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Dezembro de 1933
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Redacção : RUA SETE DE SETEMBRO, 174AS
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TURAS :
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um anno ...• 6 me1,es •...• União Postal .... . ...• . .•.. . . . ... 12$000 6$000 15$000SUMMARIO
- - Predio~ Escolares Serviço de informação do
Interventor Pedro Er- Bureau Internacional de ·
n e sto., ...•... Jonathas Serrano e Raja Gabagl ia . ... .... . •.
o problema <la educa~ão de. infancia
(entrevista) Educação.. . . . . . . . . A educação e a economia 1tos Estados
Unidos
A posse do novo director do Collegio
Dr. Olintho de Oliveira. A eduPedcro acão san111 Laria ela~ crianças pe• Mestre Escola.. .... . . . Tres p:ilav1~inhas
quenina~ Cetina Padilha. . . . • . . . Con10 intensificar o gosto de let
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collectiva.
ái111p1·ensa, dura11te a qzzal assi,11
se exp,·essou
sobr·e essa
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do
seu gove1·,-zo:
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- «De t,odJOs ,os problen1'as ct·o District1o•
Federa·l; ,os de Ed'ucaçã,o, e de Assiste11cia
s·ã:oi.fioS ,que 'abs,orvem, precipt1a111!ente, a m·i1 nha,( attenção . A LtttTI' e 011tro, te11l10 procura,
tdjo ;d'ar 101tdesenv,olvirrie11to. 1qt11e i•mp:Se o, pno,
-gresso, d:o, Rio, de Janeiro e ,os 1ín'
1Jera-tiv,os ,d:a pt0litica rev.olucionaria.
o
:
systema ·de educação, p,opula1· do, Ois·trict.o Fed·eral pass,ou, assim, OO'mo é
sa-bidlo. pi0,1· i:m1portantes m1odificações,
ten-d!entes a cond11zi-l,o, .ao nivel d'e organiza-çã,o e eficiencia, a que· vae cl1ega11do g' ra-~asi a ·ess,as med:idias e a,o labo1r intelligente d!e seu pr,ofessorad!o,.
() EXAME DA QUESTÃO
<< Dete: 1n1inei, 11a n1inl1a
ad't11i11istra-ção, ·10, exame ap11oft1ndacto ·da 1rn1ateria. O
Departan1ento de Edt1caçã10: proce·dett a
es-tttdos dio1s predi os e;<iste.ntes, propriios e
alt1g·ados, 'des\'end'ando a situação,
p1·eca-rissi111a •e1111 qt1e nos enco11travam10,s.
Tra-çaram·-se, a segt1ir, ,os plan1os de r,ef.01rma.
suppressão e l:011strt1cção ,d'os predi os
es-colares t)ara as necessidades actuaes.
De , n,ov10 se revel,ott ào.s ',olh10:s d/o
go-'verno, eín' face desse 'balanço; a exte.nsão
da resp.011sabilidade da actttal ,adin1·
inistra-ção -por 11ão ter l1a\1iclio 11m1 ptogram1m,a de
co11strucções · qt1e se viesse :desenv101l vendo,
contint1a:111·e11te 1110s period:os ant:e1·i,o,res.
Ca-bia-m·e, 1p,01·ém', ácceitar ,os e11carg,os. :ent
sua to,talidade, b11sca11do satisfaze-1,os, \
ain-da qtie tivessemos, p,or iss101 m1esm,o, d'c redt1zi1· a a1111plitt1de •d,o progra·m1m1a d1e
ca-da constrttcçã,o, e de ex•ec11t:a-las co1111
par-cimonia e estricta eco11omia. •
Foi essa a razão, porqt1e procurei ap,o-iar
a s0I11çã1o, ag,o,ra acceita e appro,v1a,da d'a
execução do plano de :edificações escola-res, nos estudjos e cttidad:o,s que. a .aco1m·+
panl1ara·m. O PRO,BLEMA DO PREDIO ESCOLAR A
CONSTRUOÇÃO, EOONOMIOA PREDIOS
DOS
- <<A despeito, p,01rém', 1d1e to,d'as essas,
m'ecJiid·as 10 dio empenh,o d'e progresso e aperfeiçoamient,o, que a11i·m1a 101 magisterio,
o aban•d,ono em q11e st1ccessivas adt minis-trações vieram d1eixand:o. 10, proble·ma do
pre·dio escolar, det,eri111i11ava t11ma .1·ed1.1cçã,o,
acabirt1nhad1ora n,os frtttos coll1id:os <l'e tão1 salutares e .acertados ·esf,o.rços.
O p1ioblema, cte ad11ninistraçã,o em admi~ nistração,, vinl1a sendio1 ve11tilaclio1 coirr1 a pe-rio·d'icid'a:d·e de ttm,a crise q11e, pouco, a
p,ouoo,cganhasse '10s carcteristicos de um· mal c110-nico e irren1ediavel.
CoUTI1 effeito, á 111edid'a qu,e passava111 os ann,os, 1mais se .accum11lavam1 as neces~
sid'ades . ·de predios ,e, tJo,rtanto, 1111ais
dif-fic-il se t,o.rnava res1olver 10, p1roblem·a que
.acima de tttdlo, ,desafiava 10.s rect11·sos fi-nancei11os <la Prefeitura.
•
- <<Graças a isto e á c,ollab10,ração ic!Jo Consell1101 Consultivo, repetidan11ente ottvl·
do s,obre ,o assun1pto,. po.dem1os assignar t11m• co11tracto1 pa1·a a constrt1cção de pre"'.
dios escolares, projectad'o.s 1eim1 co,n·dições e conomicas e tecl1nicas qt1,e permitte a
realizaçãio pno,gressiva de to,d!o, o planO' de
edificaç,ões.
Os pr.ojetios d'e predjo.s obiedece:miJ
real-,m,ente, a oondições de econom·ia que, sem
ll1es tirarem a effic·,e11cia, ,de11ota1m, tod'a.
via, a fi11m1e 0011vicçã,o, e·m, qtte mie acho
d'e que nenh11,n1a sttp,erfluidade pód'e ser ad,mittida p,or quem, c,om10 as ad'm'Ínistra ... ções do District10, Fed~ral, s:e enco,ntra tão
atrazac:IJO no cumprim·ento d'e suas obriga .. ções para aom1 <¼ criança cario.oa. P.orqtte o
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A ESCOLA PRtMARtA
1
pred•io não deve .9er considerado ape11asum 1nelh,oramento1 material, mas a cond,
i-Ção rries·ma pa1·a se realizar o p1·.ogran1111a
educativ,o. A efficiencia soci,11 1e intellectt1al
da escola. 11âío, está .assegurada, se I he
fal-tam as cond1ições de edifício e de
instal-1
lação se111 as q11aes nã,o, será possível n
obra de instrucçâío.
Assim, vamos oonstrL1ir ,os preclios, rtâo
corri a id'éa d'e ergtter rnonum·e-r1tos 111atc ·
riaes para orna·mentar a cidlade, 111as co111
o p1·,01)osito d'e estabelecer as co11diç5e!>
, tnini·rnas e111 que a educaçã,o ,escolar deve
/ sei· 1tni11istradia, s.ob· pena de se to1·na1· 11m
esforço in11til ,o,tt contrn-i.Jro·ct·ucente.
UM PLANO REGULADOR DAS
EDIFICAÇÕES
Co,m) a i111·piorta11cia de .011ze m,il contos
die réis, obtidio,s dent1·0 das proprias rer,
-clas normais da Prefeitt1ra, e se1n1 appellar
para rec11rsos de credit,o, ,deveren1,os le-va11tar ·ce1·ca d1c trinta edi f·caçõ·es escolares, mod'estas: mas eficazes, 1esf,01·çando-nos, •({es
-te 1modio, por demonstrar a viabiliclade,
1 tant,o peto, laclio, economiao, q11anto pelo !adio tecl1nioo,, d10 plano to.tal ·de
constrtt-cções e3c0Iares,
dle-
q11e precisa ,o. Districtó l!'ederal. Não qttiz construir, tão sómente alguns predios que marcassem a admi11is-traçâío ac t11al ,mas ap,011tar ia s,olttção to-tal e .offereoer ttm·a d!e111onstração, de co1110Pódie\ser a .1m•es1J11a 1exec11tacla em, t-oda a .sua
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taÇlãextensã,o, e acçã,o, se ,oh,. ,o.11v,er conti1111ida(le de orie11-O plan,o regt1Iadior das ed:ificações 1escowlares q11e vae s,er approvacl:o por (iecreto~
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l! uma p1·ova ·de q11e estamos 1empenhados
num1 progra·m1111a systematico. de ·soluções
1
para ·O pr,oble111a ed:11cacio11al e não ;e111
realizações intePn1i .1entes e frag'n1entarias. Absolutam·e11te convencido d1e q11e ,o
pro-blema ed11cacional é d1os que p edo,n1inam pela.;sua complexid1ade ,e extensão, 11ão
pos-fol 1deixar de bttscar para elle soltrções
sys-le·maticas, 01rganizadas e p1·,ogressivas. ,
Co.mtl10 contracto\de predios, ,ora assigna.-dlo, e OOIJ11 a appr,OVaÇãO d.O plan,o, regttla-dJor das edificações eso0Ia11es, damos o5 Passos iniciaes para a solt1ção gradtt,al des-·
se grave ptioblem·a. !
•
•
A PARTE F INANCEIRA
A 4 d1e Seten1b1·0 ulti1111Q, m·andei ao
Co11selho. Co11sul livo as mi11t1tas ,do
c:on-tract,o lavrado, con1· .a Sociedade Anonynta
C,onstrt1ctora (:011í'mercial e Ind11strial ,d'o
Brasil, para a co11strucçliio, ·d'e predios
es-colares, res11Itante ,da oonct1rr1encia
publi-blica para tal fim· aberta. Er,aim
i11dispensa-veis algu ,nas 111odificações para que ,0,
con-tracto ,merecess1e ap1)r10:vação. Assim é que
cl1 valor das 10,bra3 a cont.ac'.ar foi 1edtuzic1Jo
a ,dez n1il contos de 1·éi3, tend:o, por i0,t1tI101
lad'.o siclo, a11g,1111entada a cautel;a
assecura-toria da execuçã,o do co11tracto. As d·emais
clausulas tambem fo1·am alte1·adias de for·
ma vantajosa para ;a. Mttnicipalidade.
O Conselho, Oonst1ltivo, em pareoer
da·
tadio de 13 ·de N,ovembro, approv.ou
ien-tão, as 1m,in11tas, n,o,s seg11intes te1mos:
<<C1onsiderando qtte as novas minutas cfe .
contracto. d·e em·p1·eitada COlln a Sociedad'e
Anony;na C,onstructora 00·111,mercial e lrt·
dustrial d,o Brasil e o financiamento com
a casa bancaria Custodio de Almeid,a Ma• gall1ães & Com,panhia I estringem as
pro-porções da empreitad·a .e da ,o,peração de
credito q11e ll1e é concernente e ass,egu• ram1 med:idas que alteram• as cla11su!as das mi11uias primitiva3, tornand!é> ,os contractos
accei ta veis e com•pativ,eis co111 as actttaes
condições financeiras da Pref,eitura.
Resolve app1·,ova1·: a lavrat11ra do con• tracto,(d.a em1p1·eitada loom a Sociedad:e Con-str11ctora C,01.111mercial e Indt1strial d,o Bra•
sil para a oonstrucção, d'e predio.s e o.utras
obras f esoolares n,o, valor ·d·e 10.000 :000$000
(d'ez •mil c,onto.s de 1·éis), do qual sã0i partes integra11tes ,os artigos s,obre
<<Es-pecificações>> e <<Natt111eza d,os Materiaes» mencionados 110 edital de conc11r1;encia pu-blica d'e 1 O de Agost,o ·de 1931 ,e a
<<Ta-bella de Preços Unita1·iros>>, constante da
p11op1osta a·pre: entad·a pela co11tra',ancia a
essa oonct1rre.1cia, encer1·ad:a en11 10 ct·e Se.
-tembro d·e 1931 e a do contracto de fi,
nanciam'ent,o (iess,1s ,obras com a ca[a ban-caria C11st,odio d1
e Al111eida Magalhães & Co111panl1ia e a emissã,o de 61.900 (sessen-ta e u,rr1a •mil e novecentas) a polices ao
p.ortactor, n,o valor 11ominal de 200$000 (duze11tos mil 1·éis), cada uma, ve11cendo j111;os de 7 O/o (sete p.or cento) ao ann,o
•
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•
-164
p,ara' o, p,ag.a,mlent10, d.as 'mesmas o,bras, tud'o d!e1 raccôrdlo oOim as 1111i11utas 1·espectivas qtt'e
aooi111panha•m 1010· officio d101 S1·. Inte1·ventoir F:edleral n. 465 de 21 dre Setetn'bro, dlo:
corrente a.n110, e ann,exas ao relatorio n.
50 deste C,onselho,. .
Conselho Oo11sulti·vo, 13 die N,
ovem-HrO:
,
d/e
1933. -(a)
R.ctul Leit'ã,o dct Canlia, Napoleão, de Ale11cr1st'ro Otíí1n1a,·ães, l i',".att.·cise.o, de Olivei1'a Pass,os~ H erb'.ert Moses, Alb,erto Avelillo Frat11back, Brrttilio
E1ige-1ii,o· Muller, ·JJ;Jari,o Z1eferino Bar,,.os.o, J,ost
Qttixadá Arrtgão e A,,f!iur Jvfart'ins ,í;,a11i~
paiO>>.rt 1
Resolvi, entreta11t10,, i1ã,o, 1n11e 11tilizar lf.a
auto,rizaçãio para fazei· 11111a ,0per,ação de
cred:it,o,, dete1in1'inan·d10 as n,ecessarias
:m
,
o
-diifica,ções nas 1minutas afim de qt1e as
1:\
ESCOLA
PRiMAf
{Í
Â
cfa. Prefeit11ra no caso· d,as constr11cçõesserem pagas en1 titt1l,os a,o, typo 92 e,
t11ais, ,o abati1n ent,o, de 7
º
/
o
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so,bre os pte-ços ap1)r10,vadics da proposta vencediora na
oonctirrencia; p11blica.>> \
-Os dioze primeiri0,s predios a construir
se,1·ã,o, ,o.s seguintes: l
1 - Avenid:a 28 de Setembro .
(terre-n,o ,d1oi I11stitt1to, Joã,01 Alfreclio) V. Isabel.
2 - Praça 20 d'e Setembro - L,eme.
3 - Avenid'a F,onte da Saudad'e ,e R11a
Grenaught - Hitmaytá.
4t - Rita Cos,me Velr,o - Cos me 'Velho.
fj · - Rua Co110nel Ra11gel - Cascadura.
6 Rua Padre Januari o - lnhaúitna. 7 - Praca ·Bel11n'onte - Olaria.
•
8 - Rira Marqi1ez de Aracaty - Ira já.
· constr11cções f,osse1m1 pagas e·m m·c,ed'a cor
-rente.
Çj - J)raça João Esberard - C. Orand·e.
1 O - Bairr,o Maria da Gra ça - Dei
Castillo. :
1
Ei
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essa ,m,edida I tro11xe á Pr,efeitt1ra, além,das vantagens já !Obtidas ' nas , mi1111tas
ap-P'rovadas pelo Consell10 Co11s11ltiV101, a
eco-11,c~111ia d1e 80/o~ 00;bre o va lor da divida
11 - Terre11:0s d'a Coinp·anhi a I111o.
bi-• 1
li a1·ia - Re·ale.11go. :
12 - Braz de Pina - Br.a z de Pina.
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De conformidade com o accordo estabelecido en tre a Directoria de Instrucção Municipal e a Admi nistração desta revista, to dos os directores de-grupos escolares, escolas primarias e cursos po pt1lares nocturnos receberão um exemplar de cada n ttmero d' «A Escó la Primaria»,
o
qu al deverão conser-var na «Bibliotheca Escol ar», como pro1)ried ade do esta belecimento que dirigem.N.
da Red. ...,....,,. _ _ _ r:·1
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166
A
ESCOLA
PRIMARIA
A posse
do
Dr.
Raja Gabaglia, novo
director
do
.
Externato do Collegio
Pedro
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ão do P,·of. Dr. Jo,zathas Se,
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e
agrad
e
cim
e
1tto, elo }toni
e
1lageado).
• •
«Escolhido para saudar-vos em nome
dos que nesta casa collaboramos na
edu-cação do 8rasil adolescente, experimento
a satisfac.;:io de poder, sem circumloquios,
nem eupbemisn.os, affirmar-vos que o acto
do Governo ao nomear-vos para Director
do Externato do- Collegi0 Pedro II foi de
uma inspiração realo1ente feliz. Nem fôra
licito a alguem supf>Or que o estou dizendo
por mera polidez ou dever da funcção
gra-tulatoria a mim commetida por meus
pa-res. Dada tal hypotbese, logo houvera
eu declinado da honra de saudar-vos, a
qual se convertera em .onus incompatível
com o bem que mais prezo - neste mundo: a
minha absoluta emancipação de quaesquer
vínculos de mera conveniencia política.
Tenho o prazer de sai1dar-vos e sublinhar
o acerto da vossa nomeação, falando como
profe!-.sor, que outra cousa n~o fui, não
sou uem quero .ser. E particularmente
professor do Collegio Pedro II, onde apren·
de o melhor das minhas modestas hum a
ni-dades, onde aui bos, vós e eu, entramos
pe-das provas asperas. em verdade asperas
provações dos concursos e em que ambos
em materias confinc1ntes esta:nos
diaria1nen-te a sentir o muito ainda exigido pelo nosso
ensino secundario official, para ser deveras
efficaz o preparar as 11ovas gt!rações de um
Brasil cada vez mais brasileiro.
Acerto da escolha, disse eu, e insisto
na affirmação. Nem será difficil explicar os
motivos principaes. Se é certo que em
nossa Congregação, salvo o caso do orador
que está com a palavra, todos são capazes
de assumir com brilho e efficiencia aos
postos de responsabilidade, trabalhn e sa•
crificio, não menos certo é que v::irios não
os acceitariam com enthusiasmo, nem a
sorrir, e - em qualquer bypotbese - a
difficuldade suhsistiria praticamente para
a escolha. official.
As vossas credenciaes são de todos bem
conhecidas e garantem a
priori
uma sériede realizações que esperamos confiantes
•
•
desde esse momento de solenne
investi-dura. Sois herdeiro de um nome que é
re-petido a míudo e perdura em nossa
memo-ria, em tonalidades de affecto e admiração.
Tambem eu juato como antigo alumno des- /
ta casa o meu testemunho de saudade ao
evocar este outro Raja Gabaglia que não
morreu de todo, porque tm vós de certo
modo revive e perdura.
Mas as vossas proprias caracteristicas
pe&soaes são principa'.mente ra?ões de
con-fiança na obra que ides realizar.
Cultura, enthusiasmo, sympathia,
cor-dialidade são predicados '}Ue todos em vos
recoLhecem, são incontestavelmente
excel-len~es a ttri butos que facilitam, so brctudo
em nossa época e em nosso me1~, a solução
dos multiplos e intrica<los problemas
li-gados á direcção de uma casa como esta.
Eu sou um dos que pensam, eu ! ei um
pouco por experiencia pessoal que um
sor-riso amavel, até um riso franco, sem
ex-clusão, já se vê, de opportuna e firme
enerO'ia resolvem ás vezes melhor certos
o '
c;isos do que um snbrecenho càrregado ou
gestos de impaciencia. Acho que
quali-dade aprec~avel para quem dirige, o sa~er
1
sorrir e ate em darlos momentos ter um riso
cordial e franco. Folgo em registar, e não
é novidad.e, para ningtiem que esta
quali-dade tambem vós a possuis. Sois profes• ,
sor e conheceis muito bem as necessida- l
des do ensino secundario e superior, onde
entrastes graças a provas brilhantes.
Co-nheceis particularmente o de que carece esta · ,
casa, que todos tão apaixonadamente
ama-mos.
Daqui a breves dias - na verdade
que são quatro annos nesta vertigem de
r1iarora ?-v~ae completar o set1 centenario o
Collegio Pedro II. Ninguem melhor do que
vós pode Jucidamente ccmprehender o que
significará esta epbemeride. Cem annos
de vida cultural, no q11e ella tem em nossa Historia de maís alto, de mais expressivo de mais 'digno de nossa ufania. Nesta cen·
•
l
A
ESCOLA
PRIMARIA
- . . - .
-turia por aqui terão p;issado, pode-se em
antecipação legitima adiantar qu e já pas
-saram os vultos mais respeita veis de nos
-sas letras, artes e scien cias. · O s que não
loO'raram o ser bachareis, podemo- nos aqui .
tiverem a felicidade de cursar um ou ma is
dos annos todos do bachare lato; · os que
não foram alumnos terão s ido ef fectivos
ou interinos professores nota veis , ou terão
• •
sido chamados a examinar ou ser
exami-nados nos varios regimens que se têm
multiplicado, não sei bem com que
vanta-gens reaes para o proprio rendimento
in-tellectual dos discentes. Mas o que é
in-neo-avel é que a IIistoria do Collegio Pedro
II "'neste seculo de i ndependen cia poli tica e
autonomia literaria, de certo modo é a pro ·
pria historia do pensamento brasileiro no
que elle tem preparado e realizado de mais
aprecia vel •
A,.os que me estejam acaso acoima~do
de hiperbolico por influencia de e11thus1as:
mos rhetoricos, q11e aliás detesto, observarei
apenas que a publicação do livro do
cen-tenario do Collegio com a gale1·ia
com-pleta do seu corpo docente,
administra-tivo, discente, será mais completa de·
monstração do que affirmei. E a
p11blica-ção desta obra, Sr. Director vós
c.erta-mente haveis de a propugnar, porque sois dos
que amam a historia na sua riqueza de
informação bibliographica e s,tbeis qtte sem
ella não ha nem pode haver culturas
so-lidas em nosso tempo. Os qi1e assistiram
ao concurso de 1926 para p rovimento Jessa
cadeira em nosso Collegio, ainda não olvi.
daram o brilho da vossa arguição, a
ve-hemencia de vossos ataques eruditos, a
ri-queza de vossos recursos dialeticos, [
có-pia informaqão de vossas leituras, o
des-assombro de vossas attitudes e afinal a
cordialidade fidalga de vosso trato de col·
lega, embora investi~o, e com tanto
real-ce das funcções de juiz.
' Se me perguntassem qual julgo a mais
bella de todas as coisas, ficaria eu deveras
embaraçado, porque hesitaria entre a
jtts-tiça e a bondade. E ainda poderia
objec-tar, nu1.11a especie de tautologia, que em
rigor a mais bella de todas as coisas é .. ,
a belleza. Eu vos direi, sem brincar com
as palavras, que afinal eu escolheria a
justiça, porque é apropria equação da
ver-. dade,
e
seé
assi41, çomodeve ser,
é ne·1G7
cessaria menie bo,1 e ainda seperiormente
bella.
E u pen so, Sr. Professor Raja
Gaba-g lia, agora nosso prezado director, que
o acto de voss a nomeaç.ão foi não só feliz,
opportuno, acertado, mas realmente justo.
Vós tendes sido sempre um defensor do
Collegio Pedro II e dos seus interesses
ma-teriaes e espir;tuaes. Vós vos tendes
ba-tido sempre pela maior e mais alta
impor-tancia offi cial desta casa. E deixai que vos
diga:
O
Collegio Pedro "II muito aindaespera de vós .
No seu corpo e na sua ai ma.
.
No
seu. ,
.
.
corpo : o proximo centenar10 esta a ex1g1r
de nós todos os esforços para que es~e
Col-leo-io o celebre em condignas installações.
>::, • 1
A iniciativa do nosso eminente co
-leo-a e actual presidente da Congregação
P;ofessor Euclides Roxo em tal sentido
• • •
não pode, não deve ficar apenas em
aspira-ção. Devemos todos combater ao lado delle,
com elle e comvosco, afim de se tornar
uma realidade bem concreta, a tres
dimea-sijes, o que ora é ainda uma formosa e
verde esperança.
Predio e material escolar. Já noticiou
11m vespertino a vossa declaração de in•
cluir no programma de administração
desta casa o material escolar mais moderno
e aperfeiçoado, de sorte que ás aulas nada
falte veste sentido.
. Como professor de Historia rejubilo e
creio que todos os 1neus collegas, em grau
maior 9U menor, commigo tambem se
ale-gram ao pensar nas posi;ibilidade~ q,ue
vossa promessa deixa entrever. ProJecção
fixa e animada, diapositivos, diafilmes,
pel-liculas cinematoo-raphicas, bibliothecas
es-pecializadas para"' cada materia, uteis a
do-centes e discentes e em dia, não com o
qt1e já se publicou' ha dez ou vinte ou
trin-ta annos revistrin-ta'> scientificas e
pedago-gicas, qu'e bella visão e que immensa espe·
rança ! .
Nem murmure alguem aqui _ o
voca-bulo desanimador de todos os sonhos de
progresso, porque é ao vosso talento, e
não á minha propria capacidade, e á vos2a
cultura é ao vosso enthusiasmo, é ao
vos-so amo~ ao Collegio, é á vossa influencia
prestigiosa que entregamos a solução do
problema das verbas necessarias, . pon.to
1nfcl1z-'
168
..
mente obter, Mas a verdade é que não se
trata absolutamente de um óbice irremo-vivel e que ha outros exemplos animadores
no proprio ambito da educação.
E-,peramos ainda, Sr. director, que ha· veis de nos proporcionar em vossa adminis· tração reuniões culturaes, conferencias, cursos int":!ressantes, como os temos tidn
e com tanto exito na administração intel-lígente e brilhante de outro eminente a!lli· go e professor, desta casa o Sr. Dr.
Henri-que Dod,worth. Basta lemb · á.f, por mais significativo entre varios exemplos pos-si veis o que foi par& todos nós o encanto
da palavra de Robert Garric.
Esperamos em fim de vós, Sr. director,
que vos l1aveis de esforçar para que ao
Collegio Pedro II não seja tirada a natural
prerogativa de elaborar os seus proprios
programmas, não direi só 11or motivo . de
uma «capitis minutio» que não compreendo,
mas ainda para bem do ensino sec undaria e defesa dos interesses dos discentes.
Ser,me ha licito pedir-vos ainda
al-guma coisa, Sr. Dieector? Eu vos pediri''
que as ti1 rmas não tivessem mais de 30
al11mnos. ao menos, já que não seria pos·
sivel reduzil-as a 25 ou 20. Mas 50, Sr. Di
rector, 40 mesmo, vós sabeis tão bem
co-mo nós, é u1n peccado pedagogico.
Acaso alguem se terá surpreendido de
que, em palavras lie saudação, haja tantos pedidos e ta111anhas insistencias. O CL1lpado
principal S1)is vós, Sr. Professor Raja Gabaglia, agora nosso prezado director.
A vossa cultura, o vosso amor a esta casa,
foi que me levaram a estas audacias.
Mas creio exprimir bem o sentir dos
meus collegas de Congregação ao
dizer-vos da alegria com qt1e vos sat1damos e
da sinceridade com que vos pron1ettemos a
-nossa cooperaçao».
Oração do Dr.
R.
Gabaglia
«Reg,osij,o-:me d·t1plan1er1te ao asst11r1ir
es-te cargo. Primeir10,, reprodttzo, die algum, :m,odio, t1m, lance d1a ca1·reira 1nagistral ,de
m'eu pae, qtte tamlb:em foi d:irect,o,r ·d'esta
Casa. E1mtociio,11,o.-·me t.od:as as vezes qt1e·
p,o.ss:0, em1bo,1·a sem ,o, seu fttlgo,r, attingi1·
'
itm' p,osto que !mett [Jae tenha occu9,ado)
,
A ESCOLA PRIMARIA
- -
-- . - --•
simples pr,ojecção que sott ,die sua p·
e1·so-nalidad1e. Dep,ois, a sy,mpatl1ia ,c,oan ctue
t,oclio.s me receb,eis, e.ncl1e-1n·e d:e alegria,
p.o.rque vejo que 1m1e acoll1eis com,o, t1n1
servidor sinceJ'.O d·o Collegio e·, 11a
reali-k:lade, tud,o qt1anto ·pretendto, fazer, na 1 1ni-nha epl1e.mera fJassage1n p•ela directoria,
é servir oon1 ·de-, i11ter:es·se, 1111as ariaix,
011ada-•mente, o 1i,oss,o vell10 .e glori:o,s o i11stitttto·,
cttja historia se confuncl'e com' a da pro-p·ria instrt1cção tJttblica no, Brasil.
'. Nã,0i sei ao,mo, ·res1Jond'e1· aos ViotSs,os
.ora-,do,res. a,os illtistres 'ldirect,o.r,es <Drs. Euclydes Ro,x,01 e Delgad:o, de Carvall10; ao 1m1eu preclar,o oollega e ,a·mig,o,
J
onathas Serran,o fallandlo pela no,ssa ~ollenda Congregação,viveiro, que é e s,e1mpre f,o,i ,d'as m·aiores
st1m1nid'ad·es, ·d'e 11:omens qttie valen1 peLo,
caracte1·, pela illt1straçã,o e tJ·ela assid'
ui--d'ade na 11obre e 1·ud'e tJr,ofiss.ã,o, d'e
edu-cad10,r; a10,s p·110,fessores Clovis M:onteiro, ,e
Rattl JJenidio Fill10, en11 tJome dos d'ocenfes pr,ofess·ores supplem1entares, t'ant·o, vale ,d'
i-zer d,o [Jr,o,fessorado ,n,oço, daqttelle qtte
receberá d:e 11ós, 10s vetera11,os, os 011us d'as responsabilid.ad·es que cab,e:m' a.os an-tigos, ao,n1·0 aqttella · allegoria d'a <<Marcl1e auJG flamlbeattX )) passa1n1 ,os mais velh,o,s iaos j.ovens 101 fach,o, d:o pr,og1·ess10·, isto é, d'e
aperfeiçoa·nTent,of cad·a \11ez ·maior d'os ideaes
e d'as · aspirações hu•n1anas.
N,ão sei, aind1a, 001mo respo11d'e1· á ·v·oz
d'o funccio,nalis1mo, desta Casa,
interpreta-da pelo Dr. Octacilio Pereira, pois avalio quanto depende o exíto de uina
adrninistra-ção do esforço e da dedicação do corpo de funccio11arios, mola por excellencia. de
qual-qtter actividlad'e directora.
Quanto, ás palavras ·d·o.s estt1dantes, não
sei 1mesm.o, oo,mo, expri1nir o qt1e me · d'Í-ze1111 ao oo:ração,. Con1eçand:o a d'escer a
encosta, r:,o, outom110, ap·raz-tne sempr,e /O
calor d'a primavera, 10, profess,or, ape11as professor, satisfaz-me sem·pre plenarnente
,o e11tl1usiast1110, qtte .se ir1·ad,ia d:o,s bancos
escolares, ,onde não, t,en11 morad!a O ·d'
esani-'ITI O, a d'esilltis.ã,o e ,oncl'e lateja·m as e11er-gias vivas ·d1a Nacionalidade. \ ,
•
A todios, ,os 111et1s agrad:eci'T11e11tos.
Apresento-•n1e a vós, .Srs. pr,of.essores, seml a ··11ecessidiad:e,tde vos ioffere,Qer tt'm1 iP110·
'
• •i
1 1 •A
ESCOLA PRIMAR!/\.
•gramtn1•a ,dfe ,acção,, .p,orque este é a
1ni-nl1a pr<o,pria \iid:a de pr,o,f esso1· 110 Ped'r:o li. E•m todo o, caso, seja-me licito,
acccn-tt1a1· qtte tt1d:o envidarei, ·en11 pr1ol d'o
nos-so C,ollegio, con,·o 1o;rdena ,o exe·mplo dos n1eus' antecess,ores. Assim, ·nã.o, pouparei es-forços, n,o, se.ntidb da an1pliação dio:s
nos-sos. gabinetes~ d,os 11ossos labo1·atkJt·ios, d'as nossas salas d'e aula, das 11oss:as installa-ções em fim.
O O,overr~o ten1, e1n estt1do, o nossq Regirn·ento, e estou certo qt1e breve o
te-remos, para ser fielm1ente exectttado, afim <fe que, adaptado ás leis vige11tes, seja /O
element,o aom, qt1e LJossa111os 11ão só
sol-ver ,o.s pr1oblen1as ,disciplinares, como ai. 11-da mell1or articular t,odos os se1·viços d:o
Externato e tam'be111 ,os do, Internato d·o
noss·o Collegio. i
A 1J.nell1or remuneração aos 11ossos
fttnc-cionari,o,s, m10,r1n1e11·tc á classe ,dos i11sp1ecto.~
res, auxiliar efficientissin10 c1o Jmagisteri,o,
é ,outra preo,ccttpação a que, cer~o, ,o O,o.J vern,o atte.nd'erá. \
Ot1tra questão, e da 111aior valia, in1tJ01·-ta, IJ.neus senhores, S·er ab,ordad·a e é .a
que se refere a nós •mesm1os, Srs. pr.o-fessores.' Fala-se, a1niud'adam·ente em <<
teJn-169
,,,,ortl1 deixa 11,0 C,o,llegio, Pedro II, lo traço.
d·e sua ,modelar .ad'ministração. Melhoria _d!e: .
installações, c1·iação de gabineties,
discipli-11a, ,01·ie11tação1 pedag,ogica, ,ond·e quer que
a sua privilegiad'a cttltura e ,o seu talento,
pc,l)'t111orpl1", se fizeram scr.tir, foi a \'CZ
d{).\ un1 1triu1mpl10,, 1de uma victoria, 1de trium-.
phos e vicborias a accrescentar aos que .já ll1e aure,olavam a individ·ualid'ad'e tde
mes-t1·e illttstre e ,de politioo, cl1eio, <l1e se,
rvi-ços ás boas causas. , ;
Não poderia deixar de p1·esta1· as vossas
e as minhas l1omenagens ao meu prezado
amigo Henrique Dods,vortb, ag1·adecendo-lhe,
pelo Collegio Pedro II, a sua proficiente·
admi-nistração, augurando·lhe as maiores felicidades
na carreira de l1omen1 tJtrbliao, de cujas,
glo1·ias caberá sem1pre u1n q11inhã,o ao
11.osso Collegio. ,
Srs. professores e lm,eus senl1,ores. Co,, 1110 Oirector ,d,o Externato do Co.Ilegio,
Ped'ro I l, l1ei de cu·n1·prir, mercê ,d·e Dettsi o meti clever, á altura dias cotnLJromissos
e das responsabilid:ad'es da 11-onrosa i11v.es,
tidu1·a oorni qtie sott disti11guido pelo
Go-ver110 d'a ~epublica.>>
p,o, integral>> ; é precis,o·, porém, que d·
ei-xem,os 10, terre110 ,d1as palavras ,e passe1nos
A
á acçã,o·. Qt1e o, approveitamento util do11iosso tem•p,o·, C·O·m, a mereci dia com p·
e11sa-E(lncação Sanitaria
das
anças
·
J>equeninas
C1·i·
,
ção, venha ,d'e tal fo.rma qtte tod'os 11ós f
nos OOJtsagremos completamente á nossa ·
1missã,o d1e p.rofess,ores, ·d·and'o. aos n,ossos
encargos tud!o quanto, permittir 11. nossa
intelligencia, o 11osso, pensa1m1ento, .a nossa
al1m1a. , '
Eis, ,meus senl101·es,. ,o qtt-e vo,s queria dizer, p,oré1n, ·11ão, v,os ·disse tt1do, porqt1e tenl10 um• gra'to, d'eve1· a cumprir, em vos-so 11,ome e n,o IJ.neu proprio. Cabe-n,e, nes-ta !1,ora, ser ,o, interprebe do se11ti1nento
de todo, i0 Collegio Pedri0 II, trad'uzincld
a nossa gratid:ão, ao Professor He11rique Dodls,;v101·tl1, qtte acaba de se exonerar 1da\
directoria - d'este Externat,o.
N,ão, 1n11e abala11ça1·ei a fazer-vos a 1 e11u-n11eração dJos serviços qt1e assignalan1 a
passageí111 pela directoria do festejado,
pro-fesso1·, tJ.orqt1anto, o vulto de sua o,bra está á vista ,de qt1a11tos conl1ece·1111 ,o nosso Collegio. Etn tod'as as espheras d·a activi-{J'ade· a-dl1ni11istrati·va, o Dr. Henriqt1e D,
ods-'
(
Co1zfe1·e1tcia
.
io
D,·. Olifttlzo de Oliveira,
Di1·ecto1· do Se,·viço de Higie,ze
I1zfa1ztil,
,·ealizada
,ia
Ass<1ciação de Edticação)
«Con.heci1 ha annos, num hotel de
veraneio, uma mocinha allemã que criava
o seu prin1eíro filho, nessa occasião com
3 mezes de idade. Apresentava o petiz um
desenvolvimento médio; era talvez, antes
um pouco magro. A mãe criava-o
exclu-sivamente ao peito, e parecia não ter
bas-tante leite, porque a criança chorava muito,
e, ás vezes berrava horas a fio,
preoccu-pando a toda a gente da pensão. Minha
senhora chegou a propor,me que eu d~~
clarasse a minha qualidade de medico . ~
offerecesse meus serviços1 certa de que o
caso já era patl1ologico. A forma e o
ry-thmo do chôro depunham, con1 effeito, em
favor de 11ma insufficiencia alimentar. Um
dia, tendo opportunidade de dirigir-me
á
•
•
'
'
'
170
moç~. re feri-me ao chôro excessivo da
crian-. ça, !Clla mostrou-se surpreendida! Não
lhe parei::ia que o pequeno chorasse de
mais! Fome não podia ter. Ella o ama·
mentava de 4 em 4 horas, dando o seio
tantos miLutos de cada vez, conforme o
prescrevia o pequeno tratado allemão que ali estava sobre a mesa, e que lhe gui,1va
disciplinarmente a criação . O peso do pe-queno correspondia át- tabelas, e tudo o mais
corria de accordo com o pequeno tra~ado,
evac'.iaçõ es nor1naes, tantas por dia, somno
ás horas regulament ares , banho e mudança
roup:=t, idem; exposição ao ar e ao ~o\,
idem; tudo marcado, medido, dosad01
dis-ciplinado, a kaise,·.
Dias depois vi, de perto , o garotinho,
que, de facto, se me afig·urou normal.
Já chorava menos, e, duas ou 3 semanas
depois já nem chorava mais. A mãe era
quem ti nb a razão ; ott antes, o trata do .
Apenas, talvez , como atravessavamos t1 m
verão rigoro so, a re stri cta quantidade de
liquido e o largo espaço entre as mama·
das determinavc1m a penosa sensação de
sêde que fazia tanto chorar o pequeno.
Arrisquei timidam ente que o livro fôra
es-cripto para a Al:emanha, e como estavamas
em zona tropica\ 1 talvez não fosse mau dar
de vez em quando um pouco da2'ua ao me·
nino. A lot1ra mãezinha sorritt doce e
su-periormentP, e não me deu resposta, e
tambem não deu agua ao filh1) , E,te con-formava-se, Que remedio ! E a mãe, Sttave
• • •
e mimosa criatura, 1nc,tpaz de matar uroa
mos:.:a, delicada de feições como d':! ma.·
neiras, ma~ inflexivel de convtccões sabia
diariamente · de casa , fechando ·a chave o
pimpolho, que ficava dormind o depois de
amamentado, esperando as 4 horas r eg ul
a-mentares, q11and o ella voltava pontualmente,
para recomeçar a sua tarefa. E si, acaso,
o garotinl10 acordava-se um pouco mais
ce lo e reclamava, aos berros, a presença
materna, alvoroçando tod,1 o hotel, só ella
não se perturbava. Recoibia-se
á
horapre-fixada, e, calmamente accommodava com
• •
c~ric1as e ttma boa m ·1mada o petiz, que
nao tardava a adormecer cançado de
ber-raçada. Esta era tambem provavelmente
endossada pelr pequeno tratado como um
optimo exercício de gymnastica
respirato-ria, u ti 1 para o forta I eci meu to dos pu
1-mões. E:3te ~llemãozinbo, assim t&o solida
A ESCOLA PRIMARIA
e geometricamente construido, si não mor
-reu nas trincheiras, ha de estar com certeza
a esta hora constituindo uma das colurunas
mestras do bravio fascismo germanico,
A nossa sentimentalidade nacional não
admitte, nem mesmo alcança compreender
os rigores de semelhante disciplina, que
chega a beirar a ·crueldade. E, em parte,
estou de 21.ccordo com as mães brasileiras,
que entendem devotar-se inteiramente aos
filhos até o sacri ficio das suas commodi
-dades. Mas, sem prejuízo deste devota·
mento, quantas coisas teríamos que
apren-der daquella loira mãezinha, que, apezar de joven e inexperiente, soube traçar com
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tanta firmeza, a sua linha de conducta,
diante da immensa res ponsabilidade qu e
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assumira.
Em primeiro logar, a confiança nos conselhos do medico, ou na faltR deste, do .!
pequeno tratado, de que se encontram tan- ·
tos e tão uteis exemplares em todos os
pai-zes, sem exceptuar o nosso. •
Um grande erro de nosl'as mães,
so-'!::retudo as novatas, é dar ouvidos a toda
gente, acceitando conseibos os mais
dis-par;.tados, de que resultam tantas vezes maleficios irremediaveis. A allemãzinha da
minha historia andou com t>rudencia
re-cusando-se a modificar a sua cond11cta com
o conselho de 11m extranho de quem ella
não conhecia as credenciaes. Ella preju,
dicou menos o filho deixando de dar-lhe a
agua que ett aconselhei, do que prestando
ou,,idos a quantos se houvessem
inculca-do co:no entendidos, pretendendo intervir
na crié1ção do seu pequeno, Só o medico
.
'
e seJamos francos, só o medico es
pecia-lista é ,1ue deve orientar a criação da crian-ça pequenina. Não é indispensavel que elle
•
es tej a presente pP.ssoalmente a não ser nos
casos a nomalos. Na criação normal,
regu-lar bastam as suas prescripçõeR
compen-diadas nas innt1me;-as publicações que ha
sobre o assumpto, lidas e seguidas á risca,
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-A
ESCOLA PRIMARIA
,171
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--como no caso da allemãzinha·, ou melhor A educação da criança pequena no
ainda, ensinada nos cursos praticos de ponto de vis~a da conservação da saude, puericultura, em que as moças aprendem baseia-se sobretudo na formação de ha· estas noções ao vivo, ven1lo, txec1ttando e bitos a que ella st: deve cingir na vida,
pelejando, como dizia Camões, e ficando modificando-os naturalmente á p1oporção
só assim, verdadeiramente aptas para o que a idade fôr exigindo novas adaptações~ grande mister que lhes destinou a natu- O primeiro habito hJ'gienico a ser
in-reza. cutido na criança é o de um rythmo
nor-0 estudo da puericultura não é para mal nas s,uas diversas actividades
pbysio-a mtilher uma prenda, e sim uma neces- logicas. Ho ras certas de dormir, de t0mat
sidade impe1·iosa, de que d·ependerá mui- alimentos, de brincar, de tomar banho,
tas. vezes a sua felicidade, como a sorte paciseiar, exonerar os seus emunctorios. dos entes que lhes são mais caros. Tenho Longe de serem uma escravização, como
repetido, e mais uma vez o affirmo, que pensam alguns, taes habitos constituem ao
de nenhuma moça se poderá dizer q•le . contrario uma libertação, pois encadeiam completou a sua educação se lhe faltam ! funcções imperiosas por nati..reza ás
con-o~ ccon-o~heciment~s de pt1ericultt1ra, de tão veniencias do 1udividuo, impondo-lhes um vital 1m porta nc1a para el la pessoalm eu te, horario, que lhes faci I ita o <lesem penho, ao
corno para o futttro do paiz. passo que, desencadeadas sem regra são
A outra lição q11e pJdemos extrahir do
I ellas que escravizam o individuo, suj'eito a
~o .:aso é a necessidacl.e que se impõe ás attender-lhes ás exigencias quando menos Jo vens mães de disciplinarem-se a si 1>ro- contam com isso.
prias afim de poderem disciplinar os seus A estes habitos se devem vir gradual·
rebento s . mente juntando outros, a sobriedade, o as•
Como é possível a um1. pessoa in- seio, o exercício, e mais a docilidade, a
consequente, cheia de capricho s, sem me- paciencia, o ct1lto da verdade, a
perseve-thodos e e sem regra, estabelecer e man- rança , o combate aos caprichos, aos medos
ter as regras e os metbodos i mprescendi- infundados, ao egoísmo, disposições estas
veis
á
boa criação? Ou a uma pessoa im- que já pertencem a outro terreno, o dahy-pre$sionavel e nervosa, assustaado -se G.e gieue mental, cuja importancia se torna
tudo, exagerando cuidados, como lhe será cada dia maior.
· possível conduzir bem essa tarefa que Jniciada a educação sanitaria da
crian-ex1ge antes de tudo calma, poaderação e ça desde os seus primeiros dias de vida,
normas exactas? Accresce ainda que a co~ a coparticipação intima da mãe,
con-criança, á proporção que se 111e desen· tin~ará ella no psriodo seguinte na idade
volve a intelligencia, vae apredendo no preescolar, onde o des abrochar da mente
exemplo materno o desvirtt1aruento dos vem trazer mais ttm elemento dP interesse
pre ceitos que lhe ensinam, e vai se de i- para o educador e mais um contigente
va-iando suggestionar pelas manifestações lioso para a consecução dos fins em vista, inc ontidas do nervosismo familiar, que se pela collaboraç ;io intelligente da propria lhes trausmitte com tanto mais f,acilidade, criança na formação do seu espírito
sani-quando trabalha no mesmo sentido a he, tario,
rança morbida que ella traz na sua con- A idade pre-escolar é com effeito a
stituiçao. _ mais i11teressante, e direi mesmo, a mais
A mãe conscienciosa precisa pois, importante na educação em geral D as
so-antPs de tudo attender a sua propria edu - bretudo na das qu !idades do caracter.
E'
cação. Della se f'.ão d~_ exig-ir pacie11cia , 1 durante este ct1rto período da i11fanci~, d.ecalma, coragem, prec1sao, uma vontade facto, que se pla-,ma o caracter do
1t1d1-reflectida e vigilante, uma autoridade, não
I
viduo, que p,1derá depois modificai-o paracaprichosa e violenta, mas firme, ponde- mais ou para menos mas nt1nca refundil-o
rada, co!}scia dos se;,is intuitos, não para t)ll altera].'.) nos seus fundamentos. De
comprimir, ameaçar e constr,tnger, mas posse desta noção capital, que nos fornece
para persuadir e guiar com perseverança e a moderna psyc(>logia infantil é que se está
brandura, 11este momento revolucionando a pedagogia
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