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A Escola Primaria, 1924, anno 8, n. 8, set., RJ

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1

Ann.o s•-lSl.

s -

Nt:1.ca:2-e:ro a."7'1.;&1&o .18000 - sete:D."ibro d e 1,984

'

I:..?EVIST.A . N I E N S A L

Sob a direcção de inspectores escolares do Districto Federal

Director-Presidente

DR. ALFREDO C. DE F . ALVIM

Redacção : RUA 7 DE SETEMBRO, 174 Officinas: RUA DO CARMO, 55-A

Gerente:

YEL VA P. DESA FREIRE

-Assignaturas ) um anno · · · · • · · • · ·• · · · • ? 6 n1ezes ... . 9$000 5$000 S ~ ~ A R . I O

-Oswaldo Ori co . .••.• # • •

Abilio Barrros de

Alen-ca r . ,. •. . ..••.. .... ,. . .

Dejanira A. Roboeira.

A Escola e Familia

Presidente ~olidge e o Professor Expediente

Elementos formadores do texicon Dos Complemc ntos 11umericos. Funcções grammaticacs do

n1ono-syllabo A

Mestre escola... Tres palavrinhas

Othello Reis . . . . Educação do homem e do cidadão

Jonathas Serrano. . . . . Historia

Othello Reis. . . . Oeographia.

Noemêa Eloya e Inah

Martini... . . . . . . Lingua Materna

Olympia do Coutto. . . . Arithmetica

E. Bl:zme... . . . Sciencias P hysicas e Naturaes ... ... - ...

----

-

. =

=·=-::=::==··-=:.::--::...::.-·

_

_

:::::== · · -.-·- - ---~----·-... ...-._... ... • -.. . ... . -- ,._

-

-...

--

- -

-

-

__ .,.. -... .,,,.

-

. -\ I ,

A

Escola

e

_

a

Familia

.

E1 sem dztvlda, para os que amam a escola r

publica e tên1 responsabilidades ,zo ensino, r,nz 1

dos primordiaes deveres o de prender cor11 bons laços aos interesses da. escola a f, :milia. 1

Isto, qtle tem constituído ,nateria de estu-dos e de propaga11da em velhos e adeantados 11aizes, e dizendo-o occorren1-nos os exemplos da França e da Belglca, é enz nosso parfictilarn1ente merecedor da attenção dos estudiosos e dos

esta-distas que vão ajudando a e11olc1ção social. Paiz l novo, ertz qtie 11ão raro a propria familia precisa

de uma ed11c(1Çl1o con1plementar, domestica e

civica, bern avisados andarão os que nelle

pro-nzoverem a z, nião cada vez mais itzf i1na entre as 1

familias e a escola.

E' preciro Ievt1r ao poro a noção de qrre ndo

é a escola ur11 1'ncgocio '' do

gover110, uma repar

-tiçllo en1 que o Estado se incu11z!Je de polir ll in-tellige11cia das crianças dt1rante o rnenor prazo

possível, e co11l a qtzal o povo nrzda fcnz a fazer

senão reclan1ar, con10 reclanza cont,a o atrazo do bo11de ott co11tra a desirtia do empre,.ctado pt1blico que lhe pre11de uma petição~ 1

lia de se i1zteressar a n1assa po1111lar 11a 1

vida da esco/(1, para qzre e/la a te11!1a co1nl1

insli-tuifão s11a e lhe JJr,esle o a1;oio qltC n1erece e de

q11e necessita.

Eis, pois, 11111a !Ías razões 1-1clos rJll(1es se

tor11a nzerecedora de lllJf?/a11sos a !tlf itna reforma

do ensir10, que ve,n de ser 11ro,1zll/.gad<1 fJelo !J·o-verno do Estado de Minas, T)ecr. n. 665/5 de 19

de Agosto 1.1lti11zo. Nesf e 1rovf1 refiula.rnento, bel lo

, doc111ne11to da operosidri,,'e, tf O talenl(> de cstadis.

ta e da grarzde visão prat.'ct1 tto iover1 e já e111i-11cntc snr. Fer11,indo de MelltJ V l a1111!1, qrre, se

-g11ndo se sabe. vae ser pel<J voto di se.ris co

-e.sta,l11r111os e/ei1ado , á c11rL1l p,:csi,f enoial da 1

grande 11nitf c1de, cuja /Jop11loção por si sô

refJre-senta lttn q11info de todo o povo 1,rasile.iro, m11ito

/zaveria que destacar pc1ra' lhe tecer 11articulares

loz11,ores, se não nos fossem senzpre tão escassas

as coll!mnas, mas pelo n1enos este característico

geral n1erece ser relevl1do e bem exposto: em nurnerosos topicos se percel,e a preoccupação

dÓ-mina11te do legislador, de entregar a escola ao

povo, para qiie este seja o ,nelhor, o 111ais effi-cietzte collaborador o governo.

U11z dos nieios de que pretende lanç,zr nzao

parafazer assim da escola a obra vi11a

e

predi-lecta do povo é interessar ,za assistencia della, no contrôle da morali,tade e da efficie11cia do

en-sino os Consellzos de Mães de jami lia, associacões qLte aos inspecfores rcgionaes compete itzcremen-tar e prornover.

- Esta111os que mz1ito se ha de esperar ·dessa

cooperação da familia con1 os poderes pz1blicos

e que não tardará sejam attribtridas ,1os proprios co11sellzos de interessados

f

ztncções ainda mais df1·ectas do que as de fornecer sizggestões. Fiamos,

por exemplo, que serão esses consellzos os orgOos

a que ir<io ter as reclamr1ções antes de procura ..

rem agazal/10 nas columnns da i111prensa ditrria,

e qu1! dei/e teriío os rerlamantes, qtrasi sempre

illudidos, O$ e.rplicações co,11 que se convençam, 011, quando cheios de razão, (1 , satisfação de si1as

qitci.,v:as. ,'st! isto se conseg1zi r, jtí será muito, pois

11ada é n1ai,c; damrzoso para a escola do q11e essa

facilidade cor11 que nas colLzmnas dos diarios, sem ver(ficc1ção, se11z ,nedida das' respo,zsabilidades, se

dá gut1rida {l queixa, qirasi sen1pre inj11sta,

contra

j.>r-ofcss<>res e cfirectores de esrolas.

Co11signemo~, JJnis, .,zestas colum11as o

ap-pl<1t1so nzais cord;al q11c nos r11erece o novo

re-·g11la1ne11lo do c11si11n de A1inas-Oeraes e os votos qtte ftrzemos para qLre /JOr elle aj11dnda prospere

cc1dtl vez a edt1cação pop11lar no ~ra11de Estado,

c11ja grt'1ncleza se refleclt? sobre f oda a Naçllo.

-_...;,..~-...;..;_.---~---_,;....----~...:~---___;,--..;;...;_----

...

-Toda a correspondencia deve ser dirigida á Redacção, r11a 7 de Seten1bro, 174

(2)

• • • • 210 A ESCOI ... A PRIMARIA •

,

1-IDEAS

E

FACTOS

' •

O

Presidente Coolidge

Professor

e o \

rem a estima que ôedicaram áquelles que foram seus mestres, terão forço~am,ente de

,~oncluir que, na opinião do.s mesmos, o-pi

-•

Extrahido dum discurso pe

-rante ,o Instituto de Professores

do Condado, em Reynoldsvill e

Pensylvania.

Seria tnuitissimo difficil avaliar a

i

m-portante parte que tomam os professores no

desenvolvimento da vida nacional. E:les

doo-empenham o seu mister, não com re.Jaçãio

ás cousas materiaes de3te m:undo, que são

passageiras, mas sobre a alma humana, onde

os

seus preceitos ficarão gravado'3 eter·na

-ment e. E' o professor quem faz a esoo"Ja,

quem dete1·mina o seu s ucc•esso ou insucces

-so.

Não ha quem· ignor e o dito do

Pre-aidente Gar field : <<Si Ma, k Hopkins esti

-vesse sentado na extremidade duma taboa

t, na outra um estu,Jante, estaria constituí

-d

a

uma universidade>>. - Elle não se r e -feriu particularmente ao estu.dante, ~ as

teve

o cuidado de indicar que o chefe dá insti ·

tuição deveria ser o 'Dr. Hopkins. Sóment{'

um

·

edi1cador competente e expe imantado

poderia conhecer

as

9-xigencias necessat·ia•;

á, chefia de um cen·tro de estudos que pu ·

'

desse ser honrado com o titulo de universi ·

d.ade. Com tal pe~sonagem occupando a

re-fe1·ida P.Osição, estaria estabelecido o

ca-racter da instituição .

Acontece muitas v,ezes, porém, que as forças educadoras ,da nação sintam que os

aeus esforços não sãio devidan1ente aprecia

-dos. Ellas não occupam posições que a': levem á proemin.f)noia ge··al . Sua r·emune--a

-ção não 6 de modo algum: invejavel. Mas.

11i os sous honorarioJ não su,o grandes, e3tã.:>

os

protessol'es, Loctav1a, raramente ie.xpo t,o,s

á

critica (que não raro degenera em abuso)

a que ficam 1;1ujeitoo os funccionarioB pu

-blicos

electivos. Si, entretanto, cmisi,d

era-tião que elles acatam, não lhes falta apre-ço e honra; demais aevem· saber que aquellle

1ue 1)or o.m rpomento considerar o valo,r

.le seu trabalho, as exigencias de sua ·pifo

-fissão, que reclama um· caracter imp.olluto,

11m1 estudo continuo ... , não, poderá deixar

.Je admirai -os pelo seu devotam,ento e

sa-)r-ificio . Além disso, a opport unidad~ da ensinar á mocidade da America, porá o

1rofessor em contacto com verdadeiros ta -•

ent os, que mais tarde ,sabe ão honrar o

,eu nome.

A cont ribuição que t1·azem

os

mestres

io bem estar hurnano, é impossível de ser

1valiada. Mesmo no nosso paiz nunca .Eoi

,sse serviço tão bAm· · d,esempt\nhado ooimo

,lOJe .

(

Mas

não é sómente o que os bomens

,abem, e sim .o que prete,ndem fazer ao

·ue sabem, que de11ea nina o pr·ogresso ou

'.ecadencia da civilização.

Não é evidente que falte o tino

ne-:essario para suppor tar o presente ootaclo

·a mocidade; e ninguem jamais levantou

·uvida que 1·eside no -povo sufficiente for

-;a moral. A questão é utilisal-a, não para

lestrui1·, mas para construir. A realiza·

·ão do p'l"·ogres:::o que determinou a l1istoria ,a 1·aça, a força esmagadora e irresistível

1 • ...,. •

·ue possua a natureza numana, para to -)rar o que é 1náo e corresponder ao bem, .lo garantia s uf.Eic,iente para o o_pti1nismo.

Si assim não fôra, seria Q ensino u1na

0usa vã e inutil, um or·J?.amenfo a ser

sado por ~lguoo, mas sem utilitlade para

, com1nunhão .

O 11os"lo P"i,,. a·lhere a uin qútro estan

-darte. Elle fundou as .s11as in,stituições, não

..i '(raque,,,a, mas na força da especie hu

-,1a11a. Elle tem em mi:·a educar o individuo,

poi.s conhece o seu valor.

• • • • • • • • •

211

·

11.

A

·

ESCOLA

• • ' 1

·

====-Elementos

formadores do

lexicon

--•

·

de

Ar

i

sta

rcl10.

celebre grammatico e

cri-t

ico

grego

J 60-88

A

·

. C. e

que

passou

á

hi

s

tori

a

c

o

mo

rr1odelo

d

e

severidade

na

critica

imJJiedosa dos valores

intelle-ctuae

s

.

·

Quando

o individuo, com

os mes.

ORIOEM FORTUITA DE PALAVRAS DE VARIA

mos pruridos de

rigor

e

critica, usa de

COMPOSIÇÃO E DERIVAÇÃO

su~ severidade,

pelo lado moral, contra

.

usos

e

.

costt1mes

que

reputa dissolutos,

Existe em

lingua JJortuguêsa uma

ganha o cognome

de ~~tão (o Antig<? ou

longa serie de vocabulos

,

constituídos

c~nsor

ron1ano

,

trad1c1onal pelo

r1go-por especiaes processos de

composição

rismo

(~.34·149

A. C.}

e

de derivação.

Esse

mesmo cognome soffre

grada-Esses vocabulos

acham-s

e

de tal

ção

e applica-se

ainda a homens

simples-n1aneira integrados no uso corre11te

,

que

":ente

au

s

Jeros, por analogia com o

C~-a origem

e

composição

de muitos

delles tao

.de

Ett1ca

,

11eto do precede.nte, pa!ü:

nos não permittem

qualquer

d9vjda d~r10 de Pompeu, e que preferiu o

su1c1-curiosa a respeito :

d10 a

ter

de submetter-se

a Cesar.

·

Está nesse caso

a

palavra

INDIO

(e

1

n-

Os r1omes

proprios modificaram-se

pregada corno habitante do Brasil)

e que d

es

s

'

arte, em appellativos,

na linguagem

ele outra coisa não procede

senão

de um hodier

n

a.

Assim,

BUCEPHALO

(do

ca-erro etymotogico.

vallo com que Alexandre disputou as

De muitos toda

a g

e

nte

lhes

sabe suas

melhores victorias) que hoje se em•

·

a origem, (nome local, nome p~oprio de

prega como sinonimo

de ig11orante,

in-i11dividuo, figura de mithologia

,

crea- culto,

estupido

ou qualificativo menos

ções literarias, tipos de romance

e

de agradavel;

CATILINARIAS (

colleção

,

dos

comedia).

·

·

discursos de Cicero no Senado Ro~ano)

De outros, todavia, ou

por

menos e que hoje

se

emprega como ataque,

usuaes, ou por mais obsct1ra e subtil a descompostura.

ascendencia, muitos desconhecem o pro-

No mesmo caso estão

NICOTINA •

cesso especial de

se constituírem.

derivado do Nicot, diplomata luxuoso e

De um individuo que falle

erronea-

sibarita

,

embaixador

da frança em

Por-mente diz-se que falia o

cassange

ou

tugal, e

cujo nome ficou em lexico pela

em

cassange. Cassange

é

o

nome

local

gloria

de ter

sido

o primeiro a importar

de um rio da provincia da Angola

,

o tabaco em França ;

MACADAME,

que

Africa, província essa on

·

de o português tem por origem o nome de Mac

Adam,

é

uma algaravia atulhada de vícios de engenheiro illustre

,

cujos trabalhos lhe

toda a especie.

deran1 justa nomeada.

Pelo mesmo processo

se formaram

Quando

se

quer

estigmatizar

um

in-n1uitas otttras palavras

,

taes:

BAIONEllA

dividuo pela~ suas velleidades comrnuns,

(de

Bayona

,

apreciada cidade

d

e

frança) ou

photographar

t1m cidadão pelas suas

tTALICO

(tipo

'

cornmum

á

composição attitudes de

estudada

reserva, diz-se

italiana)

LACONICO

(por analogia cotn o commumente:

•E'

um

accacio

!>

~E'

um

estilo dos habitantes da Laconia)

ATTIÇO,

pacheco!>

·

RHODICO

e

ASIATICO,

(por

.

analogia

com

Essas

duas

deliciosas revelações do

os habitantes de Attica

,

Rhodes

e

das

Eça

.

são

applicadas pelo mesmo processo

colonias

gregas da

Asia;

PARATY

(ag

·

ua-

porque

se formaram:

rdente de Paraty).

MATAMOUROS

(soldado de Espanha)

1 A

um individuo intemt)estivo

e ex-

HARPAOÃO ·

e

TARTUfO

(personagens de

cessivo, que se mette a criticar bellezas Moliere),

PANTAGRUEL

(relativo a

Panta~

.

ou vícios de natureza lit

ê

raria,

e

a cuja

gruel,

de Rabelais).

férula nada re~iste, exceptuado

,

se

vê,

Pacheco e Andrade em

sua

Gram•

aquillo

que escreve

,

usa-se dar o nome n1atica da Lingua Portuguêsa (pgs, 29)

...

(3)

. 1

"

212 A ESCO,.r.;A PRI1

MARIA

dá a esse processo o nome de

ficção li,

!

lho

,

de Jt1piter e

Juno,

cujas armas eram

teraria,

coiia que,

,

a nosso ver, não ex- o

lobo-,

o escudo e a

lança.

prime a verdade, visto que as creações

Eis

-

ahi-está a

maneira

porque se

de

Shakspeare

(Othelo, Desdemona, Ro- explicam muitos nomes

que indicam

meu) as

humaníssimas

de Cervantes qualidade collectiva de

um attributo que

(Dom Quixote,

Sancho e Rossinante)

as foi individual.

.

de Moliere

(Misanthropo,

Tartufo e Ha

r

-

A semantica

·

nos troúxe

tambem

;

pagão)

e, em

língua

portttgêsa, as de Eça

E

MOLUMENTO,

(

quantia que se

pagava ao

(Conselheiro

·

Accacio,

Pacheco) a de n1ol

e

iro pela n1oenda; depois,

proveito,

Camillo (Euzebio Macario)

as de

Ma-

.

ganho, vantagem

pecuniaria alem do

chado

de

Assis (Capitã, a deliciosa inge- ordenado fixo,

benesses

e,

hodierna-nt1a do

seu mais bello romance; D. Ca- tpe11te, taxa, sello,

obrigação de caracter

milla,

a mulher que corta o

casamento

administrativo) SALARIO,

(quantidade de

da filha

afim

de não

perder a illusão da sal com que

era

estipendiado

o tral:>alho ou

juventude ; Mme.

Tavares, cujo princi- alug11el

do

servidor,

hoje retribuição

em

pai divertimento

é conquistar o marido

moeda

corrente) MARECHAL

(guarl;la de

ali-das outras

e ainda Quincas Borba, Ru- márias, hoje 1Jatente superior

do exercito,

bião

e Conselheiro

Ayres) longe

de re- general em chefe)

.

SERVENTE, soldado

presentarem

simplesmente

ficções,

são mercenario e avent11reiro,hoje

pessoa que

retratos, verdadeiras

caricaturas da aln1a serve algurna coisa

ou que

ajuda a ou.

humana,

cuidadosamente

observadas

em tras pessoas em

quaesquer trabalhos;

,

momentos de

.

longa contemplação,

de MINISTER

(antigamente creado, individuo

inevitavel sarcasmo ou

de

fina

e elegante de condição

inferior, hoje ministro,

se-malicia.

cretatio

de Estado, plenipotenciario,

sa-.

Attentae bem

para

as

expressões cerdote,

individuas de

elevada

catego.

.

ria).

com 9ue o Ruy

.s~

desbordou no

ataque

Assim,

0

evolver do idioma vae

a Jose ~o Patroc1n1?

ao escre_v,er

o

retrato adaptando e submete

do

ao

uso

geral

de Aret1no e haveis

de

ver1f1car

a

pu-

uma se

.

n

·

,

jança da

significação vocé\.bular daquelle

rte de

palavr~s .d.e va!1

ª

orige.~,

epitheto: o mesmo

se

verificará

na for- alargando-lhes

ª.

s1gn1f1caçao!

mod1f1-taleza da resposta com

que

o indomavel

can~o-.1

.

~es o sent1~0

e contrar:ando-lhes

jornalista e tribuno da Abolição

estigma-/ a

pr1rn1t1va

accepçao,

como. soe acont_e.

.

.

.

d

.

·

cer

com

todo

elemento vivo e 1nob1I

,

t1sou a d1alect1ca

o Conselhe!ro,

op-

J

sujeito á grande

le ·

·

d

v lução

pondo-lhe

ao seu ar~~me~so

a

figura de

1

1

ª

e

O •

Tartufo, a qual Mol)ere,

antes de apre-

o

wALDO

ÜRICO

se11tal-o

ao

publ1co,

apresentar ao

·

s

Rei

da seguinte maneira: «Sire,

le

de-

'

Pro'fessõr

da

Escola

Normal do

Dis-voir

de

la c

o

medie

étant de

corriger les

tricto Federal.

hommes

en

les divertissant, j'ai cru que,

,

dans J'emploi ou je 1ne

trouve,

je

n'avais

rien de mieux

á

faire

que

d'attaquer,

'

par des peintures ridicules les vices de

mon

sieclel},

Dos complementos numericos

(Oeuvres li

Placets au Roi, pgs.

5.)

Tambem

a

mithologia

offerece ao

1

idioma i11numeras

palavras,

hoje

incor-(Lições

para

as

classes

primarias)

poradas como representativas de quali-

,

Ili

dades essenciaes

aos

mithos, lendas

,

·

crendices e

fantasias

: HERMfTICO e HER-

No f)rocesso

ordinario de divisão

METICAMENTE, derivados de

HERMBS,

de

um 1111mero inteiro por o\1tro, multi.

nome

qtte os

gregos

davam

a Mercurio plicamos

cada algarismo achado para o

e Trismegisto, o Mercurio dos

egipcios; quociente

por todo o divisor e subtrahi~

VULCANITE, de Vulcano,

fill10

de

.

Jupiter, rnos

o re:1ultado

do dividendo parcial

deus do fogo ; JOVIAL, de Jove,

porque

corresponde11te.

Ora, convertendo-se

a

felicidade, a

·

alegria era attributo de a Sttbtracção em somma

pela applicação

Jupiter; MARCIAL de Marte,

o

famoso fi-'

dos

complementos,

é

claro que

podere.

'

• • • • I • •

'

I • • •

A ESCOLA PRIMARIA

2

1

3

'

mos assim, 11a divisão,

Sltbstituir todas

as subtracções por

sommas.

Façamos,

pois,

a explicação do

processo que

nos dá

por

complemento

o quociente

da divisão de dois numeras

inteiros.

Chamemos

No

dividi.ndo,

D

o

di-visor,

Q

o qttqciente

e

R

o resto da

di-visão.

Sabemos que e1n uma divisão

o

dividendo

é

egual ao

producto

do

divi-sor pelo

qu~ciente,

mais

o

resto,

quando

l1fl t

N=DXQ+ R, donde

temos

(1)

N-DXQ

=

R.

dendo total como JJarcial

,

d

e

duzin1os, de

conformidade com o que

.

demonstrán1os

1

a

seguint

e

regra para se obter un1 qt10·

·

cient

e

pelo processo dos complemer1t

os

.

REGRA.

-

Para se resolver 1t1na

divi-sã

o pelo processo dos comple1nentosi

calc,i-la-s

e, como na divisão ordinaria, cada

a

l-garis1no do quociente, sendo neées

sario

para isto qtze se escreva

á

dir

eita do

di-videndo o divisor separado daqtt

e

lle /JO

r

uma chave de

divisão

;

· cada algar~Sli

f.

O

encontrado p

a

ra o quociente

1nttltiplic<1-se pelo co11zple11ze11to do divisor, q1ze de.

verá s

e

r collocado sobre o divisor,

e

o

producto somma-se ao dividetzdo

·

;;arcial

c

orrespotzdente, re

tirando

-

se( l)11zentalnz

en-te d

e

sta somnza o se

u primeiro algarisnzo

Suppo11do

ainda que

O

divisor

D esq

t

zerda, que dev

e

rá ser o ntes11zo

col-tenha

,z

algarismos,

e1

1

contramos,

to-

ocado no quociente; cada somn1a,

/Jres-mando o seu

complen,ento,

(

1)

cpl D

=

ci1zdi1zdo

-se

do sezz primeiro al

garis11zo d

1011 -

D

esquerda, se

rá o resto de cada divisão

E

vldentemente

é -

D

X

Q

=

1011

parcial e

,

como tal nzenor que divi.<;01·;

Q -

D

X

Q - l O"

Q.

oti

-

D

X

O

=

á

dir

e

ita li

e c

ada resto escreve-se o alga

=

. (

l

ou

-D

l O," )

Q,

q.ue pode ser

e

s-

rismo corresp

o

1zdente e

l

o dividendo,

for-cr1pta

tan1bem

sob a fot 111a

-

D

X

Q

=

,natzdo assinz uni rzovo dividetzdo parcial;

0

=

[(

1 O" - .

D) ,

1 O"

1

Q · 1

procede-se

em se

guidtz e do m

e

smo

nzodo

Sttbst1tu1noo-se

na egualdade

(

1) -

explicado, até qu

e

se baixe o 1tltir110

-

-

D

X

Q

pelo

sett

valor

dado neSia ui-

,

alaaris1no do divid

e

ndo total .

ti,na

egt1aldade, resulta

:

º

,

/ • ' 1

N

+

[(1011

- 0)-· 10"

1

Q

==

R,

Oll

N

+

cpl

D

X

\.

Q

-

10°

Q

=

-

-.

R.

0

.

q.q.d.

DISPOSIÇÃO PRA"flCA

DA REORA

Seja

para se

o

bt

e

r JJelo proc

e

s

s

o

,

do

s

co1np

l

em

er

1t

os

o t1uocie1

1

t

e

da ti,

ivi-!

são de

5674874

por

576. ,

.

.

Colloqueinos os terrnos desta di,

1

i-E.m

uma das 11ossas lições

anterio- são con1o ensi11a a regra dada :

res

tivemos occasião

de

dizer

que o

·

professor poderá prescindir de

·

explicar

~

Dividendo

624

Co1nplenze11to

do

aos seus alumnos a theoria dos

proces- ,

divisor

sos

estudados,

bastando expor-lhes

as

3674574 576

Divisor

regras praticas psira que possam resolver

facilmente as operações fundam!;!ntaes

,

da

Arithmetica

pelo

emprego dos

con1-

Effectuando as operações

de

a

c

L

or-tJlementos

.

l

do com

o que

expõe a

mesma

r

eg

r

a

,

te-A d ITIOS :

Comtudo nada tem as nossas

e-

monstrações

·

de difficil, 11otadamente

,

a

qt1e acabamos de dar.

A nossa

gene-raliiação acima exposta

é

sen1

duvida

a

- - - -

-.

mais

simples

demonstração da regra

dos

com1Jlementos

applicada á divisão,

ten-do além disto

a

vantagem de não

se

tor-nar fastidiosa .

.'

Como

N

IJOde

ser

tanto um

divi

.

• 1

-

-~

(1) Assim, o co111plfmento de um numero

de 3 aliarismos, como 732, é J()3 - 732

=

268 .

( t) Esta operaçlio consiste ape,,as em se

separar por 11ma curva sen1i-aberta pat·a a esquer-da, o primeiro algarismo da esq11erda de cada

.~omma obtida, conforme está ria disposição pra-tica da regra q11e damos em seguida. O

quoci-ente lica deste modo reproduzido á esq11ercla dos dividendos parciaes e de baixo para cima.

(4)

1 • • ; • '

...

' • ' •

'

'

.214

A Ui.COL

:

A PR

'

IMARJA:

• l • • ' I ' • • • ' ' , ! 3674874 .5616 9)2908 4368 7)2767 4368 7)1354 1872

-

3)226 • 624 376

-9773 Quocie11te

.

Resto

·

• '

Cor/sideremos ainda

UITI

exemplo

de divisão exacta :

'1·394196 + 31 )2. • ' • • •

'

'

)

,

4394196 6868 . l) 12621 27472 4)'00939 0000

---

·

-0)09396 20f 04 3)0000

Resto nullo

6868 3132 1403 Qirociente ' 1 • F . -' •

Ficamos, então;

sabe

ndo

c1t1e

A

é

ad-jectivo

determinativo

articular definito

qt1ando

,

anteposto a

um

st1bsta11tivo,

o

define.

·

-

Lucy, escreva,

agora a phrase :

«

Aqu

e

lle

A

está mal feito

,

- ·co

mo,

você

,

analysaria agora

o

A

como

·

i10

exemplo

anterior?

-

Não,

senhora

.

·

-

Sabe, então, analysal-o

?

-

Não, senhora.

Então repare que antes do

A

está o

determinativo

Aquelle

e que todo determi-

,

nativo refere-se a um substantivo,

prece-dendo-o.

..

No exemplo dado o A significa letra

do

alphabeto e, portanto, concluímos que

A

é

st,1bstantivo

quando

é

letra

alpl1abe-tica.

·

-

Carmen, venha ao quadro e escreva:

«

Dt1lce esteve aqui, ,nas não a vi,

--

E, agora, o

A

póde ser anlysado

co-1no nos outros dois exemp.los dados?

...._

Não, senhora.

r

-

Agora, elle

·

precede um verbo e

fi-gura

na phrase em logar da

palavra

Elia.

E',

portanto

,

variação pronominal.

---

Ottilià, escreva você, a phr~se :

<Estou

lendo o capitulo

A

do

regi-me11to interno desta escola ,

·

, )

.

'

Acteditam

.

os ser dispensavel maio-

·

-

Este

A

JJÓde ser analysado come,

res esclarecimentos sobre

·

o

1nod1is faci-

qt1alquer dos citados nos otttros

exein-endi

do processo que acabámos de ap

.

pios

?

plicar

á

divisão.

O

processo aqui exposto

-

Não

,

senhora

.

é,

não somente mais bor1ito que o com-

1 -

Pois bem, repare

.

que al1i, 11esta

mum,

como muito mais facil

e

pratico phrase,

?

A

~uer dizer

PRIMEIRO;

é

11or-que

este.

tanto ad1ect1vo numeral ordinal.

· Manáos, Maio de 1924.

·

-

Vejamos o

A

em outra phrase.

Es-'

creva,

você ; frederico : .

ÀBILIO DE BARROS At.ENCAR,

<E.sta moça não

é

a qu

,

e esteve aqt1i

hontem.,

Lente ela Escola Normal de Manáos.

.

,

Neste exe,nplo, o A ve1n er'n logar da

'

,

,

palavra moça e

é

equivalente á palàvra

-

..

__

_.

·

Aqztella;

portanto,

é

pronome

demons-trativo, porque

'

sabemos que pronome

f:.

Funcções gtammatícaes do monosyllabo

A.

toda a palavra que substitúe um nome.

.5º

Anno

-

Marina, escreva no quadro Regro a

phrase:

«A

boneca está quebrada

,

.

-

Bem; este A, que vem antes da pa

.

lavra boneca

é

adjectivo determi11ativo

ar-ticular definito, porque determina o

sub·

stantivo

boneca, i11dividualisa11do

sua

si-gnificação,

definindo-o, portanto.

1

--

Sylvia, escreva, agora:

e:

Vou passear a cavai lo.,

«

Vivo a estudar.,

--::.

Temos a~i dois exemplos ~m que o

A nao

é

empregado como nos outros

exetf!plos dados, e, repara11do bem

,

ve-remos qt1e, na primeira phrase precede

u111

subst~1ntivo

do genero masculino e,

11a

segt1n

da,

,

um verbo no ir1finitivo.

Pois bem, o

A

en1pregado nos

dois

casos, isto

é,

antes

,

de um substantivo

de

' ' • " . • •

A ESCOLA PRIMARIA

215

genero masculino ou de um

·

verbo no in-

tar,

etc. Substa11tivada a palfl,vra, um

finitivo,

é

preposição.

parl;imentar

é

o membro d~ Parla.

-

Venha Stella escre,

er:

mento.

\

«Vamos

á

cidade.»

Portanto quem parlam

e

nta na

guer--

Nest-a phrase, o

A

representa A+A, ra não

é

(salvo casos esporadicos) um

em contracção, sendo o primeiro

-

A, pre-

parlanzentar.

E'

um

parlamentario,

posição, e o segundo, adjectivo deterrni-

Su111pt11i1rio: -

Durante _o

go-l

nativo articular definito, exigindo o ac-

·

verno de certo estadista, quem 11ap

ou-.

cento para exprimir a crase subtração de viu dizer que as despezas foram

sumptua-

.

1

,

1 •

·

um

·

A antes de outro uma vez que, houve

rias,

isto

é,

excessivas, superfluas, de

a fusão de ambos. '

luxo

?

Doce engano! Todas as despesas

1

}

_ Pois bem; analysal-o-emos COf!lO são sun1ptua~ias, até

.

as minim~s

de_spe-contracção da preposição

A

con1_

º.

adJe- sas

·

do !'"ª's pobre dos ~idadaos .

ctivo determinativo articular defin1to A.

Sumptuario

é

o que se refere as despe·

_

Vimos, pois, que o 1nonosyllabo A sas.

Não

se deve confundir com

sumptuoso

póde ter nas phrases differentes funcções As

despesas sun:iptu~sas, as festas

grammaticaes e todas essas funcçõe.s fo-

.

sumptuosas, estas s1n1, e que merecem

ram estt1da das.

reparq e censura.

.

_ Vocês saberão distinguil-as?

·

.

As duas palavras são, pois, bem

_ Perfeitamente.

·

distinctas.

Qualquer diccionario

co~-D · · Ramos de Azevedo Raboeira.

e1anira

·

signa a differença.

é tolice· é como

ophtalniia dos olhos

Despesa

.

sumptuaria

ou

DA

''ESCOLA RAMIZ GALVÃO.''

cephalé~ na cabeça.

, · Vultuoso-De

tal sorte, disse-1ne

I

·

---

'

alguen1,

sumptuario

não quer dizer

~ran-,

de, excessivo, vultuoso ?

-

Melhor

ainda~

torno-lhe eu. Nem

su,nptttario

é

grande

nem

grande

é

vulttioso .

..

Tres palavrinhas

Para aqt1i tenho trazido, de

prefe-re11cia, palavras que andam maltratadas,

quanto

á

pronuncia. Uma ou out_ra vez

me tenl10 occupado de termos

CUJO

sen-'

tido grande parte ~o povo ~squece ou

confunde. Para hoJe escolhi tres

pala-vrinhas a que q~asi sempre ef!lprestam

os indoutos, sobretudo os esc~1bas das

gazetas, accepção que não têm.

,

Parl111nentar-Aquelle

que, na

guerra, vae de tim can,po ao_c~~po adv~r

so afim de

I

pro pôr um arm1st1c10 ou afim

de se entender a proposito de qua

·

Jqt1er

assurnpto, por ordem de seus chefes,

com os chefes inimigos, é um

parlam_e1z-tario

não

u1n

parlamentar.

Mas os

1or-naes 'estão cheios, em occasião de guerra

de pl1rases como esta: «Dirigiu-se então

ao campo dos sitiantes um i:1arla1nentar,

que offereceu a rendição n1ediante

con-dições».

Ora,

parlamentar,

adjectivo,

é

o

que se refere ao Parlamento, ou que tem

um Parlamento, ou (falando tie forma~

de governo) o paiz e1n qtie o

governo

e

escolhido dentre os membros do

Parla-mento. Assitn:

-

Collecção

de

documen-tos parlatrzetztares; republica

patlamen-•

Como não? Pois não

é

vultuosa

a

conta do vendeiro?

Qual historias

!

Vultuoso

é

o que

está de cara inchada, vermelha, conges-

·

ta.

Vultuoso

é

que significa

muito

gran-. '

de, consideravel, alentado.

·

Mas todo mundo ... Todo mtindo,

est modus in rebus.

'

Tambem

toda gente

A

acredita num rôr de sandices que voçe

despreza, não

é

verdade?

.

·

·

-Lá

isso,

é.

MESTRR·EscOLA

Correspondencia de T res Palavrinhas

J.

B. 1-t.-Ahi

estão

o

vultiioso

e

o

parlame1ztar.

Muito obrigado. Muito

grato

tambem pela attenção co!° que

l1oi1ra esta modesta secção

(Sessao,

ou

cessão

,

como indifferenteme11te escreve

.

·

aquelle nosso amigo? )

(J. 1,.

-

Regras para acertar na

pre-posição

a

? Para saber

·

qtiando deve

es-crever

ha?

Dara a crase? Mas ha tanto

exercício sobre o assumpto, meu caro

awigo ! Na propria collecção da

Escola

Primaria

·

em

seti primeiro anno V.

en-co

1

1trará alguma coisa.

-M

. E.

·

r

1

'

(5)

• / 1 1 • • • 216

O Sorte

i

o mensal d'A Escola

Primaria

1

Na r

e

dacção d'

<<

A Es

c

ola

i)rima-r

ia

>

>

, presentes num~rosos e

ssig

nante;

e c

ol

l

a

boradores da revi

s

t

a'

r

e

ali

so

u

-se o

s

e

gun

d

o so1

·

teio

.

do p

emio qt1

e

mens

almen

t

e conferimos

a

r1os

s

os

as-sig

n

a

nles.

Coub

e

o premio á

.

as

s

i

g

n

_

ante

D.

E

ury

dyce Paim, professora da

5

~

és

G

ola

'

m

i

.

x:

!

a

do

5

?

Oisfricfo, a cuja disposição

'

s

é

acha o recibo de uma assignafura

da revista f1·anceza L'école et la vie.

O p1·oximo sorteio. cujo premio

c

ons

istirá. em

'

uma assignalura annual

d

a

ex:cell

'

ente revista

«

A

Esc

o

la

Nor-m

al>>

, será realisado no dia

30

do m

e

z

e

le

Outubro,

à

s quatro hora

s

em nos

s

a

'

reda

c

ção,

á

rua Sete de Setembro

'

EXPED

IE

NTE

1

•A Escola Prin1aria • circt1la e111 todo o

Brasil.

Os pedidos de assig11at11ras devem vir

aco1npa11hados da resJJectiva in1portancia e en

-dereçados á

Reqacçã~ d'A Escola Primaria - Rua Sete

de Sete1nbro 174-1º andar.

As collecções dos annos anteriores, de

1916-1918, 19i7-1918, 1918-1919 e 1920-1921, 1921

-1922, 1922-1923, são 'vendidas 11a mesma red

tt--cção ao preço 10$000, Ca\ia anr10, em avulsos

12$000, cartonadas e 14$000 em volumes

enca-de_rnad~s. Os pedidos de collecções, pelo co,

r-~·e10 devei:ão vir ac<;>mpanhados da respectiva

1mporta11c1a e de n1a1s 1$000 para collecção

an-nual, para o registro postal.

'

.,

.

- -

---Só se acceitam. annt1ncios co1npativeis

com .o câracter desta Revista.

'

-

-Pedimos aos nossos assignantes o obs

e-quio de nos enviare1n, por escripto, tanto as

commu11icações de n1udanças de endereço, como

quaesquer reclamações relativas á rem'essa da

revista.

'

'

- -

-n.

1

74.

Os Snrs. assignantes, annunciantes e

quaesquer pessoas que tenharn negocios a tra

-tar con1 a administração desta revista poderão

procurar a_ geren!e na redacção das 13 ás 17 ho

-ras nos d tas ute1s .

,

• •

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Pro;Jrietaria

-das maiores ja(Jricas de 1·oupas brancas da A1nerica

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•>

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Fabrica - RUA DOS ANDRADAS

RIO

DE

JANEIRO

1 • ' ' ' • •

' • 1 ,

'

• • A EiSCOL:A: PRIMARIA 2 17

-Ili-

LlÇOES E EX.ERCICJC,S

(

EDUCAÇÃO DO HOMEM

E

DO CIDADÃO

Ter

ra

, Paíz, Nação, Povo, Estado, Patría

,

H

abi

t

antes, Cidadãos, Governo,

Autoridade, Lei.

Ecuador, Colombia, Perú, Mexico, Es

ta-dos Unita-dos do Norte, Canadá, Portu g al,

E$panha, frança, Ing laterra, Suissa,

Bel-gica, Hollanda, ltalia, Austria, Hungria,

J • Vug oslavia, Grecia, Turquia, Bulgaria,

- -- . Rumania, Polonia, Russia, St1ecia,

No-. ruega, Dinamarca, Japão, China, Egypto,

Attendendo a pedido que me foi etc. que são terras habitadas pela especie

endereçado por um grupo de prezadas httmana; Terra de Graham, Terra de

Baf-professoras, inicio hoje nestas columnas, fin, etc.. que não são. pela especie

hu-em forma de catechismo, a exposição ma11a. · , ·

clara, bem elementar , dos pontos capitaes

Que são Habitantes?

da instrucção cívica. Habitantes são os individuos que

Este primeiro capitulo abrange as J moram , ou ,habitam, em uma terra. .

definições basicas, de termos que terão ·

Que

é

u,n Paiz?

de ser empregados no correr do estudo. Damos em geral o nome de Paiz a

Todas as definições, diz o brocardo, são qualquer terra habitada.

'

A 11ação é 11P.1a gra11de solidariedade, co11stituida pelo se11ti111e11to dos sacrificios iJUe jizen1os e dos que estarnos ainda dispostos a fazer. S11ppõe um passado; resu,nc-se, poré111, no presente por um facto tangível: o consentimento, o desejo duran1ente expresso de continuar a vida co1nn1u111. A existencia de uma 11ação é (per

-doae-111e esta ,netaphora) u111 plesbicito quotidiano, co1110 a exister1cia do individuo é uma affirrnaçúo perpetua de vldu.

perigosas. Tanto maior o perigo,

accre-scento, quanto mais elementares tenham

de ser. Por isso, é necessario

compre-hender que nem sempre se conformam

inteiramente com a technica juridica as

explicações dadas. Não se trata aqui da

«educação juridica do cidadão » e por

isto me parece inteiramente fora de

pro-posito descer á distincção de , nugas e

·ficar, por exemplo, apoiado nos

lumi-nares da sciencia do direito e na

etymo-1ogia, a discutir as filigranas do çonceito

de Estado, ou de Povo, de Nação ou de

Patria.

-

-Que

é

u,,ia Ter,·a?

Atem do sentido primeiro da

pala-vra Terra, que

é

o globo, o nosso

pla-neta, attribttimos-lhe um outro: o de qualquer porção da superfície do globo, haja ou não haja habitantes. E', pois, o mesmo que uma região.

Dê exe1n1;los de varias terras.

O Brasil, a Argentina, o Uruguai , o

Chile, a Bolívia, o Paraguai, a Venezuela,

1

1

ERNEST RENAN, Discours et Conférences

De que

.

consta um Paiz?

O paiz consta essencialmente de

dois elementos: o Territorio, que

é

a

re-gião geographica, · e a PoJJUlação, · que

são os habitantes.

I

Que

é

uma Nação?

A palavra Nação é hoj e considerada

como verdadeiro e perfe ito synonyn10 de

Paiz. Assim, dizemos a nação brasileira,

a nação portugueza, a nação suissa, do

mesmo modo que citan1os os «paizes>

denominados Brasil, Portugal, Suissa

Foi se11zpre esta a accepção da

pa-lavra Nação?

Não. Primitivamente a palavra

Na-ção, do mesmo radical latino donde rtos veio o verbo «nascer», indicava o

con-juncto de individuos de uma mesma

raça,

ou de um mesmo tronco.

Co,no se dividem os Habitantes de

• ;>

um /Jatz .

.

·

Os habitantes de um paiz·

dividem-se em

nacionaes

e

extrangeiros.

Que são Nacionaes

?

Nacionaes são os que pertencem

propriamente ao paiz, que estão com

elle

(6)

• 1 , • •

'

• • •

'

' 218

A

ESCOLA PRIMARIA • '

identificados pela raça, pela familia, pelas

tradições. São, em summa, os filhos do

pa1z.

Que outro notne pode!f!,OS dar aos

nacionoes

? .

Aos nacionaes tambem chamamos

naturaes.

Qae são Extra11'geiros?

Extr'angeiros são os indivíduos que

'

residern em um paiz, mas pertencem

·

a

outro, onde nasceran1, onde têm familia,

e ao qttal estão sempre sujeitos.

,

Como se éli

.

amam

.

os naciorzaes de

ceda paiz?

,

Os nacionae~ de cada paiz tomam

um nome especial, derivado

·

do núme do

proprio paiz. Assin1, os naturaes do

Brasil sao brasilei

r

os, os de Portugal

portuguezes, os da frança francezes, os

da Espa11!1a

'

espanhoes, os da Italia

ita-lianos, os da Argentina argentinos, etc.

Qite

são Naturalizados?

Naturalizados são uma categoria

especial de

1

nacio

.

naes: aquelles que,

ten-do J)ertenciten-do a outro paiz, onde

nasce-ram, ou a que

.

estavam ligados pelas

paes, resolveram filiar-se a outra nação,

a qt1e os prendem laços de affecto ou de

interesse. Assim, ha muitos portuguezes,

francezes, espanhoe~, etc. que se

natura-lizaram brasileiros.

Coíno distinguiremos uns dos

ou-tros?

·

'

'

Fazemos a distincção por meio das

Í

p~lavras «nato

'

,

,

e «~a~uralizado>. Assim,

,

dizemos que é bras1le1ro nato aquelle que

nasceu 110 Brasil,

,

ou de pae brasileiro, e

'

brasileiro naturalizado aquelle que, tendo

pertencido a outro paiz, adoptot1 a nossa

·

nacionalidade .

Que é

povo?

O povo de um paiz

é

o conjuncto

dos r1att1raes

1

e dos naturalizados. Não

'

se

deve conft1ndir cot11 a

população,

qt1e

\

Que

é

Patria?

Patria é o paiz de cada t1m. Usa-se,

porém, esta palavra q11asi exclusivamente

quando se trata de paiz soberano isto

é

ihd

.

ependente de qt1alquer outro. '

'

,

Que relações ha ,za linguageni

cor-rente, e,ztre os ter,nos Terra,Paiz Nação

Patria, Estado?

'

'

.

As quatro primeiras são

freque11te-mente empregadas umas pelas outras

com o me

'

smo

·

sentido.

'

. . A

_

ssim um Brasileiro dirá

·

do Brasil,

1nd1fferentemente:-E' a minha terra o

.

'

.

meu paiz, a minl1a patria, a minha nação.

a palavra Estado nao é empregada em

qual11uer opportt1nidade. Dir

·

emos, por

exemplo:

-

0 Brasil, a Argentina e o

Chile são tres grandes Estados

sul-ame-ricanos; n1as não diremos:-Meu Estado

é

o Brasil.

Qae

é

o Cidadão?

Cidad!30

é

o individt10 em relação

ao Estado, ou Paiz

,

, de que faz parte.

Assim, dizen1os: os cidadãos

brasi-leiros, os cidadãos francezes, etc.

Qual o sy1zony1no

.

corre12te da

, ,

palavra

cidadão?

·

.

O synonymo mais corrente da par

lavra cidadão

é

''subdito'', Não ha hoje

razões para estabelecer distincção, corr10

pretendem alguns diccionaristas.Dizemos

indifferentemepte: cidadãos brasileiros e

subditos brasileiros. E' em geral o

habito, ou então o gosto, quem dieta a

preferencia da palavra.

Que

é

Governo?

Governo significa administração, e

tambem

,

·

i11dica o

·

conjuncto dos

indivi-duas incumbidós da administração e

re-presentação do paiz.

·

Qtze

é

autoridade?

Autoridade

é

a faculdade de

ma11-dar, de determir1ar, de deliberar para o

bem co1111num. O governo

é

depo

s

itaria

da autoridade.

comprehende todos os habitantes.

·

Que

é

um Estad,o?

Estado é 11m paiz soberano, isto

é,

Que sytzonynio corre1zte tenz a

pala-que se governa por si, sem intervenção

vra autoridade?

·

'

de nenhum outro paiz e

,

m seus 11egocios

.

A palavra

/Joder

é

synonyn1a de

au-Q1,e

outros sentidos te,n a palavra

toridade ·

,

,

·

Estado ?

Qtte outro sentido te,n a palavra

A palavra Estado ~n1prega-se ainda

autoridade?

.

em dois sentidos diversos

"

:

1

°

E' uma

Chamamos tambem autoridade a

subdivisão de certos paizes, taes como qualquer J)essoa qt1e exerça o poder,

o Brasil, os Estados Unidos da A

,

merica isto é, que possa mandar ou determinar

do

Norte, etc. 2º E' a admi:1istração, ou

.

ao povo algun1a coisa para o bem

com-o gcom-overn<;> dcom-o paiz.

'

mt1n1.

\ 1 • ,

1

r

• • A ESCOLA'. PR:IMARIA 219 •

Como se exerce o governo 1zos paizes

civilizados

? ,

Nos paizes civilizados,

como o

nosso, o governo

é

exercido por meio de

leis.

Só dentro dellas

é

que as autorida.

des nos po

·

dem in1pôr a

s

suas ordens.

Uma autoridade que não esteja apoiada

na lei é prepotente ou arbitraria, e os

ci-dadãos não lhe devem prestar obedi

é

n-cia.

1

Que

é

a lei?

,

A lei

é

un,a determinação escripta

e publicada, que foi tomada pelo poder

competente, de accordo cotn as

necessi-dades da 11ação e para bem de todos.

Qualquer autoridade podefa

,

zer uma

lei?

Não. As leis são feitas por orgãos

especiaes, constituidos pelos represen.

tantes do pro1Jrio povo a que e'll

a

s vão

ser applicad?s.

Donde ve11i o 11oder, ou a faculdade

de mandar, attribrtida a certos individttos?

O pod

e

r ven1 do JJroprio povo, q1.1e

escolhe os cl1efes que o diri

g

em, e que

ll1es presta apoio emquanto não se

afastam das leis.

1

l OTHELLO R EIS,

I

HISTORIA E GEOGRAPHIA

' r

·

- -

• •

·

HISTORIA

• '

Noção Summaria da

c

ivilização

hu-.

,

.

1na1

i

a ate os gregos e os rotnanos e a

in-fluencia desses dois /Jovos sobre a vida da

humanidade.

lha; Tortura

.

e êscravidão não podem

mais ser adn1ittidas em paizes civilizados;

a liberdade, a egualdade e a fraternidade,

proclamadas pelo christianismo, tendem

cada vez

·

111

·

ais a dominar os espiritos.

São factos. Delles

é

facil inferir a

noção clara e simples do que

é

progres-Nem sempre conheceu

O

homem

·

so humano e do que seja civil!zação.

tudo qt1a11to hoje conl1ece; não ha dois

. Nem sempre

O

mundo foi o que

é

seculos que ainda não se utilizavam as ho1e ·

grandes forç~s-o vaj)Or e a. electrici-

.

f':Ie

'

m sempre a1mi~tiram os ~omens

dade-; ha quinhentos

,

annos ainda não certas 1deas que l101e sao comestnhas

e

se havia inveptado na Europa a impren- indiscutiveis. Como chegamos a ter o

sa; a photograpl1ia, o pho.nograp~o, a que ten;ios e a pensar _como .pen~am~s?

vaccina contra a hydrophob1a, os raios X

E o que nos ensina a h1stor1a,

1n-são da segunda metade do seculo

XIX:

vestigando

o.

passado d.a humanid_ade e

os ~t1tomoveis, o ci11ematogapho, a na- estudando os

factos sociaes

que mais .ou

vegação aerea são

do principio

,

deste menos directa1nente affectara1n a

vida

seculo ... Eis ahi alguns exen1pI0s mais dos povos e o progresso humano,

na

impressionantes de co11qL1istas recentes ordem material, intellectual e

moral-do homem na ordem 111aterial e intellec- triplice aspecto da civilização. E

que

tual. Outr~s

·

exemplos, 11ão menos elo-

·

admiravel lição esta, a

,

da solidariedade

quentes, podem comprovar o progresso de todos os hon1ens no temp? _e no

es-moral da Humanidade: os governos paço, desde os alvores da c1v1l1zação, na

absolutos, em

q11e

a vontade do princi- edade da pet1ra

làscada, quando o

pe, ou antes o seu bel-prazer, é a

,

lei su- homem se abrigava nas aryores ou n~s

prema, vão desapparecendo; os povos cavernas, até as

maray1lhas de hoJe,

não se consideram err1 permanente com o telegra1)ho sem fio, os arranha.

hostilidade e, graças

á

diplon:ia~ia, mui- ceos americanos e todos os requint~s

de

tos conflictos consegt1em ser evitados ou luxo e co_nforto . das g~and~s cap1t~es 1

resolvidos por arbitramento;

'

as guerras Nada mais proprto p~ra 1ncut1r no animo

não desappareceram, 111as os vencidos e de qualquer individuo, mesmo que

seja

prisioneiros ja não são tratados como na ainda uma criança, a fecunda no~ão

de

antiguidade pagan; existe a Cruz Verme- sua dependencia de toda a humanidade;

• • • • • • •

'

• •

Referências

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