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UNIVERSIDADE DE TRÁS-OS-MONTES E ALTO DOURO
Mestrado em Ensino de Português no 3º Ciclo de Ensino Básico e Ensino Secundário e de Espanhol nos Ensinos Básico e Ensino Secundário
O INTERCÂMBIO E A PARTILHA DE EXPERIÊNCIAS EM
ELE
Relatório de Estágio
Orientadoras:
Professora Doutora Anabela Dinis Branco de Oliveira
Doutora Cátia Pinto Teixeira
Isabel Gomes Ferreira de Carvalho
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Diz-me, e eu esquecerei; ensina-me e eu lembrar-me-ei; envolve-me, e eu
aprenderei.
(Autor desconhecido)
"Uma experiência nunca é um fracasso, pois sempre vem demonstrar algo. "
( Thomas Edison )
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Agradecimentos
Ao Sílvio, o meu marido e companheiro, que esteve sempre presente nos momentos mais felizes e também nos mais difíceis da minha vida, por nunca ter deixado de acreditar em mim, pela ajuda e paciência.
Ao Sandro e à Íris, meus filhos que presenciaram com paciência toda esta tarefa de elaboração do relatório.
À Fátima, pela amizade e compreensão nos momentos de maior nervosismo e preocupação. Pelo companheirismo e disponibilidade que sempre manifestou. Pela ajuda na revisão do documento apresentado.
Ao Bruno, pela ajuda na formatação de texto.
À minha família, aos meus pais, Celeste e António e a minha irmã, Cristela, pela preocupação, ajuda e apoio nos momentos mais difíceis.
Aos meus alunos, que participaram ativamente nas atividades de intercâmbio propostas.
À Natalia Bregin-Dwulat, a professora polaca parceira do primeiro intercâmbio descrito.
À Professora Doutora Anabela Dinis Branco de Oliveira e à Doutora Cátia Pinto Teixeira, orientadoras do presente relatório, pela orientação e apoio, pela simpatia e disponibilidade.
Ao Doutor, José Manuel Giménez García, e sua esposa, Carmen Berenguer Ortuño, pela simpatia e disponibilidade.
À Doutora Sílvia Meireles, orientadora de estágio, que me ajudou a crescer profissionalmente.
À Doutora Maria Jorge Azevedo pela gentil colaboração na tradução do resumo para Inglês.
À Doutora Luísa Costa pela ajuda prestada na seleccão de uma escola parceira para um dos intercâmbios.
Aos colegas professores de línguas que prontamente responderam ao inquérito que também serviu de apoio ao estudo apresentado.
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Ao Sílvio, ao Sandro e à Íris
5 ÍNDICE Páginas Resumo 7 Glossário 9 Introdução 10 Capítulo I
1. O Intercâmbio e a partilha de aprendizagens em ELE 12
1.1 Delimitação do tema 12
1.2 Intercâmbio – Comunicação Efetiva 13
1.3 Comunicar em Língua Materna e em Língua Estrangeira 14
1.4 Metodologias e abordagens teóricas propícias ao
Intercâmbio Escolar 17
2. História do Intercâmbio 23
2.1 Da pré-história ao Século XX 23
2.2 O Século do Intercâmbio Escolar 24
2.2.1 Em Portugal 26
2.2.1.1 Questionário sobre “Intercâmbio com
um país estrangeiro” 27
2.2.1.2 Análise dos Inquéritos 32
Capítulo II
A. Atividades de Intercâmbio realizadas pela docente 41
1. Planificação do Projeto de Intercâmbio Escolar 42
1.1 Objetivos 42
1.2 Atividades desenvolvidas 43
1.2.1 Descrições de atividades 44
1.3 Análise e conclusões 47
2. Planificação de uma unidade didática com uma atividade de Intercâmbio 50
2.1 Objetivos gerais 50
2.2 Competência geral 51
2.3 Competências comunicativas 51
2.4 Destrezas 52
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2.6 Recursos 52
2.7 Descrição das atividades 53
2.8 Análise e conclusões 55
B. Atividades de Intercâmbio realizadas por outros docentes 56
1. Descrição das atividades 57
1.1 Projeto de Intercâmbio com prémio retirado
do eTwinning 57
1.2 Projeto de Intercâmbio entre uma escola de Badajoz
e uma escola portuguesa 60
C. Outras propostas de atividades para realizar um Intercâmbio Escolar 64
1. Primeira proposta para um futuro Intercâmbio: “Conta, conta” 65
2. Segunda proposta para um futuro Intercâmbio: “Nós: todos iguais
e todos diferentes” 73
3. Terceira proposta para um futuro Intercâmbio: “A Europa de hoje” 77
Conclusão 84 Referências Bibliográficas 86 Anexo 1 88 Anexo 2 90 Anexo 3 95 Anexo 4 98 Anexo 5 100 Anexo 6 102 Anexo 7 105 Anexo 8 108 Anexo 9 111 Anexo 10 115 Anexo 11 117 Anexo 12 121 Anexo 13 148
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O intercâmbio e a partilha de experiências em ELE
Resumo
Com a aprendizagem de uma ou mais línguas estrangeiras, pretende-se que o aluno desenvolva a competência comunicativa, se torne plurilingue e melhore a sua personalidade através de uma consciência intercultural.
O Intercâmbio Escolar, partilha de experiências a nível linguístico e cultural entre falantes de línguas e culturas distintas, coloca o aluno em situação de comunicação efetiva, tornando-o autónomo e capaz de enfrentar a Europa e o Mundo.
Com efeito, várias escolas europeias têm desenvolvido projetos de intercâmbio interdisciplinares de reconhecido mérito porquanto contribuiram para a consecução dos objetivos da aprendizagem da língua estrangeira.
Apresenta-se, à luz de uma abordagem metodológica éclética e flexível, uma panóplia de planificações de projetos de intercâmbios escolares realizados em ELE, bem como um conjunto de sugestões potencialmente eficazes no desenvolvimento das competências gerais e comunicativas da língua – alvo.
The exchange and sharing of experiences in SFL (Spanish as a Foreign Language)
Abstract
With the learning of one or more foreign languages, it is intended that students develop communicative skills, become multilingual and improve personality through an intercultural awareness.
Exchange School programs, cultural and linguistic shared experiences between speakers of different languages and cultures, put students in a situation of effective communication, making them autonomous and capable of facing Europe and the World.
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Indeed, several European schools have developed interdisciplinary exchange projects of recognized quality as they have contributed to the achievement of the objectives of learning a foreign language learning.
A variety of lesson plans for projects carried out in Exchange School Programs in Spanish as a Foreign Language are presented in the light of an eclectic and flexible methodological approach, as well as a set of suggestions potentially effective in developing general and communicative skills in the target language.
9 GLOSSÁRIO
LE: Língua estrangeira
LE2: Língua Estrangeira Segunda
LM: Língua materna
QECRL: Quadro Europeu Comum de Referência
para as Línguas
UE: União Europeia
DEL: Dia Europeu das Línguas
ME: Ministério da Educação Portuguesa
EUA: Estados Unidos da América
TIC: Tecnologia da Informação e Comunicação
10 Introdução
A aprendizagem e o conhecimento de Línguas Estrangeiras (LE) são reconhecidos pela União Europeia (UE) como uma vantagem significativa. A partir do momento em que passamos a conhecer uma LE, aprendemos a aceitá-la e a apreciá-la. Esta potencia um melhor conhecimento e compreensão do “outro” e visa tornar mais eficaz o convívio e a interação entre os falantes de línguas e culturas diferentes. No caso concreto deste trabalho, ter-se-á em conta a aprendizagem do Espanhol como LE.
Tendo em conta que o objetivo principal da aprendizagem da LE é adquirir a competência comunicativa, o Intercâmbio Escolar é proposto como estragégia / atividade para facilitar o objetivo pretendido tornando o aluno um aprendente autónomo e cidadão capaz de enfrentar não só a Europa, mas também o mundo. Na verdade, o Intercâmbio Escolar é valorizado em várias orientações curriculares nomeadamente no Quadro Europeu Comum de
Referência para as Línguas (QECRL) e ainda na Europa em Movimento, documento
elaborado pela Direção-Geral da Comunicação da Comissão Europeia.
Deste modo, a finalidade deste relatório visa demonstrar aos professores de LE as vantagens do Intercâmbio Escolar incentivando-os para a realização do mesmo.
Para tal, este relatório foi dividido em dois capítulos. No primeiro capítulo, são abordados vários assuntos teóricos que desenvolvem a temática apresentada. Delimita-se o tema Intercâmbio relacionando-o essencialmente com a partilha de experiências a nível linguístico e cultural de alunos de escolas e países diferentes com a finalidade de desenvolver a competência intercultural. Defende-se o Intercâmbio como sendo uma atividade que fomenta a comunicação efetiva. Evidencia-se a capacidade que o ser humano tem de comunicar em língua materna e em língua estrangeira. Apresenta-se uma panóplia de metodologias e abordagens teóricas propícias ao Intercâmbio Escolar, apoiando-se o ecletismo e a flexibilidade metodológica. Patenteia-se a história do Intercâmbio desde os primórdios até aos nossos dias. São realçadas as formas mais simples de comunicação, a Antiguidade Greco-Romana, os períodos da Idade Média e da Idade Comtemporanea, o século XX nos Estados Unidos e em França, bem como a última década na Europa e em Portugal. No caso concreto do nosso país, é feita uma análise dos Intercâmbios realizados através de inquéritos a professores portugueses a lecionar em Portugal.
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No segundo capítulo, são apresentados vários projetos de Intercâmbio Escolar realizados pela docente, mas também por outros professores de LE sempre de acordo com o QECRL e o Plan Curricular del Instituto Cervantes - A1/A2. Deste modo, propõe-se uma planificação de projetos de Intercâmbio Escolar centrada nos objetivos, atividades e avaliação das mesmas com o propósito de extrair conclusões que permitam melhorar intercâmbios e a atividade profissional. Neste contexto, faz-se uma sugestão de atividades possíveis para intercâmbios que, do ponto de vista da docente, seriam vantajosas para o aprendente de uma LE.
Na conclusão, é feita uma avaliação do projeto: são tecidas considerações sobre o trabalho desenvolvido pela docente no que diz respeito às suas expectativas, concretizações, melhorias, dificuldades e resultados práticos.
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Capítulo I
1. O Intercâmbio e a partilha de experiências em ELE
1.1 Delimitação do tema
Em geral, as pessoas já ouviram falar de Intercâmbio, mas será que todos sabem o que significa? Essa palavra é muito abrangente, no entanto, possui um significado simples: “Troca”. Poderá ser uma troca de cultura, de experiência ou uma simples troca comercial, isto é, poderá ter uma infinidade de sentidos. Existem, assim, vários tipos de intercâmbio: cultural, comercial, escolar, social, entre nações, instituições, entre outros. O que interessa, neste trabalho de pesquisa, é o Intercâmbio Escolar, pois, veremos se esta atividade ajuda os alunos na aquisição de uma língua estrangeira (LE). Tal como afirma Alan Chauca Torres no - Ensayo sobre la importancia del intercambio estudiantil – “(…) el intercambio estudiantil, es en sí mismo un cúmulo de nuevas vivencias, e implica un intercambio dual: estudiantil y cultural (…)”(Torre 2009:1). Fazer um intercâmbio, hoje, é uma alternativa conveniente para quem quer aperfeiçoar uma língua e crescer pessoalmente. É uma experiência inesquecível que marcará positivamente o aluno. Pode-se verificar que no Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas o Intercâmbio tem grande importância para o ensino das LE: “(…) o Conselho de Ministros (…) chamou a atenção para a importância do desenvolvimento de mais laços educativos e de intercâmbio e da exploração do enorme potencial das novas tecnologias da informação e da comunicação.” (QECRL 2001: 23). Chama ainda a atenção para a importância da partilha de conhecimentos adquiridos entre dois ou mais alunos: “ (…) O conhecimento dos valores partilhados e das crenças dos grupos sociais doutros países e regiões, tais como crenças religiosas, tabus, história comum, etc., são essenciais para a comunicação intercultural” (QECRL 2001: 31). Sendo assim, durante um intercâmbio, os discentes poderão desenvolver as competências gerais individuais pondo em prática os seus conhecimentos socioculturais e alargando a consciência intercultural.1
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O “Plan curricular del Instituto Cervantes y sus Niveles de referencia para el español” expõe também a dimensão de “hablante intercultural” como sendo um dos objetivos a alcançar pelo aluno.
13 1.2 Intercâmbio – Comunicação Efetiva
A tarefa do professor - orientar alunos com diferentes interesses e dificuldades tornou-se cada vez mais árdua, pois o interestornou-se comum dos estudantes é frequentemente divergente dos interesses escolares.
Sabe-se que as novas tecnologias - internet, chat, redes sociais (facebook, hi5, twiter, myspace, Google+, …), iPod, iphone, iPed - são os principais instrumentos utilizados pelos adolescentes e jovens. Como podemos inserir a aprendizagem de uma LE neste contexto da era da internet e da comunicação? Como podemos mostrar aos alunos a utilidade de uma ou várias LE? Quais as atividades mais adequadas para ensinar uma LE? Não será o Intercâmbio Escolar uma das melhores ferramentas para incentivar, melhorar e encorajar os estudantes na aprendizagem da língua em estudo?
O QECRL refere que o Intercâmbio é importante para o ensino e aprendizagem de uma LE: “ (…) a importância do desenvolvimento de mais laços educativos e de intercâmbio e da exploração do enorme potencial das novas tecnologias da informação e da comunicação” (QECRL 2001: 23).
Muitos docentes de LE, ao longo do seu percurso profissional, encontram alunos com mais dificuldades na aquisição da língua em estudo. As lacunas levam muitas vezes a um estado de desmotivação e desinteresse. Perante este facto, muitos professores procuram, sempre que possível, uma atividade que permita desenvolver a capacidade de aprendizagem linguística bem como o conhecimento sociocultural. É neste contexto que se insere o Intercâmbio Escolar.
Assim, esta atividade tem como objetivo colocar os alunos numa situação comunicativa real em LE com a finalidade de dar um sentido a atividades orais e escritas que, aliadas a partilhas de experiências de falantes de diferentes nacionalidades e culturas favorecem e melhoram a comunicação intercultural:
“ (…) o aprendente de uma língua e cultura segunda ou estrangeira não deixa de ser competente na sua língua materna e na cultura que lhe está associada. (…) O aprendente da língua torna-se plurilingue e desenvolve a interculturalidade. As competências linguísticas e culturais respeitantes a uma língua são alteradas pelo conhecimento de outra e contribuem para uma consciencialização, uma capacidade e uma competência de realização interculturais. Permitem, ao indivíduo, o desenvolvimento de uma personalidade mais rica e complexa, uma maior capacidade de aprendizagem linguística e também uma maior abertura a novas experiências culturais.” (QECRL 2001: 73).
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Para poder aprender a comunicar numa LE é fundamental estar com outros falantes para partilhar vivencias e experiências. Foi também através da troca de palavras, gestos e mensagens que um indivíduo aprendeu a sua LM.
1.3 Comunicar em Língua Materna e em Língua Estrangeira
Comunicar faz parte do nosso dia a dia, pois comunicamos principalmente através da emissão de sons, pelo olhar, pela escrita, com desenhos, gestos, símbolos escritos ou gestuais, através da pintura, da fotografia, da música, do teatro, do cinema.
Dependendo das situações, é possível comunicar de outra forma que não seja através da oralidade. De facto, existem diferentes formas de linguagem, tais como a língua gestual que se refere à língua materna de uma comunidade de surdos e o Braille, inventado pelo francês Louis Braille, no ano de 1827 em Paris. Também se pode incluir outros sistemas de sinais como o código da estrada, o código da comunicação marítima ou aérea.
A capacidade de comunicar sempre foi uma característica do ser humano. Segundo a psicóloga clínica Paula Corina Fernandes, a comunicação já existe durante o desenvolvimento intrauterino :
“ (…) o feto já nos primórdios da vida intrauterina, pode perceber som, engolir, sonhar, reconhecer a voz da mãe, apresentando sinais de comportamento inteligente, expressam estados emocionais de agrado e desagrado através de movimentos como pontapés ou hiperatividade, começam a sonhar a partir da vigésima terceira semana de gestação, como um modo de elaborar experiências vivenciais. (…) a experiência auditiva mostra que o feto prefere a voz familiar e que cada história de gestação e parto se relaciona a comportamentos que continuam a serem observados no período pós-natal(…)”. (Fernandes, Paula Corina)
Uma mãe comunica desde a gestação do seu bebé e ele, por sua vez, responde-lhe com pontapés, choros e sorrisos.
Existe outra possibilidade para comunicar para além do contato direto – a comunicação à distância fruto de algumas necessidades. Assim é possível comunicar por correio postal, fax, telefone e por meios de comunicação eletrónicos, como a Internet.
Hoje esta via tem tomado grandes proporções com o aparecimento de aplicações adequadas citadas no ponto anterior. Conseguimos comunicar à velocidade da luz. Algumas décadas atrás não era possível, pois as cartas, os postais demoravam semanas a chegar ao destino.
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Se por um lado comunicamos utilizando a nossa língua materna, por outro também somos capazes de fazê-lo através de uma LE. Pode ser para viajar, para trabalhar num país estrangeiro, para manter relações empresariais ou simplesmente por prazer, para conhecer outras línguas e outras culturas. Com a criação da União Europeia, comunicar em várias línguas tornou-se um dos principais objetivos. Segundo a Comissão Europeia:
“Conhecer outra língua, ou várias outras línguas, permite que os cidadãos se desloquem e encontrem emprego noutro país. Esta mobilidade no mercado laboral ajuda a criar novos postos de trabalho e a estimular o crescimento. Conhecer outras línguas promove também os contactos interculturais, a compreensão mútua e a comunicação direta dos cidadãos entre si numa união cada vez mais ampla e mais diversa.” (Comissão Europeia 2008: 4).
Esta mobilidade vai permitir aos cidadãos obter um emprego, mas também possibilita o contato com outros cidadãos europeus. Ser capaz de comunicar com outros sensibiliza-nos para o que temos em comum e, ao mesmo tempo, reforça o respeito mútuo pelas diferenças culturais. A UE promove também a aprendizagem de línguas. Desde 2001, todos os anos se comemora o Dia Europeu das Línguas (DEL) a 26 de setembro por iniciativa do Conselho da Europa. A razão de ser deste dia “especial” é celebrar a diversidade das línguas e das culturas existentes no espaço europeu. O DEL tem como objetivos chamar a atenção do público para a importância de aprender línguas, promover a tomada de consciência e o respeito por todas as línguas, estimular a aprendizagem de línguas ao longo da vida. Para além deste dia, a UE inseriu, desde 2007, subprogramas específicos no âmbito geral do programa de aprendizagem. Cada um deles é designado pelo nome de um educador europeu famoso e é responsável por uma área de ensino e aprendizagem. O primeiro subprograma designado por Comenius, cujo nome vem do de Jan Amos Comenius, um pedagogo do século XVII, originário da atual República Checa, abrange o ensino primário e secundário. O segundo, Erasmus, cujo nome vem do humanista neerlandês do século XVI, Erasmus de Roterdão, especialmente criado para permitir que estudantes e professores de nível universitário possam passar algum tempo numa universidade de outro país da UE, proporcionando aos participantes cursos de língua intensivos antes da sua estadia no estrangeiro. O subprograma Leonardo da Vinci, cujo nome vem dessa grande figura da Renascença italiana, centra-se no ensino e na formação profissional e, por fim, Grundtvig, cujo nome vem do de Nikolaj Frederik Severin Grundtvig, um pioneiro dinamarquês da educação de adultos que viveu no séc. XIX e que se dedica especialmente ao ensino de adultos.
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Dada a importância das línguas na Europa, o Conselho da Europa definiu o “Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas: Aprendizagem, ensino, avaliação”, de 2001, com o intuito de harmonizar os níveis de aprendizagem das línguas no espaço europeu. Com esta medida pretende-se promover e fomentar a diversidade linguística e cultural na Europa:
“(…) apenas através de um melhor conhecimento das línguas vivas europeias se conseguirá facilitar a comunicação e a interação entre Europeus de línguas maternas diferentes, por forma a promover a mobilidade, o conhecimento e a cooperação recíprocas na Europa e a eliminar os preconceitos e a discriminação; (…)” (QECRL 2001: 20).
Este documento representa o último estádio de um processo que tem sido ativamente conduzido desde 1991. Foi ainda elaborado no âmbito do Projeto “Políticas Linguísticas para uma Europa Plurilingue e Multicultural”. Com base neste documento de referência, pretende-se hoje fomentar a criação de ambientes propiciadores de uma aprendizagem motivadora e próxima de contextos reais de comunicação. Assim, são de incentivar as situações de comunicação autêntica entre jovens de vários países, proporcionadas pelos projetos de intercâmbio escolar e pelas parcerias de Escolas.
Visto que a utilização de várias línguas é fundamental para a UE, cabe aos países membros proporcionar aos cidadãos a possibilidade de aprender mais do que uma LE. Com efeito, nos programas de LE do ensino básico e secundário, elaborado pelo Ministério da Educação Português, pode-se verificar que o objetivo principal da aprendizagem das línguas é “(…) o desempenho da competência comunicativa, ou capacidade de interagir linguisticamente de forma adequada nas diferentes situações de comunicação, tanto de forma oral como escrita (…)” (Educação 1997: 18). Acrescenta também que se deve levar os alunos a comunicar na LE, realizando tarefas, criando situações de comunicações tão autênticas quanto possível. Os programas destacam os intercâmbios entre alunos ou escolas de países estrangeiros como sendo atividades de comunicação real.
Podemos concluir que o homem sempre quis ter e tem a necessidade de comunicar, oralmente ou por escrito, seja na língua materna ou na língua estrangeira. Deste modo, o ensino torna-se muito importante para adquirir conhecimentos linguísticos bem como socioculturais sobre a língua em estudo, pelo que será feita uma breve abordagem sobre o aparecimento das várias metodologias para o ensino de uma língua estrangeira. De seguida, poder-se-á verificar qual ou quais o(s) método(s) facilitador(es) do intercâmbio.
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1.4 Metodologias e abordagens teóricas propícias ao Intercâmbio Escolar
Considera-se, neste trabalho, que existem métodos teóricos facilitadores do intercâmbio escolar. Dos vários exemplos que vão ser descritos exclui-se o Método
Tradicional ou Gramática – Tradução – método esse que se desenvolveu no século XIX até
o século XX, uma vez que o seu principal objetivo era transmitir um conhecimento sobre a língua, permitindo o acesso a textos literários e o domínio da gramática normativa. Contrariamente ao que se pretende no Intercâmbio, a oralidade era posta em segundo plano e o que era estudado não tinha relação alguma com a linguagem da comunicação real. Os alunos estudavam simplesmente as regras e os exemplos com o propósito de dominar a morfologia e a sintaxe e memorizavam listas exaustivas de palavras. Serviam-se apenas de dicionários bilingues, do manual escolar e da gramática – “ (…) Los únicos materiales empleados en el aula quedan reducidos al libro de texto y al diccionario bilingüe: hay, evidentemente, un claro predominio de la lengua escrita sobre la oral (…)” (Abadía 2000: 26). O professor representava a autoridade no grupo, era apenas ele o detentor do saber e utilizava raramente a língua estrangeira.
Por sua vez, o Método Direto apresenta caraterísticas favoráveis ao intercâmbio. Este método surgiu no início do século XX em contraposição ao Método Tradicional e como resposta às novas necessidades sociais da época. De facto, torna-se imprescindível o intercâmbio com o mundo. O princípio fundamental do Método Direto era o de que a aprendizagem da língua estrangeira se deveria dar em contato direto com a língua em estudo, tal como acontece no Intercâmbio – “ (…) Para el Método Direto, el aprendizaje de una lengua extranjera sigue, en principio, un proceso muy similar al de la adquisición de la lengua materna. Bajo este aspeto se acuñó el concepto de “aprendizaje natural” (…)” (Abadía 2000: 51). Os objetivos desta metodologia eram: aprendizagem da língua estrangeira que se assemelhava à aprendizagem da criança em relação à língua materna; ensinar na língua alvo, ensinar vocabulário e frases do dia a dia, ensinar habilidades de fala e compreensão oral, em turmas pequenas. A gramática é ensinada de forma indutiva. Assim, os alunos eram encorajados a pronunciar corretamente utilizando a mímica, demonstrações e figuras, decoravam palavras e frases a partir de rimas e canções. Utilizavam como material, gravuras, fotos, simulações para transmitir os significados, compreensão de textos e exercícios de
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gramática2, transformação a partir de textos de base, substituições, reemprego de formas gramaticais, correção fonética e conversação baseada em perguntas / resposta, perguntas essas fechadas. O professor continuava no centro do processo ensino – aprendizagem, sendo o guia, “ator principal” e servia de modelo linguístico ao aprendiz.
Este método apresentava aspetos negativos que não facilitaram a aprendizagem da língua estrangeira como, por exemplo, a interdição absoluta da tradução para a língua materna até mesmo como recurso de explicação, o que acabou por concentrar toda a atenção do processo ensino – aprendizagem na figura do professor, visto que era ele quem detinha o conhecimento linguístico. Sendo assim, o professor devia ser um nativo ou ter uma excelente proficiência da língua em estudo.
No que diz respeito ao Método Áudio-oral ou audiolingual, verifica-se que são várias as caraterísticas que se assemelham à pratica do intercâmbio. Essa metodologia teve inícios com o surgimento dos cursos intensivos de língua ASTP (Método de Exército ou The Army Specialized Training Program) criados pelo exército americano. De facto, com a entrada dos americanos na segunda guerra mundial, os EUA (Estados Unidos da América) sentiram a necessidade de entender os inimigos, além de precisarem de comunicar com os países aliados. Por isso, o exército americano criou estes cursos de língua. Por volta de 1950, esse método passou a ser chamado de Método Audiolingual, fundamentando-se, principalmente nas teorias da psicologia behaviourista de Skinner - a língua era vista como um hábito condicionado que se adquiria através de um processo mecânico de estímulo e resposta.
“(…) el Método Audiolingual se basa en la concepción conductista del aprendizaje: aprender una lengua es formar hábitos lingüísticos a través de la repetición (proceso mecánico). Para Skinner, representante del conductivismo (o behaviorismo), la conducta lingüística se explica a través del modelo «estimulo → respuesta → refuerzo» (…)” (Abadía 2000: 72).
Os princípios básicos desta abordagem eram: a língua é fala e não escrita, (o que põe em evidência a língua oral); a língua é um conjunto de hábitos que se adquirem através de um processo mecânico de estímulo e resposta; a língua aprende-se pela prática, e não pela explicitação e explicação de regras; as línguas são diferentes, isto é, preza-se a análise contrastiva entre o par de línguas, detetando-se as suas diferenças para concentrar aí as atividades, evitando-se de antemão os erros que poderiam ser causados pela interferência da
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No Método Direto, a gramática não é suprimida totalmente do ensino. Encontra-se no final de uma aula para comprovar e resumir um novo conteúdo aprendido.
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língua materna. A finalidade geral da abordagem, assim como do Intercâmbio, é a de comunicar em LE. As quatro competências3 são visadas, sendo que a ordem de apresentação desses saberes segue a mesma sequência da aquisição em língua materna: compreensão oral, expressão oral, compreensão escrita, expressão escrita.
Em conclusão, aprender uma língua dentro da abordagem áudio-oral consiste em adquirir um conjunto de hábitos sob a forma de automatismos sintáticos, sobretudo por meio da repetição.
O papel do aprendiz é o de imitar o modelo do professor, reagindo a suas instruções e respondendo com rapidez às questões que lhes são postas, de modo “automático”, sem levar tempo para refletir quanto à escolha de uma ou outra forma linguística. Havia uma grande preocupação em que os alunos não cometessem erros.
Quanto ao professor, o seu papel é o de “um maestro”: dirige, guia, e controla o comportamento linguístico dos aprendizes, continuando assim a ter um papel central.
Nesse momento, o laboratório de línguas passa a ter fundamental importância: o aluno ouve falantes nativos e repete oralmente as falas, de modo a que as memorize e automatize. As gravações têm um papel muito importante, mas o professor é que sempre será o mestre incondicionado. Pode-se verificar que o aprendente tenta melhorar a sua competência linguística e comunicativa para que um futuro contacto com um falante nativo seja possível. Considera-se que aqui uma atividade de Intercâmbio seria crucial.
O Método Audiovisual4 pode ser entendido como uma variação do Método Audiolingual pela semelhança dos seus procedimentos e teorias. Surgiu após a Segunda Guerra Mundial. Esta metodologia está ligada ao conceito da fala em situação de comunicação. Verifica-se ainda a utilização de imagens (fotografias, vídeos, etc) nas aulas como estímulo verbal. Esta característica assemelha-se às do tema em análise, pois também estes recursos são utilizados para, por exemplo, a apresentação dos alunos. Na metodologia Audiovisual, a relação professor-aluno é mais interativa que nas duas anteriores. O professor evita corrigir os erros dos alunos durante a primeira repetição. Em seguida, começa o trabalho de correção fonética até à fase de memorização. O professor corrige discretamente a entoação, o ritmo e o sotaque. O objetivo das avaliações é medir o domínio da competência linguística e de comunicação, assim como a criatividade. Estes princípios coincidem, em parte, com os da abordagem comunicativa.
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Também chamadas “Skills”.
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Este Método foi desenvolvido em França entre 1954 – 1956 pelo “Centre de Recherche pour la Diffusion du Français”.
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Finalmente, a convergência de algumas correntes de pesquisa, bem como o advento de diferentes necessidades linguísticas no quadro europeu, fizeram surgir o Método
Comunicativo ou Abordagem Comunicativa por volta dos anos 70. A meta desta
abordagem é tornar os alunos comunicativamente competentes. Assim, a aprendizagem linguística é vista como um processo de comunicação no qual o simples conhecimento das formas da língua alvo, seu significado e funções, são insuficientes5. É preciso ser capaz de usar a língua apropriadamente dentro de um contexto social. O falante tem de saber escolher entre diferentes estruturas a que melhor se aplica às circunstâncias da interação entre ele e o ouvinte ou, entre o escritor e leitor. Por exemplo, o falante desenvolve várias formas sutis para mostrar desagrado, recusar, aceitar, convidar e pedir algo. Isso envolve o domínio não só de competência gramatical ou linguística, mas também de habilidades sociolinguísticas, discursivas e estratégicas, tal como no Intercâmbio:
“(…) La «competencia comunicativa» implica el conocimiento no sólo del código lingüístico, sino también saber qué decir a quién y cómo decirlo de forma apropiada en una situación determinada, es decir, percibir los enunciados no sólo como realidades lingüísticas, sino también como realidades socialmente apropiadas. (…)” (Abadía 2000: 81).
Com o intuito de desenvolver essas habilidades, a mais marcante característica desse método é a prática de realizar atividades que envolvam comunicação real. Tal comunicação ocorre quando os sujeitos são livres para trocarem conhecimentos. Para usar realmente as potencialidades comunicativas, os alunos resolvem problemas, discutem ideias e posições, jogam, fazem dramatizações, etc. O uso de materiais autênticos como artigo de revista, jornal, trechos de programas de rádio e TV também é muito importante para que os alunos tenham acesso à língua como ela é, usada efetivamente pelos seus falantes. Exploram-se muitas atividades de conversação em pequenos grupos; dessa forma, maximiza-se o tempo de uso da língua pelos alunos. Os erros são tolerados, pois são vistos como produtos naturais do processo de desenvolvimento de habilidades comunicativas. O professor deixa de ocupar o papel principal, de detentor do conhecimento, para assumir o papel de orientador, “conselheiro” das atividades da aula, devendo sugerir diversas atividades de comunicação. Assim os aprendizes são requisitados a interagirem mais e, desse modo, passam a ter uma maior atuação, sendo mais criativos.
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As correntes metodológicas anteriores só exercitavam construções corretas de frases soltas fazendo com que a comunicação não fosse levado a cabo.
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Na década de 80, surgiu o Ensino Mediante Tarefas que nasceu como uma proposta no projeto do Ensino Comunicativo de línguas estrangeiras e centra-se na forma de organizar, sequenciar e levar a cabo as atividades de aprendizagem na aula. Uma das características das tarefas é mostrar um desenvolvimento comunicativo da vida real, que seja cooperativo y realizado em pares ou em grupo. As tarefas devem ser interessantes para os estudantes, motivadoras e próximas da sua realidade. No Ensino Mediante Tarefas encontramos três abordagens diferentes quanto à dinâmica de trabalho, isto é, encontramos as tarefas, os projetos e a simulação. Enquanto as tarefas e a simulação têm uma extensão muito mais reduzidas (uma ou duas sessões de aulas), os projetos demoram alguns períodos a finalizar. Neste contexto, verifica-se que o Intercâmbio constitue uma boa ferramenta de trabalho como uma fonte de informação e uma janela aberta ao mundo.
A partir da década de 90, muitos linguistas começaram a concluir que nenhum método ou abordagem dá conta de todos os problemas do ensino-aprendizagem de uma língua estrangeira. É exatamente aí que começa o que se denomina a Era Pós-Métodos. Assistimos hoje a uma crise das abordagens no ensino de língua estrangeira. Não há uma abordagem única, forte, global e universal, sobre a qual todos estariam de acordo. Assim, o que podemos notar é um ecletismo metodológico que tende à diversificação dos materiais e das abordagens propostas: “ (…) o ecletismo visa a possibilitar que o professor faça escolhas metodológicas que sejam mais coerentes e necessárias, tendo em vista o contexto de ensino aprendizagem onde cada professor desempenha a sua atividade docente. (…) Convém destacar que o ecletismo deve ser compreendido como flexibilidade e não como ausência metodológica. (…) ” (Vilaça, 2008: 10). Segundo o autor, é necessário tornar as técnicas empregadas coerentes, de maneira a que permitam aos aprendizes participar ativamente no processo de ensino - aprendizagem. O ecletismo, como abordagem no ensino de língua, exige que o professor possua vastos conhecimentos da língua que ensina, das diferentes maneiras de ensinar e que ele possa estabelecer detalhadamente as necessidades dos seus alunos: “ (…) Acarreta na maior responsabilidade do professor por suas escolhas e práticas. Esta responsabilidade exige do professor uma formação mais ampla, crítica e autónoma (…)” (Vilaça, 2008: 11). Apresenta as vantagens de uma abordagem maleável, capaz de se adaptar às diferentes situações de ensino – aprendizagem com as quais se deparam os professores.
Pode-se concluir que a Era Pós-Métodos pelo seu ecletismo é facilitadora do intercâmbio escolar. Durante esta atividade, os estudantes utilizam a língua não materna em atividade de conversação oral e escrita tendo em conta todos os aspetos supracitados.
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Também o professor deixa de ser o ator principal para ser orientador fazendo com que os aprendizes interajam muito mais e se tornam “comunicativamente competentes”.
Se, por um lado, existem vários métodos de ensino que facilitam a atividade, objeto deste trabalho, também existem algumas teorias sobre a aquisição de uma língua estrangeira que devem ser mencionadas. Estas são a teoria do discurso e a teoria da variabilidade que fazem parte das teorias chamadas interacionistas. Para Richter “ (…) O interacionismo põe a sua ênfase na necessidade de os alunos manterem interação conversacional para, com isso, terem acesso a um “input” significativo e compreensivo. Essas interações levam à negociação de sentido: expressar e esclarecer intenções, pensamentos, opiniões, etc. (…)” (Richter, 2000: 78). Assim sendo, tal como o intercâmbio, a abordagem principal destas teorias gira à volta da interação e da aprendizagem que provem dela.
Na teoria do discurso, os alunos aprendem a LE participando numa troca de mensagens significativas, pois, esta teoria baseia-se na negociação do significado, através do envolvimento do aprendiz na interação comunicativa – “(…) La idea es que tanto en L1 como en L2, los individuos aprendemos lengua porque participamos en un intercambio de mensajes significativo. (…)” (Griffin 2005: 44). Também num intercâmbio, os estudantes comunicam para conseguir determinados fins e objetivos. A participação ativa do aprendiz no ato de comunicação faz com que aprenda a dominar a LE de uma maneira progressiva. Durante uma comunicação, há sempre necessidade de negociar o significado das intenções dos interlocutores na medida em que podem existir informações parciais ou incompreensíveis, ou ainda erros. Para evitar ou esclarecer mal-entendidos, para ampliar informação que possam faltar, para precisar, ou alongar uma comunicação com outra(s) pessoa(s), negociamos constantemente significados. Esta negociação entre interlocutores automatiza-se com o tempo de modo a que o estudante vá aprendendo e aperfeiçoando a competência comunicativa.
A teoria da variabilidade é uma versão mais elaborada da teoria do discurso com uma perspetiva mais sociocultural. Ao começar a aprender uma LE, o falante nem sempre a maneja da mesma forma. Na verdade, a língua é permeável e dinâmica. O problema é que o uso da LE numa comunicação implica tantos fatores que quando se muda um deles, por muito pouco que seja, o uso da língua nessa mesma comunicação também muda. O próprio aprendiz pode mudar, isto é, a pessoa não é igual em todas as situações. A nossa primeira língua também sofre modificações em diferentes momentos. Em relação à segunda língua, há mais possibilidades de variação devido à falta de conhecimento dessa língua e de como interagir nas situações sociais. Há portanto várias razões para existir variabilidade. Podem ser
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linguísticas, sociais ou pessoais. Tal como nesta teoria da variabilidade, no intercâmbio, os alunos estão sujeitos a vários fatores exteriores e interiores. Os aprendizes devem proceder a ajustes e reajustes para continuar a participar com êxito numa comunicação oral ou escrita. Estes fatores podem ser, no caso do intercâmbio, o entorno (lugar, duração), o conteúdo da comunicação, o ambiente, o contexto linguístico e, sobretudo, o estado físico e psicológico dos indivíduos. Pode haver “acidentes” produzidos pelo cansaço ou pela distração mental, por problemas físicos, por pressões sociais (nervosismo), pela sensação de alguma ameaça de algum tipo, ou seja, algumas vezes os alunos não se expressam como quereriam. Finalmente, será importante referir que sem variabilidade não há progresso. A variabilidade é uma realidade na aquisição de uma língua, seja qual for o nível de competência do aprendiz. Quanto menos variabilidade, mais se aproxima da norma da segunda língua.
2. História do Intercâmbio
2.1 Da pré-história ao Século XX
Toda a história do Homem sobre a terra constitui um permanente esforço de comunicação. Desde o momento em que passou a viver em sociedade, seja pela reunião de famílias, seja pela comunidade de trabalho, a comunicação tornou-se imperativa, pois só através da comunicação é que os Homens conseguem trocar ideias e experiências. Na pré-história, o Homem comunicava através de desenhos feitos nas paredes das cavernas. Com estas pinturas rupestres, trocavam mensagens, passavam ideias e transmitiam desejos e necessidades. Por sua vez, os egípcios antigos comunicavam através dos hieróglifos para falar da vida dos faraós, rezar e enviar mensagens para espantar possíveis saqueadores. Na Roma Antiga, os romanos procuravam aprender a língua falada por eles conquistados. Assim, aprenderam o grego como segunda língua. Quando a navegação foi desenvolvida, começaram a percorrer longas distâncias, possibilitando o intercâmbio de culturas e uma maior rapidez no comércio. A Idade Moderna foi um período de transição por excelência, pois verifica-se uma mudança nas formas de sentir, pensar e agir sendo a principal característica deste período da história o Humanismo. Um dos humanistas foi, sem dúvida, Erasmus de Roterdão, já anteriormente referido. Esta época foi marcada pela renovação cultural em toda a Europa. Essa renovação ocorreu como consequência da abertura da Europa ao Mundo e do maior conhecimento e intercâmbio cultural que daí resultou. Existiu um intenso intercâmbio
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internacional entre estudantes universitários humanistas como, por exemplo, Damião de Góis, amigo de Erasmus. Nesta época, houve também uma grande expansão em relação às línguas com os descobrimentos e a conquista de novos territórios. Finalmente é na Idade Contemporânea que mais uso se faz das línguas. Quanto maior o número de línguas aprendidas, melhor, pois enriquece a cultura do aprendiz tornando-o num cidadão integrado nesta sociedade globalizada. Começa-se desde de muito novo a aprender e a conhecer línguas estrangeiras nas escolas, nos institutos de línguas e ainda através das viagens realizadas ao estrangeiro.
2.2 O Século do Intercâmbio Escolar
O Programa de Intercâmbio surgiu no início do século XX. Deve-se estabelecer uma diferença entre o Intercâmbio Cultural e o Intercâmbio Escolar, pois enquanto que o primeiro se iniciou nos EUA, o segundo foi criado pelo pedagogo francês, Célestin Freinet.
O Intercâmbio Cultural apareceu com o intuito de promover a paz mundial através da interação dos povos com as diferentes culturas e costumes. Após a Segunda Guerra Mundial, jovens voluntários perceberam que os medos, as angústias e os anseios de pessoas dos mais diversos países eram muito similares. Perceberam também que a imersão cultural vivenciada por eles durante a guerra num país diferente havia permitido que aprendessem sobre a vida e costumes de outras nações, estabelecendo assim laços afetivos com esses povos. Surgiu a partir daqui o novo conceito de “Intercâmbio Cultural” como um mecanismo de troca internacional de experiências, de conhecimento do outro e de si mesmo e, principalmente, de paz. É no final da década de 1940 que os primeiros Intercambistas começaram a sair do seu país natal para uma experiência internacional inesquecível.
O Intercâmbio Escolar não é uma prática recente. Já em 1926, Célestin Freinet e René Daniel faziam correspondência nas suas salas de aula por correio tradicional. Célestin Freinet foi muito importante para a história do Intercâmbio escolar, pois, foi ele o mentor desta prática educativa. Este pedagogo, nascido a 15 de outubro de 1896, no sul da França, na região de Provença e falecido a 8 de outubro de 1966, foi recrutado na Primeira Guerra Mundial pelo exército francês, em 1915. Iniciou o seu trabalho como professor de escola primária, em 1920, antes mesmo de concluir o curso normal. Foi a partir desta data que Freinet começou a desenvolver os seus métodos de ensino. Em 1923, Freinet começou a imprimir textos livres e jornais da turma para os seus alunos auxiliando assim a atividade de
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ensino. As próprias crianças compunham os seus trabalhos, discutiam-nos e editavam-nos em pequenos grupos, antes de apresentar o resultado à turma. Os jornais eram trocados com os de outras escolas. Gradualmente os textos do grupo substituíram os livros didáticos convencionais. Em 1924, Freinet criou uma cooperativa de trabalho com professores da sua proximidade que suscitou o movimento da Escola Moderna na França. Neste mesmo ano, iniciou as primeiras correspondência escolares. Contudo, esses métodos do ensino de Freinet eram divergentes da política oficial de educação nacional causando um clima de desconfiança, especialmente devido ao grande volume de correspondências trocadas. Por esta razão, ele foi exonerado das suas funções em 1935 começando assim a sua própria escola pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial.
Para Freinet, a educação deveria proporcionar ao aluno a realização de um trabalho real. Ele propunha uma mudança da escola porque considerava-a teórica e portanto desligada da vida. Na proposta pedagógica de Freinet, a interação professor - aluno é essencial para a aprendizagem. Estar em contato com a realidade em que vive o aluno é fundamental. As práticas atuais de jornal escolar, troca de correspondência, trabalhos em grupo, aula – passeio, são ideias defendidas e aplicadas por Freinet desde os anos 20 do século passado. Assim, verifica-se que, para Freinet, o Intercâmbio Escolar tem como objetivo colocar os alunos em situações reais de comunicação para dar sentido às atividades de escrita. No entanto, esta pedagogia não teve grande crescimento nesta época devido à lentidão e investimento deste tipo de atividade.
Durante a última década, o aparecimento progressivo de equipamentos nos estabelecimentos de ensino tem sido um veículo para a recuperação do Intercâmbio Escolar graças à simplicidade de implementação dos meios de comunicação e ao desenvolvimento massivo dessas ferramentas. Com o surgimento de novas tecnologias, principalmente com a inserção de computadores nas escolas, o acesso à informação e a realização de múltiplas tarefas torna-se mais fácil. Nos últimos tempos, tem-se assistido a uma enorme evolução no que diz respeito à informática.
Assim, em 2005, surgiu o Projeto Europeu eTwinning como uma iniciativa da Comissão Europeia. Tem como objetivo principal criar redes de trabalho colaborativo entre as escolas europeias, através do desenvolvimento de projetos comuns, com recurso à Internet e às Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). A colaboração europeia, através das TIC, proporciona uma nova dimensão ao ensino, sendo extremamente motivadora para os alunos. Esta iniciativa permite também fomentar as competências interculturais e de
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comunicação, perspetivar a cultura e os valores, proporcionando a inovação pedagógica, a criação de contextos atrativos de aprendizagem para professores e alunos abrindo as escolas à Europa. Participar no eTwinning é entrar numa larga comunidade europeia de professores, profissionais comprometidos em proporcionar aos seus alunos a experiência de estar em contacto direto com outros jovens europeus, de aprender, de trocar ideias e opiniões sobre temas que interessam à generalidade dos jovens.
As Tecnologias da Informação estão intrinsecamente relacionadas com a comunicação, pois ambas partem do princípio de troca de ideias, informações e mensagens num determinado tempo e lugar. O Homem, como vive em sociedade, tem necessidade de comunicar com o mundo que o rodeia. A evolução nesta área leva a que a sociedade tenha de estar constantemente informada de tudo o que se passa no mundo, a informação circula a grande velocidade, beneficiando do avanço tecnológico registado nos últimos anos nos meios e nas formas de transmissão da informação. A Internet é um exemplo desse avanço tecnológico, sendo hoje a maior fonte de informação do mundo, transformou-o numa “aldeia global”. A Internet e, em consequência o e-mail, são componentes de um grande marco e um dos avanços mais significativos, pois através deles vários outros sistemas de comunicação foram criados como os chats, a vídeo-conferências com o programa Skype e outros, os Blogs, os SMS e as redes socais como Facebook, Hi5, Myspace, Twitter, Formspring, Google+.
À semelhança de outros países europeus, Portugal tem equipado as suas escolas com as tecnologias adequadas ao contacto com a Europa e com o resto do mundo.
2.2.1 Em Portugal
A integração de Portugal na Comunidade Europeia incentivou os intercâmbios com os países membros. Como já vimos anteriormente, existem vários programas do Conselho da Europa e das Comunidades Europeias com o objetivo de dar a conhecer aos jovens a realidade económica, social e cultural de outros Estados e, assim, contribuir para o reconhecimento da identidade europeia comum. O caráter formativo destes programas levou o Ministério da Educação (ME) a regulamentar e a incentivar programas de geminação, de intercâmbio escolar e de visitas de estudo ao estrangeiro, através do Despacho nº 28 / ME / 91, no Art.º 4:
"O intercâmbio escolar assenta num processo de permuta de alunos e docentes e deve ser entendido como uma atividade interdisciplinar de índole pedagógica e cultural, integrado no processo ensino-aprendizagem, organizado segundo objetivos previamente definidos, visando um melhor conhecimento
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mútuo, através da correspondência escolar, troca de materiais e participação na vida escolar do estabelecimento de ensino." (ME, 1991)
Em Portugal, o Intercâmbio Escolar é uma atividade utilizada por vários docentes desde algumas décadas. No entanto, a existência de documentos / informação que comprovem a prática desta é muito escassa. É por isso que, neste trabalho, foi elaborado o inquérito que se apresenta:
2.2.1.1.Questionário sobre “Intercâmbio com um país estrangeiro”
Com este questionário pretende-se recolher informações sobre “Intercâmbio com um país estrangeiro”. Este instrumento metodológico enquadra-se numa investigação no âmbito do Mestrado em Ensino de Português no 3º Ciclo do Ensino Básico e Ensino Secundário e de Espanhol nos Ensinos Básico e Secundário, ministrado pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Os dados de identificação pessoais são estritamente confidenciais, servindo apenas para interpretar outras respostas.
Por favor responda com sinceridade pois não há respostas corretas ou incorretas. A sua opinião é muito importante. Obrigada pela colaboração.
INQUÉRITO POR QUESTIONÁRIO
O objetivo destes inquéritos é a realização de um estudo sobre a história do intercâmbio escolar em Portugal, bem como, a visão dos professores no que diz respeito ao ensino – aprendizagem de uma língua estrangeira através desta atividade.
1. Idade
Menos de 30 anos
De 31 a 40 anos
De 41 a 50 anos
28 2. Sexo Masculino Feminino 3. Situação profissional Quadro de escola
Quadro de zona pedagógica
Contratado - profissionalizado - não profissionalizado 4. Habilitações académicas Mestrado Licenciatura Bacharelato Outras Quais?: _________________________________________________________ 5. Tempo de serviço Até 5 anos De 6 a 15 anos De 16 a 25 anos Mais de 25 anos
6. Disciplina que leciona
Alemão
Espanhol
Francês
Inglês
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Outras
Quais? : ________________________________________________________
7. Conhece algumas possibilidades de intercâmbio?
Não
Sim
Se respondeu “sim”, escreva quais: ___________________________________
8. Na sua opinião, o intercâmbio é uma atividade positiva para o ensino de uma língua estrangeira? Não Sim Porquê?: _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________
9. Já realizou ou está a realizar um intercâmbio?
Não
Sim
(Se respondeu “Não” o preenchimento deste inquérito terminou. Obrigada pela colaboração.)
10. Em que ano escolar desenvolveu um intercâmbio e em que estabelecimento de ensino?
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
11. Com que nível de ensino e país estabeleceu o intercâmbio?
________________________________________________________________________
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12. Qual / quais foi / foram a(s) língua(s) utilizada(s) para o(s) intercâmbio(s)?
Alemão Espanhol Francês Inglês Português Outras Quais? : _____________________________________________________________
13. Indique as razões de sua participação no intercâmbio.
________________________________________________________________________
________________________________________________________________________
14. Quais os recursos que utilizou para fazer um intercâmbio?
Cartas enviadas por correio
Telefone Internet: - Power Point - Email - Redes Sociais - Vídeos Conferencias:
Quais os programas utilizados? : _____________________________________________
- Viagem e convívio com o(s) parceiro(s) do intercâmbio
- Outros
Quais? : ________________________________________________________
15. Atividades linguísticas/ competências desenvolvidas durante o intercâmbio:
Expressão escrita
31 Compreensão auditiva Compreensão escrita Socio - Cultura Outras Quais? : ________________________________________________________________
16. Quanto aos alunos, durante o intercâmbio, mostraram-se:
Muito interessados
Interessados
Indiferentes
Desinteressados
Se respondeu “desinteressados”, quais as razões?: _______________________________
17. Com o intercâmbio verificou que os alunos desenvolveram com mais facilidade:
A expressão escrita
A expressão oral
A compreensão auditiva
A compreensão escrita
A competência sociocultural
Não houve evolução
18. Os alunos mantiveram contacto com os colegas do intercâmbio?
Sim
Não
Não sei
19. Como professor(a), gostou desta experiência?
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Não
20. O intercâmbio escolar tem aspetos negativos?
Sim
Não
Se sim, quais: ____________________________________________________________
2.2.1.2. Análise dos Inquéritos
Foram inquiridos trinta e três docentes de norte a sul de Portugal a quem foi enviado o questionário por e-mail.
Feita a análise dos inquéritos, foram elaborados os seguintes gráficos:
1. Idade 2. Sexo 3% 97% Masculino Feminino
33 3. Situação profissional
4. Habilitações académicas
5. Tempo de serviço
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7. Conhece algumas possibilidades de intercâmbio?
8. Na sua opinião, o intercâmbio é uma atividade positiva para o ensino de uma língua estrangeira?
9. Já realizou ou está a realizar um intercâmbio?
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14. Quais os recursos que utilizou para fazer um intercâmbio?
15. Atividades linguísticas / competências desenvolvidas durante o intercâmbio.
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17. Com o intercâmbio verificou que os alunos desenvolveram com mais facilidade:
18. Os alunos mantiveram contacto com os colegas do intercâmbio?
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20. O intercâmbio escolar tem aspetos negativos?
Verifica-se que a maioria dos docentes inquiridos é do sexo feminino e têm idades compreendidas entre os trinta e um e os cinquenta anos. Relativamente à sua situação profissional, pretencem ao quadro de escola ou são profissionalizados. Constata-se também que a maior parte é detentora de uma licenciatura e apresenta uma grande experiência no âmbito da docência. Na sua maioria lecionam a disciplina de Português, de Inglês e Espanhol. Apenas sessenta e sete por cento conhecem várias possibilidades / atividades existentes de Intercâmbio que mencionam:
Documentos escritos;
Intercâmbio presencial, visitas de estudo com acolhimento no país de origem;
Redes sociais, videoconferências;
Projeto Comenius;
Projeto Etwinning;
Projeto Erasmus;
Programas europeus como o APALV (Aprendizagem ao Longo da Vida). Tendo sidos questionados acerca dos aspetos positivos / negativos do Intercâmbio no que diz respeito à aprendizagem de uma língua estrangeira, noventa e sete por cento dos professores consideram esta atividade muito proveitosa como se pode comprovar nas respostas abaixo:
“Abre horizontes didáticos e culturais, quer a docentes quer a discentes. Normalmente constituem momentos indeléveis na memória de quem neles participa.”
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“É a forma mais eficaz e enriquecedora para desenvolver as competências durante o ensino aprendizagem da língua estudada, pois o aluno está em contacto direto com o país/pessoas a todos os níveis.”
“Por muitas razões, nomeadamente o contato direto com a língua; desenvolve as competências linguísticas; o conhecimento de outras culturas; favorece a autonomia e a responsabilidade dos alunos, entre outras atitudes; promove a cidadania.”
“Atividade muito positiva. Permite a todos os intervenientes, através de trabalho colaborativo, desenvolver as capacidades em TIC, fomentar as competências interculturais e de comunicação, perspetivar a cultura e os valores, proporcionando a criação de contextos atrativos de aprendizagem.”
“É muito importante porque permite a aprendizagem intercultural desenvolvendo as competências gerais e comunicativas da língua- alvo.”
Questionados quanto à sua participação em atividades de Intercâmbio apenas trinta e seis por cento responderam de forma afirmativa. Utilizando preferencialmente as línguas espanhola, francesa, inglesa e portuguesa, foram realizadas com alunos do primeiro, segundo e terceiro ciclos e secundário de escolas do sul, centro e norte de Portugal, desde os anos oitenta até ao presente ano letivo:
Na década de 90 (1997 – 99) e (1999 – 2001), na Escola Diogo Cão – Vila Real, com uma escola de Osnabruck (Alemanha) no âmbito de um programa de geminação entre as duas cidades.
No biénio 2000/2002, no Colégio Senhor dos Milagres – Leiria, com uma escola francesa de Saint-Maur-des-Fossés.
Em 2001 – 2003, no âmbito do Clube Europeu, na EB 2,3, Monsenhor Jerónimo Amaral, a convite da Câmara Municipal, num intercâmbio de alunos com uma escola espanhola de Pontevedra.
Em 2003 / 2004 no Agrupamento de Escolas de Vila Pouca de Aguiar Sul, com turmas de oitavo ano de Itália e Espanha.
Em 2005 /2006, entre EB 2,3, Monsenhor Jerónimo Amaral e escolas de quatro países parceiros (Áustria, Polónia, Itália, Roménia).
De 2007 a 2009 na Escola Secundária João Araújo Correia, Peso da Régua, entre alunos portugueses e alemães que estudavam Francês.
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Também de 2007 a 2009 na Escola Secundária João Araújo Correia, Peso da Régua, através do Projeto Etwinning entre docentes e alunos Italianos e Polacos na troca de materiais e correspondência (online e correio normal).
Em 2009 com uma turma de Cozinha do Centro de Formação Profissional de Bragança e outra de uma escola profissional espanhola de Zamora, durante dois meses.
Em 2011 – 2012, no 7º e 8ºano, na Escola Secundária São Pedro – Vila Real, com o 6º curso de primária em Espanha.
Todos os professores participantes tiveram em conta objetivos precisos:
Desenvolver um projeto relacionado com o Caminho de Santiago pelas vias portuguesas.
Envolver o mais possível os alunos em atividades do seu interesse e que lhes mostrasse a necessidade de estudar uma língua- a francesa- para poderem comunicar com outros jovens (estrangeiros) da sua idade.
Enriquecer o portefólio dos alunos com atividades culturais e linguísticas notáveis.
Incentivar o desenvolvimento da Língua Inglesa como Língua de Comunicação.
Motivar os alunos para a aprendizagem das línguas; desenvolvimento das várias competências linguísticas e/ou culturais.
Partilhar experiências de lecionação entre professores e fazer com que os alunos contactassem com outras nacionalidades.
Conhecer o Mundo em que vivemos nas suas diversas facetas.
Permitir um posicionamento crítico face às nossas práticas.
Enriquecer e oferecer um leque de novas possibilidades.
Os recursos utilizados no Intercâmbio foram bastante diversificados. De facto, referenciaram o uso do correio tradicional, do telefone, do correio eletrónico, do PowerPoint, das redes sociais, das vídeo-conferências. Para além disso, mencionaram as viagens e consequentes convivios, os seminários, as exposições gastronómicas e a construção de sítios dos projetos na Internet.
Durante as atividades de Intercâmbio, foram desenvolvidas as atividades linguísticas / competências quase de forma equitativa: a compreensão oral e escrita, a expressão oral e escrita e a sócio-cultura. Muito interessados, os alunos desenvolveram com mais facilidade a
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competência sociocultural seguida da expressão oral, da expressão escrita e da compreensão auditiva.
Após o Intercâmbio, sessenta e dois por cento dos alunos continuaram a manter contacto com os colegas parceiros.
Em suma, todos os professores gostaram da experiência apontando, no entanto, alguns aspetos negativos:
O grande esforço (e trabalho extra) que exige a sua organização por parte da equipa responsável, a dificuldade em conseguir verbas para financiar as viagens dos alunos carenciados, bem como o risco de que se venham a verificar problemas de adaptação dos alunos, uma vez no estrangeiro, a um país, família de acolhimento, escola, colegas, alimentação… diferentes.
Quando os professores se deslocam aos países, não deviam repor as aulas, pois estão a trabalhar para a escola. Entrar em projetos desta natureza implica trabalho redobrado.
Por vezes, alguns alunos sentem dificuldades de integração, ou existem contratempos ao nível da forma como é feito o acolhimento.
Desta breve análise, pode-se concluir que o Intercâmbio é sem dúvida, para estes docentes um recurso fundamental para a aprendizagem de uma língua em estudo e o mais apreciado pelos adolescentes.
Com o Intercâmbio Escolar é possível trabalhar e desenvolver todas as competências de uma LE incentivando os alunos para a sua aprendizagem e sobretudo mostrar qual a sua importância enquanto cidadãos da UE. Esta atividade é uma experiência que deixa “marcas” positivas tanto nos estudantes como nos professores, pois, para além de aprender e desenvolver a língua em estudo, também permite conhecer outras pessoas oriundas de vários países com culturas distintas. Desenvolver um projeto de Intercâmbio só beneficia os alunos em todos os aspetos dando-lhes a oportunidade de adquirir uma experiência única que jamais esquecerão.
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Capítulo II
Neste capítulo, de vertente essencialmente prática, serão expostas não só as atividades de intercâmbio realizadas pela docente, mas também outras levadas a cabo por professores de nacionalidades diferentes.
No primeiro caso, será apresentada a planificação, a descrição das atividades, bem como a análise e as conclusões das mesmas.
No segundo caso, far-se-á a descrição de duas atividades – uma extraída do projeto
eTwinning e outra levada a cabo por um docente espanhol a lecionar português em Espanha.
Numa fase posterior, dar-se-ão sugestões de atividades possíveis de intercâmbio.
A. Atividades de intercâmbio realizadas pela docente.
O primeiro Intercâmbio nasceu de uma reflexão sobre as atividades mais importantes e eficazes no desenvolvimento da competência intercultural6. Deste modo, tendo em conta as pesquisas levadas a cabo na grande panóplia de estratégias/atividades possíveis para as aulas de LE2, os alunos foram inquiridos quantos às suas preferências e necessidades no âmbito da língua estrangeira em estudo. Todos mostraram curiosidade e interesse pelo contacto com alunos e professores estrangeiros. Concluiram, inclusive, que seria muito vantajoso na aprendizagem do espanhol, uma vez que partilhariam os seus saberes e costumes numa língua comum, absolutamente necessária para a concretização efetiva da comunicação.
Assim, este intercâmbio consistiu numa experiência de comunicação realizada por alunos oriundos de países distintos com uma língua, cultura e hábitos diferentes, mas que estudam uma segunda língua estrangeira comum – o espanhol.
Antes de concretizar o projeto, houve a necessidade de preparar todo o processo: procurar parceiros compatíveis a nivel etário e com os mesmos objetivos; cumprir todas as formalidades legais no que diz respeito à aprovação do projeto pelos órgãos de decisão pedagógica e autorizações dos encarregados de educação/pais; contactar os parceiros encontrados e planificar devidamente todas as atividades de forma adequada.
Apresenta-se, em seguida, a planificação deste projeto de intercâmbio.
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