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Efeitos de um programa de complex training, na agilidade com bola, velocidade máxima, na eficácia do cruzamento e do remate em jovens atletas de futebol

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Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

2º CICLO EM ENSINO DE EDUCAÇÃO FÍSICA

NOS ENSINOS BÁSICO E SECUNDÁRIO

EFEITOS DE UM PROGRAMA DE COMPLEX TRAINING, NA AGILIDADE COM BOLA, VELOCIDADE MÁXIMA, NA EFICÁCIA

DO CRUZAMENTO E DO REMATE EM JOVENS ATLETAS DE FUTEBOL

Bráulio Manuel Da Silva Venâncio Cavaco

Orientador: Professor Doutor Nelson Joaquim Fortuna de Sousa

Coorientador: Professor Doutor José Manuel Vilaça Maio Alves

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UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO

2º CICLO EM ENSINO DE EDUCAÇÃO FÍSICA

NOS ENSINOS BÁSICO E SECUNDÁRIO

EFEITOS DE UM PROGRAMA DE COMPLEX

TRAINING, NA AGILIDADE COM BOLA,

VELOCIDADE MÁXIMA, NA EFICÁCIA DO

CRUZAMENTO E DO REMATE EM JOVENS

ATLETAS DE FUTEBOL

Bráulio Manuel Da Silva Venâncio Cavaco

Orientador: Professor Doutor Nelson Joaquim Fortuna de Sousa

Coorientador: Professor Doutor José Manuel Vilaça Maio Alves

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Dissertação apresentada à UTAD, no DEP – ECHS, como requisito para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física dos Ensino Básico e Secundário, cumprindo o estipulado na alínea b) do artigo 6º do regulamento dos Cursos de 2ºs Ciclos de Estudo em Ensino da UTAD, sob a orientação do Professor Doutor Nelson Joaquim Fortuna de Sousa e do Professor Doutor José Manuel Vilaça Maio Alves.

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Página | VII AGRADECIMENTOS

A concretização desta dissertação só foi possível com o auxílio, orientação e incentivo de várias pessoas a quem gostaria de apresentar a minha sincera gratidão.

Ao Professor Doutor NELSON JOAQUIM FORTUNA DE SOUSA por ter aceitado ser meu orientador e ao Professor Doutor JOSÉ MANUEL VILAÇA MAIO ALVES por ter aceitado ser meu coorientador, a ambos agradeço, pelo tempo generosamente disponibilizado, pela paciência e conhecimentos transmitidos.

Ao ABAMBRES SPORT CLUB - VILA REAL pela recetividade ao trabalho implementado. Agradeço também, especialmente aos PARTICIPANTES e aos seus ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO.

À UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO pelos meios colocados à minha disposição para que a recolha de dados fosse possível.

A toda a minha família, especialmente aos meus PAIS, TIOS e IRMÃO pelo apoio, carinho, confiança e dedicação que sempre transmitiram ao longo destes anos.

A TODOS que direta ou indiretamente colaboraram para esta dissertação, a todos, o meu sincero obrigado!

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Página | VIII ÍNDICE GERAL

AGRADECIMENTOS ... VII ÍNDICE GERAL ... VIII ÍNDICE DE QUADROS ... IX ÍNDICE DE FIGURAS ... X LISTA DE ABREVIATURAS ... XI RESUMO ... XII ABSTRACT ... XIII 1. INTRODUÇÃO ... 1 2. METODOLOGIA ... 5 2.1 AMOSTRA ... 5 2.2 DESENHO EXPERIMENTAL ... 6 2.3 INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO ... 7 2.4 PROTOCOLO DE TREINO... 10 2.5 TRATAMENTO ESTATÍSTICO ... 11 3. RESULTADOS ... 12 4. DISCUSSÃO ... 14 5. CONCLUSÕES ... 18 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 19 7. ANEXOS ... 25

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Página | IX ÍNDICE DE QUADROS

Quadro 1. Caracterização da amostra em baseline. ... 5 Quadro 2. Médias no desempenho dos exercícios, velocidade máxima em 15-m (Vmax-15), agilidade com bola (AgB), eficácia do cruzamento (EfCr) e eficácia do remate (EfRem) entre momentos (pré-teste vs. pós-teste) nos diferentes grupos. ... 12

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Página | X ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1. Exercício 1: Squat+Velocidade máxima em 15-m+Cruzamento; Exercício 2:

Squat+Agilidade com Bola+Remate ... 6

Figura 2. Percurso do teste velocidade máxima em 15-m + Cruzamento ... 9

Figura 3. Percurso do teste da Agilidade com bola + Remate. ... 10

Figura 4. Média marginal estimada Vmax-15. ... 13

Figura 5. Média marginal estimada AgB... 13

Figura 6. Média marginal estimada EfCr. ... 13

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Página | XI LISTA DE ABREVIATURAS

Cm- Centímetros

CXT- Complex Training CONT- Grupo de controlo.

GCT1- Grupo com uma sessão de CXT; GCT2- Grupo com duas sessões de CXT; Kg- Quilograma

m- Metros mm- Milímetros

PAP- Potencial pós-ativação RM- Repetição máxima s- Segundo

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Página | XII RESUMO

O Complex Training (CXT) resulta da, combinação do treino da força, com treino pliométrico na mesma sessão. Este método tem sido recentemente utilizado com sucesso na preparação de atletas de várias modalidades. O presente estudo teve como objetivos, primeiramente, testar os efeitos de um programa de CXT com 6 semanas de duração, na agilidade com bola, velocidade máxima, na eficácia do cruzamento e do remate em jovens atletas de futebol; e comparar o efeito de duas sessões semanais de CXT com uma sessão semanal de CXT em adição às sessões regulares de treino de futebol.

A amostra foi constituída por 15 adolescentes do sexo masculino praticantes de futebol, posteriormente divididos aleatoriamente em três grupos. Um grupo usufruiu de uma sessão de CXT (GCT1) adicional às sessões semanais de treino de futebol (n = 5; 13.80 ± 0.45 anos de idade); um grupo usufruiu de duas sessões de CXT (GCT2) adicionais às sessões semanais de treino de futebol (n = 4; 14.20 ± 0.45 anos de idade); e um grupo de controlo (CONT) que apenas cumpriu as sessões semanais de treino de futebol (n = 6; 14,20 ± 0.84 anos de idade). Foi efetuada uma análise de variância, (ANOVA) a um fator, para comparação de médias das variáveis em estudo nos diferentes grupos, e uma (ANOVA) para medidas repetidas (2 momentos X 3 grupos), usando como covariavel a escala de Tanner.

Não foram identificadas diferenças significativas entre o grupo que usufruiu de duas sessões de CXT e o grupo que usufruiu de uma sessão de CXT. Foram identificadas diferenças estatisticamente significativas (F=1.139; p=0.02; µ=0.531), entre o pré-teste vs pós-teste na eficácia do remate para ambos os grupos experimentais.

A adição do CXT mostrou ser um método eficaz e seguro na promoção das capacidades e das habilidades motoras associadas à prática de futebol, entre jovens atletas, em particular no aumento da eficácia do remate.

Palavras-chave: Complex Training, Força, Potencial Pós-Ativação, Velocidade,

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Página | XIII ABSTRACT

The Complex Training (CXT) results from, the combination of strength training with plyometric training in the same session. This method has been recently used in the preparation of athletes of various sports. Therefore, the purpose of the present study was to test the effects of an CXT program during 6 weeks, in the agility with ball, sprint, efficiency of the cross and shot in young soccer players; and to compare the effect of two sessions per week of CXT with one session per week of CXT in addition to regular soccer practice.

The sample consisted of 15 young boys football players, randomly divided into three groups. One group has done one session of CXT (GCT1) added to the weekly sessions of football training (n = 5; 13.80 ± 0.45 years), while another group has done two sessions of CXT (GCT2) in addition to weekly training sessions soccer (n = 4; 14:20 ± 0.45 years old); the group of control (CONT) only fulfill its weekly sessions of training football (n = 6; 14.20 ± 0.84 years). It was performed an analysis of variance (ANOVA) with one factor for comparison of means of variables in the different study groups, and (ANOVA) for repeated measures (2 times X 3 groups), using as a covariate the Tanner scale.

No significant differences were found between the group that has done two sessions of CXT and the group that has done one session of CXT. Significant difference was found (F = 1139; p = 0.02; μ = 0531), in the effectiveness of the shot, in pre-test versus post-test for both experimental groups.

In summary, the CXT program shown to be an effective method in promoting abilities and motor skills associated with the practice of football among young athletes, particularly in increasing the effectiveness of the shot.

Key-Words: Complex Training, Strength, Postactivation potentiation, Sprint, Agility

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Página | 1 1. INTRODUÇÃO

Os benefícios do treino da força em crianças, pré adolescentes e adolescentes têm sido consistentemente reportados na literatura (Ignjatović, 2009; Behm et al., 2008; Faigenbaum, 2007; McCambridge e Stricker, 2008; Vissing et al., 2008). Por outro lado, as preocupações e mitos que eram comuns em toda a população em geral têm sido persistentemente refutados pelas principais entidades de referência tais como a American College of Sports Medicine, National Strength Conditioning Association, Australian Strength and Conditioning Association, British Association of Exercise and Sport Sciences1.

O treino da força pressupõe tarefas com oposição de cargas, deslocação de objetos e vencer resistências externas, ou mesmo as do próprio corpo, independentemente do fator tempo. Permite, assim, superar uma resistência através do esforço muscular; com base em forças internas (produzidas por contração muscular, ações dos tendões e ligamentos) e forças externas (gravidade, atrito, oposição) (Badillo e Ayestarán, 2001; Zatsiorsky, 1999). Os recursos podem variar, como o uso do peso da massa corporal, uso de halteres, exercícios em aparelhos de resistência, e métodos pliométricos, entre outros.

Alguns estudos reportam o treino pliométrico como seguro para crianças e jovens, apresentando melhorias significativas nas capacidades motoras (Faigenbaum et al., 2007; Johnson et al., 2011; Vissing et al., 2008). Outros estudos recorreram a exercícios com aparelhos de resistência variável, e reportaram resultados significativos em variáveis fisiológicas, como ganhos de força, de resistência muscular (Faigenbaum, 2005; Velez et al., 2010) e de flexibilidade (Faigenbaum, 2005).

1

Para referências ver American College of Sports Medicine (2007). ACSM's Guidelines For Exercise

Testing And Prescription (7th ed ed.): MD: Lippincot Williams & Wilkins; Australian Strength and

Conditioning Association (2007). Resistance training for children and youth: A position stand from the Australian Strength and Conditioning Association. Available at:http://www.strengthandconditioning.org; British Association of Exercise and Sport Sciences (2004). Bases position statement on guidelines for resistance exercise in young people. J Sports Sci, 22, 383-390; National Strength Conditioning Association (2008). Essentials of Strength Training and Conditioning: National Strength and

Conditioning Association: Human Kinetics.

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O treino da força em idades jovens potencia as adaptações neurológicas, com ênfase para a aprendizagem e coordenação dos movimentos pretendidos (Behm et al., 2008).

Recorrendo a exercícios de alta intensidade é possível uma melhor ativação de fibras do tipo II, o potencial pós-ativação (PAP) é referido como sendo maior nas fibras tipo II em detrimento das fibras tipo I, porque as fibras do tipo II são submetidas a uma maior fosforilação da cadeia leve de miosina, que se pensa ser o mecanismo primário potenciação da força (Hamada et al., 2000; Sweeney et al., 1993; Vandervoort et al., 1983). Atualmente, o treino da força com alta intensidade combinado com exercícios específicos de pliometria na mesma sessão, têm sido recentemente utilizados na preparação de atletas de várias modalidades, sendo este método de treino designado de

Complex Training (CXT) (Ebben e Watts, 1998; Jones e Lees, 2003). O CXT baseia-se

no aumento do PAP através da força muscular explosiva, depois de este ter sido submetido a uma carga máxima ou submáxima (Docherty et al., 2004). O PAP baseia-se no aumento da força muscular aguda de saída como resultado da contração anterior, esta estimulação leva a uma excitação do sistema neuromuscular melhorando o seu desempenho (Baudry e Duchateau, 2007; Robbins, 2005; Tillin e Bishop, 2009). Desta forma, o CXT permite melhorar o gesto técnico, sem o problema da transferência (Harrison, 1991).

Alguns estudos que analisaram o tempo ideal de intervalo entre o exercício com carga adicional, e o exercício pliométrico utilizado, concluíram que o intervalo necessário para obter um efeito positivo na ação técnica seria de três a quatro minutos (Comyns et al., 2006; Jensen e Ebben, 2003). Por outro lado, o tempo de descanso entre a execução do exercício pré-carga e o exercício pliométrico, reside num equilíbrio entre a fadiga e a potenciação, quando o intervalo de descanso é curto, a fadiga pode compensar a potenciação, quando o intervalo é longo a potenciação ótima pode ser perdida, estando este intervalo de descanso dependente de fatores como a força, a idade relativa e intensidade do protocolo (Batista et al., 2007; Weber et al., 2008).

Relativamente ao número de repetições do exercício com carga adicional a literatura sugere entre três a seis repetições, executadas numa série com uma carga de 80% a 90% de uma repetição máxima (1-RM) (Clark et al., 2006; Mcbride et al., 2005).

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Cronin, McNair, e Marshall (2001), referem que o treino da força integrado com o gesto motor, pode proporcionar melhorias a nível morfológico e promover uma adaptação neural sincronizada, considerando o CXT como o melhor método para promover a transferência de ganhos de força, melhorar e aperfeiçoar o gesto motor. Fatores como a taxa de disparo dos motoneurónios e uma melhor coordenação neural, podem ser os agentes responsáveis pela melhoria do desempenho (Mahon, 2000). Assim como a maior eficiência da atividade contrátil, pode estar relacionada com as adaptações neurológicas em jovens crianças (Ozmun et al., 1994). O CXT pode aumentar a transferência de energia entre as fases concêntrica e excêntrica da ação do músculo, e conferir uma transferência positiva de exigências neuromusculares, resultando assim numa melhor coordenação e sincronização dos grupos musculares ativos (Chu, 1996).

Por outro lado, a literatura sugere ainda o CXT como um método seguro e com efeitos preventivos de potenciais lesões, como as lesões do ligamento cruzado anterior em adolescentes (McCambridge e Stricker, 2008). Um estudo com a duração de três anos efetuado num contexto escolar, com objetivo de aumentar a aptidão física de jovens, através do método de CXT, reportou melhorias significativas na velocidade e uma redução de 25% de lesões a cada ano (Summers, 1999).

Recentemente, o método de CXT tem sido aplicado com sucesso em várias modalidades desportivas. Num estudo efetuado com atletas de Rugby, identificaram-se melhorias significativas na velocidade máxima ao fim de quatro sessões de treino (Comyns et al., 2010). Santos e Janeira (2008) verificaram melhorias do desempenho de jovens atletas de basquetebol (14-15 anos) ao nível da impulsão e da força dos membros superiores, após um programa de CXT com dez semanas de duração.

Também na modalidade de futebol se tem encontrado interesse na introdução deste método. Christou et al. (2006), sugerem que o treino da força como complemento ao treino de futebol, pode ser benéfico para o desenvolvimento global das capacidades físicas dos jovens atletas. Neste sentido, Maio Alves et al. (2010), num estudo com jovens futebolistas, identificaram aumentos significativos na velocidade máxima e na impulsão vertical, após seis semanas de treino.

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Página | 4

Em contraste, mais estudos sobre os efeitos do CXT, principalmente em diferentes idades de desenvolvimento, e com outros protocolos de treino são necessários, de forma a tornar consistentes os seus resultados em função de cada modalidade.

Assim sendo, o presente estudo tem como objetivos testar os efeitos de um programa CXT de 6 semanas na agilidade, velocidade máxima, e eficácia do cruzamento e do remate em jovens atletas de futebol; e comparar o efeito de duas sessões semanais de CXT com uma sessão semanal em adição às sessões de treino de futebol.

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Página | 5 2. METODOLOGIA

2.1 AMOSTRA

A amostra foi constituída, por 15 adolescentes do sexo masculino praticantes de futebol, e posteriormente divididos aleatoriamente em três grupos. Um grupo usufruiu de uma sessão de CXT (GCT1) adicional às sessões semanais de treino de futebol (n = 5; 13.80 ± 0.45 anos de idade); um grupo de usufruiu de duas sessões de CXT (GCT2) adicionais às sessões semanais de treino de futebol (n = 4; 14.20 ± 0.45 anos de idade); e um grupo de controlo (CONT) que apenas cumpriu as sessões semanais de treino de futebol (n = 6; 14,20 ± 0.84 anos de idade). As características da amostra em baseline são apresentadas no Quadro 1.

Quadro 1. Caracterização da amostra em baseline.

GCT1 GCT2 CONT

Idade 13.80±0.84 14.20±0.45 14.20±0.84

IMC 18.98±1.88 20.38±1.84 18.82±0.66

%MG 12.48±1.54 10.42±2.66 10.94±1.18

Nota: (IMC) – Índice de Massa corporal; (%MG) – Percentagem de gordura corporal; GCT1 – Grupo com uma sessão de CXT; GCT2 – Grupo com duas sessões de CXT; CONT – Grupo de controlo.

Inicialmente todos os participantes foram esclarecidos acerca de todos os procedimentos do estudo. Como os atletas pertenciam a um clube federado, com uma competição regular, todos sem exceção, realizaram testes médicos que atestaram a aptidão para a prática desportiva competitiva. Os objetivos e procedimentos do estudo foram apresentados e discutidos previamente com a estrutura envolvida no protocolo e com os encarregados de educação dos participantes, tendo sido obtido de todos eles o consentimento verbal e escrito para a realização do estudo.

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Página | 6 2.2 DESENHO EXPERIMENTAL

Todos os indivíduos foram sujeitos a duas semanas de treino adaptativo, com duas sessões semanais, onde se introduziu as tarefas motoras do protocolo.

Na segunda semana antes de se iniciar o protocolo de CXT, foram avaliadas as variáveis em baseline nomeadamente a estatura, a massa corporal e a composição corporal. Foi determinada 1-RM em todos os grupos no Squat e 72 horas depois foi novamente identificado 1-RM para uma maior fiabilidade das medições.

Figura 1. Exercício 1: Squat+Velocidade máxima em 15-m+Cruzamento; Exercício 2: Squat+Agilidade com Bola+Remate

Após o primeiro momento de medição (pré-teste), o protocolo do CXT foi realizado durante seis semanas, com uma sessão semanal para o GCT1 e duas sessões semanais para o GCT2. Ao fim das 6 semanas protocolares, os grupos foram sujeitos ao segundo momento de medição (pós-teste), tendo em conta todos os procedimentos do pré-teste.

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Página | 7 2.3 INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO

Massa corporal e estatura

A massa corporal foi medida com a balança digital SECA 702 (Seca Corporation, Hamburg, Germany), com a menor quantidade de roupa possível, a leitura foi expressa em quilogramas. A estatura foi avaliada com o estadiómetro SECA 220 (Seca Corporation, Hamburg, Germany), acoplado à balança referida anteriormente, estando os indivíduos posicionados segundo o plano Frankfurt, a leitura foi expressa em centímetros. Estas medidas foram sempre realizadas em duplicado para uma maior precisão, sendo respeitados os limites de tolerância expostos na literatura, para o peso (0.2 kg) e para a altura (2mm) (Callaway, 1988; Sobral, 1985).

Antropometria

A composição corporal foi avaliada através da medição das pregas de gordura subcutâneas, nomeadamente da prega tricipital e geminal, tendo em conta os valores de referência do FitnessGram (Welk, 2008). Estas foram medidas segundo o protocolo de (Harrison, 1991), através de um adipómetro (Slim guide®) com aproximação a 0.5mm e uma fita antropométrica (Rosscraft, Rosscraft Inovation Incorporated, Canadá), no lado direito do corpo, com o sujeito em posição antropométrica e em duplicado recorrendo-se à terceira medição em caso de discrepância de 1 mm, de modo, a encontrar a mediana. As medições foram realizadas sempre pelo mesmo técnico.

A prega tricipital foi avaliada na parte posterior do braço, na meia distância entre a apófise acromial da omoplata e o olecrâniano do cúbito.

A prega geminal foi avaliada com o individuo sentado em cima de um objeto com as pernas pendentes o joelho fletido a 90º, na parte interna e média da perna, considerando a zona de maior volume geminal.

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Força máxima

A força máxima foi medida através do método de 1-RM do exercício Squat para cada participante. Previamente a esta avaliação, todos os participantes já estavam familiarizados com o exercício, tendo sido corrigidos durante a fase de adaptação todos os erros evidenciados por estes na realização do exercício. Recorreu-se ao método de 1-RM, visto que, a média de peso levantado é maior e pode ser menos fatigante para o sistema cardiovascular (Ann, 2002), de maneira a não condicionar o rendimento dos atletas no treino normal de futebol.

Foi utilizado o Método de Kraemer e Fry (Kraemer e Fry, 1998), realizou-se um leve aquecimento de cinco a dez repetições com cargas de 40% a 60% de 1-RM, posteriormente procedeu-se ao aumento do peso. Por cada execução bem sucedida do exercício Squat foi permitido um período de três a cinco minutos de repouso, este processo foi contínuo até ao limite, registou-se a última elevação de 1-RM bem sucedida, esta foi determinada em três a cinco tentativas máximas.

Velocidade máxima e cruzamento

Antes da medição, cada participante efetuou um aquecimento, que consistia na realização de uma corrida com baixa intensidade, rotação da cintura escapular, e

skippings altos.

Na medição da Velocidade + Cruzamento, foi medida a velocidade máxima em 15-m com recurso as células fotelétricas (Speed Trap II – Browser Timing Systems), e o gesto motor do cruzamento, com eficácia, através de um cruzamento para uma área delimitada de 4x4m na marca da grande penalidade. A bola teria de passar nessa área delimitada por sinalizadores e, por cima do nível da trave, para ser considerado eficaz, a bola teria de passar na zona delimitada já numa trajetória descendente.

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A bola estava situada a 4-m da última célula fotoeléctrica, a 3-m da linha lateral e 10-m da linha final, esta só podia ser tocada para cruzar no menor tempo possível, este exercício foi realizado sempre no flanco direito do campo de jogo, este procedimento foi realizado três vezes, com descanso de três minutos entre séries, onde foi contabilizado o seu melhor tempo e a eficácia dos três cruzamentos (ver Figura 2).

Figura 2. Percurso do teste velocidade máxima em 15-m + Cruzamento

Agilidade com bola e remate

O teste de agilidade com bola foi utlizado para verificar a destreza dos participantes ao driblar os cones pressionados pelo tempo cronometrado, tal como reportado noutros estudos (McGregor et al., 1999). Para avaliar a Agilidade com bola + Remate à baliza foram colocados seis cones na diagonal com uma distância entre eles de 3-m, centralizados com a baliza. Os participantes tinham de driblar os cones o mais rápido possível, sem os derrubar ou perder o controlo da bola. O teste era anulado sempre que os critérios do protocolo não eram integralmente cumpridos. O tempo foi sempre medido por dois técnicos através de um cronómetro, e a média aritmética calculada. O tempo era cronometrado desde a saída do primeiro cone até ultrapassar o ultimo cone. Seguidamente, os participantes rematavam à baliza onde estavam definidos dois alvos, delimitados por uma corda a 1-m de cada poste (ver figura 3).

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Os participantes acabavam de driblar os cones em cima da meia-lua da grande área, rematavam o mais rápido possível sem invasão da grande área, dispondo de 3,65-m para e execução do re3,65-mate. Para ter eficácia a bola teria de passar entre u3,65-m dos alvos definidos, se acertasse no poste não contava como eficaz, mas caso acertasse na corda já era considerado eficaz. Este procedimento foi realizado por três vezes, com descanso de três minutos entre séries, onde foi contabilizado o seu melhor tempo no drible dos cones e a eficácia dos três remates.

Figura 3. Percurso do teste da Agilidade com bola + Remate.

2.4 PROTOCOLO DE TREINO

Na aplicação do protocolo do CXT, cada participante efetuou um aquecimento que consistiu numa corrida com baixa intensidade, com rotação dos membros superiores e skippings altos. Posteriormente, os participantes realizaram três series, com seis repetições no squat a 85% de 1-RM mais velocidade máxima 15-m e cruzamento, com 3-min de intervalo entre séries. Na semana seguinte, os participantes realizaram seis repetições no squat a 85 % de 1-RM mais agilidade com bola e remate à baliza, com 3-min de repouso entre series. Os exercícios alternaram de semana para semana, durante as seis semanas do protocolo de treino.

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Página | 11 2.5 TRATAMENTO ESTATÍSTICO

A análise de todos os dados foi efetuada utilizando o software de tratamento e análise estatística “Statistical Package for the Social Sciences, SPSS Science, Chicago,

USA” versão 19,0. Foi efetuada uma análise exploratória de todos os dados para

caracterizar os valores das diferentes variáveis em termos de tendência central e dispersão. Dessa forma, todas as variáveis foram sujeitas a uma observação gráfica com o objetivo de detetar a existência de outliers e possíveis introduções incorretas dos dados. Foram, calculadas, na análise estatística descritiva, as médias e os respetivos desvios padrão de cada variável em estudo e em todos os contextos de análise planeados.

Com o objetivo de realizar a análise estatística inferencial, foi necessário avaliar a normalidade da distribuição dos dados recolhidos. Desta forma, e tendo em conta a natureza biológica das medidas, foi efetuada uma análise do tipo de distribuição através do teste de Shapiro-Wilk. Foi, igualmente, assegurado e testado a homogeneidade das variâncias e covariâncias através do teste de Levene e a esfericidade através do teste de

Mauchly. Verificados os pressupostos da utilização de testes paramétricos, foi utilizado

para comparação de médias das variáveis em estudo, uma análise de variância a ANOVA a um fator. Após este procedimento e verificado a não existência de diferenças estatisticamente significativa, recorreu-se a uma ANOVA para medidas repetidas (através do modelo linear geral) com um modelo de 2 momentos e 3 grupos, usado como covariavel a escala de Tanner, para verificar o estado maturacional dos jovens atletas, a observação foi feita pelo técnico. Os valores de eta (µ) adotados para explicação da variância da variável independente pela variável dependente foram baixos, quando os valores se encontram entre 0,1 e 0,24; média, quando os valores se situam entre 0,25 e 0,39; e alta quando os valores são superiores a 0,4 (Cohen, 1992). O nível de significância foi mantido em 5%.

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3. RESULTADOS

A ANOVA não identificou diferenças significativas entre o grupo que usufruiu de duas sessões de CXT e o grupo que usufruiu de uma sessão de CXT. Foram identificadas diferenças significativas através da ANOVA na eficácia do remate, para quem teve duas ou uma sessão de CXT em relação aos que não tiveram nenhuma sessão extra de CXT, (F=1.139; p=0.02; µ=0.531).

Não foram identificadas diferenças estatisticamente significativas para as variáveis, velocidade máxima em 15-m, agilidade com bola e na eficácia do cruzamento.

Quadro 2. Médias no desempenho dos exercícios, velocidade máxima em 15-m (Vmax-15),

agilidade com bola (AgB), eficácia do cruzamento (EfCr) e eficácia do remate (EfRem) entre momentos (pré-teste vs. pós-teste) nos diferentes grupos.

GCT1 GCT2 CONT µ

MxG

Pré-Teste Pós-Teste ∆ Pré-Teste Pós-Teste ∆ Pré-Teste Pós-Teste ∆

Vmax-15 (s) 2.72±0.25 2.59±0.18 - 0.13 2.60±0.14 2.46±0.15 - 0.14 2.68±0.19 2.66±0.18 - 0.02 0.350 AgB (s) 10.64±1.82 9.80±1.43 - 0.84 9.64±1.23 8.54±0.37 - 1.10 9.88±0.48 9.90±0.46 0.02 0.240 EfCr (n) 1.00±0.71 2.20±0.45 1.20 1.00±0.71 2.60±0.55 1.60 0.80±0.84 1.20±0.84 0.40 0.130 EfRem (n) 1.00±0.71 1.60±0.55 0.60 0.60±0.89 2.20±0.84 1.60 0.80±0.84 0.60±0.5* - 0.20 0.531 * (p<0,05).

Nota: Valores médios e desvios padrão; ∆ – Diferença entre pré e após teste; µ – Eta; M – Momento; G – Grupo; GCT1 – Grupo com uma sessão de CXT; GCT2 – Grupo com duas sessões de CXT; CONT – Grupo de controlo.

As Figuras 4, 5 e 6 mostram as tendências marginais estimadas dos valores médios. Para o Vmax-15 não se identificaram diferenças significativas (F=2.958; p=0.094; µ=0.350), embora se tenha verificado um valor de µ (Eta) relevante sugerindo uma tendência desta variável no GCT2 e no GTC1 em detrimento ao CONT.

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Para o teste agilidade com bola não se identificaram diferenças significativas (F=1.790; p=0.0212; µ=0.246), embora mais uma vez se verifica uma tendência para haver melhorias no GCT2 e no GCT1 em relação ao CONT.

Figura 4. Média marginal estimada Vmax-15. Figura 5. Média marginal estimada AgB.

No teste Efcr (F=7.506; p=0.09; µ=0.577), novamente se verifica uma tendência para haver melhorias no GCT2 e no GCT1 em relação ao CONT. Na eficácia do remate observa-se uma tendência negativa no CON em oposição aos grupos experimentais.

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4. DISCUSSÃO

O objetivo do presente estudo foi testar os efeitos adicionais de uma sessão semanal versus duas sessões semanais de CXT, na agilidade, na velocidade, na eficácia do cruzamento e do remate em jovens atletas de futebol. Os principais resultados identificados no presente estudo foram as melhorias significativas na eficácia do remate, em ambos os grupos experimentais.

Os resultados verificados na eficácia do remate, podem ser explicados pela melhoria da taxa de disparo dos motoneurónios e pelo aumento da coordenação neural sincronizada (Docherty et al., 2004; Weber et al., 2008). A maior eficácia da atividade contrátil pode estar relacionada com as adaptações neurológicas que ocorreram durante a implementação do CXT. O CXT confere uma transferência de energia entre as fases concêntricas e excêntricas da ação do músculo, o que confere uma transferência positiva das exigências musculares, uma melhor coordenação e sincronização dos grupos musculares ativos, de forma a melhorar e aperfeiçoar o gesto motor. (Cronin et al., 2001; Robbins, 2005)

Uma outra possível justificação para o aumento da eficácia do remate pode estar relacionada com os ganhos de coordenação que o exercício proporcionou. Recentemente Tessitore et al. (2011), identificaram melhorias significativas (p <0,0001) na coordenação em 16 atletas semiprofissionais de futebol (22,0 ± 3,6 anos), após cinco sessões experimentais de CXT. Tal como no presente estudo, os participantes também realizaram três provas especificas de futebol, nomeadamente velocidade do drible, remate com a bola parada e remate a partir de um passe, a coordenação (com duração de 60s) e flexão e extensão do pé a uma velocidade crescente de execução (80, 120, e 180 b · min -1). Como resultado deste protocolo os atletas melhoraram a velocidade do drible (p = 0,03), e o remate a partir de um passe (p = 0,02).

No presente estudo não se identificaram diferenças significativas ao nível da execução do cruzamento. Uma vez que o número de tentativas de execução do cruzamento foram as mesmas que o remate, os resultados sugerem a possibilidade da execução do cruzamento ter uma maior complexidade em relação à execução do remate. Tendo em conta a impossibilidade de controlar possíveis variáveis de confundimento na execução destas tarefas, esta ultima afirmação é meramente especulativa.

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No presente estudo também não se identificaram diferenças significativas ao nível da velocidade máxima. Algumas das possíveis causas pela ausência de resultados significativos velocidade máxima em 15-m, pode estar relacionado com a variância técnica de velocidade dos atletas e/ou de estes necessitarem de uma maior exposição ao programa de CXT. Num estudo com jovens atletas de Rugby (N = 11; 20.9 ± 3.1 anos), onde foi desenvolvido um programa de CXT com cinco sessões de 3-RM no Back

Squat, também se verificou a ausência de resultados significativos ao nível da

velocidade máxima, controlados pela velocidade máxima em 30-m (Comyns et al., 2010) .

Em contraste, Kotzamanidis et al. (2005) identificaram uma redução de 0,25 segundos em atletas de futebol (N=12; 17.0 ± 1.1) na velocidade máxima em 30-m, após a aplicação de um programa de treino da força com combinação de cargas entre 3-RM e 8-3-RM, nos exercícios Half Squat, Step up e Leg Curls com 4-6 séries de velocidade em 30-m. No entanto, o programa de treino usado por Kotzamanidis et al. (2005) continha mais três semanas de treino em comparação com o presente estudo.

Maio Alves et al. (2010), encontraram reduções significativas na velocidade máxima em 5-m e em 15-m, 9.2% - 6.2% no grupo que realizou o protocolo duas vezes por semana e 7.0 %-3.1% no grupo que realizou o protocolo uma vez por semana. Contudo, os participantes do estudo de Maio Alves et al. (2010) apresentavam uma média de idades (17.4 ± 0.6 anos) superiores ao do presente estudo (14.07 ± 0.7 anos), o que sugere que uma das possíveis razões para a ausência de resultados significativos nesta variável estudo pode estar relacionado com um défice maturacional da capacidade de coordenação.

No que diz respeito à agilidade não foram identificados resultados significativos no presente estudo. O mesmo se verificou num estudo efetuado por Maio Alves et al. (2010), embora no protocolo de CXT deste estudo não incluísse qualquer exercício específico para o desenvolvimento da agilidade. Jullien et al. (2008), aplicaram um treino da força especifico para os membros inferiores, em 26 atletas de futebol (rapazes entre os 17 e 19 anos), com o objetivo de verificar o seu impacto na velocidade e na agilidade e tal como no presente estudo, os resultados identificados não assinalaram melhorias significativas no desempenho dos atletas.

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Página | 16

É possível que o treino de agilidade deva ser realizado de forma específica e independente de programas de treino da velocidade, os movimentos de agilidade estão mais dependentes de fatores da ordem do controlo motor do que da força máxima ou potência muscular, sendo que este fator pode justificar em parte, a ausência de resultados significativos ao nível da agilidade (Little e Williams, 2005; Tricoli et al. 2005; Young, 1988; Warren B. Young et al. 2001).

Young et al. (2001), desenvolveram um estudo em 36 homens, com os objetivos de identificar transferência do treino da velocidade em linha reta para a agilidade com vários níveis de complexidade, e a transferência do treino da agilidade para o desempenho motor na velocidade. Os autores supracitados concluíram que quanto mais complexa for a tarefa de agilidade, menor é transferência do treino da velocidade. A velocidade em linha reta e os métodos de treino da agilidade são específicos, tornando assim a transferência limitada.

As melhorias no desempenho existem quando os mecanismos que desencadeiam o PAP prevalecem sobre os mecanismos de fadiga. Em contraste, caso os mecanismos de fadiga se sobreponham, os efeitos não serão os desejados, tal como parece ter sucedido no presente estudo com as variáveis velocidade e agilidade. O efeito escada induzido por protocolos intermitentes para desencadear o PAP, está associado a duas condições fundamentais, a utilização de alta intensidade e curta duração das contrações, e os intervalos de recuperação entre as contrações consecutivas (Batista et al., 2007). Por sua vez, estas duas condições induzem muitas das vezes à sobreposição da fadiga (Kilduff et al. 2007). Possivelmente os participantes do presente estudo não atingiram o equilíbrio entre a fadiga e a potenciação. Uma vez que o tempo de repouso entre a execução do exercício pré-carga e o gesto motor foi nulo, a fadiga pode ter compensado a potenciação. Baudry e Duchateau (2007) referem que o PAP é um mecanismo que pode influenciar as contrações, e pode ser utilizado para melhorar o desempenho muscular em desportos explosivos. No entanto, a fadiga pode contribuir para a redução da extensão da potenciação.

Por ultimo, o CXT apesar de se caracterizar pela elevada intensidade e combinação de uma série de tarefas complexas numa única sessão, mostrou ser uma modalidade segura entre jovens praticantes de futebol. Durante a realização do presente estudo não se verificou qualquer lesão, o que sugere que este tipo de treino pode ser, de

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facto, apropriado para a prevenção de lesões, tal como previamente sugerido (McCambridge e Stricker, 2008; Summers, 1999).

(31)

Página | 18 5. CONCLUSÕES

A adição do CXT aos treinos regulares de futebol, mostrou ser um método eficaz na promoção das capacidades e das habilidades motoras de jovens atletas, em particular no aumento da eficácia do remate.

O CXT representa uma importante estratégia de gestão do tempo de treino, uma vez que permite estimular duas capacidades não concorrentes no mesmo exercício.

Finalmente, o CXT parece contribuir eficazmente para a prevenção das lesões desportivas associadas à prática de futebol.

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6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Página | 25 7. ANEXOS

INFORMAÇÃO/AUTORIZAÇÃO AOS ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO

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Página | 26 Formulário de Consentimento

1. No âmbito do mestrado de 2º Ciclo em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário realizado na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, irei efetuar uma dissertação de mestrado intitulada “Efeitos de um programa CXT de 6 semanas na agilidade, velocidade máxima, e eficácia do cruzamento e do remate em jovens atletas de futebol”, visando analisar componentes diretamente relacionadas com o futebol. 2. A minha participação irá incluir a realização de testes para medir a velocidade em 15

metros, agilidade com bola, eficácia do cruzamento; eficácia do remate.

Será verificada a estatura, massa corporal e a percentagem de massa gorda, através da medição das pregas adiposas. Posteriormente será implementado um programa de treino da força durante 6 semanas para verificar a sua influência nos testes descritos anteriormente.

3. Todos os participantes terão uma familiarização previamente com os exercícios que irão ser realizados.

4. Os dados recolhidos serão confidenciais.

5. Qualquer questão relacionada com o trabalho a ser desenvolvido, poderá ser esclarecida, diretamente ou pelo telefone 961975203.

Assinatura:____________________________________Data:_________________ (Bráulio Cavaco)

Assinatura:____________________________________Data:_________________ (Encarregado de Educação)

Encarregado(a) de educação do______________________________________, declaro que COMPREENDO e AUTORIZO o meu educando a participar na investigação acima referida.

Imagem

Figura 1. Exercício 1: Squat+Velocidade máxima em 15-m+Cruzamento; Exercício 2:
Figura 2. Percurso do teste velocidade máxima em 15-m + Cruzamento
Figura 3. Percurso do teste da Agilidade com bola + Remate.
Figura 4. Média marginal estimada Vmax-15.               Figura 5. Média marginal estimada AgB

Referências

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