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Análise Estrutural do Segmento Anterior por Tomografia de Coerência Ótica no Glaucoma Congénito Primário

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Academic year: 2021

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Artigo Original

Analise estrutural do segmento anterior por

tomografia de coerencia otica no glaucoma

congenito primario

Luisa Vieira" Mariana

Sa

Cardoso2, Rita Anjos3, Cristina Ferreira4, Ana Xavier5, Vitor Maduro4, Cristina BritoS 'Interna do Complementar de Of tal mologi a,Hospital Divino Espirito Santo de Ponta Delgada, emcomplemento de forma~ao noCentro Hospitalar Lisboa Central Ilnterna do Complementar deOftalmologia, Centro Hospitalar do Baixo Vouga, emcomplemento de forma~ao no Centro Hospitalar Lisboa Central 31nternadoComplementar deOf tal mologi a, Centro Hospitalar Lisboa Central "Assistente Hospitalar de Oftalmologia, Centro Hospitalar Lisboa Central SAssistente Hospitalar Graduada deOftalmologia, Centro Hospitalar Lisboa Central

Objectivo: Analisar a morfologia do segmento anterior por tomografia de coerencia 6tica de segmento anterior (OCT-SA) em crianr;as com glaucoma congenito primario (GCP).

Material e metodos: Realizou-se um estudo caso-controlo, prospetivo, em crianryas com GCP e em crianr;as sem glaucoma (grupo controlo), seguidas em Consulta de Oftalmologia Pediatrica do Hospital Dona Estefiinia, Centro Hospitalar de Lisboa Central. Efectuou-se avaliaryao ofta l-mol6gica completa e OCT-SA utilizando 0protocolo ACbiometry.

Resultados: 0estudo mcluiu 27olhos (17crianr;as com OCP) e22 olhos (1] crianr;as sem glau-coma). Detetaram-se valores significativamente superiores de profundidade central e largura da dimara anterior (CA) (p<0,001) emaiores distancias de abertura do angulo a 500 CP<0,001) e 750~un (p=0,00 l), areas deesparyo irido-trabecular a 500 e750~ (p<O,OOI) eareas do recesso do angulo a 500 (p<0,00l) e750~un (p=0,001), no grupo GCP. A espessura da iris foi signifi-cativamente mais fina a 500~ do angulo (p=O,Oll), no centro da iris (p<0,001) e na regiao mms espessa da mesma (p=O,OOI)no grupo GCP, assim como 0comprimento da fris foi

supe-rior (p<O,OOl). Alargura de CA e a acuidade visual (logMAR) apresentam correIar;ao positiva (r=0,688; p<O,OOl). Outros achados morfol6gicos: anteriorizaryao e hipoplasia da ms, alteraryao da lllorfologia do angulo no local de intervenryiiocin'rrgica (goniotomia, trabeculotornia, trabecu-lectomia, valvula de Ahmed).

Conclusao: Este primeiro estudo em crianr;as com GCP sugere que aOCT-SA

e

de aquisiryao relativamente filcil, podeni ajudar no seguimento c1fnjcoecirlirgico e ser util como fator prog-n6stico destes doentes.

Palavras-chave

Glaucoma congenito primario, tomografia de coerencia 6tica desegmento anterior, angulo irido--comeano, morfologia de segmento anterior, acuidade visual.

Purpose: To analyse anterior segment structure using anterior segment optical coherence tomo-graphy (AS-OCT) in children with primary congenital glaucoma (PCG).

(2)

Methods: A prospective case-control study was conducted in children with PCG and without glaucoma (control group), followed in Pediatric Ophthalmology Section ofHospital Dona Este-rania, Centro Hospitalar de Lisboa Central. A complete ophthalmologic evaluation andAS-OCT

(AC biometry protocol) were done.

Results: Twenty-seven eyes (17 children with PCG) and 22 eyes (II children without glauco

-ma) were enTolled inthis study. In PCG group were detected higher values of anterior chamber (AC) width and central depth (p<O,OOl), larger angle-opening distance at 500 (p<O,OOI) and 750pm (p=O,OOl), trabewlar-iris space area at 500 and 750~Ull (p<0,001) and angle recess area at 500 (p<O,OOl) and 750llm (p=O,OOl). Iris was singificantly thinner at 500flill from the scleral spur (p=O,Oll), inthe middle ofthe ilis(p<O,OOl)and at the thickest part (p=O,OOl), and longer (p<O,OOI), in PCG group. Visual acuity (logMAR) and AC width were positively correlated

(r=0,688; p<O,OOl). Other features found were: ilis hypoplasia and anterior displacement, mor

-phologic changes at the angle related to the surgical intervention site (goniotomy, trabeculo-tomy, trabeculectomy, Ahmed valve).

Conclusion: This first study in children with PCG suggests that AS-OCT isrelatively easy to acquire, can help in clinical and sllrgical follow-up and.beuseful asprognostic factor.

Keywords

Primary congenital glaucoma, anterior segment optical coherence tomography, irido-comeal an

-gle, anterior segment morphology, visual acuity.

o

glaucoma congenito primario (GCP)

e

uma doen<;a rara que se deve a uma al10malia presente

a

nascenya.

Pode, no entanto, manifestar-se mais tardiamente, tenden

-cialmente ate ao fim do seglll1do ano de vida. Apesar da sua etiologia ainda niio estar completamente esclarecida,

e consensual que a doen<;a se caracteriza por uma ano -maJia no desenvolvimento das estruturas do angulo irido

--corneano que resultanuma dimillui<;iio da drenagem do humor aquoso e,portanto, no aumento da pressiio intrao

-cular (PIO)24.

A tomografia de coerencia 6tica de segmento anterior (OCT-SA) e um metodo de imagem de alta resolu<;llo e

de niio-contacto que permite a visualizayao em cortes do

segmento anterior. A sua apllcabilidade tem vindo a cre

s-cer, maioritariamente em adultos, na cirurgia i mplanto--refractiva, na cornea e mais recentemente no gJau-coma6.20.25.2Jl.31.33.JA avalia<;ao.l.35. do segmento anterior em crianyas

e

desafiante e ate h:ipouco tempo apenas descrita pOl' biomicroscopia ultrassonica (UBMr,l3. Cauduro eta[5, em 2012, sugeriram como valida a utiliza<;ao do OCT-SA em variadas patologias pediatricas.

o

objetivo deste trabaJho

e

analisar a morfologia do segmento anterior por AS-OCT em crianyas com GCP e correlaciona-la com a acuidade visual.

Realizou-se um estudo prospetivo, caso-controlo, em crian<;as com GCP e em crianl(as sem glaucoma (grupo

controlo), com idade superior ou igual a 4 anos, seguidas

emConsulta de Oftalmologia Pediatrica do Hospital Dona

Esterania, doCentro Hospitalar de Lisboa Central. Efetuou--se avalial(iio oftalmologica completa e OCT-SA (OCT Visantelb, modelo 1000, BlOnm, Car.!Zeiss Meditec Inc.) utihzando 0protocolo AC biometry.

Antes da realiza<;iio da OCT-SA, a melhor acuidade

visual corrigida (MA VC) foi medida naescala de Snellen e

posteriormente convertida para 10gMAR. A PIOfoimedida com um tonometro de apJana<;iio de Goldmann, apos a rea-lizayao do mesmo exame.

A OCT-SA foi realizada em condi<;oes fot6picas, com as crianyas sentadas, sem haver necessidade de sedayiio,

anestesia topica ou coloca<;llo de blefar6stato. As imagens

foram obtidas, pelo mesmo operador, seglLlldo 0 meridiano

horizontal (0-180°) e no meridiano conhecido como local de interveu<;ao cin'irgica, utilizando 0cOlte enhanced ante -rior segment single (largura do corte 16mm; profundidade do corte 6mm; resolu<,:ao axial 181lm; resoluyiio transversa 60llm; 256 A-scans por segundo). A aquisi<,:aofoi efetuada deforma aobter amaior qualidade, privilegiando ape rpen-dicularidade, quando possive!. A baixa visao, 0 nistagmo e

(3)

Fig. )I Detenninayiio semi-automatica e quantitativa dosparametros biometricos: a)paquinletria.profulldidade e largura da CA.vault do cristalino, distancia de abertura ao angulo (AOD), area <.Ieespayo irido-trabecular (TlSA). area derecesso do!ingulo(ARA) b) comprimeJJto da irise espessura a 500nm do esporao esderaJ, no centro da irise na regiiio mais espessa.

baixacolabora~aodificultaramessa aquisi~ao.

As imagens foram analisadas com ajuda do software

fornecido pelo aparelho: irido-corneal allgle, chamber e

caliper. Osparametros biometricos do angulo foram obti-dos no quadrante temporal, sendo necessaria a dete<,:ao manual da localiza<,:aomaisprovavel doesporao escleral, oqualsecaracteriza por umapequena protusao daesclera

localizada posteri0n11ente

a

malhatrabecular hiperefletiva.

Obtiveram-se automaticamente as distancias de abertura

do angulo (AOD500 e AOD750, mm- distancia dacor

-nea

a

IriS a500 e 750llJ11doesporao escleral) e areasde espa90 irido-trabecular (TISA500 e TISA750, mm2- area

trapezoidalentre a iris e ac6meadesde 0 esporao esclerala

500 e 750llJ11deste). Paraobten~o das areas do recessodo

angulo (ARA500 e ARA750, mm2- area triangular desde o apex dorecesso do angulo a500e 750!1m do mesmo, a nivel da Ilis eda face c6rneo-escieraJinternal localizou-se manualmente 0apexdorecesso do angulo. Posteriormente

os respetivos valores foram obtidos de forma automatica

(Figura 1a).A lar!:.ruradeCA foi determinada peladistan

-ciaentre osdois esporoes eseleraiscom ajuda dochamber,

assim como a paquimetria central, aprofundidade da CA

e0vault do cristalino.A profundidade daCA foidefinida como a distancia antero-posterior entre 0 endot6lio

cor-neano e aface anterior do cristalino. 0vault docristalino representaadistfmciacentral docristaJino

a

linhaqueune

osdois esporoes, sendo positivose0cristalino for anterior

a

mesmaou negativose posterior (Figma Ia).Quandonao se conseguiu detetar0esporaoescleral naoforamefentadas al1lilisede angulo, medidasdeJargurade CA e dovault do cristalino.Asmedi~oesda espessurada IriSforamefetuadas

tambcmaniveltemporaleperpendicularmente, com ajuda

docaliper, a 500!1mdo esporaoescleral,no centro da iris e

naregiiio mais espessada mesma. 0comprimento foi defi -nidocomo adistancia entre apupila e ainseryao da iris na sua face posterior (Figura Ib).

(4)

A analise estatistica1'oie1'etuadacom 0 SPSS 22.0 para Windows. 0 teste Mann-Whitney 1'oiutilizado para compa-ra~ao da media dasvariaveis continuas entre os dois gru-pos. Nogrupo OCP,1'oideterminado 0 grau de correla~ao entrea varfavelresposta(AVem 10gMAR)eas variaveis de estudo por OCT-SA atraves da detennina930 do coefi-dente de correla~ao de Spearman. Nas variaveis em que havia correla~aocom a variavel respostafoi aillda realizada a.regressao logistica billaria e assim determillado0 Odds Ratio eainda aareasoba curvaROC.Todos os te·stes1'oram 2-tailed e0 valor depinferior a 0,05 1'oiconsiderado esta-tisticamentesigni1icativo.

o

estudo incluiu 27 olhos com OCP(17 crian~as)e 22 olhos sem glaucoma (11 crian~as),ap6s3olhos do grupo OCP teremsido exclufdospor baixa qualidade de imagem devido a nistagmo e baixa visao. Onze doentes eram do sexomasculinoe6 dosexo feminino comparativamentea4 crian9as dosexo masculino e.7 do sexo 1'eminino,nogrupo controlo. Quatrocrian~as apresentavamglaucoma unilate-ralversus13 bilateral.A idade nao diferiuentre osdois gru-pos (grupoOCP:11,39 +/-3,51 anos;grupo controlo:11,62 +/-3,36anos;p>0,05). A PIO1'oimaior (p=0,02)no grupo comglaucoma (14,4 +/-4,1 mmHg) comparativamente ao grupo controlo(12,3 +/- 1.6 ml1lHg).A MAVC 1'oiinferior (p<O,OOl)no grupo OCP(0,56 +/- 0,50 10gMAR) relativa-menteao grupo controlo(0,01 +/- 0,0310gMAR). Todosos doentestinham sidosubmetidosa I ou maisprocedimentos cirUrgicos: goniotomia, trabeculotomia, trabeculectomia commitomicina C e/ouvalvula deAhmed.

Nogrupo OCP foi posslvel observar uma anterioriza9ao da inser~ao iridiana, com diminui9ao/ausencia derecesso

doangulo ou uma desorganiza9ao do angulo que impos

-sibilitava a identifica9ao correta das respetivas estruturas (Figura 2). Visualizou-se tambemuma linha hiperrefletiva na face intema do trabeculo com provavel rela~aocom 0 que se denominava como membranadeBarkan(Figura3a). Foram ainda observados a hipoplasia da iris (Figura 2c), uma goniosinequia, uma 1'endatriangular a nfvel daregiao

do trabeculo em rela~ao com goniotomia, tun pequeno

espa90 hiporefletivo trans-trabecular, em rela9ao com 0 local de trabeculotomia, um espa90 hiporefletivo escleral e iridectomia em rela9ao com local de trabeculectomia e um tubo devalvula de Ahmed intracamerular(Figura3b-f). Relativamente aos parametrosbiometricos da CA e do angulo, detetaram.-se valores medios significativamente supell0res de pro1'undidadecentral (grupo OCP: 4,0 +/-0,5mm; grupo controlo: 3,1 +/- 0,3mm; p<O,OOl) e lar-gurada CA (grupo OCP: 14,1 +/- 1,0mm;grupo controlo: 1l,76 +/- 0,3mm; p<O,OOI)e maiores AOD500 (grupo OCP: 0,8 +/-0,2mm; grupo controlo: 0,55 +/- O,lmm; p<O,OOI), AOD750 (grupo OCP: 1,1 +/-0,2 mm; grupo

controlo:0,8 +/-0,2mm; p=O,OOI),TISASOO(grupo OCP:

0,3 +/- 0,lmm2; grupo controlo:0,2+/-0,lmm2;p<O,001), TISA750 (grupo OCP: 0,5 +/- 0,lmm2; grupo controlo: 0,4 +/- 0,lmm2; p<O,OOI),ARASOO (grupo GCP: 0,3 +/- 0,1 mm2; grupo controlo: 0,2 +/- 0,lmm2; p<O,OOI) e ARA750 (grupo OCP: 0,6 +/- 0,2mm2; grupo controlo:

0,4+/- 0,lmm2; p=O,OOI),nos doentescom OCP.A espes-sura da iris 1'oi sigllificativamente matS fina a 500l1m do angulo (grupo OCP: 0,3 +/- O,lmm; grupo controlo: 0,3 +/-O,lmm;p=0,011), nocentro da iris (grupo OCP:0,3 +/-O,lmm; grupocontrolo:0,4+/-O,lmm;[1<0,001)ena regiao

Fig.21 Imagens deOCT-SA do iingul0 irido-corneano: a) Grupocontrolo: malhatrabecular hipererefietiva..A.locaHzayaodo esporao esderal

i

s

assinalada peJaseta. b) Glaucoma conge.nito primario: anterioriza~uo dainsen;uo dairis, a nivel da malba u'abecuJar

c)Glaucoma congenito primario:desorgal~izayiio do iingulo sendo dincH aindividualizayuo das snas estrutnras, observando-se uma iris hipopJasica.

(5)

Fig. 3I Imagens deOCT-SA de crianyllS com glaucoma cougellito priuuirio: a)liulla hiperefletiva na faceinterruldo trab6culo, com

yrovuvel rela~ao ao quesedenominava como membrana de Barkan (seta) b) sinequiairido-corneana (seta) c) fendatriangular a

niveI da regiao do tmbeculo emreluyao comgoniotomia (seta)d) nmpequeno espayo hiporetletivo trans-trabecular, em relayiio

com0local de trabcculotomia (seta) e) umespuyo hiporefietivo intraesderal (seta) eiridectomia patente (eabeya de seta)em

relayiio comlocaldetrabeculcctomia t) ancI de mediarefietividade si.tuado nacamaraanterior emrela9iiocom tubo devalvula

deAhmed (seta).

maisespessa (grupo GCP: 0,4+1-O,lmm; grupo controlo:

0,5 +/O,lmm; p=O,OOl)no grupo glaucoma, assim como

o comprimento da iris(grupoGCP: 5,0 +1- 0,9mm; grupo

controlo: 3,7 +1- 0,6mm;p<O,001) foisuperior. Apaqui

-metria (grupo GCP: 534,2

+1

-

69,3j.lm;grupo controlo:

531,4 +1- 19,311m;p=0,787) e0 vault docristalino(grupo

GCP: 76,7+1-273,lllm; grupo controlo:-37,7+1-195,4fllD;

1'=0,213)nao diferiramentreosdoisgrupos (Tabela 1).No

grupo GCP n110foi possive! analisar 0 angulo,0 vaultdo

cristalino elargura decamaraanterior em 12olhos,devido

a

grandedimensao dosmesmose/ou

a

nao dete~ao does

po-rooescleral, versus 0olbos no grupo controlo (Figura4).

Em 10 destesolhosa largura de CA foi sempresuperior a

15111111tendo, sido assumida como 15mm.

A1argura de CAe a MAVC em logMAR apresentam

uma correla~ao positiva (r=0,688; p<O,OOl),nao tendo

4! Imagem OCr-SA deuma crianr,;acom glaucoma con

-genito primario, demonstrando um olho de grandes di-mensoes, emquenaofoi possivel cartar toda a camara

(6)

<fabda I Medidas quantitativas dos parametros biomctricos ao OCT-SA entre os olbos do grupo de controlo e os com glaucoma congcllito primario

Paqllimetria(pim) «««««< ««««« < ProfllndidadedaCA (mm) GCP 534,2 +/-69,3 (420 a 690) 4,0 +1-0,5 (3,1a 5,0) 14,1+1- 1,0(12,1 a 15,0) 76,7+1-273,1 (-240 a740) 0,8+/- 0,2 (0,5 a1,1) 1,1 +1-0,2 (0,7 a1,5) 0,3+1-0,1(0,2 a 0,4) 0,5 +1-0,1(0,3 a 0,7) 0,3 +1-0,1(0,2 a0,6) 0,6+1-0,2 (0,3 a0,9) daCA(mm) cristalino(\xrr\) ARA500(mm2) ARA7S0(mm2)

Grupo cOlltrolo Valor

531,4 +1-19,3(500 a 570) 0,787 3,1 +1-0,3 (2,6 a 3,5) <0,001* 11,76+/-0,3 (11,2 a 12,2) <0,001* -37,7 +1-195,4 (-350 a 510) 0,213 0,55 +1-0,1 (0,3 a 0,9) <0,001* 0,8 +1-0,2 (0,4a 1,1) 0,001* 0,2 +1-0,1(0,1-0,3) <0,001* 0,4 +1-0,1 (0,2-0,6) <0,001* 0,2 +1-0,1 (0,1 a 0,4) <0,001* 0,4 +1-0,1 (0,2 a0,7) 0,001* EspesSliramaxima(mm) Espessuracentral(mm) Comprimento (mm) 0,3 +1-0,1(0,2-0,5) 0,4 +1-0,1 (0,2-0,5)

Tabe!;l Z Correla~iio entre asprofundidade e a largura

da camara anterior, osparametros biomctricos

do lingulo eda Iris com a acuidade visual em

10gMAR no grupo de crian~as com glaucoma congcnito primario Profundidadeda<CA daCA AOD500 AOD750 .,<- ---<-TlSA500 TlSA750 ARASOO 0,092 0,401 0,678 0,1l7

CA:cfImrm1f!.(llCl'ior;AOD; disulnda deabertur-u auangulo ll500 00750 IJ-Ill;TISA: arCl!de cspa(,:o

1ridQ~lrodhecuh\f a500Htl 750j.lm;ARA: ,irea den."':(\i,\S,~l11<)ang'ul0 a 500i)\)750~m ,.'Eslalll'ticamcmc signlt'i(AUivo

sido encontrado correlac;ao entre a acuidade visual e as

outras variuveis (p>O,05)(Tabela2).Deacordo comadef

i-nic;aode funrriiovisualdaOrganizac;ao Mnndialde SaudeJ7

foiadmitida como baixavisao uma acuidade visuaI>0,52

IogMAR «3/1

°

Snellen), representando assim urn mau

resultado fnncional. 0 aurnento dalargura da CA cons

-titui urn fator de risco para se atingir urn mau resultado

funcionaI, aumentando em7 vezes mais 0riscopor cada

mmde aumento (Odds ratio=6,97 com intervalode co

n-fianc;a a 95% de 1,70-28,54;p=0,007) (Tabela 3). Tendo

comobaseavariavelrespostabaixavisaoeobtendo-seum

elevado valordeORfoifeint a avaIiarraodo poder discr

i-minativo da largura da CA, Ollseja, qual 0 valor de CA

que podenl.indiciar urnmelhor oupiOTprognostico nestes

doentes. Conc1uiu-seque alargura.daCAIS urnborn teste

para discriminar entre olhos com esem baixa visao (area

sobacurvaROC=O,837,p=O,004)e que, usando0ponto

decorte de13,79mm de laI"gumda CA,obtemos 100%de

sensibilidade e 76,9% de especificidade, ouseja, aprox

i-madamente 100%dos olhos com baixavisiioseraoide

nti-ficados comotal e23,1%dosolhossem baixavisaopode

-riam ser incorret<:lmenteidcntificados como tendo baixa

(7)

Tabc.la sumaria dosresultados daregressao loglstica binllria entre a acuidade visual em logMAR>O,52 e a largura da camara anterior Largura Constante 1.94J -27,592 7,276 7,163 ,007 .007 5,967 ,000 Afe"sobl)CI_

Varlavel(els)ae ruultoao aliillillte: Laroura CI\

S

'

o

.

101"Nato aeCoofl;l0fa 95'10 osslololleob I\sll01611eo LImitelofer!o,t

I

I.:lmlte A'lil;l ElIo,P;ldt5o,' super1o,r .837 .090 .004 ..661 1.1100 Coordellada' dlI WMl VlIJi;ivel(els) de resUl13do deresle: La,gu,a CA

Poslt,vCtn

rnaiCtrou 1·

IQUaJa' SensibUidade eSPliltmd~de

11,\4000 1.000 1.,000 12,18000 1,000 ,an 12,51500 1.000 .&46 IV~&OO(l 1,000 .769 12J/900U '!,(loo ,691 t3.24UUU 1,000 ,615 13.155(1U I,UOO .538 tU75(10 1,000 .462 13,340M LOOU .3l15 13,57500 i.llOO ,3.U8 13.19500 1,000 ,231 13,94000 ,9li ,231 14.11500 ,833 ,2:H 14,38500 >150 .231 14.56500 .667 ,231 1(87000 ,.Sa3 ,231 16,00000 .000 ,(100

a

primeiro estudo publicado de OCT-SA data de 1994 por Izatt et a117, sugetindo-a como boa ferramenta

diagn6s-tica e de seguimento de diversas patologias do segmento

anterior. Desde entao a sua popularidade em Oft almolo-gia tem vindo a crescer, particularmente na medi9iio dos parametros biometricos da camara anterior·1316,J,,31, do angul06•20,24,25,28.33.3e5da fris·),16)9,assim como no diagn

6s-tied' e no seguimento clfnico e cinlrgico··18,31, Em 2012,

Cauduro et at' descrevem a sua aplicabilidade em 19cri an-9as com patologias de segmento anterior, sugerindo a sua validaqao. Na medida do que sabemos ate hoje, nao esul descrito nenhum estudo pOl" OCT-SA em crianqas com

GCP, Segundo a literatura ha uma boa correlaqao quan ti-tativa equalitativa entre as medidas de segmento anterior obtidas por UBM e OCT-SA8, Ao contrfuio da UBM, ju

utilizada na analise do segmento anterior no GCpm, a OCT-SA nao necessita de contacto com 0 globo OCUI<lf,

com consequente aumento do conforto e cooperaqao, assim como da seguran.9a, 0que e particularmente importante em doentes em idade pediatrica. Em termos fisiopatol6gicos, 0

GCP parece dever-se auma anomaJia nodesenvolvimento do angulo irido-corneano caracterizada por wna inser -<;ao antelior da ftis epor uma malha trabecular espessa e compacta 1, anteriormente denominada de membrana de

Barkan". Especllla-se que este aspecto esteja associado ao

(8)

periferica e que seja a causade bloqueio ildrenagemNeste estudo foipossivelcomprovar, nogrupoGCP,aanterior i-za<;aodainser<;aoda iriscomparativamente ilmalhatra be-cular,tal como sugerido pelaliteratural,2,M. as aumentosda

profundidade edo diametro daCA,detetadosl1esteestudo,

foram tambem descritos, embora somente em um doente com glaucomaconge:nit05•a aumeotodas mediasdospara

-metros biometricos da CA e dos parametros biometricos do angulo, nogrupoGCP comparativameote ao controlo,

poderao serconsequencia do aumento daPIa talcomo

e

descrito para0aumentodocomprimento axialeaumento

do diiimetrocomeanolJ Encontra-se tipicamente descrita

uma ausencia de recesso do angulo24, tal como detetado

neste estudo, pelo que0 aumento das mediasdos valores

de ARA,poderao ser explicados por umaumentoda dis

-tancia cornea-iris enao dorecesso do angulo. Adiminuiryao

da espessurada iris,descrita na literatura13.24,e aumentodo

seu comprimento detetados nesteestudo poderao tambem

ser explicados pelomesmo mecanismo, aumentodaPIa. Embora estejadescritauma diminuiryaoda paquimetria ce n-tralem crianryascom glaucomacongenitoI2•14, esse nao foi0 resultado obtidoneste estudo.Nao obstante,a grandevaria -yaodapaquimetria encontradano grupo GCP(420-690~tm) sugere alterayoesda mesma comadoeurya,A existenciados valores paquimetricos elevados nestas crianryaspoden! ser explicada por alterayoesfibroticas secundilrias epela alte -ra<;ao dos parametros biomec.anicosda cornea". Sendo0

GCPuma importante causade cegueiral5, surge como pre-mentea oecessidade de setravara progressaodo mesmo0

mais precocementepossivei.Alem do controlo daPIa, as mediyoes dodiametrocorneanoe do comprimento axiale razao escavayao-disco ternvindoaserutilizadasno segui

-meoto clinicodestesdoentes,sendo indicativosda evoluyiio

ou estabilizayaodo glaucoma9.19,21.27,36. Este estudo slIgere

alargurada CAcomo um hom metodocapazde disclimi·

naroIhos emmaior ou menor risco deviremater lIm mau

desfecho visual, sendo 13,79mm0 valor cntico. Ainda, a

cada aumento de 1mm de largurade CA,haumaumento

do risco em cercade7 vezesde seobter urnmallresultado

fuociona!. Amedic;:aoda largura da CApor OCT-SApode,

por isso, ser usadapara a monltorizayao daprogressao do

GCP, padendo ter implicayocsnadecisao terapelltica. As

altera90es estruturais encontradas nos locais de interven

-«ao cirurgica por OCT-SAassemelham-se asdescritas por UBMIO.Sugere-se assim0usodaOCT-SA no glaucoma congenito paraadetec;:aodotipoelocaliza<raodecirurgias previas e seuseguimento, tal como foi sugeridopOl'Cau -duroel

or

enacirurgia de glaucoma em adultos4.18• Au

ti-Iizayuo daOCT-SA, emcrianyas comGCP, tem algumas limjtaryOescomo a ausencia de informayao sobre 0 corpo

ciliar(ao contrano da OHM) ea porvezes insuficiente lar

-gurade aquisiyaode imagem. Apresenc;:adenistagmo e a baixavisaodificultamtambemaobtenyao deuma imagem

centrada e portantode malor qualidade,no entantosomeote

3olhos tiveram deser excluidos. A colaborayao dascriall -yastambem eniuma preocupayao,mas estanao impediua aquisiyao dasimagens.

Comolimita90esdo presente estudoapontam-se a idade

das crianyas ser acima dos 4 anos deidade e a assunc;:ao

por defeito do valor delargura de CAnosolhosde maiores

dimens5es.Como0esporaoescleral nao e facildese ide

o-tificar nestas crian9as e

e

dependenteda experiencia do op

e-rador, asmedic;:oesdependentes dasua localizayao podem

apresentar lImvies.

I:nstrumentosportateis quepermitam 0sell uso intra

--operatorio, tal com9descrito na cirurgia de catarata, nos

transplantes lamelares22.3oena avaliayao porOCT doseg

-mento posteriornuma Criallyacom nistagmo32, e uma maior

largura decaptayaOde imagem poderao ajudar a colmatar

asdificuldades ainda existentes.

Este primeiro estudo com OCT-SA em crianyas com GCPreveIoualterayoesestruturais importantes anivel do

angulo irido-comeano, dacamara anterioredairisemo

s-trou-se capaz de identificar 0 local de interveoyiio cirfu

-gica.Amediryaodalargura daCA

e

urn metodo capazde

discrirninar olhos em maior ou menor riscode virem ater

ummau desfecho visual,sendo13,79mm0valorcntico. A cadaaumento de lmm delargura0risco aumenta cerca de

7 vezes.

AOCT-SAe um metodo de imagem nao-invasivo, de

aqllisiyao relativameotefacH em crianyas, quepodent a

ju-dar a monitorizar aprogressao dadoel19a,serreIevante no

seguimento cinirgicoe ser utilcomo fator prognostico des

-tesdoentes.

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0& oUloresoao ternqu.lisquer interesses financeiro&com este trab(l.lbo. Bstearligo

e

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Imagem

Fig. ) I Detenninayiio semi-automatica e quantitativa dos parametros biometricos: a) paquinletria
Fig. 21 Imagens de OCT-SA do iingul0 irido-corneano: a) Grupo controlo: malha trabecular hipererefietiva .
Fig. 3 I Imagens de OCT-SA de crianyllS com glaucoma cougellito priuuirio: a) liulla hiperefletiva na face interrul do trab6culo, com yrovuvel rela~ao ao que se denominava como membrana de Barkan (seta) b) sinequia irido-corneana (seta) c) fenda triangular

Referências

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