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Modelos de dímeros em redes planares mistas

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Academic year: 2021

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(1)UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE ˆ CENTRO DE CIENCIAS EXATAS E DA TERRA - CCET ´ ´ DEPARTAMENTO DE FISICA TEORICA E EXPERIMENTAL - DFTE ´ ˜ PROGRAMA DE POS GRADUAC ¸ AO EM F´ISICA - PPGF. Modelos de D´ımeros em Redes Planares Mistas IVANDSON PRAEIRO DE SOUSA. NATAL-RN Fevereiro de 2016.

(2) IVANDSON PRAEIRO DE SOUSA. Modelos de D´ımeros em Redes Planares Mistas. Disserta¸c˜ ao apresentada ao Programa de P´ os-Gradua¸c˜ ao em F´ısica do Departamento de F´ısica Te´ orica e Experimental da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito parcial para a obten¸c˜ ao do grau de Mestre em F´ısica. Orientador: Prof. Alexandre da Costa. NATAL-RN Fevereiro de 2016. Dr.. Francisco.

(3) UFRN / Biblioteca Central Zila Mamede Catalogação da Publicação na Fonte Sousa, Ivandson Praeiro de. Modelos de dímeros em redes planares mistas / Ivandson Praeiro de Sousa. - Natal, RN, 2016. 60 f. : il. Orientador: Prof. Dr. Francisco Alexandre da Costa. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Centro de Ciências Exatas e da Terra. Programa de PósGraduação em Física. 1. Dímeros - Dissertação. 2. Modelos solúveis - Dissertação. 3. Técnica das Pfaffianas - Dissertação. 4. Resultados exatos Dissertação. 5. Transições de fases - Dissertação. I. Costa, Francisco Alexandre da. II. Título. RN/UF/BCZM. CDU 563.7:541.6.

(4) ´ DEDICATORIA. ` minha esposa Glˆenya e ao nosso filho Kim. A Aos meus pais..

(5) AGRADECIMENTOS. ` minha esposa, por me apoiar sempre e me auxiliar durante minha jornada acadˆemica. A Ao meu orientador, professor Dr. Francisco Alexandre da Costa, pela sua dedica¸c˜ao e pelo seu comprometimento..

(6) Resumo Neste trabalho apresentamos solu¸c˜oes para modelos de d´ımeros em redes planas mistas, obtidas atrav´es do m´etodo combinat´orio. Neste m´etodo a fun¸c˜ao de parti¸c˜ao ´e determinada a partir da pfaffiana associada ao problema. Em particular foram determinadas, no limite termodinˆamico, as densidades de energia livre para redes 4-6, 3-6 e 3-4. Al´em da densidade de energia livre para cada caso, calculamos tamb´em a liberdade molecular e a densidade de entropia no limite de altas temperaturas. Foram tratados trˆes tipos diferentes de redes 4-6, dois dos quais apresentam transi¸co˜es de fases. Mostramos tamb´em dois tipos de redes 3-6 que possuem comportamentos cr´ıticos parecidos com os casos das redes 4-6 discutidos neste trabalho. A rede 3-4 ´e geometricamente semelhante a` rede triangular, por´em apresentando comportamento cr´ıtico diferente. Em todos os casos, investigamos numericamente o comportamento da densidade de energia livre e suas duas primeiras derivadas, com a finalidade de compreender melhor o comportamento termodinˆamico do sistema. Revisamos tamb´em alguns resultados j´a apresentados na literatura para as redes quadrada, hexagonal, triangular e para a rede 4-8, usando a abordagem combinatorial das pfaffianas. Palavras-Chave: D´ımeros; Modelos sol´ uveis; T´ecnica das Pfaffianas; Resultados Exatos; Transi¸c˜oes de Fases..

(7) Abstract In this study we present solutions for dimer models in mixed planar lattices, obtained from combinatorial method. In this method the partition function is obtained from the pfaffian associated with the problem. Particularly, in the thermodynamic limit, the free energy densities for 4-6, 3-6 and 3-4 lattices were determined. Besides the determination of the free energy for each case, we also computed the molecular freedom and the density of entropy in the high temperature limit. We considered three types of distinct 4-6 lattices, in which two of them exhibit phase transition. We also discuss the solutions for two types of 3-6 lattices which exhibit critical behavior similar to the 4-6 lattices cases discussed in the present work. The 3-4 lattice is geometrically similar to the triangular lattice problem, but presents distinct critical behavior. In all cases, we study numerically the behavior of free energy density as well as the behavior of its first derivatives, in order to better understand the thermodynamic behavior of the corresponding system. We also revise some results already presented in literature for the square, hexagonal, triangular and the mixed 4-8 lattices, treated by the pfaffian combinatorial approach. Keywords: Dimers, Solved Models; Pfaffian Techniques; Exact Results; Phase Transitions..

(8) LISTA DE FIGURAS. 1.1 1.2. Diagrama de fases para um fluido simples [google search] . . . . . . . . . . Diagrama de fases para um sistema ferromagn´etico uniaxial simples [google search] . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 7 8. 2.1 2.2 2.3 2.4 2.5 2.6 2.7 2.8 2.9 2.10 2.11 2.12 2.13 2.14. Exemplo de uma configura¸ca˜o d´ımero numa rede plana quadrada [Kenyon, 2006]. 10 Exemplo de uma configura¸ca˜o d´ımero numa rede plana hexagonal [Kenyon, 2004]. 11 Rede retangular com respectiva orienta¸c˜ao pfaffiana . . . . . . . . . . . . . 14 Rede hexagonal com respectiva orienta¸c˜ao pfaffiana . . . . . . . . . . . . . 16 C´elulas unit´arias para a rede hexagonal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 Energia livre da rede hexagonal em fun¸c˜ao de z. . . . . . . . . . . . . . . . 18 C´elulas unit´arias para a rede triangular. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 Energia livre da rede triangular em fun¸c˜ao de z. . . . . . . . . . . . . . . . 20 Entropia dos d´ımeros adsorvidos na rede triangular em fun¸ca˜o de z. . . . . 21 Calor espec´ıfico dos d´ımeros adsorvidos na rede triangular em fun¸ca˜o de z. 21 Rede 4-8 com as c´elulas b´asicas de interesse. . . . . . . . . . . . . . . . . . 23 Energia livre da rede 4-8 em fun¸ca˜o de z. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 Entropia dos d´ımeros adsorvidos na rede 4-8 em fun¸ca˜o de z. . . . . . . . . 25 Calor espec´ıfico dos d´ımeros adsorvidos na rede 4-8 em fun¸ca˜o de z. . . . . 26. 3.1 3.2 3.3 3.4. Rede 4-6 formato 1 com orienta¸co˜es. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Energia livre da rede 4-6 formato 1 em fun¸ca˜o de z. . . . . . . . . . . . . Entropia dos d´ımeros adsorvidos na rede 4-6 formato 1 em fun¸ca˜o de z. . Calor espec´ıfico dos d´ımeros adsorvidos na rede 4-6 formato 1 em fun¸c˜ao de z. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Rede 4-6 formato 2 com orienta¸co˜es . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Energia livre da rede 4-6 formato 2 em fun¸ca˜o de z. . . . . . . . . . . . . Entropia dos d´ımeros adsorvidos na rede 4-6 formato 2 em fun¸ca˜o de z. . Calor espec´ıfico dos d´ımeros adsorvidos na rede 4-6 formato 2 em fun¸c˜ao de z. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Rede 4-6 formato 3 com cinco tipos de fugacidade. . . . . . . . . . . . . . Rede 4-6 formato 3 com trˆes tipos de fugacidade. . . . . . . . . . . . . . Energia livre da rede 4-6 formato 3 (fig. 3.9) em fun¸ca˜o de z. . . . . . . . Entropia dos d´ımeros adsorvidos na rede 4-6 formato 3 (fig. 3.9) em fun¸ca˜o de z. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Calor espec´ıfico dos d´ımeros adsorvidos na rede 4-6 formato 3 (fig. 3.9) em fun¸ca˜o de z. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 3.5 3.6 3.7 3.8 3.9 3.10 3.11 3.12 3.13. 1. . 28 . 30 . 30 . . . .. 31 31 34 34. . . . .. 35 36 38 39. . 39 . 40.

(9) 4.1 4.2 4.3 4.4. Rede 3-6 formato 1 com orienta¸co˜es. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Energia livre da rede 3-6 formato 1 em fun¸ca˜o de z. . . . . . . . . . . . . Entropia dos d´ımeros adsorvidos na rede 3-6 formato 1 em fun¸ca˜o de z. . calor espec´ıfico dos d´ımeros adsorvidos na rede 3-6 formato 1 em fun¸c˜ao de z. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4.5 Rede 3-6 formato 2 com orienta¸co˜es. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4.6 Energia livre da rede 3-6 formato 2 em fun¸ca˜o de z. . . . . . . . . . . . . 4.7 Entropia dos d´ımeros adsorvidos na rede 3-6 formato 2 em fun¸ca˜o de z. . 4.8 Calor espec´ıfico dos d´ımeros adsorvidos na rede 3-6 formato 2 em fun¸c˜ao de z. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4.9 Rede 3-4 formato 1 com orienta¸co˜es e c´elulas unit´arias. . . . . . . . . . . 4.10 Energia livre da rede 3-4 formato 1 em fun¸c˜ao de z. . . . . . . . . . . . . 4.11 Entropia da rede 3-4 formato 1 em fun¸ca˜o de z. . . . . . . . . . . . . . . 4.12 Calor espec´ıfico da rede 3-4 formato 1 em fun¸ca˜o de z. . . . . . . . . . .. 2. . 42 . 44 . 44 . . . .. 45 45 47 47. . . . . .. 48 49 50 51 51.

(10) LISTA DE TABELAS. 1.1 1.2. Exemplos de Expoentes Cr´ıticos de Sistemas Fluidos [Yeomans, 1992]. . . . Exemplos de Expoentes Cr´ıticos de Sistemas magn´eticos [Yeomans, 1992]. .. 2.1. Quadro comparativo dos resultados obtidos para as redes retangular, hexagonal, triangular e 4-8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26. 3.1. Quadro comparativo dos resultados obtidos para as redes 4-6. . . . . . . . 38. 4.1. Quadro comparativo dos resultados obtidos para as redes 3-6 e 3-4. . . . . 51. 5.1. Quadro comparativo geral dos resultados obtidos em todo o trabalho. . . . 53. 3. 8 9.

(11) ´ SUMARIO. 1 Introdu¸c˜ ao 1.1 Transi¸co˜es de Fase e Fenˆomenos Cr´ıticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.1.1 Diagramas de Fase . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1.1.2 Expoentes Cr´ıticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 D´ımeros em Redes Bidimensionais 2.1 D´ımeros em Redes Planas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.2 A Pfaffiana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.3 Caracter´ısticas das Transi¸co˜es de Fase em Sistemas D´ımeros 2.4 D´ımeros na rede retangular . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.5 D´ımeros na rede hexagonal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.6 D´ımeros na rede triangular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.7 D´ımeros na rede 4-8 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 5 6 7 8. . . . . . . .. 10 10 11 13 14 15 19 23. 3 D´ımeros em Redes 4-6 3.1 Rede 4-6 Formato 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.2 Rede 4-6 Formato 2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.3 Rede 4-6 Formato 3 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 27 27 30 35. 4 D´ımeros em Redes 3-6 e 3-4 4.1 Rede 3-6 Formato 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4.2 Rede 3-6 Formato 2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4.3 Modelo de d´ımeros na rede 3-4 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. 41 41 44 49. 5 Considera¸c˜ oes Finais. 52. 4. . . . . . . .. . . . . . . .. . . . . . . .. . . . . . . .. . . . . . . .. . . . . . . .. . . . . . . ..

(12) CAP´ITULO. 1 ˜ INTRODUC ¸ AO. Os modelos de d´ımeros tˆem sido estudados desde a d´ecada de 1940, quando do seu surgimento no contexto da adsor¸c˜ao de mol´eculas diatˆomicas num substrato bidimensional [Fowler and Rushbrooke, 1937, Bhattacharjee et al., 1989]. Duas d´ecadas depois surgiu um m´etodo de solu¸ca˜o exata dos modelos de d´ımeros em redes planas baseado na t´ecnica de pfaffianas, uma grandeza definida para calcular o determinante da matriz adjacˆencia associada ao grafo que representa a rede na qual os d´ımeros seriam adsorvidos. Desde ent˜ao, diversas solu¸co˜es desses modelos em redes bidimensionais foram propostas, muitas delas apresentando comportamento cr´ıtico, consolidando ent˜ao os modelos de d´ımeros como um dos modelos estat´ısticos simples, por´em n˜ao triviais, a apresentar transi¸c˜oes de fase. O termo d´ımero se refere a uma mol´ecula diatˆomica no tratamento de adsor¸ca˜o de um g´as molecular em uma superf´ıcie cristalina [Robertson, 1993]. Dito de outra forma, um d´ımero ´e um pol´ımero com apenas dois ´atomos [Kenyon and Okounkov, 2005]. Os modelos de d´ımeros em redes planas simulam portanto o comportamento termodinˆamico de um g´as, por exemplo, que interage com uma superf´ıcie bidimensional. [Bhattacharjee et al., 1989] Em 1961, em trabalhos pioneiros e independentes, Kasteleyn [Kasteleyn, 1961], Temperley [Temperley and Fisher, 1961] e Fisher [Fisher, 1961] mostraram que o fator de contagem associado ao n´ umero de configura¸c˜oes poss´ıveis associadas aos d´ımeros adsorvidos numa rede plana poderia ser calculado com o aux´ılio da teoria dos grafos, em particular, usando o m´etodo da pfaffiana da matriz adjacˆencia. Esses mesmos trabalhos j´a continham as primeiras solu¸co˜es dos modelos de d´ımeros na rede retangular. Posteriormente foram publicados tamb´em trabalhos contendo a solu¸c˜ao para a rede hexagonal [Bhattacharjee et al., 1989]. Com a aplica¸c˜ao do m´etodo combinat´orio da pfaffiana ´e poss´ıvel determinar a fun¸ca˜o de parti¸ca˜o associada ao modelo. Um importante teorema em teoria dos grafos, devido a Kasteleyn, afirma que todo grafo plano tem pelo menos uma orienta¸ca˜o pfaffiana. Uma orienta¸ca˜o pfaffiana de um grafo plano ´e aquela para a qual o n´ umero de configura¸co˜es de d´ımeros poss´ıveis em um grafo ´e dado pela pfaffiana da matriz adjacˆencia a ele associada. A orienta¸c˜ao pfaffiana ´e necess´aria para que termos equivalentes na pfaffiana e na contagem das configura¸co˜es d´ımero tenham o mesmo sinal, uma vez que existe uma corespondˆencia de 1 para 1 entre estas duas expans˜oes (isto ´e, a expans˜ao da pfaffiana e a dos termos referentes a cada configura¸ca˜o d´ımero poss´ıvel). [Lavis and Bell, 1999, Montroll, 1964, Ocansey, 2012] Com o teorema de Kasteleyn, ficou evidenciado que todo modelo de d´ımeros em qualquer rede planar possui solu¸c˜ao exata. A aplica¸ca˜o do m´etodo combinat´orio ao modelo de d´ımeros resulta geralmente numa express˜ao para a densidade de energia livre, em termos de integrais duplas, t´ıpica desses modelos. Algumas vezes uma das duas integrais pode 5.

(13) ser resolvida analiticamente e esta solu¸ca˜o gera, em geral, as singularidades apresentadas pelo modelo. [Fan and Wu, 1970, Bhattacharjee et al., 1989, Wu, 2006] De acordo com [Bhattacharjee et al., 1989], as singularidades dos modelos de d´ımeros s˜ao, em geral, do tipo O ou do tipo K. O tipo O (por Onsager), se refere a`s singularidades logaritmicas no calor espec´ıfico, como ocorre na solu¸ca˜o de Onsager para o modelo de Ising bidimensional com campo externo nulo. O tipo K (por Kasteleyn), se refere a uma singularidade na qual o calor espec´ıfico diverge como o inverso da raiz quadrada de T − Tc para T > Tc , enquanto para T < Tc o sistema possui um calor espec´ıfico finito. [Fan and Wu, 1970, Bhattacharjee et al., 1989, Wu, 2006], [Pokrovsky and Talapov, 1979] O objetivo deste trabalho ´e investigar a ocorrˆencia de transi¸co˜es de fase em algumas redes planares para as quais n˜ao encontramos registro de tratamento de modelo de d´ımeros na literatura, a saber, as redes 4-6, 3-6 e 3-4. Para tanto, empregamos um m´etodo combinat´orio de solu¸ca˜o exata baseado na pfaffiana da matriz adjacˆencia que est´a associada ao grafo que representa a rede planar. Em cada caso, encontramos express˜oes para a densidade de energia livre do modelo. Investigamos numericamente o comportamento desta grandeza, juntamente com suas duas primeiras derivadas, evidenciando as divergˆencias no calor espec´ıfico de cada modelo. Apresentamos tamb´em o mesmo tratamento para redes j´a discutidas na literatura, as redes retangular, hexagonal, triangular e 4-8.. 1.1. Transi¸c˜ oes de Fase e Fenˆ omenos Cr´ıticos. De modo geral, uma transi¸ca˜o de fases ´e uma mudan¸ca de um estado da mat´eria para outro e ocorrem numa grande variedade de sistemas tais como fluidos, materiais magn´eticos, materiais ferroel´etricos, ligas met´alicas, supercondutores, cristais l´ıquidos, dentre outros. As transi¸co˜es l´ıquido-g´as e paramagn´etica-ferromagn´etica talvez sejam as mais antigas j´a tratadas [Stanley, 1971]. A causa de uma transi¸ca˜o de fases ´e a varia¸c˜ao de alguns parˆametros termodinˆamicos como temperatura, press˜ao, campo magn´etico, volume, dentre outros. O que exatamente acontece a n´ıvel microsc´opico depende dos detalhes do sistema, de modo que n˜ao existe um tratamento geral poss´ıvel para esses fenˆomenos [Binney et al., 1992]. Uma transi¸ca˜o de fases ´e sinalizada por uma singularidade na energia livre ou por uma divergˆencia numa de suas derivadas. Dizemos ent˜ao que as fases termodinˆamicas da grandeza f´ısica em estudo s˜ao separadas pelo ponto cr´ıtico e classificadas de acordo com a ordem da derivada que diverge ou ´e singular. [Salinas, 1997, Yeomans, 1992]. Dentre os modelos cl´assicos estabelecidos para tratar do comportamento cr´ıtico de sistemas fluidos e magn´eticos podemos citar a teoria de Van Der Waals para os fluidos e a teoria de Curie-Weiss para an´alise do comportamento da transi¸c˜ao ferromagn´etica. As chamadas teorias cl´assicas das transi¸co˜es de fases [Landau and Lifshitz, 1980] sofreram altera¸co˜es desde meados do s´eculo XX, a partir de quando o comportamento das derivadas termodinˆamicas nas vizinhan¸cas do ponto cr´ıtico passou a ser tratado como leis de potˆencia, conforme j´a sugerira os experimentos realizados na criticalidade de sistemas fluidos e magn´eticos, gerando um conjunto de expoentes cr´ıticos que descrevem a transi¸c˜ao de fase. [Salinas, 1997] Na regi˜ao cr´ıtica, determinadas derivadas termodinˆamicas, as chamadas fun¸co˜es resposta, podem apresentar um comportamento singular, o que caracteriza o ponto cr´ıtico associado a` transi¸ca˜o. Como exemplos, podemos citar a divergˆencia na suscetibilidade magn´etica na transi¸ca˜o ferromagn´etica, o que faz com que o sistema entre numa configura¸ca˜o conhecida como fase ordenada, que no caso de spin 1/2 significa que numa das fases o alinhamento de spins vizinhos ´e favorecido, a divergˆencia no volume ou na entropia em sistemas fluidos, sendo que uma divergˆencia na entropia molar indica que 6.

(14) o sistema recebe energia por meio de calor enquanto sua temperatura permanece invari´avel, ou ainda as divergˆencias no calor espec´ıfico ou na compressibilidade de um fluido. [de Oliveira, 2005, Salinas, 1997]. Os experimentos com sistemas fluidos e magn´eticos na regi˜ao cr´ıtica mostraram que grandezas termodinˆamicas an´alogas, como a compressibilidade de um fluido e a suscetibilidade magn´etica de um material magn´etico apresentam um comportamento semelhante nas vizinhan¸cas do ponto cr´ıtico, o que resultou na descri¸ca˜o das grandezas que apresentavam divergˆencias por meio de um exponte cr´ıtico que ´e o mesmo para as grandezas an´alogas. Isto representa o surgimento da teoria moderna das transi¸c˜oes de fase, que, al´em de tudo que j´a se sabia sobre criticalidade at´e meados do s´eculo XX, passou a contar tamb´em com teorias como universalidade e grupo de renormaliza¸ca˜o. [de Oliveira, 2005, Salinas, 1997, Yeomans, 1992].. 1.1.1. Diagramas de Fase. As grandezas termodinˆamicas ditas intensivas, como a temperatura e a press˜ao, s˜ao assim chamadas pois seus valores independem do tamanho do sistema. Essas grandezas s˜ao tamb´em chamadas campos termodinˆ amicos. Grandezas como o calor espec´ıfico, a compressibilidade isot´ermica ou a suscetibilidade magn´etica s˜ao denominadas fun¸co˜es resposta. No caso de um sistema fluido, por exemplo, a equa¸c˜ao de estado relaciona as vari´aveis P, V e T , o que define um espa¸co tridimensional P − V − T . O mesmo ocorre para um paramagneto cujos momentos tˆem apenas duas orienta¸co˜es poss´ıveis, ao longo de um u ´nico eixo. Neste caso, a equa¸ca˜o de estado forma uma superf´ıcie tridimentional H − M − T , onde H ´e o campo magn´etico aplicado e M ´e a magnetiza¸c˜ao do sistema. As proje¸co˜es desses espa¸cos tridimensionais nos planos P − T e H − T , por exemplo, formam os chamados diagramas de fases para a substˆancia em estudo - no primeiro caso um fuido e no segundo um material paramagn´etico. [de Oliveira, 2005, Salinas, 1997, Stanley, 1971], Um diagrama de fase pode ser obtido mesmo quando n˜ao existe uma equa¸c˜ao de estado ligando as vari´aveis de interesse (s˜ao poucos os casos para os quais existe essa equa¸ca˜o, como por exemplo a lei dos gases ideais e a equa¸ca˜o de estado do paramagneto). Este diagrama ´e sempre formado pela rela¸ca˜o entre duas grandezas termodinˆamicas intensivas num plano bidimensional. Tal representa¸ca˜o plana recebe esse nome pois mostra a criticalidade do sistema (caso exista), exibindo portanto a separa¸ca˜o entre as fases termodinˆamicas da substˆancia. [de Oliveira, 2005, Salinas, 1997, Stanley, 1971, Yeomans, 1992]. Alguns exemplos de diagramas de fase est˜ao ilustrados nas figuras abaixo:. Figura 1.1: Diagrama de fases para um fluido simples [google search]. 7.

(15) Figura 1.2: Diagrama de fases para um sistema ferromagn´etico uniaxial simples [google search]. 1.1.2. Expoentes Cr´ıticos. Atualmente o comportamento cr´ıtico de sistemas termodinˆamicos s˜ao estudados com base em uma quantidade f´ısica denominada parˆametro de ordem. Esta quantidade ´e assim chamada pois define a separa¸ca˜o entre as duas fases apresentadas pelo sistema. No caso de sistemas magn´eticos, o parˆametro de ordem separa as fases ordenada e desordenada (este sendo o motivo da denomina¸c˜ao). Esse parˆametro ´e nulo em uma das fases e n˜ao nulo na outra, duas caracter´ısticas separadas pelo ponto cr´ıtico, o qual sinaliza a transi¸ca˜o. Na transi¸ca˜o l´ıquido-g´as, por exemplo, o parˆametro de ordem ´e a diferen¸ca entre as densidades do l´ıquido e do g´as, ρL − ρG , que vai a zero continuamente quando percorremos a linha de coexistˆencia l´ıquido-g´as, anulando-se no ponto cr´ıtico, al´em do qual ´e poss´ıvel mover-se continuamente do estado l´ıquido para o estado gasoso do fluido. O parˆametro de ordem da transi¸ca˜o ferromagn´etica ´e a magnetiza¸ca˜o m´edia do sistema, M , que semelhantemente ao que ocorre com a coexistˆencia l´ıquido-g´as, vai a zero continuamente ao se aproximar do ponto cr´ıtico, anulando-se em cima deste ponto. [de Oliveira, 2005, Binney et al., 1992, Salinas, 1997, Stanley, 1971, Yeomans, 1992]. Na era moderna dos fenˆomenos cr´ıticos, isto ´e, a partir da segunda metade do s´eculo XX, percebeu-se que o parˆametro de ordem dos sistemas termodinˆamicos variam como leis de potˆencia do desvio da temperatura relativamente a` temperatura cr´ıtica nas proximidades do ponto cr´ıtico. Ficou evidente tamb´em, a partir de ent˜ao, que os expoentes cr´ıticos s˜ao quantidades de suma relevˆancia no estudo da forma da divergˆencia assint´otica das quantidades que divergem nas proximidades da transi¸ca˜o. A relevˆancia do estudo desse conjunto de expoentes cr´ıticos se tornou ainda mais evidente quando se percebeu que grandezas an´alogas em sistemas diferentes caem com o mesmo valor de expoente cr´ıtico, independentemente da natureza do sistema, o que deu origem a`s classes de universalidade. [Binney et al., 1992, Salinas, 1997, Stanley, 1971, Yeomans, 1992]. Alguns exemplos de expoentes cr´ıticos de sistemas fluidos e magn´eticos est˜ao ilustrados na figura abaixo: Calor espec´ıfico a volume constante Cv Diferen¸ca entre as densidades do sistema l´ıquido-g´as Compressibilidade isot´ermica Isoterma cr´ıtica (t = 0) Comprimento de correla¸ca˜o Fun¸c˜ao de correla¸ca˜o em Tc. Cv ∼ |t|−α (ρl − ρg ) ∼ (−t)β κT ∼ |t|−γ P − Pc ∼ |ρl − ρg |δ sgn(ρl − ρg ) ξ ∼ |t|−ν G(~r) ∼ 1/rd+2+η. Tabela 1.1: Exemplos de Expoentes Cr´ıticos de Sistemas Fluidos [Yeomans, 1992].. 8.

(16) Calor espec´ıfico a campo nulo Magnetiza¸ca˜o a campo nulo Suscetibilidade isot´ermica a campo nulo Isoterma cr´ıtica (t = 0) Comprimento de correla¸ca˜o Fun¸c˜ao de correla¸ca˜o em Tc. CH ∼ |t|−α M ∼ (−t)β χT ∼ |t|−γ H ∼ |M |δ sgn(M ) ξ ∼ |t|−ν G(~r) ∼ 1/rd+2+η. Tabela 1.2: Exemplos de Expoentes Cr´ıticos de Sistemas magn´eticos [Yeomans, 1992]. Os expoentes cr´ıticos n˜ao s˜ao independentes [Stanley, 1971]. De fato, diversas rela¸co˜es entre essas quantidades podem ser obtidas a partir de propriedades termodinˆamicas do sistema, como por exemplo a estabilidade termodinˆamica, convexidade da energia livre, dentre outras. Uma delas, devida a Rushbrooke [Stanley, 1971], segue da rela¸c˜ao entre o calor espec´ıfico calculado mantendo-se o campo magn´etico ou a magnetiza¸ca˜o constante: 2  ∂M (1.1) χT (CH − CM ) = T ∂T H Como CM ≥ 0, ent˜ao T CH ≥ χT. . ∂M ∂T. 2. (1.2). H. Usando as defini¸c˜oes dos expoentes na express˜ao acima, a seguinte desigualdade deve ser obedecida: α + 2β + γ ≥ 2. (1.3). Uma outra desigualdade, que pode ser obtida a partir das propriedades de convexidade da energia livre, ´e a seguinte: α + β(1 + δ) ≥ 2. (1.4). As vari´aveis termodinˆamicas das fun¸c˜oes de correla¸ca˜o levam tamb´em a algumas desigualdades, como as mostradas abaixo [Stanley, 1971]: γ ≤ (2 − η)ν. (1.5). dν ≥ 2 − α,. (1.6). dentre outras. As rela¸co˜es entre os expoentes cr´ıticos s˜ao geralmente satisfeitas como igualdades, conforme apresentado em [Stanley, 1971] e [Yeomans, 1992].. 9.

(17) CAP´ITULO. 2 D´IMEROS EM REDES BIDIMENSIONAIS. Neste cap´ıtulo revisamos o comportamento dos d´ımeros em redes planares como a rede retangular e a rede hexagonal, al´em do c´alculo da energia livre para uma rede plana qualquer.. 2.1. D´ımeros em Redes Planas. Os modelos de d´ımeros fazem parte de uma classe de modelos que possuem solu¸c˜oes exatas conhecidas, a exemplo do modelo de Ising bidimensional com campo magn´etico externo nulo. Como visto antes, dizer que os modelos de d´ımeros em redes planas possuem solu¸ca˜o exata ´e equivalente a dizer que a fun¸ca˜o de parti¸ca˜o dos d´ımeros adsorvidos pode ser determinada. [Fisher, 1961, Casagrande, 2009, Kasteleyn, 1961, Kasteleyn, 1963] O problema de d´ımeros numa rede bi ou tridimensional ´e um problema combinat´orio, ou mais precisamente, um problema de arranjo, definido como se segue. Para uma dada rede, um d´ımero ´e representado por um conjunto de dois s´ıtios, ligados por uma haste r´ıgida (que na verdade ´e uma liga¸c˜ao da rede) submetidos `a restri¸ca˜o de que todo s´ıtio est´a ligado a apenas um vizinho, isto ´e, a cada v´ertice corresponde apenas uma liga¸ca˜o. Nesse sentido, no contexto da mecˆanica estat´ıstica, resolver o modelo de d´ımeros numa rede plana significa enumerar de quantas maneiras as part´ıculas que constituem o sistema (geralmente um g´as) podem ocupar a rede regular respeitanto a restri¸c˜ao dada acima. Exemplos de configura¸c˜oes d´ımero s˜ao dados nas figuras 2.1. [Fisher, 1961, Casagrande, 2009, Kasteleyn, 1961, Kasteleyn, 1963, Temperley and Fisher, 1961]. Figura 2.1: Exemplo de uma configura¸ca˜o d´ımero numa rede plana quadrada [Kenyon, 2006].. 10.

(18) Figura 2.2: Exemplo de uma configura¸c˜ao d´ımero numa rede plana hexagonal [Kenyon, 2004]. Dada uma rede plana de s´ıtios, a fun¸ca˜o de parti¸c˜ao dos d´ımeros ´e determinada atrav´es do n´ umero de configura¸co˜es d´ımero poss´ıveis para para um dado n´ umero de d´ımeros na rede, com cada tipo de liga¸ca˜o tendo uma energia associada ǫb , onde b denota o tipo da liga¸ca˜o (por exemplo, vertical, horizontal, etc.). A energia dos d´ımeros adsorvidos numa rede com diversos tipos diferentes de liga¸ca˜o e a fun¸ca˜o de parti¸ca˜o associada s˜ao dados respectivamente por X E= ǫb (2.1) b. Z({Nb }) =. X C. gC ({Nb }) exp −β. X b. ǫb. !. =. X C. gC ({Nb }). Y. zbNb ,. (2.2). b. com zb = e . {Nb } denota o conjunto formado pelas quantidades de cada tipo de liga¸ca˜o que comp˜oe a rede e gC ({Nb }) representa a multiplicidade dos estados d´ımero para determinada configura¸ca˜o. −βǫb. 2.2. A Pfaffiana. Os modelos de d´ımeros em redes planas podem ser estudados no contexto da teoria dos grafos, sendo a rede formada pelos d´ımeros representada por um grafo plano que est´a topologicamente relacionado com a rede em estudo, isto ´e, um grafo com a restri¸ca˜o de que n˜ao pode haver cruzamento de liga¸co˜es. Esta ´e portanto a defini¸ca˜o do problema de d´ımeros na linguagem da teoria dos grafos [Kenyon, 2004, Kenyon, 2006]. Nesse sentido, uma rede plana, isto ´e, um grafo plano, pode ser representado por sua matriz adjacˆencia, uma matriz cujas entradas ai,j representam o n´ umero de liga¸co˜es entre os v´ertices i e j que comp˜oem o grafo. Dessa forma, pode-se perceber que as entradas da matriz adjacˆencia associada ao grafo que representa os d´ımeros numa rede plana podem assumir apenas os valores 0 ou 1. [Casagrande, 2009], [Kasteleyn, 1961, Kasteleyn, 1963] Na d´ecada de 1960, o f´ısico holandˆes P. Kasteleyn estudou os modelos de d´ımeros no contexto da teoria dos grafos. Devido `a semelhan¸ca entre os termos que aparecem na contagem das poss´ıveis configura¸c˜oes d´ımero num grafo plano e os termos n˜ao nulos que aparecem na expans˜ao do determinante, pareceu em princ´ıpio haver uma rela¸ca˜o entre o n´ umero de maneiras de agrupar as part´ıculas na rede de modo a formar uma configura¸c˜ao d´ımero e o determinante da matriz adjacˆencia associada ao grafo que representa a rede. [Casagrande, 2009], [Kasteleyn, 1961, Kasteleyn, 1963, Temperley and Fisher, 1961] De posse dessa informa¸c˜ao, pode-se ent˜ao perceber [Fisher, 1961, Kasteleyn, 1961, Temperley and Fisher, 1961] que se o grafo associado aos d´ımeros numa rede plana fosse 11.

(19) transformado num grafo direcionado, a pfaffiana da matriz adjacˆencia seria ent˜ao igual a raiz quadrada do determinante da referida matriz, uma vez que com essa pequena modifica¸ca˜o a matriz adjacˆencia torna-se anti-sim´etrica [Casagrande, 2009, Kasteleyn, 1961, Kasteleyn, 1963, Temperley and Fisher, 1961]. De fato, existe uma correspondˆencia de 1 para 1 entre os termos n˜ao nulos da pfaffiana e o n´ umero de maneiras de arranjar os d´ımeros numa rede plana. A pfaffiana ´e um polinˆomio nas entradas da matriz (semelhante ao determinante), definida como X P f [A] = δp ap1 p2 ap3 p4 · · · ap2n−1 p2n , (2.3) p. onde δp ´e a paridade da permuta¸c˜ao p ≡ (p1 , p2 , · · · , p2n ) dos inteiros {1, 2, · · · , 2n} sujeita a`s restri¸co˜es p1 < p2 , p3 < p4 , · · · , p2n−1 < p2n. (2.4). p1 < p3 < p5 < · · · < p2n−1. (2.5). Um importante teorema em teoria dos grafos, devido a Kasteleyn, afirma que todo grafo plano tem pelo menos uma orienta¸ca˜o pfaffiana. Um determinado conjunto de orienta¸c˜oes das arestas de um grafo para a qual o n´ umero de configura¸co˜es d´ımero poss´ıveis no grafo ´e dado pela pfaffiana da matriz adjacˆencia a ele associada ´e chamada uma orienta¸c˜ao pfaffiana. A orienta¸c˜ao pfaffiana ´e necess´aria para que termos equivalentes na pfaffiana da matriz adjacˆencia e na contagem das configura¸c˜oes d´ımero tenham o mesmo sinal, uma vez que j´a existe uma corespondˆencia de 1 para 1 entre estas duas expans˜oes (isto ´e, a expans˜ao da pfaffiana e a dos termos referentes a cada configura¸c˜ao d´ımero poss´ıvel). Feito esta modifica¸c˜ao no grafo que representa a rede, ent˜ao a fun¸c˜ao de parti¸c˜ao dos d´ımeros adsorvidos ser´a dada por [Lavis and Bell, 1999, Montroll, 1964, Ocansey, 2012] Z = P f [A] =. √. det A. (2.6). onde as entradas da matriz adjacˆencia s˜ao os pesos estat´ısticos de cada liga¸ca˜o. Uma extens˜ao do teorema de Kasteleyn mostra que uma orienta¸c˜ao pfaffiana de um grafo plano ´e estabelecida se todo pol´ıgono elementar (isto ´e, aquele que envolve uma u ´nica face no grafo) nele contido possui um n´ umero ´ımpar de liga¸c˜oes orientadas no sentido hor´ario. [Lavis and Bell, 1999, Montroll, 1964, Ocansey, 2012] Para o caso de condi¸c˜oes peri´odicas de contorno, a matriz adjacˆencia associada a rede na qual os d´ımeros est˜ao adsorvidos ser´a uma matriz c´ıclica, cujos elementos obedecem a` express˜ao a(k + n) = a(k).. (2.7). Isto significa que, dada uma c´elula qualquer da rede (previamente definida), se deslocarmos um n´ umero inteiro de c´elulas em qualquer dire¸ca˜o, a forma da c´elula se repete. Essa matriz c´ıclica pode ser transformada numa matriz bloco-diagonal, ou seja, uma matriz cujos elementos da diagonal s˜ao matrizes e os elementos que est˜ao fora da diagonal s˜ao todos nulos, facilitando assim o c´alculo de seu determinante. Como o determinante permanece invariante sob uma transforma¸c˜ao ortogonal, a matriz adjacˆencia A pode ser bloco-diagonalizada por uma matriz R, cujos elementos s˜ao matrizes , resultando em B ≡ R−1 AR, de modo que det A = det B. 12. (2.8).

(20) Este processo de diagonaliza¸c˜ao em bloco resulta na seguinte express˜ao para os blocos da matriz B: X ~ Λ(θ, φ) = M (~u)ei~u·ψ , (2.9) u. ~ = (θ, φ). A ordem onde o vetor ~u = (ui , uj ) identifica a posi¸c˜ao de uma c´elula da rede e ψ da matriz M ser´a igual ao n´ umero de s´ıtios em cada c´elula.. No limite termodinˆamico, o logaritmo do determinante da matriz B, que ´e igual ao produto dos determinantes das matrizes Λ, torna-se Z 2π Z 2π 1 1 ln det A ∼ dφ ln det Λ (2.10) dθ mn (2π)2 0 0. Como a fun¸ca˜o de parti¸ca˜o dos d´ımeros numa rede bidimensional ´e dada pela express˜ao 2.6, a energia livre do modelo ser´a ent˜ao dada por Z 2π Z 2π 1 dφ ln det Λ (2.11) dθ −βf = 2 8π 0 0. Em resumo, para aplicar a express˜ao 2.11 ao modelo de d´ımeros numa rede plana qualquer ´e preciso apenas dividir a rede em c´elulas b´asicas que se repetem ao longo da rede. Portanto, o c´alculo do determinante de uma matriz cuja ordem ´e o n´ umero de d´ımeros na rede (que tende a infinito no limite termodinˆamico) ´e ent˜ao reduzido ao c´alculo do determinante de uma matriz cuja ordem ´e igual ao n´ umero de s´ıtios na c´elula b´asica (este n´ umero est´a geralmente entre 2 e 12).. 2.3. Caracter´ısticas das Transi¸ c˜ oes de Fase em Sistemas D´ımeros. O resultado do procedimento descrito na se¸c˜ao anterior ´e uma express˜ao integral para a densidade de energia livre dos d´ımeros adsorvidos na rede em considera¸c˜ao. Esta express˜ao ´e geral, ou seja, se aplica a qualquer tipo de topologia de rede plana [Montroll, 1964]. Assim, para resolver o modelo de d´ımeros numa determinada rede plana, basta determinar suas respectivas c´elulas b´asicas e ent˜ao substituir o determinante da matriz bloco diagonalizada na express˜ao 2.11 De acordo com a equa¸c˜ao (2.11), podemos perceber que as singularidades nos modelos de d´ımeros s˜ao localizadas pelos zeros do determinante da matriz A. Assim, se det A admite zeros para algum valor cr´ıtico das fugacidades, significa que o modelo apresenta comportamento cr´ıtico [Bhattacharjee et al., 1989]. Em outras palavras, o modelo de d´ımeros na rede em estudo apresenta uma transi¸ca˜o de fases. Existe ainda uma maneira mais direta de encontrar o ponto cr´ıtico de um modelo de d´ımeros qualquer que ´e a an´alise da express˜ao para a energia livre quando uma das integrais j´a tiver sido avaliada. Conforme mostrado nas se¸c˜oes posteriores, uma das integrais na energia livre tem uma solu¸ca˜o t´ıpica, com um termo de raiz quadrada no argumento de um logaritmo. As singularidades do modelo est˜ao geralmente nesse termo de raiz ou mesmo no pr´oprio argumento do logaritmo propriamente dito. [Fan and Wu, 1970] As transi¸c˜oes de fases j´a encontradas em modelos de d´ımeros em geral s˜ao de tois tipos. O primeiro, j´a conhecido dos modelos ferromagn´eticos, ´e conhecido como transi¸ca˜o do tipo. 13.

(21) O, ou seja, uma transi¸ca˜o caracterizada por uma singularidade logar´ıtmica na segunda derivada da energia livre com rela¸ca˜o `a temperatura T . Esse tipo de singularidade leva ao nome do respectivo tipo de transi¸ca˜o pois ´e a mesma encontrada no modelo de Ising para materiais magn´eticos. Sendo assim, nesse tipo de transi¸ca˜o de fase o calor espec´ıfico diverge. O segundo tipo de transi¸c˜ao ´e devido a Kasteleyn e ´e conhecido como transi¸ca˜o do tipo K, na qual o calor espec´ıfico diverge com expoente 1/2. [Bhattacharjee et al., 1989]. 2.4. D´ımeros na rede retangular. Nesta se¸ca˜o revisamos os resultados do tratamento de modelo de d´ımeros numa estrutura retangular, j´a conhecidos na literatura. De fato, este caso foi o primeiro tratato por [Kasteleyn, 1961], [Fisher, 1961] e [Temperley and Fisher, 1961] em seus trabalhos independentes na d´ecada de 1960. Consideremos uma rede retangular de m linhas e n colunas, com m ou n par, onde cada par de s´ıtios vizinhos da rede poder´a ser ocupado por um d´ımero. A orienta¸ca˜o pfaffiana para esta rede, isto ´e, a orienta¸ca˜o das liga¸co˜es no grafo que a representa que permite que todos os termos na contagem das configura¸c˜oes d´ımero tenham o mesmo sinal, foi dada na d´ecada de 1960 por Kasteleyn [Kasteleyn, 1961], Fisher [Fisher, 1961] e Temperley [Temperley and Fisher, 1961] em seus trabalhos pioneiros de tratamento de modelo de d´ımeros em redes planas. A regra para a orienta¸ca˜o das arestas na rede retangular ficou conhecida como regra do sentido hor´ario −1 de Kasteleyn, que fornece uma orienta¸ca˜o pfaffiana para a rede retangular se o produto dos sinais das liga¸c˜oes em qualquer pol´ıgono fechado percorrido no sentido hor´ario for igual a −1. Esta configura¸ca˜o est´a mostrada na figura 2.3. Na figura tamb´em est˜ao destacadas as c´elulas b´asicas (que neste caso s˜ao tamb´em c´elulas unit´arias) utilizadas para calcular a pfaffiana (ou o determinante) da matriz adjacˆencia associada. Nesta figura as liga¸co˜es horizontais est˜ao representadas pelo peso estat´ıstico z1 e as liga¸c˜oes verticais pelo peso estat´ıstico z2 . [Fisher, 1961, Kasteleyn, 1961, Kasteleyn, 1963, Montroll, 1964, Temperley and Fisher, 1961]. Figura 2.3: Rede retangular com respectiva orienta¸ca˜o pfaffiana Para determinar as matrizes M que fazem a conex˜ao entre c´elulas vizinhas (e tamb´em com os s´ıtios internos da c´elula central) numera-se os s´ıtios de cada c´elula sempre na mesma sequˆencia (por exemplo, s´ıtio da esquerda = 1 e s´ıtio da esquerda = 2) e cada 14.

(22) enrada ai,j da matriz M denota a conex˜ao entre o s´ıtio i e o s´ıtio j. Sendo assim, as matrizes associadas com as c´elulas unit´arias destacadas na figura s˜ao,   0 z1 ; M (0, 0) = −z1 0    0 0 0 −z1 ; ; M (1, 0) = M (−1, 0) = z1 0 0 0 . .    −z2 0 z2 0 M (0, −1) = ; M (0, 1) = . 0 z2 0 −z2. Assim, a matriz associada com esse conjunto de c´elulas unit´arias ´e dada por. Λ=. X. M (u1 , u2 ) e. i(u1 θ+u2 φ). (u1 , u2 ).  −z2 e−iφ + z2 eiφ z1 − z1 eiθ = . −z1 + z1 eiθ z2 e−iφ − z2 eiφ. det Λ = 4 1 −βf = 2 8π. Z. 2π. dθ 0. Z. . . z22. 2π 0. 2. sin φ +. z12. θ sin 2 2. .    2 2 2 2 θ ln 4 z2 sin φ + z1 sin dφ 2. (2.12). (2.13) (2.14). Como n˜ao existe valor cr´ıtico de z1 e z2 em qualquer parte do plano (θ, φ) que fa¸ca com que det Λ = 0, o modelo de d´ımeros na rede retangular n˜ao apresenta uma transi¸ca˜o de fases. Duas das quantidades relevantes no estudo de modelos de d´ımeros s˜ao a entropia e a liberdade molecular no limite de altas temperaturas. Tomar o limite de altas temperaturas equivale a fazer β = 0, ou z1 = z2 = 1 na express˜ao para o logaritmo da fun¸ca˜o de parti¸ca˜o, isto ´e, no lado direito da equa¸ca˜o 2.14. Isto resulta em ln Z{z1 = z2 = 1} = 0. 583 121 808 . . . N. (2.15). ln Z{z1 = z2 = 1} = 1. 791 622 812 . . . (2.16) N O primeiro destes valores ´e numericamente igual a` entropia quando T → ∞, uma vez que a entropia ´e equivalente ao logaritmo do n´ umero de microestados acess´ıveis. O segundo valor, que ´e a exponencial do primeiro, ´e naturalmente o n´ umero de microestados acess´ıveis ao sistema nesse mesmo limite. Φ = exp. 2.5. D´ımeros na rede hexagonal. Em continuidade `a nossa avalia¸ca˜o das transi¸co˜es de fase em modelos de d´ımeros nas redes planas, um outro exemplo relevante ´e o caso da rede hexagonal (favo de mel), com trˆes tipos de fugacidade, uma para cada tipo diferente de aresta do hex´agono [Montroll, 1964, Wu, 2006]. Se achatarmos a figura 2.4 na dire¸c˜ao vertical, ´e poss´ıvel perceber a forma da c´elula b´asica (novamente uma c´elula unit´aria) que gera a configura¸c˜ao dos d´ımeros adsorvidos na rede hexagonal, conforme mostrado abaixo: 15.

(23) Figura 2.4: Rede hexagonal com respectiva orienta¸ca˜o pfaffiana. Figura 2.5: C´elulas unit´arias para a rede hexagonal. Sendo assim, temos ent˜ao as matrizes que identificam as c´elulas unit´arias:   0 z2 M (0, 0) = ; −z2 0    0 −z1 0 0 ; M (−1, 0) = ; M (1, 0) = z1 0 0 0 .    0 0 0 z3 . ; M (0, 1) = M (0, −1) = −z3 0 0 0 . Deste modo, a matriz de interesse para o c´alculo do determinante ´e. 16.

(24) .  0 z2 − z1 e−iθ + z3 e−iφ Λ= . −z2 + z1 eiθ − z3 eiφ 0   det Λ = z12 + z22 + z32 − 2z1 (z2 cos θ + z3 cos (θ − φ)) + 2z2 z3 cos φ Assim, a energia livre dos d´ımeros adsorvidos na rede hexagonal ´e dada por Z 2π Z 2π 1 ln Z(θ, φ) dφ dθ → −βf = 2 8π 0 0. (2.17) (2.18). (2.19). onde. Z(θ, φ) = z12 + z22 + z32 − 2z1 (z2 cos θ + z3 cos (θ − φ)) + 2z2 z3 cos φ. (2.20). A partir de Z(θ, φ), ´e f´acil ver que ocorre uma transi¸c˜ao de fases no sistema quando as fugacidades satisfazem a rela¸ca˜o zi = zj + zk ,. (2.21). para i, j e k diferentes. Conforme explicado em [Wu, 2006] essa transi¸ca˜o ´e do tipo K. Uma das integrais em 2.19 pode ser avaliada com base na identidade a seguir Z 2π √ 1 (2.22) dθ ln (2a + 2b cos θ + 2c sin θ) = ln [a + a2 − b2 − c2 ] 2π 0. Com. 1 a = (z12 + z22 + z32 ) + z2 z3 cos φ 2. (2.23). b = −z1 z2 − z1 z3 cos φ. (2.24). c = −z1 z3 sin φ. (2.25). Podemos simplificar o problema de calcular a energia livre e suas derivadas se fizermos uma escolha apropriada das fugacidades, como por exemplo, z2 = z3 , de modo a expressar as solu¸c˜oes em termos de uma u ´nica fugacidade. Fa¸camos tamb´em zz31 = z, de modo que o ponto cr´ıtico ser´a dado agora por z = 1/2. Sendo assim, a energia livre ´e dada por Z 2π 1 −βf = ln z1 + dφ ln Z(φ). (2.26) 4π 0 onde. Z(φ) =. 1p 4 1 + z 2 (1 + cos φ) + 8z cos φ + 4z 4 (1 + cos2 φ) − 4z 2 (1 + cos φ) + 1 (2.27) 2 2. De posse dessa express˜ao, podemos obter as derivadas da energia livre e seus respectivos comportamentos na vizinha¸ca do ponto cr´ıtico z = 21 . O valor num´erico da entropia e a liberdade molecular dos d´ımeros adsorvidos na rede hexagonal s˜ao dados respectivamente por 17.

(25) Figura 2.6: Energia livre da rede hexagonal em fun¸ca˜o de z.. ln Z{z1 = z2 = z3 = 1} = 0. 323 065 947 . . . N Φ = exp. ln Z{z1 = z2 = z3 = 1} = 1. 381 356 444 . . . N. (2.28) (2.29). O modelo de d´ımeros na rede hexagonal ´e um modelo congelado abaixo da temperatura cr´ıtica, no sentido de que a energia livre ´e zero abaixo do ponto cr´ıtico, mantendo o sistema no estado fundamental. Neste modelo, quando T se aproxima de TK = k lnǫ 2 por 1 cima, o calor espec´ıfico diverge com (T − TK )− 2 , enquanto que abaixo da temperatura cr´ıtica o calor esec´ıfico ´e nulo. [Bhattacharjee et al., 1989]. Este ´e o u ´nico caso de modelo congelado mostrado neste trabalho. Os d´ımeros adsorvidos na rede hexagonal representa o mais simples dos muitos modelos que apresentam transi¸c˜ao do tipo K. Existe ainda um conjunto de modelos derivados deste, conhecidos como modelos VH, ou modelos de d´ımeros em redes de ladrilho, que apresentam transi¸co˜es de fases semelhantes a`quela apresentada pela rede hexagonal. En1 tretanto, apesar de apresentarem a mesma divergˆencia do calor espec´ıfico com (T −TK )− 2 acima da temperatura cr´ıtica, os modelos VH n˜ao s˜ao congelados em seu estado fundamental abaixo da temperatura cr´ıtica, apresentando portanto calor espec´ıfico n˜a-nulo abaixo de TK , mostrando que nem todos os modelos com transi¸ca˜o do tipo K s˜ao congelados em baixas temperaturas. [Bhattacharjee et al., 1989]. 18.

(26) 2.6. D´ımeros na rede triangular. O problema de d´ımeros na rede triangular ´e bastante semelhante ao da rede retangular, diferindo apenas pelo fato de haverem agora liga¸co˜es diagonais entre as part´ıculas, fazendo com que haja mais um termo multiplicativo na fun¸ca˜o de parti¸ca˜o [Fendley et al., 2002, Phares and Wunderlich, 1986, Wu, 2006].. Figura 2.7: C´elulas unit´arias para a rede triangular. O procedimento utilizado para determinar as matrizes M para este caso ´e completamente an´alogo ao que foi feito para a rede retangular, de modo que temos ent˜ao as respectivas matrizes que fazem a conex˜ao entre as c´elulas:   0 z1 M (0, 0) = ; −z1 0      −z2 0 0 0 0 −z1 ; ; M (0, −1) = ; M (1, 0) = M (−1, 0) = z3 z2 z1 0 0 0 .      0 0 0 −z3 z2 −z3 . M (1, 1) = ; M (−1, −1) = M (0, 1) = z3 0 0 0 0 −z2 . Deste modo, a matriz Λ(θ, φ) necess´aria para o c´alculo da energia livre ser´a dada por  z2 (eiφ − e−iφ ) z1 (1 − e−iθ ) − z3 (eiφ − e−i(θ+φ) ) . Λ= z1 (eiθ − 1) + z3 (ei(θ+φ) + e−iφ ) −z2 (eiφ − e−iφ ) .   det Λ = z12 + z22 + z32 − z12 cos θ − z22 cos 2φ + z32 cos (θ + 2φ) 19. (2.30). (2.31).

(27) ´ poss´ıvel notar a partir da forma do determinante da matriz Λ que os pontos cr´ıticos E para os d´ımeros adsorvidos na rede triangular s˜ao dados por: zi = 0, i = 1, 2, 3.. (2.32). Estes pontos cr´ıticos est˜ao associados a transi¸c˜oes do tipo O conforme atestado em [Wu, 2006] e [Fendley et al., 2002]. Novamente, uma dessas integrais pode ser avaliada utilizando a identidade 2.22, com a = z12 + z22 + z32 − z22 cos 2φ. (2.33). b = z32 cos 2φ − z12. (2.34). c = −z32 sin 2φ. (2.35). Semelhantemente ao caso da rede hexagonal, podemos tamb´em fazer z2 = z3 , com z = z3 /z1 , e avaliar o comportamento da energia livre e das derivadas termodinˆamicas de interesse, de modo que a condi¸ca˜o cr´ıtica ser´a dada agora por z = 0, conforme a express˜ao a seguir: Z 2π 1 dφ ln Z(φ), (2.36) −βf = ln z1 + 4π 0 onde. i h p Z(φ) = 1 + z 2 (2 − cos 2φ) + 4z 2 + z 4 (3 − 4 cos2 φ) + cos2 2φ. (2.37). Figura 2.8: Energia livre da rede triangular em fun¸ca˜o de z. A entropia dos d´ımeros adorvidos na rede triangular no regime de altas temperaturas e o n´ umero de microestados acess´ıveis por d´ımero s˜ao dados respectivamente por 20.

(28) Figura 2.9: Entropia dos d´ımeros adsorvidos na rede triangular em fun¸ca˜o de z.. Figura 2.10: Calor espec´ıfico dos d´ımeros adsorvidos na rede triangular em fun¸ca˜o de z.. ln Z{z1 = z2 = z3 = 1} = 0. 857 189 074 . . . N Φ = exp. ln Z{z1 = z2 = z3 = 1} = 2. 356 527 353 . . . N 21. (2.38) (2.39).

(29) Como podemos ver na figura 2.10, ocorre uma divergˆencia no calor espec´ıfico no modelo de d´ımeros na rede triangular quando z se aproxima de zero (z → 0), sugerindo que h´a uma transi¸c˜ao de fases em z = 0. Entretanto, este, como outros modelos tratados neste trabalho, s˜ao casos especiais nos quais a divergˆencia do calor espec´ıfico n˜ao indica uma transi¸ca˜o de fases, uma vez que n˜ao h´a, nestes casos, algum parˆametro que conduza o sistema ao ordenamento em T → 0, por se tratar de um sistema cl´assico.. 22.

(30) 2.7. D´ımeros na rede 4-8. Nesta se¸ca˜o vamos obter uma express˜ao para a densidade de energia livre para um sistema de d´ımeros adsorvidos na rede 4-8. A rede 4-8 ´e um exemplo de bastante relevˆancia da aplica¸ca˜o dos modelos de d´ımeros, uma vez que o problema de d´ımeros nesta rede descreve uma transi¸ca˜o de fases de um substrato de hidrogˆenio disposto em camadas na superf´ıcie de um cristal [Salinas and Nagle, 1974, Wu, 2006]. Al´em disso, esta rede tamb´em vem sendo usada no estudo de transi¸co˜es de fase em sistemas do tipo Ising [Lin and Fang, 1985]. O arranjo topol´ogico que representa a rede 4-8, bem como as c´elulas b´asicas de interesse para o c´alculo da energia livre dos d´ımeros adsorvidos nesta rede est˜ao ilustrados na figura 2.11. [Wu, 2006]. Figura 2.11: Rede 4-8 com as c´elulas b´asicas de interesse. Deste modo, as matrizes que representam a conex˜ao entre as c´elulas s˜ao as seguintes:   0 v 0 −u −v 0 −u 0  ; M (0, 0) =  0 u 0 v  u 0 −v 0 . 0 0 0 0 M (−1, 0) =  0 0 0 −x. 0 0 0 0.   0 0   0 0 ; M (1, 0) =  0 0 0 0. 23. 0 0 0 0. 0 0 0 0.  0 x ; 0 0.

(31) . 0  0 M (0, −1) =  −y 0. 0 0 0 0. 0 0 0 0.   0 0   0 0 ; M (0, 1) =    0 0 0 0. 0 0 0 0. y 0 0 0. Assim, os blocos associados a` matriz adjacˆencia ser˜ao dados por   0 v y eiφ −u  −v 0 −u x eiθ  . Λ= −iφ −y e u 0 v  u −x e−iθ −v 0.  0 0 . 0 0. det Λ = (u2 + v 2 )2 + x2 y 2 − 2xy(v 2 cos (θ − φ) + u2 cos (θ + φ)). (2.40). (2.41). De acordo com a express˜ao para o determinante da matriz Λ, podemos ver que h´a uma transi¸ca˜o de fase neste sistema quando xy = u2 + v 2. (2.42). Neste ponto cr´ıtico, conforme explicado em [Casagrande, 2009] e [Wu, 2006], ocorre uma singularidade do tipo O. Utilizando novamente a identidade 2.22, com a=.  1 2 (u + v 2 )2 + x2 y 2 2. (2.43). b = −xy(u2 − v 2 ) cos φ. (2.44). c = xy(u2 − v 2 ) sin 2φ. (2.45). Fazendo agora x = y e u = v, podemos analisar o comportamento cr´ıtico dos d´ımeros adsorvidos na rede 4-8, de modo √ que o ponto cr´ıtico, definido pela express˜ao 2.42, ser´a agora dado por z = v/y = 1/ 2, conforme a express˜ao abaixo: Z 2π 1 dφ ln Z(φ), (2.46) −βf = ln y + 8π 0 onde. .  1 1p 4 4 8 4 2 Z(φ) = + 2z + 1 + 8z + 16z − 16z cos φ . 2 2. (2.47). O comportamento gr´afico da energia livre e de suas derivadas est´a mostrado abaixo. A entropia dos d´ımeros adorvidos na rede 4-8 e a liberdade molecular no regime de altas temperaturas s˜ao dados abaixo: ln Z{x = y = u = v = 1} = 0. 376 995 650 . . . N. 24. (2.48).

(32) Figura 2.12: Energia livre da rede 4-8 em fun¸ca˜o de z.. Figura 2.13: Entropia dos d´ımeros adsorvidos na rede 4-8 em fun¸ca˜o de z.. Φ = exp. ln Z{x = y = u = v = 1} = 1. 457 897 968 . . . N. (2.49). Como podemos ver na figura 2.13, no ponto cr´ıtico h´a uma inflex˜ao na curva da entropia, a partir do qual a curva atinge seu valor m´aximo constante. A figura 2.14 25.

(33) Figura 2.14: Calor espec´ıfico dos d´ımeros adsorvidos na rede 4-8 em fun¸ca˜o de z. √ evidencia a ocorrˆencia de uma divergˆencia no calor espec´ıco em z = 1/ 2, que ´e o ponto cr´ıtico. Conforme mostrado nas se¸co˜es deste cap´ıtulo, podemos ver que geometrias diferentes de redes anisotr´opicas apresentam comportamentos termodinˆamicos distintos nas vizinhan¸cas do ponto cr´ıtico, como podemos ver com base no comportamento gr´afico do calor espec´ıfico de cada modelo. Nos pr´oximos cap´ıtulos, veremos que algumas geometrias semelhantes de redes apresentam comportamento cr´ıtico idˆentico, com o mesmo ponto cr´ıtico. Mostramos abaixo uma quadro comparativo dos resultados obtidos neste cap´ıtulo. Rede retangular hexagonal triangular 4-8. Anisotropia 2 3 3 4. Liberdade molecular 1. 791 622 812 . . . 1. 381 356 444 . . . 2. 356 527 353 . . . 1. 457 897 968 . . .. Tabela 2.1: Quadro comparativo dos resultados obtidos para as redes retangular, hexagonal, triangular e 4-8.. 26.

(34) CAP´ITULO. 3 D´IMEROS EM REDES 4-6. Neste cap´ıtulo apresentamos os resultados da aplica¸c˜ao do m´etodo combinat´orio citado nas se¸c˜oes anteriores ao modelo de d´ımeros em redes 4-6. Para isso, consideramos trˆes estruturas bidimensionais em que as part´ıculas est˜ao agrupadas com esse tipo de topologia. As estruturas dessas redes est˜ao ilustradas nas figuras 3.1, 3.5, 3.9 e 3.10. A rede 4-6 foi utilizada para estudar transi¸co˜es de fase em modelos de Ising [Oitmaa and Keppert, 2002]. Encontramos express˜oes para a energia livre e mostramos seu comportamento e de suas duas primeiras derivadas em T . Em todos os casos apresentamos tamb´em os valores da liberdade molecular e da entropia do limite de altas temperaturas.. 3.1. Rede 4-6 Formato 1. Para tratar de modelo de d´ımeros na rede 4-6 consideramos trˆes topologias diferentres. Consideremos primeiramente a estrutura bidimensional apresentada na figura abaixo, para a qual atribu´ımos diferentes pesos estat´ısticos para as liga¸co˜es horizontais que est˜ao dentro e fora de cada quadrado e para as liga¸c˜oes verticais, ou seja, colocamos um tipo de energia nas liga¸co˜es verticais e outros dois para as liga¸c˜oes horizontais, resultando em trˆes tipos diferentes de fugacidades. As matrizes que definem a conex˜ao entre as c´elulas s˜ao dadas  0 z1 0 0 0 −z1 0 z 0 0 1   0 −z1 0 z2 0 M (0, 0) =   0 0 −z 0 z 2 1   0 0 0 −z1 0 0 0 0 0 −z1    0 0 0 0 0 −z2 0 0 0 0 0 0 0  0    0 0 0 0 0 0  0   M (−1, 0) =  0 0 0 0 0 0  ; M (1, 0) =  0    0 0 0 0 0 0  0 0 0 0 0 0 0 z2. 27. por:  0 0  0 ; 0  z1  0 0 0 0 0 0 0. 0 0 0 0 0 0. 0 0 0 0 0 0. 0 0 0 0 0 0.  0 0  0 ; 0  0 0.

(35) Figura 3.1: Rede 4-6 formato 1 com orienta¸c˜oes.. . −z3  0   0 M (0, −1) =   0   0 0. . E, dessa forma,. 0 0 0 0 0 0 0 −z3 0 0 0 z3 0 0 0 0 0 0.   0 0 z3 0 0 0    0 0  ; M (0, 1) =  0 0 0 0   0 0 0 0 z3 0. 0 0 0 0 0 0 0 z3 0 0 0 −z3 0 0 0 0 0 0.  0 0 0 0   0 0   0 0   0 0  0 −z3.  z3 (eiφ − e−iφ ) z1 0 0 0 −z2 e−iθ   −z1 0 z1 0 0 0   iφ −iφ   0 −z1 z3 (e − e ) z2 0 0   Λ(θ, φ) =  −iφ iφ  0 0 −z z (e − e ) z 0 2 3 1     0 0 0 −z1 0 z1 iθ −iφ iφ z2 e 0 0 0 −z1 z3 (e − e ) . .. De modo que o determinante da matriz bloco-diagonalizada necess´aria para o c´alculo da energia livre ´e ent˜ao dada por det Λ = 2z14 (z22 + 4z32 − z22 cos θ − 4z32 cos 2φ) Sendo assim, a energia livre ser´a dada por: Z 2π Z 2π 1 1 ln [2z14 (z22 + 4z32 − z22 cos θ − 4z32 cos 2φ)] dφ = dθ −βf = 3 8π 2 0 0 Z 2π Z 2π 2 1 ln [2(z22 + 4z32 − z22 cos θ − 4z32 cos 2φ)] dφ dθ = ln z1 + 3 24π 2 0 0 28. (3.1). (3.2).

(36) De posse da express˜ao acima, ´e interessante verificar o que acontece com o valor de lnNZ quando T → ∞, ou seja, o valor da primeira linha da express˜ao (3.2) quando z1 = z2 = z3 = 1 : ln Z{z1 = z2 = z3 = 1} = 0. 334 440 855 . . . N. (3.3). Este valor ´e numericamente igual `a entropia dos d´ımeros adsorvidos no regime de altas temperaturas. Outra quantidade relevante de ser calculada ´e a liberdade molecular por d´ımero, que fornece uma estimativa do n´ umero de microestados acess´ıveis por d´ımero, no regime de altas temperaturas: Φ = exp. ln Z{z1 = z2 = z3 = 1} = 1. 397 158 953 . . . N. (3.4). A integral em (3.2) ´e tamb´em da forma expressa na identidade 2.22, com a = z22 + 4z32 − 4z32 cos 2φ = z22 + 4z32 (1 − cos 2φ) , b = −z22 e c = 0. Deste modo, temos Z 2π 2 1 −βf = ln z1 + dφ ln Z (3.5) 3 12π 0 Onde. Z=. z22. +. 4z32 (1. q − cos 2φ) + (z22 + 4z32 (1 − cos 2φ))2 − z24 .. (3.6). Fazendo-se zz23 = z na express˜ao acima, de modo que a condi¸c˜ao cr´ıtica ser´a agora dada por z = 0, temos: Z = 1 + 4z 2 (1 − cos 2φ) + 2. p 2z 2 (1 − cos 2φ) + 4z 4 (1 − cos 2φ)2. (3.7). Sendo assim, a energia livre pode ser reescrita como 1 1 2 −βf = ln z1 + ln z2 + + 3 3 12π. Z. 2π 0. dφ ln Z.. (3.8). O comportamento da energia livre (ou, do lado direito da equa¸ca˜o (3.8)) est´a ilustrado na figura 3.2. A entropia do sistema, conforme pode ser visto no gr´afico da figura 3.3, tende a zero quando T → 0, que est´a de acordo com a terceira lei da termodinˆamica, e cresce at´e seu valor de satura¸ca˜o quando T → ∞. A an´alise da figura 3.4 permite-nos concluir que o calor espec´ıfico cresce a partir de seu valor nulo em altas temperaturas (que est´a de acordo com o valor constante da entropia nesse limite) at´e valores muito altos quando T → 0, ou seja, caracterizando uma divergˆencia. Entretanto, o real significado dessa divergˆencia do calor espec´ıfico nesse limite, assim como ocorre no caso da rede triangular, se refere `a ausˆencia da liga¸ca˜o cuja fugacidade ´e z3 , uma vez que z = z3 /z2 . De fato, esta ´e a u ´nica interpreta¸ca˜o v´alida, uma vez que uma divergˆencia do calor espec´ıfico em T = 0 violaria a terceira lei da termodinˆamica.. 29.

(37) Figura 3.2: Energia livre da rede 4-6 formato 1 em fun¸ca˜o de z.. Figura 3.3: Entropia dos d´ımeros adsorvidos na rede 4-6 formato 1 em fun¸c˜ao de z.. 3.2. Rede 4-6 Formato 2. A rede ilustrada nesta se¸c˜ao ´e obtida transladando-se a partir da segunda linha da figura 3.1 cada quadrado para uma posi¸c˜ao imediatamente a` esquerda daquele que est´a logo acima dele. A topologia resultante est´a ilustrada na figura abaixo:. 30.

(38) Figura 3.4: Calor espec´ıfico dos d´ımeros adsorvidos na rede 4-6 formato 1 em fun¸ca˜o de z.. Figura 3.5: Rede 4-6 formato 2 com orienta¸c˜oes. Para a rede mostrada na figura 3.5  0 −z2   0 M (0, 0) =   0   0 0  0 0 0 0 0 0 0 0 0 0  0 0 0 0 0 M (−1, 0) =  0 0 0 0 0  0 0 0 0 0 0 0 0 0 0. , as matrizes M (ui , uj ) s˜ao dadas por:  z2 0 0 0 0 0 z2 0 0 0  −z2 0 z1 0 0 ; 0 −z1 0 z2 0   0 0 −z2 0 z2  0 0 0 −z2 0    −z1 0 0 0 0 0 0  0 0 0 0 0 0 0       0   ; M (1, 0) =  0 0 0 0 0 0 ;    0   0 0 0 0 0 0  0 0 0 0 0 0 0  0 z1 0 0 0 0 0 31.

(39) . 0 0 0 0 0 0  0 0 0 M (0, −1) =  0 −z3 0  0 0 z 3 0 0 0 . .. 0 0  0 0   0 0 M (1, 1) =   0 0  −z3 0 0 z3. 0 0 0 0 0 0. 0 0 0 0 0 0. 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0. 0 0 0 0 0 0.   0 0   0 0  0  ; M (0, 1) = 0 0  0  0 0 0 0.   0 0 0 0    0  ; M (−1, −1) = 0 0 0   0  0 0 0. 0 0 0 0 0 0. 0 0 0 0 z3 0 0 0 −z3 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0. 0 0 0 0 0 0.  0 0  0 ; 0  0 0.  0 z3 0 0 0 −z3   0 0 0   0 0 0   0 0 0  0 0 0. Sendo assim, a matriz Λ(θ, φ) ser´a dada por :   0 z2 0 0 z3 e−i(θ+φ) −z1 e−iθ  −z2 0 z2 z3 eiφ 0 −z3 e−i(θ+φ)    iφ   0 −z 0 z −z e 0 2 1 3 ,  −iφ   0 −z3 e −z1 0 z2 0   −iφ  −z3 ei(θ+φ) 0 z3 e −z2 0 z2 z1 eiθ z3 ei(θ+φ) 0 0 −z2 0. De modo que seu determinante ´e dado por. det Λ = 2z12 [z24 +4z22 z32 +z34 −z24 cos θ−2z22 z32 (cos 2φ+cos (θ + 2φ))−z34 cos (θ + 4φ)]. (3.9) Substitu´ındo a express˜ao para o determinante na equa¸c˜ao da energia livre, temos: 1 1 −βf = ln z1 + + 3 24π 2. Z. 2π. dθ 0. Z. 2π 0. ln Z(θ, φ) dφ. (3.10). Na qual definimos a vari´avel Z como Z(θ, φ) = 2((z22 +z32 )2 −z24 cos θ+2z22 z32 (1−cos 2φ−cos (θ + 2φ))−z34 cos (θ + 4φ)). (3.11) Deste modo, o valor num´erico de lnNZ e a liberdade molecular dos d´ımeros adsorvidos para z1 = z2 = z3 = 1 ser˜ao dados por ln Z{z1 = z2 = z3 = 1} = 0. 388 747 872 . . . N Φ = exp. ln Z{z1 = z2 = z3 = 1} = 1. 475 132 582 . . . N 32. (3.12) (3.13).

(40) A integral em (3.10) ´e tamb´em do tipo expresso em (2.22), com os respectivos valores de a, b e c: a = (z22 + z32 )2 + 2z22 z32 (1 − cos 2φ). (3.14). b = −(z24 + 2z22 z32 cos 2φ + z34 cos 4φ). (3.15). c = (2z22 z32 sin 2φ + z34 sin 4φ). (3.16). Deste modo, a express˜ao 3.10 pode ser escrita como 1 1 −βf = ln z1 + 3 12π com. Z. 2π 0. h i √ p dφ ln (z22 + z32 )2 + 2z22 z32 (1 − cos 2φ) + 2 2 p(φ) ,. (3.17). p(φ) = ((z22 + z32 )2 + 2z22 z32 (1 − cos 2φ))2 − (−(z24 + 2z22 z32 cos 2φ + z34 cos 4φ))2 − (2z22 z32 sin 2φ + z34 sin 4φ)2 . (3.18) Podemos ainda reescrever a express˜ao para a energia livre como Z 2π 1 1 dφ ln Z(θ), −βf = ln z1 + 3 12π 0 onde fizemos z =. z3 z2. (3.19). e. i h √ p Z(θ) = 1 + 4z 2 + z 4 − 2z 2 cos 2φ + 2 2 (1 − cos 2θ)(z 6 + 2z 4 + z 2 ) .. (3.20). A segunda derivada da energia livre ´e singular em z = 0, ou seja, o ponto cr´ıtico desse sistema ocorre em z3 = 0. Entretanto, tanto z3 = 0 quanto z2 = 0 s˜ao pontos singulares separadamente.. 33.

(41) Figura 3.6: Energia livre da rede 4-6 formato 2 em fun¸ca˜o de z.. Figura 3.7: Entropia dos d´ımeros adsorvidos na rede 4-6 formato 2 em fun¸c˜ao de z. Conforme podemos constatar a partir da figura 3.2, o comportamento da energia livre desta rede ´e bastante similar ao caso da figura 3.1, ilustrado na se¸c˜ao anterior, com ligeiro aumento relativo da inclina¸ca˜o da curva a medida em que z se aproxima de 1. Isto sugere um maior valor de entropia no limite de altas temperaturas, bem como um maior valor de liberdade molecular dos d´ımeros adsorvidos, embora no estado fundamental n˜ao haja. 34.

(42) Figura 3.8: Calor espec´ıfico dos d´ımeros adsorvidos na rede 4-6 formato 2 em fun¸ca˜o de z. diferen¸ca. O comportamento do calor espec´ıfico ´e basicamente o mesmo daquele mostrado na se¸c˜ao anterior, com o mesmo ponto cr´ıtico.. 3.3. Rede 4-6 Formato 3. Nesta se¸ca˜o mostramos os resultados de uma outra topologia de rede 4-6, a qual est´a representada nas figuras 3.9 e 3.10. Para a rede ilustrada na figura 3.9, na qual existem 5 tipos diferentes de atividade para os d´ımeros adsorvidos, temos as seguintes matrizes associadas a`s c´elulas b´asicas de interesse:   0 −z1 0 0 0 z2  z1 0 z4 0 0 0     0 −z4 0 z1 z2 −z3   ; M (0, 0) =   0 0 −z 0 0 0 1    0 0 −z2 0 0 0  −z2 0 z3 0 0 0 . 0 0  0 M (−1, 0) =  0  0 0. 0 0 0 0 0 0. 0 0 0 0 0 0.   0 0 0 0 0 0 0 0 0 −z0     0 0 0   ; M (1, 0) = 0 0 0 0 0 −z0 0    0 0 0 0 0  0 0 0 0 z0 35. 0 0 0 0 0 0 0 0 0 z0 0 0. 0 0 0 0 0 0.  0 0  0 ; 0  0 0.

(43) Figura 3.9: Rede 4-6 formato 3 com cinco tipos de fugacidade.. . 0 0  0 M (0, −1) =  0  0 0. 0 0 0 0 0 0. 0 −z4 z3 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0.   0 0  0 0    0  ; M (0, 1) =  0  z4 0    −z3 0 0 0. 0 0 0 0 0 0. 0 0 0 0 0 0. 0 0 0 0 0 0. 0 0 0 0 0 0. . Sendo assim, a matriz associada com as c´elulas b´asicas indicadas na rede ´e   0 −z1 0 −z4 e−iφ z3 e−iφ z2  z1 0 z4 0 0 −z0 e−iθ     0  −z 0 z z −z 4 1 2 3   iφ −iθ  z4 e  0 −z1 0 −z0 e 0   iθ −z3 eiφ  0 −z2 z0 e 0 0 −z2 z0 eiθ z3 0 0 0.  0 0  0  0  0 0. e seu determinante ´e dado por. det Λ = 2z02 [(z12 + z42 )(z22 + z32 ) + 2z1 z2 z3 z4 − (z12 z22 + z32 z42 ) cos 2θ − z12 z32 cos (2θ − φ) − z2 z4 (2z1 z3 cos φ + z2 z4 cos (2θ + φ))]. (3.21) 36.

(44) Usando a express˜ao 2.22, com a = (z12 + z42 )(z22 + z32 ) + 2z1 z2 z3 z4 − (z12 z22 + z32 z42 ) cos 2θ. (3.22). b = −(z12 z32 cos 2θ + 2z1 z2 z3 z4 + z22 z42 cos 2θ). (3.23). c = (z22 z42 − z12 z32 ) sin 2θ. (3.24). temos:. 1 1 −βf = ln z0 + 3 12π Onde. e. Z. 2π 0. i h p dθ ln Z(θ) + p(θ). Z(θ) = (z12 + z42 )(z22 + z32 ) + 2z1 z2 z3 z4 − (z12 z22 + z32 z42 ) cos 2θ. (3.25). (3.26). p(θ) = [(z12 + z42 )(z22 + z32 ) + 2z1 z2 z3 z4 − (z12 z22 + z32 z42 ) cos 2θ]2 − (z12 z32 cos 2θ + 2z1 z2 z3 z4 + 2z22 z42 cos 2θ)2 − [(z22 z42 − z12 z32 ) sin 2θ]2 . (3.27) ´ f´acil ver a partir da expres˜ao p(θ) que os quatro poss´ıveis pontos cr´ıticos para essa E rede s˜ao definidos por zi = 0, com i = 1, 2, 3 ou 4. Fazendo agora z1 = z3 e z2 = z4 , com z = zz43 , obtemos ent˜ao o comportamento da energia livre e de suas duas primeiras derivadas em fun¸ca˜o de z. Um caso particular da figura 3.9 est´a representado na figura 3.10, na qual fizemos z3 = z1 e z4 = z2 , resultando em trˆes tipos de fugacidade. Os resultados para esse caso s˜ao idˆenticos aos que foram obtidos logo acima. Outro caso particular da figura 3.9 ocorre quando fazemos z1 = z2 = z3 = z4 = z; este caso n˜ao apresenta uma transi¸ca˜o de fases.. Para os dois casos de rede 4-6 exibidos nas figuras 3.9 e 3.10, obtivemos os seguintes resultados para a entropia por d´ımero e liberdade molecular por d´ımero no regime de altas temperaturas: ln Z{z0 = z1 = z2 = z3 = z4 = 1} = 0.388 747 872 . . . N Φ = exp. ln Z{z0 = z1 = z2 = z3 = z4 = 1} = 1. 475 132 582 . . . N. (3.28) (3.29). De acordo com o que sugere a figura 3.13, o comportamento termodinˆamico dos d´ımeros adsorvidos nas redes da figura 3.9 e 3.10 ´e idˆentico ao da rede 4-6 formato 2, mostrado na se¸c˜ao anterior, com mesmo valor da entropia e liberdade molecular no limite de altas temperaturas. De fato, todas as geometrias de redes 4-6 apresentadas neste cap´ıtulo apresentam comportamento similar nas respectivas grandezas termodinˆamicas, com uma sutil diferen¸ca na energia livre de cada caso. Apresentamos abaixo uma tabela com a compara¸c˜ao dos resultados obtidos neste cap´ıtulo. No pr´oximo cap´ıtulo mostramos os resultados para topologias de redes 3-6 e 3-4, com a primeira delas exibindo um comportamento termodinˆamico tamb´em semelhante a estes mostrados aqui. 37.

(45) Figura 3.10: Rede 4-6 formato 3 com trˆes tipos de fugacidade.. Rede 4-6 formato 1 4-6 formato 2 4-6 formato 3. Anisotropia 3 3 5. Liberdade molecular 1. 397 158 953 . . . 1. 475 132 582 . . . 1. 475 132 582 . . .. Tabela 3.1: Quadro comparativo dos resultados obtidos para as redes 4-6.. 38.

(46) Figura 3.11: Energia livre da rede 4-6 formato 3 (fig. 3.9) em fun¸ca˜o de z.. Figura 3.12: Entropia dos d´ımeros adsorvidos na rede 4-6 formato 3 (fig. 3.9) em fun¸c˜ao de z.. 39.

(47) Figura 3.13: Calor espec´ıfico dos d´ımeros adsorvidos na rede 4-6 formato 3 (fig. 3.9) em fun¸ca˜o de z.. 40.

Referências

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