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Relatórios de Estágio realizado na Farmácia Nova e no Centro Hospitalar do Baixo Vouga

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M

2018- 19

REALIZADO NO ÂMBITO DO MESTRADO INTEGRADO EM CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS

Farmácia Nova de Águeda

Rafael Catarino Castro

RELATÓRIO

DE ESTÁGIO

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ii

Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto

Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas

Relatório de Estágio Profissionalizante

Farmácia Nova de Águeda

1 de março a 15 de julho de 2019

Rafael Catarino Castro

Orientadora: Dra. Rosa Maria da Cruz Cerveira

Tutor FFUP: Prof. Doutora Susana Casal

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iii

Declaração de integridade

Declaro que o presente relatório é de minha autoria e não foi utilizado previamente noutro

curso ou unidade curricular, desta ou de outra instituição. As referências a outros autores

(afirmações, ideias, pensamentos) respeitam escrupulosamente as regras da atribuição, e

encontram-se devidamente indicadas no texto e nas referências bibliográficas, de acordo com

as normas de referenciação. Tenho consciência de que a prática de plágio e auto-plágio

constitui um ilícito académico.

Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, 16 de julho de 2019

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iv

Agradecimentos

Em primeiro lugar gostaria de dirigir uma palavra de agradecimento a toda a equipa da Farmácia Nova de Águeda que me recebeu de forma tão acolhedora, concedendo-me a oportunidade de conhecer a realidade da farmácia comunitária em Portugal.

Gostava de dirigir uma palavra especial de agradecimento à minha orientadora, à Dra. Rosa Cerveira por todos os ensinamentos, todos os momentos de boa disposição e convívio, pela paciência que sempre teve em responder às minhas questões e por partilhar comigo todo o seu conhecimento e experiência.

À Dra. Susana Casal por todas as correções, pelas sugestões certeiras e por toda a paciência, acompanhamento e disponibilidade ao longo de todo o estágio.

Gostava também nesta hora de endereçar um especial agradecimento ao Dr. João Santos pela oportunidade que me deu de pertencer e trabalhar no Laboratório de Química Aplicada e a todos os meus colegas, que tão bem me receberam nestes anos de jornada, em especial ao David Ribeiro e ao José Soares. Também gostava de agradecer a todos os professores da FFUP que me ensinaram tudo o que aprendi no curso.

Gostava de estender um reconhecimento aos meus familiares, especialmente aos meus pais, pela paciência que tiveram comigo, pelo carinho concedido, pelo tempo despendido e por me apoiaram incondicionalmente em todas as minhas decisões. À minha “riqueza pura” gostava de agradecer estar sempre a olhar por mim.

À Vanessa agradeço acreditares em mim, o apoio nas horas mais difíceis e o saber que podia contar sempre contigo.

Gostaria ainda de endereçar um agradecimento aos meus companheiros da Tuna de Farmácia do Porto, pelos momentos de convívio, pelas aventuras e pelas amizades que ficarão.

Por fim um enorme obrigado aos meus amigos, companheiros desta jornada que ficarão, certamente, para os novos desafios que agora surgem.

“A essência do conhecimento consiste em aplicá-lo, uma vez possuído”.

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Resumo

O estágio profissionalizante em farmácia comunitária marca o último passo da formação de um futuro mestre em ciências farmacêuticas. A farmácia comunitária é uma das mais importantes saídas profissionais do farmacêutico e onde este estabelece uma atuação ampla, dada a facilidade de acessibilidade e proximidade dos utentes. Numa farmácia comunitária, para além da atividade principal de dispensa de medicamentos, são múltiplas as ações que se podem desenvolver junto da população.

Este relatório de estágio visa sintetizar as diferentes atividades desenvolvidas no decorrer do estágio na Farmácia Nova de Águeda, entre os dias 1 de março e 15 de julho de 2019.

Na primeira parte do relatório encontram-se todas as atividades com que me familiarizei no estágio e que fazem parte do dia-a-dia de uma farmácia comunitária. Destas atividades fazem parte a elaboração de encomendas, receção das mesmas, a gestão de recursos humanos, a dispensa de medicamentos e outros produtos de saúde, a prestação de diversos cuidados de saúde, entre outros. Durante este estágio tive oportunidade de me familiarizar com todas as atividades inerentes ao quotidiano de uma farmácia e assim estar melhor preparado para o futuro profissional.

Na segunda parte do relatório encontram-se os projetos realizados durante o período de estágio. Dentro desses projetos encontram-se rastreios e sensibilização para patologias frequentes na população (rastreio aos fatores de risco cardiovascular e rastreio da diabetes em contexto de “feira da saúde”), ações de sensibilização da população e aumento da sua literacia em saúde (celebração do dia mundial da hemofilia, celebração do dia mundial da criança e sensibilização para boas práticas de armazenamento dos medicamentos em casa e o uso do ValorMed em contexto de feira da saúde), ações de reforço de colaboração com entidades com que a farmácia colabora (administração de medicamentos com sonda nasogástrica e interações entre medicamentos e plantas) e auxílio no funcionamento da farmácia (aplicação da diretiva referente aos medicamentos falsificados).

Neste estágio foi-me possível apreender e solidificar conhecimentos, percebendo melhor a importância do farmacêutico comunitário para a resolução dos problemas de saúde dos utentes.

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Índice

Declaração de integridade ... iii

Agradecimentos ... iv Resumo ... v Índice ... vi Lista de abreviaturas ... ix Índice de Figuras ... x Índice de tabelas ... x Introdução ... 1

Parte I – Descrição das atividades desenvolvidas no estágio ... 2

1. Farmácia Nova de Águeda ... 2

1.1. Espaço exterior e interior ... 2

1.1.1. Espaço exterior ... 2

1.1.2. Espaço interior ... 3

1.2. Sistema informático e equipamentos de apoio ... 3

2. Fontes de informação ... 4

3. Gestão em Farmácia Comunitária ... 5

3.1. Realização de Encomendas ... 5

3.2. Receção de Encomendas ... 5

3.2.1. Marcação de Preços ... 6

3.3. Armazenamento... 7

3.4. Gestão de devoluções ... 7

3.5. Gestão de produtos de reservas ... 8

3.6. “Via verde do medicamento” ... 8

3.7. Controlo de prazos de validade ... 9

4. Dispensa de medicamentos ... 9

4.1. Medicamentos sujeitos a receita médica ... 10

4.1.1. Receção da prescrição médica e validação da mesma ... 10

4.1.2. Receita médica e entidades de comparticipação ... 10

4.1.3. Dispensa de psicotrópicos/estupefacientes ... 11

4.1.4. Medicamentos Manipulados ... 11

4.2. Dispensa de medicamentos não sujeitos a prescrição médica obrigatória ... 12

4.2.1. Indicação farmacêutica ... 12

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4.4. Produtos de dermofarmácia, higiene e cosmética ... 14

4.5. Produtos dietéticos para alimentação especial... 14

4.6. Homeopatia ... 14

4.7. Dispositivos médicos ... 15

4.8. Suplementos alimentares ... 15

4.9. Preparações extemporâneas ... 15

4.10. Produtos fitoterapêuticos ... 15

5. Outros cuidados de saúde prestados na farmácia ... 16

5.1. Determinação de parâmetros biológicos e bioquímicos ... 16

5.2. Preparação Individualizada da medicação ... 16

5.3. Revisão da Terapêutica e Seguimento farmacoterapêutico ... 17

Parte II – Apresentação dos temas desenvolvidos ... 17

Projeto I: Educar para a saúde em contexto de feira da saúde. ... 17

1. Enquadramento ... 17

2. Sensibilização das crianças para as boas práticas de armazenamento dos medicamentos em casa e o uso do ValorMed ... 18

2.1. Atividade desenvolvida ... 18 2.2. Resultados ... 19 3. Rastreio da diabetes ... 19 3.1. Introdução ... 19 3.2. Resultados ... 20 3.3. Discussão ... 21 4. Balanço da atividade ... 21

Projeto II: Celebração do dia mundial da Hemofilia. ... 22

1. Enquadramento ... 22

2. Balanço da atividade ... 22

Projeto III: Administração de medicamentos com sonda nasogástrica. ... 23

1. Enquadramento ... 23

2. Introdução ... 23

2.1. Recomendações gerais... 23

2.2. Interações entre alimentação entérica e fármacos ... 24

2.3. Seleção da forma farmacêutica para administração do medicamento por sonda. ... 24

2.4. Caso prático ... 25

3. Balanço da atividade ... 26

Projeto IV: Aplicação da diretiva dos medicamentos falsificados. ... 27

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2. Balanço da atividade ... 27

Projeto V: Rastreio ao fator de risco cardiovascular, nas celebrações do mês do coração. ... 28

1. Enquadramento ... 28

2. Resultados ... 31

3. Balanço da atividade ... 32

Projeto VI: Celebração do dia mundial da criança ... 33

1. Enquadramento ... 33

2. Balanço da atividade ... 33

Projeto VII: Interações entre plantas e medicamentos ... 34

1. Introdução ... 34

1.1. Enquadramento ... 34

1.2. Interações entre plantas e fármacos ... 35

2. Realização de um inquérito ... 38 3. Exposição da temática ... 38 4. Balanço da atividade ... 38 Considerações Finais ... 39 Referências bibliográficas ... 40 Índice de Anexos ... 45

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ix

Lista de abreviaturas

ANF Associação Nacional das Farmácias AVC Acidente vascular cerebral

c-HDL Lipoproteínas de alta densidade CIAV Centro de Informação Antivenenos c-LDL Lipoproteínas de baixa densidade

DT Diretora técnica

DCI Denominação comum internacional

DCV Doença cardiovascular

DGS Direção Geral de Saúde

FNA Farmácia Nova de Águeda

FP Farmacopeia Portuguesa

FEFO first expired first out

GNR Guarda Nacional Republicana

IMC Índice de massa corporal

MNSRM Medicamentos não sujeitos a receita médica

MNSRM-EF medicamentos não sujeitos a receita médica de dispensa exclusiva em farmácia

MSRM Medicamentos sujeitos a receita médica

OMS Organização Mundial de Saúde

PA Pressão arterial

PSE Produtos de saúde e bem-estar PIC Preço impresso na cartonagem

PIM Preparação Individualizada da medicação PMR Problemas relacionados com os medicamentos PTGO Prova de tolerância à glicose oral

PVP Preço de venda ao público

RCM Resumo das características do medicamento SCORE Systematic Coronary Risk Evaluation

SNS Serviço Nacional de Saúde

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x

Índice de Figuras

Figura 1 – Espaço reservado para as atividades com as crianças no dia 4 de abril………...….19 Figura 2 – Fotografias retiradas durante o rastreio da diabetes………...……...……20

Índice de tabelas

Tabela 1 – Atividades realizadas durante o estágio na Farmácia Nova de Águeda…….……….…..…1 Tabela 2 – Valores de referência sugeridos pela “The global diabetes community” …….………..…20 Tabela 3 – Resumo dos resultados do rastreio à diabetes ………..…...21 Tabela 4 – Medicamentos dispensados à utente que utiliza sonda nasogástrica………..……….26 Tabela 5 – Classificação da pressão arterial………..….…29 Tabela 6 – Classificação da obesidade (em adultos) em função do IMC e o risco de comorbilidades nos indivíduos……….………..…...…30

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1

Introdução

Uma das áreas importantes de atuação do farmacêutico é a farmácia comunitária. A farmácia comunitária, devido à facilidade de acessibilidade e proximidade dos utentes, é muitas vezes a primeira porta de entrada no Sistema de Saúde, tendo por isso os profissionais que trabalham nesta área grande influência na saúde pública de uma população [1]. Em muitas zonas do território nacional as farmácias assumem ainda um papel mais preponderante, já que são a única estrutura que presta cuidados de saúde [2].

Por conseguinte, o farmacêutico comunitário, graças ao seu conhecimento científico e à sua proximidade com a população, assume uma posição privilegiada para colaborar em áreas como a gestão da terapêutica, a administração de medicamentos, a determinação de parâmetros bioquímicos, a identificação de pessoas em risco, a deteção precoce de diversas doenças e a promoção de estilos de vida mais saudáveis, a promoção do uso racional do medicamento, entre outras [2]. Assim sendo, na farmácia comunitária privilegiam-se atividades dirigidas para o medicamento e atividades para o doente [1].

O estágio profissionalizante em farmácia comunitária é um passo importante na formação de um farmacêutico como futuro profissional de saúde. Este estágio deve permitir um contacto estreito com os utentes e com a prática diária para esta saída profissional, possibilitando um contacto com as oportunidades e as dificuldades do exercício da profissão.

O meu estágio em farmácia comunitária decorreu de 1 de março a 15 de julho de 2019, sob a orientação da Drª. Rosa Maria da Cruz Cerveira que, com o auxílio da restante equipa da farmácia, me acompanharam e mostraram a realidade do trabalho de um farmacêutico em farmácia comunitária. As atividades e os trabalhos desenvolvidos durante este tempo encontram-se descritos neste relatório e esquematizados na Tabela 1.

Tabela 1 – Atividades realizadas durante o estágio na Farmácia Nova de Águeda.

março abril maio junho julho Receção e armazenamento de encomendas

Processamento de receituário

Correção de stocks e prazos de validade Medição de parâmetros fisiológicos Atendimento ao público

Projeto I-IV Projeto V-VII

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Parte I –

Descrição das atividades desenvolvidas no estágio

1. Farmácia Nova de Águeda

A Farmácia Nova de Águeda (FNA) localiza-se na Rua Joaquim Valente Almeida nº 261, no concelho de Águeda [3]. A farmácia encontra-se inserida numa zona urbana, servindo as pessoas geograficamente mais próximas e uma grande variedade de utentes menos fidelizados, já que a farmácia se encontra próxima de duas escolas, uma Unidade de Saúde Familiar (USF), um hospital e um posto da Guarda Nacional Republicana (GNR). Isto permite que os utentes que frequentam os serviços das imediações da farmácia sejam por ela servidos. Para além destes utentes a farmácia presta também serviço a algumas associações, como lares ou utentes da Cruz Vermelha Portuguesa.

O horário da FNA é de segunda a sexta-feira das 9h00 às 20h00 e aos sábados das 9h00 às 13h00. De forma intercalada com as outras farmácias do município a FNA cumpre dias de serviço, em que está aberta 24 horas (habitualmente com uma periodicidade de 7 vezes por mês). Nos dias de serviço entre as 21 horas e as 9 horas o atendimento é feito por um postigo, por motivos de segurança.

Na FNA trabalham oito profissionais de saúde, que asseguram a prestação de cuidados farmacêuticos de excelência nesta farmácia: Dr.ª Rosa Maria da Cruz Cerveira (diretora técnica), Dr.ª Maria Inês Palma de Almeida (farmacêutica adjunta), Dr.ª Ana Mafalda Gala da Silva (farmacêutica), Dr.ª Carina Ferreira Albuquerque (farmacêutica), Dr.ª Márcia Daniela Sousa Martins ((farmacêutica), Sandra Cristina Martins Costa (técnica de farmácia), Alexandre Herculano de Oliveira Marques (técnico de farmácia) e Cristiana Silva Santos Pereira Guerra (técnica de farmácia). O quadro de colaboradores da FNA segue as recomendações, em que os farmacêuticos devem constituir a maioria dos trabalhadores da farmácia [4]. Todos possuem tarefas partilhadas e tarefas específicas, estando estas bem delineadas pela diretora técnica (DT). Durante o meu estágio tive oportunidade de acompanhar e executar as diferentes as tarefas desempenhadas na FNA.

1.1. Espaço exterior e interior

1.1.1. Espaço exterior

A FNA está inserida num prédio residencial, ocupando as suas instalações do rés do chão (anexo I) e cave. Encontra-se identificada pela presença de um letreiro luminoso com o nome da farmácia e pela presença da cruz verde. Esta luz verde, tal como disposto no artigo 28º do Decreto-Lei n.º 307/2007 [4] quando a farmácia estiver de serviço a “cruz verde está iluminada durante a noite”. Possui na sua fachada montras que são renováveis em função de produtos em destaque na época do ano, estando sempre uma delas reservada a produtos de ortopedia.

Para além disto, tal como disposto no decreto de lei acima citado a farmácia informa os utentes sobre o nome do diretor técnico, o horário de funcionamento da farmácia, o calendário das farmácias de

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3 serviço no município e os serviços farmacêuticos prestados. Junto da porta de entrada da farmácia existe também um postigo para o atendimento noturno (anexo II).

1.1.2. Espaço interior

A FNA é constituída por dois pisos, sendo o piso térreo mais vocacionado para o atendimento ao público e o piso inferior mais dirigida para a gestão e armazenamento de produtos.

O espaço interior da farmácia cumpre o disposto nas Boas Práticas Farmacêuticas[1] e encontra-se segmentado em diversas áreas funcionais.

A FNA dispõe de uma zona de atendimento ao público ampla, com quatro balcões, expositores de produtos e medicamentos de venda livre destinados a diversos fins. Possui ainda produtos destinados a puericultura, produtos cosméticos e de higiene corporal, bucodentários, produtos sazonais, campanhas ou novidades. Atrás dos balcões de atendimento estão geralmente suplementos, produtos homeopáticos e medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM) que são muitas vezes indicados durante o aconselhamento farmacêutico. Para além disso, existe ainda um gabinete do utente, usado quando é necessário um aconselhamento mais confidencial, para realizar determinações bioquímicas e também é utilizado para a realização das consultas de nutrição e podologia.

A farmácia possui ainda uma zona de receção de encomendas, um laboratório, uma sala de armazenamento de medicamentos, onde se encontra um robô que facilita esta tarefa, o gabinete da diretora técnica, uma zona de refeições, outra com os cacifos do pessoal e instalações sanitárias.

A FNA dispõe de condições que permitem o acesso de cidadãos portadores de deficiência às suas instalações, tal como prevê o Artigo 10º do Decreto-Lei n.º 307/2007 [4].

1.2. Sistema informático e equipamentos de apoio

A FNA tem como software de gestão o sistema informático o Sifarma 2000®. Este sistema é

fundamental para as diferentes tarefas diárias da farmácia, desde os processos de gestão de stocks e encomendas ao atendimento [5]. Ao nível do atendimento uma das vantagens deste programa é disponibilizar informações técnico-científicas fundamentais, como posologia, interações medicamentosas, reações adversas, precauções a ter e alertas de contraindicações em patologias em que o medicamento está contraindicado.

A farmácia possui também um robô, um Rowa Vmax® (Anexo III) [6]. O robô é essencial na FNA já

que agiliza a dispensa de medicamentos (entrega os medicamentos pedidos em pouco tempo, numa plataforma próxima de onde se faz o atendimento). O seu contributo torna o atendimento mais célere, permitindo com o tempo sobrante reforçar o aconselhamento farmacêutico e melhorar a interação com os utentes. Para além disto o robô permite uma otimização do espaço com o armazenamento de cerca de 16.000 embalagens nas condições ideais de conservação. O robô facilita ainda tarefas como o controlo do prazo de validades ou stocks.

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4 Contudo, a utilização deste robô também tem algumas desvantagens. Quando se trata de um atendimento com muitas embalagens acaba por demorar um pouco mais tempo, uma vez que é dispensada uma de cada vez. No entanto, esta desvantagem pode ser aproveitada em tempo útil de atendimento, explicando como deve ser tomada a medicação e verificando a adesão à terapêutica. Para além disto, como não existe tanto contacto visual com os produtos, o farmacêutico tem menor controlo de stock de produtos com rotatividade baixa.

Como coadjuvante no processo de armazenamento de produtos no robô, a FNA possui também um

Rowa ProLog® (Anexo IV). Este dispositivo auxiliar permite o armazenamento de 150 a 200 caixas por

hora sem intervenção humana. Mais uma vez este equipamento tem como objetivo minimizar o tempo despendido com as tarefas rotineiras da farmácia e maximizar o tempo nas tarefas de aconselhamento farmacêutico.

Para além disto, para auxiliar o atendimento a farmácia dispõe de um cashlogy®, onde se fazem os pagamentos em dinheiro. Esta ferramenta diminui os erros de caixa, facilita a contagem no final do dia e reduz o tempo despendido com pagamentos.

2. Fontes de informação

Os farmacêuticos, segundo o seu código farmacêutico “devem promover a atualização permanente dos seus conhecimentos, designadamente através da frequência de ações de qualificação profissional” [7]. Esta atitude é fundamental, dada a constante renovação e atualização necessária para a prática farmacêutica.

Assim sendo, o acesso a fontes de informação confiáveis e fidedignas que permitam dar respostas esclarecidas e em tempo útil aos clientes é fundamental para que possamos ser profissionais idóneo.

Durante o meu estágio, de forma a clarificar alguns conhecimentos e a melhorar o serviço prestado ao utente, acedi a diferentes fontes de informação tais como Prontuário Terapêutico, o Índice Nacional Terapêutico, a Farmacopeia Portuguesa (FP), o Formulário Galénico Português, circulares informativas do INFARMED e da Associação Nacional das Farmácias (ANF), a consulta do resumo das características do medicamento (RCM) e o acesso às informações disponibilizadas pelo Sifarma 2000®. Grande parte da informação necessária foi recolhida no separador dedicado a informações cientificais, disponibilizadas pelo Sifarma 2000®, nomeadamente posologia, reações adversas e interações com outros medicamentos.

Também durante o meu estágio realizei algumas formações, nomeadamente sobre dentífricos da Colgate® (Colgate Duraphat®, Colgate Periogard® e Colgate Sensitive®) e a importância do

aconselhamento farmacêutico, sobre produtos utilizados na artrite reumatoide, sobre cessação tabágica, sobre produtos da LEO®, sobre produtos da Perrigo® (por exemplo a gama usada na dermatite atópica,

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5 alergias ou intolerâncias alimentares e uma conferência intitulada “Atualização em Farmacovigilância”, promovida pela ANF (anexo V).

3. Gestão em Farmácia Comunitária

A gestão de uma Farmácia Comunitária é muito desafiadora e complexa. É uma área muito abrangente, passando desde a gestão de recursos humanos, à escolha do fornecedor dos produtos, à definição do stock adequado para determinado artigo (tendo em conta a rotatividade, a sazonalidade, os hábitos de prescrição e os consumo dos mesmos), à receção de encomendas, ao aprovisionamento dos medicamentos e outros produtos de saúde, a definição de preço dos produtos, o controlo de prazos de validade, entre outras.

Durante o meu estágio tive a oportunidade de passar um pouco por todas as áreas mais relevantes da gestão em farmácia comunitária, que passarei a descrever.

3.1. Realização de Encomendas

A aquisição de produtos deve ter em consideração a lei vigente, a evolução de vendas dos medicamentos e dos produtos de saúde e bem-estar (PSE), os mapas de evolução de vendas dos PSE, as reservas e os consumos diários, a rapidez da entrega, a facilidade na realização de devoluções, o serviço pós venda, o portefólio do fornecedor, a resposta dada pelo fornecedor aos rateados e as condições de aquisição.

Na FNA as encomendas são feitas a distribuidores grossistas ou diretamente aos laboratórios, depois de uma avaliação cuidada dos diversos fatores a ter em conta. As encomendas realizadas diretamente aos laboratórios têm a particularidade de se conseguir obter melhores condições de compra e de apoio pós-venda. No entanto, estas encomendas obrigam geralmente a um grande volume, gerando grandes stocks. Por isso, é fundamental uma análise ainda mais cuidada entre a poupança gerada pela compra direta ao laboratório e as reais necessidades da farmácia. Para compras que geram stocks elevados deve ser reforçada a atenção ao prazo de validade, de forma a permitir o escoamento dos mesmos em espaço de tempo útil.

Durante o meu estágio tive oportunidade de auxiliar e realizar encomendas. Também analisei as condições de diferentes fornecedores, avaliando qual deles seria mais vantajoso, como por exemplo o anexo VI.

3.2. Receção de Encomendas

Quando se realiza a receção de uma encomenda deve-se verificar, entre outras coisas, a correspondência entre os artigos pedidos e os enviados, o estado de conservação das embalagens e dos produtos, o fornecedor, proceder ao controlo dos prazos de validade, à verificação do preço impresso na cartonagem (PIC) e dos preços de venda ao público (PVP), no caso dos produtos de venda livre. [1].

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6 A escolha da encomenda a rececionar primeiro deve ter em consideração a prioridade dos produtos contidos na encomenda (deve-se dar prioridade a encomendas diárias, encomendas contendo reservas ou com produtos que geralmente tenham stocks baixos e de produtos de frio). Começa-se pela identificação do número da fatura, o valor a pagar e o número de artigos contidos na fatura.

Na FNA, devido à existência de robô, que por defeito assume que todos os artigos possuem uma validade de 1 ano após a sua entrada, a entrada de encomendas deve ser realizada da seguinte forma (anexo VII):

• Os produtos com validade inferior a 12 meses devem ser separados dos restantes, de forma a permitir a sua entrada manual no robô (não usar o Prolog) e evitar erros de validades. • Os produtos de frio devem ser identificados na fatura e imediatamente armazenados no

frigorífico.

• Os produtos extra-robô são separados de forma a proceder à sua posterior arrumação. Deve-se ter em atenção que tudo o que estiver com acesso direto ao público deve estar etiquetado de forma a que o utente aceda facilmente ao preço do produto.

• Os produtos com stock de 0 ou 1 devem ser colocados num cesto que tem prioridade de entrada no Prolog.

• Num cesto maior colocam-se os produtos com stock igual ou superior a 2, entrando estes produtos quando houver menos afluência de produtos no Prolog, já que o seu armazenamento não é prioritário.

• Os produtos de reservas são colocados num cesto existente em cima da mesa de receção, para serem tratados de imediato. No artigo que possui uma reversa aparece o símbolo (R) aquando da receção da encomenda.

Durante a receção é importante confrontar o que foi pedido com o que realmente chegou à farmácia. Esta verificação vai desde o número de produtos até ao preço com que os mesmos são faturados, garantindo que as condições da encomenda foram cumpridas. Deve-se entrar em contacto com o fornecedor quando é encontrada uma não conformidade na receção dos artigos.

A receção foi das primeiras tarefas que realizei no meu estágio, possibilitando o contacto com os todos os produtos da farmácia permitindo assim a familiarização com os mesmos.

3.2.1. Marcação de Preços

De forma geral podemos dizer que os medicamentos sujeitos a receita médica (MSRM) têm preço PIC, enquanto que os MNSRM têm preço adotado por cada farmácia.

Nos medicamentos com PIC podemos salientar os medicamentos não genéricos e os genéricos, com regras bem definidas para a marcação dos seus preços [8]. É da responsabilidade do Infarmed autorizar e regular o preço dos medicamentos comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) [9].

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7 Aquando da receção da encomenda deve-se fazer a verificação do PIC. O PVP do produto tem sempre que corresponder ao autorizado. Caso haja exista mais que um PVP deve-se escoar o preço mais antigo e só posteriormente fazer a alteração do PVP. Desta forma, os medicamentos com novo PVP não devem ser inseridos no robô antes do escoamento total do PVP mais antigo. No caso de não existir mais nenhum produto em stock com outro PVP este deve ser atualizado no sistema informático.

Quanto ao preço dos produtos de venda livre, este tem a definição da margem na FNA. Aquando da aplicação desta margem deve-se ter em conta o volume de vendas dos produtos, a competitividade relativamente a outros pontos de venda e se existe ou não preço de venda recomendado pelo laboratório. Depois de todos os fatores ponderados define-se um preço final. Os produtos são etiquetados, não ocultando informação relevante para o consumidor.

3.3. Armazenamento

Após terminar a receção da encomenda e depois dos artigos separados como descrito no ponto 3.2. deve-se proceder ao armazenamento dos produtos. O armazenamento deve ser feito de acordo com as prioridades: reservas, existências zeros e uns e depois o restante dos artigos.

Nos produtos que têm reserva deve ser verificada se o seu estado está como “Recebida” e no caso de se tratar de uma reserva paga deve ser colocada numa gaveta por ordem alfabética, após simular a entrega do mesmo ao utente. Quando se trata de uma reserva não paga coloca-se apenas como não paga, separada das anteriores.

No caso dos produtos extra-robô deve haver o cuidado de arrumar os produtos de acordo com a regra

first expired first out (FEFO), de forma a que os produtos com prazo de validade mais reduzidos sejam

os primeiros a ser escoados.

Os produtos com prazo de validade inferior a 12 meses devem ser colocados manualmente no robô com a indicação da respetiva validade. O robô considera 12 meses de validade após a entrada de qualquer artigo, pelo que uma validade inferior tem que ser introduzida de forma manual. Também de forma manual se devem colocar caixas com dois códigos (ProLog não lê) e caixas pesadas, como as caixas que contêm xaropes ou ampolas.

3.4. Gestão de devoluções

A devolução de um produto ao seu fornecedor pode ser justificada por diferentes motivos: preço incorreto de faturação; prazo de validade curto e não se verificar um escoamento que justifique a sua entrada para stock; artigos danificados ou com defeito; artigos com validade expirada; o PVP ser já antigo e exigir um escoamento curto do artigo, não corresponder ao autorizado; a não garantia de corretas condições de conservação no transporte; quantidades faturadas superiores às pedidas (ou um erro no pedido que gerou duplicação do mesmo) ou produtos não encomendados. Também é de realçar

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8 que pode ser pedido pelo INFARMED ou pelo próprio laboratório a recolha do produto, através de uma circular.

A nota de devolução é feita através do Sifarma. É obrigatório identificar o fornecedor a quem é devolvido o produto (que é obrigatoriamente o fornecedor a quem foi feita a compra), o número de encomenda de origem do produto, o valor a que o artigo foi rececionado e o motivo de devolução. A guia de devolução é emitida em triplicado e os exemplares são carimbados e assinados pelo responsável pela devolução. O original e o duplicado são enviados com o produto e o triplicado é arquivado na farmácia, a aguardar a respetiva regularização.

Se a devolução for aceite pelo fornecedor será emitida uma nota de crédito ou serão enviados produto no mesmo valor. Caso tal não se verifique os produtos são reenviados para a farmácia.

A gestão de devoluções foi das primeiras tarefas que realizei no meu estágio. Esta tarefa obriga a perceber melhor a gestão de stocks e a análise das condições de compra dos artigos, permitindo uma análise mais próxima da gestão real de uma farmácia.

3.5. Gestão de produtos de reservas

Os produtos que estão reservados são produtos procurados pelos utentes da farmácia e que à data não havia em stock, podendo ficar pagos ou não.

Apesar de ser muito vantajoso para gerir os pedidos feitos pelos clientes torna-se uma fonte de erros de stock caso a reserva não seja tratada de forma correta. Assim, após a receção de produtos de uma reserva deve-se sempre verificar que após a chegada do artigo este se encontra como recebido na reserva. Caso contrário este produto irá sempre gerar uma nova encomenda até ser dado como recebido.

No caso de se tratar de um artigo reservado e pago simulamos a entrega do produto ao utente e colocamos numa gaveta destinada para o efeito, por ordem alfabética do utente e associado ao comprovativo de reserva. Se a reserva não tiver sido paga associasse o talão da reserva e colocar no local reservado para o efeito, distinto de anterior. Na entrega do produto deve ser lido o respetivo talão da reserva.

3.6. “Via verde do medicamento”

O projeto via verde do medicamento visa melhorar o acesso a medicamentos pertencentes à lista de medicamentos que são exportados e por isso de difícil acesso por parte das farmácias, estando sujeitos a rateio. É um projeto que consiste numa forma extraordinária de obtenção dos medicamentos. Esta via obriga os laboratórios a entregar de forma rápida os fármacos em falta (que devem chegar no tempo máximo de 12 horas aos doentes) [10].

A Farmácia coloca a encomenda “Via Verde” ao distribuidor, com base numa receita médica válida. Após o pedido, o distribuidor fornece o produto com o stock pedido por esta via. Esta via visa garantir que os medicamentos essenciais aos doentes não faltam nas farmácias nacionais [10].

(29)

9 Durante o meu estágio verifiquei que esta via é não é 100% eficaz uma vez nem sempre é satisfeita na totalidade. Além disso, o problema dos medicamentos esgotados (que são imensos) está longe de estar resolvido, já que muitos não aparecem nesta lista, continuando a faltar nas farmácias.

3.7. Controlo de prazos de validade

O controlo do prazo de validade dos medicamentos é fundamental para garantir a segurança e a eficácia de um tratamento. Este prazo de validade é calculado quando se verificam os cuidados de armazenamento, pelo que a sua manutenção é essencial para a segurança dos fármacos [11].

A sua verificação é um procedimento indispensável em todas as farmácias. No entanto, deve ser reforçado junto do utente que nunca se devem utilizar medicamentos com prazo de validade expirado. Deve também ser lembrado que há medicamentos, como por exemplo gotas, xaropes, produtos oftálmicos ou pomadas que têm um prazo de conservação depois de aberto que deve ser cumprido.

Para o controlo de prazos de validade numa farmácia é essencial a sua verificação aquando da receção de encomendas. O controlo de prazos de validade é realizado diariamente no momento da receção das mesmas. Posteriormente, controla-se o prazo de validade dos produtos existentes através da elaboração mensal de listas, com o auxílio do Sifarma, de produtos cujo prazo de validade vai expirar dentro dos próximos meses. Assim, é possível verificar se o registo está atualizado e identificar produtos que poderão devolvidos ao fornecedor ou ainda deles cuja venda pode ser tornada prioritária, de forma a levar ao escoamento do produto.

4. Dispensa de medicamentos

A cedência de medicamentos é a função mais nobre de um farmacêutico comunitário. Durante o ato da dispensa é essencial a avaliação da prescrição (médica, em regime de automedicação ou indicação farmacêutica). Também é importante garantir que se faculta toda a informação indispensável para o correto uso dos medicamentos e que o cliente a percebeu na integra.

No meu estágio foi das últimas tarefas a serem realizadas com total autonomia, devido à complexidade da mesma e da insegurança sentida por inexperiência. Durante algum tempo observei os atendimentos feitos pela equipa da FNA. Após algum tempo iniciei este procedimento com acompanhamento da equipa técnica da farmácia. Das atividades desenvolvidas em contexto de farmácia comunitária esta é das mais cativantes, por se poder colocar em prática a aprendizagem feita ao longo do curso, para além de se ter a perceção que podemos ter um impacto positivo na saúde e na vida dos utentes. Durante alguns atendimentos que fiz, percebi a existência de uma baixa adesão à terapêutica, em que os utentes me confidenciavam que não tomavam ou não queriam tomar determinado medicamento, especialmente em antidislipidémicos ou em outras patologias “silenciosas”, pela não existência de sintomas e pelo aparecimento de efeitos secundários. Durante esses atendimentos

(30)

10 conversei com os utentes sobre o risco da não toma dos medicamentos e indiquei outros produtos de saúde que ajudassem a aliviar os efeitos secundários dos medicamentos em questão para além de trazerem benefícios a nível geral (ex. magnésio).

4.1. Medicamentos sujeitos a receita médica

4.1.1. Receção da prescrição médica e validação da mesma

A cedência de medicamentos é a tarefa principal numa farmácia comunitária. Para realizar esta dispensação, tem que existir previamente uma avaliação da prescrição médica. Durante a avaliação da prescrição médica é fundamental verificar a existência de contraindicações com o utente, a existência de possíveis interações entre os fármacos prescritos, avaliar a posologia e o modo de administração, entre outros [12].

Antes da cedência de medicamentos é fundamental identificar e resolver problemas relacionados com os medicamentos (PRM), protegendo o doente de possíveis resultados negativos associados à medicação [1, 12].

Também é de grande importância garantir que as precauções com a utilização de fármacos e a sua forma de conservação no domicílio foram bem percecionadas. É função do farmacêutico garantir que o doente vai obter o máximo benefício dos seus medicamentos, dando-lhe um uso correto.

4.1.2. Receita médica e entidades de comparticipação

Atualmente, a generalidade das prescrições de medicamentos é efetuada por denominação comum internacional (DCI), de forma a potenciar o uso racional do medicamento [13].

A prescrição tem de ser efetuada por meios eletrónicos, exceto em situações legalmente previstas. Assim coexistem 3 tipos de prescrição: receita manual, receita eletrónica desmaterializada e receita eletrónica materializada.

A receita manual é permitida apenas em situações excecionais de acordo com a legislação em vigor. Tem que conter o número de receita visível, a vinheta do médico prescritor, a entidade responsável (no caso de possuir algum subsistema de saúde é necessária a fotocópia da receita juntamente com o cartão da seguradora/entidade), o nome e número de utente, a data da receita (as receitas manuais têm sempre uma validade de 30 dias após a data da receita), a assinatura do médico e a identificação da exceção para a prescrição da receita manual. Também se deve ter em atenção que a receita não pode conter rasuras, caligrafias diferentes e têm que ser escrita com a mesma caneta [13].

A receita eletrónica surgiu com o intuito de otimizar a racionalização do acesso ao medicamento e deve ser realizada através de aplicações certificadas pela Administração Central do Sistema de Saúde. Aplica-se a todos os medicamentos sujeitos a receita médica, incluindo medicamentos manipulados [14,15,16]. Na receita eletrónica materializada esta é impressa. No entanto, a promoção da

(31)

11 desmaterialização de todo o circuito, desde a prescrição, dispensa e conferência de receituário tem sido incentivada [13].

Nas receitas eletrónicas a validade pode ser de 30 dias ou 6 meses. O prescritor tem que prescrever todos os medicamentos por DCI, seguida da forma farmacêutica, dosagem, apresentação ou tamanho de embalagem e posologia. Quando a prescrição não é feita por DCI deve conter uma das justificações técnicas para as exceções à prescrição por DCI [13].

Existem diferentes entidades de comparticipação, sendo a mais comuns na FNA o SNS. A comparticipação por parte do Estado contempla diferentes escalões, diferindo entre eles diferentes percentagens de comparticipação (a legislação em vigor prevê também regimes especiais de comparticipação em função das patologias em causa). Muito comum também é a existência outros Sistemas de Saúde, alguns em regime total ou em complementaridade com o SNS [17,18,19]. Também alguns laboratórios possuem um programa especial de apoio à toma do medicamento, levando a uma aquisição mais económica dos medicamentos pelos utentes.

Até ao dia 10 do mês é realizada a faturação do receituário respeitante ao mês anterior. As receitas são assim novamente conferidas, e organizadas de acordo com a entidade de comparticipação. Dentro de cada entidade são ainda ordenadas por lotes de trinta receitas de acordo com o subsistema de comparticipação.

Durante o meu estágio pude familiarizar-me com todos os tipos de receitas existentes (com predomínio de receitas eletrónicas desmaterializadas), bem como os regimes de comparticipação existentes e a faturação do receituário.

4.1.3. Dispensa de psicotrópicos/estupefacientes

Ospsicotrópicos/estupefacientes apesar de apresentarem uma elevada relevância clínica possuem também um enorme perigo de utilização indevida [20]. Assim sendo, a prescrição eletrónica materializada ou manual destes medicamentos têm de ser realizada isoladamente, ou seja, a receita médica não pode conter outros medicamentos [13].

De forma a um maior controlo deve ser nomeado um farmacêutico responsável pela preparação e emissão das listas de entradas e saídas de psicotrópicos e estupefacientes da farmácia [1]. Assim, logo após dispensa do medicamento há a emissão de um comprovativo disponibilizado pelo sistema informático. Este deve ser arquivado na farmácia durante um período de três anos. Deve ser enviado para o INFARMED o registo de saídas, as cópias de receitas manuais (enviado mensalmente) e um mapa de balanço (de envio anual) [21].

4.1.4. Medicamentos Manipulados

Muitas vezes não estão disponíveis no mercado medicamentos adequados a certas necessidades. Com o intuito de suprimir esta necessidade, os medicamentos manipulados são personalizados para um doente

(32)

12 em particular, feitos por um farmacêutico. Podem ser classificados como Fórmulas Magistrais (preparados segundo uma receita médica), ou Preparados Oficinais (preparado segundo indicações compendiais, de uma Farmacopeia ou Formulário) [22,23]. No caso de prescrição eletrónica materializada ou manual a receita médica não pode conter outros produtos. A prescrição eletrónica materializada identifica a receita com MM – receita de medicamentos manipulados [13]. O prescritor deve indicar a dosagem e quantidade ou outra indicação adicional [13,22].

O cálculo do preço de venda ao público dos medicamentos manipulados tem em conta o valor dos honorários da preparação, das matérias-primas e dos materiais de embalagem [22,23]. Os medicamentos manipulados comparticipados são os constantes no Anexo do Despacho n.º 18694/2010, sendo prescritos através da lista predefinida [13,22].

Na FNA nem todos os medicamentos manipulados são feitos na farmácia. Os medicamentos manipulados mais simples (exemplo vaselinas saliciladas ou vaselina com enxofre, usado no tratamento da escabiose) são fabricados na FNA. Outros medicamentos manipulados menos comuns (iriam levar ao desperdício de matérias primas) são preparados em outras farmácias com as quais a FNA coopera. Durante o meu estágio acompanhei e auxiliei na preparação de medicamentos manipulados.

4.2. Dispensa de medicamentos não sujeitos a prescrição médica

obrigatória

Os medicamentos não sujeitos a prescrição médica obrigatória destinam-se tratamento/prevenção de certas doenças, que por serem mais simples e se entender não requererem cuidados médicos, podem ser adquiridos sem receita médica. São usados em situações clínicas autolimitadas, ligeiras e que requeiram terapêutica de curta duração [24]. Os medicamentos não sujeitos a receita médica não são comparticipáveis, salvo raras exceções [25].

4.2.1. Indicação farmacêutica

Devido à maior proximidade e acessibilidade das farmácias pelos cidadãos é muito comum que estes a procurem como primeiro local para tirar dúvidas sobre a sua saúde. Assim, o farmacêutico é o profissional de saúde mais próximo do utente, tendo um papel fundamental na promoção do uso racional do medicamento, na melhoria da literacia em saúde da população, e no aconselhamento e dispensa de medicamentos que não necessitem de receita médica [26,27].

A indicação farmacêutica é uma atividade determinante no papel do farmacêutico na sociedade. A indicação farmacêutica é a seleção de um MNSRM ou de um produto de saúde, por um farmacêutico, e/ou indicação de medidas não farmacológicas, com o objetivo de tratar um problema de saúde entendido como problema de saúde de carácter não grave, autolimitado, de curta duração, que não apresente relação com manifestações clínicas de outros problemas de saúde do utente, após avaliação clínica pelo farmacêutico. Os medicamentos não sujeitos a receita médica de dispensa exclusiva em farmácia

(33)

13 (MNSRM-EF) têm também um papel determinante na indicação farmacêutica. [27]. Após a dispensação do fármaco é importante fazer uma monitorização do doente, verificando ou não a resolução do problema.

No ato de indicação farmacêutica é importante que o farmacêutico estabeleça uma adequada comunicação com o utente para que possa recolher informação relevante sobre o estado de saúde do doente (motivo do estado de saúde, duração, sintomas, problemas de saúde que o utente tem e podem interferir no tratamento, medicamentos que toma). É também importantíssimo o farmacêutico saber reconhecer os quadros de saúde que necessitam de ser referenciados ao médico. Esta referenciação tem em conta a duração e gravidade dos sintomas, a presença de sintomas de alarme ou outras patologias existentes. Também a toma de medicamentos para a queixa em questão sem resolução do problema deve ser sinal de reencaminhamento para o médico [26,27].

A procura dos farmacêuticos por parte dos utentes na FNA para indicação farmacêutica é frequente. Situações de tosse, congestão nasal, rinorreia, diarreias ou conjuntivites alérgicas são das patologias com maior pedido de ajuda junto da farmácia. Sempre que possível a indicação farmacêutica deve ser acompanhada de medicas não farmacológicas (como por exemplo alteração de hábitos alimentares, a maior ingestão de líquidos ou a maior altura na almofada durante a noite) de forma a potenciar a mais rápida resolução do problema de saúde.

4.3. Medicamentos e produtos de uso veterinário

Legalmente um medicamento veterinário é uma substância ou associação de substâncias com propriedades curativas ou preventivas de doenças em animais ou que pode ser utilizada ou administrada no animal com vista a estabelecer um diagnóstico médico-veterinário ou, exercendo uma ação farmacológica, imunológica ou metabólica, a restaurar, corrigir ou modificar funções fisiológicas [28]. Um produto de uso veterinário é uma substância ou mistura de substâncias, sem indicações terapêuticas ou profiláticas destinada à promoção do bem-estar dos animais, do seu estado higiénico, auxilia no tratamento ou na profilaxia e podem adjuvar no diagnóstico médico-veterinário [29].

No caso de animais ou seus derivados (ex. leite, ovos, mel) para consumo humano, aquando da dispensa dos medicamentos deve-se lembrar as pessoas que têm que se respeitar um determinado intervalo de segurança (período de tempo entre a última administração do medicamento ao animal e a obtenção de alimentos provenientes desse animal) de forma a garantir que não traz problemas para quem ingere o animal ou alimentos provenientes do animal. Assim, o animal não pode possuir valores superiores ao limite máximo de resíduos estabelecido em lei [30].

A FNA localiza-se numa região onde existem algumas criações de animais, sendo comum pedirem medicamentos para coelhos, porcos, vacas ou galinhas. As pessoas surgem na farmácia querendo um aconselhamento do farmacêutico ou apresentando já uma receita de um veterinário. Também é muito requerida a venda de produtos para a desparasitação interna e externa de cães e gatos.

(34)

14

4.4. Produtos de dermofarmácia, higiene e cosmética

Os cosméticos são produtos destinados a entrar em contacto com as partes externas do corpo humano ou com os dentes e as mucosas bucais, com o objetivo de os limpar, perfumar, modificar o aspeto, proteger, manter em bom estado ou corrigir os odores [31].

Os cosméticos abrangem um espetro muito amplo de produtos como os produtos de higiene corporal, como sabonetes, geles de banho, champôs, desodorizantes, pastas dentífricas, e os produtos de beleza, como cremes faciais, protetores solares, tintas capilares, vernizes e maquilhagem [31].

A procura deste tipo de produtos na FNA é grande e é cada vez mais encarada como uma fonte de saúde e bem-estar pela população. É importante estar atento às necessidades da população, de forma a que se aumente a qualidade de vida das mesmas. Neste sentido, de forma a fazer face às necessidades da população a FNA possui no seu stock várias marcas como a Caudalie®, a Lierac®, a Bioderma®, a

ISDIN® ou Papillon®, fazendo por estar o mais atualizada possível. O aconselhamento é individualizado

procurando encontrar os produtos que melhor se adaptam a cada utente. Grupos mais específicos da população têm produtos ainda mais direcionados como são as pessoas com acne, psoríase ou pele atópica.

4.5. Produtos dietéticos para alimentação especial

Uma nutrição equilibrada é essencial ao normal funcionamento do nosso organismo. A existência de uma alteração do estado fisiológico e de patologias existentes alteram o equilíbrio do organismo. Por isso muitas vezes há a necessidade de um suporte nutricional especial, prevenindo situações de malnutrição ou corrigindo uma malnutrição pré-existente [32].

No sentido de suprimir esta necessidade de um nicho da população existe na FNA uma gama de produtos dietéticos destinos a complementar/ substituir a alimentação dos utentes em situações específicas, como sejam doentes oncológicos, acamados, doentes com escaras ou ostomizados.

4.6. Homeopatia

A homeopatia é uma abordagem terapêutica onde se devem administrar medicamentos que numa pessoa saudável produziriam sintomas semelhantes aos da doença. Assim, a sua função é estimular o corpo a lutar contra a doença e assim ajudar o organismo a readquirir o seu equilíbrio [33].

Um medicamento homeopático é obtido a partir de substâncias denominadas stocks ou matérias-primas homeopáticas e envolve a utilização de quantidades mínimas de substâncias ativas (obtidas através de diluições e dinamizações sucessivas) [34].

A FNA possui um stock vasto deste tipo de produtos. A sua maioria encontra-se sob a forma de grânulos e são usados em patologias mais simples. Também existem algumas prescrições de homeopatas.

(35)

15 Os medicamentos homeopáticos, a par dos produtos fitoterapêuticos (também vendidos na FNA) são muito procurados pelos utentes, pois estes têm sobre estes produtos uma ideia de inocuidade e de ausência de efeitos adversos (o que nem sempre é verdade).

4.7. Dispositivos médicos

Os dispositivos médicos são de ampla utilização em farmácia comunitária e tal como os medicamentos são usados para prevenir, diagnosticar ou tratar uma doença humana. No entanto, os dispositivos médicos devem atingir os seus fins através de mecanismos não farmacológicos, metabólicos ou imunológicos. Estes são classificados em diferentes classes de risco (quatro) [36].

A FNA possuiu um amplo stock que dispositivos médicos. São exemplos de dispositivos médicos os destinados ao diagnóstico in vitro, sacos coletores de urina, sacos para ostomia, fraldas e pensos para incontinência, dispositivos destinados à imobilização de partes do corpo, cadeiras de rodas, canadianas, muletas, andarilhos, óculos corretivos, agulhas, luvas de exame, irrigadores, pensos, medidores de tensão, preservativos, testes de gravidez, equipamento para medição de glicémia, entre outros.

4.8. Suplementos alimentares

Os suplementos alimentares são considerados géneros alimentícios, destinados a complementar o regime alimentar normal. Constituem fontes concentradas de nutrientes ou outras substâncias com efeito nutricional ou fisiológico [36].

Na FNA há uma vasta oportunidade de escolha de suplementos alimentares. No entanto, devemos ter em mente que a utilização de suplementos deve acontecer apenas quando há carências que possam ser colmatadas pela ingestão dos mesmos. O excesso de suplementos pode acarretar problemas graves para o organismo. Podemos assim dizer que o uso de suplementos é benéfico desde que seja feita de forma consciente.

4.9. Preparações extemporâneas

Alguns medicamentos, devido à sua menor estabilidade têm que ser preparados apenas aquando da sua dispensa. Normalmente correspondem a pós que são reconstituídos e dispersos em veículo aquoso. Muitas vezes as preparações precisam ainda de ser conservadas no frigorífico e agitadas antes de utilizar para que voltem a ficar homogéneas. É muito importante, no caso de tal ser necessário fazer essa advertência junto do cliente.

4.10. Produtos fitoterapêuticos

As preparações à base de plantas são obtidas sujeitando as substâncias derivadas de plantas a tratamentos como a extração, a destilação, entre outos [9]. A procura por produtos “naturais” tem aumentado, razão para o crescimento deste segmento de mercado. Contudo, na hora da sua dispensa

(36)

16 devemos estar cientes e alertar os seus utilizadores que não se encontram livres de efeitos secundários, contraindicações e interações. Assim, cumpre ao farmacêutico avaliar caso a caso para que se possa transmitir ao cliente as advertências que se achem pertinentes.

5. Outros cuidados de saúde prestados na farmácia

Numa farmácia comunitária o foco de toda a atuação deve ser o utente. Assim, a FNA presta à comunidade serviços que permitem um seguimento ativo da população e a melhoria da qualidade de vida dos seus utentes. Dentro dos serviços prestados pela FNA estão a determinação de parâmetros biológicos e bioquímicos, a preparação Individualizada da medicação, a revisão da terapêutica e o seguimento farmacoterapêutico, o aconselhamento nutricional, o acompanhamento podológico, a recolha de medicamentos, entre outros.

5.1. Determinação de parâmetros biológicos e bioquímicos

Muito utentes deslocam-se à farmácia para monitorização dos seus parâmetros bioquímicos e biológicos. A maioria deles fá-lo para auxiliar o controlo de patologias previamente diagnosticadas como a hipertensão, hipercolesterolemia ou a Diabetes Mellitus ou para fazer um controlo dos níveis da mesma. É disponibilizada ainda a determinação do peso e da altura de forma a realizar o cálculo do índice de massa corporal (IMC).

A FNA disponibiliza a determinação da glicemia, pressão arterial, colesterol, do perfil lipídico e dos triglicerídeos. Aquando da medição do parâmetro bioquímico em questão deve-se saber se o utente já efetuava alguma terapêutica e se se encontrava em jejum ou há quanto tempo tinha comido, de forma a uma melhor interpretação do resultado em questão, a fim de poder interpretar o valor obtido da melhor forma. Além das determinações é sempre importante avaliar a adesão à terapêutica e aconselhar algumas medidas não farmacológicas como a alimentação saudável ou a prática de exercício físico.

Esta é uma tarefa importantíssima em farmácia comunitária e durante o meu estágio tive oportunidade de realizar múltiplas determinações. A determinação de parâmetros em farmácia comunitária é importantíssima, quer para o controlo de patologias existentes ou para o rastreio de alterações fisiológicas.

5.2. Preparação Individualizada da medicação

A FNA presta o serviço de realizar a Preparação Individualizada da medicação (PIM). Neste serviço o farmacêutico organiza as formas farmacêuticas sólidas, para uso oral, de acordo com a posologia prescrita, num dispositivo de múltiplos compartimentos. Este serviço tem como objetivo auxiliar o utente na correta toma dos medicamentos e promover uma melhor adesão à terapêutica [37]. A PIM, fundamental em doentes idosos e polimedicados, permite maior facilidade na administração do medicamento certo, no dia e hora certos [38].

(37)

17 Durante o meu estágio acompanhei a preparação de diversas PIM. Fiquei com a perceção que este serviço simples auxilia na efetividade e segurança do medicamento, levando a uma melhor qualidade de vida e controlo das doenças por parte dos doentes.

5.3. Revisão da Terapêutica e Seguimento farmacoterapêutico

A revisão da terapêutica permite avaliar a forma como se toma os medicamentos, suplementos, chás, ect., de forma a diminuir os maus resultados em saúde. Tem como objetivo esquematizar todos produtos que o doente toma, quais as suas patologias, identificar e se possível resolver os problemas detetados. Durante a conversa é importante falar com o utente e ajudá-lo a compreender para que são os seus medicamentos e mostrar a necessidade da toma [39].

O seguimento farmacoterapêutico alicerça-se na confiança entre o farmacêutico e o utente permitindo o acompanhamento do utente e se necessário reporte ao médico de alguma não conformidade. Visa a deteção de Problemas Relacionados com Medicamentos para a prevenção e resolução de Resultados Negativos associados à Medicação. O seguimento farmacoterapêutico pretende alcançar resultados que melhores a qualidade de vida dos doentes [1].

Durante o meu estágio ocorreram várias intervenções por parte do farmacêutico. Geralmente a intervenção ocorre em doentes idosos, polimedicados, que após consulta médica lhes foi suspenso um medicamento e a toma de um novo. Muitas vezes existe a confusão na toma de medicamentos ou toma duplicada dos mesmos. Por exemplo, um utente da FNA tinha começado a toma de ranitidina, mas não tinha parado a toma de omeprazol, como recomendado pelo médico. A intervenção do farmacêutico neste caso foi importante para não haver a duplicação de fármacos.

Parte II – Apresentação dos temas desenvolvidos

Projeto I: Educar para a saúde em contexto de feira da saúde.

1. Enquadramento

Durante os dias 4,5 e 6 de abril o município de Águeda promoveu a VI feira de saúde e bem-estar de Águeda, tendo convidado diferentes entidades ligadas à área, como o centro de saúde local, o centro hospitalar que serve a região, dentistas, centros desportistas, farmácias, óticas, clínicas, entre outros. Para uma melhor organização do evento o município estipulou previamente atividades a serem desenvolvidas em cada stand, tendo em vista a promoção para a saúde dos seus visitantes. Uma das entidades presentes foi a Farmácia Nova, que eu representei.

O primeiro dia foi dedicado especialmente às crianças das escolas do município. Este dia foi aproveitado para sensibilizar para as boas práticas de armazenamento dos medicamentos e que os mesmos devem ser entregues na farmácia para posterior colocação nos depósitos do ValorMed. No dia

(38)

18 5 de abril estiveram presentes principalmente utentes dos lares do município. Realizámos determinações de parâmetros bioquímicos, nomeadamente a concentração de glucose no sangue. Este rastreio tinha como objetivo a deteção mais célere de indivíduos em risco e sensibilizar as pessoas para a importância do controlo dos níveis de glicémia. O último dia concentrou todas as atividades supracitadas, alargadas à população em geral.

É de salientar que as pessoas que visitaram o stand e realizaram as atividades contempla clientes habituais da farmácia, mas também pessoas que habitualmente não a frequentam.

Com estas atividades a farmácia pretende educar para a saúde desde tenra idade, demonstrar a relevância do aconselhamento farmacêutico, aumentar o respeito pelo medicamento e pelo farmacêutico e chamar a atenção para doenças silenciosas, como a diabetes.

2. Sensibilização das crianças para as boas práticas de armazenamento dos

medicamentos em casa e o uso do ValorMed

2.1.

Atividade desenvolvida

Como o objetivo de promover o uso responsável do medicamento realizámos pequenas palestras para as crianças (oriundas de pré-escolas, escolas primárias e 2º ciclo do município de Águeda) e os seus educadores ou professores, durante a sua visita ao espaço dedicado à FNA (conforme figura 1). Para tal, tivemos enfoque no local de armazenamento dos medicamentos, alertando que devem ser locais secos, frescos, seguros, ao abrigo da luz e longe do alcance das crianças [40]. Sensibilizámos crianças, educadores e para a prática da separação dos medicamentos fora de uso ou fora de validade [40], com a indicação que deveriam ser entregues na farmácia para posterior colocação nos depósitos do ValorMed [41]. Alertámos também que nem todos os produtos podem ser entregues. Por exemplo seringas, termómetros, aparelhos eletrónicos, material cirúrgico, produtos químicos, fraldas e radiografias não devem ser depositadas no ValorMed [41].

(39)

19

2.2.

Resultados

Durante a conversa das crianças e os seus professores, constatámos que na maioria das vezes os medicamentos são guardados em armários da cozinha ou casa de banho, tendo as crianças acesso aos fácil aos mesmos. Esta prática é desaconselhada pelas más condições de conservação (variação da temperatura e humidade) e possibilidade de acidentes.

Para além disto, também verificámos que muitos não sabiam que produtos como seringas, aparelhos eletrónicos ou termómetros não devem ser colocados no ValorMed, devendo ser entregues quando a AMI lança a campanha anual ou em locais destinados para o efeito [40,41].

3. Rastreio da diabetes

3.1.

Introdução

A diabetes é uma das principais ameaças à saúde pública mundial. Segundo dados da Direção Geral de Saúde (DGS), em 2015 a prevalência da diabetes no território nacional era de 13,3%, sendo que em cerca de 44% dos indivíduos ainda não está devidamente diagnosticada [42]. Em todo o mundo, segundo a Organização mundial da saúde, esta doença levou à morte de 1,5 milhões de pessoas em 2012 [43]. Assim, torna-se premente aumentar os rastreios na população, acelerando o diagnóstico da doença, antecipando a toma de medicação e evitando as complicações associadas à mesma.

Igualmente importante para os utentes é prestar informação sobre as boas práticas de vida saudável a serem seguidas. Assim, são importantes as recomendações sobre práticas alimentares mais saudáveis e a prática de exercício físico [43].

Também de forma a sensibilizar os doentes é importante apresentar as complicações que podem estar associados ao não controlo da doença, como cegueira, insuficiência renal crónica, amputações, aumento do risco de doenças cardiovasculares, etc. [43]

Todos os indivíduos em que se efetuou a determinação tinham já ingerido alimentos, encontrando-se no período pós-prandial (até duas horas após a última refeição). De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da DGS, valores de glicémia ocasional superiores a 200 mg/dL associados a sintomas clássicos da diabetes são suficientes para o diagnóstico da doença [44]. Também a prova de tolerância à glicose oral (PTGO) pode ser usada para o diagnóstico de diabetes ou para verificar se o indivíduo possui uma tolerância diminuída [44]. Para além disto, “The global diabetes community” [45] sugere os valores de referência apresentados na tabela 2, que foram os usados pelo facto dos indivíduos se encontrarem quase na totalidade em período pós-prandial.

(40)

20

Tabela 2 – Valores de referência sugeridos pela “The global diabetes community”

[adaptado de 45]

Níveis

Antes de

comer

Depois de comer

Não diabético 70 a 100 mg/dL Abaixo de 140 mg/dL

Diabético 70 a 130 mg/dL Abaixo de 160 mg/dL

3.2.

Resultados

Durante os dias da Feira da Saúde realizámos um total de 161 determinações da concentração de glicose no sangue (figura 2). 15 destes indivíduos têm diabetes diagnosticada acompanhada de toma de medicação para a mesma.

Figura 2 – Fotografias retiradas durante o rastreio da diabetes.

Os resultados dos rastreios encontram-se compilados na tabela abaixo:

Tabela 3 – Resumo dos resultados do rastreio à diabetes

Não diabéticos

Diabéticos

Glicémia (mg/dL)

Número de indivíduos

Número de indivíduos

0-69

1

1

70-100

33

2

101-140

92

5

141-160

13

161-200

4

3

201-250

2

2

> 250

1

2

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