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Perspectivas de implementação do atendimento educacional para surdocegos no Ceará

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Academic year: 2021

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ISBN: 978-85-89872-42-3

PERSPECTIVAS DE IMPLEMENTAÇÃO DO ATENDIMENTO

EDUCACIONAL PARA SURDOCEGOS NO CEARÁ

Luiz Carlos Souza Bezerra

Universidade Católica de Pernambuco [email protected]

Wanilda Maria Alves Cavalcanti

Universidade Católica de Pernambuco [email protected]

Introdução

As políticas públicas, nos últimos anos, têm propi-ciado momentos de discussão, que buscam refletir sobre o processo de ensino-aprendizagem e avaliação educa-cional, de alunos com ou sem necessidades educativas especiais. Dessa forma, as práticas educativas e o pla-nejamento educacional devem passar por reformulações a fim de atender à diversidade de alunos que chega a escola, e, que por muito tempo permaneceram à margem dos sistemas educacionais, como no caso de surdocegos e de tantos outros.

De um modo geral, a escola não está preparada para atender esse público, especialmente porque desconhe-cem o que é a surdocegueira e quem é o surdocego. Esse fato repercute nas propostas educacionais, bem como, na oferta de serviços. Nesse caso, a escola precisa conhecer esses alunos, para que possam apoiar sua inclusão em ambientes onde o conhecimento circula cotidianamente.

O aluno surdocego está na escola ou pelo menos era de se esperar que estivessem, para que pudessem receber atendimentos adaptados às suas necessidades, interesses, limites e possibilidades.

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Nesse caso, identificar as necessidades de surdoce-gos constitui-se uma condição recomendada para quem labuta nesses ambientes. No entanto, são pouco conhe-cidas da população, pouco abordada por pesquisadores, que, em geral, desconhecem a singularidade desse gru-po. Por esse motivo, os atendimentos propostos para es-ses sujeitos são bastante incipientes.

Em se pensando numa sociedade inclusivista em que todas as pessoas têm direito de receber atendimento às suas necessidades humanas, sejam específicas, so-ciais e afetivas, questionamos como esses atendimentos vêm sendo realizados. De acordo com Cader-Nascimento e Costa (2005), por se tratar de um atendimento bastante reduzido, não são muito difundidas as metodologias que podem ser empregadas, bem como as prioridades dos atendimentos oferecidos, além das configurações previs-tas nos sistemas de avaliação. Da mesma maneira, ou-tra preocupação nos adverte que a falta de informações mais precisas sobre o perfil dessas pessoas, repercute no planejamento de ações que devem encetadas para de-senvolver suas habilidades comunicativas, educacionais e laborais. Precisamos conhecer esses sujeitos, no entan-to no Ceará, não temos conhecimenentan-to de propostas que busquem identificá-los, e, conseqüentemente incluí-los no sistema de ensino público.

É por meio dos canais sensoriais (audição e visão) que o homem recebe as informações do ambiente. Dessa forma, os surdocegos podem ser definidos como “aque-les que têm uma perda substancial de visão e audição de tal forma que a combinação das duas deficiências cause extrema dificuldade na conquista de metas educacionais, vocacionais, de lazer e sociais” (MONTEIRO, 1996).

Apesar de estarem acometidos dois sentidos sen-soriais, essa condição é considerada como única e não

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como o somatório das duas perdas, pois possui caracte-rísticas próprias, necessitando de atendimento às suas especificidades. Não deve ser esquecido que os surdo-cegos são igualmente pessoas produtivas, desde que te-nha oportunidade para se exercitar, como qualquer outro cidadão.

Diante dessa constatação, vislumbramos a necessi-dade de desenvolver pesquisas que sirvam de incentivo à implementação e/ou reestruturação de programas de atendimento a surdocegos.

O que importa nesse atendimento não é o grau das perdas auditivas e visuais, mas sim a sua funcionalidade, que uma vez comprometida, pode dificultar o processo natural de desenvolvimento da comunicação e impedir a exploração do meio no qual está inserido.

Os teóricos da área são unânimes em afirmar que esta condição pode ocorrer em dois períodos distintos: pré-lingüístico (antes de aquisição de uma língua) e pós-lingüístico (após aquisição de uma língua). Cader-Nas-cimento e Costa (2005) afirmam que, independente do período em que surge, a surdocegueira altera o processo de desenvolvimento da pessoa. Acreditamos não só no seu desenvolvimento, mas também na sua inserção na comunidade escolar e na sociedade.

Conforme Maia e Aráoz (2002), muitas vezes os sur-docegos, quando bebês, são diagnosticados como para-lisados cerebrais, uma vez que suas dificuldades senso-riais impedem seu desenvolvimento psicomotor, ou ainda como autista, por apresentarem movimentos estereotipa-dos na procura de estímulos através estereotipa-dos resíduos visu-ais e auditivos que possuem. Dessa forma, a proposta educacional precisa contemplar as necessidades desses

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educandos, oferecendo possibilidades diversificadas de aprendizagem significativa.

A história da educação de pessoas surdocegas es-teve sempre próxima da educação de surdos. Há regis-tros dessas pessoas que conseguiram desenvolver uma comunicação que viabilizou a aprendizagem da leitura, escrita, concluir o ensino superior e atingir estudos de pós-graduação (Amaral 2002).

No Brasil, os atendimentos educacionais aos sur-docegos só foram iniciados oficialmente na década de 60. Mesmo assim, após 40 (quarenta) anos poucos são os serviços existentes, bem como reduzidas são as in-formações sobre esses atendimentos e suas prioridades (CADER-NASCIMENTO e COSTA, 2003; 2005).

No Nordeste, quase não dispomos de dados a res-peito das prioridades dos atendimentos, do perfil dessa população, e das principais causas que podem acarre-tar essa condição. Conseqüentemente, o contingente de serviços é do mesmo modo reduzido o que mostra que o crescimento quando ocorre, é bastante lento.

Essa informação nos coloca diante de um projeto que tende a não mostrar uma evolução crescente como tantos outros, mas seguramente, estamos diante de um grande desafio para a sociedade que ainda não foi sufi-cientemente esclarecida para o papel que deve exercer nessa dimensão.

Buscamos neste trabalho caracterizar o planeja-mento dos atendiplaneja-mentos educacionais à pessoa surdoce-ga, bem como, as políticas públicas de atenção a esses sujeitos, a fim de oferecer possíveis contribuições para a proposta inclusiva.

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Metodologia

Este trabalho teve parecer favorável a sua realiza-ção pelo Comitê de Ética em Pesquisa do HEMOPE, sob número: 020/07.

Inicialmente foram contactadas as instituições que oferecem atendimento a surdocego no Estado e com a Ge-rência de Educação Especial, explicando os objetivos do trabalho. A amostra constitui-se de dois sujeitos: um in-tegrante da equipe de Educação Especial do Estado e um gestor de uma instituição que oferecem atendimento a essa população, localizada na capital do Estado (Fortaleza).

Para cada sujeito participante foi entregue um ter-mo de consentimento livre e esclarecido, com a finalida-de finalida-de obter a autorização e informando-o sobre a coleta e análise dos dados.

Os dados foram coletados através de entrevistas semi-estruturadas, gravadas e posteriormente transcri-tos para análise e discussão.

Para análise dos dados optamos por uma metodolo-gia qualitativa apoiando-nos neste momento nas propos-tas apresentadas por Minayo (1998). Para melhor análise, os dados foram divididos em dois grupos A e B (A: refe-rente à Gerência de Educação Especial e B: referefe-rente aos dados obtidos com o gestor da instituição).

Resultados e Discussão

A) Resultados e discussão com o responsável pela

Educação Especial

O início dos atendimentos no Estado do Ceará deu-se há aproximadamente três anos, portanto, o ano de 2004 marca esse início.

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A entrevistada 1 confirma esse dado, ou seja, os atendimentos a essa população são bastante recentes.

“Há uns três anos, mais ou menos”.

Através do seu depoimento pudemos detectar que a situação da educação a essa população na região, é bastante recente, o que de certo modo pode justificar al-gumas das dificuldades que a implantação desses servi-ços apontou.

No Brasil –especialmente na região Sul- embora esses atendimentos tenham ocorrido há mais tempo, ou seja, no início da década de 60, não ocorreu um cresci-mento correspondente ao número de anos transcorridos. Só recentemente é que o Ministério da Educação e Cul-tura (MEC) através da Secretaria de Educação Especial passou a estimular esse trabalho.

Os serviços mais consistentes, ainda continuam circunscritos ao sul do país e, mais concentradamente em São Paulo. A disseminação desse trabalho para o res-to do país não tem ocorrido com a freqüência desejada, ensejando que pensemos que talvez essas informações não sejam devidamente trabalhadas. Talvez, haja de fato, mais dificuldades não na implantação desses serviços educacionais, mas na sua implementação. Postados ao largo de iniciativas pontuais em cidades brasileiras pode não haver continuidade no processo de estudos desses grupos que foram iniciados.

É paradoxal que tragamos essa observação, pois sabemos de capacitações, pelo menos anuais, a partir das propostas feitas por esses grupos. Como então en-tender que essa veiculação não está sendo aproveitada pelas redes?

O que foi identificado é que no Ceará praticamente os serviços se encontram em fase de implantação, diante

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da estrutura operacional que envolve. Esse dado mostra que durante muito tempo esses sujeitos foram excluídos dos sistemas de ensino. Talvez, porque subestimassem a capacidade de aprendizagem ou porque realmente não tinham interesse e/ou conhecimento dessa condição.

O Estado do Ceará não tem o número exato de sujei-tos matriculados, como podemos verificar: “Olhe a gente

não tem uma estatística, porque é realmente um número muito pequeno [. ..] “.

Nesse caso, percebe-se que além de serem ofereci-dos poucos atendimentos aos surdocegos, não se conhe-ce bem a complexidade destes sujeitos. Apesar do MEC incentivar a importância de ter dados sobre todos os alu-nos, percebe-se que em relação à surdocegueira essa re-comendação não está sendo atendida adequadamente.

Diante de um número pequeno de alunos surdo-cegos inseridos nas salas de aula, é relativamente fácil enumerá-los e oferecer esse dado aos serviços que repre-sentam.

O que geralmente acontece com esse grupo é que a sociedade ainda não está devidamente informada e conscientizada a ponto de reconhecer o surdocego, e en-caminhá-lo para a escola. A entrevistada 1 faz uma esti-mativa da população que é atendida conforme veremos:

“... acho que o número que nós temos é uma média de dez pouco provável, dentro da capital né, porque do interior eu não sei lhe dizer”.

Mais uma vez, afirmamos que a Secretaria de Edu-cação também não possui informações fidedignas, sobre as propostas de atendimentos educacionais a esses alu-nos, no interior do Estado. Dessa forma, podemos infe-rir que a educação precisa conhecer melhor seu aluno e

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incluí-los na educação pública, para que possamos, de fato, contribuir para uma escola de todos.

Podemos verificar no discurso da entrevistada 1, que a Secretaria do Estado do Ceará busca “divulgar” a sur-docegueira, e já teve algumas iniciativas para resolver o “problema”, conforme verificamos no fragmento abaixo:

A gente faz ..., como é que a gente vai buscar ?... o ano passado a gente fez um curso, uma capacita-ção e a gente incluiu na disciplina surdocego, exa-tamente pra tentar diante dos professores pra vê se eles conseguiam captar, né ?. Então uma das ações é fazer capacitações para professores, que a gen-te fez o ano passado para quase mil professores, e dentre eles incluiu a disciplina de surdocegos. Acreditamos que ela julga não ser responsabilida-de da Secretaria responsabilida-de Educação buscar iresponsabilida-dentificar seus alu-nos. A entrevistada nos coloca diante da proposta de di-vulgação da surdocegueira através de capacitações para os professores, iniciativa importante para atingir através da formação continuada do corpo docente. No entanto, também é insuficiente para trazer o aluno para a escola.

Não adianta apenas convocar profissionais da área da surdocegueira para capacitações, e colocar a respon-sabilidade de serem multiplicadores de atendimentos nos professores, pois essa estratégia acaba falhando. Os docentes assistem às aulas, no entanto, não possuem a segurança devida que garante a formação de equipes. Percebemos também que a Secretaria de Educação pou-co se mobilizou, realizando capacitações, não pou- conseguin-do reunir surconseguin-docegos.

Em relação à preocupação com a criação de progra-mas que visam incluir o surdocego na sociedade a entre-vistada 1 respondeu da seguinte forma:

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Se a gente procura ? sim ... a gente tem feito o nos-so trabalho é em cima da política de inclusão, não é. Pra poder tentar incluir essas pessoas, só que são pessoas que agora estão se mostrando porque mui-tas vezes eles nem saem de casa e nem sabe que ... No senso, na estatística eles não parecem agora a política de inclusão tá uma coisa mais levantada, mais aberta, divulgada, eles tão começando a apa-recer, aparecer assim pra escola, buscando atendi-mentos.

A entrevistada 1 refere-se que os surdocegos agora que estão aparecendo. No entanto, eles sempre estiveram presentes, o que acontece é que a sociedade vem sendo instigada a olhar para pessoas que por muito tempo as ignorou, pois achava que não existiam. Mesmo com essa mudança de concepção percebemos que muita coisa mu-dou, mas ainda permanece essa concepção tradicional, como observamos nas políticas publicas de atenção a es-ses sujeitos.

Com relação à situação atual da população surdo-cega na educação, a entrevistada 1 expõe da seguinte forma: “... está engatinhando, tá começando, as pessoas

tão buscando, então agora as pessoas estão tentando”.

A fala desta entrevistada retrata um panorama ge-ral da educação a essa população no Estado, é algo que agora está iniciando. É lamentável que a situação ape-sar de estar iniciada, evolui lentamente. Não devemos nos esquecer que a surdocegueira é uma condição pouco discutida, considerada nova, o Estado e a sociedade não estavam preparados para atender suas reais necessida-des, visando contribuir para incluí-los. Mesmo diante do reduzido número de alunos, evidencia que as iniciativas já foram tomadas. Cabe a toda a sociedade encontrar es-tratégias que favoreçam sua inclusão.

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Como relatamos antes, a quantidade de sujeitos que freqüenta escolas e/ou centros de atendimentos é bastante reduzida. Apenas uma instituição, se localiza na capital do Estado, e, ainda não há registro de desenvol-vimento dessa prática no interior. Cremos que não hou-ve o devido trabalho para divulgação e promoção desses atendimentos.

Já com relação ao incentivo na ampliação dos ser-viços educacionais a entrevistada nos coloca da seguinte forma:

Mais ou menos ... a gente não tem um projeto por-que o atendimento já existe, ele é pouco como já lhe disse, ele tá começando, mas ele já existe só não tem um projeto para surdocegos.

Ela menciona que o Estado vem incentivando, em-bora, afirme que não há, ainda, um projeto direcionado a essa população. Por ser considerado novo o trabalho com surdocegos, eles não estavam preparados, mas como está começando, percebe-se que tiveram a intenção de trazer esses alunos à escola, assim como, adaptá-la para suas necessidades.

Vale salientar que se quisermos contribuir para uma escola inclusiva, é preciso a elaboração de projetos que promovam a integração escola-sociedade. Não adianta apenas oferecer capacitações sobre surdocegueira, se não forem divulgadas essas informações, bem como, as escolas devem participar desse processo para que haja sensibilização dos profissionais que poderão atender as peculiaridades desse público.

É uma grande responsabilidade que se coloca para os professores, em implementar serviços educacionais a esse público de alunos. Há necessidade de uma melhor integração entre a Gerência de Educação e os

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nais, para que possam encontrar estratégias que viabili-zem a inclusão desses alunos.

B) Resultados e discussão dos dados obtidos com

gestor da instituição

No Estado do Ceará foi identificada, apenas, uma instituição pública que oferece atendimento. Está locali-zada na cidade de Fortaleza.

De acordo com a entrevistada 2, a instituição iniciou o atendimento nos anos de 1995, há aproximadamente doze anos, mas, oficialmente com atendimentos específi-cos para alunos surdocegos, há quatro anos.

Segundo essa entrevistada, a escola conta com ape-nas seis alunos surdocegos, levando-se em consideração que só existe essa instituição escolar em todo o Estado.

A entrevistada 2 nos informa que a Secretaria de Educação vêm reconhecendo o trabalho que a escola desenvolve, embora deixe transparecer que para a Edu-cação Especial os investimentos não são significativos como deveriam.

Reconhece, reconhece, reconhece viu, tem reconhe-cido, tem chamado sempre que elas querem saber sobre surdocegueira, procuram a escola, eu acho que é um reconhecimento se bem que em termos de Educação Especial, assim, tudo é restrito. As polí-ticas ainda não oferecem as condições que a gente deveria oferecer. Educação já é colocada um pouco de lado, a Educação Especial que é um segmento, uma raizinha dessa Educação também é colocada de lado.

Em seu discurso, essa entrevistada afirma que as políticas públicas, ainda não conseguiram articular,

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quadamente os recursos destinados ao surdocego. A Educação como um todo sente a necessidade que se ofe-reçam melhor qualidade para as novas propostas, motivo pelo qual devem contemplar as reais necessidades dos educandos, sejam eles com ou sem necessidades educa-tivas especiais.

O que a entrevistada 2 relatou sobre os incentivos à ampliação dos atendimentos a surdocegueira, demons-tram que a Secretaria de Educação vêm contribuindo, in-centivando a ampliação dos atendimentos através da for-mação continuada, assim expresso no discurso abaixo:

Vem, inclusive foi como eu te falei, desde o início os cursos dados, oferecidos. A SEDUC deu foi três cursos de surdocegueira no Estado. Assim né, ela abriu pra o Estado todo, vem gente do Interior. (...).. mas assim todas as pessoas que fizeram o curso poucos se interessaram em realmente na surdocegueira ...

Segundo a entrevistada foram oferecidos cursos tanto para os docentes da capital quanto do interior. No entanto, ressalta que apesar desses cursos, as pessoas participam, mas, não se interessam pelo trabalho, o que dificulta ainda mais a ampliação e criação de mais aten-dimentos.

Com relação à situação atual do surdocego na Edu-cação do Estado do Ceará, a entrevistada 3 coloca que a educação do surdocego no Estado está apenas começan-do, mas acredita que vai se expandir muito, conforme nos é apresentado no fragmento abaixo:

É tá engatinhando, assim ainda tá uma sementinha que a gente planta que tá brotando sabe, eu acho que tem muito pra crescer, e a gente tem ainda muito o que estudar porque o que a gente estudou

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ainda é muito pouco em relação a complexidade da surdocegueira [...].

Nesse caso, a criação de projetos que contribuirão para a implementação dos atendimentos educacionais, ainda se mostra pouco visível, não marcando as inicia-tivas que propulsionarão as propostas decorrentes das demandas identificadas.

Conclusão

O presente estudo evidenciou que os atendimen-tos a surdocegos ainda são bastante reduzidos, contando apenas um centro que vêm oferecendo esse serviço. Do que se pode concluir que ações sociais de inclusão preci-sam ser elaboradas com o intuito de ampliar a efetivação desses atendimentos, contribuindo, dessa forma, para a construção de uma educação que respeite as necessida-des específicas e humanas dos alunos.

Concluímos que a Secretaria de Educação do Esta-do Esta-do Ceará vêm contribuinEsta-do para a implantação de tais serviços, apenas através de capacitações para docentes. Não negamos a importância dessa ação, no entanto, é necessário registrar que é insuficiente para possibilitar a vinda do aluno surdocego à escola. Nesse sentido, é im-portante esclarecer que não é somente com capacitações que asseguraram aos educandos surdocegos sua vinda à escola. A sociedade precisa “olhar” para esses sujeitos, de forma diferente do que tem ocorrido na atualidade. A educação precisa reformular suas políticas educacionais, visando incluir todos os alunos.

Um fato novo se agrega às demais questões, pois, partindo do desconhecimento no que tange a

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gueira e ao surdocego, também incluímos um novo ele-mento, a avaliação que certamente tem provocado a ado-ção de ações pouco coerentes com as possibilidades e capacidades desses alunos. Precisamos entender que al-guns pontos devem ser analisados para não polarizarmos a realização dessa atividade. Poderemos ser caritativos, excessivamente flexíveis, como também ser rigorosos e inflexíveis, uma vez que poderão ser tomados como pa-râmetros a pessoa que vê e ouve plenamente. Marcados por essa ambigüidade, certamente o mais prejudicado será o surdocego, cidadão brasileiro. Por esse motivo, entendemos que no momento em que esses serviços es-tejam funcionando, esse aspecto não pode ser relevado e que deverá estar em pauta sempre que o surdocego esteja freqüentando salas de aula ou outros quaisquer ambientes que freqüente.

Após as constatações obtidas neste trabalho, vis-lumbra-se que medidas de promoção da divulgação sa condição, bem como, de propostas para inclusão des-tes sujeitos na Educação e na sociedade, sejam tomadas a fim de minimizar as diferenças sociais existentes.

Bibliografi a

AMARAL, I. A Educação de Estudantes Portadores de Surdocegueira. In: MASINI, E. F. S. (org). Do Sentido ...

Pelos sentidos... para o sentido. São Paulo: Vetor editora,

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MAIA, S. R; ARÁOZ, S. M. M. A surdocegueira: “saindo do escuro”. Revista do centro de educação. Ed, 2001. N, 17. Disponível em: < http: // www.ufsm.br/ce/revista/ce-esp/2006/01/a3.htm >. Acesso em: 09 de ago de 2006.

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CADER-NASCIMENTO, F. A.A; COSTA, M. P. R.

Desco-brindo a surdocegueira: educação e comunicação. São

Paulo. Edufscar, 2005. 78p.

MINAYO, M. C. S. Pesquisa Social: Teoria, Método e Cria-tividade. 10 ed. Petrópolis: vozes, 1998. 80p.

MONTEIRO, M. A. Surdez – Cegueira. Revista do Institu-to Benjamim Constant. 3. ed. Rio de Janeiro. Maio 1996.

Referências

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