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A Escola Primaria, 1936, annon 20, n. 4, jul., RJ

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Academic year: 2021

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Escóla Pr1'111a1·iai» po

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Os pedi.dos dev'e11i vir (lco111panl1ados da

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de,·eçados

á

RedacÇliO

d'« A

Escola P1·1,111a1·ia» -

Rua 7

de Sete,11,bro,

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As cólteções dos annos anteriores são vendidas na

·

1nes1na redac"ªº

·

ao

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preço

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de

12$000

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cada i.lnno, e,11 avnlsos,

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e 16$000 enz ool111nes e11ca'ilernádo8.

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Os

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1·1,1portancia

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1$000, pa1·a o registr~ postal

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ANNO XX

Nº. 4

Nº.

avulso 1$200

J

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1

9

36

- -

REVISTA l\tIENSAL

' ' ' .

Di1·ector: ALFREDO C. DE F. ALVIM

Superintendente de Educação Elementar

REDACÇÃO: RUA SETE DE SE'rEMB.tiO, 174

RIO D8 JANEIRO

P a r a o

•• . . '

ASSIGNATURAS:

B r a s i l { 6 um mezes .... . anno ... . IZSOOO 61000

SUMMARIO

Red ... Disciplina

Artbur Magioli,... . ... Justa homenagem

Costa Sena ... . ... , ...•.. , (discurso)

Costa Sena ... , ... , . . A casa do Professor

lYiaria N. Barcellos ... , ..

Mestre Escola .•... , .. , .... .

V~riato Cor rêa ... .

A J, i.nguagem ua e~cola primaría

Tres palavrinhas

Aladino

1>edro A, Pinto...

___

Li.nguap;em ,::__.:.;__

_________

l\1at:ia do Carmo V. P. Nev:es

_

..

Assistencia alirnentar

Educação Rural

A

qziarttos obse,·va,,i co11t

atte,i

ção

o qzie se

passa ,ias

escolas,be11i co,110

a 11za1zei1·a de p1·0·

ceder

dos .fove,zs

rle iclade escola,·

jo,·a da

escola,

não pode passa,·

despercebido

o

ve,ito

de

i,idisciplina

que

/a

.

z

algu,11 te,,zpo

está

so·

pra,zdo e11z

todas as

ca11iadas socia13s.

Sente,,,

todos a i1zdiscipli1za

sob

os 11tais

va,·iados ,,iati

.ies

:

a

po1ica assidtzidade

e

potzttialidade, o deslei

.r:

o 1za

execzição

dos

t,·a-ballzos

e

,zo

cz1,11tpri11ze1zto dos

deve,·es

e11t

_qe-1·al,

a falta de

inte,·esse

por todrts as coisas

que

1·eprese1zta11z o

deve,·.

' , • l ' • •

A questão

é

real,1ie1zte complexa

e

deve

ser

debatida, ntas por· sociólogos

e

·

pedagogos

de

ver·dade,

,ião liv,·escos de gabi,iete

Ol'I

de

colti11z1zas

de jornal, que tê,n u,na pa,iacéa

a propagar.

Existe a i1zcliscipli1za, rtão lia ,iegar.

E'

a

escola,

talvez, o ioga,· onde

.

ella 1nais viva

se

11ianifesta.

E'

indiscutivel deve,· dos

pro-fesso1'es, po,zdo de lado as opiniões, os

pre-conceitos

ozt os deva,zeios dos

''pedagogos''

que n:1.nca

e,zsina,·a,n,

ooltar a exercer a.obre

a 11tocidade a acção

e,zergica

P.

se,·ena

de seu

p,·est(qio discipli,zadór.

O

plze1zo11ze1to, aliás,

é

u,zzve,·sal

.

Btzs-

E11z

vão

fa,·e,nos disciirsos i1zcliados de

car-llte

as orige,zs

é

probl

e

11za

co,1zplexo.

Fa-

civis11to, e11t

vão

cotzvocare11zos

o povo ás

fés-cil

para os sinzplistas, de idéas p1·eco1zcebi- tas,

ás sole,zidades

da pat,·ia. Si não pzz

.

das;

difficil,

e,itreta,zto,

pa,·a

os

qzze

se

ap,·o·

ze

1·r1-zos discipli,za a esse povo,

si

tzão

estabe-vale

da,·

c,·edtto aos que

z11i11zedzata111e11te preqanclo no deserto, ou

estare11zos

juntando

,zos

so1Jbere11z

dar.

o

1notivq, ,nativo zi,zico. de

1

.

pe,·igosa populaça

enz vez

de uni povo util, e

sez-t

po,zto

exclz,szvo de ,;zsta.

d(q,zo das t,·adições do 1zosso paiz.

•,

Toda

a correspondençia deve ser dirigida

á

redacção: Rua Sete 7 de Setembro, ·174

• •

(3)

• •

• • • • • • • •

42

• •

A

'

ESCOLA PRIMARIA

- .

( Dtscursos proferidos pelos D,·s. Arthiir Magi·ot,: e Costa Sena, por occasi·ão

da homenagem prestada a este ulti'11io pelo ,nagi·steri·o ,niin,:cipal)

,)

Obstaculos multip1os se anteporão ao, teu

«Aqui estamos, Coota Sena, nós, os teµs caminhar.

·companheir,os ,de t1·abalho, ntuna demonstração Interesses subalternos no. ent1·echoque com carinhosa, eh.eia daquella aleg1·ia, daquelle gr·an· aquelles que affecta1n d'irecta111ente o bem

pu-de enthusiasmo que experin1entam todos que, blico, se constituirão forte ba1·reira a

trans-após luta po1·fiada, onde energias indescripti· por; não vacilles, nfüo transijas por um istante; veis foram despendidas, conseguem assigna- caminha, caminha sempre, olhos voltad'os ipa1·a

!ada victoria. esta terra que nos foi berço e p:ara cuja gra_ n-Aqui estan1os, sem tergiversações, unidos deza nenhum sacrificio deve ser medido.

em vm mesmo pensamento .para ~ffirmar-te

I

A obra regeneradQ1:a já foi iniciada.

nossa mais sincera e absoluta solidariedade. Ma.rio de Brito, teu antecessor·, numa Ia1·ga Já b·em longe vãO! os · tempios

·

u~

.~xi]{(), visão ,d.a imp,ortancia dos problemas â resolver,

tempos sombrios em que o d'esanimOJ se ~pos imprimiu-lhes orientação firme, .ind'o · buscai·

sava dos mais fortes, n11ma sensação dolorosa nas Circumscripções em que viviam bu1·o~ra-de pesabu1·o~ra-delo, par-ecendo não mais voltaria1n. l9iS tizados, aquelles que, unicos, lhe poderiam

pres-dias bonaçosos ,de crença e de fé. . t.ar auxilio seguro!

E) elles voltaram! . Foi o precursor das horas de alegrias que

Desap·parece o . grande hiato soff1·ido 1Pilo neste 1nomento viv,emos.

ensino primario, volta á no1·malidiade iÜi ~umt1l- Bem haja o grande mestre!

tuar intenso ,d'e paixões que ti}nto. ~gitaran1 A ti cabe seguil-o, imp1·imindo a teus actos

o nosso meio educacio,nal ! ~ a efficiencia d'e tua mocidade, tua .

intelligen-. - , numa verdadei1·a apotheose · de justiça, eia e o conhecimento exacto de t odas as ·

dif-cabe-te, Superintendente de Educação, · '1- her- ficuld.ades podem pr-oporcionar. · ·

cillea tarefa ,de fazei· · voltar o ensino á sua p;ri- Aqui estamos, Costa Sena, cheio.s de f~, mitiva gran~eza! ; confiantes n:? futuro, pa1·a. di~e1·-te. da _nossa

S0b1·e os teus hombr·o,s vã~ pezar r-espqn- grancle aleg1·ia? · <el,a extrao~·d1nar1a sat1sfaçao rde

sabilidades nesta hor.a sombr·ia de dolo1·,osas que nos sentimos possuidos vendo ,e11tregue

inquietaçõ~s. . _ a um Superintendente os ,d,estinos :aa

Ii1st1·u-Ao teu saber, á tua ene1·gia, á comp1·-ehen- cção P1·imaria desta Capital.

.são exacta rd'e uma extr,ao1·dina1·ia 1nultiolici- Cabe-me, ete1·no sonhador de 9-rinho,s não

vi-·dade de p1·oblemas tachnicoo ,e àdminist1:ativ·'.lS víd'os, já np: ,occidente da ~xistenci'.1, ,num

éleve1·-se-ha a normaliza_ção dos_ se~viços ~f- gesto gene~,oso dos nossos companhe1r~s ide

fectos a este Departamento, cuJa d11·e~·ção tf,e trabalho, vir t1·a~er-te a palavi·a da fe, d~

for entregue! . . 1 crença, de enthusiasmo que co11forta, que la ni-Não estarás só. Ao 'teu lado, s_ecundandJo;-te ma e que ,deve1·á servir-te de consolo. l!las

na "g1·ande som1na ,de energi.as a despender hor·as ,de desillusões, nas horas de d~san1n1os !

encontrarás aquelJ,es que comtigo pupportar,m Ouve-a, Costa Sena, nella proc_u:re1 a!'.>ncre -às amarguras do ostracismo e que · voilia'm tizar o senti1· ,daquelles .que conf1a1·am á. _ f1·a-ás posições primitivas, sem que o d_esaniiho, gilidade ,elos meus ho1~1bros t ão _grande ;

res-as <l'esillusões· lhes tivessem avas.alado o es· ponsabilidade, e se nao consegui dar-lhe i\)

t>irito! . r . brilho fulgU:1·ante da_ eloguencia, imp1·i111i-lhe

Muito ha que. fazer, Costa Sei1a. A 1·ect1- o cunho ferreo da s1ncer1dade ~ do ;i,1·d,Jiroso

ficaç~o ,dos grandes desvios expe1·iment~es .,quer desejo que todos nós temos_ de que I~ves a no que se .relll.ciona â_ technica ~o ensma: Ilrpt- bom termo a obra que encetas».

pr~amen~e dito,' que1· no, gue: ~1z r~speito1 ~ Respond'endo, ,clisse o Sr. D1·,. Costa Sen1.:

or1entaçao nos processos ad1n1111strat1vos ,~âo,- ·

ptados, vão exigir de ti, a corf!,gem que 11-ão <<Minhas senhoras, meus senho1·,es. S,e eu

se · abate a -energia que não va~illa. · désse l,argas, neste n101nent·o, a ·minha e moção

Nem

u,_ma nem out1·.a

te,

_dever·ao . faltai·. não p,oderia .articular· uma palavra, sequer, de

I • • • • • • • • • • • ' "'-. .

A

ESCOLA

PRIMARIA

43

---·-

---·---

--.

agradecimento a essa prova exhube1·ante Ide Precisa1nos de construir esta obra sobrb

vossa affeição. todas duradou1·as - aere 1;,er eniii1ts- - que

Elevado de subito a uma posição, a. que 01 futuro . nos está a . exi_f;i1·, die in1plantar n

nunca asp·irei, pelos perigos ·de sua e111inenc1:.:i., educação e1n todos os angulo;, da Patria, co1n.

sinto-me alvo de tantas esper.anças, (!e tantas a 1nes1na intrepidez com que o.s ngssos mat.o,res

previsões optimistas, que posso a custo p,o~ tlevassa1·an1 seus 1·ecantos ,e lhe assegt1rarall:\;

_brar o dominio de 1n un' mesmo.. a unidade indestructivel.

Os grandes movi1nentos de generosidade, . Mettamos ho111bros, sem os ·v.erga1·, .a t J1élaas.

como o que ora aqui v,os congrega, produze:m as ,difficuldades, lutando are.a po,r a1•ca ~om,

um <leslu1nbramento, e sob sua acção não, é todos os tr.opeços que se o-ppuzera1n ;:i essa.

muito que eu n1e veja aturdido e perplex:J, tarefa ingente.

em busca das origens dessas acclamações. E' preciso ,orientar-nos no senticl,o do fu-

-Nada fiz, por miI11, que me1·ecesse tanva~ turo, fitando se111p1·e alto, co1n01 os naveg'a

-espectativas amaveis, tão alvoroçada~ expan- dores pelo curso das nt1vens conj-ecturam <le

-sões de benevolencia. Mas, prescrutanclo m1elh:>r que lado sopr a o vento. .

o meu intima, cuido encontrar a exp,li cação1 ido Preparemos o nosso fastigiO\ porque a ci-

-. vosso regozijo na distincção conferida a urn v.ilização ,deslocanclo-se incessanten1ente, assig-

-dos militantes da grande causa do ensin,o, que r.alará, mais cedo talvez do qt1e se pensa, o

poz a seu serviço tada a diligencia, todo o !\osso 1nomento de p1·eponderancia, co:m as

gra,-enthusiasmo e t~do o impetQ de suas convie- ves i111posições ,d:o p1·og·resso be1n COJ1nprehe

11-ções. diclo e obrigações se1n par àssu1nidas pe1·arite,

Affeito a pensar muito, acabei p,or pensai· os outros povos.

em voz alta, falando o gue sentia, mesmo sem F,a!aremos, ,devid.a111ente p1·,ep:arado,s, ~ lihgua-·

ser ouvid,o e sentindo com t o,da alma, p,ara gem esclar,ecida dos que se apirimorrara·m pelo1

não me agastar com os que me nã'.> o,uviam. sentiment.o, iapro,fundando sua cultura, na. 1,Jena. As convicções arraigadas, sã,a, por sua

ª""º

consciencia ,de ·seu prestigi,o.

tureza, incoercíveis; suffocam, quando con1- Mas é _jsso feito p;ara as varias geraç,ões

r,rimidas. Só não escutam essa palavra li.n- resultad10 de J.o,ngas p,orfias, en1- que, havemos

terior, substracto d'a _yropria consciencia, c10imo d·e emp·enhar indefessamente todas as enei"gias,

a outra i0 é da palavra, .os que agem par num entusiasn10 aferv-o,rad10 e cresc,ente pela

calculo, ps a.nesthesiad'os peLas .convenien0ias,. ed·ucação, •dada ,a to.dos, a m·ãos c:h.eias, n.uma

que são, ,digamos assim, os aphasicos d~ sen- profusã,o que nos ha ·de enriquecer e· e;x:_alfur.

tímentos. Meus amigos (,deixa.e qu-e vos envolva.

s.

to-Sobre mim, nunca pesará o arrependimento ã'os vós no circulo dessa palavra 1nàgica), meus

esteril dos que silenciam nas h,oras decisív:.:is: amigos, eu c-ont.o co111 v:os~o· para essa. g_rande

não direi nunca aquill-0, elos imprevidentes: TT ae empreit~da espi1·itual, que va111os empTeender

mihi, qu:ia tacuit, ai de mim, que me calei. juntos, s.ob o signo ,d,o, mesm,o ideal.

Eu acceito, pois, essa homenagem, tão ~x- Faltam-1ne G.ertso, requisito.s d•e comnui:ndo cedente do meu desn1ereciment.o, tão despTo· que só a ·benevolencia de meus sup1erio,res f3

porcionada ao que sou oomo _um testemunh'.l o excess0t d,e vossa magnanimidad,e ntt;ribuiram

ã sinceridade de meu proceder nesta casa, crym 11s minha ;desvalia.

a qual estou. contrahindo uma divida ir1·esga- Mas, hei 1de forcejar atê q fitn por não

taveI. desmentir. os v,ossos p·rognostico.s Eliviçareiros.

Se assim é, se o 1neu passado vale ,por uma Conheceis, certamente, ,o, ,episadio J<Jici001·ri• affirmação de lisura, dev.o fazer, elevado ?

do

com ,o celebr.e Paganini, e1n _Um'.a de s~i!

este posto, 11ma obra de sinceridade, garantia exhibições perante a Côrte Real.

nnica de sua duração. ,Tocava elle uma ~as musicas · m:ais f.iifft-Ensaiei a minha actividade em' outra car- ceis •de .§eu repertorio, quando estalou i\llna

reira, mas cedo me retrahi e para logo a das cor:das ,de seu violino.

abandonei, quando vi que, para ascender nel· Numa substituição pr,o•digiosa, só pos.sivel

la,

tinha <l·~ contrafazer a . minha natureza, . num .. g.enio, continuou ella a e,xecutar P. trecho

desnaturar os meus principios e encobrir quasi musical, como se nada .oocorrera. sempre os meus pensamentos. Subito, r~upeu-se outra corda.

· Voltei-me, então, para a esphera

da

~du- A: estupefacção é geral; Q audit'orio iestã

cação e do ensino, p~rque ahi é a atmospoo.ra . suspenso, ansioso por. , v_er C.OifilO se sahiria p

que nos envolve, ma1S saudav.el e toda feita artista rde tamanha d1ff1culdade.

do ox:ygenio purissimo das verdades l,lUgustal!' . Elle, porém, -. ppr um milagre de

virtuc:,,si-e das crenças impereciv.eis. dade, pro.seguiu, .em ~e.adas fir111es, na

exe-• • • • • • • • •

(4)

44

A ESCOLA PRITh1ARIA

-· - - - · - - - ~ - - - ·

-cução ,da 1nelodia, se1n a falha de t1ma. só

• nota.

E foi uni asso1nbro.

M,e11os .feliz ·do que o violinist.a genial, sinto

antes de in!cia1· a 1nirih;:.i tarefa_, que me

fal-ta1n algum.as cordas.

~1:,as não es1n,oreço; i11citado p·elo, vosso zelo

B engr.andecido pela voss'l solidariedade, hei

de substituil-as com vantagem. .

f.l'anto pode o esforç,o.

Vibrará o enthusias1no e1n vez da technica

pe1·fei ta; a declicação sem li111i tes, em vez

do. saber.

E estou que se, D e<J ju·va:nte, assim fizer,

eú não decahir·ei da vossa a miza:ie e farei jus

á vossa constante bemquerença» ..

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de i11fú1·ttt1zio, o

111aio1·

facto,·

tia

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iossa

prosperidade

e ela

,zo

ssa

r·i-qzzeza.

Só a intervenção sobrenatural da fé explica esses miiagres de pertinacia no

bem, esse ·continuo desfazer de obstaculos

e trope.;os, que leva o mestre tanto mais

'

.

em requ1ntdr em provas de amor ao

ensi-no, quanto mais penos,i. á sua condição.

Aqui, 1nercê de nossa situação

preca-ria, o professorado remedeia o inadequa-do inadequa-dos predios; suppre o material

escas-so; multipl-ica-se, desdobrando-se em

acti-vidactc; apprehende novos rumos; presta

assistencia; vence vicissitudes de toda a

porem; anima a escola, exalta-a, dá-lhe

vida. E assim, an·nos a 'fio, avós curta

pausa, retrava-se· a peleja, cada vez com

maior ardor:

. Neste :1rduo labor transfundem os

pro-fessores o melhor de s_uas energias,

cres-tain o viço de su,i. mo cidade e, não raro

muitos delles, e<;quecidos de si proprios,

definham e se con somen1 até a ·exhaustão.

Enfermam, e é er1tão realmente

con-tristador ver delJatendo-:se em

liifficul-dades de vida quem tanto diligenciou por

tornai-a facil a seus semelhantes.

Urge, portanto, q ut:: nossa admiração

se tr~duza em acto. ·

Prestar amparo a esses organismos

combalidos pela asrereza da luta,

re\'Íg0-rar a coragem de>lses sacrificad os

volun-tarias, tonificai-as para o trabalhv é, não

sórnente obrig·ac;ão elementar do Estado.

co mo ta1nbem dever moral imposto a

to-dos nós, beneficiarios de seu es fo rço des·

prem1 ado .

O

artigo q1z

e

lto,je Jtottr·a

,zossas

coltt-111,zas foi e:;cr·tpto

e

pttblicado,lza oito

a1z1z

os

.

Não está ass(q,zado

.

.

Nós

o t1·a1zsc,,eve111os ,la

pr·ir1zei1·a

pagi11a

d'

«A

Escola,,

evista

qtt

e

e

ra,

e,ztão, dirigida

pelo

D,·.

Costa

Serza;

o

b,·illtante espir·ito qzJe

se

acfta,

,

a

ga

,

·a,

á

f1·e1z-te do

Depa,·tam

e

,

i

to

de Ediicação do

Dis-tricto

F

ede

,·al.

. QJ e esses le'gionaríos de iostrucção e

do civismo saibam que não os relegamos

ao esquecimento e sintam, quando

que-A bran ta dos de força s, que tentamos amor- ·

tizar nossa dit'ida de gr:atidão.

Uma _idea generosa e.m marcha

-Casa do Professor. . ·,

Os q11e CO!lhecem ó nosso magisterio

primario não cessam . de proclamar o seu

valor, sua dedicação, o seu espírito de

sacrifio e de renuncia. ·· ·

Passam os tempos e cresce a

admi-ràção. ·

.

. '

Nessa epóca, e_ni que tudo e calculo, e

utilitarismo, a µma g-era,ç;i.o desprendi.da

S:QCCed_e ,outra abnegada : uma f"-z de seu

mister a preoccupaç:5.o absorvente de tod.as

as horas; a outra, .. o tra.nsforma em a'j:>o s

-toiado. · · .. . 1·: . ·,. : . . -· , e

'

·D emos-lhes, nessa · .conjun ctura, um

pouco de animo e reconforto , nas horas

longas de prostração e· desalento.

Ahi está, desaprovéitada até hoje; ' na

T.ijuca, a ·colonia de Ferias.

Lagar r,epousante, de ar ·saudavel e

vi ~ificador, · ·círcundado de panora a: a _

ex-plfndido, tudo Ó -ín.dica para séde da _

hu-man i ta ria .iusti tu içãtJ . ·

Faça o sr. Prefeito, t1ma vez

auto-ri zado ,·- entregando pred10 aos inil:iadores

do movimento, e terá · cravado UlétÍS um

• • • • 1 (

A

ESCOLA PRIMARIA

marco de benemerencia em sua

admi-111is tração.

A generosidade de nossa gente, sem·

pre sensível ás boas acções e

á

bondade da

mulher brasíleiré'., ine!'gotavel em seus

re-cursos farão o resto: festivaes, donativos

e esses mil expedientes, em que se Jesen·

trauham os bons sentimentos, coroarão de

bom exito a grande oo;:a social.

Ahi fica o appello que, estamos

cer-tos, resoará commovídarnente em todas a s

almas bem formadas.

45

''l\'Ianicaca, . Figueiredo de1·ivou

do

químbundo com dúvida.''

, Sendo o dicioná1·io essencialmente

eti-mológico, E.ão se compreende _consigne pala-.

vras sem etimologias.

l

Que· reproveitará um

leitor do verbete que acabei de copiai·? Já

tenho apontado casos semelhantos a. êsse e há

11ma centena, sinão mais, de idêntic.os. nQ

volumoso . dicionário do . professor ginasial.

ou mais um ot1 dois exemplos, po1· c1gora:

'· Obsticidade -

G.

Viana consigna ê

s-te vocábulo no seu vocabulário. Figueiredo

·( Tr a nscri p to

d e

1928).

d'

.4.

Escola

de · Junho não responde pela exatidão dê!~; mas,

embo-ra deformado, talvez se 1·elacione com o lat.

stu pare, voltar a cabeça para trás, · ou com

o latim obsitus - obstipus, Não me parece

aliás, que se 1·elacione com algum dos dois» •

·

Língua materna

l

Qt1e é que

,caca ?

significa

a.

palavra

- na cõnta Não sei se exagero tendo êss& de desafinado ou de desapa1·afusado. ve1·bete

i

Que é que ens inou a seus alunos, ou a seus

mani- ·leito1·es, o bi cated1·ático etimologista do

im-Não é têrmo de uso correrrte e nunca

o encontrei, si não em dicionários . .

pe1·ial Colégio de D. Pedro 2°? ·

Creio que, em po1·tuguês sofrível, havia

àe escrever-se '' ... que se relaqione com '

qual-quer

dos dois'',

Oll ''COD1

um dos dois''

.

Está no Suplemento do Bluteau:

' 1Ivianicaca . Têrmo chulo . O homem A fr·ase do s1·. Nascente é semelhante a est;:i :

''Homem alg11m me mete medo'', que não ·,é

certa.

A

seu 1·espeito escrevP.u

C

.

de

Fi-gueiredo :

fraco'' .

Morais, nas três primeiras edições, ~.on

-signa o que se vê em Bluteau . Da quarta em

diante aparece a hipó'tese de ser mamicaca.

-''Manicaca, ot1 antes mamicaca, s. rn. chulo.

Homem fraco'' Ltce1·J.i 1·egísta o têrmo

co-mo ''homem covarde, muito medroso''. Não

está em · Adolfo Coelho nem no Aulete Santos

Valente . •

Copio da 1

ª

edição de Cândido de

Figuei-redo:

' 11\llanioaca. m. ( chul- ant,) homem

f1·a-co pale1·ma, inhenho; maninelo, caga1·ola .

T;lvez do latim marius

+

cacare''. Nas

edi-,ções modernas acresce_nta o. auto_1· . alguma

coisa e propõe outra etimologia. Diz o que

i!stá · na 1ª e máis . 'T. de Tu1·quel.

Peral-vilho Velhaquete. Sujeito -d'e maneiras

requ~brad-as. (Talvez do q11imb.)' 1 · ' '

E' palavra 'ainda de éti mo desconhecido.

'(') dicionárío etimológico do s1·. Antenor

Nascentes não devia consigná-la, salvo se

po-dasse o autor esclaracer'..lhe a origem.

En-contra-se no ''Dicionárío etimológico!': êste

~erbete, sem sentido; .

''l\1as, por outro la.do, em.bora nós p,

os-samos dizP.1· ·•1

Nenhum homem me mete íné·

do'', é talvez er·rõneo ou, pelo menos, a1·1·ís.,.

cado dizer-Homem algum me mete medo." E'

que esta última forma não .1 ·vejo autori zada

por mest1·es/' (Falar ~ esçrê_ve1· .. Pá~.

,

n

.

227. ·v. 2° ed.

3ª).

Ad1a,fÍte cita F)g11e11·edo

''tempo algum'', ''vez .a;lguma'.', pJrém ilOU·

tro sentido, no de 3:lg11m tempo,

alguma

vez ... • •

***

1

E' comum fi que eu co mpletaníent.e a

quo

ao procu1·ar uma etimologia na

monµ-roei:Jtal obra ao s1· . Veras Nascentes, . nessa

''rudis indigestaque moles'.', pa1·a servir-me_ ~e

frase ovidiana. Se isso acontece comigo ,q_tte

e.p_caueci estud ando, imagine-se o q11e·não

su-cederá com os alunos do Golégio de Pedre, os

principais ·· ledo1·es do,dicionário -elabo1·ado por

se11 catedrático. . . . . .

Suponhamos que; 11m dele~ desej~: si).ger

a

etimolegia e o sentido da palavra

npt~

.

r

.

i9.

.. ' .

. : " '

(5)

• • •

--

-

• •

_4

6'

_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _

---::---A_E_S_

C_.:..,::OLA

P

'

RI~IARIA

A

Esse têrmo, em

nossa língua,

e

si11ônimo de

tabelião, de escrivão

núblico.

Em

outro

a1·-tigo dei a etimologia de

tabelião.

Em

latiw

notarius,

a:

um,

era secretàrio estenógrafo

escriba,

copista.

'

'

Vejo

no

Dicionário de Quicherat

:

'

'

Notarius, a

um

Fulg.

relativo

aos

ca-racteres do

alfabeto. S.

m.

Quint. Diocl. o

que

.

escreve por

abreviação, estenógrafo.

Cód

Teodosiano,

Esc1·iba, secretário, copis.

t

a.

.

''

Vejamos o

_

q11e apreenderà quem consultai·

o dicionário do sr.

Veras Nascentes:

''Notário

- Do lat. notariu, escriba

,

que

aparece

no

código

Teodosiano."

l,

E

alco,·ão

não é

out1·0 nome

de

co-T'.ãO

?

Vejo

no

-

Dicionà1·io

do

sr.

Veras.

··~.\.lcorão -

Do

àr alku1·an a

leitura· o

C

ora~ p~ra

-

o

m~

1

sumano é, como Bíblia para.

'

'

os

cr1staos,

o livro

po1· excelência.''

A

defesa do sr.

Veras

Nascentes

está

á

altura

de sua ob1·a

» > »

Para.

mu1iar

de assunto,

imaginemos deseje

alguem saber a etimologia

de trapalhão. Està.

no

Dicionàrio

:

''Trapalhão

-

A. Coelho vê

no

voe.

duas

formas que

se ligan1 uma a

trapo

e

ou-t1·a

a

tra~~.

Co1·tesão conf1·onta com

o

esp.

trap~lon.

Não percebeu que

o leitor,

além

de nao

apreendei· a etimologia

ficou

com

os

011

vi dos

irri ta dos rle tanto tra' tra

t,·a.

E

'

hipocofótico. duro de ouvido

s

1

inão

1

mouco o

cate'lr

à

tico de português do imperial

Colégio

de Pedr0

·

.

,

***

S11ponho que

um

al11no do

Pedro

nada

ficará sabendo, assim da

etimologia

como da

significação da palav1·a not

á

rio e

também

i

g

-norará se

aparece em

o

Código

de Teodósio

o têrmo

escriba

ou

1zotá1·io.

O desejo de

pa-recer

erudito

levou o

cated,ático a

compli·

car seu verbete, como de

costume

mal

es-crito.

Ainda se usa muit0 hoje a palavra

es-

l

Que é que significa

o

têrmo

o

ca

ri-tenógrafo . _Formou-se do grego

ste,zos,

a per-

na

?

tado, abreviado e

grafó,

de

grafein,

escre-

Figueiredo assim

define: ''Instrumento

ver. Taquígrafo 01·igina-se de tachys, rápi- músico, feito de barro e que da

so11s

seme-do

e

grafó.

..

lhantes

aos

da f1·auta.

(T

. dialect it

?).''

O dicionário do sr. Nascentes regista es-

Gonçalves

Viana tratou do

assunto

nes-tenografia e não consigna estenógrafo. Mas tas palavras: ·' .•. o têrmo oca1·ina

é

mo-dá. taquígrafo e não taquígrafia.

derníssimo, não

chega a

te1· qua1·enta

anos

de

Regista antífrase e não se lembrou de existência em portugu

ê

s, para o qual veio do

perífrase. Veio a.lega: depois

que

não re- Tirol italiano

com

uns músicos,

.

os

ocari-gistou perífrase, porque é têrmo fo1·mado de

,zistas,

q11e em Lisboa

esti,eram ai

po1·

1870

perí e frase. Melhor serili tivesse ficado quie-

e

tantos, a quem

chamavam

apeni,zos,

e que

to ou tivesse confessado o esquecimento.

deram

vá.

1·ios conce1·tos nesta cidade.

De·

G

Por que não registou as palavras medi- poí~, ~ouve também m11sicos po1·tugueses que

cina, medicamento, farmacêutico ...

?

os 1m1taram, e do mesmo modo se intitularam

~

Serão nomes próprios?

,

ocarinistas,

conservando o instrumento

·

o

Estra.vagantemente, a meu ver, conside- nome de ocarina. A 1·espeito deste instru-

·

rou Bíblia, Evangelho e

·

Corão substantivos ment'>, diz-nos a enciclopédia

Nouveau

La-próprios e deles não tratou.

·

·

rousse ill11stré

em resumo o seguinte:

''Ori-De seu fra.quissimo e destrambelhado gem desconhecida.

O

ocarina foi

inven-escrito -

''Em defesa do meu Dicioná1io'' tada, aí por

1880,

em Búdrio, na Itàlia ...

''

são estas palavras:

,

(Apostilas. v.

Pàg. n.

191)

·

O sr. Antenor

'

Nascentes copiou

G .•

'']falta o importante vocábulo

Evange-lho. A omissão se deu porque o autor

con-siderou um substantivo próprio, a pa1' de

Bíblia, Corão e dos nomes de outros livros

sagrados, que

,

r.eservou para o segundo vo·

lnme''.

·

·

J

Viana fazendo alterações para peor, se

-

m

·

di-zer que estava t1·anscrevendo, sem aspas~

Pôs no princípio uma frase do fim dê>

artigo e, e&tre parêntese, escreveu

G.

Viana.

Depois prosseguiu

.

na cópia, sem as

·

pa

1

a,

A ESCOL11\. PRIMARIA

De

modo

que

fica o leitor a pensai· que

iest.á

lendo

coisis do

sr.

Nascentes, quando

G

.

Viana

adulterado

.

Passemos

para

aqui o texto

do

''Dicio-nário etimológico'':

'''Ocarina

...

O

vocábulo

é

moderníssimo; não

chega

a

rter

60

anos de e

x

istência

em po1·tuguês

pa-1·a o

qual

veio do

Tirol

italiano com uns

m11-•

·4 7

Nunca li os Petrônios, nem tenciono

lê-los

agora. Houve dive1·sos esc1·itores

d

ê:sse

r:ome.

Um,

o mais

conhecido, Titus

Petro-~ius, arbiter, autor de

''Sat

y1·icon '

',

de certo

e

o

a que alude

os1·.

Nascentes ou

o

seu guia.

Outro

,

Petronius Deodatus, autor de uma

an-tologia médica, ob1·a q11e não existe em

nos-sa Biblioteca Nacional. Ainda houve outros.

sicos

que estiveram em

Lisboa aí por

1870

Vou folh.ear

O

'·Sat

yricon''

para ver se

.e

tantos, a quem chamavam

ap{J1ti1zos

.

Hou- nele

enconti·o

O

,,ietipsi,,zu

de que fala

O

sr.

ve depois

m11sicos

po1·tugueses

que os in1ita- Veras N

ascent.es

.

N outi·o lugar em escrito

.

ram

e

foram

chamados

ocarinistas.

Pet1·oc- anterio1· ao dicionário, em livrin'ho publicado

-

chi filia o it ocarina a oca,

pato; Larousse em

1929,

o sr. Veras andou

apróximadamen-<li:6 que

_é. invensão

italiana

...

".

.

te ce1·to

quando

disse:

«Ipse

tinha uma

for-On_i1t1u

o t1·echo ?nde

G.

Viana

da.º no

,

-,

ma

enfática, tima espécie de superlativo,

ipsi-me do

inventor.

e, por sua con~a

_o_u ce1fa~do

,,zz,s,

que aparece

ein

Petrônio.''

noutra

seara. ~

1

1z que Pet_rocch1

f1J1a ocar1na

N

O

Dicionário desandou

6

escreveu :

.a

oca,

pato...

Onde

Viana

escreveu ''O

ra

,o

têrrno

ocarina

é moderníssimo'',

o sr.

Ve-,ras disse <o vocabulo

e

modernissimo • 'Não

,chega a

ter

40

anos''

(

Viana).

''

...

não

che

-ga a ter

60

anos'

'

(Nascentes).

**~

Alguém que se

oculta sob o pseudônimo

:de

estt1da1ite do

Pedro

2°,

pe1·gunta-me o

motivo por

que

não

comentei

a palav1·a

vice

-rai,ilia,

er1·ada

,

que

se

num verbete do

sr. Nascentes.

''

~1

-

~s~

o

-

Do _lat.

11zettpsi11zzi,

usado

po1· Petron10, supe1·lat1vo de metipse ...

_

Assevera o

'est

udante

''

que tal forma

_

nao se encont1·a em Pet1·ônio.

PEDRO A. PINTO

Acho

o

t.êrmo defensável,

á luz da lín·

gua,

embora

ilógico. Não me propús

comen

-

A

·

• •

tar

todos

º.s _defeit~s do Dicionário, visto que

tnguagem

na Escola

Pr1mar1a

tal comentar10

daria obra colossal. Não re·

l

.

gistou

o

sr

.

N'ascentes as

palavras vice-rei,

vice-réina e vice-rainha. Da 1íltima fêz uso

no verbete

clii1zclzo11i1ta

,

Em ''Língua

Ma-terna'', pág. n.

170,

mostrei que no

referi-do verbete, de duas linhas, se encontram

pe-lo menos

3

erros.

Morais, na

ed. do dicionário, consig

·

na

o têrmo viceréina e alude a um exemplo

da ''!íonarquia Lusitana''.

A

e a

-eds. rer,etem

a. 3ª. A

diz

o

que

está nas

-out_ras e manda ver vice-rainha,

que

assim

-define:

'

')ilulher

do vice-rei, Mulher que

,governa como vice-rei

...

''

Figueiredo dá viceréina e

manda ver vi·

'Ce-rainha. A. Coelho

e Aulete sómente dão a

1íltima

.

Também o mesmo

''esttrdante'',

que

pa-rece

professor, alude a

umi

citação

errada de

Petrônio

que se

no

'

verbete

,,,es,,,q

~

p~·

de que e~ examine

_g

.

i!-~§º'l!t~:

... ' . " . .

.

,.

l

I

l'rlais que qualquer outro problema,

deve preocupar-nos o do ensino da

lingua-gem. Todos aqueles que, labutando

dia-riamente pela instrução e para a criança,

se dedicam a esse arduo mistér, notarão a

necessidade urgente de ativar o ensino da língua patria em nossas escolas

prima-rias.

As

outras disciplinas exigidas nos

programas não devem ocupar, nem preo-cupar alunos e pLofessores, por muito

tem-po. Essas noções devem ser colocadas em plano secundario: lembremo-nos que a lei-tura, os jornais, as revistas, o cinema, incumbir,se-ão, com o correr do tempo, a

aumentar o cabedal instrutivo da criança,

.'!! i~§Q expontanêamente, sem desperdicio

(6)

,

'

48

A

ESCOLA PRIMARIA

de ti:mpo e de e~ergia~. Precisamo~ con-j . Impõe-se uma renovação capital no

,seguir do ·aluno, isso sim, um maneJo se-! ens1-nu de .nossa lingu·a. Não encaremos guro da linguagem que lhe permita ex- esse problema como fria dire:ção do cada-pressar,se e escrever corrétamente, já que~ ver linguístico; êle é o estudo de um 0

r-seria absurdo exigirmos dêle um per-feito gánismo vivo,· em continua t:volucão

ad-conhecimento da lingua. quirindo interesse e despertando 'a

durio-. A maten..ática, ma.téria positiva por sidade. A literatura, a escolha de boas

excelencia:, não nos deve _ocupar. mu~to leituras, descrições vivamente coloridas, tempo, porquanto, estabelecido o _n1vel in- contos, anedótas, vocabulário abundante

telectual da turma, o professor, pr.ocuran, curiosidades linguísticas, modismos pou~

do tornar as noções c1aras e concisas, con- cas regras. nada de coisas decorada;

can-seguirá desenvolver

o

programa com faci- sati~ras da memoria e iliminatorias d

1

o

ra-lidade. ciocinio e da logica; casos concretos que

Fatores há que se opõem ·a um estudo desenvolvam a observação e eis a attla

seguro da linguagem e esses, é curioso ideal de linguagem.

constatar, residem no ex,cesso de noções Não nos preocupemos com a ; poucada

exigidas nas outras disciplinas. Reservado mentalidade infantil, com a carencia de

um determinado tempo para o ensino da assunto e a imaginação precaria de nossos matemática (raciocinio e calculo), a aula alnos. Não obriguemos, de inicio, essel!I

de linguagem deveria prolongar.:se duran- pobres cerebros desprovidcis de leitura a.

te o dia letivo, salvo quando o professor um esforço inutil de memoria, Escrevamos.

notasse fadiga nos alunos ou desinteresse. por êles e para êles. Faç:imo-los ouvir a.

Nes.;;e momento, então, a titulo de pales- nossa leitura, despertemo-lhes o interesse

tra, poderiam ser ministradas noções leves e para isso, preparen1os cuidadosamente~

~e sumaríssimas de ciencias. em ca&a as nossas liç ões de linguagem,

en-0 que é evidente é que os nossos es- saiemos é!.S nossas leituras de modo a

aper-colares chegam ao 5° ano escrevendo como feiçoar a nossa expressão, movime11tando o faziam no 3° ano. EKplica-se, perfeita- com o poder de nossa mimica, a leitura

mente, esse estacionamento : durante os .em classe. Assim, pouco a pouco,

infil-dois primeiros anos, as ctianças recebem, trar-lhes-emos o gosto pela leitura,

des-quasi exclusivamente, aulas de linguagem pertar-lhes-emos a imaginação adormecida

e matemática. . D~ 3° ano em diante, os e verificaremos, com indizível prazer a,

prc_gramas vast1ss1mos, ~brangendo uma modificação radical porque passou à

men-ser1e enorme de conhec1mentos, oclpam _talidade da criança e, então, orgulhc1r-nc,

s-grande parte da aula, tornando apressado emos dessa vitória e diremos como

Pas-o t:nsinPas-o .das matérias_basicas: As ·1ições teur, quando se aproxim.:1va do fim «J'ai

de conhecimento~ gerais ~ever1am .comple- fait celui qui fut possible».

tar a_penas o e~s1no da_ linguagem duran- . O estilo infantil, consequencia de seu

te a interpr.etaçao da le1tu:ª·

E

como s.e pens~mento é comparavel ao seu desenho." presta admiravelmente; a literatura ao de- Observemos um desenho de criança e vere-s:n_volvimentó.!ev~ e atraente de noções mos q11e, não esquecendo das mil}ucias ela varias sobre c1enc1as e educação moral e não sabe colocá-las convenientem·ente · e

civica

!

isso porque a criança tem apet!as o

sen'ti-Os <Clubs Literários>, quando . bem mento das relações; ela sabe que todos orientados, os jornais escolares, quado ~queles pormen.o.res concorrem 'para. o con-coiivenientemente organizados. desprovi- Junto sem, contu.do, saber estabel~cer um dos dessas horríveis descrições clássicas, equilíbrio. Essa harmonia de conjunto é

pesadas e e-nfadonhas, variados e le·,es que nos compete estabelecer e uma vez

co·mo é leve e variada a mentalidade in- conseguido, _teremos realizado um impor-fantil, serão fatôres «sine qua non» para O tante tr~balho de ·alcance naciohal e social.

desenvolvimento do énsino ·da linguagem. MARIA NAVARRO BARCELLOS

• • • I

A ESCOLA PRI1VIAR1A

Tres

palavrinhas

... nIANO - Do substantivo grego

11za11ia,

que significa loucura, ot1 paixão

excessiva nos vem o elemento suffixal

1na-1zo,

com que formamos numerosos

adjecti-vos e substantivos, taes como

11zelo11'zarto

toxi

c

o11ia1zo

,

,,,or

plzi1zo11za1zo, cocai1zo11za1zo,

bi~

blio11za1zo,

/.·lepto111a1zo,

etc.

A correcta prosódia deve ser

11t

e

lô11za-no

,

to

"r:

i

c

d11zct1zo,

etc. fazendo

proparoxyto-nas todas essas palavras.

Mas é de notar que se uma palavra de

'

49

ai, que ora se vende em latinl1as e com a

marca

Pzl1·itas.

O homem pronuucia

p1i-l

'ítas,

com accentuação to nica no

i.

Ora,

a palavra

Pzi,·itas,

que o industrial

ado-ptou para marca de seu producto, não

foi inventado por elle, mas buscada

sim-plesmente ao lexico latino.

P1i1·itas

(ac-cento tonico sobre o. 11, primeira syllaba)

é

latirn , quer dizer

pur

eza

.

Por que ha de ser

pr1

.

1·ítas

quando indicar o tal artigo

ali rnenticio

?

MESTRE ESCOL ,\

A ladino

formação erud ita (como no caso) então a

ser tisada freqt1enteme11te pelo povo

(co-mo tambein é o caso), este repelle a

acc,en-tuação proparoxyto na. Assim repugna ao

povo dizer

lJl

elô

111

a1tO,

to

"

r;ÍCÔ

IJZat

zO

, lllO!

'

p/ti-ll

Ô

l!ZllllO,

cocaittô1

1t

a1to,

bibliô111a1to

kleptô

-

'·:à'Ietis 1neninos - Ha tres dias , por

11za1

zo

.

telefone, Patilo Maranl1ào me pediu que

Deveremos então transigir com as eu aqui vos viesse ler um conto de fadas.

formas

11t

e

lo11t

tlo, t

o.

,

,

:ico

11zcí1zo,

11101JJ!zi1z

o

11z

-

Mas queria um conto de fadas em que,

no,

cocai110111á1zo,

etc.? Parece-me que de alguma maneira, se visse a figura real

não,

e

que de preferencia devemos dizer de Pereira Passos.

111

e

lo11za1tía

co,

to

:

x:i

co

11za11ía

co,

11101·p/1i1zo111a

-

Antigamente, meus meninos, eram as

1z

iaco,

cocai

1

101

1z

a1ziaco,

biblio111a1zíaco,

l

~lepto

-

fabulas que causava1n espanto aos

ho-111a1

zíaco

,

etc. mens; hoje sãc os homens que causam

Demais, ha uma palavra deste gru - espanto ás fabulas. A maravi lha do

en-po,

11101

10

1,z

a,zía

,

que dá apenas

11zo1z

o

11za-

g-enh o humano destruiu o maI:avilhoso da

,zíac

o

.

j'lmais se ouviu que alguen1 dis- fantasia·

sesse

11t

o

1z

d

11

l

a1t

o

.

O poder do encantame11to, outrora

REFE~I. - Já nos occupárnos desta atributo exclusivo das fadas, (Jassou a ser

palavra, faz alguns annos. O vocabulo

é

na vida moderna sinonimo das invenções

oxytono , sabem-no perfeitamente as pes- humanas. Attiaimente são os homens

soas instr11idas e não se pode admittir du- que manPjam as vari11has de condão; são

vida ou discussão a respeito. foi, pois, os homens, atual1nente, que fazem os

mi-com verdadeira tristeza que ouvi ha pou- lagres que, em outras eras, as fadas

rea-cos dias dizer o locutor ou

.speake

,·,

de lizavam.

uma da~ mais afamadas radio ·diffusoras As botas de sete leguas do conto de

nacionaes que na Espanha, em não sei Perra1, lt já não vale1n nada diante do

que cidade, haviam sido fuzilados todos avião, do zepelin , do telegrafo. Alad ino r

os

é

fe1ts

! !

com a sua la1npada prodigiosa, já não

'rristeza, disse eu acima, co11siderei o Item valor nenhum ao lado do ser que

mal que produz, falando ao paiz todo inventou o vapor. o automovel. o raio X,

um1 pes;o:t de tão escassa cultura. Pois o radio, a televisão. O cinema com os si o me;;mo homem disse um dia

lzá,z-

seus recursos cenicos. tornou insi~n -fi ·

gar

outro dia

í

o

a,z

(o nome p1·oprio Ivan) cantes as pompas, espi"endentes das

Mil

e

e agora

1

fe1zs

!

u11ta

1zoit

es

.

· PURITAS. - Do mesmo perigo-o lo- i Na atualidade, o homem tem mais

cutor (ou

speake,·)

ouvi o annunci,o de poder do qtte os genios magicos dos con-certo alimento, um importar1tissimo cere- tos azues .

Referências

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