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Alguns aspectos linguísticos do discurso judiciário

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Academic year: 2021

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ALGUNS ASPECTOS LINGÜÍSTICOS DO DISCURSO JUDICIÁRIO

D i s s e r t a ç ã o a p r e s e n t a d a a o c u r s o d e p ó s- g r a d u a ç ã o EM l i n g ü í s t i c a d a U N I V E R S I D A D E Fe d e r a l d e Sa n t a Ca t a r i n a^ c o m o p a r t e d o s R E Q U I S I T O S P A R A A O B T E N Ç Ã O D O G R A U D E l^iESTRE EM Li n g ü í s t i c a. V A L D A D E O L I V E I R A F A G U N D E S F L O R I A N Ó P O L I S -

SC

1986

(2)

E s t a d i s s e r t a ç ã o foi julgada adequada p a r a a obtenção do grau de

MESTRE E M LETRAS

A r e a de L i n g ü í s t i c a - Fonética e Fonologia A p l i c a d a s - e apro­ vada e m sua forma final pelo Programa de P Ó s - G r a d u a ç ã o e m L e ­ tras .

B A N C A EXAMINADORA;

Prof.Dr. A p ó s t o l o T. N i c o l a c ó p u l o s Coordenador do Curso de Pos-Gradua- ção e m Letras - L i n g ü í s t i c a

^/JL

Prof? Dr$ M a r i a M a r t a Furlanetto O r i e n t a d o r a

'A^Q/u^

Prof. Dr. Luiz Carlos Cagliari Co-Ori e n t a d o r

Prof? Dr? M a r i a M a r t a F urlanetto

(2 u::f/‘C C L ^ _______

Prof. Dr. Luiz Carlos Cagliari

Prof? Dr? Ingedore G. V. Koch

(3)

A

(4)

à m i n h a sogra e a M a r i a da Penha, m inhas mães.

À Juraci Rausch, amiga de

todas as horas.

A Daniela, Isabella e júnior, meus filhos.

(5)

Aos meus orientadores;

- Doutor Luiz Carlos Cagliari que, c o m c o m p e t ê n c i a ,trans­ formou a o r i e n t a ç ã o n u m verdadeiro curso de Lingüística, i n d i ­ cando direções, acreditando em meu trabalho, a l é m de u m conví­ vio de amizade e consideração,

- Doutora Maria Marta Furlanetto, pela bondade, p a c i ê n ­ cia, pela constante e dedicada orientação.

Ao P r o f e s s o r Doutor Dario Fred Pagel, por p o s s i b i l i t a r a

c o ntinuidade da dissertação, em momentos tão difíceis; apontou

caminhos, e s t i m u l o u e confiou e m meu trabalho.

à D o u t o r a Ingedore G. Willaça Koch, pelo carinho, a m i z a ­ de e suas sugestões de tão grande valia. '

à amiga. Professora Marcilda Regina Cunha da Rosa, d e d i ­ cada datilógrafa, pela ajuda enorme.

à P r o f e s s o r a Henny Mary Hildebrand Gouvêa que, a l ê m de conselhos e estímulo, auxiliou-me com a b i b l i o g r a f i a jurídica, franqueando-me, inclusive, sua biblioteca.

à CAPES, pelo auxílio financeiro, p a r a reali z a ç ã o desta pesquisa.

(6)

RESUMO

A LGUNS ASPECTOS LINGÜÍSTICOS DO D I S C U R S O J UDICIARIO

Neste trabalho, partiu-se da o b s e r v a ç a o de alguns fenô­

menos suprassegmentais do discurso j udiciário oral, para, e m

seguida, p r o c e d e r - s e ã d e s c r i ção/explicação destes fenômenos. Tentou-se m o s t r a r a importância de se i n t e g r a r pesquisas r e c e n ­ tes na área da Lingüística e da F o n o l o g i a ao c a m p o do Direito, certa de que p o d e r i a m trazer subsídios v a l i o s o s p a r a um estudo mais aprofu n d a d o e palpável do discurso judici á r i o e, mais e s ­ pecificamente, para o do Tribunal do Júri.

Os objetivos deste trabalho são, portanto, os seguintes:

1) P r o c e d e r a u m estudo descri t i v o / e x p l i c a t i v o dos fe­ nômenos suprassegmentais do discurso judic i á r i o oral.

2) P r o c e d e r â análise geral da e s t r u t u r a discursiva.

3) P r o c e d e r â análise dos recursos f o n o e s t ilísticos tais como: ritmo, tessitura/ grupo tonal, entoação, nos discursos da acusação e da defesa.

4) V e r i f i c a r em que medida o uso de tais recursos con­ tribui para m a i o r eficácia do discurso, e m termos de persuasão.

Este trabalho consta de três partes: a introdução, em

que se a p r e s e n t a m a justificativa da e s colha do tema, os o b j e ­ tivos, as hipóteses, a metodologia, a d e l i m i t a ç ã o e uma síntese dos fundamentos teóricos; a segunda, que constitui o d e s e n v o l ­ vimento ou corpo do trabalho, contendo 4 capítulos: nos c a p í t u ­ los 1 e 2, p r o c e d e - s e â descrição geral e â análise do discurso

(7)

da acusação e da defesa, respectivamente, à luz dos fundamentos teóricos selecionados; no capítulo 3, a n a l i s a m - s e os apartes;

no capítulo 4, apresenta-se a título de ilustração, através de

transcrição fonética, uma a m o s t r a g e m das e s tratégias fonéticas utilizadas pelos locutores, c o m o o b j e t i v o de r e s s altar a sua importância no discurso; a última parte consta das conclusões a que se chegou, retomando-se os o b j e t i v o s e as hipóteses, no sen­ tido de verificar se aqueles foram atingidos e se estas se c o m ­ provaram, concluindo-se pela sua comprovação.

(8)

ABSTRACT

S O M f LINGUI S T I C VIEWS OF THE J U D I CIARY SPEECH

This p r o j e c t was started out from the o b s e r v a t i o n of some suprasegmental phenomena of the oral judiciary speech, afterwards p r o c e e d to the description/explanation of these phenomena. We tried to show the importance of being integrated in the most recent researches from the linguistic and p h o n o l o g i c a l area t h rough to the law field, sure that it could b r i n g valuable grants for a d eeper and clearer study of judiciary speech and more specif i c a l l y for the juri.

The aims of this project:

1) To p r o c e e d in a descriptive/detailed study of the supra s e g m e n t a l p h e n o m e n a of the oral judiciary speech.

2) P r o c e e d a general analysis of the structure of speech.

3) P r o c e e d an analysis of the phono stylistic resources, such as: rhythm, tessiture, tone group, intonation in diE:ussions of p r o s e c u t i o n and defense.

4) V e r i f y in w h a t measures the use of such resources adds to a h igher efficiency of the speech in terms of persuation.

This p r o j e c t is divided into three parts; the introduction, in w h i c h the justification theme chosen is presented, the

objectives, the hypothesis, the metodology, the delimitation, and a summary of the theoretical bases; the second, w h i c h constitutes the d evelopment or the body of the project, c ontaining four chapters: in chapters 1 and 2 the general

(9)

descri p t i o n is p r o c e e d e d as well as the analysis of the speech of p r o s e c u t i o n and defense respectively, foculizing the selected theoretical basis; in chapter 3 the asides are analysed; in

chapter 4 a sample of the used phonetic strategies is p r e s e n t e d as example through the fonetic transcription, by the s p e e c h e r s , w i t h the aim of e m p h a s i z i n g its importance in speech; the last part contains the conclusions reached to, r e c o v e r i n g the

object i v e s and hypothesis, in o r d e r to v e r i f y that those were attained and if these were proved, conclu d i n g by its prove.

(10)

I NTRODUÇÃO ... 1

DESENVOLVIMENTO; ANÁLISE DO CORPUS ... 11

CAPÍTULO 1 - DISCURSO DA A C U S A Ç Ã O ... ... 12 Bloco 1 . ... 18 Bloco 2 ... ... ... 22 Bloco 3 ... ... ... 29 Bloco 4 ... ... 32 Bloco 5 ... ... 40 Bloco 6 ... ... ... 45 Bloco 7 ... 54 Bloco 8 . ... ... 56 Bloco 9 ... * ... 62 Bloco 10 ... 67 Bloco 11 ... 72 Bloco 12 ... ... 74 Bloco 13 . ... ... ... 79 Bloco 14 ... 82 Bloco 15 ... ... ... 86 Bloco 16 ... . . ... 88 Bloco 17 ... ... ... 92 Bloco 18 .... . . ... 96

Conclusão do Discurso da Acusa ç ã o ... 100

CAPÍTULO 2 - DISCURSO D A D E F E S A ... ... 102

Bloco 1 ... ... 104

(11)

Bloco 3 ... .. 111

Bloco 4 ... .. 115

B l o c o 5 ... ... ... .. 119

Bloco 6 ... .. 122

B l o c o 7 ... .. 133

Conclusão do Discurso da Defesa ... .. 143

CAPÍTULO 3 - A P A RTES ... .. 146

A p a r t e s no Discurso da A c u s a ç ã o ... .. 150

A p a r t e s no Discurso da Defesa ... .. 154

C A P Í T U L O 4 - ESTRATÉGIAS FONÉTICAS - A M O S T R A G E M ... .. 156

C O N C L U S Ã O ... ... ... .. 183

1. A v a l i a ç ã o Final dos Discursos ... .. 184

1.1. D i s c u r s o da Promotoria ... .. 184

1.2. D i s c u r s o da Defesa ... .. 185

1.2.1. Advogado n9 1 ... .. 185

1.2.2. Advog a d o nÇ 2 ... .. 186

2. R e t o m a d a dos Objetivos e das Hipóteses ... 188

RE F E R Ê N C I A B I B L I O G R Á F I C A ... .. 190

ANEXOS ... 193

Anexo 1 - P r o n u n c i a m e n t o da Justiça P u b l i c a ... 194

(12)
(13)

/

I

G r u p o Tonal --- sílaba T ô n i c a Saliente O sílaba T ônica A V o l u m e de Voz = Forte A A V o l u m e de Voz = F ortíssimo D V o l u m e de Voz = Fraco

DD V o l u m e de Voz = Fraquíssimo, Quase S u s s u r r a d o

// Separação dos GTs (Grupos Tonais)

A Pausas (Sõ assinaladas quando na f r o n t e i r a de GT) V a r i a ç ã o de Pauta E n toacional

r iação d a T e s s i t u r a ("Key").

----M a r c a a

va-Linha Superior â E n t o a ç ã o = V e l o c i d a d e da Fala, Ritmo. Bem acentuai.

F a l a e m Veloci d a d e Normal R i t m o A c e ntuai

Fala com Veloci d a d e Reduzida

Ritmo A c e n t u a i começa a se desfazer. Sílabas T ô n i c a s são s a l i e n t a d a s .

F a l a vagarosa, destacando b e m as palavras, ritmo silãbi- bo

M a rcas de Intensidade, Força, V o l u m e o <=7 = Fala Suavizada, F r a c a Sem M a r c a = F a l a Normal

(14)

1. J u s t i f i c a t i v a da Escolha do Tema

Ao c o n cluir os créditos do Programa de P ó s - G r a d u a ç ã o e m Fonética e F o n o l o g i a da Universidade Federal de Santa Catarina, e cursando Ciências Jurídicas na Fundação U n i v e r s i t á r i a da R e ­ gião de Blumenau, p êrcebeu-se a import â n c i a de se integrar as pesquisas lingüísticas ao campo do Direito, certa de que p o d e ­

ria trazer subsídios valiosos para um estudo mais aprofundado

e palpável do discurso judiciário, e mais especificamente, para o do Tribunal do J Ü r i .

Assim, com base em investigações recentes na área de Aná­ lise do D i s curso e da Argumentação, e nas novas contribuições da Fonética e da Fonologia para a p e s q u i s a dos elementos s u p r a s ­ segmentais, decidiu-se proceder á análise de discursos j u r í d i ­ cos orais, produz i d o s em sessão do Tribunal do Júri de Santa Catarina, p e l o representante do M i n i s t é r i o Público (Acusação) e pelos advogados de Defesa, no sentido de v e r i f i c a r e m que m e ­ dida esse instru m e n t a l teórico p e r m i t i r i a e x p licar e c o m p r e e n ­ der m elhor o seu funcionamento.

(15)

2.1. Geral

Pr o ceder a um estudo descritivo dos fenômenos suprasseg­ mentais no discurso jurídico oral.

2.2. Especí f i c o s

2.2.1. Proceder â análise geral da e s t r u t u r a discursiva.

2.2.2. Proceder à analise dos recursos fonoestilísticos

tais como: ritmo, tessitura, grupo tonal, entoação, nos d i s c u r ­ sos da acusação e da defesa.

2.2.3. Verif i c a r e m que m e dida o uso de tais recursos contribui para m aior eficácia do discurso, e m termos de p e r s u a ­ são.

3. Hipóteses

H^ - Os recursos fonéticos e fonológicos {suprassegmen­

tais, prosódicos) têm uma influência d e c isiva na estruturação

do discurso judiciário oral.

H2 - 0 uso adequado desses recursos p o d e influir de m a ­ neira d e c isiva no julgamento do p r o cesso pelos membros do T r i ­ bunal do JÚri, predispondo os jurados ã a c e i tação das teses ou da defesa ou da acusação.

(16)

Para atingir os objetivos traçados, adotar a m - s e os p r o ­ c edimentos seguintes:

4.1. Levant a m e n t o dos fundamentos teõricòs do trabalho, nas áreas de Análise do Discurso, A r g u m e n t a ç ã o e Retórica, e no campo da F o n ética e Fonologia, através de t r i a g e m e análise da b i b liografia pertinente.

4.2. Levant a m e n t o das hipóteses.

4.3. Gravação e transcrição do corpus.

4.4. T e s t a g e m das hipóteses, por m e i o da análise do corpus, ã luz dos fundamentos teóricos selecionados.

4.5. Conclusòes e redação da dissertação.

5. Delimitação

Este trabalho inicial d elimita-se ao e s t u d o do discurso judiciário oral, e m sessão do JÚri P o p u l a r de Santa C atarina,e

á análise dos discursos p roduzidos pela a c u sação e defesa. Em

trabalho posterior, p r e t e n d e - s e ampliar a.pesquisa, estendendo- -se a outros casos e a outras peças jurídicas.

6. Corpus

O corpus deste trabalho consta de cinco horas e m e i a de gravações em sessão p u b l i c a do Tribunal do JÚri da Comarca de Blumenau, Estado de Santa Catarina, em 7 de maio de 1986.

(17)

T rata-se de três discursos, pronunciados, r e s p e c t i v a m e n ­ te, p e l o representante do M i n i s t é r i o P ú b l i c o (Acusação) . e pelos dois advogados de defesa. Fez-se ainda, uma a n álise dos apartes q ue foram implícita ou e x p l i c i t a m e n t e conced i d o s pelos a d v o g a ­

dos, na situação discursiva. O promotor, n a t u r a l de Rio do

Sul, n a s c i d o e m 1948, descende de alemães, mas fala somente Por­ tuguês. O advogado n9 1 é natural de Ilhota, 35 anos, fala p o r ­ tuguês e u m dialeto italiano. O a d v ogado n9 2, natural de Rio do Sul, 37 anos, fala somente Português.

N ã o houve preocupação e m o mitir os nomes do réu e da v í t i m a pelo fato de se tratar de p r o c e s s o já julgado, que teve a mpla divulgação nos jornais e o u tros meios de comuni c a ç ã o da época.

7. E s t r u t u r a da Dissertação

Esta dissertação consta de três partes; a p r i m e i r a é a introdução, e m que apresenta a j u s t i f i c a t i v a da escolha do t e ­ ma, os objetivos, as hipóteses, a m e todologia, a delimitação, o

corpus e, finalmente, uma síntese dos fundamentos teóricos do

trabalho; a segunda constitui o d e s e n v o l v i m e n t o o u corpo do

trabalho, contendo 4 capítulos: no capítulo 1 e 2, procede-se

á d e s c r i ç ã o geral e ã análise do d i s curso da acusação e da d e ­ fesa, respectivamente, à luz dos f undamentos teóricos s e l e c i o ­

nados; no capítulo 3, a nalisam-se os apartes; no capítulo 4,

a p r e s e n t a - s e a título de ilustração, através de transc r i ç ã o fo­ nética, uma amostragem das e s tratégias fonéticas utilizadas p e ­

(18)

que se chegou, retomando-se os o b j e tivos e as hipóteses, no sentido de verif i c a r se aqueles foram atingidos e se estas se

comprovaram, c o n cluindo-se pela sua comprovação. Apresenta-se,

a seguir, a b i b l i o g r a f i a efetiv a m e n t e utilizada; no início, e n ­ contram-se o sumário e a tabela de sinais.

8. F undamentos Teóricos

Para o levantamento dos fundamentos teóricos da pesquisa, dividiu-se a biblio g r a f i a s elecionada e m duas partes: a r e f e ­ rente ao discurso, ã a r g umentação e â retórica, e aquela r e f e ­ rente â F o n é t i c a e Fonologia.

Na primeira, tomaram-se como básicos os trabalhos de

Barthes (1970), Perelman (1976), Osakabe (1979) e Koch (1984),

na segunda, os de Pike (1943), Aberco m b i e (1973), Halliday

(1973, 1975 e 1985) e Cagliari (1982, 1983, 1984).

C o nsiderando tratar-se aqui de u m trabalho de aplicação

das teorias selecionadas à descrição e ã análise do corpus,

consistindo justamente nisso a novidade da pesquisa, que por

si só já assume propor ç õ e s bastante amplas e m se tratando de uma tese de d issertação de mestrado, decid i u - s e não a p r e s e n t a r um capítulo de resenhas da biblio g r a f i a p e r t i n e n t e e p r o c e d e r

ã resenha dos aspectos significativos ã m e d i d a que se forem

tornando necessários, no próprio decor r e r das análises. A c r e d i ­ ta-se que, deste modo, aument a - s e a legibilidade do texto para não especialistas, jâ que o trabalho v i s a a t ingir não só l i n ­ güistas, mas t a m b é m estudiosos da área de Ciências Jurídicas e Sociais.

(19)

mesmo porque se trata, em grande parte, de obras de acesso re­

lativamente fácil, além de algumas outras encontráveis em bi­

bliotecas especializadas.

A escolha dos trabalhos citados justifica-se pelas r a ­

zões seguintes: a obra de Barthes (1970), trans c r i t a de u m s e ­ minário realizado na École Pratique des Hautes Études e m 1964- -1965, tem, como o b j e t i v o .p r i n c i p a l , "confrontar a nova s e m i ó ­ tica de estilo e a antiga prática da l i n g u a g e m literária, que, durante séculos, se chamou Retórica" (p.147). A f i r m a Barthes que "Retórica Antiga, aqui, não quer dizer q u e haja uma R e t ó r i ­ ca Nova. Retórica A ntiga opõe-se antes a este N o v o q u i ç á ainda não terminado: o m u n d o está incrivelmente cheio de R e t órica A n ­ tiga" (p.14 7).

»

Embora o objetivo tenha sido o de a p r e s e n t a r um p a n o r a ­ ma cronológico e sistemático da Retórica A n t i g a e Clássica, i s ­ to "não quer dizer que", diz o autor, "durante essa pesquisa, eu não tenha v i brado muitas vezes de a d m i ração diante da força e sutileza desse antigo sistema retórico e diante da m o d e r n i d a ­ de de algumas de suas proposições (p.147, grifo nosso).

Barthes nos apresenta, sem nenhuma dúvida, a mais p ro­

funda revisão da Antiga Retórica feita em nossos dias.

Perelman (1976) p o r*sua vez, aludindo ao esque c i m e n t o e

ao d e s interesse que recaiu sobre a Retórica, da parte dos lo-

gicistas e dos filósofos modernos, diz ser esta a razão pela

qual seu "Tratado de Argumentação" se liga, sobretudo ás p r e o ­ cupações da R enascença e, por meio delas, as dos autores gregos e latinos que e s t u d a r a m a arte de p e r s u a d i r e convencer, a

(20)

Sua analise vai c o n c entrar-se nas provas que Aristóteles chama Dialéticas e que examina e m seus "Tópicos", m o s t rando sua utiliz a ç ã o na "Retórica". Sua obra, c e n t r a d a na noção de A u d i ­ tório da Retórica Tradicional, o c u p a - s e dos M e i o s Discursivos p a r a obter a adesão dos espíritos: "Somente a técnica que usa a linguagem para persuadir e para c o n v e n c e r será, p o r t a n t o , e x a ­ minada" (p. 10).

Seu objetivo é construir xima t e o r i a da a r g u m e n t a ç ã o ,a n a ­ lisando os meios de prova de que se s e r v e m as Ciências Humanas, o Direito e a Filosofia; e x a minar os a r g u m e n t o s apresentados por public i s t a s em seus jornais por p o l í t i c o s e m seus d i s c u r ­

sos, por advogados em suas d e m a n d a s , p o r juizes em seus c o n s i ­ d e r a n d o s , p o r filósofos em seus tratados" (p.13, grifos n o s ­ sos) .

S e g u i n d o a mesma trilha, e n c o n t r a - s e o trabalho de Osa- kabe (1979), que estabelece como o b j e t i v o i n v e s t i g a r a i m p o r ­

tância que tem, do ponto de vista da língua e do discurso, a

s u b jetividade que este último revela; e, do p o n t o de vista d e s ­ ta subjetividade, equacionar "a i m p o r t â n c i a e a propri e d a d e das contribuições hoje um tanto d e s p r e s t i g i a d a s da R e t ó r i c a " ( p . 38).

A hipótese fundamental de seu trabalho, ê desdobrada em

três pontos;

A) Uma teoria lingüística, desde que vise ao discurso,

deverá ter necessariamente outros fundamentos que os p r o p o s t o s pelo estrut u r a l i s m o e pela teoria g e r a t i v o - t r a n s f o r m a c i o n a l .

B) Tal teoria terâ de consid e r a r a p e r t i n ê n c i a dos modos de elocução da frase, mas sobretudo i n v e s t i g a r os modos de e l o ­

(21)

sibilidade de e s t a b e l e c e r princípios que f u n d a m a organ i c i d a d e dos discursos.

Como q u e s t ã o previa, Osakabe estuda A O r g a n i z a ç ã o A r g u ­ m e n t a t i v a do Discurso — Promoção, E n v o l v i m e n t o e Engajamento; na 2? parte do livro, dedica u m capítulo â R e t órica — o u Ação pela Linguagem, retomando a Retórica de A r i s t ó t e l e s e a R e t ó r i ­ ca de Perelman.

Koch (1984), partindo do p o s t u l a d o de que a argumentati- v idade estâ inscrita no uso da linguagem, c o n s i d e r a - a como a t i ­ v idade e s t r u t u r a n t e de todo e q u a l q u e r discurso, já que a p r o ­ gressão deste se dá por meio das articulações a r g u m e n t a t i v a s . A argumentatividade.deve, pois, ser c o nsiderada como fator b á ­ sico não só de coesão, mas sobretudo, de coerência textual.

V o g t (1980) apresenta o discurso como uma ação d r a m á t i ­ ca, jogo de m á s caras através do qual o locutor e x plode numa sé­ rie de enunci a d o r e s diferentes que se r e p r e s e n t a m d entro do discurso. É e n c a r a n d o a lingu a g e m como xima r e p r e s e n t a ç ã o — . no

sentido teatral do termo ■— que se pode dizer que neste nível

— o nível da "Mostração" — a linguagem é sempre gestual.

No campo da F o n ética e F o n o l o g i a selecionaram-se, como básicos, os trabalhos de Halliday (1973, 1975 e 1985) e C a g l i a ­ ri (.1982, 1983, 1984) e Marcuschi (.1985) .

Ha l l i d a y U 9 6 3 , 1970, 1985) apresenta ura m o d e l o d e s c r i ­ tivo da entoação que, incorporando parte da d e s c r i ç ã o do ritmo da língua, m a r c a de raaneira siraplificada, porêra completa, todas

as c aracterísticas entoacionais mais importantes, u sando uma

(22)

Seguindo o que diz Halliday, a entoação, além de ser u m p r é - requisito fonético na c a r a c t e r i z a ç ã o da fala, tem a i n d a uma i mportância muito grande porque é uma m a n e i r a que a língua usa p a r a dizer coisas diferentes. Q u a n d o se m u d a a e n t oação de um

enunciado, muda-se seu significado. E m geral, vim enunciado tem

muitas possibilidades e n t o a c i o n a i s , e a escolha de uma delas traz significação diferente da e s c o l h a das outras p o s s i b i l i d a ­ des.

As diferenças de s ignificado carreadas pela entoação fa­ zem parte da Gramática da língua. Essas diferenças de s i g n i f i ­ cado são da mesma n a t u r e z a que as diferenças, p o r exemplo, de modo, tempo, aspecto, etc. Os padrões e n toacionais d e s e m p e ­

n h a m também um papel fundamental na r ealização semântica de

atos de fala e na estrut u r a ç ã o de conteúdo de enunciados c o m ­ p l e x o s e da confecção e m o n t a g e m do discurso.

Cagliari concentra seu t r a balho nos aspectos fonéticos

da entoação, sobretudo nas v a r i a ç õ e s melód i c a s que dão o r i g e m aos tons, em seu trabalho "Os Tons do Português Brasileiro", de

1979. Luiz Carlos Cagliari a p r e senta uma aplicação do m odelo

descritivo de Halliday â entoação do Português Brasileiro, b u s ­ cando, portanto, incorporar a d e s c r i ç ã o entoac i o n a l à Gramática de uma língua.

Segundo Cagliari, p a r a a descr i ç ã o lingüística, não necess i d a d e de se m a r c a r todo tipo de v a r i a ç ã o melódica, que se ouve na fala. 0 import a n t e é sempre m a r c a r as variações q u e se r e l a c i o n a m de um modo o u de outro c o m funções gramaticais ou c o m manifestações semânticas da língua.

(23)

Marcuschi (1985), e m seu trabalho, tenta levantar a l g u ­ mas sugestões para a análise da o r g a n i z a ç ã o e segmentação das unidades lingüísticas da conver s a ç ã o c o m base nos marcad o r e s conversacionais. Parte da p r e m i s s a de que, sendo a conver s a ç ã o

um evento comunicativo que se constrói no tempo real, de turno

a turno, mas não a l e a t o r e a m e n t e , t o r na-se possível invest i g a r que recursos são utilizados pelos falantes na estrut u r a ç ã o do

texto que vão construindo. C o m isto, defende a tese de que a

o rgani z a ç ã o gramatical dos e l e m entos lingüísticos ocorre, na conversação, com a o rganização c o m u n i c a t i v a das unidades.

Para o embasamento teórico desta pesquisa proced e u - s e a uma série de outras leituras, tendo-se, portanto, citado s o m e n ­ te as específicas para este trabalho, isto é, aquelas que c o n ­ têm as idéias e noções básicas p a r a a análise do corpus.

(24)
(25)
(26)

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(27)

Apresentar-se-ã, n esta p r i m e i r a parte, o d i s c u r s o do r e ­ presentante do M i n i s t é r i o Público (acusação). A n a l i s a r - s e - ã a sua o r ganização argumentativa, tendo por base a "árvore r e t ó ­ rica" de Aristóteles, tal como nos é aprese n t a d a p o r Barthes

(1970;225).

A ristóteles apresenta as cinco partes da t é c nica r e t ó r i ­ ca; inventio, dispositio, elocutio, actio e memória.

Conforme Barthes (1970;102), em toda sua extensão, a

técnica retórica compreende essas cinco operações principais;

1?) Inventio invenire qui dicas achar o que vai dizer

2?) Dispositio inventa disponere pôr e m o r d e m o que se e n ­ controu

3?) Elocutio ornare verbis acresc e n t a r o o r n a m e n t o

das palavras, das diguras

4?) Actio agere et p r onuntiare tratar o d i s curso como

u m ator; gestos e dicção

(28)

Na inventio, criam-se os meios de c o n v encer e de c o m o ­ ver. Convence-se através das provas (extra-técnicas e técnicas) e comove-se por meio de apelos emocionais.

A d ispositio parte de uma dicotomia que jã era, e m o u ­

tros termos, a da inventio: animus impeilere (comover) / rem

docere (informar, c o n v e n c e r ) . 0 primeiro termo (o apelo aos sen­

timentos) cobre o exõrdio e o epílogo, as duas partes extremas

do discurso. 0 segundo termo (o apelo ao fato, à razão) cobre

a narratio (relação dos acontecimentos) e a confi r m a t i o (esta­

belecimento das provas o u vias de persuasão) isto é, as duas

partes m édias do discurso. A o r d e m sintagmática não segue a

o rdem paradigmática, e é necessário p r o c e d e r a uma construção em quiasmo;

demonstrativo....

exordio epílogo

n a r ratio confirmatio

"Em sua forma canônica, a o p o s i ç ã o p r i n c í ­ p i o / f i m comporta u m desnivelamento: no

exórdio, o o rador deve iniciar com p r u ­

dência, reserva, medida, no e p ílogo não

p r e c i s a mais se conter: e x plora a fundo suas motivações, põe em cena todos os r e ­ cursos do grande jogo patético" ( Barthes, 1970:206).

N a e l o c u t i o , p rocede-se á escolha dos ornamentos e à composição. A actio é o proferimento do d i s curso p e rante o p ú ­

blico, envolvendo, pois, a representação, no sentido teatral

(29)

d r a m a t u r g i a da païavra (a uma h i s t e r i a e a u m r i t u a l ) . F i n a l ­ mente, a m e m ó r i a consiste em r e c orrer à memória, p ostulando a s ­ sim, a i n d a nas palavras de Barthes, "a u m nível dos e s t e r e ó t i ­ pos, u m intertextual fixo, t r a n s m i t i d o mecanicamente".

inventio p a r t e m dois grandes caminhos: u m lógico, o u ­ tro psicológico: convencer e comover.

C O N V E N C E R (rem d o c e r e ) , s e g undo B a rthes (1970), requer uma a p a r e l h a g e m lógica chamada de p r o b a t i o (domínio das p r o ­ vas) : pelo raciocínio se faz uma v i o l ê n c i a justa ao espírito do ouvinte, cujo caráter, disposições psicol ó g i c a s , não são c o n s i ­ derados: as provas p o s s u e m força própria.

C O M O V E R (animus impellere) consiste, ao contrário, e m p e n s a r na m e n s a g e m probatória, não e m si, mas segundo o d e s t i ­

natário, segundo o humor de q u e m a deva receber; consiste em

m o b i l i z a r provas subjetivas, morais.

A t ravés dos dois caminhos — o do c o m o v e r e o do c o n v e n ­

cer — realizam-se os três atos referidos p o r Osakabe (1979):

promoção, envolvimento, engajamento.

P a r a facilitar a análise e d evido á e x t ensão desta peça oratória, ela será dividida e m 18 blocos, o b e d e c e n d o ao esquema

seguinte:

E x ó r d i o ; 19, 29, 39, 49, 59 blocos N a r r a ç ã o ; 69, 79 e 89 blocos

C o n f i r m a ç ã o ; 99, 109, 119, 129, 139, 149, 159, 169 blocos E p í l o g o : 179 e 189 blocos.

No bloco 4, ocorre u m aparte da d efesa e se instaura uma situação dialógica entre p r o m o t o r e a d v ogado de defesa.

(30)

PROMOÇÃO E ENVOLVIMENTO

e xCr d i o

19 Bloco: promoção Juiz Jurados defesa

colegas e serventuários da justiça * público em geral

objetivo: elevar o auditó­ rio a uma posição de des­ taque

2 9 Bloco: promoção e envolvimento do Conselho de Sentença — Comunidade de Blumenau (agente e beneficiário do processo)

Objetivo: demonstrar a improcedência de um novo julgamento e evar a Conse­ lho de Sentença a acolher a tese do Ministério Público

3<? Bloco: envolvimento do Conselho de Sentença

Objetivo: provar que a nulidade, que deu origem ao novo julgamento (falta de quisito sobre a legitima defesa própria) não se justificava

49 Bloco: apartes da defesa + justificativa do promotor para a posição assumida em re­ lação ã nulidade

59 Bloco: atenuação da critica feita ao Tribunal de Justiça por ter acolhida a nulida­ de, reforçando, porém, a idéia da nio necessidade de novo julgamento.

z u â 3 Ü ã K NARRAÇÃO CONFlRMAÇAO

69 Bloco: narração - 1? parte - fatos que levaram a um novo júri 79 Bloco: narração - 2? parte - fato em si - o crime

89 Bloco: narração - 2? parte - continuação - início da confirmação (apresentação das provas extra-técnicas)

99 Bloco: confirmação (continuação) - apresentação das provas técnicas = argumentação propriamente dita

109 Bloco: confirmação (continuação) - argumentação sobre as demais teses da defesa 119 Bloco: confirmação: destruição antecipada das possíveis teses e argum.^ntos da de­

fesa

129 Bloco: confirmação: nova apresentação de provas extra-técnicas - artiiios da lei pe­ nal

139 Bloco: confirmação (conclusão): fim do trabalho demonstrativo e argumentativo do Ministério Público, novamente com apresentação de novas técnicas

149 Bloco: nova promoção do Conselho de Sentença - elemento decisório no processo - no­ va contestação antecipada de argumentos possíveis da defesa - tentativa de obter definitivamente o engajamento do Conselho de Sentença

159 Bloco: análise dos quesitos, para persuadir os jurados de como devem ser respondi­ dos

169 Bloco: valorização da função do Ministério Público e comprovação da necessidade de condenação

EPÍLOGO PEO.'ioçÀo + e;;v o l v i- MENTO + EN’GAJAJ’IENTO

179 Bloco: epílogo - 1? parte - recapitulação

189 Bloco: epílogo - 2? parte - continua a recapitulação e apela a nível emocional.

(31)

BLOCO 1

-Segundo O s akabe (1979:96-123)/ o estudo da o rganização

argumentativa de um d i s curso depende t otalmente das c o n s i d e r a ­ ções sobre as condições de produção. Isto ê, d e pende das i m a ­ gens mútuas que se p r e s s u p õ e m fazer locutor e alocutário; d e ­ pende das imagens que se p r e s s u p õ e m fazer locutor e o u vinte so­ bre o referente; depende, e m último lugar, dos atos de l i ngua­ gem que o locutor realiza no momento do discurso.

0 locutor (promotor de justiça) cria uma i m a g e m a l t a m e n ­

te p o s itiva de seus alocutários (o juiz, seus adversários, a

defesa, os serventuários, o corpo de s e n tença e o p ú b l i c o ou p l atéia o u v i n t e ) .

Sabe que, criando essa i m a g e m p o s i t i v a do juiz, este se deixará envolver; p o r isso coloca-o numa p o s i ç ã o de juiz m o d e ­ lo, defensor da sociedade.

A i m a g e m que o locutor quer que seus ouvin t e s f a ç a m d e ­ le, é a de autoridade que responde, que luta p e l o s interesses da comunidade.

"Excelentíssimo Sr. Dr. 0. W., é com orgulho, com s a t i s ­ fação e com uma r e s p o n s a b i l i d a d e redobrada, que n o v a m e n t e atua­ mos p e rante o egrégio Tribunal P o pular do JÚri da C o marca de Blumenau, sob a p r e s i d ê n c i a de Vossa Excelência.

"Não nos seria difícil, nesta oportunidade, apresentar

adjetivos que colocariam Vossa Excelência na figura daquele

(32)

"Entretanto, como diariamente acompanhamos e testemunha­ mos o trabalho, a dedicação, a imparcialidade de Vossa Excelên­ cia na conduta de todos os casos e processos que tramitam sob a presidência de Vossa Excelência, só nos cabe nesta oportunida­ de, render nossas homenagens e desejar que Vossa Excelência,ain­ da que jâ tenha completado seu tempo de serviço, permaneça por mais muitos anos, na presidência da Vara Criminal da nossa Co­ marca.

"Porque, ainda que tenhamos que reconhecer o acúmulo de processos, a impraticabilidade de um serviço atuante, a impos­ sibilidade de se dividir os trabalhos a uma só presidência,acre­ ditamos que Vossa Excelência, com todas essas dificuldades, tem se mostrado um juiz exemplar, e que tem produzido acima do nor­ mal, e acima do que possa ser exigido de um só magistrado.Acei­ te .Vossa Excelência a nossa saudação.

*

"Excelentíssimos senhores doutores J..D. M . , N.M. A. e

V. Q. Como só poderia acontecer, para que a Justiça fosse ple­ namente realizada e a defesa inteiramente exercida, a figura do advogado se faz indispensável.

Entretanto, no caso dos autos, apresentam-se jovens ad­ vogados, formados na nossa recente universidade 1 blumenauense,

mas que, de forma brilhante, com muito trabalho e com muito

estudo, conseguiram, pela capacidade própria e individual, le­

var a um segundo julgamento, apÓs haverem anulado o que antes

se realizou. Reconhecemos a atuação da ilustrada defesa, por­

quanto por este trabalho que realizou atê o momento, além de

demonstrar conhecimentos técnicos, também demonstraram garra,

idealismo no trato das lides forenses. Por isso, nós respei­

(33)

"Sinto-me n a obrigação, jã que esta é a p r i m e i r a o p o r t u ­ nidade que de p ú b l i c o falo, de saudar p u b l i c a m e n t e a m i n h a c o ­ lega de trabalho, p r o m o t o r a de Justiça, a Dr? H. C. A., q u e re­ centemente foi d e s i g n a d a p a r a colaborar na V a r a Criminal.

"Aos ilustr í s s i m o s serventuários da Justiça, aqueles a q u e m todo p r o c e s s o depende, aqueles que realmente c o l a b o r a m e

impulsionam a ação da Justiça, agradecemos as a t e nções que nos

dedicam d i a r i a m e n t e e reconhecemos o trabalho que v ê m d e s e n v o l ­ vendo na V a r a Criminal, não s6 pela capacidade individual, mas pelo despre e n d i m e n t o c o m que têm se d esdobrado p a r a c o m p letar

a falta de funcionários do Cartório Criminal de Blumenau. Dal

as nossas homenagens.

"Saudamos c o m esperança aos acadêmicos de Direito, futu­ ros bacharéis e q u i ç á penalistas de renome nacional.

Saudamos os senhores advogados, minhas senhoras, meus

s e n h o r e s .

"Excelentíssimo Sr. V. R., E x c e l e n t í s s i m o Sr. O. K., E x ­ celentíssimo Sr. A. P., E x c e l e n t í s s i m o Sr. D. A. L . , E x c e l e n ­ tíssimo Sr. G. G . , E x c e l e n t í s s i m o Sr. D. T. J . , E x c e l e n t í s s i m o Sr. J. A. N."

No ato de p r o m o ç ã o p o de-se o b s ervar os seguintes a s p e c ­ tos: o locutor faz uso de uma l i n g uagem formal, muito cuidada, mantendo um tom de voz r e l a tivamente baixo, fluência vagarosa,

chegando ás vezes até ao ritmo silábico; tende a falar a l o n ­

gando as sílabas tônicas e a celerando nas átonas até c hegar nas tônicas. Estas m a r c a s fonológicas (estes recursos

(34)

suprassegmen-tais)/ usadas no enunciado acima, como t a mbém as pausas e o tom de voz, c o n s t i t u e m um recurso decisivo na organi z a ç ã o do d i s ­ curso em geral e, particularmente, do d i s c u r s o judiciário.

Essas pausas a p a recem nos momentos em que o texto se o r ­ ganiza, como a p a s sagem de um tópico a outro, na hora de a p r e ­ sentar u m argumento e dentro da e s t r utura discursiva, vindo por vezes evidenciar idéias-chave, a r g u mento p r i n c i p a l e desvios intencionais.

O sentido fundamental, a idéia p r i n c i p a l que o locutor q u e r que o alocutário apreenda, pode ser o b s e r v a d o através do me c a n i s m o "dado" e "novo" proposto p o r H a l l i d a y ("Language St r u cture and Language Function") e que pode ser m o s trado no seguinte esquema; DADO; JUIZ NOVO 1 acúmulo de p r o ­ cessos 2 im p r a t i c a b i l i d a ­ de de u m serviço atuante 3 i mpossibilidade de se dividir os t rabalhos a um.a sõ p r e s i d ê n c i a 4 exemplar 5 produção acima do normal 6 acima do que p o ­ de ser exigido por u m só m a g i s ­ trado

No § 49/ conforme se pode v e r i f i c a r no quadro a c i m a / o locutor argumenta usando uma escala de dificu l d a d e s e n f r e n t a ­

(35)

das pelo juiz, para p e r s uadir o o u vinte a c o n c o r d a r c o m ele: o juiz (dado) é realmente e x e m p l a r (novo).

0 "novo" aqui, p r o n u n c i a d o de forma silabada, evidenciou a unidade de informação, indo a l é m da semântica, privil e g i a n d o a F O R M A . A forma reforça a i nformação semântica.

S e g u n d o Osakabe, o ato de argume n t a r constitui uma e s ­ pécie de o p e r a ç ã o que visa fazer com que o o u v i n t e não apenas se inteire da i m a g e m que o locutor faz do referente, mas p r i n ­ cipalmente que o ouvinte aceite essa imagem.

A p r o m o ç ã o estâ, portanto, dentro do e x õ r d i o e da d i s p o ­ sitio (animus i m p e l l e r e ) , que é onde o locutor e s t i m u l a o e s p í ­ rito do alocutôrio, c o m o o b j e t i v o de captar a b e n e v o l ê n c i a das partes (juiz, jurados e público).

B L O C O 2

-A o s e g undo m o m e n t o daremos o nome de Envolvimento, e m b o ­ ra n e s t e e n v o l v i m e n t o ainda esteja p r e s e n t e a promoção, atra­ v é s da q u a l o locutor promove os alocut á r i o s a u m lugar de d e ­ cisão n o d e s e n r o l a r do processo. Ê aqui que se vai este ar o envolvimento; o Conselho de Sentença se sentirá valorizado, a l ­ çado a uma p o s i ç ã o de destaque, e vai c o r r e s p o n d e r a essa ima­ gem p o s i t i v a para não decepc i o n a r o promotor.

(36)

"Intencionalmente, não fraquejamos, mas especificamente,

porque compete tão-somente a Vossas Excelências, à c onsciência

de cada um, a decisão deste processo, o julgamento desse fato.

Vossas Excelências, representando novamente a comunidade de

Blumenau, que jã julgou com acerto estes fatos, jã decidiu o

m érito do processo. Mas foram obrigados a se a s s e n t a r e m n o v a ­ mente no banco destinado ao Conselho de Sentença, por uma falha processual.

"Não houve q u a lquer falha de decisão de mérito, no p r o ­ cesso anterior. Por isso, sinceramente, cora a m a i o r s i m p l i c i d a ­

de possível, eu p o deria me ater, nesta oportunidade, a tão so­

mente p e d i r desculpas â comunidade de Blumenau, p o r reuni-la n o v a mente neste conselho, para confirmar uma d e cisão que jâ t o ­ m a r a m e que sõ deve ser confirmada por falha processual.

"Isto, se admitíssemos esta falha. Mas foi julgado, e

este julgamento houve recurso, e este recurso p o r i m p r o p r i e d a ­ de não subiu, conseqüentemente a decisão do Tribunal que m a n t e ­ ve a a n u l a ç ã o do p r i meiro jüri, transitou e m julgado, e por is­

so devemos julgar aquilo que jâ estâ julgado. P a r a julgar a

ação de A. 0- A., eu me limitaria a cinco linhas, escritas de

p r óprio punho, e c o m tranqüilidade eu submet e r i a o p r o c e s s o a julgamento p e l a nossa comunidade. Mas, c o m aquela r e s p o n s a b i l i ­ dade de q u e m tem que justificar o porquê da p r e s e n ç a novamente neste Tribunal, de uma comunidade que jâ decidiu, e que decidiu c o m acerto, mas que por problemas p rocessuais d e v e r á se m a n i ­ festar novamente, somente para justificar a p r e s e n ç a de Vossas Excelências, é que eu me atenho a esta m e i a folha de papel.

y

"Vossas Excelê n c i a s foram inteiradas de todas as provas e xistentes nos autos. Por inteiro, por quê? P o r q u e as provas

(37)

havidas por o c asião do inquérito, foram reconstituídas, o u re­ feitas, na i n s t rução criminal, e foram lidas hoje a Vossas E x ­ celências, tpdos os depoimentos. Estas p rovas t a m b é m f o r a m o b ­ jeto de novas indagações por o c asião do júri anterior. Mas este júri foi anulado. O que é nulo, não e xiste no m u n d o jurídico. Não comporta fundamentação em cima do que é nulo. E daí, porque não r e q u e r e m o s a leitura das declarações das três testemunhas trazidas p e l a defesa, e que s5 d e p u s e r a m e m p l e n á r i o do júri. Porque estas declarações, para n5s, não e x i s t e m nos autos. M e s ­ mo assim, estas declarações em nada a l t e r a m a situação fática. Não i n v e r t e m a situação do processo. Que, n u m resumo b e m gros­ seiro, p o d e r i a ser dito; matou porque o b i c h e i r o não quis lhe

pagar 600.000 cruzeiros, de uma aposta que ele diz ter feito.

Este é o m o t i v o do homicídio. Não existe outro."

Tentar e m o s analisar este bloco, segundo os trabalhos de Halliday ("Language Structure and L a n guage Function"), da se­ guinte forma: a idéia principal do l o c utor é c o l o c a r a c omuni­

dade como agente que atuará no processo de j ulgar a ação do

réu. A comun i d a d e terá a função de "agente" e, ao m e s m o tempo, "beneficiário" do processo, que será exposto e m dois esquemas;

(38)

Esquema I ;

(interessa â acusação ativar)

agente beneficiário

Meta; condenação do réu, elemento indesejado, nocivo ao c o n ­ vívio social.

(39)

Es quema I I ;

o que foi ativado pelo recurso

da defesa (inconveniente, que

causa prejuízos, a comunidade é lesada)

agente

O b r i g a d a a julgar n o ­ vamente aquilo que já

foi julgado; ela i

u m joguete nas mãos

(40)

No' esquema I, o locutor faz uso do recurso de rèitera-

ção, através do qual é explicitada a idéia de que não hã razão

para se r e petir o julgamento, mas é levando esta m esma c o muni­ dade a se sentir capaz de julgar com acerto (ainda que d e s n e ­

cessário, pois já o fez) que o locutor p r omove o alocutário a

u m lugar de decisão nas relações jurídicas (cf. Osakabe, 1979:

100-101). O locutor elabora a imagem que deseja que o alòcutá-

rio pense que ele t e m deste e, de outro lado, a i magem que o locutor faz do referente e aquela que ele p r e s supõe que o a l o ­ cutário faz desse mesmo referente. A l é m dos recursos l i n g ü í s t i ­ cos no sentido estrito, como repetição, reiteração e t r a n s i t i ­

vidade, segundo Halliday, aparecem t ambém recursos fonológicos

que m a n i f e s t a m as atitudes do falante, como: uso de t o m de voz mais alto p a r a valorizar, realçar sua i ndignação por reunir n o ­ v a mente a comuni d a d e para julgar u m fato que já fora julgado. 0 abaix a m e n t o da voz realça o desprezo que o locutor sente pelo fato que estâ narrando.

A t r avés da m o dificação na entonação usada pelo locutor, tentaremos m o s t r a r a m a neira pela qual o o u v i n t e sente que o locutor deixa m a n i f e s t a r e m - s e as palavras que d eseja e n f a t i ­ zar;

1. N O V A M E N T E

2. ^ julgou C O M ACERTO

3. SÓ v o l t o u a julgamento por F A L H A P R O C E S S U A L (não por decisão de mérito)

4. C O N F I R M A Ç Ã O do 1? julgamento.

0 l o cutor retoma o problema (julgar novamente) e, ao

seu modo, expÕe para o alocutário seu posici o n a m e n t o (como a u ­

(41)

julgamento anterior, jã julgado com acerto) somente porque hou­ ve \ama falha processual, não sua, mas de seu adversário.

Com o que expõe sobre o referente, e da maneira como o

faz,^ o locutor quer mostrar â comunidade que ela foi lesada com a anulação do julgamento anterior e que, como representante do poder publico, quer resgatar a imagem que ele pensa que a comu­

nidade faz do poder judiciário; mas para que essa ação se con­

cretize, ele precisa da ação dessa comunidade (pelo v o t o ) , que

fará o novo julgamento. 0 locutor, ao retomar o problema criado pela anulação do primeiro julgamento, e pedir desculpas á comu­ nidade por todo o transtorno criado, antecipa para o seu ouvin­

te (Conselho de Sentença) que o que quer realmente é que con­

firma a decisão tomada no primeiro julgamento, pois esta é a

decisão certa.

Segundo Osakabe (1979), pelo ato do envolvimento, o l o ­

cutor, ao mesmo tempo em que v e r b a l i z a a i m a g e m que o a l o c u t á ­ rio deve fazer da função judiciária, situan d o - a n u m nível i d e ­ al, assume essa imagem e a coloca e m confronto c o m a i m a g e m s o ­

bre o referente. Desse confronto nasce a condição fundamental

p a r a o ato seguinte, o do Engajamento, que constitui a a l t e r ­ n a t i v a fornecida ao interlocutor p a r a a solução do impasse que e v e n t u a l m e n t e lhe criou durante o envolvimento, o u p a r a sua a- d esao â situação que sè descreve nesse mesmo envolvimento.

Antes de convocar o alocutário ao ato de Engajamento pro­

priamente dito, o locutor esboça um quadro, tentando explicar

â comunidade o porquê de sua presença novamente no Tribunal;is­

to ê feito através de uma síntese da acusação: "O motivo, que

levou o reu, a desfechar três tiros na vítima, i tão somente

(42)

permi-tindo, assim, que seus interlocutores p e n s e m cuidadosamente o m o t i v o , que aliás já foi minimizado (minimiza ao m áximo a causa do crime, p a r a m o s t r a r o descalabro da reação criminosa, d e s ­ propo r ç ã o entre o fato e a ação criminosa), amesqu i n h a d o pelo locutor q uando diz "é tão somente aquela aposta de bicho", tentando p e r s u a d i r seus alocatários a p e r c e b e r e m o homicídio como ele o percebe e julga; uma ação injustificável.

Cria uma p ausa longa enfática (cf. Marcuschi, 1985) para reforçar o p e n s a m e n t o que inicia no bloco 3, onde usa um outro recurso fonolo g i c o e retórico, o p a ralelismo — "Toda aquela h i s t ó r i a de casamento, toda aquela histó r i a de aluguel de c a r ­ ro, toda aquela histó r i a de testemunhas..."

BLOCO 3

-No bloco 2, o objetivo do Ministério P u b l i c o foi, ainda, d e m o n s t r a r a inutilidade, a improcedência de u m novo julgamen­ to para u m caso que já foi decidido e b e m decidido.

N este bloco 3, ele passa a discutir a q u estão do q u e s i ­

to que teria faltado no julgamento anterior — o da legítima

defesa p r ó p r i a — , tentando provar não só que é totalmente i m ­

procedente, como ainda que entraria em choque com o u t r a tese

da defesa, a da legítima defesa putativa, por se t r atar de t e ­ ses conflitantes.

(43)

"Tudo o resto, toda aquela h i s t ó r i a de casamento, toda aquela história de aluguel de carro, toda a q u e l a história de testemunha, de jogo de bicho, de parente, de vizinho, se estava o u não estava, se atirou por entre as grades, o u se atirou de fora do portão, ou dentro do portão, não a l t e r a a situação do homicídio. Nao foi também alterado pelo Tribunal, não foi m o d i ­ ficado pelo Tribunal. 0 Tribunal, segundo a c ó r d ã o de folhas 228,

d eterminou que outro julgamento fosse feito, p orque teria um

quesito a ser formulado ao Conselho de Sentença. 0 quesito da

l egítima defesa própria. E aí, me p e r d o e q u e m entenda de forma diferente, mas se Vossas Excelências o b s e r v a r e m os quesitos for­ mulados, é folha 185, a indagação, sobre a legítima defesa p u ­ tativa, legítima defesa p u t a t i v a é a quela e m que, no caso, o

réu, aquele que está sendo julgado, supunha que estava sendo

agredido, ou na eminência de v i r a sê-lo.

"Então, é uma figura da fantasia, ou da imaginação do réu, do autor do homicídio. Ele supunha a agressão. A l e g í t i ­

ma defesa p r õ pria não pode supor uma agressão. Ele deve estar

sendo a g r e d i d o , prâ ele reagir a esta agressão. Então, uma s i m ­ ples o p o sição de u m fato, e do outro, onde e m \im ele alega que estâ sendo agredido, e numa o u t r a tese que ele supunha estar

sendo agredido, jâ é uma mentira, jâ são c o n f litos entre as

duas teses.

"Como ele supõe numa e afirma na o u tra? São i n c o m p a t í ­ veis entre si essas duas teses, no m e s m o quesito. Mas, p a s m e m Vossas Excelências, a legítima defesa p r ó p r i a não foi tese d e ­

(44)

A linguagem usada pelo locutor neste bloco do discurso,

é mais descuidada: além de repetições, com a intenção de real­

çar a idéia de que ele considera absurda a tese levantada pela

defesa, no caso, legitima defesa putativa, numa voz irritada,

alta, critica, em tom crescente os argumentos que seu a locu­

tário d everá usar; m o s trando-se seguro, através de u m tom alto de voz, pergunta, p r o v o c a n d o seu adversário; aqui a entonação ev i d e n c i o u as ações que desmontam a tese de seu adversário,quan­

do, em tom crescente, salienta as ações contraditórias do réu,

através dos verbos A F I R M A R / S U P O R — "Como é que ele supõe numa e a f irma n a outra?" O locutor se envolve de tal forma, n a re­ p r e s e n t a ç ã o de seu papel, que faz uso de uma forma fonológica reduzida, usando "prá" no lugar de para, forma usada pelo fa­ lante e m conve r s a ç õ e s informais. Fazendo uso desse estilo i n ­ formal, agora se dirigindo diretamente ao Conselho de Sentença, v e r b a l i z a a i magem que faz do seu adversário, c onstruindo a t r a ­ vés de v o c ativo — "Mas, p a s m e m Vossas E x c e l ê n c i a s ,'a legitima defesa p r ó p r i a não foi tese defendida e m plenário" — m o s t r a n ­ do a s s i m (e enfatizando) o absurdo jurídico levantado p e l a d e ­ fesa. 0 uso do verbo p a s m a r , da m a neira como foi dito, embora se d i r i g i n d o ao Conselho de Sentença, teve por intenção irritar

seu adversário. 0 locutor consegue seu o b j etivo de forma ime­

diata, e isso pode ser constatado através do p edido de u m a p a r ­ te, p e l a defesa.

S eu o p o s i t o r reage, solicitando p e r m issão p a r a se m a n i ­

festar; na verdade, está sentindo que o locutor criou uma si­

tuação p a r a r i d i c u l a r i z a r a sua função pública, ou papel jurí­ dico. O locutoí deixa explicita a imagem que q u e r que o ouvinte faça do referente, c o nseguindo o engajamento do alocut á r i o com relação â i m a g e m sobre o referente. Estabe l e c e - s e a polêmica.

(45)

B L O C O 4

-Neste bloco (4), o discurso tem três destinatário: seus

adversários (defesa), o p u b l i c o e o juiz. P a r a o juiz e a d e ­ fesa, tenta p r o v a r ,j u r i d i c a m e n t e , que a tese de legitima defesa própria e, portanto, a n u l i d a d e não t e m razão de ser. Faz isto

invocando os artigos do CÓdigo Penal. A i nformação sobre • o

referente (a nulidade) ê dada c o m segunda intenção, que e n v o l ­ ve o ato de argumentar.

Defesa: "Vossa E x c e l ê n c i a me concede u m aparte?"

Acusação: "E, n a quela ata, não consta."

Defesa; "Não foi isto que entendeu o Tribunal, não foi isso que e n t endeu o T r i b u n a l de Justiça de Santa Catarina."

Acusação: "Eu v o u c o n c e d e r u m aparte, p o d e falar."

Defesa; "Não foi isso que e n t endeu o Tribunal, tanto que anulou o j u l g a m e n t o . "

Acusação; "Ê isso que eu e s t o u discutindo."

Defesa: "Vossa E x c e l ê n c i a está dizendo que não houve, o Tribunal e n t e n d e u que h o u v e ..."

Acusação; "Vossa E x c e l ê n c i a jâ está b o tando a carroça na frente dos bois."

(46)

Defesa: "O Tribunal entendeu que houve'...

Acusação; "Calma, que eu vou chegar lã.' Vossa E x c e l ê n ­ cia vai p e r c e b e r que houve um erro. Calma que eu vou chegar lá. "

Defesa; "O Tribunal entendeu que houve. Vossa Excelê n c i a é que não entendeu."

Acusação; "Eu, tenho o meu convencimento."

Defesa: "Convencimento, não entendimento."

Acusação; "Não, entendimento também. E vou p r o v a r a V o s ­ sa Excelência, que V o s s a Excelência está errado."

Defesa: "Vai p r o v a r coisa nenhuma."

Acusação: "Vou, v o u p rovar (dirigindo-se ao p ú blico).Qué vê como eu v o u p r o v a r prâ ele? Porque eles r e c e b e r a m uma graça

do Tribunal. Uma graça. Porque na Justiça, porque perante a

lei, p o r q u e n e n h u m d i s p o s i t i v o legal socorre aqueles que d o r ­ mem, E, s e gundo o texto da lei, basta o b s ervar o artigo ,47 ...

minto, 571, as nulidades; segundo aquele júri, não houve, na

ata não consta, em p l e n á r i o não ouvi, e não foi feito a tese de legítima d e f e s a própria.

"Esta tese aparece muito veladamente por o c asião das ale­ gações finais. N e m na c o n t rariedade ao libelo, como reconheceu o Tribunal, ela nao aparece.

Referências

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