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Relatório de Estágio Profissional "A AÇÃO REFLEXIVA SOBRE A PRÁTICA"

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Academic year: 2021

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A AÇÃO REFLEXIVA SOBRE A PRÁTICA

Relatório de Estágio Profissional

Relatório de Estágio Profissional apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto com vista à obtenção do 2º Ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário conforme o Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de Março e o Decreto-lei 43/2007 de 22 de Fevereiro.

Orientador: Professor Lic. Tiago Manuel

Tavares de Sousa

Luís André Marante Moreira

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FICHA DE CATALOGAÇÃO

Moreira, L. A. M. (2016) A Ação Reflexiva Sobre a Prática. Relatório de Estágio Profissional, Porto: L. Moreira. Relatório de Estágio Profissionalizante para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.

Palavras-Chave: ESTÁGIO PROFISSIONAL; EDUCAÇÃO FÍSICA;

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Dedicatória

Á minha mãe, por todo o apoio incondicional que sempre me deu.

Ao meu Professor Cooperante, por todos os momentos em que me mostrou o caminho a seguir.

Ao meu Professor Orientador, por toda a ajuda que me deu durante este ano. Á professora que me inspirou a optar por este caminho.

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Agradecimentos

À minha família, por todos os sacrifícios que fizeram para me tornarem no homem que sou hoje.

Ao meu professor orientador, professor Dr. Tiago Sousa, por toda a ajuda e apoio que me deu durante esta etapa da minha formação.

Ao meu professor cooperante, professor Fernando Vaz, por todas as experiências que me proporcionou e ensinamentos que me providenciou.

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Índice Geral

Dedicatória ... III Agradecimentos ... V Índice Geral... VII Resumo ... XI Abstract ... XIII Lista de abreviaturas ... XV 1. Introdução ...1 2. Enquadramento Pessoal ...3 2.1. Apresentação ...3 2.2. Expectativas Iniciais ...9 3. Enquadramento da Prática... 11 3.1. Estágio Profissional ... 11 3.1.1. Legal ... 11 3.1.2. Institucional ... 12 3.1.3. A Escola ... 13 3.1.4. Turma ... 15 4. Enquadramento Operacional ... 17

4.1. Área 1 – Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem ... 17

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VIII 4.1.2. Planeamento ... 19 4.1.3. Plano de Aula ... 20 4.1.4. Unidade Didática ... 21 4.1.5. Realização ... 23 4.1.5.1. Modelos de Ensino ... 24

4.1.5.2. Gestão da Turma, Espaço e Material ... 25

4.1.5.3. Feedback ... 26

4.1.6. Avaliação ... 26

4.1.6.1. Testes teóricos ... 27

4.2. Área 2 – Participação na Escola e Relação com a Comunidade ... 29

4.3. Área 3 – Desenvolvimento Profissional ... 31

5. Estudo - Análise da Instrução e do Feedback na Orientação dos Exercícios nas Minhas Aulas ... 33

5.1. Introdução ... 33 5.2. Enquadramento Teórico ... 33 5.3. Objetivos do Estudo ... 35 5.4. Metodologia ... 36 5.4.1. Amostra ... 36 5.4.2. Procedimento ... 36 5.4.3. Ação ... 36

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5.5. Apresentação dos Dados ... 37

5.6. Discussão dos Resultados ... 44

5.6.1. Instrução ... 45

5.6.2. Feedback ... 45

5.7. Conclusão do Estudo ... 46

Referências Bibliográficas do Estudo ... 48

Conclusão e espectativas futuras ... 50

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Resumo

O Estágio profissional por mim realizado, na Escola Básica da Sobreira, está inserido no 2º ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. O núcleo de Estágio reuniu três elementos, que estiveram sob a supervisão do professor Fernando Vaz e sob a orientação do professor orientador Tiago Sousa. Este Estágio foi estruturado com base em quatro áreas de desempenho que foram abordadas e desenvolvidas ao logo do ano letivo: Área 1 – “Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem”; Áreas 2 e 3 – “Participação na Escola e Relações com a Comunidade”; Área 4 – “Desenvolvimento Profissional”. Por fim, apresento o meu estudo, que remete para a forma como orientei as minhas aulas, na explicação e na condução dos exercícios, nomeadamente a nível da instrução e do feedback. Este relatório de Estágio parte da minha perceção enquanto estudante estagiário, no início, durante e no fim deste ano letivo, em relação às capacidades, atuações, dificuldades e conhecimentos; coloca essa perceção perante os objetivos e desafios do Estágio profissional e da futura profissão. Reflete, no fundo, em tom de autoavaliação, as capacidades e lacunas sentidas, em confronto com as exigências profissionais e regulamentares do Estágio profissional. Sinto que concluí esta fase final da minha formação com ganhos substanciais para enfrentar a função docente.

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Abstract

This internship done by me in Basic School of Sobreira is part of the 2nd cycle of studies leading to a Master's degree in Teaching Physical Education in Primary and Secondary Education, of FADEUP. The training group was composed by three elements who worked under the supervision of Professor Fernando Vaz, and under the guidance of Professor Tiago Sousa. This stage was based in four performance areas that were addressed and developed during this school year: Area 1 - "Organization and Management of Teaching and Learning"; Area 2 and 3 - "School Participation and Community Relations" and area 4 -" Professional Development ". In the end, I presente my study that shows how I oriented my classes, regarding the explanation and conducting of the exercises. This internship report was made from my perceptions as a intern student at the beginning, during and at the end of this school year, about abilities, performances, difficulties and knowledge; and puts that towards the goals and challenges of internship and future career. At the end, reflects, in a tone of self- assessment, the abilities and the gaps I felt in confrontation with the job requirements and regulations of the internship. I felt I conclude this final phase with substantial gains to face teaching function.

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Lista de abreviaturas

FADEUP – Faculdade de Desporto da Universidade do Porto MEC – Modelo Estrutura de Conhecimento

MED – Modelo de Educação Desportiva PC – Professor Cooperante

PO – Professor Orientador UD – Unidade Didática UP – Universidade do Porto

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1. Introdução

O Relatório de Estágio faz parte do processo de formação do estudante estagiário e conclui o ano de Estágio. É um projeto de caráter individual que está inserido no 2º ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Encaro este ano como essencial na minha construção pessoal e profissional, pois marca a transição de aluno para professor e porque, apesar de todos os anos transatos de formação, é o ano em que a esta é mais específica devido à proximidade com a profissão que tanto desejo praticar. A constante alteração de papéis a que fui sujeito fez com que percebesse, não só a importância da reflexão da prática como também o servir-me dela com mais frequência, aumentando significativamente o meu conhecimento específico para a prática da profissão em causa. Com esta ferramenta, é mais fácil transmitir os meus conhecimentos para os meus alunos pois, segundo Onofre (1996), o sucesso dos mesmos é dependente da competência e qualidade do professor. Neste documento, faço uma reflexão confrontando a perceção que detinha inicialmente em relação ao Estágio com o contexto real do ensino que presenciei ao longo deste ano letivo. Faço também uma consideração sobre todo o trabalho efetuado e experiências vividas, até esta fase do Estágio Profissional em que me encontro. Na realização deste relatório, percorro as quatro áreas de desempenho, à frente explicadas, realizando um apanhado da minha ação educativa e da minha experiência em conformidade com cada área. Segue-se a apresentação do meu estudo e após o fim desta etapa, é a altura de olhar de forma crítica para todo o caminho percorrido até então e analisar a evolução nas vertentes humanas, social, afetiva e pedagógica. Relativamente à organização do relatório, o primeiro capítulo diz respeito à “Introdução” e tem como objetivo contextualizar o trabalho desenvolvido. O segundo, “Enquadramento Pessoal”, faz uma breve apresentação acerca das minhas experiências desportivas, das minhas escolhas académicas, explicando de que forma é que estas opções foram construindo a minha maneira de ser. De seguida, o “Enquadramento Institucional”, expõe as características do processo de estágio, caracteriza o

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meio onde este foi realizado e apresenta os grupos que deram vida a esta experiência, o núcleo de estágio, o Grupo de Educação Física. O quarto capítulo é relativo ao “Enquadramento Operacional” e está decomposto em três áreas. A Área 1 – Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem reflete acerca da conceção de ensino e do seu planeamento nos três níveis propostos, o planeamento anual, a Unidade Didática (UD) e o plano de aula. A Área 2 – Participação na escola e Relações com a Comunidade, retrata as atividades em que me envolvi durante o ano de estágio. A Área 3 – Desenvolvimento Profissional faz uma abordagem aos aspetos que globalmente contribuíram para a minha formação. Posteriormente, o capítulo cinco é relativo ao “Estudo de Investigação onde faço uma pesquisa relativamente à forma como utilizo a instrução e o feedback.

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2. Enquadramento Pessoal

2.1. Apresentação

O meu nome é Luís Marante, nasci no dia 1 de dezembro de 1992 e sou natural de Paredes, pertencente ao distrito do Porto. Até entrar na faculdade, realizei todo o meu percurso académico nas escolas de Paredes, desde o infantário até ao 12º ano. Finalizando esta etapa, ingressei na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, na licenciatura em Ciências do Desporto e, atualmente, estou a concluir a etapa que me falta para realizar um dos meus sonhos. Tem um valor relativo, mas gostava que o desporto e a cultura do movimento e do corpo tivessem sempre sido fator integrante no meu crescimento como Homem. No entanto, a realidade foi muito diferente. Desde muito novo, corria e saltava muito, mas sempre sem sentido ou objetivo. Fazia-o porque era divertido, fugindo, então, um pouco da essência do desporto. Ainda muito jovem, nem sempre por minha iniciativa, integrei vários clubes na prática de algumas modalidades: Futebol, Basquetebol, Ténis, Golfe, Voleibol e Karaté. Incrivelmente, não aguentei muito tempo em nenhum, com a exceção do Futebol, que pratiquei durante cerca de dois anos, somando todo o meu tempo de prática. Representei o União Sport Clube Paredes, clube de futebol da cidade onde habito. Vários treinos passaram sem a minha presença, tantas horas de aprendizagem e convívio que eu falhei, tanta oportunidade para aprender e educar o meu corpo que eu deixei fugir. Tudo isto porque não tinha vontade. Devido a várias más decisões que sempre tomei e prioridades sem sentido que senti, na altura, serem as mais corretas, desperdicei os melhores anos da minha vida a não fazer nada e mais ninguém sabe o quanto me arrependo de o ter feito. Mas fiz. Ou, na realidade, não fiz! Feliz e infelizmente, sempre tive tudo na vida, com ou sem esforço. Simplesmente o que eu queria, eu tinha. É irónico dizer que, atualmente, estou prestes a formar-me num curso de educação, onde um dos maiores valores que devo transmitir aos meus alunos é precisamente que se devem esforçar em tudo o que fazem nas suas vidas. No entanto, esta revolta que sinto de não me ter dedicado a construir-me melhor durante a infância e adolescência, concede-me mais força para tentar impedir que os mais jovens

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cometam os mesmos erros que eu cometi. Estas lacunas na minha construção pessoal devem-se a um detalhe na minha personalidade que me leva a desistir facilmente de qualquer tarefa que me comprometa a cumprir. É verdade. Nunca me obrigaram a abandonar nenhuma destas modalidades, mas fi-lo porque, infelizmente, não me apeteceu continuar. Mais à frente, explico as condições e o esforço a que me submeti para ultrapassar este obstáculo. Nesse momento, poder-se-ia dizer que não possuía a personalidade e as características para investir num futuro relacionado com o desporto. E assim foi durante muito tempo. Vários anos de inatividade desportiva, má forma e composição corporal e de longas horas a carregar nos botões para os outros correrem no mundo virtual, em vez de pressionar o “botão” do esforço e da vontade para correr eu mesmo no mundo real. Tinha eu treze anos, a iniciar o meu 8.º ano de escolaridade, quando conheci alguém que, sem eu saber, iria alterar por completo a minha vida profissional e espiritual. Neste ano, tive a sorte de ter conhecido uma professora de Educação Física que, ao contrário do que alguma vez pensei, conseguiu romper completamente com as ideias que tinha sobre o desporto e a prática de exercício e de atividade física. O amor que hoje sinto por esta disciplina e por esta forma de viver começou a ser criado quando estabeleci contacto com uma professora de Educação Física. Foi no 8.º ano que a conheci, mas só a partir do 10.º ano é que foi notório este impacto. Pela primeira vez, em oito anos de escolaridade, um professor de Educação Física não se limitou a entregar uma bola de futebol aos rapazes e uma de voleibol às meninas para nos entretermos durante a aula toda. Com esta professora, fazíamos aquecimentos, exercícios onde nos era explicado o que era suposto fazermos e com que objetivo, era-nos ensinado como arbitrar jogos e como ajudar os nossos colegas de turma a melhorar as suas capacidades. Pensei que a professora não sabia muito bem o que fazia e admito que não gostei desta mudança tão brusca que originou que o recreio alargado onde jogávamos sempre futebol tivesse acabado. Além disto, demonstrei o meu desagrado ao reagir mal perante a professora quando percebi que iam ser todas as aulas assim. Fiquei tão revoltado nos dias seguintes, que comecei a pensar em todas as mudanças e em qual seria a possível razão para as realizar. Neste momento digo, com

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certeza, que foi das primeiras vezes em que refleti sobre algo, excluindo as diversas matérias onde era preciso estudar para obter resultados positivos. Admito que, sozinho, não cheguei lá. Não fui capaz de compreender porquê que este modelo de ensino era melhor do que o anterior, que era o único que conhecia até então. Numa das aulas seguintes, depois de várias em que se notava que eu não estava a gostar das mesmas, a professora chamou-me no fim da aula e perguntou, a fazer de conta que não tinha percebido e com um tom bastante amistoso, se eu estava a gostar das aulas. Respondi-lhe que não estava a gostar porque não jogávamos quase tempo nenhum. Aí mudou completamente o seu tom de voz ternurento para frio e assertivo e disse-me que eu não estava a gostar das aulas porque queria estar sempre a jogar e a ser o centro das atenções, pois até jogava bem. Que não me preocupava com ninguém a não ser comigo mesmo. Finalizou a dizer num tom muito sarcástico que, se eu quisesse, na próxima aula, ela reservava uma bola só para mim para eu jogar sozinho, e foi embora. Este diálogo foi tão custoso e, no futuro, tão enriquecedor, que há dez anos que me ficou marcado na memória. Nos dias seguintes, dei por mim, outra vez, a refletir sobre a nossa conversa. Incrível como, em poucas semanas, uma professora que eu não conhecia de lado nenhum, me colocou a pensar assim tanto no meu comportamento, perante os que me rodeavam. Com o passar do tempo, e aos poucos, comecei a perceber que talvez tivesse razão e comecei a esforçar-me por não ter alguns comportamentos inconscientes que costumavam ser frequentes. Quando não me passavam a bola para ser eu a fazer golo e rematavam, deixei de ficar zangado e comecei a aplaudir a decisão dos meus colegas. A minha atenção e consequente reflexão às explicações da professora triplicou, começando, então, a entender o propósito que a guiava na sua orientação durante a aula. Já não me lembro com exatidão, mas a minha turma da altura era composta por quase trinta alunos e, apesar de ser difícil, o objetivo era que todos tivessem oportunidade de se divertir, serem integrados no meio e evoluir com várias experiências a que eram submetidos. Com o decorrer desse ano e do seguinte, comecei a perceber que vários colegas meus gostavam mais da disciplina e, para grande espanto meu, estavam muito melhores a nível físico. Com isto, a

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minha relação com eles melhorou imenso durante as aulas de Educação Física, visto que anteriormente era considerado, e com razão, arrogante e imprudente nas minhas ações físicas e verbais. Passei a sentir-me muito melhor com esta aceitação por parte dos meus colegas e, com isto, realizei mais uma grande reflexão, esta sobre tudo o que eu fazia, fora ou durante as aulas de Educação Física, e no impacto que isso tinha na minha vida. Nos próximos tempos esforcei- me por mudar a minha atitude relativamente às relações interpessoais e acabei por me tornar numa pessoa completamente diferente. Se alguém se tivesse afastado de mim durante este período e voltasse, dificilmente me reconheceria. Comecei então a ficar muito próximo da já referida professora, colocava-lhe muitas questões e muitas vezes ela respondia e noutras mantinha-se calada e esperava que fosse eu a descobrir a resposta por mim. Aprendi bastante sobre Educação Física com ela, de metodologia muito aproximada ao que aprendi este ano na Escola da Sobreira. Atualmente, trabalho para conseguir transmitir todos estes ensinamentos aos meus alunos. Desde o gosto pela prática desportiva até ao gosto por ajudar os colegas. É um dos maiores desafios de um professor, pois requer uma capacidade enorme de atingir os alunos de forma a que eles próprios se proponham a mudar. Não se consegue alcançar este tipo de objetivo apenas dizendo como as coisas devem ser feitas, mas sim orientando-os até essa mesma conclusão. O ensino secundário foi passando e comecei a construir quase uma relação de amizade com a professora. Até durante as férias, me encontrava com ela e com mais pessoas interessadas para jogar voleibol, o que me levou a recuperar a vontade de praticar desporto que há muito tinha sido perdida na minha infância. Voltei a jogar futebol, no mesmo clube onde já tinha jogado e realizei uma época completa sem faltar a quase nenhum treino, algo que até ao momento não era habitual. Inscrevi-me num ginásio para melhorar a minha condição física e, passado uns tempos, era frequente ir ao ginásio, jogar Voleibol, Futebol e Ténis no mesmo dia. Enfim, posso dizer que estava viciado em nunca estar parado. É magnífico como, em tão pouco tempo, uma pessoa consegue inspirar outra, a um nível tão elevado.

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Toda esta experiência, embora na altura custosa, foi muito importante para mudar a minha perceção sobre certas coisas. Por isso, atualmente, na minha ação pedagógica, tento colocar em prática várias vivências e ferramentas que fui desenvolvendo, muito devido à professora que referi anteriormente. Passando, então, para o presente, sinto-me muito contente por ter tido a oportunidade de aprender com uma professora com tanta qualidade como a que tive. Tudo o que aprendi com ela, tento colocar na minha prática. Faço por nunca permitir que uma aula seja dada só para cumprir horário. Não desistir de um aluno, lembrando-me da minha experiência, como descrevi anteriormente, dando assim iguais oportunidades a todos e a diferenciar as estratégias de abordagem que tenho com cada aluno para otimizar a sua aprendizagem.

A questão genética e, consecutivamente, ambiental tem um papel preponderante nesta escolha de vida. Tendo um familiar que é docente, desde cedo que fui submetido a várias experiências ligadas ao ensino, especificamente quando me auxiliava a mim e também aos seus explicandos. Além disto, quando no 1.º ciclo, frequentemente era solicitado para explicar aos meus colegas com mais dificuldades as matérias em que me sentia mais confortável. Segundo Carvalho (2006), a educação é considerada um dos principais veículos da socialização e da promoção do desenvolvimento individual de cada pessoa. Desde sempre que gostei de ajudar as pessoas que me rodeavam e, através do ensino, tenho a oportunidade de ajudar muitos jovens no seu processo de construção. Sendo assim, com o aumento do amor pelo desporto e pelo já existente gosto pelo ensino, enverguei neste mestrado, apesar da dúvida quanto a ser a melhor opção profissional, devido à crise no ensino. No entanto, hoje posso admitir que tenho a certeza que esta foi a melhor escolha que podia ter feito, independentemente do que futuro me reserva. Com o desenrolar do tempo, percebi que o ensino de Educação Física é muito mais do que ensinar como correr, saltar ou rematar. Vai para além do comportamento motor e o que deve ser promovido, na minha opinião, são precisamente o domínio cognitivo e os

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devem fazer não chega, é preciso ensinar a refletir sobre o que fazem, mas também tentar que consigam transferir esses ensinamentos para a sua vida. É preciso ir além do visível e procurar cultivar as mentes de cada aluno. E é isso que me motiva todos os dias para fazer o que gosto e me faz não estar nada arrependido da minha opção.

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2.2. Expectativas Iniciais

Antes do Estágio e, principalmente, nos últimos dias antes do mesmo iniciar, apresentava um entusiasmo que nunca antes conheci em mim, assim como um medo enorme de fracassar que também desconhecia. Por um lado, a minha cabeça estava cheia de ideias que, na altura, tinha a certeza que resultariam e que seriam de enorme ajuda para os meus alunos. Por outro, um medo incrível que eles não evoluíssem e de eu ser o responsável. Rapidamente, a porção do entusiasmo diminuiu e foi completamente atropelada pelas minhas inseguranças na realização desta etapa. Por várias vezes me encontrava a imaginar palestras e exercícios que mais tarde viria a realizar e só visualizava todos os cenários em que algo iria correr mal. No entanto, acabei por perceber que não havia fuga possível e que, bem ou mal, tinha de ultrapassar este último obstáculo. Fiz um esforço por não pensar em demasia nestas questões até chegar ao dia da partida e foquei-me em aproveitar a grande oportunidade que me tinha sido concedida para aprender. Apesar de esta ser uma aprendizagem controlada, possibilita ao estagiário a tomada de decisões e reflexões moderadas pelo Professor Cooperante, pelo Professor Orientador e pelo grupo de Educação Física, do estabelecimento de ensino, Escola Básica da Sobreira. No início do Estágio Profissional, o primeiro grande desafio por mim percecionado residia no facto de me ter sido atribuída uma turma do 8.º ano, cujas idades variam entre os 13 e os 16 anos. Dado que nesta faixa etária, os alunos estão em plena fase de adolescência, questionava-me se me iriam respeitar, se iria ter problemas de controlo da turma, se eles iriam confiar nos meus conhecimentos e competências. Na realidade, todos estes medos e inseguranças que tinham acabaram por se realizar, tendo conseguido ultrapassar alguns com facilidade e outros com dificuldade. Hoje, posso afirmar que foi um ano em que senti uma mudança de postura, passando a entregar-me totalmente a uma comunidade no sentido de promover melhorias a todos os níveis, transmitindo ideias e ideais e corrigindo comportamentos em prol da comunidade educativa, facto que me agradou desde sempre, pois é assim que me vejo e me assumo na sociedade, a trabalhar em função de todos.

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3. Enquadramento da Prática

3.1. Estágio Profissional

3.1.1. Legal

No Estágio Profissional realizado, devo mencionar que o mesmo proporcionou- se no âmbito da prática profissional do segundo ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre dos Ensinos Básico e Secundário de Educação Física da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, com a duração de quatro semestres (primeiro e segundo semestres, direcionados para o sistema de ensino em contexto escolar; terceiro e quarto semestres, relativos à prática de ensino supervisionada), sendo composto pela Prática de Ensino Profissionalizada e consequente Relatório de Estágio. Todo este processo é regido pelas normas da instituição universitária e pela legislação específica sobre a habilitação profissional para a docência. A estrutura e o funcionamento do Estágio Profissional consideram os princípios decorrentes das orientações legais, nomeadamente as constantes no Decreto-Lei nº 74/2006 de 24 de março e no Decreto-Lei nº 43/2007 de 22 de fevereiro, e têm em conta o Regulamento Geral dos segundos Ciclos da UP, o Regulamento Geral dos segundos ciclos da FADEUP e o Regulamento do Curso de Mestrado em Ensino de Educação Física. O Estágio Profissional permite ao estagiário atuar num ambiente autêntico, apenas possível devido aos protocolos de cooperação com estabelecimentos de educação, nomeadamente de ensinos básico e secundário, conforme referido no artigo 18º do Decreto-Lei nº43/2007 de 22 de fevereiro. O Estágio Profissional permite ao estagiário iniciar a prática do ensino em contexto real de forma gradual e orientada sob a supervisão de professores que deverão ter em conta variadas competências profissionais do estagiário, com vista ao ensino da Educação Física de melhor qualidade. Estas competências organizam-se em três grandes áreas de desempenho, nomeadamente

“Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem”, “Participação na Escola e Relações com a Comunidade” e “Desenvolvimento Profissional”.

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Assim, neste primeiro contacto com a realidade complexa em que se desenvolvem as atividades educativas, o professor estagiário assume as responsabilidades de um profissional, numa situação diferente da que está habituado, tendo oportunidade de aceder a um conjunto de saberes e experiências facilitados pelos supervisores, a quem cabe o papel de selecionar meios e estratégias de ensino/aprendizagem para otimizar o desenvolvimento do professor estagiário. Desta forma, os supervisores deverão reconhecer e analisar as perceções e dificuldades do professor estagiário, assim como assegurar todo o apoio, aconselhamento, orientações necessárias ao entendimento e à solução de problemas que o mesmo possa ter. Os supervisores mostram-nos estratégias e soluções possíveis e nós, professores estagiários, devemos refletir e ponderar sobre as consequências de cada uma para, por fim, tentar envergar pelo melhor caminho no sentido de atingir o sucesso escolar.

3.1.2. Institucional

Há duas grandes entidades que estão ligadas e em sintonia com o meu ano de Estágio e que me auxiliam e promovem na aquisição de conhecimentos específicos para me tornar num profissional capaz. A FADEUP, faculdade onde realizo a unidade curricular já mencionada, incluída no Mestrado em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundários, que, durante cinco anos, me foi preparando e cultivando até chegar a este patamar de evolução. Embora um pouco mais distante, continua a fazê-lo durante o ano de Estágio. E, com um papel atual muito mais ativo, a Escola Básica da Sobreira, onde decidi realizar o meu ano de Estágio. Esta escolha deveu-se a vários fatores. Não nego que o facto de ser a escola mais próxima da minha residência teve uma grande força nesta opção, mas também já tinha tido boas referências deste estabelecimento de ensino e dos seus intervenientes, através de amigos que realizaram o mesmo processo de formação que eu. Quando buscava estas opiniões, todos me disseram que quem quer aprender muito para ser competente, tem na Escola Básica da Sobreira uma enorme fonte de ensinamentos que promove e forma

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profissionais capazes. O trabalho entre estas duas entidades já é longo, pois já há muito tempo que esta escola aceita professores-estagiários provenientes da FADEUP. Assim como me foram relatados, de forma bastante assertiva, contos e experiências promotores de grande conhecimento e qualidade na transmissão da informação vividos por colegas que optaram pelo mesmo percurso académico que eu, também posso afirmar com a mesma certeza que, realmente, estas entidades revelam grande qualidade, não só na formação de professores, mas também de seres humanos.

3.1.3. A Escola

Fomos acolhidos, para a realização do Estágio profissional, pela Escola Básica da Sobreira, que está situada no lugar da estação, freguesia de Sobreira, concelho de Paredes. Nesta escola encontram-se alunos com diferentes características e diversas necessidades educativas, tendo, na estruturação da sua organização curricular, um aglomerado de formações bem como uma oferta formativa variada, o que permite dar resposta a essas necessidades, sempre com o objetivo do desenvolvimento multilateral do aluno. A Escola Básica da Sobreira ensina as especificidades de cada modalidade, como qualquer outra, mas parece ter um “poder especial” em cuidar dos alunos em formação em cima mencionados. Pelo menos em alguns professores da minha área, com quem mais convivo, noto isso e noto que lhes é natural, fazem-no aparentemente sem esforço. O que é mais valorizado é a construção do Homem e não o entendimento de cada matéria, para passados uns dias esta cair em esquecimento. O que me foi transmitido durante o Estágio, e que vai muito de encontro à minha personalidade e visão crítica, é que é importante que aprendam o estipulado no programa das várias disciplinas, mesmo que esqueçam a maior parte com o passar do tempo. Mas, é fulcral que, durante o percurso escolar de cada um, sofram uma vasta panóplia de experiências que os vai reconstruindo e reformando com vista a saírem de lá quase pessoas novas. Uma espécie de “renascer das cinzas”, onde começam com um vazio cultural e espiritual com alguns dos defeitos já mencionados e, nesta passagem,

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cidadãos ativos, competentes e conhecedores do verdadeiro valor de cada um. Apenas utilizei uma visão utópica do real papel da educação para mostrar qual o pensamento e quais as prioridades da maioria dos elementos da comunidade escolar onde estou inserido. Para me ajudar a tornar um pouco mais possível esta utopia, estive incluído num núcleo de Estágio com mais dois professores estagiários, o Professor Cooperante e o Professor Orientador. Já conhecia um dos meus colegas de Estágio do ano passado e já tinha percebido que é uma pessoa muito empenhada e com vontade de aprender e melhorar. Como já referi, também já tinha ouvido falar do PC como sendo um professor competente, a transmitir os seus métodos de ensino e a auxiliar na construção dos nossos e, especialmente, uma boa pessoa com disposição constante para nos ajudar no que precisamos. Não conhecia a minha colega de Estágio nem o PO. A minha colega é bastante mais relaxada que o meu colega na maneira como organiza a sua atividade, não perdendo qualidade nessa diferença, e o PO é bastante parecido com o PC. Sempre disposto a ajudar em qualquer assunto e sempre interessado em nos transmitir o máximo possível para conseguirmos atingir os nossos objetivos.

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3.1.4. Turma

Neste ano de Estágio, fiquei encarregue de lecionar aulas à turma do 8.ºC da Escola Básica da Sobreira. A turma é constituída por 27 alunos, dos quais 14 são raparigas e 13 são rapazes, com idades compreendidas entre os 13 e os 16 anos de idade. Nesta turma não há nenhum caso de alguma doença de importância considerável. A única característica que me parece de realçar, e que muito trabalho me deu durante o ano, é a grande heterogeneidade da turma a nível físico e de habilidade motora. Esta turma é composta por um grande fosso a separar os mais aptos dos menos aptos. A totalidade dos rapazes e três raparigas são claramente superiores aos restantes colegas de turma. Com esta grande discrepância, em todas as modalidades coletivas, dividi a turma por níveis e realizei dois planos de aula diferentes, com exercícios e objetivos diferentes, para haver maior probabilidade de sucesso na evolução dos alunos.

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4. Enquadramento Operacional

O Relatório de Estágio está inserido no processo de formação do estudante estagiário, e faz o fecho deste ano de Estágio profissional. É um projeto de caráter individual que está inserido no 2.º ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. O Estágio Profissional é encarado por mim como um processo fundamental nesta minha jornada de transição de aluno para professor, constituindo-se assim uma experiência única de formação e desenvolvimento profissional, na qual o acompanhamento e a orientação assumem uma singular relevância. Segundo as Normas Orientadoras do Estágio Profissional, o professor estagiário deve ser capaz de participar ativa e reflexivamente nas três áreas de intervenção definidas pelo Regulamento do mesmo, a saber: Área 1 – Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem; Área 2 – Participação na Escola e Relações com a Comunidade; Área 3 – Desenvolvimento Profissional.

4.1. Área 1 – Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem

As principais tarefas desta profissão, como a conceção, o planeamento, a realização e a avaliação do ensino-aprendizagem, estão englobadas nesta área.

4.1.1. Conceção

Conceber o ensino implica que se analisem, compreendam e interpretem todos os requisitos indispensáveis para uma prática que coloque o aluno no centro de todo o processo. Considera o professor o mestre que deverá ainda ser um exemplo de formação de personalidade dos seus educandos , e pretende, fundamentalmente, encontrar dentro de cada um dos seus aprendizes a sua essência, ajudando-o no seu desenvolvimento. Os alunos são o centro de todo o processo ensino-aprendizagem e a sua formação deve, portanto, assumir-se como a razão que justificará cada uma das ações a seguir. É importante ler e compreender os documentos criados para guiar esta prática, como os programas

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nacionais de Educação Física e os planos curriculares, pois todos estes são essenciais numa boa preparação para lecionar. No entanto, todo o professor deverá considerar que poderá ter à sua frente 20, e às vezes 30 alunos, todos diferentes, com vários qualidades e defeitos, com ações e reações diferenciadas, ou seja, um corpo e uma mente completamente distinta de todos os outros. Com isto, pretendo dizer que os documentos anteriormente referidos servem apenas como guia, pois é preciso adequar essas normas orientadoras ao contexto onde estamos inseridos tornando, assim, a função do professor extremamente desafiante e complexa. A estrutura dos planos curriculares e dos programas nacionais não deve ser entendida como rígida, pretende que os professores a consigam ajustar e adequar ao contexto onde estão inseridos através da sua flexibilidade como defende Rink (1993). A ideia de flexibilidade fica altamente dependente das condições de aplicação, obrigando, assim, a uma adaptação ao contexto. O conceito de flexibilização do currículo não é, por vezes, completamente claro, tanto no que ele significa como no que implica. Flexibilização curricular não pode, nem deve ser sinónimo de anarquia e de que cada um faz o que quer da maneira que quer. Por tudo isto, é que fica claro que a função do professor abrange muito mais do que simplesmente chegar ao pavilhão quando toca para a entrada, formar equipas e fornecer uma bola para os colocar em atividade física. Segundo Grossman (1990), o professor deve ter bagagem de conhecimentos para poder exercer a sua função. O professor precisa de refletir constantemente sobre a ação dos seus alunos e também sobre a sua ação como defende Bento J. (2003) ao advogar que a reflexão é essencial para a atividade docente. Perceber se o aluno X conseguirá ultrapassar as suas dificuldades com mais rapidez se estiver inserido, numa equipa ou noutra, nesta posição ou naquela. Ou seja, o professor deve ser capaz analisar os problemas com que se depara na sua prática e tomar decisões conforme sugere Zeichner (1996). Contudo, na minha opinião, o maior objetivo da Educação Física é algo que muitos professores esquecem. Conforme defende Rosado (2011), A Educação Física e o Desporto desempenham um papel muito importante não só no desenvolvimento físico mas, também na área de desenvolvimento pessoal, social e moral dos estudantes. Ou seja, o objetivo da Educação Física é, na

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realidade, formar cidadãos ativos na sociedade, com estilos de vida saudáveis e com sentido moral e ético apurado. E tem de fazer isto para cada um dos 20 ou 30 alunos de cada turma e para cada uma das 4 ou 5 turmas. Ao ler isto, qualquer pessoa dirá que ser professor é uma profissão esgotante a nível psicológico e, na minha opinião, se o professor não se conectar e não se envolver no ambiente da aula, esta tornar-se-á exatamente isso, esgotante e massacrante. Contudo, a dedicação por esta prática é tão grande que aula após aula, instrução após instrução, feedback após feedback, o nível de adrenalina no nosso corpo eleva- se de tal maneira que acontece algo teoricamente impensável. Tornámo-nos viciados nesta, suposta, massacrante vida de sentir a frustração quando não obtemos a resposta que desejamos. Começamos a atribuir importância à ligação que criamos com os alunos, ao respeito que os mesmos têm por nós e ao respeito que temos pelo esforço deles e tudo isto deixa de ser esgotante e torna- se gratificante. É de tal maneira, que a qualquer momento de qualquer dia, o nosso subconsciente “acorda” e, quando temos noção, já estamos a planear as aulas na nossa cabeça, a experimentar mil e um exercícios diferentes e, automaticamente, a refletir sobre a taxa de sucesso que podemos obter em cada um deles, estudar as várias maneiras que podemos tentar para que o aluno consiga ultrapassar o obstáculo que o persegue há imenso tempo para que não o volte a impedir de realizar nada no seu futuro.

4.1.2. Planeamento

Bento J. (2003), advoga que é preciso ter mais qualidade no planeamento se pretendemos em ensino com mais qualidade. Ou seja, quando nos propomos realizar uma tarefa com objetivos bem definidos, é preciso prever o que vamos

fazer e refletir sobre a forma como vai ser feito. Através do planeamento, é possível fazer uma previsão do resultado e, então, alterar conforme os objetivos

e fins estabelecidos. As elaborações dos planos anuais, de unidade didática e do plano de aula, respeitam aspetos como os recursos existentes na escola seguindo o roulement dos espaços, o material existente, as características dos alunos, o meio onde está inserida a escola, as informações obtidas na ficha do

aluno, a avaliação diagnóstica e os objetivos estabelecidos de acordo com as 19

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necessidades dos alunos. Como defende Rink (1993), na realização do planeamento, o professor deve estabelecer uma progressão e sequência lógica para os conteúdos de ensino. Foi de forma bastante cuidadosa que esta tarefa do planeamento foi executada, todos os momentos foram alvo de reflexões com o intuito de melhorar e de ir ao encontro das necessidades dos alunos, fazendo, sempre que necessário, os ajustes convenientes. Sendo assim o plano anual, as Unidades Didáticas e as aulas foram geridos e orientados através do Modelo de Estrutura de Conhecimentos, apresentado pela Vickers. Os planos de aula são o planeamento mais vulgar ao nível da escola. Para que estes sejam coerentes e eficazes, devem ser submetidos ao Planeamento Anual e ao planeamento das Unidades Didáticas. Os planos de aula têm como finalidade permitir uma definição clara dos objetivos a atingir e refletem a escolha certa das estratégias e progressões pedagógicas, para se chegar aos fins propostos. Para a elaboração dos planos de aula são tidos em consideração os alunos, as suas motivações e interesses, as condições de ensino, os dados obtidos anteriormente noutras etapas de ensino, a diferenciação dos alunos, o ritmo, a intensidade e o empenho motor, bem como a cooperação e a comunicação na aula. Como consequência das performances atingidas no decorrer de cada aula, e à luz da minha perceção, foram realizadas reflexões com o intuito de apurar as dificuldades, os aspetos a manter e os menos bons, para conseguir arranjar estratégias que melhorassem o meu desempenho e o dos alunos no decorrer das aulas.

4.1.3. Plano de Aula

Os planos de aula têm como finalidade permitir uma definição clara dos objetivos a atingir e reflete a escolha das estratégias e progressões pedagógicas mais corretas. Para a elaboração dos planos de aula são tidos em consideração os

alunos, as suas motivações e interesses, as condições de ensino, os dados obtidos anteriormente noutras etapas de ensino, a diferenciação dos alunos, o ritmo, a intensidade e o empenho motor, bem como a cooperação e comunicação na aula. Também foram seguidas as orientações das Unidades Didáticas. Como consequência das performances atingidas no decorrer de cada aula, e à luz da minha perceção, realizei reflexões com o intuito de apurar as dificuldades, os

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aspetos a manter e os menos bons, para conseguir arranjar estratégias que melhorassem o meu desempenho e o dos alunos. Admito que a realização dos planos de aula, no início da minha prática durante o Estágio, parecia-me uma perda de tempo e como apenas os realizava por seu caráter obrigatório e não para me servir deles, acabou, realmente, por ser. Não conseguia percecionar nem perceber a importância que um plano de aula pode ter no trabalho de um professor. Pensava que não me esquecia dos exercícios que tinha idealizado e, sendo assim, não tinha necessidade de os realizar. Infelizmente, só no 2.º período do ano letivo é que, finalmente, entendi que o plano de aula não serve, apenas, para me lembrar quais são os exercícios. As suas funcionalidades são imensas: desde a questão do meu posicionamento e o dos alunos no espaço da aula, passando pela importância de já ter as estruturas das equipas idealizadas, até aos objetivos que pretendo para cada aula e de ajudas que comecei a colocar no plano, para me lembrar com mais facilidade dos melhores feedbacks para ajudar os meus alunos. Demorou, mas finalmente percebi a extrema importância desta ferramenta e, como o meu professor orientador defende, procurei realizar cada plano de aula como se fosse um poema, onde os exercícios e respetiva transição entre os mesmos se interligavam como versos. No entanto, surgiu-me outro problema. Realizava o plano de aula com muito detalhe e, aí, fazia tudo para cumprir o plano ao pormenor. Mesmo que um exercício não estivesse a decorrer da melhor maneira, eu não o alterava porque no plano estava escrito que aquele exercício demoraria dez minutos, logo, teria de ser assim. Só a meio deste período é que percebi que o plano é apenas um guia auxiliar para lecionar a aula e não é a lei, como eu achava, e podia ser contornado quando achasse correto em prol da otimização da aula. É com grande felicidade que posso dizer que concluí esta etapa com bastante facilidade em idealizar planos de aula, a aplicá-los e a servir-me deles com muito mais qualidade do que no início desta.

4.1.4. Unidade Didática

A UD apresenta-se como o segundo nível do planeamento, constitui “unidades fundamentais e integrais do processo pedagógico e apresentam etapas claras e bem distintas de ensino e aprendizagem”. (Bento, 2003) Então, a UD é essencial

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na planificação da atividade do professor. É um planeamento específico na idealização da estrutura e dos alicerces em que vamos lecionar cada modalidade. O MEC é um documento inerente à UD e tem como função guiar o processo pedagógico, desde os objetivos à avaliação e às progressões que, em princípio, se vão utilizar na lecionação de cada modalidade. Este nível de planeamento deve ser o elo de ligação entre o planeamento e a prática em si. Contudo, e apesar de estruturar e idealizar o processo de ensino, assim como o plano de aula, está sujeito a alterações, caso o professor ache necessário, tendo em conta a evolução e os interesses dos alunos constituintes da turma. Segundo Silva (2012), o MEC estrutura-se em categorias do conhecimento baseado em fundamentos transdisciplinares, que identificam as habilidades técnicas e táticas de uma modalidade. Relativamente ao mesmo, ao longo do ano, apercebi-me da importância que tem na orientação do professor. Cada uma das etapas foi desenvolvida de forma muito cuidadosa e pensada porque aqui reside a base de sustentação para cada uma das minhas ações, quer de concretização, quer de reajustamento. É estruturado segundo a proposta de Vickers (1990) e é constituído por 8 módulos que se dividem em 3 fases: a da análise (módulos 1, 2 e 3), a da decisão (módulos 4, 5, 6 e 7) e a da aplicação (módulo 8). É na fase da decisão (módulo 4), onde se insere a UD. Na minha opinião, é dos módulos mais importantes e foi dos que mais utilizei e sobre o qual mais refleti. É neste módulo que orientamos a nossa prática, sobretudo a nível dos conteúdos a lecionar e da ordem dos mesmos. Na elaboração das minhas UD, optei sempre por utilizar uma abordagem base-topo, onde os conteúdos são lecionados do mais simples para o mais complexo, sempre com a devida coordenação das componentes técnicas com as táticas, para contextualizar o ensino. Nas modalidades coletivas, procurei sempre partir da componente tática para lecionar a técnica, atribuindo mais importância às questões táticas. Isto porque, em EF, não procuro ensinar ninguém a jogar, pois não há tempo nem recursos que cheguem. Procuro, sim, conseguir que os meus alunos pensem sobre o que jogam (questões táticas). Valorizo muito mais um aluno cujo gesto técnico não está correto, mas que percebe o jogo e tenta servir-se da técnica para jogar com uma grande intenção tática, do que um aluno que não entende a dinâmica do

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jogo, sendo, no entanto, bom tecnicamente. Na elaboração das UD, procurei sempre colocar o máximo de informação possível tais como, obviamente, os conteúdos a lecionar, tanto da componente das competências como da componente socio-afetiva, e também a estrutura de alguns exercícios que idealizei para cada aula.

4.1.5. Realização

Planear as aulas não é tarefa complicada, ao contrário de operacionalizar esse planeamento. No entanto, são as aulas que ditam todo o sucesso da nossa atividade como docentes, sendo o espelho do nosso trabalho. Admito que no início desta etapa da minha formação, a minha ligação a esta causa não foi a mais convincente. Agia de acordo com tudo o que repugno hoje em dia. Fazia

planos de aula na véspera da aula só para ter o que enviar ao meu professor cooperante, ignorava completamente o contexto presente, tratava todos por igual, tanto na forma como transmitia o que queria como na forma como planeava

a aula. Também andava bastante desanimado, pois desde o meu 10.º ano de escolaridade que senti que queria ser professor e pensei que, provavelmente, nunca mais teria a oportunidade de lecionar. Mas, depois de algumas críticas por parte dos meus orientadores e de refletir bastante, percebi que se estou a fazer isto, é para o fazer bem. E, se for o último ano que leciono, então tenho de o aproveitar ao máximo pois pode ser a última oportunidade de fazer o que gosto

e também para desenvolver as minhas competências, porque, se não for no ensino, serão importantes para qualquer outra área. Decidi, então, triplicar o meu empenho e valorizar a oportunidade que tive durante este ano e, mais importante ainda, valorizar o profissional que há em mim. Comecei, então, a fazer mais e a

pensar sobre o que fazia, antes e depois da ação. Os meus planos de aula começaram a ser enviados com mais antecedência, para o meu professor cooperante poder debater comigo algumas maneiras de o melhorar, e tentei ter

o cuidado de criar exercícios e progressões pedagógicas lógicas e com significado. Como o meu professor orientador me disse numa das várias reuniões que teve connosco, o plano de aula deve ser um poema, onde os exercícios são as diversas frases e eu assim tentei fazer. Desde o aquecimento

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até a um possível exercício final com um contexto mais lúdico, todo o processo fazia sentido e seguia uma sequência que eu achava lógica e que mais facilmente permitiria que os objetivos propostos fossem alcançados. O meu foco era que nada falhasse, desde o primeiro momento de comunicação com a turma até os dispensar para irem tomar banho. No entanto, há sempre algumas partes da aula que não correm conforme o esperado e planeado e por isso é que disse anteriormente que operacionalizar o que se planeia é o que verdadeiramente distingue um professor de um grande professor. Para diminuir ao máximo as quebras na aula provenientes de acontecimentos não planeados, tentei criar rotinas com a minha turma onde procurei que começassem a ganhar alguma autonomia, como por exemplo na modalidade do Voleibol. Aqui eu desenhava no quadro o esquema da parte do pavilhão disponível e colocava onde cada equipa faria o aquecimento e qual seria o mesmo para que os alunos apenas chegassem e se dirigissem para o local do campo designado no quadro. Também colocava uma bola em cada espaço para que fosse só chegar, olhar para o quadro e começar o aquecimento, sem que eu precisasse de comunicar. Claro que não corria sempre da melhor forma com todos os alunos. Principalmente os que sofriam de falta de automotivação para as aulas de Educação Física, sentiam dificuldade em chegar ao pavilhão e iniciar a prática sem ordem minha. No entanto, e em geral, notei que a aula iniciava logo de forma mais dinâmica do que antes de implementar estas rotinas e a maior parte dos próprios alunos identificava-se com esta estratégia.

4.1.5.1. Modelos de Ensino

Os modelos de ensino que utilizei para a organização e lecionação das minhas aulas durante o estágio foram o Modelo de Instrução Direta, o Modelo de Educação Desportiva. O que mais utilizei foi, sem dúvida, o Modelo de Instrução Direta. Não por achar que é o mais eficaz, mas por sentir que é o mais fácil de aplicar para alguém com pouca experiência, como é o meu caso. Contudo, atribuo-lhe aspetos positivos e negativos, como em todos os modelos. É mais fácil de gerir e controlar a turma através deste modelo, pois não damos tanta liberdade p o i s orientamos a aula toda com alguma rigidez, mas, também providenciamos mais

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tempo de prática desportiva que, segundo Mesquita I. (2011), é essencial para um bom desenvolvimento dos alunos. No entanto, na minha opinião, não providenciamos condições que estimulem a criatividade e a autonomia dos alunos, sendo ambos valores fulcrais para o desenvolvimento de todo o ser humano e que é nosso dever estimular ao máximo durante as nossas aulas. Por outro lado, podemos considerar o MED como sendo antagónico do Modelo de Instrução Direta, tornando-se mais difícil de controlar a turma, se não for utilizado corretamente, mas oferecendo condições muito mais favoráveis para o desenvolvimento dos valores em cima apontados. Além disto, penso que através deste modelo a taxa de alunos que ganham uma relação saudável com o desporto e a atividade física aumenta significativamente, que é outro dos grandes objetivos da Educação Física.

4.1.5.2. Gestão da Turma, Espaço e Material

Esta questão foi bastante problemática durante toda a minha prática, principalmente ao nível da gestão da turma. Como é característico na minha personalidade, trato todas as pessoas como gosto que me tratem a mim e, devido à falta de experiência, cometi esse erro quando iniciei a minha prática. Pensei que se fosse brando com os meus alunos e os tratasse quase como se fosse amigo deles, obteria a mesma resposta da parte deles. No entanto, após esta abordagem, acabei por obter uma resposta completamente negativa. Sentiram que eu lhes dava muita liberdade e não os punia devidamente, levando a que não me respeitassem o suficiente e abusassem da minha boa vontade, perdendo assim o controlo sobre eles. Quando percebi que esta estratégia não estava a resultar, inverti ligeiramente a abordagem, pois, como defende Sampaio (2007), a disciplina na educação é tão importante como o amor. Não haver autoritarismo, mas sim autoridade e firmeza. Contudo, já o fiz demasiado tarde pois, embora tenha notado melhorias, nunca mais os consegui controlar como devia e podia ter feito, gastando assim muito tempo útil de aula em sermões e palestras a apelar ao sentido de responsabilidade deles e à falta de respeito que demonstravam por mim. Com isto, perdi alguma qualidade de ensino pois, conforme Januário (2006), os comportamentos desviantes apresentam uma

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relação negativa com as aprendizagens e com o clima de aula. Sabendo o que sei hoje, talvez pense ser mais correto iniciar com uma postura mais autoritária e, com o passar do tempo, perceber se há condições para, gradualmente, inverter a situação, até atingir uma situação ideal de confiança e respeito mútuo. Com isto, a aula é mais dinâmica e aumenta a probabilidade de reduzir episódios de gestão de aula que, conforme Sarmento (1993), é fulcral para um bom decorrer da aula. Relativamente ao espaço de aula e ao material, notei dificuldades no início (provavelmente proveniente da falta de utilização do plano de aula), tendo ultrapassado facilmente este problema até atingir um patamar em que pouco tempo de aula perdia na transição de exercícios e na montagem dos campos.

4.1.5.3. Feedback

Sem me alongar muito, visto que este é o tema do meu estudo, senti poucas dificuldades a este nível, mas as que senti foram difíceis de ultrapassar e continuo sem certeza total de que as tenha ultrapassado. Nunca tive problemas em atribuir bons feedbacks, julgando até que é o ponto mais forte no meu repertório de qualidades como professor. No entanto, sempre senti necessidade de estar constantemente a utilizá-los, tendo dificuldade em perceber quais são os melhores timings para intervir ou deixar o aluno errar, para, posteriormente, o

feedback ter mais impacto e qualidade. Ou seja, os feedbacks que atribuía eram

bons, mas, por vezes, descontextualizados, pois nem havia tempo para os alunos assimilarem os conteúdos, sem a constante pressão do professor sempre a criticar. Como consequência disto, raramente fechava um ciclo de feedback, pois atribuía um e corria logo para outro aluno para atribuir outro, o que acaba por diminuir a qualidade do feedback.

4.1.6. Avaliação

O processo de avaliação é extremamente importante no processo de ensino- aprendizagem, pois é através dele que se pode averiguar sobre a qualidade de ensino e, então, refletir sobre o que se deve alterar e pode melhorar. Não só

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tendo em conta a avaliação dos alunos, mas também a própria autoavaliação do professor, onde o professor deve refletir sobre a sua prática e perceber se o caminho está traçado está a surtir efeito e que desvios devem ser feitos para atingir os objetivos.

Os três tipos de avaliação utilizados por mim e respetivo núcleo de Estágio foram a avaliação diagnóstica, formativa e sumativa. Sinceramente, não vejo na avaliação algo muito complicado de operacionalizar como sei que muitos colegas meus pensam. Não sou apologista de atribuir valores a cada critério e foi assim que tivemos permissão para fazer no Estágio. Prefiro, então, avaliar os alunos utilizando a avaliação continua em vez de avaliar cada critério e fazer a respetiva média. A avaliação inicial é essencial para averiguar qual o nível da turma e para decidir quais são os objetivos finais. Durante as aulas e com a avaliação contínua, consigo ver a evolução de cada aluno e refletir sobre a sua ação para o resto das aulas. No que diz respeito a informar cada aluno sobre o seu nível atual também é feito durante cada aula em cada conversa que tenho com cada um deles. Para não variar, também não considero a avaliação sumativa imprescindível pois sempre que a realizei, já tinha uma ideia das notas que iria atribuir e estas nunca se alteraram após a avaliação sumativa. De referir que uma das maiores, senão a maior dificuldade, surgiu na primeira avaliação diagnóstica, pois para além de ser a minha primeira experiência avaliativa como professor, não conhecia nenhum aluno o que dificultou um pouco este processo, pois acumulei as funções de avaliação e de tentar descobrir quem era o aluno que estava a ser avaliado.

4.1.6.1. Testes teóricos

Realizei testes teóricos durante o ano todo no fim de cada período, mas sem concordar com a realização dos mesmos. É uma forma de avaliar a componente do conhecimento que cada aluno tem perante a modalidade válida, mas é uma ferramenta que não motiva de maneira alguma os alunos e é bastante fácil

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percecionar quais são os alunos que entendem o jogo e quais não entendem durante as aulas práticas, sem ser necessário recorrer a um teste escrito. Visto que um dos grandes objetivos da Educação Física é promover a atividade física, penso que a realização de testes escritos pouca utilidade tem e rouba muito tempo (que por si só já é pouco) de prática desportiva.

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4.2. Área 2 – Participação na Escola e Relação com a Comunidade

A escola é uma instituição onde os alunos têm a oportunidade de crescer e por esta razão, não é apenas o local onde eles se sentam para ouvir as diversas matérias. Tem de ser um local que proporcione um crescimento sócio pessoal, onde a diferença deve ser promovida em vez da formatação, que, juntamente com a educação proveniente do ambiente familiar, contribua para o desenvolvimento de um cidadão ativo na sociedade e com personalidade forte. Sendo assim, o ambiente escolar, desde o momento em que o aluno atravessa os portões da escola deve promover estas experiencias para que cada aluno possa crescer. Na procura de uma maior interação dos alunos com a escola e, mais especificamente, com a nossa disciplina em contexto extracurricular, o Grupo de Educação Física elabora, todos os anos letivos, um Plano Anual de Atividades, onde inclui uma enorme variedade de atividades que visam despoletar nos alunos o gosto pela atividade física e pela prática desportiva. Tentei, então, fazer parte de várias atividades cujo objetivo era criar momentos para promover precisamente o descrito em cima. Atividades como o corta-mato, mega atleta, torneio de ténis de mesa, dia da dança e desporto escolar. No mega atleta o núcleo de estagio ficou encarregue de fazer as medições no salto em comprimento e era suposto também alisar a areia após cada salto. No entanto, colocamos alguns alunos que estavam como espetadores a alisar a areia para os integrarmos um pouco no processo. Foi uma atividade com bastante adesão a nível de participantes e de alunos que apenas estavam a apoiar os seus colegas. Por fim arrumamos todo o material de que ficamos encarregues. No evento no corta mato, ficamos com a função de distribuir pulseiras por cada volta que foi o método escolhido para contabilizar as voltas que cada aluno dá para não se equivocarem. Mais uma vez, com a nossa supervisão colocámos alguns alunos a realizar esta função e apenas auxiliávamos quando se enganavam.

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No dia da dança e com muita pena minha fiquei encarregue de chamar o maior número de alunos para o pavilhão onde se realizou a tarefa. Digo que foi com pena que não fiquei situado no centro da ação, pois a dança é uma arte que gosto bastante e neste dia não tive o prazer de a apreciar. O torneio de ténis de mesa foi idealizado pelo nosso professor cooperante, mas fomos nós, eu e o meu colega de Estágio Ricardo Rocha, que ficamos encarregues de o concretizar. Por fim, o Desporto Escolar da Escola Básica da Sobreira oferece as modalidades de badminton, caminhada, patinagem, andebol feminino e orientação. Desta panóplia de modalidades, ficamos encarregues da orientação. uma modalidade que nunca me tinha chamado a atenção, mas, após esta experiência, percebi o que pode ser transmitido através da modalidade em questão. Fiquei pasmado com a quantidade de alunos que estava disposto a pegar num mapa e numa folha de registo e, simplesmente, partir na busca dos pontos e na tentativa de ultrapassar os vários obstáculos que iam aparecendo. Em quatro ocasiões, quatro sábados, estes alunos do desporto escolar de orientação foram para outras cidades representar a escola em competições onde estavam presentes dezenas de escolas do norte do país. Todas estas atividades foram realizadas com o objetivo de cada aluno experimentar coisas novas que nunca mais vivenciará quando o seu percurso escolar terminar.

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4.3. Área 3 – Desenvolvimento Profissional

O desenvolvimento profissional depende da marca pessoal que cada um de nós imprime ao trajeto que vai desenvolvendo. A elaboração deste relatório, apesar de trabalhosa, constituiu um aspeto fundamental do nosso trabalho. Ao aliarmos, no relatório, a dimensão descritiva à dimensão reflexiva, pretendemos analisar algumas vertentes, às quais, devemos dirigir o nosso esforço futuro, no sentido da consolidação da qualidade de ensino. As dificuldades encontradas foram naturalmente muitas, mas tentei ver em cada uma delas uma oportunidade de crescimento profissional e um passo em frente nesta minha caminhada que acabou de começar. Foi o que aconteceu durante o estudo que realizei que penso ter sido uma oportunidade única de, com a prática, confirmar algumas teorias adquiridas na minha formação inicial. A realização do mesmo foi um contributo importantíssimo na minha formação profissional para perceber as maiores dificuldades dos alunos e de que forma posso contribuir para o seu sucesso permite uma maior proximidade e influência sobre os hábitos dos alunos no futuro. O Estágio foi uma verdadeira fonte de aprendizagem onde senti, ao longo, do tempo que o meu crescimento como docente era diretamente proporcional ao tempo que passava dia após dia, aula após aula, reflexão atrás de reflexão, observação atrás de observação, o meu crescimento profissional foi acontecendo através do erro e da sua melhoria.

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5. Estudo - Análise da Instrução e do Feedback na

Orientação dos Exercícios nas Minhas Aulas

5.1. Introdução

No âmbito do Estágio Profissional inserido no 2º ano do 2º ciclo de estudos do Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresento o meu estudo. Em praticamente tudo o que fazemos na nossa vida, servimo-nos da comunicação. É utilizada em enumeras profissões e também situações do quotidiano. Escusado será dizer que na minha profissão, é imprescindível. É muito difícil atingir qualidade no ensino se não houver uma comunicação coerente e clara. Tendo isto em conta, sempre achei que fosse um fator de elevada importância e que devia explorar um pouco mais. Durante o 1º período de aulas deste EP, reparei que a minha turma não se encontrava muito motivada para a prática das minhas aulas nem entendia, a maior parte das vezes, os exercícios que propunha após a primeira explicação. Por inúmeras vezes, era necessário repetir toda a instrução do exercício porque eles não tinham entendido. Esta situação, além de ser frustrante, retira imenso tempo útil de aula que, contabilizando o ano letivo completo, acaba por ser imenso tempo perdido. Refleti sobre a possibilidade de ser por culpa minha e, se era, qual seria a razão. Com o decorrer do período, notei que o meu Professor Cooperante corrigia várias vezes alguns pormenores relativos à forma como interagia com a minha turma, precisamente durante a instrução dos exercícios. Sendo assim, e após considerar tudo já referido, decidi explorar com mais pormenor esta temática. Então, no meu estudo, o problema a resolver remete para a minha instrução dos exercícios e, para complementar, a forma como atribuo feedback durante os exercícios.

5.2. Enquadramento Teórico

Como já referi, devido à importância elevada que creio que a instrução e o

feedback têm no processo de ensino-aprendizagem, optei por utilizar o estudo

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do relatório de Estágio para adquirir uma perceção mais real da instrução e

feedback administrados por mim. Siedentop (1991) define instrução como a

transmissão de informação, por parte do professor, relativa aos objetivos de aprendizagens e conteúdos do ensino. Ou seja, o professor é fulcral no processo de ensino na medida em que é ele o responsável por apresentar e explicar os conteúdos para estes serem retidos pelos alunos. Então, a qualidade do professor depende, não só do conhecimento específico relativo à modalidade a lecionar, como também à capacidade comunicativa de que o professor é portador, como defende Mesquita R. (2009). É, servindo-se da instrução, que o professor conduz a sua aula, tanto a nível de transmissão de conhecimentos como a nível organizacional, conseguindo-se, assim, reduzir o tempo de transição entre exercícios e de explicação dos mesmos, otimizando o processo de ensino. É nestes fatores que, muitas vezes, se diferenciam os bons professores dos excelentes professores. Um professor que explique com alguma clareza um exercício, mas que tenha dificuldades em potenciar o tempo útil de aula, está a alguma distância de um professor que seja capaz de, na explicação do exercício, transmitir corretamente a mensagem e, simultaneamente, dinamizar a turma de modo a reduzir o tempo de quebra da prática física. Para auxiliar neste processo, é essencial conhecer bem a turma que o professor se dirige, pois, esta profissão lida diretamente com pessoas, todas elas com personalidades completamente distintas e com necessidades diferenciadas. Ao adquirir um conhecimento profundo da turma a que se leciona, a qualidade comunicativa será, certamente, maior. Isto porque a maneira como um professor se dirige a um aluno deve ser diferente à forma como se dirige a outro, com o intuito de elevar o processo de aquisição de conhecimentos por parte da turma, como defende Pereira (2009). No entanto e para finalizar, há algo que muitos professores se esquecem, quando são confrontados ou refletem sobre a sua capacidade comunicativa. É importante reter o conhecimento que a instrução, e qualquer transmissão de conteúdos, pode ser feita recorrendo a linguagem verbal e não verbal, como defende (Mesquita R. e., Pedagogia do Desporto, 2009). Muitos professores, eu inclusive, aquando da instrução falam muito na tentativa de explicar o pretendido e esquecem-se que se podem servir de gestos

Referências

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