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Academic year: 2021

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(1)UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE CENTRO DE COMUNICAÇÃO E LETRAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS. CAIO VINÍCIUS CATALANO. OS DISCURSOS DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E DE AUTOAJUDA NA CONSTRUÇÃO DA PERSUASÃO. São Paulo 2020.

(2) CAIO VINÍCIUS CATALANO. OS DISCURSOS DE DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA E DE AUTOAJUDA NA CONSTRUÇÃO DA PERSUASÃO. Tese apresentada ao Programa de PósGraduação em Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito parcial para obtenção do título de Doutor.. Orientadora: Prof.ª Dr.ª Neusa Maria Oliveira Barbosa Bastos. São Paulo 2020.

(3) C357d. Catalano, Caio Vinícius. Os discursos de divulgação científica e de autoajuda na construção da persuasão / Caio Vinícius Catalano. 195 f. ; 30 cm Tese (Doutorado em Letras) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2020. Orientadora: Neusa Maria Oliveira Barbosa Bastos. Referências bibliográficas: f. 158-164. 1. Divulgação científica. 2. Autoajuda. 3. Discurso. 4. Análise do discurso. I. Bastos, Neusa Maria Oliveira Barbosa, orientadora. II. Título. CDD 401.41 Bibliotecária Responsável: Andrea Alves de Andrade - CRB 8/9204.

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(6) DEDICATÓRIA. Às minhas filhas, Aisha e Yasmin, razões da minha existência. À minha esposa, Shadia, amante e companheira na batalha..

(7) AGRADECIMENTOS. À Universidade Presbiteriana Mackenzie, por ter acreditado em meu potencial, cedendo uma bolsa de estudos primordial na realização desta empreitada. À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), por ter me proporcionado a oportunidade de participar de um doutorado sanduíche no exterior, conhecendo a Universidade do Porto e aprimorando meus estudos. À professora Neusa Bastos, por tudo: orientações, correções, apoio, atenção, paciência e amizade - minha eterna gratidão. À professora Regina Pires de Brito, pela amizade e ajuda durante toda a minha jornada acadêmica. À professora Isabel Margarida Duarte, por ter me apresentado e me inserido com tanta amabilidade na realidade universitária do Porto. À Maria Inês Francisca Ciriaco, amiga de qualquer hora. À milha família, Shadia, Aisha e Yasmin, por acreditar em mim e me ajudar a tornar-me uma pessoa melhor a cada dificuldade. E a Deus, que mesmo eu não acreditando, sempre esteve ao meu lado..

(8) EPÍGRAFE. The child is grown The dream is gone I have become comfortably numb (Pink Floyd – Comfortably Numb).

(9) RESUMO O presente trabalho tem por objetivo investigar textos de divulgação de conteúdos científicos, produzidos por médicos/escritores que gozam de notoriedade midiática – representantes da modalidade discursiva divulgação científica –, visando a identificar, nas marcas presentes em procedimentos de construção discursiva, sinais de adesão a determinados valores ideológicos com que, de fato, os enunciadores possam estar comprometidos. Esta obra descreve procedimentos discursivos utilizados pelos enunciadores para a construção da trajetória de produção de adesão aos seus discursos; apura de que modo o discurso de vulgarização científica e o de autoajuda, considerados aqui como categorias discursivas que estruturam a composição formal e argumentativa dos textos que compõem o corpus em análise, influem no modo de produção enunciativo dos enunciadores; afere como são construídos efeitos de sentido capazes de convencer o enunciatário, fazendo-o acreditar e conceder credibilidade ao discurso dos sujeitos enunciadores. Estipulou-se escrutinar alguns conceitos fulcrais para o desenvolvimento do trabalho, segundo os pressupostos teóricos da Análise do Discurso, postulados por autores representativos. desta. ferramenta. de. análise. –. Pêcheux,. Althusser,. Maingueneau, cujos preceitos dão conta de dois pilares teóricos: o conceito de ideologia e de discurso, de acordo com o conceito de heterogeneidade constitutiva do discurso. Como aparato teórico referente ao processo de interação social inerente de toda manifestação enunciativa, recorreu-se aos postulados das teorias sociais de Pierre Bourdieu referentes ao campo social e os preceitos teóricos que determinam esse fenômeno sociológico. A análise dos textos que compõem o corpus possibilitou a verificação de um “ponto em comum” que liga toda a formação discursiva. Ambos os discursos se entrelaçam e se complementam, fazendo uso da “verdade”, ratificando a certeza e destituindo a dúvida. Palavras-chave: Divulgação científica; Autoajuda; Discurso; Análise do discurso..

(10) ABSTRACT The present work aims to investigate texts for the dissemination of scientific content,. produced. by. doctors/writers. who. enjoy. media. notoriety. -. representatives of the discursive scientific dissemination modality -, aiming to identify, in the brands present in discursive construction procedures, signs of adherence to certain ideological values with which, in fact, the enunciators may be committed. This work describes discursive procedures used by the enunciators to build the trajectory of production of adhesion to their speeches; ascertains how the discourse of scientific vulgarization and self-help, considered here as discursive categories that structure the formal and argumentative composition of the texts that make up the corpus under analysis, influence the enunciative production mode of the enunciators; it gauges how meaning effects are constructed capable of convincing the enunciatee, making him believe and grant credibility to the speech of the enunciating subjects. It was agreed to scrutinize some key concepts for the development of the work, according to the theoretical assumptions of Discourse Analysis, postulated by representative authors of this analysis tool - Pêcheux, Althusser, Maingueneau, whose precepts account for two theoretical pillars: the concept of ideology and discourse, according to the concept of heterogeneity that constitutes discourse. As a theoretical apparatus referring to the process of social interaction inherent in every enunciative manifestation, we used the postulates of Pierre Bourdieu's social theories regarding the social field and the theoretical precepts that determine this sociological phenomenon. The analysis of the texts that make up the corpus made it possible to verify a “common point” that links the entire discursive formation. Both speeches are intertwined and complement each other, making use of the “truth”, ratifying certainty and removing doubt. The discourse of scientific dissemination and the self-help, considered here as discursive categories that structure the formal and argumentative composition of the texts that make up the corpus under analysis, influence the enunciative mode of enunciative production, building the effects of meaning capable of convincing the enunciatee , making him believe and grant credibility to the speech of the enunciating subjects. Keywords: Scientific divulgation; Self help, Discourse, Discourse analisys.

(11) SUMÁRIO. INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 18 1. ANÁLISE DO DISCURSO – PERCURSO TEÓRICO E PRINCIPAIS CONCEITOS28 1.1 Pêcheux e a Análise do Discurso – A pluralidade teórica e a centralização de análise..................................................................................................................... 28 1.2 Das condições de produção do discurso ........................................................... 32 1.3 Althusser e a materialidade ideológica .............................................................. 35 1.4 O sujeito ideológico e seus esquecimentos ....................................................... 38 1.5 Foucault e a formação discursiva ...................................................................... 40 1.6 Maingueneau e o primado do interdiscurso ....................................................... 43 1.7 O discurso segundo a análise do discurso ........................................................ 47 1.8 Os gêneros do discurso – Bakhtin e a hibridização de gêneros ......................... 51 2. BOURDIEU E A SOCIOLOGIA – A IDEOLOGIA NO CONSTRUTO SOCIAL ....... 57 2.1 A ilusão naturalista e o fato social ..................................................................... 57 2.2 O campo social – a interação entre os agentes sociais ..................................... 61 2.3 O capital social e a busca por troféus simbólicos............................................... 66 2.4 O campo científico – a ciência e as expectativas sociais ................................... 69 3. A CIÊNCIA E O DISCURSO CIENTÍFICO .............................................................. 75 3.1 A ciência da ciência – bases históricas e filosóficas .......................................... 76 3.2 Do “erro” ao progresso científico ....................................................................... 80 3.3 O labor científico e a “ciência normal” ................................................................ 81 3.4 A enunciação científica como produtora de “verdades” ..................................... 85 4. DA CIÊNCIA À DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA .......................................................... 88 4.1 A ciência enquanto divulgação – bases históricas e discursivas........................ 88 4.2 A reformulação enunciativa e os “novos receptores” do discurso ...................... 91 4.3 As posições discursivas – A Ciência, o público leigo e o divulgador .................. 92 4.4 A vulgarização – da absolutização da ignorância e da popularização do conhecimento .......................................................................................................... 95.

(12) 5. DA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA À AUTOAJUDA CIENTÍFICA.............................100 5.1 Samuel Smiles e o início da literatura de autoajuda ........................................ 101 5.2 A autoajuda como discurso – a posição de poder e a “insolência inabalável” .. 104 5.3 O fenômeno “autoajuda científica” - disseminação do conhecimento científico para fins de orientação pessoal ............................................................................. 110 6. AS ESTRATÉGIAS DE ENUNCIAÇÃO .................................................................117 6.1 O discurso da ciência como pilar discursivo .................................................... 119 6.2 O vulgarizador e a mediação do conhecimento ............................................... 126 6.3 A manifestação da obrigatoriedade e a orientação ideológica - O processo de modalização deôntica no discurso de autoajuda ................................................... 132 6.4 A supressão da modalização epistêmica e a ratificação da certeza................. 141 6.5 A interrogação como estratégia enunciativa .................................................... 146 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...................................................................................... 154 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 158 Referências – Anexos ........................................................................................... 165 ANEXOS ...................................................................................................................167.

(13) 18. INTRODUÇÃO. O conhecimento é uma necessidade humana. A humanidade sempre buscou compreender como se produzem os fenômenos que influenciam a vida. Desde questões experimentadas pela vivência cotidiana, como o nascer do sol e o movimento das estrelas, até procedimentos meticulosos que extrapolam as percepções sensoriais, como o funcionamento dos processos bioquímicos no interior das células, sempre foram alvos de inquietações do indivíduo. Nessa busca por conhecimento, temas ligados diretamente à saúde e à manutenção do bem-estar ocuparam e ainda ocupam lugar de destaque em um contexto de busca por respostas. Encontrar a solução para os males que flagelam a sociedade sempre foi uma tônica em todas as esferas sociais, antes mesmo da categorização empírica dos métodos científicos. Essa ânsia remonta ao surgimento dos primeiros curandeiros tribais – que se utilizavam de técnicas medicinais primitivas rústicas e rituais religiosos pagãos, tanto para o término da doença que afligia o povoado quanto para a concretização do poder medicinal e espiritual na tribo – até a obtenção de tecnologias médicas avançadas – com aparelhos digitais de precisão milimétrica e capacidade de obtenção de resultados e tratamentos cada vez mais próximos da perfeição ambulatorial. Por meio da religiosidade e da crença no divino, as sociedades, na procura de soluções sobrenaturais para as doenças, tanto da alma quanto do corpo, apropriavam-se de poções, magias e rituais curandeirísticos, elevando aqueles que detinham esse conhecimento ao “status” de autoridade. Com o desenvolvimento da racionalidade e a predileção social gradativa pelo calculável e pelo quantificável, as crendices outrora veneradas foram sistematicamente substituídas pela primazia da exatidão científica. O homem agora é racional e, para tanto, deixa as subjetividades de lado para adotar procedimentos matemáticos e precisos, buscando um rigor metodológico. Diante disso, configura-se o aparecimento da impessoalidade nos métodos científicos. A partir de agora, o curandeirismo dá espaço ao científico, e a superstição à ciência..

(14) 19. A ciência é imparcial. Valendo-se de protocolos e cálculos que buscam precisão e correção, a objetividade é a tônica desta nova ideologia. O homem adentra nos domínios da Ciência, em maiúscula, grande detentora do saber único e real. A personificação científica, vista agora como uma divindade do conhecimento, despersonifica o próprio cientista, que procura cada vez mais apagar suas humanidades, abrigando-se e escondendo-se atrás da pureza e retidão do fazer científico. Há a sobreposição de discursos, e, por consequência, a sobreposição de ideologias. O discurso científico é instaurado. Entregando-se de corpo e alma à cientificidade, o homem moderno busca, incessantemente, a condição científica de vida. Entretanto, essa mesma ciência que permite o vislumbre de análises pormenorizadas e conceituações precisas cobra o seu preço. A ciência é um campo restrito. Poucos são os privilegiados que conseguem adentrar em seus domínios. O fazer científico demanda o controle tanto das técnicas próprias dessa área quanto da linguagem específica e hermética. Portando, são poucos os que se tornam capacitados a participarem do “campo científico”. Relegados à ignorância, por não possuírem o “capital” necessário para pertencerem ao espaço designado à prática e à difusão científica, a grande população é marginalizada desse conhecimento. Inserido nesse contexto de disparidade é que se configura o fenômeno da Divulgação Científica. Tendo como ponto de apoio a popularização do conhecimento, a divulgação científica se dissemina, adquirindo status de “democratização do saber”. Uma pesquisa rápida em ferramenta de busca de sites da internet comprova essa fama. São mais de 24 milhões e 700 mil resultados apontados para o termo “divulgação científica”, que vão desde a conceituação dicionarizada, passando por sites e vídeos que se prestam a pormenorizar e detalhar como efetuar uma divulgação, até livros e teses de pósgraduação com centenas de páginas acerca desse gênero. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) noticiou em 18 de julho de 2014 a importância da divulgação científica no país. Com o título “O importante papel da divulgação científica no Brasil” (http://www.capes.gov.br/36noticias/2115), a notícia salientava a palestra do professor Sérgio Mascarenhas.

(15) 20. então diretor do Instituto de Ensino Avançado da Universidade de São Paulo e coordenador do programa de nanobiotecnologia da CAPES, na 60ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Universidade de Campinas. Determinando como primordial a transposição de barreiras linguística entre ciência e população, o professor declarou: “Se nós quisermos fazer difusão científica hoje nós temos que usar a linguagem de hoje, isso é uma exigência da cultura”. Essa crescente popularização do conhecimento é fator motivador para o aparecimento de sites especializados nessa prática. Cresce a produção de materiais voltados a não só difundir um conhecimento específico, como o funcionamento dos hormônios na biologia celular, ou as propriedades medicinais cientificamente comprovadas do óleo de coco, mas também, entremeado ao processo de difusão do conhecimento, configura-se o aconselhamento pessoal. A alta procura por esses temas, como uma alimentação balanceada segundo os melhores alimentos determina, invariavelmente, uma postura de ação do leitor, que carente desses ensinamentos, busca nesses divulgadores a ciência necessária para sua mudança de vida. São inúmeros os exemplos dessa prática. Como expoente desse fenômeno, encontra-se o médico nutrólogo Lair Ribeiro, famoso por suas assertivas radicais acerca de novos métodos e práticas de cura e bem-estar. Seu site conta com dezenas de textos e seu canal na plataforma de vídeo YouTube possui mais de 743 mil inscritos, sendo que alguns vídeos ultrapassam as 985 mil visualizações, como o vídeo “A verdade científica sobre o óleo de coco”, em que ratifica a capacidade de cura de câncer por meio da ingestão sistemática do alimento. Outros representantes dessa prática são o médico cirurgião plástico Victor Sorrentino e o médico Juliano Pimentel, ambos mantenedores tantos de sites quanto de canais no Youtube, com conteúdos semelhantes ao de Lair Ribeiro, sempre focalizando práticas de boa saúde e aconselhamento de posturas saudáveis de vida. Existem ainda divulgadores já consagrados pelos meios de comunicação nacional, seja pelo seu carisma adquirido ao longo de tantas apresentações midiáticas, seja por sua postura conservadora acerca de novas práticas não abalizadas pela medicina.

(16) 21. tradicional. São exemplos o médico cancerologista Drauzio Varella, popular por seus aparecimentos midiáticos, e a pediatra Ana Escobar, igualmente popular tanto nos programas televisivos quanto em vídeos e textos produzidos na internet. Diante desse fenômeno, configuram-se alguns questionamentos: quais são os fatores textuais dessas manifestações de divulgação tão populares que fazem o leitor acreditar no que está escrito e considerar como verdadeiras as informações que ali estão apresentadas? Como se dá esse processo de divulgação do conhecimento, de forma que o leitor se sinta atraído a proceder em sua vida da maneira como esses divulgadores determinam? Quais são as estratégias utilizadas nos textos para garantir a credibilidade? Justificado por essa demanda, tanto na procura quanto na produção, é que o presente trabalho se insere. O tema deste trabalho se enquadra na linha de pesquisa da área dos estudos da linguagem do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie chamada de “Procedimentos de constituição dos sentidos do discurso e do texto”, na qual a Análise do Discurso de linha francesa encontra-se. inserida,. voltada. para. estudos. específicos. do. discurso.. Especificamente, o tema proposto faz referência à divulgação científica enquanto processo discursivo, focalizando esse fenômeno como método de popularização da ciência. Enfatizando, por meio da seleção de um corpus que fosse representante dessa modalidade textual (divulgação científica), o foco de análise recai sobre a perspectiva subjetiva e argumentativa presente nesta manifestação discursiva, evidenciando estratégias de enunciação tanto do discurso de divulgação científica quanto do discurso de autoajuda. O presente trabalho tem por objetivo geral investigar textos de divulgação de conteúdos científicos, produzidos por médicos/escritores que gozam de notoriedade midiática – representantes da modalidade discursiva divulgação científica –, visando a identificar, nas marcas presentes em procedimentos de construção discursiva, sinais de adesão a determinados valores ideológicos com que, de fato, os enunciadores possam estar comprometidos. Não serão focos de análise neste trabalho a característica dos textos de terem como suporte a mídia internet, ou seja, os efeitos de sentido depreendidos do texto serão.

(17) 22. caracterizados. segundo. uma. perspectiva. intratextual.. Como. objetivos. específicos, descrever procedimentos discursivos utilizados pelos enunciadores para construção da trajetória de produção de adesão aos seus discursos; apurar de que modo o discurso de vulgarização científica e o de autoajuda, considerados aqui como categorias discursivas que estruturam a composição formal e argumentativa dos textos que compõem o corpus em análise, influem no modo de produção enunciativo dos enunciadores; aferir como são construídos efeitos de sentido capazes de convencer o enunciatário, fazendo-o acreditar e conceder credibilidade ao discurso dos sujeitos enunciadores. Tomando como base os objetivos tanto o geral quanto os específicos propostos para este trabalho, delimitaram-se as hipóteses acerca deste exercício em potencial. Como hipótese acusa que existem, em todos os textos que serão analisados, sinais e indicações enunciativas sui generis nos procedimentos de sua construção discursiva, provando que de fato os sujeitos enunciadores estão comprometidos e têm sua adesão vinculada a valores ideológicos prédeterminados não só com a difusão do conhecimento científico, mas também com a orientação e condução ideológica de seus interlocutores, cativados e convencidos por suas técnicas discursivas. Segundo esses prognósticos, existe, presente no processo de estruturação enunciativa, uma concentração de táticas e artifícios de sedução e convencimento ideológicos, intentando a conquista e aquiescência do enunciatário. Buscou-se explorar a conjectura de que todos os enunciados participantes do corpus compartilham de artimanhas enunciativas e discursivas eficazes na aceitação ideológica, que caracterizam e ratificam o discurso. O processo analítico ao qual o presente trabalho se destina tem como objeto de composição de seu corpus um conjunto de textos, todos tendo como gênero literário a Divulgação Científica. Estipulou-se escrutinar alguns conceitos fulcrais para o desenvolvimento do trabalho, segundo os pressupostos teóricos da Análise do Discurso, postulados por autores representativos desta ferramenta de análise – Pêcheux (1969, 1975, 1982), Althusser (1967, 1970, 1983), Maingueneau (1995, 1989, 2001, 2008), Charaudeau (2004) –, cujos preceitos serão expostos e darão conta de dois pilares teóricos: o conceito de ideologia e.

(18) 23. de discurso, transcorrendo sobre a heterogeneidade constitutiva do discurso, de acordo com o primado do interdiscurso. Define-se aí o produtor do enunciado como sujeito-locutor e o seu Outro correspondente enunciativo, tratado com interlocutor enunciatário. Como aparato teórico referente ao processo de interação social inerente de toda manifestação enunciativa, recorreu-se aos postulados das teorias sociais de Pierre Bourdieu (1985; 1989; 1997; 2002; 2004) referentes ao campo social, especificamente o campo científico, e os preceitos teóricos que determinam esse fenômeno sociológico – ilusão naturalista, acúmulo de capital social, posição dos participantes do jogo social, busca por troféus no campo, entre outros. Esses estudos elucidam de forma eficaz os métodos de procedimento dos participantes do processo discursivo na busca de manutenção da interação entre os interlocutores e da proeminência discursiva no campo, portanto, suas estratégias de convencimento discursivo e adesão ideológica. Tomamos como objeto de pesquisa textos veiculados nos sites de sete (7) médicos conhecidos por suas manifestações midiáticas. Esses autores – tomados como enunciadores médicos e divulgadores de conhecimento entre não pares, gozam de certo prestígio perante um determinado público, não só por seus posicionamentos e procedimentos médicos, mas também por possuírem um carisma característico dos meios de propagação da informação. Para que se pudesse selecionar um corpus que apresentasse características de análise comprovadoras das estratégias tomadas para verificação neste trabalho, utilizou-se como critério de seleção a notoriedade midiática atribuída ao autores de determinados enunciados, assim como a postura de difusão de conhecimentos específicos tanto da saúde quanto de sua manutenção. Aqui faz-se uma ressalva e uma justificativa: não foi critério inicial de análise deste trabalho as implicações de sentido relativas à profissão dos autores selecionados para compor o corpus – a medicina. Sabe-se que o ethos prévio e suas representações enunciativas são fatores relativos aos efeitos de sentido produzidos nos enunciados, entretanto, entende-se que o olhar do analista e a autonomia de seleção dos conceitos necessários para a pesquisa são vitais na busca por elucidar os meandros que permeiam o fazer enunciativo. Portanto,.

(19) 24. corroborados pela perspectiva de análise que prima um foco de conduta, considerou-se o corpus como a representação de enunciadores tipificados no gênero discursivo de Divulgação Científica – enunciados típicos de processos de divulgação de conceitos relativos à pesquisa científica, determinados por áreas como a nutrição, a biologia e também a medicina. Assim, mesmo todos os autores sendo médicos, na concepção de sujeitos-enunciadores eles são difusores de conhecimentos ditos científicos diversos, não só ligados à medicina e à de cura de doenças, mas também ao comportamento social da saúde como um todo. Invariavelmente, esta área de conhecimento humano – a medicina – estará presente em análises, mas não será dedicado um olhar específico de metodologia e conceituações históricas e discursivas do fazer médico. Portanto, tomou-se primeiramente o conceito de ciência e a sua difusão como perspectiva de norte temático para produção das análises. Todos os autores selecionados para compor o objeto de análise gozam de grande prestígio midiático, mantendo em respectivos sites da mídia internet textos que têm como tema descobertas e procedimentos relativos à saúde humana. Diante disso, portanto, deriva o critério e a pertinência de escolha de composição do corpus, pois consideram-se todos os autores produtores de textos representativos do gênero Divulgação Científica. Um dos autores selecionados para compor o corpus foi o médico cardiologista/nutrólogo Lair Ribeiro, destacado por seu posicionamento contundente e radical com relação à métodos alternativos de medicina e à utilização de novos produtos na cura de doenças. como. o. câncer.. O. médico. mantém. um. site. na. internet. (https://lairribeiro.com.br) com dezenas de textos veiculadores de informação médica e científica. Os textos desse autor escolhidos para análise e que, na perspectiva adotada na pesquisa são representantes do gênero divulgação científica foram: “A dieta cetogênica no tratamento do câncer” (anexo 1) e “A gordura é a melhor amiga do coração” (anexo 2). Em seguida, foi selecionado o médico cirurgião plástico Victor Sorrentino. Seus textos são veiculados no site https://drvictorsorrentino.com.br e tratam de assuntos como procedimentos de prevenção de doenças humanas a partir de práticas consideradas saudáveis de nutrição. São eles: “Como manter seu cérebro saudável e jovem por muitos anos” (anexo 3) e “Os benefícios do óleo de coco” (anexo 4). Na sequência,.

(20) 25. optou-se. pelo. médico. fisioterapeuta. Juliano. Pimentel. (http://drjulianopientel.com.br), autor dos textos “22 benefícios do óleo de coco” (anexo 5) e “alimentos industrializados engordam? Descubra agora” (anexo 6), também tratando da relação entre medicina preventiva e alimentação. O próximo autor/divulgador. escolhido. foi. (https://drauziovarella.uol.com.br), propagador. de. conhecimentos. o. médico. oncologista. reconhecido científicos. Drauzio. Varella. nacionalmente. como. relativos. a. medicina. e. a. comportamentos de manutenção da saúde, produtor dos textos “Sai da cadeira” (anexo 7), “Dengue clássica, dengue hemorrágica e dengue com complicações” (anexo 8) e “Estratégia sinistra II” (anexo 9). Por último, ficou delimitado que a pediatra Ana Escobar, famosa por dar suporte médico/científico a programas televisivos relacionados à saúde, seria a última representante, com os textos “Chá de gengibre com limão ajuda a emagrecer?” (anexo 10), “Você conhece alguém que teve dengue? Então veja porque você deve se preocupar” (anexo 11) e “Ansiedade: o que é e como lidar com ela?” (anexo 12), todos veiculados no site http://www.draanaescobar.com.br.Todos os textos foram retirados de páginas da internet em que os mencionados médicos mantêm e escrevem sobre doenças, formas de cura e prevenção, assim como práticas de saúde orientadas por pesquisas científicas. Os enunciados foram primeiramente verificados, destacando-se aqueles que tratam de assuntos da área médica, referentes à saúde coletiva e ao aconselhamento para prevenção e cura de doenças e de condições de enfermidade, sempre orientados pela característica de propagação da ciência. Depois, por meio de uma análise mais pormenorizada, foram selecionados textos com características representativas da divulgação científica para a composição do corpus, abrangendo todos os autores mencionados acima. Os textos encontram-se em anexo ao final do volume. A metodologia seguirá a pormenorização de conceitos que permitirão analisar a formação discursiva em questão, e assim delimitar como se comportam os interlocutores dentro desse processo de enunciação. Serão apresentados conceitos e formulações sobre o discurso de divulgação científica e o discurso de autoajuda, tomados, segundo a perspectiva de análise adotada no trabalho, como discursos componentes na formação discursiva dos enunciadores mencionados no corpus..

(21) 26. O primeiro capítulo explanará histórica e conceitualmente, a partir do estudos de Pêcheux (1969, 1975, 1982), Althusser (1967, 1970, 1983), Maingueneau (1995, 1989, 2001, 2008), a análise do discurso enquanto ferramenta de análise do corpus, efetuando um estudo referente ao desenvolvimento teórico dos conceitos considerados pilares para o desenvolvimento da pesquisa, como ideologia e discurso, assim como vertentes formadoras e influenciadoras desses dois fenômenos: o conceito de condições de produção do discurso, de formação discursiva, de interdiscurso , entre outros. No segundo capítulo, para um embasamento de análise que elucidasse conceitualmente. as. vertentes. de. posição. ideológica. adotadas. pelos. enunciadores por meio de estratégias de enunciação, será necessário o aprofundamento no estudo dos conceitos de “campo social” e suas implicações teóricas, advindas da sociologia, formuladas e difundidas por Pierre Bourdieu (1985, 1989, 1997, 2002, 2004), pois esse campo de estudo promove a verificação conceitual do processo de subjugação social e manutenção do status quo, presentes em todas as formas de relação entre indivíduos estabelecidos socialmente, especificamente relativo ao campo da ciência. O terceiro capítulo deste trabalho apresentará uma discussão acerca do conceito de Ciência, baseado nas elaborações teóricas de selecionados filósofos da ciência, como Thomas Kuhn (1970, 1979), Karl Popper (1972, 1975, 1979a, 1979b) e Paul Karl Feyerabend (1977). Essa perspectiva epistemológica é pertinente neste trabalho para uma análise embasada e justificada, já que este conceito, fulcral na delimitação da ciência enquanto discurso de divulgação e popularização do conhecimento, suporta acepções diferentes, cada uma reveladora de posicionamentos ideológicos e estratégias discursivas distintas. Por meio dos postulados dos autores, discorrer-se-á acerca do caráter subjetivo, heterogêneo e argumentativo que permeia as esferas de produção, execução e difusão do conhecimento científico. No quarto capítulo apresentar-se-á bases históricas acerca do conceito de divulgação científica, assim como suas vertentes discursivas, pela concepção de autores, como Authier-Revuz (1998), Orlandi (2001), Zamboni (2001) e Ramos (2009, 2015). Esse estudo se faz importante pois é por meio da caracterização.

(22) 27. dos aspectos discursivos de uma determinada manifestação enunciativa, como a reformulação enunciativa, o posicionamento enunciativo dos interlocutores no processo de enunciação e popularização do conhecimento científico, é que se pode averiguar quais são as estratégias discursivas/ideológicas utilizadas na construção de enunciados típicos de divulgação científica. O quinto capítulo analisará, de acordo com os estudos de Chagas (1999), Rüdiger (2010) e Rohden (2012), o fenômeno autoajuda, tanto em perspectiva de literatura de massa, quanto em vertente discursiva. Serão analisados aspectos de formação do discurso de autoajuda, como características de condução discursiva e ideológica e produção de sentidos orientadores para os enunciatários. Será também verificado como essa manifestação se engendra e se dissemina em outras categorias discursivas, como a divulgação científica. O sexto capítulo apresentará o processo de análise do corpus selecionado, na busca pela elucidação de estratégias de enunciação utilizadas pelos respectivos enunciadores primando pela adesão discursiva e o convencimento ideológico. Serão analisadas as artimanhas que permeiam as formações discursivas construtoras dos enunciados de propagação da informação científica, a fim de identificar estratégias linguísticas e discursivas caracterizadoras tanto do discurso de vulgarização científica quanto do discurso de autoajuda, considerados pilares de enunciação para anuência ideológica do enunciatário e legitimação discursiva do enunciador. Serão descritas estratégias tipificadoras desses discursos, utilizando-se teorias que elucidem o modo de manifestação linguístico e discursivo dessa forma característica de enunciação. No sétimo e último capítulo, serão tecidas as considerações finais acerca das conclusões obtidas pelos estudos e análises propostos no trabalho, assim como perspectivas de outras abordagens efetuadas e a continuidade desse ramo de estudo..

(23) 28. 1. ANÁLISE DO DISCURSO – PERCURSO TEÓRICO E PRINCIPAIS CONCEITOS. A perspectiva de análise adotada para a execução deste trabalho terá como suporte teórico/metodológico conceitos e estudos advindos da ferramenta de análise adotada – a Análise do Discurso, que determina o fenômeno discursivo como o veículo transmissor de ideologia. Primeiramente, foi abordada a análise do discurso enquanto ciência linguística discursiva, estabelecendo suas vertentes conceituais. Para tanto, fez-se necessário uma pormenorização conceitual referente ao desenvolvimento teórico dessa ferramenta de análise, desenvolvendo um selecionado apanhado metodológico de estabelecimento dos principais conceitos formadores. Essa perspectiva conceitual tem caráter fundamental para o estudo desenvolvido neste trabalho, pois é a partir do conhecimento da formação e da estabilização acadêmica desse mecanismo de análise é que se faz possível uma caracterização dos critérios utilizados tanto no processo de seleção do corpus configurado no trabalho quanto dos métodos categorizados na interpretação dos resultados, ou seja, com a apresentação teórica do surgimento da Análise do Discurso enquanto disciplina tem-se a demarcação dos limites e dos focos de atuação das pesquisas e das análises feitas.. 1.1 Pêcheux e a Análise do Discurso – A pluralidade teórica e a centralização de análise Inicia-se essa abordagem didática emoldurando, como uma das principais vertentes linguísticas nas primeiras décadas do século XX, a corrente estruturalista, tendo como precursores e expoentes Ferdiand de Saussure e Leonard Bloomfield. A língua, considerada em seu aspecto gramatical, era o foco de pesquisa dos estudos, primando pela análise das estruturas interiores formadoras dos enunciados. Nessa abordagem, a língua é analisada como um sistema em que os elementos de composição apenas adquirem definições.

(24) 29. válidas por meio de relações de oposições ou equivalência, sustentadoras do sistema – uma estrutura. Outra contribuição importante nesse percurso remete ao surgimento da Gramática Gerativa Transformacional, advinda da corrente teórica linguística nomeada como Gerativismo, e que teve no norte-americano Avram Noam Chomsky um representante e difusor. De acordo com esse panorama teórico, os fenômenos linguísticos são analisados pela competência do falante, por meio de um agrupamento de sentenças provenientes da idealização deste usuário da língua. Para tanto, é inerente à condição humana a concepção de gramática utilizada pelo falante, sendo assim, uma representação teórica crítica ao movimento estruturalista da língua e uma contribuição aos estudos da psicologia cognitiva. Com essa perspectiva, baseada em minuciosas investigações acerca dos limites entre enunciados gramaticais e não gramaticais, chega-se a uma aproximação às estruturas matemáticas – uma análise sintática. Obtém-se avanços no conhecimento linguístico por meio de análises pragmáticas específicas, concebendo a linguagem como fenômeno de atuação e reciprocidade. Após esse resgate histórico acerca de duas diferentes correntes teóricas linguísticas é que se pode adentrar nos domínios da Análise do Discurso, aqui interpretada como uma disciplina de intermédio, pois propõe-se a articular diferentes regiões do conhecimento, não apenas os estudos referentes à língua em seus aspectos estruturais e geradores, como visto anteriormente. Na perspectiva da Análise do Discurso, focalizando especificamente a corrente teórica francesa emergida na década de 1960, as análises linguísticas adquirem um carácter histórico-social, pois as manifestações de enunciação são interpretadas como representações de uma sociedade em um determinado período cronológico. Nessa abordagem teórico-metodológica, são apresentados como pilares formadores não só a Linguística, mas também as teorias do discurso e as ciências sociais. No contexto que se configura, as concepções disciplinares das áreas da História, da Sociologia, da Filosofia e até mesmo da Psicanálise são temas determinantes para a ratificação da Análise do Discurso enquanto método de análise de corpus..

(25) 30. Diante desse panorama teórico-contextual multifacetado, aflora a necessidade de um esforço contínuo em determinar um ponto de regulamentação a todas as teorias envolvidas no processo, buscando um alinhamento nas contradições epistemológicas, inerentes de qualquer corrente conceitual complexa e multiforme. Portanto, Pêcheux (2014), na procura por uma conformidade metodológica, abarcando em uma mesma representação teórica os conceitos tanto de linguagem quanto de ideologia e de discurso, estabelece uma primeira perspectiva conceitual inaugural na Análise do Discurso Francesa. Para o autor, é intrínseca a relação entre prática linguística e ideologia, pois são conceitos que estão intimamente ligados por gênese. Pêcheux, indo de encontro com as principais correntes teóricas vigentes na França no período de 1960, que davam conta das questões sociais e linguísticas, estabelece um modelo diverso de concepção da linguagem em sua vertente de uso. Na perspectiva do autor, o fenômeno linguístico era, essencialmente, um processo ideológico; portanto, não havia a possibilidade de dissociar, no procedimento de prática linguística, as concepções de ideologia e linguagem. A primeira, vinculada às questões relativas às teorias sociais, e a segunda, atrelada propriamente ao campo da Linguística. Pêcheux confere duras críticas à, considerada por ele, incorreta visão idealista e desprovida de fundamentações ideológicas de algumas correntes teóricas, determinando como métodos de exploração idealista retrógrado das ciências, o realismo metafísico e empirismo lógico (PÊCHEUX, 2014). Partindo-se desse pressuposto, considera-se que as condições em que o objeto de estudo de qualquer método que se promova científico devem ser necessariamente consideradas, ou seja, é condição sine qua non uma relevância histórica e sociológica do contexto estabelecido para o corpus submetido à análise. Colocando em primeira perspectiva a questão discursiva, Pêcheux determina como “reprodução metódica” o processo que permite testar a materialidade e a relevância dos objetos, concebendo o aparecimento conceitual da “análise automática do discurso”. Para o autor, a práxis, determinada como prática científica, é determinante, pois, segundo a ótica teórica pressuposta, o.

(26) 31. paradigma existente entra ciência e discurso se rompe, não sendo mais a perspectiva reprodutiva conceitual e experimental a única opção viável nos métodos científicos. Portanto, de acordo com essa proposição, a articulação da heterogeneidade, em contraste com a dispersão, de três áreas de conhecimento, transpassadas e articuladas pela teoria psicanalítica do sujeito (remetente à subjetividade), é que promulgam a categorização da Análise do Discurso enquanto disciplina. Pêcheux e Fuchs (2014, p. 160) sequenciam esses pilares em: (...) 1. o materialismo histórico, como teoria das formações sociais e de suas transformações, compreendida aí a teoria das ideologias; 2. a linguística, como teoria dos mecanismos sintáticos e dos processos de enunciação ao mesmo tempo; 3. a teoria do discurso, como teoria da determinação histórica dos processos semânticos.. A configuração da Análise do Discurso enquanto método de estudo linguístico se dá, portanto, considerando sua invariável imersão no contexto de sociedade, não despregada dessa realidade histórica, destoando de como preconizara, até então, os conceitos clássicos de “método científico”. A relação sujeito/sociedade é posta em perspectiva de relevância, configurando a linguagem na sua função prática e considerando como espaço de confronto e de busca da materialização da enunciação. Ratificando esse posicionamento, Charaudeau (2004) afirma: “Pela primeira vez na história, a totalidade dos enunciados de uma sociedade, apreendida na multiplicidade de seus gêneros, é convocada a se tornar objeto de estudo” (CHARAUDEAU, 2004, p. 46). De acordo com esse molde teórico, perspectivas históricas e sociais têm fundamentos conceituais intimamente ligados e indissociáveis, pois se configuram em um momento enunciativo convergente, emoldurados por fatores sociolinguísticos, por variações sociológicas e por posições sociais assumidas pelos participantes da enunciação. Brandão (2004), conjecturando acerca desse posicionamento de Pêcheux diante da imanência discursiva e ideológica dos enunciados, afirma que a contribuição desse arcabouço conceitual é a capacidade de configurar não apenas representações físicas e biológicas.

(27) 32. humanas de presença, mas sim determinar a legitimação social de sujeitos assumidos por um discurso, posicionados estruturalmente em formações sociais, e passíveis de descrições e análises sociológicas. Para tanto, a concepção do conceito de “discurso” assumida por Pêcheux faz referência à perspectiva discursiva e ideológica que o emissor, conclamado como “enunciador” ou “sujeito-enunciador”, se caracteriza diante de seu receptor, admitido como “enunciatário”, ou mesmo “co-enunciatário” – já que tem função ativa na enunciação. Essa caracterização é mútua, permeada pelo que Pêcheux formula como condições de produção.. 1.2 Das condições de produção do discurso Para que se possa efetuar uma reflexão teórica sustentável acerca de conceitos formadores da Análise do Discurso, como Discurso e Condições de Produção, deve-se iniciar o percurso didático tomando como estágio inicial a constituição multifacetada do sujeito enquanto enunciador, assim como a relação indissociável deste com o contexto situacional de sociedade histórica impregnado ideologicamente neste sujeito. Os estudos relativos à Análise do Discurso aprimoram a visão subjetiva de sujeito linguístico, elaborada por Benveniste (1989). A proposição do autor faz referência ao carácter primordial da língua enquanto substância promotora do homem como ser social, formado no consenso de coletividade. Nas palavras de Benveniste: (...) somente a língua torna possível a sociedade. A língua constitui o que mantém juntos os homens, o fundamento de todas as relações que por seu turno fundamentam a sociedade. (BENVENISTE, 1989, p. 63). Partindo deste postulado, de que é na enunciação que o indivíduo se constitui enquanto sujeito, pode-se apresentar as contribuições de Benveniste na.

(28) 33. Linguística Moderna quanto à perspectiva de subjetividade enunciativa. Por esta análise conceitual, o sujeito é o centro de foco da enunciação, apresentando a categorização do locutor em sujeito enunciativo por meio da subjetividade (BENVENISTE, 1989). Determinando que é somente na e pela linguagem que o indivíduo se caracteriza como sujeito, Benveniste vai além, apresentando o status linguístico e a categoria de pessoa como determinantes da subjetividade, pois a linguagem, aqui, é promulgada como o fundamento da realidade enunciativa. Essa subjetividade se mostra materialmente presente no enunciado por meio das escolhas sintáticas e da seleçao do lexico feitas pelo indivíduo, como a categoria de dêixis e de verbo. Portanto, o autor não estabelece somente a categoria de pessoa, mas, por consequência, a categoria de pessoas do discurso. Superando esse paradigma monocromático da subjetividade enunciativa, proposta por Benveniste, os estudos referentes à Análise do Discurso aprimoram essa perspectiva dualista entre os participantes do diálogo – eu/tu (pessoas subjetivas) e os não participantes – ele (pessoa não-subjetiva). A categoria do outro é incorporada na constituição discursiva, atribuindo a esse último um status de co-enunciador. Portanto, o sujeito é determinado pela descentralização e pluralidade, relativizando a responsabilidade enunciativa entre os participantes do jogo discursivo. Em razão disso, agora a perspectiva de subjetividade não se encontra enraizada unicamente no eu enunciativo (ego), mas disseminada na relação com o contexto social, histórico e ideológico. A respeito dessa ótica conceitual, Brandão (2004), fazendo referência à perspectiva de análise competente à Análise do Discurso, postula: Para essas abordagens, a noção de história é fundamental, pois, porque marcado espacial e temporalmente, o sujeito é essencialmente histórico. (BRANDÃO, 2004, p. 59). Assim, estando esse sujeito marcado em sua enunciação cronologicamente e geograficamente e caracterizado, portanto, como um sujeito histórico, ele passa.

(29) 34. a ser interpelado como um sujeito atravessado pela ideologia – um sujeito ideológico. Seu posicionamento enunciativo adquire características de discurso, pois articulando representações de momentos históricos e contextos sociais específicos, o discurso enquadra-se em posição de convivência ideológica com outros discursos essencialmente diferentes. A partir dessa perspectiva, a História adquire o caráter discursivo, modulando o “fato histórico” em “discurso historiográfico”. O modo de operação dos processos sociais torna-se o objeto de estudo, e não somente a noção objetiva da descrição física e estanque dos fenômenos que compõem a realidade. A gênese do discurso e de seus processos – discursivização e discursividade – ocorre, segundo Brandão (2004), pela delimitação da História segundo essa prática de dinâmica processual. Nas palavras da autora: Atribuindo à instância singular do discurso um estatuto privilegiado, para ele a matéria de uma análise histórica descontínua é o evento na sua manifestação discursiva sem referência a uma teleologia ou a uma subjetividade fundadora. (BRANDÃO, 2004, p. 29). Partindo desse pressuposto de marcação histórica do discurso, Pêcheux (2014) apresenta as condições de produção como a somatória dos fatores que influem diretamente na composição discursiva do sujeito, ou seja, as condições de produção do discurso são caracterizadoras do processo discursivo (2014). Define-se, então, esse conceito pelo aglomerado de forças internas e externas, que moldam, favorecem e cerceiam a enunciação. Dentre essas forças estão a própria figura do sujeito enunciativo, sua pluralizada situacionalidade discursiva (como as circunstâncias em que se desenvolve o processo de enunciar são influenciadas pelo momento e pelo lugar de enunciar), a memória discursiva e o interdiscurso. A dinâmica destas forças são a base formadora do estabelecimento das condições de produção do discurso. Assim, as condições de produção de cada discurso influenciam diretamente no lugar de fala de cada sujeito enunciador, atribuindo a esse maior ou menor grau de legitimação discursiva, e, portanto, ideológica. Um sujeito transfigurado discursivamente como cientista, enunciando.

(30) 35. nos aparatos de métodos científicos e abrigado pela assumida “imparcialidade” da Ciência, tem sua legitimação enunciativa ratificada, a partir da construção ideológica que esse status enunciativo representa. O sujeito, segundo esse caminho conceitual, passa ao patamar de sujeito ideológico.. 1.3 Althusser e a materialidade ideológica Portanto, na perspectiva de Pêcheux, não há mais a possibilidade de caracterizar o sujeito como germe do discurso, pois esse sujeito é resultado da coerção ideológica, assim como a ideologia só se apresenta em condição de existência por meio do sujeito. Fazendo referência a essa dupla interpelação entre sujeito e ideologia, Althusser (1970) afirma: “A existência da ideologia e a interpelação dos indivíduos como sujeitos são uma única e mesma coisa.” (ALTHUSSER, 1970, p. 100). As contribuições conceituais referentes à ideologia, propostas por Louis Althusser, filósofo francês nascido na década de 1918, foram vitais nos trabalhos elaborados por Pêcheux para a constituição dos primeiros conceitos formadores da Análise do Discurso. Althusser, aprofundando os estudos acerca da teoria marxista do Estado e da função da estrutura ideológica no modo de produção capitalista, determina que ao Estado não é atribuída somente a prerrogativa de centralização social e repreensão de poder, como descrita por Karl Marx (1988). Essencialmente, Althusser diferencia o que ficou caracterizado como Aparelhos Repressivos do Estado, engendrado pela violência, do que ficou nomeado como Aparelhos Ideológicos do Estado. Em gênese, essa caracterização advinha da mola propulsora de acontecimento: a Ideologia. Como características de diferenciação dos Aparelhos Repressivos de Estado, os conceitos engendrados por Althusser (1970, 1983) dão conta de aparelhos dotados de alguma autonomia, com características múltiplas, descentralizadas e distintas, alimentadas pela ideologia..

(31) 36. Para conceber o conceito de ideologia, Althusser aprofunda o modelo proposto por Marx, relegando à teoria uma carga representativa de simulacro entre as situações e condições de realidade em existência dos indivíduos e a relação imaginária entre os mesmos. Portanto, criticando o modelo marxista, o autor concebe a primeira tese acerca dos estudos voltados à caracterização do processo de sustentação ideológica dos aparelhos de estado. Nas palavras do autor: A ideologia é então para Marx um bricolage imaginário, puro sonho, vazio e vão, constituído pelos “resíduos diurnos” da única realidade plena e positiva, a da história concreta dos indivíduos concretos, materiais, produzindo materialmente sua existência (ALTHUSSER, 1970, p. 83).. Segundo essa concepção, questionada por Althusser, o cerne de composição da ideologia resume-se a um emoldurado ilusório, não refletindo a dinamicidade prática da realidade concreta. Nessa transfiguração do pensamento de Marx, o autor desvela a noção de pertinências ao juízo (pensamento) não sobressaindo às organizações sociais, portanto econômicas e políticas, condutoras e coordenadoras da vivência no meio social. Partindo dessa “imaterialidade” apregoada por Marx, Althusser formula sua segunda tese: toda ideologia determina uma materialidade, ou seja, tem uma existência material. Ratificando isso, fica exposta a relação entre a execução e atuação ideológica e os Aparelhos Ideológicos do Estado. Segundo o autor: “uma ideologia existe sempre em um aparelho e em sua prática ou práticas. Esta existência é material” (ALTHUSSER, 1983, p. 89). Existe uma relação direta de realidade de existência entre esses conceitos, determinando que as atuações concretas dos sujeitos na sociedade são representações de suas características ideologias. Ainda segundo a visão de Althusser sobre a dinâmica da ideologia, o autor afirma que esse fenômeno se caracteriza como “um sistema de ideias, de representações que domina o espírito de um homem ou de um grupo social” (ALTHUSSER, 1970, p. 81). Para tanto, os componentes da ideologia atuam como uma estrutura de concepções imaginárias impositivas ao âmbito da.

(32) 37. consciência humana e social. Partindo apenas dessa característica incorpórea do conceito ideologia, aproximam-se as visões teóricas entre Marx e Althusser. Entretanto, Althusser vai além da intangibilidade conceitual (pois nessa perspectiva, em específico, a “luta de classes” postulada por Marx é propulsora de forma de ideologia) e determina a relação ideológica dos indivíduos sociais com as concretas condições de existência material (ALTHUSSER, 1970). Estreitando algumas convergências nas concepções de ideologia entre os autores, percebe-se a unicidade na concepção da função ideológica como imposição e dominação, favorecendo determinada classe social. Para Althusser, é imprescindível a: (...) transposição imaginária das condições de existência reais: essa causa é a existência de um pequeno grupo de homens cínicos que assentam sua dominação e sua exploração do “povo” sobre uma representação falseada do mundo por eles para subjugar os espíritos pela dominação de sua imaginação (ALTHUSSER, 1970, p. 86 e 87).. Intrínseca à existência da ideologia, Althusser apresenta a característica de imortalidade e imutabilidade desse conceito. Sendo um fenômeno social e histórico, dotado de força de constituição de discursos, conclui-se que a ideologia tem por função constituir indivíduos concretos em sujeitos, ou seja, ela é a base firmadora, norteando os sujeitos, suas funções e suas relações sociais, sendo “indispensável para toda sociedade para formar os homens, transformá-los e pô-los em condições de responder às exigências de suas condições de existência” (ALTHUSSER, 1967, p. 242). Permanecendo no contexto de caracterização da ideologia, Althusser ainda identifica duas máximas de regulamentação que regem a relação entre indivíduos e ideologia, tanto na sua perspectiva de prática quanto em condição de existência subjetiva, estabelecidos no processo de caracterização de sujeitos. Nessas condições, o autor estabelece que só existe a condição de prática ideológica por meio de uma ideologia e sob uma ideologia. Também caracteriza que é somente em função de um sujeito e por meio de um sujeito que a ideologia ganha representação material de existência. Em resumo, obtém-se a.

(33) 38. determinação: “a ideologia interpela os indivíduos enquanto sujeitos” (ALTHUSSER, 1983, p. 93). Dentre as funções da ideologia, Althusser ainda determina que ela é fulcral na estabilidade e conservação das posições sociais regulamentadas em uma sociedade, quer trate-se de contexto político, econômico, familiar ou religioso. O autor esmiúça essa relação da seguinte forma: Cada grupo dispõe da ideologia que convém ao papel que ele deve preencher na sociedade de classe: papel de explorado (a consciência “profissional”, “moral”, “cívica”, “nacional” e apolítica altamente “desenvolvida”); papel de agente da exploração (saber comandar e dirigir-se aos operários: as “relações humanas”), de agentes de repressão (saber comandar, fazer-se obedecer “sem discussão”, ou saber manipular a demagogia da retórica dos dirigentes políticos), ou de profissionais da ideologia (saber tratar as consciências com o respeito, ou seja, o desprezo, a chantagem, a demagogia que convêm, com as ênfases na moral, na virtude, na “transcendência”, na nação, no papel da França no mundo etc). (ALTHUSSER, 1983, p. 79-80). O posicionamento ideológico dominante se estabelece, se mantém e é disseminado por meio da atividade dos Aparelhos Ideológicos do Estado, que, realizando uma aparente perspectiva de singularidade e unidade de centralização, asseguram a manutenção ideológica vigente. Essas instituições específicas e especializadas sobrevivem em concomitância com os Aparelhos Repressivos do Estado, representados pelo governo, administração pública e até mesmo forças do exército e da polícia.. 1.4 O sujeito ideológico e seus esquecimentos Revisitando a concepção de sujeito ideológico – interpelado pela ideologia – explanada anteriormente, e da concepção de Pêcheux acerca da recusa de idealização do sujeito como origem do discurso, adentra-se na ótica da Análise do Discurso voltada a percepção que esses sujeitos têm de si, submetidos à um simulacro ilusório de posse e exclusividade do discurso. Pêcheux e Fuchs (2014).

(34) 39. conceituam que a forma ilusória de empoderamento da origem do discurso está intimamente atrelada a modos específicos de não consciência, tidos como esquecimentos, intrínsecos ao processo discursivo. Classificados em duas vertentes, os autores apresentam um deles definido como a característica do sujeito de recusa de posicionamentos alheios ao modo de organização de seu discurso – sua formação discursiva (esse conceito será apresentado com maiores especificações em tópico posterior). Esse fenômeno determina que o sujeito enunciador não se posiciona exteriormente à formação discursiva dominante da enunciação. Estando o sujeito inconscientemente subjugado em domínio pela formação discursiva, tem a ilusão de que o discurso se origina na sua ação, portanto, fonte desse sentido. Em outras palavras, estando cerceado inconscientemente pela formação discursiva, o enunciador acredita ser o criador do discurso. Essa primeira máxima tem, por consequência, uma segunda, orientada em perspectiva anterior à consciência, ratificando que cabe ao enunciador, dominado pela formação discursiva, a organização de determinados componentes linguísticos pré-existentes no interior da formação discursiva dominante. Portanto, trata-se de um enunciado, forma ou sequência, e não um outro, que, no entanto, está no campo daquilo que poderia reformulá-lo na formação discursiva considerada. (PÊCHEUX, 1988, p. 173).. Pêcheux faz referência às escolhas e recusas sintáticas, organizadas em formas parafrásticas com outras formações linguísticas, iludindo o enunciador quanto a sua autonomia enunciativa. Tendo a falsa concepção de domínio do discurso, esse fenômeno de assujeitamento acarreta a ilusória confiança, por parte do enunciador, de que seu posicionamento discursivo demonstra suas convicções e experiências acerca da realidade que o cerca. Entre a perspectiva que considera o indivíduo como “sujeito ideal”, livre de coerções, e a concepção do sujeito assujeitado, resultado dos moldes discursivos a que está submetido, Possenti (1996) determina um ponto de equilíbrio entre as duas vertentes, ratificando ao sujeito sua liberdade de escolha determinada por limites discursivos. Nessa concepção, não existem sujeitos independentes, que tomam decisões enunciativas independentes, não.

(35) 40. relacionadas ou submetidas à determinados contextos; assim como são inexistentes assujeitamentos puros, totalmente influenciados e ditados por discursos previamente instaurados, configurando esses sujeitos simplesmente como invólucros vazios atravessados pela interdiscursividade. Nas palavras do autor: “Acredito em sujeitos ativos, e que sua ação se dá no interior de semisistemas em processo. (POSSENTI, 1996, p. 37).. 1.5 Foucault e a formação discursiva Para que se possa dar continuidade à fundamentação teórica advinda dos estudos articulados pela Análise do Discurso, é imprescindível que se faça uma pormenorização no conceito de “formação discursiva”, estabelecendo suas vertentes históricas, seu espectro de influência na disciplina e em projeções de outros conceitos, como sujeito, ideologia e discurso. É importante definir esse fenômeno, segundo postulados do filósofo francês Michel Foucault, pois essa delimitação teórica tem influência direta na perspectiva de análise adotada neste trabalho, e reflete uma base teórica fundadora da Análise do Discurso. Os primeiros postulados de formação discursiva presentes em Foucault estão inseridos na obra A arqueologia do saber, sendo a primeira aparição nominal do termo vinculada a uma certa regularidade enunciativa: No caso em que se puder descrever, entre um certo número de enunciados, semelhantes sistema de dispersão, e no caso em que entre os objetos, os tipos de enunciação, os conceitos, as escolhas temáticas, se puder definir um regularidade (uma ordem, correlações, posições e funcionamentos, transformações), dizemos, por convenção, que se trata de uma formação discursiva. (FOUCAULT, 2008, p. 43).. Foucault apresenta o conceito de formação discursiva relacionado ao conjunto de enunciados não reduzidos simplesmente à percepção linguística enquanto fenômenos concretos da língua. Sua proposição dá conta desses conceitos veiculados a uma “regularidade e dispersão” em modelos ideológicos.

Referências

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