NELSON HENRIQUE JUNIOR
CORRELAÇÕES ENTRE PERCEPÇÃO DA PASSAGEM DO
TEMPO, ATENÇÃO DIFUSA E ANSIEDADE.
Dissertação apresentada em cumprimento parcial às exigências do Programa de Pós-graduação em Psicologia de Saúde da Universidade Metodista de São Paulo para obtenção do grau de Mestre em Psicologia da Saúde.
Área de concentração: Psicologia da saúde Orientador: Profo. Dro. Renato Teodoro Ramos
SÃO BERNARDO DO CAMPO
2011
FICHA CATALOGRÁFICA
H395c
Henrique Junior, Nelson
Correlações entre percepção da passagem do tempo, atenção difusa e ansiedade / Nelson Henrique Junior. 2011.
77 f.
Dissertação (Mestrado em Psicologia da Saúde) –Faculdade de Saúde da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2011.
Orientação de: Renato Teodoro Ramos.
1. Percepção do tempo 2. Atenção difusa 3. Ansiedade I. Título CDD 157.9
NELSON HENRIQUE JUNIOR
CORRELAÇÕES ENTRE PERCEPÇÃO DA PASSAGEM DO
TEMPO, ATENÇÃO DIFUSA E ANSIEDADE
Dissertação apresentada à Universidade Metodista de São Paulo – UMESP, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Psicologia da Saúde.
ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: PSICOLOGIA DA SAÚDE
DATA DA DEFESA: _____/__________/_____. RESULTADO: APROVADO( )REPROVADO( )
BANCA EXAMINADORA:
Prof.: Dr. Renato Teodoro Ramos _______________________. Universidade Metodista de São Paulo – UMESP
Prof. Dr. Luis Fernando Hinde Basile _______________________. Universidade Metodista de São Paulo – UMESP
Prof. Dr. Ronald D. Ranvaud _______________________. Universidade de São Paulo
AGRADECIMENTOS
Mais do que agradecer é ter a oportunidade de estudar e aprender com profissionais de altíssimo nível, professores voltados exclusivamente á pesquisa cientifica realizada com ética e a precisão de um estudo experimental.
Tudo se iniciou em meados de 2008 quando procurei o professor Renato para elaboração do projeto, logo em seguida fui a USP onde prof Ronald Ranvaud, me recebeu e abriu as portas do laboratório de fisiologia do comportamento para estudar, foi quando conheci a Thenille que me treinou e me ajudou no capitulo de percepção do tempo, também conheci a Adriana que me ajudou no capitulo de atenção difusa, o Thalles interpretou os dados do e- prime. Realmente o prof Ranvaud tem uma bela equipe altamente capacitada e de uma grande simplicidade. Ele é um sábio, obrigado prof Ranvaud.
Durante as aulas de Mestrado conheci o prof Basile que ministra a matéria de Anatomia do comportamento humano, e entusiasmado com a disciplina fui levado ao laboratório de neuropsicofisiologia do comportamento onde o professor estuda EEG de alta resolução e atenção. Comecei a freqüentar o laboratório e aprender junto com o professor Basile, atualmente estamos estudando e realizando experimentos, é simplesmente fantástico, pretendo continuar estudando e aprendendo com o senhor, obrigado prof Basile.
Quanto ao prof Renato não tenho palavras... nesse momento meus olhos enchem de lágrimas acho que são essas as palavras. Ao senhor dedico todo esse estudo e todo o meu mestrado, vou continuar tentando compreender a essência. É um grande pesquisador e pensador, um gênio.
Agradeço a todos meus familiares, meu pai, um exemplo a ser seguido, um campeão na vida, minha mãe, (Leni) meu irmão (Flavio), meu primo Alexandre o ex-gordo, meu cunhado Aleandro.
Termino o mestrado, casado com a Cleiti, minha companheira e confidente de todos os dias. Vou ser pai, fantástica a sensação, que venha o Thiago, é a plenitude da espécie e da evolução.
RESUMO
O presente estudo teve como objetivo avaliar aspectos psicofisiológicos da ansiedade em particular a atenção e a percepção da passagem do tempo. Foi aplicada a escala psicométrica de ansiedade do IDATE em 180 alunos do curso de Educação Física da Universidade de São Paulo em sala de aula. Foram selecionados 15 voluntários mais ansiosos e 15 menos ansiosos foi considerado o IDATE –traço por apresentar características mais constantes da ansiedade. O experimento 1 foi a tarefa de Tempo Espontâneo onde os participantes deviam bater o dedo no botão A do joystick da forma mais regular e precisa possível por um minuto. Já no experimento 2 os participantes foram orientados a responder o mais rápido possível ao surgimento do estimulo (ponto branco 0,4 grau) com uma luminância de 80 cd/m contra um fundo cinza pressionando o botão A do joystick com qualquer dedo da mão dominante (TRS). Os estímulos eram apresentados randomicamente por 82 posições diferentes na tela do computador. Após tratamento dos dados e analise estatística, o estudo de caráter geral e exploratório apresentado aqui mostra tendências, mas não correlações significativas entre as medidas. Alguns dados, no entanto, chamam a atenção e devem ser considerados no planejamento de experimentos futuros.
ABSTRACT
The goal of the present study was to evaluate the psychophysiological aspects of anxiety, especially attention and the perception of the passage of time. The IDATE psychometric scale was used in 180 students of the Physical Education course at the Universidade de São Paulo in the classroom. 15 more anxious and 15 less anxious volunteers were selected. The IDATE - trace was used due to the fact that it presents the more constant characteristics of anxiety. Experiment l was the task of Spontaneous Time, where participants were asked to hit button A of the joystick with their finger in the most regular and accurate way possible for one minute. In experiment 2 participants were asked to respond, as quickly as possible, to the stimulus (white dot 0,4 degree) with a luminescence of 80 cd/m against a grey background by pressing the A button of the joystick with any finger of the dominant hand (SRT). The stimuli were presented randomly at 82 different positions of the computer screen. After data processing and statistical analysis, the general and exploratory study presented here do show trends, but not meaningful correlations between the measurements. Some data, however, seem to stand out and should be considered in the planning of future experiments.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ... 7
2 ANSIEDADE ... 8
2.1 SINTOMAS DA ANSIEDADE NORMAL ... 10
2.2 SINTOMAS COMPORTAMENTAIS ... 11
2.3 TRANSTORNOS ANSIOSOS ... 11
2.4 TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA ... 12
2.5 TRANSTORNO DO PÂNICO ... 13
2.6 TOC (TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO ... 14
2.7 TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO ... 14
2.8 NEUROBIOLOGIA DA ANSIEDADE ... 14
2.9 ETIOLOGIA DOS TRANSTORNOS DE ANSIEDADE ... 15
2.10 DADOS EPIDEMIOLÓGICOS NA ANSIEDADE ... 17
2.11 ANSIEDADE TRAÇO E ANSIEDADE ESTADO ... 18
2.12 PERCEPÇÃO DA PASSAGEM DO TEMPO ... 19
2.12.1 Tempo espontâneo ... 20
2.12.2 Geração de ritmo interno (Relógio interno) ... 22
2.12.3 Mecanismos atencionais ... 23
2.12.4 Atenção difusa ... 25
2.13 FISIOLOGIA DA ATENÇÃO VISUAL ... 25
3 OBJETIVOS ... 29 3.1 GERAL ... 29 3.2 ESPECÍFICO ... 29 4 JUSTIFICATIVA ... 30 5 MÉTODOS ... 31 6 CONCLUSÃO ... 58 REFERÊNCIAS ... 59 ANEXOS ... 64
1 INTRODUÇÃO
Os avanços científicos e tecnológicos nas últimas décadas são responsáveis por importantes mudanças na sociedade, particularmente na vida das pessoas, gerando transformações biopsicosociais. Como conseqüência, ocorre um aumento de fatores emocionais, dentre eles, a ansiedade.
Sabe-se que o tempo é uma dimensão fundamental presente em nossa vida. A todo o momento estamos expostos a inúmeros estímulos de todas as modalidades sensoriais. A atenção é mais comumente observada pelo deslocamento do individuo no espaço.
Este estudo procurou investigar dois aspectos psicofisiológicos que modulam a ansiedade: a atenção difusa e a percepção da passagem do tempo espontâneo.
Estes experimentos foram a primeira tentativa de se avaliar de forma simultânea o que ocorre com a geração espontânea de ritmos em relação ao desempenho em testes de atenção visual, considerando os traços de ansiedade dos indivíduos.
Estes aspectos são relevantes para o entendimento da gênese dos sintomas de ansiedade em pessoas normais ou portadoras de doenças psiquiátricas.
Esse estudo foi uma pesquisa básica de caráter exploratório no estudo da fisiopatologia da ansiedade.
2 ANSIEDADE
Em latim, os termos correlatos anxietas e anxietatis indicam aflição, angústia, desejo veemente e desconforto (GRAEFF, 1996), denotando, portanto, algo ruim, dispensável para o homem. Porém, ao longo da história tem-se visto a ansiedade como uma resposta emocional normal, ocorrendo, principalmente, diante da expectativa ou antecipação de estímulos ou situações presentes no ambiente (RODGERS et al., 1997). Neste contexto, a ansiedade constitui uma emoção normal, advertindo sobre perigos de dano físico, dor, impotência, possíveis punições, separação social, entre outros. (SANDFORD et al., 2000). Desta forma, ela estimula o organismo a tomar as medidas necessárias para impedir a ameaça ou, no mínimo, reduzir suas consequências (BRANDÃO, 2001). Ademais, a ansiedade parece estar intimamente associada ao medo, uma resposta emocional básica frente a um estímulo ameaçador no ambiente, estando o seu circuito neural envolvido em alguns tipos de ansiedade (LEDOUX, 1996, 1998).
Desta forma, o medo e a ansiedade fazem parte das primeiras linhas de defesa na natureza particularmente em mamíferos compreendendo a habilidade de prever o perigo antes que ele ocorra de fato (KIM; GORMAN, 2005). Portanto, neste contexto, e considerando que foram moldados ao longo da evolução pelo processo de seleção natural, o medo e a ansiedade tem um importante significado adaptativo e evolutivo, sendo emoções para a vida (DARWIN, 1872; MCNAUGHTON, 1997, 1999).
A ansiedade pode ser observada em duas importantes formas, a saber: ansiedade traço e ansiedade estado, segundo (SPIELBERG, 1979). A primeira corresponde a uma resposta persistente e duradoura, inerente á personalidade do indivíduo, indicando a forma com que ele interage com seu ambiente físico e social,esta ansiedade que será considerada neste estudo . A ansiedade estado, por sua vez, é a resposta de um determinado indivíduo a uma situação específica. Essa resposta pode mudar, ao longo do tempo, em decorrência do nível de estresse e de acordo com o modo com que este é percebido pelo indivíduo (SANDFORD et al., 2000).
Apesar de ser uma resposta emocional normal, a ansiedade pode adquirir características patológicas no homem, ocorrendo em momentos inapropriados ou de forma exacerbada (SANDFORD et al., 2000). Neste estado a resposta emocional toma-se inadequada a um determinado estímulo, em virtude de sua intensidade e/ou duração. Pode provocar confusão e distorções da percepção temporal e espacial em relação a pessoas e ao significado dos acontecimentos. Estas distorções podem interferir no aprendizado pela
diminuição da concentração, redução da memória e prejuízo da capacidade de associação (BRANDÃO, 2001).
A ansiedade varia em tanto termos quantitativos (i.e., duração e intensidade), como qualitativos. Uma simples preocupação diária persistente é diferente de uma expectativa a um desafio, que por sua vez também é diferente de uma crise súbita, rápida, imprevisível e irracional de medo intenso. Essas respostas podem ser normais em condições apropriadas, porém, patológicas e mal adaptadas quando em situações inapropriadas. Essas diferenças fenomenológicas também podem ser acompanhadas por diferenças em termos das respostas fisiológicas, autonômicas e farmacológicas, o que levou à necessidade de se estudar e entender melhor os aspectos psicofisiológicos da ansiedade, dentre eles a percepção da passagem do tempo e a atenção.
Os distúrbios associados á ansiedade podem ser classificados com base nos seus fenômenos (intensidade, duração, qualidade, curso natural do distúrbio, sintomas e histórico familiar), respondendo de maneira diferenciada aos tratamentos farmacológicos disponíveis atualmente. A ansiedade patológica necessita de intervenção terapêutica e podem ocorrer em decorrência de outras patologias, psicológicas e/ou fisiológicas, sendo considerada, nesses casos, uma manifestação secundária. Quando é a principal ou única manifestação observada, a ansiedade se enquadra nos distúrbios ou transtornos de ansiedade primária (Graeff, 1996). Independente de ser uma manifestação primária ou ocorrer em comorbidade com outras patologias, um quadro clínico de ansiedade patológica tem se tornado cada vez mais frequente em nossa sociedade, acometendo aproximadamente 25% da população (KIM; GORMAN, 2005).
Pela classificação do DSM-IV (Diagnostic and Statisticat Manual of Mental Disorders, elaborado pela Associação Psiquiátrica Americana - APA), em vigor desde 1994, os vários tipos de ansiedade patológica passam a ser classificados como ansiedade generalizada, pânico - com ou sem agorafobia, distúrbio obsessivo-compulsivo, distúrbio do estresse pós-traumático, distúrbio de ansiedade atípica e as fobias (agorafobia, social e simples). Mais especificamente, o distúrbio do pânico é caracterizado pela recorrência de ataques de pânico, um episódio súbito e inesperado de medo intenso, acompanhado por manifestações somáticas ou cognitivas, incluindo palpitações, falta de ar, tremores, tonturas, náuseas, e medo de perder o controle, enlouquecer ou morrer. Os distúrbios de pânico vêm sendo tratados farmacologicamente com antidepressivos tricíclicos, inibidores seletivos da recaptação de serotonina e inibidores da enzima monoaminoxidas .Por outro lado, o distúrbio da ansiedade generalizada é uma perturbação crônica caracterizada por uma tensão ou apreensão excessiva,
sem causa aparente, com relação a diversos aspectos da vida cotidiana, acompanhado dos seguintes sintomas: inquietação, fadiga, dificuldade de concentração, irritabilidade, tensão muscular e distúrbios do sono.
Além disso, sabe-se que os diversos tipos de ansiedade afetam diferentemente as estruturas cerebrais (SANDFORD et al., 2000). Neste sentido, os sistemas neurais envolvidos na ansiedade normal e patológica vêm sendo intensamente investigados, podendo sua elucidação contribuir significativamente para uma melhor compreensão.
Funções específicas dentro do complexo circuito neural responsáveis pelas emoções de medo e ansiedade (SANDFORD et al., 2000, KIM; GORMAN, 2005), assim como para o desenvolvimento de novos tratamentos farmacológicos para os distúrbios a eles associados.
Ansiedade também é uma emoção, voltada para o futuro, portanto normal em certas condições, tem a ver com antecipação de ameaças, dependendo do contexto, se tornando subjetiva.
A certeza de algo não gera ansiedade, quanto mais rotineira a vida, isto é, previsível, menor são os níveis de ansiedade.
2.1 SINTOMAS DA ANSIEDADE NORMAL
Existem palpitações, sentimento do coração batendo mais rápido, não significando aumento da freqüência cardíaca. Os tremores, ás vezes as pessoas sentem, de forma intensa, mas não correspondem objetivamente a eles. A ansiedade é avaliada pelo relato do paciente. Existe uma definição com o que a pessoa sente, e o aspecto físico apresentado. A ansiedade pode ampliar os sintomas físicos.
A falta de ar na ansiedade é diferente da falta de ar na asma, na ansiedade a sensação é que a respiração não completa. A oxigenação é normal o sentimento é de respiração curta com opressão no peito. A tontura freqüentemente acompanha a ansiedade, mas não é uma tontura verdadeira, na ansiedade é uma sensação de flutuação.
Apreensão, tensão, preocupação, onde algo traz a certeza dificultando o relaxamento, ocorrendo ruminação, circulação sobre o mesmo tema o tempo todo, são importantes características da ansiedade. O estado de ansiedade é um estado de variação, onde você não consegue manter-se o tempo todo, pois consome muita energia, oscilando ao longo do dia.
tudo tem que estar sob controle. Na técnica cognitiva o objetivo é desviar o pensamento do futuro e trazer o pensamento para o presente, é fazer o que está fazendo no presente (ação no presente), organizar a vida, focar no presente.
2.2 SINTOMAS COMPORTAMENTAIS
O medo exagerado é um sintoma comportamental ligado á ansiedade, atrapalhando a vida das pessoas.
A obsessão, os rituais, é utilizada para buscar a ansiedade, pois a repetição ajuda a baixar a ansiedade, os rituais religiosos são exemplos, pois ocorre o relaxamento, é trazer os pensamentos do futuro para o presente.
2.3 TRANSTORNOS ANSIOSOS
A ansiedade a nível patológico regendo o DSM IV é caracterizando por transtorno de ansiedade generalizada, temperamento muito ansioso, onde é uma pessoa muito tensa com muito sofrimento.
O transtorno de pânico a pessoa tem umas crises agudas de ansiedade, sensação que vai morrer naquela hora apresentando sintomas físicos. É visto muito mais como uma doença orgânica do que psicodinâmica. O que define o transtorno de pânico, é o medo do lugar onde pode desencadear um ataque do pânico.
A fobia social é o medo de achar que estou sendo julgado a todo o momento, um desconforto em fila, em público, ter amigos, trabalhar, comer, mas existe o conhecimento da intenção, desse medo.
Fobias específicas, medos exagerados por fobias específicas, onde exista ansiedade - medo ações muito limitadas, onde a técnica cognitiva consiste em expor o individuo a situação causadora de forma gradual e sistemática.
O medo esta relacionado à situação primitiva da espécie humana, herança biológica, nos preparando a reagir perante ameaças. Os primatas eram inimigos naturais dos répteis.
rituais compulsivos para se livrar dos pensamentos. O transtorno de estresse pós-traumático, acidentes traumáticos gravíssimos, donde a pessoa fica revivendo os eventos.
A ansiedade tem várias manifestações em termos de diagnósticos, existindo vários possíveis regendo DSM IV muitas características são comuns. A ansiedade patológica ou medo incompreensível caracteriza se quando levamos em conta a personalidade no contexto biológico, social, familiar e cultural da pessoa, estado clínico é avaliado a partir da intensidade e duração dos sintomas e a interação do individuo com o meio.
2.4 TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA
Os diagnósticos ligados à ansiedade são muito “quebrados”, por existirem vários sintomas e conforme o sintoma o diagnóstico, entretanto não se podem rotular, alterações ligadas ao temperamento, humor basal do indivíduo. É um diagnóstico com nível elevado de ansiedade mais intensa e/ou duradoura a maior parte do tempo. Existe um impacto importante sobre a vida, essas pessoas apresentam sintomas físicos, cognitivos, comportamentais, já descritos acima.
Avaliar a ansiedade pelo estilo de vida da pessoa, levando em conta a cultura e o contexto onde ocorre o fato e se a pessoa apresenta humor ansioso constantemente. O problema não é o reconhecer o sintoma e sim quando realizar o tratamento. De forma geral vivemos em uma cultura onde se estimula a ansiedade, e o desencadeamento dos sintomas, o quanto o ambiente gera a ansiedade e somos influenciados por ele.
A ansiedade generalizada leva a um grau de adaptação. A expressão do sintoma depende da interação entre o sintoma e o ambiente, técnicas cognitivas e medicamentos (usados pelo sintoma físico) antidepressivos (doses baixas), evitar diazepinícos.
Técnicas cognitivas, verificando “estilo do pensamento”, o foco voltado para o presente, atividades físicas e técnicas de relaxamento, caracterizam formas de tratamento para o transtorno de ansiedade generalizada.
2.5 TRANSTORNO DO PÂNICO
O diagnóstico para quem tem ataques de pânico, (susto, reação de defesa) é caracterizado por uma crise súbita, onde não existe o desencadeante, apresentando falta de ar, palpitações, tremores, sudorese, tontura e descontrole eminente, sensação de morte eminente. O ataque de pânico tem dia e hora para iniciar, podendo ser desencadeado organicamente (café, anfetamina, substancia usada para emagrecer).
O diagnóstico é dado somente quando se tem vários ataques de pânico segundo o DSM IV, pelo menos três crises por mês. Maior freqüência em mulheres, duas mulheres para cada homem, adultos e jovens.
2.6 TOC (TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO)
Caracterizado por obsessões, pensamentos ou imagens intrusivas, mesmo que o individuo não queira (pequenos trechos de música), de caráter desagradável, onde os pensamentos geram capacidade de resistência, exemplos idéias ligadas à contaminação / verificação (dúvida).Causa intensa ansiedade, donde a pessoa vai ter necessidade para contrabalançar.
O transtorno obsessivo-compulsivo, também é caracterizado por compulsões, comportamentos repetitivos ou rituais, com objetivo de aliviar ansiedade causada pelas obsessões. Existe uma tendência para expansão dos rituais, isto é a intensidade do ritual que é patológico associado com o desconforto.
Rituais de limpeza e verificação são conseqüências das idéias obsessivas, entram independente da razão. O transtorno obsessivo e compulsivo apresenta um forte caráter orgânico em sua genética. Pessoas com febre reumática podem desencadear infecção na garganta donde se formarão anticorpos antineuronais, levando essas pessoas a um quadro de Coréia de sydoham, logo desenvolvendo transtorno obsessivo compulsivo quando adulto. O tratamento consiste em antidepressivos com altas doses por tempo prolongado, objetivando ações sobre a serotonina.
A terapia comportamental cognitiva consiste em uma exposição da pessoa ao transtorno e prevenção de resposta, do mesmo.
2.7 TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO
Idéia de trauma, experiências que seriam traumáticas, grande sofrimento para qualquer pessoa, exemplo: experiências de guerra, acidente, violência.
Sintomas do estresse através de imagens ou pensamentos, sonhos, originando muita ansiedade, com humor depressivo. Sintomas técnicos, palpitação, falta de ar, exposição à lembrança do ocorrido, sentimentos de culpa, abuso de álcool e drogas, risco de suicídio, insônia, irritação, perda de concentração.
2.8 NEUROBIOLOGIA DA ANSIEDADE
No final século XIX já se sabia que expressão das emoções não dependia da integridade de córtex cerebral. Segundo Goltz (1892), ocorria reação completa de raiva evocada em caos mesmo após a remoção cirúrgica do córtex. Atividade simpática difusa, sudorese, pilo ereção, aumento de secreção e de adrenalina.
A biologia da ansiedade aborda, reações de defesa e de atividade das pessoas, dentro do contexto social e cultural, onde ocorra ameaça. Embora incorporada por teorias psicodinâmicas, mantém relação com aspectos biológicos básicos. O estudo da biologia da ansiedade visa: desenvolver modelos que façam sentidos biológicos, psicológicos e culturais.
Algumas variáveis fisiológicas como dilatação pupilar, pilo ereção, sudorese, aumento da temperatura corporal, são mais percebíveis e caracterizam sintomas biológicos da ansiedade, entretanto não se pode afirmar ser ansiedade. A ansiedade territorial existe, espécies que defendem seus territórios, isto é quando você atravessa um território você já sabe que terá problemas, o mesmo ocorre quando alguém entra em seu espaço. Ansiedade ligada territorialidade. Espécies inferiores possuem uma menor resposta emocional.
Situações que normalmente evocam o medo e a ansiedade não são aleatórias, mudando a condição cultural, mas a fisiologia do contexto é a mesma.
2.9 ETIOLOGIA DOS TRANSTORNOS DE ANSIEDADE
• Genético
Conforme um conjunto de traços geneticamente determinados ocorre maior probabilidade do indivíduo selecionar situações que envolvam um alto risco para se tornarem eventos de vida estressores. Portanto, a variabilidade individual para identificar como negativo o evento, talvez se deva a uma suscetibilidade genética (MARGIS et al., 2003).
• Sexo
Conforme pesquisas epidemiológicas realizadas junto à população geral dos EUA, as mulheres possuem duas vezes maior probabilidade de desenvolver transtornos de ansiedade generalizada ao longo de suas vida do que os homens (WITTCHEN apud KINRYS; WYGANT, 2005).
As mulheres com transtornos de ansiedade além de geralmente apresentarem diferenças clínicas na manifestação do quadro quando comparadas aos homens, também desenvolvem maior número de comorbidades (transtornos psiquiátricos) como, por exemplo, a depressão (WITTCHEN et al. apud KINRYS; WYGANT, 2005). Segundo Pigott (2003), estas diferenças podem ser causadas, segundos alguns estudos na área, em função de fatores genéticos e hormonais (hormônios sexuais femininos).
Vários estudos demonstraram que as mulheres apresentam alterações nos níveis de ansiedade conforme curva de progesterona, elevando-se no período pré-menstrual e diminuindo no pós-menstrual (ANTUNES; RICO; GOUVEIA JÚNIOR, 2004). No estudo de Antunes, Rico e Gouveia Júnior (2004), os autores identificaram a presença de variações maiores da ansiedade traço do que a ansiedade estado, ao longo do ciclo menstrual. Este achado foi atribuído às alterações de autopercepção gerados petas oscilações hormonais.
Silove et al. (1995), corroboram com este pressuposto propondo que as mulheres em função de fatores genéticos e pelo fato de definirem sua personalidade muita mais voltada para preservação da integridade da vida e das relações interpessoais, na fase adulta estão mais expostas a agentes estressores ambientais pela necessidade de competitividade no mercado de trabalho.
Lembrando principalmente que é necessário a mulher desdobrar-se em várias outras, considerando sua inserção em outras posições sociais como etnia, raça, classe, religião, sexualidade, necessidades humanas básicas, concepção, anticoncepção, gravidez, a dor, o
prazer e a lactação, fatores que por si só complicam seu processo de adaptação (MEYER, 1999).
• Conceitos sobre si mesmo
A auto-estima desempenha importante papel na proteção do self (identidade pessoal), é um dos recursos para o processo do enfrentamento, e consegue influenciar a avaliação de eventos e comportamentos elaborados como resposta aos agentes estressores (TAMAYO, 2001).
Portanto, ela age como filtro selecionando informações pertinentes ao indivíduo, e caso ela se apresente baixa, pode fazer com a resposta frente ao estressor manifeste-se de forma mais passiva, tornando-o mais susceptível ao estresse (JEX; ELACQUA apud PASCHOAL; TAMAYO, 2005).
• Idade
Alterações nos níveis de ansiedade ocorrem com maior frequência no final da adolescência e no início da idade adulta (KAPLAN; SADOCK, 1998), mais precisamente entre 20 e 30 anos de idade (DRATCU; LADER, 1993).
Durante a adolescência o indivíduo possui constantes desafios, que permeiam de problemas reais a situações imaginárias, situação que o torna mais vulnerável a alterações no nível de ansiedade, o medo gerado frente a estes eventos é direcionado a perigos subjetivos atribuídos a chamada "crise de identidade" (SERRA et al apud BAT1STA, 2005).
• Nível sócio-econômico
Vários estudos sobre ansiedade mostram que indivíduo de nível sócio-econômico mais baixo tem maiores níveis de ansiedade tanto traço como estado, a maioria dos autores atribui este achado ao fato destes sujeitos enfrentarem jornadas de trabalho extenuantes e baixa remuneração que não permite satisfazer as necessidades básicas de sobrevivência (moradia, alimentação, saúde, educação) e por estarem diante de um horizonte incerto (LA ROSA, 1998).
• Prioridade axiológica
Alguns estudos, como de Tamayo (2001), demonstraram que quanto maior valor atribuído a realização pessoal e ao hedonismo, mais suscetível torna-se o indivíduo ao
estresse. Nesta pesquisa o autor identificou maior nível de desgaste nos sujeitos com estes tipos de prioridade axiológica.
• Eventos de vida estressores
Poucos dados são encontrados na literatura relacionados à exposição a eventos de vida estressores e o surgimento de sintomas e transtorno de ansiedade. O estudo de Rueter e colaboradores (1999) demonstraram existir associação positiva entre a alteração no padrão de estresse e manifestação da sintomatologia, demonstrando que os eventos estressores estiveram Belamente relacionados ao surgimento de transtornos de ansiedade.
São diversos os eventos potencialmente estressores na vida do indivíduo adulto, por exemplo: criação dos filhos, perda de pessoas significativas ou do emprego, relacionamento interpessoal, ameaça de separação, agressões físicas, envolvimento em situações ou relação humilhante e a aposentadoria (MARG1S et al, 2003).
Frente a estes achados é pertinente imaginar que a interação de fatores ambientais (eventos de vida estressores) com predisposição genética para transtornos de ansiedade associada à forma como o indivíduo avalia e enfrenta os eventos de vida estressores, poderia gerar transtornos de ansiedade.
2.10 DADOS EPIDEMIOLÓGICOS NA ANSIEDADE
Os transtornos de ansiedade são o quadro mais comum entre os transtornos psiquiátricos população geral, cuja prevalência é de 28,8% ao longo da vida, 12% ao ano (KESSIER et al. apud KINRYS; WYGANT, 2005).
Vários estudos demonstram que os sintomas ansiosos estão entre os mais frequentes motivos de procura de serviços primários de saúde, podendo ser encontrados em qualquer pessoa em determinados períodos de sua existência, e a maioria dos casos de ansiedade não é diagnosticada ou tratada adequadamente, fato que gera um elevado custo médico-social e grande sofrimento para o indivíduo acometido (BERNIK; LOTUFO-NETO, 1994).
Em documento emitido pela Comissão das Comunidades Européias (2000) sobre fatores responsáveis por afastamento do ambiente de trabalho, a ansiedade, o estresse, a depressão, a violência no trabalho, o assédio e a intimidação aparecem como responsáveis por 18% (quinta parte) de todos os problemas de saúde que podem gerar este processo, o que
implica em duas semanas ou mais de ausência laboral.
2.11 ANSIEDADE TRAÇO E ANSIEDADE ESTADO
Spielberger (1979) em estudo realizado com um grupo de voluntários, ele e colaboradores conseguiram elaborar formas distintas de mensurar as duas formas de ansiedade( SPIELBERGER; GORSUCH; LUSHENE, 1979). Formula, então, o Inventário de Ansiedade Traço-Estado de Spielberger, integrando estudos anteriores de Carttell e Scheier, assim como as concepções teóricas de Freud.
Essa diferenciação foi bastante relevante para o desenvolvimento de investigações posteriores sobre ansiedade e pode ser utilizada em indivíduos normais e com doentes.
A diferenciação da ansiedade é definida da seguinte maneira (SPIELBERGER et ai, 1979):
• Estado de ansiedade
(A-estado) - estado ou condição emocional transitória e temporária do organismo humano de intensidade variável e caracterizada por sentimentos subjetivos, conscientemente percebidos, de: desagrado, apreensão e tensão acompanhados pela ativação do sistema nervoso autônomo, perante uma situação que aparente ameaça. Os escores para este tipo de ansiedade podem variar em intensidade conforme o perigo percebido.
• Traço de ansiedade
(A-traço) - refere-se a diferenças individuais na disposição de perceber uma ampla escala de situações estimuladoras como perigosas ou ameaçadoras e na tendência a responder a tais ameaças com reações de estado de ansiedade. Os indivíduos que possuem alto traço de ansiedade tendem a perceber maior número de situações como perigosas, ou ameaçadoras em relação aos que apresentam baixa ansiedade traço (ANASTASI; URBINA, 2000), principalmente nas situações que envolvem as relações interpessoais e que apresentam ameaça à auto-estima (SPIELBERGER; GORSUCH; LUSHENE, 1979). Os escores deste tipo de ansiedade são menos sensíveis às mudanças decorrentes de situações ambientais e permanecem relativamente constantes no tempo.
2.12 PERCEPÇAO DA PASSAGEM DO TEMPO
O tempo é uma dimensão fundamental presente em todos aspectos importantes da vida. Nossa consciência, nossa sensação de unicidade e de continuidade como indivíduos, depende de memória, e, nesse sentido, de um registro temporal, ou da nossa percepção de tempo.
O tempo, enquanto elemento que permite a mensuração do quando, é fator essencial para seqüencial e ordenar eventos, precisar durações, intervalos, e ainda, para quantificar o movimento.
A capacidade de sincronizar uma ação de forma temporalmente coordenada com estímulos externos é uma aptidão importante na história evolutiva da espécie humana. Essa peculiar habilidade de sincronização sensitivo-motora é indispensável para diversas atividades nas quais os movimentos são elementos particularmente importantes, como, o esporte, a música, a dança, e o trânsito.
O estudo da percepção de tempo e da produção de ritmos teve início no final do século XIX com Stevens (1886). Posteriormente, Miyake (1902) e Dunlap (1910) também desenvolveram estudos em percepção de tempo (apud Repp, 2005). No entanto, as investigações obtiveram resultados mais substanciais com as pesquisas realizadas por Paul Fraisse, a partir das décadas de 1950 e 1970. Desde então, os estudos têm se multiplicado com bastante rapidez, em especial, a partir do final da década de 1990 e V nos anos 2000.
Dentre as contribuições de Fraisse (1982), a concepção de presente psicológico, obtida através do estudo do limiar de percepção de tempo, é particularmente importante. De acordo com os seus resultados, o limiar de detectável idade do intervalo entre dois estímulos sonoros é de 100 milissegundos. Por outro lado, se o intervalo entre estes eventos for maior do que 1,8 milissegundos, o sistema nervoso parece ter dificuldade em definir uma ordem contínua entre estes eventos, já que a previsibilidade torna-se gradativamente mais difícil, o que, portanto, gera a interpretação de que os eventos não possuem relação entre si.
Fraisse (1982) também apontou que a periodicidade de determinadas atividades, como caminhar, falar e mastigar possuem um pulso periódico básico, ou seja, um tempo espontâneo.
2.12.1 Tempo Espontâneo
Fraisse (1982) apontou que atividades motoras que envolvem movimentos rítmicos possuem uma frequência de atuação que reflete uma periodicidade natural, ou, como Fraisse denominou, um tempo espontâneo. Para chegar a esta conclusão, foram realizados experimentos que mediram a periodicidade natural de atividades, como, por exemplo, bater espontaneamente as mãos (palmas) ou finger tapping.
Os estudos de Fraisse indicaram que, por haver significativa variação entre os sujeitos o período de realização da tarefa estava em torno de 380 e 880 milissegundos. Um resultado que chama atenção é que, o valor de 600 milissegundos parecia ser o mais significativo nas tarefas de tempo espontâneo em finger tapping (FRAISSE, 1982, p. 153).
Em pesquisa posterior Collyer, Broadbent e Church (1994) também investigaram o tempo espontâneo em tarefas de finger tapping, e obtiveram resultados que apontam para uma periodicidade média de 408,6 ms. Seus dados também demonstram uma variação entre os sujeitos, com períodos de 252 ms a 494 ms (mínimo e máximo, respectivamente). A conclusão proposta pelo trabalho é que a variabilidade presente nas tarefas de tempo espontâneo seria uma assinatura do oscilador.
McAuley et al. (2006) desenvolveram uma pesquisa a fim de entender a faixa de frequência espontânea em indivíduos de diferentes idades. Para isso, foi feito um estudo com pessoas de 4 a 95 anos, cujos resultados apontaram que crianças de 4-5 anos apresentaram média na tarefa de tempo espontâneo em 312 ms (desvio padrão de ± 16 ms) e a média gradativamente aumentava com relação à idade. Isso porque pessoas de 18-38 anos realizaram a tarefa com média de 630 ms (desvio padrão de ± 22 ms), enquanto os participantes com mais de 75 anos tiveram média de 648 ms (desvio padrão de ± 43 ms).
Drake e Ben el Heni (2003), compararam o tempo espontâneo de indivíduos músicos e não-músicos da França e Tunísia, e apontaram que não existe diferença significativa entre o desempenho de músicos e não-músicos. A média dos participantes franceses foi de 707 ms, enquanto os indivíduos da Tunísia tenderam a executar a tarefa com média de 851 ms. O desvio padrão dos músicos franceses nesta tarefa foi de 187 ms, enquanto não-músicos realizaram o finger tapping com variabilidade de 243 ms. Por outro lado, músicos e não-músicos tunisianos obtiveram o mesmo desvio padrão, a saber, 286 ms.
Um estudo realizado por MacDougall e Moore (2005) buscou estudar a periodicidade dos movimentos durante 10 horas de atividades rotineiras, como, caminhar, subir escadas,
andar de bicicleta, limpar o apartamento, fazer compras, dentre outras. Com isso, os pesquisadores buscaram determinar o tempo espontâneo da locomoção humana. Os resultados mostraram que a movimentação da cabeça, quadril, tornozelo, pulso, e todas as atividades que envolviam movimento ocorrem em uma frequência de aproximadamente 2 Hz, com desvio padrão de 0,13 Hz.
A consistência dessa frequência foi demonstrada em estudo recente realizado Bove et al. (2009), que também mostrou que o tempo espontâneo de movimentos, como, em finger
tapping, ocorre em uma faixa predominante de 2,2 Hz (desvio padrão de ± 0,10 Hz). Além
disso, este trabalho também mostrou que a observação de ações rítmicas, como, assistir a vídeos de outras pessoas executando a tarefa de finger tapping espontâneo, influencia a frequência natural do tempo espontâneo, pois os participantes tendem a executar a tarefa na mesma frequência das ações observadas.
Um aspecto relevante apontado por Fraisse (1982) e reafirmado por MacDougall e Moore (2005) é que a predileção da frequência de 2 Hz no tempo espontâneo dos movimentos possui uma ligação direta com a música. Isso porque, grande parte das obras musicais ocidentais possui andamento na faixa entre 60 e 120 batimentos por minuto (bpm), demonstrando um pico na faixa de 2 Hz (THOMPSON, 2009).
Os estudos de finger tapping em tempo espontâneo têm levantado dois apontamentos importantes. O primeiro ponto, é que a predominância da frequência de 2 Hz tanto no tempo espontâneo dos movimentos, bem como, do andamento mais frequente nas músicas ocidentais, estaria relacionada com a existência de relógios internos que controlariam a percepção e produção de ritmos (TREISMAN, 1962 apud MAUK; BUONOMANO, 2004; COLLYER; BROADBENT; CHURCH, 1994; KURIYAMA et al., 2005; RÍJN; TAATGEN, 2008).
O segundo aspecto levantado está ligado à variabilidade observada nas atividades motoras rítmicas. Tem sido sugerido que esta variação do desempenho dos participantes estaria ligada tanto a aspectos centrais, relacionados ao relógio interno, quanto a fatores periféricos, inerentes ao próprio sistema motor (REPP, 2005; IVRY et al., 2002).
Sendo assim, as próximas sessões deste capítulo têm o intuito de apresentar os modelos de relógios internos, o funcionamento deste mecanismo, e as estruturas nervosas envolvidas na percepção de tempo e produção de ritmos. Em um segundo momento, destacam-se alguns aspectos inerentes ao sistema motor envolvidos com a variabilidade nas tarefas de sincronização sensório-motora.
2.12.2 Geração de ritmo interno (relógio interno)
Um dos modelos de relógio interno mais aceitos para explicar os processos internos subjacentes à percepção de tempo e sincronização sensório-motora é o modelo de Treisman (1963). Esse modelo de relógio interno prevê três estágios de processamento da informação temporal: estágio de relógio, estágio de memória e, finalmente, estágio de decisão ou comparação.
Tem sido indicado que o funcionamento deste relógio interno seria influenciado por diversos fatores psicológicos e fisiológicos. Um estudo realizado por Wearden e Penton-Voak (1995) revelou que a percepção de tempo é influenciada pela temperatura corporal. Temperatura elevada acima do normal provoca uma rápida passagem do tempo subjetivo. Kuriyama et al. (2005) também mostraram que a produção de tempo. Exibe uma variação diurna e está fortemente correlacionada às variações circadianas da temperatura corporal e aos níveis de melatonina. Estes estudos sugerem, portanto, que a percepção de tempo de curta duração em humanos estaria sob a influência de marca-passos circadianos.
Pesquisas também apontaram que stress, drogas, emoções e depressão modificam a percepção de tempo (MURATA et al., 1999; STETSON; FIESTA; EAGLEMAN, 2007; DROIT-VOLET; MECK, 2007; GIL; DROIT-VOLET, 2009). Gil e Droit-Volet (2009) demonstraram, por exemplo, que o relógio interno de pacientes com depressão corre mais devagar. Stetson, Fiesta e Eagleman (2007) desenvolveram um estudo, cujos resultados sugerem que a percepção da passagem do tempo é superestimada em 36 % em situações amedrontadoras e assustadoras, gerando assim a sensação de que estes eventos seriam mais longos do que realmente são.
A partir da observação de que alguns aspectos fisiológicos e psicológicos influenciam diretamente a percepção de tempo, diferentes teorias têm emergido na tentativa de compreender, por exemplo, o papel da atenção, emoção, stress e temperatura corporal no funcionamento do relógio interno. Meck e Church (1983) sugeriram que processos atencionais atuam como um interruptor, que permite ou impede o fluxo de pulsos do marca-passo para o acumulador. A atuação desse mecanismo seria, portanto, baseada na relevância da informação temporal.
Essa hipótese predominante nos trabalhos de percepção de tempo e sincronização sensório-motora tem sido questionada por recentes estudos psicofísicos e de neuroimagem (JANTZEN et al., 2007; MAUK; BUONOMANO, 2004; LEWIS et al., 2004). Dados
empíricos revelam que é possível perceber e estimar a duração de eventos de diferentes períodos apresentados simultaneamente, o que tem dado suporte à idéia de que o processamento de informações temporais é mediado por várias estruturas neurais. Resultados como estes levantam a proposta de que não haveria uma única estrutura responsável pela geração e emissão de pulsos, e também não haveria apenas uma estrutura responsável pela acumulação e integração desses pulsos (RIJN; TAATGEN, 2008; JANTZEN et al., 2007).
Sendo assim, modelos atuais tomam como base a existência de múltiplos marca-passos, ou ainda, múltiplos acumuladores. Outras hipóteses sugerem ainda marca-passos ou osciladores dinâmicos (RÍJN; TAATGEN, 2008; MAUK; BUONOMAMO, 2004). Mauk e Buonomano (2004) propõem ainda que a percepção de tempo não provém de relógios ou sistemas corticais especialmente dedicados ao processamento de tempo.
2.12.3 Mecanismos atencionais
A atenção é um dos processos psicológicos mais importantes na regulação da experiência temporal. Diferentes níveis atencionais podem provocar experiências temporais radicalmente diferentes. Alocar menos atenção para eventos temporais provoca a percepção de que "o tempo voa", pois há uma redução na computação da duração dos eventos temporais. Por outro lado, prestar atenção à passagem do tempo provoca a sensação de que o tempo passa significativamente mais devagar (BROWN, BOLTZ, 2002; POUTHAS e PERBAL, 2004).
Através de estudos sobre julgamento da ordem e duração de eventos temporais, e em tarefas de finger tapping, Jones e colaboradores desenvolveram um modelo que procura explicar os mecanismos atencionais envolvidos na percepção de tempo e sincronização sensório-motora a estímulos rítmicos externos. Essa teoria foi denominada Teoria da Atenção Dinâmica (The Dynamic Attending Theory) (JONES, 1976, 1987, 1990; JONES; BOLTZ, 1989 apud DRAKE; JONES; BARUCH, 2000).
Segundo esta proposta, o sistema nervoso seria dotado de um oscilador que teria uma faixa de funcionamento natural, que poderia ser identificada através de tarefas, como, finger tapping espontâneo. O modelo propõe que esse estágio basal de funcionamento do relógio interno seria um período de referência para o processamento das informações temporais externas, passível de modulação pela atenção (DRAKE; JONES; BARUCH, 2000).
Um segundo estágio do modelo de Jones aponta que, na presença de estímulos rítmicos externos, o oscilador interno ajustaria o seu funcionamento em relação a frequência mais 'saliente' do estímulo externo. São esses pulsos mais fortemente percebidos geram expectativas que direcionariam a atenção antes voltada somente a frequência natural do oscilador interno. A mudança do foco atencional da frequência interna natural do oscilador para a frequência induzida pelo estímulo externo seria a mediada sintonização (attunement) - processo que envolveria uma sincronização do oscilador interno no período dos estímulos atendidos.
Jones também afirma que a habilidade de responder a níveis temporais hierarquicamente diferentes dependeria da atividade de múltiplos osciladores que formam um esquema de expectativas. Essa organização seria o mecanismo que permitiria a alocação atencional para níveis rítmicos diferentes (DRAKE; JONES; BARUCH, 2000). Portanto, o modelo proposto por Jones e colegas sugere a existência de múltiplos osciladores internos responsáveis pelo processamento de tempo através do acúmulo de pulsos.
Outro modelo que incorporar os mecanismos atencionais ao processamento de tempo foi proposto por Block e Zakay (1998). Esse modelo sugere que há um portão atencional, no qual os pulsos emitidos pelo marca-passo são canalizados através de um portão atencional para o acumulador, que seria então responsável pela integração e acúmulo dos pulsos. Num momento seguinte, os pulsos seriam transferidos para os sistemas de memória e de tomada de decisão (DRAKE; JONES; BARUCH, 2000). Sendo assim, o que fundamenta esse modelo é que a atenção abriria o portão e controlaria o tamanho da abertura desse mecanismo para a passagem dos pulsos. Tarefas não-temporais deslocariam a atenção do tempo, fazendo com que este portão se estreite ou se feche completamente de forma descontínua. Assim, um número menor de pulsos passaria através do portão atencional, provocando um encurtamento da percepção da duração do tempo.
Pesquisas em neuroimagem têm revelado que quanto maior a alocação de recursos atencionais para eventos temporais, maior é a ativação da área motora (COULL et al., 2004; MAÇAR; COULL; VIDAL, 2006). Gross et al. (2006) mostraram também que o processo atencional em tarefas de percepção de tempo é acompanhado por um aumento da sincronização da atividade em redes neurais específicas, o que levaram a concluir que a atenção representa um importante meio de regulação do processamento de informações temporais, já que eventos relevantes provocam uma maior sincronização dos circuitos neurais.
2.12.4 Atenção difusa
A atenção visual é considerada um mecanismo neural onde recursos visuais são direcionados, de forma voluntária ou espontânea, privilegiando um determinado local ou objeto em detrimento de outros, vividos simultaneamente. O local, ou objeto, focado pela atenção têm um processamento nas áreas corticais visuais mais eficaz do que os não focados. (MULLER et al., 2003; SERENCES et al., 2004).
A atenção voluntária geralmente é mobilizada de maneira consciente e é utilizada com tarefas que exigem maior concentração, e de maior complexidade para o indivíduo (STEINMAN; STEINMAN, 1998). Em contrapartida, a atenção automática pode ser desencadeada por um evento sensorial abrupto, sem que haja necessidade de um controle prévio e consciente (RUZ; LUPIANEZ, 2002), acontecendo um acionamento automático dos mecanismos atencionais. Acredita-se que o processo de modulação da atenção é diferente dependendo da tarefa a ser realizada, ou seja, é empregada mais atenção em tarefas mais complexas e menos atenção em tarefas menos complexas (LUPIANEZ et al., 2001).
Estudos psicofísicos têm demonstrado anisotropia da atenção, ou seja, diferença na distribuição do foco da atenção visual nas direções horizontal e vertical (ROVAMO; VIESU, 1979; REGAN; BEVERLEY, 1983; KRÕSE; JULESZ, 1989). Estudos anatômicos e fisiológicos em macacos demonstraram um possível correlato neural desta anisotropia com a baixa densidade de células ganglionares na região foveal (CURCIO; AUCN, 1990) e o declínio rápido da densidade dos cones afastando-se da fóvea (CURCIO et al., 1987) ao longo das direções vertical e horizontal.
2.13 FISIOLOGIA DA ATENÇÃO VISUAL
De todas as fibras cerebroaferentes trinta e oito por cento pertencem ao sistema visual que, portanto, se configura como a principal via de entrada de informações para a espécie humana. Embora todos os elementos estruturais do olho humano participem da percepção da informação visual, a retina tem um papel central neste processo.
A retina é a mais importante porque é nela que se inicia a percepção visual. A luz entra pela córnea, é projetada no fundo do olho e é convertida em informação etetro-química pela
retina. Em seguida estes sinais, através do nervo óptico, chegam aos centros superiores no cérebro, são processados para a geração do fenômeno perceptual, que é a construção mental de uma informação tridimensional estável (KANDEL et al., 2000).
A maior parte das informações visuais captadas pelo olho segue pelo nervo óptico até o córtex occipital, antes passando pelo tálamo. Parte destes sinais toma outros caminhos que nem sempre estão envolvidos com o processamento da informação visual, podendo estar envolvidos no controle do movimento da pupila e no acompanhamento de objetos no campo visual.
Na retina a informação visual é segregada entre células ganglionares que têm dois tamanhos (células grandes - magnocelulares ou tipo M e células pequenas - parvocelulares ou tipo P). As informações chegam ao Núcleo Geniculado Lateral do tálamo e depois a diferentes regiões do córtex.
Os axônios das células ganglionares são conectados ao corpo geniculado lateral, definindo três vias principais de processamento: Magnocelular, Parvocelular e Koniocelular. As camadas magnocelulares são responsáveis por responder a movimentos rápidos e de curta duração, fornecendo a informação sobre a localização do objeto no espaço e também sobre a profundidade. É através das camadas magnocelulares que se projetam para o cérebro formando o tronco cerebral, que se obtém o controle reflexo dos olhos.
As camadas parvocelulares vão da área visual primária até o córtex temporal inferior e aí são processadas as informações sobre cor, forma e a textura e esta é uma via de processamento mais lento.
Tanto nas camadas parvocelulares quanto nas magnocelulares são encontradas células tipo konio. As funções dos dois caminhos são preservadas no córtex visual, embora a separação não seja completa (MAEHARA et al., 2004). Aproximadamente 80% das células ganglionares conectam-se à via parvocelular, 10% à via magnocelular e 9% à via koniocelular.
O núcleo geniculado lateral é formado por seis camadas: duas magnocelulares, quatro parvocelulares e além destas existem ainda camadas intermediárias koniocelulares.
Basicamente as informações após chegarem ao córtex seguem por duas vias: dorsal e ventral. A via dorsal segue para cima até o lobo parietal e o lobo frontal e a ventral segue para baixo até a parte inferior do lobo temporal.
No fluxo dorsal a informação dominante é magnocelular e no fluxo ventral é parvocelular. No fluxo dorsal é que se observa a coordenação mão-olho e interferem na localização dos objetos e também são importantes para o controle do movimento do olho
durante uma busca visual. No fluxo ventral encontramos as funções de reconhecimento. Para Pashler (1994) tarefas visuais dependem de um mesmo sistema de entrada da atenção e sugere que a atenção sobre um objeto ocasionará sua representação na memória de curto prazo visual, possibilitando a execução de várias tarefas consideradas mais fáceis ao mesmo tempo, porém o mesmo não acontece caso as tarefas sejam consideradas mais complexas, isto em uma. São diversos sons, odores, objetos visuais, estímulos táteis, gustativos, entre outros. Nosso sistema nervoso não processa todos eles até estágios que tornam sua detecção um processo consciente. Há uma seleção dos estímulos que receberão processamento adicional e dos que serão ignorados.
A atenção é mais comumente observada pela alteração do comportamento do indivíduo. Assim, quando queremos examinar com mais eficiência um estímulo movimentamos o respectivo órgão sensorial em sua direção. O movimento dos olhos, por exemplo, permite que uma imagem recaia em nossa fóvea, aumentando s eficiência de seu processamento. Entretanto é possível orientar a atenção sem que haja movimentação das superfícies sensoriais. Por exemplo, quando num ambiente repleto de pessoas, com diversas conversas paralelas, conseguimos alternar nossa atenção entre uma conversa e outra; ou quando acompanhamos o movimento de ume pessoa interessante "pelo canto dos olhos".
O que determina o engajamento da nossa atenção? A atenção pode ser atraída por um estímulo bastante saliente (uma porta batendo) ou podemos voluntariamente procurar por algum estímulo em particular (um livro numa estante). Assim, há uma diferenciação entre orientação exógena (automática) e endógena (voluntária) da atenção, ao mesmo tempo em que há uma interação entre elas. Dessa forma, um indivíduo é melhor na detecção de um objeto numa cena visual se ele conhece diante mão algumas de suas características. Esta facilitação depende da habilidade de representar esta informação prévia ("set" perceptual) e usá-la para induzir processamento da informação que chega.
De acordo com Cortese et al. (1999) alguns fatores, nas modalidades da atenção são: 1. Capacidade de selecionar e focar os estímulos;
2. Amplitude: quantidade de estímulos que durante a realização da tarefa;
3. Tracking: rastreamento do material em foco envolvendo processos de memória de curto prazo;
4. Tempo de reação: tempo necessário para a realização da tarefa (este foi especialmente observado em nosso trabalho);
5. Alternância: flexibilidade e velocidade no deslocamento da atenção de um foco para outro.
Uma fonte de informação sobre o funcionamento da atenção e seu substrato neural é o estudo de humanos que sofreram danos no sistema nervoso, por exemplo, por acidentes, doenças ou isquemia. Lesões em diferentes regiões encefálicas como lobo parietal, campos oculares frontais, córtex cingulado, gânglios basais, tálamo ou mesencéfalo causa deficiências atencionais. Um exemplo é o problema clínico conhecido como negligência unilateral. Os pacientes acometidos por esta disfunção têm dificuldade de orientar a atenção para o hemicampo contralateral a sua lesão. Assim, um paciente com lesão no hemisfério esquerdo, conversando com seu médico posicionado no hemicampo esquerdo, é incapaz de notar a aproximação de outra pessoa a sua direita. Este paciente também só comerá o que estiver na metade esquerda de seu prato, só vestirá o lado esquerdo de seu corpo e assim por diante.
Diversos experimentos envolvendo atenção, principalmente na modalidade visual, vêm sendo desenvolvidos. Por exemplo, foi desenvolvida uma tarefa comportamental que permite evidenciar a orientação da atenção sem que os olhos se movam. Esta tarefa permite observar que um mesmo estímulo é processado mais rapidamente se a atenção for orientada anteriormente para o local de seu aparecimento. Com estes estudos em laboratório foi possível desenvolver modelos do funcionamento atencional; o uso concomitante de técnica de registro da atividade elétrica e de imageamento do sistema nervoso central permite vislumbrar os correlates neurais do processamento atencional.
O sistema visual é organizado em campos receptivos, desde as células da retina até as regiões visuais corticais. É possível observar a ação de mecanismos atencionais na maioria dos estágios do processamento visual. Em estudos evolvendo registro celular unitário em macacos, a diminuição no tempo de reação em função da presença da atenção é acompanhada pelo aumento na frequência de disparo da célula estudada.
Todas as evidências convergem para o fato de que a atenção envolve uma rede formada por áreas distribuídas por todo o encéfalo. A atenção, como processo fisiológico, tem papel importante na sobrevivência dos indivíduos de qualquer espécie e, particularmente na espécie humana, este fator fica evidente quando observados os casos de deficiências atencionais. Justifica-se, assim, o estudo da atenção em seus aspectos anatômicos e funcionais por meio das técnicas clínicas e da fisiologia comparativa.
3 OBJETIVOS
3.1 GERAL
Avaliar aspectos psicofisiológicos na ansiedade: percepção da passagem do tempo e atenção difusa.
3.2 ESPECÍFICOS
• Verificar a correlação entre atenção difusa e ansiedade; • Verificar a correlação entre percepção do tempo e ansiedade; • Observar a correlação entre o tempo espontâneo e atenção difusa;
• Identificar a faixa de freqüência espontaneamente escolhida pelos participantes para realização da tarefa de bater o dedo de forma mais regular possível durante 01 (um) minuto
4 JUSTIFICATIVA
Este estudo visou avaliar aspectos psicofisiologicos da ansiedade, em particular dois deles; percepção da passagem do tempo e atenção difusa.
Sabe-se que o tempo é uma dimensão fundamental presente em diversos aspectos importantes da vida. Nossa consciência, nossa sensação de unicidade e de continuidade como indivíduos, depende de memória e um registro temporal.
A todo momento estamos expostos a inúmeros estímulos de todas as modalidades sensórias. A atenção é mais comumente observada pela alteração do comportamento do individuo e seu deslocamento no espaço. Por exemplo, quando num ambiente repleto de pessoas com diversas conversas paralelas, conseguimos alternar nossa atenção entre uma conversa e outra, ou quando acompanhamos o movimento de uma pessoa interessante “pelo canto dos olhos”.
Essas duas variáveis são moduladas por aspectos psicofisiologicos da ansiedade, dentro de uma dinâmica dos processos biopsicossociais, isto é a interação do individuo com o meio. Trata-se de um projeto original onde visa buscar a correlação entre a ansiedade e percepção do tempo e ansiedade e atenção difusa.
Este estudo esta em conjunto com a Universidade de São Paulo, departamento de Fisiologia do Comportamento, coordenada pelo Prof. Dr. Ronald Ranvaud,e Thenile Braun.
5 MÉTODO
• Participantes
Os voluntários que participarão dos experimentos deste estudo se encontraram na faixa etária de 18 a 25 anos, alunos do curso de educação física e esporte da USP, sendo 180 voluntários onde responderam à escala de ansiedade do IDATE em sala de aula, após serem convidados a participar do estudo 30 voluntários, sendo 15 muito ansiosos e 15 pouco ansiosos, de acordo com a avaliação da escala realizada pela psicóloga.
• Local e coleta dos dados
Os experimentos foram realizados no laboratório de fisiologia do comportamento, sala 127, do prédio I do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo. A sala de experimentação e composta por uma cabine de testes com isolamento visual e atenuação acústica aos estímulos externos, o que favoreceu a padronização das condições experimentais e concentração dos participantes durante a realização dos experimentos.
Os voluntários foram posicionados à frente dos equipamentos de coleta de dados, a 57 cm de distância e na linha media da tela do computador. Esta distancia foi garantida através de um apoio de fixação do queixo e testa dos participantes, bem como, uma cadeira que permita a regulagem da altura, o que assegura o posicionamento da cabeça no apoio em uma postura confortável. (figura 01).
Figura 1: Sala de experimento Fonte: Acervo pessoal
• Equipamentos
Dentre os equipamentos utilizados para a realização desta pesquisa estão um Microcomputador Athlon XP 2400/512, com sistema operacional Windows 2000, placa de som Encore Crystal SoundFusion CS4281, com um monitor de vídeo de 19’ Samsung modelo Syncmaster 997 DF suprido por uma placa de vídeo 10 bits Matrox Millennium P-650, com taxa de renovação de tela de 100 Hz e resolução de 800 x 600.
A aquisição das respostas foi feita através de um joystick Leadership – Computer Acessors, conectado ao computador pela porta gameport com resolução e precisão da ordem de um milisegundo.
Figura 2: Equipamento da sala de experimento Fonte: Acervo pessoal
Figura 3: Joystick Fonte: Acervo pessoal
• Equipamentos utilizados na pesquisa
Escala de avaliação psicométrica de ansiedade IDATE .
• Inventário de Ansiedade Traco-Estado (IDATE):
Foi projetado por Spielberger em 1970, sendo a tradução e adaptação língua portuguesa realizada por Biaggio e Natalício, para ser auto-aplicável podendo ser aplicado individualmente ou em grupo.
Em levantamento realizado por Keedwell e Snaith (1996) o IDATE é uma das escalas de ansiedade de auto-avaliação mais utilizadas. Consegue-se com ela medidas de tendências gerais de resposta emocional (ANDRADE, 1998).
O IDATE é composto de duas escalas distintas, estruturadas para mensurar dois conceitos de ansiedade: estado ansiedade (A-estado) e traço de ansiedade (E-traço) SPIELBERGER,1979).
Traço de Ansiedade representa dados da personalidade do indivíduo, os escores de ansiedade-traço são menos sensíveis a mudanças decorrentes de situações ambientais. Este inventário possui 20 afirmações onde se pede que o sujeito da pesquisa descreva como geralmente se sente (Anexo l).
Estado de Ansiedade refere-se ao estado emocional transitório, podendo variar seus escores em intensidade quando ocorrerem alterações no ambiente, Geralmente caracteriza-se por sentimentos de tensão e apreensão, conscientemente percebidos e aumento na atividade do sistema nervoso autônomo (ANDRADE, 1998). Já na avaliação do estado de ansiedade pretende-se avaliar como o indivíduo pretende-se pretende-sente em determinada situação. Também possui 20 afirmações (SPIELBERGER, 1979).
As opções de resposta para escala A-estado são: 1. Absolutamente não; 2. Um pouco; 3. Bastante e 4. Muitíssimo. Para a escala A-traço são: l. quase nunca; 2. Às vezes; 3. frequentemente. 4. quase sempre.
Constituí-se em escala de auto-avaliação. Foi aplicado em primeiro lugar a escala de A-estado e posteriormente A-traço para não ocorrer influência nas respostas em função de um "clima" gerado pelo procedimento (BIAGGIO; NATALÍCIO, 1979), mesmo sendo realizado de forma coletiva,em sala de aula.
Pensando, também, em não possibilitar vício de resposta foi aplicado sistema de pontuação invertida, conforme o sentido da frase. Portanto, para a correção, foram invertidos os
valores (1=4, 2=3, 3=2 e 4=1) de acordo com a padronização do IDATE e o tipo de ansiedade (BIAGGIO; NATALÍCIO, 1979).
As alterações foram efetuadas nas respostas das seguintes afirmações: IDATE Traço 01 06 07 10 13 16 19
IDATE Estado 01 02 05 08 10 11 15 16 19 20
Para a classificação dos níveis de ansiedade, os valores atribuídos a cada item das escalas foram somados e definidos como se segue (DELA COLETA; DELA COLETA, 1996; STUART; LARAIA, 2002):
CLASSIFICAÇÃO - NÍVEL ESCORES
Baixa 20-34
Moderada 35-49
Alta 50-64
Altíssima 65-80
A realização da somatória dos pontos deve encontrar-se entre vinte e oitenta pontos. Ansiedade baixa ou branda: situação de alerta, aumenta percepção. Quando presente é capaz de motivar o aprendizado e a criatividade, e produzir crescimento.
Ansiedade moderada: foco nas preocupações imediatas e bloqueio das periféricas ocorrem estreitamento do campo de visão aumentando a capacidade de focalização de áreas necessárias, gerando desatenção seletiva.
Ansiedade alta: importante redução do campo de percepção, foco em área específica, sem atentar para outros fatos, procura obtenção de alívio, necessita de muita atenção para chamar sua atenção.
Ansiedade altíssima: presença de pavor, terror e medo, ocorrem perda do controle, sendo incapaz de desenvolver atividades mesmo com orientação direta. Com o pânico aparece a desorganização da personalidade, aumento da atividade motora, diminuição da capacidade de comunicação, distorção da percepção e perda do pensamento racional, o que resulta em exaustão.
• Procedimentos
Foi aplicada a escala psicométrica de ansiedade, do IDATE, em 180 alunos do curso de educação física e esportes da Universidade de São Paulo em sala de aula. Após a avaliação das escalas realizada pela psicóloga, foram convidadas a participar da pesquisa 15 voluntários mais ansiosos e 15 menos ansiosos através de carta convite e mediante conhecimento prévio da temática e etapas do estudo.
Foi levado em conta o IDATE – TRAÇO de ansiedade (como geralmente se sente), pois se trata de ser mais constante. Não desprezando a soma total do IDATE (estado + traço) e somente o estado, onde os dados obtidos poderão ser utilizados em outros estudos correlacionais, (já descritos no item equipamentos).
Após o preenchimento do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, os voluntários foram submetidos aos experimentos de tempo espontâneo e atenção difusa.
Esta pesquisa propôs a realização de dois experimentos, cuja à organização esquemática, encontra se a seguir.
• Experimento 1
O experimento 1 consistiu se na tarefa de Tempo Espontâneo, no qual a tarefa dos participantes foi bater o dedo da forma mais regular e precisa possível durante um minuto. Os objetivos gerais deste experimento foram determinar qual a freqüência mais natural escolhida pelos participantes para a realização da tarefa e verificar a precisão com a qual os participantes executam este teste.
Iniciado o experimento, uma tela de introdução ao experimento foi apresentada durante dez segundos. Durante este tempo, os participantes tiveram a oportunidade de se concentrarem para a realização da tarefa. Em seguida, uma tela de instruções foi apresentada, sendo que, o participante poderia ler as recomendações com o tempo que achar necessário. A coleta de dados foi iniciada quando o sujeito apertou o botão A do joystick, autorizando o início da realização da tarefa. A aquisição das respostas ocorreu através de um joystick, no qual os participantes apertaram o botão A com qualquer dedo de qualquer mão. Durante a aquisição das respostas, a tela do monitor permaneceu em branco (fundo cinza).
Depois de transcorridos um minuto, uma tela de agradecimentos permaneceu na tela por dez segundos, quando então, o experimento foi encerrado. A seguir, destaca-se a representação esquemática do experimento 1.