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Relatório de Estágio Profissional  "Ser Professor: Um sonho Realizado"

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Ser Professor: Um Sonho Realizado

Relatório de Estágio Profissional

Orientadora: Professora Doutora Paula Maria Leite Queirós

Bruno Miguel Gandra Pinto Porto, Setembro de 2015

Relatório

de

Estágio

Profissional

apresentado à Faculdade de Desporto da

Universidade do Porto com vista à

obtenção

do

ciclo

de

Estudos

conducente ao grau de Mestre em Ensino

de Educação Física nos Ensinos Básico e

Secundário (Decreto-lei nº 74/2006 de 24

de março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22

de fevereiro).

(2)

II

Ficha de Catalogação

Pinto, B. M. G. (2015). Ser Professor: Um Sonho Realizado. Relatório de Estágio Profissional. Porto: B. Pinto. Relatório de estágio profissional para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.

PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL; EDUCAÇÃO FÍSICA;

(3)
(4)

IV

DEDICATÓRIA

Aos meus pais, irmão e namorada…

Que tanto admiro e que sempre lutaram pelo

concretizar do meu sonho.

Da mesma forma que me orgulho de vocês, o meu

maior objetivo é que se orgulhem de mim.

(5)
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VI

AGRADECIMENTOS

Aos meus pais, pelo super-heroísmo nos sacrifícios realizados em prol da minha realização pessoal.

Ao meu irmão, por ser uma segurança para que nunca me faltasse nada e por todo o valor que sempre me atribuiu.

À Patrícia Viana, por toda a força, serenidade e incentivo que sempre me transmitiu, por acreditar (e me fazer acreditar) em mim e por ser, desde há muitos anos, o grande pilar na minha vida. Obrigado por estares ao meu lado. À minha Orientadora, Professora Doutora Paula Queirós, por todos os conselhos e preocupações ao longo do ano e pelo auxílio na elaboração deste relatório de estágio profissional.

Ao Professor Cooperante, Professor Doutor Fernando Cardoso, por ter sido, simultaneamente o guia, orientador e conselheiro durante todo o estágio profissional.

Aos meus colegas do núcleo de estágio, por todas as reuniões animadas e produtivas e por termos partilhado esta etapa juntos.

Aos meus alunos, que me proporcionaram uma das melhores e mais enriquecedoras experiências da minha vida.

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VIII

ÍNDICE

DEDICATÓRIA ... IV AGRADECIMENTOS ... VI ÍNDICE DE TABELAS ... XII ÍNDICE DE ANEXOS ... XIV RESUMO ... XVI ABSTRACT ... XVIII LISTA DE ABREVIATURAS ... XX 1. INTRODUÇÃO ... 3 2. ENQUADRAMENTO BIOGRÁFICO ... 7 2.1.QUEM SOU EU? ... 7

2.2.O MEU PERCURSO… A MINHA HISTÓRIA. ... 7

2.3.O MEU ENTENDER DO ESTÁGIO PROFISSIONAL ... 10

2.4.EXPETATIVAS INICIAIS ... 11

2.5.CONFRONTO COM A REALIDADE ... 13

3. ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL ... 19

3.1.ENQUADRAMENTO INSTITUCIONAL LEGAL ... 19

3.2.À DESCOBERTA DA ESCOLA SECUNDÁRIA DE RIO TINTO ... 21

3.3.NÚCLEO DE ESTÁGIO –RE(VE)LAÇÕES POSITIVAS ... 26

3.4.SUPERVISÃO –ABRIGO IMPRESCINDÍVEL ... 28

3.5.A TURMA –RELAÇÃO PROFESSOR /ALUNO ... 30

4. REALIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL ... 35

4.1.ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DO ENSINO E DA APRENDIZAGEM ... 35

4.1.1. Conceção ... 35

4.1.2. Planeamento ... 37

4.1.2.1. Modelo de Estrutura do Conhecimento ... 39

4.1.3. Realização ... 41

(9)

IX

4.1.3.2. Organização e Gestão da Aula ... 44

4.1.3.3. Modelo de Educação Desportiva – Aplicação ... 46

4.1.3.4. Instrução e Feedback ... 49 4.1.4. Avaliação ... 52 4.1.4.1. Avaliação Diagnóstica ... 52 4.1.4.2. Avaliação Sumativa ... 53 4.1.4.3. Autoavaliação ... 55 4.1.5. Reflexões ... 55 4.1.6. Observações de Aula ... 56

4.1.7. Unidades Didáticas – As Modalidades Lecionadas ... 58

4.2.PARTICIPAÇÃO NA ESCOLA E RELAÇÃO COM A COMUNIDADE ... 61

4.2.1. Desporto Escolar ... 61 4.2.2. Atividades Organizadas ... 63 4.2.2.1. Dia Fitness ... 64 4.2.2.2. Um Dia No Avioso... 65 4.2.3. Outras Atividades ... 67 4.2.3.1. Basquetebol – Torneio 3X3 ... 67 4.2.3.2. Corta-Mato Escolar ... 67 4.3.DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL ... 68

PERCEÇÃO DA RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO COMO FATOR MOTIVACIONAL NAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA: ESTUDO REALIZADO A ALUNOS DO 10º ANO DO NÚCLEO DE ESTÁGIO ... 73

5.1.RESUMO... 73

5.2.INTRODUÇÃO ... 74

5.3.REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ... 75

5.3.1. Relação Professor-Aluno no Processo Ensino-Aprendizagem ... 75

5.3.2. Motivação ... 76

5.3.3. A Importância do Professor como Agente de Motivação ... 77

5.3.4. Motivações dos Alunos nas Aulas de Educação Física ... 78

5.4.OBJETIVOS ... 79

5.5.METODOLOGIA ... 80

(10)

X

5.5.2. Instrumentos ... 81

5.5.3 Procedimento ... 82

5.6.APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DE RESULTADOS ... 83

5.7.CONCLUSÕES ... 85 5.8.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 86 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 92 6.1.E AGORA?NO FUTURO? ... 93 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 96 8. ANEXOS ... XX

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XII

ÍNDICE DE TABELAS

(13)
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XIV

ÍNDICE DE ANEXOS

Anexo I – Questionário de Informação do Aluno …...…..………..…..XXII

Anexo II – Plano Anual

………...XXIV

Anexo III – Unidade Didática

………..………....XXX

Anexo IV – Plano de Aula

………..….XXXVI

Anexo V – Ficha de Equipa

………..XXXVIII

Anexo VI – Dados Sociodemográficos

………....XL

Anexo VII – Questionários Relação Professor-Aluno como Fator Motivacional ………..XLII

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XVI

RESUMO

Para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto surge o Estágio Profissional, inserido no 2º ciclo de estudos. Nesta fase, da formação académica de um Professor de Educação Física, o estudante-estagiário vivencia a profissão na sua totalidade, tendo ao seu cargo uma ou mais turmas para lecionar a disciplina numa escola cooperante, devidamente supervisionado por um Professor Orientador e um Professor Cooperante. O documento que se apresenta é um registo das experiências do estudante-estagiário ao longo do ano do Estágio Profissional, onde é descrito todo o percurso de uma forma construtiva, identificando as dificuldades e as respetivas estratégias de resolução. Este documento encontra-se dividido em oito capítulos, ordenados pela seguinte estrutura: Introdução, Enquadramento Biográfico, Enquadramento da Prática Profissional, Perceção da Relação Professor-Aluno como Fator Motivacional no Núcleo de Estágio, Considerações Finais e Referências Bibliográficas. Cada um destes capítulos relata o desenvolvimento de um jovem desde o sonho de ser Professor de Educação Física à concretização desse objetivo. No fundo, este Relatório de Estágio pretende espelhar a marcante experiência de ensino em contexto real de um aluno em período de reconstrução da identidade profissional, que se tornou Professor.

PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL; EDUCAÇÃO FÍSICA;

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XVIII

ABSTRACT

For the degree of Master of Physical Education Teaching in Primary and Secondary Education, by the Sports School of the University of Porto’s Professional Internship, inserted in the 2nd cycle of studies. At this stage of the training of a Physical Education teacher, the trainee-student experiences the profession as a whole, having at his care one or more classes to teach in a cooperative school, properly supervised by a Mentor Teacher and a Cooperating Teacher. The present document is a record of the experiences of the intern student during the year of the Professional Internship, where the entire path is described in a constructive manner, identifying the difficulties and the corresponding strategies for their resolution. This document is divided into eight chapters, ordered by the following structure: Introduction, Biographical Background, Professional Practice Framework, Achievement of Professional Practice, Perception of the Teacher-Student Relationship as a Motivational Factor, Final Considerations, References and attachments. Each of these chapters reports the development of a young man from the dream of becoming a teacher of Physical Education to the achievement of this goal. In conclusion, this Report is intended to reflect the outstanding educational experience in a real context of a student, in a period of reconstruction of his professional identity, who became a Teacher.

KEYWORDS: PROFESSIONAL INTERNSHIP; PHYSICAL EDUCATION;

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(20)

XX

LISTA DE ABREVIATURAS

AD – Avaliação Diagnóstica AS – Avaliação Sumativa DE – Desporto Escolar EC – Escola Cooperante EE – Estudante(s) Estagiário(s)

EEFEBS – Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário EF – Educação Física

EP – Estágio Profissional

FADEUP – Faculdade de Desporto da Universidade do Porto MEC – Modelo de Estrutura do Conhecimento

MED – Modelo de Educação Desportiva NE – Núcleo de Estágio

PA – Plano Anual

PC – Professor Cooperante

PES – Prática de Ensino Supervisionada PO – Professor Orientador

RE – Relatório de Estágio UD – Unidade(s) Didática(s)

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3

1. Introdução

Para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário (EEFEBS), correspondente ao 2º ciclo de estudos, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP), surge o Estágio Profissional (EP).

A qualidade da formação de um docente de Educação Física (EF) é intrinsecamente proporcional às exigências da profissão e o EP revela-se como sendo a formação de qualidade ambicionada, dado o contexto real em que somos privilegiadamente inseridos durante a formação inicial.

O EP tem como objetivo a integração do Estudante-Estagiário (EE) no contexto real de uma escola, vivenciando a docência na sua totalidade, devidamente orientado por um Professor Orientador (PO) e por um Professor Cooperante (PC). Este proporciona um autêntico desenvolvimento profissional, sendo uma valia na formação enquanto docente e na (re)construção da identidade profissional.

O EP da FADEUP incorpora dois constituintes: a Prática de Ensino Supervisionada (PES) e o Relatório de Estágio (RE), sendo este o presente documento. Ao longo de todo um ano letivo, o EE exerce as funções de docente de Educação Física numa escola denominada de escola cooperante (EC), estando ao cargo do EE a responsabilidade por todo o processo de ensino-aprendizagem de uma ou mais turmas.

O presente RE tem como título “Ser Professor: Um Sonho Realizado” e espelha todas as experiências vivenciadas no EP. É um documento reflexivo, envolvendo relatos desde o sonho de ser Professor de EF, enquanto criança, até à realização desse mesmo sonho, que é o presente, procurando transmitir todos os sentimentos vividos ao longo de todo o percurso.

A organização do RE é feita pela divisão de oito capítulos, sendo eles: (1) Introdução; (2) Enquadramento Biográfico, onde regresso ao passado e descrevo o meu percurso enquanto atleta, no desejo de me formar em EF, incluindo as expetativas iniciais do EP e o confronto com a realidade; (3)

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4

Enquadramento da Prática Profissional, onde é enquadrado o EP, tanto no ponto de vista legal como no ponto de vista institucional, havendo ainda um ponto correspondente à caracterização da EC; (4) Realização da Prática Profissional, onde são descritos todos os pontos da prática pedagógica a partir das três áreas de desempenho definidas nas Normas Orientadoras do Estágio Profissional 2014-2015, sendo elas a Área 1 – Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem, Área 2 – Participação na Escola e Relação com a Comunidade e Área 3 – Desenvolvimento Profissional; (5) Perceção da Relação Professor-Aluno como Fator Motivacional nas Aulas de Educação Física, onde me dedico à investigação-ação numa das minhas observações do EP; (6) Considerações Finais, onde discorro sobre as principais conclusões e sobre o meu pensamento sobre o futuro; (7) Referências Bibliográficas; e por fim, (8) Anexos.

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7

2. Enquadramento Biográfico

2.1. Quem sou eu?

A pergunta “quem sou eu?” ou “quem és tu?” surge muitas vezes no dia-a-dia e quando menos espero. A verdade é que dada a “surpresa”, nunca sei corretamente aquilo que posso dizer pois sou muito mais do que apenas o meu nome, muito mais do que o local onde vivo e muito mais do que aquilo que faço. Mas, aqui vai:

O meu nome é Bruno Pinto e sou originário de Vila Nova De Gaia, nasci nesta mesma cidade, habito numa das maiores Freguesias do Concelho, Vila De Grijó, desde que me lembro.

Não é clichê, por ter uma formação no Desporto, mas a verdade é que este está sempre presente na minha vida, não só porque aprendo e ensino mas também porque é com a prática desportiva que ocupo os meus tempos livres.

Sou Instrutor de Fitness, Diretor Técnico num dos ginásios, onde exerço a profissão, e continuo no caminho para o sonho de uma vida - ser Professor de Educação Física.

2.2. O meu percurso… a minha história.

Foi desde cedo que começou o meu interesse pelo Desporto e por todo o mundo que o rodeia. Foi já enquanto aluno de Escola Primária, na minha Freguesia, por intermédio do meu único irmão que é mais velho, sempre muito ligado ao desporto também, que ingresso na primeira modalidade desportiva da minha curta vida, a arte marcial Goju-ryu. Fui praticante durante dois anos no escalão sénior, não por qualidade ou por talento, mas por conveniência, pois era extremamente difícil para os meus pais conseguirem fazer com que ambos os filhos treinassem duas vezes semanais em horários diferentes, dada a distância que tinham que percorrer até ao local de prática.

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8

Entre “cambalhotas” e rodas, foi ainda na Primária que surge uma das minhas grandes paixões. A Ginástica, desde muito cedo, começou a fazer parte da minha vida, de uma forma amadora. Sempre que possível, em colchões ou tapetes, em casa e sozinho, com o maior cuidado do mundo, tentava fazer todas aquelas “coisas” arriscadas que via na televisão. Nas chamadas aulas de ginástica da escola primária era claro o meu entusiasmo ao ver um colchão e era certo que o meu lugar, já marcado, era no início da fila. É nessa altura que surge o primeiro convite para ingressar no mundo da Ginástica por intermédio do Professor responsável pelas aulas da minha turma, que exercia também a sua profissão num grupo de Ginástica do Colégio Liceal de Santa Maria de Lamas. No entanto, não foi nesse momento que me iniciei pois, com uma idade tão jovem, permanecia o medo de estar fora de casa sem qualquer amigo ou familiar.

Com o início do Ensino Básico, que por uma reprovação no 9º Ano teve a duração de seis anos, dei continuidade à experiencia em modalidades desportivas. Durante os 2º e 3º Ciclos, no Desporto Escolar, desde o 5º Ano de escolaridade, comecei por praticar esgrima, tendo permanecido na modalidade durante quatro anos. Entre competições interescolares, sempre com bons resultados, foi uma modalidade desportiva que meu deu bastante prazer praticar, também pela habilidade que possuía.

Ao mesmo tempo surge também, no desporto escolar, a Ginástica, tanto de solo como de aparelhos, nomeadamente minitrampolim. Foi durante todo o meu percurso do Ensino Básico que a Ginástica permaneceu e, ainda hoje, considero esta disciplina – que pratiquei sempre com muito gosto, como uma das modalidades da minha vida.

Ainda no Ensino Básico surge o Futebol. Porquê? Os outros praticavam e eu queria praticar também. Razão válida? Não sei, mas é a modalidade que ainda permanece, mais propriamente o Futsal. Enquanto pequeno, fui praticante de Futebol de Onze durante um ano no clube local, em Grijó, mas é a partir do momento em que experimento o Futsal que descubro a modalidade da minha vida que ainda hoje pratico (e já lá vão cerca de treze anos).

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9

Foi no clube de Futsal da Vila de Grijó – Santo António de Grijó, que iniciei o meu percurso como federado, independente do clube de Futebol de Onze local. No clube, que hoje, infelizmente, já não existe, joguei desde o escalão de Infantil, passando pelos escalões de Iniciado, Juvenil e Júnior. Com o fim do escalão de Juniores decidi alargar os meus horizontes e é nesse momento que, na última semana de inscrições, permitida pela Associação de Futsal do Porto, consigo ingressar no clube de Futsal da Associação Desportiva Modicus Sandim, clube esse que ainda hoje é ativo na Primeira Divisão Nacional de Futsal e com um grande percurso na modalidade e que me fez “voar” nesses mesmos campeonatos.

Todo este percurso já estava ativo durante o meu Ensino Secundário, no Colégio Internato Dos Carvalhos, do qual só consigo e tenho possibilidades de elogiar ao máximo pelos excelentes profissionais que ajudaram na minha educação e, ainda, pelas excelentes estruturas físicas e apoio psicológico. O curso que frequentei foi o Curso Cientifico-Tecnológico de Animação Sócio Desportiva que me deu imenso prazer frequentar, tendo sido, sem dúvida, até hoje, dos melhores anos da minha vida.

Com o fim deste percurso começam a surgir as dúvidas em seguir o caminho do mundo do Desporto, nomeadamente o ensino superior. Uma oportunidade que me foi dada pelo Coordenador do curso do Colégio, em estagiar no Grupo Desportivo Do Colégio Internato Dos Carvalhos, deu outro rumo à minha vida. O gosto pelo Fitness, em que estagiei e que hoje é a minha profissão, cresceu, e a chama do sonho em lecionar em escolas reacendeu.

Apesar de um ano depois do fim do Ensino Secundário, concorro ao Ensino Superior. Como os Exames Nacionais de acesso foram feitos nesse mesmo ano a média de acesso não era satisfatória. Apesar de ter entrado em Universidades Públicas, mas muito longe, optei por ficar por perto e concorrer ao Ensino Privado, Escola Superior de Educação Jean Piaget. Com as dificuldades em pagar as propinas mas com o sonho de ser Professor, começo a trabalhar numa caixa de supermercado. Foram anos fantásticos e hoje consigo perceber que fiz a melhor escolha possível.

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É então altura de tentar entrar na melhor Faculdade de desporto do País e fazer por cumprir um dos maiores sonhos da minha vida. Com a entrada na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto senti que meio caminho estava cumprido pois este era um dos grandes objetivos da minha vida. Hoje, olho para o meu caminho e orgulho-me de tudo o que experimentei e tudo o que fiz para ser o que sou.

Sou feliz pelas escolhas que fiz e o arrependimento não entra em qualquer momento desta página da minha vida. Quero continuar a praticar mas acima de tudo quero aprender e ensinar, tal como me ensinaram, tentando fazer com que o próximo experimente todo o trabalho que têm vindo a fazer comigo.

2.3. O meu entender do Estágio Profissional

Chegou o ponto de finalizar o EP, a última fase da formação inicial mas também o início de um sonho que sempre ambicionei, ser Professor de EF.

O EP tem o grande objetivo de promover as vivências que conduzam ao desenvolvimento da competência profissional, como sejam, as competências docentes a integrar no exercício da prática pedagógica (Ministério da Educação1, 1989).

Foi naquela altura, no início do ano letivo como estagiário, que comecei a pensar em identidade profissional. Surgiu a vontade e ambição em defini-la, de acordo com os meus interesses e crenças. A identidade profissional resulta de um jogo complexo de processos de formação e socialização, que não descarta a ação social do professor (ainda estagiário) e por isso mesmo, não pode ser reduzido a processos unidirecionais de transmissão, assimilação e reprodução social (Graça, 2014).

A competência pode ser trabalhada no espaço do EP, mas nunca alcançada nesse mesmo espaço, pois a competência adquire-se com a

1

Ministério da Educação. (1989). Decreto-Lei n.º 344/89, 234/89 de 11 de Outubro de 1989. 1ª Série 4426 – 4431.

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experiência profissional, entendida como tempo de prática refletida, em que tudo depende da qualidade das experiências que se tem. Ser competente é mais do que ser eficaz. No entanto, entendo que o estágio não impede de começar a colecionar formas de lá chegar.

Neste sentido, o EP configurou-se como uma oportunidade única de aquisição, desenvolvimento e aperfeiçoamento de competências da identidade profissional e de ensino, através de um universo autêntico de vivências no contexto escolar. Assim, foi essencial realizar e identificar os objetivos, as estratégias, as dificuldades, os recursos, para dar um sentido e (pre)encher o processo ensino-aprendizagem.

Sempre fomos alertados para fases de receio e insegurança, de luta, de sobrevivência; foram muitas as ideias, os projetos, os objetivos, os medos naturais no início desta etapa que chega agora ao fim. Este foi, sem dúvida, o tempo e a altura em que a luta foi constante, em que nos superamos a nós mesmos.

A realização do EP constituiu-se como uma experiência bastante satisfatória, positiva e enriquecedora, na medida em que contribuiu para o melhoramento das minhas competências, para a aquisição de novos conhecimentos e saberes. O ano de Estágio foi (espero eu e todos os meus colegas) o primeiro de muitos anos enquanto docente de Educação Física, o primeiro de muitos anos de prática refletida, o primeiro passo de uma longa jornada, o primeiro passo na busca incansável da competência profissional.

2.4. Expetativas iniciais

É certo que a formação contínua dos profissionais da Educação Física não permite que se deixe de ser um aluno permanente desta área mas a ansiedade e a vontade de ver cumprida a minha transição de Aluno para Professor e estar realmente inserido no processo de ensino-aprendizagem, como educador e orientador do futuro, foram permanentes e existentes desde há muito tempo.

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No inicio do Estágio Profissional, antes de passar a ser um dos “s’tores” de Educação Física da Escola Secundária de Rio Tinto, existiram grandes necessidades de procurar, reconhecer e/ou melhorar a minha identidade como Educador e Professor de Educação Física. Contudo, da mesma forma que existia o enorme lado positivo, eu estava também ciente de que os medos de não conseguir ser aquele “ideal” de professor eram presentes e também possíveis. Ao mesmo tempo, não deixava de ter o desejo mas também alguma certeza de que o meu melhor seria dado em cada dia do caminho como Professor Estagiário que esperava percorrer com o melhor e maior apoio possível, estando sempre aberto a críticas, opiniões e livre para me adaptar e melhorar.

Antes de conhecer o meu destino e saber a turma ou as turmas que teria ao meu cargo, foram sempre presentes os “frios” na barriga e os pensamentos de todos os “tipos” de alunos que eu poderia ter debaixo da minha “asa”. Penso que eu não fui exceção ao ambicionar uma turma que me ajudasse no meu trabalho enquanto Professor Estagiário, com bom comportamento e bom aproveitamento. Com isto, nós, alunos estagiários, não queremos dizer que gostávamos de ter o nosso trabalho facilitado mas é certo que os medos estão tão presentes que toda a ajuda é bem-vinda. A verdade é que gosto de ser desafiado e, portanto, as minhas expetativas iniciais não rondaram muito aquilo que pudesse esperar da minha turma.

Apesar de sempre existirem lacunas e defeitos, quer como pessoa quer como Professor, a minha ambição inicial passou por procurar solucionar tudo aquilo que limitasse o processo de Educação, a todos os níveis, fazendo por manter um ano letivo organizado, que facilitasse todas estas ambições.

A máxima apreensão de competências, conhecimentos e métodos, foram outros dos meus grandes objetivos para o percurso inicial, mantendo a necessidade e flexibilidade à criatividade e à inovação, sempre com a aspiração de transmitir a melhor orientação possível.

A eficácia é uma das grandes simples palavras que sempre preservei e foi por isso que procurei incutir desde o início do meu ano de EP de forma a,

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13

não só lecionar, como contribuir para o crescimento e desenvolvimento dos jovens a nível pessoal e social, com o grande objetivo de cativar os alunos para a prática contínua da atividade física extra curricular. Ambicionei manter, por parte dos alunos, o maior interesse possível pelas minhas aulas também. Ambicionei incentivar esses mesmos "meus" alunos à vida saudável, contribuindo acima de tudo para a pretensão do bem-estar físico, mental e social.

Toda a pouca experiência que fui adquirindo ao longo da minha formação precisava por si só de evoluir no processo de ensino-aprendizagem e aquilo que desejei no início do EP foi fazer por ter capacidade de resposta a todas as adversidades, mesmo sabendo o quanto difícil seria.

2.5. Confronto com a realidade

Foi de forma entusiasta que ansiei iniciar o EP. Era inevitável o calafrio na barriga, seja por nervosismo ou “simplesmente” pela felicidade de começar a ver ser cumprido o início do sonho de ensinar e ser Professor de EF. É até encarar a arduidade de todo o trabalho a realizar que todo esse entusiasmo é posto à prova, iniciando-se um aumento de nervosismo. Eu julguei que fosse simples pois toda a minha formação foi a preparação que preciso para colocar tudo a funcionar, sendo apenas necessário aplicar toda a organização necessária. Percebi então a dificuldade de tudo aquilo que me esperava e confesso que desencorajei com o fato de imaginar a complexidade do ano.

Simões (citado por Queirós, 2014, p. 68), diz-nos que nos primeiros anos da carreira profissional, por mais adequada que seja a preparação do Professor em termos científicos e pedagógicos, existe sempre o chamado “choque com a realidade, o que, na minha opinião, acontece também no EP. O autor defende que esse “choque” deve-se às diferenças encontradas entre a formação inicial e o que de facto acontece na realidade.

Recordo um dos primeiros momentos na escola em que todo o Núcleo de Estágio (NE) se reuniu juntamente com o PC. A preocupação do nosso tutor

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era visível pois afinal de contas, apesar de tudo ser novo para nós, nada era novo para ele. Ele sabia as dificuldades que iríamos atravessar e para a aula de apresentação, em que iríamos mostrar a nossa primeira aparência, preparou um guião de tudo aquilo com que nos deveríamos preocupar (literalmente preocupar). Esse guião foi a minha companhia até ao dia de apresentação à turma e, juntamente com os tópicos decorados, carreguei comigo o nervosismo que seria característico nos dias de dar aula, por muito tempo.

Todos os dias de aula eram dia de acordar sempre bem cedo e um pouco impaciente, desejando que o dia, mas especialmente a aula, me corresse pelo melhor. O normal é ouvir que nós aprendemos com os erros mas a verdade é que queremos aprender evitando errar. A verdade é que de dia para dia fui percebendo que o aluno deixou de existir, dando lugar ao Professor. Mas, também me deparei com a dificuldade daquilo que é ser Professor. A responsabilidade acresce e começo a entender que apesar de me terem sido transmitidos todos os ingredientes, não me foram transmitidas as doses a utilizar.

Fui-me deparando ao longo do ano com dificuldades inimagináveis até ao confronto com a realidade mas reconheci a necessidade de adaptar os conhecimentos que adquiri na faculdade (teóricos, teórico-práticos e resultantes das práticas pedagógicas com os colegas) ao contexto escolar (Marcon et al., 2012). Entre dificuldades, surgiram as diferenças - já não existiam colegas de turma a errar propositadamente para eu corrigir, a obedecer facilmente às minhas palavras nem a contribuir para que o período da aula decorresse sem perturbações.

Siedentop & Tannehill (2000) indicam três dimensões de intervenção pedagógica com que o EE se deve preocupar e manter atento, nomeadamente o controlo da turma/ disciplina, a gestão/ organização da aula e a instrução/ feedback. Mas, quando me apercebo de toda a preocupação que cada uma acarreta, começo a pensar na necessidade de desenvolver competências. Este desenvolvimento divide-se na capacidade de identificar as diferentes situações

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que devemos controlar, assim como os problemas a resolver e as decisões que temos de tomar, avaliá-las no seu verdadeiro significado e reagir de forma adequada, sabendo que é necessário clarificar os conhecimentos e as preocupações necessárias (Perrenoud et al., 2002).

O controlo da turma não foi a maior das dificuldades que senti mas a boa relação com a mesma, dentro e fora de aula, foi uma ambição constante, mesmo antes de a conhecer. Neste campo, tive uma enorme ajuda de alunos excecionais que sempre me deram motivos para manter a cabeça erguida, sem nunca esquecer que a exigência é uma das competências essenciais do bom professor (Proença, 2008).

Foi um ano repleto de sobressaltos e confrontos internos com as minhas ideias e ideais, resultantes das dificuldades encontradas, de entre muitas, caso contrário a experiência como EE perdia todo o sentido.

Nos dias de hoje, apesar das constantes adaptações a que fui posto à prova, onde a realidade se tornou diferente daquilo que eu imaginava, sou Professor. Não sou uma pessoa diferente, depois deste ano, sou apenas uma pessoa mais preenchida, com mais vivências e mais conhecimento daquilo que é ser Professor. Não conheço todos os cenários de uma escola e de uma turma, aliás, ninguém conhece, e acredito que quando existir “um novo confronto com a realidade” poderei reviver todos os sentimentos com que me deparei ao longo do ano, mas certamente que continuo e continuarei a construir uma melhor preparação pessoal.

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3. ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA

PROFISSIONAL

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3. Enquadramento da Prática Profissional

3.1. Enquadramento Institucional Legal

O EP, segundo o artigo 2º, ponto 1, expresso no Decreto-Lei nº 66/2011 de 1 de Junho2, “consiste na formação prática em contexto de trabalho que se destina a complementar e a aperfeiçoar as competências do estagiário, visando a sua inserção ou reconversão para a vida ativa de forma mais célere e fácil ou a obtenção de uma formação técnico-profissional e deontológica legalmente obrigatória para aceder ao exercício de determinada profissão” (p. 3023).

O EP, na FADEUP, representa uma unidade curricular do 3º e 4º semestres do 2º ciclo de estudos em EEFEBS, conducente ao grau de Mestre. Este, é constituído pela PES – onde o EE vive a profissão de Professor de Educação Física em contexto real de ensino, desenvolvendo todas as competências profissionais através de uma formação fundamentalmente prática, crítica e reflexiva – e o RE – que é um documento que relata as experiências vividas na PES, defendido perante um júri em provas públicas (Regulamento da Unidade Curricular Estágio Profissional3 2014-2015).

No Decreto-Lei nº 74/20064 é observada uma caracterização mais detalhada de cada um dos ciclos de estudos do ensino superior, desenvolvidos no âmbito do Processo de Bolonha, onde a questão central “é o da mudança de paradigma de ensino de um modelo passivo, baseado na aquisição de conhecimentos, para um modelo baseado no desenvolvimento de competências, onde se incluem quer as naturezas genéricas – instrumentais, interpessoais e sistemáticas – quer as de natureza específica associadas à área de formação, e onde a componente experimental e de projeto desempenham um papel importante” (p. 2243). No mesmo documento é descrito no artigo 15º, ponto 1, que o grau de mestre é atribuído aos que

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Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social. (2011). Decreto-Lei nº 66/2011 de 1 de Junho de 2011. 1ª Série 3023.

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Regulamento da Unidade Curricular Estágio Profissional do Ciclo de Estudos conducente ao

Grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundário da FADEUP: 2014-2015. Porto: Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Matos, Z.

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Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. (2006). Decreto-Lei nº 74/2006 de 24 de Março de 2006. Diário da República,1ª Série-A 2243-2246.

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demonstrem “capacidade para integrar conhecimentos, lidar com questões complexas, desenvolver soluções ou emitir juízos em situações de informação limitada ou incompleta, incluindo reflexões sobre as implicações e responsabilidades éticas e sociais que resultem dessas soluções e desses juízos ou os condicionem” (p. 2246).

No Processo de Bolonha, segundo o Decreto-Lei nº 43/20075, as habilitações profissionais exigidas para a docência em cada ciclo de ensino, especificando o ensino básico e secundário, “é conferida a quem obtiver esta qualificação num domínio específico através de um mestrado em Ensino (…) ” (p. 1320). Com vista à obtenção deste grau académico, o EP é, assim, considerado no mesmo documento, um “momento privilegiado, e insubstituível, de aprendizagem, de mobilização dos conhecimentos, capacidades, competências e atitudes, adquiridas nas outras áreas, na produção, em contexto real, de práticas profissionais adequadas a situações concretas na sala de aula, na escola e na articulação desta com a comunidade” (p. 1321).

De acordo com as Normas Orientadoras do EP da FADEUP6, o EP é entendido como “projeto de formação do estudante com a integração do conhecimento proposicional e prático necessário ao professor, numa interpretação atual da relação teoria prática e contextualizando o conhecimento no espaço escolar. O projeto de formação tem como objetivo a formação do professor profissional, promotor de um ensino de qualidade. Um Professor reflexivo que analisa, reflete e sabe justificar o que faz em consonância com os critérios do profissionalismo docente e o conjunto das funções docentes entre as quais sobressaem funções letivas, de organização e gestão, investigativas e de cooperação.” (p. 3). Quanto aos objetivos do EP, de uma forma geral, este, “visa a integração no exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada, em contexto real, desenvolvendo as competências profissionais que promovam nos futuros docentes um desempenho crítico e reflexivo, capaz de

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Ministério da Educação. (2007). Decreto-Lei nº 43/2007 de 22 de Fevereiro de 2007. 1ª Série 1320-1321.

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Matos, Z. Normas Orientadoras do Estágio Profissional do Ciclo de Estudos Conducente ao Grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da FADEUP: 2014-2015. Porto: Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.

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responder aos desafios e exigências da profissão” (p. 3). Está organizado nas seguintes áreas de desempenho:

I. Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem II. Participação na Escola e Relação com a Comunidade III. Desenvolvimento Profissional

Todas as fases de conceção, planeamento, realização e avaliação do ensino estão englobadas na área 1, onde o EE está orientado para a construção de estratégias de intervenção que conduzam ao processo de educação e formação do aluno na aula de EF. Na área 2, a integração do EE na comunidade escolar é o foco, sendo esta através da organização de atividades não letivas, que contribuam para o desenvolvimento da relação entre a escola e a comunidade/meio. Engloba também a participação ativa do EE nas atividades do Desporto Escolar (DE) e/ou da Direção de Turma. Por último, na área 3, a pretensão é o desenvolvimento da competência profissional do EE. Inclui tarefas como o Projeto de Formação Individual e um estudo de investigação-ação.

Fica à inteira responsabilidade do EE o cumprimento das mais variadas tarefas, assumindo-se, assim, como um Professor autónomo, supervisionado pelo PC (e eventualmente pelo PO), e responsável pelo planeamento e lecionação das aulas, numa turma previamente definida da EC.

3.2. À descoberta da Escola Secundária de Rio Tinto

A escola não está limitada a ser uma instituição criada, apenas, com o propósito de transmitir conhecimentos, e muito menos a um conjunto de edifícios frequentados por professores, auxiliares e alunos, que se orientam por regulamentos e manuais (Brito, 2008). De acordo com Brito (2008, p.47), “uma escola é algo de dinâmico que contém um espírito que a define”. Partindo desta afirmação, percebemos que a escolha da EC representa um dos grandes

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cuidados do EE (Albuquerque et al., 2012), tendo em conta que a respetiva seleção vai influenciar todo o EP.

No meu caso, a escolha da EC não se deu com base em conhecimentos sobre as condições da escola (um dos fatores que influenciam o EE segundo Albuquerque et al., 2012) ou mesmo baseada em laços previamente criados. Com sinceridade, na seleção da escola, ligadas à FADEUP, o meu maior cuidado foi a proximidade da minha residência (representando a EC a minha sétima opção). Não conhecia a EC nem as suas instalações e, portanto, parti para o EP com desconhecimento total do Núcleo de Estágio (NE) em que iria estar inserido, assim como de todos com os que me poderia cruzar (professores, alunos e auxiliares), resultando numa completa prova de ansiedade.

A escola que me “acolheu” durante todo o ano letivo é de seu nome Escola Secundária de Rio Tinto, pertencente ao Município de Gondomar, mais propriamente à freguesia de Rio Tinto, acolhendo também alunos de Baguim do Monte e Fânzeres, entre outras.

De acordo com o Projeto Educativo da Escola Secundária de Rio Tinto7 escola conta com oferta formativa para alunos do 2º e 3º ciclos, ensino secundário e cursos profissionais. Durante o ano letivo decorrido, a nível do segundo ciclo, a escola foi portadora de quatro turmas do quinto ano de escolaridade e duas turmas do sexto ano. No que respeita ao terceiro ciclo de ensino, foram quatro as turmas do sétimo ano, seis do oitavo ano e seis turmas do nono ano do ensino básico. Quanto ao ensino secundário, disponibilizam-se dezasseis turmas do décimo ano, divididas entre os Cursos de Ciências e Tecnologias, Artes Visuais, Ciências Socioeconómicas e Línguas e Humanidades, sendo toda esta oferta na vertente dos Cursos Científico-Humanísticos. Relativamente aos Cursos Profissionais existe uma turma do Curso de Técnico de Eletrónica, Automação e Computadores, outra do Curso de Técnico de Turismo e finalmente uma turma do Curso de Técnico Auxiliar de Saúde. No décimo primeiro ano a oferta e o número de turmas dos Cursos

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Científico-Humanísticos mantem-se, verificando-se uma ligeira alteração nos Cursos Profissionais, onde apenas a turma do Curso de Técnico de Eletrónica, Automação e Computadores permanece, surgindo uma turma do Curso de Técnico de Receção e outra do Curso de Técnico de Apoio Psicossocial. No décimo segundo ano a escola conta com catorze turmas, divididas entre os Cursos de Ciências e Tecnologias, Línguas e Humanidades, Ciências Socioeconómicas e Artes Visuais. Ao nível profissional, existe uma turma de cada um dos seguintes cursos: Técnico de Artes Gráficas, Técnico de Gestão e Equipamentos Informáticos, Técnico de Turismo e Técnico de Comércio. Além de toda a oferta educativa descrita anteriormente, esta escola disponibiliza ainda Cursos de Formação de Adultos com duas turmas de Educação e Formação para Adultos, dando equivalência ao nono e ao décimo segundo ano e duas turmas do Recorrente, com ofertas ao nível secundário dos Cursos de Ciências e Tecnologias, Ciências Socioeconómicas e Línguas e Humanidades.

A Comunidade Educativa é composta por 272 docentes, entre contratados, de quadro de zona pedagógica e quadro de agrupamento, para além de um técnico especializado com funções de formador CEF. Esta entidade conta ainda com a colaboração de um largo grupo de pessoas não docentes que trabalha em prol do bom funcionamento da escola, e representa uma grande parcela da comunidade escolar.

Para suportar, servir e apoiar toda esta população, a escola apresenta excelentes condições físicas contemplando uma secretaria, um PBX, uma biblioteca e um centro de recursos, um bar, um refeitório, uma loja escolar, uma zona polivalente, dois auditórios, vários pavilhões com salas preparadas para ensinar os alunos em cada um dos seus cursos, uma zona destinada à Direção da escola, uma sala de trabalho de professores, uma sala de descanso dos professores, uma sala dos alunos, várias casas de banho espalhadas pelo recinto escolar para população dita normal e portadores de deficiência, uma entrada principal e um amplo espaço exterior que rodeia todos os edifícios escolares.

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Relativamente aos espaços disponíveis para a prática da EF a escola conta com sete espaços sendo eles, dois pavilhões cobertos (G1, G2, G3 e G4), um deles com bancada, uma sala com espelhos (G5), um campo exterior multiusos (G6) e dois campos de ténis (G7).

 O pavilhão com os espaços G1, G2 e G3 contém marcações das linhas de três campos de basquetebol, dois pequenos e um grande, três campos de Voleibol, dois pequenos e um grande, um campo de Futsal e um campo de Andebol. Este foi um dos espaços onde lecionei a maior parte das aulas. Foi possível realizar todas as modalidades mas sempre com algumas adaptações, dada a divisão do campo. Sempre que era introduzida uma modalidade coletiva (andebol e futebol), eram também muitos os esforços a realizar para adaptar as aulas ao espaço. Da mesma forma, tanto para o Voleibol como para o Badmínton, o comprimento do espaço não era o suficiente para manter toda a turma em atividade na dita “rede” (fita ou elástico que atravessava o espaço);  No espaço G4 observam-se linhas de três campos de voleibol, um

central e dois laterais, três campos de badmínton, três campos de basquetebol, um campo de futsal e um campo de andebol. Este espaço era o ambicionado por todos os Professores e EE. Era um espaço que não era necessário dividir com mais nenhuma turma e, apesar das dimensões menores em relação às oficiais, tinha todas as condições necessárias para a docência de EF;

 A sala G5 era essencialmente para atividades rítmicas, possuindo o chão em madeira, uma parede de espelhos e colchões. Neste espaço, era possível realizar, única e exclusivamente, modalidades como Ginástica e Dança (das presentes no nosso plano anual). No meu caso, apenas o utilizei para Ginástica Acrobática, revelando-se como sendo o mais acolhedor e ideal para essa prática;

 No exterior, encontra-se o G6, com bancada, uma caixa de areia sem corredores de saltos, quatro tabelas de Basquetebol, duas balizas e marcações de linhas de um campo de Futsal, dois campos de Basquetebol, um campo de Andebol. Este espaço é ainda destinado à

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prática de atletismo embora não contenha a pista marcada. Este espaço nunca esteve no meu roulement mas sempre se encontrou livre durante o tempo das minhas aulas. Foi o espaço mais utlizado no terceiro período, com a chegada do bom tempo, e o espaço onde proporcionei as minhas melhores aulas, dadas as dimensões.

 Por fim, no G7, existem quatro tabelas de Basquetebol, duas redes de ténis e marcações de dois campos de ténis. Apesar de o Plano Anual ter Ténis, foi uma modalidade que não tive tempo de dar, não tendo, por isso, a necessidade de lecionar neste espaço.

A obrigatoriedade em, por vezes, lecionar nos espaços divididos com outras turmas, levou-me à impossibilidade de proporcionar as aulas dinâmicas que sempre fiz por manter na minha turma, dado o curto espaço disponível, nomeadamente nos desportos coletivos, em que, em certas situações, era presente a falta de balizas e de área para a modalidade de Andebol (por exemplo, pois no Futebol sempre lecionei no espaço exterior, estando disponível na sua totalidade durante as minhas aulas). Por outro lado, foi uma mais-valia na aquisição de inúmeras experiências em cada uma das aulas. Cada um dos espaços mereceu uma adaptação diferente e refletida nos planos de aula, previamente elaborados, dada a diferença de medidas e material que os caracteriza. Desta forma, a lecionação em diferentes espaços, revelou-se, também, uma característica enriquecedora no EP, dando-me a necessidade de aprender a me adaptar a diferentes ambientes físicos.

Quanto ao grupo de EF, este é constituído por catorze professores, podendo estar sete turmas a trabalhar em simultâneo em todos os espaços descritos anteriormente.

Focando também em todo o material disponível, este reúne todas as condições necessárias para lecionar as diferentes Unidades Didáticas (UD). A vasta disponibilidade de material permite que os alunos, assim como os Professores, sejam portadores de aulas com qualidade. Apesar de existir material que ainda pode ser renovado, tendo em conta o seu desgaste, é

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sempre possível, aos Professores, lecionar a mesma UD simultaneamente, havendo suficiência de material em cada espaço. No entanto, neste sentido, para que não existam contratempos, o planeamento anual está, dentro dos possíveis, ajustado de forma a não coincidirem as modalidades entre as turmas.

A escola é o lugar onde o jovem desenvolve amizades, ideias, princípios, objetivos e todo um conjunto de bases que contribui para a criação da identidade. Para além disso, é o local onde qualquer jovem passa, provavelmente, a maior parte do dia-a-dia, sendo atribuindo à escola uma responsabilidade acrescida no seu desenvolvimento. Agora sinto que, também para mim, esta escola contribuiu para a criação da minha identidade, neste caso, como Professor.

3.3. Núcleo de Estágio – Re(ve)lações positivas

Rolim (2013) diz-nos que os EE constituem o elemento central do NE. No meu caso, foi mais um motivo de ansiedade. Em primeiro lugar, porque desconhecia pessoalmente os restantes três EE (um rapaz e duas raparigas) e em segundo, porque tinha patente na minha mente que iria viver o EP apenas para mim, como um trabalho individualizado. Cada um de nós, do NE, possuía caminhos de formação distintos, com o Mestrado em EEFEBS da FADEUP a marcar o ponto comum.

Inicialmente, a interação que possuíamos era quase uma “obrigação”, tal como eu já esperava. Todas as aulas que cada EE lecionava, eram observadas pelos restantes membros do NE, o que, sem dúvida, nos levou a ambicionar proporcionar a melhor aula possível à vista não só dos alunos como dos EE. As observações eram bastante formais, com enumeração dos pontos positivos e negativos do colega, assim como possíveis melhorias a ter em conta. No entanto, inicialmente, o facto de o grupo pouco se conhecer, limitou a troca de ideias e sugestões.

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Na minha opinião, foi um período de ambientação para todos os membros. Com isto, não quero dizer que não colaborámos uns com os outros, muito pelo contrário, ajudámo-nos mutuamente e procurámos manter uma sintonia a nível de planeamento mas, inicialmente, ainda não havia aquele companheirismo que comecei a desejar e o convívio era ainda muito escasso.

Rapidamente, tudo começou a mudar. A meio do primeiro período começamos a perceber que o trabalho de equipa era, também no EP, um ideal de sucesso. Começamos a tirar proveito dos conhecimentos e experiências de cada um e, afortunadamente, todos nós estávamos ligados a Modalidades Desportivas diferentes, o que nos permitiu, ao longo do ano, consultar sempre aqueles que nos eram mais próximos – os EE do NE. Começamos a interagir, a trocar ideias e opiniões.

De todos os motivos que nos levaram a iniciar uma relação de amizade (sim, penso que com o consentimento de todos posso colocar esse “rótulo”), um dos grandes “culpados” foi a turma partilhada do 5º ano. O trabalho em equipa, quer na totalidade do NE, quer na formação de diferentes duplas, para a lecionação de cada modalidade, permitiu-nos conhecer melhor a personalidade de cada um dos EE e os métodos com que cada um trabalhava. Aqui, começaram a ser permanentes os almoços em conjunto, para trocas de ideias ou muitas vezes para convívio e diversão.

Todos os momentos de interação e convívio levavam a uma visão final mais inclusiva da docência e da EF, isto é, uma cooperação competente rentabiliza o resultado final (Rolim, 2013). Para além de tudo, o EP é um processo de construção e, de acordo com Proença (2008, p. 54), “ (…) nenhuma existência e construção são exclusivamente individuais”. Em muitos momentos do meu EP, aprendi com os meus colegas, ignorando por completo a ideia de que o trabalho ao longo do ano seria exclusivamente autónomo, e utilizei algumas das suas estratégias e/ou metodologias. Sem dúvida que é possível tirar proveito das potencialidades de todos, de forma a colmatar as dificuldades individuais (Rolim, 2013), desenvolvendo novos conhecimentos e competências (Batista & Queirós, 2013).

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3.4. Supervisão – Abrigo imprescindível

A experiência é um fator fulcral que desempenha um papel importante seja qual for o tipo de atividade e a lecionação numa escola é o espelho disso mesmo. Existem muitos atalhos e formas de resolução possíveis de seguir que são, muitas vezes, desconhecidos pelo EE, uma vez que este não é portador dessa mesma experiência pois é tudo muito novo para o recém Professor. Tudo, até ao momento de iniciar o EP, tratou-se apenas de teoria e simulação. Se existem caminhos mais eficazes do que outros, apenas com a experiência os poderemos descobrir, é certo, mas essa experiência é alcançada através do processo tentativa-erro, que é, sem dúvida, um caminho plausível a seguir. No entanto, é aqui que se esclarece o papel do PO e, com maior ênfase, do PC. Nenhum destes “abrigos” pretende expor ao EE um percurso infalível que conduza ao sucesso de todas as dificuldades do EP, no entanto estes mesmos devem fazer com que o EE veja todas as diferentes possibilidades para o êxito. As escolhas são e devem ser do EE, contudo, é importante que ambos os Professores o questionem ou até o “confundam”, confrontando-o com todas as opções possíveis, obrigando-o a pensar naquilo que é melhor para cada cenário.

Pertencentes ao NE, o PO e o PC desempenham um papel moderador em todo o processo do EP (Rolim, 2013). Percebo, hoje, que os objetivos de ambos passavam por colaborar comigo e contribuir da melhor forma para a minha formação.

O PO, num primeiro momento, esclareceu o seu papel no EP, que passava por incutir o valor de uma boa interação entre o NE (todos os EE, PC e PO) e por realçar as tarefas mais importantes a ter em conta e a dar prioridade. As observações de aula nos momentos chave, ao longo dos três períodos, também fizeram parte do seu grande papel.

A presença do PO nas aulas observadas foi sempre um marco importante para mim. Era visível, dias antes, o meu nervosismo e a toda a hora dava por mim a relembrar o plano da respetiva aula. Percebo agora que o

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objetivo não era apenas o de me avaliar ou o de me “rotular”, era sim, também, o de me guiar e de me aconselhar. Após observar as diferentes aulas, colocou questões que me levaram a refletir sobre métodos, postura e lecionação da aula, tendo sido sempre um transmissor de recomendações para futuras aulas.

Quanto ao papel do PC, este foi sempre mais interventivo. No primeiro impacto mostrou ser disponível e compreensivo, tendo sido estas características como uma lufada de ar fresco para mim. Não mostrou ser demasiado rígido em nenhum momento do ano nas exigências a que iríamos estar sujeitos e mostrou sempre compreensão com o momento de mudança e acumulação de tarefas. Procurou, desde logo, conhecer as expetativas dos EE do NE, ambições, prioridades e disponibilidade e estas preocupações foram tanto do meu agrado como do agrado dos meus colegas. Começamos, desde cedo, a sentir-nos em casa.

Para que haja desenvolvimento, é fundamental que seja dada liberdade ao EE para utilizar os diferentes métodos e modelos de ensino (Batista et al., 2012; Batista & Queirós, 2013; Rodrigues, 2013; Rolim, 2013), de modo a desenvolver a capacidade de reflexão e de observação, a segurança e a orientação na profissão (Rodrigues, 2013). Partindo deste ponto de vista, o PC foi basicamente um espelho do pensamento dos autores anteriormente mencionados. Desde o início, ainda que com supervisão, foi-me dada total autonomia nas minhas funções de planeamento e gestão da aula, permitindo-me colocar à prova métodos e ideias que permitindo-me obrigaram a refletir sobre tudo aquilo que decorria na aula. Durante o ano letivo supervisionou todas as minhas aulas e o final destas era dedicado à reflexão acerca dos aspetos que deveria tentar corrigir e os aspetos que deveria manter e melhorar, de acordo com os objetivos. Muitas foram as conversas pessoais e as mensagens via correio eletrónico no sentido de me ajudar a progredir. Foi, sem dúvida, um elemento muito colaborador na minha formação.

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3.5. A turma – Relação Professor / Aluno

Estive sempre ciente que o EP não seria um mar de rosas e que seriam muitas as adversidades que eu poderia encontrar ao longo do ano. Uma das minhas maiores reticências foi, sem dúvida, a turma que me foi destinada.

Uma certeza que eu sempre tive era a consciência de que, certamente, iria aprender muito com a turma, fosse ela qual fosse. A minha aprendizagem, agora que chega ao fim, posso dizer que foi produtiva, sendo que esta adveio, acima de tudo, das situações e problemas (que foram quase nulos) que a turma me criou. Era certo que a realidade que eu atravessaria me poderia dar experiência e a consequente postura ideal nas aulas face ao comportamento dos alunos.

A turma que me foi atribuída foi de 10º ano do curso de Ciências e Tecnologias e resultou de uma das turmas de 9º da respetiva escola e da chegada de jovens de outras escolas. No total, a turma era composta por 25 alunos com idades compreendidas entre os 15 e os 17 anos e todos do sexo masculino. Este, confesso, foi o meu maior receio pois sabia que uma turma constituída só por rapazes poderia ser problemática. Confesso, também, que, posteriormente, senti uma “bofetada de luva branca” na minha face ao aprender que não devo julgar um livro pela capa. Isto é, posso agora dizer que não poderia ter uma turma melhor dada a visível excelente relação entre eles, o comportamento exemplar, dedicação e empenho pelas aulas como também pela relação que desenvolvi com todos eles. A meio do ano, ocorreu a transferência de um aluno para outra escola tendo sido este “substituído” por uma rapariga, já conhecida por parte dos alunos, por frequentarem juntos o 9º ano, tendo sido esta muito bem recebida, mostrando uma ótima relação com toda a turma.

O Questionário de Informação do Aluno (ANEXO I) permitiu-me recolher e interpretar várias informações sobre os alunos. Começando pelas questões de saúde, constatei que nenhum aluno era portador de qualquer tipo de doença, tendo a totalidade da turma disponível para as aulas de EF. Seguiu-se o interesse em saber se os alunos eram praticantes de alguma modalidade

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(ainda que não federada) e, de entre 25 respostas, apenas 11 foram positivas. De entre as 11 positivas, apenas 7 eram federados. Do resto da turma, 8 alunos eram ex-praticantes de pelo menos uma modalidade e 6 alunos nunca praticaram desporto. Seguidamente, questionei as modalidades eleitas dos alunos, dentro da EF. O Futebol (Futsal) e a Dança, sem surpresas, assumiram a liderança e o último lugar, respetivamente, mantendo-se, entre estas, o Voleibol, o Andebol, o Atletismo, a Ginástica e o Badmínton. Este dado representou uma grande importância ao longo de todo o ano, servido como base na formação das equipas dentro da turma, procurando torná-las mais homogéneas. Por fim, no sentido de obter alguma “ajuda” na construção da minha identidade, as últimas perguntas do questionário foram relativas ao gosto pela disciplina de EF, isto é, tentei perceber o que esperavam da disciplina ao longo do ano e o que esperavam do Professor nesse mesmo prazo. As respostas variaram de muitas formas mas incidiram, na totalidade, na resposta positiva quanto ao gosto pela disciplina, pois destacaram como sendo a única em que conseguem “aliviar o stress”. Os alunos referiram, ainda, que era na disciplina de EF onde conseguiam estar mais descontraídos esperando isso mesmo da disciplina durante o ano. Posteriormente, os alunos conseguiram perceber que a EF acarreta muitos mais benefícios do que uma luta contra o stress, percebendo também que a descontração pode estar presente mesmo quando estão em atividade intensa. Destacaram, também, a prática de exercício físico como sendo uma mais-valia para o dia-a-dia. Além disso, esperavam a possibilidade de praticarem várias modalidades. Quanto ao Professor, esperavam alguém que os guiasse corretamente e que os conseguisse cativar para as aulas.

No decorrer das primeiras aulas surpreendi-me pela positiva pois conheci uma realidade da turma que não esperava. Foram muitos os feedbacks de colegas EE que escutei quanto à dificuldade que tiveram em motivar os seus alunos mas no meu caso ocorreu precisamente o contrário – os meus alunos já se encontravam motivados com as aulas de EF. Não era apenas a atividade física intrínseca que os entusiasmava mas sim a competição (talvez por ser uma turma totalmente de rapazes). A mim, restava-me mantê-los

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motivados e se possível aumentar esse nível de motivação. Difícil? Constatei que sim, muito difícil, mas a turma e a relação com eles e entre eles foi uma mais-valia na conclusão dessa meta.

O interesse e o empenho na tarefa por parte dos alunos era motivo de uma grande satisfação pessoal. E era toda esta dedicação por parte dos alunos que me levava a dar o melhor de mim na tentativa de ser o melhor Professor possível. Aquilo que prevalecia no meu pensamento, no planeamento das aulas, era estruturar exercícios que mantivessem os alunos motivados, encontrando elementos comuns que permitissem o desenvolvimento de todos (Perrenoud et al., 2002), sem esquecer, claro, os objetivos.

Quanto ao relacionamento com a turma, conforme aquilo que eu esperava (dado as idades muito próximas), rapidamente me afeiçoei aos alunos. Tentei passar-lhes a imagem de que, para além de Professor, existe também uma pessoa disposta a ajudar todos os interessados e empenhados, alguém que procura ensinar mas também aprender com eles. Sempre acreditei que o relacionamento seria um dos meus pontos fortes e, além do Professor bem-disposto e divertido, fui também o Professor exigente e severo (sempre que necessário), tendo sempre uma turma de comportamento e aproveitamento exemplares.

Estaria a mentir caso afirmasse que me senti sempre realizado e que não tive qualquer tipo de dificuldade quer com a turma quer com as aulas. No entanto, foram esses mesmos momentos que me levaram a pensar de forma mais construtiva e que me levaram a ambicionar mais e melhor para mim e para a turma.

Apesar da escolha da turma ter sido por exclusão de partes dada a compatibilidade de horário, hoje, não hesitaria em escolher novamente a mesma pois era certamente com enorme prazer e sentimento de satisfação que voltaria a viver tudo tal e qual como vivi.

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4. REALIZAÇÃO DA PRÁTICA

PROFISSIONAL

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4. Realização da Prática Profissional

Este capítulo do RE diz respeito a toda a prática pedagógica realizada durante todo o EP. É o espelho das dificuldades, as tentativas, as dúvidas e as soluções.

4.1. Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem

Segundo as Normas Orientadoras do EP8 de 2014-2015 (p.3), esta área tem como objetivo “construir uma estratégia de intervenção, orientada por objetivos pedagógicos, que respeite o conhecimento válido no ensino da Educação Física e conduza com eficácia pedagógica o processo de educação e formação do aluno na aula de EF”. Engloba as fases de conceção, planeamento, realização e avaliação.

4.1.1. Conceção

É fulcral observar todo o ambiente em que nos vamos inserir - como diz a gíria Portuguesa, “calcar terreno”. Todas as observações são importantes quando não sabemos o que nos espera. Esta análise é indispensável para calcular a metodologia que queremos realizar.

A conceção abrange a análise do Programa Nacional de EF, o planeamento do departamento para o 10º ano de escolaridade, a distribuição das matérias para o ensino secundário e o Projeto Educativo do Agrupamento. Neste sentido, torna-se evidente que o planeamento deve partir da conceção, considerando os conteúdos dos programas e as normas de ensino (Bento, 2003).

Antes de iniciar os trabalhos, foram algumas as reuniões que me permitiram integrar no contexto da escola. A primeira reunião foi na FADEUP, e envolveu todos os EE. Todos os objetivos da Unidade Curricular foram

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Matos, Z. Normas Orientadoras do Estágio Profissional do Ciclo de Estudos Conducente ao Grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da FADEUP: 2014-2015. Porto: Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.

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totalmente esclarecidos e foi nesta mesma reunião que foi possível perceber que eu não era o único com um misto de sentimentos de ansiedade, dúvida e expetativa.

O início do mês de Setembro marcou-me pela minha primeira entrada na EC como EE, para uma reunião entre o NE (sem inclusão da PO). As apresentações, expetativas e ambições ficaram presentes como o grande foco da reunião sem esquecer, também, a voz do PC, que nos definiu um pouco aquilo que seria o EP e aquilo que esperava da nossa parte. Por fim, existiu ainda tempo para uma visita guiada pelo PC à EC, com especial atenção a todos os espaços desportivos e material.

Todo um novo mundo estava para chegar. Era tempo de me integrar no contexto real da escola e perceber como eram os “bastidores” do Departamento de Expressões, do Subdepartamento de EF e do Conselho de turma. Estas reuniões, antes do início das aulas, foram um dos primeiros grandes “boom” do contacto com a realidade.

Antes de iniciar qualquer tipo de planeamento, foi necessário manter em atenção os programas de EF, assim como o planeamento do departamento para o 10º ano de escolaridade e a distribuição das matérias para o ensino secundário. Estes são a maior orientação possível no nosso planeamento onde as modalidades a ensinar, assim como os níveis, estão divididos de acordo com os ciclos de ensino, facilitando toda a estruturação do trabalho a realizar pelos Professores.

Ao conhecer o meu destino, isto é, a lecionação de uma turma de 10º ano, o meu foco incidiu nos programas de EF do ensino secundário. Os programas de EF integram várias finalidades que passam pelo gosto pela prática regular de atividade física, a compreensão e aplicação dos princípios abordados e ensinados nas aulas, a aptidão física e a melhoria de qualidade de vida, saúde e bem-estar. Posto isto, uma das grandes preocupações a ter por parte do Professor consiste em motivar os respetivos alunos, através de uma atividade física devidamente orientada, com atribuição de uma maior

Referências

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