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Caracterização do contra-ataque no andebol : estudo em equipas seniores femininas

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Academic year: 2021

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(1)Caracterização do contra-ataque no Andebol. Estudo em equipas Seniores Femininas. Monografia realizada no âmbito da disciplina de Seminário do 5º ano da licenciatura em Desporto e Educação Física, na área de rendimento – opção de Andebol, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.. Orientador: Mestre Irineu Moreira Sílvia Cláudia Teixeira Moutinho. Porto, 2006.

(2) Caracterização do contra-ataque no Andebol. Estudo em equipas Seniores Femininas. Sílvia Cláudia Teixeira Moutinho. Porto, 2006.

(3) Agradecimentos. A. concretização. deste. trabalho. foi. uma. experiência. extremamente. enriquecedora e gratificante. A todos aqueles que directa ou indirectamente contribuíram para a sua realização gostaria de agradecer de forma particular e muito reconhecida:. . Ao Professor Ireneu, pela disponibilidade, apoio e orientação e pelo constante estímulo sem o qual não seria possível a concretização deste trabalho.. . A todos os professores que me acompanharam durante o curso, pela sua imensurável contribuição para a minha formação.. . Á Federação de Andebol de Portugal por me ter cedido os vídeos dos jogos.. . A toda a minha família, especialmente os meus pais, pela preocupação, apoio e incentivo incondicional em todas os anos da minha formação académica especialmente neste trabalho de conclusão da licenciatura.. . Ao Helder, pelo carinho e pela dedicação que me proporcionou e por estar sempre ao meu lado.. . Aos meus amigos pelo exemplo que são para mim em termos profissionais e não só, e pela força que sempre me deram.. . A todos os que de alguma forma contribuíram para a concretização deste estudo e injustamente me esqueci de mencionar.. A todos o meu muito Obrigado!. I.

(4) Índice. 1. Introdução. 1. 1.1 Âmbito e Pertinência do estudo ………………………………………...1 1.2 Objectivos …………………………………………………………………2 1.2.1 Objectivo Geral …………………………………………………....2 1.2.2 Objectivo Específico ………………………………………………3 1.3 Estrutura do trabalho …………………………………………………….3. 2. Revisão da Literatura. 5. 2.1 Andebol como Jogo Desportivo Colectivo ……………………………..5 2.1.1 Natureza do Jogo de Andebol …………………………………...6 2.1.2 Essência do Jogo de Andebol …………………………………...7 2.1.3 Importância da Observação e Análise dos JDC ……………….8 2.2 Factores de evolução no Andebol …………………………………….12 2.2.1 Factores de evolução no Andebol Feminino …………………14 2.3 O Processo Ofensivo em Andebol …………………………………….16 2.3.1 O Contra-ataque ………………………………………………….16 2.3.1.1 Fases do contra-ataque …………………………………19 2.3.1.2 Factores que justificam a utilização do contra-ataque.22 2.3.2 Ataque rápido ……………………………………………………..23 2.3.3 Ataque posicional ………………………………………………...24 2.3.4 Contra-golo ………………………………………………………..24 2.3.5 Zonas de finalização ……………………………………………..25 2.4 Estudos realizados na observação e análise no Jogo de Andebol...25. 3. Material e Métodos. 40. 3.1 Metodologia da Observação …………………………………………...40 3.1.1 Categorias da Observação ………………………………………40 3.2 Fiabilidade da Observação …………………………………………….41 3.3 Amostra ………………………………………………………………......42 II.

(5) 3.4 Processamento de dados ………………………………………………43. 4. Apresentação e Discussão dos resultados. 45. 4.1 Análise Descritiva ……………………………………………………….45 4.1.1 Recuperação da posse de bola …………………………………45 4.1.2 Frequência do contra-ataque…………………………………….46 4.2 Resultados do contra-ataque ………………………………………….47 4.1.2 Eficácia do contra-ataque ……………………………………….48 4.3 Contra-ataque Directo ………………………………………………….49 4.3.1 Eficácia do contra-ataque directo ……………………………….49 4.3.1.1 Eficácia de remate no contra-ataque directo …………..50 4.4 Contra-ataque Apoiado …………………………………………………51 4.4.1 Eficácia do contra-ataque apoiado ……………………………..51 4.4.1.1 Eficácia de remate no contra-ataque apoiado ………...52 4.5 Ataque rápido ……………………………………………………………53 4.5.1 Eficácia do ataque rápido ……………………………………….54 4.5.1.1 Eficácia de remate no ataque rápido …………………...55 4.6 Zonas de finalização …………………………………………………….55 4.6.1 Eficácia nas zonas de finalização ………………………………57. 5. Conclusão. 59. 6. Bibliografia. 60. 7. Anexos. VIII. III.

(6) Índice de Quadros Quadro 1: Valores percentuais de ocorrência de remate por zonas nos 26 dois níveis competitivos Quadro 2: Valores percentuais de ocorrências concluídas em remate e 28 golo Quadro 3: Zonas de finalização e respectivos valores de ocorrência e 29 eficácia de finalização Quadro 4: Análise comparativa da eficácia do total de remates, dos 30 remates de contra-ataque e de livre de 7m Quadro 5: Valores médios por jogo dos meios tácticos individuais (MTI) 30 e meios tácticos de grupo (MTG) no total de acções e no contra-ataque Quadro 6: Valores médios por jogo dos meios tácticos individuais (MTI) 30 e meios tácticos de grupo (MTG) no ataque organizado e no contraataque Quadro 7: Valores médios por jogo do número de remates por zonas, 31 em diferentes campeonatos Quadro 8: Valores médios parciais das falhas técnicas mais cometidas e 31 valores médios totais Quadro 9: Valores percentuais de ocorrências de remates e golos e 32 respectiva eficiência por zonas Quadro 10: Valores médios da performance de ocorrência de acções (% 34 oc. a.) e de golos (% oc. a.) por fases do ataque e eficácias parciais e global de golos Quadro 11: Valores médios da percentagem de ocorrências de acções 35 (% oc. a.) e de golos (% oc. a.) nos remates por zonas e eficiência de remate (Efic.) Quadro. 12:. Percentagem. de. contra-ataques. realizados. no. 5º 37. Campeonato Europeu Feminino de Andebol na Dinamarca em 2002 Quadro 13: Percentagem de contra-ataques realizados Campeonato 38 Europeu Feminino na Hungria em 2004 Quadro 14: Percentagem de contra-ataques realizados Campeonato 39 europeu feminino sub 17 em Viena 2005. IV.

(7) Índice de Gráficos. Gráfico 1: Frequência do contra-ataque. 46. Gráfico 2: Resultados do contra-ataque. 48. Gráfico 3: Eficácia do contra-ataque. 48. Gráfico 4: Eficácia do contra-ataque directo. 50. Gráfico 5: Eficácia do remate no contra-ataque directo. 51. Gráfico 6: Eficácia do contra-ataque apoiado. 51. Gráfico 7: Eficácia do remate no contra-ataque apoiado. 52. Gráfico 8: Eficácia do contra-golo. 54. Gráfico 9: Eficácia do ataque rápido. 54. Gráfico 10: Eficácia do remate no ataque rápido. 55. Gráfico 11: Zonas de Finalização utilizadas. 56. Gráfico 12: Eficácia nas Zonas de Finalização. 57. V.

(8) Índice de Figuras. Figura 1: Interacção do processo de análise com o treino e a 11 performance. VI.

(9) Resumo O contra-ataque é uma consequência de formas de jogo colectivo, que se inicia com a recuperação da bola e desenvolve-se por vagas, através de uma acção única e simultânea, criando condições favoráveis para finalizar com êxito. O seu objectivo fundamental é a ocupação, mais rápida possível dos espaços de remate antes que a defesa contrária se organize. Desde que o contra-ataque passou a ser um dos métodos de jogo mais utilizado, tem experimentado um aumento qualitativo notável manifestado por uma variabilidade de opções e formas de entendê-lo e executá-lo, assim como do ponto de vista da eficácia, traduzida na ocorrência de menos faltas técnicas na obtenção de mais golos. Do mesmo modo se tem observado um aumento quantitativo no que diz respeito ao número de tentativas em realizar contraataque por parte das equipas de alto nível. O presente estudo tem como objectivo caracterizar o jogo de grande espaço (contra-ataque directo, contra-ataque apoiado e ataque rápido) em equipas seniores de andebol feminino da 1ª divisão. A nossa amostra é constituída por 8 jogos em que o resultado final ficou equilibrado, ou seja, a diferença de golos é inferior a 2. Os resultados revelaram que as equipas observadas recuperam mais vezes a posse de bola através de falhas técnicas cometidas pelo adversário; o contraataque directo é o tipo de contra-ataque com maior incidência no jogo de andebol praticado pelas equipas em estudo; constatamos que a maioria dos contra-ataques são finalizados da zona central Z7 (1ª linha) e também verificamos que a eficácia total de remates em contra-ataque é superior a 60%. No entanto, o contra-ataque directo é sem dúvida onde as equipas atingem níveis de eficácia superiores (66,3%).. Palavras - chave: ANDEBOL – CONTRA-ATAQUE – EFICÁCIA.. VII.

(10) 1 - Introdução. 1.1 Âmbito e Pertinência do estudo. As análises aos vários componentes do jogo de andebol têm-se revelado de extrema importância para a evolução do jogo. Têm sido realizadas investigações em diversas áreas, entre as quais a análise do jogo. Esta permite, criar modelos de actividade de jogadores e equipas, identificar os aspectos da actividade que se relacionam com o sucesso de jogadores e equipas e detectar tendências evolutivas da modalidade (Garganta, 2001). Enquadrando-se o Andebol nos Jogos Desportivos Colectivos (JDC), o seu objectivo implica uma eficaz coordenação de esforços dos elementos da equipa. Qualquer actividade durante o jogo é realizada em cooperação directa (interacção) com os companheiros de equipa e em oposição com os adversários. O jogo de Andebol é caracterizado por um dinamismo, que assenta no conflito originado pelas finalidades divergentes por parte das equipas, que actuam em confronto. Este conflito sistemático não é mais de que um processo antagónico de objectivos, motivações e interesses, condicionados pelo regulamento existente. A necessidade de resolver situações conflituais que vão surgindo, permanentemente, ao longo do jogo, exige dos jogadores a utilização de processos racionais de forma a eleger e operacionalizar as acções do jogo mais adequadas a cada fase e a cada momento (Latiskevits, 1991). Sendo o golo o objectivo primordial do jogo de Andebol, um dos aspectos que merece um relevo particular por parte da investigação, é o processo que a ele conduz, isto é, as sequências ofensivas concretizadas com sucesso. O contra-ataque é apontado por diversos autores como um dos aspectos do jogo que pode assumir grande importância para o sucesso das equipas (Johsnsson, 1995; Krumbholz, 1996; Seco, 1997; Kovacs, 1998; Klein, 1999; Santo, 2000 e Silva, 2000). Atendendo a este facto, é de primordial importância observar e analisar o contra-ataque das equipas portuguesas de melhor nível, para que assim 1.

(11) possamos perceber quais os aspectos que determinam o sucesso desta fase do jogo. A velocidade em Andebol é um conceito vital. Ao longo dos anos, o jogo tem-se tornado cada vez mais rápido e é, sem dúvida, durante o contra-ataque que esse aspecto é evidenciado. A sistemática aplicação do contra-ataque aumenta a qualidade do jogo e tornao mais espectacular, enquadrando-o nos conceitos de jogo actual em que as acções táctico-técnicas são executadas com grande velocidade. A procura de elevados rendimentos desportivos no Andebol passa por um maior conhecimento do jogo, nomeadamente, dos seus principais factores de rendimento. Por isso, treinadores e outros especialistas procuram identificá-los e determinar a possível influência de cada um no sucesso das equipas (Prudente, 2000). Assim, a observação da competição nos Jogos Desportivos Colectivos (JDC) e, nomeadamente, no andebol, assume um papel importante no sentido de determinar a estrutura da mesma, das suas regularidades e índices de eficácia (Oliveira, 1993; Silva, 1993). A observação da competição constitui-se então como tarefa fundamental para o conhecimento dos complexos aspectos que condicionam o jogo. Neste sentido, o presente trabalho pretende ser uma contribuição para ampliar o conhecimento dos comportamentos táctico-técnicos no contra-ataque das equipas, em situação real de jogo. Neste âmbito, pareceu-nos de crucial importância perceber melhor a realidade do andebol português de modo a ampliar o conhecimento sobre a modalidade.. 1.2 Objectivos. 1.2.1 Objectivo Geral. O presente estudo tem como objectivo caracterizar o jogo de grande espaço (contra-ataque directo, contra-ataque apoiado e ataque rápido) em equipas seniores de andebol feminino da 1ª divisão. 2.

(12) 1.2.2 Objectivos Específicos. São objectivos específicos deste estudo:. . Descrever e analisar a eficácia dos vários tipos de jogo de grande espaço;. . Identificar os métodos de jogo mais utilizados;. . Descrever e analisar a conclusão do jogo em grande espaço compreendendo as zonas de finalização.. 1.3 Estrutura do Trabalho. A estrutura deste trabalho procura dar resposta aos objectivos formulados. Simultaneamente fornecer alguma consistência teórica ao quadro prático em que está inserido. Neste sentido, optamos pela seguinte estrutura:. Capítulo 1: O presente capítulo, Introdução, justifica o âmbito e pertinência de um estudo desta natureza, sendo definidos os objectivos.. Capítulo 2: É efectuada uma revisão exaustiva da literatura, de forma a contextualizar, posteriormente, a sua discussão, direccionada para o tema central do trabalho. Será estruturada em quatro partes: a primeira aborda o andebol como um jogo desportivo colectivo, considerando a sua natureza e a sua essência; a segunda refere-se aos factores de evolução no andebol feminino; a terceira consiste numa abordagem sobre o processo ofensivo salientando o contra-ataque como um dos métodos de jogo, referindo as suas fases e os factores que justificam a sua utilização. Por último, são apresentados alguns estudos realizados na observação e análise do jogo de andebol.. Capítulo 3: É referida a metodologia utilizada na realização do trabalho e as questões relacionadas com a amostra. Descreve os procedimentos adoptados 3.

(13) para o registo da informação, selecção das variáveis a observar, bem como os procedimentos estatísticos.. Capítulo 4: São apresentados e discutidos os resultados obtidos neste estudo.. Capítulo 5: São apresentadas as principais conclusões deste trabalho.. Capítulo 6: É apresentada a bibliografia consultada para a realização do estudo.. 4.

(14) 2 - Revisão da Literatura. 2.1 Andebol como Jogo Desportivo Colectivo. Os Jogos Desportivos Colectivos representam um conjunto variado de modalidades desportivas caracterizadas por colocarem em oposição, em espaço delimitado, perante as mesmas regras e com os mesmos objectivos, dois grupos de atletas, constituindo cada um deles uma equipa que tenta sobrepor-se à outra, atingindo com o objecto de jogo (normalmente uma bola utilizada por ambas as equipas) uma zona do campo ou do espaço aéreo da outra equipa, considerado como alvo para a obtenção de pontos (Claudino, 1993). O desporto colectivo representa uma forma de actividade social organizada, uma forma de exercício físico-desportivo tendo um carácter lúdico, agonístico e processual, onde os participantes, os jogadores, constituam duas equipas, que se encontram numa relação de adversidade típica, não hostil, a que chamamos rivalidade desportiva, relação determinada por uma competição por meio de luta, afim de obter a vitória desportiva com a ajuda de bola ou um objecto de jogo, manobrando de acordo com as regras pré-estabelecidas (Teodorescu, 1988, p.17). Para Moutinho (1994), qualquer Jogo Desportivo Colectivo é condicionado por leis específicas do jogo, sendo esse código de conduta, na sua essência, um conjunto de prescrições que, aliadas às noções de equipa e adversário, dão corpo àquilo que se pode designar de lógica interna de jogo. Para o autor, a lógica interna de jogo pode ser perspectivada segundo dois planos de referência: o plano regulamentar, através das implicações das especificidades das regras e o plano das inter-relações equipa/adversário. O Andebol como um desporto de associação com adversários, possui todas as características comuns a este grupo de desportos, assim, como uma série de condicionantes que o diferenciam dos outros e que marcam as suas possibilidades de desenvolvimento. Ainda que o objectivo final do Andebol seja a consecução de golo, existe, na prática, um objectivo prévio, que é tentar conseguir uma posição e uma situação favoráveis, que nos permita ou facilite 5.

(15) atingir esse objectivo (Sanchez, 1991). O mesmo autor defende que a essência do Andebol é a luta para conseguir a ocupação dos espaços mais eficazes e importantes. O Andebol é um jogo rápido e dinâmico, que exige a todos os participantes a perfeição na realização de acções. O jogador vê-se permanentemente confrontado com o problema de escolha da solução motora mais adequada para resolver cada dificuldade apresentada pelos seus oponentes (Czerwinski, 1993). O Andebol é um Jogo Desportivo Colectivo que ocorre num contexto de elevada variabilidade e aleatoriedade (Garganta, 1997), no qual, as equipas em confronto disputam objectivos comuns, lutam para gerir, em proveito próprio, o tempo e o espaço, realizando, em cada momento, acções reversíveis de sinal contrário (ataque e defesa) alicerçados em relações de oposição - cooperação.. 2.1.1 Natureza do Jogo de Andebol. O Andebol é um jogo de associação com adversários, com todas as características comuns a este grupo de desportos, assim como uma séria de condicionantes que o diferenciam dos outros e que marcam as suas possibilidades de desenvolvimento (Cuesta, 1991). De acordo com Cercel (1990), o andebol é um jogo caracterizado por uma grande complexidade de movimentos com e sem bola, executados sobre condições variáveis, determinadas pela colaboração com companheiros da equipa e pela luta com os adversários. Os elementos diferenciadores mais importantes são: (i) joga-se num espaço de 800 m2 (40x20 metros), o qual permite, dadas as características da bola, passa-la de um extremo ao outro do campo com apenas uma acção de passe. Esta. circunstância vai. marcar em grande medida. a velocidade no. desenvolvimento das distintas acções; (ii) o terreno de jogo apresenta uma área restritiva junto às balizas, onde apenas o guarda-redes se pode movimentar. Estes por sua vez, têm por função defender os alvos do jogo, duas balizas com a dimensão de 6m2 (3x2 metros); (iii) as acções de contacto com o adversário que não sejam claramente dirigidas à bola, levam a uma sanção 6.

(16) disciplinar, que vai desde uma admoestação com situações intermédias de exclusão temporária do terreno de jogo (dois minutos), nas quais a equipa do jogador infractor deve actuar em inferioridade numérica, até à expulsão definitiva.. 2.1.2 Essência do Jogo de Andebol. Ainda que o objectivo final seja o golo, existe na prática um objectivo prévio, que é tentar conseguir uma posição e uma situação favorável (criar superioridade numérica), que nos permita ou facilite esse objectivo básico que é o golo (Cuesta, 1991). Logicamente que, para a equipa defensora, o objectivo a perseguir é o de impedir que os atacantes cheguem a essa situação favorável. Esta posição das funções a desempenhar e de objectivos provoca uma luta pela conquista dos espaços mais eficazes que, segundo Cuesta (1991), representa a essência do jogo de andebol, ou seja, é o que marca a forma de jogar na actualidade, e que marcou toda a evolução técnica e estratégica da modalidade. Na prática, a busca destes objectivos realiza-se mediante acções individuais ou colectivas, ou melhor dizendo, mediante uma correcta relação entre ambas. Conforme afirma Garcia (1998), há que ter em conta que qualquer acção colectiva se baseia na eficaz execução de acções individuais. Assim, um jogador a atacar com bola tem basicamente a obrigação de: (i) em primeiro lugar, tentar conseguir por si mesmo uma boa situação para rematar á baliza com êxito; (ii) perante a resposta correcta de um defensor, deve decidir entre utilizar todos os meios técnicos que conhece com os quais conseguirá, ou atingir o espaço pretendido ou que outro companheiro fique livre de marcação; (iii) se não for possível ultrapassar o primeiro defensor, deve ao menos atrair totalmente a sua atenção, com isto estará a aumentar os espaços de actuação para outros companheiros; (iv) tanto neste caso como no anterior, é importantíssimo que o jogador seja capaz de passar a bola ao companheiro melhor situado, antes que o defensor neutralize totalmente a sua actuação. 7.

(17) Esta é precisamente uma das grandes dificuldades que enfrenta o jogador de andebol e que, sem dúvida, distingue o grande jogador, tacticamente inteligente, do jogador que sendo eficaz, graças ao domínio de algumas acções técnicas (fundamentalmente o remate), não poderia subsistir sem o trabalho daquele que domina na prática a essência do jogo de Andebol (Cuesta, 1991).. 2.1.3 Importância da Observação e Análise nos JDC. O estudo do jogo a partir da observação da quantidade e da qualidade das acções de jogo dos jogadores e das equipas tem vindo a construir um forte argumento para a organização e avaliação dos processos de ensino e treino nos JDC (Garganta, 1998). Observar é olhar com atenção, é reparar, é um processo que inclui a atenção voluntária e a inteligência, orientado por um objectivo terminal ou organizador e dirigido sobre um objectivo ou situação para recolher informações (Quivy & Campelhondt, 1992; Moutinho, 1993). Para Sarmento e Col. (1990, p.17) a observação é um sistema de recolha de dados tendo por domínio as condutas exteriorizadas, as condutas que têm um suporte visível ou motor. Para o caso do fenómeno desportivo é necessário descrever e compreender tal realidade de forma objectiva. O estudo das variáveis objectivas, nomeadamente, da actividade física e dos seus produtos ou traços, de carácter mais ou menos permanentes, exige o recurso a técnicas de observação sistemática como meios, para dar resposta à questão “como é que as coisas se passam?”. (Sarmento e col. 1990). A observação tem dois sentidos (Garcia, 1989), um é a acção do observador, a sua experiência, o procedimento ao verificar detalhadamente, ou seja em sentido amplo, o processo de submeter condutas de alguma coisa a condições manipuladas de acordo com certos princípios para levar a cabo a observação; mas a observação é também o conjunto de coisas observadas, o conjunto de dados e o conjunto de fenómenos. O êxito da observação depende, antes de mais, da clareza da tarefa empreendida. Consequentemente a divisão de tarefas, ou seja, o planeamento de tarefas parciais e mais concretas, é o factor primordial. 8.

(18) A capacidade de observar desenvolve-se, quando existe uma organização da percepção,. que. corresponde. a. todas. as. condições. fundamentais. e. indispensáveis para o seu êxito: clareza da tarefa, preparação previa, sistematização, planificação, atitude do observador. A construção e o uso de instrumentos de observação sistemática, proporcionam aos investigadores um meio de armazenamento de dados, verticais e/ou horizontais, (isolados e/ou extensivos), que permitem o seu estudo e tratamento (Moutinho, 1993, p.13). Para que este processo seja credível é necessário respeitar um conjunto de etapas enumeradas por Sarmento (1991, p.173): (i) definição do objecto a observar – “consiste em escolher as acções que se pretendem observar, ou seja, a tarefa sobre a qual irá recair a observação”; (ii) definição dos critérios de observação - “consiste em escolher os parâmetros a observar”; (iii) definição da “medida” de observação – “consiste na aplicação de valores mensuráveis à observação realizada, de forma que as diferentes respostas possam ser confrontadas em função dos acordos e desacordos verificados”; (iv) estabelecimento dos “itens” de observação – “consiste em estabelecer os “itens” concretos para a observação; (v) observação propriamente dita – “visualização, durante a qual se visiona o objecto pretendido”; (vi) tratamento dos resultados – “este passo indica necessariamente a verificação das hipóteses formuladas inicialmente, o que implicará adequado tratamento estatístico”. A observação e recolha de dados nos JDC embora complexa, assume-se como um método privilegiado de recolha de informações tornando-se numa questão cada vez mais premente. O estudo do jogo a partir da observação do comportamento dos jogadores e das equipas tem vindo a constituir um forte argumento para a organização e avaliação dos processos de ensino e treino nos jogos desportivos colectivos (Garganta, 1998). Moutinho (1993) acrescenta que a observação do jogo na área dos JDC tem como objectivo a caracterização e avaliação dos parâmetros observáveis da prestação competitiva colectiva e individual e suas formas de manifestação, isto é, a descrição e valorização das estruturas do rendimento e das inter9.

(19) relações que estabelecem, no sentido do reconhecimento das suas regularidades. A observação conjunta dos esforços físicos desenvolvidos pelos jogadores, dos elementos técnicos e dos aspectos tácticos, acompanhada por um tratamento estatístico apropriado dá-nos uma série de informações importantes sobre (Dufour, 1989): (i) a evolução dos parâmetros do jogo; (ii) o nível do jogador; (iii) o nível da equipa. Todos estes elementos depois de interpretados pelo treinador da equipa permitem: avaliar os jogadores e a equipa nos três domínios, física, técnico e táctico, e planificar o treino e corrigir as deficiências encontradas. Ao treinador, no sentido de aumentar a eficácia da sua acção, quer no treino quer na competição, importa aprofundar o seu conhecimento sobre o jogo (Marques, 1983; Monbaerts, 1991; Moutinho, 1993), sobre a sua equipa e sobre os seus jogadores. Na literatura conhecida este tipo de estudos tem sido qualificado através de diferentes expressões (Graganta, 1998) de entre as quais se destacam: observação do jogo, análise do jogo e análise notacional. Alguns autores, como (Bacconi & Marella, 1995, cit. Garganta, 1998), consideram que a expressão observação do jogo se reporta a determinados aspectos colectados e registados durante a partida em tempo real, enquanto que a análise do jogo diz respeito à recolha e colecção de dados em tempo diferida. Os mesmos autores acrescentam ainda que, a observação do jogo conteria vários erros que poderiam e deveriam ser evitados através da utilização da análise do jogo. As observações em diferido que segundo Gorsgeorge (1990) e Sarmento (1991), vão muito mais longe do que as observações directas (em tempo real) proporcionam um trabalho laboratorial de preparação instrumental, tornando todo o processo muito mais rigoroso. Por outro lado, segundo Sarmento (1991), possibilita a ocupação a sistemas computorizados, proporcionando um “treino” mais eficaz e económico na medida em que os resultados da observação são facilmente indicados e os “erros” de observação rapidamente verificados e manipulados de acordo com o objectivo do trabalho. 10.

(20) Por tudo o que foi referido entende-se então que as observações sistemáticas são fundamentais no sentido de objectivar as performances, caracterizar os estilos de jogo ou fazer previsões sobre a sua evolução. É neste sentido que estamos de acordo com Sarmento (1988, p.27) quando ele nos diz que, quem não sabe olhar, não pode corrigir e melhorar as execuções dos seus alunos e atletas. De facto, atentando nas expressões observação de jogo e análise do jogo constata-se que elas iludem a diferentes fases dum mesmo processo (Garganta, 1998) ou seja, quando se pretende analisar o conteúdo de um jogo é. necessário. observá-lo,. para. registar. as. informações. consideradas. pertinentes. A análise do jogo tem-se afirmado como instrumento indispensável na avaliação e conhecimento das variáveis estruturais e funcionais do rendimento no Andebol. A figura 1 representa graficamente a interacção do processo de análise do jogo com o treino e a performance, numa resposta de Garganta (1998):. Análise do jogo. - Observação - Notação - Interpretação. Planificação. Treino Performance. Figura 1: Interacção do processo de análise com o treino e a performance (redesenhado de Garganta, 1998).. É comummente aceite que a melhoria do rendimento está relacionada com a qualidade da retroacção que o treinador estabelece com os jogadores, procurando-se optimizar os comportamentos dos jogadores e das equipas na 11.

(21) competição, a partir da análise de informações acerca do jogo (McGarry & Fransks, 1996, cit. Garganta, 1998). Como nos refere, Araújo (1997), através da análise do jogo o atleta poderá distinguir aquilo que pensa ter feito daquilo que realmente fez, e por outro lado, o treinador poderá aferir o modelo de preparação aplicado (Marques, 1983; Moutinho, 1993; Natal, 1993). É de salientar o facto de recentemente as análises tácticas no seio do Andebol terem aumentado, começando a ser alvo da atenção dos investigadores e treinadores, o que se comprova pelo crescendo de bibliografia disponível sobre esta temática (Ribeiro, 2002).. 2.2 Factores de evolução no Andebol. Os momentos altos da modalidade passam sempre pela sua participação nos Jogos Olímpicos, bem como a realização dos Campeonatos do Mundo. É nestes momentos que se confrontam todas as equipas de grande qualidade, permitindo analisar e avaliar as perspectivas e novas tendências de jogo que vão marcar a evolução da modalidade nos anos seguintes (Oliveira, 1996). Segundo Spate (1992 b e 1994), nos anos 70, as defesas eram bastantes fechadas utilizando atletas de elevada estatura e pouco móveis. Nos finais dos anos 80 e início dos anos 90, o significado de jogo defensivo modificou-se e passou-se a utilizar sistemas defensivos com características essencialmente ofensivas e agressivas. Este tipo de defesa tem como princípios, para além de impedir a finalização, provocar erros no desenvolvimento do contra-ataque e parar o ataque num curto espaço de tempo (Roman, 1994). Actualmente, as equipas utilizam sistemas defensivos agressivos, como 3:2:1 ou o 5:1, mas também o 6:0, só que com características modernas de profundidade e agressividade, bem contrárias à passividade de antes, onde o único objectivo era impedir que a equipa adversária marca-se golo. Segundo, Spate (1992) esta nova agressividade defensiva permitiu um aumento da intensidade e ritmo de jogo por força de um desenvolvimento sistemático do contra-ataque. 12.

(22) Foi também no final da década de 80 início da 90 que surgiu o conceito de 2ª e 3ª vagas do contra-ataque associados aos sistemas defensivos 5:1 e 3:2:1. Ainda Ghermanescu (1991), afirma que os sistemas defensivos agressivos permitem a utilização do contra-ataque com mais frequência, uma vez que a procura da bola por parte da defesa é muito maior. Segundo Bayer (1994), as equipas optam por um transporte de bola rápido, na transição da defesa para o ataque, de forma organizada e colectiva, levando à quase inexistência do contra-ataque. Quanto ao ataque organizado e segundo Ghermanescu (1991), o atacante tenta quebrar a resistência do adversário, não diminuindo a velocidade do jogo. Este desenrola-se com constantes alterações de ritmo aquando da utilização dos meios tácticos colectivos, com jogadores a utilizarem grande velocidade e força. Por outro lado, a passagem da defesa para o ataque desenrola-se através de ataque rápido com o intuito de conquistar superioridade numérica. No plano táctico, o ataque caracteriza-se por uma grande simplicidade de acções, com as equipas a iniciarem o jogo com apenas um “pivot” mas com entradas dos restantes jogadores a segundo “pivot” (Bayer, 1995). Ao contrário do que se passava à uns anos atrás em que as movimentações eram extremamente rígidas onde participavam os seis jogadores e onde o tempo de ataque era muito maior. Como consequência sistematizou-se o sistema ofensivo 3:3/2:4 que provocou o aparecimento de novas formas de organizar os jogadores no terreno de jogo. Verifica-se a diminuição do tempo de remate, executando-o com diferentes apoios e em situações inesperadas para obter um efeito surpresa. Os remates actualmente, são mais variados, surgindo frequentemente remates em apoio, em suspensão ao primeiro apoio ou em apoio no pé contrário e também sem preparação (Taborsky, 1995). Yevtouchenko. (1990). citado. por. Oliveira. (1996),. apresenta. algumas. características, do andebol que deverão ser a base para o futuro da modalidade. O objectivo de toda a táctica ofensiva deve ser o de marcar o maior número de golos a partir do contra-ataque, partindo que é mais fácil concluir assim um ataque, do que contra uma defesa activa bem organizada. 13.

(23) Roman (1990), refere que o Andebol actual beneficia cada vez mais de formas variadas e criativas de jogo. Parece então ser lícito afirmar que a evolução do jogo foi notória ao longo dos tempos e como afirma Prudente (2000), o andebol hoje em dia é um jogo mais dinâmico, jogado a uma velocidade superior.. 2.2.1 Factores de Evolução do Andebol Feminino. O jogo de andebol desde o seu aparecimento passou por diversas mutações própria da evolução de qualquer jogo colectivo. A década de 70 foi decisiva para o desenvolvimento qualitativo da modalidade. Para isso contribuiu a integração do Andebol no programa Olímpico em 1972, na cidade alemã de Munique, bem assim como o maior número de competições internacionais criadas, ao nível de selecções e clubes. O jogo de andebol é caracterizado por uma grande complexidade de movimentos, com e sem bola, executados sob condições variáveis, determinados pela colaboração com os companheiros de equipa e pela luta directa com os adversários (Cercel, 1990). O constante diálogo defesa-ataque e vive-versa implicaram sempre a procura de novas soluções para ultrapassar os problemas através dos quais qualquer dos processos, ofensivo ou defensivo, pontualmente se sobrepunha ao outro. O Andebol Feminino nunca foi, até hoje, o impulsionador da evolução do jogo (Leitão, 1998). Condicionalismos históricos, sociais, e culturais atrasaram, numa primeira fase, a sua prática organizada e, posteriormente, a sua dependência do andebol masculino, sempre formalmente mais organizado e mais evoluído (Lance, 1988; Bayer, 1991; Taborsky, 1994; Kotzamanidis e Basse, 1996; Bukhty e Latishkevich, 1996). Os finais da década de oitenta e inícios de noventa trouxeram ao andebol feminino um novo período de desenvolvimento (Leitão, 1998). A análise realizada aos últimos campeonatos do mundo e jogos olímpicos parece confirmar tal afirmação. A Noruega e a Coreia são países pioneiros nas novas concepções de jogo, baseadas na rapidez e adaptação técnica e em movimentos muito flexíveis. Daí 14.

(24) resultou um jogo dinâmico, agressivo (não violento mas sim pressionante) e de nível técnico e táctico variado, sinónimo de andebol total (Taborsky, 1994). A procura de provocar erros ofensivos (falhas técnicas) ao ataque e a intenção de limitar a crescente importância da potência do remate de primeira linha levaram ao avanço das defesas, nestes últimos anos. Actualmente, as defesas, mais utilizadas pelas principais equipas femininas da Europa são o 5:1 e o 3:2:1 (Taborsky e Linder, 1997). Referindo-se ao campeonato do mundo 1995, Gemain (1997), acrescenta que a defesa terá sido o sector que mais evolui. O desenvolvimento da noção de antecipação, o aumento da velocidade nas intercepções, os sistemas defensivos cada vez mais dinâmicos utilizando uma actividade permanente das jogadoras foram as principais características desenvolvidas. Gemain (1997), refere que o contra-ataque ocupa um lugar de destaque, sobretudo ao nível das primeira e segunda vagas, permitindo, em certas alturas do jogo, um ritmo bastante elevado. Krumbholz (1996), expressa a cada vez maior utilização da terceira vaga do contra-ataque, através de uma solução encadeada, iniciando um movimento de ataque imediato à defesa semiorganizada quando as duas primeiras vagas não resultaram. No ataque organizado, confirma-se a utilização de técnicas mais variadas por parte das jogadoras de primeira linha, verificando-se um aumento de combinações entre estas jogadoras e também dos remates em apoio e na passada. As jogadoras “pontas” apresentam pouca evolução (Krumbholz, 1996). Krumbholz (1996), refere ainda, que no campeonato do mundo de 1995, o jogo foi realizado com grande espectacularidade e demonstrou um ritmo elevado com grande incidência no encadeamento das fases de jogo. Em síntese, actualmente o andebol feminino de elite, é caracterizado por um grande aumento da velocidade do jogo e consequente crescimento da espectacularidade e atractividade. O aumento da agressividade defensiva provoca um significativo e cada vez mais importante crescimento dos encadeamentos defesa/contra-ataque. A terceira vaga do contra-ataque começa a ser explorada sistematicamente por algumas equipas. 15.

(25) Por sua vez, o ataque organizado, caracteriza-se por uma notória aceleração e os meios tácticos de grupo (duas ou três jogadoras) são cada vez mais utilizados. As últimas competições europeias e mundiais permitiram verificar que o andebol jogado pela elite feminina se tornou tão atractivo como o praticado pelos homens (Taborsky e Linder, 1997). Numa análise aos jogos olímpicos de Atlanta 1996, Martin (1996) afirma: “Elas fizeram o espectáculo, eles procuraram os resultados”. Estas afirmações reforçam a ideia de igualdade entre os homens e as mulheres. Lance (1992), refere que outro factor de evolução feminino reportase à crescente participação e intervenção activa da mulher na sociedade.. 2.3 O Processo Ofensivo em Andebol. 2.3.1 O Contra-ataque. O contra-ataque é, na sua concepção mais elementar, a passagem de forma rápida, da defesa para o ataque (Sanchéz, 1992). Inicia-se quando a equipa contrária perde a bola e prolonga-se até que a defesa contrária esteja organizada e em equilíbrio com o ataque. Nesta fase do ataque os níveis de eficácia são habitualmente, mais elevados (percentagens que rondam os 80%), do que os obtidos em ataque posicional, no qual a eficácia muito dificilmente ultrapassa os 40% (Roman, 1990; Bayer, 1990). Os conceitos para descrever o contra-ataque no andebol diferem de autor para autor. Segundo, Sanchez (1991), o contra-ataque inicia-se quando a equipa contrária deixa de estar em posse de bola e prolonga-se até que a defesa contrária esteja organizada e em equilíbrio com o ataque, sem que antes tenha havido solução do contra-ataque por meio de um remate. O contra-ataque deve ser uma atitude permanente, de forma que não exista separação entre a fase defensiva e o início da mesma. 16.

(26) O contra-ataque é uma consequência de formas de jogo colectivo, que se inicia com a recuperação da bola e desenvolve-se por vagas, através de uma acção única e simultânea, criando condições favoráveis para finalizar com êxito. Por sua vez Teodorescu (1984), defende que o contra-ataque é caracterizado por grande velocidade de circulação da bola e dos jogadores, por números passes reduzidos e por superioridade numérica ou posicional. Sanchez (1991) relaciona o contra-ataque como a fase do jogo ofensivo que, a partir da recuperação da posse de bola, é desenvolvida e finalizada em situação de superioridade numérica ou posicional e em que a defesa adversária ainda se encontra numa fase de recuperação defensiva. Para Czerwinski (1993), o contra-ataque consiste numa acção ofensiva apoiada num mínimo de passes e que é finalizada com um remate à baliza. A equipa que possui a bola tenta surpreender o adversário, ainda desorganizado, para obter vantagem numérica. Segundo Muller et al. (1996), no contra-ataque a todos os jogadores de uma equipa determinam-se diferentes tarefas, para depois de superar a primeira vaga defensiva, contra uma defesa ainda não formada, se tentar o remate à baliza, sem que este se veja bloqueado ou dificultado por uma segunda vaga defensiva. O seu objectivo fundamental é a ocupação, mais rápida possível dos espaços de remate antes que a defesa contrária se organize (Sanchéz, 1992; Spate, 1992). Também para Kreisel (1989) todo o objectivo da táctica ofensiva é marcar o maior número de golos possíveis em contra-ataque, já que é mais difícil marcar golos contra uma defesa organizada e activa. Deste modo todas as equipas têm como objectivo por um lado, impedir o contra-ataque adversário, mas por outro, utilizar este mesmo contra-ataque como principal arma ofensiva (Germanescu, 1991). Ainda que o objectivo final no Andebol seja a manutenção de golo, existe na prática um objectivo prévio, que é tentar conseguir uma posição e uma situação favorável (criar superioridade), que nos permita ou consiga fazer golo (Cuesta, 1991). Com funções contrárias está a equipa que defende, onde o objectivo é o impedir que os atacantes cheguem a essa situação favorável. 17.

(27) A concepção tradicional da escola Romena (contra-ataque com 1ª e 2ª vaga), da Checa ou Polaca (passes rápidos aos jogadores em zonas determinadas) e das variantes do desenvolvimento do contra-ataque a partir da defesa 3:2:1 da escola Jugoslava são exemplos da importância e evolução que o contra-ataque tomou (Roman, 1990). O aumento de velocidade e ritmo de jogo em geral, repercutiu-se no plano táctico e, por isso, o contra-ataque tornou-se no meio ofensivo cada vez mais privilegiado por todas as equipas. Desde que o contra-ataque passou a ser um dos métodos de jogo mais utilizado, tem experimentado um aumento qualitativo notável manifestado por uma variabilidade de opções e formas de entendê-lo e executá-lo, assim como do ponto de vista da eficácia, traduzida na ocorrência de menos faltas técnicas na obtenção de mais golos. Do mesmo modo se tem observado um aumento quantitativo no que diz respeito ao número de tentativas em realizar contraataque por parte das equipas de alto nível (Garcia, 2000). Um dos aspectos que contribuiu decisivamente para o aumento da importância do contra-ataque foi alteração dos comportamentos defensivos, já que a defesa passou a ter um papel mais activo, promovendo a ruptura do ataque adversário com vista à conquista da posse da bola, criando assim melhores condições para a exploração do contra-ataque. Todavia, em certos momentos históricos, o contra-ataque foi deixado de lado para evitar riscos de perda de bola, em tempos que o conceito de jogo partia de uma filosofia de controlo de ritmo de jogo (Roman, 1990). Cruz (1989) afirma que, embora seja uma forma simples de obter um golo, o contra-ataque inclui um grau de dificuldade significativo já que o transporte da bola, através de passes executados a grande velocidade, pode implicar perdas de bola que transformam esta fase do jogo num perigo para a equipa que a utiliza. Sanchez, (1991) refere ainda que a estrutura e actuação dos jogadores no desenvolvimento do contra-ataque devem garantir: (i) amplitude e profundidade no desenvolvimento do contra-ataque para tentar alcançar a área contrária antes dos defensores, e assegurar o apoio e a continuidade do jogo; (ii) eleição de opções tácticas e execução técnica com rapidez, valorizando a relação 18.

(28) eficácia/risco de cada acção; (iii) procurar não sofrer falta no desenvolvimento do contra-ataque; (iv) a utilização do drible deve ser apenas em caso estritamente necessário e sempre que não prejudique a velocidade do contraataque; (v) procura de espaços de remate de maior eficácia. Segundo Czerwinski (1993), o objectivo fundamental do contra-ataque é obter uma vantagem numérica sobre o adversário. Geralmente as melhores equipas são aquelas que efectuam um elevado número de contra-ataques (Oliveira, 1995), factor que parece também relacionado com a forma de defender pois segundo, Silva (2002), as equipas mais fracas com pouco poder de remate da 1ª linha ao obterem sucesso em termos defensivos, podendo explorar imediatamente o contra-ataque.. 2.3.1.1 Fases do Contra-ataque. Spate (1994) apresenta a seguinte interpretação de desenvolvimento prático das fases do contra-ataque na actualidade: (i) uma primeira vaga, caracterizada por dois ou três jogadores, frequentemente os mais rápidos, que deixam rapidamente a zona de defesa de forma a poderem antecipar-se aos adversários. Surge, normalmente, um passe longo do guarda-redes ou de um jogador de campo, na sua zona de defesa, para um desses jogadores da primeira vaga que o isola. É esta a primeira vaga que vulgarmente se designa na literatura por contraataque directo (Falkowski e Fernandez, 1988 a). Uma segunda vaga realizada pelos jogadores mais recuados do sistema defensivo, os quais progridem no terreno através de passes rápidos em progressão e com o objectivo de jogar na zona de ataque numa situação de superioridade quando um jogador da primeira vaga não pode receber o passe directo. Esta segunda veja é designada na literatura também como contra-ataque apoiado ou ampliado (Falkowski e Fernandez, 1988 a). Finalmente, uma terceira vaga que surge quando nem a primeira nem a segunda vagas culminaram numa solução de remate. É explorada quando a defesa adversária não se encontra totalmente reorganizada, devido aos seus 19.

(29) jogadores não estarem ainda nos seus postos específicos habituais de defesa ou, ainda, pela desconcentração ou passividade da defesa. O objectivo desta terceira vaga é continuar a exploração da oportunidade do ataque em superioridade, proveniente da segunda vaga, sem a interromper e sem intercalar uma fase de construção organizada do ataque. Foi esta terceira vaga que provocou o actual conceito de contra-ataque, sendo nela, conjuntamente com a anterior, que mais se utilizam os meios tácticos de grupo. Garcia (2000), refere que durante muitos anos, o ataque foi dividido em, quatro fases, o contra-ataque, o contra-ataque apoiado, organização do ataque e desenvolvimento do ataque propriamente dito. Dessas quatro fases as duas primeiras correspondem ao contra-ataque, chamadas de 1ª e 2ª vagas. Ainda segundo este autor, nos últimos anos, esta concepção foi ultrapassada pelo jogo de alto nível e pelas equipas representativas dos melhores países no âmbito internacional, procurando aumentar o ritmo de ataque aproveitando qualquer debilidade do adversário. Surgindo assim uma terceira fase chamada de 3ª vaga, entendida como a continuação do contra-ataque apoiado, o que permitiu uma maior continuidade do jogo. Assim sendo, a concepção tradicional do contra-ataque em duas vagas vai sendo complementada e diferenciada (Garcia, 2000; Leitão, 1998 e Fonseca, 1999). Por não quererem sofrer golos de contra-ataque as equipas melhoram a sua recuperação defensiva, surgindo uma nova possibilidade a ser explorada pelo ataque uma 3ª vaga. Enquanto que nas duas primeiras vagas, o objectivo era tentar conseguir situações de igualdade numérica e explorá-las, a 3ª vaga, apesar de poder encontrar situações de igualdade numérica procura aproveitar a desorganização momentânea da equipa que acabou de recuperar defensivamente, encadeando movimentos e sem intercalar uma fase de construção organizada do ataque. Sanchez (1991), considera o ataque rápido (3ª vaga), um híbrido de dois métodos de jogo: (1) um que explora o jogo de grande espaço, o contra-ataque e (2) outro que se desenvolve de uma forma mais segura, mais lento e mais elaborado no espaço reduzido, o ataque posicional. Assim uma equipa que ao procurar promover o contra-ataque não obtenha êxito encadeia essa acção 20.

(30) com o ataque posicional propriamente dito, sendo que este encadeamento pressupõe, ou não, um momento de mudança de ritmo. É a terceira vaga (ataque rápido) que vai oferecer possibilidades tácticas completamente novas (Spate, 1989). Esta interpretação é actualmente partilhada por Bayer (1990), Germain (1997), Czerwinsky (1992) e Spate (1992). Se tivermos um olhar analítico sobre o jogo de andebol, poderemos descrever sequências de jogo e comportamentos típicos de cada uma delas. A essas sequências chamam-se fases de jogo. Diversos autores consideram: dois tipos de ataque: o contra-ataque e o ataque organizado (Lastiskevits, 1991); três fases no jogo apoiado e organização e desenvolvimento do sistema ofensivo, integrando-se num ciclo de jogo (Garcia, 1991). É posição também defendida por Muller, M. et al. (1996): introdução do ataque, preparação da conclusão do ataque e conclusão do ataque; quatro fases no jogo de ataque (Cercel e Firan, 1980. e. Anton,. 1990):. contra-ataque. directo,. contra-ataque. apoiado,. organização do ataque e ataque em sistema. O contra-ataque faz, portanto, parte da essência do jogo de andebol. Foi dos conceitos tácticos mais significativos e dos que mais contribuíram para a evolução do andebol, porque no plano prático a sua principal característica é o jogo rápido. Durante muitos anos dividia-se o jogo de ataque em quatro fases, das quais as duas primeiras configuravam o conceito tradicional de contra-ataque (Suter et al. 1996). Dessas quatro fases, as duas primeiras correspondiam ao jogo de contra-ataque também chamado 1ª e 2ª vagas ou contra-ataque directo e apoiado respectivamente (Garcia, 1999). Estes dois tipos de contra-ataque desenvolviam-se da seguinte forma: o contra-ataque directo, quando o guardaredes ou um jogador de campo realiza um só passe que envolve para um jogador que finaliza; o contra-ataque apoiado que envolve toda a equipa. Falkowski e Enriquez, 1988; Spate, 1992; Seco, 1996; Germain, 1997, referem que o contra-ataque pode ser utilizado segundo três vagas: Primeira Vaga: acção caracterizada por um passe longo do guarda-redes ou de um jogador de campo, junto à sua zona defensiva, para um jogador isolado; Segunda Vaga: Acção que ocorre quando a anterior não é possível realizar. Os jogadores mais 21.

(31) recuados defensivamente fazem o transporte da bola, através de passes curtos e rápidos, e chegam à zona atacante em superioridade numérica posicional; Terceira Vaga: Quando das acções anteriores não resulta golo, o ataque continua a jogar com ritmo elevado perante uma defesa já colocada na sua zona defensiva mas ainda desorganizada. Os atacantes iniciam movimentos e acções precisas para manterem a formação ofensiva correcta, em função do sistema de jogo eleito. Roman e Bayer (1990), defendem que o contra-ataque é a fase de jogo onde os níveis de eficácia são mais elevados, cerca de (80%), bem acima dos valores obtidos para o ataque posicional em que a eficácia muito facilmente ultrapassa os 40%.. 2.3.1.2 Factores que justificam a utilização do contra-ataque. A variabilidade e a criatividade provocaram uma grande aceleração do ritmo de jogo, o que veio aumentar a importância do contra-ataque, sem dúvida è nesta fase do jogo que se assiste a uma maior variedade de acções (aéreas, “roscas”), que levam o público ao rubro. A aposta sistemática no contra-ataque promove um jogo mais rápido e espectacular, facto extremamente importante para a conquista de público para a modalidade (Ehert, 1995). O contra-ataque é considerado como a forma mais simples de marcar golo, daí que se depreenda que seja de extrema importância, observar e analisar, quais os aspectos que determinam o sucesso desta fase de jogo nas melhores equipas a nível nacional, para que possamos evoluir e melhorar. Trosse (1993), considera que, pelo facto de muitas equipas não possuírem rematadoras faz com que as suas possibilidades de sucesso no ataque organizado seja muito menor do que poderia ser, daí que seja importante trabalhar o contra-ataque de forma a compensar este ponto fraco. Este ponto sem dúvida assume particular importância em Portugal, visto que há imensas. dificuldades. de. encontrar. jogadores. com. as. características. pretendidas (elevada estatura). Como em termos antropométricos não nos é possível fazer nada, deveremos aproveitar outras características em que 22.

(32) somos mais fortes nomeadamente a velocidade, e implementar o contra-ataque como forma de combater as restantes carências. Como refere Ribeiro (1996), em competição internacional, o andebol feminino português caracteriza-se por uma grande dificuldade em ultrapassar as defesas altas em situação de ataque organizado, o que implica que o modelo de jogo das selecções nacionais deva privilegiar a utilização do contra-ataque. Logo o contra-ataque é extremamente importante quer a nível mundial e principalmente para nós portugueses, não sendo por acaso que muitos treinadores, defendem que o jogo de andebol actualmente é defender e fazer contra-ataque.. 2.3.2 Ataque rápido. A diferença entre este método e o contra-ataque reside no facto de que enquanto no primeiro se assegura as condições mais favoráveis para preparar a fase de finalização antes da defesa contrária se organizar, no ataque rápido a fase de finalização é preparada já com a defesa adversária organizada (Castelo, 1994). No ataque rápido quando se esgotam as hipóteses de obtenção de golo em superioridade numérica, as equipas mantém uma elevada agressividade ofensiva, continuando a exercer pressão sobre o adversário que se acabou de organizar defensivamente, (no seu dispositivo defensivo), criando rapidamente, situações de finalização. São características deste método de jogo ofensivo (Ramos, 1982; Castelo, 1994; Garganta, 1997): (i) a bola é conquistada no meio campo defensivo ou ofensivo e a equipa adversária apresenta-se equilibrada defensivamente; (ii) a circulação de bola é realizada em profundidade e em amplitude, com passes rápidos e curtos e desmarcações de ruptura; (iii) 5 é o número máximo de passes realizados; (iv) tempo de realização do ataque não ultrapassa, em regra, os 10`` (Borges, 1996); (v) ritmo de jogo elevado (elevada velocidade de circulação da bola e dos jogadores). Trosse (1993) considera que uma equipa que interprete o ataque rápido de forma mais ou menos recorrente, é uma ameaça para o adversário, mantendo23.

(33) o em constante estado de alerta, exercendo, assim, sobre ele, um grande desgaste das capacidades técnicas, tácticas, físicas e sobretudo, psicológicas.. 2.3.3 Ataque posicional. Movimentos e acções precisas para colocar a formação ofensiva correctamente em função do sistema de jogo eleito (Cruz, 1988; Falkowski, Enriqués, 1988). Representa a forma de organização e coordenação das acções de todos os jogadores que participam no ataque. É, portanto, uma forma de ataque em que a fase de construção se revela mais demorada e elaborada e na qual a transição defesa-ataque se processa com predominância dos passes curtos, desmarcações de apoio e coberturas ofensivas. Considera-se que esta fase, surge após a interrupção das acções anteriores e a defesa adversária já se encontra organizada em sistema e sempre que a equipa não encontrou uma solução imediata de finalização (Leitão, 1998). Spate, 1992; Krumbholz, 1994; Germain, 1997), consideram que é nesta fase do jogo que a aplicação dos sistemas ofensivos se tornam fundamentais. São características deste método de jogo ofensivo (Ramos, 1982); Cruz, 1988; Castelo, 1994; Garganta, 1997): (i) a bola é conquistada no meio campo defensivo ou ofensivo e a equipa adversária apresenta-se equilibrada defensivamente; (ii) a circulação da bola é realizada mais em largura do que em profundidade, com passes curtos e desmarcações de apoio; (iii) realiza acima de 5 passes; (iv) tempo de realização do ataque elevado (superior a 10``); (v) na fase de organização o ritmo de jogo é lento relativamente aos dois métodos anteriores (menor velocidade de circulação da bola e dos jogadores).. 2.3.4 Contra - golo. Podemos definir contra-golo como aquela acção individual ou colectiva por o qual uma equipa tenta marcar golo rapidamente mediante uma reposição rápida da bola na zona central após um fracasso defensivo. 24.

(34) Aspectos positivos do contra-golo: factor surpresa; para dificultar as trocas ataque-defesa do adversário; para aumentar a espectacularidade do jogo e para aumentar a exigência física do jogo. Tem-se vindo a comprovar que o contra-golo é utilizado no jogo de maneira pontual. No entanto a utilização do contra-golo pode implicar situações menos favoráveis, tais como: perda de interesse do jogador por defender; perda do nível defensivo tanto individual como colectivo; não se analisam os erros cometidos; as equipas não valorizam o acto de sofrerem golo; diminui a colaboração jogador guarda-redes; diminui o número de intervenções do jogador no seu posto específico e deixam-se de utilizar os princípios básicos, limitando-se a utilizar muito as penetrações sucessivas.. 2.3.5 Zona de finalização. A variável zona de finalização indica o local de remate, isto é, o espaço em que +e desenvolvida a acção técnico-táctica e que tem por objectivo introduzir a bola na baliza adversária (Fonseca, 1999). Os remates por zonas/distâncias, foram divididos da seguinte forma:. 1ª Linha (1ªL) – Os remates nas diversas zonas com oposição de pelo menos um defesa. 2ª Linha (2ª L) – Os remates realizados nas diversas zonas em situação isolada perante o guarda-redes.. Livre de 7 metros (7 m) – os remates realizados na marcação de livres de sete metros.. 2.4 Estudos realizados na observação e análise no Jogo de Andebol. Pontes (1983), realizou um estudo com o objectivo de analisar a eficácia do ataque e, em particular, os seguintes aspectos: eficácia das acções atacantes; eficácia do remate; peso relativo das acções do contra-ataque e sua eficácia; 25.

(35) percentagem de falhas técnicas e análise sobre as zonas de finalização no ataque planeado. Foram observados 20 jogos de equipas masculinas relativos a dois níveis competitivos diferenciados: dez jogos para o nível I (equipas da Fase Final da Divisão de Honra); dez jogos para o nível II (equipas do torneio de competência para a Divisão de Honra). No nível I registou 1300 acções ofensivas das quais 955 foram terminadas com remate correspondendo a um valor percentual de 73,46%. Dos 955 remates, 530 foram concretizados em golo traduzindo uma eficácia de 55,5%. Para o nível II registou 1310 acções ofensivas, das quais 905 terminaram em remate correspondendo a um valor percentual de 69,08%. Destes remates, 508 terminaram em golo o que corresponde a uma eficácia de remate de 56,13%. As zonas de finalização e valores respectivos são divididas pelos 9m, 6m e pontas: Nível I % de ocorrência. Nível II % de ocorrência. 9m. 23,96%. 17,32%. 6m (pivot). 25,09%. 21,83%. 6m (pontas). 15,85%. 17,32%. Quadro 1: Valores percentuais de ocorrência de remate por zonas nos dois níveis competitivos (Pontes, 1993). Da análise do quadro 1 podemos verificar que em ambos os níveis existe uma grande incidência de remates de 2ª linha. A grande diferença encontra-se nos remates de 1ª linha em que o nível I é nitidamente superior. Comparando apenas os valores das percentagens de finalização entre os remates dos 9m e 6m verifica-se que os valores de finalização dos remates de 2ª linha continuam a ser superiores aos de 1ª linha em ambos os níveis, no entanto mais baixos no nível II. O autor observa que a finalização por jogo é elevada, porém, não a considera resultante da eficácia das acções ofensivas, mas sim do elevado número destas. Relativamente ás falhas técnicas os resultados revelam uma percentagem de ocorrência elevada em ambos os níveis. O nível I apresenta um valor percentual de 26,4% e o nível II 30,9%.. 26.

(36) Por fim as acções de contra-ataque são significativas no contexto das acções ofensivas. Ambos os grupos apresentam valores de ocorrência semelhantes ou seja, 28,5% e 27,7% para o nível I e nível II respectivamente. O mesmo se passa com a eficácia de finalização com valores de 48,5% para o nível I e 46,8% para o nível II. Este estudo levou o autor ás seguintes conclusões: (i) a segurança das acções é baixa; (ii) as percas de bola por falha técnica são significativas em ambos níveis; (iii) o facto de o nível I existir um equilíbrio entre as três zonas de finalização é natural se se atender ao facto destas equipas poderem contar com os melhore jogadores. A diferença mais significativa entre os dois níveis está na finalização de 9m.. Silva (1993) realizou um estudo no domínio da observação do jogo ofensivo no Andebol no escalão de Juvenis masculinos. O estudo, dividido em quatro fases, incidiu sobre: origem da acção ofensiva, desenvolvimento da acção ofensiva, conclusão da acção ofensiva e sectores em que os remates foram executados. A metodologia da observação consistiu no registo vídeo de vinte e seis jogos e posterior observação. Para a observação foi elaborada uma ficha de observação que permitiu estabelecer um conjunto de acções possíveis de acontecerem durante o jogo. Nos vinte e seis jogos observados foram detectadas 4401 acções ofensivas. Na origem da acção aparecem com maior incidência as faltas sofridas pelo atacante (39,9%), reposição da bola após golo (19,3%), defesa do guardaredes com permanência da bola (9,7%) e a intercepção da bola (6,5%). Com ocorrência menos significativa surgem o remate para fora (4,2%), o livre de sete metros (4,0%), a reposição da bola pela linha lateral (3,6%), a violação da área de baliza (3,3%) e a falta de atacante (2,3%). Surgem por fim as seguintes variáveis cujo valor total atinge os 7,2%: passos, canto, lançamento de saída, remate na baliza, reposição de jogo, bloco, drible, jogo passivo, lançamento de árbitro e substituição irregular.. 27.

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Figura  1:  Interacção  do  processo  de  análise  com  o  treino  e  a  performance  (redesenhado  de  Garganta,  1998)
Gráfico 1: Frequência do contra-ataque
Gráfico 2: Resultados do contra-ataque
Gráfico 4: Eficácia do contra-ataque directo
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Referências

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