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(2) UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO/UFRPE PRÓ-RETORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO/PRPPG Programa de Pós-Graduação Administração e Desenvolvimento Rural/PADR. A cadeia produtiva de inhame em Pernambuco: caracterização e estrutura de governança. Luciene do Nascimento Mendes Orientador: Prof. Dr. Luiz Andrea Favero. RECIFE 2010.
(3) LUCIENE DO NASCIMENTO MENDES. A cadeia produtiva de inhame em Pernambuco: caracterização e estrutura de governança. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Administração e Desenvolvimento Rural/PADR da Universidade Federal Rural de Pernambuco/UFRPE como requisito à obtenção do título de mestre em Administração e Desenvolvimento Rural.. Orientador: Prof. Dr. Luiz Andrea Favero. RECIFE 2010.
(4) FICHA CATALOGRÁFICA M538. Mendes, Luciene do Nascimento A cadeia produtiva de inhame em Pernambuco: caracterização e estrutura de governança/ Luciene do Nascimento Mendes.- Recife, PE, 2010. 131 f. :il. Orientador: Luiz Andrea Favero Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal Rural de Pernambuco – Programa de Pós-Graduação Administração e Desenvolvimento Rural. 1. Inhame – cadeia produtiva – Pernambuco. I. Universidade Federal Rural de Pernambuco. II. Título. CDD 338.13.
(5) LUCIENE DO NASCIMENTO MENDES. A CADEIA PRODUTIVA DE INHAME EM PERNAMBUCO: CARACTERIZAÇÃO E ESTRUTURA DE GOVERNANÇA. Dissertação aprovada em 25 de fevereiro de 2010 para obtenção do título de Mestre em Administração e Desenvolvimento Rural, PADR - Programa de PósGraduação em Administração e Desenvolvimento Rural da Universidade Federal Rural de Pernambuco.. Banca Examinadora:. ___________________________________________ Prof. Dr. Luiz Andrea Favero - Orientador Universidade Federal Rural de Pernambuco (PADR/UFRPE). ___________________________________________ Prof. Dr. Rodolfo Araújo de Moraes Filho Universidade Federal Rural de Pernambuco (PADR/UFRPE). ___________________________________________ Prof. Dr. Antônio André Cunha Callado Universidade Federal Rural de Pernambuco (PADR/UFRPE). ___________________________________________ Dr. Geraldo Magella Bezerra Lopes Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA).
(6) Dedico este trabalho aos meus pais, Fátima e Luis, pelo incentivo constante ao longo de minha vida e a Marlon sempre presente em todos os momentos..
(7) AGRADECIMENTOS. À Deus por me permitir ser. A meus pais pelo incentivo e apoio constantes. Ao meu esposo pela presença ininterrupta, por me fazer acreditar no possível e pelo apoio em todos os momentos de superação e de conquista. Aos amigos e familiares que torceram pela concretização de mais este desafio. Ao professor Luiz Favero pela orientação. À professora Lucia Moutinho, agradeço pela paciência e colaboração estratégica em diversos momentos da realização deste estudo, aproveitando ainda para expressar minha grande admiração. Aos professores, André Callado, Caesa Sobreira, Horst Möller, Rodolfo Moraes Filho, Romilson Cabral, Tânia Nobre e Vicentina Ramires pelos conhecimentos apreendidos ao longo desta jornada. Aos funcionários do PADR pela colaboração em diversos momentos ao longo do curso de mestrado. Aos colegas e amigos de turma pelos inúmeros momentos de aprendizagem, alegria e descontração, bem como pelos desafios enfrentados. Aos colegas e alunos do CODAI pelo incentivo para a realização deste curso. Agradeço ainda à todas as pessoas envolvidas de alguma forma no desenvolvimento deste trabalho, sem as quais a realização deste estudo não seria possível e das quais me eximo de citar os nomes, pois, foram muitas e corro o risco de esquecer algum nome, são estes: agricultores, técnicos e agrônomos, pessoal do IPA, das secretarias de agricultura, dos sindicatos, da CEASA – Pernambuco, os permissionários, da CEAGESP, da Perpart, pessoal do varejo, redes varejistas, exportadores, entre outros. A aqueles que muito colaboraram neste desafio, Rejane, Jearbes, Sérgio, George, Clarisse. Agradeço ainda à instituição Universidade Federal Rural de Pernambuco pelas oportunidades a mim proporcionadas, tanto no CODAI como no PADR..
(8) “Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho, há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas.” Machado de Assis.
(9) Resumo. O inhame faz parte da cultura e tradição nordestina como componente da culinária local. Apesar de não se encontrar entre as commodities de exportação, tem grande importância sócio-econômica, gerando emprego e renda. Neste sentido, Pernambuco destaca-se no Nordeste brasileiro como o maior produtor e grande consumidor. Contudo, poucos são os estudos e esforços voltados para a cultura do inhame especialmente em termos de coordenação da cadeia e dos mercados. Diante deste panorama, o presente estudo tem por objetivo geral, caracterizar a cadeia produtivo do inhame e compreender como se estrutura a sua governança no Estado de Pernambuco. Para tanto, foi realizada pesquisa qualitativa-exploratória por meio de estudo de caso junto aos agentes componentes da cadeia em questão, fundamentada nos conceitos de cadeia produtiva e estrutura de governança. A pesquisa foi realizada em três municípios, Bonito, Gravatá e Vicência, além de Recife onde se encontram a maioria das organizações componentes da cadeia produtiva. Ao longo do trabalho percebeu-se que a cadeia é desorganizada, não havendo boa coordenação entre os agentes afetando negativamente a estrutura de governança. Fatores como falta de um sistema de classificação e padronização oficial, influi negativamente na qualidade do produto ofertado. Trazendo prejuízos para a cadeia como um todo. Contudo, a questão da qualidade do inhame pode ser desenvolvida a partir do segmento varejista, caracterizado como. segmento. determinante. na. coordenação. da. cadeia. produtiva,. conjuntamente com o segmento exportador para melhorar a coordenação, logo a estrutura de governança de toda a cadeia. Implementando um sistema de classificação e padronização a partir do segmento atacadista. Sendo uma ação conjunta com o ambiente organizacional e respaldado pelo ambiente institucional, nos diversos níveis. E junto a isto, esforços voltados à melhoria do manejo produtivo no segmento produtor, podem trazer benefícios para a cadeia produtiva como um todo.. Palavras-chave: inhame, cadeia produtiva, estrutura de governança.
(10) Abstract The yam is part of the culture and tradition of the Brazilian Northeast as part of the local cuisine component. Although not among the export commodities, has great social and economic importance, generating jobs and gains. In this sense, Pernambuco is pointed out in northeastern Brazil as the largest producer and major consumer. However, there are few studies and efforts aimed at the cultivation of yams, especially in terms of co-ordination of the market. Facing this scenario, this study has the aim to characterize the yam productive chain and to understand how the governance of the main links of the production of yam is structured in the state of Pernambuco. And so in order to identify these points, a qualitative-exploratory research was accomplished by a study of case of the components of the chain in question based in productive chain and governance structure concepts. The survey was conducted in three cities, Bonito, Gravatá and Vicência, beyond Recife where are most organizations of the supply chain. Along the work, it was noticed that the chain is disorganized and there isn’t good coordination between the agents, negatively affecting the governance structure. Factors such as lack of an official classification system and standardization officer, has negative impact on quality of products offered. However the question of yam quality can be developed by the retailer segment, characterized as determinant in coordinating the supply chain, jointly with the exporter segment to improve the co-ordenation, therefore the governance structure. of. all chain.. Implementing. a. system of. classification. and. standardization by the wholesaler segment. As a joint action with the organizational environment and backed by the institutional environment at various levels. And with this, efforts aimed at improving the productive handling on producer segment, can bring benefits to the productive chain as a whole.. Key-words: yam, supply chain, governance structure.
(11) LISTA DE ILUSTRAÇÕES. Figura 1 Área plantada de inhame no Mundo (em mil hectares) e no Brasil (em hectares). 18. Figura 2. 28. Mesorregiões de Pernambuco. Figura 3 Vinte maiores municípios pernambucanos produtores de inhame em 2006. 30. Figura 4. Esquema de uma cadeia de produção agroindustrial. 39. Figura 5. Modelo geral de uma cadeia produtiva. 40. Figura 6. Esquema de três níveis. 46. Figura 7. Localização dos municípios pesquisados. 59. Figura 8. Modelo geral da cadeia produtiva de inhame. 61. Quadro 1 Atributos do processo de contratação. 62. Quadro 2 Informações gerais sobre os agricultores de Bonito. 72. Figura 9. 73. Plantio de inhame em Bonito Plantio de inhame e cará em Gravatá. 76. Quadro 3 Informações gerais sobre os agricultores de Gravatá. 77. Quadro 4 Informações gerais sobre os agricultores de Vicência. 80. Figura 11 Plantio de inhame em Vicência. 82. Figura 12 Evolução dos preços por quilo do inhame na CEASA-PE.. 87. Quadro 5 Sazonalidade do inhame em diversas centrais de Abastecimento em 2008. 88. Figura 13. 89. Figura 10. Inhame conforme a classificação. Figura 14 Preços médios mensais de inhame e cará entre 2004 e 2008. 91. Figura 15 Esquema da cadeia produtiva do inhame em Pernambuco. 98.
(12) LISTA DE TABELAS. Tabela1 Composição química média do inhame (Dioscorea cayennensis Lam.) em percentagem para 100g de porção comestível 16 Tabela 2 Balanço das exportações e importações de inhame entre continentes, produção par o ano de 2007 e consumo per capita anual para o ano de 2005 20 Tabela 3 2008. Maiores produtores mundiais de inhame para o ano de. Tabela 4 2007. Maiores exportadores mundiais de inhame para o ano de. Tabela 5 2007. Maiores importadores mundiais de inhame para o ano de. Tabela 6. A importância da cultura do inhame na região Nordeste. 21. 23. 24 25. Tabela 7 Municípios pernambucanos com maior produção de inhame em 2006. 29. Tabela 8 Informações gerais sobre os municípios pesquisados para o ano de 2007. 69. Tabela 9 Quantidade de inhame comercializada na CEASA-PE em 85 toneladas Tabela 10. Procedência do inhame comercializado na Ceasa Pernambuco para o ano de 2008 131.
(13) LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS. ABAG - Associação Brasileira do Agribusiness CD – Central de Distribuição CGIAR - Consultative Group on International Agriculture Research CREA – Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia CSA - Commodity System Approach CEASA - Central de Abastecimento CONDEPE/FIDEM - Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco EBAPE - Empresa de Abastecimento e Extensão Rural de Pernambuco EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária EMATER-PE - Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Pernambuco EMATER-AL - Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Alagoas EPI – Equipamento de Proteção Individual ETC - Economia de Custos de Transação FAO - Food and Agriculture Organization FLV – Frutas, legumes e verduras FNERural - Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste Rural IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística INCRA - Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária IPA – Instituto Agronômico de Pernambuco NEI - Nova Economia Institucional.
(14) PAA - Programa de Aquisição de Alimento PENSA/USP - Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial da Universidade de São Paulo PIB – Produto Interno Bruto PROAGRO – Programa de Garantia da Atividade Agropecuária PRONAF – Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar.
(15) SUMÁRIO. 1 INTRODUÇÃO 1.1 ASPECTOS GERAIS DA CULTURA DO INHAME 1.1.1 Breve histórico da cultura do inhame 1.1.2 Situação atual da cultura do inhame no Mundo e no Brasil 1.1.3 A cultura do inhame no Nordeste 1.1.4 A cultura do inhame em Pernambuco 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivo Geral 1.2.2 Objetivos Específicos. 14 15 15. 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 CADEIA PRODUTIVA: CONCEITUAÇÃO E CONTEXTUALIZAÇÃO 2.2 ESTRUTURAÇÃO E COORDENAÇÃO DA CADEIA PRODUTIVA 2.3 A ESTRUTURA DE GOVERNANÇA. 33 33. 3. 54. METODOLOGIA. 17 24 27 32 32 32. 38 44. 3.1. Tipologia da pesquisa e instrumentos de coleta de dados. 54. 3.2. Determinação dos atores e locais de pesquisa 3.3. Variáveis captadas, modelos e técnicas de analise qualitativa. 56 60. 4 4.1. 64 64. RESULTADOS E DISCUSSÃO A CADEIA PRODUTIVA DO INHAME. 4.1.1 O ambiente institucional e o ambiente organizacional. 64. 4.1.2 Os insumos. 68. 4.1.3 A produção 4.1.4 O atacado 4.1.5 O varejo 4.1.6 A exportação 4.1.7 O consumidor 4.2 A ESTRUTURA DE GOVERNANÇA NA CADEIA PRODUTIVA. 69 84 92 95 97 100. 5. 105. CONCLUSÃO.
(16) 6. REFERÊNCIAS. 7. APÊNDICE. 8. ANEXO. 108 119. 131.
(17) 1. INTRODUÇÃO. De origem africana o inhame vem sendo utilizado ao longo dos anos como fonte de alimento inicialmente para as populações carentes, devido as suas características alimentares, inclusive no Brasil desde o período de colonização. Atualmente apresenta preços elevados e é consumido em grande parte do Nordeste brasileiro por já ser incorporado à culinária e tradição local. No Nordeste, o estado de Pernambuco se destaca como maior produtor e grande consumidor de inhame (IBGE, 2010). Este produto é reconhecido como fonte geradora de renda e emprego, afetando positivamente a agricultura familiar, contribuindo para o desenvolvimento rural, e cuja importância se reflete na cultura local e nos hábitos de consumo alimentar, destacando-se assim em termos sócioeconômicos (CARMO, 2002). Contudo, apesar de sua relevância, pelo fato do inhame por não estar incluído no roll de culturas destinadas à exportação, e no caso específico de Pernambuco, por grande parte da atenção dos órgãos governamentais voltados a produção agrícola se encontrar dedicada à cana-de-açúcar e a fruticultura irrigada, pouco crédito tem sido dado ao inhame pelos órgãos oficiais de pesquisa e extensão, sendo poucos os estudos dedicados à cultura no estado. Assim, dada a significância do inhame em termos sócio-econômicos e culturais para o Estado de Pernambuco, é importante conhecer como está caracterizada a cadeia produtiva deste e entender como se encontra organizada a estrutura de governança da mesma. Neste sentido, este estudo se apresenta dividido nesta introdução, a qual inicialmente encontra-se sub-dividida em duas seções, a primeira tratando dos aspectos gerais da cultura do inhame: histórico e importância mundial, nacional, para o Nordeste brasileiro e para Pernambuco, justificando sua importância e a segunda trazendo os objetivos deste trabalho. O segundo capítulo é destinado ao referencial teórico deste estudo, tratando dos conceitos e contextualização de cadeia produtiva, da estrutura e coordenação da cadeia produtiva e da estrutura de governança. O terceiro capítulo trata da 14.
(18) metodologia. O quarto capítulo contempla os resultados e análises obtidas neste estudo, conforme o referencial e metodologia. E,finalmente, a conclusão. 1.1. Aspectos gerais da cultura do inhame Nesta seção estão dispostos alguns aspectos gerais sobre a cultura do inhame, inicialmente com um breve histórico, seguido da situação atual do inhame no mundo e no Brasil, consecutivamente outro item tratando da cultura no Nordeste e finalmente em Pernambuco. 1.1.1. Breve histórico da cultura do inhame O inhame também denominado cará-da-Costa (Dioscorea cayennensis Lam.) ou inhame da Costa, é uma planta da família das Dioscoreaceas. Tem sua origem na Ásia, mas se difundiu também no continente Africano e na América Latina (MESQUITA, 2001). Esta denominação, da Costa, refere-se a uma alusão a Costa africana, principal centro de dispersão da cultura (MESQUITA, 2002). Andrade (1977), contudo, classifica o inhame como cultura de subsistência ou como agricultura itinerante, pelo fato de ter sido cultivado por povos primitivos nas selvas equatoriais e tropicais, pigmeus na África do Sul, indígenas na América do Sul e os papuas na Guiné. Ao longo dos séculos, o inhame tem constado no cardápio de diversas civilizações, inclusive na Índia e antigo Egito, no qual era alimento de faraós. No Brasil os primeiros relatos são do período de colonização portuguesa, pelo trânsito de mercadorias entre a costa africana a caminho da Índia (MESQUITA, 2002). Caracteriza-se por ser tuberosa eminentemente calórica rica em carboidratos, capaz de proporcionar energia para populações carentes. Contudo, seu uso não se restringe apenas na utilização como alimento, mas também apresenta importante função no uso medicinal, bem como, possibilidades de uso industrial (SANTOS, 1996). Mesquita (2002) destaca dentre os usos medicinais a utilização na síntese de cortisona e hormônios esteróides. Santos (1996) ilustra bem as qualidades nutricionais do inhame, como pode ser observado na Tabela 1. É fonte de carboidratos, além de ser rico em sais minerais, em especial potássio, sódio, magnésio e fósforo, e de conter valores discretos de vitaminas A, C e as do complexo B. 15.
(19) Cultivado especialmente em áreas de clima tropical e sub-tropical, o inhame é considerado para a África Subsaariana a segunda raiz/tubérculo mais importante, ultrapassado apenas pela mandioca, sendo considerado uma importante commodity agrícola (CGIAR, 2009).. Tabela 1. Composição química média do inhame (Dioscorea cayennensis Lam.) em percentagem para 100g de porção comestível Parâmetro. Percentual. Umidade. 73,60. Carboidratos. 22,75. Gorduras. 0,15. Proteínas. 1,74. Fibras. 0,69. Fonte: Santos (1996).. No continente africano, o inhame é consumido de várias formas, cozido ou como farinha. Em função de sua capacidade de armazenamento (períodos de 4 a 6 meses, em temperatura ambiente) representa importante alternativa para os períodos de escassez de alimentos e devido a suas qualidades palatáveis alcança uma expressiva valorização econômica (CGIAR, 2009). Alimento de destaque, tanto por seu valor nutricional como por seu valor comercial, apresenta grande expressão nos países de clima tropical. No Brasil, como atestam Peixoto Neto e Lopes Filho (2000), serviu de alimento à população de vilas, aldeias e cidades desde o período colonial. Bueno (2006) ressalta a sua utilização no Brasil colonial como alimento das populações indígenas, especialmente os Pataxós do Nordeste do Brasil, mais propriamente Bahia, concomitantemente a outras raízes, como mandioca, a batata-doce, frutas, entre outros. Atualmente, juntamente com culturas tradicionais como a mandioca, feijão, milho, batata-doce, entre outras, vem sendo cultivado ao longo dos anos por agricultores familiares1 no Brasil, destacando-se especialmente aqueles do Nordeste do país (MENDES et al., 2005). 1. Não há um único e definitivo conceito sobre agricultura familiar; a multiplicidade de aspectos a serem levados em consideração e as diversas características regionais e locais, contribuem para aumentar esta dificuldade. A agricultura familiar é um dos tipos de organização agrícola mais. 16.
(20) A cultura, embora não seja relevante no que se refere à balança comercial do país, se destaca do ponto de vista sócio-econômico, pois, apresenta lugar assegurado na história da alimentação humana e do trabalho. Expressa-se como fornecedora de matéria-prima alimentar para populações rurais de baixa renda que a cultiva, além de se mostrar como absorvedora de mão-de-obra (PEIXOTO NETO e LOPES FILHO, 2000). Ademais, se constitui em uma alternativa econômica viável para toda cadeia produtiva devido ao preço elevado alcançado, quando comparado com outras raízes. Em alguns momentos o quilo do inhame chega a ser comercializado no varejo a valores próximos de R$ 4,00, valor considerado elevado, logo, podendo contribuir para o desenvolvimento de todos os agentes envolvidos em sua produção e comercialização.. 1.1.2. Situação atual da cultura do inhame no Mundo e no Brasil Tanto em termos mundiais como em relação ao Brasil a produção do inhame vem crescendo gradativamente. A Figura 1 permite ter uma idéia deste crescimento no decorrer dos anos, ressalta-se que para facilitar a visualização dos dados, os valores de hectares correspondentes a área plantada mundial encontra-se em mil hectares, enquanto os dados referentes a Brasil encontram-se descritos em hectares. Outra ressalva deve ser realizada em relação à validade destes dados, embora sejam provenientes de órgãos oficiais, como a FAO e IBGE e sendo os únicos disponíveis, é importante lembrar que os dados são estimativas e nem. importante e representativo para o Brasil; segundo dados apresentados por Guanziroli e Cardim (2000) representa 85,2% do total de estabelecimentos, ocupa 30,5% da área total e é responsável por 37,9% do Valor Bruto da Produção Agropecuária Nacional, recebendo apenas 25,3% do financiamento destinado a agricultura. Em estudo realizado pelo INCRA/FAO foram identificados quatro tipos de agricultura familiar (agricultores capitalizados, em processo de capitalização, em descapitalização e descapitalizados) que pode ser definida por três características centrais: a) a gestão da unidade produtiva e os investimentos nela realizados são feitos por indivíduos que mantêm entre si laços de sangue ou de casamento; b) a maior parte do trabalho é igualmente fornecida pelos membros da família; c) a propriedade dos meios de produção (embora nem sempre da terra) pertence à família e é em seu interior que se realiza sua transmissão em caso de falecimento ou de aposentadoria dos responsáveis pela unidade produtiva (GUANZIROLI e CARDIM, 2000). Em um conceito mais simplista Silva e Portella (2006), generalizam o conceito de agricultura familiar como sendo a forma de cultivo agrícola que tem por características: o cultivo em pequenas extensões de terra, utiliza a mão-de-obra familiar, ocorre grande diversificação de cultivos, e cuja produção é direcionada em sua grande parte para a alimentação da própria família.. 17.
(21) sempre exprimem completamente a realidade, como ocorre comumente na maioria dos dados secundários advindos de censos e outras formas de amostragem. A limitação se estende também a atualização dessas informações, no caso dos dados da FAO, os mais novos referem-se a 2008, sendo os dados de importação e exportação referentes a 2007 e consumo per capita 2005. Quanto ao IBGE, embora um novo censo tenha sido realizado em 2006, só foram divulgados os dados sobre inhame em janeiro de 2010, mesmo assim os dados não contemplam área colhida, apenas quantidade produzida, quantidade vendida e valor da produção. Neste sentido parte dos dados apresentados neste trabalho são referentes ao censo de 1996.. Área Plantada em ha. 4.023,556 mil. 4.927,802 mil. 2.235,379mil 1.360,078mil 2.061,205mil 25.000. 23.500. 27.000. 19.700 13.700 1970. 1980. 1990 Brasil. 2000. 2008 Anos. Mundo. Figura 1. Área plantada de inhame no Mundo (em mil hectares) e no Brasil (em hectares) Fonte: Adaptado de FAO (2009).. Em relação à quantidade produzida também houve crescimento. Em 1970 mundialmente foram produzidos 17.428.361 toneladas e no Brasil 124.000 toneladas. Em 2008 estes valores evoluíram para respectivamente 51.728.233 toneladas e 250.000 toneladas, no mundo e no país, um aumento de quase três vezes na produção total e pouco mais de duas vezes a produção no país (FAO, 2009). 18.
(22) A produtividade mundial em 1970 foi algo em torno de 8.455 kg/ha e no Brasil 9.051 kg/ha e em 2008 alcançou os seguintes patamares: 10.497 kg/ha para a produtividade mundial e para o Brasil 9.259 kg/ha. Assim, inicialmente a produtividade brasileira era maior que a mundial, fato que se modificou com o tempo (FAO, 2009). Possivelmente isto ocorreu devido a um maior investimento em tecnologia nos países africanos a partir da década de 1990, onde se concentra a maior parte da produção mundial, comparativamente com décadas passadas. Em se tratando da produtividade, embora o valor médio obtido no Brasil seja próximo da produtividade média mundial, existem citados na literatura casos em que a produtividade chega a 25.000 kg/ha (SANTOS, 1996). Em 2008 segundo os dados da FAO (2010) as maiores produtividades alcançadas foram obtidas pelo país africano Mali 25.714 kg/ha, seguido das Ilhas Salomão com 23.077kg/ha localizadas na Oceania e Japão com 21.579kg/ha no continente Asiático. A baixa produtividade segundo Carmo (2002) deve-se normalmente, pelo menos no caso brasileiro, ao manejo inadequado da cultura, com a utilização de técnicas agronômicas defasadas, o uso de sementes (ou túberas-sementes) de baixa qualidade2 no plantio e o baixo poder aquisitivo dos agricultores para investir apropriadamente na lavoura. Segundo dados disponíveis, atualmente no mercado internacional do inhame a hegemonia da produção se concentra no continente africano, o qual responde por 95,95% do total produzido mundialmente. Notadamente, os três maiores produtores mundiais são: Nigéria, Costa do Marfim e Gana. Estes são responsáveis por mais de 87,95% da produção mundial, algo em torno de 45,5 milhões de toneladas anuais (dados referentes ao ano de 2008), sendo o consumo per capita africano para 2005 de 20,63 kg/ano (FAO, 2009). Na Tabela 2 podem ser observados os dados referentes à produção, importação e exportação para o ano de 2007, além de consumo per capita para o ano de 2005. Nela se observa o elevado consumo per capita no continente africano,. 2. A qualidade da túbera semente está relacionada a infestação por patógenos como fungos, bactérias e em especial os nematóides, a presença destes causam a redução da produtividade do inhame. No caso pernambucano as espécies que mais causam danos são: Meloidogyne spp., Scutellonema bradys e Pratylenchus coffeae (TESSON, 2004).. 19.
(23) muito superior ao dos demais continentes, além de um gap significativo entre quantidades importadas e exportadas. Tabela 2. Balanço das exportações e importações de inhame entre continentes, produção para o ano de 2007 e consumo per capita anual para o ano de 20053 Produção. Importação. Exportação. Consumo per. (t). (t). (t). capita kg/ano. África. 44.687.929. 7.482. 1.034. 20,63. América. 1.285.123. 34.984. 15.303. 1,41. 234.265. 80. 76. 0,05. Europa. 2.650. 248. 0. 0. Oceania. 363.655. 0. 1.272. 1,58. Mundo. 46.573.622. 42.794. 17.685. 3,09. Continente. Ásia. Fonte: Adaptado de FAO (2009).. Neste sentido, pode haver por parte de alguns países, importação e posterior exportação como indicado por Mesquita (2002) para os seguintes países: EUA, Holanda, Austrália, Espanha, Reino Unido, Bélgica-Luxemburgo, Nova Zelândia, Grécia, Taiwan, Canadá, Alemanha, Indonésia, Itália, Coréia do Sul, África do Sul, Suécia, Hong-Kong, Argentina e Áustria. No caso de Portugal, por exemplo, em 2005 segundo dados da FAO (2009), ocorreu importação de inhame de países que não aparecem como produtores ou entre os maiores exportadores como França, Países Baixos, Espanha e Japão. Esta re-exportação não é necessariamente interessante para os países produtores, pois, não cria relações comerciais junto aos países que importam de terceiros. Segundo Mesquita (2002) trata-se de uma apropriação de parcela significativa do lucro e da renda fundiária, significando perdas para os países produtores. Segundo dados da FAO (2009), o Brasil, destacou-se como o segundo maior produtor da América do Sul em 2008 - ver Tabela 3 - sendo ultrapassado em volume 3. Segundo a Tabela 2, construída a partir dos dados obtidos junto a FAO (2009), não consta importação de inhame pelo continente asiático, e as informações sobre exportação e consumo per capita europeus também não foram detectadas. Entretanto, não se pode afirmar que não existe, por exemplo, consumo de inhame no continente europeu, os valores pode ser eventualmente mínimos a ponto de não serem computados. É importante, portanto, relativizar estas informações. O próprio Mesquita (2002) trata alguns países europeus, como Holanda, Espanha, Reino Unido, como importadores e exportadores.. 20.
(24) produzido apenas pela Colômbia, décimo maior produtor mundial, cuja produção foi de mais de 265 mil toneladas, representando 0,51% da produção mundial. No caso colombiano, o consumo da produção local de inhame abastece basicamente o mercado interno. No caso brasileiro, conforme afirma Mesquita (2002), ocorre tanto o consumo doméstico como a exportação do produto, contudo, a participação brasileira no mercado internacional ainda é tímida, de 0,6%. A produção brasileira de inhame vem crescendo ao longo dos anos. Em 2008, o Brasil foi o décimo-primeiro maior produtor mundial (ver Tabela 3), possivelmente em função do aumento da demanda (MESQUITA, 2002) e dos bons preços alcançados pela cultura quando comparado com outras raízes como batata-doce e abobora ou jerimum (CEASA PERNAMBUCO, 2010; CEAGESP, 2010). Em 1975 a produção era de 150 mil toneladas; em 2005 a produção alcançou 230 mil toneladas e em 2008 chegou a 250 mil toneladas (FAO, 2009).. Tabela 3. Maiores produtores mundiais de inhame para o ano de 2008 Países Nigéria Costa do Marfim. Produção em tonelada. (%). 35.017.000. 67,69. 6.932.950. 13,40. Gana. 3.550.000. 6,86. Benin. 1.802.944. 3,49. Togo. 638.087. 1,23. Chad. 405.000. 0,78. Republica Central Africana. 370.000. 0,72. Papua Nova Guiné. 310.000. 0,60. Camarões. 300.000. 0,58. Colômbia. 265.752. 0,51. 250.000. 0,48. 1.886.500. 3,65. 51.728.233. 100,00. Brasil Outros Países Mundo Fonte: Adaptado de FAO (2009).. A comercialização do inhame brasileiro ocorre em sua maior parte visando o consumo interno, sendo muito relacionado à questão cultural. A maior parte da produção nacional é realizada na região Nordeste. O consumo per capita anual 21.
(25) brasileiro encontra-se em torno de 2 kg/ano, portanto, abaixo de média mundial de 2,8 kg/ano, considerando-se o ano de 2003 (FAO, 2006). No caso da comercialização interna do Brasil é comum ocorrer confusão com a nomeclatura utilizada popularmente para o inhame entre as regiões NorteNordeste e Sul-Sudeste. O que é considerado inhame (Dioscorea sp) nos estados nordestinos é denominado cará nos estados do Sul e Sudeste, da mesma forma o que é conhecido como internacionalmente como taro (Colocasia esculenta) nos Estados do Sudeste do país é denominado de inhame. Tratam-se de espécies diferentes, e tal fato traz frequentes confusões na coleta de dados dos órgãos oficiais como IBGE, como relata a Associação Brasileira de Horticultura (2001) e Silva e Oliveira (2002). De forma geral, o taro é consumido com freqüência no Sudeste do país, enquanto o inhame e cará ambos Dioscoreaceas (porém espécies distintas) são mais consumidos pelos Estados nordestinos. Foi proposta uma padronização em 2001, pela Associação Brasileira de Horticultura, mas continuam ocorrendo problemas de nomeclatura (CARMO, 2002). Na Tabela 4 pode-se observar os maiores exportadores mundiais de inhame para o ano de 2007. Segundo os dados da FAO (2009), o Brasil aparece como o segundo maior exportador, correspondendo a 30,06%. do total exportado. mundialmente, sendo ultrapassado apenas pela Jamaica, esta correspondendo a 54,62% das exportações no mundo. Conforme os dados da FAO (2009) o Brasil exportou inhame para os seguintes países em 2005: EUA, Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, Países Baixos, Canadá, França, Bélgica, Espanha e Cabo Verde. Contudo, segundo Carmo (2002) ocorre deficiência na comercialização externa do produto devido à irregularidade da oferta e ausência de classificação e padronização do produto. Em mais de quarenta anos, a maior quantidade exportada pelo Brasil ocorreu em 2004, foram 8.955 toneladas exportadas, para o ano de 2007 foram 5.316 toneladas, algo em torno de 5,5 milhões de dólares para o Brasil (FAO, 2009). É importante salientar que assim como ocorrem em outras culturas hortícolas, não há ainda padrão definido para determinar a qualidade do inhame em termos de Brasil. Contudo, a CEAGESP vem desenvolvendo este padrão conforme aspectos relacionados a grupo (cor de polpa), classe (tamanho mensurado em massa da 22.
(26) túbera em gramas) e categoria (existência ou ausência de defeitos), embora este se destine ao taro (Colocasia esculenta).. Tabela 4. Maiores exportadores mundiais de inhame para o ano de 2007 Países Jamaica. Produção em t.. (%). 9.661. 54,62. 5.316. 30,06. 1.272. 7,19. 802. 4,53. Republica Dominicana. 181. 1,02. Dominica. 133. 0,75. Benin. 130. 0,73. Nigéria. 78. 0,44. Filipinas. 76. 0,42. Senegal. 19. 0,10. 17.685. 100,00. Brasil Tonga Costa do Marfim. Mundo Fonte: Adaptado de FAO (2009).. Existem ainda algumas tentativas no âmbito da pesquisa, como no caso de Garrido (2005), cujo trabalho, identifica por meio de características visuais, peso, diâmetro e comprimento, as túberas em tipo padrão e tipo deformado. Assim como, Santos (1996) que explicita a qualidade conforme o peso para o mercado destino. Não obstante, empiricamente agricultores e agentes relacionados à comercialização, tanto interna quanto externa, identificam o inhame em “borréia” (aquele tubérculo com baixa qualidade), padrão (aquele tubérculo com qualidade) e tipo exportação (cuja qualidade seria superior ao “grupo” anterior, destinado à exportação). Na Tabela 5 podem ser observados os maiores importadores mundiais de inhame. Nela os Estado Unidos consta como maior importador de inhame em 2007, adquirindo cerca de 81,44% do montante importado. Logo em seguida aparecem Mali (14,06%), Tonga (3,24%), Portugal (0,58) e Brasil em quinto lugar com 0,15% do montante importado mundialmente. Em 2005 o Brasil importou inhame dos EUA (FAO, 2009).. 23.
(27) Tabela 5. Maiores importadores mundiais de inhame para o ano de 2007 Países. Produção em t.. (%). EUA. 34.852. 81,44. Mali. 6.019. 14,06. Tonga. 1.386. 3,24. 248. 0,58. 64. 0,15. 51. 0,11. 50. 0,11. 47. 0,10. 33. 0,07. 17. 0,04. 42.794. 100,00. Portugal Brasil Trindade Tobago Burkém Faso China Maldivas Barbados Mundo Fonte: Adaptado de FAO (2009).. Entretanto, Mesquita (2002) e Mendes e et al. (2005) observam que existe uma demanda mundial de importação superior a quantidade ofertada para exportação. O que pode ser averiguado também nos dados provenientes da FAO para 2005 dispostos na Tabela 2, e pelos dados mundiais para o ano de 2007 de exportação (17.685 toneladas) e importação (42.794 toneladas) observados nas Tabelas 4 e Tabela 5. Significando a possibilidade de aumentar o ganho financeiro com a exportação do inhame, o que pode repercutir na melhoria de vida das populações envolvidas na produção do inhame, inclusive o Brasil. 1.3. A cultura do inhame no Nordeste brasileiro Estudos realizados por Mesquita (2001), Carmo (2002) e Silva (2002), confirmam o fato de o cultivo do inhame ocorrer predominantemente na agricultura familiar, sendo constatado o crescimento substancial no número de produtores e da área plantada. A Tabela 6 permite conceber uma idéia da importância da cultura na região Nordeste, pelos dados de área colhida em hectares, quantidade produzida em toneladas para o ano de 1996, quantidade produzida em 2006 e aquisição domiciliar per capita anual em quilos para o ano de 2003. 24.
(28) Tabela 6. A importância da cultura do inhame na região Nordeste Estado. Área colhida. Quantidade. Quantidade. Aquisição. (ha) em. produzida (t). produzida (t). domiciliar per. 1996. em 1996. em 2006. capita em 2003. Pernambuco. 1.672,6. 11.735. 16.574. 3,004. Paraíba. 4.283,9. 17.852. 8.441. 2,077. 947,1. 4.196. 6.643. 0,201. Alagoas. 1.093,6. 6.808. 2.872. 2,996. Sergipe. 200,3. 1.329. 3.464. 1,256. Maranhão. 843,9. 5.021. 178. 0,244. Ceará. 6,4. 41. 57. 0,010. Rio G. do Norte. 59,5. 311. 27. 0,243. Piauí. 12,2. 31. -. 0,009. Bahia. Fonte: adaptado de IBGE (2010) Censo Agropecuário e Pesquisa de Orçamentos Familiares.. De acordo com dados apresentados, é possível observar a relevância da cultura para os Estados de Pernambuco, Paraíba, Alagoas e Sergipe no que diz respeito a produção e consumo, bem como para os Estados do Maranhão e Bahia na produção. Contudo, certa ressalva deve ser realizada no que se refere aos dados de aquisição domiciliar, pois, estes se restringem ao alimento adquirido (comprado) não englobando o consumo de subsistência, tão comum na agricultura familiar e não considerando também o consumo em refeições preparadas e/ou consumidas fora do domicílio. Pelos dados expostos na Tabela 6, pode-se observar uma inversão de posição no que se refere a quantidade produzida entre Paraíba, maior produtor em quantidade no ano de 1996 com 17.852t, e Pernambuco então segundo maior produtor com 11.735t. Dez anos após este posicionamento se inverte, com o Estado pernambucano em primeiro lugar em quantidade produzida com 16.574t e Paraíba descendo ao segundo lugar com 8.441t produzidas. Esta inversão já vinha sendo relatada em parte por Santos (2002). Este autor comenta sobre a progressiva queda na produção do inhame paraibano, apontando como causas desta tendência descendente a elevação do custo de produção devido ao aumento no preço da túbera-semente, (a qual representa 60% do custo de 25.
(29) produção), e a ocorrência de doenças como aquelas provocadas por nematóides (como a casca preta), o que reduz a produção e o preço de venda do inhame. Considerando os três maiores produtores de inhame, Pernambuco, Paraíba e Bahia, os municípios que apresentaram maior importância no cultivo do inhame para o ano de 1996 foram: Bonito, Condado, São José da Coroa Grande e Igarassu representando 63,6% da produção pernambucana; Pitimbu, São João do Rio do Peixe, Sapé, Conde e Caapora corresponderam a mais de 66% da produção obtida na Paraíba; e Maragogipe, São Felix, São Felipe e Cruz das Almas, todos localizados no Recôncavo baiano apresentaram um montante proporcional a 92,2% do total produzido na Bahia (IBGE, 2006). Em estimativa semelhante considerando os dados do IBGE para o senso de 2006, tem-se em destaque os seguintes municípios: Bonito, Cupira, Barra de Guabiraba e Amaraji correspondendo a 75,09% da produção em Pernambuco; Alhandra, Pitimbu, Pedra de Fogo e Conde na Paraíba representando 48,23% da produção; e Maragogipe, São Felix, São Felipe e Cruz das Almas representando 98,49% da produção baiana (IBGE, 2010). É interessante observar o fato de que os Estados de maior importância quanto à produção do inhame atualmente são aqueles, cujo, plantio da cana-deaçúcar se destacou no período de colonização do país. Isto evidencia a forte presença da cultura africana, onde até hoje a túbera representa a base da cultura alimentar. Segundo Cruz e Macedo (2009), a tradição do cultivo do inhame em parte vem da forte influência da religiosidade africana, sendo utilizado como oferenda aos orixás no candomblé. Ainda considerando o aspecto cultural, a túbera está relacionada na lista de alimentos da culinária regional brasileira mais corriqueiramente consumidos, conforme atesta estudo desenvolvido por Barbosa (2007). Neste trabalho, realizado em dez cidades brasileiras, o inhame aparece ao lado de outros oito alimentos considerados regionais (macaxeira, batata-doce, arroz-de-carreteiro, porpeta, polenta, moqueca de peixe, cuscuz, baião de dois e caruru). A relação entre alimentação e cultura é muito forte e amplamente estudada no campo acadêmico, especialmente dentro dos enfoques histórico, social e antropológico. Conforme Craíde e Fantinel (2009) e Barbosa (2007) o consumo de alimentos está fortemente relacionado a outros fatores que não somente o 26.
(30) nutricional permeando as necessidades biológicas, mas relacionado também ao caráter cultural, social e ideológico. É a expressão do passado, da história, da geografia, dos hábitos, dos valores, da identidade dos indivíduos e da identidade regional. Neste sentido, o consumo de inhame no Nordeste brasileiro está fortemente relacionado à questão cultural, além do aspecto nutricional, pois, o produto figura na cesta de consumo em diversos estados nordestinos como elemento importante. 1.1.4. A cultura do inhame em Pernambuco Segundo dados da CONDEPE/FINDEM (2009b) a agropecuária é o segundo setor mais representativo para a economia pernambucana, com taxa de crescimento estimada de 6,7%, ultrapassado apenas pela indústria com taxa de crescimento de 8,4% em 2008, e a agricultura responde por grande parte deste desempenho. Conforme os dados apresentados pela CONDEPE/FINDEM (2009a), em termos de área plantada estima-se que o inhame divida com a melancia o décimo segundo lugar no ranking das culturas mais cultivadas no Estado, com 4,8 mil hectares em 2008/2009, ultrapassado em ordem pela cana-de-açúcar, feijão, milho, mandioca, banana, coco-da-baia, manga, sogro granífero, castanha-de-caju, uva e cebola. No primeiro trimestre de 2009 ao lado de culturas como mamona (45,1%), milho (26,8%) e feijão (13,8%), o inhame apresentou um dos maiores crescimentos físicos, 12,5%. Tal se deve em função dos bons preços alcançados pelo produto no mercado quando comparado a outros cultivos, e pelo produto já se encontrar inserido na cultura alimentar do Estado como alimento importante, compondo a cesta tradicional de consumo local. De acordo com o trabalho desenvolvido por Barbosa (2007), na capital pernambucana é identificado o maior consumo de alimentos tradicionais locais dentre as cidades analisadas pela pesquisa (Belém, Fortaleza, Salvador, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre). E entre estes itens, o inhame figura como o segundo maior percentual de consumo 55%, ultrapassado pelo cuscuz (57%), seguidos da macaxeira ou aipim (36,7%) do queijo coalho (10,2%) e da batata-doce (6,3%).. 27.
(31) Especificamente para o estado de Pernambuco, a exploração da cultura do inhame ocorre predominantemente por meio do emprego de sistemas de agricultura familiar (SILVA, 2002). Embora não esteja entre as culturas agrícolas mais importantes do Estado em termos econômicos, o inhame é relevante também sócio-economicamente, pois, apresenta importância significativa, tanto na geração de renda como em termos nutricionais (EMATER-PE e IPA, 1985; PEIXOTO NETO e LOPES FILHO, 2000), como ocorre também em outros Estados, tais como: Alagoas (EMATER-AL, 1980) e Bahia (MENDES, 2005). Ao longo do tempo, o inhame foi se estabelecendo em Pernambuco junto às regiões de maior concentração populacional, especialmente como cultura alimentar complementar ao cultivo da cana-de-açúcar, na Região Metropolitana e na Zona da Mata, e posteriormente, se estendendo para o Agreste pernambucano. Na Figura 2, pode-se observar a localização destas mesorregiões. Conforme se pode constatar na bibliografia encontrada, os municípios onde se concentra a produção vêm se sucedendo ao longo do tempo, tanto devido às condições de clima e solo, quanto à infestação de pragas e doenças e de fatores outros que influenciem no custo de produção, além de melhores oportunidades em outras atividades ou culturas agrícolas (EMATER-PE e IPA, 1985; VEIGA, 1974).. São Francisco. Sertão. Agreste. Zona da Mata. Região Metropolitana. Figura 2. Mesorregiões de Pernambuco Fonte: Governo de Pernambuco, (2009).. 28.
(32) Na década de 1970, Veiga (1974) relaciona a produção de inhame como preponderantemente na região da Mata Norte pernambucana, especialmente nos municípios de Condado, Aliança, Goiana, Igarassu e Itambé, embora, Igarassu pertença à Região Metropolitana. Na década seguinte, conforme dados apresentados pela EMATER-PE e IPA (1985), outros municípios da Mata Norte, além dos citados acima, também apresentaram produção como: Buenos Aires, Carpina, Timbaúba e Vicência. Na Região Metropolitana tem-se Abreu e Lima e São Lourenço da Mata, além dos seguintes municípios localizados no Agreste pernambucano: Agrestina, Barra de Guabiraba, Bom Jardim, Bonito, Camocim de São Felix, Correntes, Cupira, Garanhuns, João Alfredo Limoeiro, Orobó e São Joaquim do Monte. Evolutivamente, na Tabela 7 podem ser observados os vinte municípios pernambucanos mais relevantes na produção do inhame em 2006, ou seja, aqueles onde ocorreram a maior produção em quantidade produzida. Tabela 7. Municípios pernambucanos com maior produção de inhame em 2006 Quantidade produzida (%) Município em tonelada 43,42 Bonito 7.196 14,78 Cupira 2.450 10,72 Barra de Guabiraba 1.777 6,17 Amaraji 1.022 6,58 São Joaquim do Monte 1.090 2,92 Lagoa dos Gatos 484 1,46 Aliança 242 1,45 Nazaré da Mata 241 1,26 Itambé 209 1,24 Goiana 206 1,19 São Lourenço da Mata 197 0,80 Sairé 133 0,79 Condado 131 0,66 Tracunhaém 110 0,65 Iguarassu 108 0,52 Timbaúba 87 0,52 Itapissuma 87 0,49 Abreu e Lima 82 0,39 Ferreiro 64 0,36 Vivência 59 Fonte: Adaptado de IBGE (2010).. 29.
(33) Estes municípios podem ser observados na Figura 3, na qual pode-se perceber que existem dentro das regiões especificadas acima como produtoras de inhame, concentrações destes municípios produtores em dois agrupamentos distintos.. Timbaúba. Itambé Condado. Vicência. Aliança Nazaré da Mata. Goiana Tracunhaém Itapissuma Iguarassu Abreu e Lima São Lourenço da Mata. Sairé Amaraji Barra de Guabiraba Bonito São Joaquim do Monte Cupira Lagoa dos Gatos. Figura 3 – Vinte maiores municípios pernambucanos produtores de inhame em 2006*. Fonte: Adaptado de Governo de Pernambuco, (2009). *Os municípios em bege pertencem a região Metropolitana, os identificados em verde localizam-se na Zona da Mata Norte e os municípios em marrom referem-se à região Agreste.. 30.
(34) Por se tratar de uma cultura sazonal e devido à demanda elevada, na comercialização para o mercado pernambucano ocorre também a sua importação de outros Estados para suprir a demanda local (CEASA PERNAMBUCO, 2008). Apesar de sua crescente demanda e da importância sócio-econômica para os estados nordestinos, o inhame é comercializado basicamente na forma in natura e destinana-se em seu maior montante ao mercado interno. Constitui-se ainda numa cultura marginalizada, a ponto de poucos serem os estudos existentes e poucas as iniciativas governamentais para incentivo à cultura, fato que reforça a importância do presente estudo. E assim, responder aos seguintes questionamentos: quem são os agentes envolvidos na cadeia produtiva do inhame no estado de Pernambuco e como se organizam? Quais são os agentes determinantes para a coordenação da cadeia produtiva? Quais os fatores limitantes ou pontos de estrangulamento ao longo da cadeia produtiva? Como se dá a interação entre os segmentos no que se refere a estrutura de governança? Deste modo, faz-se necessário o estudo da cadeia produtiva do inhame, de modo a compreender como seus agentes estão organizados4 no estado de Pernambuco, sendo este, o maior produtor da túbera no país, além de grande consumidor do produto.. 4. No que se refere à organização da cadeia produtiva esta pode ser mais ou menos organizada. Segundo Marques e Aguiar (1993), entende-se por cadeia produtiva organizada aquela em que as relações entre os agentes se dão de modo eficiente ao longo do processo produtivo, de distribuição e comercialização, conseguindo oferecer seu produto no tempo, lugar e forma desejados pela demanda. Ou seja, a coordenação entre os diversos níveis da cadeia é tamanha que o produto acabado pronto para o consumo é ofertado sem custos adicionais. Em contrapartida, a cadeia produtiva desorganizada, é aquela em que as relações entre os agentes ocorrem de modo truncado, sem fluidez entre os diversos elos que a compõe, ou seja, a eficiência na coordenação da cadeia não se verifica.. 31.
(35) 1.2. OBJETIVOS. 1.2.1. Objetivo Geral Caracterizar a cadeia produtiva do inhame e compreender como se estrutura a sua governança no Estado de Pernambuco.. 1.2.1.Objetivos Específicos. a). Identificar os agentes envolvidos na cadeia produtiva do inhame, descrevendo como estes se organizam;. b). Verificar quais são os agentes determinantes da coordenação da cadeia produtiva;. c). Identificar e analisar os fatores limitantes ou pontos de estrangulamento ao longo das diversas etapas da cadeia que indiquem o seu grau de organização ou desorganização; e. d). Avaliar o grau de interação entre os segmentos no que se refere à estrutura de governança.. 32.
(36) 2. REFERENCIAL TEÓRICO. Este capítulo está dividido em três partes, a primeira contempla os conceitos de cadeia produtiva, a segunda a estruturação e coordenação da cadeia produtiva e a terceira parte, tratando do referencial teórico sobre a estrutura de governança. 2.1. Cadeia produtiva: conceituação e contextualização Segundo Beli et al. (2007), a agricultura não pode ser investigada num contexto individual, apenas a propriedade agrícola, pela complexidade que adquiriu ao longo do tempo devido os vínculos técnicos, econômicos e financeiros, com os demais segmentos localizados antes e depois da produção. Assim, passa a incorporar estruturas e padrões de gestão e organização econômica que se aproxima daqueles comuns no setor industrial. Assim, para Castro (2000) a agricultura compreende um conjunto de componentes e processos que se inter-relacionam objetivando o fornecimento de alimentos aos seus consumidores finais. Este conjunto complexo é denominado agronegócio e este compõe-se das cadeia produtivas. Existem na literatura científica, algumas abordagens que tratam das cadeias produtivas. Cada uma traz características e especificidades. Assim, antes de definir o modelo que será utilizado neste estudo, serão apresentadas algumas abordagens e seus aspectos principais. A primeira abordagem refere-se ao de conceito de Commodity System Approach (CSA) ou enfoque do sistema de commodities, originado a partir da década de 1950, dos trabalhos com laranja, trigo e soja nos Estados Unidos de John Davis e Ray Goldberg, professores de Harvard5 e do conceito de agribusiness (BATALHA e SILVA, 2001). Neste trabalho Davis e Goldberg apud Rodrigues (1998) definem o agribusiness como sendo “a soma total das operações de produção e distribuição de suprimentos agrícolas; as operações de produção nas unidades agrícolas; e o 5. DAVIS, J. H.; GOLDBERG, R. A. A concept of agribusiness. Division of research. Graduate School of Business Administration. Boston.: Harvard University, 1957.. 33.
(37) armazenamento, processamento e distribuição de produtos agrícolas e itens produzidos a partir deles” A CSA segundo Silva e Batalha (1999) seria um sistema compreendendo uma coleção de elementos e uma rede de relações, ambas atuando conjuntamente de modo a atingir um objetivo comum, havendo uma interdependência entre elas, interagindo de forma dinâmica por meio de ligações promovidas por estímulos e informações. De acordo com Zylbersztajn (2000), CSA é derivado da teoria neoclássica da produção com enfoque na matriz insumo-produto de Leontief, que fundamenta a questão das ligações inter-setoriais. Para Batalha e Silva (2001) este paradigma se caracteriza por ser um modelo mesoanalítico, o qual engloba tanto aspectos micro como macroeconômicos de visão sistêmica, levando em consideração as relações entre a estrutura organizacional e o meio ambiente em que se insere. Enfatiza a variável tecnológica para desenhar os diferentes segmentos das cadeias, analisando-a, por cortes verticais, originados na matéria-prima e culminando no produto final. Tem-se assim, a ideia de sistema, onde visualizar-se o todo, desde a produção de insumos e atividades que dão subsídio a produção, processamento e distribuição até que o produto acabado chegue ao consumidor. Segundo Silva e Batalha (1999) a abordagem sistêmica do CSA fundamentou-se inicialmente, a partir de 1940, em estudos originários das ciências biológicas e das engenharias de pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachussets. A abordagem sistêmica do produto, conforme atestam Silva e Batalha (1999), envolve: a) verticalidade (um estágio influencia o outro estágio do sistema); b) orientação por demanda (o consumidor gera informações que influenciam fortemente, nos estágios ou segmentos anteriores de produção); c) coordenação dentro dos canais da cadeia (relação entre agentes do canal de comercialização e formas alternativas de coordenação, como contratos, mercado, etc.); d) competição entre. canais. (visando. melhor. desempenho. do. todo);. e. e)alavancagem. (indentificação dos pontos estratégicos que podem favorecer a melhorar a eficiência de outros participantes da cadeia).. 34.
(38) Conforme comenta Araújo (2005), no Brasil, este conceito somente tomou força por volta da década de 1980, a partir dos esforços da Associação Brasileira do Agribusiness (ABAG) e do Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial da Universidade de São Paulo (PENSA/USP). Contudo, somente depois da segunda metade da década de 1990, o termo passa a ser amplamente aceito tanto pelo meio acadêmico como pelo não acadêmico. Quase que paralelamente a esta abordagem, surge da Escola Francesa de Organização Industrial a análise de filière ou cadeia de produção, década de 1960. De enfoque meso-econômico, ela compreende a produção, a transferência e o consumo como três subsistemas (TAKITANE e SOUZA, 1995). A análise de fillière compreende três elementos segundo Morvan6 apud Batalha e Silva (2001, p. 26): “i. a cadeia de produção é uma sucessão de operações de transformação dissociáveis, capazes de ser separadas e ligadas entre si por um encadeamento técnico; ii. a cadeia de produção é também um conjunto de relações comerciais e financeiras que estabelecem, entre todos os estados de transformação, um fluxo de troca, situado de montante a jusante, entre fornecedores e clientes; e iii. a cadeia de produção é um conjunto de ações econômicas que presidem a valoração dos meios de produção e asseguram a articulação das operações.”. Para Takitane e Souza, (1995) a abordagem da fillière permite a visualização de dois pontos fundamentais: a identificação de produtos, itinerários, agentes e operações; e os mecanismos de regulação de mercados, com intervenção do Estado e eventuais planos. Assim, a fillière, também leva em consideração a visão sistêmica e mesoanalítica, além da. variável tecnológica e aplicabilidade no contexto. agroindustrial. A grande diferença entre uma corrente de pensamento e outra se deve ao ponto de referência, enquanto na abordagem da commodity system approach o foco está na matéria-prima, na análise de filière parte do produto final (BATALHA e SILVA, 2001). 6. MORVAN, Y. Fondements d’economie industrielle. Paris: Econômica, 1988. 247 p.. 35.
(39) Ambas as abordagens levam em consideração a dinâmica das mudanças tecnológicas durante todo o processo produtivo sob um enfoque sistêmico. Ademais, apresentam em comum os estágios sucessivos de produção, foco direcionado em apenas um produto e a importância do ambiente institucional (TAKITANE e SOUZA, 1995). A CSA e a fillière consideram ainda o segmento agroindustrial, a agroindústria, em suas análises, nem sempre se adequando a cadeias produtivas onde o processamento não é observado. Além destas abordagens de cunho mais agroindustrial, estudos desenvolvidos pela EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), deram origem a um modelo de análise de cadeia produtiva mais próxima do sistema produtivo agrícola, que se distingue das commodities agrícolas advinda do grande agronegócio agroindustrial. Esta será detalhada depois da conceituação de cadeias produtivas. Na literatura científica são encontradas diversas formas de denominação ou conceituação de cadeia produtiva, neste sentido serão apresentadas algumas a seguir. Na definição de Neves e et al. (2006) a cadeia produtiva é composta por empresas fornecedoras de insumos para as propriedades rurais, do segmento produtivo, das indústrias processadoras e dos seus insumos (embalagens e aditivos), dos distribuidores (atacadistas, varejistas, o setor de restaurantes e refeições. coletivas). e. prestadores. de. serviços. (transportadoras,. bancos,. certificadoras, estocadores, financeiras, operadores logísticos), todos empenhados em satisfazer as necessidades e anseios do consumidor final. Segundo Castro e et al. (1998), entende-se por cadeia produtiva, o conjunto de componentes interativos, incluindo os sistemas produtivos, fornecedores de insumos e serviços, indústrias de processamento e transformação, agentes de distribuição e comercialização, além de consumidores finais. Constituindo assim, um subsistema no negócio agrícola, com objetivos similares, porém restritos a alguns produtos e sub-produtos. Para Boniccini (2003) a cadeia produtiva é conceituada como a integração planejada e ordenada dos diversos agentes do agronegócio, envolvendo desde o poder público, as agências de desenvolvimento, os fornecedores de máquinas e insumos, agentes financeiros, os produtores rurais, técnicos, operadores logísticos, 36.
(40) agroindústrias até os consumidores, tendo por objetivo alcançar o mercado de forma profissional e duradoura, garantindo o aumento da renda e um retorno do investimento justo a todos os envolvidos no processo. Segundo Araújo (2005) a cadeia produtiva refere-se à sequência de operações que leva à produção de bens, sendo a articulação desta sequência influenciada pelas possibilidades tecnológicas e definidas pelas estratégias dos agentes envolvidos. Estes agentes exercem relações interdependentes entre si e complementares, que são determinadas por forças hierárquicas. A cadeia produtiva para Nantes e Leonelli (2000) representa um conjunto de relações comerciais e financeiras, estabelecidas por meio de um fluxo de troca entre os segmentos sucessivos, desde a produção de insumos até o produto final. Conforme atestam Megido e Xavier (2003), o termo cadeia produtiva refere-se à forma de organização do processo produtivo, compreendendo uma sequência de operações desde a sua produção, até a chegada do produto ao consumidor final. A forma de coordenação da cadeia produtiva é que determina a eficiência7 do todo. Batalha e Silva (2001) definem cadeia produtiva como uma sucessão de operações de transformação dissociáveis, mas capazes de serem separadas e ligadas entre si por um encadeamento técnico. Pode ser entendido também como um conjunto de relações comerciais e financeiras que estabelecem em todos os níveis ou segmentos de transformação um fluxo de troca, partindo de montante a jusante8, entre fornecedores e clientes. Castro e et al. (2009) complementam quando afirmam que a cadeia produtiva é um instrumento de visão sistêmica, no qual, a produção pode ser representada como um sistema, em que os diversos atores encontram-se interconectados por fluxos de capital, material e de informação, visando suprir um mercado consumidor final. Assim, com o conceito de cadeia produtiva, o segmento agricultura deixa de ser visto como um setor em separado, passando a ser entendido como um conjunto 7. Deve-se esclarecer o que vem a ser eficiência produtiva, muitas vezes confundida com eficácia. Segundo Batalha e Silva (2001), a eficácia está relacionada à capacidade de fornecer produtos e serviços adequados às necessidades do consumidor. Contudo, eficiência refere-se ao padrão competitivo dos agentes envolvidos e da capacidade de coordenação dos elos componentes da cadeia em dispor no momento, forma e lugar, o produto ou serviço ao consumidor. Assim, cadeias eficientes são cadeias bem coordenadas, ou seja, produzem de acordo com as exigências de mercado. 8 Os termos, montante e jusante correspondem respectivamente aos segmentos antes da produção agropecuária e depois da produção agropecuária.. 37.
(41) de segmentos sucessivos. Estes partem desde antes da produção, passando pela produção propriamente dita, processamento, transporte e distribuição até alcançar o consumidor final (NUNES e CONTINI, 2001). Esta interligação entre os segmentos que compõe a cadeia produtiva possibilita, quando bem estruturada, um maior desempenho como um todo, favorecendo aos agentes que a compõe. Entender como se organiza e compreender como se dão as relações entre seus agentes é abrir caminho para o crescimento e desenvolvimento. A partir do momento que se entende como se organiza e se compreende as relações entre atores da cadeia produtiva é possível identificar as limitações e gargalos que podem influir negativamente na eficiência das transações e consequentemente da cadeia como um todo (ZUIN e QUEIROZ, 2006). A identificação destes problemas torna possível a identificação de alternativas factíveis a estas limitações e gargalos. Obviamente, as alternativas aos problemas específicos de cada cadeia necessitam da interação e participação ativa dos agentes componentes da cadeia direta e indiretamente relacionados. Assim, efetivação de mudanças positivas na coordenação dos agentes da cadeia age trazendo melhorias para toda cadeia. 2.2. Estruturação e coordenação da cadeia produtiva Conforme a organização da cadeia produtiva, esta pode apresentar diferentes configurações, mas sempre partirá dos segmentos antes da produção (ou a montante) que gera o necessário para a produção ocorrer, ou seja, dá subsídio à produção, o segmento produtivo propriamente dito e o segmento depois da produção (ou a jusante), o qual agrega valor ao produto de modo que este chegue às mãos do consumidor como desejado (BATALHA e SILVA, 2001). Sua configuração dependerá do produto, dos segmentos envolvidos na cadeia e das características locais onde a cadeia encontra-se inserida. Borás e Toledo (2006), na Figura 4 demonstram um esquema geral da estruturação de uma cadeia de produção agroindustrial. A cadeia produtiva pode ser explicada como um sistema organizacional, e empresarial orientado para satisfazer as. necessidades dos consumidores,. vinculando processos de transformação material (processos técnicos) junto a 38.
(42) processos econômicos, sendo assim, constituído de uma série de segmentos. Nela se pressupõe tanto um fluxo de produto quanto um fluxo contrário de informações. Neste esquema estão dispostos os grandes segmentos: à montante da produção (produção de insumos), a produção e à jusante da produção (produção industrial, distribuição, varejo e consumidor). Cada parte da cadeia constitui um segmento responsável por processos bem definidos.. Produção de insumos. Produção agropecuária. Segmento antes da produção (à montante). Segmento produtivo. Produção agroindustrial. Distribuição (Atacado). Segmento depois da produção (à jusante). Varejo. Consumidor final. Figura 4. Esquema de uma cadeia de produção agroindustrial. Fonte: Adaptado de Borás e Toledo (2006). Castro (2000), contudo apresenta um modelo mais adequado aos objetivos deste estudo, o qual entre outras qualidades permite: i) identificar os fatores críticos que afetam a competitividade da cadeia produtiva; ii) permite a identificação de pontos que podem contribuir para o aprimoramento da competitividade e 39.
(43) coordenação da cadeia produtiva; e iii) possibilita visualizar oportunidades que poderão melhorar, se efetivadas, a competitividade da cadeia produtiva. Neste sentido, o autor acima mencionado, apresenta o modelo de cadeia produtiva, observado na Figura 5. Este modelo é semelhante ao apresentado por Favero (2005).. Ambiente Institucional. Produção. Insumos. T. Processamento. T. 5. 4. Atacado. T 3. T 2. Consumidor final. Exporta ção. Varejo. T. T. 2. 1. Ambiente Organizacional Fluxo de material. Fluxo de informações. Fluxo de capital e informações. Elos da cadeia. Tn = Transações. Figura 5. Modelo geral de uma cadeia produtiva Fonte: Adaptado de Castro (2000) e Favero (2005). Neste modelo, estão dispostos cada um dos segmentos constituintes da cadeia produtiva, que tem função produtiva direta ou conexão direta, são os segmento de insumos, produção, processamento, atacado, varejo, exportação e consumidor final, ligadas pelas transações. Ainda são priorizados pelo modelo os fluxos de materiais, fluxos de capitais e informações, além da presença dos ambientes institucional e organizacional, interagindo com os segmentos. 40.
Outline
A cultura do inhame em Pernambuco
Cadeia produtiva: conceituação e contextualização
Estruturação e coordenação da cadeia produtiva
A estrutura de governança.
Tipologia da pesquisa e instrumentos de coleta de dados
O ambiente institucional e o ambiente organizacional
A estrutura de governança na cadeia produtiva
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