ALGUNS ASPECTOS LINGÜÍSTICOS DO DISCURSO JUDICIÁRIO
D i s s e r t a ç ã o a p r e s e n t a d a a o c u r s o d e p ó s- g r a d u a ç ã o EM l i n g ü í s t i c a d a U N I V E R S I D A D E Fe d e r a l d e Sa n t a Ca t a r i n a^ c o m o p a r t e d o s R E Q U I S I T O S P A R A A O B T E N Ç Ã O D O G R A U D E l^iESTRE EM Li n g ü í s t i c a. V A L D A D E O L I V E I R A F A G U N D E S F L O R I A N Ó P O L I S -SC
1986
E s t a d i s s e r t a ç ã o foi julgada adequada p a r a a obtenção do grau de
MESTRE E M LETRAS
A r e a de L i n g ü í s t i c a - Fonética e Fonologia A p l i c a d a s - e apro vada e m sua forma final pelo Programa de P Ó s - G r a d u a ç ã o e m L e tras .
B A N C A EXAMINADORA;
Prof.Dr. A p ó s t o l o T. N i c o l a c ó p u l o s Coordenador do Curso de Pos-Gradua- ção e m Letras - L i n g ü í s t i c a
^/JL
Prof? Dr$ M a r i a M a r t a Furlanetto O r i e n t a d o r a
'A^Q/u^
Prof. Dr. Luiz Carlos Cagliari Co-Ori e n t a d o r
Prof? Dr? M a r i a M a r t a F urlanetto
(2 u::f/‘C C L ^ _______
Prof. Dr. Luiz Carlos Cagliari
Prof? Dr? Ingedore G. V. Koch
A
à m i n h a sogra e a M a r i a da Penha, m inhas mães.
À Juraci Rausch, amiga de
todas as horas.
A Daniela, Isabella e júnior, meus filhos.
Aos meus orientadores;
- Doutor Luiz Carlos Cagliari que, c o m c o m p e t ê n c i a ,trans formou a o r i e n t a ç ã o n u m verdadeiro curso de Lingüística, i n d i cando direções, acreditando em meu trabalho, a l é m de u m conví vio de amizade e consideração,
- Doutora Maria Marta Furlanetto, pela bondade, p a c i ê n cia, pela constante e dedicada orientação.
Ao P r o f e s s o r Doutor Dario Fred Pagel, por p o s s i b i l i t a r a
c o ntinuidade da dissertação, em momentos tão difíceis; apontou
caminhos, e s t i m u l o u e confiou e m meu trabalho.
à D o u t o r a Ingedore G. Willaça Koch, pelo carinho, a m i z a de e suas sugestões de tão grande valia. '
à amiga. Professora Marcilda Regina Cunha da Rosa, d e d i cada datilógrafa, pela ajuda enorme.
à P r o f e s s o r a Henny Mary Hildebrand Gouvêa que, a l ê m de conselhos e estímulo, auxiliou-me com a b i b l i o g r a f i a jurídica, franqueando-me, inclusive, sua biblioteca.
à CAPES, pelo auxílio financeiro, p a r a reali z a ç ã o desta pesquisa.
RESUMO
A LGUNS ASPECTOS LINGÜÍSTICOS DO D I S C U R S O J UDICIARIO
Neste trabalho, partiu-se da o b s e r v a ç a o de alguns fenô
menos suprassegmentais do discurso j udiciário oral, para, e m
seguida, p r o c e d e r - s e ã d e s c r i ção/explicação destes fenômenos. Tentou-se m o s t r a r a importância de se i n t e g r a r pesquisas r e c e n tes na área da Lingüística e da F o n o l o g i a ao c a m p o do Direito, certa de que p o d e r i a m trazer subsídios v a l i o s o s p a r a um estudo mais aprofu n d a d o e palpável do discurso judici á r i o e, mais e s pecificamente, para o do Tribunal do Júri.
Os objetivos deste trabalho são, portanto, os seguintes:
1) P r o c e d e r a u m estudo descri t i v o / e x p l i c a t i v o dos fe nômenos suprassegmentais do discurso judic i á r i o oral.
2) P r o c e d e r â análise geral da e s t r u t u r a discursiva.
3) P r o c e d e r â análise dos recursos f o n o e s t ilísticos tais como: ritmo, tessitura/ grupo tonal, entoação, nos discursos da acusação e da defesa.
4) V e r i f i c a r em que medida o uso de tais recursos con tribui para m a i o r eficácia do discurso, e m termos de persuasão.
Este trabalho consta de três partes: a introdução, em
que se a p r e s e n t a m a justificativa da e s colha do tema, os o b j e tivos, as hipóteses, a metodologia, a d e l i m i t a ç ã o e uma síntese dos fundamentos teóricos; a segunda, que constitui o d e s e n v o l vimento ou corpo do trabalho, contendo 4 capítulos: nos c a p í t u los 1 e 2, p r o c e d e - s e â descrição geral e â análise do discurso
da acusação e da defesa, respectivamente, à luz dos fundamentos teóricos selecionados; no capítulo 3, a n a l i s a m - s e os apartes;
no capítulo 4, apresenta-se a título de ilustração, através de
transcrição fonética, uma a m o s t r a g e m das e s tratégias fonéticas utilizadas pelos locutores, c o m o o b j e t i v o de r e s s altar a sua importância no discurso; a última parte consta das conclusões a que se chegou, retomando-se os o b j e t i v o s e as hipóteses, no sen tido de verificar se aqueles foram atingidos e se estas se c o m provaram, concluindo-se pela sua comprovação.
ABSTRACT
S O M f LINGUI S T I C VIEWS OF THE J U D I CIARY SPEECH
This p r o j e c t was started out from the o b s e r v a t i o n of some suprasegmental phenomena of the oral judiciary speech, afterwards p r o c e e d to the description/explanation of these phenomena. We tried to show the importance of being integrated in the most recent researches from the linguistic and p h o n o l o g i c a l area t h rough to the law field, sure that it could b r i n g valuable grants for a d eeper and clearer study of judiciary speech and more specif i c a l l y for the juri.
The aims of this project:
1) To p r o c e e d in a descriptive/detailed study of the supra s e g m e n t a l p h e n o m e n a of the oral judiciary speech.
2) P r o c e e d a general analysis of the structure of speech.
3) P r o c e e d an analysis of the phono stylistic resources, such as: rhythm, tessiture, tone group, intonation in diE:ussions of p r o s e c u t i o n and defense.
4) V e r i f y in w h a t measures the use of such resources adds to a h igher efficiency of the speech in terms of persuation.
This p r o j e c t is divided into three parts; the introduction, in w h i c h the justification theme chosen is presented, the
objectives, the hypothesis, the metodology, the delimitation, and a summary of the theoretical bases; the second, w h i c h constitutes the d evelopment or the body of the project, c ontaining four chapters: in chapters 1 and 2 the general
descri p t i o n is p r o c e e d e d as well as the analysis of the speech of p r o s e c u t i o n and defense respectively, foculizing the selected theoretical basis; in chapter 3 the asides are analysed; in
chapter 4 a sample of the used phonetic strategies is p r e s e n t e d as example through the fonetic transcription, by the s p e e c h e r s , w i t h the aim of e m p h a s i z i n g its importance in speech; the last part contains the conclusions reached to, r e c o v e r i n g the
object i v e s and hypothesis, in o r d e r to v e r i f y that those were attained and if these were proved, conclu d i n g by its prove.
I NTRODUÇÃO ... 1
DESENVOLVIMENTO; ANÁLISE DO CORPUS ... 11
CAPÍTULO 1 - DISCURSO DA A C U S A Ç Ã O ... ... 12 Bloco 1 . ... 18 Bloco 2 ... ... ... 22 Bloco 3 ... ... ... 29 Bloco 4 ... ... 32 Bloco 5 ... ... 40 Bloco 6 ... ... ... 45 Bloco 7 ... 54 Bloco 8 . ... ... 56 Bloco 9 ... * ... 62 Bloco 10 ... 67 Bloco 11 ... 72 Bloco 12 ... ... 74 Bloco 13 . ... ... ... 79 Bloco 14 ... 82 Bloco 15 ... ... ... 86 Bloco 16 ... . . ... 88 Bloco 17 ... ... ... 92 Bloco 18 .... . . ... 96
Conclusão do Discurso da Acusa ç ã o ... 100
CAPÍTULO 2 - DISCURSO D A D E F E S A ... ... 102
Bloco 1 ... ... 104
Bloco 3 ... .. 111
Bloco 4 ... .. 115
B l o c o 5 ... ... ... .. 119
Bloco 6 ... .. 122
B l o c o 7 ... .. 133
Conclusão do Discurso da Defesa ... .. 143
CAPÍTULO 3 - A P A RTES ... .. 146
A p a r t e s no Discurso da A c u s a ç ã o ... .. 150
A p a r t e s no Discurso da Defesa ... .. 154
C A P Í T U L O 4 - ESTRATÉGIAS FONÉTICAS - A M O S T R A G E M ... .. 156
C O N C L U S Ã O ... ... ... .. 183
1. A v a l i a ç ã o Final dos Discursos ... .. 184
1.1. D i s c u r s o da Promotoria ... .. 184
1.2. D i s c u r s o da Defesa ... .. 185
1.2.1. Advogado n9 1 ... .. 185
1.2.2. Advog a d o nÇ 2 ... .. 186
2. R e t o m a d a dos Objetivos e das Hipóteses ... 188
RE F E R Ê N C I A B I B L I O G R Á F I C A ... .. 190
ANEXOS ... 193
Anexo 1 - P r o n u n c i a m e n t o da Justiça P u b l i c a ... 194
/ Pé
I
G r u p o Tonal --- sílaba T ô n i c a Saliente O sílaba T ônica A V o l u m e de Voz = Forte A A V o l u m e de Voz = F ortíssimo D V o l u m e de Voz = FracoDD V o l u m e de Voz = Fraquíssimo, Quase S u s s u r r a d o
// Separação dos GTs (Grupos Tonais)
A Pausas (Sõ assinaladas quando na f r o n t e i r a de GT) V a r i a ç ã o de Pauta E n toacional
r iação d a T e s s i t u r a ("Key").
----M a r c a a
va-Linha Superior â E n t o a ç ã o = V e l o c i d a d e da Fala, Ritmo. Bem acentuai.
F a l a e m Veloci d a d e Normal R i t m o A c e ntuai
Fala com Veloci d a d e Reduzida
Ritmo A c e n t u a i começa a se desfazer. Sílabas T ô n i c a s são s a l i e n t a d a s .
F a l a vagarosa, destacando b e m as palavras, ritmo silãbi- bo
M a rcas de Intensidade, Força, V o l u m e o <=7 = Fala Suavizada, F r a c a Sem M a r c a = F a l a Normal
1. J u s t i f i c a t i v a da Escolha do Tema
Ao c o n cluir os créditos do Programa de P ó s - G r a d u a ç ã o e m Fonética e F o n o l o g i a da Universidade Federal de Santa Catarina, e cursando Ciências Jurídicas na Fundação U n i v e r s i t á r i a da R e gião de Blumenau, p êrcebeu-se a import â n c i a de se integrar as pesquisas lingüísticas ao campo do Direito, certa de que p o d e
ria trazer subsídios valiosos para um estudo mais aprofundado
e palpável do discurso judiciário, e mais especificamente, para o do Tribunal do J Ü r i .
Assim, com base em investigações recentes na área de Aná lise do D i s curso e da Argumentação, e nas novas contribuições da Fonética e da Fonologia para a p e s q u i s a dos elementos s u p r a s segmentais, decidiu-se proceder á análise de discursos j u r í d i cos orais, produz i d o s em sessão do Tribunal do Júri de Santa Catarina, p e l o representante do M i n i s t é r i o Público (Acusação) e pelos advogados de Defesa, no sentido de v e r i f i c a r e m que m e dida esse instru m e n t a l teórico p e r m i t i r i a e x p licar e c o m p r e e n der m elhor o seu funcionamento.
2.1. Geral
Pr o ceder a um estudo descritivo dos fenômenos suprasseg mentais no discurso jurídico oral.
2.2. Especí f i c o s
2.2.1. Proceder â análise geral da e s t r u t u r a discursiva.
2.2.2. Proceder à analise dos recursos fonoestilísticos
tais como: ritmo, tessitura, grupo tonal, entoação, nos d i s c u r sos da acusação e da defesa.
2.2.3. Verif i c a r e m que m e dida o uso de tais recursos contribui para m aior eficácia do discurso, e m termos de p e r s u a são.
3. Hipóteses
H^ - Os recursos fonéticos e fonológicos {suprassegmen
tais, prosódicos) têm uma influência d e c isiva na estruturação
do discurso judiciário oral.
H2 - 0 uso adequado desses recursos p o d e influir de m a neira d e c isiva no julgamento do p r o cesso pelos membros do T r i bunal do JÚri, predispondo os jurados ã a c e i tação das teses ou da defesa ou da acusação.
Para atingir os objetivos traçados, adotar a m - s e os p r o c edimentos seguintes:
4.1. Levant a m e n t o dos fundamentos teõricòs do trabalho, nas áreas de Análise do Discurso, A r g u m e n t a ç ã o e Retórica, e no campo da F o n ética e Fonologia, através de t r i a g e m e análise da b i b liografia pertinente.
4.2. Levant a m e n t o das hipóteses.
4.3. Gravação e transcrição do corpus.
4.4. T e s t a g e m das hipóteses, por m e i o da análise do corpus, ã luz dos fundamentos teóricos selecionados.
4.5. Conclusòes e redação da dissertação.
5. Delimitação
Este trabalho inicial d elimita-se ao e s t u d o do discurso judiciário oral, e m sessão do JÚri P o p u l a r de Santa C atarina,e
á análise dos discursos p roduzidos pela a c u sação e defesa. Em
trabalho posterior, p r e t e n d e - s e ampliar a.pesquisa, estendendo- -se a outros casos e a outras peças jurídicas.
6. Corpus
O corpus deste trabalho consta de cinco horas e m e i a de gravações em sessão p u b l i c a do Tribunal do JÚri da Comarca de Blumenau, Estado de Santa Catarina, em 7 de maio de 1986.
T rata-se de três discursos, pronunciados, r e s p e c t i v a m e n te, p e l o representante do M i n i s t é r i o P ú b l i c o (Acusação) . e pelos dois advogados de defesa. Fez-se ainda, uma a n álise dos apartes q ue foram implícita ou e x p l i c i t a m e n t e conced i d o s pelos a d v o g a
dos, na situação discursiva. O promotor, n a t u r a l de Rio do
Sul, n a s c i d o e m 1948, descende de alemães, mas fala somente Por tuguês. O advogado n9 1 é natural de Ilhota, 35 anos, fala p o r tuguês e u m dialeto italiano. O a d v ogado n9 2, natural de Rio do Sul, 37 anos, fala somente Português.
N ã o houve preocupação e m o mitir os nomes do réu e da v í t i m a pelo fato de se tratar de p r o c e s s o já julgado, que teve a mpla divulgação nos jornais e o u tros meios de comuni c a ç ã o da época.
7. E s t r u t u r a da Dissertação
Esta dissertação consta de três partes; a p r i m e i r a é a introdução, e m que apresenta a j u s t i f i c a t i v a da escolha do t e ma, os objetivos, as hipóteses, a m e todologia, a delimitação, o
corpus e, finalmente, uma síntese dos fundamentos teóricos do
trabalho; a segunda constitui o d e s e n v o l v i m e n t o o u corpo do
trabalho, contendo 4 capítulos: no capítulo 1 e 2, procede-se
á d e s c r i ç ã o geral e ã análise do d i s curso da acusação e da d e fesa, respectivamente, à luz dos f undamentos teóricos s e l e c i o
nados; no capítulo 3, a nalisam-se os apartes; no capítulo 4,
a p r e s e n t a - s e a título de ilustração, através de transc r i ç ã o fo nética, uma amostragem das e s tratégias fonéticas utilizadas p e
que se chegou, retomando-se os o b j e tivos e as hipóteses, no sentido de verif i c a r se aqueles foram atingidos e se estas se
comprovaram, c o n cluindo-se pela sua comprovação. Apresenta-se,
a seguir, a b i b l i o g r a f i a efetiv a m e n t e utilizada; no início, e n contram-se o sumário e a tabela de sinais.
8. F undamentos Teóricos
Para o levantamento dos fundamentos teóricos da pesquisa, dividiu-se a biblio g r a f i a s elecionada e m duas partes: a r e f e rente ao discurso, ã a r g umentação e â retórica, e aquela r e f e rente â F o n é t i c a e Fonologia.
Na primeira, tomaram-se como básicos os trabalhos de
Barthes (1970), Perelman (1976), Osakabe (1979) e Koch (1984),
na segunda, os de Pike (1943), Aberco m b i e (1973), Halliday
(1973, 1975 e 1985) e Cagliari (1982, 1983, 1984).
C o nsiderando tratar-se aqui de u m trabalho de aplicação
das teorias selecionadas à descrição e ã análise do corpus,
consistindo justamente nisso a novidade da pesquisa, que por
si só já assume propor ç õ e s bastante amplas e m se tratando de uma tese de d issertação de mestrado, decid i u - s e não a p r e s e n t a r um capítulo de resenhas da biblio g r a f i a p e r t i n e n t e e p r o c e d e r
ã resenha dos aspectos significativos ã m e d i d a que se forem
tornando necessários, no próprio decor r e r das análises. A c r e d i ta-se que, deste modo, aument a - s e a legibilidade do texto para não especialistas, jâ que o trabalho v i s a a t ingir não só l i n güistas, mas t a m b é m estudiosos da área de Ciências Jurídicas e Sociais.
mesmo porque se trata, em grande parte, de obras de acesso re
lativamente fácil, além de algumas outras encontráveis em bi
bliotecas especializadas.
A escolha dos trabalhos citados justifica-se pelas r a
zões seguintes: a obra de Barthes (1970), trans c r i t a de u m s e minário realizado na École Pratique des Hautes Études e m 1964- -1965, tem, como o b j e t i v o .p r i n c i p a l , "confrontar a nova s e m i ó tica de estilo e a antiga prática da l i n g u a g e m literária, que, durante séculos, se chamou Retórica" (p.147). A f i r m a Barthes que "Retórica Antiga, aqui, não quer dizer q u e haja uma R e t ó r i ca Nova. Retórica A ntiga opõe-se antes a este N o v o q u i ç á ainda não terminado: o m u n d o está incrivelmente cheio de R e t órica A n tiga" (p.14 7).
»
Embora o objetivo tenha sido o de a p r e s e n t a r um p a n o r a ma cronológico e sistemático da Retórica A n t i g a e Clássica, i s to "não quer dizer que", diz o autor, "durante essa pesquisa, eu não tenha v i brado muitas vezes de a d m i ração diante da força e sutileza desse antigo sistema retórico e diante da m o d e r n i d a de de algumas de suas proposições (p.147, grifo nosso).
Barthes nos apresenta, sem nenhuma dúvida, a mais p ro
funda revisão da Antiga Retórica feita em nossos dias.
Perelman (1976) p o r*sua vez, aludindo ao esque c i m e n t o e
ao d e s interesse que recaiu sobre a Retórica, da parte dos lo-
gicistas e dos filósofos modernos, diz ser esta a razão pela
qual seu "Tratado de Argumentação" se liga, sobretudo ás p r e o cupações da R enascença e, por meio delas, as dos autores gregos e latinos que e s t u d a r a m a arte de p e r s u a d i r e convencer, a
Sua analise vai c o n c entrar-se nas provas que Aristóteles chama Dialéticas e que examina e m seus "Tópicos", m o s t rando sua utiliz a ç ã o na "Retórica". Sua obra, c e n t r a d a na noção de A u d i tório da Retórica Tradicional, o c u p a - s e dos M e i o s Discursivos p a r a obter a adesão dos espíritos: "Somente a técnica que usa a linguagem para persuadir e para c o n v e n c e r será, p o r t a n t o , e x a minada" (p. 10).
Seu objetivo é construir xima t e o r i a da a r g u m e n t a ç ã o ,a n a lisando os meios de prova de que se s e r v e m as Ciências Humanas, o Direito e a Filosofia; e x a minar os a r g u m e n t o s apresentados por public i s t a s em seus jornais por p o l í t i c o s e m seus d i s c u r
sos, por advogados em suas d e m a n d a s , p o r juizes em seus c o n s i d e r a n d o s , p o r filósofos em seus tratados" (p.13, grifos n o s sos) .
S e g u i n d o a mesma trilha, e n c o n t r a - s e o trabalho de Osa- kabe (1979), que estabelece como o b j e t i v o i n v e s t i g a r a i m p o r
tância que tem, do ponto de vista da língua e do discurso, a
s u b jetividade que este último revela; e, do p o n t o de vista d e s ta subjetividade, equacionar "a i m p o r t â n c i a e a propri e d a d e das contribuições hoje um tanto d e s p r e s t i g i a d a s da R e t ó r i c a " ( p . 38).
A hipótese fundamental de seu trabalho, ê desdobrada em
três pontos;
A) Uma teoria lingüística, desde que vise ao discurso,
deverá ter necessariamente outros fundamentos que os p r o p o s t o s pelo estrut u r a l i s m o e pela teoria g e r a t i v o - t r a n s f o r m a c i o n a l .
B) Tal teoria terâ de consid e r a r a p e r t i n ê n c i a dos modos de elocução da frase, mas sobretudo i n v e s t i g a r os modos de e l o
sibilidade de e s t a b e l e c e r princípios que f u n d a m a organ i c i d a d e dos discursos.
Como q u e s t ã o previa, Osakabe estuda A O r g a n i z a ç ã o A r g u m e n t a t i v a do Discurso — Promoção, E n v o l v i m e n t o e Engajamento; na 2? parte do livro, dedica u m capítulo â R e t órica — o u Ação pela Linguagem, retomando a Retórica de A r i s t ó t e l e s e a R e t ó r i ca de Perelman.
Koch (1984), partindo do p o s t u l a d o de que a argumentati- v idade estâ inscrita no uso da linguagem, c o n s i d e r a - a como a t i v idade e s t r u t u r a n t e de todo e q u a l q u e r discurso, já que a p r o gressão deste se dá por meio das articulações a r g u m e n t a t i v a s . A argumentatividade.deve, pois, ser c o nsiderada como fator b á sico não só de coesão, mas sobretudo, de coerência textual.
V o g t (1980) apresenta o discurso como uma ação d r a m á t i ca, jogo de m á s caras através do qual o locutor e x plode numa sé rie de enunci a d o r e s diferentes que se r e p r e s e n t a m d entro do discurso. É e n c a r a n d o a lingu a g e m como xima r e p r e s e n t a ç ã o — . no
sentido teatral do termo ■— que se pode dizer que neste nível
— o nível da "Mostração" — a linguagem é sempre gestual.
No campo da F o n ética e F o n o l o g i a selecionaram-se, como básicos, os trabalhos de Halliday (1973, 1975 e 1985) e C a g l i a ri (.1982, 1983, 1984) e Marcuschi (.1985) .
Ha l l i d a y U 9 6 3 , 1970, 1985) apresenta ura m o d e l o d e s c r i tivo da entoação que, incorporando parte da d e s c r i ç ã o do ritmo da língua, m a r c a de raaneira siraplificada, porêra completa, todas
as c aracterísticas entoacionais mais importantes, u sando uma
Seguindo o que diz Halliday, a entoação, além de ser u m p r é - requisito fonético na c a r a c t e r i z a ç ã o da fala, tem a i n d a uma i mportância muito grande porque é uma m a n e i r a que a língua usa p a r a dizer coisas diferentes. Q u a n d o se m u d a a e n t oação de um
enunciado, muda-se seu significado. E m geral, vim enunciado tem
muitas possibilidades e n t o a c i o n a i s , e a escolha de uma delas traz significação diferente da e s c o l h a das outras p o s s i b i l i d a des.
As diferenças de s ignificado carreadas pela entoação fa zem parte da Gramática da língua. Essas diferenças de s i g n i f i cado são da mesma n a t u r e z a que as diferenças, p o r exemplo, de modo, tempo, aspecto, etc. Os padrões e n toacionais d e s e m p e
n h a m também um papel fundamental na r ealização semântica de
atos de fala e na estrut u r a ç ã o de conteúdo de enunciados c o m p l e x o s e da confecção e m o n t a g e m do discurso.
Cagliari concentra seu t r a balho nos aspectos fonéticos
da entoação, sobretudo nas v a r i a ç õ e s melód i c a s que dão o r i g e m aos tons, em seu trabalho "Os Tons do Português Brasileiro", de
1979. Luiz Carlos Cagliari a p r e senta uma aplicação do m odelo
descritivo de Halliday â entoação do Português Brasileiro, b u s cando, portanto, incorporar a d e s c r i ç ã o entoac i o n a l à Gramática de uma língua.
Segundo Cagliari, p a r a a descr i ç ã o lingüística, não há necess i d a d e de se m a r c a r todo tipo de v a r i a ç ã o melódica, que se ouve na fala. 0 import a n t e é sempre m a r c a r as variações q u e se r e l a c i o n a m de um modo o u de outro c o m funções gramaticais ou c o m manifestações semânticas da língua.
Marcuschi (1985), e m seu trabalho, tenta levantar a l g u mas sugestões para a análise da o r g a n i z a ç ã o e segmentação das unidades lingüísticas da conver s a ç ã o c o m base nos marcad o r e s conversacionais. Parte da p r e m i s s a de que, sendo a conver s a ç ã o
um evento comunicativo que se constrói no tempo real, de turno
a turno, mas não a l e a t o r e a m e n t e , t o r na-se possível invest i g a r que recursos são utilizados pelos falantes na estrut u r a ç ã o do
texto que vão construindo. C o m isto, defende a tese de que a
o rgani z a ç ã o gramatical dos e l e m entos lingüísticos ocorre, na conversação, com a o rganização c o m u n i c a t i v a das unidades.
Para o embasamento teórico desta pesquisa proced e u - s e a uma série de outras leituras, tendo-se, portanto, citado s o m e n te as específicas para este trabalho, isto é, aquelas que c o n têm as idéias e noções básicas p a r a a análise do corpus.
8 < H U z D K O H
S
g
cc - o -Cn w O i<; SH k <v” < tQI
M . , § - 3 D HI
ë
r2 8 ,S Z U S U ÉH Z ë.z o: w -* u U)is
o a. o ws
H Z u iHH I ■g H X u ws
(/) s ilî
u H -C/3 Uî
• W-u D O U W . g . O 04 u - wg
< « >w w_ D Z 3 SI
' W ta M ag
*< Q D§
U O T3 3 O' 0) 10 E d) 3 tr flj 3 tJ»Apresentar-se-ã, n esta p r i m e i r a parte, o d i s c u r s o do r e presentante do M i n i s t é r i o Público (acusação). A n a l i s a r - s e - ã a sua o r ganização argumentativa, tendo por base a "árvore r e t ó rica" de Aristóteles, tal como nos é aprese n t a d a p o r Barthes
(1970;225).
A ristóteles apresenta as cinco partes da t é c nica r e t ó r i ca; inventio, dispositio, elocutio, actio e memória.
Conforme Barthes (1970;102), em toda sua extensão, a
técnica retórica compreende essas cinco operações principais;
1?) Inventio invenire qui dicas achar o que vai dizer
2?) Dispositio inventa disponere pôr e m o r d e m o que se e n controu
3?) Elocutio ornare verbis acresc e n t a r o o r n a m e n t o
das palavras, das diguras
4?) Actio agere et p r onuntiare tratar o d i s curso como
u m ator; gestos e dicção
Na inventio, criam-se os meios de c o n v encer e de c o m o ver. Convence-se através das provas (extra-técnicas e técnicas) e comove-se por meio de apelos emocionais.
A d ispositio parte de uma dicotomia que jã era, e m o u
tros termos, a da inventio: animus impeilere (comover) / rem
docere (informar, c o n v e n c e r ) . 0 primeiro termo (o apelo aos sen
timentos) cobre o exõrdio e o epílogo, as duas partes extremas
do discurso. 0 segundo termo (o apelo ao fato, à razão) cobre
a narratio (relação dos acontecimentos) e a confi r m a t i o (esta
belecimento das provas o u vias de persuasão) isto é, as duas
partes m édias do discurso. A o r d e m sintagmática não segue a
o rdem paradigmática, e é necessário p r o c e d e r a uma construção em quiasmo;
demonstrativo....
exordio epílogo
n a r ratio confirmatio
"Em sua forma canônica, a o p o s i ç ã o p r i n c í p i o / f i m comporta u m desnivelamento: no
exórdio, o o rador deve iniciar com p r u
dência, reserva, medida, no e p ílogo não
p r e c i s a mais se conter: e x plora a fundo suas motivações, põe em cena todos os r e cursos do grande jogo patético" ( Barthes, 1970:206).
N a e l o c u t i o , p rocede-se á escolha dos ornamentos e à composição. A actio é o proferimento do d i s curso p e rante o p ú
blico, envolvendo, pois, a representação, no sentido teatral
d r a m a t u r g i a da païavra (a uma h i s t e r i a e a u m r i t u a l ) . F i n a l mente, a m e m ó r i a consiste em r e c orrer à memória, p ostulando a s sim, a i n d a nas palavras de Barthes, "a u m nível dos e s t e r e ó t i pos, u m intertextual fixo, t r a n s m i t i d o mecanicamente".
inventio p a r t e m dois grandes caminhos: u m lógico, o u tro psicológico: convencer e comover.
C O N V E N C E R (rem d o c e r e ) , s e g undo B a rthes (1970), requer uma a p a r e l h a g e m lógica chamada de p r o b a t i o (domínio das p r o vas) : pelo raciocínio se faz uma v i o l ê n c i a justa ao espírito do ouvinte, cujo caráter, disposições psicol ó g i c a s , não são c o n s i derados: as provas p o s s u e m força própria.
C O M O V E R (animus impellere) consiste, ao contrário, e m p e n s a r na m e n s a g e m probatória, não e m si, mas segundo o d e s t i
natário, segundo o humor de q u e m a deva receber; consiste em
m o b i l i z a r provas subjetivas, morais.
A t ravés dos dois caminhos — o do c o m o v e r e o do c o n v e n
cer — realizam-se os três atos referidos p o r Osakabe (1979):
promoção, envolvimento, engajamento.
P a r a facilitar a análise e d evido á e x t ensão desta peça oratória, ela será dividida e m 18 blocos, o b e d e c e n d o ao esquema
seguinte:
E x ó r d i o ; 19, 29, 39, 49, 59 blocos N a r r a ç ã o ; 69, 79 e 89 blocos
C o n f i r m a ç ã o ; 99, 109, 119, 129, 139, 149, 159, 169 blocos E p í l o g o : 179 e 189 blocos.
No bloco 4, ocorre u m aparte da d efesa e se instaura uma situação dialógica entre p r o m o t o r e a d v ogado de defesa.
PROMOÇÃO E ENVOLVIMENTO
e xCr d i o
19 Bloco: promoção Juiz Jurados defesa
colegas e serventuários da justiça * público em geral
objetivo: elevar o auditó rio a uma posição de des taque
2 9 Bloco: promoção e envolvimento do Conselho de Sentença — Comunidade de Blumenau (agente e beneficiário do processo)
Objetivo: demonstrar a improcedência de um novo julgamento e evar a Conse lho de Sentença a acolher a tese do Ministério Público
3<? Bloco: envolvimento do Conselho de Sentença
Objetivo: provar que a nulidade, que deu origem ao novo julgamento (falta de quisito sobre a legitima defesa própria) não se justificava
49 Bloco: apartes da defesa + justificativa do promotor para a posição assumida em re lação ã nulidade
59 Bloco: atenuação da critica feita ao Tribunal de Justiça por ter acolhida a nulida de, reforçando, porém, a idéia da nio necessidade de novo julgamento.
z u â 3 Ü ã K NARRAÇÃO CONFlRMAÇAO
69 Bloco: narração - 1? parte - fatos que levaram a um novo júri 79 Bloco: narração - 2? parte - fato em si - o crime
89 Bloco: narração - 2? parte - continuação - início da confirmação (apresentação das provas extra-técnicas)
99 Bloco: confirmação (continuação) - apresentação das provas técnicas = argumentação propriamente dita
109 Bloco: confirmação (continuação) - argumentação sobre as demais teses da defesa 119 Bloco: confirmação: destruição antecipada das possíveis teses e argum.^ntos da de
fesa
129 Bloco: confirmação: nova apresentação de provas extra-técnicas - artiiios da lei pe nal
139 Bloco: confirmação (conclusão): fim do trabalho demonstrativo e argumentativo do Ministério Público, novamente com apresentação de novas técnicas
149 Bloco: nova promoção do Conselho de Sentença - elemento decisório no processo - no va contestação antecipada de argumentos possíveis da defesa - tentativa de obter definitivamente o engajamento do Conselho de Sentença
159 Bloco: análise dos quesitos, para persuadir os jurados de como devem ser respondi dos
169 Bloco: valorização da função do Ministério Público e comprovação da necessidade de condenação
EPÍLOGO PEO.'ioçÀo + e;;v o l v i- MENTO + EN’GAJAJ’IENTO
179 Bloco: epílogo - 1? parte - recapitulação
189 Bloco: epílogo - 2? parte - continua a recapitulação e apela a nível emocional.
BLOCO 1
-Segundo O s akabe (1979:96-123)/ o estudo da o rganização
argumentativa de um d i s curso depende t otalmente das c o n s i d e r a ções sobre as condições de produção. Isto ê, d e pende das i m a gens mútuas que se p r e s s u p õ e m fazer locutor e alocutário; d e pende das imagens que se p r e s s u p õ e m fazer locutor e o u vinte so bre o referente; depende, e m último lugar, dos atos de l i ngua gem que o locutor realiza no momento do discurso.
0 locutor (promotor de justiça) cria uma i m a g e m a l t a m e n
te p o s itiva de seus alocutários (o juiz, seus adversários, a
defesa, os serventuários, o corpo de s e n tença e o p ú b l i c o ou p l atéia o u v i n t e ) .
Sabe que, criando essa i m a g e m p o s i t i v a do juiz, este se deixará envolver; p o r isso coloca-o numa p o s i ç ã o de juiz m o d e lo, defensor da sociedade.
A i m a g e m que o locutor quer que seus ouvin t e s f a ç a m d e le, é a de autoridade que responde, que luta p e l o s interesses da comunidade.
"Excelentíssimo Sr. Dr. 0. W., é com orgulho, com s a t i s fação e com uma r e s p o n s a b i l i d a d e redobrada, que n o v a m e n t e atua mos p e rante o egrégio Tribunal P o pular do JÚri da C o marca de Blumenau, sob a p r e s i d ê n c i a de Vossa Excelência.
"Não nos seria difícil, nesta oportunidade, apresentar
adjetivos que colocariam Vossa Excelência na figura daquele
"Entretanto, como diariamente acompanhamos e testemunha mos o trabalho, a dedicação, a imparcialidade de Vossa Excelên cia na conduta de todos os casos e processos que tramitam sob a presidência de Vossa Excelência, só nos cabe nesta oportunida de, render nossas homenagens e desejar que Vossa Excelência,ain da que jâ tenha completado seu tempo de serviço, permaneça por mais muitos anos, na presidência da Vara Criminal da nossa Co marca.
"Porque, ainda que tenhamos que reconhecer o acúmulo de processos, a impraticabilidade de um serviço atuante, a impos sibilidade de se dividir os trabalhos a uma só presidência,acre ditamos que Vossa Excelência, com todas essas dificuldades, tem se mostrado um juiz exemplar, e que tem produzido acima do nor mal, e acima do que possa ser exigido de um só magistrado.Acei te .Vossa Excelência a nossa saudação.
*
"Excelentíssimos senhores doutores J..D. M . , N.M. A. e
V. Q. Como só poderia acontecer, para que a Justiça fosse ple namente realizada e a defesa inteiramente exercida, a figura do advogado se faz indispensável.
Entretanto, no caso dos autos, apresentam-se jovens ad vogados, formados na nossa recente universidade 1 blumenauense,
mas que, de forma brilhante, com muito trabalho e com muito
estudo, conseguiram, pela capacidade própria e individual, le
var a um segundo julgamento, apÓs haverem anulado o que antes
se realizou. Reconhecemos a atuação da ilustrada defesa, por
quanto por este trabalho que realizou atê o momento, além de
demonstrar conhecimentos técnicos, também demonstraram garra,
idealismo no trato das lides forenses. Por isso, nós respei
"Sinto-me n a obrigação, jã que esta é a p r i m e i r a o p o r t u nidade que de p ú b l i c o falo, de saudar p u b l i c a m e n t e a m i n h a c o lega de trabalho, p r o m o t o r a de Justiça, a Dr? H. C. A., q u e re centemente foi d e s i g n a d a p a r a colaborar na V a r a Criminal.
"Aos ilustr í s s i m o s serventuários da Justiça, aqueles a q u e m todo p r o c e s s o depende, aqueles que realmente c o l a b o r a m e
impulsionam a ação da Justiça, agradecemos as a t e nções que nos
dedicam d i a r i a m e n t e e reconhecemos o trabalho que v ê m d e s e n v o l vendo na V a r a Criminal, não s6 pela capacidade individual, mas pelo despre e n d i m e n t o c o m que têm se d esdobrado p a r a c o m p letar
a falta de funcionários do Cartório Criminal de Blumenau. Dal
as nossas homenagens.
"Saudamos c o m esperança aos acadêmicos de Direito, futu ros bacharéis e q u i ç á penalistas de renome nacional.
Saudamos os senhores advogados, minhas senhoras, meus
s e n h o r e s .
"Excelentíssimo Sr. V. R., E x c e l e n t í s s i m o Sr. O. K., E x celentíssimo Sr. A. P., E x c e l e n t í s s i m o Sr. D. A. L . , E x c e l e n tíssimo Sr. G. G . , E x c e l e n t í s s i m o Sr. D. T. J . , E x c e l e n t í s s i m o Sr. J. A. N."
No ato de p r o m o ç ã o p o de-se o b s ervar os seguintes a s p e c tos: o locutor faz uso de uma l i n g uagem formal, muito cuidada, mantendo um tom de voz r e l a tivamente baixo, fluência vagarosa,
chegando ás vezes até ao ritmo silábico; tende a falar a l o n
gando as sílabas tônicas e a celerando nas átonas até c hegar nas tônicas. Estas m a r c a s fonológicas (estes recursos
suprassegmen-tais)/ usadas no enunciado acima, como t a mbém as pausas e o tom de voz, c o n s t i t u e m um recurso decisivo na organi z a ç ã o do d i s curso em geral e, particularmente, do d i s c u r s o judiciário.
Essas pausas a p a recem nos momentos em que o texto se o r ganiza, como a p a s sagem de um tópico a outro, na hora de a p r e sentar u m argumento e dentro da e s t r utura discursiva, vindo por vezes evidenciar idéias-chave, a r g u mento p r i n c i p a l e desvios intencionais.
O sentido fundamental, a idéia p r i n c i p a l que o locutor q u e r que o alocutário apreenda, pode ser o b s e r v a d o através do me c a n i s m o "dado" e "novo" proposto p o r H a l l i d a y ("Language St r u cture and Language Function") e que pode ser m o s trado no seguinte esquema; DADO; JUIZ NOVO 1 acúmulo de p r o cessos 2 im p r a t i c a b i l i d a de de u m serviço atuante 3 i mpossibilidade de se dividir os t rabalhos a um.a sõ p r e s i d ê n c i a 4 exemplar 5 produção acima do normal 6 acima do que p o de ser exigido por u m só m a g i s trado
No § 49/ conforme se pode v e r i f i c a r no quadro a c i m a / o locutor argumenta usando uma escala de dificu l d a d e s e n f r e n t a
das pelo juiz, para p e r s uadir o o u vinte a c o n c o r d a r c o m ele: o juiz (dado) é realmente e x e m p l a r (novo).
0 "novo" aqui, p r o n u n c i a d o de forma silabada, evidenciou a unidade de informação, indo a l é m da semântica, privil e g i a n d o a F O R M A . A forma reforça a i nformação semântica.
S e g u n d o Osakabe, o ato de argume n t a r constitui uma e s pécie de o p e r a ç ã o que visa fazer com que o o u v i n t e não apenas se inteire da i m a g e m que o locutor faz do referente, mas p r i n cipalmente que o ouvinte aceite essa imagem.
A p r o m o ç ã o estâ, portanto, dentro do e x õ r d i o e da d i s p o sitio (animus i m p e l l e r e ) , que é onde o locutor e s t i m u l a o e s p í rito do alocutôrio, c o m o o b j e t i v o de captar a b e n e v o l ê n c i a das partes (juiz, jurados e público).
B L O C O 2
-A o s e g undo m o m e n t o daremos o nome de Envolvimento, e m b o ra n e s t e e n v o l v i m e n t o ainda esteja p r e s e n t e a promoção, atra v é s da q u a l o locutor promove os alocut á r i o s a u m lugar de d e cisão n o d e s e n r o l a r do processo. Ê aqui que se vai este ar o envolvimento; o Conselho de Sentença se sentirá valorizado, a l çado a uma p o s i ç ã o de destaque, e vai c o r r e s p o n d e r a essa ima gem p o s i t i v a para não decepc i o n a r o promotor.
"Intencionalmente, não fraquejamos, mas especificamente,
porque compete tão-somente a Vossas Excelências, à c onsciência
de cada um, a decisão deste processo, o julgamento desse fato.
Vossas Excelências, representando novamente a comunidade de
Blumenau, que jã julgou com acerto estes fatos, jã decidiu o
m érito do processo. Mas foram obrigados a se a s s e n t a r e m n o v a mente no banco destinado ao Conselho de Sentença, por uma falha processual.
"Não houve q u a lquer falha de decisão de mérito, no p r o cesso anterior. Por isso, sinceramente, cora a m a i o r s i m p l i c i d a
de possível, eu p o deria me ater, nesta oportunidade, a tão so
mente p e d i r desculpas â comunidade de Blumenau, p o r reuni-la n o v a mente neste conselho, para confirmar uma d e cisão que jâ t o m a r a m e que sõ deve ser confirmada por falha processual.
"Isto, se admitíssemos esta falha. Mas foi julgado, e
este julgamento houve recurso, e este recurso p o r i m p r o p r i e d a de não subiu, conseqüentemente a decisão do Tribunal que m a n t e ve a a n u l a ç ã o do p r i meiro jüri, transitou e m julgado, e por is
so devemos julgar aquilo que jâ estâ julgado. P a r a julgar a
ação de A. 0- A., eu me limitaria a cinco linhas, escritas de
p r óprio punho, e c o m tranqüilidade eu submet e r i a o p r o c e s s o a julgamento p e l a nossa comunidade. Mas, c o m aquela r e s p o n s a b i l i dade de q u e m tem que justificar o porquê da p r e s e n ç a novamente neste Tribunal, de uma comunidade que jâ decidiu, e que decidiu c o m acerto, mas que por problemas p rocessuais d e v e r á se m a n i festar novamente, somente para justificar a p r e s e n ç a de Vossas Excelências, é que eu me atenho a esta m e i a folha de papel.
y
"Vossas Excelê n c i a s foram inteiradas de todas as provas e xistentes nos autos. Por inteiro, por quê? P o r q u e as provas
havidas por o c asião do inquérito, foram reconstituídas, o u re feitas, na i n s t rução criminal, e foram lidas hoje a Vossas E x celências, tpdos os depoimentos. Estas p rovas t a m b é m f o r a m o b jeto de novas indagações por o c asião do júri anterior. Mas este júri foi anulado. O que é nulo, não e xiste no m u n d o jurídico. Não comporta fundamentação em cima do que é nulo. E daí, porque não r e q u e r e m o s a leitura das declarações das três testemunhas trazidas p e l a defesa, e que s5 d e p u s e r a m e m p l e n á r i o do júri. Porque estas declarações, para n5s, não e x i s t e m nos autos. M e s mo assim, estas declarações em nada a l t e r a m a situação fática. Não i n v e r t e m a situação do processo. Que, n u m resumo b e m gros seiro, p o d e r i a ser dito; matou porque o b i c h e i r o não quis lhe
pagar 600.000 cruzeiros, de uma aposta que ele diz ter feito.
Este é o m o t i v o do homicídio. Não existe outro."
Tentar e m o s analisar este bloco, segundo os trabalhos de Halliday ("Language Structure and L a n guage Function"), da se guinte forma: a idéia principal do l o c utor é c o l o c a r a c omuni
dade como agente que atuará no processo de j ulgar a ação do
réu. A comun i d a d e terá a função de "agente" e, ao m e s m o tempo, "beneficiário" do processo, que será exposto e m dois esquemas;
Esquema I ;
(interessa â acusação ativar)
agente beneficiário
Meta; condenação do réu, elemento indesejado, nocivo ao c o n vívio social.
Es quema I I ;
o que foi ativado pelo recurso
da defesa (inconveniente, que
causa prejuízos, a comunidade é lesada)
agente
O b r i g a d a a julgar n o vamente aquilo que já
foi julgado; ela i
u m joguete nas mãos
No' esquema I, o locutor faz uso do recurso de rèitera-
ção, através do qual é explicitada a idéia de que não hã razão
para se r e petir o julgamento, mas é levando esta m esma c o muni dade a se sentir capaz de julgar com acerto (ainda que d e s n e
cessário, pois já o fez) que o locutor p r omove o alocutário a
u m lugar de decisão nas relações jurídicas (cf. Osakabe, 1979:
100-101). O locutor elabora a imagem que deseja que o alòcutá-
rio pense que ele t e m deste e, de outro lado, a i magem que o locutor faz do referente e aquela que ele p r e s supõe que o a l o cutário faz desse mesmo referente. A l é m dos recursos l i n g ü í s t i cos no sentido estrito, como repetição, reiteração e t r a n s i t i
vidade, segundo Halliday, aparecem t ambém recursos fonológicos
que m a n i f e s t a m as atitudes do falante, como: uso de t o m de voz mais alto p a r a valorizar, realçar sua i ndignação por reunir n o v a mente a comuni d a d e para julgar u m fato que já fora julgado. 0 abaix a m e n t o da voz realça o desprezo que o locutor sente pelo fato que estâ narrando.
A t r avés da m o dificação na entonação usada pelo locutor, tentaremos m o s t r a r a m a neira pela qual o o u v i n t e sente que o locutor deixa m a n i f e s t a r e m - s e as palavras que d eseja e n f a t i zar;
1. N O V A M E N T E
2. ^ julgou C O M ACERTO
3. SÓ v o l t o u a julgamento por F A L H A P R O C E S S U A L (não por decisão de mérito)
4. C O N F I R M A Ç Ã O do 1? julgamento.
0 l o cutor retoma o problema (julgar novamente) e, ao
seu modo, expÕe para o alocutário seu posici o n a m e n t o (como a u
julgamento anterior, jã julgado com acerto) somente porque hou ve \ama falha processual, não sua, mas de seu adversário.
Com o que expõe sobre o referente, e da maneira como o
faz,^ o locutor quer mostrar â comunidade que ela foi lesada com a anulação do julgamento anterior e que, como representante do poder publico, quer resgatar a imagem que ele pensa que a comu
nidade faz do poder judiciário; mas para que essa ação se con
cretize, ele precisa da ação dessa comunidade (pelo v o t o ) , que
fará o novo julgamento. 0 locutor, ao retomar o problema criado pela anulação do primeiro julgamento, e pedir desculpas á comu nidade por todo o transtorno criado, antecipa para o seu ouvin
te (Conselho de Sentença) que o que quer realmente é que con
firma a decisão tomada no primeiro julgamento, pois esta é a
decisão certa.
Segundo Osakabe (1979), pelo ato do envolvimento, o l o
cutor, ao mesmo tempo em que v e r b a l i z a a i m a g e m que o a l o c u t á rio deve fazer da função judiciária, situan d o - a n u m nível i d e al, assume essa imagem e a coloca e m confronto c o m a i m a g e m s o
bre o referente. Desse confronto nasce a condição fundamental
p a r a o ato seguinte, o do Engajamento, que constitui a a l t e r n a t i v a fornecida ao interlocutor p a r a a solução do impasse que e v e n t u a l m e n t e lhe criou durante o envolvimento, o u p a r a sua a- d esao â situação que sè descreve nesse mesmo envolvimento.
Antes de convocar o alocutário ao ato de Engajamento pro
priamente dito, o locutor esboça um quadro, tentando explicar
â comunidade o porquê de sua presença novamente no Tribunal;is
to ê feito através de uma síntese da acusação: "O motivo, que
levou o reu, a desfechar três tiros na vítima, i tão somente
permi-tindo, assim, que seus interlocutores p e n s e m cuidadosamente o m o t i v o , que aliás já foi minimizado (minimiza ao m áximo a causa do crime, p a r a m o s t r a r o descalabro da reação criminosa, d e s propo r ç ã o entre o fato e a ação criminosa), amesqu i n h a d o pelo locutor q uando diz "é tão somente aquela aposta de bicho", já tentando p e r s u a d i r seus alocatários a p e r c e b e r e m o homicídio como ele o percebe e julga; uma ação injustificável.
Cria uma p ausa longa enfática (cf. Marcuschi, 1985) para reforçar o p e n s a m e n t o que inicia no bloco 3, onde usa um outro recurso fonolo g i c o e retórico, o p a ralelismo — "Toda aquela h i s t ó r i a de casamento, toda aquela histó r i a de aluguel de c a r ro, toda aquela histó r i a de testemunhas..."
BLOCO 3
-No bloco 2, o objetivo do Ministério P u b l i c o foi, ainda, d e m o n s t r a r a inutilidade, a improcedência de u m novo julgamen to para u m caso que já foi decidido e b e m decidido.
N este bloco 3, ele passa a discutir a q u estão do q u e s i
to que teria faltado no julgamento anterior — o da legítima
defesa p r ó p r i a — , tentando provar não só que é totalmente i m
procedente, como ainda que entraria em choque com o u t r a tese
da defesa, a da legítima defesa putativa, por se t r atar de t e ses conflitantes.
"Tudo o resto, toda aquela h i s t ó r i a de casamento, toda aquela história de aluguel de carro, toda a q u e l a história de testemunha, de jogo de bicho, de parente, de vizinho, se estava o u não estava, se atirou por entre as grades, o u se atirou de fora do portão, ou dentro do portão, não a l t e r a a situação do homicídio. Nao foi também alterado pelo Tribunal, não foi m o d i ficado pelo Tribunal. 0 Tribunal, segundo a c ó r d ã o de folhas 228,
d eterminou que outro julgamento fosse feito, p orque teria um
quesito a ser formulado ao Conselho de Sentença. 0 quesito da
l egítima defesa própria. E aí, me p e r d o e q u e m entenda de forma diferente, mas se Vossas Excelências o b s e r v a r e m os quesitos for mulados, é folha 185, a indagação, sobre a legítima defesa p u tativa, legítima defesa p u t a t i v a é a quela e m que, no caso, o
réu, aquele que está sendo julgado, supunha que estava sendo
agredido, ou na eminência de v i r a sê-lo.
"Então, é uma figura da fantasia, ou da imaginação do réu, do autor do homicídio. Ele supunha a agressão. A l e g í t i
ma defesa p r õ pria não pode supor uma agressão. Ele deve estar
sendo a g r e d i d o , prâ ele reagir a esta agressão. Então, uma s i m ples o p o sição de u m fato, e do outro, onde e m \im ele alega que estâ sendo agredido, e numa o u t r a tese que ele supunha estar
sendo agredido, jâ é uma mentira, jâ são c o n f litos entre as
duas teses.
"Como ele supõe numa e afirma na o u tra? São i n c o m p a t í veis entre si essas duas teses, no m e s m o quesito. Mas, p a s m e m Vossas Excelências, a legítima defesa p r ó p r i a não foi tese d e
A linguagem usada pelo locutor neste bloco do discurso,
é mais descuidada: além de repetições, com a intenção de real
çar a idéia de que ele considera absurda a tese levantada pela
defesa, no caso, legitima defesa putativa, numa voz irritada,
alta, critica, em tom crescente os argumentos que seu a locu
tário d everá usar; m o s trando-se seguro, através de u m tom alto de voz, pergunta, p r o v o c a n d o seu adversário; aqui a entonação ev i d e n c i o u as ações que desmontam a tese de seu adversário,quan
do, em tom crescente, salienta as ações contraditórias do réu,
através dos verbos A F I R M A R / S U P O R — "Como é que ele supõe numa e a f irma n a outra?" O locutor se envolve de tal forma, n a re p r e s e n t a ç ã o de seu papel, que faz uso de uma forma fonológica reduzida, usando "prá" no lugar de para, forma usada pelo fa lante e m conve r s a ç õ e s informais. Fazendo uso desse estilo i n formal, agora se dirigindo diretamente ao Conselho de Sentença, v e r b a l i z a a i magem que faz do seu adversário, c onstruindo a t r a vés de v o c ativo — "Mas, p a s m e m Vossas E x c e l ê n c i a s ,'a legitima defesa p r ó p r i a não foi tese defendida e m plenário" — m o s t r a n do a s s i m (e enfatizando) o absurdo jurídico levantado p e l a d e fesa. 0 uso do verbo p a s m a r , da m a neira como foi dito, embora se d i r i g i n d o ao Conselho de Sentença, teve por intenção irritar
seu adversário. 0 locutor consegue seu o b j etivo de forma ime
diata, e isso pode ser constatado através do p edido de u m a p a r te, p e l a defesa.
S eu o p o s i t o r reage, solicitando p e r m issão p a r a se m a n i
festar; na verdade, está sentindo que o locutor criou uma si
tuação p a r a r i d i c u l a r i z a r a sua função pública, ou papel jurí dico. O locutoí deixa explicita a imagem que q u e r que o ouvinte faça do referente, c o nseguindo o engajamento do alocut á r i o com relação â i m a g e m sobre o referente. Estabe l e c e - s e a polêmica.
B L O C O 4
-Neste bloco (4), o discurso tem três destinatário: seus
adversários (defesa), o p u b l i c o e o juiz. P a r a o juiz e a d e fesa, tenta p r o v a r ,j u r i d i c a m e n t e , que a tese de legitima defesa própria e, portanto, a n u l i d a d e não t e m razão de ser. Faz isto
invocando os artigos do CÓdigo Penal. A i nformação sobre • o
referente (a nulidade) ê dada c o m segunda intenção, que e n v o l ve o ato de argumentar.
Defesa: "Vossa E x c e l ê n c i a me concede u m aparte?"
Acusação: "E, n a quela ata, não consta."
Defesa; "Não foi isto que entendeu o Tribunal, não foi isso que e n t endeu o T r i b u n a l de Justiça de Santa Catarina."
Acusação: "Eu v o u c o n c e d e r u m aparte, p o d e falar."
Defesa; "Não foi isso que e n t endeu o Tribunal, tanto que anulou o j u l g a m e n t o . "
Acusação; "Ê isso que eu e s t o u discutindo."
Defesa: "Vossa E x c e l ê n c i a está dizendo que não houve, o Tribunal e n t e n d e u que h o u v e ..."
Acusação; "Vossa E x c e l ê n c i a jâ está b o tando a carroça na frente dos bois."
Defesa: "O Tribunal entendeu que houve'...
Acusação; "Calma, que eu vou chegar lã.' Vossa E x c e l ê n cia vai p e r c e b e r que houve um erro. Calma que eu vou chegar lá. "
Defesa; "O Tribunal entendeu que houve. Vossa Excelê n c i a é que não entendeu."
Acusação; "Eu, tenho o meu convencimento."
Defesa: "Convencimento, não entendimento."
Acusação; "Não, entendimento também. E vou p r o v a r a V o s sa Excelência, que V o s s a Excelência está errado."
Defesa: "Vai p r o v a r coisa nenhuma."
Acusação: "Vou, v o u p rovar (dirigindo-se ao p ú blico).Qué vê como eu v o u p r o v a r prâ ele? Porque eles r e c e b e r a m uma graça
do Tribunal. Uma graça. Porque na Justiça, porque perante a
lei, p o r q u e n e n h u m d i s p o s i t i v o legal socorre aqueles que d o r mem, E, s e gundo o texto da lei, basta o b s ervar o artigo ,47 ...
minto, 571, as nulidades; segundo aquele júri, não houve, na
ata não consta, em p l e n á r i o não ouvi, e não foi feito a tese de legítima d e f e s a própria.
"Esta tese aparece muito veladamente por o c asião das ale gações finais. N e m na c o n t rariedade ao libelo, como reconheceu o Tribunal, ela nao aparece.