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O futuro do passado - segunda parte

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Academic year: 2021

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Reflexões

O futuro do passado

Segunda parte Delmino Gritti

emos em muitos velhos uma ânsia, quase uma obrigação, de aprender o novo: aprender a lidar com o computador, a internet, como se fosse a maior sabedoria, e buscam ou tentam apagar seu passado considerando o jovem como referência. Estimulando o corte de laços com o passado serão adultos, “macaqueando” estilos jovens.

Na sociedade na qual tudo está posto na utilidade, tornam-se seres inúteis como estigma. Tremenda solidão, a menos sonora esta, a da velhice. Eu não compreendo aqueles que zombam dos velhos, pois não pensam que eles serão talvez uns velhos ainda mais desgraçados e terão que aceitar novos conhecimentos.

Uma sociedade da qual os velhos foram banidos não é mais uma comunidade viva, mas uma fábrica, uma prisão. Como pode contagiar-nos sua fria indiferença? Uma sociedade que perdeu ou eliminou a preocupação pelo futuro de seus cidadãos é uma sociedade perversa. Aquele que não respeita a velhice não é digno dela.

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A velhice não deveria ser um desastre, mas é o que aparece hoje na discussão da Reforma da Previdência, uma das maiores causadoras de problemas sociais deste país. Que se pode esperar dessa Previdência que pretende prolongar a vida de trabalho dos velhos até a morte, enquanto condena os jovens ao desemprego ou a um trabalho precário?

Na antiguidade grega e latina os velhos criavam assembleias com personalidades veneráveis e sábias, e nelas eram considerados nobres, enquanto na atualidade o termo é pejorativo, carregado de preconceitos. Fala-se então de terceira idade, gente de certa idade, ou de pessoas maiores.

Por que essa grande mudança? E como diziam os filósofos antigos: “Se o velho é verdade, é também beleza”, na qual está retratada a idade do mundo. A ciência tornou a vida mais longa, mas paradoxalmente a velhice converte-se em problema para a sociedade. Na verdade, para os velhos não lhes assusta a morte, mas a vida e o temor ao futuro. Define melhor um povo inteiro a forma de tratar os velhos que a de tratar as crianças: com a esperança é mais fácil relacionar-se do que com os resultados.

Em relação ao Estatuto do Idoso, aprovado pelo Congresso Nacional, o que tenho visto e sentido é o não cumprimento do mesmo, principalmente no que se refere a questões mais importantes ali inseridas.

Um país que tem muitas leis é sinal que há muito descumprimento das mesmas – seguindo o provérbio: “Feita a lei, feita a tramoia”. Em todas as leis se estabelece o segredo, e não a observância.

O que faltou nas discussões para a aprovação do Estatuto do Idoso foi uma participação maior da sociedade, dos setores envolvidos para se concretizar e fosse cumprido e respeitado. Na verdade, a questão fundamental não é a lei em si que vai salvar a velhice, mas a consciência e respeito que cada um deveria ter pelo ser humano, mais ainda pela sua idade avançada e pelo que representa e significa na sociedade.

Em relação ao atendimento médico às pessoas de idade, por exemplo, a maioria dos hospitais e planos de saúde no Brasil não informa o Art. 16, Capítulo IV, da lei número 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto do Idoso), que diz: “Ao idoso internado ou em observação é assegurado o direito a acompanhante, devendo o órgão de saúde proporcionar as condições adequadas para a sua permanência em tempo integral, segundo critério médico”.

De acordo com Christina Lagarde, diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), “a longevidade é um risco financeiro. Os velhos estão vivendo demais e isso é um risco para a economia global, é preciso fazer algo”. No dizer do ministro das Finanças do Japão, Taro Aso, “os velhos devem ser autorizados a se apressar a morrer para aliviar a pressão do Estado”.

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Para mim, as afirmações são de uma perversidade sem tamanho.

Penso que é muito triste um país que precisa criar um Estatuto específico para o velho, quando na verdade já existem a Constituição e a Previdência, e nelas já estão referidos. Da mesma forma poderia se dizer com relação ao Estatuto da Criança e do Adolescente, Da Mulher, Do Índio. Por que tantos estatutos? O velho, a mulher, a criança, o negro e o índio são seres marginalizados nesta sociedade. Por quê? Preconceitos? Seres inferiores? A mesma sociedade que marginaliza cria leis para dizer-lhes que se preocupa com esses seres marginalizados. Hipocrisia, incoerência. Não estou afirmando que não há necessidade de leis. Uma coisa é certa: países que têm poucas leis são países que mais cumprem as mesmas e menos problemas sociais têm.

O Estatuto que carrego no coração e na mente, são os do poeta Thiago de Mello, me ajudam e proporcionam muitas alegrias nessa caminhada toda.

Artigo 1: fica decretado que agora vale a verdade, que agora vale a vida, e que de mãos dadas trabalharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo 2: fica decretado que a partir deste instante haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra. E que as janelas devem permanecer o dia inteiras abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo 3: fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único: o homem confiará no homem como um menino confia em outro menino.

Artigo 4: por decreto irrevogável fica estabelecido o reino permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo 5: fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de sua dor, de seu suor. Mas que, sobretudo, tenha sempre o quente sabor da ternura.

Artigo 6: fica decretado, por definição, que um homem é um animal que ama, e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo 7: fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal para defender o direito de cantar a festa do dia que chegou.

Artigo final: fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante, a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e sua morada será sempre o coração do homem. 14

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E não compreendo como não se preparam os mais jovens para envelhecer com imaginação, com curiosidade, surpresa e assombro.

O estigma de inúteis ou de pessoas que cultivam a tristeza é a maior injúria que pesa sobre eles; dizer que possuem todo o tempo possível; que não sabem fazer nada. Imagens de pessoas ociosas, desocupadas e indolentes que molestam a vida dos que trabalham. Nesta perspectiva, o difícil para eles não é morrer bem, mas viver bem. A velhice torna-se então um peso.

O que resta para muitos? O hospício e os asilos que não são nada mais do que depósitos de “inúteis”, um panorama de horror onde os velhos, com olhar perdido, ficam sós com as recordações e as emoções, fazendo concessões, conversando com os botões como se tivessem sido lobotomizados, passam os dias rodeados de televisões ligadas em pleno volume, que ninguém presta atenção. Nada mais desolador que essa solidão. Lawrence Durrell afirma sobre a velhice:

“En occidente la vejez es algo tremendo. No es de extrañar que se la tema. Ni que a los viejos se los encierre en remotos apartamentos o asilos para ancianos (para quien puede) y se los dejan morir. Ya no son útiles y han perdido la alegría que deberían tener”.15

A solidão, como a companhia, é um estado natural do ser humano, mas na cultura atual, imposta pelos meios de comunicação, está dada como desgraça. Pergunto: por que tanto correr, tanto fazer, buscar, se onde temos que ir é para nós mesmos? A agitação, o ruído e a velocidade são para escapar de si mesmo?

Se não somos capazes de fazer frente a um presente tão inquietante, o que nos espera é um futuro ainda pior. O fato de não haver projetos históricos em longo prazo que dissimulem a própria finitude torna a velhice mais desprezada e inquieta ainda.

Os velhos continuam criativos, porque o pensamento criativo inclui, fundamentalmente, brincar com o que se sabe fazer, parecer estranho e um pouco louco diante das normas e, assim, o tempo toma outro gosto com o prazer de haver trabalhado para construir um mundo melhor, mais humano. Se tivermos presente isto, poderemos amar a solidão, mas não estaremos sós, teremos nossas lembranças. Depende do que se semeia e a maneira de cultivar o que foi semeado.

Na velhice estão todas as idades, e a solidão é uma boa amiga da bondade e da beleza. Quando estamos sós (olhar para dentro), mais intensamente nos compreendemos. E as lembranças terão poder de conforto, serão colheitas de uma longa semeadura, e a ideia da morte, do sofrimento, fará muitas vezes o papel de jardineira que arranca as más ervas do nosso jardim.

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Os velhos são seres mais capacitados para acolher o riso e um instante de prazer. Não pedem muito. Pedem o que é melhor. Eles conhecem a arte de fazer devagar aquilo que não se pode fazer depressa. Conhecem a arte de amar melhor as crianças, de fazê-las rir, de incentivar brincadeiras, de encantá-las com histórias do tempo passado. A arte de transmitir a seiva profunda das coisas permanentes, duradouras, o gosto pelo trabalho criador.

O que pedem em troca? Bondade e carinho. Esta é a sua fome maior.

Tenho presente que a sociedade estabelece diferenças entre envelhecimento do homem e da mulher. Do homem é mais aceitável. Pode envelhecer de forma nobre, como uma estátua de bronze, possuir caráter e qualidade. Para a mulher, a sociedade não perdoa o envelhecimento. Exige que sua beleza não mude nunca. Por quê? Será a mulher apenas um objeto de prazer para o homem? Lamento profundamente que o envelhecimento da mulher seja como flores que murcham; e a TV oferece, continuamente, essa imagem. Enquanto o homem deve ser mais parecido ao envelhecimento da arquitetura, com a velha crença que as mulheres devem amar os homens por seu caráter, as mulheres devem ser amadas pela qualidade efêmera, o que chamamos de beleza física. As mulheres de 50 anos ou mais estão, hoje, num estado de perplexidade e raiva. Os problemas vão além da menopausa, dos estiramentos da pele do rosto, e têm a ver com a imagem e identidade de uma cultura enamorada da juventude, sem nenhum amor às mulheres como seres humanos. Não chegou a acontecer nada daquilo que esperavam. Mulher, o que aconteceu com os vinte e cinco anos de protestos para se tornarem Barbies de plástico? Que houve da raiva, da psicanálise e dos mitos de beleza?

São os homens que obrigam as mulheres a temer o envelhecimento ou são as mulheres mesmas que estão aterrorizadas porque só conhecem um tipo de poder, o poder da beleza e da juventude? É preciso perguntar: quem impõe os parâmetros da beleza?

Hoje se dão bofetadas por causa do vazio espiritual em que se encontram. Sem espírito é impossível encarar que se envelhece e morre. E como encontrar nas mulheres o espírito, numa sociedade na qual sua mais permanente identidade é a de consumidoras, em que toda a luta pela autonomia e identidade colide com os implacáveis ditados do mercado que as vê apenas como consumidoras ou veículos de propaganda para a venda de carros, cosméticos e cirurgia plástica?

Por que a sociedade suprime a questão da morte quando fala da velhice, principalmente em referência à mulher? Claro que não é agradável contemplar a própria morte se a vida que levamos não foi digna; nesse contexto uma vida digna não lhe serve.

Muitos talvez se perguntem do tempo perdido. E aqui me lembro de um belo poema de Mario Quintana:

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“Houve um tempo de cadeiras na calçada. Era um tempo em que havia mais estrelas. Tempo em que as crianças brincavam sob a claraboia da lua. E o cachorro de casa era um grande personagem. E também o relógio da parede. Ele não media o tempo simplesmente, ele meditava o tempo”.16

Outro escritor brasileiro que tão bem nos coloca diante da velhice é Affonso Romano de Sant’Anna:

“Na verdade se devia envelhecer maciamente. Nunca aos solavancos. Os elefantes envelhecem bem. Os vinhos, melhor ainda. Ficam ali nos limites de sua garrafa, na espessura de seu sabor, na adega do prazer. Vão envelhecendo e ganhando vida, envelhecendo e sendo amados, e, porque velhos, desejados. Os vinhos envelhecem densamente e dão prazer.

A gente devia ir se gastando, se gastando até desaparecer sem dor, como quem, caminhando contra o vento, de repente se evaporasse. E aí iam perguntar: Cadê fulano? E alguém diria: gastou-se, foi vivendo, vivendo e acabou” .17

Bilac dizia que a gente deveria aprender a envelhecer com as velhas árvores, e Walt Whitman tem um poema que diz:

“Creio que poderia viver com os animais. São tão plácidos e sofridos. Permaneço olhando-os dias e dias sem cansar-me. Não perguntam, nem se queixam de sua condição. Não andam acordados à noite, nem choram por seus pecados. E não me incomodam discutindo seus deveres para com Deus. Não nenhum descontentamento, nem ganho pela loucura de possuir coisas. Ninguém se ajoelha diante dos outros, nem diante dos mortos de sua classe”. 18

É preciso não se esquecer da arte de sonhar. Quem é rico em sonhos não envelhece nunca. Pode alguém morrer de repente. Mas morreu em pleno voo, o que é muito bonito. E como diz Alberto Caeiro(Fernando Pessoa):

E o tempo passa, Não nos diz nada. Envelhecemos.

Saibamos, quase maliciosos, Sentir-nos ir,

Tendo as crianças Por nossas mestras

E os olhos cheios de natureza.

Quando digo passado não é como algo morto e esquecido, mas algo que levamos conosco, que fecunda o presente e torna atrativo o futuro, e assim

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poderei salvar-me do medo da morte para que seja capaz de morrer dignamente. Guimarães Rosa diz que os rios não querem chegar, eles querem ficar mais largos e mais fundos. E ainda Cecília Meireles:

“Devíamos ser como a flor que se cumpre sem pergunta. A cigarra queimando-se em música, ao camelo que mastiga sua longa solidão. O pássaro que procura o fim do mundo, o boi que vai com inocência para a morte. Sede assim qualquer coisa serena, isenta, fiel. Não como os demais homens”.19

E Oscar Bertholdo: (...)

Todos os caminhos cabem Na cadeira de balanço. De saber-se sem pressa Mesmo sem ter chegado. A velhice é um jarro Tão frágil de alegrias, Tão cheio de ocasos. 20

“Um animal, ao envelhecer conserva sua graça. Por que a bela argila humana (o homem) estraga-se assim?”. 21

Reflexões sobre a velhice

“A velhice anuncia ao homem o seu destino: o homem insensato, que afinal todos somos mais ou menos, tende a recusá-lo, maquilando-a, disfarçando-a enquanto pode, e depois a encerrando longe da vista e do coração. O reverso da medalha é o culto da juventude. Televisões, rádio, publicidade, lazer, estão cada vez mais virados para os jovens e adolescentes. Mas sob o lema “o futuro pertence aos jovens” está normalmente mais uma aposta comercial do que uma verdadeira preocupação social. Num mundo em que a aparência é tudo, as rugas não têm direito à vida”. (Esther Mucznik)

“A velhice com suas agruras chega para todos. Eu não me rebelo contra a ordem universal da vida. Apreciei muitas coisas – a companhia da família, dos amigos, o pôr do sol. Observei plantas crescerem na primavera. De vez em quando tive uma mão amiga para apertar. Vez ou outra encontrei um ser humano que quase me compreendeu. Que mais posso querer?”. (Freud)

“La vida sólo puede ser comprendida mirando hacia atrás, pero ha de ser vivida hacia adelante”. (Soren Kierkegaard)

Los primeros cuarenta años de vida nos dan el texto; los treinta siguientes, el

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“Para pesar a vida numa balança justa, devemos sempre recordar-nos da fragilidade humana”. (Plínio, o antigo)

“Agora que sou velho aprendo o Sol nos olhos, a água na garganta. Prendo-me no que posso e no que espero e rego os jardins e canto”. (Delmino Gritti)

Envelhecer não é contar tempo,

É aceitar o rumor silencioso do Corpo, Pequeno grito de uma folha

Despencando do ramo e

Arrepio de sombra na quietude. (Delmino Gritti)

“O segredo de uma boa velhice é fazer um conveniente contrato com a solidão: isto quer dizer: saber merecê-la e preservá-la”. (Gabriel G. Márquez)

“Quando morreres, só levareis aquilo que tiveres dado”. (Sabedoria árabe) “A velhice é quando um dia as moças começam a nos tratar com respeito e os

rapazes sem respeito nenhum”. (Mario Quintana) “A vida é uma viagem sem bilhete de volta. Resta o consolo do álbum de fotos:

a memória”. (Frei Betto)

“Tem sonhos fundos a velhice. O tempo se abre para dentro”. (Oscar Bertholdo)

Carlos Drummond de Andrade, referindo-se a um retrato juvenil de Cecília Meireles: “O mais extraordinário não é a moça bonita que ela foi. É a velha bonita que ela é”.

“Torna-te velho cedo, se queres ser velho por muito tempo”. (Cícero)

“O esquecimento, bálsamo devorador da memória, é uma dádiva, mas é também uma arte”. (Casimiro de Brito)

“La ciencia alarga la vida, pero ¿cómo se corta la muerte?”. (Roberto Juarroz) “Si eres viejo y sabes ser viejo, oh, cuánto sabes!” (Antonio Porchia)

“La juventud vive de juventud y la vejez de tiempo”. (Antonio Porchia) “La vida se mide por su intensidad, no por su duración”. (Avicena) “Envejecer es pasar de la pasión a la compasión”. (A. Camus)

“Saber envejecer es la obra maestra de la sabiduría, y uno de los capítulos más difíciles en el gran arte de vivir”. (H. Melville)

“La vida de uno no es lo que sucede, sino lo que uno recuerda y cómo lo recuerda”. (G. G. Márquez)

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“No me siento de ninguna edad. Si hay alguna edad, quizá sea la infancia; la eternidad y la infancia”. (Marguerite Yourcenar)

Porque eso son los viejos: la cuerda, la Ligazón que hay entre la vida y el abismo De la muerte. (F. G. Lorca)

¿Por qué no recuerdan los viejos Las deudas ni las quemaduras? ¿La muerte será de no ser O de sustancias peligrosas? Cuando se fueron los huesos

¿Quién vive en el polvo final? (Pablo Neruda)

“Unas gotas de luna en los ojos de los ancianos ayudan a bien morir”. (Jaime Sabines)

“Voy a envejecer para todo. Para el amor, para la mentira. Pero nunca envejeceré para el asombro.

Siempre me seguirán asombrando las cosas elementales”. (Chesterton)

“¿Tenemos un espléndido pasado por delante? Para los navegantes con ganas de viento, la memoria es un puerto de partida”. (Eduardo Galeano)

Oda a la edad

Yo no creo en la edad Todos los viejos

Llevan en los ojos un niño, Y los niños a veces

Nos observan

Como ancianos profundos. (Pablo Neruda) Los Indios Viejos

Los hombres viejos, muy viejos, están sentados

Junto a sus cabras, junto a sus pequeños animales mansos. Los hombres viejos están sentados junto a un río

Que siempre va despacio.

Ante ellos el aire detiene su marcha, El viento pasa, contemplándolos, Los toca con cuidado

Para no desbaratarles su corazón de ceniza. Los hombres viejos sacan al campo sus pecados, Este es su trabajo.

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Los sueltan durante el día, pasan el día olvidando, Y en la tarde salen a lazarlos

Para dormir con ellos calentándose. (Joaquín Pasos-Granada)

“Cuando nacemos, en general, somos envueltos por brazos protectores. Es mi ambición que cuando sea vieja, muy vieja, también sea envuelta por brazos protectores cuando lo necesite, ojala por los mismos seres a quienes les brindé protección, de esta manera cumplir el ciclo de la vida como me siento que debe ser”. (Ana Arroba)

“Con la edad (ser más viejo) se gana paciencia, más serenidad y madurez por supuesto. Puede ser también que los años le regalen a uno más lucidez, porque las cosas empiezan a verse no sólo con los ojos del presente sino también con los del pasado, y entonces uno puede tener una visión más aproximada del futuro. Pero también cuando uno se hace más viejo, el cuerpo se va deteriorando y la energía cambia, aunque el cuerpo es la meseta dónde se apoyan las cosas del espíritu”. (Mario Benedetti)

“Termino essa minha vida exausto de viver, mas querendo ainda mais vida, mais amor, mais travessuras. A você que fica aí inútil, vivendo essa vida insossa, só digo: Coragem! Mais vale errar se arrebentando do que se preparar para nada. O único clamor da vida é por mais vida bem vivida. Essa é, aqui e agora, a nossa parte. Depois seremos matéria cósmica. Apagados minerais. Para sempre mortos”. (Darci Ribeiro)

“As pessoas velhas têm a morte e as pessoas jovens têm o amor; a morte chega apenas uma vez, e o amor, muitas vezes”. (Yasunari Kawabata)

Só na velhice a mesa fica repleta De ausências.

(…)

Envelheci,

Tenho muita infância pela frente. (Fabricio Carpinejar)

“Todos desejam viver por muito tempo, mas ninguém quer chegar a ser velho”. (Simone de Beauvoir)

“Morte, desperdiças teu tempo sobre minha vida ferida, pois aquele que nunca viveu não morrerá”. (Francisco Quevedo)

Perguntaram a Diógenes (o filósofo) qual era a coisa mais miserável da vida: “O velho pobre”.

“La idea de la muerte es lo único que templa nuestro espíritu”. (C. Castaneda) “Mi fuerza es no haberle encontrado respuesta a nada”. (Emil Cioran)

“Quem pratica a filosofia corretamente aprende a morrer e não teme a morte”. (Sócrates)

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“De lo que me queda de la vida, me preocupa no tener la serenidad que necesito para envejecer correctamente y vivir sin molestar a nadie”. (Félix Grande)

“Solamente tenemos un recurso frente a la muerte: hacer arte antes que ella”. (René Char)

“Llevar la decrepitud como una flor. O como una corona. Es envidiable el otoño, la segura y hermosa dignidad con que se acuestan las hojas de los árboles sobre la tierra. Es envidiable al invierno de esas latitudes donde la nieve y el silencio se parecen a la sabiduría que nos seduce por su ausencia de sombra”. (Blanca Varela)

“La vejez. En principio, por la coherencia con la memoria. Somos seres con memoria, sin ella no seriamos nada. La memoria sustenta la amistad, y la energía de la edad, también. Cuando quieres ver tu rostro, miras en un espejo; pero cuando quieres saber quién eres, te miras en el rostro de un amigo, porque el amigo es otro yo”. (Emilio Lledó)

“Los que viven en la vejez son tiempos frontera. Los recorres, pero siempre mirando lo que ha acontecido en la vida y sin ese camino no te encuentras con la amistad, eres el ser más desgraciado de la vida”. (Fernández Alba)

“Seguramente no hay una vida después de la muerte, pero fijo que hay una vida antes de la muerte, y hay que construirla tan rica como podamos”. (Jean-Claude Carrière)

Usted

Usted que es una persona adulta -por lo tanto- Sensata, madura, razonable,

Con gran experiencia y que sabe muchas cosas, ¿Qué quiere ser cuando sea niño? (Aníbal Niño) (…)

“Alguien me habló todos los días de mi vida al oído, despacio, lentamente. Me dijo: vive, vive, vive! Era la muerte”. (Jaime Sabines)

“Bastante raro que el pasado esté siempre tan presente”. (Carlos Villamil) “Quem possui a faculdade de ver a beleza, não envelhece”. (F. Kafka)

“A velhice faz-nos mais rugas no espírito do que na cara”. (Michel de Montaigne)

“Envelhecer ainda é a única maneira que se descobriu de viver muito tempo”. (C. Saint-Beuve)

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“Saber envelhecer é a obra-prima da sabedoria e um dos capítulos mais difíceis na grande arte de viver”. (Hermann Melville)

“Envejecer sin agriarse como los buenos vinos”. (Cicerón)

“Envejecer es como escalar una gran montaña: mientras se sube las fuerzas disminuyen, pero la mirada es más libre, la vista más amplia y serena”. (Ingmar Bergman)

“Vieja madera para arder, viejo vino para beber, viejos amigos en quien confiar y viejos autores para leer”. (Francis Bacon)

“Una bella ancianidad es, ordinariamente, la recompensa de una bella vida”. (Pitágoras)

“Los que en realidad aman la vida son aquellos que están envejeciendo”. (Sófocles)

“Os velhos são mais demorados em lembrar porque têm mais histórias na memória”. (Delmino Gritti)

“A vida: o passado que vemos depressa, o presente que não podemos congelar, o futuro demasiadamente incerto”. (Delmino Gritti)

“Agora sei a metade das coisas que julgava saber quando tinha 18 anos”. (Pablo Picasso, já velho).

“Quero que a morte me encontre plantando minhas couves e flores, mas nem um pouco preocupado com ela e menos ainda com minha horta e jardim imperfeito”. (M. de Montaigne)

“La edad nos enseña ser un tanto más cordiales con nosotros mismos y a mirar el presente con mayor atención, a detenernos en el hoy de nuestra cotidiana posibilidad. Los años se nos van en aprender a pasar de la orilla de la palabra a la orilla de la memoria, es decir, aprendiendo a llevar a buen término este viaje sentimental”. (Eugenio Montejo)

“Não paramos de brincar porque envelhecemos; envelhecemos porque paramos de brincar”. (G. B. Shaw)

Sobre os velhos burgueses de Kyoto que pagam somas enormes para passar a noite contemplando as moças bonitas da cidade, nuas e narcotizadas, enquanto eles agonizam de amor na mesma cama. Não podem despertá-las, nem tocá-las, e nem tentar, porque a essência do prazer está em vê-las dormir. Descreve muito bem o escritor japonês Yasumari Kawabata no romance “A casa das belas adormecidas”.

“A veces, percibimos la vida más intensamente cuando la recordamos, con más tranquilidad que en el momento en el que transcurre”. (Hector Tizon)

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“Lo peor de hacerte viejo es que das por seguras demasiadas verdades: es cuando necesitas nuevas preguntas”. (Richard J. Roberts)

“Ficar velho é uma experiência fascinante. Quanto mais velho você fica, mais velho você quer ser”. (Keith Richards)

(...)

E o silêncio dos velhos nos bancos das praças Que antigamente sentavam namorados,

Aparecem como os gatos quando há Sol, Um espaço com tempo de memória,

Reúnem conversas e silêncios cheios de certezas e mofos, Silêncios que os levam longe no tempo,

Mais além do horizonte,

Viagem que sonharam a distância

Que nunca se perde o caminho para a viagem de adentro. Ah, os olhos da velhice!

Cheios de sol passado E de sombra futura Condenados a ter A bruma do presente Como razão de ver.

Mapa em relevo de áspera geografia, O rosto das pessoas velhas.

Dos avós, que infinito e nostálgico olhar e silêncio! No azul limpo de seus olhos encardidos de sonhos, Sorrisos de milênios em sabedoria embrulhados. Na praça, no bar, com navegações próprias,

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Cada um com seu mapa,

Cada mapa com seus portos, velas e ventos,

Esperam qualquer coisa, tristezas crescidas presas no olhar. Estremecido fico ao olhá-los,

Adivinhar nos olhos o que foram, A que desejavam ser e

Adivinhar também em que ficaram. Como serão seus rostos

Quando suas feridas estiverem fechadas? (Delmino Gritti)

Notas

1 - Norberto Bobbio - De senectude y otros escritos autobiográficos – Madrid - Ed. Taurus - 1997.

2- Bruna Lombardi - Diário do Grande Sertão - Ed. Rio Gráfica - 1986.

3 - Delmino Grtti - Sobre o livro e o escrever - Ed. do Maneco - Caxias do Sul - RS, 2002.

4 - Adélia Prado - Poesia Reunida - Ed. Siciliano - SP,1999.

5 - Clarice Lispector - A Descoberta do Mundo - Ed. Francisco Alves - RJ, 1992.

6 - José Echeverria - Aprender a filosofar preguntando con Platón, Epicuro, Descartes - Ed. Anthropos – Madrid – España - 1997.

7 - João Silvério - Ana em Veneza - Ed. Best Seller - Círculo do Livro, SP,1994. 8 - Rubem Alves - O retorno e Terno – Crônicas - Papirus Ed.,SP, 1992.

9 - Alain Saury - La vida autosuficiente - revivir con la naturaleza - 2 vols. Ed. Blume – Barcelona – España - 1987

10 - E. M. Cioran - El libro de las Quimeras - Ed. Tusquets – Barcelona – España -1996.

11 - Fernando Pessoa - Obra Poética - Ed. José Aguilar Ltda. – RJ, 1960. 12 - Miguel Torga – Diário - vol. XVI - 1941-1993 - Gráfica Coimbra - Portugal. 14 - Thiago de Mello - Faz escuro, mas eu canto - Ed. Civilização Brasileira - RJ, 1968.

15 - Lawrence Durrell - La celda de Próspero - Ed. Edhasa – España - 1999. 16 - Mario Quintana - Caderno H - Ed. Globo - Porto Alegre - RS, 1973.

17 - Affonso Romano de Sant’Anna - O homem que conheceu o amor- Ed. Rocco - RJ, 1988.

18 - Walt Whitman- Obra poética completa- 4 vols. - Ed. Río Nuevo – España - 1985.

19 - Cecília Meireles - Crônicas de Viagem - 3 vols. Ed. Nova Fronteira - RJ,1999.

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21 - Antoine de Saint-Exupéry - Terra dos Homens- Ed. Nova Fronteira - RJ, 1988.

Data de recebimento: 17/03/2013; Data de aceite: 28/03/2013. ________________________________

Delmino Gritti - Licenciado em Filosofia pela Universidade de Caxias do Sul. Livro publicado: “Matrícula” (poesia) junto com Oscar Bertholdo, Jose C. Pozenato, Jayme Paviani e Ari N. Trentin (1967).

Filme (curta) - “Hoje o susto eletrônico,” no Festival de Cinema do Jornal do Brasil (1969) - dirigido por Alpheu Godinho; roteiro e argumento de Delmino Gritti.

Prêmio de poesia no 38° Concurso Anual de Caxias do Sul, (2004); Prêmio do Fundoprocultura de Caxias do Sul com o livro “Dos tijolos da Suméria aos megabytes pós-humanos do terceiro milênio” (2006); Prêmio do Fundoprocultura de Caxias do Sul com o livro “Conc(s)ertos em dó maior para as perdas do espanto”. (poesia). (2008)

Complementa o currículo com uma proposta de espaço pessoal num contrapaís de um metro e setenta e três quilos de peso situados entre a terra e o mar. Possuo um PIB de dois salários mínimos, investidos em alimentos para o estômago, para o cérebro e em custos de moradia.

Meus antepassados (os avós) provenientes da longínqua Itália foram instalados no meio de uma mata cheia de animais ferozes. Sobreviveram com muita dor e trabalho.

Em mim essa marca continua intacta porque me conduz até as raízes.

“Vivendo, se aprende. Mas o que se aprende mais é fazer outras maiores perguntas” (Guimarães Rosa). Email: [email protected]

Referências

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