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Relações interpessoais na internet: um estudo com adolescentes

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Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Departamento de Educação e Psicologia

Relações interpessoais na internet: um estudo com adolescentes

Mestrado em Psicologia da Educação

Arminda Correia Moreira

Orientadoras:

Professora Doutora Ana Paula Monteiro Professora Doutora Elisete Correia

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Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Departamento de Educação e Psicologia

Relações interpessoais na internet: um estudo com adolescentes

Mestrado em Psicologia da Educação

Arminda Correia Moreira

Orientadoras:

Professora Doutora Ana Paula Monteiro Professora Doutora Elisete Correia

Dissertação submetida à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro como requisito parcial para a obtenção do grau de mestre em Psicologia da Educação.

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Agradecimentos

Ao finalizar este trabalho de investigação não poderia deixar de agradecer a todas as

pessoas que, de algum modo, me acompanharam neste processo e me incentivaram a seguir

em frente.

Agradeço:

Às Professoras Doutoras Ana Paula Monteiro e Elisete Correia, pelo acolhimento,

palavras de incentivo, disponibilidade, paciência, e ajuda incondicional tão importante para o

desenvolvimento desta investigação.

Aos Senhores Diretores dos Agrupamentos de Escolas/Escolas Profissionais e Alunos

do Ensino Secundário e Profissional que colaboraram na recolha de informação indispensável

para a realização deste projeto.

À minha família e amigos, pelas palavras de incentivo e porque sempre souberam

compreender as minhas ausências.

A Deus, porque pôs cada um de vós no meu caminho!

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Índice

Introdução ... 1

ARTIGO 1: Adição à Internet, relação com variáveis sociodemográficas e tipo de uso em alunos do ensino secundário ... 3

Resumo ... 5

Abstract ... 6

Introdução ... 7

Utilização da internet na adolescência ... 10

Tipo de uso ... 13

Adição à internet ... 14

Método ... 18

Participantes ... 18

Instrumentos ... 18

Questionário Sociodemográfico e de utilização da Internet ... 18

Young's Internet Addiction Test (IAT) ... 19

Procedimentos ... 20

Análise estatística ... 21

Resultados ... 22

Análise descritiva: Hábitos de utilização da Internet ... 22

Prevalência de adição à Internet na amostra ... 22

Análises comparativas: variáveis sociodemográficas e adição à Internet ... 23

Análises comparativas: idade a utilizar a internet e adição de Internet ... 23

Análises comparativas: número de reprovações e adição à Internet ... 24

(8)

Discussão ... 26

Referências Bibliográficas ... 30

ARTIGO 2: Autoestima e adição à Internet em alunos do ensino secundário ... 41

Resumo ... 43

Abstract ... 44

Introdução ... 45

Autoestima ... 45

Desenvolvimento da autoestima em adolescentes ... 48

Relação entre autoestima e uso problemático da internet ... 51

Método ... 56

Participantes ... 56

Instrumentos ... 56

Questionário Sociodemográfico e de utilização da Internet ... 56

Young's Internet Addiction Test (IAT) ... 57

Escala de Autoestima de Rosenberg ... 58

Procedimentos ... 60

Análise estatística ... 60

Resultados ... 62

Prevalência de adição à Internet na amostra ... 62

Correlação entre adição à Internet e Autoestima ... 62

Análises comparativas: Adição à internet e Autoestima ... 62

Análises comparativas: níveis de adição à Internet e Autoestima ... 63

Discussão ... 64

(9)

Índice de Tabelas

ARTIGO 1

Tabela 1. Estatística descritiva: diferenças quanto ao género ... 23

Tabela 2. Estatística descritiva: IAT e idade de início de utilização da internet ... 24

Tabela 3. Estatística descritiva: IAT e número de reprovações ... 24

Tabela 4. Análise diferencial entre IAT e perceção da relação com a mãe... 25

Tabela 5. Estatística descritiva: IAT e perceção da relação com o pai ... 25

ARTIGO 2 Tabela 1. Análises comparativas: adição à internet e autoestima ... 62

(10)
(11)

Lista de Abreviaturas, Acrónimos e Siglas

ARPA - Advanced Research Projects Agency Network

DGE - Direção-Geral de Educação

DP - Desvio padrão

GPIUS - General Problematic Internet Use Scale

IAT - Young´s Internet Addiction Test

MIME - Monitorização de Inquéritos em Meio Escolar

Nº - número

PIU - Problematic Internet Use

RSES - Rosenberg Self-Esteem Scale

(12)
(13)

Introdução

A evolução tecnológica do último século oferece aos jovens a possibilidade de aceder

com mais facilidade ao entretenimento e informação. A internet é hoje reconhecida como uma

das melhores ferramentas de trabalho, educação, meio de comunicação e entretenimento mas,

no limite, pode levar à dependência. A maioria dos adolescentes considera que não se pode

passar sem a internet (Abrantes, 2002) e o próprio instrumento de acesso à internet é um dos

seus atrativos, uma vez que o computador transmite uma sensação de poder a quem sabe

utilizá-lo (Justiça, 2002; Moral & Igartua, 2005). A adolescência é um estádio de

desenvolvimento naturalmente marcado por períodos em que predominam sentimentos de

tristeza, solidão e insegurança (Sampaio, 1993). Vários autores têm realizado investigações

sobre a autoestima na adolescência, considerando que este é um período determinante para o

desenvolvimento da autoestima e descoberta da identidade (Duclos, Laporte & Ross, 2006;

Pope, McHale & Craighead, 1988). A utilização excessiva da internet e das redes sociais está

associada a baixa autoestima, depressão e sentimentos de isolamento. O desenvolvimento de

dependência da internet sofre influência de fatores situacionais que podem promover o uso da

internet como uma fuga psicológica que alheia o utilizador de uma situação problemática da

vida real e o mergulha num mundo virtual cheio de fascínio e fantasias (Young, Yue & Ying,

2010). O uso da internet, sendo demasiadamente compensador, pode equilibrar a baixa

autoestima, solidão e inabilidade social; contudo, pode, simultaneamente, aumentar a

vulnerabilidade para o seu uso excessivo. O objetivo geral da investigação é desenvolver

conhecimento sobre a utilização da internet por parte dos adolescentes, e verificar em que

medida a autoestima influencia a utilização da internet. Assim, esta investigação é composta

(14)

No primeiro artigo, “Adição à Internet, relação com variáveis sociodemográficas e tipo de uso em

alunos do ensino secundário”, pretendemos averiguar os hábitos de utilização da internet por parte dos adolescentes; analisar se a adição à internet está relacionada com caraterísticas

sociodemográficas e escolares, investigar se a idade de início de utilização da internet influencia a

adição à internet e analisar se a perceção da relação com os pais influencia a adição à internet.

No segundo artigo, “Autoestima e adição à Internet em alunos do ensino secundário” a

investigação vai no sentido de estudar a relação da autoestima na adolescência em alunos do

ensino secundário e a adição à Internet.

(15)

ARTIGO 1

Adição à Internet, relação com variáveis sociodemográficas e tipo de uso em

alunos do ensino secundário.

(16)
(17)

Adição à Internet: um estudo com adolescentes

Addition to the Internet: a study with adolescents

Arminda Moreira, Ana Paula Monteiro & Elisete Correia

Resumo

Os serviços de internet oferecem a possibilidade de comunicação e relacionamento

com outros sujeitos, conduzindo a novas formas de relacionamento pessoal e social (Moral &

Igartua, 2005). A internet, e mais especificamente as redes sociais representam, assim, um

mundo virtual com possibilidades únicas. O uso excessivo da internet tem sido amplamente

debatido na literatura, muitas vezes designado de “Adição à Internet” ou “Utilização Problemática da Internet”. O objetivo geral deste estudo foi verificar se a adição à internet está relacionada com caraterísticas sociodemográficas e escolares e conhecer os hábitos de

utilização da internet dos adolescentes. A amostra foi constituída por 454 jovens adolescentes,

estudantes do ensino secundário do distrito de Vila Real, com idades compreendidas entre os

14 e os 20 anos. Os instrumentos utilizados foram um Questionário de Dados Pessoais e de

Utilização da Internet e o Young´s Internet Addiction Test (Young, 1998). Os principais

resultados indicam que os indivíduos do sexo masculino evidenciam mais adição à internet do

que os indivíduos do sexo feminino e que quanto mais novos começaram a utilizar a internet

mais elevado é o nível de adição. Os resultados indicam ainda que o número de reprovações e

a relação com os pais não influenciam a adição à internet.

Por fim, são apresentadas as limitações e implicações deste estudo.

(18)

Abstract

Internet services offer the possibility of communication and relationship with other

subjects, leading to new forms of personal and social relationship (Moral & Igartua, 2005).

The internet, and more specifically social networks, thus represent a virtual world with unique

possibilities. Excessive use of the internet has been widely debated in the literature, often

referred to as "Internet Addiction" or "Problem Use of the Internet". The general objective of

this study was to verify if the addition to the internet is related to sociodemographic and

school characteristics and to know the habits of Internet use of adolescents. The sample

consisted of 454 young adolescents, secondary school students from the district of Vila Real,

aged between 14 and 20 years. The instruments used were a Personal Data and Internet Use

Questionnaire and the Young's Internet Addiction Test (Young, 1998). The main results

indicate that males show more addition to the internet than females and that the younger the

use of the internet, the higher the level of addition. The results also indicate that the number

of disapprovals and the relationship with parents do not influence the addition to the internet.

Finally, the limitations and implications of this study are presented.

(19)

Introdução

Internet

Uma das maiores invenções tecnológicas da história da Humanidade foi a internet.

Segundo Castells (2001), a internet surgiu em setembro de 1969 através da ARPAnet, uma

rede de computadores estabelecida pela ARPA (Advanced Research Projects Agency

Network).

A internet é como uma rede internacional de milhões de computadores ligados entre si,

através de conexões por cabo ou wireless, routers e servidores, que facilitam a interação

humana, que ocorre num espaço denominado por ciberespaço (McGrath & Casey, 2002,

citados por Petersen, 2007).

Com a chegada da segunda geração da internet, conhecida como web social ou web

2.0, surgiu a democratização online, assim como o acesso à informação. Os utilizadores

passaram a ser não só consumidores como também autores de informação, absorvendo o lado

mais social e interativo da internet (O‟Reilly, 2007). Segundo Friedman (2009), a web é uma

forma revolucionária de comunicação entre as pessoas, aproximando-as e capaz de derrubar

barreiras geográficas e culturais. Dia após dia, a sociedade tem-se tornado cada vez mais

digital e a web, o meio de comunicação por excelência. As redes sociais chegaram com a web

2.0 (termo popularizado a partir de 2004 pela empresa americana O'Reilly Media para

designar uma segunda geração de comunidades e serviços). A rede social carateriza-se por ser

um serviço capaz de permitir aos indivíduos que: a) construam um perfil público ou

semipúblico dentro de um sistema definido; b) articulem uma lista de outros utilizadores com

(20)

realizadas por outro dentro do sistema sendo que, as mesmas variam em nome e natureza

consoante o site (Boyd & Ellison, 2007).

Existem centenas de redes sociais (SNSs), que suportam diferentes interesses e

práticas. A maiorias das SNSs serve de manutenção a redes sociais já existentes, mas outras

ajudam desconhecidos a conectarem-se, tendo em conta interesses comuns, visões políticas,

atividades, línguas, etnias, sexo, religião, nacionalidades ou viagens (Dans, 2010). As SNSs

também variam a nível das informações e das ferramentas de comunicação que incorporam,

sejam elas a conectividade móvel, blogs ou partilha de vídeos e fotografias (Boyd & Ellison,

2007). A maioria dos participantes das redes sociais tem como objetivo principal, comunicar

com pessoas que já conhecem e, posteriormente, comunicar com desconhecidos que possam

ter os mesmos interesses (Boyd & Ellison, 2007). A ligação entre os sujeitos pode ter diversas

motivações: financeira, amizade, sexo ou estar relacionada com a interação em jogos online,

chats ou fóruns, entre outros. Nestes sites, os utilizadores podem desenvolver as suas relações

interpessoais ou criar outras (Deitel & Deitel, 2008).

Ryan, Chester, Reece e Xenos (2014) apontam um conjunto de motivos para utilização

da internet e das redes sociais, nomeadamente a manutenção de relacionamentos

interpessoais, o passar do tempo, a obtenção de entretenimento, o evitamento da solidão e a

gratificação das necessidades interpessoais. Na internet é possível ouvir música e notícias, até

ler livros e realizar procedimentos administrativos ou transações económicas (Choliz &

Marco, 2012).

A internet está presente em grande parte da vida dos jovens, no entanto, as motivações

de cada um, bem como o objetivo com o qual utiliza a internet, pode ser diferente de

indivíduo para indivíduo. De uma maneira geral, as crianças usam a internet para a realização

(21)

2003; Prensky, 2004). Existe ainda a possibilidade de criarem páginas e blogs onde contam a

sua história e discutem variados temas (Huffaker, 2005; Richardson, 2006).

Qualquer que seja o propósito de utilização da internet, a sua popularidade e o seu uso

entre os jovens aumentam cada vez mais. Jones (2002) desenvolveu um estudo com 2054

alunos de 27 universidades da região de Chicago, focado especificamente em conhecer a

importãncia e o impacto do uso da internet na vida social e académica dos estudantes

universitários. Os resultados indicam que, para os estudantes universitários, o uso da internet

está integrado nos seus hábitos diários de comunicação e tornou-se uma tecnologia tão

comum quanto o telefone ou a televisão. Assim, tendem a estar online, verificar o email, usar

pelo menos dois endereços de email, fazer pesquisas por diversão, baixar músicas e enviar

mensagens rápidas; também afirmam que a internet mudou a sua vida social, servindo para se

comunicarem com professores e colegas e fazer pesquisas enquanto estudam. Para a maioria

dos estudantes, a internet é uma ferramenta funcional que tem mudado a maneira como

interagem e comunicam com os outros. Os jovens incorporaram a internet na estrutura das

suas vidas, mas raramente alterando os seus modos de vida (Grant, 2005). Neste contexto, é

evidente que a internet satisfaz motivações distintas dos utilizadores, a saber: melhoria do

humor, aprendizagem experimental, fuga à realidade, interação e envolvimento pessoal,

informação e conselho.

Além das motivações, outro tema bastante abordado em relação à exploração que os

jovens fazem da internet, é o da construção da identidade (McMillam & Morrison, 2006). A

comunicação pela internet possui determinadas caraterísticas que podem, por exemplo,

estimular indivíduos a passar por experiências de identidade (Valkenburg, Schouten & Peter,

2005). Em primeiro lugar, a comunicação é caraterizada por público e pistas visuais

(22)

da sua aparência física. Em segundo lugar, a comunicação pela internet é anónima,

especialmente durante as primeiras fases dos relacionamentos. Por este motivo, as pessoas

podem mostrar-se menos inibidas e revelar certos aspetos da vida pessoal com consequências

pessoais menores do que na vida real (Suler, 2004). Atendendo a que, a comunicação pela

internet acontece frequentemente em contextos sociais distintos dos da vida real, pode

estimular outras experiências de identidade. No período da adolescência, as experiências de

identidade e as estratégias de apresentação pessoal revestem-se de primordial importância.

Este período é caraterizado por um aumento de identidades que variam consoante os

contextos sociais em que os adolescentes estão inseridos.

Para a maioria dos jovens, a experiência de desenvolvimento da identidade através da

internet é positiva (McMillan & Morrison, 2006). Alguns consideram que a internet permite a

criação de uma nova personagem que poderia ser aceite como ela é; outros consideram que a

nova versão desenvolvida de si, durante as atividades online, é alienante. A internet permite

novas oportunidades para o desenvolvimento da identidade individual pelos jovens, contudo,

este desenvolvimento deve ser fortemente ligado ao desenvolvimento da identidade social e

coletiva (Auty & Elliott, 2001).

Utilização da Internet na Adolescência

A adolescência é uma etapa do desenvolvimento humano muito crítica, caraterizada

por significativas transformações a nível corporal, hormonal e comportamental. A nível das

relações sociais, os adolescentes experimentam, frequentemente, mudanças profundas, que

podem manifestar-se num afastamento em relação à família (Yen, Yen, Chen, Chen & Ko,

2007) e um aumento de proximidade com os pares/grupo de amigos. Esta mudança de

comportamento é vista como uma forma de conquista da autonomia, uma competência

(23)

2013). O uso de internet por parte dos adolescentes tem vindo a aumentar significativamente

nos últimos tempos, daí que surgiu a necessidade de conhecer essa realidade que faz parte do

quotidiano da maioria dos adolescentes e que constitui, não só, um espaço de aprendizagem e

interação, mas também, um local onde pode ocorrer a segregação, o uso de falsas informações

e o risco de violação de direitos humanos.

Para conhecer o uso da internet pelos adolescentes, o Fundo das Nações Unidas para a

Infância (UNICEF) realizou, em 2013, uma pesquisa nacional por amostragem e entrevistou

2002 adolescentes entre 12 a 17 anos em todas as cinco regiões geográficas brasileiras, num

total de 150 municípios, assegurando uma amostra representativa para identificar a

diversidade de situações: morada, género, raça/cor, escolaridade, e classe social. Vários

estudos investigam o impacto do uso problemático da internet nos adolescentes (Ferraro,

Caci, D‟Amico & Di Blasi, 2007; Ghassemzadeh, Shahraray & Moradi, 2008; Johansson & Götestam, 2004). Segundo Panayides e Walker (2012), a adolescência é uma fase do ciclo de

vida complicada no que concerne à vulnerabilidade às dependências em conformidade com os

fatores biológicos, psicológicos e sociais, o que torna os adolescentes uma população de risco.

Segundo Esen e Gundogdu (2010), os rapazes são mais vulneráveis do que as raparigas à

dependência da internet. Em Portugal, de acordo com os dados do Relatório do Instituto

Nacional de Estatística (INE, 2014), o grupo etário com proporções mais elevadas de

utilizadores da internet situa-se entre os 16 e os 24 anos, verificando-se uma diminuição com

o aumento da idade. Também na Turquia este fenómeno se verifica (Gencer & Koc, 2012). Os

resultados de um estudo desenvolvido na Turquia por Canan, Ataoglu, Nichols, Yildirim e

Ozturk (2010), com uma amostra 300 alunos universitários, sugeriram que 11,6% dos

adolescentes entre os 14 e os 19 anos de idade, podiam ser classificados como dependentes à

(24)

Na Grécia, numa pesquisa efetuada por Siomos, Dafouli, Braimiotis, Mouzas e

Angelopoulos (2008), utilizando uma amostra de 2200 adolescentes com idades entre os 12 e

os 18 anos, verificou-se que 70,8% dos adolescentes tinham acesso à internet. Num outro

estudo desenvolvido em Itália por Milani, Osualdella e Blasio (2009), que tinha como

objetivo verificar a relação entre o uso problemático da internet, a qualidade das relações

interpessoais e as estratégias cognitivas utilizadas habitualmente pelos adolescentes para

enfrentar os problemas do quotidiano, 36,7% dos adolescentes com idades entre os 14 e 19

anos apresentavam sinais de Problematic Internet Use (PIU). Também na Coreia do Sul, os

dados do governo de 2006 destacam que cerca de 210 000 crianças com idades

compreendidas entre os 6 e os 19 anos necessitaram de tratamento para a dependência à

internet, dos quais, cerca de 80% estariam a precisar de tratamento farmacológico e talvez,

entre 20% a 24% precisassem de ser hospitalizados (Block, 2008). Na mesma linha de

investigação, H. Wang et al. (2011) desenharam um estudo para investigar a prevalência de

PIU e os potenciais fatores de risco num universo de 14.296 adolescentes chineses. Destes, 12

446 eram utilizadores da internet e 12,2% dos quais foram identificados como utilizadores

problemáticos da internet.

Lin, Ko e Wu (2011) desenvolveram uma investigação com alunos universitários de

Taiwan, num total de 3 116 participantes, com o objetivo de verificar a prevalência do vício

de internet e identificar fatores de risco psicossociais associados. Os resultados obtidos

revelaram que 15,3% dos sujeitos apresentavam sintomas de dependência da internet. Os

resultados apontavam também alguns fatores correlacionados com a dependência da internet,

nomeadamente uma maior expectativa de resultados positivos do uso da internet, menor

autoeficácia de recusa do uso de internet, demasiado tempo de utilização da internet, menor

(25)

Devido à sua situação de maior vulnerabilidade e tempo de conexão à internet, os

adolescentes são considerados como o grupo de maior risco de se tornarem utilizadores

problemáticos da internet (Ghassemzadeh et al. 2008; H. Wang et al. 2011; Hall & Parsons,

2001; Kandell, 1998; W. Wang, 2001; Yen et al., 2008). Um dos fatores que alicia os jovens

para as novas tecnologias de comunicação prende-se com a oportunidade de interação com

outras pessoas de forma anónima e, simultaneamente, a possibilidade de experimentar um

sentido de comunidade e aceitação social que vai crescendo com a frequência de uso

(Johansson & Götestam, 2004).

Tipo de uso

O uso da internet pode ser classificado de duas formas diferenciadas: uso saudável,

que consiste no uso da internet com uma intenção declarada, num período de tempo razoável,

sem incómodo cognitivo ou comportamental, e uso problemático da internet, que concerne ao

tempo exagerado despendido em múltiplas atividades na internet, provocando efeitos

negativos sobre o utilizador, tanto a nível físico como a nível psicológico (Davis, 2001).

Outros autores, como Morahan-Martin e Schumacher (2000), esclarecem que o uso

problemático da internet reside num uso intenso que pode causar dependência. Os

adolescentes integram a tecnologia em todos os aspetos das suas vidas para diversos fins,

nomeadamente socialização, entretenimento e fazer compras (Asselin & Moayeri, 2008) ou,

de acordo com Lenhart, Madden e Hitlin (2005), para fazer os trabalhos de casa usando a

internet.

Segundo os resultados de um estudo realizado pela UNICEF, em 2013, “em geral, os

adolescentes equilibram o uso da internet entre comunicação, informação e entretenimento,

utilizando-a para manter contacto com amigos nas redes sociais, fazer pesquisa para trabalhos

(26)

Adição à Internet

Em 1996, Young desenvolveu uma investigação na qual utilizou como parâmetros

para a criação do primeiro esboço conceptual, um conjunto de critérios derivados dos

utilizados pelo DSM-IV em dependência de substâncias. Nessa primeira avaliação foram

considerados 496 estudantes. Destes, 396 referiram uso excessivo mencionando prejuízos

significativos nos seus hábitos de vida. Ainda que a amostra tenha sido uma pequena parcela

comparativamente aos 47 milhões de utilizadores de internet na época da avaliação, o estudo

foi considerado a primeira tentativa empírica de esboço do problema. O termo Internet

Addiction foi, assim, um dos vanguardistas, seguido pelo termo Problematic Internet Use

(PIU), também frequentemente utilizado, embora ainda não se verifique qualquer forma de

consenso (Young, 1996a). Com o passar do tempo, o modelo inicial de Young foi substituído,

em virtude de não se observar o uso de substâncias químicas que causem dependência e ser

notória a ausência de muitos dos sintomas e dos comportamentos associados à dependência

química.

A adição à internet oferece várias formas de diversão online, empobrece as relações de

amizade, diminui a atividade física e o tempo livre gira em torno de atividades online (van

den Eijnden, Meerkerk, Vermulst, Spijkerman & Engels, 2008).

Em 1995, Ivan Goldberg utilizou pela primeira vez o conceito de dependência da

internet, referindo-se à incapacidade que um indivíduo experimenta em controlar o uso da

internet, o que, por sua vez, conduz ao sofrimento, disfunção nas atividades diárias e negação

dos comportamentos problemáticos. A denominação perturbação de “adição à internet” foi um termo utilizado pela primeira vez por Young, em 1998, como um conjunto de

(27)

Estudos efetuados mostram que o uso da internet pode promover o desenvolvimento

de comportamentos desajustados entre os jovens (Echeburúa & De Corral, 2010; Young,

2004). Os jovens estão em risco devido ao livre e fácil acesso às redes, ausência de censura no

que concerne ao que eles dizem e fazem na internet, sentimentos de popularidade que atingem

entre os seus amigos, ausência de controlo parental e oportunidade de escapar de pressões,

ansiedade ou depressão (Young, 2004).

Há alguns anos que a literatura tem vindo a explorar a existência da adição à internet

ou a PIU. Devido ao facto de ainda não existir consenso sobre a definição/terminologia

correta e etiologia da adição à internet, nos Estados Unidos da América esta problemática está

ainda pouco explorada (Young, 1996b). São várias as denominações atribuídas aos problemas

relacionados com a internet: adição à internet (Young, 1996a), uso patológico da internet

(Davis, 2001), dependência da internet (Scherer, 1997) e a problemática do uso da internet

(Yellowlees & Marks, 2007). Neste contexto, ao constatar que o uso da internet interfere no

funcionamento do indivíduo como um tipo de dependência tecnológica, Griffiths (1998)

defendia o termo adição à internet. Segundo este autor, a adição à internet não surge apenas

pela elevada utilização da mesma, mas também quando essa utilização se torna um vício.

Young (1996b, 1998, 1999) foi a primeira a analisar esta problemática tendo fundado, em

1995, o Centro de Adição à Internet e Netaddiction.com. Para esclarecer esta problemática,

Young alterou os critérios do DSM-IV para a patologia da dependência de jogos, de forma a

desenvolver uma lista de oito itens, designada: Internet Addiction Diagnostic Questionnaire

(DQ). O questionário incluía itens como: “Sentes-te preocupado com a internet? (pensas na última ou na próxima vez que estarás online?) ”, “Sentes necessidade que utilizar mais tempo

a internet, de forma a atingir a satisfação?”, “Já fizeste repetidos esforços, sem sucesso, para

controlar, diminuir ou parar o uso da internet?”, “Sentes-te inquieto, mal-humorado ou

(28)

perda de um relacionamento significativo, a perda de uma trabalho ou de uma carreira

profissional, por causa da internet?”. É considerado um viciado na internet, o indivíduo que

apresente, pelo menos, cinco critérios do diagnóstico, presentes no questionário. Beard e Wolf

(2001) modificaram os critérios de Young por considerarem a existência de falta de clareza e

uma comparação imprópria para uma perturbação do DSM-IV. Assim, discordando da

associação da patologia à dependência dos jogos, advogavam que os critérios relativos ao

abuso de substâncias seriam mais apropriados para esta problemática, criando cinco critérios:

(1) preocupação com a internet; (2) necessidade de utilizar a internet por mais tempo, de

forma a atingir satisfação; (3) esforço para controlar, reduzir ou parar o uso da internet, sem

sucesso; (4) ao tentar reduzir ou parar a utilização da internet, o indivíduo sente-se inquieto,

mal-humorado, deprimido ou irritável; e (5) o sujeito passou mais tempo online do que o

previsto. No que concerne ao uso do termo “adição” não existe um consenso. Alguns autores

utilizam-no para se referirem a problemas com o uso da internet, enquanto outros o utilizam

quando se referem a uma dependência fisiológica entre uma pessoa e um estímulo/substância.

Davis (2001) distinguiu PIU em dois tipos: uso patológico específico e uso patológico

generalizado. O tipo “uso patológico específico”, quando se está perante uma dependência de um conteúdo específico, como os jogos online, sendo de considerar que esta forma de

dependência existiria mesmo sem a internet, dado que um sujeito viciado em jogos online, se

não dispuser de condições para jogar em casa pode ir jogar ao casino. O tipo “uso patológico generalizado” é caraterizado pelo tempo desperdiçado online, sem uma intenção específica. Por sua vez, Caplan (2002) caraterizou PIU com sintomas cognitivos e comportamentais, tais

como: (a) alteração de humor; (b) perceção dos benefícios sociais da Internet; (c) uso

compulsivo; (d) uso excessivo; (e) recuo e controlo da perceção social quando existe interação

(29)

PIU, desenvolveu uma medida de avaliação designada General Problematic Internet Use

Scale (GPIUS).

Segundo Young (1998), a desordem vício em internet é identificada pela deterioração

no controlo de uso de rede, que se manifesta em vários sintomas: cognitivos, fisiológicos e

comportamentais. A pessoa dependente faz uso excessivo da internet que, por sua vez, gera

deformação de objetivos pessoais, familiares ou profissionais.

Reis et al. (2016) mencionam um conjunto de prováveis consequências do uso

problemático da internet, nomeadamente a diminuição generalizada da atividade física, a forte

mudança nos hábitos de vida a fim de ter mais tempo para conectar-se, o desmazelo com a

saúde em consequência da atividade na internet, a privação ou importantes mudanças do sono,

o afastamento de atividades importantes a fim de dispor de mais tempo para permanecer

conectado e a diminuição significativa no rendimento académico ou laboral.

Tendo em consideração as consequências do uso problemático da internet, esta

investigação teve como objetivo geral aprofundar o conhecimento relativamente à utilização

da internet por parte dos adolescentes e, como objetivos específicos: (a) conhecer os hábitos

de utilização da internet por parte dos adolescentes; (b) analisar se a adição à internet está

relacionada com caraterísticas sociodemográficas (género) e escolares (número de

reprovações); (c) investigar se a idade de início de utilização da internet influencia a adição à

(30)

Método

Este estudo é de caráter transversal e quantitativo. A transversalidade do estudo resulta

dos dados serem recolhidos num momento único e o caráter quantitativo do mesmo prende-se

com a componente estatística e numérica dos dados (Sampieri, Collado & Lucio, 2006).

Participantes

A amostra foi constituída por 454 alunos do ensino secundário com idades

compreendidas entre os 14 e os 20 anos (M=16.21; DP=1.16), dos quais 255 pertencem ao

sexo feminino (56.2%) e 199 (43,8%) ao sexo masculino. Quanto à escolaridade, 237 (52.2%)

são do 10º ano, 118 (26%) do 11º ano e 99 (21.8%) do 12 º ano de escolaridade, sendo que

130 (28.6%) destes sujeitos referem já ter reprovado pelo menos uma vez no seu percurso

escolar.

Instrumentos

Questionário Sociodemográfico e de utilização da Internet

Este questionário foi elaborado para a presente investigação com a finalidade de

recolher informações sobre os participantes em variáveis tidas como relevantes à

investigação, nomeadamente: idade, sexo, ano de escolaridade, número de reprovações,

composição do agregado familiar e a relação com os progenitores. O questionário recolhe

ainda informação sobre questões ligadas às novas tecnologias de informação/utilização da

Internet (e.g., se tem computador, com que idade começou a utilizar internet, com que

frequência utiliza a internet fora da escola, quanto tempo utiliza o computador ao longo da

semana, com que finalidade utiliza o computador, que tipo de tecnologias utiliza, quantos

(31)

Young's Internet Addiction Test (IAT)

O IAT, desenvolvido por Young (1998) e validado psicometricamente por Widyanto e

McMurran (2004), é um questionário que avalia o grau de envolvimento do indivíduo com a

internet e o impacto negativo que o uso excessivo dessa ferramenta provoca nas diversas áreas

da sua vida. Neste estudo, a dependência à Internet foi mensurada através da versão

portuguesa adaptada por Pontes, Patrão e Griffiths (2014). Os resultados obtidos no estudo da

adaptação portuguesa evidenciam propriedades psicométricas satisfatórias, o que sugere que o

IAT evidencia ser um instrumento válido e fiável para medir a IA entre jovens adultos

portugueses (Pontes et al., 2014).

O questionário é composto por 20 itens de autopreenchimento do tipo Likert numa

escala de 5 pontos que avalia comportamentos e caraterísticas relacionadas com o uso

compulsivo da internet. Young (2011) considera que o uso normal varia entre 0-30 pontos;

suave entre 31-49 pontos; moderado entre 50-79 e o severo entre os 80-100 pontos. Segundo

Young (1998), quanto maior for a pontuação obtida, maior é o nível de dependência à

internet, sendo que os resultados obtidos traduzem esse grau de dependência. De acordo com

a literatura, os estudos utilizam o ponto de corte de 50 pontos para definir grupos com

problemas de dependência à internet versus grupos em que isso não se verifica (Hinić,

Mihajlović & Ðukić-Dejanović, 2010).

O IAT foi validado em diversos países, a saber: Itália (Ferraro at al., 2007), França

(Khazaal et al., 2008), Turquia (Kesici & Sahin, 2010), Estados Unidos (Jelenchick, Becker &

Moreno, 2012), Brasil (Conti et al., 2012), Chipre (Panayides & Walker, 2012), China (Lai et

al., 2013), Líbano (Hawi, 2013), Alemanha (Barke, Nyenhuis & Kroner-Herwig, 2014),

Grécia (Tsimtsiou et al., 2014) e Portugal (Pontes et al., 2014). Relativamente ao ponto de

(32)

adolescentes e adultos, sendo que foi o primeiro instrumento de medida da dependência à

internet validado psicometricamente (Widyanto & McMurran, 2004). Estes investigadores

sugeriram a existência de seis fatores associados à dependência da internet, a saber:

“Salience”, “Excess Use”, “Neglecting Work”, “Anticipation”, “Lack of Self-Control”, e “Neglecting Social Life”. Esta estrutura fatorial patenteia uma boa consistência interna (α 0.54-0.82) e validade concorrente, sendo a dimensão “Salience” a mais fiável. No mesmo

sentido, o estudo de Conti et al. (2012) aventa a existência de uma consistência interna muita

elevada para o IAT (α 0.85). Num outro estudo desenvolvido por Law e Chang (2008), os autores defendem uma estrutura fatorial tripartida: “Withdrawal and Social Problems”, “Time

Management and Performance” e “Reality Substitute”. Os mesmos autores justificam que o menor número de dimensões está relacionado com a covariação dos itens entre as várias

dimensões, sendo que o fator “Reality Substitute” reside num aspeto essencial do ponto de vista da caraterização do fenómeno. Diversos estudos têm vindo a reconhecer

afirmativamente a validade e fiabilidade do instrumento (Law & Chang, 2008), tornando-o no

mais utilizado e generalizado a nível internacional em investigações deste tipo (Pezoa-Jares,

Espinoza-Luna & Vasquez-Medina, 2012).

No presente estudo, a análise de consistência interna efetuada por meio do coeficiente

alfa de Cronbach foi de 0.88.

Procedimentos

Em primeiro lugar foi solicitada a autorização para a realização da investigação à

Direção-Geral de Educação (DGE), através do sistema de Monitorização de Inquéritos em

Meio Escolar (MIME). Obtida essa autorização (n.º 0565400001), foi elaborado um

documento para solicitar aos Diretores dos Estabelecimentos de Ensino, a colaboração para a

(33)

pais dos estudantes menores de idade e os respetivos consentimentos informados para a

participação no estudo. Os instrumentos foram administrados em contexto de sala de aula,

após uma breve explicação sobre os objetivos do estudo, a participação voluntária e a garantia

do anonimato e confidencialidade.

Os procedimentos do estudo foram também orientados em consonância com o

Regulamento da Comissão de Ética da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Análise estatística

Para efeitos de análise quantitativa de tratamento de dados foi utilizado o Statistical

Package for the Social Science (SPSS, versão 22.0). Procedeu-se inicialmente à realização de

estatísticas descritivas médias (M) e desvio padrão (DP) relativamente às variáveis avaliadas.

De modo a verificar se existiam diferenças estatisticamente significativas entre o IAT e o

género, realizou-se uma análise univariada ANCOVA (co-variavel idade).

De modo a verificar se existiam diferenças estatisticamente significativas na adição à

internet (IAT) relativamente à idade de início de utilização da internet, número de

reprovações e perceção da relação com os pais, foram realizadas análises de variância

univariada (ANOVA), seguidas quando justificável do teste post hoc de Tukey.

Os pressupostos da normalidade e igualdade de variâncias foram confirmados através

dos coeficientes de skeweness (assimetria) e kurtosis (achatamento) e com o teste de Levene,

respetivamente.

O eta-squared partial (ηp2) foi utilizado como uma medida do tamanho de efeito de

acordo com a seguinte regra: pequeno (<0.05); médio (≤0.25); elevado (≤0.5) e muito elevado (> 0.5) (Maroco, 2007).

(34)

Resultados

Análise descritiva: Hábitos de utilização da Internet

Quanto aos hábitos de utilização da internet, dos 454 alunos inquiridos, 259 (61.3%)

referem utilizar com mais frequência o computador no seu quarto e 110 (25.1%) na sala de

estar.

Os alunos referem utilizar frequentemente ou muito frequentemente a internet com a

seguinte finalidade: fazer trabalhos da escola (47.7%); ver vídeos (37.4%); jogar (25.8%);

fazer downloads de músicas e jogos (18.3%); “navegar” na internet (14.8%); criar blogs (2%);

fazer apostas (2%); disponibilizar vídeos (0.9%); ver conteúdos para adultos (0.4%).

No que concerne ao tipo de tecnologias, os alunos indicaram que, com frequência ou

muita frequência, utilizam: o Instagram (42.5%); o Youtube (39.9%); o Facebook (32.7%); o

WhatsApp (16.3%); o E-mail (11%); o Snapchat (7%); o Twitter (5.1%); o MSN (2.9%); o

Skype (2.4%) o Ask (0.4%).

Quando inquiridos sobre a utilização das redes sociais por parte dos amigos, 92.3%

dos alunos afirmam que muitos amigos utilizam as redes sociais. Quanto à utilização das

redes sociais, 87.5% indicam que costumam adicionar nas redes sociais os familiares (81%)

os amigos, 32.2% os amigos de amigos e 4.3% adicionam outras pessoas.

Prevalência de adição à Internet na amostra

No presente estudo foram identificados 303 (66.7%) sujeitos sem adição e 151

(33.3%) com adição distribuídos de acordo com o critério estabelecido por Hinic et al. (2010).

Tendo em consideração os critérios de Young (2011), para categorizar os níveis de adição à

(35)

da internet; 253 (55.7 %) sujeitos com uma adição leve; 157 (34.6%) sujeitos com uma adição

moderada e 6 (1.3%) sujeitos com adição severa.

Análises comparativas: variáveis sociodemográficas e adição à Internet

A análise das médias e do desvio padrão de acordo com o género da variável IAT

(Tabela 1) permite-nos constatar que os indivíduos do género masculino têm valores médios

mais elevados do que os do género feminino relativamente ao IAT.

Tabela 1.

Estatística descritiva:diferenças quanto ao género

Para verificar se existem diferenças significativas no IAT quanto ao género

recorreu-se a uma ANCOVA (co-variável idade), após recorreu-se ter validado o pressuposto da normalidade

(valores de simetria e achatamento compreendidos entre -1 e 1) e o pressuposto da igualdade e

de variâncias (F (1,452) = 0.19; p=.66). Os resultados obtidos permitem-nos averiguar que o

género teve um efeito estatisticamente significativo e de média dimensão (F (1,451) = 10.55;

p=0.001; ηp2 =.023) sobre a variável Adição à internet. Ou seja, os indivíduos do sexo

masculino evidenciam mais adição à internet do que os indivíduos do sexo feminino.

Análises comparativas: idade a utilizar a internet e adição de Internet

Para avaliar se existem diferenças significativas na adição à internet (IAT) quanto à

idade agrupada em três classes ([ 3, 7]; ]7, 11]; ]11, 18]) com que os sujeitos começaram a

utilizar a internet realizou-se uma ANOVA a um fator após validados os pressupostos da

normalidade (Tabela 2) e igualdade de variâncias (F (2,448) = 0.23; p = 0.80).

M±DP N

Masculino 48.32±12.46 199

(36)

Tabela 2.

Estatística descritiva: IAT e idade de início de utilização da internet

Por análise da Tabela 2 é possível constatar que quanto mais novos os sujeitos

começaram a utilizar a internet mais elevada é a sua pontuação no IAT. De modo a averiguar

se essas diferenças eram significativas realizou-se uma ANOVA a um fator, a qual revelou

diferenças estatisticamente significativas (F (2,448) = 3.5; p = 0.031; ηp2 =.015). De seguida

realizou-se o teste post hoc de Tukey para identificar qual ou quais os grupos em que essas

diferenças são significativas. Os resultados permitem concluir que as diferenças

estatisticamente significativas para este fator (IAT) ocorrem entre os sujeitos que começaram

a utilizar a internet entre os 3 e os 7 anos e os sujeitos que começaram a utilizar a internet

entre os 11 e os 18 anos ( ]0.58, 9.98[; p = 0.023).

Análises comparativas: número de reprovações e adição à Internet

Pela análise da Tabela 3 é possível constatar que os alunos que já reprovaram uma vez

apresentam pontuações médias no IAT ligeiramente superiores aos outros alunos.

Tabela 3.

Estatística descritiva: IAT e número de reprovações

Para avaliar se existem diferenças significativas no IAT quanto ao número de

reprovações (0; 1; 2 ou mais) recorreu-se à estatística de teste de Welch, dado que não se

Idade Inicio M±DP N sk Ku [3, 7] 49.51±11.58 61 0.57 -0.15 ]7, 11] 46.35±12.39 286 0.49 0.53 ]11, 18] 44.23±12.85 104 0.71 0.22 Nº de Reprovações M±DP N sk Ku 0 46.16±11.87 320 0.52 0.67 1 46.74±12.81 80 0.62 0.18 2 ou mais 46.17±15.68 53 0.34 -0.87

(37)

verifica a condição de igualdade de variâncias (F (2,450) = 7.30; p = 0.001) e os grupos têm

dimensões bastante diferentes. Os resultados possibilitam concluir que as diferenças não são

estatisticamente significativas (F (2,104.29) = 0.67; p = 0.935).

Análises comparativas: perceção da relação com os pais e adição à Internet

De modo a averiguar se as diferenças observadas nas médias do IAT nos diferentes

grupos de perceção da relação com os pais eram significativas realizaram-se análises de

variância, depois de validados os pressupostos de normalidade e igualdade de variâncias para

a perceção da relação com a mãe e com o pai (F (2,446) = 0.19; p = 0.823) (F (2,438) = 2.54; p =

0.08), respetivamente. Através da observação dos dados conclui-se que não existe evidência

estatística que nos leve a afirmar que o fator de perceção da relação com a mãe (Tabela 4) e

perceção da relação com o pai (Tabela 5) influencia a adição à internet.

Tabela 4.

Análise diferencial entre IAT e perceção da relação com a mãe

Tabela 5.

Estatística descritiva: IAT e perceção da relação com o pai Perceção da Relação com a

Mãe M±DP N Sk Ku p

Boa 46.09±12.44 430 0.54 0.35

Razoável 53.47±12.81 15 0.34 -0.83 0.077

Má 44.50±16.70 4 0.93 -0.76

Perceção da Relação com o

Pai M±DP N Sk Ku p

Boa 45.96±12.11 389 0.51 0.29

Razoável 49.61±13.61 34 -0.17 -0.48 0.055

(38)

Discussão

O uso excessivo da internet tem sido amplamente discutido na literatura, muitas vezes

designado de “Adição à Internet” ou “Utilização Problemática da Internet”. O objetivo deste estudo foi verificar se a adição à internet está relacionada com caraterísticas

sociodemográficas/escolares e perceber o tipo de uso que os adolescentes fazem da internet.

Tendo em consideração os objetivos, pretendeu-se verificar se a adição à internet está

relacionada com caraterísticas sociodemográficas/escolares, nomeadamente, idade, sexo, ano

de escolaridade, número de reprovações, perceção da relação com os progenitores,

compreender o tipo de uso que os adolescentes fazem das redes sociais, investigar as

motivações dos adolescentes utilizadores das redes sociais, perceber se existe ou não adição à

internet por parte dos utilizadores inquiridos.

Na amostra em estudo foram identificados 303 (66.7%) sujeitos sem adição e 151

(33.3%) com adição distribuídos de acordo com o critério estabelecido por Hinic et al. (2010).

Tendo em consideração os critérios de Young (2011) para categorizar os níveis de adição à

internet, foram identificados quatro grupos de sujeitos: 38 (8.4%) sujeitos com um uso normal

da internet; 253 (55.7 %) sujeitos com uma adição leve; 157 (34.6%) sujeitos com uma adição

moderada e 6 (1.3%) sujeitos com adição severa. A análise das médias e do desvio padrão de

acordo com o género permite-nos constatar que os indivíduos do género masculino têm

valores médios mais elevados do que os do género feminino relativamente ao IAT, ou seja,

evidenciam mais adição à internet do que os indivíduos do sexo feminino. Estes resultados

vão ao encontro dos obtidos por Lin et al. (2011), numa investigação desenvolvida com

alunos universitários de Taiwan, num total de 3116 participantes. O estudo de Esen e

Gundogdu (2010) corrobora este resultado, pois afirma que os rapazes são mais vulneráveis

(39)

apontam que quanto mais novos os sujeitos começaram a utilizar a internet mais elevada é a

sua pontuação no IAT. Os resultados permitem ainda concluir que as diferenças

estatisticamente significativas para este fator (IAT) ocorrem entre os sujeitos que começaram

a utilizar a internet entre os 3 e os 7 anos e os sujeitos que começaram a utilizar a internet

entre os 11 e os 18 anos. Estes resultados são consistentes com alguns estudos (Block, 2008;

Canan et al., 2010; Morrison & Gore, 2010; Ni, Yan, Chen & Liu, 2009), onde se verificou

que quanto mais novos eram os respondentes, maiores eram os níveis de dependência à

internet e inconsistentes com uma parte da literatura existente (Jenaabadi & Keikhayfarzaneh,

2011; Lam & Peng, 2010; Lam, Peng, Mai & Jing, 2009; Simkova & Cincera, 2004), onde

essa associação não se verificou. Ainda que os dados referentes a esta variável sejam

divergentes, preconizamos que seja feita uma intervenção precoce na área da dependência à

internet, tão cedo quanto possível. O presente estudo não encontrou diferenças

estatisticamente significativas no IAT relativamente ao número de reprovações. No que

concerne à perceção da relação com os pais e adição à internet, através da observação dos

dados conclui-se que não existe evidência estatística que nos leve a afirmar que o fator de

perceção da relação com a mãe e perceção da relação com o pai influencia a adição à internet.

Este resultado contraria o resultado encontrado por Yen et al. (2007) num estudo feito com

3662 estudantes de Taiwan, cujo resultado evidenciava que a relação conflituosa com os pais

poderia desenvolver um fator preditivo de dependência à internet. Quanto aos hábitos de

utilização da internet, dos 454 alunos inquiridos, 259 (61.3%) referem utilizar com mais

frequência o computador no seu quarto e 110 (25.1%) na sala de estar.

Os alunos referem utilizar frequentemente ou muito frequentemente a internet com

múltiplas finalidades, por ordem de preferência, a saber: fazer trabalhos da escola, ver vídeos,

jogar, fazer downloads de músicas e jogos, “navegar” na internet. As conclusões de algumas

(40)

Ryan et al., 2014) apontam também que os adolescentes utilizam a internet em todos os

aspetos das suas vidas para diversos fins, nomeadamente socialização, entretenimento, fazer

compras e para fazer os trabalhos de casa.

No que concerne ao tipo de tecnologias, os resultados demostraram que, os alunos

com frequência ou muita frequência, usam principalmente o Instagram, o Youtube e o

Facebook.

Quando inquiridos sobre a utilização das redes sociais por parte dos amigos, a maioria

dos alunos afirma que muitos amigos utilizam as redes sociais. Quanto à utilização das redes

sociais, 87.5% indicam que costumam adicionar os familiares nas redes sociais, 81% os

amigos, 32.2% os amigos de amigos e 4.3% adicionam outras pessoas.

Como limitações, podemos referir que os resultados obtidos não se podem generalizar

à população adolescente portuguesa, dado o número de sujeitos participantes e serem

circunscritos a um distrito. Outra limitação é o tipo de questionários utilizados (questionários

de autorresposta) o que pode levar a que os inquiridos respondam como consideram desejável

socialmente e não de acordo com a realidade.

É também de indicar como limitação que no instrumento utilizado para avaliar a

adição à Internet (Internet Addition Test) os pontos de corte indicados por Young (2001) são

especulativos, pois não existem estudos empíricos que os asseverem (Pontes et al., 2014).

Assim, os resultados devem ser interpretados com precaução.

Considerando a crescente exposição e utilização da internet por parte dos adolescentes

e dada a sua condição de vulnerabilidade e consequente risco de desenvolverem dependência

à internet, é importante que este tema continue a ser estudado para esta população alvo,

(41)

Na nossa opinião, é ainda importante desenvolver estudos em que seja estudada a

adição especificamente às redes sociais, uma vez que as redes socias fazem parte do dia-a-dia

dos adolescentes.

Tendo em consideração os resultados do nosso estudo, recomendamos que sejam

elaborados programas de prevenção sobre a utilização da internet de forma segura e saudável,

(42)

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