cualitativo realizado con mujeres en el climaterio con endometriosis en la ciudad de Caxias - MA. La recolección de datos ocurrió entre abril y mayo de 2016. Los datos recolectados fueron analizados y procesados por el software Iramuteq. Resultados: Participaron del estudio 06 mujeres con diagnóstico confirmado de endometriosis. Ante el análisis léxico se identificaron 5 clases o categorías: Percepción de las mujeres frente a la calidad de vida; Conocimiento histórico y contemporáneo de las mujeres que viven con endometriosis; Percepción de las mujeres sobre los signos y síntomas de la endometriosis; Dificultad encontrada por las mujeres diagnosticadas con endometriosis y adhesión al tratamiento y medidas para mejorar las molestias causadas por la endometriosis. Conclusión: El impacto negativo en la calidad de vida de las mujeres con endometriosis en el presente estudio, se dio en virtud de la falta de asistencia especializada para las mismas.

Amanda Kauny Pereira da Silva¹ Márcia Sousa Santos² Mayron Morais Almeida³ Aryzaltina Silva Penha4

Rosalba Maria Costa Pessôa5

Carlos Augusto Silva Azevêdo6

¹Enfermeira. Faculdade de Ciências e Tecnologia do Maranhão – FACEMA. Caxias – MA, Brasil.

[email protected];

²Enfermeira, Mestre em Saúde da Família. Docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia do Maranhão (FACEMA). Caxias (MA), Brasil. [email protected]; ³Enfermeiro Graduado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia do Maranhão. Brasil [email protected];

4Enfermeira, Mestre em Genética e Toxicologia Aplicada. Caxias (MA), Brasil, [email protected];

5Enfermeira, Mestre em genética e toxicologia aplicada pela Universidade Luterana do Brasil- Rio Grande do Sul.

Docente da FACEMA. Teresina-PI, [email protected];

6Doutor em Ciências Biológicas; Professor Adjunto da Univ. Estadual do Maranhão e FACEMA,

Descriptors Evaluation. Quality of Life. Women.

Climacteric. Endometriosis. Descritores Avaliação. Qualidade de vida. Mulheres. Climatério. Endometriose. Descriptores Evaluación. Calidad de Vida. Mujeres. Climaterio. Endometriosis.

Sources of funding: No Conflict of interest: No

Date of first submission: 2017-10-06 Accepted: 2018-01-26

Publishing: 2018-03-20

Corresponding Address Márcia Sousa Santos Coordenação de Enfermagem Faculdade de Ciências e Tecnologia do Maranhão - FACEMA

R. Aarão Réis, 1000 - Centro, Caxias (MA), Brasil, CEP: 65606-020. Tel. (99) 3422-6800.

[email protected]

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INTRODUÇÃO

A endometriose constitui-se uma das patologias ginecológicas que possui maior grau de dificuldade para se diagnosticar, em virtude da demora no aparecimento dos focos nos órgãos acometidos e por seus sintomas serem confundidos com outras doenças que acometem o sistema reprodutor feminino. Assim, a endometriose é definida como uma doença ginecológica crônica, por apresentar

tecido endometrial fora da cavidade uterina,

principalmente nos ovários e ligamentos. É apontada pela anamnese, exame físico e exames complementares como: ultrassonografia e ressonância magnética(1).

Os sintomas quando presentes, podem trazer prejuízos físicos e emocionais em virtude das várias formas como a doença se apresenta: dismenorreia (dor na região pélvica em forma de cólicas), dispareunia (dor durante a relação sexual), disquesia (dor associados ao ato de defecação), dor avulatória, fadiga, problemas intestinais, os quais tendem a aparecer durante o período menstrual e pré-menstrual causando fortes dores, havendo melhora após o termino da menstruação (2). A certificação em caso de suspeita é dada através da cirurgia, que permite o diagnóstico com possibilidade da confirmação histológica, tratamento e classificação da doença (3).

Estima‐se que existe mais de 70 milhões de mulheres com endometriose no mundo, sendo este o principal motivo de hospitalização ginecológica em países

industrializados, portanto de clara importância

epidemiológica. Sua incidência é que de cada 10 mulheres 1 tem endometriose durante o seu ano reprodutivo e que a maioria dessas mulheres não foram diagnosticadas e nem tratadas (4).

A mulher no climatério com endometriose sofre com esse período de transição associado a ajustes hormonais, físicos, psicológicos e sociais. Podendo leva a quadros disfuncionais com alterações importantes no âmbito de saúde da mesma. Associa-se também com a piora da qualidade de vida, influenciando nos relacionamentos interpessoais por conta das fortes dores durante a relação sexual decorrente da endometriose, dor de cabeça, hipertensão e os calorões que antecedem a menopausa (5). Visando a conduta mais adequada diante dessa patologia e uma melhora favorável a vida das mulheres

acometidas, definiu-se como objetivo geral desse estudo avaliar a qualidade de vida das mulheres no climatério com endometriose em relação aos impactos que a doença causa na vida da mulher durante esse processo transitório. E assim como específicos, conhecer as causas da

endometriose, em uma prescritiva histórica e

contemporânea, descrever os principais diagnósticos de enfermagem, as formas de tratamento de acordo com as consequências na vida da mulher e discutir a qualidade de vida da mulher vivendo no climatério com endometriose no município de Caxias (MA).

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo descritivo, exploratório, com abordagem qualitativa realizado no município de Caxias (MA), situado ao leste do estado do Maranhão, Nordeste do Brasil.

A população do estudo foi composta por 06 mulheres portadoras de endometriose no climatério em duas unidades ambulatoriais de serviço de ginecologia do município de Caxias - MA. A amostragem foi do tipo não-probabilística, por conveniência.

Foram incluídas no estudo as mulheres que possuíam registro nos bancos de dados das unidades ambulatoriais de serviço de ginecologia, com diagnóstico confirmado de endometriose no climatério, com idade acima de 35 anos e com mais de 4 anos de escolaridade, que não apresentaram outras comorbidades associadas. Foram excluídas do estudo as mulheres que não assentiram em participar e que não comtemplavam os critérios anteriores.

Os dados foram coletados entre os meses de abril e maio de Julho de 2016 pelos pesquisadores responsáveis. O presente estudo foi realizado com mulheres que possuíam diagnostico confirmado de endometriose no climatério, com o propósito de avaliar a qualidade de vida de cada mulher através de uma entrevista contendo perguntas abertas e fechadas. Antes da realização da entrevista as mulheres foram orientadas sobre compromisso de responderem todas as perguntas com sinceridade, da importância da omissão de dados ou informações para fidedignidade da pesquisa. Para andamento da entrevista, as participantes assinaram

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voluntariamente o termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) conforme preconiza as leis para pesquisa dos seres humanos.

A análise dos dados passou por etapas previamente estipuladas: análise das falas dos sujeitos, anotações precisas para que nada fosse perdido, transcrição dos relatos para posterior submissão e análise do software

Iramutec (Interface de R pour lês Analyses

Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires),

desenvolvido na França por Pierre Ratinaud em 2009. O programa começou a ser usado no Brasil em 2013.

Trata-se de um programa que se ancora no

software R e permite diferentes formas de análises

estatísticas sobre corpus textuais e tabelas de indivíduos por palavras. O Iramuteq promove diferentes tipos de análises de simples à multivariadas, como a Classificação Hierárquica Descendente e organiza a distribuição do dicionário de palavras das falas das depoentes para uma fácil compreensão dos dados gerados na pesquisa (6).

O corpus foi formado pelo conjunto de textos a ser analisado, fragmentado, pelo software, em segmentos de texto. Durante a preparação do corpus foi realizado correções necessárias para a leitura e decodificações das variáveis fixas de acordo com o Tabela 1, a seguir.

Tabela 1: Banco de dados para decodificar variáveis. Caxias (MA), 2016.

IDADE RAÇA/COR ESCOLARIDADE PROFISSÃO HISTORICO FAMILIAR

Id: 1- (35) Id:2_(38) Id:3_(48) Id:4_(52) Id:_(44) Id:_(45) Ra:1- (negra) Ra:2- (parda) Ra:3-(branca)

Esc:1- (superior completo) Esc:2- (superior incompleto) Pro:1- (enfermeira) Pro:2- (técnica de enfermagem) Hf: 1- (sim) Hf: 2- (não)

Fonte: Pesquisa Direta, 2016.

O projeto de pesquisa trouxe riscos as mulheres no que dizem respeito ao constrangimento em responder algumas perguntas durante a entrevista e/ou dano emocional.

A pesquisa não trouxe benefícios diretos as participantes da pesquisa, porém, poderão servir para embasar cientificamente futuras ações que visem à melhoria da saúde das mulheres no climatério com endometriose.

Por se tratar de uma pesquisa com seres humanos o presente trabalho foi submetido para avaliação por um Comitê de Ética em Pesquisa, sendo aprovado sob o Nº de CAAE: 54097615.2.0000.8007, conforme preconiza a Resolução Nº 466/2012 do CNS/MS.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Das 06 participantes da pesquisa, todas eram portadoras de endometriose. A média de idade variou de 35 a 52 anos, onde 3 participantes (42,85%) eram de cor branca, em relação a escolaridade 5 participantes (58,14%) possuíam ensino superior e apenas 1 (14,29%) possuía ensino médio, com relação a profissão 5 participantes (85%) eram enfermeiras e 1 (14,29%) era técnica de enfermagem e todas as mulheres do presente estudo (100%) afirmaram não possuir histórico familiar de doença para endometriose, como mostra a Tabela 2.

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Tabela 2: Caracterização das participantes do estudo. Caxias (MA), 2015. (N=6). Variáveis N N % Idade 30 a 39 anos 6 2 33.33 40 a 49 anos 3 50 50 a 59 anos 1 16.66 Raça/Cor Branca 3 3 50 Parda 2 2 33.3 3 Negra 1 1 16.6 6 Escolarida de Ensino médio 1 1 16.66 Ensino superior 5 5 83.33 Profissão Sim 5 5 83.3 3 Não 1 1 16.6 6 História Familiar de doenças Sim 0 0 --- Não 6 6 100

Das Classes e suas Descrições

O corpus textual analisado e processado é formado composto de 6 unidades de contexto inicial (UCI) ou entrevistas dos quais se obtiveram 52 segmentos de texto ou unidades de contexto elementar (UCE). O Iramuteq reconheceu a divisão do corpus em 42 unidades de texto elementares, com aproveitamento de 80.77% do mesmo. A análise hierárquica descendente obteve a seguinte distribuição de classes ou contextos temáticos: a classe 5 que obteve um aproveitamento do corpus (19,1%) que engloba as classes 2 e 3 que se relaciona representando um aproveitamento do corpus (45,2%). As classes 1 e 4 são interligadas entre si e apresenta um aproveitamento do corpus de (35,8%). Os segmentos textuais ou unidades de contexto elementar (UCE) classificados foram divididos em 05 classes, conforme o dendograma representado na Figura 1.

Fonte: Pesquisa Direta, 2016

Figura 1 - Dendograma da Classificação Hierárquica Descendente por classes e unidades de contexto elementar com abordagem na avaliação da qualidade de vida das mulheres com endometriose no climatério, 2016.

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Classe 5: adesão ao tratamento e medidas para a melhora dos desconfortos causados pela endometriose.

A classe 5 obteve 5 de 30 UCEs, que equivalem a 19,1% do corpus textual que engloba a classe 3 e 2. As palavras mais frequentes das UCEs ou segmentos textuais selecionados pela frequência e pelos valores de x2 mais elevados na classe são: tratamento, diminuir, apenas, uso e desconforto.

A pesquisa revelou que as mulheres que aderiram a algum tipo de tratamento possuem resultados satisfatórios para com os desconfortos ocasionados pela endometriose, como podemos observar nas falas das depoentes abaixo:

O tratamento cirúrgico foi a melhor opção e o que trouxe resultados para diminuir os sintomas e me permitir engravidar e também o uso dos hormônios [...].

Eu hoje faço uso de hormônios para não menstruar, mas estou a 3 anos seguida fazendo uso dessas anticoncepcionais e considero que estou em fase de adaptação a medicação porque ela não funciona totalmente por causa dos escapes mas nas relações sexuais não e durante o período menstrual não sinto mais nenhum tipo de desconforto.

A adesão ao tratamento ameniza os sintomas pois a endometriose não tem cura e, muitas mulheres são levadas a antecipar a menopausa, devido a melhora dos desconfortos causados pela doença. Porém o tratamento pode acarreta para a mulher sofrimento físico em virtude de tal procedimento causar envelhecimento precoce (7). Ressalta-se que as mulheres enfrentam perda da autonomia a partir da condição da doença, o que dificulta na tomada de decisão e adesão ao tratamento estabelecido (8).

A dor pélvica é um dos principais sintomas mencionados pelas pacientes com endometriose, e o tratamento desses sintomas envolve terapêuticas cirúrgica radical e até mesmo sua suspenção por meio de recursos medicamentosos. Para tanto são empregadas medidas de promoção da saúde das mulheres, incluindo ações de saúde

que favoreçam a autonomia, conhecimento e

empoderamento das mulheres sobre estratégias que podem contribuir para uma melhor qualidade de vida.

As pessoas que convivem com endometriose necessitam aceitar o tratamento para se ter resultados positivos quanto as medidas de prevenção empregadas para resolutividade dos sintomas recorrente da referida patologia.

Classe 3: percepção das mulheres sobre os sinais e sintomas da endometriose.

A classe 3 obteve 10 de 42 UCEs, que equivalem a 23,81% do corpus textual relacionada diretamente com classe 2 englobada pela classe 5. As palavras mais frequentes das UCEs ou segmentos textuais selecionados pela frequência e pelos valores de x2 mais elevados na classe são: atar, melhora, notar, dor, relação.

O estudo demonstra que algumas das participantes da pesquisa conhecem os sintomas que provocam os desconfortos advindos da endometriose. No entanto, o conhecimento das mesmas sobre os sintomas foi bastante relevante como podemos observar nas falas das depoentes abaixo.

Dores no baixo ventre dor nas costas dor nas pernas dor durante a relação sexual dor para evacuar e uma vez por mês dores insuportáveis durante o período menstrual e que e uma doença que pode ser assintomática pra mim [...]

Se caracteriza por cólicas frequente dor pélvica e incomodando durante a relação sexual [...] Dor pélvica no baixo ventre náuseas vômitos por conta das dores as vezes até diarreia esses eram os sintomas que eu sentia e também desconforto na relação sexual.

Diante dos resultados a cima adscrito a maioria das pacientes relatam conhecimento dos sintomas da doença em virtude de serem sintomáticas ou sentirem algum tipo de desconforto durante e depois do período menstrual. Frente esses achados um estudo realizado em São Paulo com 310 pacientes destaca que 262 das participantes (84,5%) eram sintomáticas, constituindo-se a dor pélvica mais referido pelas pacientes, onde as mesmas referiram ainda conhecimento em virtude da convivência com os sintomas já a bastante tempo (9).

Alguns pacientes com endometriose não sabem distinguir os sintomas normais do período menstrual e os

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sintomas patológico. Isso acontece em virtude do aparecimento tardio dos sintomas e o desconhecimento da paciente sobre a doença ou distinguir os sintomas que à acomete.

Classe 2: conhecimento histórico e contemporâneo das mulheres que convivem com endometriose.

A classe 2 obteve 9 de 42 UCEs, que equivale a 21,43% do corpus textual relacionada diretamente com classe 3 englobada pela classe 5. As palavras mais frequentes das UCEs ou seguimentos textuais selecionados pela frequência e pelos valores de x2 mais elevados na classe são: intenso, menstrual, fluxo, mês e mais. Retiradas principalmente dos participantes que tem escolaridade e possuem ensino superior completo.

Observou nesta classe que as mulheres possuem conhecimento histórico e contemporâneo acerca da endometriose, pois em algum momento após a confirmação do diagnóstico para endometriose as mesmas buscaram conhecer melhor a doença.

É uma patologia que acomete a mulher durante a vida reprodutiva que varia de mulher para mulher umas possuem sintomas outras não possuem sintomas algum e esses sintomas são dores durante o período menstrual fluxo menstrual maior que o mensal pode a vim provocar diarreia vômitos náuseas entre outros sintomas [...] Endometriose e uma doença crônica conceituada por acometer as mulheres que demoram a ter filhos que adiam estas fazem da vida e isso acaba comprometendo a saúde.

A endometriose é uma patologia crônica, vinculada à produção hormonal, estrógeno dependente associada a fatores anatômicos, genéticos e imunológicos. Avalia-se que existem cerca de 70 milhões de mulheres com endometriose no mundo, e que de cada 10 mulheres 1 tem endometriose durante o seu ano reprodutivo e que a maioria dessas mulheres não foram diagnosticadas e nem tratadas (1).

A endometriose é considerada um problema de saúde pública no Brasil. Além do mais, constitui-se patologia crônica, dependente de estrógeno, caracterizada pela presença de tecido endometrial em sítios extra-uterino que se caracteriza ainda por variações clinicas da

doença entre as pacientes. Sua prevalência é de 5 a 15% nas mulheres no período reprodutivo e de 3% nas mulheres pós-menopausadas (7).

A endometriose é considerada uma patologia, crônica, portanto sem cura definitiva, com tratamento, porém, é responsável por causar sofrimento as portadoras. Nesse sentido, o quanto antes ela for identificada, certamente estará menos avançada do que poderia, permitindo aos profissionais mais chances de tratamento para conforto das pacientes o mais rápido possível (10). Classe 1: Percepção das mulheres frente a qualidade de vida.

A classe 1 obteve 7 de 42 UCEs, que equivalem a 16,67% do corpus textual relacionada diretamente com classe 4. As palavras mais frequentes das UCEs ou segmentos textuais selecionados pela frequência e pelos mais elevados na classe são: doença, bem, melhor, qualidade de vida.

O estudo demonstrou que algumas das mulheres possuíram melhora na qualidade de vida frente aos desconfortos provenientes da patologia. Dessa forma vali destacar frente aos resultados que as mesmas classificam melhora na sua qualidade de vida desde o convívio familiar até os desconfortos físicos ocasionados pela patologia. Como descrito a diante com base nas falas das pacientes.

Notei melhora em minha qualidade de vida só em relação as dores que diminuíram antes eram insuportáveis que não aguentava levantar ficava de cama durante o 1 dia e os outros dias sentia dor até o termino da menstruação isso prejudicava em um convívio social e abalava bastante o meu psicológico só em aliviar a dor considero uma melhora [...]

Sofri bastante com as dores principalmente durante as relações sexuais dificultando o meu convívio familiar considero minha qualidade de vida melhor porque não tenho mais sangramentos mensais em virtude de uma retirada total do útero e ovários por conta da doença já se encontra bem avançada.

A qualidade de vida relacionada à saúde é um conceito multidimensional que engloba aspectos físicos, psicológicos e sociais relacionados com a doença ou tratamento em particular. Dessa forma, a avaliação da

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qualidade de vida sobre o ponto de vista das pacientes torna-se relevante nessa situação clínica. Dessa maneira, à auto avaliação das pacientes permitem identificar se houve melhora satisfatória em sua qualidade de vida ou piora mediante a patologia (11).

O julgamento das mulheres sobre sua qualidade de vida é realizado de acordo com instrumentos que fazem uma avaliação global da paciente, questionando sobre sintomatologia e nível atual de funcionamento físico, psicológico e social, com o objetivo de investigar impacto da doença, quer em termos individuais, quer no que diz respeito à sua influência em determinada cultura e sociedade (12).

Portanto fica evidente que os instrumentos de avaliação possuem relevância para as pacientes com endometriose, pois através do mesmo pode ser avaliada as condições de bem-estar físico, psicológico e social da paciente. No entanto torna-se indispensável se fazer uso do mesmo visando oferta de melhorias para a saúde, pois nos resultados vimos que as mulheres conceituam bem sua qualidade de vida diante do instrumento avaliativo. Classe 4: dificuldade encontrada pelas mulheres diagnosticadas com endometriose.

A classe 4 obteve 8 de 42 UCEs, que equivalem a 19,05% do corpus textual relacionada diretamente a classe 1. As palavras mais frequentes das UCEs ou segmentos textuais selecionados pela frequência e pelos valores de x2 mais elevados na classe são: procurar, nunca, resolver e sofrer. O estudo demonstrou que nessa classe as mulheres possuíram dificuldade em conseguir um acompanhamento médico especifico, em virtude do desconhecimento da maioria dos profissionais.

Como não sabia que era endometriose procurei alguns médicos e todos diziam a mesma coisa que os sintomas que eu tinha era psicológico e que não era para me preocupar [...]

Depois de andar bastante procurando médico para tentar entender o que eu tinha resolvi procurar

um especialista que só perguntou os sintomas e disse você tem endometriose eu surpresa porque já tinha ouvido falar mais nunca procurei conhecer de verdade.

As pacientes que possuem endometriose relataram que no campo da saúde são poucos os profissionais capacitados para atender a população que possuem endometriose.

As práticas assistências deve atender à demanda da população, oferecendo um serviço mais eficiente e de qualidade com ofertas terapêuticas e não convencionais. Assim a qualidade de vida deve ser considerada como um fator de impacto frente as necessidades de saúde da população, bem como os diferentes, tipos e condições de saúde (13).

Para uma assistência de qualidade é necessário que os profissionais estabeleçam conhecimento para com a patologia dos pacientes, estabeleça vínculo e que saibam acolher. Nesse sentido é dever dos profissionais de saúde trabalhar a promoção da saúde de mulheres com endometriose, incluindo ações que podem contribuir para a sua qualidade de vida e minimizar os desconfortos ocasionados pela endometriose (14).

A análise de similitude fundamenta-se na teoria dos grafos, permitindo identificar as coocorrências entre as palavras e seu resultado traz indicações da conexidade entre as palavras, ajudando na identificação da estrutura de um corpus textual, caracterizando as partes comuns e as especificidades em função das variáveis descritivas identificadas na análise (15).

De acordo com Figura 2, a árvore é exibida na interface dos resultados da análise de similitude com a identificação das ocorrências simultânea entre as palavras e sugestões da conexidade entre os termos: e, dor, endometriose, menstrual, vida, não, porque, todos auxiliando na apresentação da composição do campo representacional na avaliação da qualidade de vida das mulheres com endometriose.

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ReonFacema. 2018 Jan-Mar; 4(1):798-807.

Figura 2: Resultados da análise de similitude.

Fonte: pesquisa direta, 2016.

De acordo a árvore de coocorrência, os resultados indicaram que avaliação da qualidade de vida das mulheres com endometriose frente a percepção das mesmas demonstrou que a doença causa indagações quando relacionada a assistência. Ainda de acordo com esses resultados observa-se que as mulheres conhecem a doença, os desconfortos causados, relatando ainda qualidade de vida frente a melhora desses desconfortos. A doença e a dor são condições crônicas, em que as mulheres exibem redução na qualidade de vida. Isso pode estar relacionada à ampla divulgação sobre os desconfortos provocados pela doença(16).

Entre os relatos, também estiveram presente temores e indagações quanto a demora para confirmação do diagnóstico, uma vez que as mesmas relatam haver escassez de assistência especializada para a referida patologia.

Tal preocupação quanto a gestão da prática médica torna-se relevante pois há muitos estudos publicados sobre a epidemiologia da endometriose, porém pouco se sabe sobre a gestão da doença na prática médica.

A assistência à essas mulheres é oferecida nas Unidades Básica de Saúde, pelos profissionais de enfermagem, onde os mesmos tem papel fundamental nas orientações as mulheres com endometriose, quanto à enfermidade, oferecendo sustentação à parte particular do diagnóstico, como classificação da doença de acordo com os sintomas referidos pelas pacientes.

A qualidade de vida relacionada a saúde é explicada por ser um fenômeno que acontece quando ocorre modificação nas limitações físicas, sociais, psicológicas uma expressão recorrente a alterações influenciadas pela doença que podem comprometer essa qualidade de vida, tratamento e outras intercorrências advindas (17).

Em se tratando do convívio social as mesmas relataram que o tratamento favoreceu a interação tanto familiar quanto com o parceiro frente ao ato sexual, já com relação análise psicológica houve melhora gradual em virtude das mesmas se fazerem entender a patologia, as formas de tratamento mesmo sabendo que é uma doença crônica e ainda, o amadurecimento para lidar com as citações que a patologia causa.

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ReonFacema. 2018 Jan-Mar; 4(1):798-807.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A avaliação da qualidade de vida das mulheres no climatério com endometriose, constitui-se um ponto bastante relevante e, com larga abrangência nos últimos anos, pois observamos que a questão essencial na análise desenvolvida, diz respeito a qualidade de vida frente aos sintomas, diagnostico e necessidade de assistência qualificada a essa população.

Dessa forma os profissionais de saúde desenvolvem papeis importantes, no que diz a respeito à assistência de saúde ao paciente, em que, os mesmos desenvolvem atividades voltadas para atender a população independente da patologia, ou seja, é uma equipe multiprofissional trabalhando em busca de um só objetivo que é prestar assistência de qualidade para que haja melhora na qualidade de vida dos pacientes seja na Unidade Hospitalar ou até mesmo na Estratégia de Saúde da Família.

No presente estudo observou-se a inexistência de uma assistência voltada para as mulheres com endometriose que mostram, mediante seu discurso, maior impacto na qualidade de vida em virtude de os serviços não serem voltados para o tratamento específico da endometriose com uma assistência especializada. As depoentes descrevem o seu modo de vida, a sua historicidade, a dificuldade enfrentada para alcançar qualidade de vida diante da patologia revelando que o diagnóstico tardio prejudica e dificulta o tratamento o que por consequência afeta negativamente a qualidade de vida das mesmas.

Torna-se relevante destacar que as ações de recuperação, promoção, prevenção e educação em saúde devem ser oferecidas a todos sem distinção de pacientes, no entanto, observa-se que as equipes multiprofissionais necessitam de conhecimentos de toda sua área de abrangência, para atuarem com qualidade, visando assim a melhora satisfatória para a vida das portadoras de endometriose.

Assim, o presente estudo trouxe subsídios para a compreensão da endometriose frente aos impactos que essa doença causa a qualidade de vida da mulher. Portanto, espera-se que os resultados do presente

estudo possam garantir grandes discussões acerca da temática abordada, além de oferecer embasamentos para as participantes da pesquisa sobre a patologia que as acomete, bem como servir de base para novos estudos, com objetivo de garantir alterações positivas ao se na qualidade de vida das mulheres com endometriose no climatério.

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