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O PAPEL DO FARMACÊUTICO CLÍNICO NO ÂMBITO HOSPITALAR: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

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O PAPEL DO FARMACÊUTICO CLÍNICO NO ÂMBITO HOSPITALAR: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

GUIMARÃES, Sanny T, (Curso de Farmácia UNITRI, [email protected]). FELIPE, Rodrigo L, (Curso de Farmácia UNITRI, [email protected]). FRANQUEIRO, Elaine de P. M, (Curso de Farmácia UBITRI,

[email protected])

CARDOSO, Rita A, ([email protected]).

Resumo: O farmacêutico hospitalar tem ganhado espaço e vem conseguindo provar que a atenção farmacêutica é essencial e indispensável. Sua formação possibilita a melhoria do tratamento do paciente através das práticas clínicas. Tendo como objetivo a comprovação da importância do farmacêutico clínico no âmbito hospitalar, esta revisão tem foco na farmacovigilância, tecnovigilância, atenção farmacêutica, seu fundamental papel na comissão de controle de infecção hospitalar (CCIH) e redução de custos desnecessários que podem ser obtidos com a prática clínica. A metodologia utilizada no presente estudo foi uma revisão bibliográfica. As atuações do farmacêutico clínico demonstram que é necessária a união deste junto à equipe multidisciplinar para que o trabalho seja satisfatório. A farmacovigilância junto à tecnovigilância possibilita a identificação, resolução e a prevenção de eventos adversos relacionados a medicamentos. Intervenções farmacêuticas possibilitam a viabilidade econômica para o próprio hospital com o uso racional de medicamentos. Na CCIH possibilita a minimização de antibioticoterapia desnecessária e controle das infecções hospitalares. O que se espera da atuação clinica do farmacêutico é sempre a melhoria do paciente com segurança e qualidade.

Palavras-chave: Farmácia hospitalar. Farmácia clínica. Intervenção farmacêutica.

INTRODUÇÃO

Desde o início do século XX e por muito tempo o farmacêutico ficou limitado a ser o profissional que somente cuidava do medicamento, ou seja, ele o manipulava, produzia, guardava e o dispensava (AMARAL et al., 2008). Porém com o crescimento da indústria farmacêutica na década de 1950 a amplitude do trabalho deste profissional atingiu maiores proporções, tendo como ápice o início da década de 1960 através de movimentos farmacêuticos da América do Norte e a partir de então seu conhecimento foi se voltando para o cuidado com o paciente resultando no farmacêutico clínico hospitalar (AMARAL et al., 2008).

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2 A farmácia hospitalar é uma unidade clínica, administrativa e econômica dirigida pelo farmacêutico onde uma unidade central recebe, armazena, controla o estoque e distribui os medicamentos e materiais para os demais pontos dentro do hospital (SANTANA, 2014). A farmácia clínica hospitalar teve início na década de 1960 nos Estados Unidos (RDC 585; 2013) e por volta de 1980 no Brasil (SANTANA, 2014). Atualmente expande-se a todos os níveis de atenção à saúde (RDC 585; 2013).

Por sua vez, a Atenção Farmacêutica foi criada em 1990 com foco na redução de morbimortalidade relacionada a medicamentos e uma forma efetivamente melhorada de se prestar assistência ao paciente. A responsabilidade do profissional farmacêutico neste contexto é se preocupar com a farmacoterapia do paciente no aspecto de segurança e efetividade (AMARAL et al., 2008). Existem métodos reconhecidos internacionalmente para a sua prática como, por exemplo, a metodologia Dáder e a metodologia Minesotta que são até hoje as mais utilizadas no mundo (PEREIRA; FREITAS, 2008).

Neste cenário, o farmacêutico clínico se apresenta como o especialista no uso de medicamentos e seu foco deve ser proporcionar a máxima segurança do paciente com bons resultados através do uso racional de medicamentos (PILAU et al., 2013), fato este que é comprovado com a redução de até 78% de erros de medicação (REIS et al., 2013). Segundo Bernardi et al., (2014) as práticas clínicas da farmácia são de fundamental importância para o processo terapêutico.

O papel do farmacêutico na clínica inclui também a participação deste nas visitas clínicas (FINATTO et al., 2012) como um membro da equipe multiprofissional e deve servir de instrumento para a criação de material didático como instruções de preparações e/ou administrações de medicamentos (SILVEIRA et al., 2013). A intervenção farmacêutica é uma de suas práticas e consiste em ações na tomada de decisões farmacoterapêuticas e avaliar os resultados (AMARAL et al., 2008).

O trabalho de farmácia clínica possibilita ao farmacêutico realizar a validação das prescrições. Farias et al., (2016) relatam que a validação farmacêutica de prescrição de medicamentos antineoplásicos contribuem para

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3 aumentar a detecção de problemas relacionados a estes como dosagem e esquema terapêutico. A segurança do paciente e o uso seguro e racional de medicamentos é o objetivo final para se alcançar com a implementação deste serviço.

O objetivo deste trabalho é relacionar o papel do farmacêutico clínico no âmbito hospitalar e comprovar a sua indispensável presença com ênfase na farmacovigilância, tecnovigilância, atenção farmacêutica, seu papel na comissão de controle de infecção hospitalar (CCIH) e redução de custos desnecessários que podem ser obtidos com a prática clínica, detalhando os resultados encontrados.

FARMACÊUTICO CLÍNICO NO ÂMBITO HOSPITALAR Percurso Metodológico

Para proceder a revisão bibliográfica, foram utilizadas três bases de dados científicos: a SCIELO Brasil, Google acadêmico e Lilacs. Para a busca de artigos científicos nas bases de dados, as palavras-chave escolhidas foram: farmácia hospitalar, farmácia clínica, intervenção farmacêutica.

Para a seleção dos estudos foram aplicados os seguintes critérios de inclusão: publicação nas bases de dados selecionadas, em formato de artigo, disponível gratuitamente e em texto completo, dos anos compreendidos entre 2007 a 2017, com abordagem na farmácia clínica, farmacovigilância, tecnovigilância e controle de infecção no ambiente hospitalar.

As publicações encontradas foram previamente selecionadas pelo título e resumo e, as que contemplaram os critérios de inclusão para realização, foram avaliadas na íntegra. Em se tratando de um estudo de revisão com base virtual, foram obedecidos os prescritores éticos citando os autores dos artigos e periódicos analisados.

O Farmacêutico Clínico como membro da equipe multiprofissional atuando em ações de farmacovigilância e tecnovigilância

O profissional farmacêutico hospitalar clínico, junto à equipe de saúde, deve promover suporte técnico (HAGA et al., 2014) com monitoria do

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4 tratamento e quadro clínico do paciente durante toda a sua internação (DANTAS, 2011).

Finatto et al., (2012) descrevem que na equipe multiprofissional ele é o responsável pela melhoria na farmacoterapia e na qualidade de vida através das intervenções propostas nos indicadores de qualidade. Ressalta também a importância da documentação deste processo bem como a sistematização e padronização avaliando individualmente todos os indicadores.

Nunes et al., (2008) através de um estudo retrospectivo de análise das intervenções realizadas pelos farmacêuticos residentes concluem que potenciais problemas podem ser identificados e até mesmo prevenidos através da criação da farmacovigilância com a equipe multiprofissional. O registro em banco de dados é importante para possibilitar a geração de indicadores de qualidade para o hospital garantindo assim uma ampla análise do desenvolvimento do trabalho e consequentemente dos resultados.

Muitos óbitos ocorrem anualmente devido a erros de medicação, incluindo erros de prescrição médica (REIS et al., 2013) e Silva et al., (2007) apontam como possível causa os problemas na comunicação, na dispensação, e na administração dos medicamentos. Essa análise reforça a necessidade de um sistema de medicação seguro para o paciente como a padronização dos processos, implantação de protocolos e da prescrição eletrônica, identificação dos pacientes com pulseiras de alertas em cores diferentes para pacientes com alergias, melhoria na comunicação com o paciente, promoção da educação permanente e garantia da participação de um farmacêutico clínico na equipe.

Segundo Haga et al., (2014) a implantação do serviço farmacêutico clínico possibilita até mesmo a redução da incidência de eventos trombóticos, e Silveira et al., (2013) falam sobre a importância de se criar material didático instrucional como, por exemplo, guias de diluições para toda a equipe multidisciplinar para que sirva de fonte de consulta rápida principalmente à equipe de enfermagem.

Através da farmácia clínica, é possível prever possíveis problemas relacionados a medicamentos (PRM’s) e monitorar medicamentos que são considerados perigosos. É importante também a inserção do registro destas

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5 intervenções em bancos de dados para toda a equipe multiprofissional com o intuito de melhorar a gestão da assistência em saúde (BERNARDI et al., 2014). A farmacovigilância permite a realização da tecnovigilância através de notificações espontâneas de eventos adversos e queixas técnicas de produtos para a saúde na fase de pós-comercialização. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) dispõe hoje de sistema específico, onde todas as queixas e suspeitas de ocorrências podem ser inseridas pelo farmacêutico em formulários e serão posteriormente analisadas pelos técnicos responsáveis da vigilância sanitária local (PORTARIA Nº 1.660, 2009).

O Farmacêutico Clínico na prática da Atenção Farmacêutica: Uso racional de medicamentos, análise e intervenção de prescrições

O uso racional de medicamentos bem como a garantia de acesso aos medicamentos são exigidos pelas autoridades sanitárias (BERNARDI et al., 2014). A atuação do farmacêutico clínico possibilita a promoção do uso correto de medicamentos em pacientes hospitalizados já que a prática permite a identificação e sugestão de tratamento profilático (HAGA et al., 2014).

Faz-se necessário a avaliação das prescrições antes do aviamento destas. Sua análise é voltada para possíveis reações adversas observando compatibilidade de drogas, possibilidade de alergia, interações medicamentosas (BERNARDI et al., 2014) seja com alimento ou alguma patologia e sua indicação terapêutica (FINATTO et al., 2012).

Segundo Reis et al., (2013) a segurança do paciente tem vínculo com o trabalho de análise de prescrição do farmacêutico pois é comprovado que os maiores casos de erros de medicação estão ligados às prescrições e a farmácia clínica desempenha papel importante neste cenário, sendo necessária a revisão das prescrições realizadas no hospital com análise individual para cada paciente.

A intervenção farmacêutica é realizada após o resultado da avaliação de todos os critérios necessários (FINATTO et al., 2012). Segundo Amaral et al., (2014) os critérios para avaliação são resultantes de uma monitorização farmacoterapêutica e são eles: comprovação da terapia medicamentosa,

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6 sobreposição terapêutica, aceitabilidade do paciente, interações medicamentosas, avaliação de possíveis efeitos adversos e tóxicos.

Estudos demonstram grande diminuição do número de erros de medicação quando há farmacêuticos realizando intervenções junto ao corpo clínico. Desta forma, nota-se que ocorre a redução do número de eventos adversos aumentando a qualidade assistencial (NUNES et al., 2008).

Ribeiro et al., (2015) falam sobre a importância da atuação farmacêutica na prática clínica através da análise de intervenções em prescrições, e este estudo comprovou que o farmacêutico clínico junto à equipe multidisciplinar promove uma terapia de qualidade para o paciente, utilizando como base a prevenção de erros de medicação e do uso seguro e racional de medicamentos.

Medeiros e Moraes, (2013) argumentam sobre os comprovados benefícios das intervenções farmacêuticas nas prescrições médicas de uma unidade de terapia intensiva dando ênfase ao uso racional dos medicamentos, onde as intervenções realizadas foram relacionadas a tempo de infusão e volume de diluição, comprimidos administrados por sonda nasoenteral em pacientes que já apresentavam acesso oral, interações medicamentosas e erros de prescrição.

Cardinal e Fernandes (2013) citaram que em um programa de atenção farmacêutica de um hospital particular a grande maioria das intervenções realizadas estavam relacionadas ao ajuste de horário de administração, ajuste da dose, via, duplicidade de prescrição médica, medicamento em duplicidade e contra indicado. Mais de noventa por cento das intervenções foram aceitas pelos médicos. A prevenção de erros de medicação é possível quando se realiza este trabalho, o que garante maior segurança e qualidade no tratamento do paciente internado.

Ferracini et al., (2011) comprovam que a farmácia clínica hospitalar contribui significativamente no desenvolvimento do uso seguro e racional de medicamentos. É possível realizar vários tipos de intervenções em uma prescrição como via de administração, frequência, dose, compatibilidade e diluição, dentre muitas outras. É importante realizar a documentação de todo o trabalho realizado para que se possa apresentar os resultados positivos e dar

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7 seguimento com o projeto. O resultado de todo o trabalho é a promoção do uso racional de medicamentos, aumento da segurança para o paciente e até mesmo a redução de custos associados à prescrição médica.

A atuação do farmacêutico clínico hospitalar no cuidado ao idoso, que necessita de uma atenção especial está voltada à redução de tratamento farmacológico desnecessário, o que resulta também no tratamento seguro para o paciente (PINTO et al., 2013).

O Farmacêutico Clínico na redução de custos hospitalares desnecessários É possível realizar a diminuição de custos hospitalares desnecessários relacionados a medicações através do trabalho clínico do farmacêutico (NUNES et al., 2008), resultando em viabilidade econômica para o hospital (MEDEIROS; MORAES; 2013).

Filho et al., (2010) através de um estudo de indicação não fundamentada de albumina humana em um hospital privado concluíram que o farmacêutico clínico desempenha papel importante neste tipo de avaliação pois através desta foi possível reduzir a utilização desnecessária do medicamento em questão aumentando a segurança do paciente e diminuindo gastos desnecessários para a instituição.

Segundo Cipriano et al., (2011) para conseguir a racionalização no uso do arsenal farmacoterapêutico é importante a educação permanente dos profissionais envolvidos no ciclo do medicamento onde o foco é a segurança, qualidade e efetividade. O caminho certo para o alcance desta meta é a criação da comissão de farmácia e terapêutica hospitalar.

O Farmacêutico Clínico atuante na comissão de controle de infecção hospitalar (CCIH)

Cada hospital tem um perfil microbiano diferente e com base nesta informação que o farmacêutico juntamente com a CCIH irá realizar a seleção dos antimicrobianos necessários. O farmacêutico clínico hospitalar tem papel de grande importância no controle das infecções, e suas ações são voltadas para a redução da disseminação infecciosa, promoção da utilização racional de

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8 antimicrobianos e promoção/participação de atividades educacionais dirigidas para este aspecto (QUIRINO; MENDES, 2016).

Através da prática clínica junto à CCIH, é possível reduzir o uso abusivo de antimicrobianos, verificar se o antimicrobiano prescrito é realmente indicado e eficaz para o tipo de microorganismo a ser eliminado, avaliar se o tratamento profilático está adequado (QUIRINO; MENDES, 2016), realizar controle da quantidade de pacientes em uso de antimicrobianos, verificação de doses e esquemas terapêuticos, escolha correta de compra de antimicrobianos e até mesmo dos produtos saneantes do hospital (FERREIRA et al., 2013). Ações como estas, contribuem para a diminuição da resistência bacteriana.

CONCLUSÃO

O farmacêutico clínico é indispensável no âmbito hospitalar junto à equipe multidisciplinar, pois este tem uma formação que possibilita um olhar cauteloso para a farmacoterapia do paciente além de conseguir analisar e criar um sistema seguro para administração de medicação através de várias ferramentas disponíveis. Todas as suas atuações são de extrema importância e fica evidente que estas não devem ser vistas de forma isolada, pois uma atuação complementa a outra. Os resultados obtidos demonstram que o objetivo final de toda a dedicação do farmacêutico clínico hospitalar é sempre a melhoria e segurança do paciente.

Referências

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CFF. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 585 de 29 de agosto de 2013. Dispõe sobre regulamentação das atribuições clínicas do farmacêutico e dá outras providências.

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9 CIPRIANO, S. L. et al. Comissão de Farmácia e Terapêutica. Pharmacia Brasileira, v.15, n.83, p.1-20, 2011.

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