REVISTA MENSAL
RH DE UM
VERNADOR?
GARIBALDI
Como a
construção
vem
vivendo
Safra*.
números
da
desolação
A difícil
empresa
do futebol
m
itens são opcionais
O interior do Voyage
4 portas é um lugar elegante
que leva você aos lugares mais
elegantes, com a maior
elegância. O Voyage 4 portas
foi projetado de modo
a permitir uma abertura das
portas traseiras, superior a
qualquer modelo de sua
categoria. Isso quer uizer que
agora o universo seguro,
silencioso e aconchegante do
Voyage ficou ainda mais
aberto para você. Sem
prejudicar em um centímetro
o espaço interno da parte
dianteira.
Mas a grande preocupação
da Volkswagen foi com
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a segurança. Cada Voyage
4 portas vem com um sistema
especial de travas nas portas
traseiras. Uma vez acionado,
nem mesmo as crianças mais
desobedientes vão conseguir
que as portas traseiras sejam
abertas por dentro.
Enquanto isso, você
apro-veita essa tranqüilidade para
apreciar o conforto,
os revestimentos luxuosos das
portas e dos bancos.
Mas nem tudo é novidade
no Voyage 4 portas:
o desempenho, a economia de
combustível, a eficiência
aerodinâmica e outras
carac-terísticas que consagraram o
Voyage, continuam iguais,
Porque o melhor deste
4 portas é justamente isso:
ele é um Voyage. Venha ao seu
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4 portas e aproveite as
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ÍNDICE
ESTADO
ARTIGOS
Manoel Barbosa 7 Cassiano Arruda 12 Mário Moacyr Porto 44 Rosemilton Silva 50
SEÇÕES
Homens & Empresas 4
Cultura 38
HUMOR
Cláudio 49
CAPA
Flávio Américo
Está longe, ainda, a próxima eleição para Governador. O mandato de José Agripino mal se iniciou e ele nem sequer completou um ano de Governo. M a s no processo democrático e de eleições diretas, eleição é um tema constante. M a l termina uma, já começa a se pensar na outra. Quando nada, em termos de cogitações, especulações, sondagens e preparativos sutis de grupos e pessoas. No Rio Grande do Norte a distância do pleito não impede a movimentação dos candidatos a candidatos e das especulações dos possíveis governáveis. As especulações surgem de modo espontâneo no balanço das atividades e do trabalho de cada político, pois é nessa hora que pesa o acervo de serviços e é justamente aí que está a eficácia do processo da escolha direta dos
administradores. RN/ECONÕMICO
inicia, nesta edição, uma série de entrevistas com nomes cogitáveis ao longo dessas especulações. Seguindo a tendência dos murmúrios e opiniões e deixando de lado as posições oficiais, a editoria da revista detectou um elenco de nomes ungidos por esse processo natural e deles pinçou o que vem aparecendo com insistente destaque: o do Deputado Estadual pelo P M D B Garibaldi Alves Filho. Modesto, ponderado, embora oposicionista combativo, Garibaldi vem se impondo naturalmente, por gravidade, sem se anunciar, com a única credencial da sua lucidez e da sua persistência que estão sendo consideradas da maior utilidade para um Estado necessitado de bom senso. A entrevista com Garibaldi está a partir da oitava página. Os problemas inesperados
de Agripino
M u i t a imaginação e jogo de cintura para sobreviver
na crise — Os novos caminhos da T V - U Na feira, os veículos vendem bem Supermercados pensam em novos listões As péssimas previsões para safras Estatísticas sempre para baixo
Tempo tem boas notícias só para o ano Esforço concentrado para sobreviver Projeto Natal e seus críticos — O RN está esquecendo os satélites —
Quando até a ciência tem suas omissões De repente a recessão na noite As minorias estão em luta — Além da crise, a concorrência de fora As crises nas empresas futebolísticas
As duas etapas de um futebol
Comércio: tão ruim que, agora, vem o melhor
Líder simples e bom de voto
RN/ECONÕMICO
R E V I S T A M E N S A L » A N O XIV • N . ° 145 • O U T U B R O / 8 3 • C R I 800,00 DIREÇÃODIRETOR/EDITOR: Marcelo Fernandes de Oliveira DIRETORES: Núbia Silva Fernandes de Oliveira. Mauri-cio Fernandes de Oliveira e Fernando Fernandes de Oli-veira
REDAÇÃO
DIRETOR DE REDAÇÃO: Manoel Barbosa
ARTE E PRODUÇÃO
CHEFE: Eurly Morais da Nóbrega
PROGRAMAÇÃO VISUAL E DIAGRAMAÇÃO: Moacir de Oliveira
FOTOCOMPOSIÇÃO: Antônio José D. Barbalho DEPARTAMENTO COMERCIAL
GERENTE COMERCIAL: Paulo de Souza
GERENTE DE ASSINATURAS: Antônio Emidio da Silva RN/ECONÔMICO — Revista mensal especializada em
assuntos sôcio/econômicos do Rio Grande do Norte, 6 de propriedade de RN/ECONÒMICO EMPRESA JORNA-LÍSTICA LTDA. — CGC n.° 08.286.320/0001-61 — Ende-reço: Rua Sâo Tomé, 421 — Natal (RN) — Fone: 222-4722. É proibida a reprodução total ou parcial de maté-rias da revista, salvo quando seja citada a fonte Preço do exemplar: CrS 800.00 Preço da assinatura anual: Crt 8.000,00. Preço da assinatura bienal: Crf 13.000,00. Preço do número atrasado: Crt 1.500,00.
HOMENS & EMPRESAS
PEPSI LANÇA TEEM EM NATAL — A Inpasa Refrigerantes, conces-sionária da Pepsi-Cola p a r a o RN, estará lan-çando até dezembro mais um sabor de refri-g e r a n t e no mercado, se-rá a limonada Teem. Segundo Ezequiel Fer-reira de Souza, o lança-m e n t o acontecerá exata-m e n t e na t e exata-m p o r a d a de verão, uma vez que o consumo da bebida au-m e n t a . A Inpasa Refri-g e r a n t e s Refri-ganhou mais u m a vez o prêmio inter-nacional Pepsi-Cola de p a d r ã o de qualidade, es-te ano, o quarto d e s d e a sua fundação em 1980. • • • 14 ANOS DE RN/ECONÔMICO — A Revista RN/ECONÔMI-CO, completa no próxi-mo mês de novembro, 14 anos, um acontecimento raro na imprensa brasi-leira. É um acontecimen-to inédiacontecimen-to, quando se t r a t a de uma revista do Nordeste e de um dos s e u s Estados mais po-b r e s . Para tanto a Edito-ria está p r e p a r a n d o u m a edição especial para co-m e co-m o r a r o evento, coco-m m a t é r i a s q u e contarão a história do Rio Grande do Norte n e s s e s 14 anos. São muitas as e m p r e s a s q u e já estão prestigiando o trabalho da única re-vista do nosso Estado.
• • •
SÉRGIO DOURADO E A . AZEVEDO — O Gru-po A. Azevedo, através de sua imobiliária, se as-sociou a Sérgio Dourado, p a r a o lançamento em Natal do Sistema Inter-val de Time Sharing. O lançamento foi no Iate
REVISTA QUINZENAL N" I — 1" • 15 d* novembro d* 1969
Preço do exemplar: NCrJ 1,00
ECONÓMICO
hii ilpzrinlirii:
Vá »o Kc( íi> de liirrii. Í! só asfalto
B A N C O S. GURGEL S. A. UM BANCO DA TERRA PARA GERIR AS RIQUEZAS DA TER/JA Mosso'6 n !-J.it,il RN/Econômico n . ° l Clube do Natal,
contan-do com a presença de g r a n d e público. Durante o coquetel, houve uma explicação das vanta-g e n s do investimento com certificado de pro-priedade e renda, bem como um filme para mostrar as vantagens do Sistema. A Exata, de corretores especializa-dos, está associada a A. Azevedo para as vendas em Natal.
• • •
FERNANDO BEZER-RA NA CNI — O empre-sário Fernando Bezerra, Presidente da FIERN, tomou posse mais uma vez no cargo de Tesou-reiro da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em solenidade realizada em Brasília. Ao ato estiveram presen-tes líderes das ciasses empresarial e política. O
Presidente Figueiredo presidiu a cerimônia. O mandato de Fernando Bezerra deve lhe creden-ciar como futuro Presi-d e n t e Presi-da CNI, embora daqui há três anos. Seu nome já começa a ser lembrado como a melhor opção para o cargo, es-pecialmente para o Nor-deste.
UFRN E FIAT PRO-MOVEM PALESTRA — A Universidade Federal do Rio Grande do Norte promoverá no dia 17 de novembro uma palestra q u e tem como objetivo atingir e s t u d a n t e s e pro-fissionais de Comunica-ção e AdministraComunica-ção. O conferencista será o professor Lindolfo Pav-liello, da Universidade Católica de Minas Gerais e Gerente de Propagan-da e Relações Públicas da Fiat Automóveis. A palestra tem o apoio da Fiat, através de seu re-p r e s e n t a n t e no Estado, Sável. Pavliello é tam-b é m Presidente da Co-missão de Imprensa da ANFAVEA e Diretor da ABA. • • • UM BOM PRETEXTO — O Professor Pedro Simões Neto criou uma editora que visa valori-zar as boas idéias da ci-d a ci-d e , a Nossa Eci-ditora. A idéia é a produção inte-lectual de textos atuais p a r a divulgação e conhe-cimento do nosso mo-m e n t o cultural. Como-mo balão de ensaio saiu o Pretexto n . ° 1, do
pró-Femando Bezerra
HOMENS & EMPRESAS
prio Pedro Simões, que como diz o autor, são se-te «causos» de dúvida in-t e r n a e dívida exin-terna, de seca & enchente e do terror/trivial na terra de Macunaíma. * * JORNADA DE CI-RURGIA DE CABEÇA E PESCOÇO — A Socieda-de Brasileira Socieda-de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, Sociedade de Medicina e a Sociedade Norte-rio-g r a n d e n s e de Cancerolo-gia, estarão promovendo de 19 a 21 de janeiro de 1984, a II Jornada Norte-Nordeste de Cirurgia de Cabeça e Pescoço. A reunião será realizada em Natal e contará com a participação dos maiores especialistas do País, e com uma representação estrangeira. Para o su-cesso da jornada a So-ciedade de Cancerologia do RN já está enviando correspondência para to-d a s a s pessoas interessa-d a s e já está fazeninteressa-do as inscrições.
• • •
DINARTE TEM RE: PERCUSSÃO — Conti-n u a repercutiConti-ndo a edi-ção 144 de RN/ECONÔ-MICO, que insere como matéria d e capa uma en-trevista especial com o Senador Dinarte Mariz, s e u s 80 anos de vida e 54 de política. Recebe-mos mais uma carta e d e s t a vez com pedido de publicação do nosso lei-tor Nelson dos Santos Alves, do Conjunto Pi-rangi. Abaixo a carta do leitor — "AGRADECI-MENTOS — Excelente a reportagem de RN/ECONÔMICO n.° 144, sobre o nosso Sena-dor Dinarte de Medeiros Mariz. Li e me convenci
d e que, em matéria de vivência, experiência, nosso Estado t e m neste homem o marco de inte-ligência política. Obriga-do SenaObriga-dor Dinarte pela criação da UFRN no seu Governo, e pela simplici-d a simplici-d e com que asimplici-dminis- adminis-trou o Rio Grande do Norte. Parabenizo o Se-nador Dinarte por tudo q u e soube contar; para-benizo o Estado e a re-vista RN/ECONÔMICO pela excelente
reporta-como slogan — "Voltou a Coca-Cola de Verda-d e " . A Poty Refrigeran-t e s começa a colocar o produto nos supermerca-dos em breve. Segundo Favoni, Gerente Geral da Poty, a construção e instalação da área indus-trial e de engarrafamen-to próprio ficará pronta no mês de dezembro, criando assim amplas condições de competiti-vidade em todo o Esta-do.
Mário Roberto g e m q u e servirá de
pes-quisa sobre as nossas melhores tradições polí-t i c a s " .
• • •
A VOLTA DA COCA-COLA — A Poty Refrige-rantes, concessionária da Coca-Cola, está com u m a campanha d e publi-cidade no mercado para a fixação da imagem real da Coca-Cola. A campa-nha tem como tema: Ma-te a sede e a saudade, e
SOLIS MUDA DE RU-MOS — A Solis Turis-mo, f u n d a d a por Vera China, uma das mais an-tigas e m p r e s a s ligadas ao turismo em Natal, agora passa de dono e p a r e c e disposta a seguir novos rumos. Os novos proprietários — que vão m a n t e r o nome Solis, já uma marca importante
no setor turístico — são Alvaro Alberto, Luiz Sér-gio, Mário Roberto e Elias Antônio Souto
Bar-reto Filgueira. Apesar de todos serem da dire-ção da Apern, constituí-r a m , com a Solis, uma e m p r e s a completamente diferente, nada tendo a ver, portanto, em termos de vinculação. Com a no-va direção, a Solis adqui-riu um micro-ônibus pa-ra o turismo receptivo e e s t u d a novas programa-ções turísticas, assim co-mo a implantação de charter de barco para F e r n a n d o de Noronha. Quem ficou à f r e n t e da e m p r e s a turística foi Mário Roberto. • • • SAÍDA DO VÍDEO GAME — Apesar da cri-se econômica e do cri-seu preço relativamente alto, o vídeo g a m e promete ser a nova coqueluche de Natal, neste fim de ano. Zildamir Soares, de «A Sertaneja», disse ter ad-quirido toda cota da Philco com o seu Odis-sey e já tem uma boa p a r t e comprometida. O preço é pouco mais de Cr$ 200 mil. O Odissey é o maior rival do Atari, o vídeo g a m e mais famoso do mundo.
*
APERN MUDA A RA-ZÃO — A Apern muda de razão social e se pre-para pre-para ampliar mais ainda os seus negócios. Ela passa a se denomi-nar Sociedade de Crédito Imobiliário. Com isso suas finalidades não mu-d a m . Mas ela ganha con-dição para atuar em ou-tras praças, já tendo car-t a - p a car-t e n car-t e do Banco Central para abrir filiais na Paraíba, Pernambuco e Alagoas a partir de ja-neiro.
O MOVIMENTO NACIONAL
PELA LIVRE INICIATIVA AGRADECE
ÀOPEP PELA DEMONSTRAÇÃO
DA EFICIENCIA DO NOSSO SISTEMA.
Em 1973, o preço do barril de petróleo era de
menos de 3 dólares. Estimulados por um
preço tão irrisório, a maioria dos países
esbanjavam essa matéria-prima, não só como
combustível, mas também na composição de
um sem-número de produtos.
Foi quando os produtores de petróleo
decidiram unir-se num cartel e, de uma só vez,
aumentá-lo em 300%, impondo ao mundo, a
partir daí, periódicas elevações de preço. Foi o
chamado "choque do
petróleo", que
desorganizou a economia
mundial e trouxe aos
países consumidores uma
gravíssima crise.
Para os adversários da
economia de mercado,
estava aí uma prova de
deficiência do sistema. Segundo eles, os
produtores tendem a organizar-se em
oligopólios, esmagando o consumidor com
preços altos e multiplicando seus lucros.
Mas a última palavra ainda não fora dada.
Os consumidores souberam reagir.
Reduziram gradualmente seu consumo de
petróleo, através de medidas de economia e
campanhas de conscientização dos usuários.
Desenvolveram-se programas de substituição
do petróleo por outros combustíveis, como a
eletricidade, o carvão e a madeira. Alguns
países pesquisaram e encontraram efetivas
soluções alternativas, como o álcool no Brasil
e a energia solar em países da Europa
Ocidental. E, onde o petróleo era
matéria-prima, passou-se a usar outros materiais.
Foram reativados muitos poços que, aos
preços antigos, eram antieconômicos.
As condições de mercado motivaram
vigorosos programas de prospecção, que
levaram diversos países à descoberta de novas
bacias petrolíferas, como é o caso, por
exemplo, da Inglaterra, Alaska, México e
Brasil, aumentando as reservas e
disponibilidades mundiais.
As primeiras medidas reduziram a demanda
e as últimas aumentaram a oferta,
restabelecendo, assim, a plena concorrência.
Como resultado, a OPEP
produz hoje 14 milhões
de barris/dia, menos da
metade dos 31 milhões
que produzia em 1979.
O preço do barril, que
chegou à faixa de 35 a
40 dólares no mercado
livre três anos atrás, hoje
está abaixo dos 30 dólares.
E a participação de mercado da OPEP, que já
foi superior a 60% do consumo mundial, está
reduzida aos 35% de hoje.
Ficou provado que o sistema de mercado é
sólido e tem defesas contra a cartelização.
Na Livre Iniciativa, o consumidor acaba
sempre ganhando. Mesmo contra a força dos
oligopólios.
O Movimento Nacional pela Livre Iniciativa
reitera seus agradecimentos à OPEP pela
demonstração da eficiência do nosso sistema.
MOVIMENTO
NACIONAL PELA
LIVRE INICIATIVA.
Na Livre Iniciativa,
o consumidor acaba
sempre ganhando.
Mesmo contra a força dos
oligopólios.
ARTIGO
A riqueza perdida
MANOEL BARBOSA
Numa terra tão pobre como o Rio Grande do Norte a inestimável riqueza da inteligência é desperdiçada de uma maneira difícil de acreditar. No choque dos gri pos as faíscas queimam a inteligência e o bom sen-so. 0 inimigo eventual passa a ser o meio e atingí-Io torna-se uma tarefa consumidora de todos os poten-ciais. 0 mais é esquecido. Tudo passa a girar em torno desse confronto. E como a paixão é inimiga da lucidez, turvam-se os caminhos, são perdidos de vista os reais problemas do Estado e da sua população, ocorre, no processo, a defasagem entre providências e a dinâmi-ca dos acontecimentos. Todos se acusam, porque to-dos acham que têm razão. E, nessa ciranda de acusa-ções, faz-se perene o medo; a desconfiança torna-se norma; os passos e as ações têm de ser medidas. Cria-se um peculiar estado de paranóia. E desCria-se estado não escapam inteligências competentes que, por serem humanas, também são envolvidas pelo clima, muitas delas porque nele vivem desde criança.
Eu sinto esse problema com certa abismação por estar fora dele. Venho de fora e, por não ter vincula-ções partidárias nem ideológicas, professo um tipo de anarco-humanismo integral onde coloco o indivíduo acima de quaisquer instituições. Logo, se entendo o processo, não o assimilo. E o vejo com desânimo e, as vezes, desespero, por sabê-lo interminável, sem que , seja capaz de produzir qualquer coisa de útil para a
maioria dos indivíduos que vivem neste Estado. Ao longo desses confrontos um ou outro grupo se acomoda melhor, acomodando consigo seus simpati-zantes. E, nessas ocasiões os que sobram, mesmo podendo prestar bons serviços ao Estado, têm de pas-sar por um processo de hibernação profissional. É, aí, que se manifesta o aspecto mais prejudicial da situação. Os potenciais humanos se atrofiam e toda uma massa criativa é mantida inerte, enquanto os pro-blemas se avolumam. Os claros são preenchidos pelas credenciais da simpatia, que se torna, na situação, um elemento da maior valia. Quando há antagonismos irreconciliáveis o importante não é a competência mas o grau de lealdade, a capacidade de servir.
Nestes anos em que tenho trabalhado no Rio Gran-de do Norte tenho observado como essa situação é ar-raigada e tida como natural mesmo por espíritos alta-mente esclarecidos. Claro: todos são humanos e os se-res humanos ainda não aprenderam a escapar dos condicionamentos.
Então, vem a pergunta: será toda vida e todo tem-po assim no Rio Grande do Norte?
Pelo clima que se tem vivido ultimamente, é até possível pensar que sim. Mas, as vezes, há indícios animadores. Veja-se a entrevista que o Deputado Ga-ribaldi Alves Filho concedeu a RN/ECONÔMICO e está publicada nesta edição. 0 depoimento do parla-mentar é surpreendente pela lucidez, pelo equilíbrio, pelo bom senso, pelo senso de colocação de algumas questões e, sobretudo, a fundamental, que é o proces-so de eterna divisão e dispersão de esforços humanos. Ao contrário de muitos outros políticos, ele não fala em pacificação, não demonstra maiores preocupações com um propósito pré-determinado de desarmar es-píritos. Encara tudo como uma situação que se deva compor de modo perfeitamente natural, com a união de todos os esforços e de todas as capacidades, sem exigências e condições prévias.
A colocação de Garibaldi Filho ressalta a inutilida-de inutilida-de prosseguir no antagonismo suicida. Ele se mos-tra indignado com o montante dos problemas a en-frentar e, se não põe a culpa em ninguém formalmen-te — embora ele mesmo mostre estar disposto a as-sumi-la em alguns aspectos — deixa implícita uma condenação geral em sua veemência.
As palavras de Garibaldi Filho, francas como são, profundamente sinceras e sem nenhum desejo de cau-sar efeito, são um demonstrativo perfeito da gravida-de da situação. Ê claro que ninguém tem culpa por ela. É uma questão antiga, que se desenvolveu com as próprias indiossincrasias do Estado. Individualmente, ninguém tem culpa. No momento, a culpa é de todos coletivamente e seria inteiramente despropositado apontar um iniciador — porque não há. Quando mui-to pode-se culpar a própria pobreza do Estado, sua exiguidade de recursos, suas pouquíssimas oportuni-dades de sobrevivência, sua dependência histórica de outros centros.
0 pensamento de Garibaldi Filho certamente não é o único. Muita gente alimenta o mesmo propósito. Isso demonstra que, embora, assim de momento, pa-reça impossível sobrepujar antagonismos e antipatias, não é sonho pensar num esforço interativo geral. Não quer se passasse a viver na paz eterna ou no pa-raíso do entendimento perfeito. Mas, pelo menos, que se pudesse obter da tolerância mútua os rendimentos que só o esforço comum constrói. Há muitos proble-mas a resolver. E e s s a união de inteligências é neces-sária, pois o Estado dispõe delas.
R N / E C O N Ô M I C O — Outubro/83
ESPECIAL
Garibaldi: um jeito modesto
de ir ganhando nível
para chegar a Governador
Num regime de escolha direta dos
governan-tes, todas as aspirações e especulações são
saudáveis. Não é pecado sonhar nas
democra-cias e muito menos tornar público sonhos e
as-pirações. Essa é justamente a marca básica de
um sistema democrático: seus próprios
meca-nismos exigem que os mais secretos desejos se
tornem públicos e debatidos porque quanto
mais públicos e debatidos forem mais chances
têm de se tornar realidade — o que é
justamen-te o inverso dos regimes fechados, a quem só
interessa o segredo, o conchavo e a conspirata.
R N / E C O N O M I C O , desejando contribuir para
que se vá solidificando os hábitos democráticos
ainda em processo de reimplantação no País, a
partir deste número estimula o debate em
tor-no das tor-novas lideranças políticas do Estado,
seus sonhos e aspirações. Através de
entrevis-tas informai^ e sem tema pré-estabelecido,
procuramos fazer emergir, tanto quanto
possí-vel, os planos, projetos e ambições das novas
lideranças. Abre a série o deputado estadual
Garibaldi Filho, do P M D B . O mais votado pela
Oposição nas últimas eleições, a figura
políti-ca menos controvertida e mais clara de toda a
política do Estado. A sua firme ascensão já
tem dado margem a muitas especulações e o
seu nome se agiganta de forma natural. Como
nos debates democráticos abertos tudo é
possí-vel debater, aqui e ali fala-se — e já não tão à
Doca pequena — que não seria exatamente
im-próprio incluir o nome do parlamentar entre os
governáveis para 1986. Nesta entrevista,
Gari-baldi Filho demonstrou, além de segurança e
absoluta coerência em suas idéias, uma
luci-dez não muito comuns nos dias de hoje.
Com-bativo oposicionista, não é radical; fiel a seus
princípios partidários, não se mostra
intransi-gente; homem de grandes votações, não faz o
tipo populista nem carismático. Com essas
ca-racterísticas, pode-se até dizer que Garibaldi
é um fenômeno político muito raro. Essa
entre-vista pode mostrar um pouco disso:
á RN/ECONÒMICO — Esta é uma entrevista que o deixa muito à vonta-de. Não há nada traçado previamen-te. 0 sentido da entrevista é situar a posição de algumas lideranças novas do Estado em função do quadro atual. 0 que se sabe por aí, está na cabeça de todo mundo, de certo modo subja-cente na atmosfera política, é que vo-cê seria um possível candidato a Go-vernador nas próximas eleições. Isso surge naturalmente, nas conver-sas. Surge seu nome até por gravida-de, nas atuais circunstâncias. Quer dizer, seu nome seria um dos gover-náveis. Como vê isso?
GARIBALDI — Bem. Eu não deixo de ficar sensibilizado. Não resta dúvi-d a dúvi-d e que, até o momento tendúvi-do tidúvi-do oportunidade de ser apenas deputado e s t a d u a l , já na quarta legislatura, e isso não se constitui nenhum deméri-to p a r a a Assembléia mas, na verda-d e , se nós fomos observar o currículo d a q u e l e s que chegaram ao Governo do Uistado, ao longo da história políti-ca do Estado, nós veremos que se exi-giu d e s s e s homens públicos uma ex-periência que se transportasse do plano local para o plano federal. Eu t e n d o sido apenas até agora deputado e s t a d u a l , não deixo de me sensibili-zar com essa lembrança. Agora, gos-taria d c lembrar apenas aqueles que falam no meu nome que entre essa l e m b r a n ç a , essa tendência, para que ela realmente se corporifique, para q u e ela se fortaleça, muita á g u a tem de p a s s a r por debaixo da ponte. E eu, a b s o l u t a m e n t e , não quero me
colo-car aqui como candidato, até mesmo como candidato a candidato. Eu que-ro a p e n a s agradecer a lembrança. M a s na verdade dizer a vocês, afir-m a r a vocês, que a afir-minha aspiração em termos de política é realmente, n a s próximas eleições, disputar uma cadeira de deputado federal.
Não posso dizer
que, já agora,
seja candidato
a candidato
RN/ECONÔMICO — Por que é que você já não disputou uma cadeira de deputado federal?
GARIBALDI — Eu não disputei u m a cadeira de deputado federal em primeiro lugar porque, u m a eleição proporcional (isso são os segredos e os macetes da política e só q u e m sabe são aqueles que militam nela) as ve-zes é tão complicada, as veve-zes apre-s e n t a tantoapre-s deapre-safioapre-s até como uma eleição majoritária. Porque você, pa-ra ser deputado fedepa-ral, precisa ter a t r á s de si toda uma estrutura políti-ca. E essa estrutura política precisa lhe dar aquela soma de votos. Até a g o r a , eu faço parte, eu realmente estou inserido numa tradição de vida política que só teve condição de mobi-lizar u m a estrutura em função da ma-n u t e ma-n ç ã o da cadeira do deputado
H e n r i q u e Eduardo Alves na Câmara F e d e r a l . Então nós não tivemos con-dições ainda de aspirar, na Câmara F e d e r a l , dois representantes da mes-ma família, até porque cada eleição é u m a realidade nova. Por exemplo: eu vou ficar no exemplo da última elei-ção para não fazer muita história. Com Aluízio candidato a Governador, d i s p u t a n d o um pleito majoritário, precisando do apoio do partido dele, precisando da união do partido que, afinal veio mas custou a vir, então co-mo poderíaco-mos ter dois candidatos n u m a mesma família disputando a C â m a r a Federal? E um exemplo só, o m a i s recente. Se nós remontássemos a o u t r a s eleições, nós veremos que em outras eleições talvez eu não esti-v e s s e nem sequer preparado, como acredito agora que estou, para ocu-par u m a cadeira na Câmara.
RN/ECONÔMICO — Isso descarta de vez a possibilidade de uma preten-são ao Governo?
GARIBALDI — Não. Não chega a d e s c a r t a r não. Porque, na verdade, eu acho que nesse aspecto, diante d e s s a indagação, nós não devemos ser taxativos. Nem eu posso dizer que não sou candidato a candidato já, n e m eu posso dizer que jamais serei candidato. Até porque — embora não ache tão fácil — o partido, por uma série de circunstâncias, chegue a se colocar diante do meu nome. Então eu não serei taxativo, eu nem digo q u e não sou nem que jamais serei.
RN/ECONÔMICO — Efetivamen-te, existe uma simpatia, uma conver-gência de opiniões de várias corren-tes políticas do Estado em relação ao seu nome como possível candidato. Mas dizem também os observadores da cena política que, quando tocar a um outro Alves disputar o Governo do Estado, o sr. Aluízio Alves indica-rá o seu filho Henrique Eduardo Al-ves. 0 que diz a respeito?
GARIBALDI — Bem, eu acredi-to — é a tal história, nós estamos n u m a entrevista muito franca — ... se fosse uma história de pai para fi-lho, Aluízio indicaria Henrique, se ele p u d e s s e indicar. M a s todo mundo s a b e que não é, e ele sabe que não é. Acontece o seguinte: que a política não pode ser, nem deve ser, uma im-posição de circunstâncias como es-sa, e Aluízio é perfeitamente cons-ciente disso. Até porque ele já fez Go-vernador numa luta, contra uma es-t r u es-t u r a que não lhe deu opores-tunidade a q u e ele fosse candidato, até então pela UDN. Então, na verdade, eu acho que todos nós, e o próprio
rique é consciente disso, sabemos q u e a política não se faz debaixo des-sas circunstâncias, desse jogo miúdo. A política é muito mais do que isso. E eu agora vou me referir a um proble-ma de outra ilustre família do Esta-do — os Maia. Eu acho que o fato de um Maia suceder a outro Maia de q u a l q u e r maneira já traz u m a certa impaciência, o Estado já não assiste com muita tranquilidade essa suces-são, Henrique Eduardo Alves pode-rá ser até amanhã candidato a Gover-nador pelo PMDB, mas não porque Aluízio quis; não porque a família quis; mas porque se tornou o candi-dato que reuniu as aspirações do par-tido.
RN/ECONÔMICO — Deputado, houve a menção anterior de que, para tornar-se candidato a Governador, ainda faltava o salto do mandato fe-deral. Então, não se sente preparado politicamente para governar o Esta-do?
GARIBALDI — Bem. E uma per-g u n t a difícil de responder. E quem poderia responder melhor é quem a c o m p a n h a a vida política do Estado. Eu não diria que estou preparado. M a s diria uma coisa semelhante. Eu participo hoje ativamente da vida po-lítica, econômica e social do Estado. Estou presente, dialogo com as for-ças representativas, dialogo com to-dos os segmentos sociais do Estado. Então, eu acho que, num modelo democrático, estar preparado — já q u e nós estamos ampliando por um modelo democrático — não é ter um currículo em termos de cargos. Estar p r e p a r a d o num Estado democrático é um homem público ter sido testado ao longo de sua vida com uma convi-vência com os problemas do Estado, por um diálogo permanente com os s e g m e n t o s da sociedade. Quanto a isso eu diria que estou preparado. Se governar num Estado democráti-co é alargar cada vez mais esse diá-logo, eu poderia dizer a você que es-tou preparado, dentro desse modelo. RN/Í CONÔMICO — Dentro desse seu modo de ser e ver as coisas, aelia possível a conciliação política entre os diversos grupos políticos do Estado através de um trabalho das novas lideranças?
GARIBALDI — Olhe, esse proble-ma de pacificação não nos deveria p r e o c u p a r obsessivamente. Eu sei q u e liá uma preocupação no Estado por lutas passadas, travadas num cli-ma de muito radicalismo. E por isso há a preocupação de ver um diálo-go. Mas, na verdade, eu acho que
de-veríamos aspirar pór um quadro po-lítico perfeitamente delineado, com cada um no seu lugar e o que poderia colaborar é u m a vida partidária forta-lecida. Eu acho que daqui para frente não deveríamos pensar em pacificar no Estado como se nós vivêssemos n u m clima p e r m a n e n t e de tensão, de
Não deveríamos
pensar como se
vivêssemos sempre
em clima de tensão
g u e r r a . Eu não tenho essa preocupa-ção. Eu acho que, na medida em que a política fluir naturalmente e nós chegarmos a ter partidos bem sedi-m e n t a d o s , tudo isso t e n d e a desapa-recer. Eu não me coloco obsessiva-m e n t e diante disso. Até porque a minha conduta >olítica não me coloca diante d e s s e p oblema. Na verdade eu consigo transitar em todas as á r e a s , a p e s a r da minha situação polí-tica me pôr em confrontos. Mas eu acho que nós não devemos nem mais procurar os culpados e inocentes por isso tudo. Deixar q u e a História re-gistre essa paz.
RN/ECONÔMICO — Você nasceu onde?
GARIBALDI — Em Natal, em 1947. Eram quatro irmãos. Na políti-ca, só eu.
RN/ECONÔMICO — Quais os per-calços políticos na sua trajetória até agora? Você teve problemas, não é?
GARIBALDI — Eu tive problemas políticos. Até certo t e m p o eu falava d e s s a s coisas com desembaraço. Mas eu posso dizer a você q u e elas tive-ram seu peso. Elas têm a sua heran-ça. .lá cheguei a desanimar um pou-co. No meu lançamento político, após a cassação do meu pai, eu fui o mais votado, como voltei a ser agora em 82. Mas, por exemplo, n u m a eleição como a de 78, eu ainda fui o mais vo-tado do PMDB, mas tive u m a queda. RN/ECONÔMICO — A que atribui e s s a queda?
GARIBALDI — Essa queda de vo-tação não foi isolada. Foi em função do quadro político que se viveu em 78. Isso realmente gerou um descon-t e n descon-t a m e n descon-t o q u e descon-todos conhecem no seio da nossa agremiação partidária. M a s houve a pergunta em torno dos percalços da minha vida pública. Eu citei esses. M a s podia citar outros. Por exemplo: a falta de estímulo que você encontra as vezes na vida políti-ca do Estado. E aí eu vou fazer uma queixa do Poder Legislativo. Real-m e n t e eu sou deputado há quatro legislaturas, tenho u m a estima muito g r a n d e pela vida parlamentar, olho com muito carinho, m a s não deixo de fazer as minhas críticas, nas horas em q u e estou falando assim. Não é fácil ser deputado no Rio Grande do Norte. Não é fácil. Não é problema só de você se eleger deputado, não. Depois, é o problema de você
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f ' W ' i guir realmente atuar, de ser odepu-tado que você espera, porque você não tem um Poder Legislativo prepa-rado. Na medida em que você é eleito em plena castração do Poder Legisla-tivo em termos gerais. E aqui na Assembléia se sente muito a falta de uma assessoria parlamentar. Ela vi-veu períodos difíceis para você se afirmar como deputado estadual pe-rante a sua comunidade. Olhe bem: eu fui eleito em 70, numa fase em que o período legislativo estava lá embai-xo. Você precisava fazer alguma coi-sa mas não encontrava como. O jor-nalismo t e n d e a ajudar. O meu aces-so aos veículos de comunicação, é inegável, tem me ajudado na proje-ção, mesmo modesta, que eu tenho na vida política do Estado. Agora eu digo a você: percalços eu tenho en-f r e n t a d o , porque não é en-fácil a vida p a r l a m e n t a r . Hoje não, porque a im-p r e n s a já dá muita cobertura. Mas houve uma fase em q u e para se saber o q u e o deputado falava era preciso ver os boletins da Assembléia nos jornais. Porque o q u e o deputado di-zia não tinha nenhuma importância. E os principais percalços da minha política foram esses: eu vi m e guinda-do na vida política na hora em que o Poder Legislativo estava em processo de esvaziamento. E superar esse es-vaziamento foi difícil.
RN/ECONÔMICO — A adminis-tração José Agripino, como a vê?
GARIBALDI — Acho que o Gover-nador Agripino Maia pegou realmen-te u m a fase dificílima. Qualquer jul-RN / ECONÔM ICO — Outubro/83
g a m e n t o q u e se faça, m e s m o sobre e s s e s primeiros m e s e s de Governo, t e m de se ressalvar isso. Pegou u m a f a s e difícil da vida política do Estado. Eu tenho a impressão de q u e talvez não estivesse preparado para gover-n a r o Estado gover-numa época tão difícil.
RN/ECONÔMICO — Como é que
Não houve muita
liberdade para
Agripino formar
a sua equipe
você consegue interpretar a filosofia do Governo Agripino Maia, com essa equipe que ele montou e com a qual certamente pretende chegar a deter-minados objetivos?
GARIBALDI — Em primeiro lugar, eu acho que ele não teve muita liber-d a liber-d e liber-de montar essa equipe. Porque ele vem de administrações, sucedeu a um familiar seu que, por sua vez, já era sucessor de outro familiar. Eu acho que ele não teve muita liberdade não. Eu não conheço esse processo não. Mas para mim ele não teve mui-ta liberdade. Colocaram para ele pou-cas alternativas. Condicionaram mui-to a sua administração. E o seu secre-tariado realmente não traz nenhuma contribuição nova para que o Estado possa e n f r e n t a r uma crise. Na verda-d e seu secretariaverda-do, analisanverda-do peça
a peça, tem ressalvas, pois não esta-mos generalizando a crise. Mas ele teve poucas alternativas para esco-lher seus auxiliares e isso está com-prometendo muito o rendimento da sua administração. Auxiliares, inclu-sive, que estavam acostumados a tempos mais fáceis e os tempos são outros. Eu acho sinceramente isso.
RN/ECONÔMICO — Me parece que há duas situações distintas na experiência do Governador. A ante-rior, quando Prefeito: um homem de obras, que tem um poder de execu-ção a curto prazo; a outra situaexecu-ção de Governador, que é eminentemente política. O Governador não vai exe-cutar obras, vai exeexe-cutar todo um sistema para chegar a elas. Tem von-tade de executar, para justificar a filosofia do seu Governo e o suporte não está correspondendo. Como o deputado vê isso?
GARIBALDI — Você falou em o b r a s . Eu acho o seguinte: a maior crítica que se faz ao Ministro Mário Andreazza, e ele está procurando t r a n s f o r m a r isso, é que se diz ser ele um tocador de obras. Isso reflete uma filosofia, é uma coisa até mais pro-f u n d a , essa história de dizer que pro- fu-lano de tal é um tocador de obras. Reflete o que? Reflete uma filosofia d e Governo. Na verdade, o desafio econômico, político e social, do Rio G r a n d e do Norte, nos dias atuais, é muito mais profundo. E eu tenho a i m p r e s s ã o que o sr. José Agripino, na Prefeitura de Natal, a sua passagem, se o preparou para ser candidato, se lhe deu Ibope, popularidade, prestígio político, se constituiu uma ilusão, não o preparou para ser o Go-v e r n a d o r do Estado. Pegou dinheiro a f u n d o perdido, para que o sr. Agripi-no aplicasse como Prefeito. E ele aplicou realmente, fez calçamento, fez o b r a s de caráter urbanístico. Mas isso não o habilitou a ser o governan-te dos governan-tempos de hoje, dos governan-tempos de crise, dos tempos de fome, dos tem-pos de inquietação social vividas pelo Rio G r a n d e do Norte nos dias de hoje.
RN/ECONÔMICO — A propósito d e s s a inquietação social, ele mesmo Agripino, além do Senador Dinarte Mariz, além de outros políticos do PDS mesmo, têm falado muito sobre uma possível tensão social. Você, que tem acompanhado muito esse proble-ma, sobretudo na Emergência, o que acha?
GARIBALDI — Eu acho que nós n u n c a tivemos tão perto de uma con-vulsão social. Agora, isso você ouve. Eu ouço, por exemplo, no gabinete da 11
Assembléia Legislativa, u m a pessoa q u e m e diz: olhe, Garibaldi, se conti-n u a r essa situação de desemprego, eu não tenho como alimentar m e u s fi-lhos, qualquer dia desse eu posso p a r t i r para um quebra-quebra, me m e t e r num movimento desses. No interior, você ouve isso quando você visita u m a frente de Emergência. Um f l a g e l a d o diz, olhe deputado é porque a i n d a não tive apoio dos m e u s com-p a n h e i r o s , mas eu não sei como o Go-v e r n o deixa esses feijões armazena-dos, com essa história de recomposi-ção d e estoque. Não sabe ele que o povo com fome não vai a g u a r d a r essa recomposição de estoque. O trabalha-dor diz: não sei porque a gente não invadiu aquele armazém da Cida para tirar d e qualquer maneira aquele fei-j ã o . Isso eu ouvi em Campo Redondo.
Acho que nós estamos muito perto de acontecimentos muito graves, se não t o m a r m o s outra direção, não abrir-m o s outras alternativas para a popu-lação, é a história: a fome é má con-selheira. Teremos fatos muito gra-ves. Quem tem contatos com o povo, contatos diretos, sabe disso. Se o Se-n a d o r DiSe-narte Mariz e o GoverSe-nador J o s é Agripino falaram isso é porque ouviram alguma coisa nesse rumo. Eu ouvi já. Ouvi e tenho sensibilida-d e . .Já tivemos invasões no interior, já tivemos movimentos de desempre-g a d o s e podemos ter movimentos muito mais graves, principalmente aqui no Nordeste. Porque há uma in-sensibilidade muito g r a n d e com rela-ção aos problemas do Nordeste. E se s u b e s t i m a muito o ânimo da popula-ção nordestina. Se olha muito o
nor-Do Colégio Marísta até o
Há 23 anos passados a política do Rio Grande do Norte ainda não era um condomínio fechado gera-do por umas poucas famílias, e a bipolarização já existente, era feita ainda entre o PSD e a UDN. Os oradores dos comícios usavam pa-letó e gravata, e o público, se limi-tava a bater palmas no final dos discursos, ouvindo o cântico das alas moças.
Isso, em f 960, quando todas es-s a es-s coies-saes-s começaram a mudar.
Foi nessa época que conheci Ga-ribaldi Alves Filho, um menino muito magro, de enormes óculos com lentes que pareciam o fundo de garrafas, proeminentes dentes não disfarçados pelos lábios, bra-ços longos. Como eu, aluno do Co-légio Marista e que me transmitia as notícias da campanha eleitoral que se desenrolava.
Garibaldi tinha pouco mais de dez anos, mas já acompanhava a movimentação do seu tio Aluízio Alves, candidato ao Governo que pregando uma nova mensagem e usando modernas técnicas de pro-paganda e marketing eleitoral con-seguia interessar pela sua luta, até m e s m o secundaristas como Gari-baldi e eu próprio.
Não se coloque e s s e interesse pelo parentesco puro e simples-mente. Mesmo porque, naquela época as oligarquias não haviam
se sedimentado aqui como ocorreu depois de 64, e se existiam filhos, genros e sobrinhos, de políticos influentes exercendo algum man-dato, era principalmente em fun-ção da própria vocafun-ção de cada um. E, neste caso faço questão de citar o exemplo de Aluízio Bezer-ra, no PSD, ciya carreira política não pode ser explicada apenas pelo fato dele ser sobrinho do ca-cique Theodorico Bezerra, que ter-minou incomodado e sentiu-se ameaçado pelo jovem parente.
Terminada a campanha, menino ainda, Garibaldi era o único da sua geração na família Alves, a fre-quentar o Palácio do Governo, en-tão chamado da Esperança.
A s fotc rafias da época, em visi-tas de personagens importantes, ou dos atos mais marcantes do Go-verno fixam a imagem daquela fi-gurinha que testemunhava tudo, ocupando sempre um segundo plano, sem >e conflitar nem com os políticos, nem parecer um dos as-p o n e s que .já abundavam as-pelos ga-binetes.
Foi nessa época que reencontrei Garibaldi. Aprovado no Vestibu-lar da ! .a Turma da Faculdade de
Jornalismo Eloy de Souza, fui cha-mado por Walter Gomes para inte-grar a nova TN (nome dado então a «Tribuna do Norte») e, nesta con-dição presenciei as primeiras
in-vestidas de Garibaldi, ou Gaty, co-mo todos nós o chamávaco-mos, no mundo da política.
N e s s e tempo, o hoje deputado Henrique Eduardo, filho do Go-vernador do Estado, estava mais preocupado com o Departamento de Futebol de Salão do América que servia, apesar de jovem, como atleta talentoso e magânimo diri-g e n t e , enquanto Garibaldi já parti-cipava da movimentação política, acompanhando Erivan França que era responsável pela movimenta-ção da então Cruzada da Esperan-ça em Natal.
Na eleição de 1965, Garibaldi já era uma figura de destaque na mo-vimentação eleitoral, mesmo sem ser candidato, substituía eventual-mente Erivan França nos progra-m a s da Rádio Cabugi e escrevia artigos e notas para a Tribuna, on-de só não conseguiu ser repórter de pauta, da geral. Seu negócio só era política.
Terminada a eleição de 1965, Garibaldi foi com o tio Agnelo para a Prefeitura, ocupando a Che-fia da Casa Civil, cargo habitual-mente ocupado por parente do Go-vernante, sendo o único da equi-pe a travar contato com a popula-ção mais pobre da cidade e contri-buir para a manutenção da popula-ridade do seu grupo familiar, en-quanto cursava a velha Faculdade
destino como aquele flagelado, aque-le coitadinho, incapaz de qualquer reação. Mas nesses dias podere-mos ter fatos graves aqui. O coitadi-nho um dia pode dar um grito dife-r e n t e . Em lugadife-r d e sedife-r apenas um grito de dor, pode ser um grito dife-r e n t e . Eu temo muito podife-r essa situa-ção.
RN/ECONÔMICO — E essa cor-rupção na Emergência? Se fala muito na corrupção. Mas as notícias são muito desencontradas.
GARIBALDI — As notícias são de-sencontradas até porque o Governo não q u e r apurar essa corrupção. Ela p o d e até não ter sido bem denuncia-da, pode ser até q u e haja uma omis-são da oposição em não denunciar a coisa corretamente. Eu posso até re-conhecer isso. Afinal de contas todos
nós vivemos num ambiente político e aqui e acolá somos condicionados por d e t e r m i n a d a s situações. M a s o Go-verno não quer apurar essa corrup-ção. E ela existe. E é um dos capítu-los mais vergonhosos dos dias atuais. Ela reflete não apenas a corrupção oficial. Ela reflete uma insensibilida-de muito graninsensibilida-de das nossas elites políticas, das nossas chefias políti-cas. Na medida em que, numa hora de f o m e como essa, em nossa Emer-gência, se o Governo quisesse apurar m e s m o iria; e tem muito comerciante alistado na Emergência, muito fun-cionário público. Eu quero lhe dizer, lhe revelar um fato. Eu digo que há u m a certa omissão da oposição... eu sei lá. A gente as vezes é condiciona-do. 0 pessoal diz muito: vociês preci-sam ter cuidado com isso, podem
pre-lardim de Infância do MDB
d e Direito da Ribeira, onde ingres-samos, ele, Luiz Antônio Porpino e e u próprio, depois de memorá-vel Vestibular, onde a nossa preo-cupação era «o adversário» Ma-noel Varela, examinador de Portu-g u ê s , que terminou nos fazendo justiça e nos conferindo altas
no-tas.
Depois do AI-5 e das cassações na família, abriu-se um grande es-paço e a carreira política de Gari-baldi começou nas urnas. Embora sem a intimidade de outros tem-pos, acompanhei de longe sua pri-meira eleição, torcendo por ela, não apenas por reconhecer a voca-ção dele, mas, sobretudo reconhe-cido a uma generosa carta que re-cebi de Garibaldi, quando me en-contrava preso na Base Aérea, enquadrado na Lei de Segurança Nacional, meses antes, pela
res-ponsabilidade d e ser editor d a
« Tribuna do Norte ».
Nas páginas do Diário de Natal batizei a turma que levava o MDB para as ruas — Garibaldi, Henri-que, Iberê Ferreira de Souza, Toinho Câmara, Magnus KeOy e Carlos Alberto — de «Jardim da Infância».
Já não privava da intimidade do grupo, mas, soube na época que, nessa primeira eleição em 1970, a opção da família Alves para dispu-tar a Câmara Federal era
Gari-baldi, e o próprio Henrique que havia feito um tímido debut polí-tico, ao lado do pai, nas elei-ções municipais de 68, participan-do d e alguns comícios no interior, concordava em disputar a Deputa-ção Estadual, quando houve uma virada de mesa familiar, e o lugar reservado para Gary terminou ocu-pado por Henrique.
Garibaldi foi para a Assembléia Legislativa liderar uma bancada de «meninos», tendo de enfrentar um Governador do Estado, com larga experiência parlamentar, que comparecia a Assembléia, debatia com Deputados, e quando interpelado pela Oposição, condi-cionava indagação a resposta de uma pergunta sobre assuntos eco-nómicos. Apesar disso, na Oposi-ção, o grupo fortaleceu-se.
Para o segundo mandato, a difi-culdade de fazer Oposição a um Governo que já havia acabado e já estava cassado, conviver em regi-me de paz pública, com a adminis-tração que deveria combater e ainda participar de um acordo com o partido adversário. Mesmo per-dendo a condição de mais votado, em Natal e em todo o Estado, Gari-baldi conseguiu sobreviver.
No terceiro mandato, ainda na paz pública, começou por assinar uma nota contra o movimento rei-vindicatório dos professores,
ape-sar de ser deputado de Oposição. Cargo que terminou por assumir, de verdade, quando se deteriora-ram as relações do então Gover-nador Lavoisier Maia com sua fa-mília. E na Oposição cresceu, à ponto dele receber uma votação para Deputado Estadual que lhe elegeria Federal em qualquer le-genda, embora em algumas re-giões — como no Agreste — não tivesse podido sequer comparecer a comícios, por determinação do comando partidário, que aceitava imposição de outros candidatos.
Há 12 anos está na Assembléia. Liderou Carlos Alberto, que de-pois foi Deputado Federal e agora é Senador; lutou ao lado de Toinho Câmara, hoje na Câmara Federal, da mesma forma que Iberê Fer-reira de Souza, que não foi Depu-tado Federal por pouco, mesmo numa legenda disputada como a do PDS tivesse ultrapassado a bar-reira dos 40 mil votos. Sobrou Magnus que não resistiu ao acordo de 78.
Garibaldi ficou. Ficou como se tivesse que desempenhar somente as posições secundárias. Sem vez nem voz no grande palco da políti-ca nacional, tendo apenas um lu-gar na platéia, enquanto sua gera-ção começa a ocupar os principais papéis.
CASSIANO ARRUDA
j u d i c a r se a coisa for muito adiante. O Governo faz muita chantagem com isso. Lá em nossa região, em Pedro Avelino, nos dias de p a g a m e n t o da E m e r g ê n c i a os ônibus chegam cheios d e g e n t e que mora aqui em Natal pa-ra r e c e b e r dinheiro. Gente que mopa-ra a q u i , e não é d e s e m p r e g a d o e vai lá r e c e b e r . E há a história da discrimi-n a ç ã o política, q u e é outro capítulo t a m b é m odiento. O q u e eu quero di-zer a você é q u e não estamos muito d i s t a n t e daquela história da indústria da seca.
RN/ECONÔMICO — Além da cor-rupção da Emergência, lembra-se de outros períodos da vida nacional com tantos escândalos?
GARIBALDI — Pelo menos, se vo-cê cobra isso de mim, eu confesso q u e não. A corrupção vem de cima p a r a baixo. Há um estado de desmo-ralização e corrupção no País que cê t e m os g r a n d e s escândalos lá, vo-cê t e m hoje, de qualquer maneira o noticiário, apesar da auto-censura e à m e d i d a que vê os g r a n d e s escânda-los, com o Governo conivente —a his-tória do ladrão de gravata não vai pa-ra a prisão — ocorre o estímulo papa-ra t u d o isso. É uma cadeia de corrupção q u e se instalou no País inteiro por conta da impunidade e você não sabe como quebrar isso, porque se sente m u i t a s vezes impotente para se le-v a n t a r contra isso. É lamentále-vel. O q u e acho que há em nossa sociedade é o seguinte: além da corrupção ser um sistema muito forte, hoje, até como se diz — multinacional —, o
q u e acho é haver omissão — por con-ta da descrença e da impunidade —, p o r q u e o lado bom não se sente esti-m u l a d o a denunciar. Porque corre o risco e depois há o risco de não haver punição nenhuma. É verdade que h o u v e o exemplo do escândalo da mandioca e eu não possa avaliar o
Acho que o País
precisa passar
por mudança
com democracia
bem q u e isso possa ter feito, pelo me-nos com a divulgação que se fez. Ser-viu como exemplo, como u m a lição. H á exemplos, há denúncias. M a s não a d i a n t a , por exemplo, ir ao Tribunal d e Contas contra tal administrador p o r q u e o controle desse órgão é téc-nico e não gera n e n h u m a punição.
RN/ECONÔMICO — Não seria uma questão de atualizar os métodos de controle?
GARIBALDI — Eu coloco isso em t e r m o s morais. Eu acho que o País precisa passar por u m a mudança, em t e r m o s democráticos, eleições diretas em todos os níveis. O que há aí são p e s s o a s se mantendo nesses car-g o s a custa de diversos expedientes e m a n t e n d o essa corrupção. Acho q u e a coisa deveria ser colocada em t e r m o s muito amplos em termos de
m u d a n ç a moral. A gente pensar que, tecnicamente, vamos nos aparelhar p a r a combater a corrupção... a cor-r u p ç ã o já ganhou muitas etapas, es-tá muito aperfeiçoada.
RN/ECONÔMICO — Diante desse raciocínio de que a técnica nada adianta contra a corrupção, a Sudene, atualmente, perdeu a sua finalidade original?
GARIBALDI — A Sudene é uma coisa que me dói. Eu sou de uma ge-ração em que a Sudene era um mito. E n t ã o , hoje, eu como político tenho oportunidade de ir a Sudene, tenho oportunidade de ter acesso ao que r e p r e s e n t a ela e isso me dói, me c o n s t r a n g e o seu esvaziamento. Ela se desfigurou, perdeu totalmente a q u e l e papel de coordenação, de lide-r a n ç a . Eu não sei somente o fato dela t e r deixado de ser um órgão ligado a Presidência da República (no tempo do Governo João Goulart, quando Celso Furtado estruturou a Sudene, ela era ligada à Presidência da Repú-blica). Eu não sei se foi só esse aspec-to, mais técnico, mais administrati-vo, ela ter perdido esse poder. Não sei se foi só isso. Ou se foi o esvazia-m e n t o financeiro. Ou foi realesvazia-mente o corte dos seus recursos, do programa dos seus incentivos, na medida em q u e ela tinha os incentivos dirigidos p a r a o Nordeste e estes incentivos fo-ram desviados para outras regiões; eu não sei mesmo se foi a má aplica-ção dos recursos. O que eu sei mesmo é q u e reduziram a nossa Sudene — pelo menos a Sudene que representa va t u d o isso para minha geração — a um tamanhinho, que a gente chega a ter dó dela. Mudou a filosofia. Você se lembra da Sudene a p e n a s porque ela e s t á com não sei quantos carros-pipas, controla os carros-pipas. A Su-d e n e hoje é uma mera executora Su-do q u e os homens lá em cima pensam, do q u e o Governo Federal decide e m a n d a a Sudene executar. Mas ela não t e m nenhum papel de coordena-ção. Deixou o seu papel de planeja-m e n t o , para apenas executar as dire-trizes emanadas lá de cima do Gover-no Federal. E e s s a s diretrizes emana-d a s lá emana-de cima emana-do Governo Feemana-deral você sabe quais são: são as de manter e s s a região nesse estado de depen-d ê n c i a . Pelo menos estão mantendepen-do. RN/ECONÔMICO — 0 PMDB, co-mo Partido de Oposição no Estado, tem um programa de objetivos no Es-tado. Quais são esses programas e objetivos?
GARIBALDI — O PMDB tem as di-ficuldades no Rio Grande do Norte
q u e tem o partido a nível nacional, na m e d i d a em que é uma f r e n t e partidá-ria, n ã o é um partido tão homogêneo, como se deseja, como se espera. Mas eu ainda acho que, se a gente fosse f a z e r uma análise das secções regio-nais do PMDB, talvez a nossa fosse u m a das mais homogêneas, uma da-q u e l a s da-que apresenta menos fraturas, a p e s a r de todos os problemas que vo-cês até poderiam rememorar para m i m . Mas no estágio do PMDB de hoje, n ã o é um daqueles mais sacudi-dos por lutas internas, não. Agora, o q u e o PMDB tem pela f r e n t e aqui no E s t a d o é uma máquina colossal, um s i s t e m a colossal, que ele tem de der-r o t a der-r e deder-rder-rubader-r, e que é pder-reciso uma luta titânica, uma luta diária, pre-s e n ç a no Epre-stado. Ipre-spre-so é um fato. Para se afirmar e se estruturar, o Partido precisa realmente de ter uma luta muito grande no Rio Grande do Nor-t e .
RN/ECONÔMICO — Se bem que não seja o seu partido, mas você acha que o PDS do RN manterá uni-dade em torno de Andreazza?
GARIBALDI — Eu acho difícil. A g o r a , ao mesmo tempo, eu lhe digo u m a coisa: o sistema que está aí, o Governo do sr. José Agripino Maia, não brinca em serviço não. Os dele-g a d o s não são deputados. Na banca-da federal você vê divergência em re-lação a isso porque eles são deputa-dos-eleitores. Mas já na escolha aqui do colégio, do Partido, você não vê maiores problemas, porque o jogo é de cartas marcadas. Os delegados são secretários de Estado, demissí-veis. Então, não há problema. Agora, se você me dissesse que iria haver de q u a l q u e r maneira um processo de de-mocratização de escolha desses dele-g a d o s , aí o Governador teria muitas dificuldades. Se não há é porque não se deu nem uma oportunidade dos deputados participarem do colé-gio eleitoral.
RN/ECONÔMICO — Como as li-deranças do antigo PP, vêem certas posições consideradas ortodoxas do PMDB na sua atuação no Estado?
GARIBALDI — Bem: eu que vivo m a i s esse dia-a-dia aqui no Estado não tenho encontrado nesse diálogo. E s s a s posições de pessoas que vam o MDB antigo e as que forma-vam o PP, não têm dificuldades de convivência. Pode ser até que os fa-tos depois venham desmentir isso a g o r a . Mas eu digo a você que estive à f r e n t e de vários acontecimentos: participei da greve dos professores, participei agora desse movimento dos R N / E C O N Ô M I C O — Outubro/83
e s t u d a n t e s — q u e o Governo tentou reprimir — e em todos e s s e s aconte-cimentos você s a b e q u e aquelas fi-g u r a s do PMDB ortodoxo muitas ve-z e s poderiam até ter um p e n s a m e n t o um pouco diferente, do PP, q u e é le-vado a ter uma certa moderação, m a s não se registrou n e n h u m a
discre-A oposição não
vai abrir
mão dos seus
trunfos agora
p â n c i a . Agora, não deixo de assina-lar p a r a vocês q u e o PMDB daqui é a f r e n t e que existe em todo o País. E n t ã o , a qualquer momento, nós po-d e r e m o s ter algum problema. Eu não estou negado a vocês que não. Mas q u e até agora, essa convivência, não t e m sido difícil.
RN/ECONÔMICO — Acredita o deputado na volta do antigo PP, na articulação de um novo partido?
GARIBALDI — Eu não acho fácil o s u r g i m e n t o disso, pelo menos a curto prazo. E verdade que nós recebe-m o s essas notícias assirecebe-m pelos jor-nais, assim as vezes até tardiamente, sem acompanhar b e m . M a s eu não acho fácil, numa hora como essa a Oposição abrir mão dos trunfos de q u e dispõe atualmente, que é d e u m a maioria parlamentar, que é d e u m a
f r e n t e de governadores respeitados. Abrir mão disso tudo... Só se fosse p a r a formar uma força respeitável, u m a espécie de fiel da balança. Por-q u e abrir mão do Por-que o PMDB repre-s e n t a hoje, diante da opinião pública, p o d e ser perigoso, pode ser precipita-do. Não acho fácil. Sei que há cons-trangimentos, no PMDB atual. Cons-trangimentos que são facilmente as-similáveis. Mas já que estamos falan-do em termos nacionais, sabemos q u e há pensamentos diferentes. Tan-credo Neves já disse uma vez, e eu m e lembro bem, que na porta em que Miguel Arrais entrasse ele não entra-ria. Depois os dois terminaram en-t r a n d o , porque muien-tas vezes as con-tingências empurram os homens pú-blicos a enfrentar contingências que eles não prevêem. O importante é q u e tivéssemos u m a organização par-tidária de verdade, em que cada um procurasse o seu lugar. Mas, se a g e n t e for procurar isso, se a gente for a t r á s do sonho, for atrás do passari-n h o que está voapassari-ndo para deixar o q u e tem na mão, a gente pode decep-cionar o povo brasileiro, os novos eleitores, os nossos contingentes de seguidores e isso pode ser fatal.
RN/ECONÔMICO — Como é que o deputado traçaria o perfil de um go-vernante democrático para o Rio Grande do Norte?
GARIBALDI — Se fala muito nesse Governo democrático e participativo. Isso, no Brasil, ainda é uma utopia, por incrível que pareça. Não sei o que é q u e vem concorrendo, para que os 15
ditos Governos democráticos não rea-lizem isso na sua plenitude. Eu acho, por exemplo, que no Rio Grande do Norte era hora de um governante dialogar. Eu não vejo dificuldades de, n u m a hora difícil como essa, um go-v e r n a n t e sentar-se numa mesa, dia-logar com líderes empresariais, com lideranças de classes trabalhado-r a s , com estudantes, dialogatrabalhado-r, en-f i m , com a sociedade. Não vejo q u ê isso não aconteça. Não vejo por-q u ê isso se constitua numa utopia. É difícil acreditar no que eu vi na frente da Assembléia: a Polícia jogando gás lacrimogêneo nos estudantes pelo s i m p l e s fato deles quererem realizar u m a passeata pelas suas reivindica-ções. E o Governo, num simplismo, n u m a inabilidade gritante, confundir isso com agitação, com convulsão so-cial, impedindo isso. Eu acho que o d r . José Agripino não estava prepara-do p a r a enfrentar esse estaprepara-do de coi-s a coi-s . Então, ecoi-stá coi-sendo difícil para ele e s s e Governo participativo, ele que teve u m a brilhante vitória. Ainda era h o r a dele despertar para isso. •
Um Jeito positivo
do Café São Luiz poupam Garibal-di. Pelo menos, o poupam de ata-ques pessoais e de destemperos verbais usuais na calçada daquele Café no decorrer das discussões mais apaixonadas. Os govemistas mais ferrenhos ou os dinartistas ortodoxos podem discordar dele e repelir as suas críticas, mas o respeitam como pessoa humana e o consideram livre de manchas e marcas. Durante alguns dias, há dois meses, começaram a surgi» farpas diárias em órgãos do Gover-no contra certas posições de Gari-baldi. Mas o efeito foi tão negativo que a aparente campanha de neu-tralização do seu nome cessou tão rapidamente como começou. A única dúvida que parece realmen-te pairar é: estará ele realmenrealmen-te preparado para exercer o cargo de Governador do Rio Grande do Nor-te? Essa dúvida surge mais do pouco conhecimento das qualida-d e s qualida-de Garibalqualida-di. Sua moqualida-déstia e ponderação têm escondido o brilho e a segurança de que é capaz. Uma pesquisa realizada por
RN/ECONÔMICO, de modo alea-tório e sem qualquer pretensão a trabalho definitivo, revelou que o Deputado Garibaldi Alves Filho é o político com menos arestas no Rio Grande do Norte. É um dado realmente surpreendente. Sobre-tudo, porque ele pertence a uma família que tanto sabe cultivar adeptos como acirrados inimigos. Maiss o próprio Garibaldi, apesar de atencioso e conciliador, é um oposicionista combativo, implacá-vel crítico do Governo, vigilante incansável da corrupção e incapaz de perder oportunidade de defder uma causa onde estejam en-volvidos funcionários públicos e amplas faixas da população. A sua combatividade, pelo que RN/ECONÔMICO ouviu, não chega a gerar ódios ou rancores pessoais — o que é também um acontecimento muito raro na polí-tica do Estado.
SEM MARCAS — As discus-s õ e discus-s maidiscus-s apaixonadadiscus-s na calçada
de trabalhar
POLITICA
Os problemas inesperados
que cercam o Governador
Nos últimos dias, têm-seavoluma-do n a imprensa diária denúncias e críticas ao Governo José Agripino, com abordagens que vão d e s d e a su-p o s t a su-prática de corrusu-pção na Secre-taria da Educação, até u m a extensa e p o l p u d a lista de superfuncionários, os Secretários de Estado, que acumu-lam cargos a fim de engordar mais sua remuneração mensal. Os proble-m a s surgeproble-m exataproble-mente quando Jo-sé Agripino atinge a marca de sete
d a d e d e adoção d e medidas de auste-r i d a d e e mais: quando a impauste-rensa publicar qualquer informação desa-b o n a d o r a de qualquer Pasta ou enti-d a enti-d e a ela suborenti-dinaenti-da, o Secretá-rio deverá imediatamente providen-ciar a resposta, esclarecendo de pron-to o f a t o .
A reunião serviu para que surgis-se a especulação de q u e Agripino r e u n i r a seus auxiliares para u m a for-mal e vigorosa advertência, já q u e
se-Agripino com problemas inesperados m e s e s de Governo e terão, certamen-te, desgastado a sua imagem, até e n t ã o intocada, d e s d e a campanha eleitoral. A tudo isso some-se o as-sassinato do Prefeito de Angicos, Expedito Alves, cujo grupo politico-familiar insiste em dar ao crime fei-ções de ordem política, o que não dei-xa d e influir negativamente para o Palácio Potengi.
Além disso, as acusações de perdu-l a r i s m o também incomodam o Gover-n a d o r .
O Governador, entretanto, tem de-m o n s t r a d o preocupação code-m tais acontecimentos e chegou a presidir u m a demorada reunião na Secretaria da Agricultura, com toda a sua equi-p e d e equi-primeiro escalão e equi-presidentes de e m p r e s a s de economia mista, ad-vertindo-os da importância e
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Problemas vão ao Palácio
te m e s e s são um tempo muito pouco p a r a um tão grande d e s g a s t e . A par-tir d e s s a reunião, houve mesmo q u e m suspeitasse de uma ampla mo-dificação no quadro de primeiro es-calão, ejetando-se para bem longe a q u e l e s que estejam fazendo papel m a i s comprometedor, como o Secre-tário do Interior e Justiça, Manoel de Brito, que admitiu de viva voz estar comprando carne para os estabeleci-m e n t o s penais do Estado seestabeleci-m obede-cer à s regras de concorrência públi-ca.
SAQUES E MULTIDÕES — Agri-pino, contudo, nega qualquer valida-d e à informação valida-de que estaria em iminente reforma de Secretariado, g a r a n t i n d o que todos merecem a sua confiança. Mas os bastidores políti-cos sustentam uma antítese: o Gover-n a d o r estaria apeGover-nas esperaGover-ndo a de-cantação dos acontecimentos, para, n e g a n d o - s e a agir sob pressão da im-p r e n s a e oim-pinião im-pública, vir a fazér, em f u t u r o mais tranquilo, todas as modificações anunciadas pelas folhas de Natal.
Tudo, na verdade, contribui para funcionar como obstáculo na pista es-treita por onde equilibra-se o Gover-no. Assim, avolumam-se os proble-m a s sociais, econôproble-micos e financei-ros, com o quinto ano consecutivo de seca, gerando fome, inexistência da s a f r a e sensível queda no ICM de p r o d u t o s agropecuários. Notícias de s a q u e s e multidões famintas chegam q u a s e que diariamente às redações de Natal, ao mesmo tempo em que p r o p a g a m - s e notícias, por exemplo, de racionamento d ' á g u a para toda a c i d a d e de Natal.
Além disso, verifica-se qu até o m o m e n t o , o Governo nada conse-g u i u , em termos administ uivos. M a s , quanto a esse aspecto José Agripino tem assegurado que, par-tir de 84, começarão as obras, como r e s u l t a d o das inúmeras viagens que tem feito a Brasília, na busca de ob-tenção de recursos a f u n d o perdido, p a r a aplicação nos diversos setores da atividade governamental.
ALCATEIA DE PROBLEMAS — Registre-se, também outro problema q u e funciona de forma a desgastar a i m a g e m do Governador: o lastimável e s t a d o do Hospital Walfredo Gurgel, o n d e médicos ficam com salários a t r a s a d o s e falta até mesmo gaze e e s p a r a d r a p o para os mais corriquei-ros atendimentos. Agripino, afinal.