MESTRADO EM CIÊNCIAS DO DESPORTO
COM ESPECIALIZAÇÃOEM AVALIAÇÃO E PRESCRIÇÃO NA ACTIVIDADES FÍSICAS
DISSERTAÇÃO DE MESTRADO
Proposta de Um Modelo de Bateria Para Avaliação Funcional
do Atleta de Voleibol de Praia
Orientadores:
Prof. Doutor Paulo Alexandre Vicente dos Santos João
Discente:
Julio Cesar de Faria Pastore
Dissertação apresentada com vista à obtenção do grau de Mestre em Educação Física e Desporto na área da especialização em Avaliação nas Atividades Físicas e Desportivas, nos termos do decreto-lei nº 216/92 de 13 de Outubro.
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AGRADECIMENTOS
Aos meus pais Luiz Pastore e Berenice de Faria Pastore que me incentivaram em todos os momentos da minha vida profissional e acadêmica.
A minha irmã Rosana Pastore e família, que esteve ao meu lado em todos os momentos e soube aceitar e compreender minha ausência durante a conclusão dessa dissertação.
Ao meu orientador, Prof. Dr. Paulo Vicente João, pela oportunidade de trabalhar sob sua orientação e poder dar oportunidade de terminar mais uma etapa académica.
Ao meu amigo e irmão, Professor Ms. Marcelo Costa, que me incentivou e me deu a oportunidade de ingressar na carreira universitária.
A grande amiga, Prof. Drª. Márcia Borges de Albergaria, pelo companheirismo. Ao meu ídolo, Professor MS. Célio Cordeiro, pelo grande exemplo que dá em nossa profissão e pela valorização ao titulo de Professor de Educação Física. Ao colega e amigo de profissão, Carlos Alberto Albaze, pela enorme colaboração, paciência, desprendimento e amizade que demonstrou, durante este meu estudo. A todos os Professores de graduação, pós-graduação e cursos de extensão que me fizeram crescer com seus exemplos e opiniões.
As atletas e aos colegas de trabalho que fazem parte na minha vida e do meu estudo, pela colaboração e respeito que me dedicaram.
Os meus agradecimentos aos Membros da Banca, pela ajuda e orientação no direcionamento de meu estudo.
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Introdução
Este estudo pretendeu contribuir para um conhecimento mais pormenorizado do Voleibol de Praia de Alto Rendimento.
Objetivo Estudar o efeito das características do solo arenoso sobre os parâmetros
físicos, em atletas de Voleibol de Praia, o pesquisador, desenvolveu uma bateria de testes piloto bem como um instrumento seguindo a norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, MB-1059/86) de mensuração da massa específica do solo in situ. Dentre todas as capacidades necessárias para a prática do Voleibol de Praia, a agilidade, a velocidade, velocidade lançada e a potência têm suscitado a atenção dos investigadores, dada a sua relevância nos esportes de desempenho intermitente.
Metodologia
Fizeram parte deste estudo dezoito (n=18) atletas do sexo feminino de nacionalidade brasileira, com uma média de idades de 24±4,35 anos e estatura de 1,76±0,05 cm, federadas com um ano de competições no Circuito Banco do Brasil e Circuito Mundial. O estudo avaliou as três capacidades físicas e a sua relação com a densidade do solo arenoso em dois lugares distintos (praia de Ipanema e Barra – Rio de Janeiro), em atletas praticantes de Voleibol de Praia.
Resultados
Os mesmos não apresentaram estatisticamente significância entre as variáveis de medidas antropométricas, condições ambientais, circunferências corporais, dobras cutâneas, frequência cardíaca máxima, média e de reserva dos testes em agilidade, velocidade, velocidade lançada e potência entre as densidades de solo das praias pesquisadas (Ipanema e Barra).
Conclusão
De acordo com os objetivos propostos na introdução e com os resultados apresentados ficou evidente que o tipo de solo (arenoso), não interferiu nos indicadores associados às valências físicas estudadas, agilidade, velocidade, velocidade lançada e a potência. No entanto, com os testes realizados, foi possível criar um possível perfil da atleta feminino no voleibol de praia brasileira.
Palavras-chave: Bateria de testes, Terreno arenoso, Perfil funcional, Voleibol de
iv
ABSTRACT Introduction
This study aimed to contribute to a more detailed knowledge of the Beach Volleyball High Performance.
Objective studying the effect of the characteristics of sandy soil on the physical
parameters in athletes of Beach Volleyball, the researcher developed a battery of tests pilot an instrument following the standard of the Brazilian Association of Technical Standards (ABNT, MB-1059/86) for measuring the density of soil in situ. Of all the skills necessary for the practice of Beach Volleyball, agility, speed and power have attracted the attention of researchers because of its importance in sports performance intermittent.
Methodology This study formed part eighteen (n=18) female athletes from Brazil, with
a mean age of 24 ± 4.35 years, height 1.76 ± 0.05 cm, federated with a year of competition in the Circuit Bank of Brazil and World Tour. The study evaluated three physical abilities and their relation to the density of sandy soil in two different places (beaches of Ipanema and Barra - Rio de Janeiro) in athletes practicing Volleyball.
Results
They showed no statistical significance between the anthropometric variables, environmental conditions, body circumferences, skinfold thickness, maximum, average and reserve heart rate test agility, speed and power released between soil densities of beaches surveyed (Ipanema and Barra).
Conclusion
According to the objectives proposed in the introduction and the results became evident that the type of soil (sandy), did not affect the indicators associated with physical valences studied, agility, speed and power. However, with the tests, it was possible to create a possible profile of the female athlete in the Brazilian beach volleyball.
v Dedicatória Agradecimentos Resumo...iii Abstract...iv Índice Geral...v Índice de Figuras...vii Índice de Tabelas...viii Índice de Abreviaturas...x 1.Introdução...1 1.1. Justificativa...3 1.2. Objetivos...3 1.2.1. Objetivo Geral...3 1.2.2. Objetivos Específicos...3 2. Revisão Bibliográfica...4 2.1. O Voleibol de Praia...4 2.2. O Voleibol de Quadra...9 3. Materiais e Métodos...13 3.1. Casuísta...14
3.2. Critério de Inclusão e Exclusão...14
3.3. Fatores Intervenientes...14
3.4. Desenvolvimento do Aparato Experimental...14
3.5. Procedimentos dos Testes...16
3.6. Testes Físicos...17
3.6.1. Protocolo para Avaliação de Agilidade...18
3.6.2. Protocolo para Avaliação da Velocidade...19
3.6.3. Protocolo para Avaliação da Velocidade Lançada...20
3.6.4. Protocolo para Avaliação da Potência...20
3.7. Tratamento Estatístico...21
4. Apresentação dos Resultados...23
5. Discussão dos Resultados...30
vi
8. Bibliografia...35 9. Apêndice...39
vii
Figura 1. Demonstrativo das capacidades de trabalho dos jogadores durante uma
partida de voleibol...5
Figura 2. Demonstrativo das capacidades de trabalho dos jogadores durante uma
partida de voleibol...6
Figura 3. Demonstrativo dos percentuais de esforço e pausa durante uma partida de
voleibol...8
Figura 4. Ilustração do densitômetro: instrumento desenvolvido para avaliação da
densidade do solo e processo de cravação...15
Figura 5. Esquema do percurso para avaliar a capacidade agilidade no voleibol de
praia...18
Figura 6. Esquema do percurso para avaliar a capacidade velocidade e velocidade
lançada no voleibol de praia...19
Figura 7. Esquema do teste para avaliar a capacidade de potencia no voleibol de
viii
Tabela 1. Tempo de cada ação e suas respectivas metragens cobertas...7
Tabela 2. Duração de alguns fundamentos...7
Tabela 3. Tempo de cada ação e suas respectivas metragens cobertas...7
Tabela 4. Capacidades físicas do voleibol...9
Tabela 5. Variáveis Antropométricas...13
Tabela 6. Sequência de execução do ensaio para cavação do solo...16
Tabela 7. Correlação de Pearson para medidas antropométricas e agilidade...26
Tabela 8. Correlação de Pearson para medidas antropométricas e velocidade ...26
Tabela 9. Correlação de Pearson para medidas antropométricas e velocidade lançada ...26
Tabela 10. Correlação de Pearson para medidas antropométricas e potência... ...27
Tabela 11. Correlação de Pearson para condições ambientais e agilidade...27
Tabela 12. Correlação de Pearson para condições ambientais e velocidade...27
Tabela 13. Correlação de Pearson para condições ambientais e potência...28
Tabela a. Valores médios e desvio padrão das circunferências corporais...40
Tabela b. Valores médios e desvio padrão das dobras cutâneas corporais...41
Tabela c. Valores médios e desvio padrão das condições ambientais...41
Tabela d. Valores médios e desvio padrão das condições ambientais...42
Tabela e. Comparativo dos valores ambientais entre Ipanema e Barra...42
Tabela f. Valores médios e desvio padrão dos testes físicos em Ipanema...42
Tabela g. Valores médios e desvio padrão dos testes físicos na Barra...43
Tabela h. Comparativo dos valores encontrados das características ambientais entre os locais Ipanema e Barra...43
Tabela i. Comparativo dos valores dos testes físicos entre Ipanema e Barra...43
ix
ABNT...Associação Brasileira de Normas Técnicas ACM...Associação Cristã de Moços
CBV...Confederação Brasileira de Voleibol FC...Frequência Cardíaca
FIVB...Federação Internacional de Voleibol PVC...Poli Cloreto de Vinila
1
1. INTRODUÇÃO
O Mintonette (nome original do esporte) foi criado por William George Morgan em 1895, diretor da Associação Cristã de Moços (ACM) na cidade de Holyoke, Massachusetts (EUA). Morgan apresentou na época um jogo que consistia na habilidade de “volear”, ou seja, rebater a bola com as mãos. Por volta de 1896, o Mintonette foi então trocado para o mundialmente conhecido Voleibol (CORDEIRO FILHO & ALBERGARIA, 2006; Federação Internacional de Voleibol [FIVB] 2009; Confederação Brasileira de Voleibol [CBV] 2009).
Tratando-se, especificamente, do voleibol de praia, a Association of Volleyball Professional [AVP] (2009), cita que este começou oficialmente em 1920, nas praias do Havaí, com partidas disputadas por equipes de seis jogadores. No Brasil, por sua vez, o voleibol de praia surgiu por volta de 1933, em frente aos hotéis Atlântico e Londres, em Copacabana no Rio de Janeiro. Logo a modalidade se difundiu pelas praias do Rio de Janeiro, de forma que as redes mais famosas eram localizadas em Copacabana e Ipanema (CORDEIRO FILHO & ALBERGARIA, 2006; CBV, 2009).
O voleibol, nesse contexto, foi a modalidade que mais modificou suas regras nos últimos anos em busca de um melhor rendimento. No Brasil esse esporte tem evoluído de forma grandiosa, tornando-se uma escola no cenário esportivo mundial, onde as equipes brasileiras têm obtido grande destaque em todas as categorias, sendo hoje recordista de títulos internacionais (GILMÁRIO, 2008). Partindo desse ponto de vista, as capacidades de execução de trabalhos para potencializar o desempenho dos voleibolistas durante uma partida são provenientes do metabolismo anaeróbio, com as maiores contribuições energéticas do sistema fosfagênios, aos quais serão necessárias disponibilidades desse sistema nos músculos para manutenção e sustentação de trabalhos próximos ao seu máximo (desempenho anaeróbio), potencializando a ressíntese da fosfocreatina durante os períodos de recuperação por meio da contribuição do sistema aeróbio (BARBANTI, 1986; TUBINO & MOREIRA, 2003; ARRUDA & HESPANHOL, 2008).
A capacidade de força rápida é descrita como o expoente mais elevado de força que o sistema neuromuscular é capaz de produzir, independente do fator tempo (CARVALHO & CARVALHO, 2006). Tal capacidade de força é de extrema importância na execução de saltos verticais que tem fundamental valor no
2 desempenho neste esporte em função da dinâmica do jogo. Por sua vez, o desenvolvimento desta capacidade faz-se pertinente desde as primeiras fases de treinamento, devido a esta destreza ser necessária nas situações de cortadas, bloqueios, saque, deslocamentos curtos, mergulho e as quedas. Essas ações são desempenhadas sob forma explosiva, sendo realizadas repetitivamente ao longo de uma partida com duração variada (LOPES et al, 2003; HESPANHOL & NETO, 2006; VIEIRA et al., 2008).
Por tratar-se de uma modalidade que exige grande velocidade de deslocamento por parte dos atletas, a agilidade exerce elevada importância, já que possibilita mudanças de direção sem perda de velocidade e ritmo. Segundo estudos anteriores (KRAEMER & HAKKINEM, 2002; RÉ et al., 2005), a agilidade é uma capacidade inata que, está relacionada com a exigência da modalidade praticada, portanto, deve ser desenvolvida ao longo de toda vida esportiva com o treinamento.
Considerando que a expressão dessas capacidades físicas se dá em um solo irregular e com possibilidade de se caracterizar por diferentes densidades, o presente estudo tem por objetivo investigar a influência das características do terreno no desempenho das valências físicas agilidade, velocidade e potência em diferentes locais de treinamento e, conseguentemente estabelecer parâmetros de referência para avaliação destas valências até hoje não existentes para este tipo de terreno.
Tal premissa é evidenciada em estudos desenvolvidos em outros esportes (LEJEUNE, WILLEMS & HEGLUND, 1998), quando se demonstrou que o terreno influencia diretamente na manutenção da intensidade de esforço em trabalhos de velocidade de corrida. Em outro estudo com atletas de futebol de campo, observou-se uma diferença na velocidade de corrida em gramado seco e molhado (SANTANA, 2006). A literatura sugeriu que esse fenômeno também ocorre quando analisou a intensidade de outras valências físicas entre solos duros e arenosos(CETOLIN et al., 2010; SANNICANDRO, 2007; MOREIRA, 2001; ZAMPARO et. al. 1992).
Ponderando os resultados supracitados, torna-se fundamental investigar o comportamento do desempenho atlético em testes físicos no voleibol de praia frente a essas diferenças.
3
1.1. JUSTIFICATIVA
Analisando a possibilidade de influência direta que terrenos de diferentes características e densidades podem proporcionar sobre o desempenho esportivo, investigar e compreender melhor este fenômeno pode fornecer ao treinador e/ou ao preparador físico, ferramentas para avaliar e prescrever a melhor metodologia de treinamento a ser adotada, visando o melhor rendimento de sua equipe ou atleta.
Assim, avaliar, analisar e direcionar o efeito de terrenos arenosos no desempenho de valências físicas como agilidade, potência e velocidade em atletas vinculados ao voleibol de praia torna-se fundamental no momento de se desenvolver protocolos e parâmetros de referência para avaliação destas valências físicas neste tipo de terreno.
Os resultados desse estudo podem auxiliar na identificação dos pontos cruciais da preparação em virtude das estruturas e cargas de treinamento aplicadas. Além disso, poderão ser estabelecidos parâmetros de controle para as cargas serem aplicadas assim como estratégias de prescrição do treinamento mais organizadas cientificamente e adaptadas as necessidades do voleibol. Por meio da monitoração contínua do desempenho dos atletas, é possível mantê-los motivados para obter o rendimento adequado e otimizado, de acordo com a necessidade imposta pela modalidade.
1.2. OBJETIVOS: 1.2.1. Objetivo Geral
O estudo teve como objetivo principal, apresentar uma proposta de uma bateria de teste funcional direcionada para jogadores de voleibol de praia.
Ao mesmo tempo, estudar os diferentes tipos de terreno arenoso das diferentes praias onde decorrem as competições oficiais.
1.2.2. Objetivos Específicos
> Determinar a Fiabilidade e Objetividade dos testes propostos em terreno alternativo; > Comparar o efeito das características do solo arenoso sobre os parâmetros físicos agilidade, potência e velocidade, velocidade lançada em atletas no voleibol de praia.
4 > Comparar a reprodutibilidade do protocolo de execução em terreno alternativo para a mensuração da agilidade, potência, velocidade e velocidade lançada em jogadores de voleibol de praia;
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 O VOLEIBOL DE PRAIA
O voleibol de praia começou oficialmente em 1920, BIZZOCCHI (2004) nas praias do Havaí, com partidas disputadas por equipes de seis jogadores. Mas há indícios de que o esporte já era praticado em Santa Mônica, na Califórnia. Em 1927, o esporte atravessou o Oceano Atlântico e se converteu em uma das atividades mais populares dos acampamentos nudistas de Francoville, na França. Já nos anos 30, era praticado assiduamente nas cidades francesas de Palavas, Lacuana e Royan, em Praga, na Tchecoslováquia, e na cidade de Riga, na Letônia, FIVB (2009). Entretanto, foi nas praias de Santa Mônica, nos Estados Unidos, que começou a diminuir a quantidade de jogadores por equipe. Primeiro, o número se reduziu para quatro e, posteriormente, para dois (FIVB, 2009). O voleibol de praia começou no Brasil na década de 50, com torneios amadores espalhados pelas praias do Rio de Janeiro, berço do esporte no Brasil (AFONSO, 2004; CBV, 2009).
Em 1986, foi realizado o primeiro campeonato oficial chamado Hollywood Volley. Desde então, o voleibol de praia tornou-se o esporte que mais cresceu no mundo, tornando-se o esporte a ingressar mais rápido nas Olimpíadas, entrando como teste em 1996, e sendo em 1997 oficializado para 2000. O Brasil já tem seu nome marcado na história do voleibol de praia como esporte olímpico por ter as primeiras campeãs e vice da história (CBV, 2009).
De acordo com a FIVB (2009) em 1987 o esporte foi oficializado pela Federação Internacional de Voleibol, FIVB, e foi realizado em Ipanema o primeiro mundial. Em 1989 criou-se o I Circuito Mundial de Voleibol de Praia Masculino. Depois, as mulheres passaram também a competir em um circuito internacional - o Women's World Championship Series, cabendo ao Brasil sediar as duas etapas dos dois circuitos.
5 No voleibol, as habilidades técnicas e táticas, e a capacidade de rendimento físico individual são fatores importantes que contribuem para o sucesso competitivo de toda uma equipe.
De acordo com a utilização de energia observada na Figura 1, no voleibol devido às suas ações intensas de curta duração (correspondem ações dinâmica de bola em jogo), alternadas com períodos ativos de recuperação (correspondem à ação de bola parada), metabolicamente, a modalidade é definida como um esporte anaeróbico alático HATFIELD (1993) (apud HERNANDES, 2002), estimando os valores no voleibol de praia como: 65% do sistema anaeróbico alático, 30% do sistema aeróbico lático e 5% somente do sistema aeróbico. Segundo autores da área de treinamento (ARRUDA & HESPANHOL, 2008; ZETOU et al., 2008), o voleibol é uma modalidade esportiva coletiva caracterizada, principalmente por um trabalho físico dinâmico de intensidade variada, onde há períodos de esforço físico de alta intensidade (rallies) (nomenclatura utilizada na disputa do ponto), alternando com períodos de recuperação (pausa dos rallies). Segundo ARRUDA & HESPANHOL (2008) e a CBV (2008), uma partida dura em média 34 a 83 minutos e os intervalos de ação e descanso duram em média 6,4 e 16,1segundos respectivamente para todas as equipes masculinas e 7,7 e 20,6 segundos respectivamente para equipes femininas. No entanto, estudo como o de SHEPPARD et al. (2007), demonstra grande participação do metabolismo aeróbico devido ao tempo acumulado de uma partida, sendo que uma maior potência aeróbica auxiliará na ressíntese metabólica no período de recuperação entre os “rallies”. Conforme BORIN Et Al. (1999) e ELENO & KOKUBUN (2002), estas explicações já estão bem conclusivas para os desportos coletivos terrestres com bola, não sendo nenhuma novidade as afirmações anteriores.
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Figura 1 - Demonstrativo das capacidades de trabalho dos jogadores durante uma partida de voleibol retirado de Arruda & Hespanhol (2008).
Logo, partindo desse ponto de vista, as capacidades de execução de trabalhos para potencializar o desempenho dos voleibolistas durante uma partida (Figura 2), são: potência anaeróbica de curta duração (anaeróbica ATP + CP), que segundo TUBINO & MOREIRA (2003), é “a qualidade física que permite a um atleta de executar um trabalho com o máximo débito de oxigênio no menor tempo possível”, e capacidade anaeróbica de curta duração (anaeróbica ATP + CP), citado por BARBANTI (1986), como a “capacidade física de executar um trabalho com máximo débito de oxigênio durante um período prolongado” e capacidade de recuperação após esforços intensos (ARRUDA & HESPANHOL, 2008).
Figura 2 - Demonstrativo das capacidades de trabalho dos jogadores durante uma partida de voleibol retirado de Arruda & Hespanhol (2008).
CAPACIDADE DE EXECUÇÃO DE TRABALHOS CAPACIDADE ANAERÓBIA ATP + CP POTÊNCIA ANAERÓBICA ATP + CP CAPACIDADE RECUPERATIVA CURTA DURAÇÃO INTENSO CURTA DURAÇÃO INTENSO
Capacidade de trabalho dos voleibolistas
Fases intensas: saltos, deslocamentos e golpes
Anaeróbio
ENERGIA
Aeróbio
7 Conforme apresentado na tabela 1, o período de bola “viva” (bola quando está em jogo) ou uma jogada ou rally do voleibol na areia é constituído pela corrida rápida, cortada, bloqueio, saque, sprint (saídas ou movimentos rápidos de curta duração) (WEINECK, 2003), recepção, levantamento e defesa, tendo cada ação uma duração em segundos e uma distância percorrida (RESENDE, 1996; CBV, 2005, 2008).
Tabela 1 - Tempo de cada ação e suas respectivas metragens cobertas.
Ações Duração em segundos Distância percorrida em metros Cortada 3,8±0,9 6,8±2,5
Bloqueio 3,2±1,0 3,8±2,8 Saque 2,2±0,4 2,8±0,3 Corrida rápida 2,6±0,8 5,5±2,5 Sprint 2,0±0,8 4,3±2,0 Levantamento, Recepção e Defesa não foram estudados
Na tabela 2 podemos observar os tempos de determinados fundamentos do voleibol.
Tabela 2 – Duração de alguns fundamentos.
Ações Duração
Levantamento 1,10 a 1,40 segundos (Barbanti, 1986) Recepção 1,30 a 1,50 segundos (Jasiukiewicz, 1990)
Defesa 21 a 24 centésimos no tempo de reação (Russo, 2002) 30 centésimos na ação defensiva (Russo, 2002)
No jogo de voleibol de areia, a pausa é realizada através da marcha, corrida lenta, marcha de costas e espera (Tabela 3), possuindo cada qual certo tempo em segundos e uma metragem coberta (RESENDE & SOARES, 2003).
Tabela 3 - Tempo de cada ação e suas respectivas metragens cobertas.
Ações Tempo em segundos Distância coberta em metros Marcha 8,4±3,7 8,0±4,0 Corrida lenta 3,0±1,2 4,3±1,9 Marcha de costas 3,1±1,1 3,8±1,8 Espera 6,9±4,1 3,8±1,8
8 A pausa na partida de dupla na areia e o rally podem ocorrer na rede ou na zona defensiva por um dos jogadores ou por ambos, CBV (2005, 2008), em regra os atletas possuem funções específicas, um atua mais no bloqueio e o outro na defesa. Algumas equipes jogam revezando as posições de bloqueador e defensor, com o intuito de proporcionar um menor desgaste físico ou aproveitar o dia em que um dos voleibolistas está jogando melhor no bloqueio ou na defesa. Baseado nessas elucidações, a tabela 1 e 2 não se preocupa em definir as ações do bloqueador ou do defensor, tornando um problema quando o técnico for prescrever o treino. Resende (1996) estabelece na Figura 11, os percentuais dos empenhos e das pausas no jogo masculino de dupla com vantagem.
Figura 3 - Demonstrativo dos percentuais de esforço e pausa durante uma partida de voleibol retirado de Resende (1996).
Fica evidenciado na Figura 3, que a soma dos esforços do voleibol de máxima velocidade são de 39% (saque, bloqueio, sprint, cortada e corrida rápida). Enquanto que o intervalo ocupa um valor de 61% (marcha, corrida lenta, espera e marcha de costas). Dando uma diferença entre essas duas variáveis de 22%.
As capacidades físicas são outros requisitos importantes para o preparador físico e o técnico prescrever o treino com mais propriedade. Segundo o indicador das capacidades físicas demonstradas na tabela 4, são separadas em condicionantes (força, velocidade, potência, resistência, flexibilidade e agilidade) (ARRUDA & HESPANHOL, 2008) e coordenativas (equilíbrio, coordenação, ritmo, descontração e observação) WEINECK (2003). Segundo os autores, essas capacidades físicas capacitam o atleta para ações motoras em situações previsíveis e imprevisíveis e
Cortada 11% Bloqueio 9% Saque 6% Sprint 6% Marcha 23% Espera 20% Corrida rápida 7% Marcha de costas 9% Corrida lenta 9%
9 para o rápido aprendizado e sustentação dos repetitivos movimentos nos esportes. São expostas na tabela 6 as capacidades físicas do voleibol.
Tabela 4 – Capacidades físicas do voleibol segundo Hespanhol & Arruda (2008).
Capacidade física Tipo Classificação
máxima
Força rápida Condicional de potência
de resistência de reação
Velocidade submáxima Condicional de deslocamento Potência Aeróbica Condicional
Anaeróbica Aeróbica
Resistência Anaeróbica Condicional de velocidade
Flexibilidade __________ Condicional Coordenação __________ Coordenativa Agilidade ___________ Condicional e Coordenativa Equilíbrio Estático Coordenativa Dinâmico
Descontração diferencial Coordenativa total
Ritmo __________ Coordenativa Observação __________ Coordenativa
2.2 O VOLEIBOL DE QUADRA
O voleibol é um jogo coletivo praticado por duas equipes. As equipes são formadas por seis jogadores efetivos mais um desempenhando a função de “libero”. O jogo realiza-se num campo retangular, com a dimensão de 18x9 metros, com uma rede no meio a uma altura variável conforme o sexo e categoria. Cada equipe possui uma meia quadra onde pode realizar suas ações de jogo, ou seja, o confronto entre as equipes é indireto (CBV, 2009).
O objetivo do jogo é enviar a bola por sobre a rede para a quadra do adversário, fazendo com que caia nesta, e evitar que caia na da própria, Para tanto, cada equipe só está permitida a realizar (três toques), sendo que a bola não pode ser segura, conduzida, nem pode tocar o solo ou qualquer outro objeto, com exceção da rede, antes que a mesma seja enviada de volta à quadra adversária, apresentando
10 uma alternância entre ações ofensivas e defensivas dependentes da posse de bola (FIVB, 2009).
A equipe vencedora é aquela que conseguir vencer três “sets”. Ganha um “set” a primeira equipe que chegar aos 25 pontos, com dois pontos de vantagem. Em caso de empate em “sets”, a 2-2, o quinto set é disputado só até aos 15 pontos, sendo aqui também necessária a diferença de dois pontos. Em ambos os casos não existe limite pontual, caso a vantagem de dois pontos não se verifique (CBV, 2009).
KISS (1987) mostra que antes de escolher um teste, devem-se observar os critérios de seleção que se apresentam, como: validade, fidedignidade e objetividade. Validade é a determinação do grau em que se mede aquilo que se propõe; fidedignidade é o grau através do qual se espera que os resultados sejam consistentes ou reprodutivos quando examinados pelo mesmo observador; objetividade é o grau de consistência dos resultados quando o mesmo é aplicado simultaneamente por diferentes indivíduos nos mesmos alunos ou atletas.
REYES (2008) em seu estudo constatou que normalmente os testes são projetados para simular os movimentos que tenham agilidade de um determinado esporte, mas poucos estudos mostram experimentalmente que este teste seja específico para um esporte, fato este que corrobora com o objetivo do presente que foi estabelecido diante da observação da necessidade de não se ter testes específicos para determinados esportes.
O estudo piloto de PELLIGRINOTTI e SOUZA (2003) teve como objetivo propor o TW 20m teste para o voleibol que respeitaria as especificidades dos deslocamentos e ações da modalidade, e com base neste desenvolver um instrumento computadorizado para sua análise, determinando experimentalmente o tempo de realização do teste. Ao final, pode verificar que o teste TW 20 m com seis minutos de duração é indicado para mensurações dos componentes de resistência em modalidades com dimensões motoras acíclicas.
CABRAL (2011) em seu estudo avaliou atletas do sexo feminino de voleibol categoria infanto-juvenil separada em dois grupos, sendo o primeiro com atletas da Seleção Nacional Brasileira e o segundo da Seleção Estadual do Rio Grande do Norte, com os objetivos morfofuncionais, antropométricos e de aptidão física para determinar melhor desempenho em alcance de altura no ataque. Ficou constatado que a estatura é o maior fator preponderante para que se torne uma atleta de alto nível.
11 Para os investigadores LEVANDOSKI, CARDOSO e CIESLAK (2007), ao analisar o perfil somatotípico de atletas do sexo feminino da seleção juvenil de voleibol de Ponta Grossa - Paraná ficou constatado que independentemente do perfil das atletas serem semelhante aos padrões internacionais, os testes físicos não se mostraram compatíveis com as exigências motoras que se fazem necessárias ao esporte.
Em outro estudo, VIEIRA Et Al. (2008), avaliaram atletas de voleibol do sexo feminino – categoria adulta em adaptações neuromusculares durante onze semanas, em dois momentos (M1-início) e (M2-final) nas quais as mesmas foram direcionadas a um treinamento de resistência de força. Segundo os autores, os resultados encontrados para a avaliação de força explosiva de membros inferiores apresentaram diferença significante, com isso mostrando ser um bom indicador para a prescrição e controle de atletas.
Em estudo feito por SANTOS (2006) se constatou que ao avaliar adolescentes jogadores de basquetebol, praticantes a mais de dois anos nos testes de velocidade de 30 metros e força explosiva (squat jump). O mesmo autor argumenta uma correlação significativa apesar de não ter sido muito elevada. Estes achados mostram o quanto esses testes são ferramentas importantes para avaliar desportos que se predispõem de desempenhos físicos intermitentes como o voleibol.
SILVA-JUNIOR ET AL.(2011) em seu estudo observou que a potência muscular, a velocidade e a aceleração são constantemente citadas como importantes e determinantes para alcançar um alto nível de performance nos desportos considerados acíclicos em geral. Verificou que ao se correlacionar os valores de potência de salto vertical e de sprint de 30 metros foi surpreendentemente forte (r = .74 a .87).
Em seu estudo, DOURADO (2007) teve como objetivo coletar e realizar possíveis correlacionamentos das análises antropométricas e motoras em 12 atletas do sexo masculino da Seleção Brasileira Sub -19 para o Campeonato Mundial com o propósito para estruturação de um programa de treinamento e controle do desempenho atlético dos mesmos. O autor ao final do seu estudo conseguiu identificar a inter-relação entre as variáveis pesquisadas com uma diferença significativa.
LOMBARDI ET AL.(2011) realizou um estudo no qual abordou dois tipos de treinamento de potência (pliometria e exercício de musculação) com o objetivo de
12 averiguar qual desses procedimentos beneficiaria 16 atletas de voleibol do sexo feminino no salto vertical. As atletas foram separadas em três grupos distintos e realizaram treinamento três vezes na semana por 4 semanas. O treinamento para o grupo de exercícios de musculação (GM) constava de realizar o movimento explosivo na máquina leg press 45º com 60 a 70% de 1RM, por sua vez, o grupo de pliometria (GP) executou três séries de doze repetições de saltos a fundo de caixotes com altura de 60 e 30 cm e por último o grupo controle (GC), que não realizou nenhum treino específico para potência. Para avaliação dos grupos, o autor utilizou o teste de salto vertical Counter Movement Jump (CMJ). Em uns dos seus achados o único grupo que apresentou melhora no desempenho no CMJ foi o grupo GM (musculação). Quanto à análise entre os três grupos, não houve diferença significativa (p>0,05).
13 3. MATERIAIS E MÉTODOS
O presente trabalho tem característica descritiva de campo, THOMAS, NELSON & SILVERMAN (2007), uma vez que se objetivou avaliar as valências físicas agilidade, potência e velocidade em três momentos de intervenção, realizada em condições reais de treinamento (MAURO, ROSSETTO & BLECHER, 2004). O mesmo se caracteriza quanto à natureza descritiva e correlacional, pois se comparou a interferência de diversas densidades de solo no desempenho da agilidade, potência e velocidade de atletas de voleibol de praia. Os avaliados foram selecionados de uma forma não probabilística, intencional, de acordo com a facilidade de acesso devido à relação com o treinamento físico em voleibol de praia.
Tabela 5 - observamos as variáveis antropométricas: idade (anos); massa corporal (kg) em kg; estatura (cm), IMC ( kg/m² ), somatório das 7 dobras (%), percentual de gordura (%).
Dados Básicos
n=19 Média Desvio Padrão Coef. Var. Mediana Máximo Minimo Curtose Assimetria
Idade 24,0 4,5 0,19 22,0 32,0 20,0 -1,2 0,6 Massa Corporal 66,5 5,4 0,08 67,0 77,5 56,0 -0,1 0,1 Estatura 1,76 0,05 0,03 1,76 1,84 1,66 -0,76 0,19 IMC 21,6 1,6 0,07 21,8 25,9 18,7 2,0 0,8 ∑ 7DC 89,8 15,2 0,17 87,0 120,0 66,0 -0,7 0,4 %G 17,2 2,5 0,14 16,8 22,0 13,3 -0,7 0,4 Dens. Corp. 1,05946 0,00555 0,01 1,06037 1,06844 1,04870 -0,72492 -0,33335
Legenda: IMC (Índice de Massa Muscular), ∑ 7DC (Somatório das 7 dobras cutâneas), %G
(Percentual de Gordura) e densidade corporal (Dens. Corp.).
Para a realização dos testes, todos os sujeitos da amostra deslocaram-se duas vezes a duas quadras de voleibol de praia distintas selecionadas por reunir as necessárias condições de experimentação. Antes do início das medições foram apresentados e explicados todos os procedimentos dos experimentos, incluindo os riscos e desconfortos a ele inerentes, seguido de esclarecimento de dúvidas que possam surgir. Todos os procedimentos experimentais só deram início após o consentimento verbal e escrito de participação no estudo, elaborado de acordo com a declaração de Helsinque (2008), conforme descrito no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) (Anexo 1).
O presente estudo atendeu às Normas para a Realização de Pesquisa em Seres Humanos, Resolução 196/96, do Conselho Nacional de Saúde de 10/10/1996.
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3.1. Amostra:
Participaram do presente estudo 18 atletas de voleibol de praia do gênero feminino, dentro da faixa etária compreendida entre 20 e 32 anos, que treinam nas praias da zona sul do Rio de Janeiro, participantes federadas do Circuito Banco do Brasil de Voleibol de Praia e Circuito Mundial de Voleibol de Praia, no mínimo um ano.
3.2. Critério de Inclusão e Exclusão:
O critério de inclusão da amostra foi a aceitação das atletas de voleibol de praia da categoria Adulta (de 20 anos a 32 anos de idade) que participaram do Circuito Banco do Brasil de Vôlei de Praia e do Circuito Mundial de voleibol de Praia (2009 / 2010). Consequentemente excluíram-se, todas as atletas que fossem fumantes ou que apresentaram algum tipo de lesão musculoesquelética, não poderiam realizar os testes, bem como o uso de substâncias ergogênicas que melhorassem seu desempenho. Se por algum motivo, um atleta que não participou da realização de um dos testes, os resultados por ela apresentados não foram incluídos nas análises estatísticas.
3.3. Fatores Intervenientes
Fatores externos, tais como temperatura, umidade, pressão barométrica e clima foram registrados pelo pesquisador embora não tenha sido possível interferir.
3.4. Descrição da Avaliação Experimental
Os testes foram realizados no período da manhã, entre as 8:00 e 10:00h, tendo em vista que a maioria dos treinos ocorrem neste mesmo horário. Antes e após os experimentos, registrou-se a pressão barométrica (Polar modelo ANX 500, Finlândia), a umidade relativa do ar (Termo-Higrômetro Incoterm, 5203.03, Brasil) e a temperatura (Barômetro Oregon, EB312E, EUA). Adicionalmente, coletou-se equivalente a 4,712 cm³ de areia, para a medida de sua massa (Balança Filizola, MF 6/1, Brasil), a partir do quê se calculou a densidade do terreno.
Seguindo o objetivo de estudar o efeito das características do solo arenoso sobre os parâmetros físicos, os testes foram realizados em duas ocasiões em duas quadras de voleibol de praia localizadas em bairros distintos do Rio de Janeiro. Nesse sentido, para a avaliação da densidade do solo, desenvolveu-se um instrumento
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seguindo a norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, MB-1059/86) de mensuração da massa específica do solo in situ, com emprego de cilindro de cravação, sendo aplicável somente em solos de granulação fina, isentos de pedregulhos, coesivos e não muito duros sob a norma nº 9813/1987 da Norma Brasileira Registrada (NBR).
Conforme ilustrado na Figura 4, este tem como características uma caixa cúbica guia de acrílico de 1 cm de espessura e 15 cm de lado (C) e na parte superior uma abertura no centro com diâmetro de 12 cm, por onde passa um tubo cilíndrico de cravação de pvc de 60 cm de comprimento, com diâmetro de 10cm e sendo sua parte superior aberta para passagem do ar (B), o soquete de cravação (A) foi usinado em ferro com uma base de 20 cm de diâmetro e 2 mm de espessura com um tubo fixo na sua parte superior de 20 cm de comprimento.
15x15x15cm Tubo de Acrílico 60cm e 3mm espessura
Caixa de acr ílico
Soquete de ferro 2 mm espessura tubo de ferro 20 cm de comprimento Base de Ferro 20 cm de diâmetro diâmetro de10cm diâm etro d e 12 cm A B C
Figura 4 – Ilustração do Densitômetro: Instrumento desenvolvido para avaliação da densidade do solo arenoso e processo de cravação para medição da densidade do terreno arenoso.
A densidade (Yh) aparente natural do solo in situ, foi calculada de acordo com a
expressão: c c t h V M M Y (1)
onde, Mt é a massa do cilindro com a amostra úmida ou seca, em g; Mc é a massa do cilindro, em g; e Vc é o volume interno do cilindro, em cm³.
As execuções do ensaio seguiram cronologicamente a norma da ABNT (MB-1059/86), conforme sumarizado na Tabela 6.
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Tabela 6. Sequência de execução do ensaio
* Assentou-se o cilindro de cravação na caixa guia de forma que o mesmo encoste-se à superfície do terreno devidamente nivelado e isenta de partículas soltas.
* Iniciou-se a cravação do cilindro, por intermédio de batidas do soquete de cravação, tomando-se o cuidado de manter o cilindro na posição vertical. * A cravação foi contínua, até que o cilindro ficasse com seu corpo todo completo do material colhido.
* Retirou-se a caixa guia e escavou-se o terreno circunvizinho ao cilindro. Cortou-se o solo por baixo do cilindro da sua borda inferior utilizando-se uma espátula para fechar o cilindro com a mesma.
Repetiu-se a operação, caso se verificasse que:
* A amostra dentro do cilindro encontrava-se amolgada, fissurada ou não; * A amostra continha pedregulhos, raízes ou outros materiais estranhos; * O cilindro não se encontrava totalmente preenchido; ou
* O cilindro danificou-se durante a cravação.
* A massa do cilindro contendo o material, Mt, foi determinada imediatamente, de modo a evitar-se perda de umidade, com resolução de 1 g. Removeu-se, então, o corpo-de-prova do cilindro e do centro do mesmo tomando-se uma amostra para determinação do teor de umidade, h, utilizando-se uma balança que permitam pesar nominalmente 1,5 kg a 10 kg, com resolução de 0,1 a 1g, respectivamente, e sensibilidades compatíveis de acordo com a NBR 6457(Norma Brasileira Registrada, 1987).
Fonte: NBR 6457(Norma Brasileira Registrada, 1987).
3.5. PROCEDIMENTOS DOS TESTES
Anteriormente ao dia do teste, todas as participantes foram instruídas a não fazer atividade física extenuante nas 24 horas precedentes, não ingerir bebidas cafeinadas ou alcoólicas nas três horas antes dos testes, usarem roupas leves nas avaliações e dormir 6 a 8 horas no dia anterior dos testes. Entre cada avaliação manteve-se um intervalo mínimo de 24 a 48 horas.
O primeiro dia de avaliação, as avaliadas passaram por uma Anamnese, incluindo as informações sobre fatores de risco, histórico de lesões e cirurgias (Anexo 2), seqüencialmente realizou-se a avaliação antropométrica, estatura e massa corporal.
No segundo dia, realizou-se uma bateria de testes avaliando agilidade, potência e velocidade. Finalmente, o terceiro dia, realizou-se a mesma bateria de teste avaliando agilidade, potência e velocidade, sendo em uma quadra distinta em relação ao segundo dia.
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Na coleta dos dados antropométricos foi adotada a padronização estabelecida pela International Society for Advances of Kinathropometry (ISAK) (2006) com o intuito de registrar a estatura, massa corporal, dobras cutâneas e os perímetros corporais. Na avaliação antropométrica foi utilizado o modelo matemático para a densidade corporal de mulheres desenvolvido por JACKSON & POLLOCK (1978), a equação de SIRI (1961), no percentual de gordura corporal e o Índice de Massa Corporal (IMC) desenvolvido por QUETELET (1841). Por sua vez na verificação da massa corporal e estatura foi utilizada uma balança digital antropométrica portátil (Plenna®, Brasil) e um estadiômetro portátil (Sanny®, Brasil) com precisão de 0,01kg e 0,001m, respectivamente.
Na medição das dobras cutâneas o mesmo compasso foi utilizado em todas as medidas (Lange®, EUA) com precisão de 0,01cm. Finalmente na medida dos perímetros utilizou-se uma trena metálica antropométrica (Sanny®, Brasil) com precisão de 0,01cm.
3.6. TESTES FÍSICOS:
Vinte minutos antes do início dos testes e depois de aplainado o solo, registrou-se a pressão barométrica, a umidade relativa do ar e foi coletada a areia para o cálculo ou medida da densidade do solo. A medida da densidade do solo foi realizada em dois pontos denominados (d1, d2), ilustrados nas Figuras 5, 6 e 7, pelo circuito a ser seguido em cada protocolo (agilidade, velocidade e potência), onde a área a ser avaliada da densidade foi padronizada na junção do quarto metro das linhas (f1 e f2) com 20 cm internamente da quadra.
A frequência cardíaca foi monitorada continuamente (frequencímetro Polar, Accurex, Finlândia), ao longo de todos os testes, e foram registrados os valores médios (5 minutos) de repouso após 10 minutos sentado, e imediatamente após cada estímulo e teste.
Todos os testes físicos foram realizados três vezes, mantendo intervalos de dois minutos de repouso entre as mesmas não sendo permitido alongamento, sentar ou deitar. Finalmente, foi computado o menor tempo entre as três tentativas.
Foram utilizadas duas quadras distintas de voleibol de praia. Para demarcar a área, utilizaram-se quatro fitas de cor azul com 8,00 x 0,05 m cada. No protocolo para avaliar a agilidade foram utilizadas as dimensões de meia quadra, com uma área de
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64 m², cujos limites foram determinados por uma fita frontal, fita de fundo, fita direita e fita esquerda. Para o protocolo de avaliação da velocidade, utilizou-se o comprimento total da quadra com 16x8 m de comprimento.
3.6.1. PROTOCOLO PARA AVALIAÇÃO DA AGILIDADE
Cada avaliada posicionou-se de pé com ambos os pés atrás da fita frontal do lado direito (ponto “a”) da quadra de voleibol na posição de “largada” (Figura 5). Ao comando do avaliado o avaliador acionou o cronômetro manual (Guepardo, 0F0100, Brasil); a avaliada iniciou então a corrida do percurso realizando-a no menor tempo possível seguindo o trajeto ilustrado na Figura 5 (linha tracejada); foi computado o tempo decorrente entre a largada e a chagada; o avaliador que estava posicionado na largada parou o cronômetro imediatamente a passagem do corpo todo do avaliado pela mesma posição do avaliador (ponto “b”).
1m 1m 2m 2m 2m 2m 2m 2m 2m 2m 4m Largada 1º co ne 3ºcon e 2º cone Fitas de 8m com 5cm largura 4º c one 2m 2m 2m avaliador a b d1 d2 f 1 f 2 f 3 f 4
Figura 5. Esquema do percurso demarcado para avaliar a capacidade agilidade no voleibol de praia. A linha continua são as fitas que demarcam a dimensão da quadra (f1, f2, f3 e f4), as pontilhadas demarcam o trajeto a ser percorrido e as tracejadas são as que marcam o posicionamento dos quatros cones. As marcações (d1, d2) são os locais a ser aferida a densidade do solo.
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3.6.2. PROTOCOLO PARA AVALIAÇÃO DA VELOCIDADE
Cada avaliada manteve-se na posição de pé com ambos os pés atrás da fita frontal do lado esquerdo da quadra de voleibol na posição de “largada” (Figura 6). Ao comando do avaliado, o 1º avaliador que estava (posicionado no vértice da fita esquerda, com a fita frontal) acionou o cronômetro (Guepardo, 0F0100, Brasil); a avaliada iniciou a corrida em velocidade máxima até completar os 16 metros da quadra, quando se acionou o cronômetro pelo 2º avaliador que estava (posicionado no vértice da fita esquerda com a fita do fundo acionou o cronômetro) imediatamente após a passagem do avaliado pela fita do fundo. Após o procedimento anterior os dois avaliadores encontraram-se com os cronômetros ainda acionados e ao comando do 1º avaliador “Pronto” os dois paravam os seus respectivos cronômetros e finalmente, o tempo de deslocamento foi computado com a diferença entre os dois cronômetros. 4º metro Local da largada Fitas de 8m comprimento com 5cm de largura 5 metros 8º metro 12º metro largada 1º avaliador 2º avaliador d1 d2
Figura 6. Esquema do percurso demarcado para avaliar as capacidades de velocidade e velocidade lançada no voleibol de praia. A linha contínua são as fitas que demarcam a dimensão da quadra (f1, f2, f3 e f4), os pontos laranja a frente da fita (f2), são os cones que demarcam as posições de largadas do teste de Velocidade e Velocidade lançada e os cones dentro da quadra são os que serviram para dividir a quadra em duas partes horizontalmente e para referência da distância para as avaliadas. As marcações (d1 e d2) são os locais a ser aferida a densidade do solo.
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3.6.3. PROTOCOLO PARA AVALIAÇÃO DA VELOCIDADE LANÇADA
A avaliação da velocidade lançada seguiu o protocolo semelhante ao anterior, no entanto foram concedidos 5 metros de aceleração do ponto de “largada” (Figura 6), ao comando do avaliado o 1º avaliador posicionado no vértice da fita frontal com a fita esquerda acionou o cronômetro manual (Guepardo, 0F0100, Brasil) quando o mesmo passou pela fita do fundo, o 2º avaliador que estava (posicionado no vértice da fita esquerda com a fita do fundo acionou o cronômetro) imediatamente após a passagem do avaliado pela fita do fundo. Após o procedimento anterior os dois avaliadores encontraram-se com os cronômetros ainda acionados e ao comando do 1º avaliador “Pronto” os dois paravam os seus respectivos cronômetros e finalmente, o tempo de deslocamento foi computado com a diferença entre os dois cronômetros.
3.6.4. PROTOCOLO PARA AVALIAÇÃO DA POTÊNCIA
Cada avaliada estava na posição de pé com ambos os pés atrás da faixa limitadora de 1,00 x 0,05m que estava paralelamente e a 20 cm de distância da 1ª barreira (Figura 7); Ao comando do testando o avaliador posicionado lateralmente a direita da faixa limitadora acionou o cronômetro sendo que o testando tentou realizar todas as tentativas no máximo em dez segundos; o testando iniciou o 1º salto sobre a 1ª e 2ª barreira (ida e volta) seguindo a sequência de quatro saltos sendo que todas as passagens sobre as mesmas foram com o corpo de frente para a mesma com os joelhos de forma “grupada” e os pés tocaram ao solo simultaneamente sem que houvesse interrupções entre as mesmas. As barreiras, confeccionadas de tubos de PVC de meia polegada sendo que as hastes laterais, com 60 cm de altura e a haste superior de 80 cm. As mesmas estavam afastadas e posicionadas paralelamente a 1m entre elas. Cada barreira estava com sua haste superior 40 cm acima do solo; o avaliador, que estava posicionado na posição de largada parou o cronômetro imediatamente aos pés do testando tocar no solo na mesma posição do avaliador e logo a seguir anotou a FC de esforço.
21 1 metro 20cm 1 metro comprimento 1ª barreira 2ª barreira 60cm 80cm Faixa Limitadora d1 d2
Figura 7. Esquema do teste para avaliar a capacidade de potência no voleibol de praia. As linhas contínuas são as fitas que demarcam a dimensão da quadra (f1, f2, f3 e f4), A faixa limitadora e o local de onde partirá as avaliadas. As barreiras são feitas de PVC com sua haste superior de 80 cm e as hastes laterais de 60 cm. As marcações d1, d2 são os locais a ser aferida a densidade do solo.
3.7. TRATAMENTO ESTATÍSTICO
Para análise e tratamento dos dados, o presente estudo fez uso da estatística descritiva com as medidas de tendência central e dispersão (média, mediana, desvio padrão e variância) e verificação da normalidade da amostra através do teste Shapiro-Wilk. Como análise inferencial, utilizou-se cálculos de assimetria e curtose para a verificação da distribuição dos dados. A partir do estudo da normalidade dos dados, fizemos a comparação da densidade do solo arenoso e seus respectivos efeitos no desempenho da agilidade, potência e velocidade com o teste de comparação de média mais adequada para o desenho do estudo.
Para análise inferencial da comparação dos diversos tipos de solo, foi realizado o Teste “T” de Student, de acordo com a normalidade; para identificar a interferência do tipo de solo nos resultados do desempenho nos testes de agilidade, potência, e velocidade, para análise inferencial intrateste foi realizado a análise da variância (ANOVA one way) e para análise dos resultados dos testes entre as praias foi realizado um Teste “T” de Student, finalmente uma correlação de Pearson foi realizada para comparar a reposta da frequência cardíaca com o resultado de cada teste, de acordo com a normalidade da amostra, levando-se em conta a estimativa de
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erro e o nível de confiança. O nível de confiança para análise dos dados foi de p<0,05. Os dados foram analisados utilizando-se o pacote estatístico SPSS® versão 20.0 for Windows®.
23
4
4.. AAPPRREESSEENNTTAAÇÇÃÃO ODDOOS SRREESSUULLTTAADDOOS S
As características antropométricas recolhidas do grupo no presente estudo apresentaram os valores para Idade (24,0±4,5) anos, Massa Corporal (66,5±5,4) kg, Estatura (1,76±0,05) cm, IMC (21,6±1,6) kg/m², Somatório de 7 dobras cutâneas (89,8±15,2) %, %Gordura (17,2±2,5) % e Densidade Corporal (1,059±0,005) g/cm³. (Conforme observado na tabela A no Apêndice B)
Nas características antropométricas do grupo é possível observar com relação a idade que o grupo apresentou uma dispersão considerável nesta variável, conforme é possível verificar pelo coeficiente de variação (19%). Atentando para o grupo ser do gênero feminino, esta característica exerce uma influência considerável na variável de percentual de gordura (%G), que a mulher mesmo atleta tem uma característica de a cada cinco anos modificar o seu perfil antropométrico, conforme descrito por MCARDLE, KATCH AND KATCH (2008).
Com relação à perimetria das circunferências corporais foram obtidos os valores de Tórax (81,6±5,1), Abdômen (80,5±5,4), Braço Direito (28,8±1,8), Braço Esquerdo (28,3±1,8), Coxa Direita (58,5±3,5), Coxa Esquerda (58,2±3,6), Perna Direita (35,3±2,4) e Perna Esquerda (35,3±2,3) onde todos os resultados de cada teste são apresentados em centímetros. (Conforme observado na tabela B no Apêndice B)
Para as dobras cutâneas foram encontrados os valores de Axilar Média (7,8±2,8), Subescapular (9,5±2,2), Tríceps (13,8±3,1), Suprailíaca (12,5±3,9), Abdominal (16,2±4,5), Coxa (17,1±3,9) e Perna (12,8±2,7). Os resultados recolhidos estão todos expressos em milímetros.
É possível observar, que as regiões de maior acúmulo de gordura subcutânea, foram à coxa e o abdômen. Vale salientar que o voleibol apresenta característica predominante anaeróbica, dificultando a mobilização das gorduras corporais, tornando mais lenta à mobilização dos depósitos subcutâneos ARRUDA & HESPANHOL (2008). (Conforme na Tabela C no Apêndice B).
No que concerne aos valores recolhidos em relação às condições ambientas na praia de Ipanema foram para a Umidade relativa do ar inicial (83,3±10,5) %, Umidade relativa do ar final (74,4±9,3) %, Temperatura inicial (19,5±3,3) graus, Temperatura final (24,5±3,3) graus, Pressão Barométrica (766,2±2,1) mmHg, Areia
24 (7,0±0,3) kg, Clima (1,4±0,5), onde a situação climática (1-sol e 2-nublado), Volume (4712,4) cm³, e Densidade da areia (1,374±0,070) g/cm³.
As condições ambientais encontradas na praia de Ipanema doravante denominada Praia 1, foram de para a pressão barométrica média de 766 mmHg, densidade da areia de 1,374 g.cm3 fatores estes considerados a principio intervenientes no desempenho. (Conforme Tabela D no Apêndice B).
No que diz respeito, as condições climáticas aferidas na praia da Barra, os resultados demonstraram tais valores: Umidade relativa do ar inicial (83,4±3,9) %, Umidade relativa do ar final (79,6±2,7) %, Temperatura inicial (20,8±2,0) graus, Temperatura final (26,2±3,5) graus, Pressão Barométrica (760,6±3,7) mmHg, Areia (6,7) kg, Clima (1,4±0,5), Volume (4712,4) cm³ e Densidade da areia (1,303±0,009).
As condições ambientais encontradas na praia da Barra doravante denominada Praia 2, foram de para a pressão barométrica média de 760,6 mmHg, densidade da areia de 1,303 g.cm3 fatores estes considerados a principio intervenientes no desempenho. (Conforme Tabela E no Apêndice B).
Os resultados dos testes realizados na praia de Ipanema apresentaram os seguintes dados: Agilidade (6,97±0,39), Velocidade (3,26±0,22), Velocidade Lançada (2,81±0,25) e Potência (3,02±0,37). Consequentemente, os mesmos testes realizados na praia da Barra apresentaram os valores: Agilidade (6,91±0,40), Velocidade (3,30±0,21), Velocidade Lançada (2,87±0,35) e Potência (3,11±0,40) onde todos os resultados de cada teste são apresentados em segundos. (Conforme observado nas tabelas F e G no Apêndice B).
É possível observar na tabela H apresentada no apêndice B que houve uma inferência realizada entre as condições ambientais das duas praias com a utilização do teste “T” de Student. As médias das condições ambientais se apresentaram significativamente diferentes (p<0,05). Onde densidade apresentou (p=0,000), areia kg (p=0,000), umidade relativa final (p=0,025) e pressão barométrica (p=0,000). Apenas umidade relativa inicial não apresentou diferença significativa.
Podemos observar na tabela I apresentada no apêndice B, que não houve diferença estatística significativa através do Teste “T” de Student (p<0,05), com relação aos testes físicos realizados entre Praia de Ipanema e Barra. Faz-se saber que mesmo havendo uma diferença significativa entre a maioria das condições
25 climáticas entre as praias, esta não exerceu qualquer tipo de influência no resultado dos testes realizados.
Com base nesse dado observado foi possível realizar uma média geral dos testes utilizando os resultados obtidos nas duas praias e com base nesse resultado determinar os pontos de corte para a determinação da classificação dentro de cada teste.
Por sua vez, na tabela J situada no apêndice B, apresenta os valores dos quartis do ponto de corte da cada teste realizados sendo estes valores expressos em segundos e sua respectiva classificação.
Foram correlacionadas as variáveis a seguir com o objetivo de identificar possíveis relações que interferissem no desempenho físico em relação aos tipos de terrenos arenosos das praias de Ipanema e Barra nos resultados dos testes.
Tabela 7 - Correlação de Pearson para medidas antropométricas e agilidade
*p≤0,05
Tabela 8 - Correlação de Pearson para medidas antropométricas e velocidade Variáveis R Valor - p
Idade 0,607 0,086
Massa Corporal 0,901 0,021*
Estatura 0,477 0,119
IMC 0,644 -0,077
Área muscular de coxa 0,255 -0,189
% Gordura 0,365 -0,151
*p≤0,05
Tabela 9 - Correlação de Pearson para medidas antropométricas e velocidade lançada Variáveis R Valor - p
Idade 0,020 -0,375
Massa Corporal 0,929 0,015*
Estatura 0,842 0,033*
IMC 0,928 -0,015
Área muscular de coxa 0,196 -0,214
% Gordura 0,014 -0,396 *p≤0,05 Variáveis R Valor – p Idade 0,103 -0,269 Massa Corporal 0,008 0,426 Estatura 0,091 0,278 IMC 0,133 0,248
Área muscular de coxa 0,923 0,016*
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Tabela 10 - Correlação de Pearson para medidas antropométricas e potência Variáveis R Valor – p
Idade 0,546 -0,101
Massa Corporal 0,825 0,037*
Estatura 0,586 -0,091
IMC 0,877 0,026*
Área muscular de coxa 0,519 -0,108
% Gordura 0,168 -0,228
*p≤0,05
Com os valores apresentados nas tabelas 7, 8, 9 e 10 nos testes de hipóteses foi possível verificar que as características das medidas antropométricas em relação a F.C. máxima de agilidade, velocidade, velocidade lançada e potência, apresentaram valores estatísticos significantes, tais como, tabela 7 área muscular de coxa (p=0,016), tabela 8 massa corporal (p=0,021), tabela 9 massa corporal (p=0,015) e estatura (p=0.033), tabela 10 massa corporal (p=0,037) e IMC (p=0,026).
Tabela 11 - Correlação de Pearson para condições ambientais agilidade Variáveis R Valor - p
Umidade Relativa Média 0,629 0,081 Temperatura Média 0,881 -0,028* Pressão Barométrica 0,454 -0,125 *p≤0,05
Tabela 12 - Correlação de Pearson para condições ambientais e velocidade Variáveis R Valor - p
Umidade Relativa Média 0,454 0,125 Temperatura Média 0,422 -0,147 Pressão Barométrica 0,885 0,024* *p≤0,05
Tabela 13 - Correlação de Pearson para condições ambientais e potência Variáveis R Valor - p
Umidade Relativa Média 0,467 -0,122 Temperatura Média 0,919 0,019* Pressão Barométrica 0,602 0,087 *p≤0,05
Diante dos valores encontrados nos testes de hipóteses foi possível verificar nas tabelas 11, 12 e 13 que as características das condições ambientais apresentaram qualquer tipo de interferência no teste de agilidade, velocidade e potência. Na tabela 11 o resultado foi para temperatura média (p=-0,028), na tabela 12 foi para pressão barométrica (p=0,024) e na tabela 13 foi para temperatura média (p=0,019).
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5. DISCUSSÂO DOS RESULTADOS
Neste capitulo caberá com base na apresentação dos resultados explicar o procedimento de sua discussão.
Em função dos dois principais objetivos propostos nesta investigação, apresentação de uma proposta de bateria funcional e a interferência do solo nas qualidades físicas avaliadas. Poderemos constatar que nos resultados obtidos, no que se refere ao primeiro objetivo, foi apresentada uma bateria de testes funcionais com o propósito de avaliar algumas valências físicas (agilidade, velocidade e potência) inerentes ao processo de treino no Voleibol de Praia. Não se apresentaram diferenças significativas, não podendo corroborar o que foi realizado nas investigações de SCHALL (2011), LEITE ET AL (2011), LEVANDOSKI, CARDOSO & CIESLAK (2007), VIEIRA ET AL. (2008), DOURADO (2007), CABRAL ET AL. (2011).
Tendo em conta a variável AGILIDADE, como se pode analisar nos estudos de SCHALL (2011) com 26 atletas de voleibol do sexo feminino apresentou nos testes de agilidade (agility T-Test) coeficiente de (0.762) e no teste de potência (salto vertical) o coeficiente encontrado foi de (0.932).
Apesar de existir alguma dificuldade no resultado de variáveis semelhantes, houve a necessidade de recorrer a outro tipo de investigações, como no caso de LEITE ET AL. (2011) onde 13 sujeitos com média de 19,46±2,82 anos praticantes de Le Parkour nos quais foram avaliados no teste de impulsão vertical (squat jump) com média de 55,96±5,31 cm. Os resultados encontrados para os praticantes de Le Parkour neste estudo foram superiores aos dos praticantes de Street Skate com no mínimo dois anos de prática, cujo valor médio foi de 46,7 ± 8,3 cm. O que sugere que a prática do Le Parkour desenvolva a potência de membros inferiores devido serem uma atividade acíclica como o voleibol de praia.
Já no estudo de LEVANDOSKI, CARDOSO & CIESLAK (2007) com 11 atletas de voleibol indoor com média de 15,9 anos, os resultados para o teste de agilidade, obteve uma média de 6,59 seg. Por sua vez, VIEIRA ET AL. (2008) numa avaliação de 9 atletas de voleibol, encontrou as médias para agilidade de 0,32 seg. e para o teste de potência de 0,02 cm. De acordo com DOURADO (2007), na avaliação de 12 atletas de voleibol do sexo masculino de forma intencional com média de 17,76±0,71 anos que realizaram treinamentos físicos por dezessete semanas, totalizando 94,92
28 horas de preparação e observou para o teste de agilidade (30 metros de Buligin, 1981) (p=0,000) e o teste de potência (teste de salto vertical – squat jump) (p=0,790).
Por último, REYES (2008) pode observar que os indivíduos que possuíam maior massa adiposa apresentavam um resultado pior no teste de agilidade escolhido para cada grupo no BUT do futebol e T-Teste para o voleibol.
Já análise da variável POTÊNCIA, CABRAL ET AL. (2011), avaliou 40 atletas de voleibol realizando o teste de potência (teste de salto vertical – Sargent Test adaptado) tendo como resultado para o primeiro grupo composto de 21 atletas 43,58±5,32 cm e o segundo grupo composto de 19 atletas 44,47±3,67 cm. Observa-se que a força explosiva dos membros inferiores quantificada pela altura do salto vertical, não apresentou diferença significativa entre os grupos. Por outro lado, SANTOS (2006) pode verificar correlação significativa entre força explosiva mensurada através do teste de impulsão vertical e a velocidade de deslocamento no teste de 30 metros (r= - 0,59 e p< 0,05).
De acordo com o estudo de SILVA-JUNIOR ET AL. (2011), tiveram como objetivo examinar as correlações existentes entre as potências de sprints de 10 e 30 metros e a potência de salto vertical em jovens atletas de futebol. Participaram do estudo 143 jogadores de futebol do sexo masculino das categorias Sub-20 (n = 34), Sub-17 (n = 43) e Sub-15 (n = 66), os quais realizaram teste de salto vertical, velocidade de 10 metros e velocidade de 30 metros. Os resultados encontrados apresentaram correlações baixas a moderadas quando comparados os valores absolutos de tempo e altura alcançada (r = −.47 a .71). Também LOMBARDI ET AL. (2011) em seu estudo, observou o comparativo de dois tipos de tipos de treinamento de potência (pliometria e musculação). Participaram do estudo 16 atletas do sexo feminino de voleibol, das quais realizaram 4 semanas de treino, sendo 3 vezes na semana. As atletas foram divididas em três grupos distintos, GP (pliometria), GM (musculação) e o GC (controle). Em seus achados, houve aumento significativo do salto vertical do GM na comparação do pré e pós- teste (p<0,05), já por sua vez, analisando os grupos GP, GM e GC, não houve diferença estatística significante (p>0,05).
Todavia, na avaliação da variável VELOCIDADE, de acordo com PELLEGRINOTTI E SOUZA (2003), desenvolveram um teste denominado “TW 20m” e a sua correlação com o teste de 1000 metros de KLISSOURAS (1973) com o