Relatório Final do Estágio Profissionalizante
Mestrado Integrado em Medicina
Joana da Silveira Barreto
2014250 | Ano Letivo 2019/2020
Faculdade de Ciências Médicas | Universidade Nova de Lisboa
Orientadora: Dra. Rita Machado
Regente: Professor Doutor Rui Maio
ÍNDICE
INTRODUÇÃO E OBJETIVOS ... 3
ATIVIDADES DESENVOLVIDAS ... 4
ESTÁGIO PARCELAR DE MEDICINA GERAL E FAMILIAR ... 4
ESTÁGIO PARCELAR DE PEDIATRIA ... 4
ESTÁGIO PARCELAR DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA ... 5
ESTÁGIO PARCELAR DE SAÚDE MENTAL ... 6
ESTÁGIO PARCELAR DE MEDICINA INTERNA ... 6
ESTÁGIO PARCELAR DE CIRURGIA ... 7
ELEMENTOS VALORATIVOS ... 7
REFLEXÃO CRÍTICA ... 8
ANEXOS ... 11
ANEXO I:CRONOGRAMA DE ESTÁGIOS DO ANO LETIVO 2019/2020 ... 11
ANEXO II:TRABALHO REALIZADOS NO ESTÁGIO PROFISSIONALIZANTE ... 12
ANEXO III:ARTIGO NO JORNAL “NOTÍCIAS DE CASCAIS” ... 13
ANEXO IV:JORNADAS DE CARDIOLOGIA DE LISBOA OCIDENTAL ... 14
ANEXO V:IIJORNADAS DE MEDICINA GERAL E FAMILIAR ... 15
ANEXO VI:AEFCM–WORKSHOP COAGULAÇÃO ... 16
ANEXO VII:AEFCM-MEDICINA DE CATÁSTROFE ... 17
ANEXO VIII:AEFCM–O DOENTE PEDIÁTRICO NO SERVIÇO DE URGÊNCIA ... 18
ANEXO IX:AEFCM-URGÊNCIAS DE ORL ... 19
ANEXO X:AEFCM-PSICOLOGIA EDUCACIONAL ... 20
ANEXO XI:AEFCM–BURNOUT EM MEDICINA ... 21
ANEXO XII:AEFCM–COMUNICAÇÃO NÃO VERBAL EM SAÚDE ... 22
ANEXO XIII:AEFCM-INFERTILIDADE ... 23
ANEXO XIV:WEBINAR 1º CONGRESSO NACIONAL DE IMUNOALERGOLOGIA ... 24
INTRODUÇÃO E OBJETIVOS
O 6º ano do Mestrado Integrado em Medicina (MIM) é um ano fulcral no percurso de qualquer estudante de medicina e o culminar do ensino pré-graduado, sendo que o cariz profissionalizante é essencial para a aquisição de competências de um futuro médico. Pelas particularidades que lhe são inerentes é efetivamente um ano de integração. Neste sentido, está estruturado de forma a garantir a passagem dos estudantes por seis áreas clínicas fundamentais: Medicina Geral e Familiar, Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Saúde Mental, Medicina Interna e Cirurgia. Baseia-se efetivamente na integração dos alunos na atividade diária dos serviços, com a aquisição de competências para o exercício de uma prática clínica cada vez mais autónoma, responsável e segura. Assim, através da prática tutorada, pretende-se que os alunos do último ano do MIM consigam identificar as patologias mais comuns em doentes com diferentes características e conheçam, de uma forma geral, os procedimentos a adotar em cada situação.
Do ponto de vista clínico, defini como objetivo principal ser capaz de integrar os conhecimentos teóricos na abordagem ao doente. Procurei saber distinguir o urgente do não urgente, priorizar os problemas, estruturar o raciocínio clínico e diagnóstico diferencial, tal como realizar exame objetivo dirigido e perceber quais os meios diagnósticos e terapêuticas adequadas a cada doente e patologia. Do ponto de vista interpessoal, defini como objetivos participar ativamente nas enfermarias onde fosse inserida, de modo a ganhar capacidade para trabalhar em equipa; desenvolver técnicas de comunicação tanto com outros profissionais de saúde como com doentes e familiares, adaptando o discurso às diferentes situações e, a meu ver o mais importante, perceber o doente como um todo, integrando as valências médicas com as sociais e familiares. Na vertente pessoal, pretendi ultrapassar o receio de cometer erros atribuíveis à inexperiência, reconhecendo as minhas dificuldades e colocando dúvidas, de forma a ganhar confiança. Outros dos meus objetivos foram tentar perceber qual a área de especialização que mais se adequa a mim e aprofundar os meus conhecimentos teóricos através do estudo para a Prova Nacional de Seriação, equilibrando as minhas responsabilidades curriculares com tempo despendido com familiares e amigos.
O presente relatório divide-se em cinco partes. Em primeiro lugar, a corrente introdução com apresentação dos objetivos gerais. De seguida irei abordar sucintamente cada estágio realizado, redigir uma nota sobre os elementos curriculares valorativos e terminar com uma reflexão crítica que contemple os pontos positivos e aspetos a melhorar de cada estágio, avalie o cumprimento dos objetivos previamente estipulados e faça um balanço global deste tão importante último ano. Em anexo, encontra-se o cronograma dos estágios realizados (Anexo I), a listagem dos trabalhos realizados (Anexo II), um artigo redigido para um jornal (Anexo III) e os certificados das atividades realizadas ao longo do ano que considerei relevante destacar.
ATIVIDADES DESENVOLVIDAS
ESTÁGIO PARCELAR DE MEDICINA GERAL E FAMILIAR (9/9 – 4/10/2019)
O estágio parcelar de Medicina Geral e Familiar foi realizado na Unidade de Saúde Familiar (USF) S. Martinho de Alcabideche, com a Dra. Ana Dantas. Pelas características inerentes à especialidade estabeleci objetivos mais abrangentes como I) realizar consultas de forma autónoma, dirigida e sistematizada, com elaboração de registos clínicos, II) fazer o diagnóstico diferencial com base na história clínica e exame objetivo III) elaborar planos terapêuticos e de acompanhamento para os doentes e IV) utilizar parte do momento de consulta para a promoção de saúde e prevenção de doença.
A componente predominante do estágio foi, como seria de esperar, o momento de consulta. Aí tive contacto com doentes de todas as idades com os mais variados motivos de consulta, no âmbito das consultas de Saúde de Adultos, Consulta Aberta, Saúde Infantil, Saúde Materna e Planeamento Familiar. Ao longo do tempo, fui ganhando autonomia, o que culminou na possibilidade de conduzir consultas, de forma supervisionada. Desta forma, pude aperfeiçoar a colheita de anamnese e realizar exame objetivo dirigido às queixas dos doentes, bem como explorar diagnósticos diferenciais, consolidando conhecimentos teóricos. No final de cada consulta, discutia o plano terapêutico com a minha tutora. Realizei citologias cervicais, assisti à colocação de implantes subcutâneos e acompanhei a equipa médica e de enfermagem em visitas domiciliárias. Participei ainda numa aula de preparação para o parto, iniciativa da Unidade de Cuidados Comunitários (UCC), e assisti a uma formação dirigida à equipa médica da USF com o tema “Doenças Reumatológicas”. Por fim, elaborei um artigo sobre “Constipação” para o jornal Notícias de Cascais (Anexo III), que me permitiu treinar a explicação de um assunto do foro médico num texto com linguagem simples e percetível para os leitores, e redigi ainda o “Diário do Exercício Orientado”.
ESTÁGIO PARCELAR DE PEDIATRIA (7/10 – 1/11/2019)
O estágio de Pediatria decorreu no Hospital Dona Estefânia (HDE) sob a tutela do Dr. António Bessa de Almeida. Defini como objetivos: I) consolidar os meus conhecimentos sobre as patologias pediátricas mais prevalentes e que motivam a ida ao Serviço de Urgência (SU) e II) compreender os critérios de internamento das mesmas, III) integrar a família como elemento chave, IV) sistematizar e realizar o exame objetivo no lactente, criança e adolescente, bem como V) ter contacto com a prescrição médica em Pediatria, principalmente no que diz respeito às dosagens.
O Serviço 5.1. constituiu o principal local de estágio, no qual acompanhei a evolução clínica dos doentes internados, incluindo investigações diagnósticas e a tomada de decisões terapêuticas. No entanto, a maioria
destes doentes apresentava múltiplas patologias malformativas e, pela complexidade dos casos, não tive muitas oportunidades para realizar o exame objetivo completo ou mesmo colher a história clínica. Por outro lado, no SU contactei com uma grande quantidade de doentes, pelo que pude treinar a colheita de anamnese, realizar exames objetivos completos, bem como aferir a marcha diagnóstica nesse contexto. Saliento um caso de um lactente de 2 meses que veio à urgência por prostração, sem outra sintomatologia ou alterações ao exame objetivo. Assim, só após a realização de exames complementares de diagnóstico é que foi possível fazer o diagnóstico de infeção do trato urinário. Desta forma, ficou clara a importância da investigação etiológica exaustiva nesta faixa etária. Frequentei também a consulta externa de Pediatria Geral, onde pude observar primeiras consultas de casos referenciados e consultas de seguimento. Tive ainda a possibilidade de assistir a consultas de Imunoalergologia, às reuniões de passagem dos doentes e a sessões clínicas, e participar no workshop de Simulação de Urgências Pediátricas. Por fim, realizei uma história clínica e apresentei um seminário final intitulado “Alergia às proteínas do leite de vaca” (Anexo II).
ESTÁGIO PARCELAR DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (4/11 – 29/11/2019)
O estágio de Ginecologia e Obstetrícia foi realizado na Maternidade Alfredo da Costa (MAC), onde tive duas tutoras, a Dra. Sílvia Vieira e a Dra. Sofia Rodrigues. Estipulei como objetivos I) aprender a realizar exame objetivo ginecológico, II) compreender quais os sinais de alarme na mulher grávida, ganhando capacidade para distinguir os sinais e sintomas fisiológicos de patológicos, III) conhecer a abordagem sistematizada das patologias graves e IV) participar na vertente cirúrgica da especialidade.
A organização do estágio e as particularidades da MAC permitiram-me ter contacto com muitas valências da especialidade. No que diz respeito à Ginecologia, frequentei a consulta de Ginecologia Geral, observei a realização de colposcopias e ecografias ginecológicas, assisti a várias cirurgias, algumas no âmbito da Uroginecologia e Senologia, tendo participado como segunda ajudante numa histerectomia total. Relativamente à Obstetrícia, assisti a consultas de Diabetes na Gravidez, Imunodeficiências, consulta de referência e consulta de acompanhamento de grávidas de alto risco. Pude também observar grávidas no serviço materno fetal, onde assisti a cinco partos (três partos vaginais e duas cesarianas). Por fim, estive semanalmente no SU, onde contactei com as patologias ginecológicas mais frequentes, com os sinais que levam as grávidas ao SU e uma situação de risco fetal iminente com necessidade de cesariana emergente. Durante todo este período, realizei exame objetivo ginecológico tanto na mulher grávida como não grávida, medi o fundo uterino, auscultei o foco fetal e realizei colheitas de exsudado vaginal e rectal múltiplas vezes. Gostava de salientar o caso de uma jovem, que acabei por ver inesperadamente em vários contextos. Com um grande desejo de ser mãe e um aborto espontâneo anterior, grávida de 34 semanas, apresentava oligodrâmnios. Ficou clara a noção de resiliência, as dificuldades que muitas mulheres passam para cumprir
os seus sonhos, bem como as disparidades na envolvência de uma gravidez. Assisti ainda ao Workshop “The Woman” apresentado pelo Dra. Teresinha Simões, bem como às reuniões clínicas semanais. No final do estágio apresentei, no âmbito de um caso clínico, um trabalho sobre “Mola Hidatiforme” (Anexo II).
ESTÁGIO PARCELAR DE SAÚDE MENTAL (2/12/2019 – 10/1/2020)
O estágio parcelar de Saúde Mental decorreu no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL) com orientação da Dra. Mariana Lázaro. Tendo em conta as particularidades da especialidade de Psiquiatria, tracei como objetivos I) melhorar as técnicas de comunicação, com importância acrescida neste contexto, II) realizar de forma sistemática o exame de estado mental, III) identificar as características típicas das patologias psiquiátricas frequentes, IV) compreender os sinais que motivam internamento e V) acompanhar a evolução de doentes com patologia psiquiátrica em internamento.
A componente principal deste estágio foi a consulta externa, onde tive contacto com as patologias psiquiátricas mais frequentes, aspetos essenciais do seguimento e medicação. Estive também na enfermaria onde realizei a colheita de uma história clínica, observei a realização de exames do estado mental de forma seriada e pude aferir a evolução completa de doentes desde o 1º dia de internamento até à data da alta. Por ter assistido a várias entrevistas familiares com os pais e compreendido a importância da envolvência familiar e social, destaco o caso de um doente polaco de 26 anos, sem antecedentes pessoais, que desenvolveu um quadro de mania. Impressionou-me a rapidez com que os sintomas cederam à farmacologia e o facto de o doente apresentar crítica para o episódio ao 6º dia de internamento. Ainda, em contexto de SU, observei maioritariamente agudizações de perturbações já conhecidas, mas também episódios de novo. Por fim, ressalvo a presença nas reuniões de serviço semanais onde pude compreender as principais dificuldades na gestão dos doentes com doenças psiquiátricas e a preponderância da componente social.
ESTÁGIO PARCELAR DE MEDICINA INTERNA (20/01 – 13/03/2020)
Realizei o estágio de Medicina Interna no serviço 2.3. do Hospital S. António dos Capuchos (HSAC), orientada pela Dra. Sofia Pinheiro. Estabeleci como objetivos principais I) participar de forma ativa e útil nas atividades diárias do serviço, II) acompanhar os doentes ao longo de todo o internamento na sua vertente médica, mas também familiar e social, II) ser capaz de elaborar diários clínicos, notas de entrada e notas de alta e IV) reconhecer as patologias mais urgentes no SU e saber como atuar.
Diariamente foram-me atribuídos pelo menos dois doentes a quem realizei história clínica, exame objetivo, pedido de exames complementares de diagnóstico e, quando necessário e com supervisão, ajuste terapêutico. Desta forma, elaborei notas de entrada, notas de alta, pedidos de consulta e inúmeros diários
clínicos. No final do dia, discuti sempre com o médico responsável a abordagem e o plano. Nas reuniões de serviço diárias tive oportunidade de apresentar e discutir os casos clínicos dos doentes a meu encargo com os restantes membros da equipa médica, o que contribuiu para desenvolver a minha capacidade de síntese e de exposição de casos clínicos reais. A primeira doente que segui neste serviço é talvez a que mais me recordo, não pela exuberância do quadro, apresentava uma úlcera venosa, mas pela dificuldade que houve inicialmente em gerir o apoio da Cirurgia Plástica e, de seguida, o apoio familiar na alta; aspetos que vieram em muito aumentar o tempo de internamento. De outro modo, pude ainda realizar procedimentos médicos, nomeadamente gasimetrias arteriais e punções venosas e assistir à realização de toracocenteses, punções lombares e inserção de cateter venoso central. Além da enfermaria, o meu estágio estendeu-se à consulta, particularmente dirigida a doenças auto-imunes, e ao SU, onde tive mais oportunidades para realizar anamnese e exame objetivo de forma independente para posteriormente discutir a abordagem com o médico que acompanhei. Assisti ainda a sessões clínicas e aulas teórico-práticas. Por fim, realizei uma história clínica e apresentei um trabalho sobre “Registo Clínico” (Anexo II).
ESTÁGIO PARCELAR DE CIRURGIA (1/06 – 19/06/2020)
O estágio de Cirurgia foi condicionado pelas contingências inerentes à Pandemia de COVID-19. Desta forma, realizou-se de dia 1 de Junho de 2020 a 19 de Junho de 2020 através da plataforma Zoom. Fui tutorada pela Dra. Sílvia Alexandre Silva, com quem realizei várias sessões de discussão de temas teóricos complementados com casos clínicos, nomeadamente “Abordagem ao nódulo da mama” e “Dor Abdominal no Serviço de Urgência”. Por fim, realizei e apresentei um trabalho sobre “Rotura esplénica espontânea”, que incluiu uma revisão teórica sobre o tema e a discussão de um caso clínico (Anexo II).
ELEMENTOS VALORATIVOS
Durante este ano letivo, assumi como um dos meus objetivos a participação em atividades extracurriculares que considero serem importantes na aquisição de competências pessoais, na consolidação de conhecimentos médicos já adquiridos, contribuindo também para o estudo para a Prova Nacional de Seriação, e úteis para alargarem o meu conhecimento nas mais variadas vertentes médicas. Participei nas
Jornadas de Cardiologia de Lisboa Ocidental (Anexo IV) e nas II Jornadas de Medicina Geral e Familiar
(Anexo V), onde tive contacto com as novas guidelines em temas importantes como dislipidémia e hipertensão arterial. No que diz respeito às palestras da AEFCM, saliento que a maioria foram realizadas na plataforma Zoom, mantendo a interatividade desejada e comum a estas atividades. Penso que o Workshop
de Coagulação (Anexo VI), Medicina de Catástrofe (Anexo VII), O doente pediátrico no Serviço de Urgência
raciocínio médico organizado. As palestras sobre Psicologia Educacional (Anexo X), Burnout em Medicina (Anexo XI) e Comunicação não-verbal (Anexo XII) trouxeram-me noções úteis para aplicar no dia-a-dia. Já a palestra da AEFCM de Infertilidade (Anexo XIII) e o Webinar 1º Congresso Nacional de Imunoalergologia (Anexo XIV) do Hospital da Luz permitiram a sedimentação de conhecimentos previamente adquiridos. Por fim, o congresso Symbio Wired (Anexo XV) organizado pela Universidade do Porto desafiou-me a pensar mais além e a perceber a multiplicidade de aplicações do conhecimento médico.
REFLEXÃO CRÍTICA
Findo o 6º ano do MIM surge a necessidade de refletir e ponderar sobre o meu percurso ao longo do ano, nomeadamente sobre a produtividade de cada estágio e sobre os objetivos a que me propus.
De forma geral, considero que cumpri os objetivos gerais e específicos estabelecidos e que os estágios parcelares, com as particularidades que são inerentes a cada um, contribuíram para o meu desenvolvimento enquanto médica mais capaz. Sinto-me agora mais segura dos meus conhecimentos e na forma de atuar em diferentes contextos, algo que só foi possível pela autonomia conferida, e que consistia num dos meus principais receios. Do ponto de vista clínico e académico, penso que os estágios de Medicina Geral e Familiar e Medicina Interna foram os que mais contribuíram para a minha formação pela constante necessidade de cimentar conhecimentos teóricos para aplicar no dia-a-dia. Relativamente à vertente interpessoal, quero salientar que a integração enquanto elemento participante nos vários serviços me deu a convicção de que é impossível exercer esta profissão sozinha, salientando a comunicação como ferramenta indispensável. Em termos pessoais, não tenho dúvida que o MIM e em particular este ano, me moldou enquanto pessoa, principalmente nas minhas prioridades, interesses e metas. Aprendi, na primeira pessoa, a importância da empatia e do estabelecimento da relação médico-doente adaptável e adequada a cada contexto.
No que diz respeito ao estágio de Medicina Geral e Familiar, penso ter sido o estágio que mais sentido fez para começar o ano, uma vez que me permitiu contactar com as patologias mais frequentes nos diferentes grupos etários e perceber os motivos de referenciação para outras especialidades, bem como participar na promoção da saúde e prevenção de doença. Tive clara noção da dificuldade que pode existir em gerir um doente com várias comorbilidades e a importância de um seguimento cuidado. Por outro lado, pela primeira vez durante o curso, surgiu a possibilidade de conduzir uma consulta, orientando tanto a anamnese como o exame objetivo para a queixa do doente, o que foi essencial para a sistematização. O facto de estar num ambiente de supervisão foi uma das grandes mais valias, uma vez que me permitiu melhorar algumas das minhas capacidades, como reconhecer melhor as minhas falhas e aspetos a melhorar. Pude, também, compreender as mais valias do seguimento do doente ao longo dos anos, bem como de toda a família, sendo
evidente a influência das relações interpessoais na vida de cada um. Sem dúvida que neste contexto, o estabelecimento de uma boa relação médico-doente é primordial, uma vez que as vontades, expetativas e receios dos doentes e familiares são preponderantes. Deste modo, destaco o estágio como muito enriquecedor, penso ter cumprido todos os objetivos a que me propus e adquirido competências que foram otimizadas ao longo do ano
.
Já relativamente ao estágio de Pediatria, ajudou-me a sedimentar conhecimentos teóricos adquiridos, particularmente no que diz respeito às patologias mais frequentes em idade pediátrica. Por outro lado, sinto-me mais confiante na realização do exasinto-me objetivo completo na criança, bem como na comunicação com a família. Para tal, considero que o tempo que passei no SU do HDE teve particular importância, sendo que foi um dos aspetos mais positivos que quero destacar. Saliento também a consulta como um momento educativo importante, uma vez que pude assistir à consulta de Pediatria Geral. Já a vivência em enfermaria não foi tão positivo pela dificuldade em participar do ponto de vista prático, tendo sido momentos preponderantemente observacionais.
Saliento o estágio de Ginecologia e Obstetrícia, como aquele que me permitiu ter uma visão mais generalista da especialidade, tendo superado as minhas expectativas. Penso que o facto de ter tido duas tutoras fez com que tivesse a oportunidade de maximizar o contacto com as várias vertentes da especialidade, pela multiplicidade de consultas, técnicas e cirurgias que observei. Neste sentido, pude realizar múltiplas vezes o exame objetivo ginecológico, no qual me sinto agora mais segura. Por outro lado, pude participar numa cirurgia, algo que foi positivo, uma vez que acabei por não ter essa oportunidade no estágio de Cirurgia.
Do estágio de Saúde Mental, penso que superei os objetivos propostos e destaco a possibilidade de observar a realização de exames de estado mental e posteriormente a sua execução. Considero ter sido muito importante ter acompanhado vários doentes desde o internamento até à alta, tendo aferido a evolução e a resposta aos fármacos. Neste contexto, pude também observar entrevistas com familiares que são essenciais para se perceber a envolvente familiar e social do doente, qual o estado basal e assegurar o seu acompanhamento pós-alta. Assim, o estágio no CHPL permitiu-me contactar com a vivência numa enfermaria de Psiquiatria, algo que ainda não tinha sido possível até ao momento. O facto de ter assistido a muitas consultas foi também muito útil para perceber as particularidades do seguimento a longo prazo, a evolução e impacto das doenças psiquiátricas mais comuns. Já a urgência tornou-se mais um momento para treinar a anamnese e perceber como conduzir a entrevista de forma a otimizar a comunicação médico-doente.
Considero que o estágio de Medicina Interna foi o mais completo em termos de aprendizagem e aquele que me permitiu claramente cumprir todos os objetivos a que me propus. Assumiu efetivamente um carácter
profissionalizante, uma vez que fui integrada como elemento da equipa. O facto de ter doentes diariamente a meu cargo estimulou o meu sentido de responsabilidade, tornou-se indispensável para a consolidação de conhecimentos teóricos e para perceber efetivamente tudo o que implica um internamento, desde a priorização das tarefas, à necessidade do trabalho multidisciplinar e à importância da constante discussão em equipa. Pela autonomia que me foi concedida, ainda que supervisionada, cometi alguns erros no que diz respeito à gestão de doentes, que foram sendo corrigidos e diminuídos. Este foi um dos aspetos que mais me fez evoluir, sendo que fui ganhando mais confiança na observação do doente, o que se deveu principalmente à facilidade que tive em expor dúvidas e inseguranças aos médicos da enfermaria. Por outro lado, o facto de ter acompanhado vários médicos tanto no internamento como no SU, permitiu-me ter contacto com formas de trabalhar distintas, de modo a adotar aquela que melhor se adequa a mim. Apesar de não o saber quando terminou, este foi o meu último estágio efetivamente prático do MIM e contribuiu muito para o meu desenvolvimento profissional, mas também pessoal.
Uma vez que o estágio parcelar de Cirurgia se iria iniciar quando foi decretado em Portugal o Estado de Emergência, este não pôde ser realizado na sua vertente prática. Antes de mais, considero que era um estágio muito importante para o meu percurso, uma vez que o estágio que realizei no 3º ano foi pouco conseguido. Ainda assim, acho que a alternativa encontrada para substituição foi aquela que mais beneficiou os alunos. Com a atribuição de um tutor e a discussão de temas associados a casos clínicos, consegui consolidar o meu conhecimento teórico e sistematizar a abordagem de patologias frequentes em SU. Também a apresentação do minicongresso ajudou na integração e sintetização de conhecimentos estruturantes da Cirurgia.
Ao relembrar as expetativas que tinha para este ano não posso deixar de reiterar que a pandemia por COVID-19 em muito veio alterar a nossa conduta. Por um lado, não tive oportunidade de ter um verdadeiro estágio prático de cirurgia, por outro lado fui posta à prova no que concerne à capacidade de adaptação e resiliência. De outro modo, no que diz respeito aos estágios que tive, acho que globalmente corresponderam às minhas expetativas e sinto que foi criada uma plataforma através da qual posso evoluir e crescer não só enquanto médica, mas também enquanto pessoa, o que na realidade não é dissociável. Sabendo que tenho muito por onde progredir, considero que o 6º ano me trouxe mais autonomia, confiança e capacidade de integração de conhecimento.
Termino com a certeza de que estou no início de um longo percurso, para o qual estou muito motivada. Por fim, gostaria de agradecer a todos os tutores e profissionais de saúde pelos ensinamentos e valores transmitidos que me permitiram evoluir, mas também aos familiares e amigos pelo apoio incondicional e indispensável demonstrado, que tornaram esta experiência possível e única.
ANEXOS
ANEXO I: CRONOGRAMA DE ESTÁGIOS DO ANO LETIVO 2019/2020
Estágio Período Regente Tutor Local
Medicina Geral e
Familiar 9/9/2019 – 4/10/2019 Prof. Dra. Isabel Santos Dra. Ana Dantas USF S. Martinho de Alcabideche
Pediatria 7/10/2019 –
1/11/2019 Prof. Dr. Luís Varandas Dr. António Bessa de Almeida Hospital Dona Estefânia
Ginecologia e
Obstetrícia 4/11/2019 – 29/11/2019 Prof. Dra. Teresinha Simões Dra. Sílvia Vieira Dra. Sofia Rodrigues
Maternidade Alfredo da Costa
Saúde Mental 2/12/2019 –
10/01/2020 Prof. Dr. Miguel Cotrim Talina Dra. Mariana Lázaro Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa
Medicina Interna 20/01/2020 –
13/03/2020 Prof. Dr. Fernando Nolasco Dra. Sofia Pinheiro Hospital Stº. António dos Capuchos
Cirurgia 1/06/2020 –
ANEXO II: TRABALHO REALIZADOS NO ESTÁGIO PROFISSIONALIZANTE
Estágio Parcelar Tema e Autores
Medicina Geral e Familiar
“Constipação” Artigo de jornal
Joana Barreto
Pediatria
“Alergia às proteínas do leite de vaca” Caso Clínico e Revisão Teórica Ana Rita Martins, Joana Barreto, Sara Cabral
Ginecologia e Obstetrícia
“Mola Hidatiforme – a propósito de um caso clínico” Caso Clínico e Revisão Teórico
Carolina Baltazar, Joana Barreto, Joana Pitta
Medicina Interna
“Registo Clínico” Revisão teórica
Ana Rita Ribau, Joana Barreto, Madalena Malato
Cirurgia
“Rotura esplénica espontânea” Caso Clínico e Revisão Teórico Carolina Baltazar, Joana Barreto, Maria Dias
ANEXO XIII: AEFCM - INFERTILIDADE
Infertilidade
— Certificado de Participação
EMITIDO POR:
AEFCM - Associação de Estudantes da NOVA Medical School Campo Mártires da Pátria, 130
1169-056 Lisboa
NOME
Joana da Silveira Barreto
DOCUMENTO DE IDENTIFICAÇÃO 14405899 CÓDIGO DE CERTIFICADO C-5ec598b130a84 Evento Infertilidade 23-05-2020 18:00 ® 23-05-2020 20:00 - Duração: 2 horas
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