Aulas 5 e 6 / 28 e 30 de mar¸
co
1
Nota¸
c˜
ao de soma e produto
Como expressar a seguinte soma de uma maneira mais concisa? 12+ 22+ 33+ ... + 102 ?
Note que as parcelas s˜ao semelhantes, e que a ´unica coisa que varia ´e base do expoente. Quando temos uma soma em que a varia¸c˜ao de uma parcela para outra depende de uma ´
unica vari´avel, que cresce uma unidade a cada parcela, podemos usar a nota¸c˜ao de somat´orio:
1
X
j=1
0j2.
A vari´avel que aparece abaixo de σ indica o que mudar´a de parcela em parcela. O valor que ela come¸ca ´e o que aparece ao lado dela, com o sinal de igual. E o valor acima σ ´e o ´ultimo que ela atinge.
Exerc´ıcio 1. Escreva por extenso os seguintes somat´orios:
4 X k=1 k! 6 X n=2 sin(nπ) 0 X n=−2 4.
Muitas vezes a vari´avel n˜ao se altera de 1 em 1. Para generalizar, se S ´e um conjunto, o s´ımbolo
X
x∈S
f (x)
significa a soma de todos os valores f (x) obtidos quando x ∈ S. Exerc´ıcio 2. Seja S = {1, 3, 10}. Calcule
X
x∈S
x2.
Note que ´e poss´ıvel fazer altera¸c˜oes na disposi¸c˜ao dos ´ındices, ou acrescentar ou remover termos, ou ter restri¸c˜oes explicitadas em outras nota¸c˜oes. Considere os exemplos:
(i) n X k=1 (k + 1) = n + n X k=1 k = 2n + n−1 X k=1 k. (ii) n X i=1 i2 = n+1 X i=2 (i − 1)2. (iii) 10 X j=2 j3− 8 X k=1 k2 = 103+ 8 X j=1 (j + 1)3− 8 X k=1 k2 = 103 + 8 X j=1 (j + 1)3− j2
Igualmente, se desejarmos representar o produto de v´arios elementos, poderemos utilizar a nota¸c˜ao de produt´orio:
3
Y
k=1
k2 = 12· 22· 32 = 36.
Exerc´ıcio 3. Expresse o fatorial de n como um produt´orio.
2
Recorrˆ
encia
Uma rela¸c˜ao de recorrˆencia ´e uma maneira de definir uma sequˆencia de valores, cada um dos quais definidos a partir de alguns de seus antecessores. Por exemplo
(i) x1 = 2.
(ii) xn = 2xn−1+ 3.
Quando n = 2, teremos que x2 = 2x1 + 3 = 7. Agora podemos fazer n = 3, e teremos
x3 = 17.
Exerc´ıcio 4. Ache o x5 acima.
Exerc´ıcio 5. Expresse xn= n X k=1 k2+ 1 como uma rela¸c˜ao de recorrˆencia.
Exerc´ıcio 6. Expresse xn= n! como uma rela¸c˜ao de recorrˆencia.
Exemplo 1. A sequˆencia de Fibonacci ´e definida como uma rela¸c˜ao de recorrˆencia fn= fn−1+ fn−2.
Como a defini¸c˜ao envolve dois termos anteriores, ´e preciso dar pelo menos os dois primeiros valores da sequˆencia para podermos definir os demais:
f1 = 1 f2 = 1.
Mais para frente, voltaremos a falar mais em detalhes de certos tipos de recorrˆencia.
3
Indu¸
c˜
ao
Indu¸c˜ao matem´atica ´e uma t´ecnica muito poderosa para demonstrar propriedades expressas em termos de n´umeros inteiros positivos n. Basicamente, uma prova por indu¸c˜ao funciona da seguinte forma:
(ii) E ent˜ao mostramos que se a propriedade ´e verdadeira para um valor arbitr´ario de n, ent˜ao ela tem que ser verdadeira para n + 1.
Em outras palavras, imagine que existe uma propriedade P que depende de valores n ∈ Z+, e que desejamos mostrar que
∀n ≥ 1, P (n) = T. Para tal, o caminho ´e:
(i) Mostrar que P (1) = T .
(ii) Mostrar que P (n) = T ⇒ P (n + 1) = T .
Por exemplo, se n = 1 no ponto (ii), saberemos que P (1) ⇒ P (2). Como P (1) = T pelo ponto (i), segue que P (2) = T . Agora que sabemos que P (2) = T , olhamos para o ponto (ii) com n = 2. Sabemos por (ii) que P (2) = T ⇒ P (3) = T . Como, de fato, P (2) = T , segue que P (3) = T . E assim sucessivamente. O relevante de tudo isso ´e que basta mostrar (i) e (ii) e todos os casos seguir˜ao automaticamente.
A maneira de escrever uma prova por indu¸c˜ao ´e a seguinte: • Senten¸ca: ∀n ≥ 1, P (n) ´e verdadeira.
• Prova:
(i) “Caso base”: demonstra o caso espec´ıfico que P (1) ´e verdadeira. (ii) “Hip´otese indutiva”: declare o que ´e P (n).
(iii) “Conclus˜ao indutiva”: Mostra que P (n + 1) ´e verdadeira. Para tal, vocˆe pode usar todas as propriedades matem´aticas que vocˆe est´a acostumado, mas princi-palmente, vocˆe deve usar a senten¸ca P (n) escrita em (ii) como hip´otese.
Sem mais delongas, vamos come¸car a ver exemplos. Proposi¸c˜ao 1. Para todo inteiro n ≥ 1,
n X j=1 j = n(n + 1) 2 . Neste exemplo, P (n) : “ n X j=1 j = n(n + 1) 2 .” Demonstra¸c˜ao. Por indu¸c˜ao.
(i) Caso base: Se n = 1, temos que P1
j=1j = 1, e que 1(1+1)
2 = 1, portanto P (1) = T .
(ii) Hip´otese indutiva:
n
X
j=1
j = n(n + 1)
(iii) Conclus˜ao indutiva: Teremos que n+1 X j=1 j = 1 + 2 + 3 + .... + n + (n + 1) por defini¸c˜ao = (1 + 2 + 3 + ... + n) + (n + 1) propriedades da soma = n X j=1
j + (n + 1) defini¸c˜ao de somat´orio
= n(n + 1)
2 + (n + 1) POR HIP ´OTESE INDUTIVA
= n
2 + n + 2n + 2
2 manipula¸c˜ao alg´ebrica
= (n + 1)(n + 2)
2 manipula¸c˜ao alg´ebrica.
Isso encerra a prova.
Proposi¸c˜ao 2. Para todo inteiro n ≥ 1,
n
X
j=1
j2 = n(n + 1)(2n + 1)
6 .
Demonstra¸c˜ao. Por indu¸c˜ao.
(i) Caso base: Se n = 1, ambos os lados s˜ao iguais a 1. (ii) Hip´otese indutiva:
n
X
j=1
j2 = n(n + 1)(2n + 1)
6 .
(iii) Conclus˜ao: Teremos que
n+1 X j=1 j2 = 12+ 22+ 32+ .... + n2+ (n + 1)2 = (12+ 22+ 32+ ... + n2) + (n + 1)2 = n X j=1 j2+ (n + 1)2 = n(n + 1)(2n + 1) 6 + (n + 1)
2 POR HIP ´OTESE INDUTIVA
= 2n
3+ 3n2+ n + 6n2+ 12n + 6
6
= (n + 1)(n + 2)(2(n + 1) + 1) 6
Exerc´ıcio 7. Mostre que para todo n ≥ 0,
n
X
j=0
2j = 2n+1− 1.
Troque 2 por r, r > 2. Como a f´ormula precisa ser ajustada? Demonstre a nova f´ormula por indu¸c˜ao.
Vocˆe consegue resolver este exerc´ıcio de um jeito diferente?
Exerc´ıcio 8. (Desafio) Tente usar uma generaliza¸c˜ao dos exemplos acima e a id´eia da indu¸c˜ao pra achar uma f´ormula para
n
X
j=1
j3.
Proposi¸c˜ao 3. Se n ´e um inteiro positivo, ent˜ao 5 divide n5− n.
Demonstra¸c˜ao. Por indu¸c˜ao.
1. Caso base: com n = 1, n5− n = 0, e 5 divide 0. 2. Hip´otese indutiva:
5 divide n5− n. 3. Conclus˜ao: Note que
(n + 1)5− (n + 1) = n5+ 5n4+ 10n3+ 10n2+ 4n.
Nosso objetivo ´e usar a hip´otese indutiva, e para isso, precisamos fazer n5− n aparecer.
Manipulamos ent˜ao para obter
(n + 1)5− (n + 1) = (n5− n) + 5n4+ 10n3+ 10n2+ 4n + n.
Por hip´otese indutiva, 5 divide n5−n. Os demais termos possuem coeficientes m´ultiplos
de 5, portanto 5 divide todos os termos da soma, e logo 5 divide tudo. Mais tecnicamente, por indu¸c˜ao, existe k tal que 5k = n5− n. Logo
(n + 1)5− (n + 1) = 5(k + n4+ 2n3 2n
2+ n).
Exerc´ıcio 9. Mostre que para todo n ≥ 0, 4 divide 5n− 1.
Exerc´ıcio 10. Vamos mostrar que 8 sempre divide 32n. Nossa hip´otese indutiva ´e 8|32n.
Para a conclus˜ao, faremos
32(n+1) = 32n+2 = 9 · 32n = 32n+ 8 · 32n.
Como 8 divide 32n por hip´otese indutiva, e 8 divide 8 · 32n, segue que 8 divide 32(n+1). Fim
da demonstra¸c˜ao. T´a certo isso a´ı?
Proposi¸c˜ao 4. Para todo n ≥ 4, segue que 2n< n!.
Demonstra¸c˜ao. 1. Caso base: Se n = 4, ent˜ao 2n = 16 e n! = 24. Logo 2n < n! para
n = 4.
2. Hip´otese indutiva: 2n < n!. 3. Conclus˜ao:
2n+1 = 2n· 2
< n! · 2 por hip´otese indutiva, < n! · (n + 1) porque 2 < n + 1 para n ≥ 4. = (n + 1)!
. Exerc´ıcio 11. Torres de Hanoi ´e um jogo em que trˆes pe¸cas de tamanhos diferentes s˜ao empilhadas em uma das trˆes torres. A maior embaixo, a menor no topo. O objetivo ´e mover as trˆes pe¸cas para a ´ultima torre. Para tal, s´o ´e permitido mover uma pe¸ca por vez, e uma pe¸ca nunca pode ficar sobre uma pe¸ca menor. Veja o exemplo abaixo de como resolver o jogo:
E se ao inv´es de 8 pe¸cas existirem n pe¸cas? ´E poss´ıvel? Quantas jogadas ser˜ao necess´arias para resolver? Fa¸ca um chute e depois prove por indu¸c˜ao.
Exerc´ıcio 12. Prove que 13 sempre divide 3n+2+ 42n+1, para qualquer n ≥ 0.
Exerc´ıcio 13. Ache um inteiro N0 tal que para todo n ≥ N0, n2 > 2n + 1. Prove por
indu¸c˜ao.
Fa¸ca o mesmo para a propriedade 2n> n2. Exerc´ıcio 14. Um triomin´o ´e um pe¸ca da forma
Prove que um tabuleiro quadricular de 2n×2n, n > 0, sempre pode ser cobertos por triomin´os,
desde que removamos um ´unico quadrado.
Dica: um tabuleiro de tamanho 2n+1× 2n+1 ´e obtido juntando 4 tabuleiros de tamanho
2n× 2n.
Exerc´ıcio 15. Prove que um quadrado perfeito ´e sempre a soma de n´umeros ´ımpares con-secutivos.
Exerc´ıcio 16. Prove que, para todo n ≥ 1,
n X j=1 j 2j = 2 − n + 2 2n .
Exerc´ıcio 17. Considere o produto
n Y j=2 1 − 1 j2 .
Teste alguns valores, conjecture uma f´ormula, e prove esta f´ormula por indu¸c˜ao. Exerc´ıcio 18. Mostre que para todo n > 1,
1 + 1 4+ 1 9+ ... + 1 n2 < 2 − 1 n. Exerc´ıcio 19. Considere a seguinte proposi¸c˜ao
• Todos os carros de Belo Horizonte tem a mesma cor. Vamos provar este fato por indu¸c˜ao.
1. Caso base: Se s´o houvesse um carro em Belo Horizonte, certamente todos os carros teriam a mesma cor.
2. Hip´otese indutiva: Todo conjunto de n carros em Belo Horizonte tem a mesma cor. 3. Conclus˜ao: Considere um conjunto com n + 1 carros em Belo Horizonte. Digamos que
eles sejam
C1 C2 C3 Cn Cn+1
Os primeiros n carros, do C1 ao Cn, tem a mesma cor por hip´otese indutiva. Os ´ultimos
n carros, do C2 ao Cn+1, tamb´em possuem a mesma cor, por hip´otese indutiva. Como
C2, por exemplo, est´a em ambos os conjuntos, segue que Cn+1 ´e da mesma cor que os
Bem, ser´a que todos os carros de Belo Horizonte tem a mesma cor? Ou ser´a que o princ´ıpio da indu¸c˜ao matem´atica est´a errado? Ou talvez “essas coisas de l´ogica” n˜ao se aplicam ao mundo real?!!
Descubra o que aconteceu.
Exerc´ıcio 20. Esse ´e o meu favorito.
H´a uma ilha onde mora uma tribo com 1000 pessoas. 100 delas tem olho azul, 900 tem olhos marrons. Entretanto a religi˜ao deles pro´ıbe que cada habitante saiba a cor dos seus olhos, ou mesmo que o tema seja discutido. Os portugueses ainda n˜ao chegaram nessa ilha, ent˜ao eles n˜ao possuem espelhos, ou qualquer outra superf´ıcie refletora. Assim, cada habitante sabe a cor dos olhos de todo mundo, menos a sua.
Se um habitante da tribo descobrir por algum acaso a cor do seus olhos, este habitante precisa cometer suic´ıdio no dia seguinte, ao meio dia, na pra¸ca central, para que todos vejam. Todos os habitante s˜ao l´ogicos, inteligentes, religiosos, e sabem que os outros habitantes tamb´em s˜ao, e sabem que os outros habitantes sabem que todos s˜ao, e assim sucessivamente.
´
E um pessoal bem inteligente mesmo.
Um belo dia um n´aufrago de olhos azuis foi parar na ilha. A tribo o ajuda, mas ele, sem conhecer os costumes da tribo, comete a gafe de, ao discursar em agradecimento para toda a tribo, fazer o seguinte coment´ario:
• Que grata surpresa ver outra pessoa de olhos azuis, como eu, nesta ilha t˜ao remota. O que acontece com a tribo?
(ap´os resolver, ou n˜ao, este desafio, v´a ler na wikipedia sobre “Common Knowledge”).
4
Indu¸
c˜
ao forte
Muitas vezes, n˜ao basta usar o caso anterior para provarmos o pr´oximo. Pode ser necess´ario usar alguns ou todos os casos anteriores para provarmos o pr´oximo. Considere primeiramente o exemplo abaixo.
Proposi¸c˜ao 5. Suponha que a sequˆencia {xn} ´e definida por x1 = 0, x2 = 30, xn =
xn−1+ 6xn−2, para n ≥ 3. Mostre que
xn= 2 · 3n+ 3 · (−2)n.
Demonstra¸c˜ao. Vamos primeiro ir como antes:
(i) Caso base: x1 = 0 e x2 = 30 ambos satisfazem a f´ormula.
(ii) Hip´otese indutiva: xn= 2 · 3n+ 3 · (−2)n.
(iii) Conclus˜ao: Pela recorrˆencia, temos
xn+1 = xn+ 6xn−1.
Usando a hip´otese indutiva, o melhor que conseguimos ´e: xn+1 = 2 · 3n+ 3 · (−2)n+ 6xn−1.
O que fazemos com xn−1 ? A id´eia aqui ´e trocar nossa hip´otese indutiva, para que ela
contemple todos os valores at´e o n + 1:
(ii) Hip´otese indutiva: Para todo k ≤ n, temos xk = 2 · 3k+ 3 · (−2)k. Agora voltamos.
Temos
xn+1 = xn+ 6xn−1.
Aplicando a hip´otese indutiva para k = n e k = n − 1, teremos
xn+1 = xn+ 6xn−1 defini¸c˜ao
= 2 · 3n+ 3(−2)n+ 6 2 · 3n−1+ 3(−2)n−1 hip´otese indutiva em ambos os termos!! = 2 · 3n+ 3(−2)n+ 4 · 3n− 9(−2)n manipula¸c˜ao
(aten¸c˜ao `a mudan¸ca de sinal)
= 6 · 3n− 6(−2)n manipula¸c˜ao
= 2 · 3n+1+ 3(−2)n+1 manipula¸c˜ao
Exerc´ıcio 21. Definimos x1 = 11, x2 = 23, e xn= xn−1+ 12xn−2, para n ≥ 3. Mostre que,
para todo n ≥ 1, temos
xn= 2 · 4n− (−3)n.
´
E preciso tomar muito cuidado com os casos base necess´arios!!
Proposi¸c˜ao 6. Todo inteiro maior que 7 pode ser escrito como a soma de dois m´ultiplos n˜ao negativos de 3 e 5.
Demonstra¸c˜ao. (i) Caso base: de fato, 8 = 5 + 3.
(ii) Hip´otese indutiva: Para todo 8 ≤ k ≤ n, o n´umero k pode ser escrito como 5x + 3y, onde x e y s˜ao inteiros n˜ao-negativos.
(iii) Conclus˜ao: Note que n + 1 = (n − 7) + 8. Por hip´otese indutiva, h´a inteiros n˜ao negativos tais que
n − 7 = 5x + 3y. Ent˜ao
n + 1 = 5x + 3y + 8 = 5x + 3y + 5 + 3 = 5(x + 1) + 3(y + 1). Ser´a que esta prova est´a OK?
H´a um erro relevante na prova acima, ainda que a proposi¸c˜ao seja verdeira. Vamos consertar o erro. Note que se n = 9, ent˜ao n − 7 = 2. A hip´otese indutiva s´o permite que digamos que n´umeros k entre 8 e n podem ser escrito como 5x + 3y onde x e y s˜ao n˜ao-negativos. Ent˜ao o argumento na conclus˜ao n˜ao pode mostrar o caso n = 9!!
De fato, ele s´o se aplica a n´umero n maiores que 15, para que n − 7 ≥ 8. Ent˜ao ´e necess´ario checar manualmente que o resultado ´e verdadeiro para todos os n´umero entre 8 e 15. A prova deve ser, portanto, assim:
(i) Casos base: 8 = 5 + 3, 9 = 0 · 5 + 3 · 3, 10 = 2 · 5 + 0 · 3, 11 = 5 + 2 · 3, 12 = 0 · 5 + 4 · 3, 13 = 2 · 5 + 3, 14 = 5 + 3 · 3, e 15 = 3 · 5 + 0 · 3.
(ii) Hip´otese indutiva: Para todo 8 ≤ k ≤ n, o n´umero k pode ser escrito como 5x + 3y, onde x e y s˜ao inteiros n˜ao-negativos.
(iii) Conclus˜ao. Seja n ≥ 16. Note que n + 1 = (n − 7) + 8. Note que n − 7 ≥ 8, ent˜ao podemos aplicar a hip´otese indutiva para n − 7. Ent˜ao existem x, y ∈ Z≥0 tais que
n − 7 = 5x + 3y. Ent˜ao
n + 1 = 5x + 3y + 8 = 5x + 3y + 5 + 3 = 5(x + 1) + 3(y + 1).
Exerc´ıcio 22. Mostre que todo inteiro ≥ 9 pode ser escrito como 3x + 4y, com x, y inteiros positivos.
Exerc´ıcio 23. Considere o jogo em que duas pessoas jogam, uma contra a outra. H´a 37 moedas empilhadas. Em cada rodada, uma pessoa remove de 1 a 4 moedas da pilha. Ganha quem remove por ´ultimo.
Existe uma estrat´egia sempre vitoriosa? Quem ganha? Quem come¸ca ou quem vai depois?
E se forem n moedas? Qual a estrat´egia para a vit´oria? Use indu¸c˜ao.
Exerc´ıcio 24. Relembre a sequˆencia de Fibonacci, dada por {fn} onde f1 = 1, f2 = 1 e
fn= fn−1+ fn−2 para n ≥ 3. Use indu¸c˜ao para mostrar os resultados abaixo:
(a) Para todo n ∈ N, fn+1<
7 4 n . (b) Para n ≥ 2, f1 + f2+ .... + fn−1 = fn+1− 1. (c) Seja a = 1 + √ 5 2 e b = 1 −√5
2 . Para todo n ∈ N, mostre que fn=
an− bn
√ 5 . Dicas:
(a) Use que, para n ≥ 2, 7 4 n = 49 16 7 4 n−2 > 7 4 n−1 + 7 4 n−2 . (b) Note que n−2 X i=1 fi+ n−3 X i=1 fi = f1+ n−3 X i=1 (fi+ fi+1).
Exerc´ıcio 25. (Desafio) Considere uma longa rodovia circular que possui alguns postos de gasolina no caminho. Todos juntos, os postos cont´em exatamente a quantidade de gasolina necess´aria para dar uma volta na rodovia. Seu tanque est´a vazio, mas cabe muito mais gasolina do que o necess´ario para dar a volta completa. Mostre que existe um posto onde vocˆe pode come¸car, encher seu tanque com o total do posto, e ser´a poss´ıvel dar uma volta completa na rodovia.