MAN11‹¬EsTAÇÓEs
nos
REMANESCENTES
no
coNDUTo
ONFALQMESENTÉRICO
Trabalho
apresentado à Universidade Federalde Santa Catarina, para a conclusão
do Curso
de
Graduação
em
Medicina. SPresidente
do
Colegiado:
Prof.Dr.
Edson
José
Cardoso
Orientador:
Prof.
Dr.
José
Antônio
de
Souza
Co-orientador:
Prof.Dr.
Edevard
José
de Araújo
Florianópolis
Universidade
Federal
de Santa Catarina
2003
À
omama
Nora,
pelo carinho
e
dedicação
Aos meus
pais, Ricardo Adolfo Creuz eMaud
Nora
Kuhlhoff, por darem condições queeu alcançasse
meus
ideais, e por,mesmo
longe, se fazerem presentes através dos valorescom
que
me
criaram.Ao
Dr. José Antônio de Souza, pela atenção, paciência e sabedoriacom
que transmitiu seus conhecimentos, e pelo exemplocomo
profissional competente e atencioso.Ao
Luciano Vieira de Souza e ao Juliano Tibola por estarem presentesem
momentos
importantes da minha vida, e por não
me
deixarem esquecer que existeum
mundo
além doshospitais.
Aos
amigos Eduardo Jorge, companheiro de plantões, pelo bom-humor, disposição econhecimentos; e Marcello Bini, pelo respeito e flexibilidade que possibilitaram
um
convívio harmonioso.Aos
colegas de turma que foram companheiros e leais nas alegrias e dramas que nosacompanharam
nesses anos de faculdade.Aos
funcionários doSAME
do Hospital Infantil Joana deGusmao,
pela ajuda, defundamental importância, na realização deste trabalho.
SUMÁRIO
RESUMO
... ..SUMMARY
... _. 1.INTRODUÇÃO
... ._ 2.OBJETIVO
... ._ 3.MÉTODO
... ._ 4.RESULTADOS
... .. 5.DISCUSSÃO
... .. ó.CONCLUSÕES
... _.NORMAS
ADOTADAS
... ..REFERÊNCIAS
... ..APÊNDICE
... .. . . . - . - . - - - - . z - - .. . . . . . . . . . .. - . . . . . . . - . . . - - . . . . .. IVO
objetivo deste trabalho foi analisar pacientes portadores de remanescentes do condutoonfalomesentérico
(COM)
intemados no Hospital Infantil Joana deGusmão
(HIJG), noperíodo de Ol de janeiro de 1980 a 31 de dezembro de 2002, e caracterizar as manifestações
clínicas destes remanescentes, assim
como
a utilização dos métodos diagnósticos e terapêuticos. Cinqüenta e nove pacientes (85,51%) eram do sexo masculino, e 10 (14,49%) dosexo feminino. Trinta e sete pacientes (53,63) tinham
menos
de 2 anos.O
divertículo deMeckel esteve presente
em
54 casos (78,26%).A
obstrução intestinal foi a manifestaçãodiagnosticada
em
28 pacientes (55,07%), sendo o volvo seu principal mecanismo (65,79%).A
dor abdominal e os vômitos foram os principais sintomas relacionados à obstrução e àdiverticulite.
O
sangramento intestinal foi o principal sintoma noDM
hemorrágico.A
fistula onfaloileal caracterizou a persistência doCOM.
Os exames
deimagem
foram sugestivos decomplicações por remanescentes do
COM,
porém
pouco específicos na sua maioria.Enterectomia
com
enteroanastomose foi o tratamento realizadoem
57 casos (82,60%).A
morbidade foi de 33,82%, sendo a infecção da ferida operatória a complicação pós-operatória
mais freqüente (30,88%).
Não
houve óbitos. Concluiu-se que oDM
é o principalremanescente do
COM
e as complicações ocorrem principalmenteem
lactentes, que aobstrução intestinal é a complicação mais freqüentemente diagnosticada e que enterectomia
com
enteroanastomose é o tratamento indicado na maioria dos casos.SUMMARY
This paper aims at reporting on analyses of patients bearers of omphalomesenteric duct
remnants hospitalized in the Hospital Infantil Joana de
Gusmão
(HIJG), from january 1, 1980to december 31, 2002; and at characterizing the clinical manifestations of such traces as well
as the use of the diagnostic and therapeutic methods utilized. In the study, 59 patients
(85,51%) were mala patients and 10 (14,49%) were female patients. Thirty seven patients
(53,63%) were tounger than
two
years old. Meckel's diverticulum(MD)
was found to bepresent in 54 cases (78,26%).
Bowel
obstructionwas
the diagnosismade
in 28 patients(55,07%), volvulus being its main mechanism (65,79%). Abdominal pains and vomits were
the main
symptoms
related to obstruction and to diverticulitis. Bleedingwas
the mainsymptom
in the bleedingMD.
Omphaloileal fistula characterized omphalomesenteric ductpersistence.
Image exams
were suggestive of complications due to omphalomesenteric duct remnants, being, however, not very specific in most cases. Small-bowel resection and anastomosiswas
the treatment applied in 57 cases (82,60%). Morbiditywas
around 33,82%,postcirurgical
wound
infection being the most frequent postcimrgical complication (3 0,88%).No
obits Were reported. Findings demonstrated thatMD
was
the main omphalomesenteric duct remnant, complications occurring mainly With infants; bowel obstructionwas
the mostfrequent diagnosis and small-bowel resection and anastomosis
was
the treatment indicated inmost cases.
O
conduto onfalomesentérico(COM)
éuma
estrutura que comunica o saco vitelino e a luz intestinal, na união dos intestinos médio e posterior,em
tomo
da 2” ou 3”semana
de vidaembrionária M.
Com
o desenvolvimento do embrião e estabelecimento da nutrição placentária, esta comunicação progressivamente reduz até que ao final da 5” a 7”semana
oCOM
oblitera, formandoum
tecido fibroso que é reabsorvido 1`5. Falhas neste processo deobliteração e reabsorção resultam
em
estruturas anômalas denominadas remanescentes doCOM,
cuja morfologia depende do estágio de involução no qual houve o erro, e da porçãoafetada 13510.
Quando
existe a persistência doCOM
na sua porção periférica, junto à cicatriz umbilical, forma-se o sinus umbilical, caracterizado poruma
formação revestida demucosa
intestinal, secretora de material mucóide_
O
pólipo é semelhante ao sinus, porém não há luz aonível da lesão.
Na
persistência da porção intermediária do conduto, há a formação de cistos onfalomesentéricos. Finalmente, a persistência da porção entérica leva a formação dodivertículo de Meckel (DM).
Quando
oCOM
permanece patenteem
toda sua extensão,forma-se
uma
fistula onfaloileal.As
artérias vitelinas que irrigavam o saco vitelinopodem
deixar resquícios que dão origem a cordões fibrosos e bandas mesodiverticulares 1'3”1°.Desses defeitos o mais
comum
é oDM,
um
divertículo verdadeiro, situado na bordaantimesentérica do ileo, usualmente a cerca de
50cm
da válvula ileo-cecal (VIC), variando de15 até 180cm.
Mede
de 1 a10cm
de comprimento por 0,5 a3cm
de diâmetro.A
irrigação éefetuada pelos vasos vitelinos.
O
DM
pode conter tecido ectópicoem
sua luz (mucosagástrica, pancreática, cólica, duodenal, biliar ou tecido parotídeo) l'3'8'“'12. Geralmente o
DM
está
com
seu extremo distal livre na cavidade abdominal U,porém
pode estar aderido àparede abdominal diretamente ou por
um
cordão fibroso 1.O
DM
é a anomalia congênita mais freqüente do intestino delgado e sua incidência é relativamente alta, porém raramente se manifesta, sendo sua sintomatologia extremamente variada 1. Tais caracteristicas fazemcom
que o
DM
seja “freqüentemente suspeitado, muito procurado e raramente encontrado” 13.O
primeiro relato deum
DM
foi feito por Fabricius Hildanusem
1598,com
a descrição deum
divertículo de íleo terminal.Em
1701,Ruysch também
descreveu esse defeito. Littre,em
1745, relatou a presença do divertículonuma
hémia inguinal.Somente
em
1809, Johann2
Friedrich Meckel fez
uma
descriçao detalhada da anatomia e embriologia do divertículo, identificando-ocomo
remanescente doCOM
"3`6'8.A
incidência doDM
na população geral variou de0,3%
a6,0%
de acordocom
vários estudos, sendo2%
o valor médio mais aceito ¡'3'8'l4']5.Os
sintomas aparecem antes dos doisanos de idade
em 45%
a62%
dos pacientes L3 '5 '6'15 . Inicialmente J. F. Meckel, e depoisW.
R..Moses, descreveram que as chances de
um
DM
causar complicações eram de25%
mn.
Atualmente é aceito que o risco de complicaçoes é maior no 1° ano de vida e decai
progressivamente
com
a idade 3'9'l4'16']8. Soltero e Bill estimaram que o risco de complicaçãoé de
4,2%
ao nascimento, diminuindo progressivamente até zeroem
idades avançadas 16. ParaCullen et al, o risco de
um
portador doDM
desenvolver algum tipo de complicação é de6,4%
17.
O
DM
éuma
má-formação mais freqüenteem
homens
na proporção de 2 a2,7 portadores
para cada mulher 5'6'8'“.
Nos
pacientes pediátricos sintomáticos as proporções variaram de 1,07 a 4 crianças do sexo masculino para cada criança do sexo feminino, ainda assimmostrando
uma
maior ocorrência na população masculina 1'5'6.Os
remanescentes doCOM
causam quadros clínicos variados l'3'l5'18”l9.A
obstruçãointestinal é a complicação mais
comum
na população adulta, enquanto o sangramentointestinal é a mais
comum
na população infantil 1'3'“'“'19`2l.Os
principaismecanismos
deobstrução são o volvo e a invaginação intestinal 1'3`5”8'l8.
A
obstrução por volvo caracteriza-sepor dor abdominal importante (tipo câimbra), distensão abdominal e vômitos.
O
quadro deinvaginação inclui vômitos, dor abdominal intermitente, fezes
com
sangue, massa abdominal palpável, e eventual progressão para letargia e desidratação 13639.Também
foram descritosobstruçao por hemiação intema (através de bandas mesodiverticulares) e por encarceramento
do
DM
numa
hérnia inguinal L”.A
hemorragia intestinal ocorreem
função da formação deúlceras pépticas no divertículo e na parede intestinal adjacente ou contra-lateral.
A
mucosa
gástrica ectópica esteve presente
em
60%
a100%
dos casos, secretando pepsina e ácidoclorídrico que deram origem às lesões ulcerosas 1'3'5'6”8. Estudos tentaram demonstrar o papel
do Helicobacter pylori na etiopatogenia das úlceras,
mas
ele raramente foi encontrado namucosa
gástrica doDM,
provavelmente pela toxicidade dos sais biliares para estemicroorganismo "3'23'24.
O
sangramento pode se apresentarcomo
enterorragia, hematoquezia,melena ou sangue oculto, dependendo do calibre e da quantidade de vasos afetados pela
úlcera 1.
A
inflamação doDM
(diverticulite) pode ser causada por traumas (fisicos ou químicos), presença de corpos estranhos, parasitas ou doenças específicas,como
a tuberculoseintestinal, por exemplo I.
As
manifestações clínicas são idênticas à apendicite aguda U,porém
esta patologia é rara
em
crianças antes dos dois anos de idade 12.A
perfuração éuma
complicação grave, mais freqüente no adulto e nos casos de diverticulite, e pode evoluir
com
peritonite. Está relacionadacom
úlceras, inflamação ou necrose do diverticulo ou da paredeintestinal 13.
A
drenagem de secreção pela cicatriz umbilical éuma
manifestaçãocomum
dapersistência do
COM
3'8. Observa-se a saida de conteúdo digestivo pela cicatriz umbilical logoapós a queda do coto umbilical ou até alguns meses após.
Pode
estar presenteum
halo hiperemiado ao redor da cicatriz ou resquícios demucosa
intestinal formando pólipos 3'8.Quando
o material drenado pela cicatriz umbilical é seroso ou mucóide, é maior aprobabilidade de sinus umbilical ou de cisto onfalomesentérico.
A
persistência deum
COM
largo aumenta o risco de prolapso intestinal,
uma
manifestação rara e grave que requer rápido tratamento cirúrgico 3_Estudos contrastados do aparelho gastrintestinal (trânsito intestinal,
enema
opaco,radiografia simples do abdome) são úteis para demonstrar os quadros de
abdome
agudoobstrutivo,
porém
são muito pouco específicos para o diagnóstico deum
DM
5'4.Apenas
alguns trabalhos mostraram opacificação do
DM
em
estudo contrastado 19'25'26.O
enema
opaco usualmente não
tem
sucesso na redução da invaginação porDM,
pois a cabeça dainvaginação é raramente redutivel Ló.
A
ultra-sonografia abdominal tem pouco valor nodiagnóstico do
DM,
mas
é indispensável na comprovação de cistos onfalomesentéricos 3.A
ñstulografia é utilizada para comprovar a persistência do
COM
e excluir a persistênciado
úraco,uma
vez que esta condição é cerca de IO vezes mais freqüente 3.A
tomografia
computadorizada abdominal pode contribuir para aprimorar o diagnóstico etiológico. Trata-se,
~ ~
entretanto, de
um
exame
mais sofisticado e mais caro que tem indicaçoes precisas e naonecessariamente modifica a conduta 3.
O
uso da endoscopia digestiva alta e da colonoscopiafoi descrito apenas para excluir outras causas de sangramento 53.
A
cintilografiacom
pertecnato de Tecnécioggm é útil nos casos de hemorragia porDM
15'”. Este isótopo e' secretado pelas células parietais da
mucosa
gástrica, e vai mostrar oDM
quando este tiver
mucosa
gástrica ectópicaem
sua luz.O
uso de pentagastrina, antagonistasdos receptores
Hz
(cimetidina, por exemplo) e glucagonmelhoram
os resultados dacintilografia l3*6'8. Lesões intestinais que causam aumento de fluxo sanguíneo local (úlceras, inflamação)
podem
aparentemente causar concentração deste isótopo e serem visualizados no4
exame
3.Nos
casos de persistência do sangramento e cintilografia negativa, os autoressugerem a realização de arteriografia mesentérica supen`or ou vitelina superseletiva 3'5'8.
O
tratamento consiste na estabilização hidroeletrolítica e hemodinâmica do paciente,fazendo descompressão gástrica e antibioticoterapia quando necessário L3 _ Procede-se a
redução da invaginação, volvo ou hémia nos casos de obstrução,
com
a ressecção das alças inviáveis e remoção dos defeitos anatômicos que possibilitaram a obstrução B.O
divertículo,de preferência, é removido
com
o segmento de alça intestinal que o contém, por deenterectomia
com
enteroanastomose 13'”.A
diverticulectomia isolada oferece o risco derecidiva de úlceras na parede contra-lateral ou na
mucosa
intestinal adjacente àmucosa
ectópica
lu
I.As
complicações pós-operatórias são aquelas de qualquer exploração abdominalcom
ressecção de alças, e incluem obstrução intestinal por aderências, infecção da ferida operatória, deiscência da anastomose e da ferida operatória, íleo paralítico, hémia incisional, entre outras "3'5'9”l6.
A
morbidade referida na literatura variou de2%
a30%
1'5'l6*l7'29.A
mortalidade
em
cirurgias de divertículos assintomáticos ou diverticulectomias incidentaisaproximou-se de zero U6.
Em
cirurgias por complicações doDM
variou de1%
a10%
l,5,l6,29,l7Existe a possibilidade de neoplasias no
DM,
porém
esta éuma
manifestação poucofreqüente l'l2'3°.
Os
tumores malignos descritos incluem tumores carcinóides, sarcomas, linfomas e adenocarcinomas. Entre os benignos foram citados leiomiomas, fibromas,hemangioendoteliomas, neuromas, lipomas e adenomas l' 3°.
Este trabalho foi realizado
com
o intuito de descrever as formas de apresentação dos2.
OBJETIVO
Analisar pacientes portadores de remanescentes do conduto onfalomesentérico intemados
no Hospital Infantil Joana de
Gusmão
(HUG),
no período de Ol de janeiro de 1980 a 31 deo
3.
MÉTODO
Em
um
estudo clínico, descritivo e retrospectivo, foram analisados 69 prontuários depacientes portadores de remanescentes do conduto onfalomesentérico
(COM)
sintomáticos, internados no Hospital Infantil Joana deGusmão
(HUG),
em
Florianópolis, Santa Catarina, entre 01 de janeiro de 1980 e 31 de dezembro de 2002.Os
prontuários foram fornecidos pelo Sen/iço de ArquivoMédico
e Estatístico(SAME)
do HIJG. Seis casos de complicação por remanescente doCOM
foram excluídos do estudo, pois seus prontuários não foramencontrados. Pacientes operados por outros motivos,
em
que o divertículo de Meckel(DM)
foi
um
achado incidental,também
foram excluídos desse trabalho.Utilizando-se
um
protocolo previamente estabelecido (apêndice), foram coletados dadossobre: idade, sexo, raça, procedência, sinais e sintomas, exames complementares, manifestação clinica, tratamento, tipo de má-formação, tempo de internação, restabelecimento
da alimentação via oral, complicações e intercorrências pós-operatórias e complicações
tardias.
Quanto à idade, os pacientes foram distribuídos seguindo a classificação utilizada pelo
Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP),
proposta por Marcondes 31
(Quadro 1).
Quadro 1 - Classificação da idade, segundo Marcondes 31.
Neonatal O a 28 dias
Infância Lactente 29 dias a 2 anos exclusive Pré-escolar 2 anos a 7 anos exclusive Escolar 7 anos a 10 anos exclusive
Adolescente Pré-puberal 10 anos a 12-14 anos
Puberal 12-14 a 14-16 anos
Pos-puberal 14-16 a 18-20 anos
Os
pacientes das faixas etárias pré-puberal, puberal e pos-puberal foram consideradosQuanto à procedência, os pacientes foram distribuídos conforme a mesorregião de origem,
segundo os critérios do Instituto Brasileiro de
Geografia
e Estatística 32 (IBGE), em:procedentes da mesorregião grande Florianópolis, sul catarinense, vale do Itajaí, norte
catarinense, oeste catarinense, ou serrana. -
Quanto ao quadro clínico, foram analisados dados da anamnese e
exame
físico no pré-opeiatório.
Os
sinais e sintomas analisados foram: dor abdominal, vômitos, estado geral, distensão abdominal, palidez, parada de eliminação de gases e fezes, sangramento intestinal, letargia, febre, alterações da cicatriz umbilical, massa abdominal, entre outros.Quanto ao tipo de má-formação presente, foram considerados os remanescentes do
COM
descritos por Arnoury e Snyderl (Figura 1).
"- " ` .. -f'."\)"*~\.._. . `\.¡,.\ 5-, _._¿._¡s _ .. -I .'_ i" Í- -'. = 1 ~"í""' ~¢ f“"""¡'V”_--›. É. fr ¿. .. '~t. r 3; - 2.-1; C #_¿_,_-¿‹,‹_-¡_v`_¿_ :_ 1% ¬z._¿š›¿_ ,_-fev ;;,1..; :r:¿~¬f-¬z-__, .Í °-HK' ;.¿.,;¡ .z_.-,_;L,°‹2'“'ií‹,
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"rig- .. z . ..¬- .,_ __ . ; ._._..._...,¬ ._ Q .. _, _J_..._ _ ¿«‹ ~..,_._.»¿"§'*`- ,ø,__.-"' '^--' «mf if E -‹,_ /i' . ,Q K ,¿ ~ . ‹. { Av- I» _.-x «;__ _ .` vz .« ‹› (li' _ *Uva ' i ã Ê» * .SA
C
. 1; ~ ,‹ J _. ;í;w` ` , ,L . _. _»--¬.»_. `. QL-ff išvf:«_~ ,. » §‹. «I Í * '_ , f z ^‹~ . ‹ ,\,: '-`~ 2 Y ^\ __ z - __. ;›3` * 1 _v 4 2 â¬:›> Í s -za. 1* lt- A _ 2 ' _ *B ".__ . : T_`l.--'L _E
F
G
H
Figura l - A) Divertículo de Meckel (DM) com a porção distal livre. B)
DM
aderido à parede abdominal. C)DM
fixo à parede abdominal através de cordão fibroso. D) Cordão fibroso. E) Persistência do conduto
onfalomesentérico (fistula onfaloileal). F) Sinus umbilical. G) Cisto onfalomesentérico. H) Pólipo umbilical.
Os
casos deDM
aderido à parede abdominal eDM
fixo à parede abdominal através decordão fibroso foram reunidos
num
grupo denominadoDM
fixo,uma
vez que a manifestaçãode
ambos
os remanescentes é semelhante.Quanto ao tipo de manifestação, os casos de obstrução intestinal foram separados
em
8
como
torção, volta, acotovelamento, estrangulamento e “laço", foram reunidos no grupodenominado volvo.
Manifestações de irritabilidade ou choro foram consideradas
como
dor abdominal.Quanto ao tipo de sangramento intestinal, foi considerado melena naqueles pacientes que
apresentaram evacuação de fezes pastosas, enegrecidas
(com
características de sanguedigerido) e fétidas. Hematoquezia naqueles pacientes que apresentaram fezes
acompanhadas
de quantidade variável de sangue “vivo” (não digerido), brilhante, líquido ou
em
coágulos.E
enterorragia naqueles pacientes que apresentaram defecação de grande quantidade de sanguepuro, não digerido, mesclada ou não
com
coágulos 3334.A
eliminação demuco
sanguinolentopelo ânus, acompanhada ou não de fezes,
embora
também
representeum
tipo de sangramentointestinal, foi considerada
um
sinal à parte, pois caracteriza o sinal da “geléia de morango”.Para o cálculo da morbidade, foram consideradas as complicações pós-operatórias e as
complicações tardias, sendo estas últimas as complicações surgidas após a alta hospitalar.
O
restabelecimento dafimção
intestinal foi aferido pelo reaparecimento dos ruídos hidro- aéreos e inicio da alimentação por via oral.4.
RESULTADOS
Tabela 1 - Distribuição dos pacientes portadores de remanescente do conduto
onfalomesentérico, atendidos no Hospital Infantil Joana de
Gusmão
no periodo de 01 dejaneiro de 1980 a 31 de dezembro de 2002, segundo a procedência,
em
número
(n) e percentual (%). Ó Q\ Procedência n Grande Florianópolis 55 79,71 Sul catarinense O5 7,25 Vale do Itajai 04 5,80None
catarinense 02 2,90 Oeste catarinense 02 2,90 Serrana 01 1,45 Total 69 100,00Fonte: SAl\/IE - HIJG. 1980-2002
Tabela 2
-
Distribuição dos pacientes portadores de remanescente do condutoonfalomesenterico, atendidos no Hospital Infantil Joana de
Gusmão
no periodo de 01 dejaneiro de 1980 a 31 de dezembro de 2002, segundo o sexo,
em
número
(n) e percentual (%).Sexo n
%
Masculino 59 85,51
Feminino 10 14,49
Total 69 100,00
Fonte:
SAME
- HIJG, 1980-2002Dos
69 pacientes estudados, 66 (95,65%) eram da raça branca.Os
outros 3 (4,35%) não tinham registro no prontuário quanto à raça.O ága
a
O
8%2
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Bgãljaneiro de 1980 a 31 de dezembro de 2002, segundo o tipo de remanescente
onfalomesentérico,
em
número
(n) e percentual (%).Remanescente
%
Divertículo de Meckel fixo Divertículo de Meckel livre
Persistência do conduto onfalomesentérico
Cordão fibroso Sinus umbilical
Não
identificado* 40,58 37,68 14,49 2,90 2,90 1,45 Total 100,00 Fonte:SAME
- 1-11JG. 1980-2002* Diagnóstico de diverticulo de Meckel dado pela cintilogmfia. Paciente não submetida a tratamento cirurglco por recusa dos pais.
2 _O>_O> ON £H%=ãDm Gg* Ow 380% E8
H
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wggëâ wgõsâ gw omnšggwõ lW
figgTabela 6 - Distribuição dos pacientes portadores de remanescente do conduto
onfalomesentérico, atendidos no Hospital Infantil Joana de
Gusmão
no periodo de 01 dejaneiro de 1980 a 31 de dezembro de 2002, segundo os sinais ou sintomas e a apresentação
clinica,
em
número
(n) e percentual (°/6).Sinal ou sintoma
Volvo lnvaginaçao Hemorragia Diverticulite
ll c›
ã\
%
11%
fl%
Dor
abdominalVômitos
Queda
do estado geral Distensão abdominal Palidez cutâneo-mucosaPEGF'
Sangramento intestinal Letargia FebreMassa
abdominal “Geleia de morango”Toque
retal anormalDefesa abdominal
Choque
hipovolêmico Outrosz 25 ao 18 20 11 17 01 06 02 02 02 23 100,00 88,00 72,00 80,00 44,00 68,00 4,00 24,00 8,00 8,00 8,00 92,00 84,62 92,31 84,62 69,23 69,23 15,38 46,15 38,46 30,77 38,46 38,46 23,08 76,92 06 02 04 02 07 01 10 01 02 02 05 60,00 20,00 40,00 20,00 70,00 10,00 100,00 10,00 20,00 20,00 09 08 03 03 03 05 02 02 03 0202”
02 50,00 04 100,00 88,89 D) bd DJ bl La) La) DJ DJU.) U.) U.) Ló.)
55,56 22,22 22,22 U) La) DJ Lú) 22,22 22,22 '77 22 44,44
Fonte:
SAME
- HIJG, 1980-20021. Parada de eliminação de gases e fezes. 2. Desidratação. anorexia, taquipnéia, astenia- hérnia de cordão. * Toque rctal com presença de “geléia de morango”.
** Toque retal com massa palpável em fundo de saco.
O
quadro clínico dos pacientescom
fistula onfaloileal e secreção umbilical se limitava àsaída da secreção pela cicatriz umbilical, à presença de sinais inflamatórios ao redor da
cicatriz e à presença de resquícios de
mucosa
intestinal no umbigo (pólipo umbilical).Nos
casos de fistula, o material drenado pela cicatriz tinha conteúdo digestivo, e nos casos desecreção umbilical, o material era apenas seroso ou mucóide.
O
único pacientecom
perfuração primária do divertículo de Meckel(DM)
tinhaum
quadro clínico inespecífico, caracterizado por queda do estado geral, vômitos, distensão
I4
abdome
agudo perfurativo foi dado pelo achado deum
pneumoperitônio na radiografiapanorâmica.
O
pacientecom
prolapso intestinal tinha poucas horas de vida e seu quadro clinico era caracterizado, principalmente, pela exteriorização de alças intestinais através do conduto onfalomesenterico patenteForam
realizados l9 toques retais, sendo que l2 se apresentavam normais ou apenasdolorosos. Dois pacientes tinham fecaloma na ampola retal. Três pacientes
com
invaginaçãointestinal apresentaram “geléia de morango” ao exame, e outros 2 pacientes
com
diverticulitetinham massa palpável
em
fundo de saco.Quanto ao tipo de sangramento intestinal, 5 pacientes apresentaram melena e
hematoquezia, 5 apenas melena, 4 apresentaram hematoquezia e enterorragia, 4 apenas hematoquezia e l paciente apresentou somente enterorragia
Entre os lO pacientes
com
DM
hemorragico, três deles tinham história prévia de sangramentos leves a moderados, porém repetidos ou de dificil controle clínico. Estavamrecebendo ranitidina ou sulfato ferroso,
sem
melhora do quadro anêmico. Dois destes pacientes tiveram necessidade de receber concentrado de hemáceas.Os
outros 7 pacientestinham história prévia de l ou mais episódios de sangramento intestinal importante (6 deles
com
necessidade de transfusão de concentrado de hemáceas), sendo que 4 deles já haviam sido internados por este motivo.Em
5 destes pacientes o quadro desta internação era de enterorragia. Dois pacientes chegaram a entrarem
choque hipovolêmico, eum
deles teve que__fl5“w25 omagokm __¢OEñ_E5 omopõom .Q __NQ=o_&go fl_=H£h~ _m _g_M Mzäümzu MEOUWOÉHM :N _dEäo:omIg_D _H gâèäfi _o:m ¡ m_¿<® öãonfi za:
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A
cintilografiacomprovou
a presença doDM
em
6 casos, sendo l delesuma
diverticulitee
DM
hemorrágico nos outros 5.Em
l paciente a cintilografia foi negativa no primeiroexame
e positiva no seguinte. Noutro paciente, a cintilografia não foi diagnóstica, sendo necessaria a vídeo-laparoscopia para comprovação do divertículo. _
O
pacientecom
prolapso intestinal pelo conduto onfalomesenterico apresentavatambém
onfalocele pequena.A
ultra-sonografia(USG)
abdominal foi realizada para investigação deoutros defeitos associados.
A USG
abdominal fez o diagnóstico de invaginaçãoem
3 dos 4 pacientescom
estacomplicação.
Nos
casos de volvoem
que aUSG
foi realizada,nem
sempre haviaum
laudo noprontuário, impossibilitando quantificar a positividade deste
exame
para esta complicação.Os
achados relatados incluíram dilatação de alças, liquido na cavidade e alças fixas.O
enema
opaco foi utilizadoem
10 pacientes desse estudo, sendo queem
1 pacientecom
II ele foi usado de
modo
terapêutico, porémsem
sucesso.Nem
todos os laudos desteexame
foram localizados, e as descrições se limitavam a citar falhas de enchimento,
sem
padrãodefinido.
O
trânsito intestinal confirmou o diagnóstico de divertículo de íleo terminalem
apenas 1 dos 3 pacientes submetidos a este exame.
A
colonoscopia e a endoscopia digestiva alta foram utilizadas para excluir outras causasúwâ gv Oã O gw Opom Saw CEE O: 935% £äN=8H M8 omgHäO S3 gw gãm ¿€2O2ãmä>€ M WOÊUEHÊ gëa Agmmü
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Tabela 9 - Distribuição dos pacientes portadores de remanescente do conduto
onfalomesentérico, operados no Hospital Infantil Joana de
Gusmão
no periodo de Ol dejaneiro de l980 a 3l de dezembro de 2002, segundo o tipo de complicação pós-operatoria,
em
número (n) e percentual (%).
Complicação pos-operatória n
%
Infecção da ferida operatória 2l 30,88
Deiscência da ferida operatória O5 7,35
Evisceração 04 5,88
Eventração 03 4,41
Obstmção
intestinal por aderências O2 2,94Deiscência da enteroanastomose O1 1,47
Obstrução intestinal por
hematoma
intramural Ol 1,47 Perfuração intestinal O1 1,47 Fome:SAME
- HIJG. 1980-2002Apenas 5 pacientes (7,35%) apresentaram complicações tardias que possivelmente
decorreram da intervenção cirúrgica: 2 pacientes tiveram obstrução intestinal por aderências,
1 apresenta dor abdominal a esclarecer, outro desenvolveu
um
granuloma na cicatrizumbilical e no último formou-se
um
quelóide na cicatriz cirúrgica.Não
houve Óbito entre os pacientes analisados nesse estudo, e a morbidade foi de33,82%
(23 pacientes).
Os
pacientes que, no pós-operatório, apresentaram obstrução intestinal por aderências oupor
hematoma
intramural, que tiveram perfiiração intestinal ou deiscência daenteroanastomose, foram reoperados
em
fiinção dessas complicações.A
intercorrência pós-operatória mais freqüente foi a febre, atingindo 39 pacientes(57,35%), seguido pela distensão abdominal, presente
em
25 (36,76%). Outras intercorrências registradas foram: desconforto respiratório, secreção pulmonar, pneumonia, convulsão, desidratação, flebite, reação cutânea alérgica, hematêmese, melena, distúrbio hidreletrolítico,hipoglicemia e meningite bacteriana.
Vinte e
um
pacientes necessitaram de nutrição parenteral prolongada (NPP); 8 necessitaram de transfusão de concentrado de hemáceas, 6 necessitaram de transfusão de plasma ou albumina e 5 necessitaram de cuidados de unidade de terapia intensiva (UTI).Além
da complicação pelo remanescente, foram registradas outras comorbidades: 5 pacientescom
ascaridiase, 3com
apendicite aguda, 3com
onfalocele e lcom
varicela.Os
ruídos hidro-aéreos reiniciaram nomesmo
dia da operação ou até o 4° dia de pós- operatório,com
média de 1,6 dias.O
início da alimentação por via oral ocorreu desde o 1°-atéo 24° dia de pós-operatório, média de 4,9 dias.
O
tempo
de internação pós-operatória variou20
4.
DiscUssÃo
A
persistência, parcial ou total, do conduto onfalomesentérico(COM)
geraum
grupo de anomalias congênitas do intestino delgado e da cicatriz umbilical, sendo o diverticulo deMeckel
(DM)
a má-formação maiscomum
"6'8`m`l2.Quanto à procedência,
79,71%
dos pacientes eram da grande Florianópolis, e os outros20,29%
das outras mesoregiões do estado (Tabela 1). Este dado pode serum
indicativo de que as complicações oriundas dessas ma-formações não requerem tratamento muito especializado, e que os centros locais têm competência para tratá-las.Quanto ao sexo, a literatura consultada mostrou
uma
relação de 1,07 a 4 crianças do sexomasculino para cada criança do sexo feminino 155.
O
presente estudo mostrouuma
relação de5,9: 1, maior que o referido pelos autores (Tabela 2).
Não
havia, na literatura pesquisada, informações sobre a raça das crianças portadoras de remanescentes doCOM.
Nesse trabalho verificou-seuma
quase totalidade da raça branca nascrianças afetadas (95,65%), muito provavelmente devido ao processo histórico de formação
da população do estado de Santa Catarina.
As
chances deum
remanescente onfalomesentérico causar complicações cirúrgicas são de4,2%
16 a6,4%
17, e diminuemcom
o passar dos anos 3'9'“`l°`l8.Os
estudos mostram que45%
a
62%
dos pacientes têmmenos
de dois anos l'3'5`6`l5. Nessetrabalho, 53,63% dos pacientes
eram desta faixa etária, concordando
com
a literatura.Da
mesma
forma, onúmero
depacientes era maior nas idades mais precoces e diminuia nas idades mais avançadas, seguindo
a tendência proposta pelos autores (Tabela 3).
Vários autores concordam que o
DM
é o principal remanescente doCOM,
tanto pela suafreqüência, quanto pela série de complicações que ele gera 1'3'5'6"2`15'l8"9'29. Nesse trabalho ele
foi responsável por
78,26%
dos quadros clínicos, e sua ocorrência é 3,6 vezes maior que a detodos os outros remanescentes juntos, concordando
com
a literatura.De
acordocom
osautores pesquisados, o
DM
permanece livre na maioria dos casos (cerca de 74%), e aderidoem
aproximadamente26%
l'“°°'22'29.Os
resultados obtidos nesse estudo discordam daWilliams” e St-Vil el als relataram que as patologias umbilicais representam
3%
e6%
dasmanifestações dos remanescentes do
COM,
respectivamente, sendo que a drenagem desecreção digestiva (fistula onfaloileal) foi a mais
comum
(71,42%) 5.Os
dados desse trabalhomostraram que as patologias umbilicais representam 17,39% das manifestações, e que
realmente a fistula onfaloileal foi a apresentação mais freqüente (66,67%) (Tabela 5).
Na
literatura consultada, os casos de persistência doCOM
causando sintomas variaram de1,0% a
4,4%
4'W("]X'22.No
presente trabalho eles representaram 14,49% das manifestações,sendo que
em
um
paciente ocorreu a obstrução por volvo antes que se fizesse a ressecção doCOM
patente, eem
outro paciente ocorreu prolapso intestinal atraves do conduto patente,um
quadro grave que requer imediato tratamento cirúrgico IM.
O
sinus umbilical foi citadoem
3,0%
a7,4%
dos casos 1612. Nesse trabalho ele foi causa de manifestação clinicaem
2pacientes (2,9%) (Tabela 5).
Não
houve relatos, cirúrgicos ou anátomo-patológicos, quecaracterizassem a presença de cistos onfalomesentericos
em
nenhum
dos pacientes analisados nesse estudo.Amoury
e Snyder] publicaramum
resumo de seis estudos sobreDM
em
1132 pacientespediátricos, onde constataram que a hemorragia intestinal foi a complicação mais
comum
(40%), seguida pela obstrução intestinal (35%) e diverticulite (17%).Os
resultados obtidos napresente pesquisa mostraram que a obstrução, por volvo ou invaginação intestinal (II), foi a
manifestação mais freqüente (55,07%), seguida pela hemorragia (14,49%) e diverticulite
(13,04%) (Tabela 5). Tal diferença poderia ser explicada pelo fato de que, talvez, os casos de hemorragia por
DM
não estão sendo diagnosticados.Os
autores relatam que os sangramentossão geralmente episódicos e indolores 1`3`4*5'7'29`35.
Dependendo
da quantidade de sangue, algunspodem
passar desapercebidos ou serem confundidoscom
outras morbidades.Além
disso, a hemorragia tende a parar espontaneamente \`3`4'29. Segundo Donnellan3
existe
um
intenso espasmo mesentérico que fecha o vaso afetado. Juntando esse quadro ao fato de que orisco de complicações diminui
com
a idade 3`9'H'l6, ou seja, que a probabilidade deum
novosangramento é menor, é aceitável supor que grande parte dos
DM
hemorrágicos não é, sequer,investigado.
De
fato, todas as 10 criançascom
DM
hemorrágico não foram diagnosticadas no primeiro episódio. Isto mostra que o índice de suspeição de sangramento porDM
é baixo. Tal fatoaumenta o risco de diagnosticar o divertículo somente quando já se instalou
um
quadro clínico22
que qualquer criança
com
um
episódio de sangramento intestinal volumoso e indolor deva ser investigada paraDM,
até que se prove o contrário.O
sangramento intestinal é,sem
duvida, o sinal guia para a investigação diagnóstica deum
DM
sangrante. Porém, outras caracteristicasdevem
ser notadas.A
dor abdominalgeralmente não é importante "'H'5`7'29`35. Nesse estudo, apesar de
60%
dos pacientescom
DM
hemorragico terem manifestado este sintoma, proporcionalmente esta complicação foi a que
menos
causou dor.A
anemia está presente na maioria dos pacientescom
sangramento porDM
I`3'4`6“7.De
fato, no
exame
fisico70%
dos pacientes analisados apresentavam palidezcutâneo-mucosa, concordando
com
a literatura (Tabela 6).A
idadetambém
é outro dadoimportante, pois o
DM
e a invaginação estão entre as principais causas de sangramentointestinal entre lactentes l'3`6'“`H`l9`2l`33. Nessa casuística,
60%
das criançascom
hemorragia e69%
das criançascom
invaginação eram lactentes, concordandocom
os autores (Tabela l).Nos
quadros obstrutivos a literatura relata que o volvo é o mecanismo envolvidoem
40,82%
a50,00%
dos casos, enquanto a IIem
28,60%
a38,78%
img. Nesse estudo,concordando
com
a literatura, o volvo foi responsável pela maior parte dos casos (73,68%),estando a II envolvida
em
34,22%
(Tabela 5).No
volvo,em
todos os casos haviauma
estrutura ligando o íleo à cicatriz umbilical ou outra estrutura intra-cavitária:
DM
fixoem
88%,
cordão fibrosoem
8%
eCOM
persistenteem
4%
dos casos.Na
invaginação, haviaDM
livre
em 100%
dos casos. Estes dados mostram que a principal causa de volvo é oDM
fixo, eque o
DM
livre é causador da II.A
obstrução por volvo caracteiiza-se por dor abdominal importante (tipo câimbra), distensão abdominal e vômitos.É
um
quadro de instalação mais rápida, e os sintomaspodem
ser mais severos se houver sofrimento de alçal'3`6'u`l5`29'3s. Nessa casuística o quadro clínico
da obstrução intestinal por volvo, foi caracterizado principalmente por dor abdominal (100%), vômitos (88%), distensão abdominal (80%), parada de eliminação de gases e fezes (68%),
além de queda do estado geral (72%), concordando
com
a literatura (Tabela 6).O
quadro de invaginação inclui vômitos, dor abdominal intermitente, fezescom
sangue,massa abdominal palpável, e eventual progressão para letargia e desidratação l`3`6'29`36.
É
semelhante ao volvo, porém é mais insidioso L336.
A
dor abdominal esteve presenteem
apenas l l das 13 crianças
com
II (84,62%), talvez porque existaum
periodo de acalmia entreas cólicas abdominais,
em
que a criança se mostrabem
disposta e sem dor U6.Os
pacientes ainda apresentaram vômitos (92,31%), queda do estado geral (84,62%), distensão abdominal(69,23%) e palidez cutâneo-mucosa (69,23%) (Tabela 6). Donnellanl aponta a letargia
como
0sintoma mais proeminente.
Embora
nesse trabalho ela tenha aparecidoem
apenas 5 dospacientes
com
ll, proporcionalmente foiquem
mais causou este sintoma (38,46%).Um
sinalclássico da invaginação é a eliminação de
muco
sanguinolento pelo ânus, o qual esteve presenteem
5 crianças (38,46%)com
II, e não foi constatadoem
nenhuma
das outrascomplicações. Muitas vezes a eliminação da “geléia de morango” só ocorre apos o toque retal 3°. l\/laksoudm sugere que o toque seja feito
com
mais freqüência, pois a presença domuco
sanguinolento ou a palpação da cabeça da invaginação ao nível do reto ou sigmóide são
diagnósticos.
Dos
pacientescom
invaginação, 6 foram submetidos ao toque retal, eem
3(50%) foi constatada a presença da “geléia de morango”. Outro sinal importante é a palpação
de
uma
massa abdominalem
hipocôndrio direito, epigástrio, fianco esquerdo ou fossa iliacaesquerda, que representa a cabeça da invaginação. Esta tumoração é mais facilmente palpável
quando a distensão abdominal ainda não é tão importante 136. Cinco pacientes (38,46%)
tinham este sinal no exame fisico.
Na
diverticulite a dor abdominaltambém
esteve presenteem
todos os 9 pacientes.Vômitos
em
88,89%
dos casos, parada de eliminação de gases e fezesem
55,56%, e febreem
33,33%
(Tabela 6).O
toque retal foi feitoem
4 pacientes. Dois tinhamuma
massa palpávelem
fundo de saco, os outros dois eram normais ou apenas dolorosos. St-Vil et als alertam que os casos de diveniculite rapidamente deterioram para peritonite.De
fato, dos 8 casos deperfuração, 6 (75%) ocorreram nas crianças
com
inflamação doDM,
sugerindo que odiagnóstico de diverticulite tem sido retardado.
Quanto aos exames de imagem, a radiografia abdominal foi 0
exame
mais solicitado, poisfaz parte de qualquer protocolo de investigação de
abdome
agudo (Tabela 7). Ela é útil parademonstrar niveis hidro-aéreos e distensão de alças, sugerindo 0 diagnóstico sindrômico de obstrução intestinal, muitas vezes diferenciando entre obstrução baixa ou alta.
Porém
é inespecifica no diagnóstico etiológico 33638.Donnellan3 relatou que a ultra-sonografia
(USG)
abdominal não é de grande valor nodiagnóstico do
DM,
mas é indispensável na identificação de cistos onfalomesentéricos.Realmente, a distensão abdominal que ocorre na obstrução intestinal prejudica a visualização
do divertículo.
No
entanto,Maksoud”
defende que na II esteexame
é muito útil, não na identificação doDM,
mas na definição etiológica do mecanismo obstrutivo. E observa que os resultados falso-positivosdependem
basicamente da experiência do examinador. Pereima”24
acrescenta que “alem de avaliar a motilidade intestinal, a ultra-sonografia pode demonstrar a presença de líquidos nas alças e na cavidade abdominal,
bem
como
o sinal de “pseudo-rim”,característico da invaginação intestinal”. Nesse estudo, a
USG
foi positiva para llem
75%
dos casos. `
O
enema
opaco é consideradoum
exame
fundamental para o diagnóstico de Il 37, ondefornece imagens de falha de enchimento do contraste
em
forma de “taça” ou “casca de cebola” 3637. Alguns autores sugerem a realização desteexame
de forma terapêutica, visandoreduzir a invaginação através da introdução de ar ou contraste hidrossolúvel sob pressão controlada 337.
No
entanto,Vane
et alô alertam que a redução nos casos de invaginação porDM
usualmente não tem sucesso, pois a cabeça da invaginação é raramente redutível.Nos
prontuários analisados, havia registro de apenasuma
tentativa de redução da II porenema
opaco, que não teve sucesso.Também
foi sugerido que esteexame
pode ser útil para odiagnóstico de obstrução por volvo, mostrando imagens
em
“chama
de vela” ou “bico deflauta” 38.
No
passado o trânsito intestinal foi considerado fištil 39. Mais recentemente alguns estudosconseguiram demonstrar a presença do
DM
através desteexame
19'25'26.O
trânsito intestinal,seja
com
contraste baritado sejacom
contraste hidrossolúvel, está contra-indicado naconfirmação diagnóstica de quadros de
abdome
agudo obstrutivo.No
presente trabalho otrânsito intestinal foi usado
em
3 pacientes (todoscom
DM
hemorrágico), sendo queem
apenas 1 ele mostrou
uma
imagem
compatívelcom
diverticulo de íleo terminal, sugerindo, dessa maneira, que este não éum
exame
com
boa especificidade paraDM.
Muitas vezes a fistulografia é necessária para diferenciar a persistência do
COM
dapersistência do úraco,
uma
anomalia 10 vezes mais freqüente 3. Nessa casuística, esteexame
foi necessario
em
5 dos 10 pacientescom
persistência doCOM.
Os
autores relataram que a cintilografia apresentou 1,70% de falso-negativos, e0,05%
defalso-positivos, e que este
exame
possuiuma
sensibilidade de 85%, especificidade de95%
e acurácia de90%
l'27'l°.Nesse estudo, a cintilografia foi utilizada 7 vezes, fazendo o
diagnóstico
em
5 pacientes (2 resultados falso-negativos).Em
um
pacientecom
a cintilografia inicialmente negativa, o exame foi repetido e o resultado foi positivo, baixando onúmero
defalso-negativos.
Em
nenhum
pacientecom
cintilografia positiva paraDM,
o diverticulodeixou de ser encontrado (sem falso-positivos). Estes valores concordam
com
a sensibilidade e especificidade desteexame
encontrada pelos autores.Em
um
pacientecom
cintilografiapositiva, o achado foi de
um
DM
inflamado, e não hemorrágicocomo
se esperava. Donnellan3relatou que a ulceração intestinal, e outras lesões que causam aumento de fluxo sangüíneo
local,
como uma
inflamação,podem
aparentemente causar concentração deste material eserem visualizadas no exame. '_
Como
descrito por St-Vil el a15, a colonoscopia e a endoscopia digestiva alta serviramapenas para excluir outras causas de sangramento intestinal durante a investigação.
Os
autores sugeriram que a arteriografia (mesentérica superior ou vitelina superseletiva)deva ser feita nos casos de sangramento persistente ou cintilografia negativa 353. Donnellan3
ainda acrescenta que a arteriografia mesentérica superior tem sido usada para identificar
DM
em
pacientescom
sangramento oculto e naquelescom
dor abdominal recorrente.A
angiografia por subtração digital
também
tem sido útilem
demonstrar oDM
113. Nesseestudo, entretanto, não houve registro da utilização desses exames.
Quanto ao tipo de operação realizado no tratamento do
DM,
inicialmente utilizava-se adiverticulectomia, feita
com
uma
incisãoem
cunha na base do divertículo,ou
outros dispositivos 4615. Observou-se que este procedimento permitia a recidiva de úlceras, poismuitas vezes a
mucosa
ectópica não era completamente removida, ou já existiam lesões namucosa
intestinal adjacente àmucosa
ectópica ou na parede contra-lateral quecomprometiam
o resultado do tratamento cirúrgico.
Com
base nesses achados, hoje se preconiza a realizaçãode enterectomia
com
enteroanastomose nos pacientes operados por complicações doDM
3'“'12'l5“`ll.
Quando
o achado é restrito aoDM,
háquem
prefirauma
diverticulectomiaem
cunha, principalmente
em
crianças 42. Entretanto, outros autores preconizam sempre a ressecção segmentarcom
anastomose término-terminal para que se tenha maior segurança 14'.Além
da conduta preventiva, a enterectomiatambém
está indicada nos casos de alçasintestinais inviáveis “`l2`l5`43, nos casos
em
que a morfologia do divertículo seja desfavorável à diverticulectomia (base muito larga, por exemplo) l'3'“, ou nos casosem
que oDM
apresente sinais inflamatórios, mucosa ectópica palpável ou outras lesões 11222.
Utiyama
et al”,em
sua casuística, sempre utilizaram enterectomiacom
anastomose término-terminal,não observando complicações pos-operatórias relacionadas a essa conduta.
No
presente trabalho, 57 pacientes (82,61%) foram submetidos a enterectomiacom
enteroanastomosetérmino-terminal (Tabela 8), concordando
com
as condutas propostas na literatura. Apenas 5(7,25%) foram submetidos a diverticulectomia.
Não
se teve registro de novos episódios de sangramento nos pacientes operados poruma
ou outra tecnica.A
ressecção laparoscópica26
também
tem sido descrita no tratamento de Dl\/1 sintomáticos '_ Nesse estudo duasenterectomias foram vídeo-assistidas, sendo que
em uma
delas foi a vídeo-laparoscopia quefez o diagnostico de
DM.
CoIlins45 sugeriu que o tratamento
com
cimetidina pode ser feito, juntamentecom
uma
terapia de reposição de ferro, para preparar o paciente para
uma
cirurgia eletiva, nos casos dehemorragia associada ao
DM
com
mucosa
gástrica ectópica.Uma
pacientecom
DM
hemorrágico não foi operada por recusa dos pais e foi tratada clinicamente
com
cimetidina.Na
literatura consultada a morbidade variou de2,2%
a30%
l'5'l6'l7`29'46`48. Nesse estudoela chegou a 33,82%, estando de acordo
com
a literatura.A
mortalidade nos casos decomplicações por remanescentes do
COM
variou de1%
a10%
l`5'l6"l6`48. Nesse trabalho nãoforam registrados Óbitos entre os pacientes operados.
Os
autores citaramcomo
complicações pós-operatórias a obstrução intestinal, infecção dai,3.s.9.ió
ferida operatória, deiscência da enteroanastomose, hérnia incisional, entre outras
Donnellan3 relatou que as complicações são aquelas inerentes a qualquer ato operatório que
envolva exploração abdominal
com
ressecção de alças. DeBartolo2em
seu estudo citou a infecçãocomo
complicação mais freqüente.Lüdtkem
relatou que 7 dos seus 30 pacientescom
complicações por
DM
tiveram adesões ileais pós-operatórias, e apenas 2 tiveram infecção. St- Vil et als descreveram que a morbidade se limitou à infecção da ferida operatória, obstruçãointestinal pós-operatória e hérnia para-umbilical. Lázaro da Silva el al” relataram que a infecção é
uma
conseqüência direta do estado de imunossupressão que se instala no pacienteem
função do quadro patológico, e que o trauma e a contaminação operatoria são fatorescoadjuvantes ou determinantes dessa complicação. Outros autores citaram apenas a obstrução
intestinal
como
complicação maiscomum
do tratamento cirúrgico 1.No
entanto, os autoresnão fizeram
uma
diferenciação entre complicações precoces e tardias.No
presente trabalho a infecção da ferida operatória foi a complicação pós-operatória precoce mais freqüente, atingindo 21 pacientes (30,88%), e a obstrução intestinal foi descritaem
apenas 3 (Tabela 9).Dois pacientes ainda tiveram obstrução no pós-operatório tardio, totalizando 5 casos (7,3
5%)
de obstrução pós-operatória.
Quanto à febre, Lázaro da Silva et af” sugeriram que muitos fatores
agem
sobre ohipotálamo alterando o centro termo-regulador e causando este sintoma.
A
grande quantidade de substâncias intracelulares liberadas durante o ato operatóriopodem
se tornar pirogênicas e causar discreto aumento da temperatura nas primeiras 48 horas de pós-operatório, até aeliminação destes pirogênios.
A
desidratação éum
outro fator desencadeante de febre.Quando
a febre se prolonga é indicativo de foco infeccioso.Em
mais da metade dos casos este foco está na area operada, eem
cerca de10%
dos casos ele não e detectado 50'”. Estes dadosjustificam o grande número de pacientes (39)
com
febre no pos-operatório, váriossem
quadroinfeccioso. Outra intercorrência
comum
da intervenção cirúrgica abdominal, por mais simples que seja, é o íleo fiincional (ou adinâmico), que provocauma
paresia intestinal que duraem
media de 24 a 36 horas.
Fenômenos
inflamatórios decorrentes do ato operatóriocomprometem
a condução elétrica muscular provocando distúrbios motores gastrintestinaisque se manifestam por ausência ou diminuição do peristaltismo, ou por distensão abdominal
49.
Os
autores ainda acrescentam que “a duração do íleo é geralmente proporcional à intensidade da agressão” 5253.De
fato, 25 pacientes (36,76%) apresentaram distensãoabdominal no pós-operatório, e o peristaltismo foi restabelecido dentro de 1,6 dias
em
média,estando de acordo
com
a literatura.A
presença e caracterização damucosa
ectópica noDM
éum
fator cada vez maisreconhecido
como
determinante de complicações 1`7'3'9`l2`“'l5`l9`2°'22'23`29"l°`l2. Nesse trabalho,no entanto, caracteristicas anátomo-patológicas dos remanescentes do
COM
(principalmentedo
DM)
não puderam ser avaliadas por não haver referências à pesquisa de mucosas ectópicasnos prontuários.
Finalizando, espera-se que este trabalho tenha sido útil na caracterização das
manifestações clínicas dos remanescentes do conduto onfalomesenterico, assim
como
naindicação dos métodos diagnósticos e terapêuticos, auxiliando no diagnóstico precoce e tratamento adequado,
com
o intuito de reduzir a morbidade e a mortalidade relacionadas as28
5.
CONCLUSÕES
O
divertículo de Meckel é o principal remanescente do conduto onfalomesentérico e ascomplicações ocorrem principalmente
em
lactentes.A
obstrução intestinal é a complicação mais freqüentemente diagnosticada.NORMAS
ADOTADAS
As
normas adotadas para a confecção deste trabalho foram as determinadas pelo colegiadodo curso de graduação
em
Medicina da Universidade Federal de Santa Catarina, pela resolução OOl/2001.Para as referências bibliográficas foram utilizadas as normas determinadas pela convenção
1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10 11 12. 13 30
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