RELATÓRIO
DE ESTÁGIO
REALIZADO NO ÂMBITO DO MESTRADO INTEGRADO EM CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS
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ARMÁCIA
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ELENA
F
REITAS
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UITÉRIA
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OFIA
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AMPAIO
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Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto
Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas
Relatório de Estágio Profissionalizante
Farmácia Helena Freitas
setembro de 2017 a março de 2018
Quitéria Sofia Sampaio Vaz
Orientador: Dra. Helena da Conceição Lopes de Freitas
Tutor FFUP: Prof. Doutora Maria Irene de Jesus
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ECLARAÇÃO
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NTEGRIDADE
Declaro que o presente relatório é de minha autoria e não foi utilizado previamente
noutro curso ou unidade curricular, desta ou de outra instituição. As referências a
outros autores (afirmações, ideias, pensamentos) respeitam escrupulosamente as
regras da atribuição, e encontram-se devidamente indicadas no texto e nas
referências bibliográficas, de acordo com as normas de referenciação. Tenho
consciência de que a prática de plágio e auto-plágio constitui um ilícito académico.
Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, 4 de abril de 2018
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GRADECIMENTOS
À Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto por ter contribuído para a minha formação académica e pessoal. Um especial agradecimento ao Professor Jaime Manuel Guedes Morais da Conceição, pela transmissão de conhecimentos, companheirismo, orientação e motivação demonstrada ao longo da minha formação académica.
À Professora Doutora Maria Irene de Jesus, pela sua disponibilidade e orientação demonstrada ao longo de todo o estágio.
À Drª Helena Freitas pela oportunidade de realização do estágio profissionalizante na Farmácia Helena Freitas, pela disponibilidade, motivação e conhecimento transmitido.
Ao Dr. João Mesquita pela orientação e exigência profissional que tanto contribuiu para o meu crescimento a nível pessoa e profissional.
À Drª Joana Antunes pela orientação e apoio incondicionais que muito elevaram os meus conhecimentos científicos e, sem dúvida, muito estimularam o meu desejo de querer, sempre, saber mais e a vontade constante de querer fazer melhor, agradeço ainda o conhecimento transmitido, disponibilidade, amizade e o companheirismo demonstrados ao longo do estágio.
Ao Dr. José Rocha Costa pela disponibilidade, simpatia e amizade demonstradas ao longo do estágio.
À Sandra pela amizade, companheirismo e ajuda, fatores muito importantes ao longo do estágio e que permitiram que cada dia fosse encarado com particular motivação. Agradeço pela confiança que desde sempre depositou em mim, pela enorme amizade que criámos, pela partilha de bons momentos, ajuda e os estímulos nas alturas de desânimo.
Ao Sr. Pedro pelo companheirismo, profissionalismo, pela sincera amizade e pela total disponibilidade que sempre revelou para comigo, agradecimento especial pela transmissão de confiança e de força, em todos os momentos.
À D. Fátima pela forma carinhosa com que sempre me tratou, pela amizade, companhia e afeto.
Por último, aos meus pais e irmãos, Bento, Carlos e Isabel, pelo incansável apoio ao longo deste percurso.
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R
ESUMO
Realizado no âmbito da unidade curricular Estágio do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas o presente relatório, resulta do culminar da formação académica enquanto farmacêutica. O estágio profissionalizante decorreu de 5 de setembro de 2017 a 5 de março de 2018, na Farmácia Helena Freitas em Felgueiras. Durante o estágio tive a oportunidade de contactar com diferentes realidades do dia-a-dia de uma farmácia, desde a prestação de cuidados de saúde, aconselhamento farmacêutico, dispensa de medicamentos e procedimentos de gestão em farmácia comunitária. Este foi o primeiro contacto com a Profissão Farmacêutica tendo permitido a concretização prática, de todo o conhecimento teórico adquirido ao longo da minha formação académica.
O presente relatório descreve as atividades desenvolvidas ao longo dos seis meses de estágio e encontra-se dividido em duas partes. A Parte I descreve as atividades realizadas ao longo do estágio na Farmácia Helena Freitas, desde o seu funcionamento à prestação de serviços farmacêuticos. O cronograma das atividades realizadas encontra-se no Anexo I. Na Parte II são apresentados os temas desenvolvidos no sentido de incentivar a adesão à terapêutica e colaborar em programas de educação para a saúde. Os temas escolhidos foram: Primeiros Socorros, Consultas de Revisão da Medicação e Higiene Oral, tendo em consideração a localização e as necessidades dos utentes da Farmácia Helena Freitas.
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DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE ... iii
AGRADECIMENTOS ... iv
RESUMO ...v
ÍNDICE ... vi
ABREVIATURAS ...x
ÍNDICE DE ANEXOS ………xii
ÍNDICE DE FIGURAS………...xiv
ÍNDICE DE TABELAS ... xv
PARTE I – DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS EM FARMÁCIA COMUNITÁRIA . 1 1. Organização e gestão da Farmácia Helena Freitas ... 1
1.1. Localização geográfica ... 1
1.2. Horário de funcionamento ... 1
1.3. Espaço físico e equipamentos ... 1
1.3.1. Espaço exterior ... 1
1.3.2. Espaço interior ... 2
1.3.3. Equipamento ... 3
1.4. Recursos humanos ... 4
2. Gestão e aprovisionamento de medicamentos e produtos de saúde ... 4
2.1. Sistema informático ... 4
2.2. Gestão de stocks ... 5
2.3. Realização de encomendas ... 6
2.4. Receção e conferência de encomendas ... 7
2.5. Marcação de preços ... 8
2.6. Armazenamento ... 8
2.7. Controlo de prazos de validade ... 9
2.8. Devoluções ... 10
3. Interação farmacêutico-utente-medicamento ... 10
3.1. Comunicação com o utente ... 10
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3.3. Promoção de adesão à terapêutica ... 11
3.4. Seguimento farmacoterapêutico ... 11
3.5. Farmacovigilância ... 11
4. Dispensa de medicamentos e produtos de saúde ... 12
4.1. Medicamentos sujeitos a receita médica ... 12
4.2. Medicamentos não sujeitos a receita médica ... 12
4.3. Medicamentos com regime jurídico especial ... 13
4.3.1. Medicamentos psicotrópicos e estupefacientes ... 13
4.3.2. Medicamentos manipulados ... 13
4.4. Medicamentos e produtos de uso veterinário ... 13
4.5. Outros produtos de saúde ... 14
4.5.1. Produtos cosméticos e de higiene corporal ... 14
4.5.2. Produtos de puericultura ... 14
4.5.3. Suplementos alimentares e produtos fitoterapêuticos ... 14
4.5.4. Produtos dietéticos e de alimentação especial ... 15
4.5.5. Dispositivos médicos ... 15
5. Receituário: conferência, processamento e faturação ... 15
5.1. Receita médica e prescrição ... 15
5.1.1. Receita manual ... 16
5.1.2. Receita eletrónica materializada ... 16
5.1.3. Receita eletrónica desmaterializada ... 16
5.2. Regime de comparticipação de medicamentos ... 17
5.2.1. Regime geral de comparticipação ... 17
5.2.2. Regime especial de comparticipação ... 17
5.2.3. Outros regimes de comparticipação ... 17
5.3. Conferência de receituário ... 17
6. Serviços farmacêuticos ... 18
6.1. Determinação de parâmetros bioquímicos e fisiológicos ... 18
6.2. Outros serviços ... 19
6.2.1. Teste de Gravidez ... 19
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7. Programa de intervenção comunitária ... 20
8. Formação contínua... 20
PARTE II – TEMAS DESENVOLVIDOS DURANTE O ESTÁGIO ... 21
PRIMEIROS SOCORROS ... 21
1. Enquadramento ... 21
2. Introdução ... 21
3. A importância dos Primeiros Socorros ... 21
4. Objetivos ... 22
5. Métodos ... 23
6. Resultados ... 23
7. Conclusão ... 24
CONSULTAS DE REVISÃO DA MEDICAÇÃO NO IDOSO ... 25
1. Enquadramento ... 25
1.1. Envelhecimento da população ... 25
1.2. Medicação nos idosos ... 26
1.3. O medicamento na população idosa ... 27
1.3.1. Alterações Farmacocinéticas ... 27 1.3.1.1. Absorção ... 27 1.3.1.2. Distribuição ... 28 1.3.1.3. Metabolismo ... 28 1.3.1.4. Excreção ... 29 1.3.2. Alterações Farmacodinâmicas ... 29
1.4. Complicações resultantes da utilização dos medicamentos em idosos ... 29
1.4.1. Polimedicação ... 29
1.4.2. Automedicação ... 29
1.4.3. Prescrição em cascata e omissão da prescrição pelo idoso ... 30
1.4.4. Reações adversas à medicação ... 30
1.4.5. Adesão à terapêutica... 30
1.5. O papel do Farmacêutico na revisão da medicação ... 31
2. Objetivos ... 31
ix
3.1. Seleção dos idosos ... 32
3.2. Entrevista ... 32
4. Resultados ... 33
5. Discussão ... 35
6. Conclusão ... 35
A IMPORTÂNCIA DA HIGIENE ORAL ... 36
1. Enquadramento ... 36 2. Introdução ... 36 3. Objetivos ... 37 4. Métodos ... 38 5. Resultados ... 38 6. Conclusão ... 39 CONCLUSÃO ... 40 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 41 ANEXOS ... 49
x
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BREVIATURAS
AAS Ácido Acetilsalicílico
AINEs Anti-inflamatórios Não Esteróides
ATC Anatomic Therapeutic Chemical Code
BD Biodisponibilidade
BMQ Beliefs about Medicines Questionaire
BPF Boas Práticas Farmacêuticas
C Preocupações
CNP Código Nacional Português
DAE Desfibrilhador Automático Externo
DC Doença Crónica
EAM Enfarte Agudo do Miocárdio
EBSI Escola Básica e Secundária de Idães
FV Fibrilhação Ventricular
GI Gastrintestinal
HC Hidratos de Carbono
hCG Gonadotrofina Coriónica Humana
IVA Imposto sobre o Valor Acrescentado
MAT Medida de Adesão aos Tratamentos
MNSRM Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica
MSRM Medicamentos Sujeitos a Receita Médica
N Necessidades
OMS Organização Mundial de Saúde
PCR Paragem Cardiorrespiratória
PIC Preço Impresso na Cartonagem
PLS Posição Lateral de Segurança
PRM Problemas Relacionados com os Medicamentos
PVF Preço de Venda à Farmácia
xi PUM Processo de Uso dos Medicamentos
RAM Reação Adversa ao Medicamento
SBV Suporte Básico de Vida
SNC Sistema Nervoso Central
t1/2 Tempo de semivida
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NDICE
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NEXOS
Anexo I – Cronograma das atividades desenvolvidas na Farmácia Helena Freitas ... 49
Anexo II – Espaço interior da Farmácia Helena Freitas ... 50
Anexo III – Gabinete de atendimento personalizado ... 52
Anexo IV – Zona de receção e conferência de encomendas ... 52
Anexo V – Fatura da Farmácia Helena Freitas ... 53
Anexo VI – Lista de controlo de prazos de validade ... 54
Anexo VII – Nota de devolução ... 55
Anexo VIII – Registo de preparação de antibióticos ... 56
Anexo IX – Requisição de medicamentos psicotrópicos e estupefacientes ... 57
Anexo X – Formulário de dispensa de medicamentos psicotrópicos ... 58
Anexo XI – Documento de psicotrópicos ... 58
Anexo XII – Receita Médica Veterinária ... 59
Anexo XIII – Receita Médica Renovável Materializada... 60
Anexo XIV – Receita Médica Desmaterializada ... 61
Anexo XV – Receita Médica Pré-impressa (manual) ... 62
Anexo XVI – Verbete de identificação de lote ... 63
Anexo XVII – Documento utilizado para divulgação do resultado do Teste de Gravidez ... 64
Anexo XVIII – Documento apresentado na formação em Primeiros Socorros ... 65
Anexo XIX – Biblioteca da EBSI- Local onde decorreu a formação em Primeiros Socorros... 117
Anexo XX – Execução das técnicas pelos alunos ... 118
Anexo XXI – Esquema fornecido: SBV ... 121
Anexo XXII – Esquema fornecido: PL ... 122
Anexo XXIII – Esquema fornecido: Palmadas Interescapulares ... 124
Anexo XXIV – Esquema fornecido: Manobra de Heimlich ... 125
Anexo XXV – Questionaria de avaliação do meu desempenho na formação de Primeiros Socorros ... 126
Anexo XXVI – Certificado de Participação ... 128
Anexo XXVII – Entrevista realizada aos idosos durante as consultas de revisão da medicação 129 Anexo XXVIII – Classificação ATC dos MSRM tomados pelos idosos consultados ... 132
xiii
Anexo XXX – Palestra nos Jardins de Infância ... 147 Anexo XXXI – Material oferecido aos Jardins de Infância ... 149
xiv
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NDICE
D
E
F
IGURAS
xv
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NDICE
D
E
T
ABELAS
Tabela 1. Resultados do questionário da exposição da informação. ... 24 Tabela 2. Resultados do questionário da organização da formação. ... 24
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PARTE I – D
ESCRIÇÃO
D
AS
A
TIVIDADES
D
ESENVOLVIDAS
E
M
F
ARMÁCIA
C
OMUNITÁRIA
1. Organização e gestão da Farmácia Helena Freitas 1.1. Localização geográfica
A Farmácia Helena Freitas situa-se na Rua Camilo Carvalho da Fonseca, número 184, na Vila da Longra, freguesia de Rande, pertencente ao conselho de Felgueiras. A farmácia localiza-se no Edifício Nova Longra, Bloco Norte, Loja 6, um prédio habitacional, com espaços comerciais, à face da estrada nacional 207. Na zona envolvente existem vários estabelecimentos de saúde, nomeadamente o CRSPORT - Centro de Reabilitação e Recuperação Desportiva, a Clínica Médico-Dentária Da Longra e as Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados da Longra e São Tiago em Barrosas. Estas unidades de saúde servem a população desta localidade, maioritariamente idosa. Existe ainda um jardim de infância e uma escola primária nas imediações da farmácia.
1.2. Horário de funcionamento
O horário padrão de funcionamento das farmácias de oficina engloba o período de funcionamento diário e semanal, bem como os turnos de serviço permanente aprovados pela administração regional de saúde da área geográfica competente 1.
A Farmácia Helena Freitas funciona de segunda a sexta, das 09:00h às 20:30h e aos sábados das 09:00h às19:30h. Em regime contínuo, sem pausa para o almoço. Aos feriados a farmácia abre das 09:00 às 12:30h, sendo que aos domingos, no dia de Natal e no dia de Ano Novo se encontra encerrada todo o dia. A Farmácia Helena Freitas não realiza serviço permanente.
O meu horário de estágio na Farmácia Helena Freitas foi das 9:00h às 13:00h com 1h de pausa para almoço, retomando das 14:00h às 18:00h (segundas, terças, quartas e quintas) e das 9:00h às 14:00h com 1h de pausa para almoço, retomando das 15:00h até às 18:00h à sexta-feira.
1.3. Espaço físico e equipamentos
As farmácias comunitárias servem de elo de ligação entre a população em geral e o sistema de saúde, prestando cuidados de saúde de elevado caráter técnico-científico. Para isso, o farmacêutico, necessita de instalações, equipamentos e fontes de informação adequados à sua prática. De acordo com o Decreto-Lei n.º 171/2012, de 1 de agosto, Artigo 29.º, as farmácias devem adequar as suas instalações, visando “a segurança, conservação e preparação dos medicamentos” e, ainda, “a acessibilidade,
comodidade e privacidade dos utentes e do respetivo pessoal” 2. As instalações da Farmácia Helena
Freitas cumprem os requisitos descritos nas Boas Práticas Farmacêuticas (BPF) para Farmácia Comunitária 3.
1.3.1. Espaço exterior
A Farmácia Helena Freitas está inserida na fachada de um prédio, dispondo de vários lugares de estacionamento livre, um lugar para deficientes e um lugar para cargas e descargas. Para garantir o acesso a todos os clientes, a Farmácia Helena Freitas, de acordo com as BPF, dispõe de uma rampa de acesso, permitindo desta forma a acessibilidade e comodidade de todos os utentes que se dirijam à farmácia 3,4. No espaço exterior da Farmácia Helena Freitas podemos encontrar o símbolo da “Cruz Verde”, que está devidamente iluminado durante o horário de funcionamento da farmácia. Em
2 cumprimento do artigo 28º do regime jurídico das farmácias de oficina, na porta de entrada ao público encontra-se afixada informação relativa ao horário de funcionamento da farmácia bem como o nome da diretora técnica e proprietária da farmácia e ainda os serviços farmacêuticos disponíveis e respetivos preços. A fachada principal da farmácia é envidraçada o que permite, através de determinadas estratégias de marketing, a divulgação de novos produtos e/ou serviços farmacêuticos. Durante o estágio tive a oportunidade de alterar a montra, com temas e produtos adequados à época do ano (outono, natal, carnaval, dia dos namorados).
1.3.2. Espaço interior
A Farmácia Helena Freitas apresenta-se como um local cuidado, transmitindo conforto e profissionalismo não só para os profissionais de saúde, como também para todos os utentes que a frequentam. O espaço interior da Farmácia Helena Freitas (Anexo II) dispõe das caraterísticas de temperatura e humidade indispensáveis para o correto armazenamento de todos os produtos e apresenta apenas um único piso constituído por áreas distintas.
A farmácia dispõe assim, de uma zona de atendimento ao público, constituída por 3 balcões de atendimento cada um deles com o respetivo computador, aparelho de leitura ótica, impressora de recibos/faturas e caixa registadora. No final do estágio as caixas registadoras foram substituídas por uma máquina de pagamento automático, estrategicamente posicionada, de forma a permitir o fácil acesso a todos os funcionários. Para além disso, dispõe ainda de um terminal de multibanco. Nesta zona encontram-se diferentes lineares com vários produtos expostos, organizados consoante a marca e a gama a que pertencem. Destacam-se os produtos de dermocosmética, capilares, buco dentários suplementos alimentares e dietéticos. Existe ainda um linear destinado ao espaço animal, de uso veterinário. Nos balcões são expostos produtos novos frequentemente, permitindo assim uma maior proximidade entre produto e utente. Ainda na zona de atendimento, imediatamente atrás do balcão, existe uma área dedicada à exposição de vários medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM), que vão variando conforme a estação e picos de venda. Estes produtos estão devidamente protegidos do alcance dos utentes e, incluem produtos para a higiene do sono, obstipação, tosse, alergias e constipações. Imediatamente abaixo dos lineares encontram-se as gavetas, onde estão armazenados emplastros, ligaduras, compressas, adesivos e pensos. Existem ainda expositores destinados a determinados produtos, como por exemplo ortóteses, rebuçados sem adição de açúcar entre outros.
Ainda na zona de atendimento, a Farmácia Helena Freitas disponibiliza aos seus utentes uma área de espera, constituída por 2 cadeiras. Nesta área podemos ainda encontrar uma balança que permite medir simultaneamente a altura, o peso e consequentemente o Índice de Massa Corporal (IMC). Na área de espera dos utentes existe uma ilha e uma coluna com produtos de dermocosmética, diatéticos e higiene corporal. Existe ainda uma zona ligeiramente mais afastada dos balcões de atendimento, inteiramente dedicada ao bebe com a exposição de produtos de puericultura.
Para além deste espaço físico, a Farmácia Helena Freitas dispõe de um gabinete de atendimento personalizado, um escritório da direção técnica, uma zona de receção e conferência de encomendas, armazém, laboratório e instalações sanitárias.
O gabinete de atendimento personalizado (Anexo III) é o local destinado a um atendimento individual e diferenciado. Qualquer utente pode dirigir-se a este gabinete sempre que surja uma situação de cariz confidencial. Este espaço permite ao farmacêutico ter um contato mais próximo com os utentes, fazer recomendações e esclarecer as inúmeras questões que surgem frequentemente, de forma individualizada e em privado. Ainda neste espaço é possível a realização de testes e parâmetros
3 bioquímicos, como o teste de glicémia, colesterol, triglicerídeos, medição da tensão arterial, peso corporal e administração de injetáveis. São prestados também serviços de acompanhamento nutricional quinzenalmente pela Dr.ª Elisabete Mendes.
O escritório da direção técnica é o local onde se realiza a conferência de receituário e a sua respetiva faturação. Este escritório funciona como uma biblioteca, continuamente atualizada, contendo a Farmacopeia Portuguesa, cuja presença é obrigatória em qualquer farmácia. O escritório é o local onde podemos encontrar toda a documentação da farmácia sendo utilizado para reuniões com os delegados.
Na zona de receção e conferência de encomendas procede-se à receção, verificação e armazenamento dos produtos rececionados (Anexo IV). Nesta zona existe um computador com um leitor ótico associado bem como uma impressora de etiquetas. Após a receção e conferência das encomendas procede-se ao seu armazenamento.
O armazém está dividido em dois espaços físicos distintos. O primeiro encontra-se junto da área de receção e conferência das encomendas, próximo da zona de atendimento e é composto por gavetas deslizantes e prateleiras. Aqui são guardados os medicamentos sujeitos a receita médica (MSRM), por ordem alfabética. O segundo espaço físico do armazém fica numa zona mais afastada do balcão. Nesta segunda zona são armazenados os medicamentos com stocks elevados, produtos de dietética, chás, suplementos vitamínicos, produtos de higiene íntima, material de ortopedia, produtos de protocolo (tiras de teste de glicemia, agulhas e lancetas), produtos de alimentação para bebés e para indivíduos com problemas de deglutição. O armazenamento é feito, sempre que possível, por gama e ordem alfabética de modo a facilitar um acesso mais rápido a todos os produtos. No armazém encontra-se ainda um frigorífico onde são armazenados todos os medicamentos de frio, que têm de ser devidamente conservados a temperaturas que variam entre os 2ºC e os 8ºC, incluindo os de uso veterinário (ex.: insula, vacinas, colírios, etc.)
O laboratório, permite a preparação de medicamentos manipulados e/ou extemporâneos, e a prestação de serviços de saúde, nomeadamente a deteção de infeções urinárias. A preparação de medicamentos manipulados, segundo as respetivas monografias, é também realizada ao nível do laboratório. Pelo que, as matérias-primas se encontram armazenadas neste local. O laboratório encontra-se devidamente apetrechado no que diz respeito às matérias-primas, materiais e equipamentos mínimos exigidos legalmente 5.
1.3.3. Equipamento
De acordo com as BPF, as farmácias devem ter ao seu dispor todo o equipamento necessário para o seu correto funcionamento. A Farmácia Helena Freitas dispõe de três computadores na zona de atendimento ao público devidamente equipados com impressora de faturas e/ou recibos e leitor ótico de códigos de barras. Para além disso, existe um terminal multibanco e uma máquina de pagamento automático partilhado por todos os funcionários. Dispõe também de um computador, impressora e fotocopiadora no escritório da direção técnica. Na zona de receção e conferência de encomendas, a farmácia dispõe de um computador com acesso direto ao prontuário farmacêutico e às plataformas digitais dos fornecedores para a realização de encomendas, de uma impressora de etiquetas e ainda de um telefone para o contactar diretamente os fornecedores e/ou entidades implicadas no bom funcionamento da farmácia.
4 A Farmácia Helena Freitas cumpre todos os requisitos descritos nas BPF nas normas gerais sobre as instalações e equipamentos, realizando manutenções periódicas e sempre que necessário a calibração dos instrumentos (Ex.: termohigrómetros, balanças, frigorífico, etc.) 3.
1.4. Recursos humanos
Em conformidade com o Decreto-Lei n.º 307/2007 de 31 de agosto 6, a equipa de trabalho da Farmácia Helena Freitas é constituída por seis profissionais competentes, quatro Farmacêuticos e dois Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica:
• Dr.ª Helena Freitas – Farmacêutica e Diretora Técnica; • Dr. João Mesquita – Farmacêutico Adjunto;
• Dr.ª Joana Antunes – Farmacêutica; • Dr. José Rocha Costa – Farmacêutico;
• Sr. Pedro Ribeiro – Técnico de Diagnóstico e Terapêutica; • Sra. Sandra Teixeira – Técnica de Diagnóstico e Terapêutica;
A equipa de trabalho encontra-se devidamente identificada através do uso de um cartão contendo o nome e o título profissional correspondente. Dos recursos humanos da farmácia, fazem ainda parte a Dr.ª Elisabete Mendes, nutricionista, e a Sra. Fátima Viana, empregada de limpeza. Cada elemento exerce as suas funções, devidamente pré-definidas, para o correto funcionamento da farmácia.
1.5. Perfil dos utentes
A Farmácia Helena Freitas está instalada num meio rural, fora do centro de Felgueiras, o que faz com que os clientes sejam maioritariamente idosos, polimedicados com diversas doenças crónicas (DC), fidelizados e com uma relação muito próxima com os profissionais. A farmácia apresenta um ambiente familiar e uma relação muito próxima com os clientes, o que faz com que a prestação dos serviços farmacêuticos seja feita de forma cuidadosa, competente, recorrendo a uma linguagem simples, e com total disponibilidade. Os atendimentos são individualizados, sem qualquer preocupação por parte dos profissionais relativamente ao tempo disponibilizado para cada atendimento, isto porque dada a sua localização, muitos dos clientes deslocam-se à farmácia, não só para comprarem a medicação, mas também para conversarem. Esta proximidade que existe entre ofarmacêutico e o utente permite que as patologias e respetiva farmacoterapia de cada utente sejam conhecidas pelos profissionais visto que muitos deles se deslocam apenas à Farmácia helena Freitas para comprar a sua medicação há vários anos, permitindo desta forma um seguimento farmacoterapêutico. Os profissionais que trabalham na Farmácia Helena Freitas são muitas vezes encarados como o suporte social da população mais idosa, que demonstra imensa admiração e respeito por estes profissionais.
2. Gestão e aprovisionamento de medicamentos e produtos de saúde
A gestão de uma farmácia é um procedimento fundamental que assume um especial destaque nos dias de hoje. É um processo complexo e dinâmico, que exige a avaliação de múltiplos fatores tendo por objetivo garantir uma maior rentabilidade e sustentabilidade da farmácia, sem prejuízo dos utentes a nível económico e da sua saúde.
2.1. Sistema informático
O Sifarma2000® é o sistema informático utilizado pela Farmácia Helena Freitas. Este software foi desenvolvido pela Global Intelligent Technologies (Glintt®) e é da inteira responsabilidade da Associação
5 Nacional das Farmácia (ANF). Todos os computadores da Farmácia Helena Freitas apresentam o Sifarma2000® implementado, permitindo um melhor acompanhamento ao utente, disponibilizando informação técnico-científica relativa à composição quantitativa/qualitativa, indicações terapêuticas, posologia, reações adversas, contraindicações, bem como informação para o próprio farmacêutico, sobre os medicamentos que se encontram atualmente no mercado, garantindo desta forma um aconselhamento mais seguro, eficaz e com maior qualidade. Para além de facilitar a venda e o tratamento das receitas, o Sifarma2000® permite diminuir os erros associados à dispensação da medicação, através da verificação da medicação no ato da dispensa, sendo esta ferramenta obrigatória na Farmácia Helena Freitas.
O Sifarma2000® apresenta-se ainda como uma ferramenta de excelência no que diz respeito à administração e gestão financeira da farmácia. O Sifarma2000® permite a realização de encomendas instantâneas diretamente aos fornecedores durante os atendimentos, a criação, envio e posterior receção de encomendas, atualização de stocks, controlo dos prazos de validade, gestão e regularização de devoluções, gestão de lotes de receituário e análise de informações relativas à faturação.
Os dados da Farmácia Helena Freitas são confidenciais e na farmácia estão definidos diferentes níveis de acesso relativos à utilização do sistema informático. Cada colaborador possui o seu próprio login, através do qual realiza diferentes funções na farmácia (atendimento, receção de encomendas, devoluções, etc.).
Ao longo do estágio tive a oportunidade de explorar algumas das funcionalidades do programa Sifarma2000® como o atendimento, a consulta de informação no ato da dispensa da medicação, abertura e gestão de fichas de clientes, criação do Cartão Saúda das Farmácias Portuguesas, gestão de stock (criação e receção de encomendas, devoluções, verificação de prazos de validade), fecho de lotes e impressão de verbetes.
2.2. Gestão de stocks
A farmácia requer uma gestão complexa dos medicamentos e/ou produtos de saúde a comercializar. Para isso, é fundamental realizar uma correta gestão de stocks de forma a garantir a sustentabilidade financeira da farmácia, contrariando a sucessiva redução dos ganhos das margens financeiras e o aumento da concorrência direta. O Sifarma2000® permite avaliar o volume de compras e vendas mensais, analisar o tempo médio de existência de um produto, o valor dessa mesma existência e a respetiva rotatividade, que muitas vezes varia sazonalmente. Desta forma, os processos de compra e venda estão na base da gestão de stocks e por isso, são estabelecidos níveis de stocks mínimos e máximos tendo por base a rotatividade do produto na Farmácia Helena Freitas. O nível de stock de um produto é influenciado pela estação do ano, procura do utente, escolha do medicamento de marca ou genérico, bem como pelo facto de determinados medicamentos esgotarem frequentemente. O crescente aumento das exigências do mercado faz com que o controlo de stocks seja periódico.
Sempre que um determinado produto atinge o stock mínimo, o Sifarma2000® gera automaticamente uma encomenda diária, sujeita a aprovação pelo profissional responsável, que após verificar o nível de
stock desse produto e a sua rotatividade, pode ainda consultar as condições de venda dos diversos
fornecedores através do Sifarma2000®. Apesar da gestão que é feita podem ocorrer erros nomeadamente na receção, marcação e venda de produtos.
Durante o estágio tive a oportunidade de participar na gestão do stock dos produtos, nomeadamente, na realização de encomendas, deteção de erros de stock, análise da rotatividade e reajuste dos stocks mínimo e máximo nas respetivas fichas de produtos.
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2.3. Realização de encomendas
A aquisição de medicamentos e/ou produtos de saúde apresenta-se como a base de uma farmácia comunitária, na qual os fornecedores desempenham um papel crucial. A seleção dos fornecedores é feita tendo em consideração o serviço prestado, o tempo de entrega das encomendas, o stock disponível, a diversidade de produtos disponibilizados, o cumprimento da data e hora de entrega dos produtos, a facilidade de devoluções e as condições de compra que são apresentadas, nomeadamente o preço praticado, as bonificações e descontos. Existem dois tipos de desconto: o comercial e o financeiro. O primeiro verifica-se num determinado produto e pode traduzir-se em um desconto monetário ou em bónus, resultando assim de uma faturação a preço zero. Por outro lado, o desconto financeiro aplica-se ao valor total da fatura, podendo neste caso obter diferentes percentagens de desconto por efetuar o pagamento da encomenda antecipadamente ou num período de tempo estabelecido pelo distribuidor. Este último é negociado entre o distribuidor e o profissional responsável pelas compras efetuadas pela farmácia.
A aquisição de medicamentos e produtos de saúde pode ser feita diretamente aos laboratórios ou através de armazenistas de distribuição grossista. Por norma, a aquisição direta aos laboratórios permite à farmácia obter uma maior margem de lucro. No entanto, é frequentemente exigido à farmácia que encomende uma quantidade mínima estabelecida pelo laboratório. Por outro lado, as encomendas feitas aos distribuidores grossistas, apesar de apresentarem margens de lucro normalmente inferiores ao que acontece na compra direta ao laboratório, não exigem quantidades mínimas de aquisição de produtos, permitindo uma maior margem de manobra para a farmácia.
Na Farmácia Helena Freitas o Dr. João Mesquita é o principal responsável pela compra. Para isso, avalia as condições de compra, os níveis de stock e a rotatividade do produto, definindo os critérios de seleção de fornecedores de medicamentos, produtos de saúde assim como de dispositivos médicos. A Farmácia Helena Freitas pertence a um grupo de farmácias, em que a aquisição de determinados produtos em conjunto permite realizar encomendas de maior volume com melhores condições de compra. A Farmácia Helena Freitas realiza duas encomendas diárias através do Sifarma2000®, uma ao fim da manhã e outra ao fim da tarde. Os principais fornecedores da Farmácia Helena Freitas são a Plural® e a Medicanorte®. As encomendas diárias são geradas com base no balanço entre os stocks mínimos e máximos dos diversos produtos. Quando um determinado produto atinge o stock mínimo este é automaticamente inserido pelo sistema informático na encomenda diária, sujeita a aprovação pelo profissional responsável por esta área, que analisa individualmente cada encomenda, decidindo se deve retirar ou acrescentar algum produto tendo em consideração as necessidades da farmácia.
Para além dos fornecedores preferenciais das encomendas diárias, a farmácia recorre frequentemente à Alliance Healthcare®, Empifarma®, OCP Portugal®, Botelho e Rodrigues® e Cooprofar®, para a realização de encomendas instantâneas de forma a satisfazer as necessidades específicas dos utentes em determinados produtos que não estejam disponíveis na farmácia ou que apresentem uma procura de caráter esporádico. Estas encomendas são efetuadas através do Sifarma 2000®. Este sistema informático permite verificar a disponibilidade do produto em questão, o preço de venda à farmácia (PVF), bem como a data e a hora prevista da entrega para diferentes fornecedores tais como: Plural®, Alliance Healthcare®, Empifarma®, Botelho e Rodrigues® e OCP Portugal®. Alternativamente, as encomendas poderão ser realizadas por via telefónica, contactando-se diretamente os distribuidores grossistas. Excecionalmente, tenta-se obter um determinado produto através do contacto direto com outras farmácias da zona.
7 Para além disso, pontualmente, consoante o produto as encomendas são realizadas diretamente aos laboratórios por email, telefone ou através de um Delegado de Informação Médica, normalmente aquando de uma visita à farmácia.
Ao longo do estágio aprendi a fazer encomendas diárias aos armazenistas preferenciais. No entanto, na Farmácia Helena Freitas realizei essencialmente encomendas instantâneas, através do Sifarma2000® e por telefone, contactando diretamente o armazenista. Este procedimento era adotado frequentemente durante a realização dos atendimentos sempre que era solicitado um produto sem stock.
2.4. Receção e conferência de encomendas
A receção de encomendas é uma das etapas mais importantes do processo de gestão de uma farmácia. Uma correta receção dos produtos permite uma atualização constante dos stocks. Na Farmácia Helena Freitas são entregues duas encomendas diárias, uma ao início da manhã e outra ao início da tarde, de forma a assegurar os níveis de stock de cada produto. Os fornecedores entregam as encomendas com recurso a banheiras resistentes e/ou caixas de cartão devidamente isoladas. Os produtos de frio são enviados em banheiras com contentores térmicos, garantindo desta forma as condições de temperatura e humidade necessárias ao seu transporte. Todas as banheiras e/ou caixas encontram-se devidamente identificadas, transportando a fatura ou guia de remessa referente à encomenda em questão. O segundo documento não permite rececionar os produtos, tendo estes que aguardar a chegada da fatura propriamente dita.
Juntamente com a fatura original (Anexo V), vem um duplicado da mesma, onde consta diversa informação: número do documento, data, identificação do fornecedor e da farmácia, identificação dos produtos faturados através do Código Nacional Português (CNP), designação do produto (nome comercial ou Denominação Comum Internacional (DCI)), quantidade pedida e quantidade enviada, Preço de Venda ao Público (PVP), percentagem de desconto (quando aplicável), Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), PVF, valor total da encomenda, número total de produtos enviados e produtos esgotados (quando aplicável).
Após a entrega da encomenda por parte dos fornecedores, é necessário que um profissional da farmácia proceda à sua receção. Na Farmácia Helena Freitas a receção de encomendas faz-se através do Sifarma2000® na ferramenta “receção de encomendas”. Se a encomenda tiver sido requerida por via informática através do Sifarma2000®, esta vai constar na lista de encomendas pendentes, pronta a ser rececionada. Assim, ao receber uma encomenda o profissional deve verificar se existe alguma correspondência entre as encomendas pendentes e a encomenda a rececionar. Para isso pode verificar se o número da encomenda que está impresso na fatura corresponde a algum número das encomendas pendentes, podendo também consultar a lista de produtos de uma encomenda pendente no Sifarma2000 ® e verificar se corresponde à lista de produtos da fatura em questão. Caso não haja correspondência, é necessário criar uma encomenda através do menu “gestão de encomendas”. Aqui a encomenda é criada manualmente, através da elaboração de uma lista com os produtos e respetivas quantidades requisitadas, cuja receção será posteriormente confirmada no menu “receção de encomendas”.
A receção propriamente dita é feita através da leitura ótica do CNP, sendo este identificado e registado automaticamente. No entanto, quando um produto é novo a leitura ótica do CNP não permite o seu reconhecimento pela base de dados das fichas de produtos. Desta forma, sempre que um produto novo é rececionado, tem de ser criada uma nova ficha de produto, para que posteriormente o CNP seja reconhecido pela base de dados da farmácia. Durante a receção é necessário ter em atenção o estado
8 de conservação das embalagens, o prazo de validade e o PVP dos produtos, atualizando-os sempre que necessário. Este procedimento é fundamental para uma gestão eficiente dos prazos de validade e ao mesmo tempo, para impedir que o mesmo produto seja vendido pela farmácia a preços diferentes. Para além disso, o profissional deve ter em atenção as quantidades encomendadas e fornecidas, o PVF, os descontos comerciais, as margens de lucro bem como o IVA. Quando são rececionados produtos que não apresentam Preço Inscrito na Cartonagem (PIC), são colocados de parte e sujeitos a marcação de preço. O PVP destes produtos é estabelecido com base na margem praticada por cada farmácia, tendo por base a taxa de IVA aplicada ao produto em questão. Por fim, verifica-se se o número de produtos rececionados é ou não igual ao número de produtos faturados e se o valor total da fatura coincide com aquele que é apresentado no sistema. Por último, imediatamente antes de aprovar a receção da encomenda, deve-se transferir os produtos em falta para que possam ser posteriormente incluídos em novas encomendas ou retirar os produtos quando o sifarma2000® duplica uma encomenda.
Na Farmácia Helena Freitas sempre que um determinado produto apresente alguma inconformidade como por exemplo validade expirada ou muito curta (inferior ou igual a três meses), embalagem danificada, produto pedido por engano, faturação de um produto não enviado ou receção de um produto não faturado, o profissional realiza uma reclamação via telefone ao fornecedor em questão, anotando a data, número da reclamação e nome do produto, ou gera uma devolução no menu “gestão de devoluções”. Por fim, as faturas são organizadas em gavetas no escritório da farmácia consoante o fornecedor.
Na Farmácia Helena Freitas tive a oportunidade de efetuar a receção e conferência de encomendas ao longo do estágio. Durante a receção de encomendas detetei várias inconformidades
2.5. Marcação de preços
A rotulagem dos MSRM “através de impressão, etiqueta ou carimbo” inclui obrigatoriamente desde 2011 informação sobre o PVP 7. Nos MSRM o PVP já vem estabelecido pelo fornecedor, ao contrário do que acontece com os restantes medicamentos e/ou produtos, cujo PVP é calculado tendo em conta o PVF, o IVA e as margens de lucro estabelecidas pelas farmácias. Na Farmácia Helena Freitas a marcação dos preços é feita através do Sifarma2000 ®, na ferramenta “impressão de código de barras”. Grande parte dos produtos sem PIC tem ficha de produto criada na base de dados da Farmácia Helena Freitas, com a opção “etiqueta na entrada” selecionada, permitindo uma impressão e marcação de preços rápida no final da receção das encomendas. As etiquetas devem identificar o medicamento e/ou produto, a forma farmacêutica e dosagem, o PVP, o CNP e respetivo IVA. Na farmácia é importante que todos os medicamentos e produtos de saúde expostos na zona comercial e de atendimento estejam devidamente etiquetados. Durante o estágio procedi à marcação de preços de diversos medicamentos e produtos de saúde. Sempre que um deles existia em stock o PVP mantinha-se, caso contrário era atualizado.
2.6. Armazenamento
As condições de armazenamento estão descritas e têm de ser seguidas primorosamente. Para isso, a Farmácia Helena Freitas garante as condições de temperatura e de humidade essenciais. Na farmácia todos os medicamentos e/ou produtos de saúde são armazenados após a receção e marcação de preços de forma organizada e em locais definidos de acordo com as suas condições de conservação. Durante o armazenamento os profissionais têm o cuidado de verificar os prazos de validade de modo a que os produtos com menor prazo de validade sejam mais rapidamente escoados, “first expired, first out”.
9 Os produtos de frio são os primeiros a ser armazenados. Para isso, a farmácia dispõe de um frigorífico no armazém com temperatura adequada à sua conservação (2-8ºC) 3.
Os MSRM são guardados por ordem alfabética nas gavetas deslizantes, separados por comprimidos e/ou cápsulas, supositórios, injetáveis, gotas, ampolas, pílulas, xaropes, selos, efervescentes e cutâneos. Os comprimidos e cápsulas dos medicamentos de marca estão devidamente separados dos respetivos genéricos, sendo estes igualmente dispostos por ordem alfabética.
Dependendo do tamanho das embalagens e do nível de stock, o espaço nas gavetas deslizantes pode tornar-se insuficiente. Quando isto acontece os medicamentos são armazenadas em prateleiras por trás das gavetas, garantindo a inacessibilidade física e visual dos utentes a estes medicamentos. Estas prateleiras estão divididas essencialmente em três zonas: 1ª zona- local onde são armazenados os medicamentos de marca; 2ª zona- local onde são armazenados os medicamentos genéricos; 3ª zona- local onde são acondicionadas as pomadas, cremes, geles e pastas. Todos são devidamente acondicionados por ordem alfabética. Os restantes produtos são geralmente armazenados no segundo espaço físico do armazém, em armários, prateleiras fixas e/ou rotativas, de forma a rentabilizar o espaço. O mesmo acontece com os MNSRM. No entanto, o local de armazenamento destes últimos varia sazonalmente. Durante o estágio os principais MNSRM acondicionados em lineares imediatamente atrás do balcão de atendimento eram para a gripe, constipação e alergias.
Alguns produtos são ainda armazenados em locais acessíveis física e visualmente pelo utente. Os produtos de dermocosmética, fitoterapia, capilares, buco dentários, suplementos alimentares e diatéticos são frequentemente acondicionados nos lineares da zona de atendimento. Os produtos de puericultura são armazenados numa zona especifica da farmácia, acessível ao utente e inteiramente dedicada ao bebe.
O armazenamento de medicamentos e/ou produtos de saúde foi muito importante principalmente no início do estágio. Esta tarefa permitiu que tivesse um primeiro contacto com todos os produtos da farmácia, familiarizando-me com os nomes dos medicamentos, associando o medicamento à substância ativa, e entendesse de que forma são acondicionados. Este reconhecimento da farmácia foi fundamental durante os atendimentos.
2.7. Controlo de prazos de validade
O controlo de prazos de validade é uma tarefa que é realizada regularmente permitindo assegurar um acesso seguro e eficaz ao medicamento, garantindo a sua qualidade. Este controlo é feito diariamente, por todos os profissionais durante a receção das encomendas. Adicionalmente, é feito um controlo mensal pela Dr.ª Joana Antunes. Para isso, no início de cada mês é emitida, através do Sifarma2000®, uma lista de controlo de prazos de validade (Anexo VI), composta pelos produtos existentes na farmácia cujo prazo de validade expira num período de três meses. Este procedimento permite a recolha dos medicamentos e/ou produtos de saúde cujo prazo de validade termina no período de tempo definido na lista. Após recolhidos, são acondicionados numa prateleira específica no armazém, cumprindo-se assim os requisitos legais 4. Posteriormente, é feita a devolução desses produtos tendo em consideração os respetivos fornecedores. Estes últimos podem ou não aceitar a devolução dos produtos. Desde o primeiro mês de estágio que tive a oportunidade de acompanhar a Dr.ª Joana Antunes nesta tarefa. Desta forma, pude constatar que nem todos os medicamentos e/ou produtos de saúde que constavam na lista de controlo de prazos de validade apresentavam um prazo de validade perto de expirar. Sempre que isto acontecia o medicamento e/ou produto de saúde não era recolhido e o seu prazo
10 de validade era atualizado. Para além disso, verifiquei que grande parte dos medicamentos e/ou produtos de saúde apresentados la lista de controlo de prazos de validade tinham uma rotação baixa na Farmácia Helena Freitas, levando a alterações do stock mínimo e máximo.
2.8. Devoluções
São vários os motivos que justificam a devolução de produtos ao respetivo fornecedor, tais como: produto fora de prazo, produto alterado, embalagem incompleta, embalagem danificada, remarcação de PVP, erro no pedido, produto retirado do mercado pelo INFARMED ou pelo laboratório, entre outros. A devolução é feita recorrendo ao menu “gestão de devoluções” no Sifarma2000®, selecionando o fornecedor, motivo da devolução e número do documento de origem. Sempre que necessário é possível expor a situação de forma pormenorizada escrevendo no campo “notas”.
Após aprovação, a nota de devolução é emitida em triplicado (Anexo VII). Cada folha é carimbada e assinada por um profissional. O original e duplicado são enviados juntamente com os medicamentos e/ou produtos aos fornecedores, ao contrário do triplicado que é arquivado na farmácia até receber resposta do fornecedor sobre a devolução. O fornecedor pode ou não emitir uma nota de crédito ou trocar o produto. Caso a devolução não for aceite o produto é enviado para quebras de stock da farmácia.
Durante o estágio na Farmácia Helena Freitas tive a oportunidade de realizar várias devoluções justificadas por diferentes motivos.
3. Interação farmacêutico-utente-medicamento
A colaboração dos farmacêuticos na correta implementação dos cuidados de saúde e a sua constante determinação na evolução profissional, acompanhando a medicina baseada na evidência, irá refletir-se cada vez mais no uso racional do medicamento pelo doente 8.
3.1. Comunicação com o utente
A comunicação é a ferramenta base na prestação de cuidados de saúde. Qualquer profissional de saúde deve desempenhar um papel ativo na comunidade o que implica assumir diferentes relações interpessoais assegurando o respeito e a responsabilidade na comunicação, mantendo sempre os valores éticos e moras inerentes á sua profissão. Em farmácia comunitária a comunicação desempenha um papel fundamental. A comunicação que é estabelecida pelo farmacêutico é essencial para o exercício das suas funções. A intervenção farmacêutica é feita muitas das vezes ao balcão essencialmente através da comunicação entre o farmacêutico e o utente. Para além disso, o discurso apresenta especial importância no seguimento farmacoterapêutico e na promoção da adesão à terapêutica, principalmente em doentes idosos, tornando-se desta forma, uma ferramenta de trabalho essencial para a prestação dos serviços farmacêuticos 9.
Desta forma, a farmácia comunitária deve promover o bem-estar do doente, a nível físico e psicológico, proporcionando o máximo de segurança e estabilidade. A prestação dos serviços farmacêuticos interfere diretamente em dois bens essenciais para o doente: a sua saúde e o seu dinheiro. A comunicação assume, assim, uma importância acrescida na dispensa de medicamentos e na prestação de cuidados farmacêuticos 9.
O farmacêutico deve adotar uma postura profissional, com uma linguagem correta, específica, mas ao mesmo tempo simples e clara, focada no utente, para que este perceba a mensagem. Em farmácia comunitária é fundamental ganhar a confiança do doente. Um discurso pouco assertivo demonstra insegurança por parte do farmacêutico podendo fazer com que o utente opte posteriormente por outro
11 profissional e/ou farmácia. Para ganhar a confiança do doente, o farmacêutico deve permitir que esta escolha o tipo de relação que pretende construir, tendo sempre presente que antes de ser um profissional de saúde é um ser humano. Deve-se, então, ouvir o que o doente tem para contar, mantendo sempre uma postura profissional 9.
3.2. Uso racional do medicamento
A prevenção de doenças bem como a manutenção e recuperação da saúde promovem a melhoria da qualidade de vida do utente. Para isso, é fundamental que a utilização do medicamento seja correta e a dispensa seja realizada de forma responsável, permitindo que o utente utilize o medicamento correto, de acordo com a orientação médica e farmacêutica, nos horários e quantidades especificadas, respeitando a duração do tratamento farmacoterapêutico 10. Desta forma, o uso racional do medicamento engloba princípios como a dispensa de medicamentos, indicação terapêutica, educação para a saúde, revisão da terapêutica, farmacovigilância e seguimento farmacoterapêutico 8. A utilização adequada de medicamentos reduz o uso de outros medicamentos, as hospitalizações, o número de consultas e os custos de administração, evitando, assim, despesas na saúde.
O farmacêutico desempenha um papel fundamental na implementação de formulários e protocolos para a correta utilização dos medicamentos e na constante monitorização dos resultados terapêuticos, promovendo, juntamente com os outros profissionais de saúde, o aumento da efetividade do regime terapêutico através do uso racional do medicamento 8. Após a prescrição, é essencial a sua avaliação e validação pelo farmacêutico para a promoção da correta dispensa dos medicamentos.
3.3. Promoção de adesão à terapêutica
O farmacêutico é o profissional capacitado para orientar educar e instruir o paciente sobre todos os aspetos relacionados ao medicamento. O papel do farmacêutico é fundamental no modelo assistencial onde a ênfase é dada à atenção primária à saúde. Na maioria das vezes, ele é o último profissional a ter contacto direto com o paciente, assistindo-o em todas as suas dúvidas antes de dar início ao tratamento. O diálogo entre o farmacêutico e o utente é essencial até para motivar o cumprimento do tratamento. Através do diálogo o farmacêutico é capaz de orientar o utente e assim promover a adesão ao tratamento. Assim, o sucesso de qualquer tratamento depende da qualidade da orientação que é fornecida ao utente sobre a utilização correta do medicamento.
Durante o estágio procedi à dispensa de medicamentos, orientando sempre o utente sobre o uso correto do medicamento, esclarecendo dúvidas e favorecendo a adesão e o sucesso do tratamento prescrito. Para além disso, no sentido de promover a adesão à terapêutica dos idosos na Farmácia Helena Freitas, dei consultas de revisão da medicação durante o estágio.
3.4. Seguimento farmacoterapêutico
O farmacêutico está cada vez mais incentivado para o maior reconhecimento da sua prática, sendo um profissional com grande disponibilidade e adequada competência para seguir o doente no seu regime farmacoterapêutico. No desempenho das suas funções, através do uso das tecnologias de informação que, para além de facilitar a comunicação, permitem uma melhor gestão dos processos, tendo o farmacêutico oportunidade de, em colaboração com todos os outros profissionais de saúde, otimizar a reconciliação terapêutica do doente, de modo a evitar erros de medicação 10.
12 A farmacovigilância permite o controlo das Reações Adversas aos Medicamentos (RAMs), promovendo a segurança do uso de medicamentos no doente, através da criação de procedimentos de prevenção do risco, otimizando o seu uso racional 11. Sempre que o farmacêutico suspeite de RAMs, deve proceder à sua identificação e posterior notificação ao Sistema Nacional de Farmacovigilância. A informação recolhida deve compreender a descrição dos sinais e sintomas, a duração, gravidade e evolução da reação adversa. Para além disso é fundamental estabelecer uma ligação entre os sinais apresentados com a toma de um ou vários medicamentos, anotando-se o dia de início e fim da toma do medicamento, o lote, a via de administração e a indicação terapêutica 12,13.
4. Dispensa de medicamentos e produtos de saúde
Entende-se por dispensa de medicamentos “ato profissional em que o farmacêutico, após avaliação da medicação, cede medicamentos ou substâncias medicamentosas aos doentes”. A dispensa inclui MSRM e/ou MNSRM mediante prescrição médica, indicação farmacêutica ou em regime de automedicação 14. Durante a dispensa pode também ser necessário proceder à preparação de formulações extemporâneas, ou seja, formas farmacêuticas que necessitam de ser reconstituídas antes de serem dispensadas, nomeadamente antibióticos em suspensão oral. Durante a preparação devem ser cumpridos os procedimentos de preparação de cada medicamento e atualizado o registo de preparação de antibióticos (Anexo VIII).
4.1. Medicamentos sujeitos a receita médica
Entende-se por MSRM, todo o medicamento que apresenta uma das seguintes caraterísticas, sendo a sua dispensa realizada exclusivamente na presença de uma receita médica 15:
• Necessitem de vigilância médica durante o tratamento;
• Apresentem qualquer tipo de risco para a saúde, direta ou indiretamente, quando utilizados para fins terapêuticos diferentes daqueles a que se destinam;
• Contenham substâncias, ou preparações à base dessas substâncias, cuja atividade e reações adversas não estejam devidamente documentadas;
• Destinem-se à administração por via parentérica ou de natureza injetável.
A cedência MSRM é feita pelo farmacêutico segundo prescrição médica. Durante o estágio dispensei maioritariamente MSRM, tendo sempre o cuidado de confirmar a validade e legitimidade da prescrição médica, interpretando o tipo de tratamento e os propósitos do prescritor, procedendo à análise do regime farmacoterapêutico. Este algoritmo permitiu que fosse progressivamente ganhando mais confiança durante os atendimentos pois permitia que aumentasse o meu conhecimento e competência como farmacêutica. No momento da dispensa questionava o utente sobre a preferência em medicamentos de marca ou genéricos, esclarecendo as suas dúvidas relativamente à bioequivalência entre ambos. Por fim, incentivava o uso correto do medicamento através da comunicação da posologia, duração do tratamento, contraindicações, interações e possíveis efeitos secundários.
4.2. Medicamentos não sujeitos a receita médica
Entende-se por MNSRM, produto destinado a um determinado fim terapêutico, mas que não possui qualquer tipo de comparticipação, salvo determinadas exceções que deverão ser devidamente justificadas por razões de Saúde Pública. A lista de MNSRM é publicada anualmente em Diário da Republica, após aprovação do Ministério da Saúde 15. A cedência MNSRM pode ser feita pelo
13 farmacêutico segundo prescrição médica, aconselhamento farmacêutico e/ou automedicação. Em qualquer um dos casos, cabe ao farmacêutico dispensar o medicamento de modo de modo a promover a resolução de um problema de saúde, considerado auto limitante e de curta duração, aliviando assim a sintomatologia associada 3. Ao longo do estágio dispensei diversos MNSRM, essencialmente por aconselhamento farmacêutico e processo de automedicação. Durante a dispensa destes medicamentos fui transmitindo toda a informação científica que achava relevante, de modo a promover não só a adesão à terapêutica como também o uso racional e seguro do medicamento em questão.
4.3. Medicamentos com regime jurídico especial 4.3.1. Medicamentos psicotrópicos e estupefacientes
Os medicamentos psicotrópicos e estupefacientes ao exercerem a sua ação ao nível do Sistema Nervoso Central (SNC), provocam alterações de humor, comportamento e consciência. Por serem frequentemente consumidas de forma ilícita, estas substâncias são alvo de um controlo apertado por parte das autoridades competentes, regendo-se por legislação específica que inclui a requisição, armazenamento e dispensa16. Desta forma, no sentido de combater o consumo ilícito destas substâncias, a farmácia tem a responsabilidade de garantir o cumprimento de todos os requisitos legais.
Para o correto aprovisionamento deste tipo de medicamentos, o fornecedor envia uma requisição, em duplicado, dos medicamentos psicotrópicos e estupefacientes (Anexo IX). Para se efetuar uma dispensa, obrigatoriamente com receita médica, procede-se ao registo na plataforma Sifarma2000 ® dos medicamentos a dispensar, gerando-se um formulário de preenchimento obrigatório pelo farmacêutico (Anexo X). Após finalizada a venda, é atribuído automaticamente um número sequencial de registo, e juntamente com o documento de faturação o sistema informático emite a impressão de um documento denominado de “Documento de psicotrópicos”, que deverá ser anexado a uma cópia da receita, no caso das receitas materializadas. No caso de receita desmaterializada, apenas é guardado o “Documento de psicotrópicos” (Anexo XI). Estes documentos são arquivados por um período de 3 anos em local próprio na farmácia 17.A receita original é enviada juntamente com as restantes para o Centro de Conferência de Faturas da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS/CCF). Na Farmácia Helena Freitas é impresso, mensalmente, o registo de entradas e saídas destes medicamentos. Anualmente é enviado à Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (INFARMED), um balanço das entradas e saídas de medicamentos psicotrópicos e estupefacientes, fazendo-se cumprir os requisitos legais 18.
4.3.2. Medicamentos manipulados
Os medicamentos manipulados podem ser definidos como Fórmulas Magistrais ou Preparados oficinais, cuja preparação e dispensa é da inteira responsabilidade do farmacêutico que deverá garantir a qualidade e segurança do medicamento manipulado. Para isso deve transmitir toda a informação relevante (posologia, condições de conservação e prazo de validade) ao utente 19.
De modo a garantir um padrão elevado de qualidade na preparação de medicamento manipulados, a Portaria n.º 594/2004, de 2 de junho, estabelece que “ (...) as normas ora aprovada incidem sobre oito
vertentes essenciais, a saber: pessoal, instalações e equipamentos, documentação, matérias-primas,
materiais de embalagem, manipulação, controlo de qualidade e rotulagem.” 20. Na Farmácia Helena
Freitas a preparação de medicamentos manipulados faz-se numa pequena escala, isto porque existe uma parceria com a Farmácia Serpa Pinto, que produz e fornece este tipo de medicamentos à farmácia.
14 De acordo com o Decreto-Lei n.º 148 de 29 de julho de 2008, entende-se por medicamento veterinário
“ (...) toda a substância, ou associação de substâncias, apresentada como possuindo propriedades curativas ou preventivas de doenças em animais ou dos seus sintomas, ou que possa ser utilizada ou administrada no animal com vista a estabelecer um diagnóstico médico-veterinário ou, exercendo uma
ação farmacológica, imunológica ou metabólica, a restaurar, corrigir ou modificar funções fisiológicas.” 21.
A Farmácia Helena Freitas dispõe de uma zona inteiramente dedicada aos medicamentos e produtos de uso veterinário, devidamente separada dos medicamentos de uso humano e onde constam todos os produtos que se destinam ao uso animal. Dada a sua localização estes medicamentos e/ou produtos apresentam elevada rotação, isto porque grande parte dos utentes da farmácia possui animais domésticos e/ou de criação, como cães, gatos, cavalos, pombos, ovelhas, porcos e galinhas.
Durante o estágio dispensei diariamente medicamentos e/ou produtos de uso veterinário, o que fez com que aprofundasse o meu conhecimento nesta área. Para isso muito contribuiu a orientação que me foi dada pelos profissionais da Farmácia Helena Freitas e a formação que frequentei. A dispensa era feita mediante receita médica sempre que necessário (Anexo XII). Os columbófilos eram dos principais compradores de medicamentos e produtos de uso veterinário na Farmácia Helena Freitas.
4.5. Outros produtos de saúde
4.5.1. Produtos cosméticos e de higiene corporal
Entende-se por produto cosmético “qualquer substância ou mistura destinada a ser posta em contacto com as partes externas do corpo humano (epiderme, sistemas piloso e capilar, unhas, lábios e órgãos genitais externos) ou com os dentes e as mucosas bucais, tendo em vista, exclusiva ou principalmente, limpá-los, perfumá-los, modificar-lhes o aspeto, protegê-los, mantê-los em bom estado
ou corrigir os odores corporais.” 22
.
Os produtos cosméticos subdividem-se em diferentes categorias dosquais se salientam os produtos de higiene corporal (sabonetes, geles de banho, champôs, desodorizantes e pastas dentífricas) e os produtos de beleza (tintas capilares, vernizes e maquilhagem) 22. A Farmácia Helena Freitas dispõe de uma vasta gama de produtos cosméticos e de higiene corporal com diferentes formas farmacêuticas, sendo as linhas predominantes a Bioderma®, Uriage®, La Roche Posay®, ISDIN® e Avène®.
4.5.2. Produtos de puericultura
Os produtos de puericultura destinam-se essencialmente a promover a saúde e o bem-estar desde o nascimento até aos primeiros anos de vida. Estes produtos encontram-se expostos na área de atendimento da Farmácia Helena Freitas numa zona inteiramente dedicada ao bebe, permitindo um acesso mais fácil e eficaz aos utentes. Neste local estão expostos biberões, tetinas, chupetas, produtos de banho e hidratação corporal, bem como pratos, colheres, copos, papas, farinhas e boiões adequados às várias fases de desenvolvimento da criança. As fraldas estão acondicionadas no armazém da farmácia por gama e tamanho. A rotação destes produtos na Farmácia Helena Freitas é bastante reduzida.
Durante o estágio procedi ao aconselhamento farmacêutico essencialmente ao nível dos leites, papas e produtos de higiene e hidratação corporal.
4.5.3. Suplementos alimentares e produtos fitoterapêuticos
Suplemento alimentar define-se como um “género alimentício que se destina a complementar e ou
15
substâncias, nutrientes ou outras com efeito nutricional ou fisiológico, estremes ou combinadas, comercializadas em forma doseada, (...) que se destinam a ser tomados em unidades medidas de quantidade reduzida”, não podendo o mesmo apresentar qualquer atividade terapêutica nem alegar
qualquer tipo de medida preventiva, tratamento ou cura de doenças humanas e sua sintomatologia 23. De forma a satisfazer as necessidades dos utentes, a Farmácia Helena Freitas dispõe uma grande variedade de multivitamínicos e suplementares alimentares, incluindo os produtos da gama Cerebrum®, Movitum® e Movitum Magnésio Fos®, Sargenor®, Centrum®, Magnesium-OK® e o Daflon500®.
Ao contrário dos suplementos alimentares, os produtos fitofarmacêuticos são essencialmente compostos por plantas. Estes produtos são capazes de promover o tratamento de diversos problemas de saúde. A Farmácia Helena Freitas possuí inúmeros produtos fitoterapêuticos utilizados na resolução de problemas gastrointestinais, urinários, distúrbios de ansiedade entre os outros. São exemplos destes produtos o Valdispert®, Agiolax® e Bekunis®.
4.5.4. Produtos dietéticos e de alimentação especial
De acordo com o Decreto-Lei n.º 74/2010 de 21 de junho, são considerados produtos de alimentação especial “(...) os géneros alimentícios que, devido à sua composição especial ou a processos especiais
de fabrico, se distinguem claramente dos alimentos de consumo corrente, são adequados ao objetivo
nutricional pretendido e comercializados com a indicação de que correspondem a esse objetivo.” 24. Os
produtos de alimentação especial destinam-se a indivíduos cujo processo de assimilação e/ou metabolismo se encontram alterados, ou apresentem condições fisiológicas especiais, podendo retirar benefícios de uma ingestão controlada destes produtos. Podem ainda ser administrados a lactentes e crianças com idade compreendida entre 1 a 3 anos de idade, que se encontram em bom estado de saúde 24.
Estes produtos incluem os leites de transição, produtos para lactentes, intolerantes ao glúten, diabéticos e doenças hereditárias do metabolismo das proteínas e ainda os produtos dietéticos. São exemplos destes produtos o Resource®, Meritene®, Fortimel®.
4.5.5. Dispositivos médicos
Entende-se por dispositivo médico um vasto conjunto de produtos (instrumentos, aparelhos, software, etc.), que se destinam a ser utilizados de modo a prevenir, diagnosticar, tratar ou atenuar uma doença humana, lesão ou deficiência, podendo ainda ser usados como controlo da conceção. Estes devem atingir o fim a que se destinam, sem que para isso evidenciem qualquer tipo de ação farmacológica, metabólica ou imunológica 25. Durante o estágio pude contactar com inúmeros dispositivos médicos disponíveis na Farmácia Helena Freitas, nomeadamente seringas, testes de gravidez, material de penso, entre outros.
5. Receituário: conferência, processamento e faturação 5.1. Receita médica e prescrição
De acordo com o artigo 3º do Decreto-Lei n.º 20/2013, de 14 de fevereiro, a receita médica é um documento que fornece a informação do (s) medicamento (s) prescrito (s) por um médico, de acordo com a necessidade terapêutica de cada utente 26. O farmacêutico desempenha um papel fundamental na interpretação e avaliação da prescrição, clarificando todas as dúvidas do utente no momento da dispensa do (s) medicamento (s). Os modelos de receita médica podem-se subdividir em diferentes categorias: receita médica materializada, receita médica renovável materializada (Anexo XIII) e receita médica