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Biblioteca Digital do IPG: Atitude dos estudantes de ensino secundário à prática da atividade física

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0 Escola Superior de Saúde

Instituto Politécnico da Guarda

I Curso de Mestrado em Enfermagem Comunitária

Atitudes dos Estudantes do Ensino Secundário face à

Atividade Física

Eduardo Manuel Pinto Bárbara

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1 Escola Superior de Saúde

Instituto Politécnico da Guarda

I Curso de Mestrado em Enfermagem Comunitária

Atitudes dos Estudantes do Ensino Secundário face à

Atividade Física

Trabalho apresentado à Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico da Guarda no âmbito da Unidade Curricular Relatório.

Autor Eduardo Manuel Pinto Bárbara

Orientador Professora Doutora Ermelinda Maria Bernardo Gonçalves Marques Coorientador Professor Luís António Videira

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SIGLAS

HELENA - Healthy Lifestyle in Europe by Nutrition in Adolescence OMS – Organização Mundial de Saúde

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AGRADECIMENTO

Agradeço à Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico da Guarda o ensino, a formação e aprendizagem que me proporcionaram durante estes anos.

À minha Orientadora Professora Doutora Ermelinda Marques e ao meu Co-orientador Professor Luís Videira pela orientação, disponibilidade, amabilidade, entusiasmo, compreensão e dedicação que demonstraram, apoiando-me de forma incansável desde o início da elaboração deste trabalho.

À minha família, por dar tudo, sem pedirem nada em troca.

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PENSAMENTO:

―Não se deve julgar um homem pelas suas qualidades, mas sim pelo uso que faz delas.‖ (La Rochefoucauld)

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RESUMO

Vários estudos epidemiológicos têm evidenciado a importância da atividade física comprovando a sua contribuição para uma vida saudável e o bem-estar do indivíduo. Neste sentido, é importante que os jovens adquiram conhecimentos, gosto e motivação pela atividade física e façam da sua prática um estilo de vida, uma vez que a adoção de comportamentos protetores da saúde na infância e adolescência, promovem uma vida com mais qualidade, podendo também determinar uma vida mais saudável na idade adulta e na velhice.

Neste âmbito, as atitudes revestem-se de grande importância, porque podem predizer a motivação para a aprendizagem e o envolvimento dos mais jovens nas atividades físicas e desportivas.

Os objetivos deste estudo são avaliar as atitudes dos estudantes do ensino secundário face à atividade física e identificar quais os fatores que interferem nas mesmas.

Desenvolveu-se um estudo não – experimental, descritivo, analítico, transversal e de natureza quantitativa.

Foi selecionada uma amostra não probabilística por acessibilidade, constituída pelos estudantes do ensino secundário, de um Agrupamento de escolas do Distrito da Guarda, constituída por 95 estudantes com idades compreendidas entre os 15 e os 23 anos, com uma média de idades de 17.48 anos. Relativamente ao instrumento de colheita de dados, a escolha recaiu num questionário elaborado especificamente para o estudo e numa escala traduzida e validada na população portuguesa para avaliar as atitudes face à atividade física e ao desporto, Escala de Actitudes hacia la Actividad Física y el Deporte (Escala de Atitudes face à Atividade Física e o Desporto), desenvolvida por Dosil (2002).

A aplicação da escala de atitudes face à atividade física e desporto permitiu observar que 36.8% dos estudantes situaram-se num nível médio inferior, seguidos de 30.5% que se posicionaram no nível médio e de 23.2% que ocuparam o nível inferior, 3.6% dos estudantes situaram-se no nível médio superior e 3.2% no nível superior.

Concluiu-se que os estudantes do ensino secundário que apresentam atitudes mais positivas face à prática da atividade física, são os estudantes mais novos; do género masculino; a frequentar o curso científico-humanístico; consumidores de bebidas alcoólicas e que praticam atividade física. Verificam-se ainda atitudes mais positivas nos indivíduos em que o seu grupo de pares pratica atividade física.

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6 Os resultados desta investigação apontam para a necessidade de planear algumas atividades que envolvam os estudantes que participaram no estudo, a escola, a família e o Centro de Saúde, enquanto elementos promotores de estilos de vida saudáveis e de forma a fomentar atitudes mais positivas face à prática de atividade física.

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ABSTRACT

Several epidemiological studies have shown the importance of physical activity confirming its contribution to a healthy lifestyle and well-being of the individual. Therefore, it is important that young people acquire knowledge, fondness and motivation for physical activity and make their practice a way of life, since the adoption of protective health behaviors in childhood and adolescence promote a life with more quality, and may also determine a healthier life in adulthood and old age.

In this context, the attitudes are of great importance because they can predict the motivation for learning and the involvement of the youngest in sport and physical activities.

The goals of this study are to assess the attitudes of high school students regarding physical activity and identify which factors interfere in those activities.

It was developed a non experimental, descriptive, analytical, cross-sectional, and quantitative in nature, study.

For the purpose it was selected a non-probability convenience sampling, composed of high school students from a grouping of schools in the district of Guarda, consisting of 95 students aged between 15 and 23 years, with a mean age of 17.48 years. Regarding the data collection instrument, the choice fell on a questionnaire developed specifically for the study, and of a scale translated and validated in the Portuguese population to evaluate the attitudes towards physical activity and sport, Escala de Actitudes hacia la Actividad Física y el Deporte (Attitudes toward Physical Activity and Sport Scale), developed by Dosil (2002).

The application of the Attitudes toward Physical Activity and Sport scale allowed us to notice that 36.8% of the students were found in a middle inferior level, followed by 30.5% who were positioned at the middle level and 23.2% who occupied the lower level, 3.6% of the students stood in the middle superior level and 3.2% at the top level.

It has been concluded that high school students who have the most positive attitudes towards physical activity are younger students, male gender; attending the scientific and humanistic course; alcohol users and that perform physical activity. There are still more positive attitudes among individuals whose peer group practices physical activity.

The results of this research suggests the need to plan some activities involving students that participated in the study, the school, the family and the Health Centre, as promoter

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8 elements of healthy lifestyles in order to stimulate most positive attitudes to practice physical activity.

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ÍNDICE DE FIGURAS

Folha Figura 1 - Pirâmide da Atividade Física………30

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ÍNDICE DE QUADROS

Folha Quadro 1 – Consistência interna da ―Escala de atitudes face à atividade física e ao desporto‖………...49 Quadro 2– Distribuição dos estudantes segundo as caraterísticas sociodemográficas...53 Quadro 3– Distribuição dos estudantes segundo os hábitos alimentares………...55 Quadro 4– Distribuição dos estudantes segundo os hábitos tabágicos e alcoólicos………...56 Quadro 5 – Distribuição dos estudantes segundo a prática de atividade física e atividades sedentárias. ... 59 Quadro 6 – Distribuição dos estudantes segundo a prática de atividade física por parte dos pares e familiares. ... 60 Quadro 7 – Distribuição dos estudantes segundo os resultados da aplicação da escala de atitudes face à atividade física e ao desporto………61 Quadro 8– Resultados do estudo da correlação entre as atitudes face à atividade física e ao desporto e a idade dos estudantes……….62 Quadro 9 – Resultados do estudo da comparação das atitudes face à atividade física e ao desporto com o género dos estudantes. ... 62 Quadro 10 – Resultados do estudo da comparação das atitudes face à atividade física e ao desporto com o curso que os estudantes frequentam ... 63 Quadro 11– Resultados do estudo da correlação entre as atitudes face à atividade física e ao desporto e o consumo de bebidas alcoólicas…….………...………….………64 Quadro 12 – Resultados do estudo da comparação das atitudes face à atividade física e ao desporto com a prática de atividade física/desporto …….…………...………65 Quadro 13 – Resultados do estudo da comparação das atitudes face à atividade física e ao desporto com o tempo médio de prática de atividade física/desporto por semana... 65 Quadro 14 – Resultados do estudo da comparação das atitudes face à atividade física e ao desporto com o facto dos pares praticarem atividade física. ... 66 Quadro 15 – Resultados do estudo da correlação das atitudes face à atividade física e ao desporto e a comparação entre a prática de atividade física do indivíduo, com a prática dos seus pares………..67 Quadro 16– Resultados da correlação entre as atitudes face à atividade física e ao desporto e a importância atribuída à prática de atividade física/desporto...………...67

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ÍNDICE

Folha

INTRODUÇÃO ... 13

PARTE I – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 1 – PROMOÇÃO DA SAÚDE ... 17

1.1 – ESTILOS DE VIDA ... 20

1.1.1 - Sedentarismo ... 23

1.2 – O ENFERMEIRO COMO PROMOTOR DE ESTILOS DE VIDA SAUDÁVEIS ... 26

2 – ATIVIDADE FÍSICA ... 29

2.1 – ATIVIDADE FÍSICA NO JOVEM ... 32

2.2 – FATORES QUE INFLUENCIAM A ATIVIDADE FÍSICA NO JOVEM ... 35

2.3 – ATITUDE DO JOVEM FACE À ATIVIDADE FÍSICA ... 37

PARTE II - ESTUDO EMPIRICO 1 – METODOLOGIA ... 42

1.1 – FORMULAÇÃO DO PROBLEMA DE INVESTIGAÇÃO ... 42

1.2 - OBJETIVOS ... 44

1.3 – DESENHO DO ESTUDO ... 44

1.4 - VARIÁVEIS E SUA OPERACIONALIZAÇÃO... 45

1.5 – POPULAÇÃO E AMOSTRA ... 46

1.6 - INSTRUMENTOS DE COLHEITA DE DADOS ... 47

1.7 – PROCEDIMENTOS FORMAIS E ÉTICOS PARA A RECOLHA DOS DADOS ... 50

1.8 - TRATAMENTO ESTATÍSTICO DOS DADOS ... 51

2 – ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS/RESULTADOS ... 52

CONCLUSÕES E SUGESTÕES ... 68

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 71

ANEXOS Anexo I – Instrumento de recolha de dados ... 79

Anexo II – Tabela de Normalização dos Resultados da Escala de Atitudes face à Atividade Físca e o Desporto ... 86

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12 Anexo III – Pedido de Autorização ao Diretor de um dos Agrupamentos de Escolas do Distrito da Guarda ... 88 Anexo IV – Resposta da Direção da Escola Secundária ... 90 Anexo V – Pedido de Autorização aos Encarregados de Educação... 92

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INTRODUÇÃO

A grande diversidade dos problemas de saúde, com que habitualmente se debatem os países mais desenvolvidos, está associada a alterações sistemáticas dos hábitos de vida, nos quais se inclui uma redução dos níveis de atividade física que conduzem a um estilo de vida cada vez mais sedentário. Hoje em dia, existe uma ampla evidência de que a atividade física regular e moderada tem benefícios inquestionáveis para a saúde física, psicológica e social, podendo contribuir de forma significativa para o bem-estar geral do sujeito em todas as idades (Alves, 2005).

As conceções de que a atividade física regular assume um papel importante na promoção de um estilo de vida saudável e de que níveis elevados de atividade física durante a juventude aumentam a probabilidade de uma participação idêntica na fase adulta são bastante consensuais.

Além dos benefícios nos campos biológico e psicoemocional, alguns estudos têm procurado destacar que hábitos de prática da atividade física incorporados na adolescência podem transferir-se para as idades adultas, o que destaca a importância de acompanhar mais proximamente os hábitos de prática da atividade física dos jovens (Guedes, Lopes e Stanganelli, 2006).

Porém, a realidade nacional tem evidenciado uma fraca aquisição de hábitos de atividade física por parte dos jovens. Comparativamente com outros países da Comunidade Europeia, os hábitos de prática de atividade física são bastante inferiores, o que se revela preocupante quando o objetivo é melhorar a qualidade de vida das populações (Marivoet, 2001).

Ao longo dos últimos anos, vários modelos têm sido desenvolvidos e utilizados, na tentativa de compreender, explicar e prever a participação e o comportamento do sujeito face à atividade física. Embora com diferentes abordagens, que relacionam variáveis distintas, nenhum dos constructos teóricos tem a capacidade de explicar a realidade tal como ela é, nem prever fielmente o comportamento humano (Calmeiro e Matos, 2004).

No entanto, Hagger, Chatzisanrantis e Biddle (2001), segundo uma meta-análise realizada com base na teoria do comportamento planeado, afirmam que a atitude é a variável preditiva mais forte das intenções comportamentais face à prática de atividade física, bem como, do próprio comportamento do sujeito. Este facto indica que ―a atitude é o factor cognitivo mais importante que influencia a decisão das pessoas em aderir à prática de

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14 actividade física‖ (Hagger, Chatzisanrantis e Biddle, 2001, p.99). De facto, segundo Biddle e Mutrie (2001), o tema das atitudes acolhe um grande interesse por parte dos investigadores uma vez que a sua validade preditiva no domínio da atividade física tem sido consistentemente demonstrada em diferentes estudos e com diversas populações (jovens, adultos e idosos).

Neste sentido, compreender os fatores que influenciam as atitudes dos estudantes do ensino secundário face à atividade física é fundamental para o desenvolvimento de programas de intervenção orientados para a promoção da saúde entre os jovens (Santos, Gomes, Ribeiro e Mota, 2005).

A prática da atividade física é um tema atual e de interesse para a enfermagem, pois o enfermeiro deve visar a promoção da saúde, prevenindo a doença. Sendo a prática regular da atividade física um fator de promoção da saúde, o domínio que me suscitou interesse como investigador foram as ―Atitudes dos Estudantes do Ensino Secundário face à Atividade Física‖.

O tipo de estudo, considera-se não – experimental, descritivo, porque permite identificar ―as características de um fenómeno de maneira a obter uma visão geral de uma situação ou de uma população‖ (Fortin, 2009, p. 236) e tem como objetivos avaliar as atitudes dos estudantes do ensino secundário face à atividade física e identificar quais os fatores que interferem nas atitudes dos estudantes do ensino secundário face à atividade física.

Promover a adoção regular de experiências motoras e a sua manutenção ao longo da vida constitui um desafio, tanto para as instituições, como para os clubes, as escolas e a autarquia. É fundamental que estas estruturas disponham de conhecimentos científicos neste domínio, para mais facilmente corresponderem às necessidades básicas da população.

O presente trabalho vai apresentar uma estrutura decomposta em duas partes que se complementam. Assim, a primeira parte consiste na Fundamentação Teórica, na qual se pretende abordar as bases científicas do estudo, segundo diferentes autores. Inicialmente aborda-se a promoção da saúde, os estilos de vida e o sedentarismo, abordando o papel da enfermagem na promoção de estilos de vida saudáveis. No capítulo seguinte é abordada a atividade física no geral e mais especificamente no jovem, abordando-se por fim a atitude do jovem face à atividade física.

Por sua vez, a segunda parte, corresponde ao Estudo Empírico constituído por quatro partes. A primeira parte refere-se à metodologia utilizada no estudo, tal como se pretende definir e explicar o problema de investigação, referindo ainda o desenho de investigação, o tipo de estudo, as variáveis e a sua operacionalização, a população e a amostra, o instrumento de colheita de dados e o tratamento estatístico dos mesmos. A segunda parte compreende a

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15 análise, interpretação e discussão dos dados e resultados. O presente estudo termina com as conclusões, sugestões e as referências bibliográficas.

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1 – PROMOÇÃO DA SAÚDE

A promoção da saúde pode ser definida como o conjunto de esforços realizados coletiva e individualmente para que se concretize o potencial máximo de saúde a que podemos aspirar (Loureiro e Miranda, 2010).

No conjunto de esforços relativos à melhoria e proteção da saúde, o enfermeiro de saúde comunitária tem um papel fundamental, procurando a modificação de comportamentos do indivíduo no sentido de prevenir a doença, promovendo a saúde.

Loureiro e Miranda (2010) referem que para mudar é necessário ter consciência da situação de partida e de uma visão dos cenários a construir, procurando encontrar estratégias de resolução das dificuldades, o que requer autonomia, auto-confiança, motivação, entendimento dos assuntos, capacidade para gerir as situações e procurar possíveis alianças e por vezes recursos adicionais.

Neste sentido, a promoção da saúde assenta na compreensão das causas da saúde (os determinantes da saúde) sobre os quais é forçoso actuar, de forma concertada, pois há necessidade em estabelecer consensos e compromissos entre todos os setores sociais quanto aos objetivos a atingir. A preocupação com a saúde é atualmente parte integrante de todas as políticas a nível internacional, procurando-se a capacitação dos indivíduos e das comunidades (Loureiro e Miranda, 2010).

Para Santos, Rosa e Fernandes (2008) a ideia de saúde como qualidade de vida condicionada por vários fatores, tais como: paz, abrigo, alimentação, educação, recursos económicos, ecossistema estável, recursos sustentáveis, equidade e justiça social, surgiu com a Conferência Internacional sobre a Promoção da Saúde, em Ottawa, em1986. A Carta de Ottawa (1986) considera a saúde como um conceito positivo, para o qual são necessários recursos pessoais, sociais e capacidade física.

A promoção da saúde é, assim, resultado do reconhecimento dos determinantes sociais e da visão sistémica da interação entre os vários componentes considerados relevantes para a saúde e que vão do contexto político ao contexto individual (Loureiro, 2004).

Posto isto, é importante abordar o conceito de saúde que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) na sua Carta Magna (1946) cit. por Duarte (2002), é o estado de completo bem – estar físico, mental e social, e não somente a ausência de afeções ou doenças. No entanto, o discurso sanitário com ênfase na saúde ainda é recente.

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“Estado e, simultaneamente, a representação mental da condição individual, o controlo do sofrimento, o bem – estar físico e o conforto emocional e espiritual. Na medida em que se trata de uma representação mental, trata-se de um estado subjectivo; portanto não pode ser tido como um conceito oposto ao conceito de doença.

A representação mental da condição individual e do bem-estar é variável no tempo, ou seja, cada pessoa procura o equilíbrio em cada momento, de acordo comos desafios que cada situação lhe coloca. A saúde é o reflexo de um processo dinâmico e contínuo; toda a pessoa deseja atingir o estado de equilíbrio que se traduz no controlo do sofrimento, no bem – estar físico e no conforto emocional, espiritual e cultural.”

A Organização Mundial de Saúde (1946) cit. por Duarte (2002) afirma que ―a posse do melhor estado de saúde que é capaz de se atingir constitui um dos direitos fundamentais de todo o ser humano, quaisquer que sejam a sua raça, religião, opiniões políticas, condição social‖ e que ― os governos têm a responsabilidade da saúde dos seus povos: eles não podem fazer-lhes face senão tomando as medidas sanitárias e sociais apropriadas‖.

Neste sentido, verifica-se o conceito de saúde referido por Loureiro e Miranda (2010), que afirmam que este tem subjacente uma prespetiva dinâmica traduzindo-se na procura constante do equilíbrio entre os vários fatores que determinam a saúde, pois nenhuma definição de saúde se pode considerar completa, se não contiver os aspetos que dizem respeito à saúde do meio ambiente, tais como o aprovisionamento de água e de alimentos, o grau de poluição e contaminação da água de consumo, do ar e dos alimentos, a evacuação das matérias e águas usadas, o estado de limpeza das habitações e também aos fatores de ordem social, como são o ambiente e consciência familiar, o alojamento, desemprego, pobreza, alcoolismo, crime, delinquência juvenil, suicídio, divórcio, ilegitimidade, comportamento para com as crianças, grau de escolaridade, educação e outras manifestações de perturbação ou de equilíbrio e progresso da sociedade (Ferreira, s.d. cit. por Almeida, 2004).

Neste contexto, surge o conceito de saúde pública, a qual segundo Almeida (2004) existe desde as primeiras civilizações quando os governantes assumiram a responsabilidade política de salvaguarda da saúde das populações das primeiras cidades, designadamente através da construção de sistemas de esgotos para drenagem de efluentes domésticos e aquedutos para fornecimento de água ou através de intervenções ambientais como a drenagem de pântanos.

Beaglehole (2003) cit. por Loureiro e Miranda (2010) afirma que saúde pública consiste na ação coletiva para a melhoria sustentada da saúde da população, em larga escala.

Turnock (2004) refere que a saúde pública consiste, numa prática alicerçada na evidência científica, que possui uma natureza pluridisciplinar que é, simultaneamente, uma força e uma fraqueza: é uma fraqueza atendendo à ausência de cultura comum, mas é uma

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19 força face à diversidade de determinantes de saúde e consequente necessidade da colaboração de diversas áreas do conhecimento e intervenção na resolução dos problemas identificados.

Ferreira (s.d.) cit. por Almeida (2004) afirma que não é fácil dar uma definição sucinta e clara de Saúde Pública, porque o seu significado varia com o período histórico e o grau de evolução da sociedade a que diz respeito. Tem como caraterística essencial o estudo e a solução dos problemas que interessam à saúde dos indivíduos integrados no meio em que vivem.

Para Turnock (2004) os decisores políticos são atores essenciais da saúde pública não só porque detêm os recursos mas porque os serviços de saúde pública, pela sua natureza, dependem do poder político. Note-se, que a ação política é necessária quer a nível do planeamento (planeamento normativo), quer ao nível da alocação e disponibilização de recursos e serviços. Atendendo a que é obrigação dos governos zelar, de forma ativa, pela proteção da saúde dos seus cidadãos, a saúde pública e o poder político necessitam de ser parceiros, para terem impacto ao nível dos estilos de vida, dos quais a saúde dos indivíduos está dependente.

Loureiro e Miranda (2010) afirmam que a saúde é encarada como um bem da responsabilidade de todos e em particular dos organismos de vocação social, sendo um bem necessário a cada um e a cada nação para que se possa singrar e progredir na escala do desenvolvimento humano.

Paralelemente à promoção da saúde surge o conceito de comportamentos de risco. Calmeiro e Matos (2004) afirmam que comportamentos de risco são formas específicas de comportamento associadas com o aumento de susceptibilidade a uma doença específica ou à doença – saúde. Para Matos (2003), os comportamentos de risco são usualmente definidos como perigosos e todos os comportamentos ou atividades de um indivíduo têm impacto no estado de saúde, acrescentando que alguns exemplos de comportamentos prejudiciais para a saúde são: fumar, fazer uma alimentação rica em gorduras, beber grandes quantidades de álcool entre muitos outros. Por sua vez, como comportamentos de proteção da saúde pode-se referir de entre muitos outros: lavar os dentes, praticar atividade física, procurar informação relacionada com a saúde, realizar check-ups regulares, dormir um número regular de horas por noite.

Os comportamentos de risco e os comportamentos de proteção da saúde caraterizam os estilos de vida, os quais vão ser abordados seguidamente.

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20 1.1 – ESTILOS DE VIDA

Segundo Calmeiro e Matos (2004, p. 36) ―os estilos de vida estão ligados aos valores, às motivações, às oportunidades e às questões específicas relacionadas com aspetos culturais, sociais e económicos.‖ Os mesmos autores referem ainda que não há um mas vários estilos de vida saudáveis estabelecendo-se esta variedade de acordo com o grupo em que cada indivíduo está inserido e das próprias caraterísticas individuais.

Gonçalves, Gutierrez e Vilarta (s.d.) cit. por Marques (2004) definem os estilos de vida como um conjunto de ações que reflectem as atitudes, os valores e as oportunidades nas vidas das pessoas, nos quais devem ser considerados elementos coincidentes com o bem-estar pessoal, como controlo de stresse, nutrição equilibrada, atividade física regular, cuidados preventivos com a saúde e a promoção de relacionamentos sociais.

De acordo com Marques (2004), os estilos de vida resultam de hábitos aprendidos durante a vida, influenciados pela família, ambiente e sociedade. Se estes hábitos foram positivos podem levar a comportamentos em prol da saúde e do bem-estar, pois os indivíduos compreendem a importância dos estilos de vida mais saudáveis, se tiverem presentes exemplos de casos bem-sucedidos.

A adoção de hábitos saudáveis depende da realidade social em que se vive, dos elementos circunstanciais e ambientais e da estrutura biológica de cada indivíduo, capaz de favorecer ou dificultar a adoção de estilo de vida saudável (Vilarta, Gutierrez e Gonçalves, 2007). Entre as principais condições, citam-se: o processo educacional e cultural, que envolve os núcleos familiar, comunitário e social; a estratificação social no que diz respeito às condições que permitam a prática da atividade física, do lazer ou do apoio dos sistemas de saúde, e a própria decisão pessoal. Ou seja, a adoção de novos comportamentos depende muito mais da inserção da pessoa nos meios social, ambiental e familiar do que de uma decisão pessoal sem qualquer tipo de influência.

Iniciar um estilo de vida saudável pode ter limitações, na medida em que depende muito da motivação dos indivíduos. Na opinião de Korp (2008) o discurso para a promoção de estilos de vida saudáveis não se deve prender apenas com as questões de como evitar comportamentos prejudiciais para a saúde, mas também com a procura da promoção de pensamentos, sentimentos e ações em função da saúde.

Vilarta, Gutierrez e Gonçalves (2007) dão especial importância às questões relativas à alimentação e às práticas sistemáticas de atividade física. Porém, defendem que a adoção de estilos saudáveis depende da adaptação do sujeito a rotinas apropriadas, desde que a sua condição e modo de vida proporcionem a opção de escolha por parte do mesmo. É importante

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21 sublinhar que a adoção de um estilo de vida, tido como saudável, depende do acesso à informação, a oportunidades para a prática de atividade física, ao apoio socioeconómico e a atitudes de mudança de comportamento (Nahas, 2001).

Complementando este pensamento, Vilarta, Gutierrez e Gonçalves (2007) acrescentam que para que haja qualidade de vida, os aspectos socioeconómicos são muito importantes, pois estes definirão as condições e os modos de vida, que levarão, por exemplo ao acesso à ―saúde‖. Por essa ordem de ideias, a adoção de hábitos saudáveis, deriva, numa primeira instância, do acesso satisfatório a bens de consumo que proporcionam um estilo de vida tido como saudável.

Os comportamentos em função da saúde são influenciados por atitudes, hábitos, valores, sentimentos, crenças e modas que definem o estilo de vida de cada pessoa (Silva, 2002 cit. por Dias, Duque, Silva e Durá, 2004). E é a perceção que o indivíduo tem da probabilidade de contrair doenças e das suas consequências que o leva a ter comportamentos de saúde associados a um determinado estilo de vida. No entanto, este comportamento está sujeito a inúmeras influências externas, é por isso, importante que se aliem todos os esforços para que haja uma mudança de comportamento humano, sem esquecer que não basta informar sobre as consequências nefastas de certos tipos de comportamentos para que se verifiquem verdadeiras mudanças.

É de referir que a maioria dos fatores de risco associados às doenças é de natureza comportamental e estes só podem ser controlados através de intervenções planeadas para o efeito (Ribeiro, 2002 cit. por Dias, Duque, Silva e Durá, 2004).

Clément (2006) afirma que os estilos de vida assumem-se como traves mestras da ação humana e da saúde, tendo elas por génese sistemas de interacção sócio-ambiental, aspetos físicos, psíquicos, sociais, emocionais ou conotativos.

Posto isto, não é fácil mudar estilos de uma vida inteira, no entanto é pertinente referir que a recuperação do vigor e o início de uma vida saudável pode surgir em qualquer altura da vida do indivíduo, sendo algumas dessas formas a prática regular de exercício físico, a alimentação equilibrada, a prevenção de consumos de álcool e tabaco, a prevenção de comportamentos sexuais de risco. A promoção de um estilo de vida ativo é também um cuidado de saúde primário, sendo necessário para a educação para a saúde, a compreensão das estratégias para a mudança de comportamentos, fomentando mudanças positivas no indivíduo. É consensual que estilos de vida saudáveis promovem uma vida com mais qualidade. Nahas (2001) salienta a dificuldade de estabelecer um conceito preciso de qualidade de vida, considerando-a como um conjunto de parâmetros individuais e sócio-ambientais que caraterizam as condições em que vive o ser humano. Referindo-se a saúde, situação

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22 financeira, lazer, bem-estar, longevidade, como fatores de qualidade de vida. Estes fatores variam de indivíduo para indivíduo e ao longo da vida do ser humano, englobando as necessidades fundamentais do mesmo.

Associado ao conceito de qualidade de vida surge o conceito de salutogénese, sendo este um conceito criado pelo pesquisador Antonovsky em 1979, para designar as forças que geram saúde, e se opõem à patogénese, ou seja, às influências que causam a doença. Segundo Antonovsky (s.d.) cit. por Botsaris (2004), no caso de serem potencializadas as forças que se opõem ao estímulo causador de doença, seria possível evitar que o indivíduo adoecesse.

Antonovsky citado pelo mesmo autor designou de ―senso de coerência‖ o fundamento da salutogénese. Senso de coerência significa um estado de harmonia e bem-estar com o meio social, familiar e consigo mesmo, referindo-se assim a uma sensação de orientação global, e a um sentimento dinâmico de autoconfiança, gerado no meio interno e externo, que forma um ambiente saudável, de alta probabilidade de êxito na vida.

O trabalho de Antonovsky, assim como o conceito de salutogénese, tem sido utilizado pelos pesquisadores que trabalham com a qualidade de vida, para definir quais as áreas que são críticas para que o indivíduo se sinta bem e saudável.

Entretanto, apesar de bem discutida do ponto de vista teórico, segundo Botsaris (2004) a salutogénese ainda carece de uma sofisticação ao nível prático. É nesse campo que muitas medicinas complementares têm encontrado espaço para ampliar o seu papel na área de saúde. Diferentes da medicina convencional, que necessita da presença de doença e de um diagnóstico para atuar, as complementares exibem métodos terapêuticos voltados para o equilíbrio do indivíduo saudável. Essas técnicas podem contribuir para prevenir doenças e gerar bem-estar, em consonância com a teoria da salutogénese. Assim, vários autores publicaram artigos nas áreas de medicina chinesa, osteopatia, naturopatia, yoga, medicina tibetana e homeopatia, relacionadas as técnicas da salutogénese. Sem dúvida, as medicinas tradicionais e técnicas complementares de saúde poderão ajudar a ampliar a salutogénese, promovendo o bem-estar e estimulando a coerência do indivíduo consigo mesmo, reforçando os seus valores fundamentais.

Conclui-se que, reforçando os valores fundamentais do ser humano, como as relações familiares, a espiritualidade, hábitos de vida saudáveis, estabelece-se o ambiente ideal para a salutogénese. Nesse ambiente, fica reduzido o campo para alguma doença se instalar. Posto isto, ações desta natureza podem evitar uma percentagem significativa de várias patologias.

É neste contexto que a prática de atividade física ganha relevância, como promotora de fatores positivos, que contribuem para a prevenção de diversas patologias, promovendo a

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23 qualidade de vida, por oposição ao sedentarismo, sendo este um promotor do desenvolvimento de patologias no indivíduo.

1.1.1 – Sedentarismo

Segundo a Organização Mundial de Saúde, estima-se que nos países desenvolvidos mais de dois milhões de mortes são atribuíveis ao sedentarismo, e que 60 a 80% da população mundial não é suficientemente ativa para obter benefícios na saúde (Organização Mundial de Saúde, 2002).

É extensiva e inequívoca a investigação que relaciona este panorama a uma conjugação de fatores de risco largamente conhecidos, mas pouco apreendidos, sendo que a tríade constituída por maus hábitos alimentares, tabagismo e sedentarismo se estima ser a causa de mais de 80% dos casos de morte prematura por doença coronária (American Association for World Health, 2002). De facto, o Ministério da Saúde (2002) aponta igualmente estes fatores como determinantes para as principais causas de mortalidade e morbilidade crónico-degenerativa em Portugal.

Loureiro e Miranda (2010) afirmam que a estratégia europeia para a prevenção e controle de doenças não transmissíveis refere que 60% da carga da doenção é atribuída a sete fatores de risco principais: tensão arterial (12.8%), consumo de tabacao (12.3%), consumo excessivo de álcool (10.1%), colesterol elevado no sangue (8.7%), excesso de peso (7.8%), baixa ingestão de fruta e vegetais (4.4%) e ausência de atividade física (3.5%).

Portugal é o país da Europa com maior taxa de sedentarismo (Comissão Europeia, 2004). De facto, embora estejam bem descritos os benefícios da atividade física para a qualidade de vida e bem-estar, em Portugal, 70% da população é sedentária, com reduzida aptidão física e com excesso de peso, com toda a carga negativa associada a estes factos. O Instituto Português do Desporto (2013) afirma que a nível mundial, estima-se que um terço dos jovens não seja suficientemente ativo para contribuir para o seu bem-estar presente e futuro. A Eurotrials (2006) afirma 13% dos jovens portugueses apresentam excesso de peso e 3% apresentam obesidade.

No estudo realizado sobre os Hábitos Desportivos da População Portuguesa, editado pelo Instituto Nacional de Formação e Estudos do Desporto, estima-se que apenas 23% da população realiza alguma prática desportiva (Marivoet, 2001).

Neste cenário, o sedentarismo é hoje o maior fator de risco comunitário para a saúde em Portugal, sendo que a diminuição da sua prevalência é um contributo significativo para evitar doenças e aumentar a qualidade de vida.

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24 Mas os efeitos negativos de um estilo de vida pouco ativo não se fazem só reflectir na doença. Tem também reflexos muito significativos ao nível económico, individual e comunitário. Dados de vários países indicam que este custo é muito elevado (Centro de Prevenção e Controle de Doenças (s.d.) cit. por Ministério da Saúde, 2002).

Loureiro e Miranda (2010) referem que o impacto da doença, em especial das doenças crónicas, na economia das famílias e na macroeconomia é enorme e que reciprocamente, o rendimento dos países influencia a incidência e prevalência das doenças.

Em Portugal, será difícil analisar a dimensão destes custos, no entanto, independentemente dos valores absolutos, ao investimento em programas que reduzam a taxa de sedentarismo corresponderá uma redução da morbilidade e correspondentes custos com os cuidados de saúde, ao mesmo tempo que proporcionará uma melhor qualidade de vida à população. Pois a diminuição da taxa de sedentarismo reduz o risco de desenvolvimento de doenças não transmissíveis, incluindo cancros da mama e cólon, diabetes e doença cardiovascular (OMS, 2011).

No dia-a-dia, algumas pessoas optam naturalmente por preferir atividades de fraco dispêndio energético como, por exemplo, escolher escadas rolantes ou apanhar o elevador em vez de subirem as escadas a pé (Scientific Advisory Committee on Nutrition, 2011). Em casa, no local de trabalho e mesmo enquanto se viaja não faltam oportunidades para se ser sedentário. No entanto, longos períodos de inatividade física estão associados ao desenvolvimento de obesidade, porém, esta relação é algo complexa. São vários os estudos que demonstram que os jovens que vêem mais tempo televisão apresentam maior ingestão energética, através do consumo de alimentos e bebidas densamente energéticas, o que também se pode dever aos efeitos da publicidade ou efeitos psicossociais (Marshall e Ramirez, 2011).

Pensa-se que o facto de se permanecer longos e contínuos períodos de tempo sentado, interrompe importantes processos no organismo, como por exemplo, aqueles envolvidos na utilização da gordura e dos hidratos de carbono, muito possivelmente pela ausência de contracção muscular (Rey-López, 2011). Para Hamilton (2007) estes efeitos adversos podem ser responsáveis pelo sedentarismo estar associado ao aumento do risco de síndrome metabólico, doença coronária vascular, diabetes tipo 2, determinados tipos de cancro e mortalidade geral nos adultos e marcadores de doença coronária vascular nos adolescentes. Segundo Marshall e Ramirez (2011) a inactividade física está igualmente associada à redução da densidade mineral óssea (que aumenta o risco de osteoporose) e pode, muito possivelmente, causar trombose venosa profunda e desconforto muscular.

Para Swartz (2011) os riscos anteriormente referidos podem ser diminuídos pela interrupção das atividades sedentárias com pausas curtas. Até mesmo pequenos movimentos

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25 permitem despender mais energia do que se permanecer parado. Healy (2008) refere que um estudo Australiano demonstrou que os adultos que quebram, com frequência, os períodos sedentários tendem a apresentar perfis metabólicos mais saudáveis (peso corporal, níveis plasmáticos de colesterol e glicemia) comparativamente a adultos que não fazem estas pausas. A intensidade e duração mínimas da interrupção benéfica dos períodos de inatividade e os mecanismos subjacentes não são ainda conhecidos. No entanto, mesmo o facto de a pessoa passar da posição de ―sentado‖ para a posição de ―em pé‖, parece desencadear importantes processos benéficos, como aqueles envolvidos no metabolismo das gorduras (Bey e Hamilton, 2003).

Para Rey Lopez (2010) ver televisão, jogar computador ou jogos interativos, viajar e comunicar através da internet são passatempos altamente atrativos mas que contribuem para um estilo de vida sedentário. Segundo o mesmo autor os resultados do estudo HELENA (Healthy Lifestyle in Europe by Nutrition in Adolescence), financiado pela União Europeia e que envolveu 10 países, demonstraram que os jovens europeus passam cerca de 9 horas, por dia, a realizar atividades sedentárias, o equivalente a 70% do tempo que estão acordados (resultado ligeiramente superior ao reportado nos Estados Unidos da América). Acredita-se que esta proporção de tempo aumente na idade adulta. Rey Lopez (2010) acrescenta que no referido estudo, verificou-se que 60% dos adolescentes europeus viam televisão mais de duas horas por dia, ao fim de semana. Os adolescentes que tinham televisão no quarto e aqueles menos envolvidos com as responsabilidades académicas tendiam a ver mais televisão.

A Academia Americana de Pediatras (2001) recomenda que se limite o tempo das crianças permanecerem em frente à televisão e outros meios de comunicação que induzam o sedentarismo, e ainda que estes não estejam disponíveis nos seus quartos. Além disso, estes meios de comunicação podem substituir outras atividades interativas que são cruciais para o desenvolvimento natural e, por isso, são profundamente desaconselhados para crianças com idade inferior a dois anos.

Segundo Hamilton (2007) atualmente, as atividades sedentárias têm tendência a aumentar. Apesar da importância da prática de atividade física de intensidade moderada, é igualmente fundamental reduzir e interromper o tempo em que se permanece sentado a realizar atividades de fraca intensidade. Apesar da investigação nesta área ainda ser limitada, já começam a surgir estratégias para quebrar o sedentarismo. É bem possível que, no futuro, as escolas e as empresas adotem soluções que permitam que os alunos e colaboradores se movimentem no local de trabalho. Talvez as novas tecnologias possam desempenhar um papel positivo, encorajando as pessoas a moverem-se mais e mais frequentemente (Marshall e Ramirez, 2011).

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26 Neste âmbito, destaca-se o importante papel que os profissionais de saúde, nomeadamente os Enfermeiros, podem ter na promoção dos estilos de vida saudáveis.

1.2 – O ENFERMEIRO COMO PROMOTOR DE ESTILOS DE VIDA SAUDÁVEIS

O enfermeiro de saúde comunitária tem um papel fundamental no processo de capacitação dos indivíduos relativamente à melhoria e proteção da sua saúde, procurando a modificação de comportamentos do indivíduo no sentido de promover a saúde, prevenindo a doença.

A ideia de enfermagem comunitária, já vem de há muito a ser teorizada e praticada pelos núcleos inovadores de enfermagem em cuidados de saúde primários, mas recebeu novo impulso na Conferência Europeia de Munique (2000). Trata-se de uma prática centrada na comunidade, promovendo estilos de vida saudáveis, contribuindo para prevenir a doença e as suas consequências mais incapacitantes, dando particular importância à informação de saúde, ao contexto social, económico e político e ao desenvolvimento de novos conhecimentos sobre os determinantes da saúde na comunidade.

Segundo a Ordem dos Enfermeiros (2010) a enfermagem comunitária e de saúde pública desenvolve uma prática globalizante centrada na comunidade. As mudanças no perfil demográfico, nos indicadores de morbilidade e a emergência das doenças crónicas traduzem-se em novas necessidades de saúde, tendo sido reconhecido, nos últimos anos, o papel determinante dos cuidados de saúde primários com ênfase na capacidade de resposta na resolução dos problemas colocados pelos cidadãos no sentido de formar uma sociedade forte e dinâmica. Nesta perspetiva, o enfermeiro especialista em enfermagem comunitária e de saúde pública, fruto do seu conhecimento e experiência clínica, assume um entendimento profundo sobre as respostas humanas aos processos de vida, aos problemas de saúde e uma elevada capacidade para responder de forma adequada às necessidades dos diferentes clientes (pessoas, grupos ou comunidade), proporcionando efetivos ganhos em saúde.

A enfermagem assume um papel fundamental enquanto agente de mudança e de promoção de saúde, pois a forma como cada pessoa gere o seu próprio capital de saúde ao longo da vida, através de opções individuais expressas no que poderemos entender como estilo de vida, constitui uma questão fulcral na génese da saúde individual e coletiva, pois, segundo o Ministério da Saúde (2004) o consumo de tabaco, os erros alimentares, a obesidade, o consumo excessivo de álcool, a inatividade física e a má gestão do stresse estão

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27 hoje claramente identificados como sendo os principais fatores implicados na origem de várias doenças.

A Ordem dos Enfermeiros (2010) afirma que as competências específicas do enfermeiro especialista em enfermagem comunitária e de saúde pública, são as seguintes:

a) Estabelece com base na metodologia do planeamento em saúde, a avaliação do estado de saúde de uma comunidade;

b) Contribui para o processo de capacitação de grupos e comunidades;

c) Integra a coordenação dos Programas de Saúde de âmbito comunitário e na consecução dos objectivos do Plano Nacional de Saúde;

d) Realiza e coopera na vigilância epidemiológica de âmbito geodemográfico.

Nesta medida, a intervenção da enfermagem surge como uma estratégia de saúde fundamental que permitirá obter, a médio prazo, ganhos significativos em termos de redução da prevalência de doenças crónicas, e dos custos económicos individuais e sociais que lhe estão associados.

A abordagem do enfermeiro deve ser holística, pois só assim se conseguirão obter mudanças positivas nos estilos de vida da população indo ao encontro da qualidade de vida, estas alterações só serão possíveis através da educação para a saúde, ou mais recentemente, promoção da saúde. É importante referir que esta tem percorrido um longo caminho, deixando de ser definida como um conjunto de atividades passando a ser um processo. Desenvolveram-se Conferências Mundiais, formularam-Desenvolveram-se apelos à liderança política, com políticas públicas saudáveis, a mobilização e parcerias entre governos e a sociedade em geral, no sentido de se construirem condições de vida melhores (Carrondo, 2006).

Para Calmeiro e Matos (2004) a promoção da saúde pode ser definida como um processo de habilitar pessoas para aumentar o seu controlo e participação na melhoraria da sua saúde. Encontra-se intimamente relacionada com a capacidade de iniciativa de cada um para adotar um conjunto de medidas preventivas no seu dia-a-dia. Estas medidas para além de serem participadas e concretizáveis, têm cada vez mais de tornar a adoção de comportamentos saudáveis uma opção fácil e prestigiante do ponto de vista do reconhecimento social. Este facto é sobretudo importante na adolescência onde por vezes a adoção de comportamentos saudáveis é vista como desinteressante e a transgressão de regras é considerada uma fonte de prestígio social, o que deve ser tido em conta nas intervenções de enfermagem.

Cuidar da nossa própria saúde envolve adotar comportamentos saudáveis com o intuito de alcançar melhores condições de saúde. Neste sentido, o Ministério da Saúde (1997, p. 117) refere que ―as pessoas, individualmente ou integradas em grupos ou estruturas são o principal recurso de saúde‖.

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28 Loureiro e Miranda (2010) afirmam que a promoção de recursos geradores de saúde, a auto-estima e as capacidades de lidar com os desafios poderá ter como consequência, entre outras, uma menor dependência dos profissionais de saúde estimulando a participação plena dos indivíduos e comunidades no processo de desenvolvimento da sua própria saúde. O que vai de encontro ao conceito de potencialidades em saúde desenvolvido pelo Centro Europeu de Investimento em Saúde. De acordo com este modelo, aumentando as capacidades existentes nos diferentes atores, será possível melhorar de forma sustentada a saúde e contribuir para a diminuição das desigualdades sociais.

Para Calmeiro e Matos (2004) é essencial estudar o comportamento dos indivíduos ligados à sua saúde para o desenvolvimento de políticas de educação para a saúde, para a promoção de saúde e para que sejam pensados programas e intervenções nos indivíduos e nas sociedades.

Neste sentido, surge a prática da atividade física, enquanto tema atual e de interesse para a enfermagem, pois as intervenções do enfermeiro devem visar a promoção da saúde, prevenindo a doença. A prática regular da atividade física assume-se como um fator de promoção da saúde, o que será abordado no capítulo seguinte.

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29

2 – ATIVIDADE FÍSICA

O termo atividade física, segundo alguns autores (Montoye, 1996; Sallis e Owen, 1999) é um fenómeno/comportamento extremamente complexo, sendo hoje em dia definido como um conjunto de comportamentos que inclui todo o movimento corporal, ao qual se atribui um significado diferente de acordo com o contexto onde se realiza (Sallis e Owen, 1999).

A definição que mais consenso reúne na literatura atual segundo Oliveira e Maia (2001), é a apresentada por Caspersen (1995) cit. por Mota (1999), que entende a atividade física como qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resulte em dispêndio energético.

Neste sentido, Fernandes (2005), conclui que esta definição engloba toda a atividade física utilizada para nos deslocarmos, tanto nas tarefas da vida diária, no trabalho, nas atividades praticadas em tempos de lazer, nas atividades desportivas organizadas ou não, e no caso das crianças e jovens, na escola.

Relativamente ao exercício físico, Ribeiro (2005) afirma que é qualquer atividade física que mantém ou aumenta a aptidão física em geral e tem o objectivo de alcançar a saúde e também a recreação.

Quanto ao desporto, o artigo 2.º da Carta Europeia do Desporto para Todos (1992) salienta que

“O desporto são todas as formas de actividades físicas que, através de uma participação organizada ou não, têm por objectivo a expressão ou o melhoramento da condição física e psíquica, o desenvolvimento das relações sociais ou a obtenção de resultados na competição a todos os níveis.”

Assim, o desporto é uma atividade física sujeita a determinados regulamentos e que geralmente visa a competição entre praticantes. Para ser considerado desporto tem de haver envolvimento de habilidades e capacidades motoras, regras instituídas e competitividade entre opostos. As modalidades desportivas podem ser coletivas, duplas ou individuais. Idealmente, o desporto deve ser um divertimento e um entretenimento, e deve constituir uma forma metódica que tende à perfeição e à coordenação do esforço muscular tendo em vista uma melhoria física e espiritual do ser humano (Ribeiro, 2005).

A Organização Mundial de Saúde (2002) sublinha a importância da atividade física para a prevenção de algumas doenças cardiovasculares, da diabetes e da obesidade, pois o

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30 sedentarismo, tal como já foi referido, é reconhecido como um dos fatores de risco mais importantes nalgumas das doenças referidas anteriormente.

De acordo com Ribeiro (2005, p. 11), ―para incentivar a actividade física criou-se a chamada Pirâmide da Atividade Física (Figura 1) em cuja base estão as atividades físicas de rotina (passear, subir escadas, caminhar…), que devem ser feitas diariamente‖. Por cima e a fazer pelo menos três vezes por semana, o exercício físico feito através de corrida, ciclismo, jogos (ténis, basquetebol…), ginásio (aeróbica, step, cycling indoor…). Mais acima e a realizar pelo menos duas vezes por semana, exercícios de força e flexibilidade e atividades de lazer que sejam aeróbicas de baixa intensidade (golfe, jardinagem). No vértice da pirâmide estão as atividades sedentárias a diminuir no máximo possível (televisão, jogos de computador…).

Figura 1 – Pirâmide da Atividade Física Fonte - Adaptado de Ribeiro (2005, p. 127)

A atividade física possui uma componente de lazer e de entretenimento, contudo, quando praticada com regularidade melhora a qualidade de vida, assim quando se pratica exercício físico recuperam-se e melhoram-se os índices de funcionalidade do nosso organismo, ou seja, vive-se mais e com melhor qualidade de vida. Neste contexto, a atividade física representa um fator de qualidade de vida para todas as pessoas independentemente da faixa etária onde se inserem ou do seu nível social.

Para Berger e Pargman (2006), são vários os benefícios físicos e psicológicos desta prática, nomeadamente:

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Benefícios Físicos

 Redução do risco de ocorrência de Doenças Coronárias;  Prevenção/Redução da Hipertensão;

 Papel importante no controlo do excesso de peso e prevenção da obesidade;  Prevenção da Diabetes do tipo II;

 Papel importante em alguns tipos de cancro, nomeadamente do cólon;

 Saúde Muscular e Esquelética e redução do risco de ocorrência de Osteoporose.

Benefícios Psicológicos

 Melhoria dos Estados de Humor: Redução da tensão, depressão, raiva e confusão, acréscimo da vitalidade, vigor e clareza;

 Técnica de Redução de Stresse;  Oportunidade de experienciar Prazer;

 Reforço das Auto-Percepções (auto-estima e auto-conceito);

 Benefícios Psicoterapêuticos, nomeadamente no tratamento da depressão e ansiedade. De acordo com o mesmo autor salienta-se ainda um conjunto de outros benefícios, como:

Benefícios Económicos

Os custos para os governos dos países ocidentais, com as doenças crónicas, morte e baixa qualidade de vida, assumem grandes proporções. Assim, aumentando os níveis de prática de atividade física das populações, pode conduzir a uma redução destes custos, devido ao papel fundamental que esta prática tem na diminuição na ocorrência das doenças físicas e psicológicas.

Benefícios Sociais

A prática de atividade física, pode levar ao contacto entre indivíduos, estabelecimento de relações de cooperação e até mesmo a redução de comportamentos anti-sociais e do isolamento, com alguma incidência em diversos grupos, nomeadamente jovens e idosos.

 Benefícios Ambientais

A prática de atividade física, pode proporcionar uma maior utilização dos espaços exteriores, de certas áreas e reabilitação de outras, proteção do ambiente e o contacto com a natureza.

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32 Apesar do conhecimento generalizado sobre os efeitos positivos na saúde que a prática regular da atividade física pode potenciar, no caso específico de Portugal, os valores disponíveis na literatura não deixam de ser preocupantes. De acordo com um estudo realizado sobre os hábitos desportivos da população (Marivoet, 2001), referente ao ano de 1998, apenas 23% dos portugueses praticam exercício e desporto (19% fazem-no de forma regular e 4% ocasionalmente).

Este estudo apresenta ainda os seguintes indicadores: 13% da prática dos portugueses é realizada de forma organizada e 10% de forma não organizada; apenas 4% pratica desporto federado e 19% desporto de lazer. Por último, a taxa de abandono da prática de actividade física e desportiva situa-se nos 59%.

Num estudo realizado pela União Europeia sobre os seus cidadãos e o desporto (Comissão Europeia, 2004), concluiu-se que a percentagem de praticantes regulares de exercício em Portugal (três ou mais vezes por semana) se situa nos 8%, muito abaixo da média europeia (17%), embora cerca de 22% da população portuguesa realize exercício com a regularidade de pelo menos uma vez por semana, sendo a média europeia neste caso também superior (38%). No entanto, o dado mais preocupante tem a ver com o facto de 73% dos portugueses terem declarado que nunca ou muito raramente praticam atividade física.

Sendo a prática da atividade físca no jovem um importante preditor da prática da atividade física no adulto, importa abordar a atividade especificamente no jovem.

2.1 – ATIVIDADE FÍSICA NO JOVEM

Calmeiro e Matos (2004) afirmam que o ritmo e as exigências da vida nas sociedades modernas têm tido consequências boas e más a muitos níveis, existindo atualmente pouca disponibilidade nas sociedades mais desenvolvidas, para a atividade física, o que exige um esforço acrescido por parte dos indivíduos, para evitar atividades sedentárias que exigem um menor dispêndio em termos de gastos energéticos, uma vez que as brincadeiras de rua foram substituídas pela televisão, pelos videojogos e pelo computador e as crianças começam desde muito novas a adquirir hábitos de vida sedentários em detrimento da prática da atividade física.

Vieira, Priore e Fisberg (2002) afirmam que a atividade física auxilia no desenvolvimento do jovem e na redução dos riscos de futuras doenças, além de exercer importantes efeitos psicossociais. No entanto, ainda existem questões acerca da prática de atividade física na adolescência, nomeadamente quanto à influência exata da mesma em

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33 fenómenos como o crescimento esquelético e a maturação biológica. Por outro lado, ao contrário do que se pode pensar, a atividade física nesta faixa etária não é isenta de riscos, sendo que estes envolvem desde lesões corporais até deficiências nutricionais.

Barros (s.d.) cit. por Vieira, Priore e Fisberg (2002), afirma que a atividade física além de ser importante para o desenvolvimento do jovem, nos seus aspectos morfofisiopsicológicos, pode ainda aperfeiçoar o potencial físico determinado pela herança genética e permitir ao indivíduo um aproveitamento melhor das suas possibilidades. Acrescentando que, paralelamente à boa nutrição, a adequada atividade física deve ser reconhecida como elemento de grande importância no crescimento e desenvolvimento normal durante a adolescência, bem como para a diminuição dos riscos de futuras doenças.

Para Santos, Gomes, Ribeiro e Mota (2005) no jovem desenvolvem-se os principais estilos de vida, com implicações no risco de desenvolvimento de várias patologias na idade adulta. Tabagismo, dieta rica em gorduras saturadas, pouca atividade física e consumo excessivo de álcool correlacionam-se com obesidade, colesterol elevado e hipertensão arterial. A identificação e intervenção precoce nestes hábitos são importantes na prevenção das doenças cardiovasculares no adulto.

A importância da aquisição de hábitos de vida saudáveis nesta fase da vida é demonstrada pelo estudo de Azevedo, Araújo, Silva e Hallal (2007), no qual analisaram a continuidade da prática da atividade física da adolescência para a idade adulta. Tendo sido possível verificar que os indivíduos praticantes de atividade física na adolescência apresentam maior probabilidade de manterem a prática da atividade física na idade adulta.

Recentes estudos epidemiológicos demonstraram o aumento da obesidade e do tabagismo entre os adolescentes, pelo que é pertinente a prevenção e intervenção nos fatores de risco cardiovascular, através da promoção de estilos de vida saudáveis que incluem a atividade física regular e a redução das gorduras da dieta (McCrindle, 2007). Os primeiros passos no tratamento da hipertensão arterial sistémica e obesidade nos adolescentes devem ser medidas não farmacológicas, como atividade física regular, dieta com pouco sal, redução das gorduras saturadas e bebidas alcoólicas, e abstinência do cigarro.

Segundo Vieira, Priore e Fisberg (2002) a prática do exercício físico, associada a uma oferta energética satisfatória, permite um aumento da utilização da proteína da dieta e proporciona adequado desenvolvimento esquelético do jovem. Várias outras influências positivas estão relacionadas com a atividade física regular, entre eles o aumento da massa magra, diminuição da gordura corporal, a melhoria dos níveis de eficiência cardiorrespiratória, de resistência muscular e força isométrica, além dos importantes efeitos psicossociais.

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34 Especificamente para o adolescente, Barbosa (2002)cit. por Vieira, Priore e Fisberg (2002) menciona as seguintes vantagens da atividade física: estimula a socialização, diminui o consumo de álcool, tabaco e drogas, ocasiona maior empenho na procura de objetivos, reforça a auto-estima, ajuda a equilibrar a ingestão e o gasto de calorias e leva a uma menor predisposição a desenvolver determinadas patologias.

Relativamente aos riscos da atividade física no jovem, Jobin et al (1993) cit. por Vieira, Priore e Fisberg (2002) referem as deficiências de natureza alimentar; a morte súbita (para adolescentes portadores de patologias como cardiopatia congénita e hipertensão arterial, ou para adolescentes saudáveis expostos a contusões fatais, choque térmico ou excesso de esforço); contusões variadas por características específicas de cada tipo de atividade física ou por excesso de uso das estruturas corporais; além de distúrbios do comportamento, como agressividade na prática da atividade física e anorexia.

O desequilíbrio nutricional pode ocorrer quando os treinos excessivos não são acompanhados de aumento compatível dos nutrientes ingeridos. Devido aos horários dos treinos, os adolescentes podem adotar dietas inadequadas, com omissão de refeições ou com a sua substituição, principalmente por líquidos que repõe apenas parte das calorias e dos eletrólitos (Poskitt, Wardley et al, s.d. cit. por Vieira et al, 2002).

Relativamente à ocupação dos tempos livres, por parte dos jovens, é de referir que com o avanço da idade, a escola e a família deixam de assumir a centralidade que existe na infância. Segundo Lopes (2006) ―os primeiros sinais de afirmação de identidade ligam-se a tentativas de libertação da tutela e do controlo familiar‖. Posto isto e, segundo o mesmo autor (2006), a ocupação dos tempos livres dos jovens deve assentar num quadro de referência, que contemple:

 A liberdade, sentida na procura do desconhecido, o risco como processo de ação, o imprevisível, a constante mobilidade;

 A promoção do associativismo como meio de socialização e como canalização de desejos e inquietações comuns e de aprendizagens diversificadas, nomeadamente, democracia, cultura, socialização, recreio e ócio;

 A participação, que é um elemento fulcral. Deve ser tida em conta nas atividades de ocupação dos tempos livres, mediante o qual o jovem se sinta protagonista e não elemento passivo.

As atividades de ocupação dos tempos livres, segundo o mesmo autor (2006), apresentam os seguintes objetivos:

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35  Proporcionar aos jovens alternativas para uma ocupação do tempo livre, numa perspetiva educativa, que os leve a assumir esse tempo como um meio de valorização pessoal e social;

 Fomentar, a partir do tempo livre e do tempo de ócio, aprendizagens diversas que os torne conscientes da prática dos valores da democracia;

 Favorecer o interagir e a inter-relação dos jovens, através da valorização da auto-estima e do protagonismo;

 Potenciar a comunicação inter-jovens, através da expressividade criatividade no anular das tensões, agressividade, violência e nas dificuldades de relação e socialização, na vertente educativa, como meio auxiliar de formas de aprendizagens formais.

Estes objetivos podem ser atingidos através do associativismo juvenil, do voluntariado, de iniciativas como o teatro, a expressão dramática, da atividade física e de outras formas animadas de valorização social.

2.2 – FATORES QUE INFLUENCIAM A PRÁTICA DA ATIVIDADE FÍSICA NO JOVEM

Segundo Loureiro (2004) há vários fatores que influenciam a atividade física no jovem, tais como: biológicos, demográficos, psicológicos, comportamentais e ambientais, sendo a idade e o género fatores determinantes na atividade física dos adolescentes.

Relativamente ao género a literatura consultada indica que os indivíduos do género masculino praticam mais atividade física que os do género feminino. Nos estudos realizados por Telama e Yang (1997) cit. por Loureiro (2004) verificou-se que os rapazes são mais ativos do que as raparigas de acordo com todas as variáveis (frequência, intensidade, modo como passa o tempo de lazer e participação em desportos organizados). No entanto, verificaram que o declínio da atividade física é mais acentuado entre os indivíduos do género masculino do que no género feminino, ressalvando, ainda, que os indivíduos do sexo feminino depois dos 15 anos participam com mais frequência em atividades físicas do que os indivíduos do género masculino. Para Malina e Bouchard (1991) cit. por Loureiro (2004), esta diferença poderá ser resultado de uma influência social e cultural mais do que dos próprios aspetos biológicos, uma vez que não se encontram diferenças biológicas importantes até ao início da puberdade. Os estudos realizados por Montes (s.d.) cit. por Loureiro (2004) demonstraram que as raparigas que tiveram uma redução nas suas obrigações domésticas aumentam a quantidade de atividade física praticada.

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36 Dosil (2004) realizou um estudo com 2800 sujeitos (1245 homens e 1555 mulheres), dos 12 aos 92 anos, com o objetivo de estudar a influencia do género nas atitudes face à atividade física, concluindo que existe uma tendência para que os homens tenham uma atitude mais positiva face à atividade física do que as mulheres;

Para Loureiro (2004) as diferenças entre os géneros também se estendem a outros aspetos ligados à atividade física. O género masculino tem uma maior atracção por atividades vigorosas, são mais aceites pelos pares (em jogos e desportos), atribuem maior importância à atividade física e gostam mais de jogos e desportos.

Relativamente à idade os estudos realizados sugerem que os esforços preventivos focados na manutenção da condição e atividade física ao longo da adolescência irão trazer benefícios favoráveis para a saúde no futuro. O aumento da idade é inversamente proporcional à prática de atividade física. Esta ideia é corroborada pelos estudos de Montes (s.d.) cit. por Loureiro (2004), que afirma que os adolescentes entre os 10 e os 14 anos são os mais ativos, observando-se a partir dessa idade uma diminuição na prática.

Dosil (2004) afirma relativamente à influência da idade que as atitudes face à atividade física se tornam mais negativas ao longo da vida, sendo este facto mais pronunciado a partir dos 40-50 anos de idade.

Quanto ao grupo de pares, Loureiro (2004) afirma que os grupos são um meio privilegiado para partilhar informações que cada um recolheu em situações familiares, pessoais, em atividades de tempos livres ou através de interesses individuais, e onde surge a oportunidade de as transmitir aos pares. O estar com amigos, geralmente do mesmo grupo etário, é uma necessidade do adolescente, é um comportamento saudável. O isolamento de um jovem dos pares, preferindo investir sistematicamente em ligações limitadas com o círculo familiar, pode ser interpretado como conduta anormal, podendo vir a revelar-se como um fator de alerta para a saúde.

Durante a adolescência os jovens sentem a necessidade de impressionar os pares de ambos os géneros de forma a ganhar aceitação, reconhecimento, estatuto social e admiração, o que vai fazer com que se acelere o processo de independência dos pais e, simultaneamente, se crie um nova dependência dos pares.

Loureiro (2004) afirma que a pressão dos pares é especialmente importante na adolescência, no caso de o adolescente possuir um ou mais amigos, com os quais se identifique, e estes pratiquem atividade física, terá uma maior predisposição para iniciar a sua prática, assim como conseguir arranjar tempo para a realização do mesmo na sua rotina diária. Biddle (2001) cit. por Loureiro (2004) afirma que estamos assim perante um dos fatores mais consistentes nas alterações na prática de atividade física.

Referências

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