•
1
Ann.o s•-lSl.
s -
Nt:1.ca:2-e:ro a."7'1.;&1&o .18000 - sete:D."ibro d e 1,984'
I:..?EVIST.A . N I E N S A L
Sob a direcção de inspectores escolares do Districto Federal
Director-Presidente
DR. ALFREDO C. DE F . ALVIM
Redacção : RUA 7 DE SETEMBRO, 174 Officinas: RUA DO CARMO, 55-A
•
Gerente:
YEL VA P. DESA FREIRE
-Assignaturas ) um anno · · · · • · · • · ·• · · · • ? 6 n1ezes ... . 9$000 5$000 S ~ ~ A R . I O -Oswaldo Ori co . .••.• # • •
Abilio Barrros de
Alen-ca r . ,. •. . ..••.. .... ,. . .
Dejanira A. Roboeira.
A Escola e Familia
Presidente ~olidge e o Professor Expediente
Elementos formadores do texicon Dos Complemc ntos 11umericos. Funcções grammaticacs do
n1ono-syllabo A
Mestre escola... Tres palavrinhas
Othello Reis . . . . Educação do homem e do cidadão
Jonathas Serrano. . . . . Historia
Othello Reis. . . . Oeographia.
Noemêa Eloya e Inah
Martini... . . . . . . Lingua Materna
Olympia do Coutto. . . . Arithmetica
E. Bl:zme... . . . Sciencias P hysicas e Naturaes ... ... - ...
----
-
. ==·=-::=::==··-=:.::--::...::.-·
_
_
:::::== · · -.-·- - ---~----·-... ...-._... ... • -.. . ... . -- ,._-
-...--
- -
--
__ .,.. -... .,,,.-
. -\ I • ,A
Escola
e
_
a
Familia
.E1 sem dztvlda, para os que amam a escola r
publica e tên1 responsabilidades ,zo ensino, r,nz 1
dos primordiaes deveres o de prender cor11 bons laços aos interesses da. escola a f, :milia. 1
Isto, qtle tem constituído ,nateria de estu-dos e de propaga11da em velhos e adeantados 11aizes, e dizendo-o occorren1-nos os exemplos da França e da Belglca, é enz nosso parfictilarn1ente merecedor da attenção dos estudiosos e dos
esta-distas que vão ajudando a e11olc1ção social. Paiz l novo, ertz qtie 11ão raro a propria familia precisa
de uma ed11c(1Çl1o con1plementar, domestica e
civica, bern avisados andarão os que nelle
pro-nzoverem a z, nião cada vez mais itzf i1na entre as 1
familias e a escola.
E' preciro Ievt1r ao poro a noção de qrre ndo
é a escola ur11 1'ncgocio '' do
gover110, uma repar
-tiçllo en1 que o Estado se incu11z!Je de polir ll in-tellige11cia das crianças dt1rante o rnenor prazo
possível, e co11l a qtzal o povo nrzda fcnz a fazer
senão reclan1ar, con10 reclanza cont,a o atrazo do bo11de ott co11tra a desirtia do empre,.ctado pt1blico que lhe pre11de uma petição~ 1
lia de se i1zteressar a n1assa po1111lar 11a 1
vida da esco/(1, para qzre e/la a te11!1a co1nl1
insli-tuifão s11a e lhe JJr,esle o a1;oio qltC n1erece e de
q11e necessita.
Eis, pois, 11111a !Ías razões 1-1clos rJll(1es se
tor11a nzerecedora de lllJf?/a11sos a !tlf itna reforma
do ensir10, que ve,n de ser 11ro,1zll/.gad<1 fJelo !J·o-verno do Estado de Minas, T)ecr. n. 665/5 de 19
de Agosto 1.1lti11zo. Nesf e 1rovf1 refiula.rnento, bel lo
, doc111ne11to da operosidri,,'e, tf O talenl(> de cstadis.
ta e da grarzde visão prat.'ct1 tto iover1 e já e111i-11cntc snr. Fer11,indo de MelltJ V l a1111!1, qrre, se
-g11ndo se sabe. vae ser pel<J voto di se.ris co
-e.sta,l11r111os e/ei1ado , á c11rL1l p,:csi,f enoial da 1
grande 11nitf c1de, cuja /Jop11loção por si sô
refJre-senta lttn q11info de todo o povo 1,rasile.iro, m11ito
/zaveria que destacar pc1ra' lhe tecer 11articulares
loz11,ores, se não nos fossem senzpre tão escassas
as coll!mnas, mas pelo n1enos este característico
geral n1erece ser relevl1do e bem exposto: em nurnerosos topicos se percel,e a preoccupação
dÓ-mina11te do legislador, de entregar a escola ao
povo, para qiie este seja o ,nelhor, o 111ais effi-cietzte collaborador o governo.
U11z dos nieios de que pretende lanç,zr nzao
parafazer assim da escola a obra vi11a
e
predi-lecta do povo é interessar ,za assistencia della, no contrôle da morali,tade e da efficie11cia doen-sino os Consellzos de Mães de jami lia, associacões qLte aos inspecfores rcgionaes compete itzcremen-tar e prornover.
- Esta111os que mz1ito se ha de esperar ·dessa
cooperação da familia con1 os poderes pz1blicos
e que não tardará sejam attribtridas ,1os proprios co11sellzos de interessados
f
ztncções ainda mais df1·ectas do que as de fornecer sizggestões. Fiamos,por exemplo, que serão esses consellzos os orgOos
a que ir<io ter as reclamr1ções antes de procura ..
rem agazal/10 nas columnns da i111prensa ditrria,
e qu1! dei/e teriío os rerlamantes, qtrasi sempre
illudidos, O$ e.rplicações co,11 que se convençam, 011, quando cheios de razão, (1 , satisfação de si1as
qitci.,v:as. ,'st! isto se conseg1zi r, jtí será muito, pois
11ada é n1ai,c; damrzoso para a escola do q11e essa
facilidade cor11 que nas colLzmnas dos diarios, sem ver(ficc1ção, se11z ,nedida das' respo,zsabilidades, se
dá gut1rida {l queixa, qirasi sen1pre inj11sta,
contra
j.>r-ofcss<>res e cfirectores de esrolas.
Co11signemo~, JJnis, .,zestas colum11as o
ap-pl<1t1so nzais cord;al q11c nos r11erece o novo
re-·g11la1ne11lo do c11si11n de A1inas-Oeraes e os votos qtte ftrzemos para qLre /JOr elle aj11dnda prospere
cc1dtl vez a edt1cação pop11lar no ~ra11de Estado,
c11ja grt'1ncleza se refleclt? sobre f oda a Naçllo.
•
-_...;,..~-...;..;_.---~---_,;....----~...:~---___;,--..;;...;_----
...
-Toda a correspondencia deve ser dirigida á Redacção, r11a 7 de Seten1bro, 174
• • • • 210 A ESCOI ... A PRIMARIA •
,
1-IDEAS
E
FACTOS
' •O
Presidente Coolidge
Professor
e o \
rem a estima que ôedicaram áquelles que foram seus mestres, terão forço~am,ente de,~oncluir que, na opinião do.s mesmos, o-pi
-•
•
•
Extrahido dum discurso pe
-rante ,o Instituto de Professores
do Condado, em Reynoldsvill e
Pensylvania.
Seria tnuitissimo difficil avaliar a
i
m-portante parte que tomam os professores nodesenvolvimento da vida nacional. E:les
doo-empenham o seu mister, não com re.Jaçãio
ás cousas materiaes de3te m:undo, que são
passageiras, mas sobre a alma humana, onde
os
seus preceitos ficarão gravado'3 eter·na-ment e. E' o professor quem faz a esoo"Ja,
quem dete1·mina o seu s ucc•esso ou insucces
-so.
Não ha quem· ignor e o dito do
Pre-aidente Gar field : <<Si Ma, k Hopkins esti
-vesse sentado na extremidade duma taboa
t, na outra um estu,Jante, estaria constituí
-d
a
uma universidade>>. - Elle não se r e -feriu particularmente ao estu.dante, ~ asteve
o cuidado de indicar que o chefe dá insti ·
tuição deveria ser o 'Dr. Hopkins. Sóment{'
um
·
edi1cador competente e expe imantadopoderia conhecer
as
9-xigencias necessat·ia•;á, chefia de um cen·tro de estudos que pu ·
'
desse ser honrado com o titulo de universi ·
d.ade. Com tal pe~sonagem occupando a
re-fe1·ida P.Osição, estaria estabelecido o
ca-racter da instituição .
Acontece muitas v,ezes, porém, que as forças educadoras ,da nação sintam que os
aeus esforços não sãio devidan1ente aprecia
-dos. Ellas não occupam posições que a': levem á proemin.f)noia ge··al . Sua r·emune--a
-ção não 6 de modo algum: invejavel. Mas.
11i os sous honorarioJ não su,o grandes, e3tã.:>
os
protessol'es, Loctav1a, raramente ie.xpo t,o,sá
critica (que não raro degenera em abuso)a que ficam 1;1ujeitoo os funccionarioB pu
-blicos
electivos. Si, entretanto, cmisi,dera-tião que elles acatam, não lhes falta apre-ço e honra; demais aevem· saber que aquellle
1ue 1)or o.m rpomento considerar o valo,r
.le seu trabalho, as exigencias de sua ·pifo
-fissão, que reclama um· caracter imp.olluto,
11m1 estudo continuo ... , não, poderá deixar
.Je admirai -os pelo seu devotam,ento e
sa-)r-ificio . Além disso, a opport unidad~ da ensinar á mocidade da America, porá o
1rofessor em contacto com verdadeiros ta -•
ent os, que mais tarde ,sabe ão honrar o
,eu nome.
A cont ribuição que t1·azem
os
mestresio bem estar hurnano, é impossível de ser
1valiada. Mesmo no nosso paiz nunca .Eoi
,sse serviço tão bAm· · d,esempt\nhado ooimo
•
,lOJe .
(
Mas
não é sómente o que os bomens,abem, e sim .o que prete,ndem fazer ao
•
·ue sabem, que de11ea nina o pr·ogresso ou
'.ecadencia da civilização.
Não é evidente que falte o tino
ne-:essario para suppor tar o presente ootaclo
·a mocidade; e ninguem jamais levantou
·uvida que 1·eside no -povo sufficiente for
-;a moral. A questão é utilisal-a, não para
lestrui1·, mas para construir. A realiza·
·ão do p'l"·ogres:::o que determinou a l1istoria ,a 1·aça, a força esmagadora e irresistível
1 • ...,. •
·ue possua a natureza numana, para to -)rar o que é 1náo e corresponder ao bem, .lo garantia s uf.Eic,iente para o o_pti1nismo.
Si assim não fôra, seria Q ensino u1na
0usa vã e inutil, um or·J?.amenfo a ser
sado por ~lguoo, mas sem utilitlade para
, com1nunhão .
O 11os"lo P"i,,. a·lhere a uin qútro estan
-darte. Elle fundou as .s11as in,stituições, não
..i '(raque,,,a, mas na força da especie hu
-,1a11a. Elle tem em mi:·a educar o individuo,
poi.s conhece o seu valor.
•
•
• • • • • • • • •211
•·
11.
A
·
ESCOLA
• • ' 1·
====-Elementos
formadores do
lexicon
• --•·
de
Ar
i
sta
rcl10.
celebre grammatico e
cri-t
ico
grego
J 60-88A
·
. C. e
que
passou
áhi
s
tori
a
c
o
mo
rr1odelo
d
e
severidade
nacritica
imJJiedosa dos valores
intelle-ctuae
s
.
·
Quando
o individuo, com
os mes.
ORIOEM FORTUITA DE PALAVRAS DE VARIA
mos pruridos de
rigor
e
critica, usa de
COMPOSIÇÃO E DERIVAÇÃOsu~ severidade,
pelo lado moral, contra
.
usos
e
.
costt1mes
que
reputa dissolutos,
Existe em
lingua JJortuguêsa uma
ganha o cognome
de ~~tão (o Antig<? ou
longa serie de vocabulos
,
constituídos
c~nsor
ron1ano
,
trad1c1onal pelo
r1go-por especiaes processos de
composição
rismo
(~.34·149A. C.}
e
de derivação.
Esse
mesmo cognome soffre
grada-Esses vocabulos
acham-s
e
de tal
ção
e applica-se
ainda a homens
simples-n1aneira integrados no uso corre11te
,
que
":ente
au
s
Jeros, por analogia com o
C~-a origem
e
composição
de muitos
delles tao
.de
Ett1ca
,
11eto do precede.nte, pa!ü:
nos não permittem
qualquer
d9vjda d~r10 de Pompeu, e que preferiu o
su1c1-curiosa a respeito :
d10 a
ter
de submetter-se
a Cesar.
·
Está nesse caso
a
palavra
INDIO(e
1
n-
Os r1omes
proprios modificaram-se
pregada corno habitante do Brasil)
e que d
es
s
'
arte, em appellativos,
na linguagem
ele outra coisa não procede
senão
de um hodier
n
a.
Assim,
BUCEPHALO(do
ca-erro etymotogico.
vallo com que Alexandre disputou as
De muitos toda
a g
e
nte
lhes
sabe suas
melhores victorias) que hoje se em•
·
a origem, (nome local, nome p~oprio de
prega como sinonimo
de ig11orante,
in-i11dividuo, figura de mithologia
,
crea- culto,
estupido
ou qualificativo menos
ções literarias, tipos de romance
e
de agradavel;
CATILINARIAS (colleção
,
dos
comedia).
·
·
discursos de Cicero no Senado Ro~ano)
De outros, todavia, ou
por
menos e que hoje
se
emprega como ataque,
usuaes, ou por mais obsct1ra e subtil a descompostura.
ascendencia, muitos desconhecem o pro-
No mesmo caso estão
NICOTINA •cesso especial de
se constituírem.
derivado do Nicot, diplomata luxuoso e
De um individuo que falle
erronea-
sibarita
,
embaixador
da frança em
Por-mente diz-se que falia o
cassange
ou
tugal, e
cujo nome ficou em lexico pela
em
cassange. Cassange
é
o
nome
local
gloria
de ter
sido
o primeiro a importar
de um rio da provincia da Angola
,
o tabaco em França ;
MACADAME,que
Africa, província essa on
·
de o português tem por origem o nome de Mac
Adam,
é
uma algaravia atulhada de vícios de engenheiro illustre
,
cujos trabalhos lhe
toda a especie.
deran1 justa nomeada.
Pelo mesmo processo
se formaram
Quando
se
quer
estigmatizar
um
in-n1uitas otttras palavras
,
taes:
BAIONEllAdividuo pela~ suas velleidades comrnuns,
(de
Bayona
,
apreciada cidade
d
e
frança) ou
photographar
t1m cidadão pelas suas
tTALICO
(tipo
'
cornmum
ácomposição attitudes de
estudada
reserva, diz-se
italiana)
LACONICO(por analogia cotn o commumente:
•E'
um
accacio
!>~E'
um
estilo dos habitantes da Laconia)
ATTIÇO,pacheco!>
·
RHODICO
e
ASIATICO,(por
.
analogia
com
Essas
duas
deliciosas revelações do
os habitantes de Attica
,
Rhodes
e
das
Eça
.
são
applicadas pelo mesmo processo
colonias
gregas da
Asia;
PARATY(ag
·
ua-
porque
se formaram:
rdente de Paraty).
MATAMOUROS(soldado de Espanha)
1 A
um individuo intemt)estivo
e ex-
HARPAOÃO ·e
TARTUfO(personagens de
cessivo, que se mette a criticar bellezas Moliere),
PANTAGRUEL(relativo a
Panta~
.
ou vícios de natureza lit
ê
raria,
e
a cuja
gruel,
de Rabelais).
férula nada re~iste, exceptuado
,
jáse
vê,
Pacheco e Andrade em
sua
Gram•
aquillo
que escreve
,
usa-se dar o nome n1atica da Lingua Portuguêsa (pgs, 29)
•
•
...
. 1
•
•
•
"
212 A ESCO,.r.;A PRI1
MARIA
dá a esse processo o nome de
ficção li,
!
lho
,
de Jt1piter e
Juno,
cujas armas eram
teraria,
coiia que,
,
a nosso ver, não ex- o
lobo-,
o escudo e a
lança.
•
prime a verdade, visto que as creações
Eis
-
ahi-está a
maneira
porque se
de
Shakspeare
(Othelo, Desdemona, Ro- explicam muitos nomes
que indicam
meu) as
humaníssimas
de Cervantes qualidade collectiva de
um attributo que
(Dom Quixote,
Sancho e Rossinante)
as foi individual.
.
de Moliere
(Misanthropo,
Tartufo e Ha
r
-
A semantica
·
nos troúxe
tambem
;
pagão)
e, em
língua
portttgêsa, as de Eça
E
MOLUMENTO,
(
quantia que se
pagava ao
(Conselheiro
·
Accacio,
Pacheco) a de n1ol
e
iro pela n1oenda; depois,
proveito,
Camillo (Euzebio Macario)
as de
Ma-
.
ganho, vantagem
pecuniaria alem do
chado
de
Assis (Capitã, a deliciosa inge- ordenado fixo,
benesses
e,
hodierna-nt1a do
seu mais bello romance; D. Ca- tpe11te, taxa, sello,
obrigação de caracter
milla,
a mulher que corta o
casamento
administrativo) SALARIO,
(quantidade de
da filha
afim
de não
perder a illusão da sal com que
era
estipendiado
o tral:>alho ou
juventude ; Mme.
Tavares, cujo princi- alug11el
do
servidor,
hoje retribuição
em
pai divertimento
é conquistar o marido
moeda
corrente) MARECHAL
(guarl;la de
ali-das outras
e ainda Quincas Borba, Ru- márias, hoje 1Jatente superior
do exercito,
bião
e Conselheiro
Ayres) longe
de re- general em chefe)
.
SERVENTE, soldado
presentarem
simplesmente
ficções,
são mercenario e avent11reiro,hoje
pessoa que
retratos, verdadeiras
caricaturas da aln1a serve algurna coisa
ou que
ajuda a ou.
humana,
cuidadosamente
observadas
em tras pessoas em
quaesquer trabalhos;
,
momentos de
.
longa contemplação,
de MINISTER
(antigamente creado, individuo
inevitavel sarcasmo ou
de
fina
e elegante de condição
inferior, hoje ministro,
se-malicia.
cretatio
de Estado, plenipotenciario,
sa-.
Attentae bem
para
as
expressões cerdote,
individuas de
elevada
catego.
.
ria).
com 9ue o Ruy
.s~
desbordou no
ataque
Assim,
0evolver do idioma vae
a Jose ~o Patroc1n1?
ao escre_v,er
o
retrato adaptando e submete
do
ao
uso
geral
de Aret1no e haveis
de
ver1f1car
a
pu-
uma se
.
n
·
,
jança da
significação vocé\.bular daquelle
rte de
palavr~s .d.e va!1
ª
orige.~,
epitheto: o mesmo
se
verificará
na for- alargando-lhes
ª.
s1gn1f1caçao!
mod1f1-taleza da resposta com
que
o indomavel
can~o-.1
.
~es o sent1~0
e contrar:ando-lhes
jornalista e tribuno da Abolição
estigma-/ a
pr1rn1t1va
accepçao,
como. soe acont_e.
.
.
.
d
.
·
cer
com
todo
elemento vivo e 1nob1I
,
t1sou a d1alect1ca
o Conselhe!ro,
op-
Jsujeito á grande
le ·
·
d
v lução
pondo-lhe
ao seu ar~~me~so
a
figura de
11
ª
e
O •Tartufo, a qual Mol)ere,
antes de apre-
o
wALDO
ÜRICO
se11tal-o
ao
publ1co,
apresentar ao
·
s
Rei
da seguinte maneira: «Sire,
le
de-
'
Pro'fessõr
da
Escola
Normal do
Dis-voir
de
la c
o
medie
étant de
corriger les
tricto Federal.
hommes
en
les divertissant, j'ai cru que,
,
dans J'emploi ou je 1ne
trouve,
je
n'avais
rien de mieux
áfaire
que
d'attaquer,
'
par des peintures ridicules les vices de
•
mon
sieclel},
Dos complementos numericos
(Oeuvres li
Placets au Roi, pgs.
5.)Tambem
a
mithologia
offerece ao
1idioma i11numeras
palavras,
hoje
incor-(Lições
para
as
classes
primarias)
poradas como representativas de quali-
,
Ili
dades essenciaes
aos
mithos, lendas
,
·
crendices e
fantasias
: HERMfTICO e HER-
No f)rocesso
ordinario de divisão
METICAMENTE, derivados de
HERMBS,
de
um 1111mero inteiro por o\1tro, multi.
nome
qtte os
gregos
davam
a Mercurio plicamos
cada algarismo achado para o
e Trismegisto, o Mercurio dos
egipcios; quociente
por todo o divisor e subtrahi~
VULCANITE, de Vulcano,
fill10
de
.
Jupiter, rnos
o re:1ultado
do dividendo parcial
deus do fogo ; JOVIAL, de Jove,
porque
corresponde11te.
Ora, convertendo-se
a
felicidade, a
·
alegria era attributo de a Sttbtracção em somma
pela applicação
Jupiter; MARCIAL de Marte,
o
famoso fi-'
dos
complementos,
éclaro que
podere.
•
'
• • • • I • •'
I • • •A ESCOLA PRIMARIA
2
1
3
'mos assim, 11a divisão,
Sltbstituir todas
as subtracções por
sommas.
Façamos,
pois,
a explicação do
processo que
nos dá
por
complemento
o quociente
da divisão de dois numeras
inteiros.
Chamemos
No
dividi.ndo,
D
o
di-visor,
Q
o qttqciente
e
R
o resto da
di-visão.
Sabemos que e1n uma divisão
o
dividendo
éegual ao
producto
do
divi-sor pelo
qu~ciente,
mais
o
resto,
quando
l1fl t
N=DXQ+ R, donde
temos
•(1)
N-DXQ
=
R.
dendo total como JJarcial
,
d
e
duzin1os, de
conformidade com o que
.
demonstrán1os
1a
seguint
e
regra para se obter un1 qt10·
·
cient
e
pelo processo dos complemer1t
os
.
REGRA.
-
Para se resolver 1t1na
divi-sã
o pelo processo dos comple1nentosi
calc,i-la-s
e, como na divisão ordinaria, cada
a
l-garis1no do quociente, sendo neées
sario
para isto qtze se escreva
ádir
eita do
di-videndo o divisor separado daqtt
e
lle /JO
r
uma chave de
divisão
;
· cada algar~Sli
f.
O
encontrado p
a
ra o quociente
1nttltiplic<1-se pelo co11zple11ze11to do divisor, q1ze de.
verá s
e
r collocado sobre o divisor,
e
o
producto somma-se ao dividetzdo
·
;;arcial
c
orrespotzdente, re
tirando
-
se( l)11zentalnz
en-te d
e
sta somnza o se
u primeiro algarisnzo
,í
Suppo11do
ainda que
Odivisor
D esq
t
zerda, que dev
e
rá ser o ntes11zo
col-tenha
,z
algarismos,
e1
1
contramos,
to-
ocado no quociente; cada somn1a,
/Jres-mando o seu
complen,ento,
(
1)cpl D
=
ci1zdi1zdo
-se
do sezz primeiro al
garis11zo d
1011 -
D
esquerda, se
rá o resto de cada divisão
E
vldentemente
é -D
X
Q=
1011parcial e
,
como tal nzenor que divi.<;01·;
Q -D
X
Q - l O"Q.
oti
-
D
X
O
=
ádir
e
ita li
e c
ada resto escreve-se o alga
=
. (
lou
-D
l O," )Q,
q.ue pode ser
e
s-
rismo corresp
o
1zdente e
l
o dividendo,
for-cr1pta
tan1bem
sob a fot 111a
-
D
X
Q
=
,natzdo assinz uni rzovo dividetzdo parcial;
0
=
[(
1 O" - .D) ,
1 O"1
Q · 1procede-se
em se
guidtz e do m
e
smo
nzodo
Sttbst1tu1noo-se
na egualdade
(
1) -•
já
explicado, até qu
e
se baixe o 1tltir110
-
-
D
X
Qpelo
sett
valor
dado neSia ui-
,
alaaris1no do divid
e
ndo total .
ti,na
egt1aldade, resulta
:
º
,
/ • ' 1
N
+
[(1011- 0)-· 10"
1
Q
==
R,
OllN
+
cpl
DX
\.
Q
-
10°Q
=
-
-.
R.0
.
q.q.d.
DISPOSIÇÃO PRA"flCA
DA REORASeja
para se
o
bt
e
r JJelo proc
e
s
s
o
,
do
s
co1np
l
em
er
1t
os
o t1uocie1
1
t
e
da ti,ivi-!
são de
5674874por
576. ,.
.
Colloqueinos os terrnos desta di,
1i-E.m
uma das 11ossas lições
anterio- são con1o ensi11a a regra dada :
res
játivemos occasião
de
dizer
que o
·
professor poderá prescindir de
·
explicar
~
Dividendo
624Co1nplenze11to
doaos seus alumnos a theoria dos
proces- ,
divisor
sos
estudados,
bastando expor-lhes
as
3674574 576Divisor
regras praticas psira que possam resolver
facilmente as operações fundam!;!ntaes
,
da
Arithmetica
pelo
emprego dos
con1-
Effectuando as operações
dea
c
L
or-tJlementos
.
l
do com
o que
expõe a
mesma
r
eg
r
a
,
te-A d ITIOS :
Comtudo nada tem as nossas
e-
••
monstrações
·
de difficil, 11otadamente
,
a
qt1e acabamos de dar.
A nossa
gene-raliiação acima exposta
ésen1
duvida
a
- - - -
-.
mais
simples
demonstração da regra
dos
com1Jlementos
applicada á divisão,
ten-do além disto
avantagem de não
se
tor-nar fastidiosa .
.'
Como
N
IJOde
ser
tanto um
divi
.
• 1
-
-~
•(1) Assim, o co111plfmento de um numero
de 3 aliarismos, como 732, é J()3 - 732
=
268 .•
( t) Esta operaçlio consiste ape,,as em se
separar por 11ma curva sen1i-aberta pat·a a esquer-da, o primeiro algarismo da esq11erda de cada
.~omma obtida, conforme está ria disposição pra-tica da regra q11e damos em seguida. O
quoci-ente lica deste modo reproduzido á esq11ercla dos dividendos parciaes e de baixo para cima.
•
•
1 • • ; • '
...
' • • ' •'
'
.214
A Ui.COL
:
A PR
'
IMARJA:
• l • • ' I ' • • • ' ' , ! 3674874 .5616 9)2908 4368 7)2767 4368 7)1354 1872-
3)226 • 624 376-9773 Quocie11te
•
.
Resto
·
• 'Cor/sideremos ainda
UITIexemplo
de divisão exacta :
'1·394196 + 31 )2. • ' • • •'
'
),
4394196 6868 . l) 12621 27472 4)'00939 0000---
·
-0)09396 20f 04 3)0000
Resto nullo
6868 3132 1403 Qirociente ' 1 • F . -' •Ficamos, então;
sabe
ndo
c1t1eA
é
ad-jectivo
determinativo
articular definito
qt1ando
,
anteposto a
um
st1bsta11tivo,
o
define.
·
-
Lucy, escreva,
agora a phrase :
«
Aqu
e
lle
A
está mal feito
,
- ·co
mo,
você
,
analysaria agora
o
Acomo
·
i10
exemplo
anterior?
-
Não,
senhora
.
·
-
Sabe, então, analysal-o
?
-
Não, senhora.
Então repare que antes do
Aestá o
determinativo
Aquelle
e que todo determi-
,
nativo refere-se a um substantivo,
prece-dendo-o.
..
No exemplo dado o A significa letra
do
alphabeto e, portanto, concluímos que
A
é
st,1bstantivo
quando
életra
alpl1abe-tica.
·
-
Carmen, venha ao quadro e escreva:
«
Dt1lce esteve aqui, ,nas não a vi,
--
E, agora, o
A
póde ser anlysado
co-1no nos outros dois exemp.los dados?
...._
Não, senhora.
r
-
Agora, elle
·
precede um verbo e
fi-gura
na phrase em logar da
palavra
Elia.
E',
portanto
,
variação pronominal.
---
Ottilià, escreva você, a phr~se :
<Estou
lendo o capitulo
A
do
regi-me11to interno desta escola ,
·
, )
.
'
Acteditam
.
os ser dispensavel maio-
·
-
Este
AJJÓde ser analysado come,
res esclarecimentos sobre
·
o
1nod1is faci-
qt1alquer dos citados nos otttros
exein-endi
do processo que acabámos de ap
.
pios
?plicar
ádivisão.
O
processo aqui exposto
-
Não
,
senhora
.
é,
não somente mais bor1ito que o com-
1 -Pois bem, repare
.
que al1i, 11esta
mum,
como muito mais facil
e
pratico phrase,
?
A
~uer dizer
PRIMEIRO;
é11or-que
este.
•
tanto ad1ect1vo numeral ordinal.
· Manáos, Maio de 1924.
·
-
Vejamos o
Aem outra phrase.
Es-'
creva,
você ; frederico : .
ÀBILIO DE BARROS At.ENCAR,
<E.sta moça não
é
a qu
,
e esteve aqt1i
hontem.,
Lente ela Escola Normal de Manáos.
.
,
Neste exe,nplo, o A ve1n er'n logar da
'
,
,
palavra moça e
éequivalente á palàvra
-
..__
_.
·
Aqztella;
portanto,
é
pronome
demons-trativo, porque
'
sabemos que pronome
f:.Funcções gtammatícaes do monosyllabo
A.
toda a palavra que substitúe um nome.
.5º
Anno
-
Marina, escreva no quadro Regro a
phrase:
«A
boneca está quebrada
,
.
-
Bem; este A, que vem antes da pa
.
lavra boneca
é
adjectivo determi11ativo
ar-ticular definito, porque determina o
sub·
stantivo
boneca, i11dividualisa11do
sua
si-gnificação,
definindo-o, portanto.
•
•
1
--
Sylvia, escreva, agora:
e:
Vou passear a cavai lo.,
«
Vivo a estudar.,
--::.
Temos a~i dois exemplos ~m que o
A nao
é
empregado como nos outros
exetf!plos dados, e, repara11do bem
,
ve-remos qt1e, na primeira phrase precede
u111
subst~1ntivo
do genero masculino e,
11a
segt1n
da,
,
um verbo no ir1finitivo.
Pois bem, o
A
en1pregado nos
dois
casos, isto
é,
antes
,
de um substantivo
de
' ' • " . • •
A ESCOLA PRIMARIA
215genero masculino ou de um
·
verbo no in-
tar,
etc. Substa11tivada a palfl,vra, um
finitivo,
épreposição.
parl;imentar
é
o membro d~ Parla.
-
Venha Stella escre,
•
er:
mento.
\
«Vamos
ácidade.»
Portanto quem parlam
e
nta na
guer--
Nest-a phrase, o
Arepresenta A+A, ra não
é(salvo casos esporadicos) um
em contracção, sendo o primeiro
-
A, pre-
parlanzentar.
E'
um
parlamentario,
posição, e o segundo, adjectivo deterrni-
Su111pt11i1rio: -Durante _o
go-l
nativo articular definito, exigindo o ac-
·
verno de certo estadista, quem 11ap
ou-.
cento para exprimir a crase subtração de viu dizer que as despezas foram
sumptua-
.
1
•
,
1 •
·
um
·
A antes de outro uma vez que, houve
rias,
isto
é,
excessivas, superfluas, de
a fusão de ambos. '
luxo
?
Doce engano! Todas as despesas
1
}
_ Pois bem; analysal-o-emos COf!lO são sun1ptua~ias, até
.
as minim~s
de_spe-contracção da preposição
Acon1_
º.
adJe- sas
·
do !'"ª's pobre dos ~idadaos .
ctivo determinativo articular defin1to A.
Sumptuario
é
o que se refere as despe·
_
Vimos, pois, que o 1nonosyllabo A sas.
Não
se deve confundir com
sumptuoso
póde ter nas phrases differentes funcções As
despesas sun:iptu~sas, as festas
grammaticaes e todas essas funcçõe.s fo-
.
sumptuosas, estas s1n1, e que merecem
ram estt1da das.
reparq e censura.
.
_ Vocês saberão distinguil-as?
·
.
As duas palavras são, pois, bem
_ Perfeitamente.
·
distinctas.
Qualquer diccionario
co~-D · · Ramos de Azevedo Raboeira.
e1anira
·
signa a differença.
é tolice· é como
ophtalniia dos olhos
Despesa
.
sumptuaria
ou
DA
''ESCOLA RAMIZ GALVÃO.''cephalé~ na cabeça.
, · Vultuoso-De
tal sorte, disse-1ne
I
·
---
'
alguen1,
sumptuario
não quer dizer
~ran-,
de, excessivo, vultuoso ?
-
Melhor
ainda~torno-lhe eu. Nem
su,nptttario
égrande
nem
grande
é
vulttioso .
..
Tres palavrinhas
Para aqt1i tenho trazido, de
prefe-re11cia, palavras que andam maltratadas,
quanto
á
pronuncia. Uma ou out_ra vez
me tenl10 occupado de termos
CUJOsen-'
tido grande parte ~o povo ~squece ou
confunde. Para hoJe escolhi tres
pala-vrinhas a que q~asi sempre ef!lprestam
os indoutos, sobretudo os esc~1bas das
gazetas, accepção que não têm.
,
Parl111nentar-Aquelle
que, na
guerra, vae de tim can,po ao_c~~po adv~r
so afim de
Ipro pôr um arm1st1c10 ou afim
de se entender a proposito de qua
·
Jqt1er
assurnpto, por ordem de seus chefes,
com os chefes inimigos, é um
parlam_e1z-tario
não
u1n
parlamentar.
Mas os
1or-naes 'estão cheios, em occasião de guerra
de pl1rases como esta: «Dirigiu-se então
ao campo dos sitiantes um i:1arla1nentar,
que offereceu a rendição n1ediante
con-dições».
Ora,
parlamentar,
adjectivo,
é
o
que se refere ao Parlamento, ou que tem
um Parlamento, ou (falando tie forma~
de governo) o paiz e1n qtie o
governo
e
escolhido dentre os membros do
Parla-mento. Assitn:
-
Collecção
de
documen-tos parlatrzetztares; republica
patlamen-•
Como não? Pois não
é
vultuosa
aconta do vendeiro?
Qual historias
!Vultuoso
é
o que
está de cara inchada, vermelha, conges-
·
ta.
Vultuoso
é
que significa
muito
gran-. '
de, consideravel, alentado.
·
Mas todo mundo ... Todo mtindo,
est modus in rebus.
'Tambem
toda gente
Aacredita num rôr de sandices que voçe
despreza, não
é
verdade?
.
·
·
-Lá
isso,
é.MESTRR·EscOLA
Correspondencia de T res Palavrinhas
•
J.
B. 1-t.-Ahi
estão
o
vultiioso
eo
parlame1ztar.
Muito obrigado. Muito
grato
tambem pela attenção co!° que
l1oi1ra esta modesta secção
(Sessao,
ou
cessão
,
como indifferenteme11te escreve
.
·
aquelle nosso amigo? )
(J. 1,.
-
Regras para acertar na
pre-posição
a
? Para saber
·
qtiando deve
es-crever
ha?
Dara a crase? Mas ha tanto
exercício sobre o assumpto, meu caro
awigo ! Na propria collecção da
Escola
Primaria
·
em
seti primeiro anno V.
en-co
1
1trará alguma coisa.
-M
. E.
·
r
1
'
• / 1 1 • • • 216 •
O Sorte
i
o mensal d'A Escola
•
Primaria
1
Na r
e
dacção d'
<<
A Es
c
ola
i)rima-r
ia
>
>
, presentes num~rosos e
ssig
nante;
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a
boradores da revi
s
t
a'
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e
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-se o
s
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gun
d
o so1
·
teio
.
do p
1·
emio qt1
e
mens
almen
t
e conferimos
ar1os
s
os
as-sig
n
a
nles.
Coub
e
o premio á
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as
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_
ante
D.
E
ury
dyce Paim, professora da
5
~
és
G
ola
'
m
i
.
x:
!
a
do
5
?
Oisfricfo, a cuja disposição
'
s
é
acha o recibo de uma assignafura
da revista f1·anceza L'école et la vie.
O p1·oximo sorteio. cujo premio
c
ons
istirá. em
'
uma assignalura annual
d
a
ex:cell
'
ente revista
«A
Esc
o
la
Nor-m
al>>
, será realisado no dia
30do m
e
z
e
le
Outubro,
à
s quatro hora
s
em nos
s
a
'
reda
c
ção,
á
rua Sete de Setembro
•
'
EXPED
IE
NTE
1
•A Escola Prin1aria • circt1la e111 todo o
Brasil.
Os pedidos de assig11at11ras devem vir
aco1npa11hados da resJJectiva in1portancia e en
-dereçados á
Reqacçã~ d'A Escola Primaria - Rua Sete
de Sete1nbro 174-1º andar.
As collecções dos annos anteriores, de
1916-1918, 19i7-1918, 1918-1919 e 1920-1921, 1921
-1922, 1922-1923, são 'vendidas 11a mesma red
tt--cção ao preço 10$000, Ca\ia anr10, em avulsos
12$000, cartonadas e 14$000 em volumes
enca-de_rnad~s. Os pedidos de collecções, pelo co,
r-~·e10 devei:ão vir ac<;>mpanhados da respectiva
1mporta11c1a e de n1a1s 1$000 para collecção
an-nual, para o registro postal.
'
.,
.
- -
---Só se acceitam. annt1ncios co1npativeis
com .o câracter desta Revista.
'
-
-Pedimos aos nossos assignantes o obs
e-quio de nos enviare1n, por escripto, tanto as
commu11icações de n1udanças de endereço, como
quaesquer reclamações relativas á rem'essa da
revista.
'
'
- -
-n.
1
74.
Os Snrs. assignantes, annunciantes e
quaesquer pessoas que tenharn negocios a tra
-tar con1 a administração desta revista poderão
procurar a_ geren!e na redacção das 13 ás 17 ho
-ras nos d tas ute1s .
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•
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(
EDUCAÇÃO DO HOMEM
E
DO CIDADÃO
Ter
ra
, Paíz, Nação, Povo, Estado, Patría
,
H
abi
t
antes, Cidadãos, Governo,
Autoridade, Lei.
Ecuador, Colombia, Perú, Mexico, Es
ta-dos Unita-dos do Norte, Canadá, Portu g al,
E$panha, frança, Ing laterra, Suissa,
Bel-gica, Hollanda, ltalia, Austria, Hungria,
J • Vug oslavia, Grecia, Turquia, Bulgaria,
- -- . Rumania, Polonia, Russia, St1ecia,
No-. ruega, Dinamarca, Japão, China, Egypto,
Attendendo a pedido que me foi etc. que são terras habitadas pela especie
endereçado por um grupo de prezadas httmana; Terra de Graham, Terra de
Baf-professoras, inicio hoje nestas columnas, fin, etc.. que não são. pela especie
hu-em forma de catechismo, a exposição ma11a. · , ·
clara, bem elementar , dos pontos capitaes
Que são Habitantes?
da instrucção cívica. Habitantes são os individuos que
Este primeiro capitulo abrange as J moram , ou ,habitam, em uma terra. .
definições basicas, de termos que terão ·
Que
éu,n Paiz?
de ser empregados no correr do estudo. Damos em geral o nome de Paiz a
Todas as definições, diz o brocardo, são qualquer terra habitada.
'
A 11ação é 11P.1a gra11de solidariedade, co11stituida pelo se11ti111e11to dos sacrificios iJUe jizen1os e dos que estarnos ainda dispostos a fazer. S11ppõe um passado; resu,nc-se, poré111, no presente por um facto tangível: o consentimento, o desejo duran1ente expresso de continuar a vida co1nn1u111. A existencia de uma 11ação é (per
-doae-111e esta ,netaphora) u111 plesbicito quotidiano, co1110 a exister1cia do individuo é uma affirrnaçúo perpetua de vldu.
perigosas. Tanto maior o perigo,
accre-scento, quanto mais elementares tenham
de ser. Por isso, é necessario
compre-hender que nem sempre se conformam
inteiramente com a technica juridica as
explicações dadas. Não se trata aqui da
«educação juridica do cidadão » e por
isto me parece inteiramente fora de
pro-posito descer á distincção de , nugas e
·ficar, por exemplo, apoiado nos
lumi-nares da sciencia do direito e na
etymo-1ogia, a discutir as filigranas do çonceito
de Estado, ou de Povo, de Nação ou de
Patria.
•
-
-Que
é
u,,ia Ter,·a?
Atem do sentido primeiro da
pala-vra Terra, que
é
o globo, o nossopla-neta, attribttimos-lhe um outro: o de qualquer porção da superfície do globo, haja ou não haja habitantes. E', pois, o mesmo que uma região.
Dê exe1n1;los de varias terras.
O Brasil, a Argentina, o Uruguai , o
Chile, a Bolívia, o Paraguai, a Venezuela,
1
1
ERNEST RENAN, Discours et Conférences
De que
.
consta um Paiz?
O paiz consta essencialmente de
dois elementos: o Territorio, que
é
are-gião geographica, · e a PoJJUlação, · que
são os habitantes.
I
Que
é
uma Nação?
A palavra Nação é hoj e considerada
como verdadeiro e perfe ito synonyn10 de
Paiz. Assim, dizemos a nação brasileira,
a nação portugueza, a nação suissa, do
mesmo modo que citan1os os «paizes>
denominados Brasil, Portugal, Suissa
Foi se11zpre esta a accepção da
pa-lavra Nação?
Não. Primitivamente a palavra
Na-ção, do mesmo radical latino donde rtos veio o verbo «nascer», indicava o
con-juncto de individuos de uma mesma
raça,
ou de um mesmo tronco.
Co,no se dividem os Habitantes de
• ;>
um /Jatz .
.
·
Os habitantes de um paiz·
dividem-se em
nacionaes
eextrangeiros.
Que são Nacionaes
?Nacionaes são os que pertencem
propriamente ao paiz, que estão com
elle
• 1 , • •
'
• • •'
' 218A
ESCOLA PRIMARIA • 'identificados pela raça, pela familia, pelas
tradições. São, em summa, os filhos do
•
pa1z.
Que outro notne pode!f!,OS dar aos
nacionoes
? .Aos nacionaes tambem chamamos
naturaes.
Qae são Extra11'geiros?
Extr'angeiros são os indivíduos que
'
residern em um paiz, mas pertencem
·
a
outro, onde nasceran1, onde têm familia,
e ao qttal estão sempre sujeitos.
,
Como se éli
.
amam
.
os naciorzaes de
ceda paiz?
,
Os nacionae~ de cada paiz tomam
um nome especial, derivado
·
do núme do
proprio paiz. Assin1, os naturaes do
Brasil sao brasilei
r
os, os de Portugal
portuguezes, os da frança francezes, os
da Espa11!1a
'
espanhoes, os da Italia
ita-lianos, os da Argentina argentinos, etc.
Qite
são Naturalizados?
Naturalizados são uma categoria
especial de
1nacio
.
naes: aquelles que,
ten-do J)ertenciten-do a outro paiz, onde
nasce-ram, ou a que
.
estavam ligados pelas
paes, resolveram filiar-se a outra nação,
a qt1e os prendem laços de affecto ou de
interesse. Assim, ha muitos portuguezes,
francezes, espanhoe~, etc. que se
natura-lizaram brasileiros.
Coíno distinguiremos uns dos
ou-tros?
·
'
'
Fazemos a distincção por meio das
Í
p~lavras «nato
'
,
,
e «~a~uralizado>. Assim,
,
dizemos que é bras1le1ro nato aquelle que
nasceu 110 Brasil,
,
ou de pae brasileiro, e
'
brasileiro naturalizado aquelle que, tendo
pertencido a outro paiz, adoptot1 a nossa
·
nacionalidade .
Que é
povo?
O povo de um paiz
éo conjuncto
dos r1att1raes
1e dos naturalizados. Não
'
se
deve conft1ndir cot11 a
população,
qt1e
\
Que
éPatria?
Patria é o paiz de cada t1m. Usa-se,
porém, esta palavra q11asi exclusivamente
quando se trata de paiz soberano isto
éihd
.
ependente de qt1alquer outro. '
'
,
Que relações ha ,za linguageni
cor-rente, e,ztre os ter,nos Terra,Paiz Nação
Patria, Estado?
'
'
.
As quatro primeiras são
freque11te-mente empregadas umas pelas outras
com o me
'
smo
·
sentido.
•'
. . A
_
ssim um Brasileiro dirá
·
do Brasil,
1nd1fferentemente:-E' a minha terra o
.'
.meu paiz, a minl1a patria, a minha nação.
Já
a palavra Estado nao é empregada em
qual11uer opportt1nidade. Dir
·
emos, por
exemplo:
-
0 Brasil, a Argentina e o
Chile são tres grandes Estados
sul-ame-ricanos; n1as não diremos:-Meu Estado
é
o Brasil.
Qae
éo Cidadão?
Cidad!30
é
o individt10 em relação
ao Estado, ou Paiz
,
, de que faz parte.
Assim, dizen1os: os cidadãos
brasi-leiros, os cidadãos francezes, etc.
Qual o sy1zony1no
.
corre12te da
, ,
palavra
cidadão?
·
.
O synonymo mais corrente da par
lavra cidadão
é''subdito'', Não ha hoje
razões para estabelecer distincção, corr10
pretendem alguns diccionaristas.Dizemos
indifferentemepte: cidadãos brasileiros e
subditos brasileiros. E' em geral o
habito, ou então o gosto, quem dieta a
preferencia da palavra.
Que
éGoverno?
Governo significa administração, e
tambem
,
·
i11dica o
·
conjuncto dos
indivi-duas incumbidós da administração e
re-presentação do paiz.
·
Qtze
é
autoridade?
Autoridade
éa faculdade de
ma11-dar, de determir1ar, de deliberar para o
bem co1111num. O governo
édepo
s
itaria
da autoridade.
comprehende todos os habitantes.
·
Que
éum Estad,o?
Estado é 11m paiz soberano, isto
é,Que sytzonynio corre1zte tenz a
pala-que se governa por si, sem intervenção
vra autoridade?
·
'
de nenhum outro paiz e
,
m seus 11egocios
.
A palavra
/Joder
ésynonyn1a de
au-Q1,e
outros sentidos te,n a palavra
toridade ·
,
,
·
Estado ?
Qtte outro sentido te,n a palavra
A palavra Estado ~n1prega-se ainda
autoridade?
.
em dois sentidos diversos
"
:
1°
E' uma
Chamamos tambem autoridade a
subdivisão de certos paizes, taes como qualquer J)essoa qt1e exerça o poder,
o Brasil, os Estados Unidos da A
,
merica isto é, que possa mandar ou determinar
do
Norte, etc. 2º E' a admi:1istração, ou
.
ao povo algun1a coisa para o bem
com-o gcom-overn<;> dcom-o paiz.
'
mt1n1.
\ 1 • ,•
• 1 • •r
• • A ESCOLA'. PR:IMARIA 219 •Como se exerce o governo 1zos paizes
civilizados
? ,Nos paizes civilizados,
como o
nosso, o governo
éexercido por meio de
leis.
Só dentro dellas
éque as autorida.
des nos po
·
dem in1pôr a
s
suas ordens.
Uma autoridade que não esteja apoiada
na lei é prepotente ou arbitraria, e os
ci-dadãos não lhe devem prestar obedi
é
n-cia.
1Que
éa lei?
,
A lei
éun,a determinação escripta
e publicada, que foi tomada pelo poder
competente, de accordo cotn as
necessi-dades da 11ação e para bem de todos.
Qualquer autoridade podefa
,
zer uma
lei?
Não. As leis são feitas por orgãos
especiaes, constituidos pelos represen.
tantes do pro1Jrio povo a que e'll
a
s vão
ser applicad?s.
Donde ve11i o 11oder, ou a faculdade
de mandar, attribrtida a certos individttos?
O pod
e
r ven1 do JJroprio povo, q1.1e
escolhe os cl1efes que o diri
g
em, e que
ll1es presta apoio emquanto não se
afastam das leis.
1l OTHELLO R EIS,
•
IHISTORIA E GEOGRAPHIA
' r·
- -
• •·
HISTORIA
• 'Noção Summaria da
c
ivilização
hu-.
,.
1na1
i
a ate os gregos e os rotnanos e a
in-fluencia desses dois /Jovos sobre a vida da
humanidade.
lha; Tortura
.
e êscravidão não podem
mais ser adn1ittidas em paizes civilizados;
a liberdade, a egualdade e a fraternidade,
proclamadas pelo christianismo, tendem
cada vez
·
111
·
ais a dominar os espiritos.
São factos. Delles
éfacil inferir a
noção clara e simples do que
éprogres-Nem sempre conheceu
Ohomem
·
so humano e do que seja civil!zação.
tudo qt1a11to hoje conl1ece; não ha dois
. Nem sempre
Omundo foi o que
éseculos que ainda não se utilizavam as ho1e ·
grandes forç~s-o vaj)Or e a. electrici-
.
f':Ie
'
m sempre a1mi~tiram os ~omens
dade-; ha quinhentos
,
annos ainda não certas 1deas que l101e sao comestnhas
ese havia inveptado na Europa a impren- indiscutiveis. Como chegamos a ter o
sa; a photograpl1ia, o pho.nograp~o, a que ten;ios e a pensar _como .pen~am~s?
vaccina contra a hydrophob1a, os raios X
E o que nos ensina a h1stor1a,
1n-são da segunda metade do seculo
XIX:
vestigando
o.
passado d.a humanid_ade e
os ~t1tomoveis, o ci11ematogapho, a na- estudando os
factos sociaes
que mais .ou
vegação aerea são
jádo principio
,
deste menos directa1nente affectara1n a
vida
seculo ... Eis ahi alguns exen1pI0s mais dos povos e o progresso humano,
na
impressionantes de co11qL1istas recentes ordem material, intellectual e
moral-do homem na ordem 111aterial e intellec- triplice aspecto da civilização. E
quetual. Outr~s
·
exemplos, 11ão menos elo-
·
admiravel lição esta, a
,
da solidariedade
quentes, podem comprovar o progresso de todos os hon1ens no temp? _e no
es-moral da Humanidade: os governos paço, desde os alvores da c1v1l1zação, na
absolutos, em
q11e
a vontade do princi- edade da pet1ra
làscada, quando o
pe, ou antes o seu bel-prazer, é a
,
lei su- homem se abrigava nas aryores ou n~s
prema, vão desapparecendo; os povos cavernas, até as
maray1lhas de hoJe,
já
não se consideram err1 permanente com o telegra1)ho sem fio, os arranha.
hostilidade e, graças
ádiplon:ia~ia, mui- ceos americanos e todos os requint~s
de
tos conflictos consegt1em ser evitados ou luxo e co_nforto . das g~and~s cap1t~es 1
resolvidos por arbitramento;
'
as guerras Nada mais proprto p~ra 1ncut1r no animo
não desappareceram, 111as os vencidos e de qualquer individuo, mesmo que
sejaprisioneiros ja não são tratados como na ainda uma criança, a fecunda no~ão
de
antiguidade pagan; existe a Cruz Verme- sua dependencia de toda a humanidade;
• • • • • • •