Universidade Federal de Santa Catarina Departamento de Arquitetura e Urbanismo Caderno de TCC 1 Aluna: Fernanda R. Coutinho Orientador: Gilberto Yunes 2016/2
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1. TEMA DE PROJETO
1.1 O QUE É O ESPORTE
A atividade física faz parte do nosso dia a dia, pois o ser humano passa grande parte do dia em movimento, e qualquer movimento do corpo que provoque gastos de energia, como levantar, sentar, andar e carregar coisas é uma atividade física. Através disso se pode dizer que todo esporte é uma atividade física, embora o contrário não seja verdade. Esporte e atividade física são comumente confundidos, a diferença é que o esporte é uma atividade física organizada.
Falar sobre esporte implica denominar um tipo específico de atividade física, que por sua vez possui características próprias como competição, esforço físico e habilidades motoras específicas, além da padronização de espaços e regras.
Atualmente é possível perceber que o esporte se encontra concretamente inserido na sociedade, sendo inclusive considerado um fenômeno sociocultural e compreendido como um direito social. O esporte é uma importante ferramenta social para auxiliar o melhor desenvolvimento do país, buscando proporcionar integração entre indivíduos e fazer com que estes exercitem
não só o corpo, mas também a mente, e a partir disto tornem-se mais capazes de obter resultados expressivos em suas vidas.
O esporte pode ser abordado sob diversos aspectos, e com objetivos distintos, ele pode ser:
1- Uma maneira de trabalhar o desenvolvimento da criança, uma forma de desenvolver o caráter, com métodos e ideias, onde o respeito às regras e ao outro se apresenta num nível superior e mais importante do que a competição por si só.
2- Uma maneira de sociabilizar, conviver com diferentes pessoas, promover a integração, aprendendo acima de tudo o respeito ao próximo.
3- Uma maneira de ganhar autoconfiança. Sair da rotina, sair da zona de conforto pessoal, dar uma carga de adrenalina no corpo, são coisas que contribuem para aumentar a confiança e autoestima. O esporte proporciona essa sensação a cada acerto, a cada vitória e habilidade adquirida. Assim como ensina a aprender com os tropeços e derrotas.
4- Uma maneira de promover a saúde, incentivando crianças e jovens a se manter em movimento, fugindo do sedentarismo. O esporte é uma grande arma na busca da saúde física e mental, desde que trabalhado da maneira correta.
O esporte é muito mais que uma palavra, vai muito além de um mero substantivo, e por consequência não se define em um único conceito.
Este trabalho irá se basear na premissa de ter o esporte como importante fator de transformação social. Um bom atleta é, na maioria dos casos, alguém disciplinado, com grande capacidade de concentração e pré-disposição para superar situações adversas, pois estas qualidades são bastante trabalhadas dentro da prática esportiva. Inserir crianças e adolescentes neste meio auxilia a aflorar estas habilidades, além de ser uma alternativa para que eles gastem sua energia de maneira produtiva e saudável.
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1.2. O ESPORTE COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
Segundo o artigo 217 da Constituição Federal, “é dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais, como direito de cada um” (Brasil 1988). Todavia, apesar de apresentado como dever do Estado, é possível constatar sem muito esforço que o incentivo às práticas desportivas não ocorre apenas através do Estado.
Na realidade, não é incomum encontrar lugares onde este tipo de atividade é oferecida e estimulada por organizações não governamentais sem fins lucrativos ou até mesmo por empresas privadas, geralmente sob a configuração de projetos sociais. Por todo o país existem iniciativas e políticas voltadas para projetos a fim de promover atividades esportivas no contraturno escolar de crianças e adolescentes. Estas iniciativas são normalmente identificadas pelo termo “projetos sócio-esportivos”.
Florianópolis possui inúmeras iniciativas de projetos deste tipo, com foco principalmente em crianças e adolescentes de baixa renda. Em sua maioria estes
projetos são executados sem a infraestrutura adequada, por associações ou institutos que podem ou não receber incentivos do governo.
Existem também projetos desenvolvidos pela Fundação municipal de esportes, que por sua vez são também projetos que nem sempre possuem os equipamentos e a estrutura de apoio exigida.
O esporte nunca foi uma área que recebeu muito destaque perante o governo de Florianópolis. Porém mesmo com apoio mínimo, a cidade conseguiu formar bons atletas em diversas modalidades, atletas que inclusive alcançaram destaque nacional e internacional. Contudo nem mesmo os bons resultados e a boa imagem do esporte florianopolitano a nível nacional são suficientes para que o governo faça grandes investimentos nessa área.
A cidade não dispõe de áreas esportivas públicas qualificadas, e em muitas regiões nem mesmo as áreas públicas de lazer estão presentes. Em geral as quadras e ginásios presentes nas escolas de Florianópolis são os equipamentos que apresentam melhores condições, o que ainda não significa que sejam boas.
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2.1. HISTÓRICO DE CLUBES E SOCIEDADES ESPORTIVAS
Os primeiros esportes a serem praticados em Santa Catarina foram hipismo, remo e tiro ao alvo, todos vindos ou reativados por meio de clubes esportivos de imigrantes durante século XIX. A emergência do hipismo tem relação com o uso do cavalo como principal meio de transporte. O remo surgiu em decorrência das características geográficas da Ilha de Santa Catarina, que possui diversas lagoas e praias. O tiro ao alvo por sua vez, surgiu pela influência dos imigrantes alemães e dos soldados da Marinha de Guerra. De maneira geral estes esportes eram praticados por pessoas que pertenciam aos níveis socioeconômicos mais elevados da população. Muito por conta disso, o futebol foi trazido pelos comerciantes catarinenses que mantinham negócios com as cidades gaúchas de Rio Grande, Bagé e Pelotas, no fim do século XIX.
1861 - Em Florianópolis, o remo começou a
ser praticado pelos oficiais da Marinha de Guerra, que fundaram em Desterro a Sociedade de Regatas. A primeira regata
foi realizada em 17 de novembro do referido ano, na enseada da Boa Vista, localizada entre a Ponte do Vinagre e o Menino Deus.
1863 - Em 27 de janeiro foi fundada a
Sociedade Patriótica de Tiro. Aparentemente a iniciativa foi do oficial da Marinha Sena Pereira, a quem coube expor os fins da sociedade na sessão preparatória presidida pelo Major Ferreira e secretariada pelo 1º Tenente da Armada Antônio Luís Von Hoonholtz.
1872 – No dia 12 de agosto foi fundado
o Clube Doze de Agosto, tendo como presidente Estevão Pinto da Luz; vice-presidente Antônio da Costa. Os primeiros esportes praticados eram tiro ao alvo, tênis, bolão, natação e, posteriormente, basquetebol.
1902 - Em 29 de abril foi fundado o
Clube de Regatas 29 de Abril, em Florianópolis, o qual encerrou suas atividades em 1905.
1915/1920 - O remo, praticado em
Florianópolis desde 1861, teve seu maior impulso no ano de 1915. Neste ano foi
fundado o Clube Náutico Riachuelo (09/05/1915). A ele seguiu-se o Clube Náutico Francisco Martineli (31/07/1915), cujo nome homenageava o aspirante a oficial da Marinha falecido dois anos antes, em acidente marítimo. Dois anos após sua fundação, o clube inaugurou sua sede própria, que consistia em um galpão para a guardar as embarcações e demais equipamentos. Esta iniciativa foi considerada inovadora para a época. Em 27/12/1918 foi fundado o Clube de Regatas Florianópolis, pelos desportistas Clóvis Viegas, Raul Simone, Aldo Luz e Antônio Coelho Pinto como primeiro presidente. A partir de 1920 a associação passou a chamar-se Clube de Regatas Aldo Luz em homenagem póstuma a seu fundador falecido em 1919.
Em 1919 foi criada a Federação Catarinense de Remo (23/03/1919), que depois de diversas mudanças de nome passou a se chamar Federação de Remo de Santa Catarina- FERESC (a partir de 1980). No ano seguinte além da expansão das associações de remo em Florianópolis, o tênis começou a ocupar espaço, através da fundação da Sociedade Lyra, em julho.
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Décadas de 1920 e 1930 - No início da
década de 1920, Jorge Albino Ramos, João Savas Siridakis e Joaquim Domingos e Veloso, do bairro da Figueira, em Florianópolis, idealizaram a criação de um novo clube de futebol na capital. A partir desta iniciativa surgiu uma nova sociedade esportiva chamada de Figueirense Futebol Clube (12/06/ 1921). Além deste clube foram criadas outras associações de futebol, em como o Avaí Futebol Clube (01/09/1923) e o Bandeirante Recreativo Futebol Clube (20/06/1930). Com a expansão do futebol no Estado foi fundada a Federação Catarinense de Futebol (26/09/1926).
Além das associações de futebol, em Florianópolis, as de tênis também expandiram, fundando-se o Tennis Club Florianópolis (dezembro de 1922). Em 7 de outubro de 1926 foi criado o Lira Tênis Clube, que nasceu da fusão de dois tradicionais Clubes Florianopolitanos: o Tennis Club Florianópolis e a Sociedade Lyra. Sua Sede foi instalada, inicialmente, na Chácara de Espanha, área nobre de Florianópolis, tendo sido transferida para a rua Tenente Silveira em 29 de março de 1927.
1939 - Em 24 de abril de 1966 foi
fundada, em Florianópolis, a Federação Catarinense de Automobilismo. Devido a problemas financeiros, os projetos de construção de autódromo em local adequado, não foram efetivados. Diante destas dificuldades o automobilismo na década de 1970 cessou suas atividades.
Década de 1940 - O número de
associações esportivas no estado de Santa Catarina aumentou consideravelmente nesta década. Em 11 de fevereiro de 1944, foi fundada, em Florianópolis, a Federação Catarinense de Desportos Universitários e em 25 de março de 1944 a Associação Desportiva Colegial, que desenvolve o futsal, handebol, futebol, basquetebol e voleibol.
Década de 1950 e 1960 - Na década de
50 a criação da equipe de basquetebol do Ubiratan Esporte Clube em Florianópolis, deu um grande salto no basquetebol, pois a cidade passou a ser conhecida em nível estadual. As duas equipes importantes e rivais foram: Clube Doze de Agosto e Lira Tênis Clube.
Em 1959 o primeiro Centro de Atividades de Santa Catarina do Serviço Social do Comércio-SESC começou a funcionar na Praça da Bandeira para atender os comerciários. O Departamento Regional de Santa Catarina do SESC incentivou os esportes, sendo que de suas quadras saíram atletas que integraram seleções estaduais, e árbitros de várias modalidades esportivas (formados em cursos realizados pela entidade) que integraram quadros oficiais de Federações Estaduais.
Ainda na década de 50, apareceram novas entidades ligadas aos esportes aquáticos, estes eram desenvolvidos pelos clubes recém-criados: Iate Clube de Florianópolis (17/06/1941), Veleiros da Ilha de Santa Catarina (01/12/1942) e Lagoa Iate Clube (29/03/1969).
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Década de 1970 e 1980 – Considerando
as instituições ligadas ao esporte escolar, surgiram neste período algumas associações. As principais foram: a Associação Desportiva do Instituto Estadual de Educação, criada em 11 de janeiro de 1973, o Clube Universitário, criado em 20 de março e em 7 de fevereiro de 1976 surge a Associação Desportiva Estudantil Aderbal Ramos da Silva.
O hipismo, no início da década de 1970, tomou um novo impulso, com Francisco Walter, veterinário holandês, que trouxe as normas, regulamentações e equipamentos, restaurando os esportes hípicos em Santa Catarina. A Federação Catarinense de Hipismo só foi fundada posteriormente, em 1995.
Outro destaque desta década é a fundação de associações ligadas ao judô e ao karatê. E também o surgimento de associações vinculadas a empresas, como Associação Beneficente dos Empregados das Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A. – CELESC (15/06/1976); e a Associação dos Empregados da Eletrosul - ELASE (11/11/1977). A CELESC tinha como atividades a hidroginástica, capoeira e a natação, já a ELASE
promovia atividades esportivas (artes marciais, ginástica, futsal, natação, tênis de campo), sociais e culturais para seus sócios e dependentes.
Década de 1990 - Neste período houve
uma diversificação esportiva em SC, emergindo ou expandindo-se o padel, a capoeira, o taekwondo e outras artes marciais. O padel começa a ser praticado nas associações esportivas no início dos anos de 1990. Já a capoeira, e o Taekwondo aparecem mais pro fim da década.
Situação Atual - As associações
esportivas das cidades de Florianópolis, continuam integrando a paisagem do Estado de Santa Catarina com destaque. Embora, algumas associações esportivas tenham sido extintas, outras mantêm suas tradições e costumes, procurando incorporar novas modalidades esportivas, construir novas instalações, buscar patrocínios e apoio financeiro para sobreviver.
Informações retiradas de: Atlas do Esporte no
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2.2. ÁREAS ESPORTIVAS / DE LAZER EM FLORIANÓPOLIS
-PRAÇAS:
Centro:
1. Praça XV de Novembro – 6.655.19 m² 2. Praça Mal. Floriano Peixoto – 3.580 m² 3. Praça da Alfândega – 6.024 m²
4. Praça Fernando Machado – 3.580 m² 5. Praça Getulio Vargas – 12.600 m² 6. Praça Pereira Oliveira – 890 m² 7. Praça Tancredo Neves – 12.600 m² 8. Praça Hercílio Luz – 990 m²
9. Praça Olívio Amorim – 1.615 m² 10. Largo Fagundes – 2.800 m² 11. Praça D. Pedro I – 3.620 m²
12. Praça Osvaldo Bulcão Viana – 1.050 m²
13. Praça Gilberto Gerreiro da Fonseca – 2.000 m²
14. Praça Desterro – 800m²
15. Praça José Mauro da Costa Ortiga – 1.639 m²
16. Praça Penitenciária – 500 m² 17. Praça Morro do Horácio 18. Praça Etelvina Luz – 128 m² 19. Praça Hercílio Luz – 990 m² 20. Praça França – 3.696 m² 21. Praça do SESC – 900 m²
22. Praça Const. João J. Mendonça – 1.850 m²
23. Praça Jornalista Teixeira da Rosa – 2.600 m²
24. Largo Hyppólito do Vale Pereira – 240 m²
25. Largo Frei Tito Oliveira – 190 m² 26. Rótula em Frente ao DASP – 300 m² 27. Parque da Luz – 3.700 m²
28. Praça Celso Ramos – 15.803 m² 29. Praça Lauro Muller – 716 m² 30. Praça dos Namorados – 1.781 m² 31. Largo São Sebastião – 1.400 m² 32. Praça Prof. Amaro S. Neto – 600 m² 33. Praça de Portugal – 6.400 m²
34. Praça Sesquicentenário Polícia Militar – 6.400 m²
35. Praça Republica da Grécia – 6.400 m²
36. Alameda Adolfo Konder – 990 m² 37. Constâncio João J. Mendonça – 1.850 m²
38. Praça Esteve Júnior – 1.303 m² 39. Praça Maçonaria – 1.050 m² 40. Praça Chico Mendes
41. Praça do Banco Redondo
Trindade:
42. Praça Santos Dumont – 8.377 m²
Carvoeira:
43. Praça Fr. Joacir Bachi – 720 m²
Córrego grande:
44. Praça Edson Pereira do Nascimento – 1.306 m²
45. Praça da Árvore – 360 m² 46. Praça Da Comunidade
Santa Mônica:
47. Praça Irmã Maria Teresa Kock 48. Praça Donato da Silva – 900 m² 49. Praça da Rua Prof. Marcos Cardoso Filho
50. Praça Breno Pinheiro Valadares – 9.503 m²
51. Praça Padre José Anchieta – 9.503 m²
52. Praça João Di Bernardi – 8.400 m²
Saco dos limões:
53. Praça Abdon Batista – 1.920 m² 54. Praça Dalva Cardoso – 1.370 m² 55. Praça Martinho Lutero – 10.563 m² 56. Praça Mirostan Casemiro Wolowski Costeira do Pirajubaé
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Itacorubi:
58. Praça Caiçara – 6.290 m²
59. Praça do Conselho Comunitário – 9.200 m²
60. Praça Miguel Angelo Sedrez – 4.875 m²
61. Praça Sem denominação – 1659 m²
Monte verde:
62. Praça Antônio Machado – 560 m² 63. Praça Djair Kurt – 750 m²
64. Praça Osni Ferreira – 14.500 m²
Santo Antônio de Lisboa:
65. Praça Jardim Getúlio Vargas – 4.808 m²
66. Praça Roldão Rocha Pires – 750 m²
Lagoa da Conceição:
67. Praça Bento Silvério – 5.263 m² 68. Praça PIO XII – 900 M²
69. Praça Jardim Senador Saulo Ramos – 4.125 m²
Ribeirão da ilha:
70. Praça Hermínio Silva – 380 m²
71. Praça Fermino Manoel da Silva – 1.000 m²
Canasvieiras e Jurerê:
72. Praça Rep. do Líbano – 1.657 m² 73. Praça Edith Gama Ramos – 450 m² 74. Praça Balneário Jurerê
75. Praça dos Dourados
Ingleses e Rio Vermelho:
76. Praça João José da Cruz – 480 m² 77. Praça Clara Eulina de Abreu Soares – 1.300 m²
Coqueiros e Itaguaçú:
78. Praça Praia do Meio – 11.494 m² 79. Praça Calisto Salles – 225 m²
Capoeiras:
80. Praça Eugênio Cordeiro Dutra – 1.235 m²
81. Praça Jardim do Estudante – 3.289 m²
82. Praça Osvaldo de Oliveira – 315 m²
Coloninha e Monte Cristo:
83. Praça João Batista Vieira – 3.184 m² 84. Praça Aquiles P. de Souza – 450 m²
Estreito, Canto e Balneário:
85. Praça Alziro Zarur – 2.380 m²
86. Praça Anízio da Silveira Machado – 2.700 m²
87. Praça dos Navegantes – 2.900 m² 88. Praça Duque de Caxias – 1.000 m² 89. Praça Guilherme Fortekamp – 900 m²
90. Praça João DeMaria Cavalazzi – 875 m²
91. Praça Marcelino Vieira Filho – 30 m² 92. Praça Nossa Senhora de Fátima – 8.866 m²
93. Praça Paulo Schlemper
94. Praça Renato Ramos da Silva – 12.528 m²
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2.3. ACADEMIAS AO AR LIVRE
1. Pântano do Sul/ Açores – Avenida Ptolomeu Bittencourt - Praça
2. Armação do Pântano do Sul – Posto de Saúde
3. Armação do Pântano do Sul – Orla, próxima ao Salva Vidas
4. Ribeirão da Ilha – Portal
5. Ribeirão da Ilha – Centro Social
6. Ribeirão da Ilha – Costeira do Ribeirão 7. Tapera – Posto de Saúde
8. Lagoa do Peri
9. Campeche – Areias, praça Jardim dos Eucaliptos
10. Campeche – EBM Brigadeiro 11. Rio Tavares – Posto de Saúde
12. Lagoa da Conceição – Santo da Lagoa (próximo ao LIC)
13. Lagoa da Conceição – Praça Bento Silvério
14. Barra da Lagoa – Cidade da Barra 15. Centro - Prainha
16. Centro – Avenida Hercílio Luz, praça Prefeito Olívio Amorim
17. Agronômica – Direto do Campo 18. Trindade – Próxima ao TITRI
19. Carvoeira – Praça Praça Bica D’Água (próxima ao Iega)
20. Córrego Grande – Praça da Comunidade
21. João Paulo – Praça Antônio Cabrera 22. Monte Verde – Praça Osni Pereira 23. Cacupé – Praça do SESC
24. Santo Antônio de Lisboa – Praça da Igreja
25. Sambaqui – Orla, Defr. Nº 320
26. Ratones – Loteamento Ilha de Ratones 27. Daniela – Rua Jacarandá, ao lado do nº 766
28. Cachoeira do Bom Jesus – Loteamento Jardim Nova Cachoeira 29. Ponta das Canas – Em frente à Creche municipal
30. Ingleses – Praça da Avenida das Gaivotas
31. Rio Vermelho – Muquém
32. Rio Vermelho – Ao lado da Intendência
33. Beira Mar Norte - Estação da Casa 34. Córrego Grande - Horto Florestal 35. Costeira (Beira Mar Sul) - Complexo Poli Esportivo
36. Morro das Pedras - Associação Comunitária
37. Saco dos Limões - Praça Abdon Batista
38. Santa Mônica - Praça do Acojar
39. Fazenda do Rio Tavares - Policlínica 40. Canasvieiras - Nova Praça
41. Jurerê Tradicional - Praça Santa Luzia
42. Jurerê Internacional - Em frente ao Campanário
43. Parque São Jorge - Praça José Elias 44. Centro - Praça Gov. Celso Ramos 45. Trindade - Praça Santos Dumont 46. Itacorubi (Adaptada) - Rodovia Ademar Gonzaga
47. Balneário - Praça Renato Ramos da Silva
48. Capoeiras - Conselho Comunitário de Capoeiras
49. Coloninha - Praça do Canto 50. Coqueiros - Parque de Coqueiros 51. Estreito - Praça Nossa Senhora de Fátima
52. Monte Cristo - Conjunto Habitacional Panorama
53. Bom Abrigo - Ao lado da Praça Bom Abrigo
54. Jardim Atlântico - Praça da Avenida Atlântica
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SESC - Cacupé AVANTE
Lira Tênis Clube
JUSC – Jurerê Sports Center
Ginásio Mun. Carlos A. Campos Ginásio Mun. Saul Oliveira Assoc. Clube 12 de Agosto
AABB
CEFID - UDESC Parque de Coqueiros
Parque Náutico Walter Lange
Floripa Skate Park Ginásio municipal
ELASE LIC – Lagoa Iate Club
UFSC ASTEL Paula Ramos Esporte Clube
CBVO – Polícia Militar Clube 12 de Agosto
Costão do Santinho Resort
Áreas Públicas
Áreas Privadas / Semi-públicas
LEGENDA:
2.4. MAPA DE LOCALIZAÇÃO DOS PRINCIPAIS EQUIPAMENTOS ESPORTIVOS
Skate Park + Quadras (Costeira) Skate Park + Quadra (Trindade) Fed. Catarinense de Tênis
Parque Ecológico do Córrego Grande
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LOCAL DE ESTUDO:
FLORIANÓPOLIS
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3.1 DE DESTERRO A FLORIANÓPOLIS
Florianópolis, inicialmente chamada Ilha de Santa Catarina, teve como seus primeiros habitantes os índios, assim como grande parte do território brasileiro. Quando os primeiros imigrantes europeus chegaram à ilha, a mesma era povoada pelo povo carijó, que mais tarde viria a ser escravizado pelos colonos portugueses vindos de São Vicente.
Já no início do século XVI, viajantes que buscavam chegar ao Rio da Prata atracavam na ilha para reabastecer suas reservas de água e suprimentos. Mas é somente com a chegada de Francisco Dias Velho junto com sua família, por volta do ano 1673, que se dá origem ao povoado de Nossa Senhora do Desterro, que era, então, ligado a Vila de Laguna.
Nos primeiros anos a Ilha de Santa Catarina evoluiu lentamente em torno da pequena capela batizada em homenagem a santa que também emprestou seu nome ao povoado, porém é fato que a partir da chegada de Dias Velho o fluxo de paulistas e vicentistas para a região intensifica-se, culminando na ocupação de diversos pontos do litoral.
Em 1726 Desterro é separada de Laguna e posteriormente no mesmo ano é elevada a categoria de vila.
Inicialmente a ocupação da Ilha de Santa Catarina deu-se por conta das necessidades estratégicas da coroa portuguesa, que precisava proteger suas posses no Brasil meridional. Necessidade esta, que levou a região a ser militarmente ocupada a partir de 1737, ano em que as fortalezas começaram a ser construídas. No ano seguinte, 1738, é criada a capitania subalterna de Santa Catarina, agora ligada diretamente ao Rio de Janeiro. Em 1746 o Rei Dom João VI passa a incentivar a imigração de famílias açorianas e madeirenses para a Ilha de Santa Catarina, como forma de aliviar o excedente populacional das Ilhas portuguesas e ainda fortalecer a povoação do seu território na colônia. Estas famílias vieram para Desterro sob a promessa feita pela coroa de receberem uma porção de terra para viver. No fim das contas a divisão das terras foi feita de forma desigual e irregular, levando muitas famílias a receber lotes bem menores do que o que havia sido prometido.
Essa população se instalou na ilha e inicialmente viveram a base da agricultura de subsistência e da pesca. Em um segundo momento, reforçando a função de caráter militar, chegaram a ilha militares de carreira com suas famílias o que alterou a organização política e administrativa da vila, e aumentou a população local. Conforme o aumento da população progredia, crescia também o consumo, atingindo o ponto em que a economia familiar característica da ilha se transforma numa economia voltada para um pequeno mercado, e a população local já não consegue mais produzir o suficiente para suprir a demanda do crescimento populacional. A busca pelo equilíbrio vem através da importação de produtos, impulsionando por consequência as atividades comerciais portuárias, que na época tinham maior fluxo com exportações, principalmente de mandioca. Desterro estabeleceu seu centro urbano na porção de terra mais próxima ao continente, sendo as duas partes separadas por um estreito. A princípio a relação com o interior da província era de difícil acesso.
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Fonte: Florianópolis: memória urbana , 1993. Da Veiga, Eliane Veras
Área central de Florianópolis na primeira metade do século XX .
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Foi através do porto que as relações de Desterro com o restante da costa brasileira se estabeleceram, principalmente as relações com o Rio de Janeiro.
Mantendo as características comuns as cidades coloniais, Desterro possuía uma praça central em frente à Igreja matriz, próxima ao mar, e ao redor dela se distribuíam as principais edificações do povoamento, com destaque para a sede do governo e a casa de cadeia. A zona comercial localizava-se, como de costume, próxima ao porto.
Séc. XIX e XX – A influência de Carl Hoepcke no desenvolvimento da cidade:
Em fevereiro de 1823, desterro é elevada a categoria de cidade, tornando-se capital da Província de Santa Catarina. Este novo título, trás para a cidade um investimento por parte do governo federal, que incluía obras como a melhoria do porto, construção de edifícios públicos, entre outras alterações para melhoria urbana do lugar.
Neste período o crescimento de Desterro se torna mais expressivo.
O mercado público, situado à beira-mar junto ao porto, concentrava toda a vida comercial da pequena cidade. Durante o processo de evolução do comércio e da atividade portuária de Desterro, um nome ganha destaque: o alemão Carl Hoepcke.
Carl Hoepcke chega ao Brasil em 1863, vindo da cidade de Striesa, na Alemanha, acompanhado da mãe e dois irmãos menores. Inicialmente a família se estabelece na Colônia Blumenau, e então três anos mais tarde chegam a Desterro. A princípio Carl Hoepcke assume o comando dos negócios do tio, Ferdinand Hackradt, e aos poucos torna-se um dos empresários mais influentes de Santa Catarina. Iniciou na cidade de Desterro, uma rica trajetória nos campos da indústria, do comércio e da navegação, estabelecendo as condições necessárias para impulsionar a industrialização e o desenvolvimento do estado de Santa Catarina.
Em um primeiro momento adquire um comércio, e a partir dele expande seu patrimônio, passando a atuar também em outras áreas como a indústria, a navegação e a tecelagem.
Em 1884, os depósitos da empresa Hoepcke tinham se transformado em uma loja de departamentos com várias seções de artigos importados, vendendo ferragens, máquinas, medicamentos, tecidos, vestuários e até automóveis. Foi por volta desta época que Hoepcke expandiu seu comércio para outras cidades do estado, como Blumenau, Joinville, São Francisco do Sul, Lages, Tubarão, Joaçaba e Laguna, chegando também a Curitiba no estado vizinho, Paraná.
Quando Floriano Peixoto assume a presidência do Brasil em 1891 surgem insurreições pelo país, e Desterro toma partido tanto na Segunda Revolta Armada, quanto na Revolução Federalista, porém as revoltas foram contidas pelo governo e no caso de Desterro, os revoltosos foram fuzilados em Anhatomirim. Assim restaram na cidade praticamente só os simpatizantes do atual presidente, os quais renomearam a cidade que em 1894 passa a se chamar Florianópolis em homenagem a ele.
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Fotos antigas do Complexo Hoepcke
em Florianópolis (ordem cronológica)
Figura 1 Figura 2 Figura 3
Figura 4 Figura 5 Figura 6
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Em 1895, mesmo ano em que tem fim a Revolução Federalista, é inaugurada em Florianópolis a Empresa Nacional de Navegação Hoepcke (ENNH), com trapiches na área do Cais do Rita Maria. Fundada por Carl Hoepcke, a empresa impulsionou a navegação catarinense e o porto de Florianópolis. Contando com uma frota de quatro navios e diversas outras embarcações, trabalhava tanto com o transporte de carga quanto de passageiros. A criação da ENNH visava estimular o comércio entre Florianópolis e outros portos catarinenses, como Itajaí, São Francisco do Sul e Laguna, fazendo também a ligação de Santa Catarina com outros estados, através dos portos de Paranaguá, Santos e Rio de Janeiro.
No ano seguinte Carl Hoepcke abre a Fábrica de Pregos e Pontas Rita Maria, produzindo pregos, grampos e arame farpado. A fábrica surgiu com o intuito de tirar proveito da crescente demanda por esses materiais proveniente dos setores da pecuária e agricultura. Após inaugurar a fábrica de pregos e pontas, comentários sobre as dificuldades para obtenção de gelo para o transporte de frutos do mar e para gelar bebidas ganharam força no
porto da cidade, e a partir daí inicia-se o novo empreendimento Hoepcke: uma fábrica de gelo. Assim, em 1903, se concretiza o novo projeto, buscando suprir o comércio de bebidas e o condicionamento de cargas transportadas pelos navios.
Seguindo o fluxo de progresso das empresas Hoepcke, em 1907, surge na ponta da Praia de Rita Maria o estaleiro Arataca S/A que propiciava manutenção e assistência técnica às embarcações. O estaleiro consistia de uma construção rústica composta de diversas edificações, e atendia as embarcações da Empresa Nacional de Navegação Hoepcke, bem como embarcações de outras empresas que procuravam o estaleiro em função do seu alto grau de especialização.
Em 1913, Hoepcke inaugura a fábrica de rendas e bordados, situada em um edifício nos altos da Rua Felipe Schimdt. Esta foi a última fábrica das empresas Hoepcke a surgir na região do Rita Maria, que durante o processo de instalação destas empresas teve sua paisagem urbana transformada, assumindo um caráter industrial, que era bastante singular dentro de Florianópolis.
O desenvolvimento econômico do local gerou também a implantação de casas para a moradia de funcionários que trabalhavam nas imediações. Surgia, assim, uma vila operária, caracterizada por casas geminadas, idênticas, térreas, de pequenas dimensões. O Cais Rita Maria, importante zona portuária da cidade, ficou portanto marcado por abrigar o primeiro ciclo de industrialização da cidade.
Conforme o século XX avançou a cidade continuou a se transformar, e em 1926, com a inauguração da Ponte Hercílio Luz, primeira ligação rodoviária entre ilha e continente, pode-se notar claramente o início do processo de declínio do porto da cidade, que viria a fechar décadas mais tarde. A implantação das redes básicas de energia elétrica, do sistema de fornecimento de água e da rede de esgotos, soma-se a nova ponte no processo de desenvolvimento de Florianópolis. Em 1943 é acrescentada ao território de Florianópolis uma parte continental, que antes era propriedade do município de São José.
18
HISTÓRICO DA FAMÍLIA HOEPCKE E DO CONJUNTO FABRIL EXISTENTE NA ÁREA
Carl Hoepcke chega em Desterro e começa a trabalhar na empresa de seu tio. Funda a Companhia Nacional de Navegação Hoepcke
1866
1884
1895
1896
1903
Agora empresário, transforma o depósito das empresas Hoepckeem uma loja de departamentos Inauguração Fábrica de Pontas Rita Maria Inauguração da Fábrica de Gelo
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HISTÓRICO DA FAMÍLIA HOEPCKE E DO CONJUNTO FABRIL EXISTENTE NA ÁREA
Criação do Estaleiro Arataca Inauguração da Fábrica de Rendas e Bordados Hoepcke
1907
1913
1924
Carl Hoepcke falece em Florianópolis e
seus passam a ser responsáveis pelos negócios da família Carl Hoepcke torna-se consul da Alemanha em Florianópolis
1904
Fábrica de Rendas e Bordados é transferida para SãoJosé
1979
Figura 14 Figura 15 Figura 16 Figura 17
Atualmente os negócios Hoepcke são administrados pelos descendentes de Carl Hoepcke, e tem como principais expoentes a Fábrica de Rendas e Bordados e a Hoepcke Imóveis. Para preservar a memória dos negócios da família surgiu o Instituto Carl Hoepcke, que tem como sede a antiga casa da família na Avenida Trompowsky.
20
N
EDIFICAÇÕES DA FAMÍLIA HOEPCKE
5
1
2
3 4
1- Edifício antigo da Fábrica de Rendas e Bordados;
2- Casas que compunham a Vila operária (mantém o uso residencial atualmente);
3- Antiga Fábrica de Pregos e Pontas, hoje o galpão principal abriga uma locadora de veículos e ao lado existe uma igreja evangélica, uma academia de Crossfit e uma oficina mecânica;
4 - Atual prédio da Fields (uso original não encontrado)
5- Região onde ficava o Estaleiro Arataca, hoje abriga alguns bares embaixo da ponte Hercílio Luz.
21
1894
1921
Déc. de 20
1930
1935
1935
1950
1960
1970
Figura 18 Figura 19 Figura 20
Figura 21 Figura 22 Figura 23
22
Até a década de 60, o principal acesso à parte insular de Florianópolis era o trapiche do Cais Rita Maria. Porém, por volta de 1964, ocorre o fechamento do porto, como consequência de uma série de fatores, entre eles os elevados custos com a permanente dragagem do canal de acesso pela baía Norte. Com passar do tempo o transporte marítimo foi se tornando obsoleto, e assim como o porto, a Empresa Nacional de Navegação Hoepcke foi desativada em 1964.
Foi neste mesmo período que o governo federal, optou por valorizar o transporte por vias terrestres. Em Florianópolis essa decisão resultou na execução de grandes aterros e também na construção de duas novas pontes no eixo de ligação ilha-continente. Ao assumir esta ideologia rodoviarista, Florianópolis, que desde seus primórdios teve seu desenvolvimento atrelado ao mar, passa a crescer dando as costas para esse elemento que fora tão importante no passado. Tanto o mar quanto a área industrial perderam espaço no centro da cidade, e foram sobrepujados pelas novas funções que Florianópolis passou a acolher.
No século XXI a cidade, que tem sua economia baseada na tecnologia da informação, no turismo e nos serviços, continua no processo de crescimento desordenado, que gerou diversos problemas para Florianópolis.
Com uma população estimada em 460.000 habitantes, hoje a maior parte da população florianopolitana concentra-se entre continente, centro e norte da ilha, e o translado pela cidade é feito basicamente por transporte rodoviário. Dona de um dos piores índices de mobilidade do país locomover-se em Florianópolis torna-se cada vez mais complicado.
A população de Florianópolis apresentou, no ano de 2010, crescimento de 23,06% desde o Censo Demográfico realizado em 2000.
A população da cidade alcançou 421.240 habitantes, segundo o IBGE. O equivalente a 6,74% da população do Estado.
EVOLUÇÃO POPULACIONAL
23
3.1.1. FLORIANÓPOLIS - EVOLUÇÃO DA MANCHA URBANA
DÉCADA DE 50
DÉCADA DE 70
Fonte: PLAMUS (Apresentação) Fonte: PLAMUS
24
DÉCADA DE 90
MANCHA ATUAL
3.1.1. FLORIANÓPOLIS - EVOLUÇÃO DA MANCHA URBANA
Fonte: PLAMUS (Apresentação) Fonte: PLAMUS
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DENSIDADE POPULACIONAL
GRANDE FLORIANÓPOLIS
Conforme apresentado no mapa ao lado, a área com maior densidade populacional em Florianópolis é a parte central, em parte devido ao parcelamento do solo da época em que se deu inicio a colonização , e também ao relevo plano da área uma vez que Florianópolis tem muitos morros em seu território.
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PAISAGEM URBANA MULTIPOLAR
3.1.2. FLORIANÓPOLIS - INFORMAÇÕES GERAIS
Diferente de muitas cidades do período colonial Florianópolis mantém seu centro urbano coincidindo com o centro histórico. Contudo o desenvolvimento da cidade ocasionou a formação de novas centralidades tanto para o norte quanto para o sul do triângulo central. O mapa ao lado indica estas centralidades e também as freguesias e núcleos de patrimônio cultural.
Alguns bairros hoje proporcionam aos moradores a possibilidade de não precisar se deslocar até o centro da cidade, pois abrigam praticamente todos os serviços e atividades necessários
27
CORREDORES DE MOBILIDADE
BR 101
Corredores de articulação Norte - Sul
3.1.3. FLORIANÓPOLIS - INFORMAÇÕES GERAIS
O mapa ao lado apresenta os principais eixos de deslocamento na cidade. Florianópolis possui um trânsito extremamente complicado em horários de pico, o que fortalece as multi-centralidades apresentadas no mapa anterior, pois, não precisar sair do seu bairro é uma forma de evitar os congestionamentos que se desenvolvem diariamente em direção ao centro (ou no sentido centro → norte/sul).
28
29
3.2. ÁREA DE INTERVENÇÃO
A escolha da área de intervenção se deu com intenção de trazer novo uso para um lugar que um dia ocupou posição de muito destaque dentro da cidade. Com o passar dos anos está área foi esquecida, seus antigos galpões tiveram seu entorno descaracterizado, e os usos atuais das edificações não agregam valor ao caráter do local. Contudo, ao menos as edificações foram conservadas o que possibilita uma proposta de recuperação do valor histórico deste lugar dentro de Florianópolis. Atualmente esquecida, com a implantação do novo projeto a área escolhida ganhará mais vitalidade e movimento. Hoje, o casario da rua Hoepcke é uma das atrações da região do antigo atracadouro Rita Maria. Tombada pelo sephan, a rua se constitui atualmente de casas particulares que, através dos anos, foram sofrendo modificações e hoje apresentam características diferentes da época em que era uma vila residencial para os operários que trabalhavam no complexo empresarial Hoepcke.
Situada mais para baixo, a fábrica de
pregos e pontas, que integrava o complexo industrial da família Hoepcke, resume-se hoje ao galpão e uma chaminé de tijolos. Com o aterro na década de 1970, a baía foi se distanciando do núcleo industrial e a paisagem começou a mudar drasticamente.
Os negócios da família Hoepcke continuam atualmente com a Fábrica de Rendas e Bordados, e também com a construtora Hoepcke. A fábrica ficava nos altos da rua Felipe Schmidt, esquina com a rua Hoepcke, e o prédio continua no mesmo local, porém a fábrica, como empresa, hoje funciona em São José. É na parte baixa do antigo complexo industrial Hoepcke que o projeto que será desenvolvido neste trabalho vai se implantar, abrangendo o antigo galpão da fábrica de pregos e pontas, os galpões vizinhos, e o atual prédio da FIELDS. Os edifícios existentes serão todos preservados no projeto e a eles se somará uma nova edificação.
Figura 27
Figura 28
30
4.1. PROPOSTA
Buscando criar uma nova dinâmica para a área de intervenção, a proposta se volta para um público específico e se apresenta como um projeto que visa revitalizar o local investindo em um espaço para trabalhar a formação do caráter de crianças e adolescentes através da prática esportiva.
Fazendo uma breve contextualização, a ideia para o programa deste projeto surgiu a partir de uma experiência pessoal prévia com um projeto social, chamado “karatê e cidadania”, que iniciou em Florianópolis há uns doze anos, e que foi se dissolvendo devido à falta de apoio da administração municipal.
Hoje existem somente dois núcleos do projeto ainda em atuação.
A ideia central da proposta é então, resgatar este trabalho, partindo da ideia de uma expansão do projeto social, designando novos usos aos galpões da antiga área industrial Hoepcke, e a construção de um edifício novo nesta área, que passarão a funcionar como um complexo voltado ao trabalho voluntário com crianças e adolescentes. Possibilitando a oferta de diferentes modalidades esportivas, e também disponibilizando
apoio psico-pedagógico aos usuários. Florianópolis é uma das capitais com melhor IDH do Brasil e seu governo vende muito bem essa imagem atraindo cada vez mais pessoas para a cidade. O que não se diz é que por trás desta imagem existe uma grande parcela da população vivendo em condições de vulnerabilidade social.
A violência, o tráfico de drogas e a criminalidade em geral crescem a cada ano, atingindo principalmente a população com renda mais baixa. Crianças e adolescentes são a parte mais frágil dessa situação. Com um sistema educacional sucateado, a possibilidade dessas crianças e jovens terem uma vida e uma carreira bem sucedida é uma realidade muito distante para eles, o que os torna mais suscetíveis a aceitarem convites para ingressar na vida criminal. De maneira alguma este trabalho visa generalizar esse assunto e pregar que o fato de alguém não ter grandes poderes aquisitivos fará com que essa pessoa necessariamente se torne um infrator. Contudo é fato que o ambiente pelo qual a criança é cercada pode ter grandes influências sobre os caminhos que sua vida irá tomar.
31
SISTEMA VIÁRIO
32
PLANO DIRETOR
34
Hoje, no centro histórico de Florianópolis predominam os usos comercial, de serviço e institucional. As quadras do centro histórico estão em sua maioria ocupadas por comércios, enquanto o aterro concentra a maior parte das instituições e prédios públicos. A diferença do parcelamento do solo com pequenos lotes divididos em quadras bem definidas da parte mais antiga da cidade para o parcelamento do aterro, onde os lotes não são claramente definidos e existe muito espaço sem uso (muitos desses espaços decorrentes das sobras do sistema viário) é gritante e torna muito claro que são áreas consolidadas em períodos diferentes. Em meio aos edifícios existem algumas praças e espaços públicos de lazer, sendo a principal delas a Praça XV, local que faz parte da história da cidade desde que era ainda Vila de Nossa Senhora do Desterro. Próximo a cabeceira da Ponte Hercílio Luz existe o Parque da Luz, na área que antigamente abrigava o cemitério municipal. Na parte do aterro é interessante citar o Parque Náutico Walter Lange e a Praça dos Três Poderes, que fica em frente ao prédio da assembleia legislativa.
Com relação ao plano diretor o centro de Florianópolis conta com algumas áreas residenciais na parte mais alta da região, e conforme a distância do mar vai sendo reduzida aumenta a concentração das áreas caracterizadas
como:
AMC – Área mista central
ACI – Área comunitária/institucional AVL – Área verde de lazer
São estes três os usos predominantes na região central da cidade.
35
4.3. EDIFICAÇÕES TOMBADAS
NO CENTRO DE FLORIANÓPOLIS
36
4.4. CONJUNTOS PROTEGIDOS
PELO SEPHAN
37
4.4. CONJUNTOS PROTEGIDOS PELO SEPHAN
- Conjunto I: compreendido pala Praça
XV de Novembro e suas
adjacências, pela rua Conselheiro Mafra e pelas ruas que formavam a
antiga orla marítima, desde a rua Padre Roma até a avenida Hercílio Luz.
- Conjunto II: formado pelo Hospital de
Caridade, rua Menino Deus e pelo Hospital Militar;
- Conjunto III: dividido em duas partes. - IIIA parte A é formada pela praça Getúlio Vargas e adjacências e a parte
- IIIB pela região próxima ao Largo Benjamim Constant;
- Conjunto IV: formado pelo início da rua
General Bittencourt faz parte de
uma das regiões mais antigas da cidade.
- Conjunto V: formado pelo final da rua
General Bittencourt apresenta remanescentes do período colonial.
- Conjunto VI: formado pela rua Hermann
Blumenau, é o conjunto mais conservado e homogêneo;
- Conjunto VII: Tem como principal
elemento a Igreja de N. S. do Rosário, a escadaria e algumas edificações adjacentes;
- Conjunto VIII: formado pela rua
Bocaiúva é a área da cidade que compreende as antigas chácaras;
- Conjunto IX: composto pela rua Esteves
Junior, é um dos poucos eixos
urbanos que ainda permitem a vista do mar;
- Conjunto X: é formado pela antiga
zona portuária, pela Ponte Hercílio Luz, pelo Forte Santana e pelo antigo forno incinerador de lixo.
- Áreas de Preservação Cultural: são
compostas por pequenos setores
distribuídos ao longo do centro histórico, tais áreas fazem parte na sua
maioria do entorno de algum bem mais expressivo como, por exemplo, o
Teatro Álvaro de Carvalho, a residência do governador Hercílio Luz e a
antiga Inspetoria de Portos.
CONJUNTO X:
A área escolhida para realização deste trabalho de conclusão de curso está inserida no conjunto X na classificação do SEPHAN e é conhecida como conjunto Rita Maria.
O área é composta por 21 edificações, e a maioria possui de nível de tombamento P2. O fato de todas estarem em uso contribui para o bom estado de conservação (se comparado a outras edificações de épocas próximas). Entre estas edificações estão as propriedades da família Hoepcke, a pequena vila operária, e soma-se ainda as edificações a Ponte Hercílio Luz e o Fonte Santana para completar o conjunto.
Informações retiradas de: A reutilização do
patrimônio edificado como mecanismo de proteção: uma proposta para os conjuntos tombados de Florianópolis. (Dias, Fabre Adriana. 2005)
38
4.4.1 CONJUNTO X – USO DO
SOLO
39
4.4.2. CONJUNTO X –
EDIFICAÇÕES TOMBADAS
40
ÁREA SELECIONADA PARA PROPOSTA MACRO PLANO DIRETORFormada por edificações que originalmente abrigaram alguns segmentos dos negócios de Carl Hoepcke (1844-1924). Com atuação bastante diversificada, o empresário alemão iniciou suas atividades em Florianópolis como sócio de uma casa comercial. Em seguida, partiu para o comércio atacadista e varejista, exportação e importação. Posteriormente, ampliou suas atividades para uma Companhia de
Navegação, um estaleiro (o Arataca) e algumas fábricas, lançando filiais de seus negócios em cidades como Blumenau e Lages. A área das construções remanescentes foi ocupada pela Fábrica de Pontas “Rita Maria” (inaugurada em 1896), a Fábrica de Gelo (criada para abastecer seus navios e logo em seguida fornecendo o produto para diversas atividades na região)
e a Fábrica de Rendas e Bordados. À época, as fábricas tinham localização estratégica, dada a proximidade do porto. Subindo a Rua Hoepcke (rumo à edificação da antiga Fábrica de Rendas e Bordados), podem ser encontradas casas geminadas que formaram uma “vila operária”, pois foram ocupadas por operários das antigas unidades fabris da localidade.
4.5. TERRENO E ÁREA DE INTERVENÇÃO
RESUMO DO HISTÓRICO DA ÁREA
N
Figura 30
41
5. PATRIMÔNIO INDUSTRIAL
43
Característica importante da área do antigo Complexo Hoepcke é que aquela é uma das poucas, se não for a única, áreas com caráter industrial em Florianópolis. As áreas de patrimônio industrial contam a história de vida de homens e mulheres comuns, e retratam atividades uma época que teve e ainda têm muita relevância histórica e extrema influência no desenvolvimento dos meios de produção da sociedade.
O processo de industrialização tem suas origens ligadas a segunda metade do século XVlll, quando surge na Inglaterra, uma série de transformações de ordem econômica, política, social e técnica, que ficou conhecida como Revolução Industrial. A implantação industrial ocasionou grandes transformações de ordem espacial. As próprias mudanças ocorridas na Inglaterra do século XIX servem como exemplo destas transformações em que a indústria, associada à modernização do campo, gerou a expulsão de milhares de camponeses em direção às cidades, ocasionando a formação de cidades industriais, que em decorrência da poluição atmosférica gerada pelas indústrias ficaram conhecidas como
“cidades negras”, ainda nesse mesmo século. Além das alterações espaciais, o desenvolvimento da indústria também desencadeou uma grande mudança nas relações sociais. As definições entre as classes sociais ficaram mais claras, principalmente na dualidade burguesia x proletariado.
A partir do século XX, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, países do chamado “Terceiro Mundo” também começam a passar por processos de industrialização, como é o caso do Brasil. Nesses países foi muito marcante a presença do Estado nacional na industrialização, e também das empresas multinacionais (empresas estrangeiras), que impulsionaram esse processo, e fizeram de alguns países da periferia do mundo hoje potências industriais. É por volta desse período que o Brasil também inicia seu processo de industrialização. O desenvolvimento da atividade industrial no Brasil só vai acontecer nas últimas décadas do século XIX.
Inicialmente a cidade do Rio de Janeiro se destaca dentro do panorama industrial, posição que mantém até 1920, quando São Paulo, após o declínio do Rio
de Janeiro, passa a ocupar a posição de destaque.
Mais a frente, ambas as cidades perdem importância e os polos industriais passam a se concentrar em cidades periféricas próximas as capitais.
O crescimento econômico e o desenvolvimento da sociedade brasileira no século XX estão fundamentados nas modificações inovadoras introduzidas pelo sistema produtivo. E essa lógica é válida para as transformações posteriores, a sociedade se desenvolve em paralelo ao desenvolvimento dos meios de produção. Conforme a construção da cidade contemporânea avança os vestígios e legados dos antigos sítios industriais sofrem com a tendência a ficar descontextualizados, uma vez que ao mesmo tempo representam o vazio, o ócio, o ultrapassado, eles representam também a dúvida positiva, a possibilidade de apropriação, o reaproveitamento.
44
Os esforços e a preocupação de preservar e estudar o patrimônio industrial são coisas muito recentes. O patrimônio datado de períodos históricos mais próximos e com caráter primariamente funcional ainda tem menor aceitação, com exceção àqueles edifícios que configuram um exemplar arquitetônico excepcional. Considerando estes fatos chega-se a grande questão do estudo do patrimônio industrial: como proteger e estudar edifícios e elementos que até pouco tempo atrás desempenhavam funções importantes na estruturação da sociedade?
Os edifícios industriais são os testemunhos mais próximos das comunidades da época. As áreas de patrimônio industrial contam a história de homens e mulheres comuns, e retratam atividades de uma época que teve e ainda tem muita relevância histórica e extrema influência no desenvolvimento dos meios de produção da sociedade.
Pode-se assumir então que o patrimônio industrial trata dos vestígios técnico-industriais, dos equipamentos, dos edifícios, produtos, documentos e da própria organização industrial.
A CARTA DE NIZHNY TAGIL (2003) diz que o patrimônio industrial “compreende os vestígios da cultura industrial que possuem valor histórico, tecnológico, social, arquitetônico ou científico. Estes vestígios englobam edifícios e maquinaria. [...]Assim como os locais onde se desenvolveram atividades sociais relacionadas com a indústria, tais como habitações, locais de culto ou de educação.”
A carta trabalha com o conceito de ARQUEOLOGIA INDUSTRIAL, que é um método interdisciplinar que estuda todos os vestígios e registros, materiais ou imateriais, que envolvam os processos do desenvolvimento industrial.
Um ponto importantíssimo no estudo do patrimônio industrial é o próprio objeto dos estudos: todas as definições englobam também as unidades de produção de energia, a sistematização dos meios de transporte e todo o complexo de elementos relacionados à fábrica, e não apenas o local de produção em si. Isso se dá pelo fato de esses dados serem considerados essenciais para a compreensão do
processo de industrialização em sua inteireza, a que almejam os estudos dessa temática.
Os preceitos teóricos do restauro são relacionados diretamente com aquilo que motiva a preservação, a saber, as razões de cunho cultural, pois o interesse volta-se para aspectos estéticos, históricos, memoriais e simbólicos dos bens.
Tendo-se consciência das razões por que se preserva, as questões de ordem prática (de uso, econômicas etc.), que estão sempre presentes, deixam de ser únicas e prevalentes (como ocorria antes), e passam a ter caráter indicativo, concomitante, mas não determinante. Do mesmo modo devem ser enfrentadas questões, também relevantes, como a criatividade no restauro e a inserção de elementos contemporâneos em edifícios e contextos de interesse para a preservação, de modo que se atue a serviço do bem a ser preservado, e não em seu detrimento.
O que importa não é unicamente a lógica do objeto em si, mas como esse objeto insere-se e é apreendido numa dada realidade – historicamente estratificada – física, cultural, social, etc.
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Por isso, qualquer intervenção deve ser justificada do ponto de vista das razões por que se preserva. Projetos implantados em sítios previamente industriais devem respeitar as orientações da carta. Serão ressaltados nesta parte alguns dos pontos expressos na carta de Nizhny Tagil, que foram considerados de grande relevância para o desenvolvimento deste trabalho: Item 2.1 - “O patrimônio industrial representa o testemunho de atividades que tiveram e ainda têm profundas consequências históricas.”
Item 3.1 - “Todas as coletividades territoriais devem identificar, inventariar e proteger os vestígios industriais que pretendem preservar para as gerações futuras.”
Item 3.5 – “São necessários programas de investigação histórica para fundamentar as políticas de proteção do patrimônio industrial.”
Item 4.7 – “Devem ser desenvolvidos todos os esforços para assegurar a consulta e a participação das comunidades locais na
proteção e conservação do seu patrimônio industrial.”
Item 5.1 – “A conservação do patrimônio industrial depende da preservação da sua integridade funcional, e as intervenções realizadas num sítio industrial devem, tanto quanto possível, visar a manutenção desta integridade. O valor e a autenticidade de um sítio industrial podem ser fortemente reduzidos se a maquinaria ou componentes essenciais forem retirados, ou se os elementos secundários que fazem parte do conjunto forem destruídos”. Item 5.4 – A adaptação de um sítio industrial a uma nova utilização como forma de se assegurar a sua conservação é em geral aceitável salvo no caso de sítios com uma particular importância histórica. As novas utilizações devem respeitar o material específico e os esquemas originais de circulação e de produção, sendo tanto quanto possível compatíveis com a sua anterior utilização. É recomendável uma adaptação que evoque a sua antiga atividade.
Item 5.6 – As intervenções realizadas nos sítios industriais devem ser reversíveis e provocar um impacto mínimo.
Item 6.2 – Devem ser elaborados materiais pedagógicos específicos abordando o passado industrial e o seu patrimônio para os alunos dos níveis primário e secundário.
Item 7.1 – O interesse e a dedicação do público pelo patrimônio industrial e a apreciação do seu valor constituem os meios mais seguros para assegurar a sua preservação. As autoridades públicas devem explicar ativamente o significado e o valor dos sítios industriais através de publicações, exposições, programas de televisão, Internet e outros meios de comunicação, proporcionando o acesso permanente aos sítios importantes e promovendo o turismo nas regiões industriais.
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Figura 33 Figura 34
47
5.2. EXEMPLOS
5.2.1. SESC POMPEIA EDIFÍCIO HISTÓRICO Local: São Paulo SP, Brasil. Autoria: desconhecida.
Data do Projeto: desconhecida. Data da Construção: 1938. Área do Terreno: 16. 500,00 m2 Área construída: 12. 000,00 m2 Uso Original: Fábrica de Tambores.
INTERVENÇÃO
Autoria: Lina Bo Bardi
(colaboradores Marcelo Ferraz e André Vainer).
Data do Projeto: 1977.
Data da Construção: 1977–1986. Contratante: Sesc
Intervenção no edifício histórico: Uso atual: centro cultural.
Programa: atividades gerais, teatro,
ateliês e restaurante.
Prédio novo:
Área construída: 12. 000,00 m² Uso: centro esportivo
Programa: quadras e espaços de apoio
Figura 38
Figura 39
48
5.2.2. A BRASITAL DE SÃO ROQUE – ENRICO DELL’ACQUA E CIA
A Companhia Industrial de São Roque iniciou suas atividades em 1892, sendo idealizada pelo comerciante italiano Enrico Dell’Acqua, nascido em Abbiategrasso, no centro da indústria têxtil da Lombardia, para ser sua primeira fábrica de tecidos de algodão na América do Sul. As edificações passaram por reformas para acolher a biblioteca municipal, o auditório, núcleos culturais, cursos profissionalizantes em parceria com o SENAI, o Projeto Guri,
a brinquedoteca e oficinas pedagógicas da Divisão Regional de Ensino do estado.
O antigo prédio da administração abriga os departamentos de Educação e a divisão de Cultura da prefeitura. Um dos galpões foi transformado no Museu de Artes Darcy Penteado, artista plástico de importância nacional, natural de São Roque, e abriga centenas de obras do autor, que doou o seu acervo para o Museu.
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5.2.3. 22@ - BARCELONA
O 22@ Barcelona é um projeto da Prefeitura de Barcelona localizado no bairro de Poblenou com uma área aproximada de 200 hectares que visa construir um Novo Modelo de Cidade
Compacta, revitalizando a vitalidade
econômica do local por meio da transformação de áreas industriais obsoletas em um espaço de elevada qualidade urbana e ambiental e com atividade de criação vinculada ao conhecimento e à inovação.
É considerado o projeto mais importante de transformação urbana da cidade de Barcelona nos últimos anos e um dos mais ambiciosos da Europa, com alto potencial imobiliário e renovação total das infraestruturas públicas do local.
Outro fator de suma importância para o sucesso do projeto foi o ”Plan Especial de Infraestructurasque” desenhou novas redes de infraestrutura para a região (37 km de Vias) priorizando a eficiência energética e a gestão responsável dos recursos naturais realizando desta forma,
uma completa ordenação do subsolo com serviços transversais às ruas como rede elétrica, cabos de tensão, sistemas de climatização (ar condicionado central), rede de telecomunicações de fibra ótica, aproveitamento da energia solar para a obtenção de água quente mediante painéis térmicos e sistema de coleta de lixo subterrâneo à vácuo, onde todos estes serviços estão interligados e permitem reformas e reparações sem a necessidade de fazer escavações nas ruas.
6. MEMÓRIA URBANA
51
Olga Rodrigues de Moraes Von Simson, no texto “Memória, cultura e poder na sociedade do esquecimento: o exemplo do centro de memória da Unicamp”, fala sobre memória: “Memória é a capacidade
humana de reter fatos e experiências do passado e retransmiti-los às novas gerações através de diferentes suportes empíricos (voz, música, imagem, textos, etc.). Existe uma memória individual que é aquela guardada por um indivíduo e se refere as suas próprias vivências e experiências, mas que contém também aspectos da memória do grupo social onde ele se formou, isto é, onde esse indivíduo foi socializado. Há também aquilo que denominamos de memória coletiva que é aquela formada pelos fatos e aspectos julgados relevantes e que são guardados como memória oficial da sociedade mais ampla. Ela geralmente se expressa naquilo que chamamos de lugares da memória que são os monumentos, hinos oficiais, quadros e obras literárias e artísticas que expressam a versão consolidada de um passado coletivo de uma dada sociedade”.
Memória urbana seria então, nada mais
que o conjunto de recordações que estão eternizadas na paisagem ou nos registros de um determinado lugar.
A história de um lugar resulta das ações ali realizadas num determinado momento, sobre determinado espaço, de processos que atuam em escalas desiguais e combinadas.
A preservação, conservação, manutenção ou até mesmo a revitalização adequada do patrimônio Industrial de uma cidade, devem ser executadas com o intenção de recuperar antigos valores comunitários, pois além de preservar o Patrimônio material, surge a necessidade de preservar a memória coletiva da sociedade.
“Conservar não quer mais dizer preservar, mas restituir, reabilitar ou reapropiar. (...) A cultura não se encontra mais na cabeça das pessoas, mas diante delas, composta de um número enorme de signos a serem descobertos e interpretados, ou ainda, revividos como expressão de uma tradição incontestável. (...) Essas memórias do social, que coroam a ideia de uma “morte do social” não correm o risco de anular a forma viva
das trocas? (...) a extensão da função social do patrimônio prenuncia novas relações complexas entre memória e a morte. (...) Transforma o campo da memória em teatro do conhecimento objetivo. Reapropriação das identidades culturais e a reabilitação das memórias coletivas podem ser uma das transformações sociais da relação entre memória e morte” (JEUDY, 1990, p.02).
Conservar o patrimônio de uma cidade é o único meio pelo qual se torna possível que a população consiga fazer uma leitura continuada da história na qual está inserida, por isso se considera as ações em prol da preservação do patrimônio histórico tão importantes. É o ato de preservar a memória, a história do desenvolvimento do lugar, as lembranças recebidas dos seus antepassados que proporciona à sociedade a possibilidade dela se reconhecer através do tempo e realizar uma leitura no contexto atual para poder assim projetar seu futuro e também o futuro das próximas gerações.