ESTÁ DIMINUINDO
A ESPERANÇA DE VIDA PAULISTA?
Carlos Eugenio de Carvalho Ferreira1 Luciane Lestido Castiñeiras2
1 INTRODUÇÃO
A elaboração de estimativas da esperança de vida ao nascer para o Estado de São Paulo e suas regiões administrativas em 1996 permitiram uma comparação com as estimativas anteriores para 1991 e revelaram uma situação geral de estagnação ou mesmo de diminui-ção em algumas regiões do Estado. Este fenômeno torna-se mais evidente quando focalizamos separadamente a população masculina que continua apresentando níveis crescentes de mortalidade em faixas etárias entre 10 e 50 anos de idade. A população feminina apresentou, por sua vez, ganhos relativamente pequenos e evidências de estagna-ção que refletem também o agravamento da mortalidade nas mesmas faixas etárias.
O aumento das mortes precoces vem modificando o padrão da mortalidade paulista e roubando anos médios de vida da população. A constatação de continuidade destas tendências suscita a indagação: está diminuindo a esperança de vida da população paulista?
O objetivo deste trabalho é apresentar elementos mais atualizados para uma reflexão das tendências recentes da esperança de vida ao nascer em São Paulo.
Este indicador tem sido muito utilizado pelos demógrafos para sintetizar, por intermédio de uma única cifra, as condições de mortalidade que prevalecem na população em um determinado mo-mento, uma vez que é de fácil compreensão e reflete um conceito muito concreto – o tempo de vida médio de um ser humano. Por outro lado, trata-se de uma construção abstrata desenvolvida a partir de um
1 Demógrafo, Analista da Fundação Seade. 2 Analista da Fundação Seade.
modelo – a tábua de mortalidade de momento –, já que nenhuma geração real viveria desde o nascimento até a sua extinção total sob as mesmas condições de mortalidade. A principal vantagem deste indica-dor é a de não sofrer influência da estrutura etária da população e de permitir, portanto, uma comparação adequada no tempo e no espaço. As estatísticas de mortalidade produzidas pela Fundação Seade possibilitam a construção periódica de tábuas de mortalidade de momento e, conseqüentemente, o acompanhamento da esperança de vida e outros indicadores mais detalhados da mortalidade ao longo do tempo. As tábuas disponíveis referem-se ao período 1940-96, sendo que para 1970, 1980, 1991 e 1996 foram também desagregadas por regiões administrativas.
2 A EVOLUÇÃO DA ESPERANÇA DE VIDA AO NASCER NO ESTADO DE SÃO PAULO
Em 1940, a esperança de vida ao nascer do Estado de São Paulo era de 44,29 anos para a população masculina e de 46,68 anos para a feminina. Em 1996, estas cifras passaram a 64,78 e 73,69 anos, respectivamente. Isto significa um acréscimo de cerca de vinte anos e meio de vida média para os homens e vinte e sete anos para as mulheres. Embora seja um progresso considerável, São Paulo ainda conserva uma distância importante com relação às sociedades mais desenvolvidas. Como exemplo, verifica-se que o Estado de São Paulo, em 1996, situava-se no patamar de esperança de vida alcançado pela França em torno de 1960. Esta defasagem certamente foi agravada pelas crises e retrocessos ocorridos durante o processo evolutivo da mortalidade no estado, como o aumento da mortalidade infantil du-rante quase dez anos desde meados da década de 60 e, mais recente-mente, a explosão de mortes por violência na população masculina, causando uma elevação significativa da mortalidade sobretudo entre 15 e 49 anos.
A evolução da esperança de vida no período 1940-96 carac-teriza-se por ganhos importantes de anos de vida média, nas décadas de 40 e 50, e por uma diminuição sistemática desses ganhos ao longo das décadas subseqüentes (Tabela 1).
É conhecido o impacto positivo sobre as condições de saúde durante as décadas de 40 e 50, causado pelas medidas adotadas na área da saúde pública e do saneamento básico pela introdução dos antibió-ticos e pela conseqüente redução da incidência e letalidade, ou mesmo erradicação, de muitas doenças infecciosas e parasitárias. Desta for-ma, as mortes precoces foram reduzidas substancialmente com refle-xos diretos sobre a vida média da população. A população infantil, que geralmente representa o setor populacional mais sensível às agressões do meio ambiente, foi beneficiada pela redução muito rápida dos riscos de morte por doenças infecciosas, que produziu um impacto decisivo no mecanismo demográfico de elevação da esperança de vida ao nascer, ou seja, a transferência da morte de uma idade mais jovem para outra mais avançada.
Durante a década de 60 e a primeira metade da de 70, os fatores determinantes do processo já não produziam os mesmos efei-tos. Em primeiro lugar, foi alcançada uma redução importante da incidência das doenças infecciosas, de forma que os ganhos, a partir daí, passaram a ser sistematicamente menores. Em segundo, o rápido crescimento populacional das cidades não foi acompanhado pela ex-pansão, no mesmo ritmo, da infra-estrutura urbana de serviços bási-cos. Isto acarretou um rápido processo de deterioração da qualidade de vida nos setores periféricos das grandes cidades, aumentando sensivelmente os diferenciais de mortalidade entre o centro e a
peri-Tabela 1
EVOLUÇÃO DA ESPERANÇA DE VIDA AO NASCER ESTADO DE SÃO PAULO
1940-1996 (em anos)
Anos População masculina População feminina
Diferenças entre os sexos e0 ∆ e0 ∆ e0 (fem.) – e0 (masc.) 1940 44,29 – 46,68 – 2,39 1950 52,75 8,46 55,89 9,21 3,14 1960 59,04 6,29 63,67 7,78 4,63 1970 59,32 0,28 65,48 1,81 6,16 1980 63,30 3,98 70,02 4,54 6,72 1991 64,87 1,57 73,24 3,22 8,37 1996 64,78 –0,09 73,69 0,45 8,91 Fontes: Ferreira (1980), Ortiz, Yazaki (1984), Ferreira, Castiñeiras (1997 e 1998).
feria urbana. Como reflexo direto destes fatores e do agravamento das condições socioeconômicas, a mortalidade infantil inverteu a tendên-cia histórica e passou a apresentar aumentos sistemáticos desde meados da década de 60 até a primeira metade dos anos 70. Porém, ainda na década de 70, as intervenções governamentais na área da saúde, com ênfase na expansão da rede de água e esgoto, da rede de serviços básicos, de atendimento médico-sanitário, da cobertura de vacinas etc. resultaram em ganhos estatisticamente mais visíveis
através dos indicadores de saúde. Este novo comportamento interfe-riu, de forma direta, na diminuição das taxas de mortalidade infanto-juvenil e adulta e no aumento da esperança de vida calculada para 1980. A eliminação de mortes tão precoces teve um forte impacto na esperança de vida ao nascer, representando uma retomada do processo anterior, após um longo período de retrocesso da mortalidade infantil.
3 A TENDÊNCIA RECENTE
Durante a década de 80, continuou a tendência de redução dos riscos de morte da população infanto-juvenil, o que representou uma contribuição importante para o crescimento da esperança de vida ao nascer. Nas demais idades, entretanto, observa-se aumento da mortalidade na faixa etária de 15 a 39 anos da população masculina e quase estabilidade naquela acima dos 40 anos. Este aumento provocou uma redução nos ganhos líquidos de vida média da população mascu-lina no período 1980-1991. Para a população feminina, registrou-se redução da mortalidade em todas as faixas etárias, resultando, por-tanto, em ganhos mais elevados de esperança de vida para as mulheres (ver Gráfico 1).
No período mais recente, 1991 a 1996, ocorreu um agrava-mento geral, tanto para a população masculina quanto para a femini-na. O aumento dos riscos de morte da população masculina, nas faixas etárias entre 10 e 49 anos, acabou por neutralizar os ganhos obtidos com a redução da mortalidade infantil. A esperança de vida ao nascer da população masculina do Estado permaneceu praticamente constan-te nesconstan-te período. Por sua vez, a população feminina apresentou uma situação inédita: reversão da tendência histórica de queda da morta-lidade que passou a aumentar, nas faixas etárias entre 10 e 44 anos. Isto reduziu drásticamente os ganhos de vida média feminina neste período.
Gráfico 1
EVOLUÇÃO DAS PROBABILIDADES DE MORTE q(x), SEGUNDO IDADE E SEXO
ESTADO DE SÃO PAULO – 1940-1996
Fonte: Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados – Seade.
Homens 0,001 0,010 0,100 1940 1950 1960 1970 1980 1991 1996 Mulheres 0,001 0,010 0,100 1940 1950 1960 1970 1980 1991 1996 5-9 10-14 15-19 20-24 25-29 30-34 35-39 40-44 45-49 Homens 0,010 0,100 1,000 1940 1950 1960 1970 1980 1991 1996 Mulheres 0,010 0,100 1,000 1940 1950 1960 1970 1980 1991 1996 50-54 55-59 60-64 65-69 70-74 75-79
Cabe destacar a mudança de tendência da mortalidade da população de 10 a 14 anos, historicamente sempre decrescente, que passou a exibir acréscimo entre 1991 e 1996. As faixas etárias 40-44 e 45-49 da população masculina também inverteram a tendência ante-rior e passaram a exibir acréscimos.
4 AS MUDANÇAS NO PADRÃO ETÁRIO DA MORTALIDADE
Com o objetivo de caracterizar o resultado do impacto destas tendências no padrão etário da mortalidade paulista foram representadas as probabilidades de morte q(x) masculinas e femininas para todas as faixas etárias qüinqüenais até 75-79 anos.
O conjunto de curvas (Gráfico 2) demonstra as mudanças no padrão masculino causadas pela tendência de aumento da morta-lidade nas faixas etárias identificadas anteriormente. Cabe destacar que, nas faixas etárias de 15 a 19 e 20 a 24 anos, as probabilidades de morte q(x), em 1996, superam os níveis observados 40 anos antes. Trata-se de um retrocesso muito intenso nos níveis de mortalidade, que distorce o padrão anterior da mortalidade masculina, diferencian-do-o fortemente do padrão de mortalidade feminina, que ainda se mantém próximo do perfil das décadas anteriores. Esta tendência também vem ocorrendo em outros países, inclusive nos mais desen-volvidos, porém, em geral, com intensidade inferior à de São Paulo e está diretamente associada à evolução de algumas causas de morte que serão analisadas em seguida.
5 AS PRINCIPAIS CAUSAS DE MORTE POR IDADE
Diante da rápida elevação dos níveis de mortalidade, nas idades mencionadas, cabe examinar mais detalhadamente as tendên-cias das principais causas de morte no Estado, com o objetivo de uma melhor caracterização do comportamento evolutivo de cada uma delas, em especial o grupo das causas externas e Aids.
Gráfico 2
PROBABILIDADES DE MORTE q(x), POR SEXO ESTADO DE SÃO PAULO – 1950-1996
Fonte: Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados – Seade. 0 ,0 0 1 0 ,0 1 0 ,1 1 0 1 5 1 0 1 5 2 0 2 5 3 0 3 5 4 0 4 5 5 0 5 5 6 0 6 5 7 0 7 5 1 9 5 0 1 9 8 0 1 9 9 1 1 9 9 6 H o m e n s I d a d e q ( x ) 0 ,0 01 0 ,0 1 0 ,1 1 0 1 5 1 0 1 5 2 0 2 5 3 0 3 5 4 0 4 5 5 0 5 5 6 0 6 5 7 0 7 5 Mulhe re s Id ade q (x)
As estatísticas de mortalidade produzidas pela Fundação Seade encontram-se disponíveis em uma base de dados que contempla o conjunto de informações coletadas nas declarações de óbitos. Para o desenvolvimento desta análise, consideraram-se os óbitos de residen-tes no Estado de São Paulo classificados por causa básica, faixa etária e sexo, no período 1980-96, e as estimativas da população, também por faixa etária e sexo, para o mesmo período.
A partir daí, foram elaboradas as taxas de mortalidade para a faixa etária de 15 a 39 anos, adotando, como critério de classificação para as causas de morte, os Capítulos da Classificação Internacional de Doenças (9ª revisão). Foram selecionados alguns capítulos de maior peso para efeito de comparação com aquele das causas externas. A mortalida-de por Aids foi consimortalida-derada isoladamente, mortalida-devido à sua elevada incidência e rápido crescimento nesta faixa etária (Gráfico 3).
No caso da mortalidade masculina, verifica-se o papel predominante das causas externas com relação aos demais capítulos, sendo que sua tendência de aumento ocorre em duas etapas: de 1980 a 1989, seguido por um curto período de decréscimo até 1992; e de 1993 a 1996, quando foram registrados aumentos sucessivos, atingin-do o nível máximo observaatingin-do em 1996. É importante salientar que a taxa de mortalidade por causas externas passou de um patamar da ordem de 150 por 100.000 habitantes, em 1980, para um outro próximo de 250 óbitos por 100.000, em 1996. Este aumento da morta-lidade por causas externas foi decisivo na tendência geral da mortali-dade masculina no grupo etário de 15 a 39 anos. Dentre as causas externas que atingem a população masculina nesta faixa etária, os homicídios aparecem em primeiro lugar, seguidos pelos acidentes de veículo a motor. Com relação às demais causas de morte agrupadas nos capítulos selecionados, não se verifica uma tendência nítida de aumento, prevalecendo uma certa estabilidade ou um pequeno decrés-cimo, como por exemplo, as doenças do aparelho circulatório, a partir de 1989. Resta então o caso da epidemia de Aids, que se destaca pela rápida ascensão entre 1988 e 1994 e que representa um outro fator de risco importante que se soma àqueles associados com as causas exter-nas. É importante ressaltar que a taxa de mortalidade por Aids, a partir de 1991, passou a superar todas as taxas calculadas por capítulo, com exceção daquelas referentes às causas externas. Em 1995 ocorreu uma inversão de tendência da mortalidade por Aids, que passou efetivamente a diminuir.
Gráfico 3
TAXAS DE MORTALIDADE DA POPULAÇÃO DE 15 A 39 ANOS, POR SEXO, SEGUNDO GRUPOS DE CAUSAS
ESTADO DE SÃO PAULO – 1980/1996
Fonte: Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados – Seade.
0 50 100 150 200 250 1980 1982 1984 1986 1988 1990 1992 1994 1996 Anos Por 100.000 hab. Infec. e Parasitárias Neoplasmas Ap. Circulatório Ap. Respiratório Ap. Digestivo Causas Externas AIDS Homens 0 5 10 15 20 25 30 35 1980 1982 1984 1986 1988 1990 1992 1994 1996 Anos
Por 100.000 hab. Infec. e Parasitárias
Neoplasmas Ap. Circulatório Ap. Respiratório Ap. Digestivo Causas Externas AIDS Mulheres
Para a população feminina, o panorama é bem diferente do anterior. Primeiramente, os níveis de mortalidade são bem inferio-res aos dos homens, tornando necessária uma adaptação da escala do gráfico para uma melhor visualização das tendências. Em segundo lugar, as taxas por causas externas, além de bem inferiores, oscilam muito ao longo do período de observação: identifica-se um acréscimo sistemático entre 1980 e 1986 e um posterior decréscimo até 1992, voltando a apresentar taxas crescentes entre 1993 e 1996, tal como se verificou para a população masculina. Dentre as causas externas que atingem a população feminina, as de maior peso são os acidentes de veículos a motor e os homicídios. Quanto aos demais capítulos selecio-nados, cabe destacar a nítida tendência de queda observada nas taxas de mortalidade por doenças do aparelho circulatório: em 1980, igua-lavam-se ao nível do capítulo das causas externas, diminuindo siste-maticamente, até 1991, e mantendo uma estabilidade com um pequeno decréscimo entre 1991 e 1996. As taxas por neoplasmas apresentaram uma ligeira tendência de acréscimo e os demais capítu-los registraram pequeno declínio.
As taxas de mortalidade por Aids da população feminina cresceram rapidamente a partir de 1988, superando os níveis de vários capítulos e se igualaram, em 1994, às taxas de mortalidade por neoplasmas. Nos anos de 1995 e 1996, a taxa de mortalidade por Aids, na faixa etária de 15 a 39 anos, passou a superar todas as demais causas, com exceção daquelas referentes às causas externas. O nível de mortalidade permaneceu praticamente constante nestes dois últi-mos anos, significando provavelmente a mesma quebra de tendência já observada para os homens.
Fica evidente, portanto, o caráter determinante das causas externas e da Aids nas taxas de mortalidade da população masculina de 15 a 39 anos. Já para as mulheres nesta mesma faixa etária, estas causas têm menor peso relativo e dividem sua influência com outros capítulos que se destacam isoladamente, como é o caso das doenças do aparelho circulatório que apresentaram uma tendência de decréscimo importante, contribuindo significativamente para a resultante final. 6 AS DIFERENÇAS REGIONAIS DE MORTALIDADE
As esperanças de vida ao nascer calculadas para a Região Metropolitana de São Paulo e para o interior do estado indicam
diferenças regionais importantes, com mais vantagem para a popula-ção interiorana. Os resultados para 1996, por exemplo, mostram que a esperança de vida ao nascer da população masculina residente no interior é 2,7 anos superior àquela dos homens residentes na Região Metropolitana e 2,5 anos à da capital, significando um risco de morte mais elevado na área metropolitana do que no restante do estado. Com relação à população feminina, as diferenças são pequenas, mas tam-bém favorecem o interior. É evidente que estas diferenças regionais não se distribuem homogeneamente em todas as faixas etárias, sendo que algumas idades contribuem mais que as outras para este compor-tamento. Os riscos de morte da população acima de 15 anos de idade, agravados pelos acidentes e violências, sobretudo os homicídios e acidentes de trânsito, atingem com mais intensidade a população residente na Região Metropolitana e são determinantes na explicação dos diferenciais encontrados entre Região Metropolitana e interior.
Ao se desagregar a análise no âmbito das regiões adminis-trativas do Estado, constata-se que o interior também apresenta grandes disparidades dentro de seu contorno. Os maiores níveis de esperança de vida ao nascer, para os homens, foram registrados nas Regiões de Presidente Prudente (69,09), São José do Rio Preto (68,49) e Araçatuba (68,47) e, para as mulheres, em Araçatuba (76,14), Presidente Prudente (75,95) e São José do Rio Preto (75,33). As regiões que apresentaram as menores cifras foram Santos (61,70), Região Metropolitana de São Paulo (63,40) e Capital (63,60), para os homens, e Sorocaba (71,89), Santos (72,30) e São José dos Campos (72,98), para as mulheres (Tabela2).
Os ganhos de esperança de vida observados nos períodos 80-91 e 91-96 se reduziram sensivelmente, havendo inclusive reduções significativas. Nas Regiões de Ribeirão Preto, Santos e São José dos Campos as reduções no âmbito da população masculina são da ordem de um ano de vida média em um período de somente cinco anos do calendário. No conjunto do Estado o saldo do incremento apresenta-se negativo porém muito próximo de zero. No caso da população feminina os ganhos também se reduziram rapidamente na maior parte das regiões embora ainda haja ocorrência de avanços consideráveis em Presidente Prudente e Registro. Estes dados deixam nítido o processo de deterioração do número médio de anos vividos e evidentemente o avanço do número de anos perdidos por mortes precoces.
Tabela 2
ESPERANÇA DE VIDA AO NASCER POR SEXO REGIÕES ADMINISTRATIVAS DO ESTADO DE SÃO PAULO
1980/1991/1996
Regiões Administrativas Anos Incremento 1980 1991 1996 80/91 91/96 Homens
Estado de São Paulo 63,30 64,87 64,78 1,57 –0,09
Região Metropolitana de São Paulo 62,65 63,51 63,40 0,86 –0,11 Município de São Paulo 63,58 63,90 63,60 0,32 –0,30 Interior de São Paulo 64,17 66,18 66,09 2,01 –0,09 RA de Registro 60,58 64,99 65,48 4,41 0,49 RA de Santos 61,88 62,66 61,70 0,78 –0,96 RA de São José do Campos 63,71 65,61 64,63 1,90 –0,98 RA de Sorocaba 61,83 64,81 65,14 2,98 0,33 RA de Campinas 64,62 66,29 66,36 1,67 0,07 RA de Ribeirão Preto 64,88 66,68 65,68 1,80 –1,00 RA de Bauru 63,89 66,45 66,57 2,56 0,12 RA de São José do Rio Preto 66,45 68,06 68,49 1,61 0,43 RA de Araçatuba 66,23 67,56 68,47 1,33 0,91 RA de Presidente Prudente 66,25 68,89 69,09 2,64 0,20 RA de Marília 64,06 66,69 67,05 2,63 0,36 RA Central 65,98 67,82 67,32 1,84 –0,50 RA de Barretos 63,77 66,47 67,19 2,70 0,72 RA de Franca 64,24 67,44 67,46 3,20 0,02 Mulheres
Estado de São Paulo 70,02 73,24 73,69 3,22 0,45
Região Metropolitana de São Paulo 69,85 72,89 73,30 3,04 0,41 Município de São Paulo 70,83 73,64 73,93 2,81 0,29 Interior de São Paulo 70,73 73,59 74,05 2,86 0,46 RA de Registro 69,64 72,32 74,01 2,68 1,69 RA de Santos 70,51 72,20 72,30 1,69 0,10 RA de São José do Campos 70,23 72,43 72,98 2,20 0,55 RA de Sorocaba 67,85 71,38 71,89 3,53 0,51 RA de Campinas 71,68 74,32 74,75 2,64 0,43 RA de Ribeirão Preto 72,11 74,11 74,76 2,00 0,65 RA de Bauru 70,29 74,04 74,28 3,75 0,24 RA de São José do Rio Preto 72,45 75,00 75,33 2,55 0,33 RA de Araçatuba 71,47 75,36 76,14 3,89 0,78 RA de Presidente Prudente 71,92 74,62 75,95 2,70 1,33 RA de Marília 69,90 73,95 73,93 4,05 –0,02 RA Central 71,72 74,34 75,04 2,62 0,70 RA de Barretos 70,92 73,34 73,02 2,42 –0,32 RA de Franca 69,93 73,96 74,10 4,03 0,14 Fonte: Ferreira, Castiñeiras (1996).
7 O AUMENTO DO NÚMERO DE ANOS PERDIDOS POR MORTES PRECOCES
O número de anos perdidos foi calculado a partir das funções das tábuas de mortalidade disponíveis para o Estado de São Paulo. No caso específico deste trabalho optou-se pelo intervalo de idade entre 10 e 50 anos que apresentou inversão de tendência da mortalidade, tanto na população masculina quanto na feminina.
A série de anos de vida perdidos, calculados para o inter-valo entre as idades de 10 e 50 anos, deixam evidente os acréscimos ocorridos em 1991 e 1996, para a população masculina e o de 1996 para a população feminina. A evolução observada desde 1940, tanto para a população masculina como para a feminina, parece bastante regular, apresentando um esgotamento progressivo dos ganhos em termos de redução dos anos de vida perdidos até o momento de inversão da tendência.
Se estas alterações significam a transição para uma nova tendência, a população do Estado poderá, de fato, estar vivendo um processo de redução da esperança de vida que se tornará cada vez mais visível ao longo dos próximos anos.
Tabela 3
ANOS DE VIDA PERDIDOS ENTRE 10 E 50 ANOS* ESTADO DE SÃO PAULO – 1940-1996
Ano Homens Mulheres
AVP ∆ AVP ∆ 1940 4,01 – 4,13 – 1950 2,73 –1,28 2,55 –1,58 1960 2,05 –0,68 1,49 –1,06 1970 1,95 –0,10 1,13 –0,36 1980 1,80 –0,15 0,88 –0,25 1991 2,28 0,48 0,75 –0,13 1996 2,51 0,23 0,81 0,06
Fonte: Fundação SEADE. * AVP = 40 – (T10 – T50)/l10.
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