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População Ocupada e Mobilidade: um enfoque setorial sobre o Brasil nos anos 90

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Academic year: 2021

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População Ocupada e Mobilidade: um enfoque

setorial sobre o Brasil nos anos 90

*

Nelson Carvalheiro

PUCSP

Palavras-chave: emprego, crescimento econômico, mudança estrutural. Classificação JEL: 04

INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é apresentar uma visão diferenciada sobre o comportamento da atividade econômica e do emprego no Brasil, ao longo dos anos 90, enfatizando a trajetória das necessidades de trabalho – definidas como a geração de empregos por unidade de produto – de um ponto de vista multi-setorial.

O trabalho utiliza informações do Sistema de Contas Nacionais do IBGE, em que o PIB dos 42 setores (assim como o PIB total) é dado pelo valor adicionado a preços básicos. Como a análise faz uma comparação ao longo do tempo, foram utilizados em todos os anos valores adicionados medidos a preços constantes de 2000, utilizando deflatores setoriais também publicados pelo IBGE. Os dados sobre pessoal ocupado também são aqueles divulgados pelo Sistema de Contas Nacionais e abrangem empregadores, empregados, trabalhadores por conta própria e trabalhadores não-remunerados.

Os marcos divisórios da análise referem-se a 1994 e 1998. O primeiro é o ano de implantação do Plano Real, de modo que o período 1990-1994 abrange a fase caracterizada por um processo de redução acelerada das alíquotas de importação, desregulamentação da economia e privatização de empresas estatais. O segundo marco é o ano de 1988, que representa o final do regime de taxa fixa de câmbio. Assim, o período 1994-1998 tem como principais elementos o programa de estabilização dos

* Trabalho apresentado no XIII Encontro da Associação Brasileira de Estudos Populacionais, realizado

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preços conhecido como Plano Real, a valorização cambial e o esforço de ajuste das contas públicas. O período 1998-2000 tem como principais características um regime cambial flexível e a procura da consolidação das políticas fiscal (com o início da implantação da lei de responsabilidade fiscal) e monetária (com a implantação da estratégia de metas para a inflação). Resumidamente, portanto, pode-se dizer que as diretrizes das políticas públicas no período 1990-2000 consistiram de uma exposição à competitividade internacional e de uma busca de reorganização estrutural da economia brasileira. Os principais resultados dessas políticas foram o crescimento discreto da economia e a estagnação do número de pessoas ocupadas, contribuindo para uma lenta trajetória de crescimento do PIB per capita ao longo da década e traduzindo um comportamento estagnado da atividade econômica geral.

Um efeito paralelo dessas mudanças foi o notável aumento da produtividade do trabalho, principalmente em setores industriais em que ocorreu combinação específica de crescimento da produção e redução nos níveis de pessoal ocupado. O Quadro 1 mostra, em linhas gerais, o comportamento de alguns agregados macroeconômicos na década de 90, que serão úteis ao longo da análise.

Quadro 1

Brasil – Crescimento da atividade econômica e do emprego – 1990-2000 (taxas percentuais)

Variável 1990-1994 1990-1998 1990-2000

PIB 9,28 19,29 25,74

População residente 6,22 12,26 15,28

PIB per capita 2,88 6,26 9,08

Pessoal ocupado 3,12 3,73 10,30

Produtividade do trabalho 5,97 15,00 14,00

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produtividade do trabalho, principalmente até 1998. Entretanto, como a questão da geração de empregos não é tão claramente demonstrada pelos números, torna-se necessária uma análise mais minuciosa das informações disponíveis.

Nesse sentido, a próxima seção levanta algumas questões a respeito do debate sobre produção, emprego e produtividade, apresentando alguns dados iniciais sobre o conceito de necessidades de trabalho na economia brasileira. A seção 2 faz uma análise mais minuciosa sobre o problema, decompondo as necessidades de trabalho com a técnica de shift-share e apresentando um quadro geral sobre as mudanças na composição do emprego no Brasil, durante a década de 90. A última seção apresenta as considerações finais sobre o assunto.

1. O DEBATE SOBRE PRODUÇÃO, EMPREGO E PRODUTIVIDADE

A questão da relação entre o crescimento da produção e o crescimento da produtividade vem recebendo atenção crescente dos economistas. A chamada lei de Kaldor-Verdoorn é uma generalização empírica que surgiu a partir dessa preocupação, estabelecendo uma relação de causalidade entre crescimento da produção e crescimento da produtividade do trabalho mas, rigorosamente, só pode ser medida no longo prazo, quando é possível verificar se as variáveis têm uma relação estável. Originalmente, a lei de Kaldor-Verdoorn dá maior ênfase ao setor industrial, ressaltando que o aumento da produtividade do trabalho explicado por mudanças na produção é uma observação mais limitada nas demais atividades econômicas.

Verdoorn (1949) desenvolveu primeiro a relação entre crescimento da produção e crescimento da produtividade, em um artigo publicado na Itália. Embora estivesse diretamente interessado em encontrar um método alternativo de estimar o nível futuro da produtividade do trabalho, para utilização no planejamento de longo prazo, ele estimou um valor de aproximadamente 0,45 para a elasticidade da produtividade em relação à produção, com base em dados de diversos países, para o período 1870-1930. Isso significa que, a longo prazo, uma mudança de 10 por cento no volume da produção tenderia a causar, em média, um aumento de 4,5 por cento na produtividade do trabalho. Kaldor (1966) complementou o interesse pela discussão da relação entre

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crescimento da produção e crescimento da produtividade, em uma aula inaugural na Universidade de Cambridge, em que expressou suas preocupações com a então relativamente lenta taxa de crescimento econômico do Reino Unido. Usando dados de doze países industrializados para o período 1953/54-1963/64, Kaldor estimou uma regressão em que o coeficiente era significantemente positivo. Complementarmente, parte considerável do texto destina-se a argumentar que a relação de causalidade é única: para Kaldor, aumentos da produção levam a aumentos da produtividade do trabalho.

Chamando o crescimento da produtividade do trabalho de p, o crescimento da produção de g e o crescimento do emprego de e, pode escrever: p=g–e. Matematicamente, portanto, a lei de Kaldor-Verdoorn pode ser especificada de quatro formas, onde a e b são estimadores dos parâmetros das equações:

p = a + bg, 0<b<1;

e = -a + (1 – b)g;

g = [a/(1 – b)] + [1/(1 – b)]e;

p = [a/(1 – b)] + [b(1 – b)]e.

A questão levantada pela lei de Kaldor-Verdoorn estava incluída em outras observações de Kaldor a respeito de regularidades empíricas nos países industrializados. Uma visão abrangente dessas observações, desdobradas nas chamadas “leis de Kaldor”, pode ser encontrada em Thirlwall (1983). Além disso, o trabalho de Kaldor deu início a inúmeras controvérsias durante mais de duas décadas, ensejando estudos empíricos em diversos países.

Em que pese o interesse despertado pela evolução da produtividade do trabalho e da produção, Verdoorn e Kaldor em algumas passagens de seus trabalhos expressam

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suas preocupações com o que chamaram de “necessidades de trabalho” (labour

requirements nos textos originais). Verdoorn (1959, pp.60-61) menciona diversas vezes

essas necessidades de trabalho ao justificar a validade de utilizar uma estimativa de elasticidade da produtividade em relação à produção. Kaldor (1966, p.120) observa que o crescimento das necessidades de trabalho no setor serviços é menos sensível a mudanças na taxa de crescimento econômico, relativamente às necessidades de trabalho na indústria. No Brasil, Silva (2001) fez um interessante estudo sobre as necessidades de trabalho na agricultura no período 1985-1995, sugerindo a utilização da técnica de

shift-share.

Essas considerações sugerem que é possível investigar a evolução da produção e do emprego sob o ângulo que corresponde ao inverso do conceito de produtividade do trabalho – as necessidades de trabalho. Estas refletem a quantidade de trabalhadores necessários para a produção de uma unidade de produto, mostrando o quanto de emprego é gerado pela atividade econômica. Por definição, portanto, o comportamento das necessidades de trabalho segue direção oposta àquele da produtividade do trabalho.

Para fazer uma apresentação resumida do que ocorreu com as necessidades de trabalho no Brasil ao longo da década de 90, os 42 setores do IBGE foram agregados conforme a intensidade do uso de fatores, aproveitando concepção apresentada em Moreira (1999), resultando na seguinte classificação:

a) agropecuária; b) indústria extrativa

c) indústria intensiva no uso de tecnologia e capital; d) indústria intensiva no uso de trabalho;

e) indústria intensiva no uso de recursos naturais; f) indústrias diversas;

g) serviços industriais de utilidade pública; h) construção civil;

i) serviços

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pela necessidade de escolher o ano inicial ou o ano final como referência, pois a década de 90 caracterizou-se por um processo de reorganização produtiva e modernização tecnológica de diversos setores da economia. Outras dificuldades devem-se à definição das atividades pelo IBGE. Assim, a indústria de papel e gráfica tem componentes tanto intensivos em capital (indústria de papel) como intensivos em trabalho (indústria gráfica). Característica análoga existe na indústria de produtos farmacêuticos (intensiva em capital) e perfumaria (intensiva em trabalho). Para superar essas restrições, preferiu-se agrupar arbitrariamente os preferiu-setores que utilizam mais intensamente capital e tecnologia, alocando também nesse grupo setores de natureza ambígua (intensivos em capital e trabalho). O detalhamento do agrupamento dos setores pode ser verificado mais adiante, no Anexo 1.

O Quadro 2 mostra o que ocorreu com as necessidades de trabalho ao longo dos anos 90. A maior redução na geração de empregos ocorreu na indústria e, dentro desta, na indústria extrativa e nos serviços industriais de utilidade pública. Por sua vez, a indústria intensiva no uso de tecnologia e capital teve redução mais acentuada no período 1990-1994, correspondente à fase mais intensa de abertura comercial do país. A agropecuária teve uma diminuição que se consolidou após 1994, enquanto o setor de serviços foi o único que apresentou um leve aumento das necessidades de trabalho no período 1990-1994. Em linhas gerais, portanto, ao longo dos anos 90 a economia brasileira reduziu a geração de empregos por produto final. Resta conhecer como ocorreu esse processo dentro dos diversos setores da economia brasileira, utilizando um método de decomposição apropriado.

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Quadro 2

Brasil – Crescimento das necessidades de trabalho – 1990-2000 (taxas percentuais) Atividades 1990-1994 1990-1998 1990-2000 TOTAL -5.64 -13,04 -12,28 Agropecuária -8,03 -26,18 -25,67 Indústria -17,73 -26,44 -26,64 Indústria extrativa -20,41 -48,44 -56,89

Indústria intensiva no uso de tecnologia e capital -28,15 -35,37 -36,82 Indústria intensiva no uso de trabalho -5,01 -17,15 -8,61 Indústria intensiva no uso de recursos naturais -4,78 -17,31 -18,21

Indústrias diversas -3,65 -12,54 -13,99

Serviços industriais de utilidade pública -25,15 -50,56 -59,67

Construção civil -14,48 -13,45 -11,82

Serviços 0,37 -0,37 -1,07

2. A DECOMPOSIÇÃO DAS NECESSIDADES DE TRABALHO

A geração de empregos na economia, em determinado ano, que mensura a necessidade de trabalho da economia – interpretada como a quantidade de trabalhadores necessários para produzir uma unidade de produto final – pode ser definida como:

GT = ET/QT = ΣEi/QT = Σ[(Ei/Qi)(Qi/QT)] = ΣGiYi. (1)

onde:

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T: subscrito indicador da totalidade dos setores;

0,1: subscritos indicadores do ano inicial e do ano final, respectivamente; E: população ocupada;

Q: valor adicionado real; G: geração de empregos.

Na equação (1), a geração de empregos na economia pode ser entendida como a soma ponderada das necessidades de trabalho de cada setor i, onde os pesos são dados pelas participações Yi = Qi/QT do valor adicionado em cada setor.

Numa perspectiva temporal a equação (1) pode ser escrita como:

∆GT = ∆ [ΣGiYi] (2)

Portanto:

∆GT = Σ [∆GiYi0] + Σ [Gi0∆Yi] + Σ [∆Gi∆Yi] (3)

A equação (3) pode também ser escrita na forma de “taxa de crescimento”, onde todos os termos são divididos por GT0:

∆GT/ GT0 = Σ [∆GiYi0]/ GT0 + Σ [Gi0∆Yi]/ GT0 + Σ [∆Gi∆Yi]/ GT0 (4)

Na equação (4), o primeiro termo do lado direito mede a contribuição do crescimento das necessidades setoriais de trabalho, supondo que não ocorra qualquer mudança na participação do valor adicionado de cada setor, relativamente ao valor adicionado total. O segundo e o terceiro termos do lado direito da equação (4) representam a contribuição de mudanças na participação dos diferentes setores no

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crescimento do valor adicionado. O segundo termo representa um efeito estático, pois mantém constante as necessidades de trabalho em cada setor na data base. O terceiro termo representa um efeito dinâmico, pois leva em conta as mudanças nas necessidades de trabalho de cada setor.

O Quadro 3 mostra os resultados da análise shift-share para o Brasil, para cada um dos períodos, e deve ser lido em correspondência com a equação (4). Assim, em cada período, o crescimento das necessidades de trabalho e sua decomposição estão apresentados na linha denominada “Total”. Verticalmente, para cada um dos três componentes, as contribuições de cada setor podem ser somadas.

É possível verificar que as necessidade de trabalho diminuíram praticamente em todos os setores (exceto na agropecuária, no período 1990-1994). Na indústria, o segmento que utiliza intensivamente tecnologia e capital reduziu o número de trabalhadores por unidade de produto de forma mais notável. Com efeito, esse segmento foi o que registrou maiores aumentos da produtividade do trabalho ao longo dos anos 90, resultando em menor absorção de mão-de-obra. O setor serviços também reduziu as necessidades de trabalhadores por unidade produzida ao longo da década. Em linhas gerais, portanto, as necessidades de trabalho reduziram-se durante os anos 90 em todos os setores da atividade econômica no Brasil.

Em geral, a redução foi causada por diminuições na geração de emprego dos próprios setores mas foi agravada pelos efeitos estático e dinâmico, representando transferências de pessoal ocupado intra-setores. Isso só não ocorreu no primeiro período (1990-1994), quando a redução das necessidades de trabalho seria maior (-6,09) do que a efetivamente observada (-5,64), graças ao efeito estático positivo. Nas fases seguintes, e para a totalidade do período, a redução do emprego nos setores foi reforçada por efeitos estático e dinâmico negativos, o que significa que a partir de 1994 as transferências de mão-de-obra para setores com menor capacidade de geração de empregos ou com crescimento potencialmente mais lento para gerar empregos devem ter aumentado.

A questão da decomposição das necessidades de trabalho na economia brasileira pode ser complementada com um breve quadro das mudanças na composição do emprego. O modo mais simples de descrever as modificações setoriais do emprego em um país, ao longo de um período, é construir um coeficiente que possa refletir as

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variações estruturais na composição do emprego. O indicador mais usual citado na literatura é o índice de mudança estrutural (IME), definido pela seguinte fórmula:

IME = 0,5 Σ |ei,t – ei,t-1|

onde ei,t e ei,t-1 representam a participação da população ocupada em cada setor,

relativamente ao total da população ocupada, nos anos t e t-1, respectivamente. O uso do valor absoluto assegura que variações positivas e negativas da participação percentual da população ocupada em cada setor não sejam canceladas quando elas forem somadas, enquanto a divisão por 2 procura evitar a dupla contagem obtida com a soma dos valores absolutos.

O IME é uma aproximação da extensão em que os setores estão crescendo e seu valor está entre zero (representando nenhuma mudança estrutural) e 100 (representando uma completa reversão estrutural). Quando as mudanças na participação percentual dos setores são pequenas o índice está mais próximo de zero; quanto mais fortes as mudanças estruturais, mais o índice se distancia de zero). No caso do Brasil, as mudanças no IME ao longo dos anos 90 podem ser visualizadas na Figura 1. O índice de todas as categorias de posição na ocupação – empregador, empregado, trabalhador por conta própria e trabalhador não remunerado – aumentou no período; a maior contribuição para o crescimento do IME, como seria de esperar, foi a dos empregados.

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Quadro 3 A. Decomposição do crescimento das necessidades de trabalho – 1990-1994 (taxas percentuais)

Atividades Cresc. das necessidades de trabalho Cresc. setorial Efeito estático Efeito dinâmico TOTAL -5,64 = -6,09 = +0,70 = -0,24 = Agropecuária 2,04 0,64 -0,05 Indústria -2,98 -0,90 -0,16 Indústria extrativa -0,11 -0,03 0,01

Indústria intensiva no uso de tecnologia e capital -1,55 0,43 -0,15

Indústria intensiva no uso de trabalho -0,04 -1,02 -0,05

Indústria intensiva no uso de recursos naturais -0,14 0,03 -0,02

Indústrias diversas -0,02 0,01 0,00

Serviços industriais de utilidade pública -0,14 0,04 -0,01

Construção civil -0,97 -0,36 0,05

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Quadro 3 B. Decomposição do crescimento das necessidades de trabalho – 1990-1998 (taxas percentuais)

Atividades Cresc. das necessidades de trabalho Cresc. setorial Efeito estático Efeito dinâmico TOTAL -13,04 = -11,66 = -1,12 = -0,27 = Agropecuária -6,66 0,31 -0,08 Indústria -4,44 -1,45 -0,10 Indústria extrativa -0,22 -0,02 0,01

Indústria intensiva no uso de tecnologia e capital -1,95 0,07 -0,03

Indústria intensiva no uso de trabalho -0,56 -1,71 0,02

Indústria intensiva no uso de recursos naturais -0,46 0,12 -0,03

Indústrias diversas -0,06 -0,01 0,00

Serviços industriais de utilidade pública -0,28 0,14 -0,07

Construção civil -0,90 -0,05 0,01

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Quadro 3 C. Decomposição do crescimento das necessidades de trabalho – 1990-2000 (taxas percentuais)

Atividades Cresc. das necessidades de trabalho Cresc. setorial Efeito estático Efeito dinâmico TOTAL -12,28 = -10,94 = -0,58 = -0,76 = Agropecuária -6,53 1,73 -0,45 Indústria -4,16 -2,16 -0,08 Indústria extrativa -0,23 -0,04 0,02

Indústria intensiva no uso de tecnologia e capital -2,00 0,00 -0,03

Indústria intensiva no uso de trabalho -0,28 -1,83 -0,01

Indústria intensiva no uso de recursos naturais -0,46 0,03 -0,02

Indústrias diversas -0,06 0,00 0,00

Serviços industriais de utilidade pública -0,33 0,14 -0,08

Construção civil -0,79 -0,44 0,05

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

A apresentação das informações sobre emprego e produção na economia brasileira, durante os anos 90, indica que as necessidades de trabalho reduziram-se na maior parte dos setores. Em geral, essa redução foi acompanhada por alguma mobilidade setorial, dos setores com maior capacidade de gerar empregos para aqueles com menor capacidade de gerar empregos, ou dos setores com maior crescimento da capacidade de gerar empregos para aqueles com menor crescimento da capacidade de gerar empregos.

Evidentemente, os resultados apresentados apenas indicam o modo de comportamento dos setores, no que se refere à produção e ao emprego, e devem ser entendidos com reservas, pois há restrições teóricas e práticas que dificultam generalizações ou conclusões mais precisas. Deve-se notar, por exemplo, que a análise enfatiza o lado da oferta, concentrando-se na distribuição do fator trabalho entre os diversos setores produtivos da economia, subentendendo-se que alterações na demanda são determinadas exogenamente. As mudanças na produção são tomadas como dadas e o fato de que os efeitos da demanda não sejam considerados não quer dizer que eles sejam menos importantes, mas sim que a análise não tem como mensurar seus efeitos. Além disso, a análise é elaborada em um nível de agregação elevado, apesar de levar em conta diversos setores da economia. Diversas modificações estruturais da economia, como a entrada e saída de firmas em cada setor ou movimentações da mão-de-obra dentro de cada setor, não são levadas em conta. Evidentemente, isso pode levar a resultados viesados, distorcendo o entendimento sobre o comportamento da produtividade do trabalho.

Também não se levam em conta outros fatores, tais como o fato de que movimentações da mão-de-obra entre os setores levam a mudanças nas necessidades de trabalho de cada setor. Além disso, a análise não considera que o crescimento da produção de um setor pode levar a um aumento da qualidade de seus produtos e promover uma aumento da produção e da produtividade de outros setores, diminuindo sua capacidade de gerar empregos.

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(como aluguel de imóveis) ou são mensurados de forma deficiente (instituições financeiras). Além disso, a análise se refere a um período pequeno, prejudicando observações sobre o comportamento da atividade econômica no longo prazo. Este último aspecto também torna difícil conhecer eventuais relações entre o crescimento da produção e o crescimento do emprego, pois uma possível constatação da lei de Kaldor-Verdoorn depende do exame das características de longo prazo do funcionamento da economia.

BIBLIOGRAFIA

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