Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Relatório de Atividade Profissional
Mestrado em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e
Secundário (CRUP)
Autor:
Ricardo Jorge Ferreira Diniz
Orientadores:
Professor Doutor Rui Manuel Neto e Matos
Professor Doutor Francisco José Félix Saavedra
Relatório Profissional com vista à obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, cumprindo o estipulado no ponto 5 do artigo 10.º do Regulamento CRUP da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, sob a orientação dos Professores Doutores Rui Manuel Neto e Matos e Francisco José Félix Saavedra.
ÍNDICE Lista de Abreviaturas ... iv Lista de Anexos ... v Lista de Tabelas ... vi Resumo ... vii Abstract ... ix Agradecimentos ... xi Introdução ... 1
1. Contextualização do Espaço de Intervenção ... 3
1.1. Localização Geográfica ... 3
1.2. Apresentação da Escola ... 3
2.2.1. Caracterização dos Recursos Materiais ... 5
2.2.2. O Projeto Educativo ... 6
2.2.3. O Projeto de Referência – Desporto Escolar ... 10
2. Domínio A – Competências Para Lecionar ... 13
3. Domínio B - Competências Profissionais e de Conduta ... 23
4. Domínio C - Competências Sociais e de Relacionamento ... 31
5. Domínio D - Competências de Gestão ... 33
5.1. Critérios Específicos da Disciplina de Educação Física ... 34 5.1.1. Ensino Básico ... 34 5.1.2. Ensino Secundário ... 35 5.1.3. Ensino Profissional ... 35 5.2. Critérios Específicos de Classificação ... 36 5.3. Análise SWOT ... 43 Reflexão Final ... 46 Bibliografia ... 50 Anexos ... 53
LISTA DE ABREVIATURAS
ADD – Avaliação de Desempenho Docente CA – Contrato de Associação
CCT – Contrato Coletivo de Trabalho CEF – Curso de Educação e Formação EFA – Educação e Formação de Adultos EPC – Ensino Particular e Cooperativo FB – Feedback
FISEC – Fédération Internationale Sportive de L’Enseignement Catholique Gr – Grupo
IDJV – Instituto D. João V
PAA – Plano Anual de Atividades
QUOOP – Quadro de Objetivos Operacionais RBE – Rede de Bibliotecas Escolares
LISTA DE ANEXOS
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Eixos de Atuação – Projeto Educativo
Tabela 2 – Critérios Específicos de Avaliação no Ensino Básico Tabela 3 – Critérios Específicos de Avaliação no Ensino Secundário Tabela 4 – Critérios Específicos de Avaliação no Ensino Profissional Tabela 5 – Critérios Específicos de Classificação
Tabela 6 – Análise SWOT
RESUMO
O presente relatório evidencia a minha experiência enquanto docente ao longo de 18 anos na área da Educação Física adquirida numa Escola do Ensino Particular e Cooperativo (EPC) com Contrato de Associação (CA) com o Estado Português. Destaco os anos letivos compreendidos entre 2008 e 2014 por terem sido, inequivocamente, os mais desafiantes e enriquecedores da minha vida profissional.
A análise do trabalho desenvolvido tem como base os 4 Domínios de Avaliação estabelecidos pelo Contrato Coletivo de Trabalho (CCT) para o EPC, designadamente: Domínio A – Competências para Lecionar, onde faço uma descrição e análise das atividades e metodologias usadas nas aulas; Domínio B – Competências Profissionais e de Conduta, em que faço uma descrição dos projetos/atividades desenvolvidos; Domínio C – Competências Sociais e de Relacionamento, em que incluo o meu trabalho desenvolvido enquanto membro da Direção de Escola e Diretor de Escola, bem como a minha partilha de conhecimentos e cooperação com outros docentes e Domínio D – Competências de Gestão em que faço alusão à minha atividade enquanto Membro da Direção de Escola, Diretor de Escola, Coordenador de Departamento, Delegado de Grupo Disciplinar de Educação Física e Representante da Comissão de Avaliação do IDJV.
Pretendo evidenciar o trabalho desenvolvido, as minhas ansiedades, dificuldades, experiências e de alguma forma também, as minhas conquistas pessoais. Tenho consciência que sempre dei o máximo de mim para cumprir com rigor e competência as tarefas que me foram confiadas. Nas dificuldades procurei junto dos colegas a ajuda necessária para as superar fazendo o inverso, igualmente, sempre que solicitado. O sucesso da nossa intervenção está na partilha dos nossos conhecimentos, experiências e sensibilidades, crescendo como docentes em conjunto. Continuo na minha prática letiva a adotar uma atitude autorreflexiva e autocrítica que me levam a procurar incessantemente a resposta às minhas dúvidas/dificuldades.
Sou hoje mais “professor” do que era quando iniciei a minha atividade profissional, orgulhando-me da formação de base que me foi ministrada por docentes extremamente competentes, dedicados e focados na atividade docente, que me
proporcionaram a adoção das “ferramentas” essenciais e fundamentais para responder com êxito às exigências que a nossa profissão requer.
Palavras-chave: Educação Física, Ensino-Aprendizagem, Desenvolvimento Profissional, Direção de Escola, Avaliação de Desempenho Docente, Coordenação de Departamento, Delegado de Grupo.
ABSTRACT
This report aims to show my personal experience as a Physical Education Teacher. It covers a period of 18 years work in a Private and Cooperative Teaching Establishment, which has an Association Contract with the Portuguese State. I emphasize the school years between 2008 and 2014, as these were undoubtedly the most challenging and enriching of my professional life.
The analysis of the developed work here presented is based on the 4 Evaluation Domains established for the Private and Cooperative Teaching Establishments in the Collective Work Contract, namely Domain A – Teaching Competences, where I present a description and analysis of the activities and methodologies used in my classes; Domain B – Professional and Behavioral Competences, where I present a description of the developed projects/activities; Domain C – Social and Relationship Competences, where I include the work I developed as Member of the School Direction and as a School Director, as well as the evidences of knowledge sharing and work cooperation with the other teachers; Domain D – Management Competences, where I explore my performance as Member of the School Direction, School Director, Department Coordinator, Physical Education Teachers Coordinator and Delegate of the School’s Evaluation Committee.
In this presentation of the work done, I will also include my worries, anxieties and difficulties as experiences that are still undoubtedly part of a path that includes my professional and personal achievements. I am fully aware that I did my utmost, in order to rigorously and competently perform and fulfil all the tasks and functions entrusted to me. Every time I needed, I asked for the knowledge, advice and support of my professional colleagues and the same help was offered to them in return. I truly believe that our success and the success of our decisions and acts lays in our capacity of sharing what we have learned from our experience and sensitiveness. It’s also my conviction that growing as a teacher is a process where you always discover yourself as a member of a larger group of professionals.
In my daily practice as a teacher I try to maintain an attitude of constant self-criticism and thinking. This helps me to also constantly search for answers to my doubts and difficulties.
I do feel that being a teacher expresses more accurately what I am now than when I look back to my professional starting point. I am very proud of my basic training, which was conducted by extremely competent, dedicated and learning/teaching-focused mentors. They provided me the opportunity to adopt the most essential and fundamental tools, so that I could best possibly and successfully meet the demands of my professional career.
Keywords: Physical Education, Learning-Teaching Process, Professional Development, School Direction, Teaching Performance Evaluation, Department Coordinator, Physical Education Teachers Coordinator.
AGRADECIMENTOS
Ao Professor Doutor Rui Matos pela disponibilidade demonstrada desde o primeiro momento em que o convidei a ser o meu mentor. Sem hesitações, apesar dos seus inúmeros afazeres profissionais, gentilmente, orientou-me e conduziu-me ao longo deste processo.
Ao Professor Doutor Francisco Saavedra pela amabilidade que me dedicou na elaboração do meu Projeto e na sua predisposição em orientar o meu trabalho.
À minha família pelo incentivo constante e compreensão por todos os momentos em que ficaram privados do meu convívio.
A todos os meus colegas de Grupo que ao longo da minha carreira privaram comigo e que partilharam as suas experiências. Foram, inequivocamente, impulsionadores da minha vontade de ir mais além contribuindo para que fosse, ano após ano, cada vez melhor profissional.
INTRODUÇÃO
O presente documento constitui o Relatório de Atividade Profissional, respeitante ao período de 2008-2009 a 2013-2014, desenvolvido no âmbito do Mestrado em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). A opção pelo foco nestes 6 anos letivos deve-se ao facto de terem sido os mais enriquecedores enquanto docente. Desempenhei os cargos de Delegado de Grupo Disciplinar de Educação Física; Coordenador do Departamento de Artes e Expressões; membro da Direção Pedagógica tendo sido Diretor de Escola durante 2 anos e fui representante da Comissão de Avaliação de Desempenho Docente (ADD).
O relatório pretende expor de forma clara e inequívoca o meu desempenho enquanto docente numa escola do Ensino Particular e Cooperativo, adiante designada EPC, com Contrato de Associação com o Ministério de Educação e Ciência, de acordo com os domínios de avaliação constantes no Contrato Coletivo de Trabalho que rege as relações laborais entre trabalhadores e entidade patronal.
Historicamente as escolas do EPC, com ensino contratualizado, surgiram com a publicação da Lei de Bases do Ensino Particular e Educativo – Lei n.º 9/1979, de 19 de março e com o Decreto-Lei n.º 553/1980, de 21 de novembro, Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo, que regulavam a criação/implementação e modelo de financiamento de escolas com apoio do estado em zonas/locais onde não havia oferta de escola pública com a possibilidade de liberdade de escolha pelas famílias.
A criação de escolas do EPC veio proporcionar a igualdade de oportunidades às crianças que geograficamente habitavam longe de localidades com oferta de Ensino Público. A implementação de escolas com esta tipologia (EPC) veio permitir o acesso gratuito à escolaridade obrigatória que então era até ao 6.º ano de escolaridade. Uma vez que a maioria das escolas criadas por esta altura lecionavam apenas até ao 3.º ciclo do ensino básico, verificou-se na altura um aumento na escolarização da população escolar que, por via de oferta de ensino, se mantinha na escola pelo menos até à conclusão do 9.º ano de escolaridade.
Posteriormente foi alargada a possibilidade destas escolas virem a tornar-se autónomas por via da publicação do Decreto-Lei n.º 75/2008, de 22 de abril. (...) o
regime de autonomia, administração e gestão dos estabelecimentos públicos da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário aprovado pelo Decreto-Lei n.º 75/2008, de 22 de abril, na redação dada pelo Decreto- -Lei n.º 137/2012, de 2 de julho, consolidou esta linha de orientação e, a par do projeto educativo, do regulamento interno, do plano anual e plurianual de atividade e do orçamento, passou também a considerar o contrato de autonomia como mais um dos instrumentos de autonomia, considerando-o por via dos compromissos celebrados o instrumento por excelência de aprofundamento da autonomia das escolas.
O Decreto-Lei n.º 138-C/2010, de 28 de dezembro, altera o modelo de financiamento do EPC, aperfeiçoado pelo Decreto-Lei n.º 152/2013, de 4 de novembro e atualmente em vigor.
Com a evolução das alterações introduzidas pelos sucessivos Governos Constitucionais as escolas tiveram a necessidade de se adaptar face às novas realidades e adequar o seu modelo de funcionamento. Desta forma o Instituto D. João V, escola do EPC com Contrato de Associação e autonomia de funcionamento para os ensinos básico e secundário, não fugiu à regra procedendo a diversas alterações que, numa primeira fase, passaram pela redução do seu corpo docente.
A crescente diminuição da taxa de natalidade e aumento da emigração têm vindo a por em causa a sustentabilidade destes projetos prevendo-se tempos muito difíceis para a “sobrevivência” destas instituições.
O investimento feito na instituição representou sempre uma mais-valia para toda a comunidade educativa. Dotada de infraestruturas de excelência, a escola, proporciona e desenvolve atividades que enriquecem as aprendizagens dos seus alunos e as competências dos seus docentes, conforme consta do seu Plano Anual de Atividades (PAA).
Considero-me um privilegiado em, após a minha formação inicial, ter ingressado no corpo docente desta instituição que tem tido um contributo inegável e prestimoso na formação das crianças que procuram no Instituto D. João V como o garante da sua formação que lhes permita abrir as portas do ensino superior, no caso dos alunos que pretendem prosseguir os seus estudos, e do mercado de trabalho, no caso dos alunos que terminam o seu percurso formativo no ensino profissional.
1. CONTEXTUALIZAÇÃO DO ESPAÇO DE INTERVENÇÃO
1.1. LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA
A escola localiza-se na freguesia do Louriçal. Esta constitui um daqueles casos invulgares em que o peso histórico foi, habilmente, sustentado pelo progresso e desenvolvimento. É uma das 13 freguesias que integram o concelho de Pombal e localiza-se na região Oeste do mesmo, a noroeste do distrito de Leiria. A Escola não serve apenas a população do Louriçal, mas abrange todo o concelho. A sua localização geográfica situada numa posição central entre as cidades de Pombal, Leiria, Figueira da Foz e Coimbra, bem como a proximidade de eixos viários importantes – Autoestrada do Norte (A1), Autoestrada do Oeste (A8/A17), Via Rápida de ligação entre a A1 e a A17 (IC8), E.N. 109 (Figueira da Foz – Leiria), E.N. 237 (Pombal – Marinha das Ondas) e E.N. 342 (Carriço – Condeixa) potencia a fixação de agentes económicos importantes para o desenvolvimento desta freguesia, criando postos de trabalho e fixando as populações. Destaque ainda para a proximidade com o importante eixo ferroviário – Linha Férrea do Oeste.
1.2. APRESENTAÇÃO DA ESCOLA
O Instituto D. João V é um estabelecimento de Ensino Particular e Cooperativo. Iniciou a sua atividade no ano letivo 1987/1988, pertencendo à rede nacional de ensino, com autorização definitiva de funcionamento n.º 166. Está dotado de autonomia pedagógica e mantém com o Estado Português um Contrato de Associação, o qual implica a gratuitidade do ensino nele ministrado, em função da caracterização da comunidade.
Aplica-se à sua Administração e Gestão o Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo (Decreto-Lei n.º 152/2013, de 4 de novembro) e, em geral, a legislação nacional, nomeadamente a Lei de Bases do Sistema Educativo.
Ao longo dos seus mais de vinte e cinco anos de existência, tem desenvolvido a sua atividade com a missão de formar cidadãos com elevado sentido de responsabilidade e cidadania, capazes de responder aos grandes desafios da sociedade atual, e principalmente, de dar resposta às suas necessidades profissionais e sociais, tornando-os membros de uma sociedade global perfeitamente integrados.
Como escola que procura continuamente a melhoria no desempenho das suas atividades, tem desenvolvido métodos e processos inovadores que conduzam à excelência, desenvolvidos a partir do envolvimento de um corpo docente de elevada qualificação e competência técnica, suportado por um conjunto de infraestruturas adequadas às necessidades atuais (salas temáticas, laboratórios de informática e ciências experimentais, pavilhão gimnodesportivo, piscina semiolímpica, centro de recursos e biblioteca integrada na Rede de Bibliotecas Escolares - RBE).
O clima de escola é favorecido pela estabilidade do corpo docente, que conduz à vivência de um conjunto de valores, atitudes, princípios e práticas que traduzem a cultura de escola. O clima de amizade e boa disposição, o respeito pela dimensão humana de todos os elementos da comunidade educativa, a abertura, a participação voluntária, a partilha e entreajuda, o convívio saudável, o sentimento de pertença a um grupo ativo e inovador são algumas das características que a identificam enquanto organização.
O Instituto, ao longo da sua existência, tem pautado a sua conduta pedagógica pela constante atualização da oferta educativa em função das expectativas dos alunos e das necessidades sentidas pelas empresas locais, tendo sempre em consideração as áreas consideradas estratégicas para o país. Tem como estratégia uma atuação conjunta e articulada aos níveis da formação profissional, no sentido de colaborar na constituição de uma matriz de intervenção operacional que motive, em primeira mão, o desenvolvimento económico, social e cultural da região.
A escola representa, assim, um importante elo de ligação entre os jovens e o tecido empresarial da região, facultando-lhes o contacto com o primeiro emprego (Formação em Contexto de Trabalho) contribuindo para a qualificação profissional e desenvolvimento da região em que se insere.
É de louvar a adesão inequívoca com que as entidades, públicas e privadas, têm recebido as propostas de parcerias para a formação em contexto de trabalho. A
experiência dos formandos em contexto de trabalho, tem sido altamente gratificante, para alunos, escola e empresas. Em alguns casos, verificou-se mesmo a contratação dos formandos por parte das empresas acolhedoras.
O concelho onde se insere, é um concelho com um grande desenvolvimento económico e industrial, com grande expressão ao nível das Tecnologias da Informação e Comunicação, pelo que necessita de um desenvolvimento de formação e qualificação profissionais nestas áreas.
É, por isso, necessário incentivar o desenvolvimento do emprego e de formação numa ótica global, ampliar gradualmente a qualificação inicial dos jovens e a especialização tecnológica, potenciar a inserção na vida ativa, aumentar o número e a qualidade dos quadros intermédios, melhorar a qualidade e o nível do emprego através da formação profissional.
2.2.1. CARACTERIZAÇÃO DOS RECURSOS MATERIAIS
A estrutura física da escola é constituída por cinco blocos distintos, designados pelas letras A, B, C, D e E. O bloco principal (A) é destinado à Direção de Escola, Sala de Professores, Serviços Administrativos, Bar de apoio e uma Biblioteca, dinâmica e com um acervo rico e atualizado que abrange todas as áreas do saber.
Os blocos B, C e D destinam-se a Atividades Letivas. No Bloco E, encontram-se salas de aula e os laboratórios de Física, Química e Biologia, que dão uma resposta eficaz ao caráter experimental das disciplinas e proporcionam o desenvolvimento do espírito científico, em virtude do equipamento disponível para o desenvolvimento da atividade experimental. Ainda no bloco E, no rés-do-chão funciona uma ampla cantina, um auditório com capacidade para 150 pessoas que permite a dinamização de eventos de natureza mais diversa e específica (projeções, palestras, debates, reuniões gerais de pessoal docente e não docente, reuniões com alunos, etc.). Adjacente ao bloco supramencionado temos a ligação ao Pavilhão Gimnodesportivo e Piscina servidos por um bar de apoio que é ao mesmo tempo um local de convívio, principalmente, entre os alunos. Este bar serve de apoio ainda, ao Terminal Rodoviário que se encontra localizado a Nascente.
Todas as salas de aula estão equipadas com projetores e outros recursos multimédia, como quadros interativos, e rede wireless que permite o acesso à internet em todos os espaços escolares.
2.2.2. O PROJETO EDUCATIVO
Os objetivos do Projeto Educativo do Instituto D. João V são definidos tendo por base a concretização dos princípios que o regem segundo 5 eixos de atuação:1
Ø Eixo 1 – Aprendizagens: potenciar os resultados académicos, evidenciados no sucesso e realização pessoal dos alunos; aumentar a qualificação da comunidade escolar.
Ø Eixo 2 – Educação e Cidadania: aumentar a autonomia, a autoconfiança e espírito crítico dos alunos; melhorar os padrões de cidadania dos alunos.
Ø Eixo 3 – Educação Ambiental e Promoção para a Saúde: ampliar a consciencialização sobre as problemáticas ambientais; mudar atitudes para promover o desenvolvimento sustentável; sensibilizar para as consequências negativas dos comportamentos sexuais de risco, tais como a gravidez não desejada e as doenças sexualmente transmissíveis. Ø Eixo 4 – Ligação ao Meio/Comunidade: assegurar o compromisso dos
encarregados de educação no processo de ensino/aprendizagem; estabelecer parcerias locais, nacionais e internacionais.
Ø Eixo 5 – Qualidade e Inovação Pedagógica: fomentar uma visão positiva em relação ao futuro; incutir, fomentar, incentivar e apoiar atitudes empreendedoras.
Para cada um dos eixos prioritários de intervenção foram definidos objetivos e estratégias para cada um, de acordo com a tabela abaixo:
Tabela 1 – Eixos de Atuação – Projeto Educativo de Escola EIXO 1 - APRENDIZAGENS
Objetivos
Ø Promover o sucesso escolar e educativo.
Ø Promover práticas de ensino/aprendizagem que conduzam a uma educação de excelência, que contribua para a redução das assimetrias regionais e forme cidadãos com sentido crítico, aptos para os grandes desafios da emergente sociedade do conhecimento.
Ø Promover o desenvolvimento de competências facilitadoras da autonomia e autoaprendizagem.
Ø Desenvolver o gosto pelas ciências experimentais.
Ø Promover um ensino/aprendizagem conducente ao sucesso escolar e pessoal. Ø Promover o trabalho de grupo e práticas educativas centradas no aluno.
Ø Desenvolver a capacidade de observação, curiosidade científica, iniciativa, hábitos de trabalho individual e em grupo, conducentes a uma boa aquisição de saberes e à realização académica.
Ø Oferecer novas oportunidades de estudo para jovens e para adultos. Ø Apoiar o acesso livre e a utilização autónoma da Biblioteca.
Ø Incentivar a leitura.
Ø Apoiar o trabalho e o desenvolvimento do currículo com recurso à Biblioteca Escolar. Estratégias
Ø Elaboração de um plano de ação para a Matemática. Ø Elaboração de um plano de ação para o Português.
Ø Criação de horários para a preparação dos alunos para exames e para a orientação vocacional.
Ø Continuação da avaliação aferida interna e avaliação final.
Ø Deteção e aplicação de medidas de prevenção do abandono e de encaminhamento de alunos para projetos escolares/profissionais alternativos.
Ø Reforço dos mecanismos de autoavaliação e de aferição entre escolas do grupo GPS – educação e formação.
Ø Implementação de práticas diversificadas de apoio direto às disciplinas /turmas com maior insucesso.
Ø Desenvolvimento de práticas apoiadas na pedagogia diferenciada.
Ø Orientação do Apoio ao Estudo para o desenvolvimento de atividades no âmbito da Língua Portuguesa e Matemática.
Ø Elaboração de projetos de apoio pedagógico (sala de estudo e medidas compensatórias). Ø Recurso a espaços de partilha do saber – salas de estudo, salas de informática, centro de
recursos educativos / biblioteca.
Ø Criação de ofertas educativas e curriculares adequadas.
Ø Cooperação entre a Biblioteca Escolar na promoção de estratégias com vista a desenvolver o Plano Nacional de Leitura.
Ø Apoio da equipa da Biblioteca na sistematização de métodos de estudo e de trabalho autónomo.
Ø Promoção de atividades livres de leitura, pesquisa e estudo, em condições de acesso livre e permanente, apoiadas pela equipa da Biblioteca Escolar.
EIXO 2 – EDUCAÇÃO E CIDADANIA Objetivos
Ø Desenvolver a autonomia, a responsabilidade pessoal e social dos alunos independentemente das suas características individuais e das condições socioculturais, valorizando o saber, o saber fazer e o saber ser.
Ø Promover uma atitude interventiva e crítica face aos problemas atuais – globalização, ambiente, estilos de vida, interculturalidade, segurança, etc.
Ø Incentivar os alunos a participar ativamente na vida da escola.
Ø Desenvolver uma cultura de Educação para a Cidadania capaz de proporcionar a aquisição de atitudes autónomas que levem à formação de cidadãos com sentido de responsabilidade, civicamente responsáveis e democraticamente intervenientes na vida comunitária.
Ø Consciencializar para o conhecimento e o apreço e respeito pelos valores característicos da identidade portuguesa – língua, história, cultura e património – estimulando o interesse pela resolução dos problemas regionais, nacionais e da comunidade internacional, numa perspetiva de humanismo universalista, de solidariedade e cooperação.
Ø Consciencializar para a necessidade de uma cidadania europeia. Estratégias
Ø Realização de projetos e atividades disciplinares e interdisciplinares.
Ø Divulgação das iniciativas através da página de internet da Escola, Blog e Facebook. Ø Sensibilização os alunos através do Diretor de Turma, Associação de Estudantes e
Associação de Pais.
Ø Valorização da participação dos alunos nos Órgãos de Gestão (Assembleia de Escola / Assembleia Geral e Conselho Pedagógico) e outras estruturas educativas.
Ø Apoio à dinamização da Associação de Estudantes. Ø Publicitação de resultados.
EIXO 3 – EDUCAÇÃO AMBIENTAL / PROMOÇÃO PARA A SAÚDE Objetivos
Ø Desenvolver / promover a educação para a saúde, para a defesa do ambiente e para a preservação do património natural.
Ø Promover a consciência ambiental, com enfoque no desenvolvimento sustentável. Ø Promover práticas de educação para a saúde.
Ø Valorizar a promoção da saúde sexual e da sexualidade humana, a igualdade de direitos e oportunidades entre os sexos e o respeito pelas diferenças.
Estratégias
Ø Envolvimento da população escolar em campanhas de educação para a saúde e preservação do ambiente.
Ø Candidatura ao Projeto Eco-Escolas e Jovens Repórteres Para o Ambiente. Ø Reforço dos protocolos celebrados com o Centro de Saúde de Pombal. EIXO 4 – LIGAÇÃO AO MEIO / COMUNIDADE ESCOLAR
Objetivos
Ø Fortalecer a dinâmica da escola na implementação de projetos de âmbito local, nacional e internacional.
Ø Motivar e envolver os pais e encarregados de educação na vida da escola, valorizando a sua responsabilidade no acompanhamento da vida escolar dos seus filhos / educandos. Estratégias
Ø Reforço das parcerias existentes e criação de outras consideradas importantes. Ø Organização de atividades e parcerias interescolas.
Ø Concretização de projetos e intercâmbios internacionais. Ø Incremento da parceria da Rede de Bibliotecas Escolares.
Ø Publicitação dos resultados dos projetos desenvolvidos através da página da Escola, imprensa e outros.
Ø Estabelecer e reforçar protocolos com instituições e empresas locais.
Ø Reforçar os laços de parceria com instituições da área da saúde, da prevenção e da segurança.
Ø Reforço do Gabinete de Apoio ao Aluno e ao Encarregado de Educação (GAAEE). Ø Continuidade da Escola de Pais.
EIXO 5 – QUALIDADE E INOVAÇÃO PEDAGÓGICA Objetivos
Ø Desenvolver o espírito de iniciativa, persistência e busca de informação utilizando as tecnologias de informação e comunicação no processo ensino/aprendizagem.
Ø Desenvolver práticas pedagógicas e organizacionais que contribuam para a melhoria da qualidade educativa.
Ø Desenvolver o ensino experimental, laboratorial, prático e oficinal.
Ø Melhorar a capacidade de expressão, perda de inibição e do medo de se expor em público, acompanhadas de mudanças na apresentação pessoal.
Estratégias
Ø Promover a utilização das tecnologias de informação e comunicação nas atividades letivas. Ø Identificar oportunidades de negocio na região.
Ø Apresentar candidaturas a projetos/programas.
Ø Preparar os alunos para a sua inserção e integração na vida ativa.
Ø Utilizar a plataforma Moodle como meio facilitador de aprendizagem e de circulação da informação.
Ø Valorização do trabalho experimental através do desenvolvimento de vários projetos no âmbito do programa Ciência Viva.
Ø Concretização de projetos e intercâmbios internacionais. Ø Criar e estimular nos alunos capacidades empreendedoras. Ø Motivar os alunos para o trabalho em equipa.
Todo o trabalho dos Departamentos Curriculares é orientado para a consecução do Projeto Educativo mantendo a identidade de cada disciplina que constitui os diferentes Departamentos.
Relativamente às condições para lecionação da disciplina de Educação Física, o Instituto D. João V destaca-se pela excelência das instalações. Dotado de pavilhão gimnodesportivo, sala de judo, piscina semiolímpica e diversos espaços exteriores
para a prática da atividade física, proporciona as melhores condições aos seus alunos no desenvolvimento das suas competências físico-desportivas. O material disponível é diverso e suficiente para o desenrolar das aulas.
De referir que o Instituto D. João V foi, no início do século, uma referência no Desporto Escolar pelos resultados obtidos em diversas modalidades, destacando-se neste particular o Futsal, o Basquetebol, o Atletismo e a Natação. Diversos títulos distritais, regionais e nacionais, colocaram esta instituição no topo das escolas mais tituladas. A atividade interna era também uma das grandes apostas fomentando torneios interturmas em diversas modalidades desportivas coletivas e competições individuais, principalmente no atletismo, com a realização do Corta-Mato de escola, Mega Sprint, Mega Km, Mega Salto (Salto em Comprimento), Salto em Altura e competições/torneios de Judo. Em resumo, julgo que a dinâmica em torno das atividades desportivas e o reconhecimento da qualidade do serviço prestado, contribuiu decisivamente para o crescimento da instituição levando a que cada vez mais alunos procurassem inscrever-se para fazer o seu percurso académico.
Após 2010, e com a publicação da Portaria n.º 1024-A/2010, de 29 de dezembro, alterada pela Portaria n.º 277/2011, de 13 de outubro, que regulamenta as regras a que obedece o financiamento público dos estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo com Contrato de Associação, e face à redução no montante financiado, a Administração do Grupo ao qual pertence o Instituto D. João V, decidiu extinguir o desenvolvimento das atividades inerentes ao Desporto Escolar. Dessa decisão resultou a extinção dos grupos/equipa que estavam integrados nos quadros competitivos definidos pelo Gabinete Coordenador do Desporto Escolar da Direção Geral de Estabelecimentos Escolares do Centro.
2.2.3. O PROJETO DE REFERÊNCIA – DESPORTO ESCOLAR
O IDJV desde sempre se destacou pela sua forte aposta no desporto. Tendo como suporte o Futsal (seniores masculinos) que até à data da sua extinção era o Clube com mais participações no Campeonato Nacional da 1.ª Divisão, a par do
Sporting Clube de Portugal e o Basquetebol no escalão de seniores femininos a disputar o Campeonato Nacional da 1.ª Divisão, o Desporto Escolar assumiu a preponderância de se tornar uma imagem de referência da instituição. Quer pelo número de praticantes envolvidos quer pelos resultados alcançados neste particular.
Ao nível federado destaca-se, entre outros títulos distritais e regionais, a conquista da Taça de Portugal e Supertaça na época 1998/1999 em Futsal e o Título de Campeão Nacional da 1.ª Divisão em Basquetebol na época 2005/2006. Ao nível escolar destacam-se os Títulos Nacionais de Iniciados Femininos (1998/1999), Juvenis Femininos (2000/2001 e 2002/2003) na modalidade de Basquetebol e os títulos de Juvenis Femininos (1998/1999) e Juvenis Masculinos (2010/2011) na modalidade de Futsal. A juntar a estas conquistas contabilizam-se se um sem número de títulos distritais e regionais nas modalidades acima mencionadas e no Xadrez, Natação e Natação adaptada, Ténis de Mesa e Judo adaptado.
A procura do IDJV por parte das famílias assentava na procura de um projeto de formação integral e completo assente no pilar desportivo. Inúmeros alunos procuravam a nossa instituição para, por exemplo, aprenderem a jogar Futsal. Enquanto docente de Educação Física e treinador de equipas federadas e escolares este facto deixava-me orgulhoso e de alguma forma, com o sentimento de realização profissional.
Pessoalmente estive diretamente envolvido nos principais feitos do IDJV enquanto treinador adjunto nomeadamente na conquista da Taça de Portugal e Supertaça no Futsal.
No Desporto Escolar estive ligado às vitórias no Campeonato Distrital de Infantis Femininos (1998/1999), na modalidade de Basquetebol; Iniciados Masculinos (2003/2004) e Juvenis Masculinos em (2007/2008), Campeão Regional e Vice-campeão Nacional de Iniciados Masculinos (2003/2004) na modalidade de Futsal.
Ainda no âmbito do Desporto Escolar há a destacar quatro participações nos Jogos da Fédération Internationale Sportive de L’Enseignement Catholique (FISEC):
• Basquetebol – Juvenis Femininos (2001 e 2003) na Hungria e Espanha repetivamente;
• Natação - Juvenis Femininos (2011) em Portugal com a presença da aluna Cristiana Lima.
A extinção do Desporto Escolar do IDJV após um ano de grandes conquistas (2010/2011) – Campeões Nacionais de Futsal, na modalidade de Futsal e Campeões Nacionais de Natação (individual) veio acentuar a tendência de perda de alunos. O IDJV deixou de “oferecer” aquela imagem de marca que o caracterizava.
2. DOMÍNIO A – COMPETÊNCIAS PARA LECIONAR
Segundo Anton Tchékhov, “O conhecimento não serve de nada, a não ser que se ponha em prática”. Nesse sentido, o professor, enquanto informador e comunicador de conteúdos e esquemas operatórios, tem de ter um domínio pleno, ajustado e atualizado dos conhecimentos que transmite, porque só assim conseguirá desempenhar outro dos seus papéis fundamentais, enquanto organizador/facilitador de situações de aprendizagem.
Devido à sua natureza prática e de enfoque centrado no corpo humano e no movimento por ele gerado, e tendo por base os conteúdos decorrentes das diferentes modalidades desportivas, coletivas e individuais, a pedagogia de ensino da Educação Física assenta necessariamente em pressupostos e princípios metodológicos distintos de qualquer outra disciplina. Desta feita, enquanto docente desta, que visa o desenvolvimento integral do aluno nos seus diferentes domínios: motor, afetivo, social e cognitivo, terei que ser detentor e conhecedor de um vasto leque de Competências Técnicas de Ensino. É com base nestas competências que construo diariamente as minhas intervenções pedagógicas, preocupando-me com os diferentes aspetos organizativos da aula, com os distintos momentos de informação (inicial e final), com os momentos de instrução e transmissão dos conteúdos a trabalhar, com o meu posicionamento e deslocamento, procurando controlar visualmente os alunos na sua totalidade, com os momentos de transição entre tarefas e com a emissão de Feedbacks variados e pertinentes e o fecho dos respetivos ciclos. O Feedback (FB) é um “instrumento” importantíssimo ao dispor do professor, quando bem utilizado pois, através do mesmo, existe a possibilidade de influenciar o desempenho do aluno confrontando-o com o modelo ideal de execução. Para tal, é fundamental saber diagnosticar os erros, determinar a sua relevância, e identificar as suas causas, de modo a poder corrigi-los adequadamente.
Sendo o papel do professor de extrema importância na transmissão de conhecimentos, torna-se fundamental que este detenha as competências, métodos e ferramentas adequadas enquanto agente de comunicação, possuindo capacidade para se exprimir de modo claro e conciso perante os seus alunos, na estruturação da sua aula e dos exercícios. Neste sentido, a instrução torna-se fundamental no processo ensino-aprendizagem. No sentido de reduzir os tempos de transição e
aumentar o tempo de empenhamento motor é fundamental que a comunicação seja curta, concreta e incisiva, deixando de parte os pormenores que não são significativos para o desenvolvimento da(s) tarefa(s). Compete ao professor definir, e a experiência profissional que detenho deu-me essa capacidade, claramente a informação que é significativa e pretende passar aos seus alunos. Partindo deste pressuposto tal gestão eficaz dos tempos de aula, só é possível quando a aula está devidamente planificada, prevendo todos os tempos de transição, e quando existem regras definidas conhecidas por todos. Neste particular tenho a preocupação de, na primeira aula do ano letivo, definir claramente as regras das aulas de Educação Física. Desde a utilização dos balneários, passando pela definição do tempo necessário para trocar de roupa, a colocação dos objetos de valor dentro do saco criado para o efeito (bem como a indicação dos responsáveis pelo levantamento dos mesmos e distribuição do seu conteúdo no final das aulas), clarificando a razão pela qual os alunos não podem praticar a atividade física na posse de relógios, anéis, fios, brincos, piercings, etc., pois colocam em causa a sua integridade física e de alguma forma também a dos restantes colegas. São definidos também os “códigos” para melhorar a eficácia da aula em termos da gestão do tempo. Por exemplo: ao som de um apito terminam a tarefa e permanecem no local; dois apitos reúnem-se em semicírculo em volta do professor; no caso de estarem a trabalhar em circuito o som de um apito indica, também, que devem mudar de estação. Tais regras permitiram-me, ao longo da minha atividade profissional, ir aprimorando o meu desempenho indo ao encontro dos princípios fundamentais: máximo de tempo de empenhamento motor e igualdade de oportunidades.
«Se decoro, esqueço. Se vejo, lembro. Se faço, aprendo.»2
Houve a preocupação de ensinar os meus alunos a manipular os diferentes materiais utilizados de forma conveniente e correta. A este propósito foi frequente ordenar a arrumação do material de forma faseada para que pudesse monitorizar a arrumação do mesmo procedendo, caso necessário, às respetivas correções. Todos os alunos são envolvidos nos processos de transporte, montagem, desmontagem e arrumação do material. No caso da ginástica, todos em simultâneo na arrumação de
cada uma das estações (quando verificável) e no sistema rotativo quando o material era meramente manipulativo.
A maior das preocupações ao longo dos anos, de difícil implementação, foi a tentativa de, nalguns casos amplamente conseguida, sensibilizar os meus alunos para a importância do duche após as aulas. A este respeito confesso que ainda não consegui “arranjar” uma estratégia/argumento que permita consciencializar os alunos para a importância da sua própria higiene pessoal. Aconteceu inclusivamente um episódio com uma turma do 6.º ano quando me encontrava a lecionar a Unidade Didática de Ginástica. Iniciamos a aula com a indicação dos objetivos seguindo-se o período de mobilização física geral e específico. Como as estações estavam previamente montadas rapidamente constituí os grupos de trabalho e distribui pelas diferentes estações. Na estação onde se estava a executar o apoio facial invertido de dois apoios seguido de rolamento à frente, mantive-me para proceder às ajudas dadas as dificuldades “tradicionais” que estes elementos encerram por si só. Após 10 ou 15 minutos do início da aula (90 min.) e tendo efetuado 2 ou 3 rotações, tive a necessidade de interromper a aula e mandar todos os alunos tomar banho. Havia no ar (pavilhão gimnodesportivo) um cheiro nauseabundo insuportável. Após o banho reuni todos os alunos e conversámos sobre o sucedido. Vim então a saber que alguns alunos deixavam o equipamento de educação física dentro de um saco no cacifo utilizando-o por tempo indefinido. Durante a conversa constatei que a maioria dos alunos apenas tomava banho ao domingo, não fazendo a sua higiene corporal diariamente. A partir destas informações recolhidas, e sempre com o máximo de sensibilidade e cuidado, fomos desconstruindo o “mito do banho” levando os alunos a compreender realmente os benefícios de manter uma higiene regular. Foi o ponto de viragem para a alteração de comportamentos da generalidade dos elementos desta turma. Os objetivos específicos não cumpridos para esta aula permitiu-me concretizar outras competências tangíveis pelo Programa Nacional de Educação Física. São estas vicissitudes que dão sentido à nossa intervenção pedagógica enquanto docentes.
Tal como referi anteriormente, e não menos importante que a instrução surge o conceito de Feedback (FB) que, podendo considerar-se como um complemento desta, procura modificar o comportamento e a prestação motora dos alunos através da observação e correção do professor implicando a constante comunicação verbal e
não verbal. FB pode ser utilizado de acordo com as suas diferentes dimensões: quanto ao seu Objetivo; quanto à sua Forma; quanto à sua Direção; quanto ao seu Conteúdo e quanto ao seu Valor. Na dimensão “Objetivo”, a reação à prestação do aluno é feita no sentido de modificar ou reforçar o comportamento do mesmo, sendo referido o que é necessário o aluno fazer para melhorar a sua execução. Nesta dimensão poderemos encontrar cinco categorias: Avaliativa, quando é realizado um juízo de caráter qualitativo ao desempenho do aluno, podendo este ter um cariz de aprovação (FB avaliativo positivo) ou de reprovação (FB avaliativo negativo); Descritivo, em que o professor relata a forma como o aluno realizou a tarefa, enumera os erros cometidos e refere as causas e/ou consequências destes; Prescritivo, é comunicado ao aluno o modo como deve realizar a próxima execução, indicando-lhe soluções, focando os aspetos a serem melhorados, e justificando os critérios e /ou os erros a não cometer; Interrogativo, refere-se ao questionamento do aluno em relação à sua própria prestação, com intuito deste refletir sobre os seus erros e sobre os meios para se autocorrigir; Afetivo, visa encorajar, incentivar e motivar o aluno.
Na sua dimensão “Forma”, a informação e/ou comunicação pode ser transmitida oralmente, FB Verbal; através de uma demonstração, FB Visual; pelo contacto ou manipulação corporal, FB Quinestésico; de forma oral acompanhada de uma demonstração, FB Audiovisual; ou através da manipulação corporal, acompanhada de uma intervenção verbal, FB Áudio-Táctil. Quanto à dimensão “Direção”, esta pode subdividir-se consoante o destinatário da informação. Pode ser FB Individual, quando a retroação é dirigida a um único aluno; FB de Grupo se for dirigida a dois ou mais alunos, mas não a toda a turma; ou FB Coletivo, quando dirigido a toda a turma. Relativamente à dimensão “Conteúdo”, o FB respeita a especificidade e a componente da atividade a que se refere a retroação do professor: FB Específico Global, se a retroação está relacionada com a matéria e os objetivos da Unidade de Ensino, não é particularizada qualquer fase da atividade tendo a apreciação um carácter geral; FB Específico Focado, quando a retroação está relacionada com a matéria de ensino, com os objetivos da Unidade de Ensino e, acima de tudo, com a parte da aula em que se encontra. São explicitadas fases da atividade motora do aluno a que se refere a sua apreciação; FB Não-Específico, em que a retroação não está relacionada com a matéria e nem com os objetivos da Unidade de Ensino (quando pretendemos, por exemplo, relembrar as regras gerais). Por fim, a dimensão “Valor”,
que faz referência ao grau de correção científica e técnica da informação fornecida e a sua adequação ao desempenho do aluno. FB Apropriado, quando a informação é correta e traduz uma avaliação ajustada da prestação do aluno; FB Incompleto, se a informação for incompleta e traduzir uma avaliação insuficiente da prestação do aluno; FB Inapropriado, quando a informação é incorreta ou não representa uma avaliação ajustada à prestação do aluno. Para além de me preocupar em utilizar o Feedback nas suas diferentes dimensões da forma mais variada, pertinente e adequada, nas minhas aulas procurei também utilizar nos momentos de informação e de instrução, um vocabulário adequado e ajustado ao nível etário dos meus alunos.
Mencionei acima um conjunto de regras e códigos que poderão indiciar o funcionamento das minhas aulas com um ambiente austero e “militarizado”. De facto, não corresponde de todo à característica de aulas que ministro. Apesar de todas as regras e códigos necessárias ao bom funcionamento das aulas procurei de forma efetiva e constante um relacionamento afável assente na confiança tornando as aulas descontraídas, mas participativas. Sempre exigi respeito por todos os intervenientes, nomeadamente entre os pares, mas permitindo a interação entre todos de forma descontraída e afável. O conjunto tem-se revelado eficaz e significativo no impacto das aprendizagens de acordo com o efeito esperado. Sinto-me profundamente grato a todos os alunos que tive o prazer de “orientar” até hoje, pelos ensinamentos diários que me proporcionaram permitindo o meu “crescimento” enquanto docente. O professor tem um papel fundamental na “formatação” da personalidade e mais especificamente, nas expetativas face à disciplina, principalmente nos escalões etários mais baixos. É gratificante terminar um ano letivo e verificar que os alunos não conseguem destacar uma modalidade desportiva, individual ou coletiva, de entre as que foram lecionadas. Revela que o trabalho de motivação para a prática da atividade física em geral, e das modalidades desportivas abordadas em particular, foi feito com sucesso.
Ao longo dos anos fui criando mecanismos desafiantes em função das condições materiais e estruturais existentes. Quando trabalhamos numa instituição com 11 professores de educação física, havendo em alguns períodos do dia 8 turmas a funcionar em simultâneo, exige-nos “criatividade” na planificação das Unidades Letivas para fazer face aos recursos existentes. No caso das modalidades desportivas coletivas torna-se mais difícil havendo poucos recursos disponíveis. Desta forma foi
necessário planificar cuidadosamente as aulas mantendo o foco no máximo tempo de empenhamento motor e minimização dos tempos mortos. Um aluno envolvido na atividade permanentemente tem menos propensão a ter comportamentos desviantes ou a ter quebras de concentração. O trabalho em grupos veio a demonstrar-se o mais eficaz na gestão da aula. A constituição de grupos heterogéneos foi uma preocupação premente com o intuito, principalmente, de potenciar as dificuldades dos alunos com menos disponibilidade motora. Por outro lado, tentei “responsabilizar” os alunos com mais “talento” em cada uma das modalidades desportivas pelo auxílio aos demais que por razões diversas apresentavam maiores dificuldades. Os alunos com essa predisposição eram elogiados perante o grupo/turma reforçando o papel que desempenhavam enquanto membros da confiança do professor para aquela determinada tarefa.
Sempre que possível tentei responsabilizar os alunos pelas decisões tomadas no decorrer das tarefas, quer em contexto do seu próprio desempenho, quer no respeito pelos seus pares e decisões tomadas pelos mesmos. É importante que não nos cinjamos apenas aos conteúdos programáticos desenvolvendo as melhores tarefas ou as mais significativas, mas preocuparmo-nos igualmente pelo fortalecimento das relações interpessoais. Fomentei o espírito crítico em respeito pela identidade de cada um fortalecendo e incentivando as tomadas de decisão.
Na realização de jogos desportivos coletivos, quer em situação formal ou adaptado, quer em situação de jogo reduzido e/ou condicionado procurei incentivar os alunos a arbitrar os respetivos jogos. Esta estratégia, quanto a mim, é fundamental pois atribuímos a responsabilidade da gestão do jogo aos pares envolvendo-os no desempenho de outras funções para as quais não estão habituados. Foi frequente ver as “discussões” entre árbitros e jogadores. Quando as mesmas extrapolavam o bom senso, ou seja, geravam faltas de respeito, os prevaricadores eram suspensos por tempo determinado por mim em função da gravidade. Foi uma estratégia importante que veio contribuir para a estabilização dos grupos /turma, uma vez que ao passarem todos pela situação de árbitro compreendem melhor a sua função e uma vez do outro lado têm tendência para ser mais respeitadores. Orgulho-me de ter conseguido o objetivo de, apesar das divergências, os meus alunos respeitarem-se mutuamente em qualquer ocasião. Socialmente julgo que sempre fui bem-sucedido utilizando a máxima que “nós não somos obrigados a ser amigos uns dos outros. Mas há uma
coisa que temos que fazer sempre. Respeitarmo-nos uns aos outros!”. Por diversas vezes fiz uso da “expressão” que rapidamente se interiorizou nos meus alunos.
Procurei nas minhas intervenções usar o melhor modelo possível. Quer exemplificando, quer usando um aluno/modelo por considerar que o mesmo reunia os requisitos de execução que permitissem uma ótima visualização. O recurso a esquemas e/ou fotos também foram utilizados com alguma frequência, nomeadamente dos elementos gímnicos por se tratarem de exercícios associados a uma modalidade desportiva individual que, por hábito, os alunos não veem nem conhecem.
«Sempre que se inicia um empreendimento complexo, tendo em vista alcançar determinadas metas, torna-se importante fazer uma previsão básica da ação a ser realizada, previsão essa que funcione como um fio condutor suscetível de orientar a ação.»3
Tal como determinado em Departamento/Grupo Disciplinar foram definidos 3 momentos de avaliação: Avaliação Diagnóstica; Avaliação Formativa e Avaliação Sumativa.
A Avaliação Diagnóstica resulta da necessidade de aferir as posições dos alunos face a novas aprendizagens, que lhes vão ser apresentadas, e a aprendizagens anteriores, que lhes servem de base. Permite-nos saber quais as possibilidades dos alunos e prevenir ou solucionar as dificuldades atuais ou futuras. Fornece informações ao professor e ao aluno, sobre os níveis iniciais de desempenho, estabelecendo um ponto de partida para a elaboração das unidades didáticas. Os dados recolhidos conduzem a tomadas de decisão através de uma adaptação do ensino às características e níveis dos alunos, como a adoção de estratégias de diferenciação pedagógica e a adequação ou reformulação do planeamento. Dadas as suas características este momento de avaliação surge no início do ano letivo.
No que respeita à Avaliação Formativa esta, tem como principais objetivos verificar se o aluno está a atingir os objetivos previstos sob forma de conceitos, habilidades e atitudes, identificando as suas dificuldades e recolher informações que
nos permitam ajustar a ação pedagógica otimizando o processo ensino-aprendizagem. Dadas as características deste tipo de avaliação assume um carácter continuo realizando-se em todas as aulas, principalmente através da observação. Importante destacar que todo o tipo de avaliação deve ser também formativo e que só com o envolvimento dos alunos poderemos concretizar esse objetivo.
Quanto ao terceiro momento de avaliação definido, Avaliação Sumativa, caracteriza-se como tendo uma função classificadora cujo objetivo é atribuir uma nota definitiva tendo por base os níveis de aproveitamento que foram anteriormente estabelecidos, ao sumariar o desempenho de um determinado aluno, num conjunto de objetivos de aprendizagem (Arends, 1985).
Este tipo de avaliação tem como principal objetivo aferir a progressão dos alunos e avaliar as suas aprendizagens atribuindo-lhes uma classificação quantitativa. Outro objetivo, igualmente importante, é possibilitar ao professor avaliar o seu próprio trabalho.
A este propósito destaco o facto ter sido coautor de uma ferramenta em folha de cálculo Excel que permitiu otimizar, por um lado o processo avaliativo dos alunos, e por outro uniformizar de forma mais clara os critérios de avaliação definidos entre todos os docentes do grupo disciplinar. A referida aplicação cruza todos os dados introduzidos referentes à assiduidade dos alunos, seu grau de envolvimento nas tarefas da aula, nível de participação e avaliação sumativa de cada uma das Unidades Didáticas, fornecendo em cada período letivo a classificação final do aluno de acordo com os critérios definidos. Esta ferramenta que, anualmente é aperfeiçoada, é reconhecida por todos os docentes de educação física como uma mais-valia no processo ensino-aprendizagem e que permite uma atualização regular do desempenho do aluno permitindo fornecer com frequência dados relativos à sua situação escolar. Considerando que a avaliação em educação física deve ser realizada com o máximo rigor através de um registo regular e sistematizado do que vai sendo observado para que as decisões sobre a classificação dos alunos sejam fundamentadas com a maior objetividade possível, elaborámos a ferramenta acima mencionada com o intuito de cumprir com esses mesmos requisitos. De facto, a utilização destas “grelhas” permitiu que passássemos a ter uma perceção mais consolidada de todo o processo avaliativo.
Os Programas Nacionais da disciplina definem a referência para o sucesso no final de cada ciclo de escolaridade. O Grupo de Educação Física da escola define a referência para o sucesso nos diferentes anos de escolaridade.
No que respeita à aptidão física foi adotado Protocolo de Avaliação da Condição Física FITNESSGRAM. Da bateria de testes constam o Teste de Força Média (abdominais); Testes de Flexibilidade (senta e alcança e extensão do tronco); teste de Resistência (vaivém) e a determinação do Índice de Massa Corporal mediante a pesagem e medição dos alunos. Estes testes são aplicados 2 vezes no ano letivo. A primeira no início do ano e a segunda no final do segundo período tendo por referência os valores da Zona Saudável de Aptidão Física e das tabelas de escola. Após o registo efetuado numa folha de cálculo elaborada para o efeito os resultados são todos compilados para uma única folha que nos fornece os dados relativos a todos os alunos da escola. Daí identificávamos os alunos que estavam fora da Zona Saudável de Aptidão Física e, em conjunto com uma equipa multidisciplinar de professores, eram definidas estratégias de atuação. Nos casos mais “graves” – excesso grave de peso ou défice grave de peso – esta equipa tinha a responsabilidade de contactar os encarregados de educação dos alunos e informá-los sobre os problemas associados à situação em causa. Após este procedimento a equipa de enfermeiros do Centro de Saúde de Pombal, com o qual foi estabelecida uma parceria, encaminhava os alunos de acordo com a patologia/problema.
Posso afirmar que tivemos alguns casos de sucesso na identificação e resolução, principalmente, em alunos com excesso grave de peso, ainda que fosse uma percentagem residual.
No caso específico das turmas do 2.º ciclo que lecionei tive a preocupação de dar alguma tolerância na execução do Teste de Força Média (abdominal) e Teste de Resistência (vaivém). No primeiro caso permitindo que os alunos saíssem da cadência 3 vezes e no segundo caso permitindo que os alunos pudessem pisar a linha de delimitação do percurso após o sinal por uma vez. Verifiquei também que os alunos do 5.º ano de escolaridade durante a execução do Teste de Resistência (vaivém) sentem imensas dificuldades na gestão do esforço que devem efetuar dado que não têm, ainda, a noção abstrata do tempo e do espaço. No entanto na segunda bateria de testes do ano letivo já se nota uma evolução neste capítulo.
A dimensão da educação/ensino obriga-nos a dominar um leque de ferramentas fundamentais na gestão das tarefas diárias. Se por um lado a competência técnica do professor é importante a sua capacidade de avaliação das características dos alunos e adequação das melhores estratégias a adotar reveste-se de igual importância. O conhecimento das características das crianças nos seus diferentes níveis desenvolvimento motor e psicológico torna-nos mais capacitados para promover o sucesso na prossecução dos objetivos da disciplina. Os constantes ajustamentos, leia-se redução da carga horária semanal da disciplina, obriga-nos a adequar as estratégias a cada ano verificando-se a menor eficácia relativamente aos pressupostos subjacentes à disciplina.
A diversidade cultural, social e linguística é uma realidade na escola atual. Esta diversidade exige do professor uma adaptação do currículo de forma a poder suprir as necessidades individuais dos alunos (Roldão,2003).
O planeamento surge assim como a principal dimensão que deve ser alvo do professor. Pacheco (1995) define o conceito de planeamento como um processo de revisão que organiza todo o processo de ensino-aprendizagem. Januário (1996) considera-o como o processo pelo qual os professores aplicam programas escolares, cumprindo a função de os desenvolver e de os adaptar às condições do cenário de ensino.
3. DOMÍNIO B - COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS E DE CONDUTA
No ano letivo 2008 – 2009 desempenhei as funções de Delegado de Grupo Disciplinar (Gr. 260 e 620) e Coordenador de Departamento que integrava os seguintes Grupos Disciplinares: Educação Visual e Tecnológica (Gr. 240); Educação Musical (Gr. 250); Educação Física (Gr. 260); Educação Tecnológica (Gr. 530); Eletrotecnia (Gr. 540); Artes Visuais (Gr. 600) e Educação Física (Gr. 620). No total o Departamento era constituído por 35 docentes. Nas reuniões de Departamento, presididas por mim, participavam os Delegados dos Grupos Disciplinares de Educação Visual e Tecnológica; Artes Visuais (incluía Educação Tecnológica e Eletrotecnia) e Educação Musical.
Assumindo o cargo de Delegado de Grupo e Coordenador de Departamento, é com muita espontaneidade que se trabalha cooperativamente com os colegas. Ao longo do ano letivo foi minha preocupação envolver todos os colegas nas atividades promovidas pelo Grupo Disciplinar. Nem sempre foi fácil devido às constantes solicitações de que somos alvo, mas com perseverança, compreensão e alguma diplomacia consegui criar um espírito de partilha e entreajuda saudáveis e consequentes. Desta forma foi possível definir os critérios de avaliação para a disciplina e orientar os docentes dos restantes Grupos Disciplinares para realização do trabalho proposto dentro dos prazos estabelecidos.
O trabalho de equipa é essencial e importante na vida de qualquer escola, pois como afirmou John Dewey “Aprendemos quando compartilhamos experiências”.
Enquanto coordenador de uma equipa de 35 professores tive sempre em mente que seria uma tarefa complexa, mas desafiante. Propusemo-nos à realização de um conjunto de atividades, só possíveis de realizar, com o apoio de todos e da Direção da Escola. Desta forma fomos realizando com distinção os seguintes eventos:
• “Receção aos alunos do 5.º ano de escolaridade” (todos os Grupos); • “1.º Ciclo em Movimento” – atividade destinada aos alunos do 1.º Ciclo
de toda a Área Pedagógica da escola (todos os Grupos); • “Corta Mato escolar de Natal” (Gr. 260 e 620);
• “Hora a Nadar” (Gr. 260 e 620);
• “Mega Sprinter e Mega Km” – Fase de Escola (Gr. 260 e 620); • “Meeting de Atletismo da Cidade de Pombal” (Gr. 260 e 620);
• Torneio de Basquetebol 3x3 “Compal-Air” – Fase de escola e Fase Regional (Gr. 260 e 620);
• “Torneio de Judo” (Gr. 260 e 620);
• Semana Cultural do IDJV (todos os Grupos);
• Eleição da “Miss e do Mister IDJV” (Gr.240, 250, 530, 540 e 600); • “IDJV tem Talento” (Gr.240, 250, 530, 540 e 600);
• Comemoração do Dia Mundial da Criança “Vem Brincar Connosco” (todos os Grupos);
• Encerramento do ano letivo – atividade realizada na Praia das Rocas – Castanheira de Pera – que contou com a participação de 500 alunos aproximadamente. Para além do acompanhamento dos alunos por parte de todos os docentes que compõem o Departamento, eu, individualmente, fui responsável pela logística inerente à deslocação dos alunos, pagamentos, contactos com a entidade promotora e divulgação. Destaco a colaboração de todos os Diretores de Turma que de forma inexcedível, motivaram os alunos para a participação na atividade. A maioria dos alunos do 9.º, 11.º e 12.º anos não puderam participar em virtude de se encontrarem a preparar ou a realizar os Exames Nacionais. De referir ainda que fui o autor de uma ferramenta em folha de cálculo Excel que permite ordenar em tempo real os atletas que cruzam a meta no Corta-Mato. Uma vez inseridas previamente as inscrições por escalão / género no local destinado para o efeito e atribuídos os dorsais, na chegada à meta procede-se ao registo da ordem de chegada pelo número do dorsal. Uma vez inserido o número, automaticamente, a ferramenta escalona a classificação dando de imediato o nome do atleta, a data de nascimento, a turma a que pertence e o escalão. Esta ferramenta foi utilizada na realização do Corta Mato GPS que incluía alunos selecionados do universo das escolas deste Grupo. Nesta atividade participaram aproximadamente 900 alunos e com a utilização desta ferramenta conseguimos afixar as classificações passados 10 minutos do términus de cada uma das provas.
O meu domínio das Tecnologias de Informação e Comunicação foram importantes na organização/otimização de algumas tarefas logísticas, sempre
partilhado com todos os elementos do meu Departamento, nomeadamente a construção de uma grelha de assiduidade com hiperligação para uma grelha de avaliação que veio permitir por um lado, a uniformização dos procedimentos de avaliação entre todos os docentes, e por outro a otimização do processo de avaliação em que o professor apenas teria que lançar as suas classificações/avaliações.
A partir desta data passei a desempenhar, igualmente, o cargo de Representante da Comissão de Avaliação por nomeação da Direção de Escola que considerou que eu reunia os requisitos para desempenhar estas funções.
A Comissão de Avaliação constituída pelos Coordenadores de Departamento (Artes e Expressões; Ciências Exatas e Naturais e Ciências Sociais e Humanas e ainda pelos Delegados de Grupo Disciplinar de Português e Matemática) foi criada com o intuito de preparar a implementação do processo de Avaliação de Desempenho Docente. Este processo teve início com a análise cuidada do Contrato Coletivo de Trabalho, no que a este assunto diz respeito, e na participação em formações ministradas internamente pelo Grupo GPS. A este propósito a Administração do Grupo GPS escolheu o Professor Doutor Domingos Fernandes4 como formador. Nestas formações estiveram presentes os Representantes das Comissões de Avaliação de todas as escolas pertencentes ao Grupo. Após cada uma das formações reuníamos para debater e operacionalizar todo o processo. De salientar que foram atribuídas horas da componente não letiva para o trabalho levado a cabo. Ao longo do ano letivo foi elaborado o Regulamento de Avaliação, com todos os procedimentos e ferramentas necessárias para a recolha de evidências de suporte.
A implementação do processo de avaliação foi faseada tendo iniciado na sua plenitude em 2009-2010. Nesta altura continuava a “liderar” os trabalhos da Comissão, mas enquanto Membro da Direção Pedagógica.
Os anos letivos 2009-2010, 2010-2011, 2011-2012, 2012-2013 e 2013-2014 marcaram decisivamente a minha atividade profissional pela exigência e responsabilidade de integrar uma equipa pedagógica com funções de gestão. A preparação dos anos letivos definindo metas e estratégias de atuação, a distribuição
4 Professor Catedrático do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa, especialista em Políticas de educação e Formação e membro
de serviço docente e não docente, constituição de turmas, elaboração de horários, a revisão dos documentos orientadores de escola – essencialmente focados nos aspetos pedagógicos e de gestão – foi um processo de aprendizagem constante em que fui obrigado a superar as barreiras / dificuldades encontradas em equipa. Houve sempre a preocupação de envolver as chefias intermédias chamando-os a participar nas decisões que melhor se enquadravam face às nossas características e de acordo com o Projeto Educativo.
Seguindo sempre o princípio de que em primeiro lugar estavam os alunos e a escola em si pautamos as nossas decisões tendo como base estes dois pressupostos. Uma vez divulgados os objetivos e metas a alcançar em Reunião Geral ficou claro para todos quais seriam as nossas linhas orientadoras. As vozes dissonantes puderam, apesar de discordar de algumas tomadas de posição, tomar conhecimento da conjuntura em vigência. A transparência na nossa gestão foi sempre um princípio destacado pelos pares que viam em nós líderes incondicionais apoiando-nos em toda a linha. Obviamente que, como em qualquer instituição, há aqueles que nunca estando em órgãos de decisão sempre contestaram tudo e todos, facto que viria a verificar mais tarde quando a equipa da Direção que nos sucedeu tomou posse. Estas mesmas vozes continuaram ativas na arte da maledicência. Globalmente considero que foram anos em que consegui estabelecer um laço de relação mais forte com os demais. Anos em que vimos a população escolar a diminuir drasticamente procedendo aos ajustamentos necessários, nomeadamente no corpo docente até aqui estável. A compreensão de todos face ao que nos estava a acontecer, só possível pela nossa transparência, permitiu-nos reajustar a cada ano os recursos humanos de forma mais ou menos pacífica. A redução do número de alunos resultante de fenómenos como a emigração, migração e o decréscimo da taxa de natalidade vieram definitivamente abalar uma escola que até então tinha uma dinâmica e uma vitalidade muito próprias. Nos anos letivos 2011-2012 e 2012-2013 assumi as funções de Diretor da Escola. A minha atuação continuou a ser pautada pela transparência partilhando com a minha equipa e restantes elementos da comunidade escolar os sucessos e os insucessos, as virtudes e as fraquezas. Foram dois anos de “porta aberta” permanente em que fiz questão que houvesse sempre um elemento da Direção presente. Era do conhecimento geral que a Direção estava sempre disponível para receber quem quer que fosse a qualquer hora (exceção feita aos períodos em que reuníamos, ou em que