Gestão territorial participativa: um modelo de gestão territorial integrando um sistema de atores em processos de desenvolvimento comunitário
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(2) GESTÃO TERRITORIAL PARTICIPATIVA Um Modelo de Gestão Territorial Participativa integrando um sistema de atores em processos de desenvolvimento comunitário José Fernando Arns Esta tese foi julgada adequada para obtenção do título de doutor em engenhariaespecialidade em engenharia de produção na sua forma final pelo programa de pósgraduação em engenharia de produção. _____________________________________________ Prof. Edson Pacheco Paladini, Dr. Coordenador do Curso de Pós-Graduação UFSC/ EPS Banca Examinadora: _____________________________________________ Prof. Carlos Loch, Dr. Orientador – UFSC ______________________________________________ Profa Ana Maria Eyng, Dra PUCPR ______________________________________________ Prof. Dimas Agostinho da Silva, Dr UFPr ______________________________________________ Prof. Roberto de Oliveira, PhD.. ____________________________________________ Profa Sandra Sulamita Nahas Baasch, Dra Depto Engenahria Sanitária e Ambiental – UFSC. _______________________________________ Prof. Wilson Jesus da Cunha Silveira, Dr..
(3) UFSC. ARNS, José Fernando. Gestão Territorial Participativa: Modelo de Gestão Territorial integrando um sistema de atores em processos de desenvolvimento Comunitário. Florianópolis, 2003. 207f. Tese (Doutorado em Engenharia) – Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Produção, UFSC,2003. Desenvolvimento de um modelo de Gestão Participativa integrando e interagindo um sistema de atores por meio de suas potencialidades humanas, técnicas e científicas resultando na construção de processos sustentáveis socioeconômicos a ambientais locais e regionais. Palavras-chaves: Participação comunitária, sistema de atores, comunicação e informação, grupos de trabalho, sustentabilidade local..
(4) AGRADECIMENTOS. Agradeço a Deus por ter me mostrado e iluminado o caminho da verdade. Dedico a meus pais que souberam me mostrar a verdadeira importância de ajudarmos os outros a descobrirem o significado da essência Humana..
(5) Ao Professor Doutor Carlos Loch, orientador acadêmico que soube me mostrar, conduzir, incentivar no caminho da criatividade e da inovação construindo um novo senso crítico de perceber. Aos meus pais, irmãos que estiveram sempre ao meu lado incentivando, apoiando e acreditando no meu sucesso pessoal e profissional. À Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), pelo apoio e incentivo por acreditar e colocar em prática a importância da pesquisa, ensino e extensão levando um novo agir para as comunidades, em especial ao Reitor Prof. Dr. Clemente Ivo Juliatto. Às escolas Manoel Ribas e Hildebrando de Araújo, comunidade da Vila Torres, em especial aos Grupos de Jovens 100% pela Paz e a Voz Estudantil, pelo grande aprendizado aferido a mim, pela grande família da qual faço parte. Aos mestres do programa de Pós-Graduação, pela grande consideração, pelo elevado senso de profissionalismo, responsabilidade, pelas discussões, principalmente pelo sempre querer ensinar e por acreditar na essência humana. Em especial a todos os meus colegas, pela amizade, pela comunhão de iniciativas independente de vocativos, pela sua presença e força marcantes. À Universidade Federal de Santa Catarina, pelo apoio institucional. Ao programa PROBRAL (CAPES / DAAD – Alemanha) do qual participei, pelo apoio à pesquisa e transferência de tecnologias entre os países. Aos diversos órgãos públicos municipais e estaduais que me colocaram à disposição dados qualitativos e quantitativos que fizeram parte deste trabalho, em especial COMEC, IPPUC, IPARDES, IBGE, SMS, SMM, SMEL.
(6) RESUMO A proposta deste estudo é construir processos com os quais os participantes se sintam motivados e capacitados dentro de um espaço da comunidade com intuito de mobilizar socialmente diversos grupos potenciais. A finalidade desses grupos é gerar informação necessária para que cada cidadão possa intervir eficazmente na sua comunidade, no seu ambiente social, cultural, econômico e ambiental. Para construção destes processos gerou-se um Modelo de Gestão Territorial, que possibilita resgatar e identificar aspectos importantes dos espaços social e territorial das comunidades e propor a formação de Gestores e, em conseqüência, um espaço comunidade.Tal Modelo foi elaborado a partir da realidade socioeconômica e ambiental do Município de Curitiba, tendo como foco específico a Comunidade da Vila Torres, porém sem desconsiderar a Região Metropolitana de Curitiba, quanto aos fatores que interferem diretamente nessa realidade. A análise caracteriza-se por avaliações quantitativas e qualitativas, tendo como suporte: o Cadastro Técnico Multifinalitário, os Grupos Focais e o conceito de Ambiente Decisional e sua composição do Multicritério de Apoio à Decisão. O pressuposto fundamental é que a Gestão Territorial não é tarefa somente dos Municípios, dos governos mas sim de toda a sociedade. Para formar uma Gestão Territorial plena são necessárias a interação e integração de um sistema de atores interdisciplinares e interinstitucionais que facilitem os processos de construção de uma sociedade mais igualitária, informada e sabedora de seus direitos e também de seus deveres.. ABSTRACT The aim of this study is to build processes which might be motivating for the participants, who are able to socially mobilize several potential groups within a community. The objective of these groups is to generate the necessary information to each citizen so that he/she intervene efficiently in his/her community in the social, cultural, economic and ecological environment. For the construction of these processes a Territorial Management Model has been generated, which makes it possible to rescue, identify important aspects of the social and territorial spaces of the communities, and suggest the apprenticeship of managers and, consequently, their action upon community space. This model was created based on the social, economic and ecological reality of Curitiba, having as its specific focus Vila Torres Community, but taking also in consideration the.
(7) metropolitan area of Curitiba, as to the factors that interfere directly upon this reality. The analysis is characterized by quantitative and qualitative evaluations and support is given by Cadastro Técnico Multifinalitário (Multifinalitary Technical Registration), Focal Groups, the concept of Decisional Environment and its composition of Multicriteria of Decision Support. The fundamental understanding is that the Territorial Management is not only a task for the counties and government, but also responsibility of the whole society. In order to build a complete Territorial Management it is necessary to have integration and interaction of a system of interdisciplinary and interinstitutional actors who may help the construction of a more aware egalitarian, informed and knowledgeable of its rights and duties society..
(8) SUMÁRIO. 1 INTRODUÇÃO................................................................................................................ 14. 1.1 JUSTIFICATIVA........................................................................................................ 16. 1.2 TEORIAS DE SUPORTE À HIPÓTESE................................................................. 17. 1.3 HIPÓTESES.............................................................................................................. 19. 1.4 OBJETIVOS.............................................................................................................. 20. 1.4.1 Objetivo Geral................................................................................................... 20. 1.4.2 Objetivos Específicos....................................................................................... 20. 1.5 CARÁTER INÉDITO, CONTRIBUIÇÃO CIENTÍFICA E RELEVÂNCIA................... 21. 1.6 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ................................................................ 21. 1.7 LIMITAÇÕES DO ESTUDO...................................................................................... 22. 1.8 ORGANIZAÇÃO DO ESTUDO ................................................................................ 23. 2. PESQUISA INTERDISCIPLINAR ................................................................................. 25. 2.1 INTEGRAÇÃO DAS METODOLOGIAS MULTICRITÉRIO DE APOIO À DECISÃO (MCDA) E DOS GRUPOS FOCAIS............................................................... 25. 2.2 INTEGRAÇÃO DAS METODOLOGIAS DO CADASTRO TÉCNICO MULTIFINALITÁRIO (CTM), MULTICRITÉRIO DE APOIO À DECISÃO (MCDA) E GRUPOS FOCAIS ........................................................................................................ 2.3 PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO INTERDISIPLINAR E INTERINSTITUCIONAL ................................................................................................. 28. 30. 3. ESPAÇO SOCIAL E TERRITORIAL: ALGUNS ASPECTOS DA REALIDADE SOCIAL, ECONÔMICA E AMBIENTAL DA REGIÃO METROPOLITANA DE CURITIBA E ARREDORES ............................................................................................. 36. 3.1 PANORAMA GERAL ............................................................................................... 36. 3.2 CURITIBA E RMC .................................................................................................... 41. 3.3.1 Escolaridade versus renda .............................................................................. 44. 3.3.2 Escolaridade versus saída da pobreza ........................................................... 47.
(9) 3.3.3 Qualidade de Vida na Habitação ..................................................................... 54. 3.3.4 Qualidade da Habitação .................................................................................. 62. 3.3.5 Saúde das Comunidades ............................................................................... 65. 3.3.6 Áreas Degradadas versus Ações Integradas .................................................. 71. 4. CONSTRUÇÃO DA REALIDADE LOCAL ................................................................... 83. 4.1 GESTÃO TERRITORIAL PARTICIPATIVA ........................................................... 83. 4.2 FORMAÇÃO DA GESTÃO TERRITORIAL ........................................................... 84. 4.3 CADASTRO TÉCNICO MULTIFINALITÁRIO DAS POTENCIALIDADES DO ESPAÇO TERRITORIAL E SOCIAL ........................................................................... 88. 4.3.1 Área de abrangência do projeto ................................................................... 88. 4.3.2 Visualização, desenvolvimento e planejamento das ações ......................... 90. 4.3.3 História e da Identidade da Comun idade ..................................................... 94. 4.3.4 Composição do Espaço Social ..................................................................... 96. 4.3.5 Grupos Formadores de Opinião .................................................................. 96. 4.3.6 Dinâmica dos Grupos Focais ........................................................................ 98. 4.3.7 Formação dos grupos Focais ...................................................................... 100 4.3.8 Potencialidades dos Decisores .................................................................... 103 4.3.9 Potencialidades dos Facilitadores ............................................................... 106 4.3.10 Cadastro de dados qualitativos e quantitativos do ambiente Decisional ... 110 5. MODELO DE INTEGRAÇÃO DOS ATORES DO PROCESSO .................................. 114. 5.1 REDES DE INFORMAÇÃO .................................................................................... 114 5.2 FORMAÇÃO DA REDE DE TRABALHO ................................................................ 116 5.2.1 Estrutura e função da Organização Coordenadora ........................................ 118 5.2.2 Características do Sistema de Atores ............................................................ 119 5.3 MODELO DE GESTÃO TERRITORIAL PARTICIPATIVA ...................................... 123 5.3.1 Desconcentração Administrativa .................................................................... 124 5.3.2 Planejamento Soc ial ....................................................................................... 126.
(10) 5.3.3 Gestão Participativa ....................................................................................... 126 5.3.4 Políticas socioeconômicas e ambientais ........................................................ 128 6. INTEGRAÇÃO DO SISTEMA DE ATORES POR MEIO DO ESPAÇO 130 COMUNIDADE ................................................................................................................ 6.1 ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO COMUNIDADE ...................................................... 130 6.2 PLANEJAMENTO DOS ELEMENTOS NORTEADORES DA FORMAÇÃO 132 ESPAÇO ....................................................................................................................... 6.2.1 Planejamento em nível Regional .................................................................... 132 6.2.2 Planejamento em nível Local ......................................................................... 134 6.3 GERENCIAMENTO DAS AÇÕES .......................................................................... 136 6.4 MOBILIZAÇÃO SOCIAL NO ESPAÇO COMUNIDADE ......................................... 137 6.4.1 Construção dos processos interdisciplinares e interinstituc ionais .................. 138 6.5 FORMAÇÃO DE INDICADORES ........................................................................... 142 7. RESULTADOS DO ESTUDO: MODELO APLICADO NA COMUNIDADE ................ 144 7.1 FORMAÇÃO DO ESPAÇO COMUNIDADE ........................................................... 144 8. CONCLUSÃO, RECOMENDAÇÕES E PESQUISAS FUTURAS ............................... 156. 8.1 ANÁLISE DA REALIDADE NAS ENTIDADES PÚBLICAS E PRIVADAS LOCAL 156 E REGIONAL ................................................................................................................ 8.2 GESTÃO TERRITORIAL PARTICIPATIVA ............................................................ 159 8.3 IDENTIFICAR E POTENCIALIZAR O ESPAÇO SOCIAL E TERRITORIAL .......... 159 8.4 ORGANIZAÇÃO COORDENADORA : INTEGRAÇÃO DE SISTEMAS DE. 161. INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO EM NÍVEL REGIONAL........................................ 8.5 FORMAÇÃO DO ESPAÇO COMUNIDADE........................................................... 163. 8.6 RECOMENDAÇÕES .............................................................................................. 165 8.7 SUGESTÕES PARA PESQUISA FUTURAS ......................................................... 167 9. REFERÊNCIAS ........................................................................................................... 170 GLOSSÁRIO .................................................................................................................... 176. APÊNDICE A – MODELO DE FORMULÁRIO DE CADAS TRO DE MORADORES ....... 177.
(11) ANEXO A ......................................................................................................................... 182. LISTA DE ABREVIATURAS APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais COHAB – Companhia de Habitação CTM – Cadastro Técnico Multifinalitário. FUNDEPAR – Fundação Educacional do Paraná IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. IPPUC – Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba. IPTU – Imposto Predial Territorial Urbano . MCDA – Multicritério de Apoio à Decisão. OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público PNAD – Pesquisa Nacional por amostra de domicílios PUCPR – Pontifícia Universidade Católica do Paraná. RMC – Região Metropolitana de Curitiba SANEPAR – Companhia de Saneamento do Paraná SMEL – Secretaria Municipal de Esporte e Lazer. SMF – Secretaria Municipal de Finanças. SMM – Secretaria Municipal do Meio Ambiente. SMS – Secretaria Municipal de Saúde. UFPR – Universidade Federal do Paraná.. LISTA DE ESQUEMAS Esquema 01 – Interação do espaço social e territorial ............................................ 84. Esquema 02 – Etapas de desenvolvimento das ações na comunidade .................. 86. Esquema 03 – Construção dos processos para a Gestão Territorial Participativa. 87. Esquema 04 – Formação do Ambiente Decisional .................................................. 96. Esquema 05 – Esquema geral para obtenção dos dados qualitativos e quantitativos da comunidade ................................................................................... 97. Esquema 06 – INPUT /OUTPUT de informações e dados dos grupos focais ......... 99. Esquema 07 – Formação dos Grupos Focais ......................................................... 100. Esquema 08 – Alternativas de soluções nos Grupos Focais .................................. 102.
(12) Esquema 09 – Hierarquia de necessidades, segundo Maslow ............................... 104. Esquema 10 – Formas e sistema de Informação e comunicação da rede de 115 trabalho ................................................................................................................... Esquema 11 – Entrada e saída de informações e dados da comunidade para o sistema de atores e a Organização Coordenadora ................................................ 117. Esquema 12 – Modelo de Gestão Territorial Participativa integrando e interagindo atividades socioeconômicas, culturais, políticas e ambientais ............. 124. Esquema 13 – Fases de organização do espaço comunidade ............................... 131. Esquema 14 – Planejamento em Nível Regional e Local ....................................... 132 Esquema 15 – Processos e Clusters de trabalho do espaço comunidade ............. 150 LISTAS DE FIGURAS Figura 01 – Localização do Município de Curitiba ................................................... 38. Figura 02 – Maiores Fluxos para os principais receptores da migração intrametropolitana .................................................................................................... 40. Figura 03 – Crescimento Anual das Administrações Regionais de Curitiba ............ 42. Figura 04 – Indicadores de Qualidade de Vida em Educação.................................. 50. Figura 05 – Escolas Municipais e Estaduais de Ensino Fu ndamental..................... 53. Figura 06 – Indicadores de Habitação em Curitiba................................................. 55. Figura 07 – Qualidade das águas superficiais ........................................................ 57. Figura 08 – Unidades de Conservação do Município de Curitiba ............................ 58. Figura 09 – Instrumentos de Gestão das Áreas de Mananciais .............................. 59. Figura 10 – Índice de Satisfação quanto à Habitação ............................................. 64. Figura 11 – Unidades de Saúde de Curitiba ........................................................... 67. Figura 12 – Indicadores de Qualidade de Vida em Saúde ..................................... 69. Figura 13 – Áreas Ocupadas Irregularmente na RMC ............................................ 72. Figura 14 – Áreas de Subhabitação em Curitiba ..................................................... 73. Figura 15 – Vila Torres / Prado Velho / Curitiba ...................................................... 79. LISTA DE QUADROS Quadro 01 – Exemplificação da interação do espaço social e territorial ................. 84.
(13) Quadro 02 – Facilitadores para a construção dos diversos processos, suas 108 possíveis contribuições, locais de atividades e atores ............................................ Quadro 03 –Qualidades das metodologias utilizadas Rodas de Conversa, MCDA, CTM .............................................................................................................................. 112. Quadro 04 – Organização da informação em clusters ............................................ 121. Quadro 05 – Áreas / clusters de trabalho para o desenvolvimento de processos .. 139 Quadro 06 – Subsídios para compatibilização entre projetos e programas nas comunidades .......................................................................................................... 141 LISTA DE TABELAS Tabela 01 – Comparação de indicadores mortalidade infantil, materna e causas externas ................................................................................................................... 43. Tabela 02 – Renda nominal dos habitantes de Curitiba .......................................... 46. Tabela 03 – Escolaridade dos chefes de família por faixa de rendimento na RMC. 46. Tabela 04 – Censo escolar 2000 ............................................................................. 51. Tabela 05 – Domicílios particulares permanentes, por existência de banheiro ou sanitário e tipo de esgotamento s anitário ................................................................ 54. Tabela 06 – Domicílios particulares permanentes, por forma de abastecimento de água .................................................................................................................... 56. Tabela 07 – Domicílios particulares permanentes, por destino do lixo .................... 60. Tabela 08 – Domicílios por padrão habitacional, segundo bairros de Curitiba ........ 63. Tabela 09 – Equipamentos de saúde ...................................................................... 66. Tabela 10 – Comparativo nível de escolaridade da mãe com o índice de mortalidade infantil ................................................................................................... 68. Tabela 11 – Taxa de mortalidade de jovens por causas externas .......................... 71. Tabela 12 – Áreas e domicílios em Ocupações Irregulares em Curitiba ................. 74.
(14) 14 1 INTRODUÇÃO. O paternalismo, o assistencialismo e as comunidades vistas, percebidas somente como objeto de estudo por parte de entidades públicas e privadas deixaram marcas profundas através da história e são fatos ainda enraizados no ambiente social brasileiro. Para reverter este cenário, é necessário analisar, questionar, conhecer a realidade local e finalmente construir um novo conhecimento com as comunidades. Como se pode reordenar os ambientes socioeconômicos e ambientais das áreas urbanas e rurais e oferecer aos cidadãos uma participação nas decisões que lhes cabem, co-responsabilizando estes indivíduos no desafio de exigir de seus governantes ações conjuntas que levem a um ambiente mais sustentável e promotor da cidadania? A conscientização, o sensibilizar, o acesso à informação e a participação consciente do Cidadão dos centros urbanos e rurais em ações no resgate do ideal da Construção da Cidadania e da sociedade são os desafios importantes e grandiosos para o início do século XXI. A informação, a comunicação e a formação de uma sociedade participativa e sabedora de como agir, como se organizar, formar opiniões e conhecer seus direitos e deveres constituem o viés democrático e gerador do desenvolvimento humano e do espaço territorial sustentável. Para se enfrentar tais desafios, um conjunto de questões há que ser respondido: Como se pode alcançar tal objetivo, sem o envolvimento dos cidadãos das comunidades de centros urbanos e rurais para analisar e democratizar a informação por meio da troca de experiências técnico-científicas e humanas? Como integrar e interagir a comunidade no processo de construção de um novo conhecimento dentro dos limites da Constituição Cidadã de 1988, sobre o planejamento do seu espaço social e territorial? Como gerar um novo conhecimento a partir de características intrínsecas dos seres humanos, sua subjetividade, seus sonhos, valores, suas expectativas e necessidades, e integrá-las a fatores extrínsecos provenientes da sociedade em geral, do Governo e de outros atores do processo?.
(15) 15 Os problemas das cidades devem ser enfrentados em parceria entre o Governo e a população. O Governo precisa saber que sua função é servir o seu povo sem distinção, segundo o que relata a Constituição Cidadã de 1988. Por sua vez, a população deve ser comunicada quanto aos seus direitos e deveres na sustentabilidade do meio social e territorial. As comunidades são formadas por sucessivas gerações de pessoas que contribuem, auxiliam, que fazem histórias e deixam um pouco de si naquele dado espaço territorial. São tantas as necessidades das comunidades ricas e pobres, igualmente importantes que repercutem na construção da cidadania, da justiça social, de uma sociedade sabedora de como participar e auxiliar no processo de forma continuada, da humanização e da vida das Comunidades. Todo o processo possui um INPUT (informações e dados da realidade local) que precisa ser conhecido, percebido e analisado, e um OUTPUT (informações e alternativas de soluções de como atuar e fazer a ação ser iniciada), que consiste na formação de gestores nas comunidades consolidando novos meios de agir, através da construção de novos conhecimentos. Toda esta construção da realidade local e a busca de soluções são formadas por diversos processos. Estes processos são compostos pelo espaço social (pessoas) que influenciam ou influenciaram um espaço territorial (qual a infra-estrutura socioeconômica e ambiental específica daquela área de abrangência). Inicia-se esse processo pelo resgate e a preservação da história, da cultura das comunidades, por tantas vezes esquecida; com isso, o processo cria identidade e enriquece o trajeto. O trajeto por sua vez é o somatório de várias histórias, identidades, do espaço social, aceitas pela comunidade, que não podem ser esquecidas, caso contrário o processo e o trajeto ficam fragmentados de uma forma ou de outra naquela localidade (espaço territorial). O resgate e a análise são essenciais para o melhor entendimento do todo, de todos os processos em desenvolvimento numa determinada região. Um país sem história, sem identidade, é um país repleto de comunidades nã o sabedoras “dos porquês” da sua existência. Encontrar o caminho do diálogo, da formação de gestores que atendam e interajam com a busca da realidade local, das histórias e identidades, demanda e necessidades das comunidades é o desafio não somente dos governantes, mas de.
(16) 16 toda a sociedade. Há diversos exemplos de pessoas que reforçam tais iniciativas de comunidades trazendo, contribuindo com suas experiências pessoais e profissionais em prol, principalmente, dos mais necessitados, levando-lhes a qualidade de vida almejada, exigida e solicitada pela comunidade. Mas, não raro, são ações individuais de entidades públicas e privadas que muitas vezes desaparecem pois não estão alicerçadas em um planejamento multiplicador do conhecimento e ações integradas entre órgãos públicos e privados.. 1.1 Justificativa A estratégia local de organização do ambiente social, econômico e ambiental nas comunidades deve levar em conta a necessidade de ações que conjuguem a acessibilidade de informação e a comunicação de alcanc e comunitário, caminho que conduz à não exclusão social. A construção da cidadania precisa envolver os anseios individuais e ao mesmo tempo inclui necessidades comuns a todos os indivíduos, independente de valores raciais, éticos e culturais. Na. perspectiva. do. desenvolvimento. cultural. a. partir. de. uma. visão. antroposófica, há necessidade de aprender a aprender, de saber pensar para melhor interar e inovar dentro do processo, aplicando tecnologias apropriadas adequadas e disponíveis, propiciando o planejamento da paisagem local, do ordenamento territorial, da mobilização social por meio da conscientização continuada, com o envolvimento dos diferentes atores. Ressalta Guattari (1998) “a necessidade da articulação do meio ambiente, das relações sociais e da subjetividade humana”.(p.8) A questão será reconstruir o conjunto das modalidades do ser-em-grupo. É encontrar o caminho do pensar no coletivo e saber como cada cidadão é importante para a construção do processo na sua comunidade, e como este pode contribuir no fator multiplicador para a formação de novos gestores. A cidade não pode ser construída para poucos, e sim se deve planejar ações conjuntas e participativas que resultem em uma cidade, localidade socialmente habitável, identificável pelos seus cidadãos e seja sustentada por histórias de experiências individuais e coletivas de seus habitantes. Não se faz justiça social pensando em ações isoladas, sem perspectivas da multiplicação do conhecimento, sem a atuação das comunidades locais..
(17) 17 Tanto na vida individual, como na vida coletiva, o impacto de uma ecologia voltada para a qualidade de vida não pressupõe uma importação de conceitos e de práticas, mas sim, reapreciar a finalidade do trabalho e das atividades em função de critérios diferentes daqueles do rendimento e do lucro privilegiando a experiência das comunidades. Daí a importância do Modelo de Gestão Territorial Participativa proposto neste estudo. Entende-se que com este instrumento de planejamento pode-se identificar as necessidades e alternativas de soluções de uma determinada comunidade.. 1.2 Teorias de suporte à hipótese A primeira teoria refere-se a um modelo de formação de gestores para a sustentabilidade do espaço social e territorial. A estruturação do processo compreende as seguintes fases: • Diagnóstico da Realidade local: conhecimento prévio da realidade da comunidade, demanda, programas, projetos, interação e integração entre os atores envolvidos e a área de abrangência dos projetos em desenvolvimento. • Construção do Conhecimento: geração de ensino, da pesquisa-ação e formação de gestores por meio dos pressupostos do planejamento participativo e atuação interdisciplinar e interinstitucional integrando e interagindo um ambiente decisional diversificado de experiências técnicas, científicas e humanas. Enfim, da rede de trabalho formada por um sistema de atores. A falta de dados atualizados, concisos e reais nos ambientes social, econômico e ambiental, bem como a geração de informação e comunicação faz com que a participação das comunidades nos problemas enfrentados pela sociedade seja quase nula. A análise, diagnóstico da realidade local é necessária para se propor ações concretas e integradas com a comunidade e interadas com as necessidades locais. É a análise das necessidades locais socioeconômicas e ambientais, como também das potencialidades territorial e social, que conduz à busca de alternativas de soluções reais de curto, médio e longo prazo em nível local e regional..
(18) 18 Um modelo de integração por meio do planejamento participativo com um sistema de informação e comunicação de alcance comunitário pode integrar a teoria à prática, a pesquisa-continuada à realidade, às demandas locais, e promover a interação dos diversos atores comunitários, escolas, universidades, entidades públicas e privadas em prol da melhoria da qualidade de vida da sociedade, cada qual contribuindo com suas potencialidades humanas, técnicas e científicas. Um projeto de intervenção socioambiental se justifica na medida em que possibilite a inovação requerida. A relevância da intervenção proposta, advinda da avaliação efetivada, poderá ser balizada tendo-se como termômetro a realidade, enfim a efetiva e continuada construção do conhecimento, suas histórias e identidades presentes, passadas e futuras. Cada proposta de intervenção possui em vista um contexto específico, mas não interfere na troca de informações técnico-científicas e humanas entre comunidades locais e regionais. A proposta deste trabalho defende a construção do conhecimento da realidade da comunidade relatada, vista, construída. por diversos atores do processo. Cada. processo é composto de atividades organizadas em clusters / áreas de trabalho, de forma que conduzam à otimização das potencialidades dos atores envolvidos e de recursos e realidade local. A acessibilidade a informações de alcance comunitário entre comunidades, entre atores, pode fazer com este processo seja acelerado. Isto é possível desde que seja criado, desde que o processo de inovação expresse o conjunto de elementos circunstanciais, além de condições remotas, mediatas, proximais e imediatas. Estes elementos e condições legitimam, integram, dão sentido e significado à inovação educativa. A realidade, contexto definidor e legitimador de toda a intervenção, constitui -se. em. seu. ponto. de INPUT/partida. (avaliação). e. de. OUTPUT/chegada (propostas de inovação). O Modelo de Gestão Territorial tem por projeto de intervenção a melhoria socioeconômica e ambiental por meio da metodologia da pesquisa–ação, da teoriaprática, do saber-mudar, do construir identidades e histórias das comunidades, importante elo condutor e motivador da participação popular. A visão construtivista do sistema de atores envolvidos utiliza as ferramentas do Cadastro Técnico Multifinalitário, alguns conceitos do Multicritério de Apoio à Decisão e à valoração da subjetividade humana por meio dos Grupos Focais. Isto poderá resultar na democratização da informação e na comunicação de alcance comunitário, bem como na formação de um.
(19) 19 espaço comunidade de atuação interdisciplinar e interinstitucional, consolidando a interação e integração de diferentes fontes de conhecimento e ensinamento.. 1.3 Hipóteses O assistencialismo e o paternalismo seriam decorrências da inexistência de um banco de dados socioeconômicos e ambientais, dos projetos e programas em andamento, da falta de uma série histórica de dados, e da integração entre os atores envolvidos, não participação, não conscientização e a não mobilização da comunidade nas ações e intervenções locais. As comunidades, a população, querem participar dos diversos processos. Isto deve ser ditado por meio do acesso a informações de dados socioeconômicos e ambientais, e comunicados segundo a forma de alcance comunitário, para que gerem apoio e facilitem o desenvolvimento de processos na sustentabilidade de projetos e programas na comunidade. A constituição do espaço comunidade poderá facilitar a formação de gestores nas fases de planejamento, gerenciamento de ações fazendo com que os projetos nas comunidades venham a criar o vínculo necessário entre o sistema de atores interdisciplinares e interinstitucionais resultando em benefícios maiores, como a construção da cidadania, da co-responsabilidade nos ambientes socioeconômicos,da descoberta e do encorajamento das potencialidades humanas, técnicas e científicas dos cidadãos. O resgate da história, identidade das comunidades resulta no maior comprometimento e entendimento melhor por parte da população, dos processos em desenvolvimento e, quem são os atores envolvidos. Todos os processos estão fundamentados na valoração do ser humano, esquecido por décadas pelo paternalismo e assistencialismo assistido pela sociedade, e muitos frutos, resultados ruins estão sendo sentidos hoje pela falta de segurança pessoal e coletiva, tais como: a não participação da família na educação, falta de participação da comunidade em ações de prevenção e conscientização junto a projetos de educação, saúde e meio ambiente. Escuta-se muito nas comunidades: ”isto é trabalho do Governo”, mas a sociedade possui deveres e direitos de participar de uma mobilização social organizada. O desenvolvimento local e regional e a construção da cidadania seriam resultado da construção do conhecimento, do resgate da realidade local e regional por.
(20) 20 intermédio dos diversos atores do processo, comunidade, escolas, universidades, entidades públicas e privadas atuantes na área de abrangência, no caso comunidade Vila Torres.. 1.4 Objetivos 1.4.1 Objetivo Geral Criar e aplicar um Modelo de Gestão Social e Territorial para o desenvolvimento local por meio da formação de gestores e integração dos diversos atores do processo.. 1.4.2 Objetivos específicos • Identificar o espaço Social e Territorial: Identificar e caracterizar os principais grupos de atores que compõem a gestão local e regional para o desenvolvimento local. Explicitar a importância da análise para a realidade local, sua história, sua identidade, seus decisores e facilitadores, as potencialidades do espaço social e territorial para a construção de novos conhecimentos. • Identificar as potencialidades do espaço social e territorial por meio do Cadastro Técnico Multifinalitário, dos Grupos Focais e de alguns conceitos do Multicritério de Apoio à Decisão e como cada um dos atores poderá contribuir com o processo de desenvolvimento local e a formação de gestores. • Identificar formas de Sistemas de Informação e Comunicação que propiciem a integração e interação do Sistema de Atores e os clusters/áreas de trabalho. • Formar um espaço comunidade por meio da integração e interação de um sistema de atores atuantes em nível local e regional para desenvolver a criatividade e a inovação, o qual propicie a integração e interação e a comunicação de um sistema de atores interdisciplinares e interinstitucionais que visem o desenvolvimento de processos que propiciem a sustentabilidade socioeconômica e ambiental..
(21) 21. 1.5 Caráter inédito, contribuição científica e relevância A pesquisa propõe o desenvolvimento de um método de planejamento e gerenciamento de ações construindo a integração e a interação de um sistema de atores, de decisores e facilitadores para gerar uma nova forma de informação e comunicação entre entidades públicas, privadas e comunidade. Com isso poderá propiciar novas formas de mobilizar, atuar, analisar e formar gestores. Esta integração faz com que a comunidade entenda as razões dos dados e indicadores socioeconômicos e ambientais e de que forma ela poderá trabalhar e participar na construção de processos que busquem a operacionalização de ações conjuntas locais (comunidade) e seus facilitadores (município, governo e entidades públicas e privadas). A pesquisa inova ao desenvolver um modelo de integração e interação de potencialidades entre os decisores e facilitadores locais e regionais privilegiando a visão construtivista do cidadão, protagonista principal do processo. Isto resultará na otimização e na construção do conhecimento do espaço social e territorial por meio do planejamento participativo interdisciplinar e interinstitucional entre os diversos atores locais possibilitando a troca continuada de experiências científicas, técnicas e humanas incorporando estes novos parâmetros na formação de novos gestores locais e regionais.. 1.6 Procedimentos metodológicos do estudo O desenvolvimento do estudo se fez respaldado em técnicas de pesquisas qualitativas e quantitativas, do planejamento participativo entre diversos atores. O pesquisador, na condição de sujeito do estudo, participa de forma ativa no que concerne à percepção, observação, análise e como facilitador do processo na busca de integrar e interagir interesses, potencialidades individuais dos atores com as necessidades coletivas da comunidade. O estudo oferece a exame o desenvolvimento de uma metodologia de planejamento, gerenciamento e organização social utilizando a técnica de avaliações.
(22) 22 qualitativa e quantitativa de dados das potencialidades do espaço social e territorial da comunidade.. 1.7 Limitações do estudo As limitações do estudo dividem-se em alguns aspectos no plano local e regional: - a não existência de dados qualitativos e quantitativos integrados e interrelacionando os ambientes socioeconômicos de comunidades locais dos Municípios. Existem sim dados regionais que fazem com que os problemas em pequenas comunidades locais nas regiões urbanas e rurais não sejam planejadas. Isto aliada ainda a falta de integração e interação das diversas secretarias especialmente a de Saúde, Educação e Meio Ambiente à nível Federal, Estadual e Municipal com entidades privadas e a sociedade organizada. - Foi necessário para isto estudar, analisar aspectos da RMC de Curitiba com relação a problemas sociais, econômicos e ambientais para melhor fundamentar a importância de se integrar e interagir entidades públicas, privadas e a sociedade organizada. Desta forma se pode encontrar razões que venham explicar dados “soltos” sem conexão com a realidade e identificar formas de utilizar estes dados como forma de saber como mobilizar socialmente as comunidades de forma planejada, organizada e participativa. A sociedade precisa participar para melhor entender dos problemas das cidades. A participação começa nos lares com as pessoas sabendo como agir. E para agir estas precisam ser informadas e comunicadas com dados precisos, concisos e fornecidos continuamente para núcleos potenciais, como escolas, entidades presentes nas comunidades para que estas então façam o elo integrador comunidade – entidades públicas e privadas. - No caso do Município de Curitiba, está interfere ainda de sobre-maneira na vida dos demais municípios da Região Metropolitana de Curitiba e vice-versa. Toda está interação e integração de 26 Municípios da RMC traz consigo inúmeros problemas socioeconômicos e ambientais. Mas dados qualitativos e quantitativos da RMC que se inter-relacionem, como pro exemplo saúde, c om educação, com população, faixa etária numa única tabela com cruzamentos de dados não existem. Dados são vistos de forma unitária dificultando o entendimento de forma mais clara da problemática. Curitiba e.
(23) 23 RMC apresentam inúmeros problemas ambientais advindos das regiões invadidas muitas vezes em mananciais. Mas está realidade não é retratada nos mapas. A falta de mapas temáticos específicos junto a áreas de degradação integrados com dados qualitativos e quantitativos são poucos ou fortemente centralizados podendo receber informações destes, somente por meio de ofícios, dicas de chefes de setores, etc. Enfim a burocracia é enorme. As entidades privadas que trabalham nas comunidades não possuem acesso a estes dados. Como se poderá construir uma Cidadania plena, senão por meio da integração e interação de entidades públicas, privadas e a sociedade organizada. - Desta forma se pode pensar sair do assistencialismo, de propostas paternalistas que iniciam e terminam suas atividades dentro do período de governo. Sai Governo e entra Governo ou mesmo Prefeitos a história é sempre a mesma o que vai acontecer com os diversos projetos, programas e verbas já disponibilizadas. A descontinuidade gera desconfiança nas comunidades. Isto foi durante este período de levantamento de dados um agravante. O pesquisador é visto como um mensageiro de dados aos concorrentes partidários. No Brasil não se conseguiu ainda separar o planejamento das cidades da politicagem. Nos países de primeiro mundo a políticas socioeconômicas e ambientais na sua maioria é para suprir a população de uma infraestrutura mínima de qualidade e padrão de vida. A informação sozinha ou para poucos não serve para nada, é jogar impostos pagos no lixo.. 1.8 Organização do estudo A organização do estudo compreende os seguintes capítulos: Capítulo I: relata algumas preocupações, análises da realidade das comunidades e atualidade do tema proposto junto ao caráter inédito, metodológico e científico. Capítulo II: Pesquisa Interdisciplinar. Serão analisadas três metodologias MCDA, CTM e as Rodas de Conversa, como também a forma de planejar e atuar de modo interdisciplinar e interinstitucional..
(24) 24 Capítulo III: Análise da realidade social, econômica e ambiental da Comunidade da Vila Torres em Curitiba. Capítulo IV: Neste capítulo se inicia a construção do Modelo, o qual foram divididos em fase I: Construção da Realidade local por meio da importância do conhecimento das histórias, das identidades presentes nas comunidades, as potencialidades dos diversos atores atuantes nas localidades utilizando as ferramentas do Cadastro Técnico Multifinalitário, dos Grupos Focais (Rodas de Conversa) e do formação do Ambiente Decisional. Capítulo V: Fase II: Construção do Conhecimento: Identificação de formas de Informar, Comunicar por meio dos pressupostos do planejamento participativo integrado e interagindo diretamente na demanda, necessidades das comunidades. A Construção do Conhecimento passa pelo conhecimento e integração das potencialidades dos diversos atores locais e da estrutura física existentes. Capítulo VI: Fase III: Formação do Espaço Comunidade que fomente, descubra e encoraje as potencialidades dos futuros Gestores mirins e adultos em entidades públicas e privadas com apoio de uma organização coordenadora formada com facilitadores e decisores. O objetivo é formar, criar um espaço de criatividade e inovação, da descoberta e encorajamento de potencialidades humanas, técnicas e científicas em entidades públicas e privadas como forma de desenvolver, planejar ações socioec onômicas e ambientais integradas por meio de uma rede de atores e clusters (grupos) de trabalho interagindo por meio de. um sistema de informação. condizente com a realidade local. Capítulo VII: Resultados do estudo: Modelo aplicado em duas escolas estaduais na comunidade da Vila Torres. Capítulo VIII: Conclusão, recomendações e pesquisas futuras..
(25) 25 2. PESQUISA INTERDISCIPLINAR. 2.1 Integração das metodologiaS Multicritério de Apoio à Decisão (MCDA) e dos Grupos Focais As metodologias MCDA e da formação de grupos focais utilizam a subjetividade dos indivíduos, os valores, as crenças, os interesses, as necessidades individuais e coletivas, bem como as suas potencialidades individuais e coletivas necessárias para a construção do processo de intervenção. Os indivíduos são capazes de intervir, mobilizar o processo no encontro de alternativas de soluções para atender à demanda das comunidades. Dessa forma, o MCDA e a roda de conversa formada pelos grupos focais se complementam no sentido de constituir um resgate contínuo das potencialidades humanas, técnicas e científicas. Os conceitos destas duas metodologias enfocam, entre muitos, os seguintes pressupostos: § O MCDA é a metodologia Multicritério de Apoio a Decisão, que conforme a Escola Européia, fundamenta-se nas seguintes convicções básicas: Onipresença da subjetividade e interpenetrabilidade com a objetividade no processo decisório; o paradigma da aprendizagem pela participação e o construtivismo. (ENSSLLIN et al, 1996, p.23). § O MCDA é capaz de organizar a complexidade, incluir considerações subjetivas e sintetizar informações e julgamentos, bem como uniformizar conhecimentos. Complementam Costa et al. (1996), “O Objetivo da análise multicritério é o esforço de problemas de decisão nos quais diversos pontos de vista devem ser levados em consideração” (p.6). Acrescenta Roy, in Zanella et al. (1996): “a decisão global elabora-se de maneira menos caótica, com base na confrontação permanente de preferência de diferentes atores (Decisores), ao longo de interações simultâneas e/ ou sucessivas, que em lugar entre os intervenientes no seio dos campos de interesse e poder em que se movimentam e agem.. O. desenrolar destas confrontações e destas interações constitui-se o problema de decisão. Percebe-se contudo, que na realidade, existe em cada indivíduo um desejo latente e uma busca incessante por um raciocínio sistêmico. Raciocínio este que permite uma visão de inter-relações das partes de um todo sob análise, agregando uma visão dinâmica do processo, ao invês de uma visão fragmentada, linear, estática e de simples causa e efeito, a qual parece ser a tônica das abordagens tradicionais da educação convencional”. (p.26). § Que o ambiente decisional é formado por um sistema de atores (Decisores e Facilitadores) que buscam em conjunto atender às necessidades da comunidade.
(26) 26 e encontrar alternativas de soluções a partir da visão do próprio sujeito da ação. Neste ambiente Decisional acontece continuamente entre os sistemas de atores a troca de informações e confrontações em toda a construção do processo decisório. Por sua vez, os Decisores são aqueles a quem foi formalmente ou normalmente delegado o poder de Decisão. Já o papel do Facilitador é um praticante do paradigma construtivista empenhado no apoio à Decisão (BANA E COSTA e PIRLOT, 1997, p.4). Conforme Keeney (1992) “sua função é facilitar e apoiar o processo de tomada de decisão” p.38, como faz recomendações que devem ser isentas de seu sistema de valores.. Em consonância ao que foi analisado anteriormente, a metodologia dos grupos focais, segundo Ferraz et al (1993)” é uma técnica que se baseia na pressuposição de que a reunião de um grupo de indivíduos, que compartilham uma situação, funciona como uma estimulação recíproca, favorecendo o relato de vivências pessoais e a troca de experiências” (p.4). Os autores salientam que se trata de uma abordagem em que se incentivam a expressão espontânea e a reflexão acerca de sentimentos, valores e atitudes. Os grupos focais são formados por rodas de conversa, onde são trabalhados os temas específicos, incentivando, analisando, verificando características, potencialidades individuais, em grupos de faixas etárias específicas. Complementam os conceitos e as propriedades do MCDA, no que diz respeito à troca continuada entre decisores e facilitadores com experiências técnicas, científicas e principalmente humanas. Para Winterefeldt e Edwards apud Bana e Costa (1992), o decisor, os protagonistas da história são pessoas que assumem a culpa se a decisão gera um resultado desastroso. Já o facilitador, conforme Keeney (1992), é aquele que atua mais com um objetivo idealista do que na prática do apoio à decisão. Para Debus (1988), “os grupos focais aproveitam a dinâmica de grupo e oportunizam a um grupo pequeno de participantes ser guiado por um moderador qualificado para alcançar níveis crescentes de compreensão e profundidade das questões fundamentais do tema-objeto de estudo” (p. 13)..
(27) 27 Nos grupos são buscadas as áreas de interesse pessoal intervindo de maneira a atender às necessidades col etivas das comunidades, identificando em cada grupo, áreas específicas de trabalho (clusters de trabalho). Na roda de conversa, as estratégias. são as seguintes para. facilitar a construção das diversas áreas de. trabalho: § São grupos pequenos de no máximo 20 a 25 pessoas da comunidade e um ou dois facilitadores. Nestes grupos divididos por faixas etárias condizentes, busca-se resgatar a identidade e as razões do grupo querer trabalhar em parceria. § É feita uma análise qualitativa e quantitativa de dados, informações, formas de atuar por meio da confrontação permanente de idéias (brainstorming) com os diversos atores presentes. Estas idéias, confrontações, dividem-se em clusters, áreas de trabalho nos ambientes sociais, econômicos e ambientais de acordo com as áreas de interesse do grupo. Busca-se planejar ações que proponham metas de curta, média e longa duração, como também o cadastramento de novos atores/ facilitadores que possam, por meio da sua potencialidade, auxiliar na construção deste processo. § A busca de alternativas de soluções propõe ações; na definição de Roy (1996): “uma ação pode ser definida como uma representação de uma eventual contribuição à decisão global suscetível, com relação ao estado de desenvolvimento do processo de decisão, de ser cons iderado de forma autônoma e de servir de ponto de aplicação ao apoio à decisão” (p.35) . O autor complementa. que as “ações podem ser reais ou fictícias e ações. globais ou fragmentadas. Podem haver ações ‘inventadas’ durante o processo de apoio à decisão c om a finalidade de estimular a criatividade dos decisores e gerar um melhor entendimento do contexto decisório” (37). É assim que as alternativas de solução apresentadas pelos diversos grupos de atores fornecem subsídios desde o início da estruturação da teoria à ação prática até o planejamento, gerenciamento e formas de atuação propícias e reais. Identificados os problemas, como se pode chegar a tal resultado e buscar paralelamente os porquês, a importância para que o grupo possa hierarquizá-los? É uma rede de trabalho composta por um sistema de atores na busca continuada de parceiros que auxiliem, facilitem por.
(28) 28 meio de novos conhecimentos a inovação requerida que atenda à demanda da comunidade. A roda de conversa propicia ao grupo perceber a importância do protagonista da história. Cada um deles pode ser o decisor da história, cada qual contribuindo dentro da sua área de interesse, da sua potencialidade individual levando a ser uma potencialidade coletiva, como aquele indivíduo poderá ajudar ou facilitar no processo. Um decisor poderá se tornar um facilitador em outro contexto por meio da formação de gestores. A roda de conversa possibilita aos atores que se informem e se comuniquem durante o processo por meio de um sistema de informação e comunicação disponíveis. É um aprendizado no sentido amplo da palavra; é trazido a tona o ciclo contínuo da teoria para a prática. De acordo com Roy (1996), “Um indivíduo ou um grupo de indivíduos são atores que participam diretamente ou indiretamente do processo decisório por meio de seu sistema de valores, os quais influenciam diretamente ou indiretamente na decisão”. O sistema sustenta em profundidade e de forma mais implícita que explica os julgamentos de valor de um indivíduo ou de um grupo. Os sistemas de valores condicionam o emergir das preocupações, bem como a formação dos objetivos e normas que são freqüentemente propostos para justificar ou simplesmente hierarquizar esses julgamentos de valor” (p.42).. 2.2 Integração das Metodologias do Cadastro Técnico Multifinalitário (CTM), Multicritério de Apoio À Decisão (MCDA) e grupos focais. O cadastro técnico Multifinalitário, como o nome já diz, deve ser de multifinalidades, enfim é uma ferramenta facilitadora importante na construção do processo. O cadastro identifica e caracteriza os diversos grupos, a partir de cadastros quantitativos e qualitativos socioeconômicos e ambientais feitos de forma continuada, participativa e de forma gradual. São identificadas as formas de atuar e agir junto com a comunidade, como também características, peculiaridades. importantes do espaço. social e territorial identificáveis como história e identidades locais. Com esses dados socioeconômicos e ambientais do CTM, os facilitadores dos grupos focais terão maior subsídio para conduzir o processo de construção da realidade local para então propor ações de geração de conhecimento, formação de gestores e o desenvolvimento local sustentável da comunidade. O cadastro pode resgatar as características do sistema de atores, decisores e facilitadores envolvidos, as suas potencialidades individuais e coletivas. Essa é uma das características da integração das metodologias do Multicritério de Apoio à Decisão (MCDA) e do Cadastro Técnico Multifinalitário (CTM). São ferramentas importantes no processo de identificação, de análise qualitativa e quantitativa dos problemas técnico-científicos e humanos verificados na comunidade. Para Loch (1996), os sistemas de informações cadastrais podem propiciar uma visão particular e geral do espaço (rural, urbano ou regional) nos seus aspectos físico-.
(29) 29 territoriais, fornecendo aos tomadores de decisão uma indicação rápida e segura de subsídios para solucionar problemas existentes em determinada área (p24). Podemos verificar que o Cadastro Multifinalitário é uma ferramenta poderosa na integração e interação das potencialidades das diversas entidades públicas, privadas e comunitárias na busca da formação de sistema de atores participativos e mobilizadores sociais, econômicos e ambientais. O Cadastro Técnico Multifinalitário (CTM) é, então, uma metodologia essencial, catalisadora das informações socioeconômicas e ambientais da comunidade e da descrição das estruturas, dos fenômenos, dos mecanismos, das teorias e práticas em ação, integrando decisores e facilitadores e formando protagonistas locais, para serem mobilizadores socioeconômicos e ambientais. A característica principal do cadastro é a coleta de dados alfanuméricos de forma precisa e perfeita para melhor conhecimento da realidade em questão, para que possam ser disponibilizadas em forma de uma banco de dados para as diversas equipes interdisciplinares e interinstitucionais que atendam à comunidade em qualquer região. Esse cadastro facilitará a busca e otimização de recursos humanos e financeiros. Estes podem contribuir de forma eficaz e eficiente a partir do banco de dados, como também fornecer indicadores, experiências sobre ações interdisciplinares, as fases dos diversos projetos, o número de integrantes, formas de atuação, entre outros parâmetros. O cadastro pode promover e facilitar a formação da série histórica de eventos da comunidade, desde a sua história, identidades dos projetos, atores envolvidos, ações, resultados, erros e acertos, entre outros. Criará a história, a identidade do grupo de pesquisa e dos projetos em andamento. Será mais fácil a partir dos dados do Cadastro Multifinalitário integrar e interagir com outros projetos sociais em outras áreas incorporando experiências de outras equipes interdisciplinares com o intuito de atingir metas de pesquisa para a ação proposta. A estratégia de mudar realidades, de promover a transformação social, da conscientização do comprometimento vem pelo conhecimento e pela aprendizagem continuada, da teoria à prática, da inovação por meio da ação. A formação de gestores locais contribui e propicia a parceira no gerenciamento de ações locais, que solidifiquem a sustentabilidade da região e promovam melhorias da qualidade de vida.
(30) 30 da comunidade. Segundo Eisele (1993), o Cadastro técnico é uma ferramenta fundamental para a manutenção do espaço vital e seu desenvolvimento sustentado, uma vez que fornece ao planejador os elementos essenciais que caracterizam a região.(p.14) A proposta de inovação requer que haja envolvimento de um sistema de atores integrados, motivação política, engajamento e construção da consciência crítica sempre alerta e detentora do saber para que então promova a pesquisa, as mudanças de atitudes e novas posturas junto à sociedade.. 2.3 Planejamento Participativo interdisciplinar e interinstitucional A participação da sociedade civil organizada garantida pelo estatuto da cidade (art.182 e 183) regulamentados pela lei 10.257/2001, deve ser motivada por políticas sociais, culturais, econômicas e ambientais. Deve ser um trabalho integrado de instâncias públicas, privadas e da sociedade. A tarefa da sustentabilidade nas esferas socioeconômicas e ambientais não cabe somente aos governos estaduais e sim a toda a sociedade. Cada dia percebe-se que a ação somente do Governo torna-se ineficiente. O planejamento da paisagem é uma tarefa que precisa ser estimulada em nível local e regional. É dever a participação das comunidades, de um sistema de atores interdisciplinares e interinstitucionais nas decisões locais e regionais. A interação destes sistemas de atores, das potencialidades humanas, técnicas e científicas dos indivíduos das comunidades resultará em projetos com menores custos e fomentará a construção da cidadania. A própria Constituição da República obriga (Lei 10.257/2001) sinaliza o caminho da colaboração entre a Administração e a população. É importante salientar a necessidade de políticas de Gestão Participativa da sociedade organizada. de acordo. com os tantos parágrafos da Constituição Cidadã de 1988 e com as recomendações feitas por organismos internacionais. Cabe destacar que o art.29 da Constituição, inc.X, acolhe “a cooperação das associações representativas no planejamento municipal” concretizando-se, por exemplo, na idealização do plano diretor (art.182 e seguintes). No art.198, inc.III (serviços de saúde), art.204, inc.II (Assistência social), art. 206 inc. (ensino público), Art.216, parágrafo 1°, “a conservação do Patrimônio Cultural brasileiro, art.225,.
(31) 31 caput, tutela do meio ambiente, bem de uso comum do povo, também poderá ser levada a efeito com a participação da comunidade, sendo dever do Estado a promoção da educação ambiental e da conscientização pública para o fim aludido” (Art.225, inc. VI). Enfim a participação popular na Administração Pública caracteriza o sentido contemporâneo de Cidadania. É preciso ainda mencionar, entre muitos, principalmente, o Capítulo I e II dos “Direitos e Deveres Individuais e Coletivos” (Art. 5°) e dos Direitos Sociais (Art. 6° e Art. 7°) respectivamente, cujas orientações são no sentido de que todos somos iguais perante a lei buscando a não fragmentação da rica cultura brasileira, mas pouco apoiada por programas e projetos governamentais. Importantes recomendações da Agenda 21 e possivelmente do megaevento em Johannesburg na África irão novamente propor ações conjuntas da sociedade. A interação e integração, enfim a participação das comunidades é importante veículo democrático, fomentador de tomadores de decisão nos ambientes socioeconômicos propondo ações de desenvolvimento sustentável. Tudo vem ao encontro do preconizado pela Constituição Cidadã de 1988 e de alguns tópicos da Agenda 21, tais como: § “Para o desenvolvimento sustentável devemos remover barreiras causadas por ineficiência burocrática e incentivar o setor privado através de incentivos fiscais”.Na seção I, capítulo 3 da Agenda 21 no item Combate a Pobreza: § “Os Governos devem entre outras coisas, apoiar uma abordagem de sustentabilidade que seja originada e dirigida pela comunidade, dando poderes a grupos locais e comunitários”. § “Promovendo Assentamentos Humanos Sustentáveis” – Cap. 7 seção I – “Políticas de desenvolvimento de recursos do solo devem refletir necessidades de todos os setores da população.”. § “Elaborando Políticas para o Desenvolvimento Sustentável – Cap. 8, Seção I – “A Agenda 21 Os Governos deveriam também buscar uma participação mais ampla do público”.. A Constituição Federal de 1988 estabelece, em seu artigo 182, a obrigatoriedade da elaboração do Plano Diretor para municípios com população urbana superior a 20.000 habitantes. Porém, não estabelece normas para os demais municípios. O planejamento da paisagem e o ordenamento territorial podem ser, com certeza, melhor desenvolvido antes deste parâmetro de 20.000 habitantes. A Constituição do Estado do Paraná, promulgada em 5 de outubro de 1989, em seu capítulo III, art. 21, propõe: “O Estado instituirá mediante lei complementar, regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e micro-regiões, constituída por agrupamentos de Municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum, assegurando-se a.
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