cENTRo
sÓ°cIo-EcoNÓMIco
DEPARTAIVIENTO
DE
SERVIÇO SOCIAL
'As
DETERMINAÇÕES
Do
AI-:‹sENTEísM`o
NA
cAsAN
ESPAÇO
DE
INTERVENÇÃO
DO
SERVIÇO
SOCIAL
Aprovado Polo DE
S
E-›Jiz..¿é2.z¿t1
Trabalho de conclusão de curso apresentado à
Coordenadoria de Serviço Social
da
Universidade Federal de Santa Catarina, para obtenção
do
Título de Assistente Social, pelaacadêmica;
'
.
cósv
h/
~":Tš:|'v|ço
Social.w
05€-UFSPPATRÍCIA
A.cARDoso
VIEIRA
Dedico
este trabalho:Aos meus
pais,Vahnor
eMaria
Aparecida, peloamor
que sentem
um
pelo outro eatravésdo
qualme
foi permitido viver.Por
transmitirem todoamor
e carinho e terem
me
ensinado os verdadeiros valoresda
pessoahumana
eme
incentivado a maisesta conquista.
Ao
meu
esposo Carlos, pelo apoio e cumplicidade nosmomentos
de angústias,que
com
gestos e palavraslevou-me
a seguir,em
frentena
buscada
concretização deste trabalho.
Por
todos osmomentos
que
juntosvivemos
eque
me
fazem
Aos meus
irmãos peloamor
que nos
une.Ao meu
sogro,. sogra ecunhada
pelo carinho e apoio demonstradoem
todos os
momentos.
AÀ
minha
avó querida, peloamor
e carinhodemonstrado
por todo essetempo. .
À
CASAN
pela oportunidadede
estágio.À
Assistente Social, Alzira pela supervisão e orientação dadana
aprendizagem
prática. `w
Aos
funcionários daCASAN,
pela contribuiçãodada
no
processo deminha
prática, e pelo enriquecimentoque
me
proporcionaram.Àqueles que
diretaou
indiretamente contribuíramna
realização deste trabalho. 'INTRODUÇÃO
... .. osCAPITULO
11-
SERVIÇO
SOCIAL
NUMA
INSTITUIÇÃO
ESTATAL
-CASAN/REGIONAL
FPOLIS.
1.1 ~
A
CASAN
Enquanto
Instituição Prestadora de Serviços àPopulação
e a Inserçãodo
Serviço Social nesse Contexto ... .. O81.2 -
O
Serviço Social daEmpresa: Espaço
ContraditórioDecorrente
do
sistema Capitalista ... .. 19CAPÍTULO
2 A2.
AS
DETERMINAÇÕES
DO
ABSENTEISMO APRESENTADAS
NO
COTIDLANO
DO TRABALHADOR
DA
CASAN
2.1 -
Absenteísmo
- Considerações Gerais ... _. 31 2.2 -O
Absenteísmo
como
uma
Questão
Presentena
Dinâmica no
Trabalhodo
Serviço Social ... ..~ .... .. 41CONSIDERAÇÕES
F1NA1s
... .. 61REFERENCLAS
BIBLIOGRÁFICAS
... ._ 65ANEXOS
... ..69
ANEXO
1 -Organograma
da
CASAN
... ..~
O
presente trabalho pretende seruma
reflexao
teórico prática de nossaexperiência de Serviço Social, vivenciada por
um
ano
emeio
junto aos servidores da`
r
Companhia
deAguas
eSaneamento
-CASAN.
A
partir deminha
experiência de estágiopude
constatar a grandepreocupação da chefias
em
relação ao elevado índice deAbsenteismo
por Doença, proveniente de vários fatores,que
no
decorrerdo
trabalho serão explicitados.É
por issoque
o Serviço Social por seruma
profissãocomprometida
com
a classe trabalhadora,
desempenhando
o papel demediador da
relaçãoempregado/empresa, não
poderia deixarde
realizarum
trabalhoque
pudessecontribuir sensivehnente nesta relação
que
as vezes toma-se tão contraditória.O
absenteísmo éum
dosmais
visíveis ecomplexos
problemas decomportamento
humano
com
que
as organizações enfrentam.É
uma
tendência dosempregados
para faltarem ao trabalho, os motivos são variados, muitas vezesnão
sendo
incluído as doenças entre eles.Estes motivos
podem
terorigem
na
própria empresa, pois atravésda
reprodução
do
sistema capitalista, elamanipula
a realidade de acordocom
seus interesses,provocando
sérias conseqüências,como:
insatisfação,más
condições detrabalho, doenças, relacionamentozdesigual entre níveis hierárquicos e outros; todos deterrninantes diretos
que
podem
ocasionar o absenteísmo.Portanto, para o absenteísmo ser entendido
procuramos
neste trabalho realizaruma
caracterização das relações deprodução
dentrodo
sistema capitalista, evidenciando os fatores determinantesdo
absenteísmona
CASAN.
Assim
sendo,no
primeiro capítulodo
presente traballio procuramos enfocar o trabalhoda
CASAN,
enquantoempresa
pública de prestação de serviços edemonstrar
como
sedeu
a inserçãodo
Serviço Social neste contexto e os programas de intervenção presentesna
dinâmica de trabalho deste profissional, de acordocom
a realidade apresentadana
empresa. 'No
item seguinte, ressaltamos os objetivos dasempresas
demodo
geral, relacionando-o aum
espaço contraditórioquando
requisita o traballiodo
Serviço Social, para intervirnos
conflitos e problemas existentes dentroda
organização.No
último capítulo, trabalharemos o objeto de estudo:Absenteísmo por
doença. Discorreremos inicialmente sobre a ,fundamentação teórica desta questão,
relacionando a
um
contextomais amplo
e enfatizando a interferênciado
sistemacapitalista; para
no
item subseqüente analisarmos categorias determinantesdo
absenteísmona
CASAN,
obtidos durante as entrevista.Teremos
ainda,um
itemque
apresentará as condições fmais sobre otrabalho, e sugestões de propostas de intervenção
do
Serviço Social eda empresa na
questão
do
absenteísmo.~
SERVIÇO
SOCIAL
NUMA
INSTITUIÇAO
ESTAT
AL
-.
`
CASAN/REGIONAL/FPOLIS
1.1 -
A
CASAN
Enquanto
InstituiçãoPrestadora de
Serviçosà População
e aInserção
do
Serviço Social nesse Contexto.A
Companhia
Catarinensede
Águas
eSaneamento
foi criada pelaLei Estadual n° 4.547, de 31 de
dezembro
de1970e
constituídaem
Assembléia Geralde
O2
de
julhode
1971,no governo de
Colombo
Machado
Salles.É
uma
empresa
deeconomia
mista, cujo capital social écomposto
por ações, das quais,o
Governo do
Estado
detém
a maioria.De
acordocom
odocumento
de viabilidade globalda
empresa, os objetivos específicosda
prestação de serviços diretos aoconsumidor
são:`
0 Gerar planos
adequados
ao desenvolvimento físicodo
setor desaneamento
básico, considerando a_demanda
de
serviços, adisponibilidade de fontes de
água
e outros recursos,como
também
os fatores sociais,
econômicos
e comerciaisda
região, visando aimplantação de seus programas;
0 Prestar serviços
de
atendimentode água
e disposição final deesgotos, ao
maior
número
de
pessoas;~
0 Implantar
uma
filosofia de respeito e consideraçao paracom
seus usuários;¢ Estimular
o
desenvolvimento de pesquisas tecnológicasna
área,visando melhorias
na
qualidade dos serviços prestados,bem
como
Hoje
, aempresa
possui222
sistemas de abastecimento de água e 8de esgotos sanitários, atendendo cerca de 2.317.400 usuários
em
192 municípiosdo
Estado de Santa Catarina.
'
.
Portanto, sua função volta-se para o social,
ou
seja, o atendimentodireto a população proporcionando-lhe saúde e bem-estar público.
Atualmente
aCasan
contano
seu quadro de fimcionáiioscom
cercade
2920
servidoresem
todo o Estado, sendo355
destes,da
Regional / Florianópolispara a qual este trabalho está direcionado.
A
política social destaempresa
é regida pelaCLT
(Consolidaçãodas Leis Trabalhistas) e por Projetos-Leis Estaduais,
no
que diz respeito aos beneficiosque
estas leisgarantem
aos trabalhadores.A
Casan
através de suaFundação
(FUCAS)
e sua Associação(ASCAN)
volta-se socialmente para seus servidores.A
F
UCAS
oferece beneficios desaúde, tratamento odontológico, suporte fmanceiro, ginásio de esportes,
um
restaurante e convênioscom
outros auxílios. Já aASCAN
oferece aos associados,sua sede
na
Pontado
Lealem
Florianópolis, consórcio de bens,uma
lojinha, convênios,uma
sala de massagens,um
salão de beleza.Segundo Karsch
(1983 : 54) “Benefícios, antecipação salarial,auxílios, convênios
são
estratégiasmodernas
de
salários indiretospara
o
trabalhador
Oferecendo
benefícioscomo
vale refeição, vale transporte, plano desaúde, e
um
saláriomenor,
ou
seja, gastoscom
salários menores, os encargos sociais serão menores,além
de obterganhos
com
o abastecimentodo
Imposto de Renda.A
empresa
também
preocupa-secom
a educação sanitária,onde
tevea iniciativa de levar 6.360 alunos de escolas públicas e privadas para palestras
na
Os
servidores daCasan
podem
contarcom
o sindicato -SINTAE
(Sindicato dos Trabalhadores de
Água
e Esgoto),que
possui cerca de 2.400servidores associados.
São
oferecidos auxílios natalidade e farmácia.Mas
o objetivo centraldo
sindicato é a defesa de melhores condições de vida, de direitos dosfrmcionários
enquanto
trabalhadores. Este órgão representativo pretende mostrar a realidadedo
sistema, estimulando-os nas mobilizações parauma
resolução rápida porparte
da
empresa. ÀSegtmdo
o vice-presidentedo
sindicato, amaior
dificuldade queencontram
é a mobilização dos servidores, para fortalecimento das reivindicações,isto se
dá por acomodação,
por receio de ser prejudicadona
empresa. Estaacomodação
se aprofundadaem
estudo, verificar-se- iaque não
é culpa dostrabalhadores
mas
sim, conseqüênciado
sistemaque
os leva a agir desta forma.No
entanto, aCasan
por seruma
empresa
pública, faz parte deum
processo social,que
se transforma e semodifica,
pois está inseridanuma
totalidade socialonde
sefazem
presentes todas as relações existentesno
meio
de produção.Portanto,
como
toda instituição estatal sua política é instável, provavelmente,em
decorrênciado
governomudar
de quatroem
quatro anos e aindade acordo
com
o partidoque
assumir,desencadeando novas
alteraçõesna
empresa.O
partido é a expressão de
um
determinado grupo social,podendo
ter duas forrnas:uma
dirigida por urna elite,
que
pretende dirigir sob seu ponto de vista (interesses) , e a outra, é ada não
elite,ou
seja, o das classes dos trabalhadores.Baseado no
livro'de Gramsci, “A/Iaquiavel,a
Política e o EstadoModerno”
(1978) inferimosque
o partido aquem
aCasan
está vinculada atuahnente,pode-se dizer
que
é reacionário,porque
funciona burocraticamente, portanto é puro executorda
ideologia dominante. Esta ideologia perpassada pelaempresa
significa a visão dehomem
e demundo
da classe burguesa.O
Estado éum
órgão representativoda
ideologia deum
determinado ~gmpo
que
visa a criação de condições favoráveis aexpansao
desse grupo.Segundo Karsch
(1987 : 72)“Tudo
faz da
instituiçãouma
entidadeburocrática,
em
que
asnormas
definem
o espaço, o tipode
saber, explicita as relações internas desse espaço ea
racionalidadeé
realizada tendoem
vista osfins
institucionais”.
Para
manter
a ordem, o controle político da empresa, determinado e variável, os dirigentesfazem
com
que os servidoressubmetam-se
as suas normas,resultando
numa
hierarquia de subordinação e poder,num
meio
de controle decima
para baixo.
Esta subordinação se
dá
entre os agentes privilegiados (diretores echefias) e os agentes
complementares
(osdemais
servidores* ).Os
agentesprivilegiados são os
que
legitimam por sua prática a existênciada
Casan.O
caráter disciplinadorda
instituição se dá paraque
os trabalhadores setomem
instrumentos de manipulação,segundo
Foucaultapud
Faleiros (1991 : 46)“adestrando seus corpos,
esquadrinhando
os espaçosonde
vivem
epor
onde
andam,
estabelecendo as sériesde
atosque
devem
cumprir, vigiandosuas
ações ecomportamentos
“, através da utilização de anotações e fiehários sobre eles, afim de seadequarem
asnonrmas estabelecidas, e onão cumprimento
delas, torna-os alvo de punições.É
uma
forma
utilizada pelasempresas
demanter
sobre os trabalhadoresuma
certa coerção. çPortanto, neste processo de
produção
capitalista,no
qual a sociedade está inserida, éque
sedá
a divisãodo
trabalho, as lutas sociais, a produção deaptidões, a
adequação da
classe trabalhadora a este processo pormeio
de seleção e “adestramento”. Isto tudo ocorre dialeticamente.'
Ao nos referirmos sobre os trabalhadores da Casan usaremos a denominação servidores, pois ó esta
Claus
Offe (1984 : 15), ressalta:“O
processode
industrialização capitalistaé
acompanhado
de
processosde
desorganização emobilização
da força de
trabalho,fenômeno
que não
selimita à
fase
inicialdo
capitalismo,mas
que
nelapode
ser
observado
com
especial clareza.A
ampliação
dasrelações concorrenciais
aos
mercados
nacionais eƒinalmente
mundiais,a
introduçãopermanente
demudanças
técnicaspoupadoras
da força de
trabalho,a
dissolução
das
formas
agráriasde
vida ede
trabalho, ainfluência de
crises cíclicas etc,têm
o efeitocomum
dedestruir,
em
maior
ou
menor
medida
as condições deutilização
da
força de
trabalho até então dominantes”.As
pessoas atingidas por este processonão
realizam seus trabalhosde acordo
com
suas capacidades,mas
sim,com
que
omercado
de trabalho os ofereceno momento,
sendo
assim,não
possuem
controlealgum
sobre as condições deutilização de suas capacidades.
S
Portanto, é importante ressaltar
que
àmedida
que
o capitalismo sedesenvolve
fica
dificil de alterar a política, a classe dominante, osproblemas
sociaisetc.
A
transformação se dará simultaneamenteno
processoeconômico
e ideológico através de lutas políticas.Segundo
Gramsci, (1983) só através destas lutas haverãopossibilidades de
uma
ação transformadora dasrelações sociais.No
entanto, seráno
campo
da
superestrutura que deve ser trabalhado a consciência crítica e a alienação.É
inserido neste contextoque encontramos
o Serviço Social, quepropõe-se a intervir junto aos trabãlhadores nas questões sociais
que
se manifestaremno
cotidiano internoou extemo
ao trabalho,que
significa percebê-loem
suatotalidade. -
No
entanto ademanda
atendida pelo Serviço Social são os indivíduosque
estão inseridosno
modo
deprodução
capitalista e quepossuem
a força de trabalho. Eles são vistos dentro de urna visão de totalidade,ou
seja, para quea realidade das situações seja conhecida é necessária a sua apreensão
como
um
todoestruturado.
Portanto, esses trabalhadores
não
são seres isoladosno
mundo, mas
seres sociaisque
estão inseridosnuma
sociedadeonde permeia
as relações sociais de produção.~
Os
fatos isolados, as relaçoes, osfenômenos que
se apresentarem ao Serviço Social serão abstratos e só adquirirão verdade e concreticidadequando
voltados paraum
todo correspondente,que
nos possibilite fazer asmediações
necessárias e assim sairda
aparência para chegarna
essência das situações.Segundo Karsch
(1983 : 37)“O
concreto é concretoporque
éa
síntese
de muitas
determinaçoes, isto é, aunidade
do
diverso”.E
o surgimento deste profissionalna
Casan,segundo
documentos, sedeu
com
a contratação deum
assistente socialem
1974, foiquando houve
apossibilidade de desenvolver
um
trabalho socialna
empresa.Porém
este profissional~
nao pennaneceu na Casan
pormuito
tempo.Em
1975
foi contratado outro profissional de Serviço Social,que
iniciou seu trabalho atravésda
observação, entrevistascom
servidores, chefias e diretores,com
o
objetivo de conhecermelhor
a realidadeda
empresa.Segundo Herkenhoff
(1987 : 123)“O
Serviço Social,ao
desenvolverseus
programas
na
empresa, necessita,para
estabelecer seus objetivos,conhecer
asexpectativas
dos
empregados
e dosempregadores”.
Vários projetos
foram
elaborados,como
a criaçãoda
FUCAS
Segundo
uma
assistente social, a diretoriaaprovou
o projetoda
F
UCAS
,na
qual trabalhou por três anos, depoisretomou
à matriz,onde
desenvolveu trabalho de .atendimento individual e grupalque
aindanão
se tinha realizado.4
Então
em
1981, o Serviço Social definitivamente volta a atuarna
matriz, vinculado à Gerência de RecursosHumanos,
passando a contarcom
trêsassistentes sociais.
Atualmente
o Serviço Socialda
Regional contacom
uma
assistentesocial (Alzira
Maria
deMatos)
e estagiária,que
está vinculado a DivisãoAdministrativa e Financeira.
Em
anexo, está oorganograma
daempresa
de acordocom
ahierarquia.
Ós
setoresque
estão presentes são aqueles imprescindíveis ao“funcionamento” da
empresa, tantoque
o Serviço Socialnão
aparece, jáque
a classedominante
o consideracomo
setor secundário, complementar,que
está a disposiçãopara “controlar” a classe trabalhadora.
«
O
Serviço Social se faz presenteem
todos os setoresda
empresa,participando ativamente de reuniões, sugestões e eventos. Isto ocorre
quando
aempresa
lhe proporciona condições para tal.Os
trabalhos desenvolvidos eem
desenvolvimento a nível de atendimento individual e grupal dá-seem
todas as áreas,segimdo
a relação deatividades
do
Serviço Socialda
Casan,com
o objetivo geral de atenderda melhor
forma
possivel osproblemas
e necessidades apresentadas pelos servidores.A
intervençãodo
Serviço Socialna Casan
se dá a nível de :1 -
Atendimento
a
Dependência
Química
: alcoolismo e outras drogas.O
alcoolismo éum
dosproblemas
com
maior
incidência nas empresas.Leva
a gravesproblemas
decomportamento,
atestados, acidentes detrabalho,
queda
na
produção
etc.Hemhoff
(1985 : 130)menciona que
“o sistema estámais
interessado
nos
lucrosproporcionados
pelaprodução
e difusãodo
álcooldo que
nos
prejuízoscausados
pelo alcoolismo”.Em
novembro
de1992
foifonnado
um
grupocom
servidoresdependentes e interessados
no
assunto.O
grupopermanece
se reunindo até hoje, asreuniões são realizadas quinzenahnente,
com
objetivo de discutir-se sobre as experiênciasque cada
um
passou, sobre as conseqüênciasque
o uso acarretano
serhumano,
fazendo a relaçãodo que
se discutecom
o todo,com
a sociedade ecom
osistema.
Faz-se o atendimento individualizado, o
acompanhamento
se dá nas clínicas,nos
casos de internação, eem
família.2 -
Atendimento
e/ouacompanhamento
social aos office-boys/girs.Participação
em
reuniões de avaliação. Esses jovens sãoencaminhados
pelaPROMENOR
àCASAN
através de convênio,que
sãomeninos
emeninas
cuja renda familiar é de “até 2 saláriosmínimos,
os quais lhes sãodado
a3
-Atendimento
individualizado as chefias, servidores e familiarescom
relação:a) desequilíbrio emocional.
b) desequilíbrio financeiro.
c) relacionamento interpessoal.
d) absenteísmo - é de grande incidência
na
empresa, esta questãoserá abordada
mais
adiante, demodo
aprofundado, visto que foi realizado projeto para
verificar as causas que estão levando os
servidores a se ausentarem
com
freqüência da empresa.e)
encaminhamentos
para recursos internos e/ou externos. f)acidente de trabalho, identificação da causa social.g) questões sociais ligadas a saúde.
Herkenhoff
(1985 1 127)afinna
que:“no
acompanhamento
de
casos,o
particular deve sersempre
relacionadoao
geral e vice-versa.O
indivíduodeve ser tratado
na
sua
individualidade,nas suas
emoções, crises e
medos,
tendo sempre,como pano
defundo
sua
inserçãono mundo,
suas
condiçõesde
trabalho,de
moradia,sua
relaçãode
classe”4 - Reabilitação e
Readaptação
Profissional.É
amovimentação
funcionaldo
servidor através dapassagem
deum
cargo para outro, tendo por objetivo o seu reaproveitamento (reabilitaçãoprofissional)
ou
inadaptação ao cargo (readaptação profissional).As
movimentações
acima
ocorrerão por solicitaçãodo
próprio servidorou
da
chefia
da unidade orgânica,na
qual estiver lotado, condicionando-se à existênciada
vaga, exceto pormotivo
deO
serviço social fazo
atendimentocom
o objetivo de analisar oaspecto social, e intervir quanto a orientação
de
procedimentos dos funcionários.»
t
5
-Supervisão
em
Serviço Social.É
a supervisão técnicado
estágio,que
é realizada quinzenalmente, e bimestralmente, é realizado por escritouma
avaliação e atividadesque foram
~
desenvolvidas
no
período eencaminhado
parao
setor de coordenaçao de estágiosda
empresa.
6 - Interaçao
com
entidades externascomo:
MEC
‹ salário-educação, SESI, INSS,APAE, FCEE, LBA,
~
Fundaçao
Vida, e outros.7
- Participaçaodas
reunioesmensais
da
CIPA
(Comissão Intema de
Prevenção de Acidentes), prestandoacompanhamento
social aos servidores acidentados e analisando as causas psico- sociais dos acidentes de trabalho.Herkenhoff
(1985 : 132)também
ressalta que,“O
Serviço Socialtem
um
papel
importantena
reflexao
sobrea
forma como vem
sedando a
participaçãode
representantes dosempregados
nas
reuniõesde
CIPA”
8 -
Atendimentos
sociais e reuniõesde acordo
com
as necessidades das chefias,dos servidores e das famílias.
Desde
1981 o Serviço Socialpermanece
com
este quadro deatividades. Estas são as questões emergentes
no
cotidiano de trabalhador daCASAN,
mas
o assistente socialnão
restringe-se apenas a essas atividades, qualquer outra que possa aparecer,sendo
de sua competência será atendida.É
importante o Serviço Social buscarsempre
uma
articulaçãocom
aschefias
edemais
setores,afim
de obter o apoio e a participação desta para a realização dosprogramas
a serem desenvolvidosna
empresa.Segundo Herkenhoff
(1985) o Serviço Social estabelececom
aempresa:
0
uma
relação deconfiança
- referente ao segredo profissional,ponto-chave para o desenvolvimento de
um
bom
trabalho.0
uma
relação de consulta -quando
punir, demitir, elaborar projetos, realizar programas,tomar
decisões.0
uma
relação de ajuda -em
reuniões, superação de conflitos.0
uma
relação de apoio - abertura de espaços para que possadesenvolver seus
programas
com
a participação dos trabalhadores. 0uma
relação de aliança - papel socialna
luta por melhorescondições de vida dos trabalhadores.
z
Todas
essas relaçõesfazem
parteda
prática dos profissionais deServiço Social de Empresa.
E
paramelhor
compreender~se o Serviço Socialno
contextodo
sistema capitalista, procurar-se-á,no próximo
item, explicitar as contradições existentes dentro das empresas, as quais as assistentes' sociaistem
que enfrentar.1.2 -
O
Serviço Socialde
Empresa: Espaço
Contraditório decorrentedo
SistemaCapitalista.
S
Iniciaremos este item, ressaltando
que
a palavraempresa
possui várias definições,mas
serãomencionadas
apenas duas, pelo fato da primeira voltar-se para o trabalhador, o
que
raramente acontece; e a segunda, refere-se ao lucro, porser
o
objetivo centralda
maioria delas, etambém
por mencionar
a função socialcom
relação ao atendimento dos consumidores.As
definições são as seguintes:“...
a
vidada
humanidade tem
giradoem
tornode
uma
estrutura... Trata-se
da
estruturaem
que
cada
homem
busca,de
um
lado,a remuneração
pela atividade desenvolvida,a qual
lhe servepara
seu sustento pessoal ede sua
familia;mas
busca,de
outro lado,sua
realização,
enquanto pessoa
humana, no
trabalhoque
desenvolve, verdadeiro
complemento
de
sua
personalidade; essa estrutura
é a
Empresa
“(Gonçalves, 1988 : 51,52).
“Empresa
é a
uma
organizaçãoque
constituiuma
unidade econômica,
cujo objetivo imediatoé
o lucro e 0atendimento
das
necessidadesdos
consumidores,desempenhando
uma
função
social”(Grupo
de Estudosdo
Serviço Socialdo
Trabalho, 1971 : 4).Na
verdade essas definições secomplementam,
ou
seja, todaempresa
éum
localonde
se desenvolve osmais
variados tipos de trabalho, sendo amão-de-obra
realizada por pessoas,que
em
trocarecebem
um
salárioafim
de suprir suas necessidades e realizar-se enquanto serhumano,
gastando sua energia vitalna
transformaçãode
determinado produto,dando o que pode
de si paraque
o trabalhorealizado seja
de
qualidade; e oempregador
por sua vez, só fornecendo osinstrumentos para
execução do
trabalho, visando porfim,
o lucro,ou
seja,o
trabalho excedente,que
pode
chamar-se de mais-valia.“Mediante o
trabalho,o
homem
não
somente
transforma a
natureza,adaptando-a
às suas própriasnecessidades,
mas também
se realizaa
simesmo,
como
homem
e até,num
certo sentido,toma-se mais
homem”
(Gonçalves,1988
: 51).Mas
se as duas definições se concretizassemna
realidade, tantoo
trabalhador quantoo empregador
sairiam satisfeitos.-No
entanto,num
sistema capitalistacomo
esteem
que vivemos
é difícilde
satisfazer os dois lados, tendoem
vistaque o
próprio sistema os colocaem
confronto; cuja tendência é explorarcada
vez
mais o
trabalhador,que
normalmente
é tratadocomo
uma
máquina ou
um
objetoque
está a disposiçãodo
capitalista para ctunprir ordens e executar o trabalho,sem
odireito
de
questionar, sugerirou
conversar a respeitodo que
se está produzindo.No
entanto,em
algumas
situações estafonna
de tratamento leva ostrabalhadores a insatisfação
no
trabalho,que
acabam
executando-o por obrigação,porque
dependem
dele para sobreviver. Esta insatisfaçãopode
aparecerquando
as~ ~
necessidades secundárias
nao
forem
satisfeitas, sao as demotivo
social,mais
especificamente, o
não
reconhecimentodo
trabalho realizado, os privilégiosproporcionados para alguns etc.
Nesta situação o
homem
encontra-se alheio a empresa, ao trabalho e atéem
relação a simesmo.
Baseando-se
em
Friedman
(1972), a insatisfaçãopode
resultarnum
estado
mais
ou menos
acentuado de depressão e tensão nervosa.E
também
pode
influenciar
no comportamento
forado
trabalho,com
tendências agressivas para se auto-afirmar, manifestada nas horasde
lazeres, por exemplo,o
uso de bebidasalcoólicas, jogos de azar etc.
E
mais cedo
ou
mais
tarde interferiráno
trabalho, resultandoem
ausências,mau-humor
e outros. Portanto, aempresa
esqueceda
realização pessoal eda
participação dos trabalhadores.Segundo
Gonçalves, (1988) aempresa
éuma
entidade complexa,composta
poruma
tríplice realidade:0 realidade
econômica
- porque visa produziralguma
coisaou
prestar serviços,
que
acabam
setomando
objetosde
troca.0 realidade
humana
- porque a produção, à circulaçãode
bens e/ouserviços só se realizará
com
ofmto da
atividadehumana,
ou
seja, a materia só se transforma a partirda
vontade e iniciativado
homem.
0 realidade social -
porque tem que
corresponder auma
sériede
responsabilidades,
como
qualidade dos produtos,o
padrão dosserviços prestados e os efeitos das atividades sobre
o
bem-estarda
comunidade.
Importa ressaltar,
que
as empresasreproduzem o
sistema vigente; as relações capitalistas sereproduzem na
superestmtura jurídica, política e ideológicada
sociedade.E
paraque
secompreenda
o
Serviço Social deEmpresa
é importante situa-lo dentrode
todo este contextoem
-que se encontra inserido.Porque
nas relações deprodução que
semantém
na
sociedade, encontram-se as relações sociais, isto é,o
homem
produz
em
conjuntocom
outroshomens,
por isso elemantém
relaçoes.
Estas relações se
dão
historicamente, poisem
cada época
existemmeios
deprodução
diferentes resultandoem
diferentes relações sociais. Isto quer ~ dizer,que
devemos
considerar a conjuntura,na
qualacontecem
as contradiçoes econflitos existentes a tuna determinada sociedade.
“Os
problemas de
relações sociaisna
empresa,
são ~referentes
ao
sistema capitalista.A
exploraçao do
trabalho, dentro
da
lógica necessáriaà
existênciado
sistema,
provoca
conseqüênciascomo
habitaçõesprecárias,
saúde
deficiente,alimentação inadequada,
insatisfação etc” (Rico,1980
: 44).Dessa
fonna,podemos
dizerque
o
Serviço Socialna
sociedade,aparece para atender aos objetivos
do
capitalismo,que
consistemem
“...manter a
ordem,
preservara
nova
sociedade,ou
subsidiar o capital” (Teixeira,Apud
Zucco, 1992)Segundo
Mota
(1985 : 41) :“As empresas
não
são
consideradas tradicionaisempregadores de
assistentes sociais, isto é,como
participantesdo
rolde
entidadesque
tiveram influênciadecisiva
na
institucionalidadeda
profissão.Embora
sejaconhecida
a
existênciade
experiências esparsas dosanos
40, tantono
Sul
como
no
Nordeste, é notórioque a
inclusão
do
Serviço Socialna
empresa
se devea
conjunturas especzficas,
marcadamente a
partirde
1960”.
Sendo
assim, a práticado
Serviço Socialem
empresas pode-seconsiderar
nova no
Brasil, jáque
surgiu paralelamente ao processo industrial,mas
isso
não
quer dizerque
tenha aparecido para atender a classe operaria. Porque
oServiço Social pela sua própria história, aparece
como
saber social apropriado peloEstado através
de
suas políticas sociais, executados pelas instituições.Segundo
Herkenhoff
(1987 : 123) :“O
Estado
tem a
função
de
manter
e reproduzir osistema,
agindo
como
legislador, repressor,intermediário
em
conflitos sociais, difundindoa
ideologia dominante,
buscando
integrar e adaptar os indivíduosà
sociedade”.~
E
como
conseqüênciao
Serviço Socialtomou
seuma
das profissoesmais
atreladas aopoder
institucional, pois surgiu para criarmecanismos
deFoi só
na década
de60 que
o Serviço Social deempresa
obteveum
impulso
relevante; cujo objetivo foi intervir junto a população trabalhadora carenteem
suas necessidades de subsistência e relações sociais.Este fato aconteceu
na
mesma
época da
Reconceituaçãodo
Serviço Social,onde
passou-se a questionar a natureza e operacionalidadeda
profissão,com
ofim
deromper
com
a prática assistencialista atrelada a corrente positivista, quenão
buscava
a transformaçãoda
realidade, apenas voltava-se para a integração eajustamento
do
indivíduo à sociedade. Pretendia-se introduziruma
maneira
crítica deação,
ou
seja,uma
posturaque
possibilitasse aos profissionaisobterem
uma
visãocritica
da
realidadeda
sociedade.Karsch
(1983 : 39)afirma
“...que a
própria críticapressupõe
uma
análise
do
todo edas
partes, equando
istonão
se dá,a
análiseacaba
por
configurar-se
como
unilateral e parcial”.Esta
nova
postura fezcom
que
os profissionais tivessemuma
visãomais
clara das contradições e conflitosque
apresenta-sena
sociedade, nas empresas, etambém
de seu papel dentro delas. Estemodo
de percepçãoda
realidade, as vezes, entraem
choque
com
a empresa,quando
esta contrataum
profissional sendo oobjetivo de sua função voltar-se para
o
assistencialismo e paternalismo. Isto ocorre,porque
muitas delaspossuem
ainda,uma
visãodo
Serviço Socialda época
de suaorigem
(tradicional) , a qual os profissionais tentamromper
através de sua prática cotidiana.Vale
salientar,que
mesmo
depoisda
Reconceituação o ServiçoSocial aplicado nas organizações empresariais utiliza-se de várias perspectivas teóricas,
quando
refere-se ao seu objeto e objetivos de trabalho.Mas
apenas duasdestas, serão ressaltadas, por
serem mais
presentes e atuais.A
primeira perspectiva é a fimcionalistaque
define
o
objetocomo
o“funcionamento
social”, “orientação social”, e o objetivocomo
adaptaçãodo
homem
aomeio
social.A
segunda, é a dialéticaque
considera o objetocomo
sendo a “açãosocial
do
trabalhador nas situações relacionadas ao atendimento de suas necessidadeshumanas”,
e o objetivo é a transformação social,que
desdobra-se nos seguintes objetivos: conscientização, organização, capacitação e participação.Sendo
esta, amais
presentena
prática dos assistentes sociaisda
áreado
trabalho atualmente.Por
este motivo, é importante explicarmos o significado de cadaum
destes objetivos .
Conscientização:
É
um
método
para auxiliar pessoas a desenvolverhabilidades e superar
problemas
imediatos e crônicoscom
que
elas se confrontam.Através
da
conscientização as pessoasaprendem
a refletir, a analisar criticamente e a agir;tomando
alguma
ação positivaem
relação a erradicação de circunstâncias sociais alienantes. Estemétodo
proporciona as pessoasperceberem
as similaridades entrëäseus própriosproblemas
e os dos outros, tentandopromover
interessescomims
de classes. Ela é muito importante
porque
toma
a realidademais
visivel,possibilitando
caminhos
para a transformação.Segimdo Souza
(1988, P. 132) conscientização é:“ Processo
em
que a
população
a
partirda sua
realidade existencial,passa a
ampliara
sua
percepção,a
estabelecer correlaçõesde causa
e efeito sobre essa realidade,a formular
juízos críticos ea
tomar
atitudesem
face
dela”.-
O
processo de conscientização,segimdo
Paulo Freire, é feito pelodiálogo pelo qual
o
homem
insere-sena
realidade e utiliza-seda
palavra enquanto expressão desta realidade.or
“O
dialogo constitui-senum
processoonde
o AssistenteSocial e
o
empregado
realizamuma
experiênciacom
todoo
seu serno
contexto da_ históriahumana, a
pessoas
é
um
homem
totalque
é
sujeito, logo racional ehumana
enão
enquanto
oprimido, alienado edesajustado”. (Frisca,
apud
Almeida,1987
: 54)_
Organização: São
ações que as pessoaspassam
arealizar depois que
possuírem
consciênciada
importânciada
força social, da união edo
fortalecimentode grupos
com
problemas
em
comum,
para assim, obter o atendimento às necessidades,não
apenas imediatas,mas
amédio
e longo prazos.Segundo
Souza
(1988, P. 133) organização é: “Processoem
que
asações desenvolvidas
pela
população
passam
a
serassumidas
como
elemento deforça
socialpara
secontraporem aos
seusproblemas
existenciais”.Capacitação:
É
um
processo de conscientização e organizaçãoassumida
pela população toda vezque
superaum
problema, eda
início a descobertade outras situações a
serem
enfrentadas, imprimindo-lhesnovos
modos
de
agir.Conforme
Souza
(1988, p. 134) capacitação é :“Processo
em
que
a
população passa a assumir
gradativamente
o seu próprio processode
conscientização e organização e se torna capaz
de
estender
a sua
experiênciaao
todo social,penetrando
mais a
fundo
na
essência dosproblemas
ecaptando
as contradições sociaisa que
está submetido.Como
tal,percebendo
mais
a
essênciada sua
realidade social,tenta encontrar
também
novos
modos
de
agirque
respondam
mais
diretamenteaos
seusproblemas”.
Participação:É
um
processoem
que
as pessoaspõem
em
práticasua consciência crítica perante as decisões a
serem tomadas
em
diversos contextos,Importa, ressaltar-se
que
independentemente dos objetivosque
oAssistente Social pretenda alcançar
na
empresa, é importanteque
ele saiba as expectativasque
o
empregador
e osempregados
possuem
em
relação ao seu trabalho.Sendo
assim, baseando-seem,Herkenhoff
(1985) aempresa
esperado
Serviço Sociala :
~
0 Intervençao junto aos empregados, afim de
amnentar o
grau desatisfação, canalizar tensões,
com
issoaumentar
a produtividade. 0 Interpretação de programas,normas
para os empregados, visando~ ~
a aceitaçao e adesao.
0 Participação
em
momentos
de
conflitos,como
fonna
de controlesocial. -
Em
contrapartida, osempregados
esperam: -0
Ajuda
para as soluções deproblemas
pessoais e coletivos.0
Defesa
em
momentos
de
conflitos,como
intermediário das~
reivindicaçoes
que
eles própriosnão
assumem
pormedo
de
perdado emprego.
~
0
Desenvolvimento
deprogramas
que
ajudem na
recuperaçao dedesgaste físico e mental.
Diante destas expectativas, o assistente social precisa ter
bem
claroos seus objetivos,
entendendo que não
será elequem
transformará a sociedade,mas
sua prática voltada para a conscientização dos trabalhadores, irá ajuda-lo a
romper
com
a ideologiaque
encobre a visão demundo
destes. Pois,o
Serviço Social propiciarámeios
paraque
eles reflitam etomem
consciência das contradições econflitos
que perpassam
suas vidas. _Mesmo
diante desta situação,o
saber institucional apropriadoou
manter
ahegemonia
do poder
vigente. Isto quer dizer,que o
serviço socialpode
deum
lado favorecer os trabalhadores na conquista para suprir as suas necessidadesbásicas,
mas
por
outro lado, a mediatizaçãopode
passar a constituirum
dosinstrumentos políticos
no
sentido de reforçaro poder da
classe capitalista face a sociedade.Pode
também,
ser utilizadocomo
um
meio
de
controlar asinsubordinações
dos
trabalhadores e ainda ser utilizadocomo
suporte de discurso ideológico reforçandoo
modo
de vidadada
ao trabalhador pelo capitalista.Segundo
Mota
(1985 : 63,64) o Serviço Social é :“ gerado
no
interiorde
uma
relação contraditória,como
produto
da
determinação
de
uma
prática,apresenta-se
igualmente
contraditório. E, aindaque
sereconheça que a
empresa,como
elemento
ativonos
pactos
de dominação,
é requisitante institucionaldo
Serviço Social,
não
sepode
desconhecer
que sua
requisiçãosomente
existeporque
ela precisa abolir os entravesà
produtividadegerados
pelos“problemas
sociais”do
trabalhador”.Assim, a instituição Serviço Social é
composta
por interesses declasses contrapostas, participa
do
processo social reproduzindo e reforçando contradições básicas,com
issoconfomiando
a sociedadedo
capital.Aexistência
ecompreensão
destemovimento
abre espaço para oassistente social desenvolver
em
seu trabalho “atividades críticas”que permitam
aos trabalhadoresromperem
com
a ideologia tradicional e fonnar a sua própria ideologiae assim atingir
um
nível de organização e autonomia, dando-lhes condições de avançarna
luta pela conquista dos seus direitos.Segundo
Faleiros (1991 : 99) :“Os
Serviços Sociais prestados dentrodo
aparelhoestatal referem-se
a
serviçosque não
afetam de maneira
especzfica e direta
a produção
material,mas
o própriotrabalhador.
Nesse
caso,sendo o
trabalhadoro
objetoda ação do
Estado, evidentementehá
um
efeitocomplexo
e contraditório nessa ação.As
próprias necessidadesdo
trabalhadorsão
burocraticamenteestabelecidas e
não
existeuma
relação direta eespecifica entre estes serviços e necessidades
diretamente vinculadas
à produção
de
determinadosbens.
São
serviços contraditórios epara
compreendê-los
é
necessário terem
contasua
especificidade, asrelaçõa
em
que
estão inseridos esua
posição histórica.É
impossível analisar os serviços
sem
considerá-los historicamente”.Sendo
assim, o profissional de Serviço Social constitui-seem
um
mediador
de interesses dosque
lutam pelopoder
sobre a sociedade, sendo a práticaperpassada
por
todo esse jogo de 'forças e determinada porconjunmras
históricas.No
entanto, a relação Serviço Social face à reprodução
da
ideologia dominante, de forçade trabalho das contradições presentes nas relações sociais, são aspectos que
fazem
partedo
seu trabalho, por estar inseridono
sistema capitalista.“A concepção de
práticado
serviço social supõe,termos
consciência
de
que
trabalhamos
com
o _produto de
contradições sociais
de
um
sistema:contradiçõa
que
surgem
na
contactodas
organizações, soba
aparênciade
necessidades, aspirações e reivindicaçõesdos
trabalhadores” (Rico,
1985
: 58).Portanto, esta posição de
mediação do
Serviço Social jlmto às instituiçõesdemonstra
uma
posiçãoambígua
e contraditória.Segundo Gonçalves
dos Santos (1980)como
agente subordinado,com
autoridade limitada dentroda
instituição.
O
Assistente Social possuiuma
tendência de identificaçãocom
aclientela, mostrando-se perante a instituição
como
porta-voz das necessidades destas,que
devem
sercomprovadas
para a organização, apósserem
apresentadas aoprofissional.
No
entanto, éum
assalariado a serviço da instituição, que possui seus direitos limitados, eque sempre
busca o fortalecimento e valorização de sua posição perante osdemais
profissionais.Isto ocorre
quando
identifica a sua práticacom
a da instituição,aparecendo
para a clientela sob afonna
de porta-voz institucional.E
necessita utilizar-se de estratégias e táticas para atender as necessidadesda
classe trabalhadora.H
Segundo
Faleiros (1991 : 54,56)r o
“A
analisede
, conjuntura, evidentemente
compreendendo a
conjuntura
institucional, visao
estabelecimento
de
estratégias e táticaspara
fortalecer aclasse trabalhadora,
a
mudança
da
correlaçãode
forçasque
determina
o objetode
sua
demanda
esuas
alternativasde
ação
”.É
junto dosempregados que
o Serviço Social deempresa
atua,no
sentido de pesquisa e posterior análise das necessidades,
bem
como
a elaboração de propostas frente as situações constatadas.Então
vale salientar, que a presençado
Serviço Social ninna
empresa
é importante, tendoem
vista quena
organização empresarial estão presentes as contradições e conflitosda
sociedade, pois aempresa
constitui o núcleo
do
movimento
dialético da sociedade.Portanto, são nestás organizações
que
apresentam-se as contradiçõesdas
mais
variadas questões sociais,com
as quais o Serviço Social farámediações
para desvendar a realidade que as envolve; dentre elas, destacamos o absenteísmo e,
mais especificamente
o relacionado aos Atestados Médicos, por tomar-sehá algum
tempo na
CASAN
, alvo de atenção e preocupação, devido ao elevado ritmo de ocorrência.Este foi o
motivo que
levou o serviço Social a desenvolverum
Projeto de Investigação sobre o
tema
Absenteísmo,com
o objetivo de verificar ascausas desse aumento, tendo
em
vistaque
a relação daschefias
com
seus servidores éde certa
forma
distante, desconfiada,algumas
vezes autoritária. Relação esta ,que
pode
decorrer deuma
visão individualista da chefia,que não
percebe o servidorem
sua totalidade,
ou pode
serum
meio
de escamotear omotivo que
está levando oservidor a agir desta forma.
Sendo
assim, opróximo
capítulo se dedicará a pesquisa iniciada pelo Serviço Socialno ano
de 1993 sobre a questãodo
absenteísmona
Companhia
Catarinense deÁguas
e Saneamento,onde
discorreremos sobre a teoria desta, os resultados obtidos e finalrnente as sugestões para possíveis intervenções.As
DETERMINAÇÓES
no
ABSENTEÍSMQ APRESENTADAS
No
‹:oTu›1ANo
no TRABALHADQR
DA cAsAN
\
2.1 -
Absenteísmo
-Considerações
TeóricasO
absenteísmo significao
hábito dosempregados não comparecerem
aotrabalho, e os
motivos
podem
ser variados.Pode-se dividir o absenteísmo
em
5 classes,segundo
Lapertosa eQuick
(1982), sendoque cada
uma
merece
tratamento e considerações diferentes:a)
Absenteísmo
voluntário: é a ausência voluntária ao trabalho por razõesparticulares. Trata-se
da
ausêncianão
justificada por doença, portantosem
amparo
legal.b)
Absenteísmo por
doença: engloba todas as ausências por doençasou
procedimento
médico. «c)
Absenteísmo por
patologia profissional:compreende
as ausências poracidente
do
trabalhoou
doença
profissional.d)
Absenteísmo
legal: são as faltasamparadas
em
lei,como:
licença gestação, casamento,doação
de sangue etc.e)
Absenteísmo
compulsório: é oimpedimento
ao trabalho, ainda que otrabalhador
não o
deseje, por suspensão imposta pelo patrão,ou
outroimpedimento
queDiante desta classificação, cabe ressaltar qual delas será abordada de
maneira
aprofundada neste trabalho.O
absenteísmo a ser relatado é por doença,ou
seja, aquele que incorreem
atestados médicos. Este fato leva a preocupação de
que
algo deve estar acontecendocom
a saúde dos trabalhadoresda
CASAN.
Sendo
assim, é importante relatarcomo
sedá
a relação saúde-doençano
sistema capitalista. Sabe-se que, pela definição
da
8° Conferência Nacional deSaúde
(1986), saúdevem
a ser` -
“a resultante
das
condiçoesde
alimentação, habitação, educação, renda,meio
ambiente, trabalho, transporte,emprego,
lazer, liberdade, acesso eposse
da
terra e acessoa
serviçosde
saúde.É
assim, antesde
tudo, o resultadodas
formas
de
organização socialda
produção,
as quaispodem
gerargrandes
desigualdadesnos
níveisde
vida”.Por
isto, a saúdenão
deve ser entendidacomo
um
processoque
envolvesomente
aspectos biológicos e orgânicos,mas
aspectos sociais, políticos eeconômicos
que
interferemna
vida das pessoas, eque
se apresentamno
campo
das lutas e contradições geradas pelo sistema capitalista,em
detenninada realidade social.Por
ser sobre a saúdedo
trabalhador, referir-se-átambém
a categoria trabalho paramelhor
compreender-se o processo saúde-doença,no
capitalismo.Segundo
Marx
(apud, Garcia,1989
: 103) o trabalho“é
um
processo entre ohomem
e a natureza,um
processoem
que
ohomem,
por sua
própria ação,mede,
regula econtrola seu
metabolismo
com
a
natureza.Ele
mesmo
sef defronta
com
a
matéria naturalcomo
uma
força
naturalsua
corporalidade,braços
e pernas,cabeça
emãos, a
ƒim
de
apropriar-seda
matéria naturalnuma
forma
útil asua
própria vida.Ao
atuar,por
meio
dessemovimento,
sobrea
natureza externa
a
ele eao
modifica-la, ele modificaao
mesmo
tempo
sua
própria natureza.Ele
desenvolve as potências nelaadormecidas
e sujeita ojogo de suas
forçasa seu próprio domínio”.
Pode-se dizer, então,
que
o trabalho útil estimula o desenvolvimento das capacidades físicas e mentaisdo
serhumano, que
acaba resultandoem
saúde.Mas
como
no
capitalismo o trabalhadornão
pode
dispender suas potencialidades,num
graupossível, de acordo
com
as formas produtivas, sua capacidade de crescimento físico emental
toma-se
limitada.e
Conseqüentemente
0não
desenvolvimento das potencialidades, acabagerando
doenças,que
são visíveisem
duas fasesdo
capitalismo:na
manufatura ena
grande indústria.
Na
manufatura, 0 trabalho era manual, os trabalhadores desenvolviam suas potencialidades de acordocom
sua vontade, havia cooperação entre as pessoas que trabalhavam juntas; nesta fase o trabalhadordava
a vida auma
atividade,com
issoacabava
criando adoença
profissional.Romazzini(
apud, Garcia,1989
: 106) distingue duas causas das doençasprofissionais:
“A
primeira emais
potenteé 0
carater nocivo dos materiaisque
são
manejados
pelos trabalhadores, poisemitem
vapores perniciosos e particulasmuito
finas, hostis aosseres
humanos,
eocasionam
doenças
especificas.A
segunda
causa
é atribuídaa
certosmovimento
violentos eirregulares e as posturas contra-naturais
do
corpo, pelos quais a estrutura naturalda
máquina
vitalé
tãodeteriorada
que
gradualmente
sedesenvolvem
gravesJ!
Assirn a repetição contínua dos
movimentos do
trabalho na manufatura levava ao aparecimento de várias doençascomo
az hipertrofia, deformidadeda
colunavertebral, escoliose etc.
~ ~
Já
na
faseda
industrializaçaohouve
a transformaçao dos instrumentos detrabalho,
como
o
aparecimentode
maquinarias,onde
os operários são consideradosum
acessório, surge a divisaodo
trabalho, a subordinação dos trabalhadores. Então aparecea
chamada
doença
industrial,que
são formas de esgotamentode
energiaou
fadiga;com
separação
da
atividade físicada
mental. Surgeuma
patologiaque
se expressacom
~
alteraçoes fisiológicas
que
podem
classificar secomo
doenças psicossomáticas:doença
coronariana, desordens mentais, úlcera etc. z
Nesta
fasedo
atual capitalismo 'as doençasestão
relacionadascom
o
processo
de
organizaçãodo
trabalho, estruturadode forma
burocratizada e hierarquizada,onde
a divisaodo
trabalho sedá
em
termos dequem
pensa equem
obedece.
Portanto, a organização
do
trabalho junto das dificuldadesda
vidacomo:
distância entre localde
trabalho e residência, deficiência quanto à qualidadeou
quantidadedos meios
de transporte; a necessidade decomplementar
o salário atravésda
realizaçãode
outras atividadesremuneradas
duranteo
período de folga e outros, acabadeixando
os trabalhadores fisicamente ementahnente
esgotados,sem
ânimo
paraparticipar de outras atividades,