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Proposta de calendário de eventos turísticos

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Academic year: 2021

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CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO SERIDÓ CURSO DE TURISMO

LINDYNEUZA CAVALCANTE DE LIMA

PROPOSTA DE CALENDÁRIO DE EVENTOS TURÍSTICOS

CURRAIS NOVOS 2019

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PROPOSTA DE CALENDÁRIO DE EVENTOS TURÍSTICOS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de graduação em Turismo, do Centro de Ensino Superior do Seridó da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Turismo.

Orientadora: Profa. Dra. Carolina Todesco

CURRAIS NOVOS 2019

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Universida de Federa l do Rio Gra nde do Norte - UFRN Sistema de Biblioteca s - SISBI

Ca ta loga ção de Publica çã o na Fonte. UFRN - Biblioteca Setoria l do Centro de Ensino Superior do Seridó - CERES Curra is Novos

Lima, Lindyneuza Cavalcante de.

Proposta de calendário de eventos turísticos / Lindyneuza Cavalcante de Lima. - 2019.

60 f.: il. color.

Monografia (Graduação) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ensino Superior do Seridó, Departamento de Ciências Sociais e Humanas, Bacharelado em Turismo. Currais Novos, RN, 2019.

Orientadora: Profa. Dra. Carolina Todesco.

1. Eventos turísticos - Monografia. 2. Calendário de eventos - Monografia. 3. Turismo - Monografia. 4. Informação - Turismo - Monografia. I. Todesco, Carolina. II. Título.

RN/UF/BS - CERES Currais Novos CDU 338.48

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PROPOSTA DE CALENDÁRIO DE EVENTOS TURÍSTICOS

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de Graduação em Turismo, do Centro de Ensino Superior do Seridó da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requ isito parcial à obtenção do título de Bacharel em Turismo.

Aprovada em: ______/______/______

BANCA EXAMINADORA

______________________________________ Profa. Dra. Carolina Todesco

Orientador(a)

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

______________________________________ Profa. Ma. Fernanda Raphaela Alves Dantas

Membro interno

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

______________________________________ Profa. Ma. Itamara Lúcia da Fonseca

Membro interno

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Dedico este trabalho aos meus pais, que me apoiaram em todos os momentos, principalmente nos mais difíceis. Dedico também ao meu avô Vicente e a minha prima Mirian (in memorian) que foram para mim exemplos de caráter e dignidade.

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Agradeço primeiramente a Deus pоr tеr mе dado força pra chegar até aqui. Aos meus pais e minha irmã pelo apoio, incentivo, dedicação e paciência durante a minha graduação, sem eles esse momento não seria possível.

Aos meus amigos, em especial Ana Cláudia, Carmenlane, Renata e Jayme, que me deram forças nas muitas vezes em que tive problemas e dificuldades que me faziam querer desistir.

A minha orientadora Carolina Todesco pela ajuda, incentivo e dedicação nо pouco tempo quе lhe coube e pelas suas correções que contribuíram para a efetivação deste trabalho.

E a todo o corpo docente, em especial Fernanda Raphaela, Rodrigo Cardoso, Aylana Borges, Marluce Silvino, Marilene Bizerra e Marcelo Taveira, que me proporcionaram não só o conh ecimento e sua aplicação em minha área acadêmica, mas os valores éticos que devemos defender tanto na vida pessoal quanto na profissional.

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Calendário de eventos é uma ferramenta de marketing importante para a promoção de eventos, devendo ser utilizada tanto pela gestão pública como pela iniciativa privada. Atualmente, com o uso da tecnologia digital e das redes sociais, o calendário de eventos se apresenta como uma forma eficaz de divulgação e comunicação, permitindo ao público-alvo acessar informações sobre os eventos, a localidade sede e seus serviços e atrativos, tornando-se também uma ferramenta de promoção turística. Sendo assim, o objetivo desse trabalho foi apresentar uma proposta de Calendário de Eventos Turísticos, em plataforma digital, a fim de atender as demandas da gestão pública dos municípios do estado do Rio Grande do Norte e contribuir para divulgação e promoção dos eventos e do turismo no estado. A pesquisa, portanto, é de natureza aplicada, com uma abordagem qualitativa, tendo se baseado em conhecimentos teóricos sobre turismo de eventos, comunicação e calendário de eventos, dirigidos à aplicação prática voltados para a solução de problemas específicos delineado pela pesquisa. Por fim, o presente trabalho deixa à disposição uma ferramenta digital, aberta aos gestores públicos do setor, para a catalogação e criação de Calendário de Eventos Turísticos Municipal.

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Event Calendar is an important marketing tool for event promotion and should be used by both public management and private enterprise. Nowadays, with the use of digital technology and social networks, the calendar of events presents itself as an effective way of dissemination and communication , allowing the target audience to access information about the events, the locality and its services and attractions, making it It is also a tourist promotion tool. Thus, the objective of this work was to present a proposal of Calendar of Tourist Events, in digital platform, in order to meet the demands of public management of the municipalities of the state of Rio Grande do Norte and contribute to the dissemination and promotion of events and tourism. in the state. The research, therefore, is applied in nature, with a qualitative approach, having been based on theoretical knowledge about event tourism, communication and calendar of events, directed to the practical application focused on the specific problem solving outlined by the research. Finally, the present work makes available a digital tool, open to public sector managers, for the cataloging and creation of Municipal Calendars of Tourist Events.

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FIGURA 1FORMULÁRIO ONLINE PARA O CALENDÁRIO DE EVENTOS MUNICIPAIS. ... 34 FIGURA 2.CAPA DO CALENDÁRIO DE EVENTOS TURÍSTICO MUNICIPAL. ... 35 FIGURA 3.PROPOSTA DE POSTS PARA REDES SOCIAIS... 36

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QUADRO 1.MUNICÍPIOS PERTENCENTES AOS POLOS DE TURISMO DO RIO GRANDE DO NORTE EM

2018. ... 31

QUADRO 1:TIPOS DE EVENTOS ... 47

QUADRO 2:CATEGORIAS DE EVENTOS ... 48

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TABELA 1.DADOS SOBRE EVENTOS REALIZADOS NO BRASIL EM 2013... 20 TABELA 2.ESTIMATIVA DOS GASTOS DOS PARTICIPANTES DE EVENTOS EM 2013. ... 20

TABELA 3.TIPOS DE EVENTOS, SEGUNDO AS REGIÕES BRASILEIRAS EM 2013. ... 21

TABELA 4.POSIÇÃO DO BRASIL NO RANKING DA ICCA(INTERNATIONAL CONGRESS &

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1 INTRODUÇÃO ... 11

2 TURISMO E O SEGMENTO DE EVENTOS ... 15

2.1 TURISMODEEVENTOSNOPANORAMANACIONAL... 18

2.2 APERSPECTIVADOSEVENTOSSOB UMCONTEX TORE GIONA L ... 23

3 A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO E DAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO EM RELAÇÃO AO TURISMO DE EVENTOS ... 26

3.1 ANECESSIDADEDAINFORMAÇÃOEMRELA ÇÃOAOSEVENTOS ... 27

4 O CALENDÁRIO DE EVENTOS COMO ESTRATÉGIA DE PLANEJAMENTO E MARKETING PARA OS MUNI CÍPOS DO RN ... 30

4.1 ELABORA ÇÃODOCA LENDÁ RIODEEVENTOS ... 33

5 CONSIDE RAÇÕES FINAIS... 38

REFERÊ NCI AS ... 39

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1 INTRODUÇÃO

Nos dias atuais, os eventos têm ganhado cada vez mais importância no que diz respeito à atividade turística, sendo um dos segmentos que mais movimenta pessoas no mundo, impulsionando a economia global.

O Turismo de Eventos se consolidou como atividade econômica e social no século XX, como uma forma significativa, criativa e contínua de desenvolvimento, tendo se diversificado ao longo do tempo (CANTON, 2002).

Evento pode ser considerado um acontecimento composto pela soma de ações planejadas e que reúne várias pessoas e/ou entidades, com os mesmos propósitos e interesses, em data e local específico, com objetivo de celebrar acontecimentos importantes, além de se comportar como estratégia de comunicação e promoção, estabelecendo contatos de natureza comercial, cultural, esportiva, social, familiar, religiosa, científica, entre outros (ZANELLA, 2008; FORTE; SILVA, 2011). Também pode-se caracterizar como um intercâmbio cultural, pois, segundo Melo Neto (1999, p.18), “é por meio da participação em eventos, que o homem moderno aprende e reaprende a ter emoções, desenvolve o seu senso crítico, aprimora suas visões, preza a liberdade e adquire maior sensibilidade”.

Para o Ministério do Turismo (MTur, 2010), o segmento de eventos está associado ao Turismo de Negócios, que compreende o conjunto de atividades turísticas oriundas de encontros, reuniões, e demais eventos com característica profissional ou associativa, de caráter técnico, promocional, científico e social. Entretanto, o segmento Turismo de Negócios e Eventos pode assumir duas vertentes totalmente diferentes, compreendendo mais do que simplesmente eventos corporativos e científicos, assimilando novas tipificações e categorias, como eventos socioculturais, feiras artísticas, festivais gastronômicos, festas religiosas, festas populares, etc.

O segmento de eventos possui como produto turístico um acontecimento planejado, constituindo uma significativa motivação para o desenvolvimen to da atividade turística e se caracteriza como um segmento bastante específico, independentemente de sua intensidade ou alcance (PAIVA, 2015).

O setor de eventos é um dos maiores potencializadores em relação ao desenvolvimento econômico, pois movimenta u m número significativo de profissionais especializados, serviços e infraestrutura especificamente para a sua realização.

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Porém, é enorme a dificuldade em mensurá-lo, visto que é um setor dinâmico e amplo, que atinge não só o público alvo.

Segundo ICCA (2017), somente no segmento eventos científicos e corporativos, tais como feiras, congressos, simpósios, foram realizadas mais de 12.563 a nível mundial em 2017. No ranking mundial, o Brasil se encontra como o 16º país que mais realiza eventos desse porte, mobilizando em 2017 mais de 100 mil participantes nos 237 eventos realizados no território nacional.

Os rendimentos proporcionados pelo setor de eventos são expressivos tendo como característica a movimentação de recursos para as localidades sedes dos eventos em um curto espaço de tempo. No Brasil, de acordo com dados do Sebrae e a Associação Brasileira de Empresa de Eventos (ABEOC) (2014), o mercado de eventos gera mais de 300 bilhões dólares/ano.

Os eventos, portanto, independentemente de sua tipologia, geram oportunidades de trabalho, elevam o capital interno e podem promover o desenvolvimento das localidades sedes (MARUJO, 2014). E, especialmente, contribuem com o turismo em períodos de baixo fluxo, equilibrando as osci lações entre oferta e demanda, amenizando os efeitos da sazonalidade (PAIVA, 2015). E para alguns destinos, os eventos se constituem nas principais motivações de viagens, constituindo-se em si no principal atrativo (BRASIL, 2016).

O turismo se apresenta como uma atividade inteiramente social e assim se faz necessária a troca de informações e o relacionamento humano. E na perspectiva atual de massificação da comunicação dinâmica iniciada a partir do fim do século XX e início do século XXI, as barreiras geográficas, hoje, são consideradas quase inexistentes em relação a disseminação de informações (WADA; SANTOS, 2017). Desta forma, com o uso da internet, redes sociais, plataformas de compartilhamento de vídeo, web sites, catálogos digitais, dentre outras ferramentas, as informações disponibilizadas no “mundo digital” permite um acesso mais rápido e o alcance de um público exponencialmente maior.

Tendo em vista a importância da comunicação na área de eventos, temos como objetivo geral propor um formulário base, em plataforma digital, para a catalogação de eventos de todas as tipologias para o uso, em especial, dos órgãos públicos municipais de turismo do estado do Rio Grande do Norte, como suporte para a criação de Calendário de Eventos Turísticos Municipal.

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O Rio Grande do Norte é um dos estados brasileiros do Nordeste conhecido pela beleza cênica de suas praias e por sua capital Natal. Entretanto, mais que somente praias, o estado detém outros diversos pontos turísticos naturais e culturais, além de eventos que movimentam milhares de pessoas durante todo o ano.

O estado possui 167 municípios e é dividido em Regiões Turísticas nomeadas de Polos de Turismo, são eles: Polo Agreste-Trairí; Polo Costa Branca; Polo Costa das Dunas; Polo Seridó e Polo Serrano; que comportavam em 2018 um total de 75 municípios. Essa divisão obedece às características e diretrizes adotadas pelo Ministério do Turismo para a composição do Mapa do Turismo Brasileiro que se caracteriza como um instrumento de orientação elaborado para contribui r e auxiliar no desenvolvimento de políticas públicas, com foco na gestão, na estruturação e na promoção do turismo (MTur, 2016).

Nesse sentido, esse trabalho visa contribuir com a promoção do turismo no estado do Rio Grande do Norte ao apresentar uma proposta de plataforma digital para a produção de Calendário de Eventos Turísticos, a partir de uma pesquisa de natureza aplicada, que segundo Gerhardt e Silveira (2009, p. 35) “objetiva gerar conhecimentos para aplicação prática, dirigidos à solução de problemas específicos. Envolve verdades e interesses locais”.

No primeiro momento, a pesquisa se assentou na construção do referencial teórico sobre Eventos; Turismo de Eventos; Comunicação e Marketing; e Calendário de Eventos. E em um segundo momento, concentrou esforços na elaboração da ferramenta de catalogação de eventos, em plataforma digital, baseada no projeto intitulado “Calendário de Eventos Turísticos do Rio Grande do Norte (CDETUR-RN)”, desenvolvido pelo Curso de Turismo do Centro de Ensino Superior da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), coordenado pelos professores Marcelo da Silva Taveira, Antônio Rafael Barbosa de Almeida e Mabel Simone Bezerra Guardia, e realizado pela equipe discente: Lindyneuza Cavalcante de Lima, Carmenlane Duarte, Ana Cláudia Germano Aquino e Renata Ingrid da Silva Araújo. O CDETUR-RN foi baseado na cartilha de preenchimento da Agenda Nacional de Eventos Turísticos do MTur (2015).

Desta forma, a pesquisa está estruturada em cinco seções, sendo a segunda sobre turismo e o segmento de eventos, abarcando conceitos e contextualizando a importância do setor. A terceira seção relaciona o turismo de eventos e a importância das tecnologias da informação e as estratégias de marketing na área da comunicação.

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Na quarta seção apresentamos a nossa proposta de Calendário de Eventos Turísticos para os municípios do Rio Grande do Norte.

A iniciativa de desenvolver o trabalho de conclusão de curso nessa temática se deu, em primeiro lugar, pelo fato de ter feito parte na da equipe discente do projeto CDETUR-RN 2019/2020, e pela observação da dificuldade por parte das secretarias de Turismo em todo o RN em criar seu próprio Calendário de Eventos Municipal. Assim como também pelo interesse no campo do Planejamento Turístico e Turismo de Eventos ao longo da Graduação.

Também temos o intuito de provocar o poder público e o setor privado dos municípios a iniciarem o processo de elaboração e divulgação de um calendário anual de eventos, expondo a importância como ferramenta de marketing.

Além disso, a pesquisa tem a intenção de criar uma ferramenta de uso público, destinada a contribuir para o turismo local e promover atividades que incentivem, além do setor de eventos, pequenos produtores, artesãos e empreendedores locais.

E por fim, desejamos que este trabalho sirva de inspiração para novas pesquisas na área de Turismo de Eventos e Calendários de Eventos Turísticos, este último muito pouco discutido no âmbito acadêmico.

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2 TURISMO E O SEGMENTO DE EVENTOS

O turismo como uma atividade econômica, enquadra-se no setor de serviços, no entanto, distingue-se dos setores convencionais da economia por ser uma atividade multifacetada de natureza econômica, social e cultural. Essa característica torna a sua definição uma tarefa árdua, sob o consen so de ser uma atividade impulsionadora e catalizadora (LICKORISH; JENKINS, 2000).

Definir turismo, segundo autores como Cooper (2001), é um desafio decorrente da falta de dados associativos e de uma unidade real que o mensure, pois este não se apresenta como um produto tátil, e sim como um conjunto de serviços e produtos oferecidos a um indivíduo/grupo que o utiliza ou desfruta por um determinado período. A dificuldade de definição se reflete na própria complexidade da atividade (COOPER et al., 2001).

O turismo pode ser considerado como um movimento de pessoas e o atendimento às suas necessidades. Um fenômeno de intercâmbio entre turista e núcleo receptor além da relação entre todas as atividades originadas dessa interação mútua (BARRETO, 1991). Contudo, o mesmo recebeu visibilidade ao longo dos anos e, segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT, 2001), pode ser compreendido como todas e quaisquer atividades com finalidade de lazer, negócios ou outros, que um indivíduo realiza em suas viagens a lugares diferentes do seu campo habitual dentro de um período inferior a um ano consecutivo. E atualmente se caracteriza como área de pesquisa e conhecimento, que envolve questões antropológicas, culturais, sociais, ambientais e econômicas.

Para Ruschmann (2001), pode-se entender o turismo como parte integrante no estilo de vida de um crescente número de pessoas em todo o mundo, que viajam para satisfazer suas necessidades, sejam elas de recreação ativa ou passiva, conferências e reuniões, passeios ou negócios; nas quais utilizam-se uma variedade de equipamentos e serviços criados para seu uso e satisfação.

Assim, esta área não envolve apenas a simples realização de viagens, mas sim um conjunto de atividades econômicas, sociais e culturais associadas ao deslocamento humano (LAJE; MILONE, 2004).

Por envolver tantos aspectos e serviços, o turismo, assim como as demais atividades econômicas, requer estudos de mercado que busquem atender as necessidades mais específicas dos clientes e que permita formatar um produto que

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atenda os desejos e as limitações destes. Assim se dá origem ao segmento de mercado e as segmentações turísticas.

Segundo Silva, Kushano e Ávila (2008, p.1):

A segmentação surge como uma importante f erramenta para conquistar, criar necessidades e desejos no cliente. Nesse sentido, as empresas, as organizações e instituições tanto públicas quanto privadas, ligadas à atividade turística, estão buscando caminhos que atendam aos mais variados públicos, muitas vezes utilizando -se do conceito e das características da segmentação de mercado.

A partir da segmentação da atividade, o trade turístico passa a conceber roteiros e serviços mais específicos, que podem ser classificados como: Turismo Ecológico, Turismo de Aventura, Turismo Náutico, Turismo Cultural, Turismo Gastronômico, Turismo de Esporte, Turismo de Formação, Turismo de Eventos, dentre outros.

O segmento de eventos é uma das vertentes adotadas dentro da segmentação do turismo proposta pelo Ministério do Turismo, associada ao ramo de negócios, fazendo parte da segmentação Turismo de Negócios e Eventos.

O segmento de eventos, objeto de estudo deste trabalho, movimenta um conjunto de produtos, serviços e fornecedores necessários para a sua execução, como: espaço para a realização do evento; profissionais qualificados; planejamento estratégico, tático e operacional; medidas preventivas e preditivas para emergências que venham a ocorrer durante a realização do evento e muitos outros.

Desta forma, a indústria de eventos tem um papel importante no estímulo às micro e pequenas empresas. Um organizador de eventos terceiriza uma infinidade de serviços e infraestrutura (recepção, decoração, buffet, produção de faixas, banners, locação de equipamentos audiovisuais, serviços de tradutor e intérprete, serviços gráficos etc.) (SEBRAE; FBC; VB, 2001).

O segmento de eventos foi um dos que mais cresceu na indústria do lazer e tem adquirido uma crescente atenção, ao longo dos anos, por parte de in vestigadores acadêmicos (NICHOLSON; PEARCE, 2001 apud MARUJO, 2014, p.3). No entanto, para compreender o segmento Turismo de Eventos, primeiramente devemos nos debruçar sobre o conceito de evento.

Zitta (2011) afirma que o evento se caracteriza como um acontecimento no qual diversas pessoas com propósitos, objetivos e expectativas em comum sobre uma atividade, tema ou assunto se reúnem.

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Para Zenella (2008), evento é uma concentração ou reunião formal e solene de pessoas e/ou entidades realizada em data e local especial, com objetivo de celebrar acontecimentos importantes e significativos e estabelecer contatos de natureza comercial, cultural, esportiva, social, familiar, religiosa, científica etc.

Conforme Coutinho e Coutinho (2007, p. 3) “o evento pode ser considerado um mix de atividades e serviços, com diversos fatores que promovem a prática da atividade turística [...], tornando-se uma excelente oportunidade de desenvolvimento para o setor”; existindo assim uma conexão e interdependência entre a atividade turística e a realização de eventos.

Em um evento, a medida em que sua amplitude é alterada e o seu potencial é elevado, deixando de se comportar como uma intervenção local e passando a ser de nível regional, nacional ou até mesmo internacional, o universo dos eventos ultrapassa os limites de uma cadeia produtiva habitual e passa a ser integrado ao Sistema de Turismo (SISTUR) da localidade que o sedia, pois implica na demanda de outros tipos de serviços e infraestruturas, como hospedagem, alimentação, gui as de turismo, passagens, dentre outros (GAYER, 2017).

Portanto, os eventos se comportam como uma rede de valor, constituídos de um conjunto de empresas de segmentos distintos e interligam atividades e executam um conjunto de ações previamente planejadas. A rede é constituída de atacadistas, fornecedores de matérias-primas, insumos e fabricantes, que em união distribuem funções e conseguem alcançar os objetivos determinados dentro de um sistema (WOOD JR., 2000).

Seguindo uma linha mais institucional, Meirelles (2003 apud NUNES; PLATT, 2012, p. 2) afirma que um evento pode ser considerado um acontecimento previamente planejado e um instrumento institucional e promocional, utilizado em uma comunicação direcionada e objetiva com o propósito de criar conceitos e estabelecer a promoção de organizações, pessoas, produtos, serviços e ideias pela imagem e sua exposição.

Independentemente de sua natureza e de seus propósitos, o evento é reconhecido como um meio de entretenimento (MELO NETO, 2001), proporcionado pela realização de atividades de interesse em comum entre pessoas ou instituições em ambientes diferentes de seu habitual. Para Giacomo (1997 apud CLARO; SANTOS, 2009, p 2), “o evento é uma grande ferramenta no que se refere às estratégias de comunicação”.

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O setor de eventos é um ramo peculiar e constitui um recurso valioso em momentos de alta na economia, ou até mesmo em momentos de crise (FORTES; SILVA, 2004). Deste modo, conforme Brito e Fontes (2002), os eventos se apresentam como uma eficiente solução para equilibrar o mercado, pois se inseridos em programações organizadas podem incentivar, motivar e orientar seus participantes a ficarem por mais tempo em determinado local, aproveitando a cidade, dando uso e visibilidade aos seus atrativos e serviços, principalmente nos períodos em que a atividade turística possui uma ociosidade de oferta.

Segundo o Statistics Report: Country & City Rankings (Relatório Estatístico: Rankings de países e cidades) realizado pela International Congress and Convention Association (ICCA) (2017), foram sediados 12.563 eventos internacionais em todo o mundo. Entretanto, esses dados expressam somente os eventos científicos e corporativos, tais como feiras, congressos, simpósios dentre outros; quanto aos de cunho social e cultural, apesar de não contabilizados, acredita-se que os números são imensamente maiores.

2.1 TURISMO DE EVENTOS NO PANORAMA NACIONAL

O Turismo de Eventos no Brasil teve início no século XX, em São Paulo, com a grande Exposição Agroin dustrial, realizada em 1906, que tinha como principal tema os produtos agrícolas produzidos no país. À época, o café ganhou destaque no evento sendo um dos principais produtos da economia nacional, exportado para o mercado europeu. Com o passar dos anos, a cidade de São Paulo passou a ser uma referência no Turismo de Eventos e Negócios, gerando novas demandas à cidade, como a criação de espaços para a realização de eventos, influenciando na construção do Parque do Ibirapuera e no Palácio das Convenções do Anhembi (CASTRAVECHI et al., 2018).

Segundo Hall (2001), a indústria de eventos, principalmente relativa aos eventos de grande porte e megaeventos, vem se tornando responsável pelo desenvolvimento da atividade turística e possibilitando um novo planejamento e promovendo a difusão urbana e inserindo comunidades em um novo contexto socioeconômico.

O I Dimensionamento Econômico do Setor de Eventos no Brasil, realizado em 2001, conforme Bahl (2003), possibilitou identificar a valorização do segmento no

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Brasil. O governo, segundo o autor, passou a ter uma nova visão em relação a realização de eventos em território nacional, norteando novas políticas para desenvolver o setor e promover novos investimentos.

Em 2003, com a intervenção do Ministério do Turismo (MTur) na implantação de programas de fomento ao turismo internacional, a EMBRATUR (Instituto Brasileiro de Turismo) passou a implementar programas de apoio à captação e promoção de eventos internacionais. Desta forma, o Brasil eleva sua posição no ranking referente ao número de eventos de 16º, em 2003, para 7º, em 2009, crescimento de 129%, de acordo com o relatório divu lgado pela ICCA (PINHEIRO, 2010).

Convém ressaltar, as ações de promoção do produto turístico brasileiro, em especial na promoção do destino Brasil no exterior, entre os anos de 2003 a 2005, pela EMBRATUR e MTur. Estas ações foram focadas em promoção, marketing e apoio à comercialização de produtos, além de serviços e destinos turísticos, bem como a realização de eventos, com o objetivo de atrair turistas e evidenciar as manifestações artísticas e culturais do povo brasileiro. Estas ações receberam um montante de mais de R$ 320 milhões, correspondendo à execução de 81,37% do orçamento disponível de R$ 395,6 milhões. Quanto aos eventos captados para o Brasil, do início de 2003 a outubro de 2005, com apoio da EMBRATUR, foram 71 eventos internacionais, que aconteceram até 2012 (BRASIL, 2006).

Segundo o MTur (2010, p. 52), “entende-se por captação todas as atividades relacionadas à atração de um evento realizado de forma regular e habitualmente itinerante para uma localidade [...]. Vale lembrar que nem todos os eventos são captáveis”. Hoeller (2002) descreve que a captação e a promoção de eventos vêm sendo consideradas a atividade que mais oferece retorno econômico e social ao país e à cidade que sedia um evento.

Segundo Claro e Souza (2009), pesquisas realizadas em 2005 pela Federação Brasileira de Coventions & Visitors Bureau revelou que 32% das pessoas que visitavam o Brasil tiveram como principal motivação o segmento de eventos, convenções e negócios.

Conforme Britto e Fontes (2006, p. 82):

A indústria brasileira de eventos é uma das que mais crescem, com um faturamento de R$ 45 bilhões, gerando 2,9 milhões de empregos e realizando 320 mil eventos por ano, 26.500 por mês, 900 por dia e 37 por hora, os quais contaram com mais de 80 milhões de participantes. Pesquisas indicam que esse mercado atinge mais de uma centena de categorias econômicas.

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De acordo com o II Dimensionamento Econômico da Indústria de Eventos no Brasil, realizado em 2013 e publicado em 2014 pelo Sebrae e ABEOC Brasil (Associação Brasileira de Empresa de Eventos), o segmento de eventos movimentou pouco mais de R$ 200 bilhões em 2013, cinco vezes mais do que em 2001, o que totaliza uma participação de 4,32% no PIB nacional, arrecadou R$ 48,7 bilhões em impostos e gerou cerca de R$ 7,5 milhões de empregos, entre diretos e indiretos.

O mesmo estudo (SEBRAE; ABEOC, 2014) revela que o país sediou por volta de 590 mil eventos, 80% a mais que em 2001 (330 mil eventos), desses 95% nacionais, com a participação de mais de 200 milhões de pessoas, que ao todo somaram R$ 99 bilhões em gastos, uma média de R$ 160 por pessoa. Isso aumentou em 18 vezes a receitas das empresas organizadoras de eventos em relação ao ano de 2001. A grande maioria desses eventos foi sediada na região Sudeste do país (52%), seguida pelo Nordeste com 20%, Sul (15%), Centro-Oeste (9%) e Norte (4%) (tabela 1).

Tabela 1. Dados sobre eventos realizados no Brasil em 2013. Região Quantidade de eventos (2013) % Total Quantidade de participantes (2013) Sudeste 305.720 52% 106.230.447 Nordeste 116.362 20% 33.915.225 Sul 88.420 15% 37.383.838 Centro-Oeste 54.689 9% 18.243.000 Norte 25.721 4% 6.399.276

Fonte: Adaptado de ABEOC Brasil/Sebrae/Observatório do Turismo -FTH-UFF, 2014.

A estimativa de gasto médio entre residentes e não residentes no Brasil que frequentaram os eventos em 2013, nota-se um gasto médio de R$ 437,16 do não-residente e de R$ 69,22 do não-residente (tabela 2).

Tabela 2. Estimativa dos gastos dos participantes de eventos em 2013.

Tipo de participante Nº de participantes Permanência média (dias)

Gasto médio Gasto total

em R$ US$ em em R$ em US$

Residente 151.325.582 1,2 69,22 32,09 12.569.708.159,47 5.827.402.948,29

Não-Residente 50.846.204 3,9 437,16 202,67 86.688.636.578,77 40.189.446.721,73

Total 202.171.787 1,9 161,76 74,99 99.258.344.738,24 46.016.849.670,02 Fonte: ABEOC Brasil/Sebrae/Observatório do Turismo -FTH-UFF (2014).

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Entre 2001 a 2013, há um crescimento de mais de 800% de mão de obra envolvida, de forma direta e indireta, na produção de eventos. Isso demonstra que para a realização de um evento é necessária a participação de diversos profissionais e, segundo Brito e Fontes (2006, p.73), “na medida em que a realização de um evento chega a movimentar um exército de profissionais na sua viabilização, fica clara a sua importância na dinamização econômica, tão almejada por inúmeras cidades”.

Os eventos abarcam um alto volume de capital em torno de transporte, hospedagem, alimentação, entretenimento e lazer, gerando uma maior arrecadação de impostos (CLARO; SANTOS, 2009). O evento, portanto, impulsiona a geração de uma oferta de serviços específicos para atender seu público, agregando valor à imagem da região ou do município que o abriga.

Os eventos podem assumir diversos tipos, como: feiras, congressos, seminários, festas, torneios, dentre outros; que apresentam inúmeras categorias (científico, social, cultural, religioso, esportivo etc.). A tabela 3 apresenta a porcentagem segundo o tipo de evento realizado em 2013, por região.

Tabela 3. Tipos de eventos, segundo as regiões brasileiras em 2013.

Tipos de eventos Brasil

Região

Centro-Oeste Nordeste Norte Sudeste Sul Eventos Socioculturais 78,7% 77,8% 76,3% 87,3% 79,2% 78,2% Reuniões 72,2% 70,4% 74,1% 70,9% 74,8% 64,0% Convenções 48,8% 54,1% 52,4% 44,3% 47,9% 46,2% Congressos 38,9% 44,4% 50,1% 46,8% 31,9% 41,7% Eventos Mistos1 33,0% 43,7% 37,6% 30,4% 29,7% 33,2% Feiras 18,8% 25,2% 19,5% 19,0% 17,1% 20,2% Eventos Esportivos 18,8% 17,8% 20,1% 17,7% 17,4% 22,1% Exposições Rurais/Leilões 8,3% 7,4% 8,1% 7,6% 8,4% 8,8% Outros tipos 22,0% 23,0% 24,5% 25,4% 20,1% 23,0%

Fonte: ABEOC Brasil/Sebrae/Observatório do Turismo -FTH-UFF (2014). (Respostas múltiplas. O somatório total pode ser maior do que 100%).

Grande parte dos serviços oferecidos pelas empresas do setor de eventos são contratados por órgãos e empresas públicas, associações e entidades de classe, que se apresentam como importantes contratantes de eventos. 54,8%, das entidades

1 Considera-se eventos mistos aqueles que apresentam a realização de duas ou mais categorias de

eventos numa mesma execução, como congresso + f eira; convenção + seminário; reunião + evento sociocultural.

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contratantes são do setor público ou são interligadas ao setor (SEBRAE; ABEOC BRASIL, 2014).

Entretanto, apesar dos números correspondentes ao ramo de eventos serem bastantes significativos e gerarem grandes divisas para o país, é importante ressaltar que mesmo tendo um grande apoio por parte do Ministério do Turismo, o setor de eventos brasileiro, no âmbito internacional, foi perdendo sua classificação no decorrer do tempo, por falta de investimentos e pela competitividade entre os países participantes. Devido à dimensão econômica do setor, diversos países começaram a concorrer de forma mais acirrada na captação de eventos, ao longo dos anos de 2009 a 2017. Em 2014, o Brasil chegou a 10º lugar no ranking da ICCA, em 2015 caiu para a 11ª posição e atualmente na nova pesquisa realizada em 2017 se encontra em 16º novamente, mesma posição que se encontrava em 2003 (tabela 4). Segundo a ICCA, (2017), este fato se deve a queda de investimentos ou a falta de empenho na captação de novos eventos.

Tabela 4. Posição do Brasil no Ranking da ICCA (International Congress & Convention Association) 2003-2017.

ANO POSIÇÃO BRASILEIRA NO RANKING QUANT. DE EVENTOS 2003 16ª 72 2004 14ª 106 2005 11ª 145 2006 7ª 207 2007 8ª 209 2008 7ª 254 2009 7ª 293 2010 9ª 275 2011 7ª 304 2012 7ª 360 2013 9ª 315 2014 10ª 291 2015 11ª 292 2016 15ª 244 2017 16ª 237 Fonte: ICCA (2003- 2017).

Mesmo o número de eventos realizados no país sendo bastante considerável, a partir do ano de 2013 o Brasil passou a sofrer queda e regredir na captação de

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eventos, chegou a cair 65% em 2017, menos 123 eventos em comparação ao ano de 2012 em que atingiu maior desempenho.

2.2 A PERSPECTIVA DOS EVENTOS SOB UM CONTEXTO REGIONAL

No mundo globalizado, os eventos são oportunidades únicas de intercâmbio cultural, social, profissional e de novos interesses (TENAN, 2002). Ele objetiva a celebração de acontecimentos importantes e significativos e podem estabelecer uma relação de natureza comercial, cultural, esportiva, social, familiar, reli giosa e científica (ZANELLA, 2006).

Entretanto, a dimensão econômica dos eventos e a visibilidade dada aos destinos são as dimensões que mais seduzem os governos no momento de produzir políticas de captação de eventos. Conforme a Embratur e FGV (2009, p.8), “organizar ou sediar eventos tornou-se uma forma de os países promoverem a sua imagem, de se apresentarem ao mundo e gerarem lucros para a cidade ou região anfitriã”.

Nesse sentido, muitos estudos se debruçam sobre os mega-eventos ou os eventos científicos e coorporativos internacionais, sendo poucos os que se atem a analisar os impactos socioeconômicos dos eventos de nível regional, como festas populares, gastronômicas, religiosas, entre outros.

A organização de eventos no Brasil encontra-se em um cenário delineado pelo crescimento do número de pessoas interessadas em fazer eventos comemorativos (COHEN, 2012). O setor de eventos, em âmbito regional, e o incentivo aos eventos com atributos sociais e culturais, pode contribuir sobremaneira com os municípios e suas regiões. Conforme afirmam Nascimento e Barreto (2015, p. 2):

Os eventos são responsáveis por desenvolver e divulgar um destino, seja este turístico ou não, já que a atividade é utilizada por muitos municípios para a estabilização econômica, além da amenização da sazonalidade. São muitas as cidades interioranas que investem nessa segmentação visando atrair visitantes, gerando assim lucros, e incrementos para a economia da cidade, além de projetar a imagem do destino para outras regiões. A atividade é vista como principal aliada para desenvolver e projetar cidades que não possuem atrativos naturais, mas que querem atrair visitantes para a localidade visando assim à geração de receita, e um possível desenvolvimento econômico e social.

Os eventos têm se tornado uma importante ferramenta de marketing reforçando a potencialidade, a atratividade e a competitividade de regiões e cidades, gerando múltiplos impactos positivos e contribuindo para a diversificação e

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consolidação de destinos turísticos. O evento, como razão de uma viagem, incentiva o turista a conhecer o local de destino e seus atrativos, além de motivar a utilizar outros diversos componentes do trade turístico (SIMÕES, 2012).

Eventos de características sociais e culturais tem como objetivo a valorização cultural e identidade da região e município sede. E além de incidir na valorização cultural e social, os eventos de cunho regional podem contribuir diretamente no crescimento local, especialmente quando atrelado ao o turismo convencional, incidindo assim em um desenvolvimento sustentável para qualquer destino (KETRIN; ALECSANDRA, 2010). E conforme Gibson (1998), um dos benefícios de acolher eventos é que estes atraem visitantes, mesmo em época de baixa temporada, podendo incidir em um aumento considerável de divisas.

Segundo Batista e Pinto (2007, p. 2):

O turismo de eventos deve ser, portanto focado como uma atividade que pode gerar benefícios econômicos e sociais para empreendedores, promotores, comércio local, restaurantes, hotéis, enfim, profissionais direta e indiretamente envolvidos neste mercado.

O turismo cada vez mais vive das singularidades e fortalecimento das características específicas de um local ou região que geralmente são associadas a identidade cultural. Em uma sociedade globalizada essas diferenças e singularidades culturais são o que atraem os turistas e visitantes, e os eventos são uma ferramenta que podem conter todas características e manifestações culturais de um local. Os eventos turísticos, principalmente, os que envolvem identidade, cultura, costumes locais, dentre outras qualidades, permitem que uma comunidade desenvolva o orgulho local, podendo identificar um novo destino turístico captando turistas ou ser uma forma de combater a sazonalidade de um destino já existente (MARUJO, 2015).

Segundo Getz (1997 apud BATISTA; PINTO, 2007, p. 9), os eventos podem ser considerados um produto turístico que o destino local pode construir uma imagem, tema e até mesmo pacotes, se utilizando disto como uma estratégia apropriada para pequenas e grandes cidades que ainda não possuem infraestrutura turística. Nesse tipo de estratégia, aplicada a um plano de marketing, que conforme o Sebrae (2007, p 11): “é uma ferramenta de gestão que deve ser regularmente utilizada e atualizada, pois permite analisar o mercado, adaptando-se às suas constantes mudanças e identificando tendências”, é necessário que o destino possua eventos que tornem, a posteriori, o destino e o evento inseparáveis, tornando ambos um conjunto de atividades criativas e atrativas ao visitante.

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Os eventos são uma forma mais representativa de distinguir um destino do outro, pois o valor dado e o caráter único da cidade se tornam um atrativo ainda mais significativo aos olhos do turista e parte integrante de um plano de marketing d e um destino. Assim, é importante apostar em diferentes tipologias de eventos que possibilitam uma variação maior de mercado e público alvo atingido, e que permitam o reconhecimento do destino (RICHARDS; WILSON, 2004 apud SIMÕES, 2012, p. 52). E apesar de alguns eventos não possuírem um número elevado de participantes, até mesmo estes são capazes de gerarem fluxo turístico, principalmente na atualidade, onde a há uma relativa exposição midiática e as informações, fotos, vídeos e demais dados sobre o evento podem ser compartilhados o que possibilita a disseminação da informação e desperta o interesse do internauta em conhecê-lo.

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3 A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO E DAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO EM RELAÇÃO AO TURISMO DE EVENTOS

A competitividade do mercado, cada vez mais acirrada, exige de todos os setores iniciativas de inovação e tecnologias que despertem o interesse do cliente. No setor de turismo não é diferente, as organizações envolvidas na gestão de destinos turísticos buscam implementar plano de marketing que mantenham o destino competitivo (BATISTA; PINTO, 2007, p. 7).

Conforme Batista e Pinto (2007 p. 10) “a inovação da indústria e a utilização de novas tecnologias são fatores vitais para possibilitarem a customização de produtos de acordo com as exigências dos consumidores”.

E é por meio da comunicação e pelo compartilhamento das informações que o turista conhece o destino e é influenciado na tomada de decisões, afim de atender o seu desejo de consumo. Assim, a forma de comunicação e o acesso à informação se tornam cruciais para o consumo turístico (ANJOS, et al., 2016).

Segundo Ruschmann (2002), várias estratégias podem ser aplicadas como forma de entusiasmar o turista em sua tomada de decisões. E com a popularização da internet e avanços das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), o mercado tende a se firmar no conceito do acesso rápido e de constante alimentação de dados, criando ferramentas de compartilhamento de experiências e desejos. De acordo com Vassos (1998 apud ANDRADE et al., 2018, p. 34), “essa evolução causou uma profunda mudança na forma como produtos, serviços e viagens a destinos turísticos são promovidos, simplesmente porque o real negócio por trás desse conjunto é a informação”. E o uso das mídias digitais por parte do público e as mudanças no comportamento e consumo dos produtos turísticos são fatos irreversíveis (ANDRADE et al., 2018), que tendem a aumentar cada vez mais, pela constante atualização e praticidade dessas tecnologias.

Os meios de comunicação de massa atuais, tais como as redes sociais (Facebook, Instagram, Youtube, etc), são os canais mais eficientes e com um amplo e imediato alcance, que auxiliam o turista na hora de selecionar um destino turístico.

Para Anjos et al. (2016, p. 407):

O gerenciamento do processo de comunicação de um determinado destino turístico se torna peça-chave para a sustentabilidade deste, aumentando a compreensão sobre a localidade e possuindo um sistema que possibilite ao turista conhecer o destino e trocar

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informações e conhecimentos, aprimorando tanto o serviço prestado como adequando a expectativa destes com a experiência turístic a cabível.

As TICs fornecem ferramentas poderosas para a promoção do destino que proporcionam vantagens competitivas e fortalecem as estratégias da indústria turística. Turismo e Comunicação são indissociáveis para o desenvolvimento dos destinos, portanto, os órgãos responsáveis pela promoção dos destinos turísticos precisam se apropriar dos canais de comunicação em massa para a disseminação da informação turística, incentivando o desejo das pessoas em vivenciar uma experiência diferente de sua habitual.

Hoje são comuns os sites/aplicativos que fornecem informações turísticas e/ou sobre o trade turístico, tais como: TripAdvisor, Trivago, Booking, Maxmilias, dentre outros, com fácil acesso. As pessoas consomem muita informação em um curto espaço de tempo, bastam alguns segundos para uma pesquisa de um destino. Desse modo, nem todo conteúdo visualizado consegue ser assimilado da maneira correta. A melhor forma de solucionar essa questão é encontrar o canal de comunicação certo para atingir o público, seja ele site, aplicativos de comunicação, páginas em redes sociais, e-mail, dentre outros.

Pode-se então considerar que a criação de sistemas de informação turística é fundamental na constituição de uma base que incentive à tomada de decisão do turista e para um melhor planejamento por parte da gestão turística, tendo em vista a necessidade de criar perspectivas novas de mercado com a disponibilização online de informação.

3.1 A NECESSIDADE DA INFORMAÇÃO EM RELAÇÃO AOS EVENTOS

Os eventos se apresentam como uma experiência repleta de interação com os participantes e estimular o desejo do público em participar do evento vai além de investir no material de divulgação, é necessário aplicar uma série de estratégias que possibilitem estabelecer uma estrutura de relacionamento e confiança com o público. Por mais que o evento promovido tenha um tema interessante, é fundamental que os indivíduos se sintam envolvidos pelas características e informações disponíveis sobre o evento. Voisin (2004) afirma que elas compõem um vasto universo que podem abranger desde os mais simples e descartáveis folhetos distribuídos pelos órgãos públicos ou privados, chegando às produções cinematográficas, crôn icas

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históricas e textos de ficção. Desta forma, é necessário antes de tudo, que o participante possa ter uma visão ampliada do que compõe o evento para que ele sinta segurança e desejo em participar, e para isso são necessários métodos de marketing que melhoram a visibilidade do evento e incentivam o público.

Para Kotler (2000), ao iniciar uma estratégia de marketing, o profissional que a desenvolve deve estar atento a três situações: necessidade, desejo e demanda. A necessidade é básica e diz respeito a u ma carência do indivíduo, que para supri-la, têm desejos diferentes; para que estes desejos sejam atendidos é preciso disponibilizar recursos.

American Marketing Association (2008) afirma que: “marketing é a atividade, conjunto de instituições e processos para criar, comunicar, oferecer e trocar ofertas que tenham valor para consumidores, clientes, parceiros e para a sociedade como um todo”. Para que esta composição aconteça, é necessária a elaboração de planejamento e de estratégias de marketing de relacionamento, tendo em vista que cada cliente tem suas preferências e irá adquirir somente o que lhe cativar. Por isso um planejamento bem elaborado, estratégias bem definidas, com o propósito de satisfazer as necessidades e desejos dos seus clientes, faz com que a organização que desenvolve o evento tenha um melhor desempenho.

Kotler e Fox (1994, p.24), também afirmam que marketing é considerado:

A análise, planejamento, implementação e controle de programas cuidadosamente formulados para causar trocas voluntárias de valores com mercados alvo e alcançar os objetivos institucionais. Marketing envolve programar as ofertas da instituição para atender às necessidades e aos desejos de mercados alvo, usando preço, comunicação e distribuição eficazes para informar, motivar e atender a esses mercados.

Entretanto, o marketing aplicado aos eventos difere da propaganda, da promoção, da divulgação no ponto de venda ou das relações públicas, pois incorpora todos esses elementos e instrumentos de comunicação (BOARIA; SOUZA, 2017).

Conforme Hoyler Jr. (2004), a concepção de um evento depende das repostas certas para as seguintes perguntas:

• Por que o evento está sendo realizado e quais razões para sua realização? • Quem são os participantes que compõe o público-alvo e quais são suas

expectativas?

• Quando o evento deverá ser realizado? • Onde o evento será realizado?

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• O que compõe o produto do evento?

Essas perguntas conduzem para a compreensão sobre os benefícios e as razões do evento; seu alvo; os métodos necessários para atin gir o público-alvo; sua programação (atividades/horários/data); local onde é realizado (com acessibilidade e/ou disponibilidade de acesso ao participante); os meios de transporte; as expectativas do participante o que ele deve esperar.

Uma das ferramentas aplicadas para o segmento Turismo de Eventos é o Calendário de Eventos que objetiva unir todas essas respostas em um só documento que pode ser utilizado como fonte de dados e base de divulgação. Essa é uma ferramenta de divulgação que pode ser empregada a uma empresa, local, região ou país, comportando tanto as descrições, como costumes e atrativos que podem originar uma nova oferta turística dentro do período que o evento é realizado. Sendo assim, seu objetivo é divulgar os eventos para o público em geral e/ou específico (MARTIN, 2007).

Em 2015, para a promoção dos eventos realizados no Brasil, o MTur criou o Calendário Nacional de Eventos, tendo como objetivo divulgar os eventos brasileiros, agregando valor à imagem dos destinos, e ampliar a oferta turística (MTUR, 2018). Ainda segundo o Ministério do Turismo (2018), o Calendário Nacional de Eventos de 2017 apresentou cerca de 1.519 eventos cadastrados. Isto significa que os municípios têm se empenhado em coletar as informações sobre a oferta turística desse segmento e fornecê-las ao MTur. No entanto, ainda estão longe de revelarem a quantidade de eventos que de fato são realizados em todo território nacional.

Com base nisso, temos como proposta auxiliar as gestões municipais do estado do Rio Grande do Norte na elaboração de Calendário de Eventos, disponibilizando uma plataforma digital para a catalogação das informações pertinentes.

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4 O CALENDÁRIO DE EVENTOS COMO ESTRATÉGIA DE PLANEJAMENTO E MARKETING PARA OS MUNICÍPOS DO RN

Conforme o Governo do Estado do Rio Grande do Norte (2014), o turismo é responsável por uma das principais receitas do estado e gera cerca de 100 mil empregos. O Rio Grande do Norte é dotado de um litoral de alta beleza cênica, constituindo-se no principal atrativo turístico do estado, que tem no segmento Sol e Praia seu carro chefe. Entretanto, o estado possui outros recursos que poderiam ser melhor explorados pela atividade turística e promovidos pela gestão turística, tanto em nível estadual, regional como municipal.

O setor de eventos é uma dessas áreas que demanda maior atenção por parte dos órgãos públicos e da iniciativa privada, pois existe uma diversidade de eventos culturais, religiosos, festas populares, eventos gastronômicos, feiras, musicais, entre outros, que são pouco conh ecidos e divulgados.

E em conformidade com o Programa de Regionalização do Turismo (PRT) é preciso desconcentrar o turismo, permitindo a interiorização e a oferta de novos produtos turísticos:

Um dos objetivos do programa de regionalização é desconcentrar a oferta turística brasileira, localizada inicialmente de forma predominante no litoral, propiciar a interiorização da atividade e a inclusão de novos destinos nos roteiros comercializados no mercado interno e externo (BRASIL, 2007, p. 25).

Desde que o PRT foi instituído em 2004, pelo Ministério do Turismo, o estado do Rio Grande do Norte estabeleceu 5 regiões turísticas, que foram contempladas no Mapa do Turismo Brasileiro, denominadas: Polo Agreste-Trairi; Polo Costa Branca; Polo Costa das Dunas; Polo Seridó e Polo Serrano. Ao longo do tempo a composição dos polos sofreram alterações, mas em 2018 abarcavam 75 municípios (quadro 1).

O Mapa do Turismo Brasileiro, no entanto, não se restringe a identificar os municípios turísticos do país, mas também se constitui em um instrumento para a definição dos investimentos e planejamento do processo de interiorização e diversificação da oferta turística brasileira.

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Quadro 1. Municípios pertencentes aos Polos de Turismo do Rio Grande do Norte em 2018.

POLOS DE TURISMO DO RIO GRANDE DO NORTE AGRESTE-TRAIRÍ COSTA BRANCA COSTA DAS

DUNAS SERIDÓ SERRANO 1. Campo Redondo 2. Coronel Ezequiel 3. Jaçanã 4. Montanhas 5. Monte das Gameleiras 6. Passa e Fica 7. Santa Cruz 8. São Bento do Trairí 9. São José do Campestre 10. Serra Caiada 11. Serra de São Bento 12. Sítio Novo 13. Tangará 1. Assú 2. Af onso Bezerra 3. Areia Branca 4. Baraúna 5. Carnaubai 6. Galinhos 7. Grossos 8. Guamaré 9. Ipanguaçu 10. Itajá 11. Macau 12. Mossoró 13. Porto do Mangue 14. São Raf ael 15. Tibau 1. Baía Formosa 2. Canguaretama 3. Ceará-Mirim 4. Extremoz 5. Macaíba 6. Maxaranguape 7. Natal 8. Nísia Floresta 9. Parnamirim 10. Pedra Grande 11. Rio do Fogo 12. São Gonçalo do Amarante 13. São Miguel do Gostoso 14. Senador Georgino Avelino 15. Tibau do Sul 16. Touros 1. Acari 2. Caicó 3. Carnaúba dos Dantas 4. Cerro Corá 5. Currais Novos 6. Florânia 7. Jucurutu 8. Lagoa Nova 9. Parelhas 10. Serra Negra do Norte 1. Alexandria 2. Apodi 3. Caraúbas 4. Encanto 5. Felipe Guerra 6. Frutuoso 7. Gomes Janduís 8. José da Penha 9. Lucrécia 10. Luís Gomes 11. Major Sales 12. Marcelino Vieira 13. Martins 14. Patu

15. Pau dos Ferros 16. Portalegre 17. Riacho da Cruz 18. São Miguel 19. Serrinha dos Pintos 20. Venha-Ver 21. Viçosa Elaborado pela autora (2018).

Desta forma, acredita-se que o segmento Turismo de Eventos pode contribuir com esse processo, para a grande maioria dos municípios elencados no quadro 1, tendo em vista que os eventos contribuem para a valorização cultural da região e do município que o sedia, promove renda para a comunidade receptora, além de divulgar os atrativos locais criando uma cadeia produtiva ao seu redor (CASTRAVECHI et al., 2018).

E o calendário de eventos pode ser considerado uma forma de promover os eventos ao mesmo tempo em que se divulga a localidade e o polo de turismo, possibilitando despertar o desejo por parte do turista não só em consumir o evento em si, mas também os diversos atrativos e serviços que o município e a região dispõem.

Para a realização e compreensão da importância de um calendário de eventos como ferramenta de marketing, é preciso compreender que o evento se caracteriza como uma ação de cunho profissional fundamentada em planejamento, organização e coordenação, na qual se prima por atingir um público específico, com medidas concretas, afim de alcançar os resultados que se deseja.

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O principal passo para a concepção de um evento é saber definir claramente sua natureza, seus objetivos, os resultados esperados e as expectativas a serem atendidas, bem como a justificativa para que o evento ocorra (FORTES; SILVA, 2011).

Os eventos são uma ferramenta bastante eficiente no que se diz respeito ao equilíbrio de mercado, constituindo de ações programadas e organizadas, que tendem a fomentar o turismo local, principalmente quando há períodos ociosos de oferta turística, propiciando assim um melhor aproveitamento de serviços e divulgação de atrativos (BRITTO; FONTES, 2002).

Frente a isto, observa-se que não é aconselhável que determinado município dependa inteiramente de apenas um único produto, principalmente se ele apresentar períodos sazonais. Ele deve oferecer um leque de opções e uma das opções podem ser os eventos vinculados a datas comemorativas que possam atender os visitantes ao longo dos diferentes períodos do ano (IGNARRA, 1999).

Segundo Ferreira e Wada (2010), incentivar a elaboração de um Calendário Anual de Eventos pode organizar o contexto em que eles estão inseridos e gerar inúmeros benefícios. Uma melhor organização e planejamento faz com que não haja uma sobreposição de eventos no mesmo período, permite uma melhor distribuição de fluxo financeiro demandado e ainda permite que negociações necessárias com fornecedores e órgão competentes, intrinsicamente importantes para a realização do evento, não sejam mais relações pontuais e se tornem colaboradores contínuos, demandando menos esforços.

Assim se torna indispensável a criação de um banco de dados que reúna todos esses eventos com um registro padronizado, o qual deve ser atualizado constantemente.

A elaboração de um Calendário de Eventos Turísticos requer um processo de planejamento, tendo em vista a sua dimensão e a quantidade de informações necessárias para a sua elaboração. Entretanto, um produto de marketing como este visa gerar fluxo turístico maior a partir da divulgação de informações de interesse público como: localidade, período de realização do evento, espaço, fluxo anual, descrição e características relevantes sobre o evento, bem como público alvo, e a estrutura de apoio turístico para atendê-los. Além de informar as entidades responsáveis pela sua organização e seus respectivos contatos, especificações estas que são totalmente importantes ao turista e o ajudam na composição de seus roteiros.

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No Rio Grande do Norte alguns tipos de eventos têm ganhado ascensão, como é o caso dos eventos gastronômicos, que se utilizam do clima e dos produtos da terra para evidenciar a cultura e economia local. Exemplos são os festivais gastronômicos da região serrana, que possuem o fondue2 como principal destaque, e os festivais de

frutos do mar, produtos bastante significativos na economia das regiões costeiras. Eventos como a vaquejada e as festas de padroeiros também são característicos da cultura sertaneja potiguar. Além desses, destaca-se os carnavais, fora de época e em período regular, que acontecem em várias cidades do interior, que possuem um público regional cativo.

4.1 ELABORAÇÃO DO CALENDÁRIO DE EVENTOS

Em 2016, o MTur disponibilizou uma cartilha que auxilia no preenchimento do Calendário Nacional de Eventos bem como na elaboração de um calendário próprio dos municípios. Tendo como base a cartilha do MTur (2016) e o projeto realizado por docentes e discentes do Curso de Turismo do CERES/UFRN, o Calendário de Eventos Turísticos do Rio Grande do Norte (CDETUR-RN), desenvolvemos um formulário padrão para que os municípios do Rio Grande do Norte possam utilizar para a elaboração de Calendário de Eventos Turísticos Municipal. Também disponibilizamos um manual próprio de como o formulário deve ser preenchido, para que sigam um padrão e não desmereçam ou supervalorizem os eventos catalogados (em Apêndice). A proposta foi realizada com a finalidade de disponibilizar aos municípios que compõem o Rio Grande do Norte uma ferramenta que auxilie na promoção de seus eventos e contribua consequentemente para a promoção do turismo, em especial, no interior do estado, desconcentrando os fluxos turísticos em conformidade com o PRT.

O formulário foi construído com base em 15 perguntas que preveem dar as informações necessárias sobre os eventos catalogados, assim como possibilitar sua inserção no Calendário de Eventos Nacional.

O formulário elaborado está disposto no link:

https://forms.gle/ighTGPFknq9aj6W3A, em plataforma do Google Forms, para que os

2 Uma técnica de origem suíça a qual produtos como queijo, chocolate e caldas são aquecidos e

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órgãos oficiais de turismo municipais possam fazer cópias para o seu próprio Google Drive e Gmail e construam uma base de dados de seus eventos.

Para a proposta do Calendário foi criada uma logomarca que pode ser associada ao brasão do município. O preenchimento é completamente on -line, mas assim que preenchidos os formulários são direcionados ao e-mail do correspondente e podem ser impressos ou salvos em forma de PDF, Planilhas ou em documento Word. Entretanto a utilização da ferramenta somente se torna funcional ao órgão oficial de turismo se feita uma cópia do formulário e adicionada ao próprio Google Drive, pois assim os dados são armazenados em seu e-mail e não no e-mail disponibilizado para download do formulário.

A figura 1 apresenta a logo desenvolvida para a proposta, bem como a tela inicial de preenchimento do formulário quando acessado pelo link disponível.

Figura 1 Formulário Online para o Calendário de Eventos Municipais.

Elaborado pela autora (2019).

Para a confecção da proposta de Calendário de Eventos também foram desenvolvidas páginas de um catálogo padrão para que os municípios possam utilizar desse meio tanto de forma impressa como de catálogo digital que possa ser disponibilizado nas redes sociais das instâncias responsáveis pela pasta de Turismo de cada município, bem como as instituições privadas que também realizem os eventos, disponíveis para download através do seguinte link:

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A. Além do formulário e das páginas para a criação do catálogo, estão disponíveis também base de posts para redes sociais em formatos de Feed e Stories3 dimensionados nos tamanhos padrões de 1080x1080 pixels e 1080x1920 pixels, respectivamente. Ambos os materiais descritos estão disponíveis em CorelDraw na versão 2017, quanto em PDF, para que os materiais possam ser editados conforme a necessidade do município que o adotar. Esses materiais também estão disponíveis nos apêndices desse trabalho para uma melhor visualização e download em formato de PDF.

Figura 2. Capa do Calendário de Eventos Turístico Municipal.

3 Nomenclatura destinada aos tipos de postagens associadas as redes sociais, como Instagram, Twitter

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Elaborado pela autora (2019)

Figura 3. Proposta de posts para redes sociais.

Elaborado pela autora (2019)

É importante destacar que é necessário conhecimento em edição de documentos nesse formato, visto que o material precisará de uma configuração e atualização anual por parte dos órgãos municipais de turismo. Os documentos, formulários e propostas de posts possuem a liberdade de edição, o município que o

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adotar pode alterar seu design como desejar, apenas solicita-se que a fonte de download e a autora da pesquisa seja referenciada.

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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este trabalho buscou mostrar a importância de oferecer informações ao turista e como o Calendário de Eventos Turísticos Municipal pode potencializar destinos turísticos já existentes e possivelmente potencializar novos destinos com o segmento Turismo de Eventos.

Também se propôs a apresentar uma proposta de Calendário de Eventos Turísticos já formatada com estruturas e designs montados que possibili tem aos municípios que não possuem seus eventos catalogados usufruir e divulgá-los utilizando as Tecnologias da Informação e Comunicação. A estrutura de Calendário de Eventos proposta pode vir a ser uma configuração padrão de um catálogo anual, impresso e/ou digital, aos municípios do Rio Grande do Norte (RN) que o adotarem.

O projeto de Calendário de Eventos Turísticos proposto possibilita englobar todos os eventos planejados para o ano de um município, englobando as informações necessárias ao turista e para a sua inserção no Calendário Nacional de Eventos do MTur, promovendo assim a divulgação dos eventos e dos destinos sedes, tentando minimizar a sazonalidade turística.

Consideramos que objetivos propostos nesta pesquisa de natureza aplicada foram atingidos, ao utilizarmos os conhecimentos teóricos na elaboração de uma solução para um problema específico, nesse caso, a ausência de calendários municipais de eventos que permitam aos municípios divulgar seus eventos, atrativos e serviços turísticos.

Também consideramos importante que as instituições públicas e privadas, que idealizam e realizam eventos, tenham maior interação e criem e aprimorem ferramentas para o desenvolvimento do segmento Turismo de Eventos, visto que, por mobilizar um alto fluxo de pessoas e recursos, merece uma atenção especial e uma atualização constante de todas as ferramentas de marketing atribuídas a el e, com foco em inovação, informação e qualidade dos serviços oferecidos.

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REFERÊNCIAS

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eventos no Brasil. 2014. Disponível em:

<https://abeoc.org.br/2014/10/abeoc-brasil-e-sebrae-nacional-apresentam-um-raio-x-completo-do-setor-de-eventos-no-brasil/>.

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Releases New Definition for Marketing Press Release. Disponível em:

<https://adage.com/article/btob/american

-marketing-association-releases-definition-marketing/270184.>. Acesso em: 25 out. 2019.

ANDRADE, Bruna Laura; et all. As mídias sociais e os influenciadores digitais na promoção de destinos turísticos. Revista Anais Brasileira de Estudos em

Turismo/ ABET, Juiz de Fora, v.8, n.2, pp.32 – 42, mai/ago., 2018. Disponível em:

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Referências

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